#713 - O que Ulisses e os Estóicos ensinam sobre autocontrole - Laís Marques da Nova Acrópole Piauí
Fixado por @NovaAcropole
@NovaAcropole
há 3 dias
Curso de Filosofia Presencial — Nova Acrópole: https://acropole.org.br/lp/curso-de-filosofia
AcrópolePlay — mais de 1.200 aulas online exclusivas: https://acropoleplay.com
Qual pequena batalha você vai vencer hoje?
Compartilhe nos comentários
- Desenvolvimento e fortalecimento da vontadeExercício da vontade · Analogia com musculatura · Crescimento progressivo · Prática contínua · Superação de limitações
- Pilares da Saúde EmocionalDefinição de impulso · Características do desejo · Essência da vontade · Motivações humanas · Escolha consciente
- Batalhas pessoais cotidianasVencer a impaciência · Superar o orgulho · Controlar a pressa · Dominar distrações digitais · Cumprir tarefas adiadas
- Vontade e Fatores de EnfraquecimentoVida mecânica e automatismo · Distrações digitais · Falta de objetivo claro · Hábitos não examinados · Perda de atenção
- Prática diária de decisão e fidelidadeMomento de decisão matinal/noturna · Escolha de qualidade diária · Fidelidade à decisão · Exercício contínuo · Alinhamento de ações
- Filosofia e PensamentoModeração dos desejos · Resposta às adversidades · Controle do que é possível · Virtude e harmonia · Frase de Sêneca sobre adversidade
- Clareza de propósito e objetivo de vidaDefinição de quem se quer ser · Princípios e valores · Sentido de vida · Direcionamento claro · Frase de Viktor Frankl
- Mitologia de Ulisses e as SereiasSereias como representação de desejos · Estratégia de resistência · Amarração ao mastro · Fidelidade a princípios · Navegação pela vida
- Transformação PessoalVencer a si mesmo para transformar o mundo · Inspiração dos outros · Construção de um mundo melhor · Força de realização · Unidade coletiva
- Exemplos da natureza como metáfora de vontadePlanta crescendo no asfalto · Borboleta saindo do casulo · Rio alcançando o mar · Flor de lótus superando a lama
- Filosofia de Epicteto sobre natureza humanaVontade como parte da natureza · Escolha como característica humana · Ação bondosa e generosa · Exercício da liberdade
- Atenção e ConcentraçãoEstar presente nas ações · Não viver mecanicamente · Aperfeiçoamento diário · Consciência contínua · Detalhe e qualidade
- Filosofia orientalArjuna como representação humana · Vencer a si mesmo · Guerreiro interior · Vitória interna vs externa
- Vontade vs competição e comparaçãoVencer não significa outros perderem · Inspiração mútua · Chama como metáfora · Fortalecimento coletivo
- Virtude e excelência moralExercício como fortalecimento · Virtudes como forças humanas · Harmonia interna e externa · Melhoria contínua
Hoje vamos falar um pouquinho sobre a força de vontade, essa misteriosa arte de vencer a si mesmo. O primeiro passo que a gente vai ter que dar quando fala de vontade é diferenciar o que é impulso, o que é vontade, o que é desejo. E para que a gente possa fazer essa diferenciação e compreender também na nossa vida, vamos resgatar as ideias de alguns filósofos. Tanto na filosofia oriental quanto ocidental falava-se muito desse tema,
essa capacidade de vencer a si mesmo, de superar as adversidades. E na mitologia isso também é muito falado. Os heróis e a sua capacidade de vencer as provas, para conquistar a imortalidade, os reis, os príncipes. Tem que usar essa força para que eles possam superar as dificuldades. Então essa força de vontade, segundo várias tradições, ela pode ser desenvolvida. A gente pode exercitar, assim como a gente vai para a academia,
exercita e os músculos crescem, também poderíamos fazer exercícios que façam com que a nossa vontade, a nossa força de vontade cresça. E segundo todas essas tradições, o que faz com que o ser humano possa transformar a si mesmo, transformar o ambiente onde ele está e transformar o mundo, ou seja, construir um mundo novo e melhor, vai partir dessa força, que é essa força de transformação, faz com que a gente possa mudar a nossa vida,
mudar o mundo. Para isso, então, a gente vai ter que descobrir ou diferenciar o que é a força de vontade, o que é a vontade, o que seria essa capacidade de vencer a si mesmo, porque quando a gente fala de vencer, a gente tem muito essa ideia de um ganhar, outro perder, ou de competição, então a gente vai também retomar um pouco essa ideia de vencer, o que seria esse vencer. Vamos falar um pouquinho do que enfraquece essa vontade, do que fortalece essa vontade,
como a gente pode utilizar esse poder humano frente às circunstâncias. O que seria vencer a nós mesmos? O que seria vencer um problema ou algo que a gente está passando? E para encerrar, vamos falar um pouquinho de como a gente pode, com chaves práticas, fazer isso no nosso dia a dia, que é o interessante, para que a gente possa também utilizar todos esses ensinamentos na prática. Essa é a chave importante para nós.
de diferenciar primeiro o que é vontade, o que é impulso e o que é desejo. O que, na verdade, faz com que a gente confunda os três é que os três são motivações. Então, os três são um tipo de querer. Então, eles vão fazer com que a gente escolha algo. Só que quando a gente escolhe, quando é uma reação rápida e sem controle, é um impulso. Então, é um querer rápido, sem controle, sem pensar. A gente chama isso de impulso.
escolhe voltado para o que a gente gosta e também assim que a gente sacia aquilo, passa rápido, é um desejo. O desejo é mais rápido, é uma motivação rápida. Então, se eu tenho desejo, por exemplo, de comer algo, eu vou comer aquele chocolate, vamos supor, e passa assim que eu comer. Só que quando eu quero repetir, se eu aprendo a gostar do chocolate, toda vez que eu quero repetir aquela mesma sensação,
para que esse desejo passe de forma rápida. Então, o complicado do desejo é que quanto mais a gente alimenta, mais ele vai querer ser alimentado. Isso também é tratado em algumas tradições, tanto de forma mitológica, quanto dentro dos ensinamentos, por exemplo, estoicos, que falam de uma forma bem prática e objetiva, que a gente deve ter uma moderação relacionada aos desejos. Então, que não devemos alimentá-los em excesso.
da vontade. A vontade é essa escolha que vem do mais profundo de nós. Então, por exemplo, Epíteto falava da vontade como essa parte da natureza humana. Então, dizia que a vontade faz parte da natureza humana. Mas é essa possibilidade de escolher agir como ser humano. Então, quando é um exercício da vontade, ou quando a motivação parte dessa força de vontade, significa que o ser humano está buscando justamente uma escolha humana.
O que seria isso? Uma ação de bondade, de generosidade. E quando a gente olha para a natureza, isso se expressa de várias formas. Então, uma planta que a gente vê crescendo no meio do asfalto, às vezes tem uma brechinha e a gente vê aquela planta crescer, florescer, exige muita força de vontade. Ela tem que romper a casca da semente e ao mesmo tempo crescer em um ambiente que não foi apropriado.
mas ao mesmo tempo ela consegue romper o que é necessário. Quando a gente fala do ser humano, temos seres humanos na história da humanidade que conseguiram exercer essa escolha como seres humanos, esse escolher agir como ser humano. Então, a motivação se torna muito mais profunda e é uma motivação que também vai durar muito mais tempo. Então, dá um sentido também de vida. Os desejos, eles motivam, mas como passa rápido, a gente sempre vai buscar outro desejo,
desejo e outro desejo. O impulso vai ser alimentado também muito rápido e sem pensar, vai ser algo que muitas vezes, quando a gente age por impulso, a gente se arrepende do que fez. Ou age por impulso e quando vê, a gente já fez algo que não gostaria de ter feito. Então, a vontade, ela se diferencia dessas duas outras motivações. Seria uma motivação que dura mais tempo e que pode nos dar um sentido de vida profundo. Então, faz com que a gente venha
a nós mesmos e supere as dificuldades. Assim como a gente viu esse exemplo da flor, da planta, superando o asfalto, tendo que crescer e superando todas as dificuldades. Esse aspecto de vencer não vai ser necessariamente para que eu tenha vontade, outra pessoa tem que perder a vontade. Porque, na verdade, quando a gente pensa nessa força humana, ela, além de fazer com que a gente se torne mais forte,
também inspira outras pessoas a serem mais fortes. Então, na verdade, a gente imaginar mais como uma chama. Então, no fundo, é um fortalecimento de algo profundo do ser humano que pode se expressar. E quando se expressa, ainda inspira outros seres humanos a viverem também aquela mesma força e poderem vencer o que é necessário. Então, quando a gente falar aqui em vencer, vai ser no sentido de superação, no sentido dessa força de vontade.
de romper os limites, de romper o que for necessário para que a gente construa algo novo e melhor para nós mesmos, para a sociedade onde a gente vive e para a humanidade como um todo. O que impede a gente de agir com vontade? Porque normalmente as nossas ações no dia a dia são baseadas em impulso, em desejo e poucas, ou são raras, essas ações que são partindo da vontade.
dessa força de vontade. O que normalmente nos impede, então? O que faz com que a gente aja mais por impulso, mais por desejo? Alguns filósofos falam de basear as nossas ações em confortos ou em medos. E agora a gente vai precisar tratar um pouquinho de como a gente pode perceber o que enfraquece a vontade em nós. Porque assim como a analogia que a gente fez da academia,
fortalecer mais e teremos mais força física. E se a gente não exercita ou se deixa aquele músculo muito parado, ele vai atrofiar. A mesma coisa quando a gente fala da vontade. Aristóteles, que é um filósofo grego, ele falava, por exemplo, dessa possibilidade do exercício como algo que fortalece a virtude. E aí quando fala de virtude, são essas forças humanas, essas forças que vão voltar sempre para a ideia de gerar mais harmonia.
Tanto internamente quanto na nossa vida fora. E a harmonia como um todo, como uma sociedade. Então o que vai enfraquecer a nossa vontade? Ou seja, se a nossa vontade já está fraca, por que ela enfraqueceu? Porque aí a gente vai poder descobrir e resolver o que está enfraquecendo a vontade. Pontos importantes que a gente pode observar no nosso cotidiano são principalmente uma vida mecânica. O que isso quer dizer? Viver no automático.
mesmo caminho, sempre voltando do trabalho para casa e nem sabe por onde passou ou nem viu uma mudança que teve no caminho, porque a gente foi tão automático, já faz aquilo todo dia, ou como a gente escova os dentes todo dia, há muitos anos, né? E corre o risco da gente regar na cadeira do dentista e o dentista olhar para a gente e falar que a escovação está mal feita, porque aquilo está tão automático que a gente perde essa possibilidade de aperfeiçoar. Ou, por exemplo, você já viram alguém que dirige há muitos anos,
mais de 20 anos e a pessoa ainda dirige mal ou faz barbeiragens no trânsito e sendo que ela dirige todo dia. Então percebe como que tem coisas que são hábitos nossos, que a gente faz no automático e que a gente exercita muito pouco à vontade com esses hábitos. Não são ruins. A gente precisa de hábitos saudáveis, né? Se a gente precisasse aprender a andar todo dia seria ruim. Imagina, se a gente precisasse aprender de novo a escovar os dentes todo dia ou aprender a dirigir igual da primeira
vez todo dia, isso também não seria bom. Mas se eu posso todo dia, fazendo aquilo que eu já peguei o jeito, basicamente, aperfeiçoar um pouquinho, ou seja, fazer um pouquinho melhor todo dia, vai fazer com que a gente vença um pouco essa mecanicidade, esse automatismo. E isso é algo que favorece ou fortalece a nossa vontade, quando a gente precisa vencer o automático. Então, viver no automático vai enfraquecer a vontade. E aí está um dos motivos
pelos quais a gente precisa combater um pouco essa vida tão automatizada, no sentido de o ser humano se tornar um robô. A gente fazer tudo como sempre fez, ou não aprender nenhuma forma nova, ou fazer tudo como se a gente já soubesse de tudo. Isso vai fazer com que a gente precise romper um limite, que é achar que já somos donos da verdade, ou achar que a gente já sabe tudo, ou que a gente já faz tudo da melhor maneira. Sempre tem um pouquinho que a gente possa aprender,
sempre tem um pouquinho mais que a gente possa aperfeiçoar. Então, isso em todas as ações. Um outro ponto que esses filósofos falam é das distrações. Então, esse é um ponto, por exemplo, na nossa sociedade, quando a gente fala, é bem crítico. O tanto que a gente checa celular o tempo todo, o tanto que as redes sociais nos tiram do que a gente precisa concentrar. Mas, no fundo, a gente não precisaria tirar nenhuma dessas ferramentas.
O que a gente precisaria? De mais força de vontade para utilizar da forma correta. Ou para saber lidar melhor com essas distrações. Para que a gente não disperse tanto durante um dia, durante um mês ou um ano. Porque isso faz com que a nossa vontade fique mais fraca. E impeça a gente de viver o que a gente sonha. Então essa força vai nos ajudar a viver e realizar os nossos sonhos. Uma força de realização humana. Um outro ponto também faz com que a gente perceba.
essa vontade enfraquecida é a falta de um objetivo claro de vida. Então, quando falta uma clareza, quando a gente não enxerga exatamente o que a gente quer viver, ou pelo menos um princípio que a gente queira viver através da nossa vida, né? Então, ter uma ideia muito clara ajuda a gente a fortalecer a vontade. Por quê? Eu já tenho um ponto claro onde eu quero chegar. E isso faz com que tudo que me tire
eu quero chegar, eu precise reajustar as rotas, mas sempre vai me fazer chegar àquele destino. Então, tudo que me dispersa ou que me afasta de onde eu quero chegar, vai fazer com que eu enfraqueça a vontade. Só que se eu não tenho um objetivo claro, é como pensar, se eu quero sair de um ponto, sair da minha casa e chegar no meu trabalho, ou sair da minha casa e chegar em uma unidade da Nova Acrópole, eu tenho que saber onde essa unidade está e de onde eu estou saindo, para que eu possa fazer o melhor trajeto,
A mesma coisa quando a gente olha para a nossa vida. Então, se eu preciso chegar em um ponto na minha vida, ou seja, se eu quero ser mais humano, se eu quero viver em uma sociedade melhor, se eu quero construir um mundo novo, eu preciso saber exatamente qual a qualidade desse mundo novo. Qual seria, o que seria próprio desse ser humano novo, para que eu possa caminhar em direção a isso. Então, a vontade é uma dessas qualidades.
Um ser humano que supera as dificuldades, que supera as adversidades, que consegue se adaptar.
seria algo próprio de um ser humano que constrói um mundo novo. Então, se eu sei disso, todas as oportunidades que eu tenho na minha vida de conviver com as pessoas, de resolver os problemas, de lidar nos momentos de lazer, de relaxamento, em todo momento, eu poderia caminhar em direção a isso, exercitando um pouquinho mais da vontade. Então, para que a gente possa vencer esses três aspectos, temos exemplos aí também dentro da mitologia.
tem que voltar para casa dele. Ele vai navegando. Então, Ulisses, para quem não conhece ainda, Ulisses foi aquele que saiu da casa dele, que se chamava Ítaca, e vai para a Guerra de Troia, passa alguns anos lá na Guerra de Troia, e quando ele vence a guerra, ele tem que voltar para casa, que é essa ilha lá, Ítaca. Quando ele vai voltar, ele leva mais 10 anos só para retornar para casa. E uma das dificuldades que ele passa no mar,
enfrentar um trecho onde ele e os marinheiros que estão com ele precisam passar por sereias. Só que as sereias, dentro da mitologia, elas estão representando ali as forças do desejo. Essas forças que tiram a gente, que dispersam a gente. Então, tudo que é força que a gente percebe no nosso dia a dia, que nos devoram, ou seja, que fazem com que a gente saia do que a gente precisa concentrar, que nos dispersam, seja o celular, seja a gente...
algo que a gente deseja, no sentido de comer algo, de viver algo que é confortável, faz com que a gente saia daquele objetivo claro que a gente tem de vida, a finalidade que a gente quer chegar. As sereias representam esse aspecto, que nos devoram, ou seja, fazem com que a gente saia daquele caminho para retornar à casa, para retornar ao ponto de partida, para retornar onde a gente quer chegar, o nosso objetivo. Então ele tem um trechinho que ele tem que passar pelas sereias.
Canto de sereias é o que faz com que o ser humano ali, o marinheiro, o comandante, todo tripulante ali do barco, pule, vai pular dentro da água e as sereias possam devorá-la. Então, qual é a estratégia que ele usa dentro do mito? Todos os marinheiros dele ali colocam tapo-ouvidos e ele, que vai ouvir as sereias cantarem, ele fica amarrado ao mastro do barco, que é o ponto de estabilidade do barco.
Simboliza o ser humano quando tem um princípio claro de vida, um valor humano, um valor interno e no qual ele está amarrado. Ele está amarrado significa o quê? Que ele tem um compromisso, ele é fiel àquilo. Então, para que a gente possa exercitar a vontade, a gente precisa ser fiel a essa vontade. Eleger, escolher, desenvolver a vontade e não abrir mão dela.
que é a vida, a gente poderia exercitar isso. Ou seja, não, eu tenho um compromisso com a vontade. Eu tenho um compromisso em vencer isso e estar aqui concentrado no que eu estou fazendo, buscando desenvolver algo que é próprio do ser humano. Um outro exemplo também aí na natureza que a gente pode ver são as borboletas saindo do casulo. Elas têm muito esforço para sair e é o que fortalece as asas para que elas possam voar mais para frente. Então, é um ponto importante.
que toda a natureza vive e exercita um pouco essa força da vontade. O ser humano não seria diferente. Então a gente pode desenvolver essa vontade. Descobrimos agora o que enfraquece a vontade e os exemplos que a gente viu aqui já são de como a gente pode superar essa vontade, como a gente pode expressar essa vontade. Na prática, é escolher algo muito simples que a gente tem que fazer todo dia e fazer mesmo sem essa motivação do desejo, sem ser por um impulso,
algo que seja um dever nosso, mas de uma forma que seja verdadeira, terminar uma tarefa que está pendente, por exemplo, algo que a gente deixou para depois, e pensar, não vou mais deixar para depois, eu vou cumprir isso em nome da vontade, porque é uma forma de fortalecer esse músculo da vontade internamente. Então, já que falamos que enfraquece a vontade, o que enfraquece esse poder humano, agora precisamos saber o que fortalece esse poder humano,
desenvolver a vontade do ponto de vista filosófico. Como é que a gente pode utilizar a filosofia para crescer em vontade, para exercitar ainda mais? Lembrando daquela analogia da academia, como é que eu posso olhar para a vida e pensar assim, tudo que eu estou passando, tudo que eu estou enfrentando, tudo que eu estou podendo viver, todas as circunstâncias que eu vivo, são a minha academia interior, são esses momentos onde eu posso
desenvolver esse músculo da vontade. Então, seja o tamanho que for, circunstância, vai ser sempre algo adequado para que a gente cresça em vontade. Então, vamos utilizar aqui três passos da filosofia. Primeiro, lembra que a gente falou que o que enfraquece é essa falta de clareza, de objetividade na vida. Então, primeiro ponto, a gente vai ter que desenvolver bem, de forma clara, quem a gente quer ser.
Quem eu quero ser para mim mesmo, quem eu quero ser para as pessoas que convivem comigo, quem eu quero ser para o mundo, para a humanidade onde eu vivo. E conseguir eleger um princípio, um valor humano, um valor interno, que a gente valorize, e isso vai me possibilitar saber, não, eu quero ser dessa maneira. Escolher de forma consciente o que eu quero, ou seja, buscar eleger. Lembra que a vontade é essa escolha, e é uma escolha do ponto de vista humano,
parte da natureza humana. Depois, lembra que outra coisa que enfraquece são as ações automáticas. Então, a gente vai buscar ter um pouquinho mais de atenção. A atenção vai ser uma ferramenta muito necessária para que a gente desenvolva a vontade. Ou seja, fazer o certo, muito atento no nosso dia a dia, para fazer sempre o melhor. Só que não vai ser fácil, porque é um exercício. Então, lembra que como na academia,
depois de 4, depois de 6, e assim vai. Ninguém entra na academia hoje sem ter exercitado nada e já pega 100 quilos. Então, vai ser natural que a gente possa exercitar isso aos poucos, que a gente possa, na verdade, buscar essas ações cada vez mais atentas no nosso dia a dia. Então, temos um exemplo histórico também, tanto o Vitor Franklin, que fala desse sentido de vida,
frase dele que é muito bonita, que ele fala assim, quem tem um porquê enfrenta qualquer como. Então, seria próprio do ser humano, ou seja, o como a gente descobrir dentro da nossa vida, mas se a gente tem um porquê, se a gente tem um sentido muito claro de vida, isso ajuda a gente a enfrentar todos os comos da vida. Então, como eu vou lidar com essa pessoa? Como eu vou lidar com essa circunstância? Como eu vou lidar com esse problema? Como eu vou lidar comigo mesmo? E tendo um porquê, isso fica
muito mais leve, muito mais claro. Então é criar, na verdade, um momento de decisão diário. Então imagina que no seu dia você vai lembrar algum momento do seu dia você vai dedicar, seja pela manhã, seja à tarde ou à noite antes de dormir, para tomar essa decisão. Todo dia decidir quem você quer ser e ser fiel a essa decisão durante aquele dia. Então hoje, se eu elegi ser generoso, eu vou honrar a generosidade.
E isso vai ser o meu exercício da vontade. Então toda a ação minha, seja ser generosa com uma planta, vai ser botar um pouquinho de água na planta. Ser generosa com o ser humano, vai ser cumprimentar aquele ser humano sem querer nada em troca dele. Ser generoso comigo mesmo, vai ser fazer uma boa refeição para que o meu corpo esteja nutrido e não só pelo sabor, mas também para que eu tenha vitaminas, esteja bem, tenha harmonia no meu corpo, tenha saúde.
Uma decisão, mas todo dia ser fiel a essa decisão e eleger quem a gente quer ser. Como eu escolheria fazer isso? Ou seja, o que seria essa versão mais nobre de mim? Nobre no sentido de mais vontade, mais generosidade, mais bondade. Então, essas tradições todas falam muito desse aspecto, de como a gente pode viver na vida e enxergar a vida como esse momento de exercício.
de quem eu quero ser e poder escolher, eleger de forma consciente, livre, escolher quem eu quero ser. E todo dia ser fiel a essa decisão. Um ponto importante quando a gente fala da vontade, é essa vontade diante das dificuldades, diante das adversidades. Poder crescer até nesses momentos, exercitar até nesses momentos. Tem um filósofo estoico, que é Sêneca, ele fala muito dessa relação do ser humano com a vida,
com o tempo, e tem uma frase dele que sempre me lembra muito esse ponto da vontade, ele fala assim o fogo prova o ouro e a adversidade prova o homem então é como se a gente pudesse olhar para a vida diante das adversidades e pensar, essa adversidade é uma oportunidade que eu tenho de exercitar a vontade de crescer em generosidade de crescer em bondade, e essa é uma visão estoica, como a gente recorre
esses filósofos para que, assim como eles viveram, a gente também possa viver dessa mesma forma, mudar um pouco a forma como a gente enxerga a vida. Então, assim como na natureza, imaginem um rio. Um rio, ele contorna várias adversidades, muitas pedras, se cai um tronco, ele contorna todas as adversidades, mas ele sempre vai chegar ao mar. Ele tem um objetivo muito claro. Desde a nascente, desde o momento que aquele rio nasce, vai encontrando outros rios,
ficando maior e as adversidades vão aumentando, mas ao mesmo tempo ele consegue manter esse objetivo claro. Então pensar na verdade que toda dificuldade é um treino. Então diante de um problema que a vida me apresenta, pensar essa é a minha academia interior. O que eu posso aprender com isso? Como que eu faço esse músculo da vontade, essa força interna crescer a partir dessa circunstância em que eu me encontrei, em que a vida me trouxe?
Então, já que descobrimos o que enfraquece, o que fortalece, como que seria essa arte, então, de vencer a nós mesmos? Tem um época indiano, que se chama Bhagavad Gita, que é a história de um herói, que se chama Arjuna. Ele representa o ser humano. E tem um trecho que o conselheiro dele, que é Krishna, fala para ele que melhor é o guerreiro que vence a si mesmo do que o que vence mil no campo de batalha.
vai ser sempre interno. Então, o ponto de partida para nós, de exercício da vontade é compreender que a maior vitória não é contra os outros. A maior vitória é dentro de nós mesmos. Então, como que a gente pode, através dessas chaves que a filosofia oriental e ocidental deixaram, desenvolver esse aspecto e vencer a nós mesmos? Que é lutar contra o quê dentro de nós? Vai ser lutar contra os elementos que a gente viu que enfraquecem a vontade,
Contra a dispersão, contra o automatismo, contra a ignorância, os medos, o comodismo. Tudo que faz com que a gente fique estático, com que a gente não enfrente as necessidades da vida, não dê respostas para a vida. É contra isso que a gente vai lutar. Só que imagine esses aspectos todos que estão dentro da gente. Então vencer, quando a gente fala de um ser humano, por exemplo, que venceu uma guerra ou que venceu algo na sociedade que era necessário,
vencer naquele momento. Ele teve que vencer isso primeiro dentro dele mesmo. Então, um exemplo também na natureza, é uma imagem que várias tradições orientais também utilizam, é a flor de lótus. O lótus, ele nasce na lama e ele cresce em direção ao sol, mas sem abrir suas pétalas. Ele vai rompendo, vencendo toda a gravidade, a água, o lodo, toda a sujeira, as impurezas que tem naquela água.
ele chega à superfície, que toca ali o sol, ou seja, que ele tem contato com a luz do sol, com o calor, é que ele abre as suas pétalas. Então, essa capacidade de vencer tudo que é necessário de impureza, ou seja, vencer tudo que a gente falou no caso do ser humano, essas seriam as nossas impurezas. A ignorância, os medos, a falta de capacidade de lidar com os demais, a falta de paciência, esses automatismos, a forma mecânica de agir,
respostas impulsivas a tudo, romper todas essas, né, esse lodo, todos esses aspectos, essas impurezas dentro de nós, e florescer como lótus, seria expressar toda a nossa beleza, a nossa força de vontade, e esse grau de pureza, ou seja, sem ficar, né, chateado com nós mesmos, sem, ou seja, buscar, na verdade, esse exercício, lembrar que toda circunstância é um exercício, então vencer a si mesmo,
de forma bem prática e objetiva, para nós vai ser escolher uma pequena batalha interior, todo dia, e vencer essa batalha. Seja a pressa, seja a impaciência, seja o orgulho, seja o que a gente perceber de impurezas internas, e o que a gente perceber que está nos atrapalhando no nosso dia a dia, de realizar os nossos sonhos, de conquistar o que a gente quer, para ser aquele ser humano que a gente decidiu lá no início, quando a gente comentou aqui,
Então, se eu escolhi ser generoso, a impaciência não me ajuda a desenvolver a generosidade. Então, eu vou precisar lutar contra a impaciência todo dia. E essa pequena batalha vai ser, seja na forma de lidar com as pessoas no meu trabalho, seja na forma de cumprimentar os demais, seja na forma de lidar com a minha família, seja na forma de lidar com os meus amigos, ou seja, eu vou buscar essa pequena batalha interior todo dia e fazer sempre esse olhar.
para dentro de mim e pensar, hoje eu venci essa batalha contra a impaciência, hoje eu venci essa batalha contra o orgulho, hoje eu venci essa batalha contra a pressa. Muitas vezes, quando a gente tem pressa em fazer algo, aquilo sai de qualquer jeito, porque a gente não consegue enxergar os detalhes, a gente não consegue fazer esse exercício de estar concentrado. Então, imaginem um dia nós, como a gente levanta, vai se arruma, vai tomar um café,
trabalhar, vai almoçar depois, convive com as pessoas no trabalho, vai buscar os filhos na escola, ou seja, tudo que a gente faz do nosso dia a dia. Frente todas essas circunstâncias, tem pequenas batalhas interiores que a gente pode vencer a todo momento. E se a gente se coloca nessa posição de vencer a nós mesmos, ou seja, como esses guerreiros querendo vencer nessa arte de viver, que a própria filosofia é uma arte de viver, ela nos ensina a viver melhor. Nós já vivemos bem, mas se a gente pode melhorar
é sempre bom. Então, se a gente se põe nessa posição desse guerreiro que vence a si mesmo, ele está vencendo num campo de batalha que é muito mais difícil e profundo. Então, se a gente consegue fazer isso e nascer como o Lotus nasce no Lodo e ainda puro e belo, a gente também está conseguindo exercer essa vontade. Seja na hora que o despertador toca, não botando soneca, a gente já está vencendo uma pequena batalha interior. Seja na hora
de dirigir e alguém te fecha no trânsito você ter um pouco mais de paciência e dar uma resposta humana, já é vencer um pouco essa batalha interior, seja não ficar checando o celular o tempo todo mas conseguir dominar um pouco estabelecer horários para ver aquilo que a gente precisa isso já é vencer essa batalha interior seja vencendo algo ao invés de deixar a louça que eu tenho que lavar hoje para lavar amanhã, eu já cumpro isso hoje, eu já estou vencendo essa batalha, então é esse vencer a si mesmo, que a gente quer
Essa arte de vencer a si mesmo começa dentro dos nossos pensamentos, nossos sentimentos. Isso vai se refletir na forma como a gente age. Então, quando a gente decide viver esse objetivo de forma firme e por escolha nossa, livre, exercitar isso. Nada pode nos parar. Como nos mitos a gente vê os heróis, quanto mais difícil a prova, mais força ele tem, mais armas mágicas ele tem para lidar com aquilo.
colocar nessa posição interna de sempre vencer essas batalhas contra si mesmo, seja de sempre dar o seu melhor, ele também vai começar a ter o quê? Pequenas vitórias. E celebrar essas pequenas vitórias é muito importante. Então, para fechar, quero lembrá-los de um filósofo também chinês que fala que é Confúcio. Ele falava bastante sobre a forma como a gente lida com o mundo e como lidamos com os demais em sociedade. E tem uma frase dele que fala assim,
mil milhas começa com um passo. Então, se eu elegi uma pequena batalha hoje, vencer essa batalha é o primeiro passo que eu estou dando em direção a esse ser humano que eu escolhi ser. Então, isso é muito importante. Espero que todos possam viver um pouquinho isso. Eleger uma pequena vitória. Então, como síntese, como expressão e possibilidade de viver isso que a gente está vendo aqui nesse vídeo, peço que cada um escolha uma pequena vitória
para ter hoje e que possam comentar e que a gente possa também trocar mais experiências nesse sentido então se esse vídeo te inspirou também a escolher uma pequena batalha e a vencer uma pequena batalha compartilhar isso com os demais e também nas nossas conversas no cotidiano buscar perceber quais são as batalhas que a gente já venceu compartilhar isso com os demais quais são as batalhas que outras pessoas estão vencendo dentro de si mesmas e compartilhar isso com outros seres humanos
lembra dessa força que nós temos dentro. E muitas vezes as provas que passamos não são diferentes das que outros seres humanos passam. Encontrar uma chave, uma resposta para aquela dificuldade, para aquele problema, faz com que a gente ajude os demais e compartilhar isso fortalece cada vez mais os vínculos que temos com outros seres humanos, com a forma como a gente vê a vida, com a forma como a gente vê a natureza.
reúne conteúdos exclusivos de filosofia, simbolismo, cultura e arte. Diferente do nosso canal do YouTube, o conteúdo da Acrópole Play está disponível apenas para assinantes. São mais de 200 vídeos inéditos com a professora Lúcia Helena Galvão, que você só encontra aqui. E não é só isso. Você tem acesso a conteúdos de dezenas de professores da nova Acrópole, de várias partes do mundo.
vídeos, somando mais de 10 mil minutos de conteúdo profundo e acessível. Mais de um milhão de visualizações já foram registradas na plataforma. Agora, a Acrópole Play entra em uma nova fase. Estamos lançando uma plataforma totalmente renovada, com novas funcionalidades, recursos interativos e mais possibilidades de desenvolvimento interior.
Acesse agora e descubra o universo de ideias que transformam. Acrópole Play. Filosofia, simbolismo, cultura e arte em movimento.