#714 - Hábitos: Os Construtores Silenciosos do Seu Destino | Filosofia com Lúcia Helena Galvão
você está vivendo sua vida ou sendo vivido por ela?
Nesta palestra, Lúcia Helena Galvão revela como os hábitos funcionam como arquitetos invisíveis do nosso caráter, moldando quem somos muito além do que imaginamos. Mais do que falar de produtividade, esta é uma reflexão filosófica profunda sobre liberdade, identidade e a construção de si mesmo como obra-prima.
"Não somos aquilo que pensamos ocasionalmente. Somos aquilo que praticamos constantemente."
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📌 NESTE VÍDEO VOCÊ VAI APRENDER
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Por que o hábito é sempre uma diminuição de consciência (e por que isso não é necessariamente ruim)
A diferença entre hábitos adquiridos conscientemente e os que entram pelas frestas da desatenção
Como os hábitos constroem ou destroem o caráter, segundo Platão e Aristóteles
Os hábitos psicológicos invisíveis que sugam nossa energia sem percebemos
Por que substituir é mais eficaz do que simplesmente eliminar um hábito
Como a verdadeira liberdade está diretamente ligada à disciplina
A pergunta final que pode mudar tudo: se alguém observasse apenas suas repetições diárias, que tipo de ser humano diria que você quer ser?
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⏱️ ÍNDICE
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00:00 Abertura: tatuar a alma
03:15 Hábito é piloto automático: o que isso significa
09:50 Os hábitos como arquitetos do caráter
10:27 O que é caráter? A definição de Platão
13:03 Epiteto e o ajuste sutil da bondade
17:00 Como o cérebro automatiza para preservar energia
21:40 A natureza busca eficiência. A consciência busca sentido
26:47 As vantagens dos hábitos bem direcionados
27:07 Aristóteles: a excelência não é um ato, é um hábito
29:04 O conto zen do mestre e o presente não aceito
33:12 Quando o hábito consolida o caráter e cria identidade
36:23 O experimento dos pensamentos críticos
40:00 Adquirir, manter e abolir hábitos: disciplina e vontade
41:09 O princípio da polaridade dos egípcios
44:50 Hábitos como proteção em momentos de crise
50:42 Os perigos do piloto automático
52:00 O hábito não aperfeiçoa. Quem aperfeiçoa é a consciência
54:54 Joshua Bell no metrô de Nova York
56:33 Cristalização emocional: repetimos não só ações, mas reações
1:01:38 Santo Agostinho: defeitos são agregados, não sua natureza
1:03:53 O hábito como prisão invisível
1:07:30 Como usar os hábitos a seu favor: 3 regras práticas
1:22:48 A liberdade dentro da repetição
1:25:30 Reflexão final: você usa seus hábitos ou está sendo usado por eles?
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- Liberdade pessoal e convivênciaLiberdade não é fazer o que quer · Disciplina como aliada · Vontade e responsabilidade · Construção do próprio destino · Livre arbítrio vs. determinismo
- Identidade e AutoestimaSomos o que praticamos · Construção de si mesmo · Congruência entre ações e identidade · Mudança de personalidade · Auto-conceito
- Hábitos como arquitetos do caráterDefinição platônica de caráter · Inclinações e educação moral · Construção da personalidade · Caráter como obra em progresso · Ajuste fino do caráter
- Desenvolvimento PessoalObservação das repetições · Correspondência entre sonhos e atos · Autenticidade vs. mecanicidade · Verdadeiro manual do usuário · Pergunta existencial final
- Piloto Automático e HábitosMecanicidade da consciência · Economia de energia mental · Automatização de processos · Redução de consciência · Necessidade evolutiva
- Natureza busca eficiência, consciência busca sentidoPraticidade vs. significado · Energia e propósito · Construção de si mesmo · Valores e crescimento · Sentido existencial
- Vida como repetição mecânica sem sentidoFalta de propósito · Crise existencial · Rotina anestesiante · Ausência de sonhos · Desmotivação
- Voto diário em quem você quer serCada ação como escolha · Reforço de identidade · Energia para hábitos · Duas naturezas em luta · Alimentação de padrões
- Hábitos e RotinaPrincípio de preenchimento · Criar positivo no lugar do negativo · Eficácia da substituição · Vácuo e recaída · Hábitos opostos
- Consciencia e MudancaObservação de padrões · Auto-reflexão · Reconhecimento de gatilhos · Intenção consciente · Diário de hábitos
- Pilares da Saúde EmocionalAquisição deliberada vs. pelas frestas · Dificuldade de remoção · Consciência na formação · Impacto na mudança · Observação de padrões
- Hábitos psicológicos invisíveisCrítica e julgamento · Irritação e reatividade · Auto-sabotagem · Energia mental desperdiçada · Padrões emocionais repetitivos
- Perigos do piloto automáticoDormência da consciência · Perda de criatividade · Estagnação pessoal · Mecanicidade total · Falta de crescimento
- O hábito não aperfeiçoa, a consciência simRepetição vs. melhoria · Papel da consciência · Evolução através da reflexão · Diferença entre máquina e humano · Necessidade de pausa reflexiva
- Adquirir, manter e abolir hábitosFases do hábito · Disciplina e vontade · Perseverança e constância · Pequenas repetições diárias · Paciência no processo
Então hoje a gente vai tentar tatuar a nossa alma por uma coisa diferente, que é perceber os hábitos e saber que a gente pode se livrar deles quando não são bons. E melhor ainda, pode adquirir outros que sejam bons e que trabalhem a nosso favor. Isso aí faz uma diferença tremenda. Eu peguei um assunto que normalmente a gente não dá tanta importância, que são hábitos. Gente, mas ela vai falar de hábitos? Que coisa assim, pouco relevante, né? Mas não é. Quando a gente para pra pensar,
Os hábitos ocupam grande parte do nosso tempo de vida. E nós podemos trabalhar para que eles colaborem com a gente, ao invés de trabalharem contra nós. Os vícios são hábitos negativos. Se a gente não souber trabalhar com esse mecanismo de hábito, que é bem mecanismo mesmo, acaba que ele se volta contra a gente. Não sei se vocês tiveram a oportunidade de assistir naquele podcast que eu faço, que é o Dalmatalks,
no último encontro que eu tive com o Whiderson Nunes, e tem um determinado momento que ele chega para mim e fala, o que você acha das minhas tatuagens? Eu falo, bom, você deveria tatuar a alma. Aí ele brinca comigo, ah, então a gente vai fazer uma loja de tatuar a alma, vamos ganhar muito dinheiro com isso. E no fundo eu parei para refletir, o que a gente está tentando fazer é tatuar a alma mesmo, não é isso? É fazer ensinamentos profundos, que possam marcar a gente intimamente, e fazer com que a gente a partir daqui viva de uma maneira diferente.
Então vou mandar dizer para o Whindersson que eu já abri uma loja de tatuagem de alma há muito tempo e não tinha percebido. A gente vai tentar tatuar a nossa alma por uma coisa diferente, que é perceber os hábitos e saber que a gente pode se livrar deles quando não são bons. E melhor ainda, pode adquirir outros que sejam bons e que trabalhem a nosso favor. Isso aí faz uma diferença tremenda. Quem já enfrentou um hábito e conseguiu vencê-lo,
percebe que isso dá uma sensação de poder muito grande. Ou seja, eu sou dono de mim mesmo. Quem já parou de fumar, quem já parou de beber, quem já interrompeu algum hábito ruim, sabe a sensação de poder que isso dá. Puxa, então eu posso ser aquilo que eu quero ser. Não sou escrava dos hábitos. E posso usar esse mesmo mecanismo para adquirir coisas boas e colocar aí no lugar. Existem pessoas que trabalham com os mecanismos da mente humana e que pesquisam, por exemplo, sobre hábitos. E eu vi uma pesquisa onde esse pessoal dizia,
uma universidade americana, que um ato repetido por três meses, todos os dias, tem a tendência a se tornar um hábito depois. Eu falei, bom, então, por que a gente, todos os dias, durante três meses, não lê belos pensamentos filosóficos? Para virar hábito. E foi baseado nisso que eu escrevi esse livro, Agenda Histórica, uma proposta de incorporação de hábitos filosóficos. Então, hoje nós vamos conversar sobre isso, então. Como é que a gente trabalha com hábitos para que eles possam ser favoráveis?
sabe trabalhar com eles, pode gerar uma transformação muito significativa na sua personalidade. Hábito é piloto automático, é mecanicidade. Você pode tirar a mecanicidade ruim e colocar a mecanicidade boa. É bem verdade, vou contar uma coisa para vocês, que é, um sábio completo, aquilo que a gente nunca viu, mas a gente imagina, um ser de extrema sabedoria, não tem hábito nenhum. Ele age o tempo todo com consciência.
de consciência. Quando eu estou executando uma coisa por hábito, eu não estou nem vendo o que eu estou fazendo. Não é isso? Então o hábito é sempre diminuição de consciência. Mas no nosso nível, que não somos sábios, nós temos que usar esse recurso. Ele nos ajuda bastante, porque ele dispensa tempo e atenção para a gente dedicar a outra coisa. Enquanto as coisas boas que a gente se preparou para fazer, ficam sendo feitas automaticamente.
Nós adquirimos um dia na nossa vida o hábito de andar. E vocês não sabem que se a gente parar para fazer um
do movimento de quando o homem anda, é um processo complicado. Você está plenamente equilibrado aqui nos dois pés. Você avança uma perna, você produz um estado de desequilíbrio para poder conquistar o equilíbrio de novo aqui na frente. Aí junta esse e avança. Não é um processo simples, mas a gente mecanizou. Agora imaginem vocês, o que eu faria se eu tivesse que ficar pensando até hoje nessa operação? Agora desequilibrou, agora vai equilibrar. Não iria muito longe, não é isso? Eu automatizei essa operação.
Essa maneira que me permite fazer isso como hábito e a minha mente estar trabalhando com outra coisa. Então, no nosso nível, ainda precisamos da mecanicidade, precisamos dos hábitos. Mas uma mecanicidade direcionada por nós, que trabalhe para aquilo que a gente precisa. E aí a gente vai introduzir essa ideia que é importante. Dá para a gente adquirir hábito, dá para a gente manter hábito, dá para a gente abolir hábito. Podemos fazer isso. O hábito é algo maleável sobre o qual você pode trabalhar.
Vai exigir vontade? Vai. Mas qualquer coisa na vida vai exigir vontade. Vai exigir disciplina? Vai. Mas qualquer coisa na vida vai exigir disciplina. E trabalhar com isso ajuda bastante. Hábito é o piloto automático da alma. Acordamos, escovamos os dentes, pegamos o celular, tomamos café, seguimos para o trabalho, reagimos às mesmas situações, com as mesmas emoções. E raramente nos perguntamos, quem está vivendo a minha vida? Eu ou os meus hábitos?
ou sendo vivido. Eu me recordo, já contei isso em um monte de palestras, aqueles que já assistiram palestras minhas online, já devem ter ouvido essa história, que eu tinha, sei lá, uns 13 anos, estava assistindo Sessão da Tarde com a minha mãe, as duas sentadinhas na frente da televisão, naquele tempo tinha muito, não sei se ainda tem hoje, aqueles filmes de forte Apache, de americanos combatendo os índios, coisas desse tipo. Aí tinha lá uns índios que estavam fazendo a dança em volta do fogo,
Aí eles batiam o tacaque no chão, faziam assim, faziam assim, davam uma rodadinha, começavam tudo de novo e ficavam fazendo aquilo repetitivo em volta do fogo. Uma hora eu olhei para aquilo, virei para minha mãe e falei, foi uma das vezes que eu descobri que eu era filósofa, hoje quando eu quero ter certeza de que eu sou filósofa, eu lembro algumas coisas desse tipo. Falei, mãe, a minha vida é igualzinha a isso aí. Ela me olhou, evidentemente, minha filha enlouqueceu, ela acha que é índio e norte-americana ainda por cima. Minha vida é igualzinha a isso aí.
vou para o colégio, volto para o colégio, faço o dever de casa, vejo televisão, vou dormir, levanto, vou para o colégio, volto para o colégio. Igualzinho. Só tem uma diferença. Eles sabem para que estão fazendo isso aí. Eles estão invocando a chuva. Eu estou invocando o quê? Isso me rendeu uma visita ao psicólogo, é claro. Evidente. Porque, afinal de contas, ninguém sabia que isso podia ser filosofia, então vai para o psicólogo.
Mas, enfim, é interessante, porque naquela idade eu percebi que a minha vida é um hábito atrás do outro. Não tem sentido.
isso. A gente tem que ter sentido na nossa vida. E aí os hábitos trabalham para colaborar. Para esse sentido. Então, em qualquer momento da nossa vida, a gente deveria parar e perguntar por quê. E ter uma resposta. Já pensaram nisso? Para a cena. Sabe aquelas danças de festa da Junina? Que a gente faz aquela brincadeira. Fotografia! Todo mundo para. Pois é. Para a cena. Onde você estiver. E pergunta por que é mesmo que eu estou fazendo isso aqui?
E várias vezes você vai ver que não vai ter resposta. Estou fazendo porque eu faço sempre. Mas isso contribui para a minha vida. Não. Às vezes até atrapalha.
O que eu estou fazendo? Ou seja, piloto automático não pode ficar girando a solto, à toa, sem nenhum sentido. Tudo que a gente faz, até mesmo os hábitos, deveriam ser selecionados, escolhidos por nós e deveriam contribuir para a nossa vida em alguma coisa. Senão, aquilo que não contribui, acaba atrapalhando. Não é isso? E às vezes atrapalha muito. Então, os hábitos são como trilhos invisíveis, facilitam o caminho, mas também podem nos levar a destinos
Escolhemos conscientemente. Mecanicidade. Se você bobear, a vida toda vira um hábito. Toda. Ou seja, me mandam ter sucesso e ganhar dinheiro. Aí eu vou lá atrás, fazer tudo que é necessário para ter sucesso e ganhar dinheiro. Aí me mandam casar e ter filhos. Eu vou lá, caso e tenho filhos. Aí me mandam estar sempre procurando um jeito de ter mais sucesso e mais dinheiro. E eu fico atrás de mais sucesso e mais dinheiro. É o dinheiro bem. Não sei se vocês viram uma cena engraçada já, que é do cachorro,
atrás de uma motocicleta ou de um carro, quando o carro para que ele fica sem saber o que fazer com o pneu, queria tanto aquilo e de repente, é mais ou menos isso, o dinheiro chega e o que é mesmo que eu faço com esse dinheiro? Manda os meninos para a Disney, volta da Disney, manda de novo para a Disney, volta da Disney, chega a hora que não tem mais graça a Disney. E aí, eu o quê? O que eu estava querendo com isso? Onde eu queria chegar com tudo isso?
Chega um determinado momento que isso gera uma crise existencial. Quando gera é bom, porque a gente muda. Pior é quando não gera.
Porque aí a gente fica pela mecanicidade até o túmulo. Então se a gente não estiver atento, a vida inteira vira hábito. E eu não sei nem quem foi que pensou e quem escolheu a minha vida. Não fui eu. Alguém foi autor da minha vida. É um trilho que a vida sai correndo mecanicamente para ali e eu não faço a mínima ideia nem porquê, nem para onde. Ou seja, a vida toda se mecanizou. Temos que ter muito cuidado com isso. Hoje não falaremos de produtividade apenas. Falaremos de algo mais profundo.
arquitetos do caráter. A gente, de vez em quando, usa palavras, de vez em quando eu estou sendo muito bondosa, quase sempre, a gente usa palavras que a gente não sabe o que significam. Quem aqui que nunca disse que alguma pessoa tem mau caráter? Quem não disse, atira a primeira pedra. E a gente sabe o que é caráter? Sabe assim, explicar bem explicadinho? Não sabe, mas usamos a berça. Nós não sabemos nem do que se trata, mas pum, atira em cima do outro. Não é isso? O que é caráter? Caráter, se nós vamos pegar
a definição platônica de inclinações, que é exatamente a definição de caráter, Platão diz que desde o nascimento nós viemos com inclinações para gostar de algumas coisas e rejeitar outras. E que essas inclinações deveriam ser educadas para que a gente gostasse de tudo o que nos faz crescer como seres humanos. E rejeitar tudo o que nos animaliza, que nos bestializa. Então a gente deveria gostar de tudo o que nos leva na direção de valores, virtudes, sabedoria,
tudo aquilo que desenvolve paixões desenfreadas, instintos descontrolados, cólera, tudo que é animalizante. A gente deveria rejeitar isso naturalmente. Por quê? Porque foi educado para isso. Isso é um bom caráter. Cidadão que naturalmente gosta do que é bom para ele e rejeita o que é mau. Vamos e venhamos. Com essa definição, quem de nós pode dizer que nós somos tão bom caráter assim? Tudo que vocês gostam é maravilhoso? Ou tem umas coisinhas, tudo que nós gostamos, tem umas coisinhas,
que são péssimos. Sabe aqueles chocolates em cima do sorvete? Bastante calda! Tem um monte de coisas que a gente gosta que não são boas para nós. O sorvete ainda tira de letra, tem coisa muito pior. E tem coisas que seriam ótimas para nós, que a gente rejeita. E aceitamos, e às vezes sabemos, e aceitamos isso. Como se o nosso gosto não fosse uma coisa que pudesse mudar. Pode mudar. Nós podemos e deveríamos aprender a gostar. Gostar daquilo que nos faz crescer,
e rejeitar aquilo que nos faz mal. Deveríamos aprender a trabalhar o gosto. Porque o paladar a gente trabalha. A gente aprendia a gostar do gosto de uma comida que não gostava. Vocês já fizeram isso? A gente aprende. Você acha que o paladar mais sutil não dá para trabalhar também? Dá também. Dá para eu gostar de pedir desculpas. Dá para eu gostar de ter paciência. Dá para eu gostar de ser mais compreensivo com o outro. Dá para gostar de tudo aquilo que é bom. E rejeitar tudo aquilo que é ruim. Rejeitar a impaciência no trânsito.
rejeitar o egoísmo, a ansiedade de sair empurrando todo mundo para ser o primeiro a entrar no elevador, a ansiedade de não deixar querer que a pessoa passe na sua frente no trânsito, enfim, dá para rejeitar todas essas coisas, olhar e dizer, eca, que nojo, que coisa mais animalizante, parece um bicho por trás de uma máquina, não gosto de nada disso. A gente pode aprender isso, não só pode, como deve. Ou seja, o caráter é algo em construção.
que ele dizia que a bondade é o sutil ajuste do nosso caráter pela vida inteira, como se afina as cordas de um instrumento. Eu acho essa imagem maravilhosa. Ou seja, a vida inteira a gente fica aprendendo a gostar do que é bom, rejeitar o que é mal. Isso é caráter. E uma vez que você faz isso, você cria hábitos que te ajudam a caminhar pelo que é bom e rejeitar o que é mal. E fica atento para não adquirir hábitos que façam o contrário. Porque pela desatenção, a gente também adquire hábitos.
Às vezes, sem perceber pelas freitas da desatenção, você está fazendo uma bobagem. A gente que ensina oratória, eu fui muitos anos professora de oratória, é incrível, porque você ensina tudo bonitinho para o aluno. De repente ele vai falar, começa, é... Né? Né? Né? Mas onde você tirou isso? A gente ouve alguém fazendo, fuh, daqui a pouco está com um hábito. Eu te ensinei isso? Não, mas eu vi em algum lugar. Ou seja, hábito também entra por inconsciência.
ter cuidado com isso. Vamos continuar lá então. Porque no fim das contas, não somos aquilo que pensamos ser. Somos aquilo que fazemos repetidamente. Isso diz o Aristóteles com toda certeza. Somos aquilo que fazemos repetidamente. Ou seja, eu tenho as melhores boas intenções do mundo. Eu queria ser fraterno, eu queria ter compaixão da doragueia, mas na prática eu só me comporto com o egoísmo. Pelas nossas obras,
conhecerei. Não é pelas vossas boas intenções que eu vos conhecerei. Alguém que vai querer julgar como você é, vai ver o teu rastro no mundo. Vai ver o que você anda fazendo e não o que você acharia que deveria ser certo. Às vezes, entre o que a gente pensa e o que a gente faz, tem uma distância muito grande. Somos cheios de boas intenções. Mas o nosso rastro pelo mundo vai nos mostrar no que a gente realmente acredita. E esses rastros, muitas vezes, são resultados de hábitos, de mecanicidades, que a gente não está nem tomando consciência
do estrago que eles fazem. A ansiedade de ser o primeiro na fila é um hábito. A ansiedade de ser o primeiro a levantar naquele corredor do avião, você já viu? É um hábito. O primeiro a pegar a magrinha lá em cima, é um hábito. Por que a maioria das pessoas não estão com pressa nenhuma? Se você for entrevistar, estão ficando ali mesmo, não estão perdendo conexão. São raros os que realmente estão com pressa. A maioria é só hábito.
Mal hábito, né? Vira uma confusão fora do comum. Mas como eu falei para vocês, tem coisas muito mais graves. Às vezes temos hábitos herdados dos nossos pais, de reagir a determinadas coisas do jeito que eles reagiam. Às vezes você se olha assim, opa, olha o meu pai lá no espelho, a minha mãe. Qualzinho? Coisas que você não tomou consciência e que inclusive, quando você era vítima desses hábitos, não gostava. E agora está reproduzindo pela vida fora, por inconsciência. Então nós somos aquilo que fazemos repetidamente.
retirar essas coisas que eu estou fazendo repetidamente, tomar consciência delas em primeiro lugar. Uma vez eu peguei um aluno meu que estava dando aula e contei quantas vezes ele falava né. Tem umas 25 ou 26 em meia hora e ele não tinha visto que tinha falado nenhum. Nenhum. Né, professora, eu resolvi o meu problema do né, né? Falei, você falou 26 né. Não acredito, acredita, olha lá a gravação. Então a gente não tem consciência, tem que prestar atenção para localizar,
são as coisas que estão deixando rastro do mundo. Mais uma vez, estou dando exemplos inocentes para vocês. Porque tem hábitos que são barra pesada. E destrói a nossa vida e a vida das pessoas a nossa volta. O que é um hábito? A força da repetição. Um hábito é um comportamento repetido até se tornar automático. Ou seja, repete, repete, repete. Daqui a pouco você não está nem vendo mais o que você está fazendo. Automaticamente acontece. Nós criamos hábitos conscientemente. Por exemplo, eu vou aprender,
a dirigir. Aquilo ali é antinatural quando a gente chega diante daquele monte de manivela, daquele... aquilo não é. Pelo menos eu não brincava de carrinho, de bate-bate em parques de diversões, quando eu era pequena. Primeira vez que sentei no volante, aquilo ali era absolutamente estranho para mim. E tive que criar o hábito. Hábito de sentir que o carro estava pedindo a marcha. Quando o instrutor me falava isso, eu dizia, o carro não está pedindo nada, meu carro.
O carro não fala, não estou sentindo ele pedir nada. Está pedindo, você tem que sentir, o carro está pedindo a marcha.
Hoje a gente sente o carro pedindo a marcha. Adquiriu o hábito e faz tão mecanicamente que eu não sei dizer para vocês quantas vezes eu mudei a marcha para chegar na minha casa até aqui. Automaticamente vai fazendo. Eu quis adquirir esse hábito. Me esforcei, fui para a autoescola, aprendi a adquirir esse hábito. Então esse é um hábito ativo que foi adquirido como ato de consciência. Tem um detalhe muito curioso, a gente vai ver isso inclusive mais adiante. Quando você adquire um hábito com consciência,
Na hora que você quiser se livrar dele, é muito mais fácil. Mas aquele que você adquire porque estava de bobeira e copiou o que todo mundo estava fazendo sem ter muita consciência, esse é mais duro. Porque esse é mais difícil de você ver. Você não consegue percebê-lo. O outro que foi adquirido de forma consciente, na hora de você se livrar dele, você consegue com muita mais facilidade. Esse que entra pelas frestas da desatenção, você vai ter muito mais dificuldade para abolir. É um detalhe.
adora automatizar. Isso economiza energia. Se tivéssemos que decidir conscientemente cada gesto do dia, entraríamos em colapso mental antes do meio-dia. Entraríamos mesmo. Abre o olho de manhã, o que eu faço agora? Coloca um pé fora da cama. Qual é o pé? Como é que eu piso no chão? Agora eu vou fazer o que? Ah, escova de dente. Como é que eu faço? O que eu ponho na escova de dente? Não dá, gente. Faz isso tudo na automática. Quando você vê, está lá no meio-dia, você já fez
Mil coisas. Se você fosse anotar cada pequena coisa que você fez, fez mil coisas. Todas elas num piloto automático. Isso te permitiu pensar na programação do seu dia, pensar acerca dos problemas que você tem. Ou seja, multiplicou a sua energia mental. O corpo estava fazendo uma coisa, a mente estava fazendo outra. Isso é bom, isso é necessário. Eu falei para vocês, um dia seremos sábios. E parece que sábio não é permitido ter hábito nenhum. Mas por enquanto, para nós é necessário. Estamos muito longe de sermos sábios.
Temos que trazer consciência para a nossa vida, sim, mas em coisas prioritárias. Deixa o hábito de escovar o dente, deixa o hábito de dirigir, que esses são bons. Deixa eles aí. O hábito é, portanto, uma estratégia da natureza para preservar ele. Da mesma maneira que a tecnologia vai avançando e vai passando para a máquina certas coisas que são automáticas, para poder liberar o homem para fazer coisas mais inteligentes, mais criativas.
nada, você fala e a voz é transformada em texto. Isso é uma coisa que se faz mecanicamente, é muito simples para uma máquina fazer. Então esse homem tem tempo livre para criar alguma coisa, para intuir alguma coisa, para fazer coisas próprias do ser humano. O grande problema é que muitas vezes o ser humano só fazia coisas mecânicas e agora a máquina está roubando a única coisa que ele tinha. E ele está se sentindo despejado para fora do seu emprego.
Agora ele vai ser obrigado a desenvolver coisas humanas. Criatividade, imaginação, intuição,
inspiração e muitos outros poderes, visão simbólica que só o ser humano tem. Então, às vezes, mecanizamos a nossa vida de um jeito tal que a nossa vida profissional era toda hábito. A máquina, tudo que era hábito, a máquina faz melhor do que a gente. Pode ter certeza. Tudo que é hábito. Dirigir hábito é. Daqui a pouco vai ter volante automático para cá e vai ser melhor do que a gente. Não vão bater, não vão passar da velocidade.
Vocês vão ver. Ainda vão economizar mais combustível. Então, tudo que é hábito pode ser passado por uma máquina,
mecânica e cidade mesmo. Mas aqui surge a primeira reflexão importante. A natureza busca eficiência, mas a consciência busca sentido. Nós viemos ao mundo, e isso é uma tônica fundamental, nós viemos ao mundo para crescer. Não tenho dúvida se alguém fizer essa pergunta para vocês. O que a gente veio fazer no mundo? Qual é o sentido da vida? Crescer. Sair daqui mais humano do que a gente era quando chegou. Apurar todos os nossos valores humanos, nossas virtudes.
no máximo os atributos da condição humana. Mais justiça, mais fraternidade, mais bondade, uma consciência mais ampla. Nós viemos aqui para construir a nós mesmos a construção de qualquer outra coisa secundária. Sempre comento isso nas minhas palestras, que a gente acha que está fazendo muita coisa, porque nós estamos construindo máquinas. Imagine a gente falando com a natureza. Olha, eu construí máquinas voadoras. A natureza chega para você e diz, meu caro, tem milhões de anos que eu botei tudo voando nesse universo. Não precisava de você para isso.
Ah, mas olha, eu construí máquinas super rápidas. Vem cá, deixa eu te contar. Eu construí a velocidade da luz bilhões de anos antes de você pensar e desistir. Ou seja, eu não estou precisando de você para fazer isso. Eu estou precisando de você para construir a si mesmo, porque isso eu não posso fazer. Tem uma lei chamada livre e arbítrio que não me deixa fazer isso. Quem tem que fazer é você. Só isso. Portanto, você pode ter feito tudo no mundo.
Não construiu a si próprio. Do ponto de vista do que a natureza esperava de você, você não fez nada. Fez mil tecnologias.
descobriu mil aparatos, não cresci como ser humano, não fiz nada. Não sei se vocês já tiveram essa experiência de você fazer uma agenda, eu preciso fazer três, quatro coisas importantes durante o dia. Aí você passa o dia todo super ocupado, corre pra lá, corre pra cá, faz mil coisas, num paraqueta um minuto, quando você vai olhar à noite, nenhuma das quatro coisas que você tinha que fazer, você fez. Mas passou o dia inteiro correndo. Já tiveram essa experiência? Um dia eficiente não é um dia onde você faz
muitas coisas, mas o dia onde você faz as coisas certas. E nós cansamos de fazer essa bobagem. Corremos o dia inteiro, você vai olhar aquilo que a gente tinha que ter feito e não fez. Com a vida a gente também faz isso. Corre a vida inteira quando vai olhar a construção de si próprio como ser humano, para dar exemplo para os nossos filhos, para dar exemplo para a humanidade, para mudar um pouco o mundo, não fizemos. Então é muito importante a gente estar de olho nisso.
Viemos aqui para crescer. E aí entra essa questão, né? Consciência, natureza, busca eficiência.
a consciência, a praticidade. Ou seja, o que é mecânico se realiza de maneira mecânica. A consciência busca sentido. Então ela tem que pegar e escolher os hábitos que ajudam ela a crescer. Escolher os hábitos que ajudam ela a aprender coisas novas, que ajudam ela a ser cada vez mais tolerante, que ajudam ela a ser cada vez mais compassiva, ajudam a desenvolver as virtudes que ela tem que desenvolver. Ela não pode sair carregando um monte de tranqueiras de hábitos que estão trabalhando contra ela, porque isso é gol contra.
Não podemos sair carregando um monte de hábitos que nos atrapalham. É como se a gente estivesse entregando a arma para o inimigo atirar a gente. Ou seja, estamos cultivando um hábito que ao invés de nos ajudar a andar, nos puxa para trás. Não podemos nos permitir isso. Sem desperdício de energia, estamos trabalhando em prejuízo próprio. Nem tudo que é prático é significativo. É importante que vocês entendam isso. Um hábito é praticidade. Ele pega as coisas que você precisa fazer,
O fundamental na vida humana é aquilo que é significativo, é aquilo que eleva a consciência, aquilo que desperta em nós a semente da bondade, do amor, da compaixão. O fundamental é o significativo. Então o hábito cuida da casa para que você possa se fixar naquilo que é essencial. Falei, por exemplo, uma obra de arte, não tem nada de prático. Imagina você o que é um cidadão passar como Leonardo da Vinci, anos a fio, em cima de uma tela,
para pintar uma dioconda. Não gerou comida, não gerou moradias, não gerou nada prático para a vida, gerou um negócio pintado num pedaço de tela. Para que serve isso? Que perda de tempo? Se a gente pensar de maneira prática, a arte é uma besteira. Agora, se a gente pensar de maneira humana, é das coisas melhores que existem, porque ela é capaz de puxar a nossa consciência para cima. Então, não podemos ser só práticos, porque se não Mozart, Beethoven, todos esses pessoal falam uns desocupados, porque nada que eles fazem enche barriga,
se diz popularmente. A arte não enche barriga, mas enche a alma. Então nós não podemos guiar só pelo que é prático. Nossa consciência tem que buscar elevação. E os hábitos cuidam da casa para que a gente possa ter energia para isso. Como vocês acham mesmo que os artistas são todos uns desocupados? Fala isso não, porque tem artista aqui. As vantagens dos hábitos aliados da excelência libertam a energia mental. Então eu posso estar fazendo alguma coisa pensando em outra. Eu posso estar fazendo alguma coisa e liberando a minha
consciência para outra. Quando automatizamos o que é essencial, abrimos espaço para o que é criativo. Grandes mentes cultivaram hábitos sólidos. Aristóteles dizia que a excelência não é um ato, mas um hábito. Então, você vai automatizando coisas, e aí é que é o interessante do hábito positivo, do hábito que você adquire. Você pode ir automatizando coisas, não só no plano físico, mas também no plano psicológico. Ou seja, quando uma pessoa falar comigo de maneira irritada, como eu respondo?
paciência. Eu não vou deixar que essa pessoa determine como vai estar o meu humor. Então se uma pessoa está estourada, automaticamente eu vou pensar, ela deve estar com problemas, eu não estou. Então ela que fique com o problema dela e eu não vou adquirir esse problema. Automaticamente, quando uma pessoa me fechar no trânsito, eu vou pensar, paciência, deve estar com mais pressa do que eu. Você pode automatizar isso, sabia? Você pode automatizar reflexos no plano psicológico também. Automaticamente abrir o elevador, vou esperar
o último ser vivo que tem lá dentro, antes de eu querer me meter a entrar. Vou olhar para ver se está saindo mais alguma coisa. Saiu tudo, até a última formiga, aí eu vou entrar. Estou automatizando respostas mais humanas exatamente naqueles pontos onde eu estou mais animalizado. Quando acontece tal coisa, eu sempre estouro. Pois é, eu vou criar um hábito para acontecer tal coisa e eu não estourar. E vou fazer isso mil vezes até virar hábito.
Se o cidadão me respondeu de maneira grossa, eu respondo de maneira extremamente delicada.
normal até, para dar um tapa com luva de periga. Muito obrigada pela gentileza, até a próxima. Vai ser assim que eu vou responder. Isso também vira hábito, sabe? Você também pode ter hábitos no plano psicológico. Agora, olha que praticidade isso. Eu adquiri esse hábito, isso está me ajudando a dominar as minhas emoções, está me ajudando a me humanizar, a não deixar que o outro seja dono do meu estado de humor. É uma passagem de um conto zen,
que eu acho interessante, que diz que havia um jovem que chegou no mosteiro, porque esses mestres eram grandes artistas marciais também, nesses templos budistas. Aí os jovens de outros mosteiros iam lá para desafiá-los, para ter um combate e mostrar que eram melhores do que eles. Aí chegou lá nesse mosteiro e começou a ofender o mestre, para poder travar um combate com ele. Ofendeu, ofendeu, ofendeu, e o mestre fazendo os afazeres dele um dia inteiro.
Até que ele cansou, foi embora. Aí os discípulos, mas mestre, aquela quantidade de desaforo que aquele garoto falou para o senhor,
fez nada. Aí o mestre diz, bom, se você me dá um presente e eu não aceito, o presente é de quem? É seu. Você vai ter que ir embora com ele. Não é isso? Ele me deu um monte de presentes que eu não aceitei nenhum. São dele, ele teve que levar tudo embora. Por que eu ia esquentar a cabeça com isso? Ou seja, toda vez que alguém for grosseiro comigo, vou lembrar do conto do mestre. O presente é dele, eu não aceitei ele, ele vai embora.
Não tem o porquê deixar que qualquer pessoa determine o meu estado de espírito. Eu sou escravo das circunstâncias, não é isso? Então eu entendi a
do mestre oriental, a partir de agora vai ser assim. Se o cidadão está grosseiro, eu respondo dez vezes mais delicado do que eu sou normalmente. Só para ele se sentir bem brutamonte mesmo. Pelo contraste. Então eu respondo mais delicadamente do que eu respondo sempre. Vira hábito, meus caros. Vira hábito. De tanto você fazer, de tanto você praticar, vamos criando uma mecanicidade que vai revertendo esses pontos críticos onde a gente se animaliza. E dá para fazer.
só isso, devemos fazer. Leonardo da Vinci cultivava o hábito da observação constante. Ou seja, por que ele era brilhante? Ele tinha o hábito de estar inteiro no momento presente, observando todos os detalhes da vida, dos objetos, todos os ângulos, todos os cantinhos, de tal maneira que ele pudesse entender um pouco mais o mundo à volta dele. Um hábito maravilhoso, né? Viver o presente em plenitude, estar corpomente e alma aqui. Nós temos o hábito de fazer o quê? A gente senta o nosso corpo numa cadeira
e a mente vai para onde ela bem entende. E as emoções para o outro lado. E saudade de fulano. E a mente, e o supermercado que eu tenho que ir depois. Isso é um hábito, sabia? Cada vez que a gente quiser fugir, você pergunta, por que eu estou aqui? Se eu tenho que pensar no supermercado, então vou levantar agora e vou para o supermercado. Não, não. Então fica aqui. Você pode criar esse hábito. Cada vez que os veículos começarem a ir um para cada lado, você quer ir para outro lugar?
Vamos agora. Não, quero ficar aqui. Então vamos ficar aqui. É um hábito. O que mais?
e desenvolveu o hábito interior de buscar sentido, mesmo em circunstâncias extremas. Acho que vocês conhecem a história de Viktor Frankl, né? Que viveu, foi um prisioneiro de guerra da Segunda Guerra Mundial. Viveu em campo de concentração. E desenvolveu o hábito de, ao invés de ficar revoltado, olhar para as coisas e ver o que ele poderia aprender com aquilo para se tornar um ser humano melhor. A mesma coisa que Gurdif também se desenvolveu. Não sei se vocês conhecem Gurdif, o grande escritor.
na Rússia durante vários anos, ele desenvolveu esse hábito também. Diz que saiu muito mais sábio do que entrou da prisão. Tudo o que acontecia, busca um sentido, porque a vida estava trazendo aquilo para ele e como ele podia se tornar melhor a partir daquilo. Ao invés de ficar aí precando com ódio, com injúrias, porque a prisão dele foi injusta. Ou seja, hábitos, muitos hábitos, muito bons, que a gente pode pegar como referência e começar a adquirir.
Aconteceu uma coisa que eu não gosto, vem a cola, opa, deixa eu imitar o Ritor Frankl?
O que a vida está querendo me ensinar com isso? O que eu posso aprender disso? Dá para a gente incorporar isso como hábito, gente. Isso é a grande chave. É um botão da nossa psique que a gente não está sabendo acionar. Esse negócio tem que trabalhar a nosso favor e não contra nós. Dá para a gente adquirir um monte de hábitos maravilhosos que outras pessoas já tiveram na história. O hábito, quando bem direcionado, consolida o caráter. Então ele te ajuda tremendamente a gostar das coisas boas.
do bem, se é um bom hábito. Agora, se é um mau hábito, é terrível. Vícios de todos os tipos, hábitos psicológicos terríveis, que é de sempre estar julgando o outro, sempre estar criticando o outro, tornam a vida um inferno. O hábito de criticar, ele cansa mais, eu garanto para você, se você passar um dia inteiro mentalmente, criticando Deus e o mundo, que em geral a gente faz, cansa mais do que você passar o dia inteiro carregando pedra. Exaure! A energia mental vai lá embaixo, suga a nossa energia.
É um hábito horroroso. E a gente não sabe. E não sabe sequer que grande parte do nosso cansaço vem daí. Olha para as coisas já procurando defeito, morbidez, hábito negativo. Por que eu não faço o contrário? Eu crio o hábito de procurar sempre o aspecto positivo de tudo. A gente não sabe quanto a mente exaura a energia da gente. A gente acha que cansa só pelo que fez fisicamente. Observem. Os dias que você chegar mais cansado à noite.
E vai procurar por que foi. As formas mentais acabam com a gente. Subam a nossa energia toda.
E nós temos um monte de hábitos desse tipo. São vícios. Vícios terríveis. Que às vezes inviabilizam a nossa vida. Quando a gente pensa em vícios, a gente pensa em droga, embriaguez, cigarro. Esses são péssimos. Mas tem uns vícios psicológicos que também não são brincadeira. E que também prejudicam demais a nossa vida. Então o hábito, quando bem direcionado, ajuda a consolidar o caráter. Eles criam identidade. Ou seja, o que significa isso? Não é o que você faz uma vez que define quem você é.
todos os dias. Aí hoje eu vi uma palestra legal, vou sair daqui, vou ter paciência com todo mundo no trânsito, até em casa, mas amanhã vai ser outro dia, né? Março, vai ter mudado, amanhã volta tudo ao normal. Isso não define nada na sua vida, só o que você fez hoje. Define o que você faz todos os dias, isso é você. Veja o fulano todos os dias passando e fazendo tal coisa. Bom, fulano acredita nisso. Um dia que ele fez uma coisa diferente, aquele dia ele tinha sido influenciado por alguém, mas se ele não mantém,
Isso não é ele. Isso não é ele. Uma coisa que você fez um dia só não é você. É você aquilo que você sustenta através da sua vida, dia após dia. Então os hábitos vão constituir a nossa identidade. E o que é curioso é que se você anotasse numa folha de papel, nesse momento, todos os seus hábitos, daria para deduzir que tipo de ser humano é aquele. Talvez você não se identificasse com esse ser humano. Dizesse, não, eu não quero ser isso aí, não. Mas cultiva hábitos que não têm nada a ver com aquilo que você gostaria de ser.
cri cri, tenho o hábito de criticar, mas eu cri cri, não quero ser assim. Mas você está cultivando um hábito que te faz ser assim. E nem consciência disso não tem. Nem consciência disso não tem. Sempre conto uma história que é velha também, que é uma vez que eu fiz uma experiência com os meus alunos de Nova Própole, que eu pedi, perguntei para eles, vocês são críticos? Não. Imaginem vocês, era um grupo de 20 pessoas, ninguém era crítico.
Uma coisa milagrosa. Ninguém aqui é crítico. Eu falei, tá bom, vamos fazer uma brincadeira. Você vai pegar um dia
essa semana, vai pegar um pedaço de papel e vai anotar toda vez que vier um pensamento crítico na sua mente. Sabe aquele negócio de fazer um risquinho, outro, aí faz um quadradinho, risca no meio, começa outro, você vai fazer isso, vai ficar com uma folha de papel. Toda vez que você tiver um pensamento crítico, você risca esse papelzinho. A aula só uma vez por semana, né? Outra semana lá vem eles, abatidos. Aqueles que fizeram o exercício evidentemente.
Professora, nem te conto. Olha, eu risquei tanto aquele papelzinho que eu tinha que parar o carro pra ridicar o papelzinho.
folhas e folhas de papelzinho. Eu nunca imaginei que fosse tão crítico assim, né, minha vida? Aí eu fiz a segunda parte da brincadeira, né? Passei pra ele o seguinte, você vai passar um dia dessa semana, toda vez que você tiver um pensamento crítico, você joga ele fora e coloca uma coisa positiva no lugar. Lembra de uma coisa boa, de uma coisa positiva, de uma coisa bela. Vai passar um dia fazendo isso, o dia inteiro, cortando os pensamentos críticos.
Uma semana depois, lá vem eles. Sabe o que aconteceu, professora? Eu fiquei sem assunto mental.
E tudo que eu pensava era crítica. Porque deu aquele vazio. Aí eu tive que virar pra fora e começar a observar mais essas coisas à minha volta. Porque se eu pensasse, eu criticava. Então, percebi que tinha uma sanca na sala do meu trabalho. Eu trabalhava ali há 10 anos e nunca tinha visto aquela sanca. De tanto que a gente fica nessa mecanicidade de um yin-yang-yang mental, criticando Deus todo mundo. Ou seja, a gente nem sabe os hábitos psicológicos que tem. Esse aqui é pior. Quando a gente vai procurar, vai atrás,
perguntar para si próprio, por que eu faço as coisas que eu faço? É que você vai descobrir os hábitos. À noite, um diáriozinho, onde você lembra todas as bobagens que você fez, pergunta, por que eu faço isso? Aí você descobre um hábito que você nunca tinha visto. Por isso que Pitágoras recomendava diário para os alunos dele. Porque vai trazendo consciência para dentro da nossa vida. Aquela bobagem, por que eu fiz? Opa, é um hábito, eu sempre respondo dessa maneira.
Por que eu tenho esse hábito? Não acredito nisso. Não tinha nem consciência que tinha. Esses meus alunos, nenhum era crítico.
Nenhum. Eram santinhos. 20 santos acima de qualquer crítica. E foi muito interessante essa experiência de constatação. Você não é alguém que corre, você é alguém que tem o hábito de correr. Você passou correndo um dia, as pessoas vão até assustar. Deve ter ladrão, deve ter alguma coisa. Agora, passo todos os dias, ele é o corredor. Você adquiria identidade a partir do momento que as coisas têm perseverança e constância. Aí você tem identidade com aquilo.
Uma vez que eu fiz, eu não crio identidade em torno disso. Não me identifico com isso. Não me defino por isso. Por isso que eu quis que todo mundo ficasse um ano praticando máximas estoicas. O sonho da minha vida com esse livro é que, depois de um ano, uns dois ou três hábitos estoicos, pelo menos, a gente vai ser adquirido. Porque é assim que funciona. Ou seja, todos os dias pensando nisso, todos os dias pensando nisso, tentando praticar uma hora, uns dois ou três hábitos estoicos seriam meus. Não seriam mais dos estoicos. Porque bons hábitos não cobram direitos autorais.
Passam a ser nossos. Então, identidade é repetição consolidada. Como eu falei para vocês, existe a fase de aquisição, fase de estado e fase de remoção. Em todos os casos, o que ele determina? Na fase de estado, não. Ele funciona mecanicamente. Mas tanto para adquirir quanto para abolir um hábito, você vai necessitar de disciplina e de vontade. Você quer adquirir um hábito? Repetição todos os dias. E ali tem que ser uma disciplina mesmo. Todos os dias eu repito.
lembrar mais e vai continuar repetindo. Depois, para pará-los, é a mesma coisa. Você tem que colocar uma consciência em cima do que você está fazendo para descobrir quando é que você está fazendo. Criar uma lei dentro de você que diga não mais. E vai espaçando aos pouquinhos até que uma hora você consegue vencer isso. Ou seja, romper um hábito é vontade. É dizer, não quero mais fazer tal coisa. Aí tem uma falhazinha, não desisto porque eu tive uma falhazinha. Bom, eu só falhei uma vez.
Antigamente eu fazia isso todo dia, agora se faz um dia sim, já não. Melhorou 50%. Aí continua, dois dias sem fazer, fez de novo. Agora aumentou o prazo, são dois dias sem nunca. Não vou desistir nunca. Vou batalhar, batalhar, batalhar, batalhar, perseverança e constância até chegar do outro lado. Isso os egípcios falavam do Caivário. No princípio da polaridade, você pega uma dualidade, por exemplo, entre preguiça e proação. Eu olho para o outro lado, você é uma pessoa proativa.
Todos os dias já me vendo lá, acreditando que eu estou lá, já me vendo como uma pessoa proativa. Quando tem uma recaída, reage, batalha, batalha, batalha, batalha. Você reconstrói a si próprio, leva a tua vida para outra polaridade. Podemos fazer isso, podemos. Existe uma preocupação que eu tenho, não que eu tenha nada contra isso, mas você tem uma preocupação que as pessoas se definam demais por coisas do tipo horóscopo, horóscopo chinês, seja lá o que for temperamento,
de galeno, seja lá o que for. Sabe por quê? A pessoa fica engessada naquilo. Então Capricórnio, que é o meu signo, é ambicioso. Eu não vou nem lutar. O que eu vou fazer? Capricórnio é assim, deixa ficar, né? Eu sou Capricórnio. Se eu sou um Capricórnio ambicioso, eu não vou ser ambiciosa. Por quê? Porque não quero um ato de vontade. Eu sou aquilo que eu escolhi conscientemente ser. O professor Jorge Anjo Livrada, que é o fundador de Nova Acrópole, ele dizia, a diferença entre um tronco de madeira e um barco feito da mesma madeira,
porque esse segundo possui remos e pode navegar contra a corrente. Nós possuímos remos, que é a vontade. Podemos navegar contra a corrente. Horóscopo ocidental, chinês, japonês, seja lá onde for que haja horóscopo, diz que eu devo ir para lá. Eu quero ir para cá, eu vou para cá. Porque sobre os homens, os astros inclinam, mas não determinam. Porque o homem é um ser dotado de vontade. Então cuidado para nenhuma definição do mundo congelar você.
Ah, eu sou de peixes, eu tenho que ser aéreo. Não, eu não quero ser aéreo, eu quero ter os pés no chão. Os peixes que se virem.
Aqueles nem pés não tem, mas eles vão ter que ficar no chão. Porque eu não quero isso para mim. Entendem? Então cuidado com definições. Não que a astrologia goste mais da astrologia. A astrologia nasceu em antigas civilizações como Egito, como Índia, China, são maravilhosas. Mas esse negócio de a gente querer usar a justificativa da astrologia para se acomodar nos nossos maus hábitos, não. A astrologia pode dizer o que ela quiser.
Eu vou ser do jeito que eu escolhi ser. Eu vou trabalhar com disciplina e com vontade. Para esculpir a mim mesmo. Por quê?
E através da construção de hábitos positivos e abolir hábitos negativos, você vai construindo a si próprio. Não esqueça, abolir hábitos é perseverança e constância. Sem pressa e sem pausa. Todo dia lutando contra aquilo. Anotando num diário, hoje não fiz. Hoje fiz uma vez, amanhã vou prestar mais atenção. Hoje consegui não fazer. Hoje eu errei numa circunstância que eu não tinha percebido. Vou prestar mais atenção nessa circunstância. E ali, administrando e colocando vontade,
e não desistindo até uma hora que você consegue limpar o hábito. Não é um processo rápido, mas exige que você acredite em si próprio e tenha perseverança e constância. Todos nós sabemos que tem pessoas na humanidade que conseguiram vencer hábitos de drogas pesadíssimas, que conseguiram sair do outro lado. Se é possível para essas pessoas, é para nós também. Nós podemos vencer qualquer hábito negativo, qualquer coisa que nos prejudique.
Domingo eu perco a paciência para alguma coisa. Aquele primo chato que está sempre lá. Você sabe que o primo chato está lá. Prepare-se para a chatura do primo chato. E vou responder de tal maneira. Vou brincar, não vou levar a sério. Então você pode se programar para reverter todos os maus hábitos. Se um ser humano pode, a gente também pode. Os hábitos nos protegem em momentos de crise. Protegem. Porque os hábitos são reflexos. Nós temos hábitos físicos que são reflexos.
coisa em mim, eu não penso, o corpo já faz isso. É um hábito. Os reflexos são uma forma de hábito. Ou seja, é uma reação quase que instintiva na hora que o perigo vem. Se você tem bons hábitos, você sabe exatamente o que tem que fazer. Eu tenho hábito, por exemplo, um pequeno hábito que eu acho positivo no trânsito, de nunca, jamais, aconteça o que acontecer, grudar atrás do carro que está na minha frente. Isso já me salvou de cada situação em trânsito, que não é brincadeira. Aí eu vejo o pessoal que está todo coladinho,
Não, isso não dá certo. Cidadão lá na frente freia, porque qualquer coisa, porque foi atender o celular. Pumba, acabou. Problema, batida. Ou seja, é uma coisa boba, mas apenas para que vocês percebam. Como foi isso? Foi um hábito. Eu disse, jamais grudarei atrás do carro da frente. E botei o piloto automático. E não grudo de jeito nenhum, nem penso nisso. Não grudo. Enfim, em situações críticas do dia a dia, quando você adquire certos hábitos bons, eles se poupam de muita coisa. Protegem de muita coisa.
Quando estamos cansados, estressados ou inseguros, não agimos segundo os nossos ideais, agimos segundo os nossos hábitos, atos reflexos. Então às vezes a gente está disperso, é o hábito que vai lá e funciona. E se é um bom hábito, te salva de muita coisa. E se é um mau hábito, pode te colocar em muitas frias. Então você vê, por exemplo, um prédio está em chamas. Às vezes a pessoa tem o hábito de se descontrolar emocionalmente, totalmente, diante das situações de perigo.
emocional. Ao invés de ela tentar alguma forma que desse alguma chance para ela, se atira pela janela. É a pior coisa que pode acontecer. É a pior alternativa. Em geral, morre lá embaixo. Mas ela tem o hábito de não raciocinar diante de situações de perigo. Vocês já perceberam que isso é um hábito? Não consigo controlar as minhas emoções e ficar serena em situações de perigo. Portanto, eu sempre faço a pior coisa. Quem não raciocina em situações de perigo, corre para o colo do perigo ao invés de correr dele. Entra em pânico, desequilíbrio. É um treino.
É um treino que a gente faz para a vida inteira. Se as coisas deram errado, eu vou respirar fundo e vou ficar sóbrio. Porque é sóbrio que eu tenho condições de achar a melhor saída. Que pode salvar a minha vida, pode salvar a vida de muita gente à minha volta. Quando eu tenho, muitas vezes, incêndio em determinados espaços públicos, morre mais gente pisoteada do que gente queimada. Pelo hábito de não se controlar quando acontece alguma situação de perigo.
Não consigo respirar fundo e ficar lúcido e procurar a melhor solução? Bom, isso se treina.
nas pequenas dificuldades do dia a dia. É um mau hábito psicológico. Qualquer coisa que faça o meu controle, as emoções tomam posse da minha vida. Tomam o comando. E eu só faço bobagem. Temos que reverter isso aí. Temos que trabalhar com isso. Se o hábito é nobre, ele nos sustenta. Se ele é inferior, ele nos trai. Aí você é uma pessoa super controlada, que todo mundo acha maravilhoso. Mas você não desenvolveu ainda o hábito psicológico de não perder a cabeça
carro. E aí, de repente, na frente de todo mundo que confia em você, uma pessoa pisa no seu carro. Você vira bicho na frente de todo mundo. Ou seja, você trai a si próprio, porque não venceu um maldito hábito. Já que se alguém pisou no seu carro, você tem que imediatamente morder. Não é assim? E o que é engraçado, às vezes, é que a gente até tem orgulho desse tipo de hábito. Quando não temos referenciais, esse que é o problema, não sabemos distinguir o que é um hábito bom do que é um hábito ruim. Já contei pra vocês que uma
eu estava passando pela rua, nunca me esqueci dessa ocasião. Tinha duas pessoas conversando. Aí, dois rapazes, um dele virava para o outro e falava assim, se pisar, se mexer comigo, você vai ver, eu viro bicho. Ele estava tão orgulhoso disso, gente. Falei, gente, mas virar bicho é fácil, vira ser humano que eu quero vir. Vira bicho, todo mundo vira. O orgulho que ele estava falando disso. Se mexer comigo, eu viro bicho. O que você está dizendo?
Que se alguém pisar no seu calo, você perde o controle? Isso é coisa para a gente se envaidecer? Não é. Esconde, não conta para ninguém.
Ninguém não. Tenta trabalhar, ir nos bastidores, no espalho, aí eu não vou contar. Não é isso? E trabalha isso aí. Quando a gente não tem muito discernimento, não tem muitos valores, às vezes tem até orgulho dos hábitos negativos. E aí não tem jeito de vencê-los. Até alimenta, aí não tem jeito de vencê-los. As pessoas confundem hoje cólera com coragem. Cidadão corajoso, como dizia Platão, é aquele que se mantém lúcido nas situações de medo e desejo, nas situações de perigo, que aí toma a melhor decisão. Cidadão que estoura,
corajoso, ele é covarde. Ele não tem controle nem de si próprio. A sua personalidade o domina. Ou seja, ele não é vítima do animal externo, é vítima do animal interno. Se for um leão, o leão vai ser o segundo bicho que vai devorá-lo, porque o primeiro foi o eu animal dele mesmo. Ou seja, ele não tem peito para segurar as régenas do seu eu animal. Isso não é um corajoso, é um covarde. Aquele que vira bicho é um covarde, não é um corajoso.
Isso é uma coisa que a gente deveria ter claro. Corajoso é aquele que o mundo está pegando fogo e ele está lúcido.
Isso é corajoso. Está lúcido e tomando decisões inteligentes. Esse é o corajoso. Esse tem fibra, esse tem gás, segura as rédeas do eu animal e ele está no comando da vida dele. Os perigos dos hábitos. O adormecimento da consciência. Aqui começa a parte delicada. Então a gente já se convenceu que hábito é uma coisa maravilhosa. Até que ele começa a nos escravizar e nos possuir. E tudo na nossa vida é hábito. Não tem reflexão, não tem escolha, não tem consciência, não tem inspiração.
tem criatividade, nada. É tudo hábito de manhã à noite. Aí viramos uma máquina. O risco do piloto automático. Você já percebeu como pode dirigir quilômetros sem lembrar do trajeto? Se é um trajeto que você já fez várias vezes? Dirige quilômetros e não sabe o que você está fazendo. Parece que o carro vai sozinho. Agora imagina o carro da tua vida ir sozinho, sem você saber nem o que está fazendo. Em nenhum momento parar e dizer, bom, tem ali uma pessoa que está sofrendo, deixa eu parar o trajeto para atender aquela pessoa.
Bom, tem ali um trabalho que precisa da minha participação. Deixa eu parar o trajeto para ir lá ajudar nesse trabalho. Em nenhum momento entra criatividade, inteligência, inspiração, intuição. Em nenhum momento eu me supero. Eu fico inteiro, inteiro, repetindo a mesma coisa. Em nenhum momento eu me torno um pouquinho melhor do que eu era no passado. Porque o hábito, ele não aperfeiçoa, ele só repete. O hábito não aperfeiçoa, ele só repete. Então eu estou andando, eu não vou andando cada dia um pouco melhor.
do mesmo jeito. Precisa consciência presente para ir lá e aperfeiçoar. De vez em quando a gente é capaz de parar o mecanismo do hábito e ver onde a nossa presença humana é necessária e agir com a consciência desperta e viramos uma máquina. Todo dia eu tenho o hábito de dizer bom dia para as pessoas. Nem olho para os olhos nela. Em um belo dia você olha para os olhos da pessoa e percebe que ela te disse bom dia, mas ela não está nada bem.
Ela está precisando de você, precisaria de alguns minutos. Mas o hábito é ter a bom dia e nem olhar e ir embora. Você se mecanizou.
não está vendo as coisas que estão acontecendo à sua volta. Então o hábito não pode bloquear a consciência. Tem uma hora que você tem que saber parar o mecanismo do hábito. Opa, desliga o piloto automático. Aqui eu vou assumir o volante. Essa pessoa precisa de mim. Essa circunstância precisa ser melhorada. Esse processo desse trabalho não está bom. Está sacrificando excessivamente as pessoas. Não está inteligente. Deixa eu mexer nisso aqui.
Essa maneira como isso é feito não é a mais objetiva. Não é a que valoriza as pessoas.
não dá a elas uma oportunidade de participarem do processo. Deixa eu parar isso aqui e rever esse esquema. Ou seja, tem que ter uma hora que a gente sabe desligar o hábito e botar para funcionar a consciência. Porque, reitero, o hábito não aperfeiçoa. Quem aperfeiçoa é a consciência. E se você só age no hábito, ele só repete as coisas sempre do mesmo jeito. E você vai chegar daqui até o final da vida igualzinho. Não cresce nem um milímetro.
E se existe uma coisa que a gente tem que exigir de nós mesmos, é estarmos crescendo.
fala essa história, que é a bendita fotografia do ano novo. Eu falo porque eu faço exatamente isso. Vou lá e olho lá no meu celular, porque hoje a gente não revela mais foto, né? Olho lá no meu celular as fotos do ano novo passado e vejo, eu mudei alguma coisa. Um ano é bastante coisa. Uma coisinha assim, mudei? Não mudei nada? Eu estou estacionada, estou estagnada na minha vida. Um ano não é tão pouca coisa assim. É uma unidade bem significativa da nossa vida para a gente ficar tão igualzinho assim. A gente deveria ter ganho alguma coisa.
Uma habilidade para lidar melhor com a vida, com o outro, conosco mesmo, alguma coisinha tinha que ter avançado. Se não tem participação da consciência, não muda nada. Então cuidado com o piloto automático. Agora imagine viver anos assim, no piloto automático, a vida inteira assim. Quando tudo vira automático, deixamos de perceber a beleza, os detalhes, as oportunidades de crescimento. A rotina pode nos anestesiar e paramos de aprender, paramos de crescer.
ter lido isso porque andou pela internet. Muitos anos atrás, mais de uma década, tinha um grande, tem um grande violinista maior do mundo, Joshua Bell, que ele foi a Nova York e fez um concerto caríssimo. Os ingressos esgotaram, todo mundo querendo assistir Joshua Bell. Aí, o que aconteceu no dia seguinte? Alguma empresa fez lá um trato com ele, que ele foi para a estação do metrô de Nova York, vestido com uma roupa super simples, um bonezinho, um moletom, e ficou tocando lá com um chapeuzinho na frente.
maravilhosas do mundo. E o pessoal passava no piloto automático e ninguém parou para ouvir Joshua Bell na estação do metrô de Nova York. O chapeuzinho dele lá tinha umas duas moedinhas. Na véspera tinham pago uma fortuna para ouvir. Por quê? Porque sabiam que era Joshua Bell. Imagina o que é uma pessoa ser um virtuose. Está fazendo uma loucura no violino e você não ouve porque você está no piloto automático para pegar o metrô.
Se tivesse Leonardo da Vinci pintando a Mona Lisa ali na sua frente, você não via. Porque você tinha que pegar o metrô.
O que a mecanicidade faz com a gente? Podia até o ser mais maravilhoso do mundo ali. Ia passar batido. Batido. Porque todo mundo estava pensando no quê? Em nada. O hábito estava levando todo mundo para o retorno. Todo mundo apressado, cumprindo a rotina. Incrível. Essa foi uma experiência que eles fizeram que mostrou claramente. Quanto a mecanicidade nos rouba a beleza da vida. Nos rouba as oportunidades da vida. Então você teria deixado de conhecer Leonardo da Vinci. Pela mecanicidade do hábito.
colocar a consciência para funcionar. O hábito é para poupar a sua mente, para que ela possa estar atenta a outras oportunidades. Você apaga a mente e deixa só o hábito. Aí realmente não dá. A cristalização emocional, aí é que vem o feio da história. É o que a gente já falou, que são os hábitos emocionais. Repetimos não apenas ações, repetimos reações. Sempre a mesma irritação, com a mesma coisa. O trânsito todo dia está ali no mesmo lugar, à mesma hora. E o que eu faço? Me irrito. Aí amanhã, o que vai acontecer?
o trânsito está lá na mesma hora. Só falta o GPS dizer, trânsito em tal lugar e você vai se irritar. Daqui a pouco ele vai dizer isso. Porque é tão previsível que ele vai te dizer isso. Trânsito está lá, você irrita novamente. Ah, mas é porque eu vou chegar atrasado. Sai bem a hora mais cedo, meu caro. Porque pode ser que você se irrite menos. Lembram do Epiteto? O que ele dizia? Epiteto era um escravo. E aí o pessoal ficava debochando dele.
Você fala de liberdade, você é um escravo, você pode ensinar isso. Ele disse, sabe o que é um escravo?
Naquele que naquilo que não depende dele, fica emprecando contra o destino. E naquilo que depende dele, não faz nada. Então eu fico no engarrafamento brigando por causa do motorista, por causa da administração de Brasília, por causa disso, daquilo, daquilo, daquilo, coisas que eu não posso mudar. Mas naquilo que depende de mim, que é sair meia hora mais cedo de casa, eu não faço nada. Isso é um escravo. Totalmente escravo das circunstâncias.
E esse é um conceito de escravidão moderna. Nada que depende de nós, a gente mexe. Mas briga com todo mundo.
e estraga o nosso humor. E eu faço isso todo santo dia. Virou o rito. O rito da irritação. O irrito. O que mais? O mesmo ciúme. Mesma coisa. Alguém foi cumprimentado e eu não fui. Ciúme. Alguém recebeu uma promoção e eu não recebi. Ciúme. Alguém que eu gosto deu mais atenção a outra pessoa do que a mim. Ciúme. Eu sempre reajo desse jeito. Não posso ver uma pessoa tendo um benefício e eu sinto ciúme. O que é isso?
Vou aprender, vou pensar sobre esse processo, vou ver porque que ele acontece, vou ver qual é a carência que existe dentro de mim que provoca esse negócio, de tal maneira que eu possa ver um colega de repartição levando uma configuração e eu não, e não sentir absolutamente nada de negativo. Vou romper esse maldito hábito de achar que todas as coisas boas do mundo tem que vir na minha direção, quando vem na direção do outro eu me sinto desconfortável.
Por que isso? Ninguém no mundo merece reconhecimento, só eu. Eu sei que isso não é verdade.
Eu vou abolir esse hábito. Vai ser fácil? Prepara para brigar. Prepara para brigar. Isso aí vai ser pior do que parar de fumar, talvez pior do que parar de beber. Isso aí vai demandar uma energia mental da nada. Mas você vence. O dia que uma pessoa ganhar uma condecoração que poderia ter sido tua e você ficar alegre, você pode dizer venci o hábito. É possível. É possível. Vários seres humanos já fizeram. É possível. É uma questão de se programar para tanto. O que mais?
a mesma impaciência, a mesma autossabotagem, quando você não quer fazer uma coisa, mas faz de conta que quer, né? Hoje eu estou doente, hoje eu não tenho dinheiro, hoje não vai dar, e fica prorrogando as coisas que você tem que fazer eternamente. Chega uma hora que você chega na frente do espelho e diz, você quer fazer tal coisa ou não quer? Porque se você quer, faz agora. Se você não quer, risca da sua agenda e assume que você não quer.
Imagina que você, dentro do terreno da filosofia, que é o que a gente conhece bem,
ler um negócio complicado. Negócio complicado eu recomendo Emmanuel Kant, é uma beleza. Aí você precisa ler Emmanuel Kant. Preciso, tem uma necessidade, vou dar aula disso. Preciso ler o Emmanuel Kant. Vou colocar na minha agenda. Que horas que você coloca para ler Emmanuel Kant? Meio dia e meio, uma hora logo depois do almoço. Com o estômago bem cheio, quando vem aquela horinha ali da cesta, você vai ver a fundamentação da metafísica dos costumes. Prepare-se para sonhar com Kant,
Independente que você não vai ter condições de ler isso nesse horário. Então sabe o que você está fazendo? Está se auto-sabotando. Chega na frente do Espírito e diz, você vai ler o Kant ou não vai ler o Kant? Vamos parar de brincar com a vida? Se você não quer ler, tira da sua agenda e assume. Não vou ler, não vou dar aula disso. Mas se você quer ler, coloca numa hora que você tem a condição de fazer. Para de brincar com a vida.
Esse hábito de se auto-sabotar para fazer de conta que eu quis fazer as coisas e de fato não aconteceram, é muito comum na nossa vida.
Então a mesma impaciência, a mesma auto sabotagem, a mesma irritação na fila disso, na fila daquilo, na fila daquele outro. Se eu não quer fila, manda para o interior para uma cidade de 20 mil habitantes. Não, eu quero morar aqui. Acostuma com a fila, meu caro. São decisões coerentes e exonrem. E dizemos, eu sou assim. Mas não somos assim. Estamos por hábito. Prestem atenção que esse negócio agora é importante demais da conta. Santo Agostinho dizia isso.
uma verdade. A natureza humana, pura, não tem defeitos. Defeitos não são parte de nós. São agregados. São coisas que grudaram em você. Não se identifique com defeitos. Não diga, eu sou preguiçoso. Não, eu estou. Mas eu vou vencer esse negócio. Esse negócio não faz parte de mim. Eu sou desorganizado. Não é. Você está. A natureza humana, tua, pura, não tem defeitos. Isso são agregados. Coisas que grudaram em você por maus hábitos.
Porque se você quiser, pode vencer. Então não venha com essa história dessa síndrome de Gabriela, tão conhecida. Eu nasci assim, eu cresci assim, etc. E vou morrer assim. Não tem nada disso. Estamos assim por hábito. E se é hábito, dá para abolir, dá para vencer. Não se identifique com defeitos. Porque aí você começa a querer defendê-los, inclusive. Tem pessoas que você disser, para de ser desorganizado. Não, isso é o meu estilo. Que estilo, coisa nenhuma. Isso é um vício. Ser humano nenhum é desorganizado.
Isso é um vício. Não, isso é o meu estilo de organização. É assim, conversa fiada. Enfim, o hábito cria a ilusão da personalidade rígida e imutável. E é isso mesmo. A gente começa a achar que o hábito somos nós. Então o hábito chegar em casa, largar as coisas em tudo quanto é lugar e no dia seguinte não achar nada, isso sou eu, esse é o meu jeito, não é coisa nenhuma. Esse é um mau hábito que você pode corrigir. Então cria aquela sensação de que a personalidade é uma coisa pronta. Então quando dizem, o que você pretende do futuro?
É muito engraçado se perguntar para as pessoas o que elas pretendem no futuro. Elas pretendem mudar a casa, mudar o carro, mudar a cidade, mas mudar a si próprio, não. Porque acham que isso não é possível. Que a personalidade está acabada, rígida, que é desse jeito até morrer. Euromeni, séculum, séculorum, amém. Não é assim. A personalidade está em construção o tempo todo. Então deixa a casa, a cidade, em segundo, em terceiro, em quarto lugar.
Muda você. Dá para mudar. Não precisamos ser a mesma coisa. Eu gosto muito daquela frase que diz que nós devemos mudar tanto,
que as pessoas precisem nos conhecer novamente. O hábito como prisão invisível. Quanto mais repetimos algo, mais confortável se torna. E quanto mais confortável, menos questionamos. Quanto mais repete, mais fica aquele local de conforto, aquele local que você está acostumado. A zona de conforto não é confortável para a alma, é apenas familiar. E o familiar, mesmo que nos faça sofrer, dá a sensação de segurança. Ou seja, está confortável para o seu corpo, para a sua alma,
E daí vem a sua tristeza, a sua frustração, às vezes a angústia, às vezes até a depressão. E você não sabe por quê. Por quê? Você está obrigando a sua alma a estar sentada em cima de um espinho. Está confortável para o corpo, para a alma não. Porque a alma humana veio ao mundo para se expressar no mundo. E se expressa através de valores, através de virtudes. E você não está dando espaço para ela. Porque o corpo está engessado em hábitos.
Então o corpo, ao invés de se tornar um veículo para a alma se expressar, ele se torna um bloqueio de ar.
que ela não consegue mover um dedo no mundo, porque tem um bloqueio de aço, todo, todo imobilizado por hábitos. É óbvio que isso dá uma angústia interior fora do comum, que a gente não sabe por que que é. Uma desmotivação tremenda, porque a vida fica sempre a mesma coisa, e você não vê mais graça em nada, e não tem mais nenhum tipo de sonho, não tem motivação. Claro, é uma vida monótona demais, não dá, não dá para viver desse jeito. Quando você considera que a paisagem na sua janela
e começa a dar monotonia, por que a paisagem na janela de um carro é sempre a mesma? Porque o carro está parado, meus caros. Porque o carro está parado. Aí a paisagem é sempre a mesma. Se você não está crescendo, a paisagem vai ser sempre a mesma. E você vai ficar entediado, desmotivado, angustiado, se bobear, que é deprimido. Porque a vida não tem sentido nenhum. Você não consegue encontrar o que você veio fazer aqui. Não consegue dar o seu recado ao mundo. Não consegue construir o melhor de si. É tua obra-prima.
A nossa obra-prima é a construção de nós mesmos, como os melhores seres humanos que a gente possa ser. A gente tem que sonhar com isso. Sonhar com aquela pessoa equilibrada, serena, elegante, que é capaz de responder às circunstâncias da vida sempre de maneira mais sábia, mais ponderada. Eu vou ser assim. Eu sonho com isso. Sonhar com aquela pessoa que sabe sempre interferir de maneira misericordiosa, compassiva, ajudar alguém que vai cair. Eu vou ser assim. Sonhar em ser aquela pessoa que sempre consegue
amenizar a dor do outro, secar a lágrima do outro, sempre consegue atuar de maneira inteligente. Eu vou ser assim. Essa é a minha obra-prima. Não abro mão desse negócio. Não abro mão. É maior do que qualquer obra-prima que qualquer artista tenha construído ao longo da história. Porque é a partir dessa obra-prima que as outras se criam. Então eu não vou abrir mão disso. Se você fica nessa zona de conforto do hábito, não vai realizar esse teu grande sonho. De ser esse ser humano maravilhoso. Que o mundo está precisando dele.
não é só você não. O mundo está desesperado por esse ser humano. Esse ser humano está mais em extinção do que ursopando o mico leão dourado. O mundo está precisando sair um acidente ecológico. O mundo está precisando desse ser humano. Então não é só por você, é pelo mundo. A gente tem que construir esse ser humano. Isso é uma ambição legítima e digna. Nós viemos aqui para fazer isso. Isso é o melhor que a gente pode fazer por nós mesmos, pelas pessoas à nossa volta e pelo mundo.
Se a gente ficar engessado em maus hábitos, não vamos conseguir. Como usar os hábitos a seu favor?
Os hábitos são ferramentas poderosas, precisamos aprender a operá-las. Primeira regra, consciência precede mudança. Antes de mudar um hábito, observe-o, compreenda quando ele surge, o que você sente antes, o que você ganha com ele. Tem que entender quando você percebe que tem um hábito que você não tinha visto ainda, dá uma refletida sobre ele. Por que foi que eu adquiri esse hábito? Ah, porque todo mundo de tal grupo social fazia isso e eu queria pertencer. Tá bom, antes de lutar para abolir esse hábito,
Eu vou tomar consciência disso. De que eu estou começando a querer imitar os outros para ser amado a qualquer preço. Eu estou me violentando para ser amado a qualquer preço. Toma consciência disso e se proponha a mudar isso. Porque se você acabar só com o hábito, daqui a pouco vai imitar esse grupo em outra coisa. Você não mudou o gatilho do hábito. Entende? Eu estou fazendo coisas só para as pessoas gostarem de mim. Opa, eu tenho que mudar esse comportamento aí também.
Porque se você mudar só o hábito, daqui a pouco eu estou imitando as pessoas em outras coisas.
Eu era jovem que andava pela rua, andava pelos ônibus, eu ficava observando. Na época eu assistia televisão, assistia telenovela. Eu ficava achando engraçado as pessoas imitando o astro de telenovela. Na roupa, no comportamento, no jeito. Vocês nunca viram isso? É engraçadíssimo. Quando tem novela que está fazendo muito sucesso, você vê as pessoas se vestindo, falando, com a linguagem, com as expressões, imitando o astro de telenovela.
Nós somos tão... Quando não temos uma identidade própria e não somos conscientes dela,
Somos muito permeáveis às influências do meio. Daqui a pouco você está com mau hábito por causa das influências do meio. Tinha uma menina que me lembro que era uma personagem da Lucélia Santos. Novela antiga, gente. Eu já estou um pouco velhinha. Ela só falava se escorando nas coisas. Ela tinha uma mania. Ela se encostava, se cruzava a pedra. De repente eu estou vendo todo mundo se encostando nas coisas para falar. Um hábito horroroso.
A pessoa fica toda torta. E nem percebe que adquiriu. Por quê? Se você não tem identidade,
A sociedade vai colocar um monte de coisas aí dentro, porque a natureza não deixa vácuo. Se você não escolhe o que você quer ser, daqui a pouco está incorporando um monte de hábito do meio. E não sabe nem por que está todo torto, mas está. Então compreenda, quando esse hábito surge, o que você sente antes, o que você ganha com ele. Para você pegar o gatinho que está te levando a fazer isso. Por que eu quero pertencer a esse grupo?
Por que eu tenho que ser parecido com eles? Eles não podem me aceitar do jeito que eu sou. Se eles não podem me aceitar do jeito que eu sou, então é melhor não pertencer a esse grupo.
Por que eu tenho que me violentar para ficar parecido com ele? Pegue o gatilho que está por trás dos hábitos. Porque senão você corta um e aparece outro. Todo hábito satisfaz alguma necessidade, mesmo os destrutivos. Cuidado com hábitos adquiridos por distração. São os mais difíceis de remover. Praticar auto-observação. Tiques nervosos, hábitos linguísticos, como eu falei para vocês como professora de oratória. Impressionante quanta coisa que as pessoas pegam de hábito.
Tá? Ok? Tá entendendo? Um monte de coisinhas. E hábito, às vezes, fazer umas flexões assim com o pescoço. Ou fazer assim com o ombro. Um monte de coisinhas que você pega pelas frestas da desatenção. Quando você vê, tá fazendo. E o pior é que você não vê. As pessoas é que tem que te contar o que você faz. Então, muito cuidado para essas frestas da desatenção. Onde entra um monte de comportamentos estranhos. Quando a gente começa a fazer oratória, você vai perceber, meu Deus do céu. Quando a gente está conversando assim entre amigos,
às vezes não aparece tanto. Mas a pessoa chega aqui dentro para falar, é cada coisa esquisita que aparece, que não é brincadeira. Segunda regra, substituição é mais eficaz do que eliminação. Então, como eu falei para vocês, a natureza não deixa var. Tirei um hábito, coloca outro, o oposto daquele. Constrói outro, o oposto daquele, que vai na direção que você quer. Não deixa vácuo, não deixa buraco, porque senão daqui a pouco está você de novo com outro hábito negativo, que você copia do meio. Então vai preenchendo os espaços com hábitos construtivos.
Ou seja, o melhor do que simplesmente cortar é trocar. Coloca uma coisa positiva ali. Eu vou aprender a desenvolver um sentimento profundo para as pessoas que te dão a minha volta. Isso me ajuda a vencer o vício da crítica. Vou aprender a gostar delas. Vou criar esse hábito. Entendê-las como seres humanos, as necessidades delas, as dores delas. Eu vou criar o hábito de querer compreender e gostar das pessoas que convivem comigo. Ter interesse pelas pessoas. As pessoas não são simplesmente parte da mobília.
Eu quero criar vínculos. Essas pessoas têm que ser seres humanos para mim. Quero entendê-las, quero gostar delas, quero contribuir para o crescimento delas. Desenvolver um hábito desse tipo ajuda a vencer o hábito da crítica. Coloca no lugar. Olha que maravilha esse hábito. Você vai criando laços para tudo quanto é clã. Às vezes a gente trabalha anos, anos, anos no local. Aí depois você se aposenta, que é o meu caso, aí você entra para o grupo dos aposentados no WhatsApp. Vocês conhecem essa realidade? Muito engraçado.
gente, falando aquele monte de coisa, você olha e diz, bom, eu mal conheço essas pessoas. Trabalhei com elas 40 anos. O que nós temos é esse mau hábito. Eu estou ali só para ganhar dinheiro, as pessoas fazem parte da mobília. As nossas relações são muito especiais. Eu poderia, se eu estava na vida daquelas pessoas, significa que eu tinha alguma coisa para dar para elas, poderia ter dado. Eu tinha alguma coisa para ensinar para elas, poderia ter ensinado.
E hoje eu olho e não aconteceu nada. São meros estranhos. O professor Jorge Angelo Livraga, que é o fundador de Nova Acrópole,
uma coisa muito bonita. Ele dizia, acropolitanos, que ninguém passe por vós e diga, eu passei por eles e não me deram nada. É bonito isso? Passou pela tua vida, entrou na tua vida, ficou do teu lado, é teu colega, é teu vizinho, alguma coisa. Eu vou tentar dar. Se a pessoa vai querer receber, eu não sei, mas eu vou tentar dar. Vou tentar entregar alguma coisa. E isso é um bom hábito para substituir o hábito da crítica, por exemplo.
Bom ou aberto? Ocupa esse espaço direitinho. Se você tenta simplesmente parar algo, cria tensão.
substituir por algo mais elevado, cria evolução. Não é parar de reclamar, é criar o hábito de agradecer. Não é parar de procrastinar, é cultivar o hábito de começar agora. Gostei de uma coisa, vou levantar e vou fazer o primeiro passo. Agora. Ah, tal coisa legal, vou fazer. Levanta e faz o primeiro passo agora. Não é não saber ficar calado na oratória, é olhar nos olhos do público. Ou seja, tem pessoas, na oratória é uma coisa incrível, as pessoas têm medo do silêncio,
o branco. Então, quando tem uma pausa, a gente vai ficar calada e olhar para as pessoas, ela fica... Vocês já viram isso? Tem medo do silêncio. Ou seja, ao invés de ficar fazendo esses sons estranhos, eu vou olhar para os olhos das pessoas e vou ver o que elas estão sentindo do que eu estou falando. Substituir um mau hábito por um bom hábito. Vou criar o hábito de conversar com as pessoas, olhando nos olhos delas, lendo os sentimentos delas. Então, a troca,
é muito mais fácil do que simplesmente cortar um mau hábito. Troca. Coloca uma coisa positiva no lugar. Terceira regra. Constância supera a intensidade. Não é a explosão de motivação que transforma a vida. É a pequena repetição diária. Todo mundo acha que herói é aquele cidadão que não fazia coisíssima nenhuma. Um belo dia ele levanta, vai lá e muda o mundo. Não é, meu caro. O herói é aquele que faz pequenas coisas todos os dias.
Se surgir a oportunidade de fazer uma grande, ele faz também. Mas pode ser que não surja. E a vida inteira ele faz essas pequenas coisas.
que lá na frente se torna uma montanha e fazem diferença e mudam o mundo dele, mudam o mundo das pessoas à volta deles. Ou seja, não imaginem vocês que uma pessoa chega na guerra e luta bem porque ele dia e dia amanheceu inspirado. Ele luta bem porque ele treinou em tempos de paz todos os dias. É por isso que ele luta bem. Não acredite em sorte de iniciante, não. Então, um gesto nobre repetido mil vezes constrói caráter. Um erro repetido mil vezes constrói vício.
e hábitos internos, como já falamos. Falamos muito de hábitos físicos, né? Eu tenho o hábito de fazer exercícios, de me movimentar, de ir à academia, de fazer alongamento. Tenho hábitos alimentares. Eu como isso, eu como aquilo, aquilo eu não como, tenho restrições. Eu tenho o hábito de organizar o meu tempo, o meu espaço. Mas os hábitos mais decisivos são invisíveis. E que são aqueles que mais fazem diferença na minha vida. Como você interpreta os acontecimentos?
Eu paro e penso nos meus valores, em toda a experiência de vida que eu tenho e a partir disso eu julgo os acontecimentos ou eu vou procurar ver o que todo mundo está falando? Para ir na onda. Porque é mais fácil ser pensado do que pensar. É assim? Aconteceu, começou uma guerra hoje. Deixa eu ver o que todo mundo está dizendo para ver o que eu penso. Não, eu quero saber de ninguém. Eu vou pensar na minha experiência de vida e nos meus valores. E vou chegar a uma conclusão minha. Pode ser falha, pode não ser. Mas é minha.
mas o que o pessoal está falando deve estar mais bem informado. Conversa fiada. A maioria das pessoas está falando segundo as suas particulares paixões, predileções, sectarismos, inclinações. Confie mais na sua experiência de vida e nos seus valores. Hoje é tão raro as pessoas refletirem que quem reflete, eu confio em todas as minhas figurinhas que a opinião dela é melhor. Consulto os meus valores, a minha experiência de vida e chego a uma conclusão. Não acredite que está todo mundo pensando melhor do que você. Não.
A maioria das pessoas estão agindo por paixões, por inclinações pessoais, por alienações. Estão indo na onda. Quem pensa hoje é muito raro e extremamente importante. Você reage impulsivamente ou reflete? Você julga ou compreende? O hábito de julgar é uma maravilha. Todo mundo você dá uma sentença, você não sabe nem o que foi que aconteceu. Você não sabe o que aconteceu. Você tem uma informação muito fragmentada de um ato de uma pessoa.
como é a vida dela, você não sabe o que ela está vivendo, você não conhece os detalhes, você julga situações que você não está vendo. Aí sabe o que acontece? Deixa eu contar para vocês uma coisa, plena sexta-feira, não sei se vocês estariam, pleno sábado, perdão, estou trocando os dias, vocês estariam preparados para isso, mas, segundo a tradição indiana, o pior karma que existe é o karma da crueldade, quando você julga as pessoas mal, sem considerar os elementos que pesaram para que ela tomasse aquela decisão.
que nós não conhecemos. Tem uma passagem de um livro, qual é? É o livro do Pressfield. Não, não é o livro do Pressfield, não, é o Epiteto. Perdão, Epiteto naquele Arte de Viver. Epiteto diz o seguinte, você tem que procurar não julgar, avaliar e não julgar. Aí o livro dá um exemplo que eu acho muito engraçado. Imagine que uma pessoa esteja hospedada na sua casa. Aí essa pessoa, você vê ela passar, ela vai para o toalete tomar um banho, com a toalhinha no braço.
Você conta no relógio. Passa um minuto, vinte segundos e dois décimos, ela volta com a toalhinha. Você viu ela tomando banho? Não. O que você diz? Ela se lava mal num tempo desse. Deve estar suja. Ela se lava mal. Você viu ela tomando banho? Não. Mas eu estou julgando pelo tempo. Vai que ela é rápida. Você não viu nada. Ou seja, você joga um conceito em cima de um hábito que é teu. Você se banha em dez minutos, ela se banha em um minuto, vinte segundos e dois décimos. Você não viu nada.
É uma brincadeira. Mas é uma brincadeira séria. Porque a maior parte dos casos é assim. A gente não viu. Vocês só pararam para pensar que a maior parte dos nossos julgamentos a gente não viu. A gente viu um sintoma externo. Não viu o que aconteceu. Não conhece os hábitos daquela pessoa. Não sabe como ela reage. Você não viu. A maior parte dos nossos conceitos são assim. Então, cuidado com isso. Você julga ou tenta compreender.
Tenta imaginar as possibilidades que tem ali. Se isso cabe a você. Porque se não é da minha conta, não é da minha conta.
coisa perigosa. Quem tem a obrigação de julgar, tem aí o peso de uma responsabilidade muito grande. Se não é a tua obrigação julgar, não julgue. Vai correr o risco de criar um karma negativo por nada. Não vi, não sei. Eu posso falar daquilo que eu vi. Um minuto, trinta e dois segundos e dez décimos. O resto eu não sei. Você desiste ou persevera? Você tem o hábito de levar as coisas até o final? É um hábito também. Ah, mas isso é teimosia. Teimosia é quando você descobre que algo é negativo e continua insistindo.
Algo que é positivo, que é bom, tem o hábito de levar as coisas até o final. Esse é excelente esse hábito, gente. Porque senão a nossa vida vira um cemitério de... Nossa vida vira um cemitério de sonhos abatidos no meio do caminho. Você entra na casa da pessoa, tem uma sapatilha. O que é isso? Eu comecei a fazer dança de salão, mas eu não aguentei não. Aquilo era muito chato. Aí tem um teclado no canto. O que é isso? Eu comecei a tocar, mas ficava aquele negócio...
Não aguentava mais aquilo. E o que é aquilo ali? É um violão, mas aquilo estava dando um calo no meu dedo.
Se eu olho, é um cemitério de sonhos abatidos. É o tipo de pessoa que não tem confiança em si próprio. Por quê? Porque tudo que ela começa, a consciência diz, você não vai levar a sério. E ela não leva mesmo. O hábito de não levar as coisas até o final. Péssimo. Tem que procurar limpar isso. O verdadeiro manual do usuário não é do corpo, é da consciência. Então, temos hábitos físicos? Temos. Temos que prestar atenção neles? Temos.
Mas os mais importantes são esses aqui. Os hábitos internos. Colocar consciência, perceber
e mudados. Estamos cheios. Cheios de julgamentos, cheios de impulsos que a gente não leva a sério, cheios de considerações inadequadas, um tratamento inadequado da vida. Temos que descobrir e temos que limpar isso. Disso se trata, não esqueçam. Nós viemos aqui para fazer isso, portanto não existe nada mais importante do que isso. A liberdade dentro da repetição. Aqui chegamos ao ponto mais importante. Liberdade não é fazer aquilo
que a gente quer. É querer aquilo que eleva. Liberdade está diretamente relacionado à responsabilidade. Liberdade é saber querer aquilo que é bom para mim. Não é fazer qualquer coisa, é fazer o que é humano. Uma pessoa que faz qualquer coisa, escravo dos instintos, escravo dos impulsos, não é dono de si próprio. Uma pessoa cheia de vícios, ela não pode dizer para você, amanhã às dez horas da manhã eu vou encontrar com você. Sabe por quê? Se às nove horas da manhã alguém passa com uma garrafa de bebida,
ela não resiste. E ela não sabe onde ela vai estar. Se às nove horas da manhã alguém passa com alguma oferta que seja muito agradável para ela, ela vai atrás e ela não sabe onde vai estar. Portanto, ela não tem liberdade nenhuma. Ela não é dona do seu futuro. Então, a verdadeira liberdade é aprender a gostar daquilo que nos faz crescer. Ela está estreitamente associada a caráter e a responsabilidade. O homem que não tem caráter e não tem responsabilidade, cai entre nós, não espalhe,
livre. É melhor que ele seja tutelado por alguém mais ajuizado do que ele. Que alguém pegue ele pela mão e leve ele para fazer a coisa certa. Porque quem não tem responsabilidade, não tem caráter, é a liberdade autodestrutiva. E isso se constrói por hábito. O hábito é uma escada. Nos degraus inferiores, ele nos aprisiona. Ou seja, nos degraus inferiores, os hábitos negativos, os vícios, realmente nos escravizam. Nos degraus superiores, ele nos liberta. Disciplina não é opressão. É organização da energia,
em direção ao ideal. Ou seja, a disciplina é nossa aliada e é aliada da liberdade. Quanto mais disciplina eu tenho, mais eu me liberto de hábitos negativos, crio hábitos positivos e posso caminhar na direção que eu escolhi caminhar. Posso construir a vida que eu sonhei para mim. E essa é a maior liberdade que existe. A disciplina te permite ser livre. Se livrar de tudo aquilo que não tem nada a ver com você e construir aquilo que tem a ver com o teu sentido de vida, com os teus sonhos, aquilo que você quer ser. Sem disciplina,
não há liberdade. Você não consegue abrir os seus próprios caminhos se não tem disciplina. Eu posso ir daqui a Goiânia porque alguém teve a disciplina de construir uma estrada. Eu posso voar daqui até o rio porque alguém teve a disciplina de construir um avião. E eu posso ir aonde eu quisesse, eu tenho a disciplina de me livrar das coisas que me impedem de caminhar. Reflexão final. Finalmente, porque ninguém aguentava mais esses hábitos todos. Todos os dias você vota na pessoa que está se tornando uma eleição mesmo.
você vota naqueles hábitos que você quer reforçar. Cada pequena ação é um voto. É como o exemplo do homem e do animal amarrados. Imagina você que você tem o seu exemplo platônico, um homem e um animal amarrados dentro de você. O animal quer ir para as paixões, para os instintos, e o homem quer ir para as virtudes, para os valores. O que vai acontecer? Cada um quer ir para um lado. Um vai arrastar o outro, não é isso? Quem vai arrastar quem?
Quem estiver mais forte. E quem vai estar mais forte? Quem você mais alimenta todos os dias.
Toda ação tua, todo pensamento tem uma colher de comida na boca de um ou de outro. Um vai arrastar o outro. Quem? Quem tiver mais forte. Todas as tuas ações alimentam um ou outro. Então é como se você estivesse votando no ser que você quer ser. Cada vez que você realiza um ato, você está dando energia para um ou para outro. Está escolhendo, embora não perceba, você está nas tuas decisões, escolhendo o ser humano que você quer ser.
Escolhendo quem vai conduzir a sua vida. Os hábitos são os construtores silenciosos do destino.
não está vendo nem que eles existem. Eles já estão levando você numa direção e estão levando com vontade. E você não está nem dentro. E eles estão construindo a sua vida. Então, deixo uma pergunta para reflexão. Se alguém observasse apenas suas repetições diárias, sem ouvir seus sonhos, sem conhecer seus valores, que tipo de ser humano essa pessoa diria que você quer ser? Se ele só visse o que você faz, o que ele diria que você quer ser? Será que ele adivinharia quais são seus sonhos? Quais são suas pretensões?
diferente de você, julgando você só pelos seus hábitos. Se os nossos hábitos, nós não temos consciência deles, e alguém for nos julgar por eles, não vai dizer que nós queremos ser um ser humano melhor, que queremos mudar o mundo, não vai dizer isso. Com hábitos muito mecanicistas, que só nos levam para a inércia, ele não vai dizer isso de nós. Porque, no fim, não somos aquilo que pensamos ocasionalmente. Somos aquilo que praticamos constantemente. E a grande pergunta do manual do usuário,
dos hábitos é você está usando seus hábitos ou está sendo usado por eles? Essa é a grande pergunta que fica aí. Portanto, não subestimem a importância dos hábitos. Estamos cheios deles em todos os campos. E eles é que estão dando a direção da nossa vida. Constate e transforme. Substitua. Crie hábitos conscientes que te levem na direção que você quer. E isso será o resultante da sua vida. Não tenha dúvidas. E é isso que eu tinha para trazer para você.
Desculpem se foi longo demais, mas eu espero que possa ter gerado uma reflexão transformadora, que possa fazer com que vocês constatem, sobretudo, os hábitos psicológicos, que temos um monte, cheios de julgamentos, cheios de opiniões não fundamentais, cheios de críticas, que a gente possa perceber e possa mudar. Muito obrigada!