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#717 - O que o Egito Antigo sabia sobre seus problemas que você ainda não sabe

29 de março de 202636min
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O que o Egito Antigo sabia sobre seus problemas que você ainda não sabe?
Há mais de 3.000 anos, os egípcios desenvolveram o Sebaíte, um gênero literário de "instruções" criado não para entreter, mas para forjar a sabedoria humana.

Neste encontro, o Professor Paulo Tarcísio (Nova Acrópole João Pessoa) analisa 6 provérbios fundamentais de três papiros históricos, revelando como essa ética milenar é a chave para os dilemas da vida moderna.

💡 O que você vai aprender:

  • A Construção do Ser: Por que os egípcios acreditavam que o ser humano não nasce pronto.

  • Natural vs. Espontâneo: Como essa distinção explica nossas escolhas ruins.

  • Conceito de Maat: A lei cósmica da ordem e sua influência na vida cotidiana.

  • O Ego e a Vaidade: Como o orgulho se torna um teto para o seu crescimento.

  • Relacionamentos: Critérios para escolher amigos sob a ótica da sabedoria.

  • A Ilusão do Controle: Por que a sensação de invulnerabilidade é nossa maior fraqueza.


📜 Papiros Analisados:

1. O Camponês Eloquente (Justiça e Ética)
2. O Papiro de Ptahotep (A Sabedoria do Vizir)
3. O Papiro de Ankhsheshonq (Prudência e Autoconhecimento)

 Capítulos:

  • 00:00 — O que é o gênero Sebaíte?

  • 03:00 — Por que o ser humano não nasce pronto

  • 06:00 — Maat: A lei da ordem e o natural vs. espontâneo

  • 12:00 — O Camponês Eloquente: Liderança e ética

  • 16:00 — Ptahotep: A armadilha da vaidade

  • 22:00 — O ânimo de aperfeiçoamento: A arete egípcia

  • 28:00 — Ankhsheshonq: Invulnerabilidade e autoconhecimento

  • 33:00 — Escolha seus amigos: O amigo de um sábio é outro sábio

Participantes neste episódio1
P

Paulo Tarcísio

HostProfessor
Assuntos6
  • Conceito de MaatOrdem cósmica · Justiça e ética
  • Desenvolvimento Humano e EducacaoImportância da educação · Desenvolvimento espiritual
  • Controle e Manipulação
  • Amizade e Dinâmica do Grupo
  • Literatura
  • Gestão do Ego
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Existia dentro da cultura egípcia um gênero literário que tinha como finalidade não entreter as pessoas, mas ajudá-las a se tornarem mais sábias. Meu nome é Paulo Tarsísio, sou professor de Nova Acrópole João Pessoa, e hoje conversaremos um pouco sobre esse gênero conhecido como sebait, um gênero proverbial ou sapiencial.

que tinha como meta não contar uma história, mas transmitir para os seus estudantes chaves, mentalidades, formas de encarar a vida, formas de agir, de se comportar, tanto externamente quanto internamente, que ajudariam as pessoas a terem mais sabedoria e a saberem lidar com os problemas da vida.

Você já deve ter entrado em contato com o livro dos provérbios do Antigo Testamento. E a maior parte dos papiros do gênero sebait tem aquele mesmo formato. Frases, não são textos para você ler de forma corrida, mas são frases para você ler.

com a chave simbólica e interpretar, entender o significado profundo. Se você ler de forma corrida, você não vai conseguir absorver quase nada que aqueles ensinamentos trazem de verdade, porque a essência dele é um pouco mais profunda. A maior parte dos historiadores acredita que alguns capítulos do livro de Provérbios, mais especificamente os capítulos 22 e 23 do livro de Provérbios, se baseou...

foi inspirado em um dos papiros do gênero sebait, que é o papiro de Amenemope. Partes desse papiro são muito parecidas com os versos, com os versículos que a gente encontra nos capítulos 22 e 23 de Provérbios. E como esse papiro é mais antigo do que o livro dos Provérbios, acredita-se que o autor de Provérbios se inspirou em algumas partes desse papiro.

para escrever os capítulos 22 e 23 desse texto. E por que eles escreviam esse tipo de texto? Por que eles escreviam uma forma de ensinamento para ajudar as pessoas a se tornarem mais sábias? Primeiro, porque eles acreditavam que o ser humano não nascia pronto.

Por mais potencial que você tenha, por mais madura que seja a sua alma, que você tenha vindo à vida, é necessária a educação, é necessária a formação para que todo o seu potencial se desenvolva e o melhor que você tem venha à tona. Isso é inclusive uma parte da introdução de um dos papiros mais famosos, que é o papiro de Pitarhotep.

em que Pithahotep vai pedir autorização ao faraó para poder ensinar ao seu sucessor, e o faraó diz que ele tem que ensiná-lo, porque os homens não nascem prontos. Então o ser humano tem que ser educado para que todo o seu potencial, para que a melhor forma dele, para que o melhor dele se desenvolva e se expresse.

Segundo, os egípcios acreditavam que uma sociedade nunca poderia ser muito maior do que os membros daquela sociedade. Então, se os membros da minha sociedade estão nesse nível, não tem como a minha sociedade ser desse aqui. Se eu quero uma sociedade desse nível aqui, os homens têm que ser um pouco mais elevados. Então, não tem como existir...

uma distância muito grande entre o nível da sociedade e o nível dos homens que compõem aquela sociedade. Então, se eu quero que a sociedade seja grande, os séculos e milênios, como durou a sociedade egípcia, e a gente conheceu ela nos últimos momentos, alguns dizem que nos momentos mais baixos da civilização egípcia,

eu preciso educar os seres humanos para que eles sejam grandes, para que eles se tornem maiores e então a sociedade se torne maior. Então, é necessário que o ser humano seja educado para que o melhor deles se expresse, é necessária a educação de seres humanos para que a nossa sociedade chegue ao máximo que ela pode ser.

Além disso, um dos objetivos desse gênero é a realização espiritual. Então, a realização espiritual não é algo muito comum na nossa sociedade atual. A gente acredita que a realização vem através dos prazeres, que é o chamado de realização hedonista.

ou através dos bens materiais. A maior parte de nós acredita muito nisso. Algumas pessoas acreditam que através do trabalho você se realiza, outras que através da sua família, de construir a sua família, você se realiza. Os egípcios acreditavam em tudo isso, mas acreditavam em algo que estava acima disso e que deveria ser a estrela para todos esses outros aspectos, que é a realização espiritual.

que através do desenvolvimento espiritual, do desenvolvimento das virtudes, do desenvolvimento interno, o ser humano se realiza. Então vários versículos dos papiros se dedicam à realização e à evolução interior.

O interessante é que eles não excluem as outras realizações que eu falei. Então eles dão muitos conselhos de como você deve construir seu matrimônio, como você deve educar seus filhos, como você deve se comportar no trabalho, como você deve lidar com os amigos e escolher seus amigos. Então o fato de você buscar uma realização espiritual acima de tudo não exclui que você busque esses outros aspectos da vida.

O que o Sebait nos ensina é como ter uma vida mais equilibrada, mais sábia, sabendo como se portar e se posicionar diante dos problemas comuns da vida, que são os mesmos hoje do que eram na época dos egípcios que escreveram esses papiros interessantíssimos. Por isso que vale a pena a gente ler.

Então a realização espiritual tem que estar no centro, mas isso não exclui todas as outras formas de realização que o ser humano, a maior parte de nós, necessita buscar. Ainda sente necessidade dessas formas de realização. E quem escreviam esses papiros? Quem escreviam esses textos? Alguns foram escritos por faraós, alguns foram escritos por vizires, como é o caso de Pitarhotep, que é o mais famoso deles.

Alguns foram escritos por escribas, que eram funcionários públicos, mas todos eles tinham essa profunda sabedoria e tinham como público-alvo os filhos espirituais daquelas pessoas. Por quê? Porque eles viam que não poderiam mais educar seus filhos, estavam perto da morte.

E queriam deixar para os seus filhos aquelas chaves, aquelas sementes de ensinamento, em que cada um vai ter que desenvolver dentro de si. Não tem como alguém adquirir sabedoria e me passar. O que a pessoa pode me passar são chaves, são princípios que eu vou ter que plantar e regar, e a partir dali eu vou tirar meus próprios frutos. Mas sem a pessoa me passar a semente, aquilo fica muito mais difícil e muito mais complicado.

Se eu tivesse há 20 anos atrás a cabeça que eu tinha hoje, eu não teria escolhido tal e tal e tal coisa. Se eu pudesse voltar no tempo com a cabeça que eu tinha hoje, eu faria tudo diferente. E a vida tem essa pequena injustiça.

Que quando nós somos jovens, cheios de energia, a gente tem muita energia, mas normalmente tem pouquíssima sabedoria e pouquíssima consciência. À medida que a gente vai vivendo, passando a vida, se viveu de maneira qualificada, você vai crescendo em consciência e crescendo em sabedoria. Mas quando você chega num certo patamar de sabedoria, parece que você já está... Então gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra gra

um pouco sem energia. Então a vida tem uma injustiça, que quando você está aprendendo a viver, parece que você está começando a se afastar dela. O que seria o perfeito, se a gente desde jovem pudesse ter acesso a essa sabedoria e esse conhecimento. Então tem certos erros.

que a gente não precisa passar para saber que aquilo é errado e saber que aquilo é ruim. Talvez a gente já pudesse aprender certas coisas e não tomar tantas decisões erradas quando a gente é jovem. Porque se a gente parar para refletir...

Às vezes a gente passa o resto da vida vivendo as consequências das decisões erradas que a gente tomou na juventude. Então qualquer idade é idade para a pessoa começar a estudar filosofia. Mas a idade correta para fazer isso não deveria ser na velhice, deveria ser na juventude. Porque é na juventude que você toma...

as decisões que às vezes vão ser a base para o resto da sua vida. E se você pode ser iluminado pelos ensinamentos dos grandes sábios e dos grandes mestres, bem, talvez isso te poupe de algumas decisões erradas. Talvez a gente se poupe um pouco dessas lamentações de chegar no final da vida e, ah, se eu soubesse, se eu tivesse a consciência que eu tenho hoje, não. Então a ideia do Sebait era fazer com que os jovens, desde cedo, tivessem contato com aquela sabedoria, com aquelas chaves de como viver a vida.

e dessa forma eles poderiam tomar decisões mais acertadas. Eu trouxe para vocês hoje seis sentenças, seis versículos de três papiros diferentes para que a gente tenha um primeiro contato com esses papiros. Se vocês gostarem, a gente pode trazer outros vídeos enfatizando mais como lidar com a mente, como lidar com as emoções, como educar os filhos, como construir a família, como lidar com o trabalho, como lidar com o dinheiro.

Assunto não falta dentro desse gênero literário porque eles ensinavam a como lidar de forma sábia com todos os problemas comuns da vida, que são os mesmos que a gente tem hoje em dia. Só muda que a gente briga por WhatsApp. Antigamente a gente brigava de outra forma diferente. Então vou trazer algumas sentenças, algumas frases para que a gente possa entrar em contato com isso.

A primeira delas é de um papiro conhecido como o camponês eloquente. A personagem principal do papiro era um camponês que foi até a cidade vender os produtos que ele havia plantado e que ele foi enganado por um oficial do estado. Um funcionário público roubou ele.

E ele decidiu não deixar barato, ele decidiu ir atrás dos superiores daquelas pessoas para que ele pudesse reaver e que aquela injustiça fosse corrigida. Ele era tão eloquente que quando ele chegou no primeiro oficial superior, esse superior ficou tão inspirado, tão emocionado pelos ensinamentos desse camponês que ele foi levando o camponês para conhecer as pessoas que estavam acima, até que chegou no faraó.

Então, fala, faraó, tem esse camponês aqui que ele é extremamente sábio e você vai querer conhecê-lo. E aí o faraó conhece o camponês, fica tão encantado com ele que ele fica adiando o julgamento, a sentença final da petição do camponês, só para não perder o contato com ele e poder continuar ouvindo aquela pessoa. Então, esse texto do camponês Eloquente é um dos poucos do Sebait que é uma narrativa. E ele era muito popular.

no Egito Antigo. A felicidade equilibrada de um país nasce do cumprimento de Maat. Maat era a deusa da justiça. Maat era, na verdade, a grande lei da justiça que regia o universo. Então, dentro da tradição egípcia, existe uma ideia de que o universo não é caótico. O universo é cósmico.

O universo é todo regido por leis e regido por princípios, que é mais ou menos como o trânsito. Se você não conhece as leis de trânsito de um determinado país, você vai cometer infrações, mesmo sem saber que está cometendo aquelas infrações. Então, a cada infração que você comete, você recebe uma multa. Uma infração, uma multa. Uma infração, uma multa. E não adianta falar, não, eu não conhecia a lei. Não, é sua obrigação conhecer as leis de trânsito se você está dirigindo.

A mesma coisa acontece com a vida. A vida tem suas leis, suas regras. Se você desconhece as leis e as regras da vida, você vai ser multado o tempo todo.

E não adianta dizer que não conhecia, porque o Sebaite está aí. Os grandes livros de sabedoria estão aí para que a gente aprenda as leis da vida. E quanto mais jovem a gente aprender essas coisas, mais estável e mais tranquila tende a ser a nossa vida dali para frente. Então, existiam duas grandes forças. A deusa Maat e a deusa Isefete. A deusa Maat é a deusa do cosmos, da ordem. E a Isefete é a deusa do caos, da desordem.

O que é interessante notar, o caos é espontâneo. Para você sujar a sua casa, a única coisa que você precisa fazer é nada. Se você ficar parado, a sua casa já vai sujando espontaneamente. Se você tem um jardim, para que o jardim se estrague, basta você não fazer nada.

Se você não faz nada, as ervas janinhas vão crescendo espontaneamente. Então, dentro do nosso curso de filosofia, uma confusão que a gente costuma ter e que eu gosto de trabalhar com os alunos é diferenciar, é separar aquilo que é natural daquilo que é espontâneo. A gente costuma confundir natural com espontâneo, mas é o contrário disso. Pensa bem.

O que é espontâneo? Você comer certo ou você comer errado? Comer errado é muito mais espontâneo do que você comer certo. Mas o que é natural? Comer certo. Por quê? Porque quem come da forma correta vive melhor, vive mais e com bem menos doenças. Tende a ter menos doenças, tende a viver melhor, tende a viver mais do que aquelas pessoas que comem errado. Então comer correto é natural, mas é anti-espontâneo.

Você ter um emocional equilibrado, um emocional ou mental ordenado. É natural. Por quê? Porque a sua vida se torna muito melhor. Quando você trabalha a sua mente e trabalha as suas emoções, assim como você trabalha o seu corpo, você tem que trabalhar a sua mente e suas emoções.

mas é o contrário de espontâneo, é forçado. A maior parte dos exercícios que a gente tem para trabalhar a mente e as emoções, a gente tende a fugir. Igual como a gente costuma fugir dos exercícios físicos, a gente costuma fugir dos exercícios mentais e emocionais. Porque, no fundo, a gente não tem tanto compromisso conosco mesmo e não tem tanto amor próprio. Então, ter uma mente e um emocional ordenados é natural.

mas não é espontâneo, um relacionamento qualificado, seja ele um relacionamento conjugal, um relacionamento fraternal, um relacionamento de amizade, para ele ser grande, para ele ser cada vez melhor.

Você tem que investir energia, você tem que se esforçar. Eu tenho que estar disposto a mudar dentro, travar várias batalhas dentro, para que as relações fora sejam melhores. Então é natural, porque a vida se torna muito melhor com boas relações. Mas não é espontâneo, é anti-espontâneo.

Então vejam que a ordem é natural, mas ela não é espontânea. A ordem precisa ser preservada. Por isso que Maat era uma deusa tão importante dentro da cultura egípcia, uma deusa central na cultura egípcia. Porque o sábio é aquele que conhece as leis da vida e se esforça para estar em harmonia com elas.

O sábio é aquele que conhece Maat e se esforça para que a ordem prevaleça. A ordem não nasce de forma espontânea, ela é forçada. Então em vários, em todos os papiros, posso dizer, no Sebaite você vai encontrar uma orde a Maat, essa deusa da ordem, e que a ordem tem que ser construída, conquistada e mantida. Ela não acontece de forma espontânea.

O segundo versículo desse mesmo papiro, do camponês eloquente.

Os homens responsáveis devem combater o mal e afirmar o bem. Devem ser artesãos que fazem chegar à existência, aqui, aquilo que deve ser. Então, os verdadeiros homens responsáveis, os líderes responsáveis, devem fazer com que o céu se plasme na terra, para que as grandes ideias de nação, de país, de família, aconteçam na realidade. É um plasmador.

Existe uma divindade dentro da cultura egípcia, que era a Pitá, que era o responsável por pegar as ideias e trazer as ideias do mundo das ideias para o mundo concreto. Ele tem até um cajado assim, que é justamente esse canal, que traz as ideias do mundo das ideias para o mundo concreto. Então os líderes são aqueles responsáveis por fazer com que as boas ideias venham para a realidade. Além de ensinar como lidar com a vida pessoal.

e os aspectos da vida pessoal, quase todos os textos de Sebait falam sobre como ser líder. Essa ideia do líder como servidor ficou mais popular para a gente a partir principalmente daquele livro, O Monjo Executivo. Não que ele criou a ideia da liderança servidora, mas talvez tenha sido o primeiro best-seller desse tema, desse assunto, de que o verdadeiro líder, ele dá mais do que pede.

Ele serve para poder ser servido. Ele tem iniciativa de servir. Primeiro ele faz, para poder pedir que as pessoas façam. Se eu quero que as pessoas cheguem às sete, eu tenho que chegar de seis e quarenta e cinco, se eu sou o líder ali daquele lugar. Se eu chego de oito e meio, eu não posso exigir das pessoas aquilo. Então primeiro eu faço. Depois eu peço às pessoas para que elas façam aquilo. Então essa ideia da liderança servidora é muito forte.

dentro dos textos desse gênero, do Sebait. E o que ele diz aqui, lembra que esse papiro é o camponês ensinando ao faraó, ensinando a outros grandes personagens da administração egípcia

como ter ética. E o que ele está dizendo é, o verdadeiro líder tem que plasmar na Terra o céu, tem que plasmar as ideias das estrelas aqui na Terra. Essa bondade indolente, essa coisa dessa boa intenção, mas que não é plasmada, não é transformada em ação, tem um valor muito limitado. A gente tem que fazer com que a nossa bondade se transforme em frutos. A bondade indolente, teórica, tem um valor muito pequeno.

A gente tem que trazer isso para a realidade, tem que trazer isso para o agora. Os próximos dois versículos são do papiro de Pitahotep. O contexto do papiro, o enredo do papiro é que Pitahotep era o vizir do faraó. Vejam a relação entre o vizir e o faraó, mais ou menos, estou explicando de uma forma grosseira, como se fosse o rei da Inglaterra e o primeiro-ministro.

Então, o faraó tinha um papel muito mais dignificante, mais de inspiração, mais de espiritualidade. A parte de contabilidade, de fazenda, de inflação, de administração, do concreto, ficava mais com o vizir. Então, o vizir, em boa parte, era quem administrava o Egito. E Pitahotep foi um grande vizir.

E quando ele estava numa idade bastante avançada, ele pede ao farol a autorização para que um dos seus filhos espirituais se torne o seu braço direito. Para quê? Para que quando ele morra, o filho possa continuar o trabalho dele.

E é aí que o faraó fala, tá bom, eu autorizo, mas lembre-se que os homens não nascem prontos, então você tem que educá-lo. E aí todo papiro de Pitarhotep é ele dando os provérbios que aquele discípulo dele tem que seguir para que ele se torne um grande vizir. E é de uma riqueza impressionante, fenomenal. E um dos pontos que Pitarhotep mais enfatiza é a ideia da humildade.

A gente vai ver agora nesses dois versículos. Não se orgulhe do seu conhecimento. Converse tanto com o ignorante quanto com o sábio. Os limites da arte são intransponíveis e não há artista cujo talento esteja plenamente realizado. Então, por mais que a gente saiba, a gente não pode se orgulhar, se envaidecer muito daquilo que a gente sabe.

Por um motivo muito simples, a vaidade costuma nos travar. Quando a gente começa a acreditar que a gente é muito bom, quando a gente começa a acreditar que já chegou num patamar muito elevado, em geral você para de crescer e você para de caminhar.

Essa é a ideia, esse é o simbolismo do mito de Narciso. Narciso olhou a sua imagem no espelho da água, não foi no espelho, foi na água, e se apaixonou tanto por ele mesmo que se petrificou, que virou uma pedra, uma planta em algumas versões.

Quando eu me torno muito apaixonado e muito vaidoso das minhas próprias qualidades, eu sou tão bom que eu nem preciso me esforçar mais. Em geral, quando a pessoa chega nesse patamar, ela para de se esforçar para crescer, para de se esforçar para melhorar. Por quê? Porque ela já é uma pessoa excepcional. Então, a vaidade, em geral, costuma nos atravancar.

fazer com que a gente pare de crescer, com que a gente pare de evoluir. A gente tem que ter sempre em mente que por mais que você saiba, aquilo que você não sabe é muito maior do que aquilo que você já adquiriu e já aprendeu. Então eu tenho um copo d'água, mas tenho todo um oceano de conhecimento que eu ainda não tenho. E quando a gente, o vaidoso em geral, ele faz uma comparação seletiva.

É muito comum na vaidade se comparar. Aí eu comparo o melhor que eu tenho com o pior que a pessoa tem. Então as qualidades que eu tenho com as qualidades que a pessoa não tem. E faz sempre essa comparação seletiva. Como se você fosse fazer uma pesquisa. Mas se você fosse fazer uma pesquisa já com pessoas que você sabe que vão dar a resposta que você quer. Então você começa a se comparar com todo mundo. E o vaidoso em geral acredita que ele é melhor e superior. Melhor e superior do que todo mundo.

E normalmente a psique nunca é fixa, nunca é igual com todo mundo, mas é muito comum que você tenha certos casamentos. Normalmente a vaidade anda de mãos dadas com a crítica. É muito comum que as pessoas vaidosas sejam também pessoas muito críticas na tentativa de fazer com que as pessoas melhorem. Porque pensa assim, eu sou melhor que ele, melhor que ele, melhor que ele, nossa, eu nem me esforço tanto. E essa comparação é sempre... Então graças a nós.

relativa, né? Eu me comparo com o tubarão e falo, eu corro muito mais do que o tubarão. Aí eu me comparo com o cachorro e falo, eu nado muito mais do que o cachorro. Em geral, o vaidoso, ele costuma desenvolver também a crítica, de criticar muito as pessoas. São defeitos que muito comumente andam de mãos dadas. A vaidade, o orgulho excessivo de si mesmo, daquilo que eu tenho.

e a crítica, costumam andar sempre juntas. E ele fala também que o discípulo dele deve ouvir tantos ignorantes quanto sábios, ou seja, todo mundo tem algo a nos ensinar. Não quer dizer que a opinião de qualquer pessoa sobre qualquer assunto, qualquer opinião tenha valor, não é isso. Mas todo mundo tem algo melhor do que eu, que é justamente o contrário do que eu falei. Eu não vou me comparar com um tubarão pela capacidade de correr, eu vou me comparar com um tubarão pela capacidade de nadar.

E não vou me comparar com um cachorro pela capacidade de nadar, mas pela capacidade de correr. Se eu comparo a mim mesmo com aquilo que cada ser humano tem de melhor, não aquilo que ele tem de pior, eu vou ver que todo mundo é meu mestre. Mas para ter essa postura eu não posso ser muito vaidoso das minhas próprias qualidades. A vaidade nos coloca num falso patamar superior que ninguém é digno de nos ensinar nada.

Ninguém é bom o suficiente para nos ensinar. E segundo o ensinamento aqui, todo mundo é nosso mestre. Não tem amigos nem inimigos. Todos podem nos ensinar algo. Todo mundo é melhor do que eu em algo. E naquele algo eu posso aprender com aquela pessoa. E também, não há artista cujo talento esteja plenamente realizado. Significa que você nunca pode acreditar que já sabe de tudo.

Outro ensinamento dele vai na mesma linha. Se você pretende estar entre os líderes que comandam a nação, busque para si cada momento oportuno de aprendizado, até que sua condição alcance a perfeição.

Então tem uma frase de Epíteto que fala, um dia vale por três para quem faz cada coisa ao seu tempo. Então, toda hora é a hora oportuna para fazer alguma coisa. O correto é que quando eu estou fazendo aquela coisa, eu esteja fazendo aquela coisa. Se eu estou me dedicando àquilo que é próprio daquele momento, eu vou me dedicar com muito mais profundidade e muito mais intensidade. Então viver a vida de forma intensa não é fazer muitas coisas.

mas é fazer aquilo que é próprio de cada momento com toda a intensidade. Um outro ensinamento estoico é que todo momento é o momento oportuno para você aprender alguma coisa. E a mesma ideia que Pitarhotep está passando para o discípulo dele aqui. Se você quer ser um líder, o que caracteriza o líder é um ânimo de perfeição, um ânimo de aperfeiçoamento. Toda hora é a hora propícia para estar desenvolvendo alguma qualidade interna, para estar aprendendo alguma coisa, para estar fazendo aquilo que é próprio daquele momento.

um verdadeiro líder de uma nação deveria ter isso como estilo de vida, como ideal de vida. Esse é um ponto que a gente trabalha muito no nosso curso. O ideal de vida da nossa sociedade é um ideal de hedonismo e de matéria. Então, para a gente, o sentido da vida é buscar ter cada vez mais e ou buscar cada vez mais prazer, buscar se sentir bem. Então, eu quero estar bem, eu quero me sentir bem.

Isso é o hedonismo, isso é o chamado materialismo. Existe uma outra forma de ideal de vida, que era muito comum no Egito e na Grécia, os gregos chamavam de arete, era você buscar ser você mesmo cada vez melhor. Então, o seu sentido de vida é buscar em todo momento...

o que é oportuno para aprender naquele momento. E eles acreditavam que isso nos levava à realização espiritual, através do desenvolvimento interior, cada vez mais virtudes, cada vez mais bondade, cada vez mais qualidades, fazendo melhor as coisas que eu faço cada vez mais.

Esse ânimo de aperfeiçoamento era um estilo de vida. Eu buscar ser eu mesmo, só que com cada vez mais virtudes e com cada vez menos efeitos. Eu buscar ser cada vez mais a melhor versão de mim mesmo, a minha arete. Então, líder.

que o que o Tarotek está recomendando, deveria buscar isso. Sempre o momento oportuno, a coisa oportuna a se aprender naquele momento. Nunca perder um momento. Nunca perder um momento. Está sempre desenvolvendo. Em Confúcio, a gente vai ver também que existe o conceito do homem Ju.

o homem suave, que é o governante. Ele falava que o verdadeiro governante, o verdadeiro líder, o convosco também fala muito da liderança servidora, é aquele que está sempre se aperfeiçoando, sempre buscando aprender, aprender, aprender, porque uma hora as pessoas vão precisar dele. E se ele não aprendeu quando era oportuno, quando chegar lá na frente ele não vai ter o que ensinar. Então, uma característica do líder é ter esse ânimo de aperfeiçoamento, esse ânimo de evolução.

E não só do líder. No nosso estilo de vida a gente deveria buscar isso. Esse ideal de melhora e esse ideal de evolução. As últimas duas frases são de um papiro, Anki Sessong. A história dele é super interessante, o enredo. Era um sacerdote de Ra.

que o melhor amigo dele era o médico do rei, era o médico do faraó. E aí ele descobre, o médico confessa a ele que ele estava fazendo um complô contra o faraó, para que o faraó morresse. Era crime no Egito tanto você conspirar contra o faraó, quanto você saber que havia uma conspiração e não denunciar. Só que era o melhor amigo do sacerdote. E em vez de denunciar, ele tenta convencer o médico a não fazer aquela conspiração.

E fica com aquela esperança de que o médico não vai fazer nada contra o faraó. Só que um servo escuta essa conversa. Escuta essa conversa e vai dizer ao faraó que o médico estava conspirando contra ele e que o sacerdote sabia. Aí o médico e os conspiradores são mortos e o sacerdote é preso. Porque não entregou a conspiração.

E aí, depois de um tempo preso, em que vários presos foram anistiados e ele não, Anki Sessong perdeu a esperança de ser solto. Ele, não, vou morrer aqui nessa prisão. E ele ficou preocupado, porque não seria capaz de continuar educando seus discípulos, seus filhos espirituais. Aí ele encontra cacos, não eram cacos de vidro, eram cacos de cerâmica, e começa a escrever nos cacos de cerâmica os seus provérbios.

E na esperança de que os filhos dele encontrassem aquilo, ele escrevia e jogava pela janela da cela, com a esperança de que os filhos encontrassem. Só que quem encontrava esses cacos era justamente o faraó. E o faraó todos os dias passava por ali para pegar os cacos e aprender o que estava escrito nos provérbios. Então veja que é muito comum essa cena de um homem comum.

um camponês, ou um... não era um homem como eu, era um sacerdote, mas bem abaixo do faraó, começar a ensinar ao faraó, porque eles não tinham essa ideia de que o faraó sabe tudo e ninguém sabe nada. Não, o faraó tem o papel dele, mas a sabedoria não pertence a um determinado cargo. E a Xersong ensina várias coisas e é bastante interessante esse papiro. Provavelmente essa história é inventada, não é real, mas é muito bonita a ideia.

Aqueles que dizem isto nunca aconteceria, deviam estar mais atentos ao que está escondido. Então, você acreditar que você é invulnerável a determinada falha, que algo nunca poderia acontecer com você, é uma grande vulnerabilidade. A certeza da invulnerabilidade é uma grande vulnerabilidade. Porque se eu tenho certeza que eu estou seguro e que não tenho risco daquilo acontecer, eu me torno desatento.

E o mal entra pelas ranhuras da desatenção, pelas ranhuras da inconsciência. O mal não entra quando você está atento. O mal entra quando você baixa sua vigilância. Isso eu tenho certeza que nada pode acontecer, que eu nunca cometeria aquele erro.

Em geral, minha vigilância cai e é justamente aí que o mal costuma entrar. Os erros costumam acontecer nas entranhas, nas ranhuras da nossa inconsciência e da nossa desatenção. É importante, no nosso curso de filosofia, a gente costuma passar a ideia de que dentro de nós existem todas as virtudes e todos os defeitos.

Se você tem um defeito que você olha e fala, esse defeito eu não tenho em nenhum grau, em nenhum campo da minha vida, isso é uma sombra. É um aspecto de você que você não conhece ainda. Às vezes acontece daquele ser um defeito pequeno que você tem ali num patamar pequeno e por isso que você não conhece. Mas às vezes é um defeito que é tão grande que ele começa, é como se os tentáculos, como a água infiltrando na parede.

O defeito é tão grande que ele vai infiltrando, infiltrando, infiltrando, domina tanto a sua vida e você, que você nem sabe que você tem.

A pior forma de escravidão é aquela em que a pessoa acredita que é livre. Porque a pessoa nunca vai lutar contra a escravidão. A pior forma de você ter um defeito é você ter um defeito e nem saber que tem ele. Em geral, a vida nos dá sinais. Quando você encontra pessoas com aquele defeito que você tem, que domina e você não sabe, você costuma sentir uma grande aversão com aquelas pessoas. Não quer dizer que todo mundo que você tem aversão é por causa disso. Mas não é incomum disso acontecer.

Não é incomum de que o nosso maior defeito a gente não saiba que tem. A gente acredita que aquele ponto a gente domina completamente. Então, sempre que você vê um defeito que você tem certeza que você não tem nem grau, é muito provável que aquilo seja um aspecto sombra dentro de você e é interessante você procurar e encontrar. Então, se você vê João cometendo um erro, você tem que se perguntar, quando eu sou João?

Quando eu ajo, talvez eu não faça a mesma atitude concreta, mas eu faça a mesma atitude, a mesma mentalidade, só que em outro lugar, em outra perspectiva. Essa é uma das melhores ferramentas de autoconhecimento que a gente trabalha no nosso curso de filosofia. E por fim...

Um outro ponto que eles enfatizam muito nos papiros do Sebaide é tanto regras, tanto leis, princípios para você educar seus filhos, para você lidar com sua esposa, lidar com seu marido, quanto amigos.

Então, escolha bem os seus amigos, que os amigos são uma extensão da família. E Anxessong fala o seguinte, o amigo de um louco é um louco, o amigo de um sábio é outro homem sábio. É o famoso, me diga com quem andas, que eu te direi quem és. Tanto porque na convivência, por mais que você não tenha uma característica, mas se você convive muito com aquela pessoa, você acaba absorvendo características daquela pessoa.

quanto a gente tem de...

a atrair não necessariamente pessoas iguais, mas pessoas compatíveis com a gente. Então, a rosa atrai a abelha. O lixo atrai a barata. Então, a pessoa emocionalmente dependente atrai o manipulador. Então, eu vou atrair o tipo de pessoa, não é igual, mas é um tipo de relacionamento que se encaixa, como um encaixe com a abelha e a...

a flor, como a barata e o lixo, então eu vou atrair alguém que vai encaixar comigo não necessariamente que é igual então tem que observar o tipo de pessoa que eu atraio e isso vai falar muito sobre mim, não que você é igual àquela pessoa, repito

Mas você tem algo que encaixa com aquele tipo de pessoa. E se isso se repete, isso fala bastante sobre nós mesmos. Então a gente tem que refletir sobre isso. O tipo de amigo que a gente tem. O verdadeiro amigo é aquele que desperta em nós aquilo que a gente tem de melhor.

Um amigo não é aquele que passa bons momentos, embora possa passar bons momentos, ou que desperte em nós os nossos vícios, as nossas fraquezas. Um amigo verdadeiro é aquele que você vai estar com um problema e quando você contar para ele, ele não vai responder aquilo que você quer escutar.

mas aquilo que é melhor para você. Talvez ele encontre o jeitinho de falar aquilo que é melhor para você, mas não é aquela pessoa que você vai conversar já sabendo que vai apoiar seu ponto de vista, não. Ele vai mostrar que parte você está correto, que parte você está errado, e isso é um verdadeiro amigo. Então, vários versículos do Sebaide, eles enfatizam, escolha bem os seus amigos. E com esse...

versículo, eu termino e convido vocês para conhecerem o nosso curso de filosofia. Você vai encontrar pessoas de todos os tipos, de todas as matizes, de todas as profissões, de todas as áreas, mas que têm uma mesma coisa em comum, que é uma busca sincera por ser melhor. Em geral, costuma ser uma convivência muito prazerosa e muito enriquecedora.

Convido vocês a conhecerem uma das escolas próximas à sua casa. Espero que tenha uma na sua cidade para que você possa fazer o nosso curso. Muito obrigado pela atenção e até breve.

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