Jan Gottfridsson - Autoridade Espiritual
Toda autoridade procede de Deus, pois somente Ele possui autoridade absoluta.¹ Jesus declarou que toda autoridade lhe foi dada no céu e na terra, e o Senhor estabeleceu o seu trono sobre tudo e todos.² As autoridades existentes exercem uma responsabilidade delegada, limitada e subordinada à vontade de Deus. Por isso, reconhecer a autoridade espiritual não é exaltar pessoas, mas reconhecer o governo do Senhor e os princípios que Ele estabeleceu para a família, a igreja, o trabalho e a sociedade.
Deus investiu líderes de autoridade para cuidar, orientar e servir. A Palavra ensina que os discípulos devem lembrar-se daqueles que lhes transmitiram a fé, observar o resultado de sua maneira de viver e imitar seu exemplo. Também orienta que sejam obedientes e submissos aos seus líderes, pois eles velam por suas vidas e prestarão contas a Deus.³ Essa submissão deve proceder de um coração persuadido e confiante, permitindo que o cuidado seja exercido com alegria, e não com tristeza ou sobrecarga.
Toda autoridade delegada precisa refletir o caráter de Cristo. Jesus, sendo Senhor e Mestre, lavou os pés dos discípulos e apresentou a si mesmo como exemplo de humildade e serviço.⁴ Assim, a autoridade não deve ser exercida com orgulho, dureza, controle, manipulação ou imposição, mas com amor, misericórdia, domínio próprio e disposição para dar a vida. A autoridade espiritual existe para proteção, cuidado, serviço e edificação, nunca para destruição.⁵
Somente pode exercer autoridade de maneira saudável quem também vive debaixo de autoridade. O centurião reconheceu que podia dar ordens porque estava sujeito a uma autoridade superior.⁶ Da mesma forma, ninguém deve servir de maneira isolada, sem prestar contas ou permitir correção. A ausência de submissão abre espaço para abusos, exageros e autoritarismo. Estar debaixo de autoridade é proteção, graça e oportunidade contínua de quebrantamento e amadurecimento.
Sem sujeição não há edificação. Deus se opõe ao orgulhoso, mas concede graça ao humilde.⁷ A autoridade não deve ser tomada, exigida ou reivindicada; ela é reconhecida como consequência do serviço, do amor, da confiança e do compromisso construído ao longo do relacionamento. A submissão bíblica não é a de um escravo movido por medo, obrigação ou intimidação, mas a de um filho que vive em liberdade, reciprocidade e confiança. Nenhum líder pode ocupar o lugar de Jesus, único Salvador e Mediador entre Deus e os homens.
O alvo da autoridade espiritual é formar discípulos maduros, responsáveis por suas próprias decisões e cada vez mais dependentes do Senhor. O líder aconselha, adverte, ensina, corrige e encoraja, mas não controla a consciência nem toma decisões no lugar do discípulo. Nenhuma autoridade pode ultrapassar os limites da Palavra, impor preferências pessoais ou exigir algo imoral, arbitrário ou contrário à consciência. Jesus é o grande Pastor, e todos os que cuidam de pessoas são apenas servos chamados a refletir o seu caráter, dando a vida pelas ovelhas e conduzindo-as a uma comunhão profunda com Ele.⁸
Perguntas para reflexão
- Tenho reconhecido a autoridade de Deus nas autoridades delegadas por Ele nas diferentes áreas da minha vida e respondido com uma atitude verdadeiramente submissa?
- Quando exerço alguma responsabilidade sobre outras pessoas, minhas atitudes refletem o caráter humilde, amoroso e servidor de Cristo?
- Minha caminhada com aqueles que cuidam de mim tem sido marcada por confiança, transparência, prestação de contas e disposição para receber correção?
Referências bíblicas: ¹ Rm 13.1-2; ² Mt 28.18; ³ Hb 13.7,17; ⁴ Jo 13.13-17; ⁵ 2Co 10.8; 13.10; ⁶ Mt 8.8-10; ⁷ 1Pe 5.1-6; ⁸ Ez 34; Jo 10