OCTSA 213 - A luta continua!
Especial de 25 de Abril, em que duas novas vozes (Laura Rosário e Lexi Narovatkin) se estreiam no programa para falar de filmes recentes e clássicos de culto que abordam o espírito da revolta.
Laura Rosário
Lexi Narovatkin
- Batalha e estratégiaContexto histórico e político · Gillo Pontecorvo · Memoir de Saadi Yacef · Paralelos com One Battle After Another · Representação da violência e opressão · Moldagem da narrativa pela autoridade · Impacto e recepção do filme · Uso como ferramenta contra-insurgente · Trilha sonora de Ennio Morricone
- Análise de Uma Batalha Após a OutraAnálise do enredo e personagens · Paul Thomas Anderson · Leonardo DiCaprio · Sean Penn · Benicio Del Toro · Representação da realidade americana · Crítica à hipersexualização da mulher negra · Paralelos com o filme Civil War · Influência de Tarantino · Adaptação da novela de Thomas Pynchon
- Revoluções históricasImportância histórica da data · Inquietação como motor da revolução · Filmes de índole revolucionária · Questão colonial portuguesa · Projeto Global de Ivo Ferreira · Bom Povo Português
- La HaineViolência e opressão policial e militar · Revolta popular · Consequências do colonialismo francês · Vincent Cassel · Paralelos com One Battle After Another · Uso de zoom e planos próximos · Arquitetura e som
Houve um grande desastre depois de outro. Primeiro veio a fêmea, depois os pães. Foi o dia que a Terra estava ainda, e o dia que a Terra estava fechando. Se não veio de outro mundo, foi de um dos mais profundo. Mas agora vem o maior desastre de todos. É um rio! É um screamo!
que sonhão que curte
E aí
Acontas com o bem que tu me fazes, acontas com o mal porque passei, com tantas guerras que trabalhei, já não sei fazer as pazes, são flores aos bilhões entre ruínas, meu peito feito campo de batalha.
Cada alvorada que me ensinas, ou ir em pó que o vento espalha Cá dentro inquietação, inquietação, é só inquietação, inquietação Porque não sei, porque não sei, porque não sei ainda Há sempre qualquer coisa que está para acontecer, qualquer coisa que eu devia perceber Porque não sei, porque não sei, porque não sei ainda
Me ensinas-me a fazer tantas perguntas na volta das respostas que eu trazia. Quantas promessas eu faria se as cumprisse todas juntas. Não largues esta mão no turvalinho, pois falta sempre pouco para chegar.
Eu não meti o barco ao mar para ficar pelo caminho. Cá dentro, inquietação, inquietação. É só inquietação, inquietação. Porque eu não sei, porque eu não sei. Porque eu não sei ainda. Há sempre qualquer coisa que está para acontecer. Qualquer coisa que eu devia perceber. Porque eu não sei, porque eu não sei. Porque eu não sei ainda. Cá dentro, inquietação, inquietação.
É só inquietação, inquietação Porque eu não sei, mas sei É que não sei ainda Há sempre qualquer coisa que está para acontecer Qualquer coisa que eu devia perceber Porque eu não sei, mas sei É que não sei ainda Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer Qualquer coisa que eu devia resolver Porque eu não sei, mas sei Que essa coisa É que é ler
Muito boa tarde e sejam bem-vindos a mais uma emissão dos críticos Também Sabatem, hoje na voz de Laura Rosário e Lexi Narvártik, uma edição especial de 25 de Abril. Lexi, como é que estamos?
Boa noite, Laura. Em primeiro lugar, dizer que acho que estamos bem, ambos, e agradecer-te pelo convite e pelo desafio, porque o ouvinte que conhece, os críticos, também se abatem neste momento estar-se a perguntar onde está Pedro Nora. Somos dois vasos que não são habituais neste programa e, na verdade, não habituais em contextos de conversa ao vivo. Creio que é a primeira vez que estamos a fazer um programa juntos, isto é, não o primeiro programa.
Sim, costumamos estar ambos de volta do Vector, principalmente, mas hoje quisemos trazer uma emissão diferente aqui aos críticos, que não se ingirá apenas ao 25 de Abril. Vamos andar a falar sobre uns filmes de índole revolucionária no geral, mas possivelmente mencionaremos algumas coisas mais diretamente relacionadas com o 25 de Abril.
E feliz 25 de Abril para ti, Laura, e para o ouvinte em casa. Exato, para ti também. É um dia importantíssimo. Começámos aqui com a faixa Inquietação, de José Mário Branco, por toda a gente, muito conhecida, certamente, e achei apropriado, porque inquietação é, ou melhor, surge de inquietação qualquer tipo de revolução, não achas?
Sim, sim, sim. E acho que os filmes que nós temos para falar hoje, e vamos falando à medida deles, acho que também nascem muito também de sentimentos de inquietude em algumas personagens, em algum character building, diria. Sim, sim, sem dúvida. Bem, eu aceitei este desafio porque aceitei este desafio e quis ver os filmes que tu viste também e fizemos mais ou menos este trabalho de casa nestes últimos dias. Vermos os mesmos filmes, não é?
Sim, exatamente. Nós acabámos por tentar fazer uma seleção que tivesse um filme recente, para, se calhar para o ouvinte que não é tão cinéfilo, mas que há de ter ouvido falar de alguma forma, é o One Battle After Another, que certamente já foi discutido aqui nos críticos.
Certamente, sim. E que dominou os Oscars este ano, não é verdade? Todos os anos digo que me estou a borrifar para a academia, mas acabo por ver de qualquer forma. E ao longo do programa poderei desenvolver um bocadinho o meu ponto de vista acerca do One Battle After Another, no contexto dos Oscars também.
Tu tens ideia das nomeações e prémios que o One Battle After Another teve nestes? Não consigo dizer-te o número exato. Sei que, se calhar, a nível de recorde de nomeações, penso que foi o Sinners. Mas o One Battle After Another foi o mais galardoado, se não estou em erro.
Também já vi há mais tempo, tu viste mais recentemente, por isso até te pediria para guiares um bocadinho aqui relativamente às questões do plot propriamente. Como é a primeira vez que eu e Lexi estamos a fazer o Críticos, sabemos que os spoilers são de evitar, mas pedimos desculpa desde já se passarmos aqui uma linha.
Sim, acho que não vamos ultrapassar. Espero que não. Se bem que agora estás-me a pedir o plot, mas sim, eu consigo fazer isto. Eu tenho confiança. Falar do plot de uma forma mais abstrata, não é? Não vamos estar aqui a contar o filme inteiro. Claro, claro. Bem, o filme quando saiu eu nunca dei com muita vontade de o ver, e aliás eu não sabia sobre o que é que era o filme. Há bocado falavas do ouvinte não necessariamente cinéfilo. Eu não sou uma pessoa necessariamente cinéfilo. Nem eu.
Mas considero que apesar de tudo ambos temos um gosto de cinema algo mais desenvolvido do que alguém que só vai aos cinemas nós, eu diria.
Acho que sim, acho que sim. Aliás, a última vez que eu fui ao cinema de nós foi para ver O Senhor dos Anéis, por uma questão que Alexei de 6 anos ia ficar muito feliz. Mas, bem, passando a One Battle After Another, um filme de Paul Thomas Anderson. Já foi responsável por nos entregar filmes como There Will Be Blood, que eu não sei se chegaste a ver, como Paul Dano, Magnolia, Liquorice Peas, entre muitos outros, Punch Drunk Love também.
O único que vi foi o Magnolia, daquele que eu sei da cinematografia dele. E nós temos aqui um triângulo de atores principais, que é Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Chase Infinity, o Benicio Del Toro também, e a Tiana Taylor, acho que são os nomes de grande destaque, diria. Sim, sim.
Eu li a breve sinopse porque ok, faz sentido a escolha deste filme. Eu ao início achava que era um filme de guerra. É? Também? Tendo em conta o póster do filme, que é a cara do Leonardo DiCaprio em grande plano e uma pessoa a correr armada, sim. Sim.
Acho que sim. Sim, é isto. Parece algo o Medio Oriente style de subs... Sim, opá. Não digo o sniper americano, claro. Mas a cor definitivamente remete um bocadinho ao Oriente. Mesmo do próprio filme, diria. Assim mais saturado. Para a sépia, não sei. Sim, é o sépia do deserto americano, não é? Exato, tipo Breaking Bad contra o amarelo. Therefore México.
100%, 100%. E do que é que o filme trata? É, portanto, um grupo insurgente. Parece-me ser relativamente baseado em movimentos de libertação negra nos Estados Unidos. Linardo DiCaprio está inserido neste grupo porque é companheiro amoroso de uma das líderes, diria, deste grupo, que é o French 75.
Sim, eu tenho a ideia que o Leonardo DiCaprio também, além de, deixa-me recordar aqui o nome da personagem dele, o Bob, além de parceiro romântico da Perfidia, que é interpretada pela Tiana Taylor, também tem um papel, penso que é ele que trata dos engenhos explosivos da situação, não é?
Sim, aliás, ele é conhecido por alcunha como Rocketman ou Ghetto Pet. E sem dar grandes spoilers, a Cell Insurgente acaba por ter de se esconder, devido a algumas ações que certos personagens tomaram aqui.
E temos um acelerar, 16 anos depois, em que o Ghetto Pet, Rocketman, Bob Ferguson, que é o nome legal da personagem que Leonardo DiCaprio interpreta, vive em casa com uma filha e tem uma postura bastante incomum com o mundo, diria. Sim.
Eu, na verdade, quando vi o filme e fui ler algumas críticas, vi mencionado no Reddit, salvo o erro, alguém a estabelecer a dualidade entre o Paul Thomas Anderson, que também está num casamento interracial, ele é branco e a mulher dele é negra,
E de como a relação do Bob e da perfidia acabava por espelhar o oposto daquilo que era a dele. Não sei se isto é baseado em alguma coisa que ele verdadeiramente disse, mas em contraste com a postura de pai relaxado que nós vemos do Bob, dele ser o contrário disso com a própria filha.
Sim, eu acho que ele consegue encarar ali muito bem uma personagem de, vou dizer isto em inglês, mas o deadbeat dead, não é? Sim. Não sei que palavra há para português para um... Pai ausente. Ele está presente. Ele está presente, mas talvez não é muito emocionalmente atento. Digamos que ele está algo distanciado da realidade durante algum tempo.
Por que sim? Pronto, o que acontece é que... Consegues me ajudar aqui a sair do DeadbeatDeadDicaprio?
Vemos uma relação anormal com a filha dele, algo que não é muito comum. Se calhar a palavra anormal não é mais correta porque certamente alguém já presenciou esta dinâmica e viveu esta dinâmica. Mas um pai com somerve, que é muito controlador sobre a filha, mesmo por causa destas questões de estarem escondidos devido à atividade rebelde.
E pronto, penso que é isso, porque acho que já ia dar um spoiler. Não dês, mas o que acontece é que há vários acontecimentos que levam a que Bob Ferguson tenha que se lembrar do seu período de atividade, a célula acaba por ser reativada. Sim. E ele tem que se mexer, e é crucial e vital com que ele se mexa. E o que nós vemos aqui é um ex-revolucionário apoderado.
a tentar lembrar-se de coisas eu acho que eu não estava à espera de morrer propriamente com o papel do DiCaprio nestes últimos anos, eu rimo bastante eu também... sim, concordo também não estamos habituados a ver o DiCaprio num papel cómico, principalmente num filme que é maioritariamente tão sério eu acho que para algumas pessoas foi isso que manteve o filme engaging tipo os picos de tom que ora era extremamente dramático, ora extremamente cómico eu acho que
mas para mim não não colou muito mas não achei eu por acaso achei que colou achei que era um engajamento saudável desta dualidade achei que o filme andou naturalmente bem nesse pace eu gostei
Especialmente isso. E bem, há one-liners de Bob Ferguson que são muito bons. São hilariantes. São hilariantes. E ele vai também, nesta tentativa de missão de se reencontrar e de reencontrar algo que lhe foi tirado, encontra Benicio del Toro, que interpreta uma personagem que se chama Sensei Sérgio Santo Carlos.
Sensei porque é professor de ajuda Ou de Marte Marcial Da filha do Bob Ferguson Exatamente E pá, confesso que O que a nível de cómico Achei a personagem do Benicill Del Toro muito mais cómica Da que a de Leonardo Porque há muito tempo Que eu não vi alguém A beber enquanto conduzia num filme
Não só a conduzir Alcoolizado, mas a conduzir enquanto bebia E isso para mim foi muito cómico Não promovendo este comportamento, como é lógico Mas foi engraçado E a dinâmica que os atores têm Nas cenas em que estão juntos Acho que também é muito fixe
Sim, sim. Porque, de certa forma, o Benicio Del Toro, não estando associado aos French 75, tem a sua questão ilegal a acontecer ali, de certa forma. Isto para dizer que o filme trata, ou tenta tocar bastante, aqui na realidade americana.
em questões de imigração, de direitos negros, de emancipação, e tem um ar muito contemporâneo. Vemos, por exemplo, sem spoiler, mas uma organização de extrema direita a formar um cerca de cidades, manifestações que visualmente já são conhecidas, que já tiveram lugar nos Estados Unidos, seja em que contexto for.
E claro, vemos o poder estatal a impor-se, a tentar silenciar o movimento insurgente revolucionário. E aqui, o militarizado, acho que é a estrela do filme e é desentregue por Sean Penn. Para mim foi, sem dúvida, o melhor papel do filme. Eu gosto muito de Sean Penn enquanto ator.
Já ouvi opiniões contrárias, que ele se calhar não teria sido a melhor escolha de elenco para este papel, mas eu achei que foi fabulosa. Ele, de facto, encarna aquilo que nós vemos no poder americano agora. Quer seja a perversão, o autoritarismo...
o que quiseres, está ali o mal todo, efetivamente. Sim, e é o próprio Estado a agir de formas ilegais, porque nós vemos algum bypass de estruturas de legalidade que a personagem da Sean Penn, que é a minha preferida, que é o coronel Stephen J. Lockjaw que eu acho que é um nome ótimo. Brutal, Lockjaw. Lockjaw é um nome incrível para a cara que Sean Penn faz neste filme e muita gente fala disso já quase como se fosse um meme mas o andar dele no filme.
É outra E acho que ele também De certa forma emprego nessa parte também Meio cómica, nessa performance corporal Não é? Quando temos o DiCaprio O Bob Ferguson pedrado Com os maneirismos de uma pessoa pedrada Que acredito que já tenha estado pedrado Leonardo DiCaprio Não é de ser propriamente difícil
Um Benicio Del Toro monofrásico, basicamente, e um champagne estrelar. Sim. Bem, eu ia sugerir ouvirmos aqui o tema com o nome do filme, da banda sonora do filme, One Battle After Another, de Johnny Greenwood, e voltamos já a seguir.
Tchau, tchau.
E aí
Amém.
Tchau, tchau.
E estamos de volta. Acabámos de ouvir a faixa homónima do filme, que faz parte da banda sonora. A Lexi estava a chamar-me a atenção e com toda a razão. Não mencionei que estamos nos 107.9 FM, também podem estar a ouvir-nos online em rook.pt. Estão a ouvir os críticos, também se abatem. E estamos a falar de filmes de índole revolucionária. E estamos a falar de One Battle After Another.
E penso que agora podemos falar da parte que diz respeito à política do filme, propriamente dita. Fora os aspectos cómicos do filme. Eu achei um bocadinho problemática a representação hipersexualizada que fizeram da mulher negra. Tenho que dizer isto.
Sim, é verdade e pronto, o grupo revolucionário onde Bob Ferguson está incluso é maioritariamente popular do Will por mulheres negras e não há assim tanto o papel...
da representatividade do grupo, não é? Sim. O que tu tens, no fundo, é um foco muito à volta do Sean Penn, do Leonardo DiCaprio e do Benicio Del Toro. E acaba por voltar, mas claro, obviamente temos a filha de Bob Ferguson, que...
Acaba por ser o legado, não é? Sim. Desse grupo revolucionário. Mas quanto à parte política e real do filme, bom, eu acho que obedece muito ao que outros filmes deste tipo de mostra da América Contemporânea têm. O Civil War, por exemplo.
Apesar de ser um bocado diferente, eu sei que não viste o filme, nós ainda debatemos se o íamos ver ou não. Não chegaste a ver, pois não? Não, eu fiquei com a impressão que não foi um filme que te tivesse agradado muito. Ela não me agradou. Primeiramente, achei curioso um grupo de fotojournalistas seguir uma nova guerra civil americana, um conflito armado.
Gosto a parte dos repartas de guerra, agora não me impressionou de tudo, já o vi, bem, já faz algum tempo, diria um ano e algo, um algo e tal.
No entanto, pega nestas tropes do que é a cultura atual, contemporânea americana. Este filme também o faz, apesar de o tentar pôr numa lente cómica, não digo no que diz respeito à parte da imigração no filme, que maioritariamente é representada por imigrantes hispânicos, latino-americanos.
mas sim, tento usar essas tropas de tentar mostrar algum progressismo e se calhar fica um bocado a desejar a falta da representatividade portanto das mulheres que fariam parte deste grupo ficcional
Eu penso que isto sou eu a tentar dar um benefício da dúvida ao filme. Porque realmente costumo-me muito quando ver o filme pensar tipo, a sério que isto é o filme mais aclamado do ano. A lógica que eu consegui retirar disto é, talvez isto seja propositadamente vazio. Talvez este.
Num sentido que talvez o filme não seja tão politicamente enviesado como quer transparecer, ou como tende a transparecer, mas sim, como estávamos a falar anteriormente, o aspecto cómico e sensacionalizado de ambos os lados, apesar de... Sim.
dependendo da empatia da pessoa. Eu acho que o filme continua a ser bastante político. Eu acho que se muita gente atualmente no governo americano fosse ver, ia ver-se num espelho das técnicas militarizadas que são aplicadas pelo exército para silenciar e oprimir grupos de índole revolucionária ou manifestações. E nós vemos isto a acontecer e nós vemos quase uma infiltração, um policiamento, um estado de vigilância e eu acho que aquilo acerta muito bem.
Sim, a questão do estado de vigilância e do policiamento, eu sinto que mesmo concretamente é bastante retratada. Fala-se e vê-se disso. Mas no subtexto sinto que está a maior parte do sumo, talvez. Quer nas ações ou no questionário da violência por ambas as partes.
Porque talvez a violência da parte rebelde dos French... 75. 75. Seja mais... Ou seja, retratada de uma forma como gratuita. Que envolve violência contra civis. Até há uma situação em que é questionado mesmo o... Deve me faltar a palavra. A inocência. Sim.
de quem comete, ou melhor, a ingenuidade de quem comete este tipo de ações em nome de uma causa maior. E ajuda-me. Eu acho que raros são os filmes que retratam revoluções não violentas e pacíficas e raras são as revoluções que acontecem de uma forma não violenta e pacífica, não é?
Mas tu não achas que grande parte da violência por parte dos French 75, não grande parte, mas talvez 50-50, da violência que é retratada por parte deles dá mesmo a entender que não foi necessária para aquele que era o fim político deles?
Não sei, eu acho que tento pegar numa amálgama e inspirar-se em outros grupos, estou a pensar, por exemplo, na Red Army Faction, alemã, Badermainov, acho que era mais ou menos nisso, ou seja, e aqui acho que vou dar um spoiler micro, eu acho que também é expectável, não é um spoiler, French 75 assalta um banco, que são as ações típicas deste tipo de grupos para se financiarem, não é?
Acho que a parte de violência gratuita foi só Hollywood a ser Hollywood Mas... Eu... Não diria... De secar não vejo de uma forma tão ingenuidade Ou seja, não vejo essa ingenuidade no papel É o que eu quero dizer Eu não sei se ficaste com esta sensação Mas mencionaste a violência gratuita de Hollywood Eu acabei de ver este filme com o meu namorado e eu comentei Isto tem aqui um wannabe Um tentar ser...
Aquele edge de Tarantino. Percebes? A nível da violência não tão gráfica, talvez, mas muito dramatizada. Qual é que foi o filme? Como? Qual é que foi o filme?
Aqui o One Battle of the Ironhawks. Ah, estamos a falar do mesmo, ok, certo, certo. E eu não quero estar a espalhar desinformação, mas eu tenho a ideia que o Tarantino, de facto, teve algum tipo de papel na produção ou no escrever do argumento do filme. E acho que talvez se deva um bocado a isso e também não ser vista, talvez, como apenas violência gratuita de Hollywood, mas com uma índole artística maior. Não sei.
Eu efetivamente não sei se Tarantino esteve envolvido, dizes, na produção do guião. Eu, por acaso, não vi isso, mas anteriormente em Ofo dizias-me que isto seria adaptado de uma novela de Thomas Pynchon. Sim.
Eu confesso que eu não fiz uma pesquisa assim tão grande dentro do One Battle After Another, ok? Nem eu e lá está, como eu já vi o filme há mais tempo, também não tenho as coisas tão frescas, confesso.
Thomas Pynchon, por exemplo, escreve uma novela que é o Inherent Vice e Paul Thomas Anderson tem também um filme com o nome Inherent Vice e One Battle After Another poderá efetivamente vir. De Pynchon é um nome bastante conhecido na pop culture dos anos 60, especialmente na parte mais avant-garde, descrita, mais caustica, por exemplo. Sim, sim.
Não é um beatnik, mas diria algo muito semelhante. Bom, do resto, eu acho que One Battle After Another, o que nós retiramos daqui da nossa visualização deste filme, é que, além desta inspiração em Pinching, etc., ela é inspirada noutro filme, que aparece a ser visualizado pela personagem Bob Ferguson, que é o Battle of Algiers, ou Batalha de Argel.
Sim, que também vamos falar, que também foi um dos filmes que planeámos falar hoje. Penso que é um filme de referência, não só no cinema de forma geral, mas também no cinema de guerra e no drama barra trailer político.
É um filme de 68... 66. 66, peço desculpa, 66. É para ti branco. Uma produção de Gila Pantecorvo. E acho que tem uma história muito interessante. Eu agora sugeri a ti e perguntava-te. Tens algum...
Algum tema aí da trilha sonora do The Battle of Algiers? Tenho. Tenho, sim. É de Ennio Morricone. Ennio Morricone. Você também queria muito falar disso. Então vamos ouvir. Sim. Vamos ouvir.
E aí
Ouvimos aqui o tema da batalha de Algérias. Acho que é importante definir que Algérias é a capital da Argélia. Esta diferença no português, porque em inglês diz-se...
Algieria E em português dizemos Argélia Isto foi um pensamento com o qual eu entrei para o estúdio A pensar e vou-me confundir imensas vezes E já assumi Eu também, eu peço desculpa por isso já a partir Mas vai acontecer A batalha de Algérias Vamos dizer o título do filme Em português
Contexto, isto é um documentário de drama, é o primeiro filme deste género, basicamente. Como dizia anteriormente, co-escrito e dirigido por Gilla Ponte Corvo, diretor italiano, é baseado...
num livro com o mesmo nome, The Battle of Algiers, que é escrito por um ex-líder de um movimento de libertação argelina, que é retratado neste filme. Grande parte disto são tudo acontecimentos reais. Acho que não há spoilers aqui. Pois não. O filme é feito com um intervalo...
Record de qualquer filme de drama sobre uma guerra. Eu diria, pelo menos naquele século, porque isto são tudo acontecimentos e avanço já isto, existe apenas um ator profissional no elenco. O resto são pessoas que viveram esta situação na pele.
Sim, era o que eu estava a dizer há bocado. Isto é baseado numa novela, num livro, não é uma novela, é um memoir, que é o Souvenir de la Batalha d'Alger, que é escrito por Sadi Yasef, que é um ex-líder da Front Liberation National.
Que é a Féliane Que é retratada aqui no filme Ele apresenta uma personagem Que também é um líder da Féliane Responsável por assassinados Greves Atentados à bomba Contra as forças Coloniais francesas Sim
E, ok, a Batalha de Algérria, basicamente, o evento real, veio de 30 de setembro de 56 a 24 de setembro de 57. Este filme é lançado em 66. A Algérria adquire a independência em 62, ou seja, isto foi feito... A Guerra da Argélia durou mais do que a guerra na própria cidade, na própria capital, este período de 13 anos.
Sim, só perto de 3 anos 3 anos de elevada violência contra as pessoas muçulmanas e argelinas Nós vemos, obviamente, as tensões que existem entre os argelinos que são chamados de árabes pelos franceses
dos poderes coloniais franceses e administrativos, e depois também, de novo, do poder militarizado. Eu acho que há muitos paralelos com One Battle After Another e o Battle of Algiers.
nomeadamente a questão de eu acho que aqui explora muito melhor como é que a FELIAN efetivamente foi formada, como é que estava organizada o tipo de ações que fazia e como tinha o apoio das pessoas e como é que o movimento de libertação levou efetivamente à independência de um país e à administração francesa a regressar à Europa e com certeza a independência algéria algéria que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que
Torna-se difícil, sabes? Sim, vai ser este filme até ao final do programa, muito provavelmente. E o Battle of All Gears, desculpa, diz. Não, gostava que desenvolvesse, ia pedir-te mesmo para desenvolveres estes paralelismos, para fazer a ponte, efetivamente. Certo. Nós aqui seguimos alguns revolucionários. Eu queria tentar abrir aqui o texto do filme. Bem, está aqui.
Seguimos principalmente duas personagens, que é Ali de Laponte e Jafar, que é aqui interpretado pelo ex-capitão das FLN, Sadia Sef. Cuja personagem também está acima hierarquicamente do Ali. Sim, sim. Nós basicamente seguimos a estrutura organizacional da FLN.
E vemos também muita cidadania a acontecer, muita vivência diária em Argel. Onde é que eu queria chegar com isto? Ok.
Os atentados começam a aumentar e a administração francesa tenta intervir. Primeiramente colocando Argel num estado de apartheid, de forma semelhante do que nós vemos hoje na Palestina, na faixa de Gaza. A militarização urbana é feita de uma forma praticamente de espelho.
E depois temos a segunda intervenção militar, que é quando se chamam os grandes comandos, os franceses, que são, no fundo, representados por uma personagem coletiva, que é representada por Jean Martin, que é o coronel Philippe Mathieu.
De novo, o paralelo aqui, acho que o coronel Philippe Mathieu faz-me lembrar o coronel Stephen Lockjaw, em One Battle After Another, com um sentido muito cru de ação, toma decisões que são obviamente cruéis, que são brutais, manipula a mídia, eu acho que é uma parte importante deste filme, é que mostra como é que a autoridade francesa tentou pintar, e...
Insurgência na argélia. Eu vou interromper-te para ir mais a fundo ainda nesse paralelo. Que no Lockjaw nós vemos um veterano. Alguém que esteve no Iraque, Vietnã, o que for. Que esteve numa intervenção dita democrática dos Estados Unidos a algum ponto. E tu com o Matia, o coronel Matia. Sim.
também vês alguém que esteve presente na Indochina, por exemplo. Que ele a certo ponto diz, não podem chamar-nos nazis, nós fomos lá à resistência. E eu acho que é possível ver isso hoje. E principalmente na forma como talvez a América, como é retratado no One Battle After Another.
que nós somos donos da moral, independentemente do lado onde estamos, basicamente. Sim, isto são realidades e verdades que são construídas só para nós e por nós. No fundo acaba muito por ser isto. E nós vemos a moldagem da narrativa que o Cornelio Matiado tenta fazer, através de comunicados públicos, através de conversas com a imprensa. Na verdade há uma cena no filme que é um discurso que ele dá à imprensa.
E tu ouves o discurso, efetivamente, não é um mau discurso, é um discurso de autoridade colonial, não em tanta forma como ele está dito, consegue mesmo representar esse poder de criar realidade através do discurso, apesar dele ser confrontado por jornalistas, por alegações, que não são alegações, hoje em dia sabemos que são factos, de tortura de elementos da FLN, de detenções arbitrárias, como aconteceu em...
todos os países que mandaram as autoridades coloniais para fora, pelo menos no que toca à parte do terreno, não é? Sim, é impressionante como é que 35 anos antes do 11 de setembro...
Nós já vemos o Ponto Corvo a explicar como é que a opressão do Ocidente perante as sociedades de cultura musulmana leva à radicalização e ao terror, de alguma forma. E que o ciclo de violência assim se perpetua.
e que sinceramente acho que não há nenhum filme americano que consiga retratar esta experiência. E é impressionante como é que há tanta especificidade neste filme que o faz antes de ter acontecido sequer.
Sim, eu acho que o mais precedente aqui é ele ter sido mesmo filmado poucos anos depois do fim da guerra da independência argelina. Sim, sem dúvida. E os efeitos práticos porque nós vemos várias explosões e acho que isto é uma coisa bonita em filmes mais antigos é que isto não são efeitos, isto não é CGI, é um explosivo no meio de pessoas e efetivamente são grandes explosões e tu vês demolições a acontecer.
Há um acontecimento verídico, uma dessas explosões, que é aquela num café, que é maioritariamente frequentado por europeus, e isso foi uma coisa que aconteceu, realmente. Sim, sim, sim. Daí isto ser um documentário-drama, porque isto parece que vem da lente de um jornalista de guerra, no entanto, é uma ficção, os personagens são ficcionais, no entanto.
Mas é praticamente um filme documental. Ele foi banido pelo governo francês durante um ano, antes de sair. Causou... Causou muitas polémicas na França por retratar o movimento de resistência argelina, por retratar a França como...
Um poder que tortura e detém arbitrariamente pessoas e militares a cidades e divide uma comunidade, que já lá estava previamente. Mas não só por causa disto também. O filme, eu acabei de ver o filme hoje e entretanto estava a ler algumas coisas já acerca.
O filme é associado a alguns grupos paramilitares revolucionários, enquanto uma forma de inspiração para conduzir a guerrilha urbana. Por exemplo, a Organização da Liberdade Palestiniana, o Exército Republicano Irlandês. Alegadamente diz-se que ganhou bastante popularidade nestes círculos e faz todo o sentido com...
que efetivamente tinha acontecido. Temos também o académico palestiniano-americano Eduardo Said, a aclamar muito o filme. Isto é o escritor responsável pelo que é o conceito de Orientalism.
que é um conceito-chave no pensamento pós-colonial e decolonial. Diz que é um dos filmes preferidos dele, diz que representa bastante bem como é que um grupo insurgente se forma, como é que a tensão que existe entre o colonizado e o colonizador, não é? Sim. Roger Ebert diz também que...
Isso pode ser uma proposição transponível para outro tema, porque o que Roger Tebert diz, e parafraseando, é não estás interessado pela Argélia, coloca isto noutra situação e vê o filme com essa ótica. Vai ser uma proposição transponível. Eu acho que ao mesmo tempo de dizer isto é muito redutor, obviamente, claro.
todas as revoluções e conflitos vão ter as suas especificidades, mas ele aqui, à esquerda, é bastante bem aclamado. Pela direita ele é utilizado, isto foi a parte curiosa que descobri.
Já houve mostras deste filme em academias militares, em aulas e mostras de contra-insurgência, ok? Enquanto o know-how de lidar a sério. Sim, por exemplo, em 2003, durante a ocupação americana do Iraque, este filme foi mostrado aos saudades de como agir, quando, e de novo aqui meio parafrasear, meio traduzir, um flyer desta sessão de cinema. Sim.
num compound americano, ou no pentágono aliás, dizia como é que podemos ganhar uma batalha contra o terrorismo e perder uma batalha contra ideias. Onde crianças, soldados disparam a cama-roupa, onde mulheres...
plantam bombas em cafés, etc, etc, é por aqui. E é usado enquanto uma ferramenta contra-insurgente, não é? Que é o propósito contrário do filme. Ela é adaptada pelos nossos powers that be.
Isso é absolutamente fascinante. Pois é. Mais fascinante ainda foi as sessões... Isto foi em 2003 no Pentágono. Já tinham passado vários anos. Nos anos 60, depois de sair, foi usado por algumas...
Academias Militares na Argentina Durante a Guerra do Estado da Argentina Contra grupos Insurgentes De esquerda E os métodos de tortura De detenção, de interrogatório São aqui aplicados E por exemplo Que é a Argentina Dirty War Que é a Guerra Sur argentiniana Que era a perseguição do governo argentino A grupos Ditos insurgentes Mas
Um dos cadetes aqui da escola basicamente ele admite que replicaram técnicas de tortura utilizadas no filme em pessoas detidas dos tais grupos com os quais o Estado da Argentina estava a combater nos anos 60. Sim, porque as cenas de tortura eram bastante explícitas, tu sabias exatamente o que é que estava a acontecer, não era assim uma sombra numa parede ou algo de género. Eu acho que o filme é tudo muito explícito e acho acima de tudo também muito bem feito, é muito hipnótico.
Eu acho que a forma como o degustei foi como uma série de sketches. Todos os ataques que faziam, quer de um lado, quer de outro, as explosões, as bombas, tudo. Corre ali, ou roça, o documentário.
Mas é de um envolvimento emocional, especialmente naquilo que toca ao espaço coletivo. Eu acho que, de certa forma, a cidade acaba por tomar uma certa personagem, ou espelhar a complexidade de um povo oprimido, de um povo vítima do colonialismo.
E eu sinceramente gostei muito do filme. Não sei que gostar parece um bocadinho redutor, no sentido que não foi uma experiência agradável, mas eu vou ficar a pensar neste filme durante algum tempo. Principalmente com isto que tu me estás a contar. Eu não tenho, se calhar, um facto tão interessante quanto isso, porque eu achei o que tu disseste genuinamente fascinante.
Mas sei que o filme ganhou o Leão de Veneza. Foi galardoado com o Leão de Veneza no ano em que saiu. E isto ainda era um tema muito sensível para os franceses. Tanto que os franceses presentes na sala de cinema...
se ausentaram quando começaram a perceber onde é que estava a ir o filme. É terrível. Isto é uma produção italiana. É uma produção de uma pessoa que também esteve afiliada a partidos comunistas. O Partido Comunista Italiano, em concreto, acho que eventualmente se desafiliou, mas que manteve o marxismo enquanto ideologia, muito abertamente. Mas se não estou em erro...
o... estão a faltar o nome, o Guilo.corvo foi preso político a certo ponto, não sei se foi...
De Mussolini, especificamente, ou se foi de algo noutro país, mas sei que esteve preso. Sim, e o Pantec Corvo é contactado pela primeira vez na Itália por um líder exilado da FLN. Sim. E depois o governo de Argelino aprova e apoia a produção do filme e a filmagem do Battle of Algears.
Claro que tudo isto também é um grande movimento político e Nargélia isto é um filme com muito peso, mesmo contemporariamente, tem muito peso. Sim, sim. É um filme icon.
Voltando àquilo que foi a permissa deste programa Filmes revolucionários Por hoje ser 25 de Abril Eu não consigo deixar de pensar Ou de me interrogar Se houve algum filme Não digo uma produção portuguesa Possivelmente uma produção estrangeira Que abordasse a questão colonial portuguesa De uma forma tão crua E aí
Efetivamente eu não conheço, eu acho que o melhor que podes tentar procurar aí é mesmo produções documentais, mas que não sejam do Estado, não sei. Eu sugerei-te um documentário meio experimental, que é o Bom Povo Português e que é narrado por José Mário Branco, daí eu ter escolhido também uma faixa dele para iniciar o programa de hoje.
que contém muitas filmagens da altura. Fala muito do interior e das pessoas que só saberam da revolução talvez uns dias depois de ter acontecido. Mas olha, por acaso, nesta quinta-feira saiu um filme de Ivo Ferreira, nas cenas portuguesas, o Projeto Global.
que aparentemente, não tive tempo de ir ver ainda, gostava de ir, acompanha um grupo análogo ao que tenta representar as FP25, as Forças Populares 25 de Abril, no período pós-revolução.
E eu acho que esta aqui, por acaso, com o que estás a dizer, acho que pode ser... Podia ser um bom filme para adicionarmos esta lista, caso tivéssemos ido ver-te na quinta-feira. Sim, tendo em conta o quão recente é, não é? Sim, sim, sim. Faria todo o sentido, mas realmente não tive tempo também, mas definitivamente deverei. Olha, uma review aqui no Letterbox do Projeto Global, de um utilizador. Diz, one cigarette after another.
Portanto, acho que estamos a inserir-nos muito bem neste tema. Eu acho que isto fez bastante sentido, não é? Este contínuo de One Battle After Another, Battle of All Years, projeto global. Sim, eu não sei se nós teremos tempo porque são 8h54, quase 8h55 e os críticos terminam por volta das 9h, das 21h aliás.
Mas nós planejámos falar sobre o La Reine, que é um clássico de culto, eu diria. O filme francês. E eu consigo ver muitos paralelismos aqui. Não só na equivalência ou no...
passa a redundância também outra vez a palavra os paralelos entre a violência e a opressão policial e militar. Vemos mais a policial no Larraine, mas de como a revolta surge em todas estas pessoas. Acho que é bastante semelhante, até porque as personagens de Larraine são de alguma forma consequências do colonialismo francês. Sim, sim, sim.
Nós acompanhamos um grupo antirracial de amigos, não é? Sim. Que vivem numa situação de grande fragilidade, de muita violência, assassinatos a acontecer. Sim. E obviamente temos, pronto, o Vincent de Cassell é o francês nativo, mas...
Mas acaba por ser... Ele é judeu no filme? Eu acho que sim. Eu acho que sim. Já não tenho bem a certeza porque eu vi isto há coisa de um ano também. Eu não voltei a ver Gustavo. Acho que é um ótimo filme. É muito bem executado. É bonito. Sim. Por estar a pensar no La Han quando fui ver a Batalha de Argel. Que eu também acabei de ver hoje. Também foi um bocado... Uma vez que os dois filmes são filmados a preto e branco.
Fiquei com isso na cabeça. E reparei, há um uso muito bom e de referência, sem dúvida, no La Raine do Zoom. Não sei se tu reparaste, mas na Batalha de Algera, Argél? Argél, sim.
Tu não vês um, só cortas para planos mais próximos. Sim, mas também são formas diferentes de filmar e décadas diferentes de câmeras e de lentes, não é? Sim, separam... Sim, sim, sim. A técnica, são separadas pela técnica, no fundo é isto, e pelos materiais disponíveis à altura.
Pois é, até que são 20 anos a diferença. No entanto... Há mais 30 anos, desculpa. Sim, sim, sim. Mas há mais paralelismos com o One Battle After Another por exemplo. As cenas de perseguição espacialmente são análogas. Elas não são parecidas mas dá para entender. Vejam os dois filmes e acho que vão entender do que tu falaste. Porque há uma parte que eu achei medonhamente similar.
Qual? Portanto, no One Battle After Another é a cena na estrada, que vai subir e vai descer, e vai subir e vai descer. E no Battle of Algiers seria a cena nas escadas, na cidade, a fuga nas escadas, com o exército e os insurgentes.
Por falar nisso, devo mencionar que o filme também faz um trabalho excelente em captar a arquitetura da Argélia, sinceramente. Eu reparei nisso. A questão dos jardins interiores, não é? Sim, sim. Naqueles pátios. Há muitas cenas que se passam aí, acho eu.
E o som, principalmente, não sei se tu... A mim marcou-me muito Porque isto é uma trilha sonora que é composta por Annie Morricone E Pierino Monari, que é um percussionista A percussion no filme é bela Os arranjos de Annie Morricone também são muito bons E a forma como o Pantacorvo usa outros sons, por exemplo Os sons de tiros de helicópteros e de motores Simbolizam os métodos franceses E sempre que há franceses no filme E aí
o som é esse, enquanto que vociferações de mulheres argilinas, explosões de bomba, chores e cânticos simbolizam os métodos argilinos e acaba por ser uma boa dicotomia sonora, no fundo.