#134 Soberania em IA: o que as empresas precisam entender agora
Neste episódio do De Dono para Dono, recebemos Nelson Leoni, CEO da WideLabs, uma empresa de Inteligência Artificial Soberana.
No bate-papo, discutimos os principais riscos de depender de APIs e modelos estrangeiros hoje, as áreas dentro das empresas que estão mais maduras para implementar IA, a evolução do mercado de IA nos próximos anos e o risco geopolítico envolvendo dados e infraestrutura tecnológica.
Se você se interessa por Inteligência Artificial, este episódio é para você!
Conheça a Auddas e descubra como podemos ajudar a alcançar o sucesso:
https://www.youtube.com/@auddas
https://www.instagram.com/juliantonioli
https://www.linkedin.com/company/auddas-consulting/
https://open.spotify.com/show/0Txf0LYFaLITDaWoyHcseW?si=d020fd9381c147b3
Onde você pode encontrar o Nelson:
https://www.linkedin.com/in/nelsonleoni/
https://www.instagram.com/nelsonleoni/
Onde você pode encontrar o Julian:
Nelson Leoni
- Modelo de Negócio da Wide LabsFábrica de IA soberana · Pilares de segurança e soberania · Competição com grandes players de IA · Foco em setores regulados (financeiro, telecom, energia) · Estratégia de ecossistema e parcerias
- Soberania na práticaDependência de APIs estrangeiras · Risco geopolítico de dados e infraestrutura · IA Soberana · Controle de dados e infraestrutura tecnológica · Independência tecnológica
- IA: Espuma vs. RealidadeNecessidade de entender o próprio negócio · IA como ferramenta de eficiência, não salvadora · Foco na redução de custos e melhoria de processos · Gestores públicos como early adopters · Estratégia de começar pequeno
- Caso de Luana e WelingtonCarreira militar e ferimento no Haiti · Transição para comunicação digital e publicidade · Experiência no Unicef e primeiro contato com IA · Atuação no BTG Pactual · Fundação da Wide Labs
- Resiliência e Pilares do EmpreendedorismoAcreditar no propósito e na visão · Lidar com a ansiedade e a montanha-russa do empreendedorismo · Importância da resiliência e teimosia · Analogia com experiências militares · Cultura empresarial e confiança entre sócios
- Equilíbrio e Aprendizado ContínuoPrática de esportes de endurance (triatlo) · IA como ferramenta de aprendizado e assistência · Mensagens para o passado e futuro · Propósito de gerar impacto real na vida das pessoas
- Eleições América LatinaBrasil na terceira onda de adoção de IA · Europa e China à frente na adoção de IA · Regulamentação de IA na Europa (GDPR, AI Act) · Potencial do Brasil como polo de infraestrutura (data centers) · Necessidade de agilidade nas decisões públicas
Será que é legal você ser um governo ou uma empresa gigante aqui no Brasil e você entender que todos os seus dados estão rodando lá na Virgínia ou estão rodando em alguma nuvem que você sabe lá Deus onde está? Qual é a segurança que você tem de ter uma sessão daquilo ali se tiver uma crise muito mais grave?
Fala aí, pessoal. Bem-vindos a mais um episódio de Dono para Dono, o podcast aqui da Aldos. A gente sempre traz pessoas com histórias super bacanas para dividir com a gente aqui a jornada de empreendedorismo. E a gente fala sempre do lado A, que é o lado que dá certo, mas fala um pouco do lado B também, que são as histórias curiosas que a gente vive ao longo desse processo. E eu estou hoje com uma pessoa aqui que eu tenho certeza que vai ser super legal o papo. Eu estou com o Nelson Leone, CEO da Wide Labs.
Nelson, eu não gosto de apresentar as pessoas, eu não gosto de eu ficar apresentando. Então, eu já aproveito para passar sempre o gancho. Primeiro, eu agradecer você ter aceito o nosso convite aqui. E daí, já te perguntar, de onde você veio? Por que resolveu empreender? E por que a Wide Labs?
Bom, primeiro, muito obrigado pelo convite, porque acho que para a gente é sempre uma grande oportunidade poder contar um pouco da história de como é que a gente vem empreendendo, falando de tecnologia, falando de IA no Brasil. Eu tenho uma história um pouquinho diferente, acho que do empreendedor normal. Então, definitivamente, eu não segui a jornada natural. Eu começo sendo militar do Exército. Então, eu sou oficial do Exército, formado na Academia Militar das Agulhas Negras, a AMAN.
lá em 2001 e eu segui carreira até aquela missão de paz do Haiti que o Brasil chegou a liderar, onde eu fui ferido em combate, e ali a minha vida mudou eu tomei um tiro de AK-47 no coração e isso é uma outra história e esse tiro ele mudou minha vida ele e
Ele me reposicionou, acho que dentro da questão de tal, o que que eu vou... Primeiro eu sobrevivi, né? Acho que você sobreviveu a um tiro de... Sobreviver a um tiro de AK-47 no coração é pra poucos. É, bem poucos, eu diria, né? Então já eu recebi uma segunda chance. E eu fui pro Haiti, e aí tem uma coisa do PokéWide Labs. Eu fui pro Haiti com a ideia de...
é poder... A missão é muito bonita, né? Você está querendo levar a paz para um país que está precisando dela, né? Então, eu tinha um propósito muito forte em relação ao que eu acreditava e a própria missão propriamente dita. De lá, eu acabei sendo aposentado do Exército. Aí tem uma parte ainda que eu virei atleta paralímpico e tudo mais dentro da minha trajetória.
Mas eu acabo indo para o mundo de comunicação digital, no mundo publicitário, onde eu entendo que isso é em 2008, 2009, as redes sociais estão começando. E quando você está se recolocando no mercado, velho, no meu caso, eu já tinha quase 30 anos de idade, eu estava velho, e você recomeçar do zero, eu entendi que...
Eu tinha que achar um lugar que eu tinha facilidade, mas que também as pessoas estavam começando. Foi a minha estratégia à época. Fui muito bem sucedido ali. Acabei trilhando uma carreira bem interessante. E aí eu fiz mais uma mudança. Isso foi de 2009 até 2015. Quando em 2015 eu recebi um convite interessante via Headhunter para ser o chefe de comunicação digital do Unicef no Brasil. Saí do mundo corporativo e ir para uma instituição das Nações Unidas. Legal. Topei o desafio, passei tudo.
Lá eu tive meu primeiro contato com inteligência artificial. É, a inteligência artificial não começou agora com o GPT, né? A inteligência artificial já existe há muito tempo. É, há bastante tempo. Com machine learning, trabalhando com, na época, o Facebook Messenger, a meta.
onde a gente criou uma IA, junto com uma startup, voltada a ajudar jovens, meninos e meninas vítimas de violência sexual online. E você conversava com uma IA, com um chatbot, mas ainda com a árvore de decisão, e era uma história que você acompanhava e aquilo ganhou uma repercussão gigantesca. E a gente acabou impactando 1,5 milhões de adolescentes no Brasil, foi bem legal.
De lá, eu acabei sendo promovido e fui para ser o chefe global de engajamento digital do Unicef em Nova York, onde eu tive a oportunidade de conhecer, eu acho que, diversas visões de mundo. Porque eu conversava com 192 países e a gente tem a nossa cultura, os Estados Unidos tem a sua cultura e o restante do mundo inteiro tem a sua própria, a gente começa a entender os mundos que a gente está vivendo. E ali eu recebi um...
a oportunidade de tomar uma decisão, na verdade. Eu acho que o Covid, eu liderava parte da resposta ao Covid dentro da minha função e eu entendi que poxa, eu quero fazer mais ou eu fico na ONU e vou ficar na ONU agora em diante, seguir minha carreira, ou eu saio agora.
E vou tentar empreender. Vou tentar fazer alguma coisa pra alavancar. E aí quando você tá... Parece que as coisas convergem, né? Eu falo que se o cavalo passa selado, você tem que estar pronto pra pegar aquele cavalo. Se você não estiver pronto, não adianta aproveitar a oportunidade. E me chegou a oportunidade de um projeto.
é que utilizava inteligência artificial, mas voltado para o tratamento do Alzheimer. Legal. Ele basicamente é uma IA que entrevista o paciente, os familiares e amigos, reescreve essa história sobre a ótica do paciente, sintetiza a voz do paciente, e o tratamento passa a ser o paciente escutar as suas melhores histórias de vida, que ainda estão retidas no seu cérebro.
Só que era impossível fazer porque não tinha, aí nesse caso, generativo. E aí eu decido voltar para o Brasil, nesse inteirinho ainda passei por um ano, acabei recebendo o convite para ser repatriado pelo BTG, Banco BTG Pactual, fui executivo do banco, chefe da área estratégica do banco.
E lá eu tive a oportunidade de conhecer dois gênios por networking lá do Rio Grande do Sul. E não estavam numa garagem, mas estavam num apartamento alugado pensando em ar. E eu já tinha tentado colocar esse projeto para muitas pessoas e ninguém falava que era possível fazer. Isso é 2022, pré-GPT, pré-lançamento. A gente está falando de setembro, outubro de 2022, quando eu conheço o Marcelo Schaper e o Rodrigo Maloz, meus sócios.
E eles falam, não, a gente consegue fazer isso. E eu falei, pô, mas lá de Porto Alegre, eu passei um monte de lugar lá no Vale do Silício, ninguém falou que era possível, esses caras vão fazer isso agora?
E aí eu até falei pra eles, se for verdade isso, rapaz, a gente vai ganhar o mundo. E eles fizeram, e eu entendia nada de tecnologia. Nada. Eu era um zero à esquerda. Eu entendia de negócios, entendia de marketing, entendia de comunicação digital. E eu falei, poxa, a gente precisa dar visibilidade pra isso. E a gente escreveu esse projeto, porque a gente acabou fazendo junto, em parceria com uma agência global de publicidade, no Festival de Cannes.
que é um festival que acontece de inovação todo ano em junho. E a gente escreve e a gente ganha o Leão de Cane com esse projeto e chama a atenção de uma empresa que eu acho que todo mundo já ouviu falar chamada NVIDIA. E a NVIDIA entra em contato com a gente e fala assim cara, vocês estão fazendo uma coisa fantástica aqui, mas qual que é a ambição de vocês?
E a gente falou, olha, a nossa ambição é que a gente tenha a capacidade de treinar um modelo que seja soberano, que seja brasileiro e que ele represente o que é ser brasileiro e o Brasil continuar. Não simplesmente esteja na Era de A, mas seja um país relevante na Era de A.
e a NVIDIA nos apresentou a Oracle, que nos ajudou a treinar, e ali nasce a Wide Labs. Então, a Wide nasce de três empreendedores que tinham uma visão de mundo e um propósito muito claro de gerar impacto, mas um orgulho de ser brasileiro e entender que é sim possível fazer inovação e tecnologia estando no Brasil, e as coisas vêm dando certo.
Legal, legal. E você estava me explicando antes aqui o que é... o que define a Wide, né? A Wide é... é uma fábrica soberana de IA. O que de acho é uma fábrica soberana de IA? Ou uma fábrica de IA soberana? Nem sei qual é a melhor definição.
É, fábrica de A soberana. Eu acho que você começou falando que você conta do lado A e do lado B, né? Não é que deu tudo certo, tá? Desde que a gente colocou isso aqui, as coisas, olha, foi brilhante, a gente tomou todas as decisões corretas. Você contou o caminho perfeito, né? Você não contou. Só que a gente, quando lançou a Amazônia, a gente lançou a Amazônia, e pra gente é um momento muito legal, que a gente lança a Amazônia, então a gente ganha cana em junho de 23.
Tem todo um trabalho e em julho de 24 a gente lança o Amazon IA, que era o grande modelo de linguagem na época, o maior modelo da América Latina no Ministério Sul.
no dia do lançamento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, foi num timing perfeito, e a gente achou naquele momento, cara, agora eu posso competir contra a OpenAI, eu posso competir contra a Meta, e rapidamente a realidade chega, e a gente entende que a gente está no Brasil, o dinheiro, levantar dinheiro, não é a mesma coisa que esses caras fazem lá no Vale do Silício, a gente está fora do bolo, do eixo.
e que... Não é pouco dinheiro, né? É difícil fazer isso com pouco dinheiro. É dinheiro ilimitado. E a gente entendeu que aquele modelo de negócio ele estava fadado ao insucesso.
E eu acho que a beleza de ser empreendedor é você... Assim, a gente vai errar. É certo que a gente vai errar. Mas a gente entender que está errando, aprender rápido e mudar de direção para entender ali na frente. E a gente entendeu que a gente não gerava e agregava valor e não agregaria, não conseguiria competir de igual para igual com o GPT, com o Lhama, com o Gemini. Mas se eu levantasse uma bandeirinha chamada soberania...
entendendo que países, instituições, começariam a ficar preocupados de simplesmente conectar por API suas aplicações e deixar seus dados fluir, gerar naqueles modelos, porque aplicação é uma coisa, os modelos são outra, sabe lá Deus aonde, e eu tinha capacidade de desenvolver soluções também. Então, poxa, eu sou soberano.
O Amazonia vive no Brasil. Eu posso desenvolver soluções vivendo na infraestrutura do meu cliente. E eu tenho os modelos soberanos, peraí. Então agora eu tenho uma fábrica de inteligência artificial que ela é baseada em dois pilares grandes, segurança e soberania. E desenvolver algo personalizado para eles, eu falei, opa, peraí. Aí a gente entendeu que a gente tinha um modelo de negócio na mão.
muito forte e extremamente competitivo porque não era qualquer empresa que poderia competir com a gente uma pena não poderia porque eles eles disponibilizam uma API e ali a gente entendeu como é que a gente ia ia chegar então não foi uma super decisão estratégica desde o dia zero que a gente virou olharam
para isso na largada, mas perceberam que esse era um caminho para viabilizar o que vocês buscavam. Soberania sempre teve, só que a gente já estava que era só sobre o modelo. Quando a gente entendeu que o modelo de negócio era soberano, então as aplicações, os modelos, a infraestrutura, ela tem que ter isso, porque é isso que vai gerar a tranquilidade do controle do botão para o executivo, para o dono da instituição, o CEO ou o executivo da instituição pública, aquilo mudou o olhar em relação, inclusive, ao AID e a gente começa a ganhar contratos.
Agora, isso se aplica não só a entidades públicas, ao governo, se aplica eventualmente a uma companhia privada que quer ter um pouco mais de controle sobre esses aspectos. Sem dúvida nenhuma. A gente fala que os principais clientes nossos são dos setores regulados. O que significa isso? Então, basicamente, setor financeiro...
de telecom, de energia, utilities, na verdade tem um monte. Colocar área de jurídica também. Mas no fim do dia, eu acho que a conta que a pessoa tem que fazer é o seguinte, eu não tenho controle de toda a cadeia. Se der algum problema...
global e tiver aumento de tarifa, se tiver algo que foge do meu controle e aquela API que eu conecto a um modelo específico, sabe lá Deus aonde, eu não estou tão preocupado com a minha soberania de dados, esses dados estão circulando. Se você não tem isso dentro da sua caixinha, você não tem o controle dele 100%.
Ah, mas pode ter um aumento de preço disso. Pode. E esse aumento de preço pode impactar o seu negócio. Pode. Então, os empresários começaram a se preocupar com duas coisas. Sem dúvida nenhuma, o contexto político global influenciou. Eles falaram, opa, peraí. Isso aqui dobra de preço? Isso aqui quebra o meu negócio. Se eu não tenho um controle disso, isso é uma coisa. A outra é, poxa, eu estou subindo documentos, processos, documentos extremamente estratégicos, que só Deus sabe para onde está indo. Eu não sei.
e eu quero reter isso dentro de um ambiente seguro. Então, sim, grandes empresas começaram a se preocupar com isso antes, junto com governos, mas hoje eu diria que muita gente está preocupada. Legal. E esse assunto está razoavelmente em voga até por conta das discussões recentes lá nos Estados Unidos, que dá para usar como referência, Antropic.
Open AI, Trump, tudo isso aconteceu recentemente, essa discussão sobre até onde vai, até onde não vai, quem pode ter acesso, quem não pode, mas vale para mim, vale para os outros. Até onde vai sua privacidade, até onde vai o controle de dados. Exatamente isso. Quem mais pode usar, porque eu quero usar só para mim. Não, espera aí, será que faz sentido usar só para você? E aí, dentro dessa conversa, imagina que você consome uma API de uma empresa estrangeira.
E por uma briga ideológica, política, sei lá o quê, há uma sessão de uma hora para outra daquele fornecimento. Ah, isso é impossível de acontecer. Será que é impossível? Eu diria que já foi mais impossível de acontecer. Legal. Agora já não é tanto. Então é isso que começou a... As pessoas começaram a entender que eu preciso ter uma independência tecnológica dentro da minha infraestrutura.
para salvaguardar o meu próprio negócio. A IA vai estar cada vez mais presente no meu modelo de negócio? Legal. Mas se eu não estiver me preocupando com essa parte, eu também estou abrindo uma vulnerabilidade relevante. Legal, legal. Agora, Leone, você que está mais por dentro, talvez, do que o empreendedor médio, vamos chamar sobre IA.
O que você acha que é espuma e o que você acha que é realidade? Porque geralmente nessas grandes tendências tem sempre um pouco de espuma, no sentido de, ah, vai mudar tudo, vai afetar tudo, vai acabar com o SAS, vai acabar com todos os empregos. O que é isso? O que na sua opinião?
É espuma e o que é verdade? Como é que você está vendo isso? Bom, eu vi, eu acho que assim, tem bastante espuma, sem dúvida nenhuma, e teve muito executivo querendo dar resposta de implementação de IA, simplesmente porque todo mundo estava usando IA. Eu estava até escrevendo sobre isso, e vou terminar de escrever essa semana.
É assim, pra que serve a IA? Acho que as pessoas, antes de entender que ela precisa colocar IA na sua empresa, uma coisa não mudou e não vai mudar nunca. Você tem que entender do seu negócio. Você tem que conhecer o seu negócio profundamente, entender as dores dos seus negócios, onde é que são os seus gaps. A IA, ela tá ali pra ela gerar mais eficiência no seu sistema, não pra salvar a sua empresa. Ela não é uma fórmula mágica que ela aparece e ela vai resolver tudo.
Primeiro, para ela resolver alguma coisa, você tem que saber o que ela precisa resolver. A gente começou de uma interação com muito empresário e gestor, querendo simplesmente colocar IA, porque queria colocar IA, porque estava todo mundo usando, para, e com o ROI extremamente negativo em relação a isso, porque gasta, se investe, gera expectativa e você não gera resultado. Para um... Não, espera aí.
Eu mapeei algumas dores aqui dentro e eu entendo que essas dores, elas com a IA, com uma plataforma, com um sistema, com um modelo de multiagentes, o whatever, o que for, ela vai gerar mais eficiência, ela vai reduzir custo, ela vai gerar mais oportunidades para mim, eu vou gerar mais celeridade.
E vocês já estão vendo áreas onde isso é mais ou menos comum? Por exemplo, aplicações ou áreas ou negócios em que é mais fácil achar esse tipo de retorno? Sim. Eu diria que se a gente fosse... Vamos para dentro, para... DRE é nossa lá. Onde é que ela vai entregar mais? Na geração de receita ou na redução de custo? Hoje, a experiência que a gente está vendo é na redução de custo.
Então, ela tem potencial de gerar mais receita? Sim. Mas geração de custo, acho que todo mundo que é empresário sabe que, poxa, é maravilhoso, porque eu estou cortando margem na veia. Então, quando eu melhoro processos, quando eu reduzo gaps, quando eu dou muito mais eficiência no meu back-office, necessariamente eu estou dando mais celeridade.
cortando gaps, eu estou identificando lugares que eu posso realmente cortar custo. E isso gera uma eficiência muito maior. Para a nossa surpresa, aconteceu um movimento interessante. Eu falei de mapeamento de dores, de problemas que tem. E nos surpreendeu muito que quem estava mais bem preparado num primeiro momento eram os gestores públicos.
E aí eu falei, não, mas peraí, como é que você já sabe as suas dores? Ele falou, cara, não é que eu estudei agora, que eu sei a minha dor de hoje. Eu vivo essa dor há 20 anos. Na verdade, não é que é uma surpresa para mim, para você. Os problemas que eu estou tendo é que eu não tenho como resolver. Mas está muito bem mapeado. E isso significa que se a IA me ajudar a resolver isso... E os volumes são grandes, você justifica. E aí você começa a gerar um saving de dinheiro, porque você deixa de gastar mais. E no setor público ele gerou uma fórmula bem interessante.
porque a gente não necessariamente é o estado público mais eficiente do mundo. Pelo contrário. Se você é ineficiente e você gera eficiência nessa camada de burocracia, de back-office, você consegue gerar mais eficiência, com menos recursos, porque você não vai precisar contratar mais gente, não vai precisar mais fazer isso com a mesma quantidade de pessoas, e vai gerar mais impacto para as pessoas. Ou seja, você está gerando...
mais economia de recursos com mais eficiência e mais impacto, que é uma fórmula que inexiste no setor público. E isso gerou uma aceleração muito grande no setor público que a gente está enxergando. No setor privado, a mesma coisa. Eu acho que as pessoas deixaram de pensar, e por isso a espuma...
de, ah não, eu tenho que implementar, isso aqui vai mudar meu negócio. Não, não, não, pera. Também não tem fórmula mágica e se eu errar eu vou errar queimando muita grana. Esse é um problema, então eu tenho que entender que é, ou eu gasto dinheiro ou invisto esse dinheiro, mas esse dinheiro vai ser usado. E identificar muito bem o problema e começar pequeno.
acho que é outra coisa, a galera começou com planos megalomaníacos e quanto maior o plano, maior o tombo e agora a gente está vendo uma estratégia muito mais bem definida interessante você ter colocado esse ponto de eficiência e tal, porque vocês também conseguiram de certa forma colocar o negócio de pé com pouco recurso e com pouca gente, comparativamente aos seus concorrentes, vamos chamar assim aliás, nem sei, você definiria é
OpenAI, Antropic, como concorrentes? Eles não são um concorrente direto da gente. Eu acho que uma Palantir está muito mais parecida como concorrente da gente. E para quem não conhece a Palantir, vale dar uma pesquisada. É uma empresa extremamente relevante hoje no mundo, inclusive ela fala muito de soberania. Existem algumas... Existe um movimento, sim, de algumas dessas grandes empresas, da Mistral, do próprio...
da própria PNI, desmontar uma área um pouco mais de negócio estratégico pra você começar a lidar com projetos de missão crítica. Tá. A Antropic tá nisso também. E a discussão toda com o governo americano foi dentro desse contexto. Mas hoje, a gente compete muito menos com quem tem modelo.
e compete muito mais com quem está defendendo soberania. Defendendo soberania. Legal. E vocês foram super eficientes, né? Você estava me contando aqui, não vou falar os números, mas com pouca grana e com relativamente pouca gente conseguiram chegar onde está. Qual o segredo, Leone, de conseguir fazer essas coisas com pouco recurso, de certa forma com pouca gente? Como é que vocês acharam esse caminho?
Eu acho que a gente foi descobrindo o nosso modelo de negócio com muitos acertos e erros. Eu acho que esse foi um ponto. A gente teve um kick-off muito forte que foi entregar o nosso primeiro modelo. E esse modelo foi entregue e treinado. A estratégia que a gente usou foi muito mais semelhante a um Deep Seek que acabou lançando depois da gente. Mas a gente foi, queira ou não queira, apoiado muito forte pela Oracle e pela NVIDIA dentro desse primeiro momento.
Eu acho que a estratégia que fez a gente alavancar, ela foi baseada num ecossistema, não só no nosso esforço. Sozinho, o Ed não seria nada. Entrar no programa Inception da NVIDIA, virar parceiro Oracle e depois criar todo um ecossistema. Hoje eu sou parceiro da FGV.
eu sou parceiro da URGS, que é o Federal do Rio Grande do Sul, eu sou parceiro da AWS, da Oracle, eu sou parceiro do Grupo Positivo de Tecnologia, sou parceiro da NVIDIA. Então, o que a gente entendeu? Meus clientes são clientes grandes.
E eles não fazem a mínima ideia quem é o Leone, quem é o Edlabs lá no começo. Hoje fazem, mas lá atrás não. Só que quando você senta ao lado dele, sentado junto com a Oracle, com a NVIDIA, ele te olha de outro jeito. Porque ele não está olhando para você só. Ele está olhando para um parceiro que está te apresentando, está te validando. E isso mudou muito. E está te referendando de alguma maneira. Sem dúvida nenhuma te referendando.
Então fica muito mais fácil você convertê-lo. Então a nossa estratégia foi montar esse ecossistema E aí E aí
e definitivamente participar desse ecossistema. Eu brinco com a NVIDIA que eles têm o programa Inception, e o programa Inception, a grande maioria dos empresários que estão dentro desse programa, que é um de aceleração de startup, eles são reativos, eles querem que a NVIDIA faça tudo para eles.
rapaz, a NVIDIA já está vivendo a vida dela. E dentro do conceito de startup, eu preciso ser pró-ativo, eu quero provocar eles, eu quero estar atuando, eu quero criar meu awareness, criar minha credibilidade atrelada a isso. E isso foi caminhando em conjunto com a nossa estratégia de negócio.
Então, a gente foi ganhando notoriedade e visibilidade para que a gente pudesse fechar os nossos primeiros contratos. A gente queimou muito caixa nesse primeiro momento. E quando você é built-strap, o queimar caixa dói na alma. É de você estar cortando carne.
Então a gente tem que ser extremamente sagaz na gestão de recursos para você não ter nada muito a mais. Não é que eu estou queimando dinheiro, eu estou queimando o meu dinheiro. Não dinheiro de fundo, nada. E esse dinheiro acaba. E se acabar, a gente está falido. É quase isso. Então você tem uma estratégia desse modelo para você crescer paulatinamente e usar essa amplitude toda que esses parceiros dão para a gente para você conseguir alavancar. Boa. E agora...
Mudando um pouquinho de tema, assim, curioso, você falou assim, pô, esbarrei nesses dois gênios, Rio Grande do Sul. Vocês provavelmente vêm de backgrounds muito diferentes. Você tem um background militar inicialmente, né? Depois em outras áreas, e eles provavelmente pesquisadores, universidades, não sei exatamente de onde eles vêm, né? Como é que você vê essa combinação de competências nesse time de sócios, assim? E o que você trouxe de experiências das...
das vidas passadas, pra usar na Wide, que você fala assim, cara, essas coisas aqui eu consegui transpor dessa minha experiência aqui anterior pra cá e isso que tem feito a gente funcionar. Bom, eu acho que... Bom, o Rodrigo Malossi, ele é físico teórico, com PHD em IA, e o Marcelo Schapler é médico.
Ou seja, pessoas com backgrounds absolutamente diferentes. Muito diferentes. E cada um com a sua característica. Então, eu entendi, e eles entenderam, que eles não são de negócio. Eles não têm, nem querem ter essa capacidade de comunicar com todo mundo, de mais comercial. E a minha missão, e é engraçado que é uma analogia legal, a minha missão do Unicef, como diplomata do Unicef, era...
era não somente garantir o direito de crianças e adolescentes, mas que elas pudessem desenvolver todo o seu potencial.
A minha missão na UAID, como CEO e como sócio deles, é trabalhar para que eles possam desenvolver todo o potencial deles, que são caras muito mais inteligentes que eu, que têm capacidade de ir a muito... Mas sem a minha presença, eles não vão conseguir fazer isso. Então, eu tenho que abrir as portas, eu tenho que fechar os negócios para que eles possam brilhar, para que eles possam desenvolver. Então, o nosso time hoje é muito formado dessa maneira. 100% de brasileiros.
100% brasileiros. A gente já está... Eu não posso falar que eu repatriei alguém porque a pessoa não voltou para o Brasil, mas eu contratei gente brasileira que está em Portugal, por exemplo. A gente é dividido em três grandes áreas. A área de cientistas, que é a nossa área de IA.
com PHDs, mestres, em parceria com a URGS, a gente conseguiu, a gente forma em casa muita gente. A gente tem a de tecnologia, que aí é a mais tradicional possível para você desenvolver as aplicações. E são muito antagônicas. Então, você está falando com cientistas, PHDs versus devs.
DevOps, são mundos muito diferentes e a gente conseguiu achar uma forma de trabalhar em conjunto com sinergia e a área de negócios e mais comercial, sabe? Então, quando a gente entende isso é que a gente está no topo do funil, eu vou manter o relacionamento com o meu cliente e eu tenho que dar as melhores condições para o meu time desenvolver aquilo e entender muito bem o que está acontecendo. Então, a gente tem que traduzir, né? Então, eu acho que nós somos mais sócios, a gente...
Teve esse Family and Friends que deu essa alavancada pra gente, que sustentou o fôlego. E somos pessoas muito diferentes. Mas são sócios não operacionais? Somos quatro... Desculpa. Somos cinco sócios operacionais hoje. Cinco sócios operacionais. Isso. E esses cinco...
pessoas muito distintas e essas cinco pessoas, elas trabalham cada um nos seus nichos, vamos colocar assim, mas não existe o nicho. A gente trabalha em conjunto. Então a gente é complementar e sabe que essa complementaridade que dá a característica da Wide.
Então, eu sou um cara especialista em A? De tanto eu discutir com esses gênios, eu sou. Mas nem de perto. Para o leigo você é especialista. Para eles você continua sendo ignorante. O que eu aprendi foi traduzir. Então eu tenho que traduzir o que cega do cliente e o que sai deles. Porque também não é a mesma coisa. Sim, exato. Imagino que deve ter talvez até mais tradução daqui para lá, de dentro para fora, do que de fora para dentro. Sem dúvida nenhuma.
Boa, boa, muito legal E quando você olha pra frente Eu sei que você está No meio No meio da discussão Com investidores e tal Que acho que é importante pra companhia poder seguir Mas quando você olha pra frente Como é que você vê esse aspecto De soberania E esse aspecto de mais soberania
Como é que você vê isso acontecendo, se desdobrando América Latina? Isso é um risco técnico, é real? Como é que vocês veem isso acontecendo? Para mim isso é um risco real e atual, já. Ele vai ficar cada vez mais relevante. Eu acho que ninguém duvida aqui que já não é uma moda, é uma tecnologia que já existia. Isso aconteceu em outros lugares? Por exemplo, quando a gente olha a Europa, quando a gente olha a China...
E aí, essa sua pergunta é fantástica, porque imagina que a gente, o mundo todo está usando IA, mas em timings diferentes.
Eu diria que Estados Unidos está um pouquinho mais à frente, junto com China. E aí você tem a Europa, Japão, usando em seguida. E o Brasil está nessa terceira onda. E a América Latina está na quarta onda. Está mais para trás. A gente está bem coladinho da Europa. É, porque do ponto de vista usuário, o Brasil talvez seja um dos maiores mercados depois dos Estados Unidos. Sem dúvida nenhuma. E empresas mais. E aí...
O europeu, ele hoje, ele criou o GDPR, que é a LGPD nossa, que é a Lei Geral de Proteção de Dados, foi baseada na lei da União Europeia. E eles lançaram também...
a regulação de IA. E o europeu, ele começou a entender que, e o americano também entende isso, dentro desse contexto da soberania, que a IA cada vez mais vai estar presente em tudo que a gente faz, nas empresas. E se ela vai estar presente em tudo que a gente faz, eu entender como funciona a IA, a minha dependência da IA. E como eu saio de ter essa dependência aqui de um outro país, ela passou a ser um assunto extremamente irrelevante. Então soberania hoje na Europa é assunto crítico.
em inteligência artificial, para discussão disso. O pessoal está discutindo, está saindo da discussão, ah, eu preciso treinar o meu modelo do país. Cara, isso pouco importa. Agora, onde esse modelo vai viver, isso já importa. Será que é legal você ser um governo ou uma empresa gigante aqui no Brasil e você entender que todos os seus dados estão rodando lá na Virgínia ou estão rodando em alguma nuvem que você sabe lá Deus onde está?
Qual é a segurança que você tem de ter uma sessão daquilo ali? Se tiver uma crise muito mais grave. Só que eu diria que as pessoas entendiam que as crises eram muito difíceis de acontecer. Agora, estão mais perto. O Brasil... Ou ainda que algumas barreiras talvez não fossem ultrapassadas, né? Exatamente. Só que... Podem ser ultrapassadas. Exatamente. Mas...
Essa é uma vulnerabilidade. Ah, tá, isso não me afeta muito. Beleza, mas no mínimo você tem que ficar prestando atenção em relação a isso. Então, o brasileiro, normalmente a gente é um early adopter, a gente acaba adotando muito rápido. E para mim tem um gap um pouco da educação em relação à IA. Eu estou falando de educação de negócio. De entender o que representa a IA, o impacto da IA, versus a minha vontade de implementar logo. Então, a gente está assumindo alguns riscos que...
provavelmente não assumiria se você entendesse mais as consequências. Então, quando a maturidade em relação a sua educação começa a entender, a estratégia de inteligência artificial passa a permear outras camadas que você não enxergava antes. Então, a camada de segurança, a camada de escalabilidade, a camada de dinheiro, a camada de soberania. E elas têm níveis diferentes de preocupação dependendo da sua indústria.
mas ela passa a ser um componente de, no mínimo, discussão. E isso já está na Europa e está chegando forte no Brasil agora. É que a gente vê, assim, o Brasil talvez tenha uma oportunidade até ímpar, né? Inversa, de ser talvez...
o destino de muitos desses dados e tal, porque a gente se discute muito a capacidade do Brasil de ser um grande provedor de infraestrutura, porque a gente tem os componentes... Tem o redato agora. A gente tem os componentes básicos, né? É rico em água, energia que talvez não seja tão caro como em outros lugares, tem a questão toda de terras raras.
Como é que você vê? Você acha que a gente de verdade tem condições de ter um postamento diferente aqui, nesse lugar? A gente tem, eu diria que a gente pode perder essa oportunidade, se a gente demora muito. Outros países da América Latina, por exemplo, Paraguai, está se estruturando muito forte para ser um polo de data centers, por causa de energia barata que eles têm lá também, espaço que eles também têm lá, questão de impostos. O que o Brasil tem? O Brasil está na frente da América Latina.
E a minha estratégia de negócio, a gente enxerga a América Latina como um oceano ainda azul, com uma bola quicando que a gente pode chutar. Legal. E ser latino-americano está sendo muito bom. Estar na América Latina e ser latino-americano. Não ser europeu, não ser americano. Isso está sendo um diferencial competitivo.
Por vários motivos, além do contexto político global, porque o Brasil é sim benchmark para muita coisa. De soluções e aplicações que a gente vai pelo volume, pela dificuldade que é, se deu certo aqui, aqui eu consigo replicar. E eu acho que a gente tem a faca e o queiro na mão para o Brasil ser uma referência. Mas o timing é muito importante. Se a gente demorar, se os nossos decisores demorarem demais para tomar as decisões...
Tem gente que está com uma visão um pouco mais empreendedora, sabe? Para avançar. E a gente não é geralmente muito rápido para tomar esse tipo de decisão, né? Não, pelo contrário. No universo privado, é. No universo público, a gente tem mais contato, a gente não é. E a gente pode estar perdendo algumas oportunidades dessas, sabe? Legal. E como é que você está conseguindo tentar navegar nesse universo? Como é que é navegar nesse universo aí com a ajuda do teu ecossistema?
Porque essa turma deve ajudar você a empurrar também de alguma maneira. Como é que está sendo isso? Eu acho que... É...
você é o que a gente conquistou agora a gente tem voz e a gente é escutado a gente não é um decisor mas a gente pode no mínimo é chamar atenção para algum tópico tudo mais e a gente vem trabalhando o ecossistema inteiro vem trabalhando em relação a isso como América Latina como um todo nem a verdade então quando a gente abriu nosso nosso lançou o modelo o Patagônia na no que é treinou o modelo soberano começou com soluções de lá
Pô, a gente tava falando de soberania, eles nem tinha discussão, agora estão discutindo bastante. E estamos mostrando, eu acho que assim, a conversa que a gente mostra um pouco pro Brasil, pro governo brasileiro é, olha, o Brasil tem condição de exportar tecnologia pra América Latina. Não é commodity, não, não. É tecnologia de ar, e é isso que a gente tá podendo fazer. E se derem espaço pra isso, não é uma startup só que vai fazer isso. Você tem milhares de startups que podem fazer isso e colocar um E aí
Pisar na América Latina de forma diferente, sabe? Você está posicionado de uma forma estratégica. Legal. Leone, difícil imaginar com as experiências pessoais que você já teve, você citou rapidamente o passado com o militar e o evento que você passou por ser atingido por uma K-47, difícil imaginar situações
mais difíceis do que a que você viveu. Mas dá para comparar alguma situação aqui no mundo de negócios às suas experiências pessoais? Ou como que é agora para você botar essas coisas em perspectiva? Cara, já resolvi coisa muito mais difícil. Isso aqui agora é fácil. Ah, não, mas dá para fácil colocar em perspectiva. Muito. Empreender não é nada fácil. Empreender é uma...
É uma batalha todo dia. É você contar com o imprevisto, você planejar tudo e um acontecimento fora do seu planejamento acabar com aquilo ou mudar completamente a perspectiva. Eu acho que a ansiedade que gera... O que eu tento levar de experiência e tudo mais? Eu acho que a primeira coisa é nunca deixar de acreditar no que você está fazendo. E se você...
que está liderando a empresa, o time, você começa a questionar isso e aparenta isso para os seus liderados, você está destruindo a empresa. Porque às vezes, e já chegou momentos na UID que só eu acreditava. Não é ninguém mais acreditava. Mas eu acreditava porque eu tinha mais informação.
E porque eu sou um pouco mais teimoso, talvez. Então, assim, a resiliência... E não quer dizer que eu tava 100%... Ah, acreditar cegamente também não, porque senão você vai levar, vai afundar. E vê que você não tá dizendo eu tinha razão. Tô dizendo assim, eu só acreditava. Não tem nada a ver com ter razão ou não e nem tá certo ou tá errado. E aí, uma conversa que eu tive com um diretor meu, eu falei assim, cara, vocês não achavam eu doido? Ele falou assim, Leone, é que enquanto você acreditava...
a gente continuava acreditando. Mesmo que, puxa, será que ele é louco? Quando as coisas começam a acontecer e muda de curso e tudo mais, aí fica mais fácil acreditar. Porque assim, quando fica bonitinho, tudo dando certo, todo mundo acredita, todo mundo apoiou, é coisa mais simples. Quando você está mostrando o lado do ar, é fácil. É a coisa mais fácil do mundo. Então assim, como algumas decisões, e você tem que conviver com essa decisão. Acho que a maior analogia que eu tenho é... Eu fui para a guerra.
literalmente falando, a gente trocou tiro e tudo mais, então quando eu mandava o meu sniper atravessar a rua se eu mandasse ele na hora errada, ele tomasse tiro e morria a responsabilidade era 100% minha mas ao mesmo tempo ele é um adulto ele ia porque ele acreditava em mim
Antes de qualquer coisa. Ele acreditava. Mas ele também sabia o que ele estava fazendo. Ele sabia e ele tinha responsabilidade daquilo. Mas é um peso. Sim. Jogando a analogia para a empresa, você liderar uma empresa, independente do nível que você está como CEO ou qualquer função de liderança, cara, você está carregando um time. Ele está olhando para você, para a sua reação. Sim. Você é o que vai determinar muitas vezes...
se o time vai estar mais empolgado, mais animado, estar acreditando no que vai entregar. E se você desiste, não espere que o seu time continue acreditando. Porque se você, que tem mais informação, desistiu, game over. O pessoal vai começar a ir embora. Eu acho que isso é a maior analogia. Não é fácil nem um pouco. Eu acho que é uma resiliência diária. E ser empreendedor é você, de repente, começar o dia com uma notícia maravilhosa.
Ao meio dia chega uma que você acha, meu Deus, a empresa vai acabar e acaba o dia feliz pra caramba. E você tem que saber lidar com essa montanha russa. E faz parte do jogo. E a gente é um grupo de sócios, com características muito diferentes e com visões de mundo diferentes. Então, não é só a nível de empresa, mas entre os sócios também. Então, como é que a gente faz? E quem é o cara que faz essa costura entre os sócios? E como é que vocês definiram de maneira...
clara ou minimamente organizada, como que vocês, mesmo em discordância, seguem em frente? Eu acho que isso acaba... Eu acabo lidrando mais essa parte, junto com... Acho que quem está mais no dia a dia comigo é o André, que é o meu CFO, meu sócio. Isso foi meio orgânico, sabe? Então, assim, eu tive a oportunidade de trazer pessoas à minha inteira confiança para montar a empresa.
e eu fui questionado por isso inclusive pelos sócios será que é isso tudo mais e e a prática e eu convidei pessoas que eu admirava que admiro e convidando ele olha rapaz eu tô te chamando é para mato tá uma confusão aqui né que eu tô te chamando para disneylandia tô te chamando aqui que você vai sofrer vai comer o pão que eu vou a sua e se tudo é certo
a gente vai muito bem. Se der errado, paciência. Você faz a famosa entrevista de descontratação? É, quase essa. Exatamente isso. É, no passado em alguns lugares que eu passei, eu fazia essa entrevista. Eu falava assim, ó cara, eu vou te contar tudo que vai dar errado. Agora, né? Agora que eu te convenci a vir, você falou que ia vir, agora eu falava assim, ó cara, beleza, agora eu vou te contar todo o outro lado. Depois disso você me fala se você ainda...
Tá afim. Eu aprendi que nesse nível de liderança, não adianta você mentir, cara. Não adianta você dourar a pílula, porque dois dias depois a realidade vem na prática. Então, e eram pessoas que eu confiava. Então, eu falo isso pra todo mundo assim, antes de qualquer coisa eu preciso confiar na pessoa. Porque se eu não confio...
E a empresa, quando você é um empresário, a empresa é parte da sua família. Cara, isso interfere em tudo na sua vida. Se você não delega para alguém que você não tenha confiança, se você delega para alguém que você não tenha confiança, cara, você tem um problema.
Então, além da parte profissional, o cara tem que ter cultura. Então, pra gente, tudo na wide, a wide tem uma cultura muito clara. E o cara pode ser o cara mais fantástico do mundo. Se ele não tá de acordo com a nossa cultura, ele não fica. É uma coisa que a gente aprendeu, a gente tem que errar rápido em relação a isso. E tirar essa pessoa... E às vezes não é culpa dela, em relação a... Não, ela simplesmente não tem nada a ver com a empresa. E aí não adianta, porque senão vai contaminar. Boa. Boa. E... E aí
Cara, fora do ambiente de trabalho, como é que você se mantém equilibrado? É uma coisa que eu sempre tento trazer pra turma. O que são suas rotinas? É esporte? É leitura? Não, eu sou do esporte. É família? O que é? Eu treino para Ironman, rapaz. Eu faço triatlo. Então, é o que eu gosto de fazer. Ah, você tá nessas também? Eu tô nessa total. Quatro da manhã, você tá acordado pra treinar? Eu...
Isso, eu passei por um período doente agora de fazer uma cirurgia, então eu tô voltando. Mas esse é o meu mindset, eu preciso fazer um esporte de endurance, que eu brinco com a minha esposa, em vez de eu tomar um Rivotril, eu pedalo de manhãzinha, entendeu? Então, domingo de manhã é muito melhor eu sair às seis da manhã, pedalar, feliz, duas horas, e eu volto resolvido.
É tempo suficiente pra você pensar ali no que fazer? É, eu não sei nem o que eu tô pensando direito, sabe? Eu cheguei a fazer uma analogia, tipo, quase que é uma meditação que você tá, cara. Duas horas olhando o cimento ou nadando, né? O triatlo é legal porque você tem uma variável. Cara, se ficar contando azulejo, você sai irresolvido. E eu preciso dessa endorfina. Então, eu acho que pra mim, eu encontrei um formato, e tento contagiar todo mundo na empresa, de...
O esporte, pra mim, ele é a minha válvula de escape total, é o que consegue ajudar na minha saúde mental. Se não, é o que controla a minha ansiedade, é o que me deixa focado, é o que me faz gastar energia. Às vezes você tem dias pesados, faz muita diferença nadar 20 minutos, você já sai outra pessoa. Eu, pelo menos, eu saio outra pessoa, sabe? Então, e como a rotina do empreendedor é não ter tanta rotina...
você ter uma rotina fora daquilo ali, pra que te deixe um pouco barizado faz toda a diferença pra mim, pelo menos. Legal. Muito bom, muito bom. E onde é que a turma te acha? Se a turma quiser conhecer melhor sobre o que você tá fazendo, sobre o que a Wide tá fazendo, onde é que encontram vocês? Mídias sociais? Bom, a Wide, você entra no site da Wide, tá novinha em folha, então é widelabs.com.br pra entender o que a gente faz, acho que fica muito legal. Eu, no LinkedIn, eu...
Graças a muito a minha assessoria de imprensa, eu estou atuante, então eles me convenceram, e eu acho que eu me convenci antes de qualquer coisa para publicar na minha visão, então semanalmente eu publico muita coisa lá, e eu interajo com as pessoas, então é a melhor forma de entrar em contato comigo via LinkedIn. Pode demorar um pouquinho, mas eu sempre respondo.
e a gente tá sempre falando de A lá também tô, mas ali é mais complicado ali você tá resistindo ainda eu não sou aquele bom influenciador não rapaz, eu publico ali coisa minha filha jogando vôlei meu filho fazendo assim ali o LinkedIn eu tô focado na parte de A o LinkedIn você tá focado na parte de A
Legal. E quem quiser começar a aprender sobre IA, cara, que tem alguma trilha básica, que fala assim, pô, o cara que não sabe nada, tem uma trilha básica, começa a aprender por aqui, por ali. Como é que o cara sai da ignorância absoluta pra começar a aprender sobre alguma coisa? Eu acho que tem alguns cursos, sem dúvida nenhuma. O MIT tem cursos gratuitos em português que você pode fazer. Stanford tem a mesma coisa.
Mas eu tenho uma sugestão um pouquinho diferente. Eu acho que muita da melhor forma de você aprender IA é usando. Usando. Então, qualquer um desses aplicativos, Clod, GPT, tudo, você usar e você pedir para a própria IA te ajudar a empreender dentro da sua linha, do que você quer aprender e tudo mais, sabe? Eu converso muito com as minhas IAs.
com os meus agentes de A, então você começar a perguntar, você interagir, olha, eu quero aprender isso aqui, ali é uma fonte de consumo interessante, e quanto mais você personaliza aquilo ali, mais ela fica personalizado para você. Então, eu, os meus filhos aprenderam muito sobre A, usando na prática, com as suas próprias IAs, interagindo e direcionando para onde eles querem.
e isso ajuda na escola, na tarefa da escola, isso ajuda no nosso planejamento de férias, e eu tento, eu falo o seguinte, imagina que você pode ter um assistente, você pode ter alguém que vai te ajudar em algo que ou você não gosta muito, ou você não é tão bom, ou você não tem tempo para.
isso em qualquer coisa da sua vida. Não simplesmente... Ah, vou dar o exemplo. Ah, eu não tenho saco de cozinhar porque eu não tenho tempo pra ficar fazendo receita. Não tem problema não, rapaz. Você pergunta e fala, olha, tenho tal, vai ter o seu mês inteiro de receita pronta, só não vai fazer por você. Só não vai fazer por você. Mas tá pronto. A mesma coisa pra todo que é tipo de coisa. Então eu acho que é usar a própria IA pra você aprender. Legal. Legal. Boa.
Tem algumas perguntas que eu sempre faço pra turma que vem aqui, vou fazer pra ti também. Que é... Se você pudesse voltar 10 anos pra trás e deixar uma mensagem pra você, lá atrás, o que você deixaria pra você de 10 anos atrás, pra você ler? E se você pudesse deixar uma mensagem hoje pra você abrir daqui 10 anos, o que você deixaria pra você abrir daqui 10 anos? Eu colocaria pro meu de 10 anos atrás assim, ó.
continua a acreditar, não vai ser nem um pouco fácil. 10 anos atrás, 2016, né? Eu estava no Unicef, com ambições, eu gosto de me testar muito, eu odeio a zona de conforto, e eu respeito quem adora a zona de conforto, mas é onde eu consigo evoluir.
normalmente dói mais do que eu imagino e eu descobri que eu consigo aguentar muito mais então a gente sempre se testa eu acho que continua acreditando no que você faz que vai dar certo, só vai doer mais e vai demorar mais
E daqui pra 10 anos é o que eu acho que eu escreveria pro... Eu escrevendo pro... Você deixa pro Leone de 10 anos, pra ele abrir daqui 10 anos. Olhe pra trás e antes de qualquer coisa...
tem que ter valido a pena. Porque eu acredito, aí eu estou falando meu eu mesmo, eu acredito que eu ganhei uma segunda chance para viver. Eu era para estar morto. E eu tenho uma questão de propósito muito forte, de gerar impacto real na vida das pessoas. A proposta da UIDE é desenvolver tecnologias que vão gerar real impacto na vida das pessoas.
E independente da trajetória que eu tenha daqui até lá, eu tenho que olhar para trás e não ter me distanciado desse propósito, porque até agora, pelo menos, ele vem me ajudando muito em todas as decisões, decisões que eu venho tomando, as pessoas que eu venho me aliando, os ecossistemas que a gente vem criando, e olha para trás e fala, cara...
valeu a pena eu continuo fazendo o que eu gosto e continuo com o propósito certo e eu não me distanciei daqui então é basicamente cara olha para trás e tem orgulho da trajetória que você fez boa o que vale a trajetória né o que vale sempre a trajetória é muito mais legal do que o destino é isso aí boa e para encerrar aqui você ficou uma frase aqui que é curiosa né eu acredito que eu ganhei uma segunda chance e preciso fazer o melhor dela
Quem passa por isso geralmente se pergunta muito de por que eu, né? Por que eu recebi essa chance? Você já chegou nesse momento? Você chegou a alguma conclusão dessa discussão ou não? Cheguei, pra mim foi bem fácil. Eu sonhei que eu ia tomar um tiro. 20 dias antes de eu tomar o tiro, eu sonhei que eu ia tomar exatamente o tiro como eu tomei.
ou praticamente exato, falei para minha esposa, falei para o meu pai, e eu tomei a decisão de correr o risco de tomar esse tiro. Eu fui para o Haiti sabendo que eu podia tomar esse tiro. E quando eu escrevi meu primeiro livro, que não tem mais que chamar o Haiti Uma Lição de Vida, eu agradeci, o agradecimento do livro é o tiro.
Porque o tiro, ele me fez olhar a vida de uma forma diferente e me fez valorizar muito mais, não apenas minha vida, mas as pessoas que estão ao redor de mim. Me deixou uma pessoa melhor. Tem muito a melhorar, continua melhorando cada dia. Então, eu sempre enxerguei o tiro como um... A palavra meio forte não é bem, é um presente, mas foi uma oportunidade que eu tive por escolha.
de escolher aquele desafio maior, mas para me desenvolver como uma pessoa um pouco melhor. Muito legal. Ficamos com essa então, né? Então, se a gente consegue aprender de maneiras muito mais... muito menos difíceis, talvez, né? Sim. O fácil nunca traz resultado grande, né? Eu acho que a gente sempre se molda e a gente sempre tem que se testar e a gente desenvolve quando você é testado.
Muito legal, muito legal. Leone, mais uma vez, super obrigado por ter aceito o nosso convite aqui, por dividir um pouco da trajetória sua da Wide, né? Acho que a gente já comentou aqui onde é que acha vocês, né? Então, alguma mensagem final que você quer deixar pra turma?
Eu acho que uma coisa muito legal, e eu acho que o podcast é fantástico em relação a isso, o Brasil precisa de muito empreendedor. E é muito legal ver essas histórias. Acho que pouca gente, por mais que vocês estejam fazendo um ótimo trabalho, acho que pouca gente deve saber dessas histórias, né? De que tem gente fazendo esse tipo de desenvolvimento de tecnologia no Brasil com esse tipo de objetivo, tendo sucesso em fazer esse tipo de coisa com recurso brasileiro. E é legal ver essas histórias, né?
É até porque a gente acredita que... Porque a gente acha que é muito bom fazer algumas outras coisas, mas a gente é bom fazer essas também. A gente é bom pra caramba. A gente é bom pra caramba. A gente é melhor do que a gente acha. Muito melhor. E às vezes a gente só precisa dar o primeiro passo. Sabe? Legal. Acho que é testar.
Muito bom. Mais uma vez, super obrigado. Eu que agradeço. Pessoal, pra quem acompanha a gente aqui nesse episódio, obrigado pela audiência, por acompanhar a gente aqui no De Dono Pra Dono, acompanha a gente nas nossas mídias sociais, no arroba aldas underline, acompanha o trabalho que o Leone e que a WIDE está fazendo lá. Obrigado mais uma vez por essa e até a próxima.
Auddas