#719 - A PARÁBOLA DOS TALENTOS: Uma reflexão filosófica, com Alice Andrade da Nova Acrópole
Jesus falou ao povo através de parábolas, que são histórias altamente simbólicas que requerem uma interpretação para extrair seus significados mais profundos e ensinamentos para a vida. A professora e voluntária de Nova Acrópole, Alice Andrade, traz uma contribuição da filosofia para uma interpretação da famosa PARÁBOLA DOS TALENTOS.
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Paulo Tarcísio
- Talentos e capacidades pessoaisSimbolismo da parábola · Reino dos céus · Poderes do eu superior · Fidelidade e virtude · Medo e inação
Hoje nós vamos comentar a parábola dos talentos. Parábola é uma mensagem que é dita de forma metafórica, de forma alegórica, que tem um conteúdo que precisa ser expresso de uma maneira mais simples para que possa ser apreendido.
Muitas tradições utilizaram esse recurso e a tradição cristã também, através do Novo Testamento, na pessoa desse grande mestre que foi Jesus Cristo, ele também utilizou de parábolas para falar à população. Hoje aqui nós vamos trazer uma interpretação filosófica daquilo que a gente considera de mais importante, de simbolismo que essa parábola contém.
As parábolas são feitas de forma muito simbólica. E para entender o que está por trás de uma parábola, é preciso estar muito atento aos detalhes e às palavras que foram usadas. Porque cada palavra é importante e tem um significado por trás. E para isso a gente precisa aprofundar um pouco mais o nosso entendimento. Então eu vou ler a parábola dos talentos, para a gente entender o conteúdo geral, e depois eu vou ponto a ponto. Então a parábola começa assim.
E também será como um homem que, ao sair de viagem, chamou seus funcionários e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois talentos e ao terceiro um talento. Cada um de acordo com a sua capacidade. Em seguida, partiu de viagem.
O que havia recebido cinco talentos saiu imediatamente, aplicou-os e ganhou mais cinco. Também o que tinha dois talentos ganhou mais dois. Mas o que tinha recebido um talento saiu, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Depois de muito tempo, o senhor daqueles homens voltou e acertou as contas com eles. O que tinha recebido cinco talentos, trouxe outros cinco talentos e disse, o senhor me confiou cinco talentos, veja, eu ganhei mais cinco. O senhor respondeu, muito bem, funcionário bom e fiel, você foi fiel no pouco, eu o porei sobre muito. Venha e participe da alegria do seu senhor.
Veio também o que tinha recebido dois talentos e disse, o senhor me confiou dois talentos, veja, eu ganhei mais dois. O senhor respondeu, muito bem, funcionário bom e fiel, você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor.
Por fim, veio que tinha recebido um talento e disse, Eu sabia que o Senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Por isso, tive medo. Saí e escondi o seu talento no chão. Veja, aqui está o que pertence ao Senhor.
O senhor respondeu, servidor mal e negligente, você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei? Então você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros. Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem 10.
Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem, lhe será tirado. E lancem fora o homem inútil nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes. Essa versão está em Mateus, Evangelho de São Mateus, capítulo 25. Então agora vamos ponto a ponto.
E também será como um homem. Aqui é um recurso, Cristo está explicando, está ensinando as pessoas algo. Então ele utiliza uma história, mas na verdade ele está comparando esta história a algo muito importante. Ele está dizendo, o reino de Deus, ou o reino do Pai, ou o reino dos céus, é como um homem que... Então ele está explicando, ele quer que as pessoas entendam o que é o reino dos céus, o reino do Pai. Então aí ele explica através de uma história, mas é uma comparação que ele está fazendo.
E o que é então esse reino de Deus ou esse reino dos céus? É importante explicar porque tem tudo a ver aqui com a parábola. Este reino dos céus seria, na chave filosófica, a nossa parte mais elevada, mais espiritual, o nosso eu superior.
que todas as tradições dizem que todos nós temos um eu superior e temos um eu que se manifesta no mundo para fazer as suas experiências. Mas isso não está desligado e não são duas coisas diferentes, mas há uma necessidade de que o eu superior possa se projetar no mundo. Então ele se projeta no mundo através daquilo que nós viemos fazer, do que nós somos, mas é para isso que precisamos então saber exatamente o que viemos fazer. E essa parábola então nos conta um pouco isso.
Então, este homem é o nosso ser superior. Este homem, então, ia fazer uma viagem, confiou aos seus funcionários os seus bens. O que são os bens desse Senhor? Se esse Senhor é o nosso eu superior, esses bens podem ser os poderes do eu superior. O eu superior tem muitos poderes porque ele participa do campo do Espírito, e no campo do Espírito existem muitos poderes que são as virtudes, e que realmente nos trazem toda a condição humana. As virtudes humanas é que nos dão poderes.
Então ele distribui os seus bens, simbolicamente ele dá ao primeiro funcionário cinco talentos, ou cinco grandes poderes, ao outro dá dois talentos, ou duas possibilidades de grandes poderes, e ao terceiro dá um talento, mas ele dá talentos a todos. E aí uma parte importante que diz aqui, ele dá...
a cada um de acordo com a sua capacidade, ou seja, um critério de justiça. Esse Senhor sabia como estava distribuindo esses talentos para cada um e por quê? Porque é de acordo com a possibilidade de cada um. Cada um tem um dom, cada um tem uma facilidade ou uma dificuldade. Então dizem que a vida sempre vai nos oferecer aquilo que está ao nosso alcance para a gente poder projetar como virtudes, como valores. Não vamos ser provados em coisas que nós não temos possibilidade de apresentar, de entregar.
Então aqui ele dá de acordo com a possibilidade de cada um. E aí ele parte em viagem. Muito bem. O que recebeu cinco talentos, o que ele fez? Foi lá e trabalhou para que aqueles cinco talentos pudessem aumentar, pudessem se transformar em mais do que ele recebeu. E assim ele faz. Muito bem. Quando o seu senhor volta, o que acontece?
Ele apresenta para o Senhor, olha, o Senhor me deu cinco, eu estou entregando dez. E o Senhor fica muito satisfeito. O que o Senhor diz para ele? Servidor bom e fiel, você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. O que pode significar isso? Significa que quando eu recebo um dom da vida, eu tenho uma possibilidade, uma virtude inerente, algo que já é meu.
Eu tenho que fazer com que isso se expanda, eu tenho que fazer isso crescer, eu tenho que fazer com que isso aumente, ou seja, eu tenho que fazer com que isso agora seja algo mais do que aquilo que eu recebi. E os poderes do Espírito, eles são assim, quanto mais a gente usa, quanto mais a gente exercita, mais eles se fortalecem. Então significa que num determinado momento uma pessoa...
percebeu os dons que ela tinha, ela percebeu que ela tinha certas facilidades, ela percebeu que ela tinha possibilidades que outras pessoas não tinham, e ela fez muito bom uso dessas possibilidades, não só para ela, mas para os demais, ou seja, ela multiplicou, ela dobrou esse poder.
E aí então significa que, como se o nosso ser superior dissesse, muito bem, era exatamente isso que eu esperava. Eu te dei só um pouco, mas você duplicou o que eu te dei. Porque exatamente assim no campo do espírito, as coisas no campo do espírito, elas têm uma outra matemática. Quanto mais a gente dá, quanto mais a gente usa, quanto mais a gente oferece, quanto mais a gente exercita, mais nós temos. Então foi isso que esse primeiro funcionário fez. E aí ele diz, você foi fiel no pouco, eu o porei sobre muito. Ou seja...
essa pessoa confiou naquilo que ela tinha ainda que ela não tivesse lá tantas coisas tantos dons tantas possibilidades mas ela aproveitou exatamente o que ela tinha ela fez bom uso e multiplicou exatamente o que ela tinha aí ele disse venha e participe da alegria do seu senhor quem é o seu senhor aqui lembrando
É o nosso ser superior, ou seja, eu, quando eu consigo multiplicar aquilo que eu recebi da vida, que eu faço muito bom uso e eu expando aquilo que eu recebi, aquele dom, aquela potencialidade, eu participo de uma esfera agora que vai ser esta esfera da alegria.
do reino da sabedoria, ou seja, eu vou conquistar um grau de sabedoria, porque toda experiência válida do ponto de vista humano me coloca num patamar acima, num grau de sabedoria. Agora eu tenho mais visão, agora eu tenho mais poder sobre as coisas, agora eu tenho mais capacidade de amar, de dar, de trabalhar, eu tenho mais energia, ou seja, isso são as alegrias de estarmos participando dessa esfera, que é uma esfera espiritual.
que é onde as coisas, esses talentos, têm outro valor, não são talentos que valem dinheiro, mas eles valem o quê? Uma vida com sentido, uma vida que tem significado. Então, este Senhor diz, pronto, venha e participe das alegrias do seu Senhor, ou seja, agora você faz parte aqui, você entendeu, você faz parte agora das ideias.
superiores que agora estão fazendo com que você possa refletir na vida tudo isso que você é. Com o segundo funcionário aconteceu a mesma coisa. Veja, ele recebeu menos ainda, ele recebeu dois talentos, mas ele fez a mesma coisa, ele multiplicou. Então ele chega para o seu senhor e diz, olha, o senhor me entregou dois, eu estou entregando quatro. O senhor diz a mesma coisa, né?
Muito bom, você é muito fiel e você fez do pouco, muito. A mesma coisa que com o primeiro. Veja que ele não estava preocupado que ele tinha que alcançar o mesmo resultado do primeiro, não. Por quê? Porque se ele distribuiu com justiça, de acordo com a capacidade de cada um, ele esperava o quê? Que fosse dentro daquela capacidade. Então o segundo, ele duplica o que ele recebeu, dois. Então ele duplica, ou seja, ele fez a mesma coisa que o primeiro.
Então ele também é convidado a fazer o quê? A participar da alegria do seu Senhor. Ou seja, dentro daquela possibilidade, daquilo que ele podia fazer, ele duplicou, ele expandiu, ele teve a capacidade de fazer com que aquilo fosse mais longe do que aquilo que ele recebeu.
Então essa capacidade que o ser humano tem de não se limitar e de confiar que esses poderes podem ser utilizados. E quanto mais eu utilizo, menos eu perco. Eu não perco nada no mundo espiritual. Quanto mais eu exercito o mundo espiritual, mais ele me dá. Então houve esta confiança, por isso que ele fala, né? Você foi fiel, o primeiro foi fiel, o segundo foi fiel. Fiel aí significa ter confiança nas leis.
Eles confiaram que o Senhor deu a eles algo que eles poderiam fazer. Eles não tiveram dúvida, porque esse Senhor realmente era muito sábio. Claro, é o nosso ser superior. Então, ele sabe das nossas possibilidades. Então, ele dá de acordo com aquilo que a gente vai realmente poder fazer. Então, eles confiaram. Por isso que ele fala aqui da virtude e da fidelidade. Houve uma confiança nas leis, houve uma confiança na vida. E aí, então, eles responderam exatamente como.
Poderia ser feito, e assim foi. Aí vem o terceiro funcionário, e aí ele diz, olha, eu recebi um talento, mas eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e semeia aonde não...
E junta aonde não semeou. Aí eu tive medo, escondi o seu talento embaixo da terra, então está aqui agora e eu devolvo o mesmo talento. Essa resposta é bastante simbólica, tem muita coisa embutida aqui nessa resposta. Você foi mal e negligente. Olha só o que ele diz agora.
Você sabia que eu colho onde não plantei e junto aonde não semeei? Você sabia disso? E mesmo assim você enterrou a moeda no chão e deixou ela lá e não fez nada com ela. Olha que interessante, o que será que quer dizer isso? Bom, primeiro.
Você sabia que eu colho onde não plantei? Não parece assim um paradoxo? Mas como é que colhe onde não plantou? Parece que por lei de causa e efeito a gente colhe aquilo que planta. É, mas aqui é outra chave. Aqui nós temos que tentar entender de outra maneira. Aqui tem uma dica, né? Por que ele está falando? E os funcionários sabiam disso. Olha que interessante, ele tinha esse conhecimento. Olha só.
Eu colho onde não plantei e junto onde não semeei. Aqui, gente, pode significar que as leis do mundo espiritual não são as mesmas das leis da matéria, as leis do mundo. Ou seja, a lógica do mundo espiritual é diferente da lógica do mundo material, do mundo que a gente vive, que a gente tem essa consciência aqui. A lógica é diferente. Então, o que o funcionário disse? Olha, eu sabia que a lógica do mundo espiritual é diferente do mundo material, mas eu fiquei com medo.
E aí o que eu fiz? Escondi o dinheiro e não fiz nada com ele. Olha que interessante. Ou seja, os dois primeiros entenderam a lógica do mundo espiritual, pois sabiam que essa lógica do mundo espiritual não é limitante, ela não tem problema de escassez. Quanto mais você vai em direção a ela, mais ela se expande. O terceiro funcionário, sabendo disso, mesmo assim não fez. Por quê? Porque teve medo. Ele foi dominado por um elemento pessoal.
Ele não confiou no mundo espiritual. E aí então o que ele faz? Ele não expande isso que ele recebeu. Ou seja, ele tinha um dom e ele não fez nada com esse dom. Ele não colocou esse dom a serviço da humanidade, ele não expandiu. Ele não fez com que isso chegasse a mais pessoas e nem fez nada de bom com isso. Ele segurou esse dom, mesmo sabendo dessa lei. Então veja que interessante, né? Você sabia que eu colho onde não plantei. Ou seja, é esta lógica que a gente precisa entender na vida.
Porque isso é que faz a diferença entre você entender uma percepção da vida espiritualista e uma percepção da vida materialista. É entender que as leis do mundo espiritual, elas têm outra lógica. Não é que elas são diferentes. Não são diferentes. Elas têm uma outra lógica porque elas participam de uma esfera onde as coisas são diferentes.
E a gente tem que começar a entender isso. Então, o terceiro funcionário resolveu o problema com o quê? Com uma visão das leis da matéria. Não, eu tenho medo, se eu perder esse dinheiro eu vou me prejudicar, o que eu faço? Guardo esse dinheiro aqui em terra e pronto.
Entendem? Olha a resposta que ele deu para isso. Ele deu uma resposta com as leis da matéria. Não quero perder, não quero arriscar, não quero me prejudicar, guardo e pronto. Mas o senhor, quando chega de viagem, não gostou disso, porque não era isso que ele esperava. Olha o que ele diz depois, né? Então, você sabia, né? Tudo isso. Então, você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros.
O que isso pode significar? Veja que está bem usado, coisas bem concretas nessa parábola, coisas bem assim da vivência diária de qualquer pessoa, tanto naquela época de Cristo como agora. Veja que o exemplo é bem prático, mas ele é prático e também você pode ter a raiz do simbolismo espiritual. Então o que poderia significar ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros?
ter procurado ajuda, ter procurado ajuda de alguém que sabe como fazer isso, ou seja, alguém que poderia me ensinar como eu não ter medo de viver dentro das leis espirituais, como eu não ter medo de me oferecer para a vida e de fazer o que a vida pede de mim.
E não ter medo de me doar, e não ter medo de arriscar e fazer coisas que eu tenho medo, mas que são coisas importantes para o meu crescimento. Então, como não ter esse medo? Então, aqui pode ser entendido como, olha, você não procurou ajuda. Você não procurou um conhecimento que pudesse te ajudar nesse momento.
Você simplesmente ficou inerte. Você foi dominado pelo medo e você guardou o dinheiro e não fez nada com ele. E ele não rendeu frutos. Porque ele fala, né? Para que quando eu voltasse recebesse de volta com juros. Quem é que vai receber com juros? A gente mesmo, né? Porque nós estamos falando de duas pessoas. Isso é importante entender. Eu estou falando do meu eu superior e daquele meu eu que está aqui no mundo.
que na verdade é uma coisa só. Então esse eu está fazendo uma experiência conjunta. O problema é que eu, como ser humano, se eu não valido aquelas potencialidades humanas que a vida já me deu, é como se meu eu superior estivesse dizendo, olha, você está aí com um monte de talentos e não está fazendo nada com eles. Por que você não procura ajuda? Por que você não procura o conhecimento que pode te levar a, pelo menos, começar a descobrir como é esse mundo e como atuar nele?
Então veja que interessante, né? Buscar ajuda significa ir em busca de um conhecimento que pode alargar meus horizontes, que pode me dar uma luz diferente sobre isso, não é? Então é por isso que eu digo, essa é uma interpretação filosófica, porque essa é a função da filosofia, iluminar a nossa experiência, iluminar a nossa visão de mundo para que a gente possa encontrar respostas mais válidas.
E aí continua, né? O que ele manda fazer? Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem 10. Ou seja, ele já tinha 10, já tinha sido beneficiado, né? Com mais do que ele tinha recebido. E esse senhor falou, dá para aquele que tem 10. Sabe por quê?
Porque o que tem 10, ele foi capaz de gerar muito, com o pouco que ele recebeu, com a parcela que ele recebeu, ele foi capaz de gerar exatamente o dobro. Então se tivesse dado 10 para ele, ele teria entregado 20, se tivesse dado 20, ele teria entregado 40. Ou seja, não ia ser problema para esse funcionário, porque ele tem esse poder, ele tem essa capacidade. Tudo que cai na mão dele, ele transforma em mais e melhor.
Então o que esse senhor fez? Dá para aquele que tem 10, porque eu tenho certeza que ele vai transformar em 12, 13, 14, 20. Ou seja, ele vai ser capaz de colocar mais ainda no mundo. E aí então o eu superior tem mais possibilidade de se expressar, tem mais possibilidade de estar no mundo através de uma projeção de virtudes, de bondade, de beleza, de inteligência, de fraternidade, de justiça. Tudo isso que faz parte, dado dos requisitos para uma evolução humana.
Então isso se trata de evoluir. Então Cristo aqui está nos ensinando as chaves para que a gente possa evoluir. Porque tudo que Cristo fala não é no sentido de nos dar a resposta para os problemas cotidianos. Todo o simbolismo desses grandes mestres não é para a resposta dos problemas cotidianos. É para que a gente desperte poderes que estão dentro de nós adormecidos. Que com esses poderes nós vamos dar a resposta aos problemas cotidianos. E vamos fazer desse problema cotidiano uma experiência...
sim, reveladora, uma experiência de luz que vai te trazer vários outros elementos que você vai poder usar em qualquer situação. É isso que nós chamamos de entrar dentro da esfera da sabedoria. Sabedoria é isso. Então, e continua, não terminou. Bom, aí ele manda dar o talento daquele que só guardou para outro.
E aí vem a frase que para mim é bastante simbólica, eu acho que é um fecho sensacional dessa parábola, que guarda muito significado aqui, do ponto de vista filosófico, que nós conseguimos enxergar. E aí ele diz, Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem, lhe será tirado. E lancem fora o homem inútil, nas trevas, onde haverá choro,
e ranger de dentes. Olha só, isso aqui é fundamental, gente, a gente tem, porque isso aqui tem a ver com a lógica do mundo espiritual e a lógica do mundo material, que nós já colocamos aqui, né? Lembram? Então, quem tem, mais lhe será dado, ou seja, quem tem poder de expandir aquilo que já tem, aquilo que já é.
em prol dos demais, em prol de uma causa, mais ele vai ter condições de fazer isso, porque a natureza vai dar mais para ele, porque essa é a lógica do mundo espiritual. Agora, quem não tem, ou seja, aquele que guarda, aquele que não usa, aquele que não exercita, aquele que não busca, aquele que não tem nenhuma pretensão, no sentido consciente, de se tornar um ser humano melhor, de fazer algo,
pela humanidade, ou pelo seu próximo, aquele que está do seu lado, se a pessoa não tem essa intenção nenhuma, ela não tem capacidade. Então, se ela não tem, como dar mais para ela? E o que acontece quando a gente não tem? Fica cada vez com menos. Você já tentou guardar dinheiro? Vamos falar de dinheiro aqui agora, que é uma relação bem prática. Você já tentou investir seu dinheiro, guardar ele em casa?
Tenta guardar em casa o seu dinheiro. O que vai acontecer? Ele vai diminuir, claro, né? Por quê? Porque existe todo um movimento na sociedade, existe todo um movimento na esfera econômica, na esfera financeira, que faz com que o seu dinheiro vá perdendo valor. Ou seja, isso aí é uma lei clara, que todo mundo entende. Não se pode guardar dinheiro em casa, você tem que fazer investir esse dinheiro. Investir significa fazer ele se movimentar.
Aqui é a mesma forma. Então, se eu não tenho, se eu guardei, se eu segurei, como que isso vai expandir? Não, isso vai cada vez diminuir, porque aquilo que eu não exercito vai ficando cada vez mais fraco. E quando eu for usar, eu não tenho mais força, eu não tenho mais condição. Da mesma maneira que um dinheiro guardado em casa, quando você for usar, quando você guardou, você comprava 10 coisas. Quando você vai pegar esse dinheiro, um tempo depois você vai comprar...
7, 8 e olhe lá, ou seja, perdeu força, perdeu poder então veja que interessante, né então, a quem não tem, até o que tem ele será tirado, e o tempo então, né como é que nós podemos entender, ah não tem o tempo não tem o tempo, não tem o tempo, pois é, porque está sempre o que? segurando o tempo
tendo uma relação material com o tempo, não faz esse tempo uma relação de consciência, não faz esse tempo uma relação que você está aprendendo em pouco tempo algo muito importante, aí sim esse tempo ele se multiplica, então a gente está sempre segurando o tempo, dizendo que não tem tempo, não posso porque não tenho tempo, isso aqui não dá porque eu não tenho mais tempo, olha só, e quanto mais eu digo isso gente, quanto mais eu digo não tenho tempo, não dá tempo, menos tempo eu vou ter, porque eu não estou exercitando a capacidade que eu tenho de expandir,
de entrar com um elemento de sabedoria para lidar com o tempo, não o tempo de relógio, mas o tempo significando uma energia, de maneira que quanto mais eu administro o tempo de forma espiritual, no sentido de fazer com que ele seja algo que me dá experiências em qualidade e não em quantidade.
Quanto mais eu faço isso, mais esse tempo se expande. Agora, quanto mais eu seguro o tempo, quanto mais as minhas experiências diárias são muito rotineiras, muito superficiais, aí esse tempo realmente não dá mesmo, porque ele entrou numa dimensão material e a matéria é finita, né gente? Você não pode dividir um pacote de biscoito para mil pessoas, um pacote de biscoito é limitado, só dá para aquilo ali. Agora você pode dividir uma ideia com...
milhões e milhões de pessoas. Veja que uma ideia é do campo espiritual, então você pode fazer com essa ideia aí muita coisa boa, ela não é limitada, por isso que eu disse, né? A lógica do mundo espiritual, espiritual que eu estou chamando aqui em filosofia é o mundo das ideias, são as ideias maiores, as ideias supremas que conduzem todo o universo e também o ser humano, e a lógica do mundo material, que não são coisas antagônicas, mas eu preciso entender como relacionar essas duas leis.
Então, a quem não tem, até o que tem ele será tirado. E lancem fora o homem inútil. Olha que interessante isso.
Veja, se eu não sou capaz de desenvolver, de ampliar, de fazer crescer minhas virtudes e oferecer isso para o mundo, a vida pensa assim, bom, não está sendo útil, não está servindo para nada, porque é isso que a vida quer. O eu superior representando essa vida, isso que nos dá essa ânima para viver, isso representa o quê? Representa a minha capacidade de estar plena e de fazer sentido tudo o que eu faço. Mas, se eu faço as coisas...
e eu não estou vendo nada disso na minha vida, é como se fosse, olha, não tem muita utilidade, né? Uma existência mediana, mas ela não está servindo para muita coisa. E aí ele diz, lancem esse homem nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes. Gente, aqui, para mim, isso Platão também dizia, né? Choro e ranger de dentes é o sofrimento que vem da ignorância.
Então, assim, não precisamos imaginar que é um local para onde a gente vai, porque a gente não está dentro desse contexto, então nós seremos castigados. Não, não precisamos olhar só assim. Aqui o choro e o ranger de dentes, gente, é o sofrimento de um ser humano que não entende o porquê das experiências que está vivendo. Ele não encontra beleza, ele não encontra magia na vida. Por quê? Porque a vida dele está sem sentido.
E está sem sentido justamente por quê? Porque dentro dele, inconscientemente, ele deve intuir que tem algo maior, que está necessitando dele como canal, para poder se expressar, para que ele possa agora colocar no mundo aquilo que ele realmente é. Mas ele não está conseguindo fazer isso.
E isso gera uma dor muito grande. Então, este choro e ranger de dentes, em filosofia, nós atribuímos à ignorância, o não saber. Não a ignorância de que ir, não. A ignorância de ainda não termos o conhecimento necessário para colocar significado nas nossas experiências.
Então veja que parábola interessante, veja que riqueza tem essa parábola, independente de qualquer outra interpretação que ela possa ter, sem desconsiderar nenhuma, aqui a nossa intenção é trazer esse contexto filosófico. Então veja que bonito que esse grande mestre estava ensinando as pessoas, agora vejam, é um conteúdo...
muito profundo, né? E aí, é claro, como é parábola, como é sentido figurado, simbólico, cada um vai pegar um pouquinho do seu jeito, assim como a própria parábola diz, né? Cada um de acordo com a sua capacidade. Então, até um ensinamento, até um conteúdo simbólico, também cada um vai pegar de acordo com a sua consciência. Mas o importante é que a gente vá caminhando em direção a sempre expandir a nossa capacidade de entendimento das coisas. Isso faz, então, com que a gente vá entendendo a lógica do mundo.
tanto físico quanto espiritual. A gente começa a entender melhor como participar do mundo das ideias e como fazer com que essas ideias, por meio da minha vida, por meio daquilo que eu sou e que eu faço no mundo, pode ser a coisa mais simples do mundo, não precisa ser nada demais, mas por meio daquilo que eu sou, essas ideias agora encontram uma expressão, porque eu estou servindo de canal para essas ideias.
E cada vez que isso acontece, eu me enamoro cada vez mais dessas ideias, eu expando mais essas ideias, eu dou mais vida. Portanto, eu multiplico esses talentos.
Então, é nesse sentido que nós trouxemos essa parábola aqui hoje, e para a gente refletir, né? Refletir um pouco também sobre o que nós estamos fazendo com aquilo que já somos, que já está conosco, o que nós estamos fazendo com isso, e qual a forma que nós podemos encontrar de expandir mais e mais, e encontrar mais plenitude e mais significado na vida.
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E aí