Episódios de Memória

#383 - Histórias das Copas IV

04 de maio de 202657min
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Finalmente uma majestosa apresentação do futebol brasileiro em um mundial, o da Suécia em 1958.  Além de gols e lances inesquecíveis, entrevistas com Beline, Gilmar, Pelé e mais alguns, além do chefe da delegação, dr. Paulo Machado de Carvalho  em um longo depoimento contando episódios  de bastidores daquela Copa, pouco conhecidos do grande público. Esses os ingredientes do quarto Podcast Memória sobre Copas do Mundo.
Participantes neste episódio1
M

Milton Barrom

HostJornalista
Assuntos7
  • Copa do Mundo de 1958Contexto histórico e social do Brasil em 1958 · A preparação da seleção brasileira · A convocação e a importância de Pelé · Jogos da fase de grupos (Áustria, Inglaterra, União Soviética) · Quartas de final contra País de Gales · Semifinal contra a França · A final contra a Suécia · A troca da camisa amarela pela azul · Bastidores e histórias da delegação · A conquista do primeiro título mundial
  • Dr. Paulo Machado de CarvalhoPapel como chefe da delegação · Organização e metodologia moderna · Relação com os jogadores · Decisão sobre a convocação de Pelé · Estratégia psicológica na final · Visão sobre disciplina e profissionalismo
  • Pelé na Copa de 1958Início da carreira e convocação · Lesão e dúvida sobre sua participação · Estreia e desempenho contra a União Soviética · Gol decisivo contra o País de Gales · Gol na final contra a Suécia
  • Garrincha na Copa de 1958Alegria e irreverência em campo · Irresponsabilidade e punição inicial · Entrada no time titular contra a Rússia · Jogadas espetaculares na semifinal e final · Histórias de bastidores
  • Brasil 1958: Contexto Político e SocialGoverno Juscelino Kubitschek · Construção de Brasília · Cultura e música da época · Mudanças sociais e costumes
  • Outros jogadores e personagens da Copa de 58Didi · Gilmar · Bellini · Vavá · Mário Américo (massagista) · Vicente Feola (técnico)
  • História do Futebol Brasileiro Pós-1958A renúncia de Jânio Quadros · Crise institucional e posse de João Goulart · A Copa de 1962 no Chile · Conquista de Éder Jofre no boxe
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Mais de 15 milhões de pessoas do mundo todo já usam e confiam. Afinal, quem sabe, vai de Wise. Baixe o app da Wise hoje ou visite wise.com. Termos e condições se aplicam. Podcast da Rádio Bandeirantes.

Momentos marcantes do jornalismo, das artes, da história. Registros sonoros compilados pelo Centro de Documentação e Memória da Rádio Pandeirantes. Pesquisa, produção e apresentação de Milton Barrom.

Alô São Paulo, olá Brasil. Programa Memória, a história dos mundiais de futebol. Este é o quarto da série onde vamos nos ocupar do sexto campeonato mundial de futebol que foi realizado na Suécia.

Quem estava nas paradas musicais por essa época era o garotão já falecido Sérgio Murilo.

Quando chegou a época do sexto campeonato mundial de futebol, em 1958, na Suécia, uma revolução acontecia no seio da sociedade, principalmente entre os jovens.

Os modismos e costumes eram tão radicalmente agressivos quanto na época da Copa do Mundo anterior, quatro anos antes. Os rebeldes sem causa continuavam rebeldes, porém já sabiam agora o que queriam. Por exemplo, aumento de vagas nas universidades públicas. Dos pais queriam mais compreensão do que tolerância.

As músicas já eram mais ingênuas e menos agressivas que o rock pesado, onde Elvis, Chuck Berry, Charlie Lewis, Bill Harley e revelavam os novos talentos brasileiros. Nossa musa era Selly Campelo.

Já que aceite tanto solucionar Quem é o fim Ó Cupido, vai longe de mim Quando veio a primeira convocação da seleção para a Copa de 58 O Brasil estava empolgado com outras coisas Até porque não havia ainda se esquecido dos fracassos de 50 e de 54 Obrigado

Portanto, o futebol, embora alimentando a paixão, não despertava grandes esperanças. O Brasil, em 1957, época da convocação, tinha um presidente considerado bossa nova, autêntico pé de valsa, que gostava de tomar umas aulinhas de violão e cujo permanente sorriso o mantinha sempre muito próximo do povo.

A construção de Brasília. Sua promessa de campanha feita a um certo toriquinho, coletor de impostos numa pequena cidade do interior de Goiás, onde fez seu primeiro comício como candidato, caminhava a passos largos.

A floresta amazônica era rasgada de sul a norte para possibilitar a ligação do Planalto Central com Belém do Pará. Os tentáculos se espalhavam dentro do projeto de interiorização que Juscelino havia sonhado para o Brasil. A indústria automobilística, como ele também prometera, já se tornara uma realidade.

JK estava cumprindo a risca a sua meta de realizar 50 anos de governo em apenas 5. A verdade é que ninguém nos dia de hoje tem coragem de negar.

que demos passos largos para nossa emancipação econômica e que, força alguma, haverá que nos obrigue a retroceder, a renegar da nossa decisão de enfrentar vírus multidestinos.

Nossa nova mesmo é ser presidente Desta terra descoberta por Cabral Para tanto basta ser tão simplesmente Simpático, resunho original Depois desfrutar da maravilha

Era um Brasil cheio de diferenças. Claro que a seleção convocada naquele ano de 57 para disputar vagas para o Mundial da Suécia também começou a apresentar caras novas, como recorda o capitão daquela seleção, Hideraldo Luiz Bellini.

Um plano de trabalho bem organizado, nos mínimos detalhes, quer dizer, pensou-se em quase tudo. Até um psicólogo que nunca levaram foi pensado e foi levado. E embora muita gente também discorde, eu acho que foi bom. O responsável por aquelas modificações radicais, pelos preparativos com organização, pela metodologia moderna introduzida nos trabalhos da seleção,

Foi um apaixonado pelo futebol e pelas comunicações, da qual, aliás, ele era um ilustre e respeitável empresário, doutor Paulo Machado de Carvalho, dono das emissoras unidas de rádio e televisão, capitaneadas pela rádio e TV Record. Desde o final da década de 20, ele se dedicava às comunicações. Pois, aquele respeitável senhor, é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal e é muito legal

Dirigente esportivo várias vezes, tanto da Federação Paulista de Futebol, quanto do seu clube de coração, o São Paulo Futebol Clube, tinha uma facilidade imensa de se comunicar com os jogadores, sendo extremamente respeitados por todos, e ao mesmo tempo tratado com carinho e até intimidade, como costumava contar o saudoso massagista da seleção, Mário Américo.

Paulinho, cabeça de manga lá, não deixava ninguém folgado. Nós tinha um chefe, Dr. Paulo Machado Carvalho, era o homem que dava segurança a todo o time, para todos nós que estávamos lá. Dr. Paulo Machado Carvalho. Tinha o tenente dele, José Nascimento, era um baluarte.

Primeiro foi montada toda a organização para a Copa de 58. Depois, e tudo pronto, é que se pensou em convidar um técnico. Ou seja, não se colocou o carro à frente dos bois, que era uma prática comum até então. A última coisa a ser definida foi a convocação de um técnico e dos jogadores. Bandeira, bandeira, bandeira, bandeira, o mundo de fora.

é com a bandeirante o futebol é com a bandeirante o juiz afetou e o jogo começou transmissões da bandeirante são constantes triunfantes futebol é com a bandeirante

A classificação do Brasil para o Mundial de 1958 não tinha sido nada fácil. Só fora conseguida no último jogo contra o Peru por 1 a 0, gol de Didi, gol de falta. O mesmo Didi que seria técnico do mesmo Peru na Copa do Mundo de 12 anos mais tarde, em 1970.

Assim que obteve a classificação, começou a ser pensada a seleção que iria para o Mundial da Suécia. Tal como no esquema atual, a disciplina é que norteou a convocação. Doutor Paulo Machado de Cavalho, chefe da delegação, afirma que não teve trabalho com qualquer atleta. Ninguém me deu trabalho. Mas é que se diga.

Não tivemos sequer uma multa, sequer uma advertência. É que os homens, os jogadores, eram de outro naipe. A equipe era tão boa que basta se contar um caso. O Gilmar, quem chamava o Gilmar a todos os momentos para um treino mais sério, era o Castilho, que era o reserva, digamos, da posição.

Novo recorde de países inscritos para a Copa do Mundo em 1958. 53 nações participaram das disputas por uma vaga. Seleções de respeito como a Itália, Espanha e Uruguai não conseguiram se classificar.

O último jogo do selecionado brasileiro antes de embarcar para o Mundial foi um amistoso no Pacaembu contra o Corinthians. Não cabia uma viva alma no estádio para essa partida que, de amistosa, só teve o nome, como lembra Pelé.

Esse jogo, como o Corinthians, sempre foi o time de maior torcida e de maior pressão para que levasse os seus jogadores. E na época tinha um Luizinho, meio de campo, que estava jogando muito bem e não havia sido convocado. E a torcida do Corinthians estava um pouco chateada com o técnico, com a seleção. E fizeram esse jogo treino, que foi muito bom, porque o campo ficou lotado, parecia um jogo contra outra seleção. E o jogo começou a ficar um pouco nervoso.

Nessa época, Pelé começava a se tornar conhecido. Era o início de tudo. Alguns de seus colegas ainda o chamavam pelo antigo apelido, gasolina.

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Era pouco mais que um menino quando vestiu a camisa cararinho pela primeira vez, justamente quando se aproximava o Mundial de 1958. Com 16 anos eu já era o titular da seleção brasileira. Aliás, eu passei a ser titular. Eu estava de reserva no Rio quando eu fui chamado. E nessa época era o Perilo, o técnico da seleção. E eu fui chamado para a experiência com 15 para 16 anos.

E no segundo jogo eu peguei a posição e daí os outros jogos amistosos já era o titular. Pelé realmente nasceu predestinado. Por um triz ele não foi cortado por causa da contusão no amistoso da seleção contra o Corinthians. Doutor Paulo Machado de Carvalho recorda como é que Pelé acabou ficando naquele time. Estávamos no último dia da inscrição de jogadores para a Copa do Mundo de 58.

Quatro horas da tarde, a inscrição acabava meia noite. Pelé ainda se ressentia de dores, da trombada que tem levado em São Paulo. Chamei o Hilton Gosling e disse assim, Hilton, nós temos até meia noite para resolver. Pelé vai, estamos na Itália. Pelé vai para a Suécia ou não vai?

O Wilton, que era espetacular, disse, parou um pouquinho e disse, bom, se ele aguentar um teste que eu vou fazer com ele, ele vai. Se não, nós imediatamente chamamos o Almir, que estava na Europa naquela ocasião, para a seleção. Tá bem. Então, eu chamei o Pelé. Você é homem mesmo ou não? Ele tinha 17 anos. Se é homem ou não, eu sou homem. Então vamos ver. O Wilton quer fazer uma experiência como você. O Wilton Gosselin.

trouxe o seu Mário Américo, trouxe uma bacia com água fervendo, mas fervendo não poder, por o dedo, o dedo na água. E disse assim para o Pelé, Pelé, você é homem? Então enfia o pé nessa bacia para eu ver nesse...

nesse balde de água para eu ver se você vai para a Copa do Mundo ou não. Não teve dúvida o moleque. Pegou na perna e enfiou até o fim. Ele saiu com a perna branca, já não era mais preta, era branca. E veja como são as coisas. E ele foi para a Copa do Mundo e se fez lá. Numa jogada de cinco minutos, se não tivesse resistido, com a valentia que resistiu a esse balde de água quente, não tenham dúvida, ele não se deu a perna.

Num instante a gente retorna com o programa Memória e os ouvintes de gerações mais recentes vão saber como é que Pelé começou a ser conhecido no mundo inteiro graças a genialidade do seu futebol.

No programa Memória, este é o quarto de uma série contando a história de todas as Copas do Mundo desde 1930, inclusive com a participação de muitos dos personagens de todas essas Copas. Estamos agora às vésperas do Mundial de 1958, que foi realizado na Sua Espície.

O primeiro jogo do Brasil na Copa de 58 na Suécia foi contra a Áustria. Um verdadeiro passeio. 3 a 0 com dois gols de Newton Santos e um de Mazor. E na ponta entre todas da Galo. Desce a Zagalo. Tenta a pinta. É dominado por Haller. O saqueiro direito na Áustria que eleva melhor. Tira para a ponta. Desce bem Newton Santos. Desarma o ataque da intermediária. Vai para a meia lua. Girou para o Mazor. Vai feitou. Rolou. Entra isso na ponta do gol. Rolou. Rolou. Rolou.

Excelente atuação de um conjunto de candidatos. Terminou a bola na linha média. Foi para o campo...

Pelé e Garrincha ainda estavam na reserva na seleção. Pelé porque não tinha condições de jogo por causa da contusão sofrida no tal amistoso contra o Corinthians. Garrincha porque fizeram uma das suas molecagens no amistoso da Itália contra a Fiorentina.

Passando pela defesa inteirinha do adversário, inclusive driblando o próprio goleiro, voltou para trás sem fazer o gol, tornou a driblar o goleiro e mais um zagueiro e só então fez o gol. Gaincha não chegou a ouvir os berros do técnico de Sete Feola, que os aplausos e a gritaria eram mais fortes.

Feola xingou, esbravejou e manteve sua decisão de não escalar Garrincha nos próximos jogos. Isto por considerá-lo irresponsável, pensamento com o qual não concordavam os outros jogadores, incluindo o arqueiro Gilmar. O Garrincha, coitado, não é que ele fizesse isso por mal. Ele tinha tanta facilidade no Dible que ele às vezes abusava até um pouco.

O jogo seguinte do Brasil, ainda sem garrinho e chipele, foi contra a Inglaterra. Placar final 0x0. Foi o primeiro 0x0 da história de todas as Copas do Mundo. Era o meu coronel, que é o estado de tempo regulamentário, estamos nos descontos. Ela com a corte, fronteira esquerda, saca pelo Tiringuí. E cuide cruzando para a área brasileira, cortou o Lula para fora da área. A bola voltou entre o Dino Reines, melhor para a Reines, perdeu para a Inglaterra.

A esquerda para Ray Coorty, Ray Coorty executa o centro para o arco do Brasil, entra de pé direito, Orlego e a fora para o centro de campo, quando termina partida. Brasil zero, Inglaterra zero.

Siga terminada no estádio Bollegu, na cidade de Gotemburgo, na Suécia. Vitória do Brasil que não surgiu, mas ainda é gratificação que não surgiu. O Brasil possui dois pontos ganhos contra a Áustria, um pouco ganho contra a Inglaterra.

Depois desse jogo com a Inglaterra frustrando as expectativas do torcedor, dando sinais de que os dissabores de Copas passadas novamente se avizinhavam, a comissão técnica resolveu mexer no time. O técnico Vicente Feola e o chefe da delegação, Dr. Paulo Machado de Carvalho, tiveram uma conversa reservada com os dois jogadores mais influentes e mais respeitáveis do elenco.

Nilton Santos e Didi. E eles argumentaram que estava na hora de dar uma chance a Garrincha e também a Pelé. Mas logo Garrincha, que pega a bola e não passa para ninguém, quis discutir o Feola.

No final valeu a ponderação dos jogadores e contra o próximo adversário, a poderosa Rússia, Garrincha entrou no lugar de Joel e Pelé no lugar de Mazola. O show estava prestes a começar naquele Mundial. Aliás, os próximos Mundiais de Futebol seriam diferentes ali em diante. Para esse jogo também foi escalado Zito no lugar de Dino Semi. Vavá passou a ser o centroavante e Pelé na meia esquerda com a camisa 10, que se tornaria antológica desde então.

Atenção Brasil, saída russa iniciada a partida. Bola de Salmicoz pela meia esquerda e Lina, ponte esquerda cruzando para a área brasileira. Bola tornando de cabeça e entregou para Pelé. Para a bola, na frente de três contrários, entrega mal passe em direção a Vavá. Bola recuperada por Zainói, número 5, perdeu para Bellini. Bellini estoura no comando do ataque a Vavá. Vavá corre com seu marcador que é Kizariev. Kizariev domina o lance, perdeu para Zagala pela...

rola pela ponta direita para Garrincha, Garrincha treva a garacão do adversário, pode entrar na área, vai tentar a finta, o adversário vai se atrasando, Garrincha entra na área, o juro pela direita vai se arrastar, rola, pula lentamente na praia, não estou com o Didê, abre para o Zagalo na ponta esquerda, para o Zagalo, pode cruzar, a meia altura, entra Garrincha, prepara a feitona para o ar, o dia do Nascimento, e a perdi pela linha de futebol, isso é...

Espectacular jogada de Garricha. A primeira violentamente na trave. A segunda, apoio fogo ao suporte direito da Cidadela Russa. Vencida a teimosia do técnico de Sete Fiola, as coisas tornaram mais fáceis.

infinitamente mais fáceis, porque uma coisa é certa, técnico não ganha jogo, mas consegue perdê-los sem precisar muito esforço. Com a entrada de Zito, Pelé e Garrincha em especial este último, o futebol brasileiro transformou-se radicalmente. Tornou-se espetáculo de verdade. As jogadas de Garrincha entortando seus adversários pela ponta direita, e de Pelé e Vavá, concluindo, levaram os torcedores ao delírio.

Correu, junte o papel, levantando para Pelé Pelé domina, fugiu da área Ajeitou, tenta dar na pressa para Babá, para Pelé Na foca do gol, fechou para Babá, chantou

Vava! Uma cama espetacular com o Camé. Uma tabela curta pelo miolo do ataque. Dois gols para o Brasil. Zero para a União Soviética. Esplêndida crema. Uma tabela magnífica. E Pelé e Vava pelo miolo da área. Está caído, somado pela emoção e também pela manifestação dos seus companheiros de equipe. O comandante de ataque do Brasil, Vava.

Esplêndido gol, uma ação que teve início com Pelé Depois do lançamento de Zito pela direita Pelé recebeu dentro da área, fugiu da área, voltou Tirou aqui o adversário com o drible Entregou para Vavá, Vavá para Pelé, Pelé para Vavá Vavá picou de esquerda, mandando para o canto direito da meta de Yagin Dois gols para o Brasil, zero para a União Soviética

Quartas de final, Brasil, País e Gales. Tradição nenhuma. A moleza, diziam os entendidos de plantão. Gilmar, nosso grande goleiro. Aquela seleção diria depois da Copa. Foi um jogo muito tenso, que foi aquela fase de quarta de final, em que nós precisávamos ganhar e nós sabíamos que se terminasse empatado teria uma prorrogação, apesar de que a equipe estava preparada para uma prorrogação.

Mas o país de Galo era o futebol força na época. Tanto que logo de início eles tentaram o gol e não saiu o gol, aí eles voltaram todos. Então o Brasil predominou durante o restante do tempo todo. Mas eles se limitaram a tentar segurar o jogo para partir para cima da gente na prorrogação. O negócio deles era a prorrogação. Tanto que o centroavante deles, que era o John Charles, que era um dos grandes jogadores que o futebol inglês teve, que estava jogando de quarto zagueiro. Ele foi jogar lá atrás para segurar o jogo.

Foi sem dúvida alguma um dos adversários mais difíceis do Brasil naquela Copa.

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Sorte que o menino que Vicente Fiola queria no banco já estava na condição de titular. Ele nos salvou do empate e quem sabe até da derrota.

C Technology

1 a 0, Pelé, ao 20 minutos, Cirolente com uma jogada mirabolante, acaba vencendo o arqueiro Carlson do país de Gales. Eu acredito que tenha sido, dentro das quatro copas que eu participei, um dos jogos mais importantes.

E esse jogo me deu a oportunidade de aparecer para o mundo, porque o Brasil ganhou de 1 a 0, num jogo duríssimo, um time que se joga muito bem defensivamente. O gol foi uma jogada, por sinal, muito bonita. Eu dei um chapéu no beco e chutei meio prensado, depois de dar o chapéu no beco, mas a bola entrou.

Você imagina a euforia de um garoto que está com 17 para 18 anos, fazer o gol que classificou o Brasil e depois ganhar no campeonato. Com a vitória de 1 a 0 sobre o país de Gales, o Brasil passou para as semifinais.

Só mais um obstáculo para então disputar o título. Ocorre que esse obstáculo era uma seleção destinar o chapéu. A França, de Copat, Fontaine e Antonin, o melhor trio daqui do sertane. O Brasil entrou em campo preocupadíssimo. Felizmente tinha um sujeito calmo no nosso time, calmo e bom de bola, de guia, folha seca. Enquanto o placar não se definiu, ele segurou o jogo prendendo a bola com as mãos em cada falta, pedindo atenção e cabeça fresca aos seus companheiros.

O que forja a revista para Vavá, Vavá para Garrincha, este é desarmado, entra Dijis, tenta recuperar agora. Escolta um adversário que é Copá, Copá trabalhando no centro de campo, seu bem pela minha esquerda para Pianton. Pianton é próximo o suarco, vai na força de Gilmar, que liga da Brasil, aqui a Pianton e gol. Gol da França, uma trading jogada.

Chiqui Antônio, em esquerda, em passada partida da Flávia. Graças ao maestro Didi, no entanto, a reação brasileira foi rápida. Rápida e maligna. Um, dois, três, quatro, cinco gols. Um deles, verdadeira pintura, de Pelé. Aliás, o lance do gol provocou uma situação insólita. Pelé era tão genial.

Fazia os gols com tamanha facilidade, que ao marcar o quinto contra a França, até o adversário, sucumbido, foi cumprimentá-lo efusivamente. Quase foi deportado da França mais tarde.

Pelé para o Brasil 5 a 1 contra a França No estádio de sauna Rino Funda 5 centos para a equipe brasileira 1 cento para a seleção francesa Esplêndido lançamento Desisto Para Pelé na meia lua

Pelé deixou que se colocasse o zagueiro central, derivou pelo alto para a direita, virou de primeira e agora, inclusive, foi cumprimentado por Fontaine, que fez questão de se dirigir a Pelé, cumprimentando pela peintura do centro. Carricha nesse jogo desmoralizou um francês carequinha.

que o marcou. Aplicou tantas fintas, tantos dribles que o coitado saiu os onze de campo. Diziam que era uma vingança pessoal em função de uma outra ocasião em que Garrincha o enfrentara, jogando então pelo Botafogo. Vamos ouvir o que Gilmar conta sobre o assunto. Isso é o senhor dando orientação pra todo mundo. Aí Garrincha, pode deixar seu céu, se for um carequinha que me marcou num jogo que eu joguei com o Botafogo na França, eu lhe cuido com ele. Ó, vai falar o que pra ele?

pouco, cara. Futebol maroto, moleque, irreverente. Bem de acordo com aquele humilde jogador saído lá dos cafunós do estádio do Il, citado em matérias publicadas em todo o mundo, graças a seu filho ilustre, Mané Garrincha.

Uma das figuras mais hábeis com a bola e mais simplórias que o futebol brasileiro já produziu. Tão simplório que o massagista Mário Américo conseguiu naquela Copa de 58 na Suécia comprar dele um rádio novinho com 90% de desconto.

E o Garrincha, eu não sei que gente deu lá, porque ele comprou um rádio. Eu levava apenas 20 dólares. E veio fazer tratamento no dia seguinte, pôs o rádio em cima da geladeira. Aí eu falei, que beleza e tal. Eu falei, piste sacana, comprou o rádio aqui. Quanto você pagou o Garrincha? 160. Eles vão te gozar pra cachorro aí.

Por que me gozar? Ô burro, você não está vendo que esse rádio só fala sueco? Eu te compro o rádio só para ele não te gozar, que você já é gozado demais. Na hora de sair, ele olhou, olhou. Quando te dá para o rádio? Eu falei assim, isso aí já está pego. Eu falei, só garraixo, eu não posso te oferecer, porque eu só tenho 20 dólares. Aí ele pensou, pensou, pensou, pensou. Não, 20 dólares.

No programa Memória, História das Copas do Mundo. Programa Memória, a História dos Mundiais de Futebol. Estamos hoje abordando o campeonato que foi disputado na Suécia em 1958.

A final do Mundial de 58 em Estocolmo foi precedida daquele clima de festa, daquele clima de exagerado otimismo que já conhecíamos de 50. No dia do jogo decisivo, que seria contra a anfitriã Suécia, aconteceram alguns fatos que para os supersticiosos significavam mau orgulho. Primeiro foi uma chuva forte antes do jogo. Aqueles entendidos de plantão estavam de volta, vaticinando que o Brasil só jogava bem com o campo seco.

Mas não foi só isso que aconteceu no imprevisto, não. Gilmar recorda pra gente. Primeiro, o problema de estar jogando lá fora. Torcida toda contra, né? Contra era o campo molhado, que era um mito que se tinha de que o jogador brasileiro não jogava em campo molhado. E ficou provado que tudo isso é balela, né? E o problema das camisas. E a última hora eles resolveram jogar com o amarelo e fizeram o pé firme e não saíram da amarela.

Mas a briga que nós queríamos, o nosso oficial nós tínhamos registrado na FIFA amarela. É, vamos com qualquer camisa que nós vamos ganhar de qualquer jeito mesmo. Aliás, o episódio da troca das camisas tornou-se um dos fatos antológicos do futebol brasileiro. Superdicioso, como é o nosso povo e os jogadores não são diferentes.

Quando chegou a informação de que o Brasil não poderia jogar com a sua tradicional camisa amarela, tem uma ducha de água fria, como recorda o gatão Bellini. A impressão que eu tenho é que ele sentiu uma chance enorme de ganhar um campeonato mundial, chega uma final, com a chance de ganhar uma copa, fiz a fedora para tudo. Então o que aconteceu? A camisa amarela deles, a camisa amarela nossa, eles tinham que trocar a camisa.

Tinha que chegar simplesmente para tomar uma camisa diferente da nossa. Mas não, fizeram um sorteio lá, dizem que fecharam as portas, fizeram um sorteio sem nenhum representante brasileiro e jogaram a moeda lá e foi quem troca a camisa do Brasil. Inventaram a camisa azul lá na Vespa. Mas não foi exatamente assim como o Berlini imagina, não.

Tinha representante. Claro que tinha representante na hora da escolha das camisas. O que ocorreu nesse episódio é que entrou em campo não a arte de jogar bola, mas o recurso da inteligência, da psicologia. Percebendo o desânimo dos jogadores.

por um mero detalhe, que era o da cor da camisa, o chefe da delegação, Tom Paulo Machado de Cavalho, usou de um expediente que foi um verdadeiro achado de Colombo. E vai nos contar como é que foi o sorteio e quando saiu azul o que é que ele fez. Aconteceu que nós íamos jogar com a seleção da Suécia. E justamente...

a seleção da Suécia, mais ou menos, tinha certos, certos inmodos que pareceria ao árbitro impossível controlar duas seleções com o mesmo tipo de camisa. Então veio o jogo com a Suécia final. E nós pedimos ao doutor Muglia que fosse representar lá na Federação Sueca,

nos representar como é que nós poderíamos fazer para o jogo final. O Dr. Murna me telefonou. O jogador estava em volta de mim, dizendo, Paulo,

Nós temos que jogar com a camisa azul. Eu estava no telefone e berrei para o jogador. Já ganhamos, já ganhamos. Que o manto azul, a camisa azul, representa o manto de Nossa Senhora da Aparecida. Já ganhamos. Vamos em frente. Não vamos ter medo de nada. Deus nos ajudou com a camisa azul. Foi assim. Ganhamos a Copa do Manto com a camisa azul.

Mas nesse jogo final contra a Suécia, aconteceu de tudo. Pelé já era nome consagrado na seleção brasileira. No jogo anterior, os franceses haviam marcado Pelé de tal maneira que ele mal tinha espaço para respirar. E com os suecos, a situação já ia se repetindo. Botaram um gringo para colar em Pelé, que levou a ordem tão a sério, que no intervalo, por pouco, ele não foi para o vestiário do Brasil em vez do seu.

Eu vim encostando para a lateral, para a lateral, saí de campo, o cara chegou ali junto comigo, ficou em cima da rua. Quando ele viu que eu ia sair, ele voltou para dentro do campo. De nada valeu a marcação sobre Pelé. Aliás, ele nunca jogou tanto como naquela final de Copa do Mundo. Ele e os seus companheiros.

Foram tantos os lances bonitos e tantas as histórias de bastidores de uma seleção eufórica pela primeira conquista de um mundial que nós vamos ter de usar aqui um bom espaço para contar todos os detalhes.

Esse podcast é um oferecimento da Wise, o app feito para você ser do mundo. Com a Wise, você pode enviar, receber e pagar com o cartão em mais de 40 moedas, economizando na conversão. Seja enviando dinheiro para um parente que mora fora, pagando com o cartão da Wise em uma viagem para o exterior ou recebendo dinheiro de outro país. Com a Wise, você faz tudo de forma prática, segura e rápida.

Mais de 15 milhões de pessoas do mundo todo já usam e confiam. Afinal, quem sabe, vai de Wise. Baixe o app da Wise hoje ou visite wise.com. Termos e condições se aplicam.

A final do Mundial de 1958 foi entre o Brasil e a Suécia. O Brasil em sua campanha havia derrotado a Áustria por 3 a 0, empatado com a Inglaterra 0 a 0, ganhou da Rússia por 2 a 0, do País de Gales pela contagem mínima e da França por 5 a 2. A final contra a Suécia foi no domingo, 29 de junho, dia de São Pedro.

Os dois melhores narradores esportivos do Brasil, Edson Leite e Pedro Luiz, eram contratados da Bandeirantes. Um irradiaria o primeiro tempo e o outro a etapa complementar, naquela final de 1958. Primeiro tempo, primeiro susto. Quem narrou foi Pedro Luiz. 0 a 0 Brasil-Oeste. 4 minutos de corridos do histórico de Rotunda em Solna. O poder é movimentado atrás. Recuado para Gunnar Klink.

Entrega na direita a Beryl de Marques. Este tramando tenta descer. Alonga para dar a Beryl Jansson. Beryl Jansson a movimentar para o comando da ofensiva. Simonson. Simonson tenta pinta. Cruzou para Lille Romy. Bola perigosa. Para a dribla. Ponta. Gila vai ajudar. Fuzila para gol!

Não passou muito tempo e veio a reversão da situação. Quem tinha Pelé, Gain, Vavá em sua linha de ataque, não haveria de morrer pagão.

Primeiro para a tele, faz a devolução, Maxpum, escora bem, Zito, põe na área. Vai o Brasil para o ataque com Garrincha. Hoje na linha do fundo, na boca do gol! Vavai, pata, patina para a equipe brasileira. Gol do Brasil, decorridos precisamente.

Nove minutos de luta na primeira etapa. Um belo cruzamento de garrinha. Envolvendo toda a defesa sueca pela direita. Cruzando para a boca do gol. A marcação foi feita sobre Pelé. Pelé tirou a marcação e a bola sobrou para Babá. Babá emendou de primeira empatando a partida. Dali para frente acabou a Suécia.

Ao rei Gustavo, na tribuna de honra, extremamente simpático aliás, só coube aplaudir os gols que se seguiram. Dois, três, quatro, cinco, todos brasileiros e um mais bonito que o outro. Edson Leite narrou o gol do título. Fala longa para a área brasileira. Fica na esquerda agora com o Orlando.

Aceler, com uma cabeçada extraordinária marca o 5º gol do Brasil. Brasil, campeão mundial de futebol.

O quinto gol confirmou. Não havia mais possibilidade de reação da Suécia. O Brasil conseguia finalmente o seu primeiro título mundial de futebol. O jogo nem sequer havia terminado e as ruas das capitais, das grandes e das pequeninas cidades, dos arraiais mais distantes perdidos por este sertão afora, explodia numa alegria incontida.

Era um foguetório só. Carreatas entupiram o trânsito. As lojas de departamentos em São Paulo, que eram poucas, MAP, Trezión, Spirani, Eletro Rádio Brás, e as lojas de discos abriram as suas portas. Todas as remessas de discos com músicas alusivas ao campeonato e à conquista do Brasil se esgotaram rapidamente.

Pessoal de Berini, de Tornando de Newton Santos, Garrincha de Zipavá, Beleta Galo, ele é nacional, que vem sendo a Suécia, com bravura e decisão.

Em todas as copas do mundo, o que se observa é um festival de vedetismo por parte de muitos jogadores.

Os exemplos estão na memória de todo mundo. Será que Pelé deu muito trabalho ao Dr. Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação em 1958? Esse criolinho não deu trabalho nenhum. Só que o Brasil inteiro berrava contra mim, uivava. Que eu era um louco, que eu estava levando um menino que não tinha 18 anos.

que eu era um louco, mas o menino se portava igualzinho aos outros, com toda a calma, obediente aos regulamentos, e nunca deu trabalho nenhum, um nem outro deu. Eu não me recordo de caso algum que eu tivesse necessidade de intervir ou de levantar a voz. Não, eu levantava a voz.

Mas era do entusiasmo. Era na preleção, antes dos jogos. Eu levantava a voz. Dizíamos, nós estamos aqui. Isso aqui é Brasil. Nós temos que voltar para lá. Vocês compreendam bem. Nós temos que voltar de cara limpa. Vocês têm filhos do colégio.

Com que cara vocês chegarão, seus filhos, chegarão nos colégios da manhã sabendo que seu pai tinha sido um fracasso ao defender as cores brasileiras. Esse era o ritmo que nós levávamos. E essa vergonhosa questão do bicho, da gratificação que soa como propina quando se trata de exigir prêmio para defender as cores do seu país em competição esportiva internacional.

Aliás, um assunto que vem de longe, não é de hoje. Na Copa de 74, na Alemanha, teve até uma rebelião por parte de jogadores. Chegaram a se rebelar porque queriam saber antecipadamente quanto ganhariam se ganhassem a Copa. E isso a imprensa publicou, e eles não gostaram. Como se não fosse uma obrigação lutar para vencer. Em 1958, o Dr. Paulo Machado de Cavalho assegura que esse não era assunto sequer cogitado para discussão.

Nunca ninguém me pediu dinheiro, não houve nada disso. Brigar por bicho antecipadamente, isso era uma desonra, né? De jeito nenhum, mas nem se falava o que alguém iria receber. E por isso que eu acho que o futebol mudou muito. Mas talvez não tenha sido só o futebol. O passar dos tempos que foi mudando a mentalidade.

Doutor Paulo Machado Carvalho, foi muito agradável pela sua companhia, viu? Paron Velho, eu admiro você e digo isso aqui sem medo de errar. Pelo que você tem feito, obrigado, paron.

Eu estou com o Machado de Carvalho, meus amigos. Você quer tomar um cafezinho? Não, muito obrigado, Topal. Não. Fica devendo esse cafezinho quase um dia. Dá um abraço pro Fernando. Tô. Puxa, se não tô gostando daqueles tempos. Eu vou dizer. Pode dizer. Eu digo a ele lá. Eu me lembro. Fernando Vieira de Mello sempre foi meio assim. Fechadão. Fechadão.

Mas sempre foi um homem digno do maior crédito possível. Tá bom? Muito obrigado por você.

Memória à história dos mundiais de futebol, estamos nos despedindo da Suécia, 1958, onde o Brasil se consagrou conquistando seu primeiro título mundial. Bala, volta para a área brasileira, fica na esquerda agora com o Orlando, Orlando para Pelé, Pelé domina no peito, de calcanhar para Zagallo, Zagallo prepara, se tem Pelé, levantou Pelé, gol de cabeça para o Arquim.

Senna, com uma cabeçada extraordinária, marca o 5º gol no Brasil. Brasil, campeão mundial de futebol. Assim que o árbitro encerrou o Brasil 5, Suécia 2, explodiu, como dissemos, um carnaval temporão. Aqui e lá no gramado, na Suécia.

As fotos correriam o mundo. Bellini, nosso capitão, levantando a taça. Pelé, chorando, sendo abraçado por Gilmar. Uma tremenda emoção.

Uma vitória do talento do jogador brasileiro, mas principalmente uma vitória da disciplina e da organização. E disso quem cuidou foi o doutor Paulo Machado de Carvalho, razão pela qual também acabou exaltado em música e verso. O Belinho é o maior, é madeira de lei, só entra na jogação.

E para fechar com chave de ouro as nossas molecagens, molecagens sadias, evidentemente, o massagista Mário Américo foi encarregado de surrupiar a bola do campeonato.

que iam tomar bola de juízo e tal. Os bandeiras lá, com os parabandeiras, os caras no ir de juízo e tal. Aí eu cheguei assim, bati nas costas de juízo e tal. Ele foi na minha, deu uma sopa lá, eu pá, deu um soquinho na bola, peguei do outro lado e saí. Quando eu saí, ele saiu em cima. Os guardazinhos, eu vou meter o peito nele, a bola eu não vou dar. Estou olhando o assisto, a ver se eu vejo o assisto para jogar bola.

Eu estava chorando, parecia uma criança.

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Os guardas abriu, mas opa, que beleza. Evidente que os jogadores iriam comemorar o título em grande estilo. Tomaram banho e saíram para a concentração, porque a embaixada brasileira iria dar uma festa para os campeões. Ficaram no vestiário Mário Américo e seu auxiliar Assis, arrumando todo o material que voltaria depois para o Brasil.

Não é que o árbitro apareceu lá no vestiário, atrás da bola que Mário Américo havia surrupiado de suas mãos no gramado? Estava arrumando material e tal, estava em pé, de repente o doutor Paulo, em pé atrás de mim. Falei, como é doutor Paulo, você não vai sair? Não, eu quero a bola. Minha namorada é a bola. Quando estava no vestuário, chegou o árbitro, né?

A pelota de verjuízo, aí eu peguei aquela bola que estava pendurada e dei. Aí graças, graças, isso aí.

Um outro episódio que foi muito explorado pela imprensa internacional naquela final de 58 foi a tranquilidade de um jogador brasileiro que quebrando todo o protocolo botou a mão no ombro do rei da Suécia com a maior cara de pau do mundo para deleite dos fotógrafos.

Bellini, nosso capitão, jura que não foi ele, conforme divulgou-se na época. Abraçaram o rei na hora da confusão lá e como eu estava ao lado do Mário Trigo, o Mário Trigo é dentista que abraçou o rei. O rei Fotofe pediu para ele abraçar o rei e ele meteu a mão em cima do ombro do rei, dentro do campo, quando o rei veio comentar a gente. Quando alguém comunicou que o rei estava descendo a tribuna, então eu falei, moçada, vamos perfilar aqui que o rei veio nos comentar. Aí o topalo estava chegando.

E o rei já estava passando. O Mário Trigo falou, não vai o chefe ficar sem o apelo de mão do rei, né? Aí bateu a mão nas costas do rei e falou, vem cá, King, mais chifre. Vem, vem cá, King. Entrou o King e o mais chifre ali, o resto é tudo português. E nisso vieram alguns fotógrafos brasileiros, já viram a bagunça, e falou, ô, Trigo, abraça o homem, abraça o homem, Trigo. Abraça o homem. E o Trigo não bateu a mão, e eu estava lá do Trigo, né, Bruno?

Aí a televisão mostrou na França, e o locutor lá disse que o capitão do time, de uma forma muito simpática, tinha quebrado o protocolo. Na volta da delegação, o avião escalou em Paris. Quase uma centena de jornalistas no aeroporto, atrás dos funcionários da aduana, da companhia aérea, e até do corpo diplomático, insistindo para entrevistar o capitão Bellini.

Até ele estreou.

Foi quebrado o protocolo naquela festividade ali e eles acharam muito simpáticos, queriam saber o que levou a abraçar o rei. Eu falei, olha, foi muito simpático para vocês, para o francês, que é protocolo e tal, mas não fui eu não, foi aquele cidadão lá, o dentista ali, pode pegar ele lá. E fui saindo, ele foi em cima do trigo. Histórias como essa, ocorridas nos bastidores daquele mundial, dariam para encher um livro.

Divulgadas em pílulas foram responsáveis pela venda recordista de muitas edições de alguns jornais e revistas da época. O Brasil, em 1958, deu start para uma série de conquistas esportivas históricas.

No pugilismo, então, nosso galinho de ouro, Éder Jofre, arrebentava com falsos mitos e de quebra com a cara de Eloy Sanches, conquistando o título mundial de boxe, que aqui se dizia, nenhum brasileiro jamais ganharia.

Controle de esquerda de Alhoysenses. Eloy procura levá-lo para as cordas. Levá-lo, levá-lo para o Farmer também. Sem dificuldade em sair de dar sofre. Luta violenta, luta muito dura. Eloy tenta seguir batendo. Adder com boa equipe e evita. Passa a tomar um desgativo de combate. Com treinado, é espetacular, Adder. Direita e...

O que tem na rua? Vai o mexicano por mim. Dificilmente poderá se levantar. Tem três mil e três. Tem que terminar a luta. Tem que terminar a dieta. Não caia dieta, não sofre. Não caia contra a Copa de Direita. O Raja Junior com o microfone em contra o Lai Sanchez. Está encendido no ringue.

Entramos na década de 60. A bossa nova engatinhava e o twist agonizava.

Brasília, em 1960, tornava-se realidade. Tinha sido construída num tempo absurdamente curto, cerca de quatro anos apenas. A data de hoje tornou-se duplamente histórica para o Brasil, porque a gloriosa evocação do passado junta-se agora à epopeia da construção desta nova capital que é...

Se o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira tivesse candidatado à reeleição em 1961, teria ganho com um pé nas costas, diziam os analistas políticos da época. Só que a legislação eleitoral impedia a reeleição de presidentes e governadores. Nessas circunstâncias, um furacão que havia começado a soprar aqui em São Paulo, chegou a Brasília.

Paribar minha bandanheira, o povo está cansado de sofrer dessa maneira. Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado. Jânio Quadros é a certeza de um Brasil moralizado. Alerta meu irmão, vassoura conterrâneo, vamos vencer com Jânio. Jânio foi com nossas esperanças para o Palácio do Planalto.

Frustrou-as completamente. Fez um governo cheio de contradições. Quebrou protocolos. Feriu interesses e suscetibilidades. Editou medidas insatisfatórias. E, por fim, acabou condecorando Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, nossa maior honraria, despertando com isso a desconfiança e o desagrado da direita e do militarismo.

Quase seis milhões de votos para seis meses mais tarde aprontar este papelão. E atenção, ouvintes da Rádio Bandeirantes, informa em edição extraordinária o correspondente Renner. Notícias confirmadas de Brasília adiantam que o senhor Jânio da Silva Quadros acaba de renunciar ao cargo de presidente da República.

Lá de cor e a vassoura, não me dito nem falo Dito velho que dado, quem manda no terreiro é o galo Lá de cor e a vassoura, não me dito nem falo Dito velho que dado

Com a renúncia de Jânio, entramos numa tremenda crise institucional. Boa parte dos militares não queria sequer aventar a hipótese de que o vice João Goulart assumiria. Era muito de esquerda, considerava a direita que era muito forte e tinha mais estrelas no ombro.

Depois de muitas confabulações, de muitos acordos, de muitas concessões, Jango assumiu. Felizmente, isso tudo aconteceu no momento em que já se convocava a seleção para uma nova Copa do Mundo, a de 62, que seria no Chile. E, felizmente, o carnaval também já batia as portas. Tendo carnaval e futebol, que tudo mais vá para o inferno.

A lua é a lua Lua, oh lua Querem te passar pra trás Lua, oh lua Querem te roubar a paz Lua que no céu flutua Lua que nos dá lua

Estão errados, a lua é... Na semana que vem, nós continuaremos esta longa história sobre os mundiais de futebol. Na semana que vem, o quinto programa da série e a Copa do Mundo, que deu ao Brasil seu segundo título, a de 62 disputada no Chico.

E por aqui nós encerramos o programa Memória. Estiveram comigo Adriano Rovere, da equipe do Centro de Documentação e Memória da Rádio Bandeirante, o CEDOM. Roger Palme, o sonoplasta que editou o programa, sonorizou e que é o responsável pelo layout final. Também a minha assistente em produção, Débora Raposo. Muito obrigado a todos e até nosso próximo encontro. Um abraço e até semana que vem.

Podcast da Rádio Bandeirantes.

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