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Dione Almeida - O descanso da graça

27 de setembro de 202654min
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Vivemos em um tempo de cansaço crescente. Trabalho e serviço no Reino são legítimos e necessários, mas podem ocupar nossa vida de tal forma que acabamos tentando sustentar tudo pela própria força. Quando Jesus nos chama e afirma que Seu jugo é suave e Seu fardo é leve, precisamos perguntar por que tantos chegam à exaustão justamente tentando servi-lo. A promessa continua sendo entrar no descanso de Deus¹, porque somos salvos pela graça, mediante a fé², e, se é pela graça, já não é pelas obras³.

Nossa mente tende a funcionar por transações: fazemos algo esperando receber algo em troca, como se acumulássemos méritos para alcançar um prêmio. A graça rompe completamente com essa lógica. Ela não é recompensa para quem chegou ao topo, mas a mão de Deus que alcança quem não poderia sair sozinho do lugar em que caiu. A graça começa em quem Deus é, não no que fazemos. Um presente não é conquistado; se fosse conquistado, seria salário ou prêmio. Pela graça, recebemos de Deus aquilo que jamais poderíamos produzir por merecimento.

Justiça, misericórdia e graça nos ajudam a compreender essa diferença. A justiça trata da dívida e de seu pagamento. A misericórdia nos libera daquilo que deveríamos pagar. A graça vai além: Deus nos acolhe, nos aproxima e nos faz família. O filho pródigo voltou pensando em uma relação de trabalho, mas foi recebido novamente como filho⁴. Por isso, obedecemos não para conquistar aceitação, mas como expressão de amor e gratidão. A graça não nos autoriza a viver sem responsabilidade, trabalho ou esforço. Ela tem poder para nos mudar de dentro para fora.

Essa mesma graça que recebemos deve fluir em direção aos outros. No cuidado e no discipulado, não podemos tratar pessoas apenas a partir de uma lógica de merecimento, como se nossa responsabilidade fosse produzir nelas, pela força, aquilo que somente Deus pode gerar. Continuamos ensinando, aconselhando, corrigindo, orando, cuidando e servindo, mas não como tarefa pesada ou obrigação. Fazemos isso com o mesmo recurso que nos alcançou: graça. Ser e fazer discípulos passa por imitar o Mestre, aprender como Ele age, trata e reage, e oferecer aos outros aquilo que recebemos dele.

Jesus chamou discípulos para segui-lo e, depois, os enviou para fazer discípulos de todas as nações⁵. O discipulador não é responsável por fabricar um discípulo por sua habilidade; sua responsabilidade é ser discípulo, oferecer ensino, conselho, ajuda e, principalmente, modelo. Quem compreendeu a graça tem obras e serve, mas o faz na graça, inclinando-se voluntariamente para os mais novos para que também provem dessa liberdade. Podemos até terminar cansados pelo serviço, mas não esmagados por uma tarefa: servimos com alegria e gratidão, encontrando descanso na graça de Deus.

Perguntas para reflexão

  1. Tenho servido ao Senhor movido pela graça e pela gratidão ou pela pressão de cumprir tarefas e provar meu valor?

  2. Ao cuidar de outras pessoas, tenho usado a graça que recebi como minha principal ferramenta ou tenho agido apenas pela lógica do merecimento?

  3. Minha forma de fazer discípulos tem sido marcada pelo exemplo de uma vida que imita Jesus ou pela tentativa de controlar e produzir resultados pela minha própria capacidade?

Referências bíblicas

  1. Hebreus 4:1

  2. Efésios 2:8

  3. Romanos 11:6

  4. Lucas 15:11-32

  5. Mateus 28:19-20

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