Episódios de Aguiar Dev Talks

Demitido. E agora? - Aguiar Dev Talks #51

01 de julho de 202649min
0:00 / 49:19

Vamos falar sobre demissão. Um momento que dificilmente alguém não vai viver ao longa da sua carreira. Qual o impacto psicológico e como se organizar para voltar ao mercado de trabalho? Tudo isso e mais um pouco no programa de hoje!Site Aguiar Dev

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Assuntos6
  • Conselhos para momentos de afliçãoManter o psicológico em dia · Reafirmação do conceito 'empresa não é família' · Importância da gestão financeira · Aprender com a experiência · Não se definir pela demissão
  • Desemprego e Mercado de TrabalhoEstratégia de estudo direcionado · Importância da reserva financeira · Diferenças entre ondas de demissão · Comparação com o mercado de trabalho 'normal' · Preconceito contra desempregados
  • Experiências Pessoais de LexaImpacto psicológico da demissão · Sentimentos ao receber a notícia · Falta de feedback claro · Diferença entre demissões
  • Carreira e LiderançaGestão de pessoas vs. gestão técnica · Importância do acompanhamento do gestor · Formação de líderes por líderes · Despreparo de gestores em habilidades humanas
  • Feedback sobre performanceAvaliação 360 graus · Critérios de avaliação · Feedback inconsistente entre gestores · Impacto de avaliações de pessoas sem contato direto
  • Técnicas de entrevista e coletiva de imprensaVender seu peixe · Tomada de decisão rápida sob pressão · Conhecimento técnico vs. experiência prática · Saber quando não usar uma tecnologia
Transcrição33 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
TATiago Aguiar

Olá, eu sou Thiago Aguiar, o seu host, e seja bem-vindo a mais um programa aqui no Aguiar Dev Talks. Hoje o programa de número 51, a gente vai falar sobre um tema que talvez nos anos aí mais recentes muitas pessoas passaram também no mercado de tech, né, que é a demissão. Pelo título aí você já tá sabendo o que que era, que é a experiência de ser demitido, né. E comigo hoje para falar sobre esse assunto Temos os nossos co-hosts aqui. O primeiro, nosso querido Rafael Peixoto. E aí, Peixoto?

RPRafael Peixoto

Não é um tema talvez muito agradável, mas faz parte da vida e vamos trocar uma ideia sobre isso.

TATiago Aguiar

Bora lá! E comigo também aqui o nosso outro host querido, Yuri. E aí, Yuri? Diz aí.

YMYuri Marcel

E aí, pessoal? É como o Peixoto falou, não é um assunto fácil, mas é algo que eu acho que praticamente todo mundo passa em algum momento na vida e é bom a gente discutir essa experiência até para voltar mais forte, né?

TATiago Aguiar

Com certeza. E antes da gente começar o nosso programa, não se esqueça de se inscrever no canal se você tiver vendo aí pelo YouTube, ou também nos acompanhar aí na sua plataforma de áudio preferida. Nos siga nas redes sociais e não deixa de dar uma olhadinha lá no nosso site, aguiar.dev.br. E bora começar o programa de hoje. E hoje uma dinâmica um pouco diferente, né? Ou quem vai ser o entrevistado, hoje temos uma pessoa para ser entrevistada que eu não comentei, mas serei eu.

Eu que passei por essa experiência e queria trazer aqui dentro do programa. E não é jogo combinado, eu só não combinei aqui com os meninos, vou deixar rolar e vou passar o bastão aqui de host aqui durante o programa para o Peixoto. E vocês fiquem à vontade para fazer as perguntas e bora trocar uma ideia aí para compartilhar um pouquinho com vocês aqui. Eu acho que alguns aprendizados que eu tive aí, que eu acho que talvez muita gente que espero que não passe, mas acho difícil, vai passar em algum momento.

Eu espero que isso possa ajudá-la a passar por esse momento de uma forma melhor. Então bora começar, contigo a palavra, Peixoto.

RPRafael Peixoto

Opa, boa! É um processo que eu particularmente nunca passei. Acho que até a gente vale deixar já uma ressalva aqui pra galera: não é porque você foi demitido que você é menos, né, que alguém. Eu também não sou mais porque eu nunca fui. Talvez tenha sido mais sorte do que talento em alguns momentos também, né, acho que isso faz parte. Mas acho que eu queria começar aí, ô Aguiar, aí perguntando assim como que é o momento ali, né?

A pessoa chega, não sei como que foi exatamente no seu caso, vem um RH, vem o chefe direto. Como que é aquele momento? Como que é receber essa notícia assim, cara?

TATiago Aguiar

Olha, eu trabalho na área desde 2011, né? Desde que eu consegui ali meu primeiro estágio. E durante a pandemia isso aconteceu duas vezes. Ali no final da pandemia, acho que a gente já pode dizer que nem tava na pandemia mais tanto, né? Uma foi agora no ano de 2023 e uma no ano anterior, né? Então a gente pode dizer que tava aí saindo da pandemia. Cara, a primeira, né, assim, foram próximas, né? Nunca aconteceu, aconteceu duas próximas, então haja coração.

Mas vou te dizer que a primeira foi, é um mix de sentimentos assim que é difícil explicar, porque a primeira Assim como você comentou, né, cara, até então não tinha sido demitido através de tantos anos. E para mim foi, bateu um pouquinho no orgulho, sabe? Não era algo que tipo, aí eu me gabava, mas eu ficava feliz de até então não ter sido demitido, né? E pelo outro, e o outro lado também é um misto de surpresa, mas também não.

Porque eu tava vivendo um momento, ambos os momentos tava, sabe quando tá um ar estranho? Não sei se eu posso explicar, mas as coisas estavam estranhas. Não sei explicar também, não posso entrar muito detalhe, mas as pessoas estavam se comportando de uma forma um pouco diferente. Não sei, estava estranho, não sei explicar. Mas vou te dizer que a primeira eu fiquei muito com, eu lembro aqui nitidamente que eu fiquei com sentimento de Poxa, não foi justo, sabe?

De tipo assim, de não ter sido, sentir falta de feedback claro, de tipo, sabe conversas que não batem? Um gestor diz uma coisa, aí o gestor do gestor diz outra, você fala, então beleza, alguém tá mentindo pra mim. Claro que quando chegou isso aí, eu já tava meio que, já tava com aquela estranheza, mas não questionei nada, até porque já era decisão, já havia sido tomada. E tentar reverter um negócio desse para ficar no lugar onde tentaram te demitir também é uma coisa meio, né, como é que eu vou ficar no lugar assim?

Então nem conversei. E da outra vez também foi uma surpresa também, apesar de também ter esse misto de surpresa com estranheza, mas engraçado que no fim das contas, no fim eu achei melhor, eu achei que foi melhor. Já não estava tão satisfeito Sabe? Nem que isso signifique que talvez eu não estivesse entregando o meu melhor, mas não sei, algumas coisas mudaram onde eu não estava mais me identificando tanto com o propósito ali que eu tava fazendo e tal, mas continuava me esforçando da mesma forma como me esforço em todos.

Então assim, é difícil descrever, mas foi uma mistura meio que de surpresa com não tão surpresa assim, porque já tinha algo estranho, sabe? Já tava com aquele cheirinho assim, será que você me entende?

YMYuri Marcel

Uma pergunta interessante nesse ponto que tu puxou, que vem muito daquela pegada também da diferença de gestão e técnico, né? Tem muita gente que diz que uma pessoa técnica às vezes não consegue se enquadrar bem no perfil de gestão, e eu atribuo essa característica, como você falou, à pessoa de gestão que vai tomar essa atitude, por exemplo, de fazer o desligamento, de conversar com a pessoa. Porque de onde eu atuei, sempre se fala que a pessoa que ela vai ser demitida, no caso, muito provavelmente ela já está preparada para isso por conta dos feedbacks que ela recebeu, dos one-on-one que ela participou.

E aí vem a minha pergunta: nas tuas duas experiências, teve esse feedback bem elaborado do gestor dizendo, ó, Cara, você tem que melhorar aqui e tal. Ou realmente foi uma surpresa? E assim, qual é a tua percepção em sentido a isso? Tu acha que o gestor poderia ter trabalhado de uma forma melhor ou até mesmo ter revertido essa situação se ele tivesse atuado de uma forma mais próxima contigo? Qual é a tua percepção em relação a isso?

TATiago Aguiar

Olha, deixa eu tentar tomar cuidado aqui para não falar exatamente qual que é, mas assim, De, eu acho que sim, a gente sabe como é que é o mundo corporativo, a gente sabe que em alguns lugares tem pessoas que às vezes não são tão verdadeiras com você, que você às vezes tem que tomar cuidado com quem você conversa, com o que que você, sobre o que você conversa com essa pessoa. Então assim, até então somos uma equipe, estamos trabalhando junto, mas enfim, né, são às vezes são personagens ali, a gente tem que tomar cuidado, cada um tá se importando com o seu.

O problema é quando começa a não ter, não vou nem falar de puxar o tapete do outro, mas quando falta sinceridade em algumas coisas, né? Então assim, eu acho que sim, se tivessem conversas um pouco mais objetivas ou conversas sinceras, pouco mais não, conversas objetivas, conversas sinceras, poderia talvez ter sido revertido ou ficado mais claro que talvez eu não estava atendendo as expectativas. Então assim, Em uma experiência houve essas conversas contraditórias.

Então, para um gestor tal, você tava ok, mil maravilhas. Para o gestor Y, que era tipo gestor de gestor ou algo do tipo, ele já te dava uns alertas assim. Então assim, você ficava meio que, meu, e aí, né? Tem alguém mentindo para mim? Eu achei muito estranho. Só que em pouco tempo que eu tive esses dois feedbacks muito próximos, Aí veio a demissão, nem deu tempo. E eu fiquei assim muito, como é que eu posso dizer, incomodado ao ponto de querer chamar um ou outro para conversar e falar assim, olha, eu conversei com você, você me disse isso, mas fulano me disse aquilo, sabe?

E aí, né, vamos, preciso que vocês sejam sinceros comigo e tudo mais. Foi isso que aconteceu com uma. Em outra ocasião foi algo mais, como é que eu posso dizer, algo um pouco mais frio, foi, vamos dizer assim, porque basicamente o gestor havia me dado feedbacks que estavam aparentemente bem. A gente tava até construindo até um PDI para ver as áreas que eu poderia melhorar, para entregar mais em relação aos projetos. E beleza, então assim, poxa, tava construindo um PDI e tudo mais, e as conversas eram positivas, mas havia uma avaliação, uma avaliação que acontecia de 6 em 6 meses, e basicamente você não podia ter uma nota abaixo de um número lá, duas notas seguidas, né?

E foi o que aconteceu. Tipo, eu não lembro a nota, mas vamos supor que de 0 a 100 você não podia ter menos de 50. Eu saí com 47 e 40 alguma coisa, um pouquinho abaixo. Foi simplesmente, me disseram que foi pela nota. Só que durante o período entre o início de avaliação até a nota, eu não consegui ver tanto feedback que me mostrasse que, olha, não tá indo muito bem, cara. Eu acho, agora sendo bem sincero, eu acho que para quem estava me acompanhando, quem era minha liderança, talvez não tava ficando tão claro o caminho que eu estava seguindo.

Quando saiu a nota que eles aí tomaram uma posição, em um momento teve que tomar posição. Quando saiu a primeira nota, falou, ó, cara, sua avaliação não ficou muito legal nisso, a gente tem que trabalhar isso e isso e isso, show de bola. Mas antes de sair a nota, não, não houve, a conversa era positiva. O que me leva a crer que o gestor não estava alinhado com a forma de avaliação, porque ele não conseguiu agir antes de sair a nota, foi só depois.

RPRafael Peixoto

Esse até é um ponto aí que eu queria ver nessa sua fala aí, é que se assim, tem a nota, beleza, mas eram claros também os critérios que eram avaliados? Quais eram os pontos que eles usavam ali para chegar numa nota? Eu vou sortear aqui hoje, Thiago é nota 3, com que critério, né? Isso tinha alguma visibilidade?

TATiago Aguiar

Até tinha, mas tinha alguns tipos de avaliação, porque era avaliação famosa, avaliação 360, né? Para quem tá ouvindo aí não conhece, mas aquela avaliação que você é avaliado por todos os sentidos, né? Quem tá acima, né, gestores, quem tá do seu lado, colegas, e se você for um gestor, quem tá abaixo são seus liderados, né? Então eu acho que um grande ponto de, assim, os critérios em geral, vamos dizer assim, 80% eram claros, mas tinham alguns que, meu, eles poderiam quebrar a média muito forte, porque vamos supor, você tá saindo ali com nota, vamos supor que de 0 a 10, você tá lá com várias notas na média, vamos supor que a média seja 7, as pessoas estão te dando 6,5, 7,5, 6,5, pô, você vai passar de ano, né?

Chega alguém, te dá um 2, cara, te joga lá para baixo, é muito. E aí, por que que eu tô falando isso? Porque você poderia ser avaliado por pessoas que eram da sua organização Mas que não necessariamente tiveram trabalho com você. E aí eu te digo, vamos supor que cai uma avaliação hoje da empresa do Peixoto para eu avaliar ele profissionalmente. Como é que eu vou avaliar o Peixoto profissionalmente se a última vez que eu trabalhei com ele foi em 2015, entendeu?

Então assim, isso que eu ainda trabalhei com você e tenho contato com você, mas profissionalmente falando, não tem capacidade de avaliar. Então assim, teve gente que não teve contato nenhum comigo. E aí, o que que acontecia? As pessoas tinham 3 opções: elas poderiam dar uma nota boa para não ferrar com a pessoa, então dava uma nota na média. Só que não é verdadeiro, porque você tá mentindo. Se você der uma nota baixa porque você não sabe sobre aquela pessoa, você também não tá sendo justo, porque, pô, você não sabe, vou dar uma nota baixa.

E a última opção era você se abster. Você poderia colocar lá um não dar a nota, só que não, essa parte que eu me lembro não era muito claro qual o impacto de não dar a nota. Mas assim, para mim, um fator mais complicado eram pessoas que não trabalharam com você diretamente. O máximo que aconteceu foi de às vezes a pessoa tá na mesma reunião com você, tipo, ela sabe que você existe, é só isso, e tem que te avaliar.

RPRafael Peixoto

Então isso eu achei Eu passei por uma situação de avaliação assim parecida, em que eu tive uma avaliação bem positiva até, e teve uma pessoa ali que em alguns pontos foi bem abaca assim, né? Só que eu tive pelo menos a sorte de ter uma gestora ali que sentou para conversar comigo, mostrou ali, inclusive até a própria gestora ali no caso Pô, eu acho que a pessoa tá um pouco mais distante, talvez não tenha conseguido enxergar isso e tal.

Mas assim, mostrou os pontos, qual que era, até me deu algumas dicas de como talvez conseguir ali aproximar e mostrar isso, porque todos os outros estão vendo, uma pessoa não tá, você começa pelo menos a desconfiar, alguma coisa talvez não esteja tão correta. Então acho que isso para mim fez também uma diferença, né? Não sei se No seu caso acabou, pelo visto não teve essa transparência ali, ou pelo menos essa análise, né? Porque você fazer uma avaliação qualquer que seja só pelo número é muito complicado.

Falam que números não mentem, mas pô, dá para mentir para caramba com número, viu?

TATiago Aguiar

É embaçado. Só é que o número ele diz, mas o número é uma avaliação muito fria, né? Apesar da gente, no fim, no fim nós somos seres humanos e não dá para tratar uma pessoa como um um mero número, né? E eu não tô dizendo o fato de, tipo, a minha insatisfação com esses dois casos não é relacionado ao fato em si de ser demitido, mas sim a justificativa, é mais o como. Porque, cara, acontece. Tipo, uma das coisas que eu aprendi nesse processo de demissão é que não é porque você, né?

E aí parece que eu vou estar jogando, né, puxando sardinha para o meu lado, Mas não é porque você foi demitido que você é um mau funcionário, né? São momentos de carreira, momentos que às vezes entra um projeto que, cara, não tá batendo com o que você gosta de fazer. Você tá entregando, mas talvez não tá entregando o melhor que você poderia entregar se tivesse um outro cenário.

RPRafael Peixoto

Claro que pode acontecer mesmo, você tá no momento que não tá legal, isso acaba impactando no seu resultado. Isso faz parte também, né?

YMYuri Marcel

Eu ainda acho que puxando para o fechado que você falou agora nesse momento. Às vezes você não é um mau profissional, porque, por exemplo, eu também tive essa experiência onde a minha liderança me guiou exatamente o que eu precisava fazer para conseguir ter as avaliações boas e conseguir conduzir minha carreira. Então acho que tá mais na liderança fazer o seu guia do que no próprio profissional atuar, porque se você não souber o que você precisa fazer para atender às expectativas da empresa, Você nunca vai conseguir ter a sua boa avaliação.

E é aí onde entra a parte da gestão, da liderança, de ligar no melhor caminho. Então, como você falou, só depois de ter a primeira nota ruim que a sua liderança foi ali conversar com você, tentar ligar, já foi tarde demais. Então acho que vai mais do papel da gestão, liderança lhe conduzir, do que do próprio profissional. Às vezes o profissional é excelente profissional, só que ele tá indo para um lado que é exatamente o contrário que a empresa quer que você atenda.

E aí você se perde no meio do caminho, entendeu? Por isso que eu acho que é muito importante ter aquele seu liderança próximo ali de acompanhamento. E já pegando esse gancho, pegando, fazendo logo outra pergunta polêmica aqui para ver aí a tua opinião. Nesse cenário que você adquiriu experiência para caramba para falar aqui nesse episódio hoje, né? Teve dois momentos aí e já trouxe bastante insights aqui para a gente conversar, mas saindo da parte técnica profissional.

Como é que fica o psicológico da pessoa pessoal ali depois de passar por um momento desse e depois de passar novamente? Mudou alguma coisa para ti internamente, assim, no teu estilo de vida? Conta aí essa experiência.

TATiago Aguiar

Olha, mudou, com certeza mudou. E, cara, toda experiência, boa ou ruim, né, você aprende. A gente tem que aprender a tirar lições de todas todos os momentos da vida. E claro que ninguém quer colecionar demissões, mas tive sim alguns aprendizados. E em relação psicológica, a primeira vez, vou te dizer que, né, que eu falei, é como, sabe, é como se fosse quase um sexto sentido. Você não sei explicar, mas você sente com certas atitudes, com algumas coisas, que algo está errado.

Mas o seu racional tá dizendo, não, tá tudo bem. Mas você sente que algo tá errado. Então quando aconteceu a primeira vez, parte de mim falou assim, olha, era isso que tava estranho. Mas a parte mais razão dizia, cara, não faz sentido, não faz sentido. Então assim, na primeira eu fiquei buscando durante um tempo. Primeiro assim, parece que foi para mim, foi muito surreal. Eu não conseguia acreditar que tinha acontecido. Tanto que assim, assim que eu recebi a notícia, não fiquei com raiva, não fiquei assim, eu fiquei meio que anestesiado, sabe?

Fiquei meio sem perceber que aquilo estava acontecendo. E já na segunda eu já tava mais, vamos dizer assim, com a experiência que eu tive aí, já não fui tão pego despreparado. Então assim, eu já, para mim já tava um pouco mais claro o que tava acontecendo. Até porque também aconteceu algumas ondas de demissões, várias empresas estavam fazendo. Então assim, por mais que a minha avaliação no fim não tivesse sido, né, talvez atingido a expectativa geral, eu já tava um pouco preocupado por causa disso.

Então já estava, quando aconteceu comigo, já tinha acontecido uma ou duas ondas de demissão. Então assim, talvez isso que me preparou mais, sabe? Eu acho que talvez não foi nem tanto, agora pensando melhor, a experiência anterior, claro que ajudou, mas vamos dizer assim que os sinais do ambiente já estavam presentes, então já servia de alerta.

RPRafael Peixoto

Bacana. Eu lembrei disso agora assim, conforme a gente conversava assim, eu não Sei lá, acho que talvez até por ter sido uma experiência ruim para mim pessoalmente, talvez eu tenha até apagado. Isso veio agora assim, né? E a gente tava do outro lado, de ser a pessoa que demite, né? Foi assim, nossa, eu lembro um pouco do quando eu falei, puta, eu preciso tomar essa decisão, preciso fazer isso. Enfim, tentei fazer da melhor forma possível, já tinha dado feedback, não sei, né?

Não vou dizer aqui que eu fiz o melhor feedback do mundo, deixa aí para as pessoas depois que passaram por isso comigo aí, elas que julguem isso daí. Mas eu tentei da melhor, da minha maneira ali, talvez fazer a melhor coisa. E assim, eu também lendo assim um pouco sobre o assunto e tal, algumas pessoas depois de fora e tudo mais, eu vi uma vez uma postagem, acho que foi no LinkedIn até, de uma pessoa falando assim, tipo, a decisão ela não deveria ser uma pessoa tomar essa decisão.

Assim, você deveria ter algumas pessoas ali que vão te dizer se isso vai acontecer ou não. Meio que na ideia do tipo, poxa, né, vamos supor que nós três aqui estamos decidindo se alguém vai ser demitido ou não. Aí eu falo, não, tem que mandar essa pessoa embora, não tá dando resultado, não sei o quê. E de repente o Aguiar me pergunta Mas você deu feedback? Você explicou para ela? Você mostrou os caminhos? Trazer essa conversa, mostrar ali, né, para ver se realmente eu não tô de repente na emoção ali, aconteceu alguma coisa, tô na emoção e manda embora, né?

Você acha que faz sentido isso aqui? Você que passou, né, pelo processo de demissão, você acha que talvez alguma coisa um pouco mais estruturada nesse ponto até pudesse ajudar não só o seu caso, mas acho que de tantas pessoas de demissões justas, injustas. Então você acha que faz sentido esse tipo de pensamento?

TATiago Aguiar

Cara, eu acho que faz. Você, eu tava até anotando aqui um negócio para eu comentar. Cara, faz sentido sim. Eu acho que você sempre tem que ter uma segunda opinião, né? Porque, cara, às vezes pode estar enviesado. Você tem que se dar o direito de estar errado, né? Fala assim, poxa, olha, tudo para mim. Quantas vezes a gente tá analisando um problema, acha que é por um caminho, você conversa com alguém, um alguém te mostra que é pelo que era o outro.

Tudo dizia que era aquele, por aquele lado, né? Parecia ser impossível ser outro caminho, mas conversando com alguém, alguém conseguiu te mostrar que era o outro. Então, então eu acho que sim, faz jus você conversar com uma pessoa, não só com uma, talvez com mais de uma, né? O que me leva já a pensar aqui, que era o que eu tava pensando, que muitos gestores não estão preparados o suficiente para serem gestores, né? Porque ser gestor não é só delegar tarefa.

O seu sucesso é o sucesso da tua equipe. Só que para sua equipe ter sucesso não basta ele ser um bom técnico e várias coisas. Você precisa que essas pessoas cresçam, né? Tem uma linha de pensamento que eu vejo muitas pessoas usarem de sucesso de liderança, que é fazer com que Claro que não necessariamente se você lidera uma equipe todo mundo da tua equipe quer ser gestor também um dia, não é algo obrigatório, mas um grande case de sucesso que eu vejo algumas pessoas mostrarem que é tipo, poxa, eu era líder dessas pessoas, eu cresci e essas pessoas posteriormente também viraram líderes como eu era, né?

Então assim, dizem que líderes formam mais líderes, então você tem que ajudar as pessoas crescerem também. Então eu acho que nessa parte que acaba que alguns gestores ficam, e não digo nem por maldade, nada disso, é porque realmente são profissionais que às vezes estão vindo de um viés técnico e vão se tornar gestor, né? E às vezes não viram a chave ou ainda precisa buscar esse conhecimento mais humano. Às vezes você tá tão acostumado com o viés técnico, né?

E aí você se divide, só que tipo, vamos supor, você é 10 anos, 7 anos com esse viés técnico e aí você entra como gestor. Pô, você tem, olha o desequilíbrio, você tem 7 anos de técnico com 3 dias de gestor. Então assim, as pessoas têm que, quando você é gestor, você tem que olhar para trás e falar assim, olha, eu tenho que equilibrar essa balança, eu tenho que trazer toda agora uma bagagem de conhecimento de gestão, né, para poder equilibrar isso.

Isso que eu tô falando de pessoas que dividem os papéis. Mas em resumo, cara, eu acho que sim. Só que eu dei uma voltinha aí, mas acho que sim, é ter pessoas, consultar pessoas antes de tomar uma decisão faz todo sentido.

YMYuri Marcel

Sim, é interessante, cara, porque até que a gente tava comentando logo, né? Eu acredito que trabalhar com pessoas é muito mais difícil do que trabalhar com máquinas, trabalhar com tecnologia. A gente que tá da área técnica resolver um bug aqui e acolá, isso é incomparável como fazer o papel que o Peixoto até comentou, de ter que ir lá conversar com a pessoa e no pior dos casos ter que dispensar ela por algum cenário. Isso é ruim para pessoa, é ruim também para o gestor que tá ali da liderança, né?

E aí, cara, vem todo aquele treinamento mental, skills de gestão, tem todo um preparamento que eu acho que É muito mais difícil você desenvolver isso pessoalmente, profissionalmente, do que você adquirir habilidades técnicas. Então, cara, formar pessoas técnicas é muito tranquilo. Agora, formar lideranças livres de verdade, aí são para poucos, cara. Não é toda a galera técnica que quer subir para gestão, para liderança, que consegue se manter.

Por isso que esse papel de ter uma bancada, de ter um time para avaliar uma decisão, É importantíssima, porque você não é dono da verdade, nem o melhor gestor é dono da verdade. Sempre tem que ter, né, conselhos e opiniões diferentes. E puxando já aqui uma outra pergunta, já para a galera aqui também saber que nem tudo é só trauma ou tristeza: você abandonou o mercado de trabalho, vai vender sua arte na praia, ou você conseguiu voltar aí para o mercado? Como foi aí a A decisão, dependendo da minha arte, eu tava ferrado.

TATiago Aguiar

Nem desenhar, já desenhei, mas acho que ninguém compraria. Mas sim, com certeza vou ter para o mercado. Da primeira vez, a primeira vez, como aconteceu na pandemia, foi uma experiência muito louca, cara, muito louca assim, que eu não sei se alguém que tá ouvindo aí já viveu isso, mas a partir do momento que eu coloquei que eu estava desempregado no LinkedIn, sem exagero nenhum, não parava de— eu não dava conta de responder as mensagens que estavam chegando, de verdade.

Tipo assim, apareceu 3, eu tava respondendo a primeira mais 2. Tipo assim, a primeira foi uma loucura, do ponto de que eu tive que, tipo, em 2 dias eu tinha entrevistas para 15 dias. E mais de uma por dia, entendeu? Teve mensagem que chegaram um pouco atrasadas que eu falei, gente, não consigo, não dou conta. Então assim, voltei para o mercado na primeira numa onda muito alta, assim, chegou muita coisa, chegou muita coisa. Então você separa as mais interessantes das menos, e é normal, né?

Tive que escolher as melhores. E cara, foi uma sensação assim maravilhosa nesse sentido. Da segunda vez O que já foi, eu acho que aqui era onda subindo, né, ali no momento da pandemia onde a alta demanda. Saindo da pandemia, já na segunda experiência, que já esse ano, essa onda não veio desse jeito não. E aí a primeira eu tive, cara, eu tive um estalo aqui que foi o seguinte: Primeiro eu dei um tempo assim, foi, cara, vou tirar um tempo, vou descansar, vou estudar.

Até um conselho aí também para quem tá ouvindo, né, que não tem muito controle da vida financeira: aprenda a guardar dinheiro para você poder ficar tranquilo em momentos como esse. Eu sei que não é realidade de algumas pessoas, infelizmente não conseguem, mas a partir do momento que você trabalha para conseguir, e a partir do momento que você conseguir, faça. Porque é o que vai te trazer tranquilidade em momentos como esse. Então assim, eu trabalhava como CLT, peguei o seguro-desemprego, e claro, inferior ao que eu recebia mensalmente, mas é o que eu tinha, um valor que eu tinha guardado, poderia passar alguns meses.

Bom, também tinha minha esposa trabalhando, que me ajudava bastante, então tava tranquilo com isso. Então assim, tirei 1, 2 meses, em um mês eu fui E aí, tipo, dos 3 meses, no terceiro mês, que era o dia de benefício que eu ia receber, no último eu fui procurar emprego. E aí, bom, foi a primeira vez que eu tinha sido demitido, tinha vindo aquela onda forte, né, de várias mensagens e tal. Dessa vez eu falei, vai ser de boa. Dessa vez não veio daquele jeito, deu um pouco mais de trabalho e eu fiquei um pouco preocupado.

Mas depois de um tempo eu comecei a entender que eu acho que É o que algumas pessoas talvez não entendam, que eu vi muita gente reclamando no LinkedIn. Tem algumas pessoas que tipo, putz, tá um ano procurando. Realmente há casos e casos. Mas tem gente que eu também estava pensando assim, quero o quê? Pô, tem 15 dias que eu tô me candidatando, ninguém me chama. Cara, se a gente for pegar o mundo, saindo da bolha tech, pegando as profissões, as demais profissões, eu acho que é mais ou menos assim que funciona o mundo normal, vamos chamar assim.

Né, não é assim, tipo, aquilo que aconteceu foi um momento único. É que como foi o único que eu conhecia, que eu passei, então eu fiquei com a régua muito alta. Mas aquela foi um momento super especial que não acontece, e não acontece assim, não é o comum. E mesmo, e pô, dentro de um mês, demorou um pouco assim, demorou um pouco que eu digo, né, em comparação com a outra, para eu conseguir imprevistas e tudo mais, mas em um mês eu tava empregado.

Vai ver outras profissões quanto tempo leva quando você sai de uma empresa para conseguir outra, entende? Então eu acho que essa foi uma das coisas que eu passei aí voltando para o mercado que me fez ter uma, acho que um pouco mais de maturidade, entender um pouco mais sobre, acho que, como é o mundo real, né? Porque a gente vive no mundo tech, tem alguns privilégios, né? A gente acaba esquecendo ou não vivendo algumas coisas que é comum para a maioria das outras profissões.

RPRafael Peixoto

Eu tava pensando aqui também, né, assim, dessa parte de procurar o emprego, né. Uma dica que eu dou para todas as pessoas que quando vem perguntar assim para mim, cara, você pode estar no emprego dos seus sonhos, amasse sua empresa, faça entrevista. Se não for virar, se você achar que você tá no lugar melhor do que ele, beleza, mas testa, né? A situação de estar sendo entrevistado é uma situação ali que para muita gente é muito tensa, você fica nervoso, né?

E quando você tá desempregado, mais ainda, porque você precisa, né? Se você tá empregado, fácil, se der errado, tô aqui, tô bem e tal, né? E você sente assim, ou sentiu, né, melhor, alguma diferença de fazer essa entrevista assim, não só do seu lado, né, que Você tem, eu acho que obviamente essa preocupação a mais que você está desempregado e tá fazendo entrevista, mas assim, do ponto de quem tava te entrevistando, você acha que eles olham também diferente, né?

O pessoal comenta muito isso, né? É muito mais fácil você achar emprego quando você tá empregado, né? E você sentiu assim que em algum momento teve isso ou foi mais tranquilo para você?

TATiago Aguiar

Cara, eu achei que foi mais tranquilo. Eu até recentemente eu tava olhando até um post esses esses dias falando de que há um certo preconceito com quem tá desempregado, né? Que eu acho que naquela época, não lembro se já tinha, né, mas um recurso lá do LinkedIn que você coloca o open to work lá no perfil, né? E aí você pode colocar aquela marcação verdinha na tua foto ou não, mas você coloca que tá aberto, né? E aí eu vi uma pessoa profissional lá de recursos humanos falando que alguns profissionais fazem vista grossa com esse tipo de coisa, justamente isso, já vê na cara quem é bom, tá no mercado, o que não é verdade.

Tem muita gente, é como você achar que todo mundo que é um excelente desenvolvedor, que trabalha com tecnologia no seu segmento, ele grava vídeo, ele faz um artigo, ele faz não sei o quê. Eu conheço muita gente boa que nunca fez um artigo, cara, muita gente boa que é melhor que muita gente, nada, não tô criticando quem faz artigo, mas assim, que é muito melhor que gente que já faz muito artigo e muita coisa aí. Isso não é comparação, mas só para mostrar que não é uma regra, né?

Mas assim, eu não senti, mas assim, aí eu acabo acabar entrando em outra polêmica. Mas eu acho que o que me ajuda também aí é polêmicas, é bom dar audiência. Mas eu acho que por ter uma certa experiência, isso me ajudou. Então assim, por mais, pô, profissional desempregado, que não tá trabalhando ali, pô. Mas eu acho que quando eu citei algumas experiências no meu currículo, vi que as pessoas, você percebe a linguagem corporal, né, apesar de estar ali, pelo menos a expressão da pessoa, né, algumas reações, algumas experiências, alguns nomes, quando você fala de tempo de carreira e vai citando as experiências.

Então assim, querendo ou não, a experiência me trouxe um certo conforto, né? Mas aí, até comentando um pouco de entrevista que você falou, é interessantíssimo de fazer entrevista, porque isso é praticamente, posso chamar de uma habilidade que você meio que quando você não faz você enferruja, né? E cara, eu, e vender seu peixe é uma habilidade assim difícil, porque às vezes assim, cara, às vezes dava um branco na hora, eu esquecia de falar uma coisa, ou falar alguma coisa, ou tipo, lembrei agora exatamente de uma pergunta de um cara, e aí eu não pude justificar depois, porque senão é como se você desse uma dúvida, é como se você fizesse tipo o Chaves falando, não, essa eu sabia com maçã, sabe?

É conversa fiada, entendeu? Porque o cara me perguntou, ele me fez uma pergunta de um tipo de, ele queria saber o que que era um teste de integração, ele me deu uma situação, Só que ele falou de um jeito que eu entendi outra coisa. Aí ele deu uma super dica que ficou na cara do gol. Aí eu acertei, mas tipo assim, eu já sabia antes. A pergunta dele que não me deixou entender. Só que depois que ele me deu essa dica na boca do gol, eu não poderia justificar.

Então assim, são algumas malícias que você tem que ter. E aí, tipo, tomada de decisão rápida. Enquanto a pessoa fala, você já tá pensando. E saber responder. Enfim, é uma dinâmica ali que você vai estar sob pressão, tem muita coisa em jogo, né? E que definitivamente não é fácil.

YMYuri Marcel

Eu acho que pegando esse gancho das dicas, né, eu conheci um cara, nome dele era Thiago Aguiar, e no ano passado, se eu não me engano, acho que na sua direção, na tua mesma experiência, no teu primeiro desligamento, conversei contigo um pouco sobre isso. E eu peguei na memória um conselho que tu tinha dado na época, que era uma estratégia que tu tava usando para retomar o mercado. Eu acho que até interessante a gente compartilhar aqui, quem tiver ouvindo também.

TATiago Aguiar

Me conta aí, eu vou saber agora.

YMYuri Marcel

Olha esse momento, hein, que pós-tweet, cara! Eu me lembro quando eu conversei contigo, tu já tava desempregado E aí eu até perguntei, e aí, cara, como é que tá? Como é que tá fazendo isso? Não, cara, tô com uma estratégia aqui que é o seguinte, eu tenho algumas empresas que eu quero entrar, e aí eu analisei qual é a stack técnica que essas empresas atuam, eu analisei o que que eles pedem nos requisitos da entrevista dele, e eu vou tirar um mês para estudar exatamente essas requisitos técnicos que eles pedem.

Me lembro até que eu falei que ia estudar Redis, ia implementar e tal, ia usar outras estratégias, outras técnicas, não para ter um conhecimento sênior da tecnologia, mas só o fato de você conhecer e saber como funciona aquela tecnologia é o suficiente para você chegar na entrevista e dizer: eu já trabalhei com isso, eu sei como é que funciona e eu sei como fazer. E aí eu me lembro que tu utilizou essa estratégia, pegou as empresas que tu queria e foi nessa seleção.

Eu achei isso fantástico, essa é uma estratégia ótima, porque muita gente às vezes passa por essa situação, né, ser demitido, e entra em desespero, começa a ir para as entrevistas desesperadamente, sem ter uma estratégia, sem ter um plano. Tudo é equilíbrio na vida. Então acho que você passou por isso, você precisa fazer duas coisas: acalmar sua mente para você ter assim aptidão de retomar de forma proficiente, de forma adequada, e preparo.

Uma pessoa sem ter equilíbrio, sem ter preparo, não vai conseguir retomar no mercado. Ela vai ficar desesperada ali por meses tentando. E aí eu acho que, como você falou lá naquela época, foi o boom, facilidade, foi muito fácil retomar, trabalhou. Não acho que foi somente isso. Eu acho que você teve preparo e ainda passou um mês ali estudando, se preparando, tendo aquele equilíbrio. E aí quando você tomou a iniciativa na entrevista, não tinha como não passar, né?

Conseguia responder e tal. Então assim, conselho de aguiar de um ano atrás ainda é válido hoje em dia. Eu acho que ainda é válido aí para quem passar.

RPRafael Peixoto

Não tem data de vencimento esse conselho não, hein?

YMYuri Marcel

Olha aí, tá vendo? Podcast aí dando frutos anos depois.

TATiago Aguiar

Eu nem lembrava disso, cara, mas realmente foi isso mesmo. Hoje eu uso ele disso e valeu cada minuto, cada minuto. E é o que você falou, a ideia não era se tornar, fazer o pessoal fala, né, um deep dive, né, fazer aquele mergulho profundo naquilo, até porque eu não tinha tempo, mas ter feito isso Isso, cara, me ajudou. Lembrei agora, gente, você falando isso, eu lembro de uma entrevista que eu fiz numa empresa, eles me perguntaram diversas coisas que eu não tinha, que até o momento, antes de eu ter sido mandado embora, eu conhecia assim de ouvir falar esse tipo de coisa, não tinha usado profissionalmente, só sabia que existia.

E quando eu fiz o estudo, fiz algumas coisas, e aí as pessoas vieram me perguntar, e eu lembro que a pessoa perguntava assim: Você já trabalhou com tal coisa? Redis, por exemplo, né? Ou MongoDB, que é uma coisa também, eu lembro que perguntaram. Aí eu falei não, mas eu estudei sobre isso nas últimas semanas e tudo mais. Aí a pessoa perguntou assim, ah, legal, você sabe que problema isso resolve? Eu falei, sei, é para isso, isso, isso, isso, isso.

Aí eu dei um case, falei como funciona, quando que usa. E eu acho que é algo muito importante que você tenta aprender e também já fica de conselho é quando que não usa, né? Quando que isso não serve, quando que não é bom usar, que as pessoas se apegam demais como se fosse um filho, né? Não, aquilo, isso aqui é bom, é maravilha, é bala de prata, exatamente o termo aí, né? Acho que é bala de prata, serve para tudo. E não, assim, foi algo que, cara, pude experimentar na prática que funcionou, né?

Porque eu peguei lá empresas que tinham uma cultura bacana, que tinha um projetos interessantes e cruzei as competências, né? E aí aquelas coisas que eram mais específicas eu tirei. Agora aquilo que se cruzava, que era em comum, aí eu elenquei uma lista e fiz isso que você falou. E é importante, eu não tava trabalhando, mas das minhas 8 horas, se não mais, era estudando. Então meu trabalho virou estudar, era isso que eu fazia o dia inteiro.

E claro, também não era um robô, precisava sair daquilo até para ficar pilhado. Então precisava também manter o equilíbrio ali de preciso ter a responsabilidade de me realocar, mas também manter o psicológico no lugar e a confiança de que vai dar certo, entendeu?

RPRafael Peixoto

Bom, a gente falou aí do momento que recebe a notícia, como que é durante aquele período até encontrar, né, o processo ali para encontrar esse novo emprego e tal. Eu queria trazer aqui uma pergunta: e como que é o Aguiar hoje, profissional, que já tá empregado, que já superou essa fase difícil aí? Mudou alguma coisa em relação ao seu comportamento, alguma atitude sua, a forma como você enxerga? O que que hoje tem de diferente depois dessa experiência?

TATiago Aguiar

Cara, ótima pergunta, hein? Essa é bem reflexiva. Mas eu acho que a coisa que mudou, eu acho que é duro dizer, a gente até comentou um pouco disso naquele programa do layoff, mas eu acho que reafirmou aquele conceito de tipo empresa não é família, empresa é empresa e ela funciona por um interesse. E não entenda isso com mal ou errado, eu também tô lá por um interesse que é ganhar dinheiro, eles estão por interesse que é o produtial.

Então é uma relação de interesse, é assim que funciona, né? Então que às vezes a gente acaba meio que caindo no sentimentalismo, né? Acaba levando um pouco por esse lado, não, que aqui e tal, tal, tal. E poxa, não tô falando para também virar inimigo das empresas, não. Tipo, é bom que você esteja feliz onde você tá, que você goste das pessoas, goste do seu trabalho, goste de trabalhar onde você trabalha. Isso é importante. Mas eu acho que são coisas muito distintas que às vezes não podem se cruzar.

Né, cara, eu acho que houve reafirmação disso. Para mim, acho que é importante, né, que com o tempo a gente precisa realmente sempre ter isso em mente. E eu acho, cara, eu acho que tem uma, se esforçar mais, pode ter uma rotina de estudo. Não que eu não tivesse, mas ter um cronograma mais organizado, porque é difícil, cara. Você tem que Você tem que fazer exercício, você tem que tentar não dormir tão tarde, você tem que levantar cedo, você tem um trabalho que às vezes te exige coisas que você ainda não domina muito bem, né?

Por exemplo, que nem o Yuri comentou aí, pô, cara, mais de 10 anos na área, mas ainda tinha coisas que eu não sabia, não dominava, não tinha experimentado. Por quê? Porque é muita coisa, é muita coisa. Se não tivesse criado nada de 2020 meio para cá, vamos botar uma régua aí, já era muita coisa para estudar, que eu ainda não tive contato e tudo mais. Mas desse meio para cá continua surgindo coisas, técnicas, tecnologias, conceitos, fundamentos, enfim, um monte de coisa que às vezes você não pegou por um motivo e outro.

E eu vejo que é sempre importante é ter alguma— claro, você pode de tempos em tempos se dar uma folguinha, porque ninguém é de ferro e é saudável, Mas você tem isso como preocupação, porque num momento como esse você não vai conseguir fazer as 8 horas de estudo como eu fiz, porque você tem uma vida, né? Mas talvez se eu tivesse sido um pouco mais rigoroso com essas coisas, eu tivesse gastado menos tempo para realocação. Talvez tivesse gastado um mês, poderia ter gastado 15 dias, 20 dias, né?

É uma possibilidade. Então É o famoso preparo do Batman aí, né? Quem tá preparado nunca é pego desprevenido.

YMYuri Marcel

Doug, acho que esse episódio aqui trouxe experiência, trouxe conselhos de vida, trouxe filosofias para gerações aí poder ouvir. Mas acho que dá para conversar aqui por muito mais tempo, mas nós temos que cumprir aqui nosso cronograma, né? Nosso episódio tá acabando. Então acho que a gente tem que fazer aquela velha rotina final de episódio, que eu acho que é importantíssimo. Apesar de eu já ter trago aqui uns conselhos, mas queria que você trouxesse para quem tá ouvindo também algum conselho para quem passou por isso, né?

Como dar a volta por cima, como não se abalar, né? Como manter ali o equilíbrio. Diga aí, na sua vasta experiência aí profissional, técnica e também de vida, qual é o seu conselho que dá para a galera aí que tá ouvindo a gente?

TATiago Aguiar

Eu vou fazer um e-book desse episódio. Vamos lá, depois vende curso. Não dá spoiler não. O que que eu vou fazer? O que que eu vou falar, né? Primeira coisa, quanto psicológico, realmente, cara, Quando a mente não tá boa, o resto não funciona. Você pode estar com uma dor no pé, você consegue às vezes fazer alguma coisa, mas, cara, o psicológico é muito mais difícil de resolver, né? Não é só tomar um remédio. Enfim, cada um vai funcionar de um jeito em determinadas situações.

Então assim, meu primeiro conselho é a questão do psicológico. Então assim, E são, existem dois perfis distintos, né? O perfil de quem é mais experiente, de estar na zona de conforto, tá, né? Às vezes de uma sequência de alguns, de vários anos, como eu estava, de não ter sido demitido e ter aquela confiança de tipo, pô, não, sou um cara, sou um cara bom, eu manjo disso aqui. Não falando como alguém para se gabar, mas alguém que tipo tinha confiança pelo próprio trabalho que era produzido, pelo testemunho das pessoas.

Que eu lembro até hoje, né, não querendo fazer propaganda de mim, mas já falando, teve uma vez que eu fiquei, eu, uma mulher lá, ela comentou uma vez que, eu não vou falar porque o nome dela, porque tava na polêmica, que ela foi me defender com outro, de um outro cara lá que ele tinha entendido o negócio errado, mas simplesmente ela tinha Eu fui resolver um problema com uma pessoa e aí a pessoa não entendeu o que que eu ia fazer lá.

Ela tinha uma expectativa, eu cheguei lá era outra, e ele achou que eu tava de má vontade. Só que na verdade ele que não entendeu direito o que que eu ia fazer. E aí, resumindo, e aí ele falou mal para essa mulher. E essa mulher falou assim, não, mas como assim, né? Ela não ficou sem entender. Falou assim, mas o meu chefe na época, né, falou, ele te mandou a melhor pessoa que ele tinha. E, cara, isso para mim— e outro fator foi tipo assim, quando eu saí daquela empresa, essa pessoa fez questão de me elogiar na frente de outras pessoas.

Então teve uma virada ali, que várias afirmações, como pode haver na carreira de todo mundo que pode estar ouvindo aí, várias afirmações de que você é bom no que você tá fazendo. Não que você não tenha o que melhorar, mas o que eu quero dizer é que todos esses testemunhos, todos esses testemunhos não são à toa, né? Se você teve reconhecimentos positivos, é, você merece esses reconhecimentos, e não é uma demissão que vai fazer com que eles sejam invalidados.

Então tenha o seu psicológico no lugar. E para quem tá mais no início, né, eu acho que é um pouco mais diferente, que é mais da síndrome do impostor. Ela ainda tá tentando alcançar talvez alguns desses testemunhos. E saiba que por mais que você ainda talvez não tenha conseguido alguns deles. Da mesma forma, uma demissão não vai te definir. Não, não tô romantizando a demissão dizendo que todo mundo que é demitido é porque não é um profissional, é um profissional bom e tudo mais.

Não, infelizmente alguns profissionais que pecam por postura, por deixar a desejar em algum motivo ou outro, podem melhorar por uma decisão própria ou não, né? Aí cabe a cada um. Mas tem muita gente boa que acaba sendo demitido isso é uma consequência. E para fechar, eu acho que eu já comentei, mas vou comentar de novo, é a parte da gestão financeira. De novo, eu sei que a realidade de todo mundo não é a mesma, eu sei que tem muita gente que às vezes tá começando na área, tá começando agora a ganhar uma graninha legal e tudo mais, mas a partir do momento que você puder, comece a economizar, comece achar outras formas de fazer o seu dinheiro render também.

Aí não vou vender curso de day trade, tá? Mas procure outras formas, né, de fazer o seu dinheiro render e tudo mais. Enfim, tenha uma preocupação com o seu dinheiro, porque foi essa preocupação que me trouxe uma tranquilidade nesse momento difícil. Então, para mim, isso é o que faz toda a diferença, e eu espero espero que isso sirva de conselho para quem tá ouvindo aí também.

YMYuri Marcel

Muito bom, é isso aí, galera. Para quem ficou aqui até o final escutando o Peixoto, deve estar— ops, não, ainda é a Guiada que fala, só o Peixoto aqui que assumiu a liderança. Mas para você que ficou até aqui, fica aí nosso agradecimento. Nosso convidado aí, muito obrigado, Guiada, por ter participado desse episódio hoje, ter cedido tempo para explicar experiência. E para você que tá nos ouvindo, curta aqui, siga nossos canais, e é isso aí.

Demitido. E agora? - Aguiar Dev Talks #51 | Castnews Index — Castnews Index