Episódios de Palestras Filosóficas Nova Acrópole

#720 - FILOSOFIA E ECONOMIA: como administrar seu corpo, sua casa e o planeta com sabedoria

29 de março de 202638min
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📌 Este vídeo faz parte da trilha “Filosofia para Resolver a Vida Real”.
Comece do início aqui:   • Filosofia para Resolver a Vida Real | Emoç... 
Economia vem do grego oikos — administração da casa. Mas temos três casas para cuidar: o corpo, o lar e o planeta. E a filosofia tem muito a dizer sobre isso.
Nesta palestra, a professora Lúcia Helena Galvão desfaz um dos preconceitos mais arraigados do pensamento espiritualista: a ideia de que preocupar-se com recursos materiais é algo inferior ou mundano.
Com 37 anos de trabalho voluntário, ela mostra que a verdadeira espiritualidade não foge do mundo — ela assume responsabilidade por ele. E para isso, é preciso saber gerar e administrar recursos com consciência, ética e propósito.
Você vai descobrir:
— Por que "dificuldade para gerar recursos" não é sinal de honestidade
— O conceito de karma prânico e como ele se relaciona com tempo e dinheiro
— Por que economia e ética não são opostos — e o que acontece quando se separam
— Como sacralizar o trabalho e transformar o cotidiano em filosofia viva
— A diferença entre vitória real e a mentalidade de competição predatória
— O que Buda, a tradição indiana e Machado de Assis têm a dizer sobre tudo isso
"A economia separada da ética é exploração. A ética separada da economia é inabilidade." — Lúcia Helena Galvão
Viver filosoficamente não é fugir do mundo. É assumir as rédeas dele.
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O Segredo das Coisas


Participantes neste episódio1
P

Paulo Tarcísio

HostProfessor
Assuntos3
  • Ética e EconomiaSeparação entre ética e economia · Exploração econômica · Reto meio de vida
  • Desenvolvimento PessoalAutoconfiança · Proatividade · Capacidade de gerar recursos
  • O Papel da Fé e EspiritualidadeEspiritualidade e materialismo · Conexão com valores universais
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Olá, seja bem-vindo a mais um dos nossos bate-papos. Esses bate-papos que eu preparo para vocês com a intenção de fazer com que a gente vá colocando mais filosofia dentro da nossa vida e nos permitindo ver esses cantos escuros, iluminá-los com mais discernimento e qualificar a nossa vida como um todo. Dessa vez eu achei um canto escuro delicado, que bate com certos preconceitos muito arraigados.

Mas eu quero que todos entendam que se trata de uma iniciativa, no sentido de abater certos dogmas, que muitas vezes nos travam e nos atrapalham na vida, e que no nosso momento histórico são muito fortes. Então hoje vamos falar sobre a relação entre a filosofia e a economia. Pode parecer que esse é um terreno inexpugnável, do qual a filosofia não deveria pisar. Mas isso não é verdade. A filosofia trata da arte de viver.

E a economia é uma necessidade dentro da arte de viver.

Então tem certas premissas básicas, que são isso que vamos tratar hoje. Poderíamos até entrar em mais detalhes, quem sabe eu faço no futuro. Mas hoje vamos tratar de premissas bem básicas, que nos ajudam a enfrentar esse setor da nossa vida com mais maturidade. Então todo mundo sabe que filosofia é amor à sabedoria.

E economia vem de oikos, a casa. Oikos, nomos, são as regras de administração da casa. E logicamente nós temos que administrar a nossa casa. De que casa estamos falando? Em primeiro lugar, a casa que é o nosso corpo.

Essa casa que a natureza nos emprestou para que nós viéssemos viver a nossa experiência. Segundo lugar, a casa que é a nossa residência. É o teto que nos cobre, é o alimento que nos garante, é o descanso que precisamos. E em terceiro lugar, mas não menos importante, é a casa planeta Terra, que também precisamos cuidar, que também necessita do nosso esforço, que também necessita da nossa atenção.

e do nosso trabalho. Estamos aqui como guardiões dessas três casas, como administradores dessas três casas, e isso demanda saber se organizar bem, saber trabalhar bem com as energias que nos são próprias, e disso se trata, e isso é a base da economia.

Então vamos tratar um pouco a respeito, em primeiro lugar, do preconceito. Achamos que toda vez que pensamos em economia, estamos sendo materialistas. Existe uma tendência espiritualista nos nossos dias, entre aspas, porque a verdadeira espiritualidade não exclui nada, mas essa tendência espiritualista muitas vezes diz que a gente não deve se preocupar com isso, porque qualquer preocupação com isso seria uma forma de materialismo.

Vejam bem, estamos no mundo, necessitamos sobreviver no mundo. Se não damos atenção àquilo que nos cabe, isso vai ser mal feito e isso prejudica toda a nossa vida. Um setor da nossa vida que não é bem administrado tem um efeito sistêmico e vai prejudicar a nossa vida como um todo. Não podemos ignorar essa necessidade de gerar e de administrar recursos.

que são os dois recursos fundamentais que temos na vida, que é tempo e dinheiro, ou aquilo que você substitua ao dinheiro, riquezas, aquilo que lhe equivale, ou seja, riquezas materiais, que temos que saber lidar com ambas as coisas, recursos financeiros e recursos de tempo.

O preconceito é tanto que às vezes a gente herda um certo ranço medieval que diz que o lucro, por exemplo, é logro. A palavra lucro vem de logrum, ou seja, do latim, logro, malogro, engano. Como se uma pessoa ganhara alguma coisa, fosse um pecado, fosse algo que contamina o seu trabalho.

Então isso tira a dignidade daquilo que ela faz, que é uma coisa bastante infantil e imatura. É lógico que o trabalho necessita recompensa. É essa recompensa que vai garantir as energias para que possamos continuar trabalhando. Isso é natural, faz parte da natureza.

O trabalho do animal na natureza espera o alcance da presa, para que ele possa se alimentar. Ele não trabalha em busca de nada. Não estou querendo descaracterizar o trabalho voluntário, muito pelo contrário. Eu acho que o trabalho voluntário, eu sou uma voluntária há 37 anos, acho que o trabalho voluntário é o mais bem remunerado de todos. Mas precisamos também de um trabalho que nos traga algum recurso material, porque necessitamos sobreviver.

E essa necessidade faz parte da vida, não pode ser negligenciada. Então a ideia de que dificuldade para gerar recursos é mérito, isso é uma outra coisa. Então aquela pessoa que não tem a mínima capacidade de gerar recurso nenhum, esse é o bonzinho. Aquele que gera recursos, esse é o malvado, é o aproveitador, deve estar fazendo alguma coisa errada. Isso não é assim que funciona.

É lógico que eu sei que isso já vai despertar em vocês algumas críticas. Porque tem pessoas que têm muitas dificuldades de gerar recursos. Por quê? Porque ganham muito pouco, porque não receberam uma educação adequada, porque vivem numa condição muito difícil. E eu reconheço que esse trabalho não é simples. Não é simples para uma pessoa, nessas condições, gerar recursos, melhorar a sua condição de vida. Mas também não é impossível se essa pessoa acrescenta algumas pequenas modificações na sua vida.

Não se trata de tornar ninguém rico, mas trata-se de conquistar uma vida mais digna. Por exemplo, autoconfiança, que em geral essas pessoas não têm muita. Não acreditam em si próprios como capazes de mudar a sua própria condição. Ficam esperando mudanças que vêm apenas de fora. É muito difícil que essas mudanças aconteçam. O mundo deve mudar sim, deve ser mais justo, mas não tão rápido assim.

E outra coisa é não estar inteiro naquilo que faz. Porque quando estamos corpo, mente e alma juntos naquilo que fazemos, em geral atingimos, pode ser uma coisa muito simples, uma qualidade superior àquilo que é feito no mercado. E isso nos abre novas portas, novas oportunidades. Não é incomum você encontrar uma pessoa que de repente começou como um auxiliar de pedreiro.

E daqui a pouco se torna um mestre de obras muito bom, que é muito requisitado, e tem uma condição de vida bem mais digna, bem mais interessante. Não é difícil você ver uma pessoa que começou com um trabalho muito modesto, e colocou o melhor de si naquilo, e daqui a pouco estava se destacando no mercado. Porque pessoas que colocam o melhor de si naquilo que fazem, infelizmente, no nosso momento histórico, são raras.

Então em qualquer coisa pequena que se faça, você abre caminhos. Quando está inteiro, sempre buscando aperfeiçoar, buscando fazer um pouco melhor, buscando que todos os dias você possa dar um passo adiante. Fazer um pouco melhor. Isso, em geral, sempre abre oportunidades. Se você acredita em si próprio e tem esse espírito de estar inteiro naquilo que faz, buscando sempre dar o seu melhor...

Mesmo que as condições iniciais sejam muito difíceis, existe uma boa possibilidade de abrir portas.

Continuando, como eu falei para vocês, não é um assunto simples, é um assunto que gera muitas polêmicas, mas se existe uma coisa que a gente realmente deve tirar da nossa cabeça são esses preconceitos. De que pensar em coisas materiais é pecado, é coisa material, ou seja, é contra a espiritualidade. Segundo lugar, que algum ganho é sempre desonesto, é sempre a base de alguém estar se aproveitando para alguém.

E em terceiro lugar, de que não ter nada é sintoma de honestidade, ter alguma coisa é sintoma de desonestidade, ou de egoísmo, ou de qualquer coisa assim. Não é assim que as coisas funcionam.

Então, estar no mundo implica em saber lidar com ele para garantir as nossas necessidades. Até os animais o fazem. E aí, se a gente for ver um pouco da seleção natural lá do Darwin, que é uma coisa bem no campo do animal, mas, de qualquer maneira, ali você vê que funciona um princípio de economia.

As espécies que conseguem ser mais bem-sucedidas para garantir a sua sobrevivência são aquelas que prevalecem. Ou seja, até mesmo os animais têm aí uma maior realização, uma maior capacidade de perdurar, conforme são mais hábeis para providenciar a sua sobrevivência. E isso é economia.

Então, se um pequeno animalzinho faz, como diz lá a Bíblia, até os lírios do campo fazem, é lógico que nós deveríamos desenvolver em nós, na medida das nossas possibilidades, essa capacidade. Realça essa questão da medida das nossas possibilidades, porque é muito comum que as pessoas venham com a história de self-made man, o homem que começou do zero, começou vendendo coisas na feira, começou, sei lá, com um empreendimentozinho na sua garagem, ele daqui a pouco estava milionário.

Talvez essas pessoas tenham um pendouro, uma genialidade, uma criatividade que eu não tenho. Talvez eu não tenha capacidade de fazer isso. Mas eu não estou falando de gerar fortuna. Estou falando de sermos ativos no sentido de providenciar aquilo que necessitamos para uma vida digna. Não desistir disso, não deixar de acreditar em nós. Porque se estamos no mundo é porque temos capacidade ou deveríamos ter para lidar com as coisas do mundo.

Na Índia, eles acreditam numa coisa muito interessante, que é a constituição do homem. Falando bem basicamente disso, eles dizem que o homem tem um corpo físico, essa nossa personalidade, essa nossa parte concreta. O homem tem um corpo físico, um corpo energético, que eles chamam de prânico. Ele tem um corpo emocional e tem um corpo mental prático.

Esses quatro elementos, mente, emoções, energia e corpo físico, seriam aquilo que a gente tem à nossa disposição, que a gente lida. E o prana, o corpo prânico, ele tem a capacidade de gerar um bom ou um mau karma.

O karma, que é uma noção bastante indiana, de causa e efeito, existe bom e mau karma prânico. O que significa um bom karma prânico? Primeiro lugar, capacidade, como eu já falei para vocês, de concentração e atenção para darmos o nosso melhor naquilo que fazemos. Isso gera um ótimo karma prânico. Segundo lugar, capacidade de ser econômico no sentido de não praticar desperdícios.

Não jogar fora, não usar mais do que aquilo que necessitamos. Isso gera um bom karma prânico. Um terceiro elemento que gera um excelente karma prânico é generosidade, altruísmo. Ou seja, não geramos só para nós. Estamos preocupados em gerar e também ensinar àqueles que estão à nossa volta. Também abrir caminhos para aqueles que venham depois. Enfim, esses elementos de gerar recursos, isso é um bom karma prânico.

Comentava com alunos um dia desse que a coisa de três anos encontrei um colega de faculdade. Curiosamente, uma pessoa já de mais do que meia idade, de terceira idade, era uma pessoa que até esse momento não tinha conseguido prover o mínimo para uma sobrevivência.

autônoma, ainda dependia dos pais com essa idade. Eu achei uma coisa um pouco incrível, porém, cada vez mais comum dentro da sociedade. Eu nunca tinha visto com uma idade tão avançada, mas cada vez mais comum na sociedade. As pessoas chegam a um grau de incompetência, que às vezes tem a ver com a maneira como são educadas.

um grau de incompetência, um grau de falta de habilidade, pessoas que têm, às vezes, uma origem relativamente confortável, receberam educação, receberam tudo, e têm uma inabilidade para gerar a sua sobrevivência,

que é uma coisa avassaladora. E, infelizmente, isso no nosso momento histórico tem se tornado cada vez mais comum. E nós não encaramos isso da maneira correta. Gerar a própria sobrevivência, saber lidar com os recursos do mundo, ter algum poder sobre as circunstâncias do mundo, isso é, sim, uma virtude. Uma virtude do corpo prânico, do nosso corpo energético. Saber lidar bem, como eu falava, com as duas energias da vida, que é a energia dos recursos e a energia do tempo.

saber lidar bem com esses dois mundos, com economia, com generosidade, mas também com empenho, com atenção, com criatividade, estando inteira em tudo que se faz, dando o seu melhor naquilo que se faz, abolindo uma série de dogmas e preconceitos que nós vamos ver mais adiante.

Não saber gerar recursos para sua própria sobrevivência, nós temos o hábito, porque a nossa é uma sociedade que adota a vitimização como um esporte mais praticado do mundo atual. Ou seja, sempre é porque o meio não permitiu. E na verdade não é sempre só o meio. É claro...

que o meio pode dificultar muito, mas às vezes tem certas condições internas que poderiam se sobrepor ao meio, como por exemplo, eu falei para vocês, acreditar em si próprio.

ter uma meta e trabalhar com perseverança e constância, dando o seu melhor naquilo que se faz, por muito pequeno que seja. Não podemos transferir as responsabilidades todas da nossa vida para o meio. Nós somos seres dotados de vontade e se acionamos essa vontade, às vezes podemos superar muitos obstáculos que o mundo coloca à nossa volta. Considere que tem muitos seres humanos que o fazem.

Então isso é possível. Desenvolver, não estou aqui dizendo para ninguém reconstruir fortunas, mas desenvolver uma capacidade de gerar os recursos que necessitamos. Existe uma forma para se fazer isso, da melhor maneira possível. Acreditar em si próprio e ter essa disciplina, esse empenho, de estar inteiro naquilo que se faz, procurando dar o seu melhor.

Mal karma prânico, como eu falei para vocês, significa não saber gerar nem tempo, nem dinheiro. Não saber gerir esses recursos que temos. E aquela pessoa que está sempre atrapalhada. E às vezes não é esse caso da pessoa que tem poucos recursos materiais.

que é realmente um caso mais complicado. Às vezes é um caso de uma pessoa que veio de uma origem, que lhe permitiu estudar, que lhe permitiu ter meios, que ainda assim não consegue ter a habilidade suficiente para organizar sua vida financeira, nem organizar o seu tempo. Então, cada vez mais comum...

nessa geração Z que vivemos, vamos ver como é que vai andar isso aí, porque é cada vez mais comum que aconteça isso. Jovens que o tempo vai passando e não tem nenhuma preocupação, porque como a liberdade dentro da casa dos pais hoje em dia é total, não há por que partir para uma independência, se ali tem tudo. E vão se acomodando nessa situação, às vezes por um tempo excessivo.

Bom, bom karma prânico, então, do ponto de vista da tradição indiana, o que seria um bom karma prânico? Iniciativa, proatividade, imaginação, generosidade, não desperdício, saber usar as coisas, os recursos da terra, com muita inteligência, com muito carinho, e sobretudo, como eu falei para vocês, autoconhecimento e autoconfiança. São elementos que são base para um bom karma prânico.

Uma pessoa espiritualizada, ela tem que se preocupar com isso também? Claro que tem. Uma pessoa espiritualizada não é aquela que foge do mundo. É uma pessoa que se compromete em trazer mais espiritualidade para o mundo. Fugir do mundo num momento onde temos tantas necessidades, pelo menos no nosso nível, não falo no nível de um grande mestre, que aí já é outra história.

Mas no nosso nível, fugir de um mundo que tem tantas necessidades, está mais para egoísmo do que para espiritualidade. Estar no mundo e abrir caminhos. Estar no mundo e dar exemplos. Estar no mundo e gerar referenciais. Para isso você vai ter que gerir recursos. Porque não há como agir no mundo sem você gerar e gerir recursos.

Ou seja, querer ajudar os demais exige recursos para a implementação. E todo mundo que trabalha com isso sabe o quanto de recursos que isso exige. E se não se sabe gerar esses recursos, não se faz grande coisa, por muito altruísta que seja.

Poder sobre as circunstâncias é virtude. Poder sobre as circunstâncias significa saber me impor sobre as circunstâncias. Às vezes até tirando proveito delas. Poder sobre as circunstâncias é pegar aquilo que a vida me deu e fazer o melhor com aquilo. É gerar um resultado acima da média com aquilo que a vida me deu. Que me permita galgar um novo degrau. Poder.

que é algo que a gente tem tanto preconceito hoje em dia. Chamos que poder necessariamente é uma coisa ruim. Poder é poder fazer, é poder realizar, é poder virar o mundo avesso para ver se ele está bem costurado. Poder é o atributo mais próprio de Deus. Ninguém pensa num Deus débil. E nós muitas vezes fazemos o culto à debilidade, a lei do menor esforço. Poder sobre as circunstâncias.

Poder não corrompe coisa nenhuma. Poder traz à tona aquilo que você já tinha. Se você tinha um caráter corrompido, o poder vai trazer isso à tona. Ele não corrompe o caráter de ninguém. Lembro aquilo que em muitas palestras já falei, que é a frase de Machado de Assis, que num determinado momento, no jornal em que trabalhava, ele diz, está errada a frase que diz que a ocasião faz o ladrão.

A ocasião faz o crime. O ladrão já nasce feito. Ou seja, o homem já tem no seu caráter a possibilidade do crime. O poder vai e dá condições para que isso se realize. Se ele não tem no seu caráter essa capacidade, não vai ser o poder que vai colocar isso aí.

E poder é poder realizar, é poder mudar o mundo, começando por mudar a nós mesmos. Então, capacidade econômica é poder sobre as circunstâncias, é poder invertê-las, é poder melhorá-las, é poder agregar ao mundo algum serviço, algum esforço que possa realmente beneficiá-lo. E com isso encontrar o nosso lugar no mundo. Sem competição, sem querer tirar os demais do mercado, mas simplesmente ocupando o lugar que me corresponde no mundo.

O lugar à luz, que corresponde a todos os seres humanos do mundo. Há luz suficiente para todo mundo. Temos que buscar ocupar o nosso lugar à luz.

Existe um livro que eu considero como um dos mais belos que já li na minha vida, sem sombra de dúvida. Esse livro se chama Luz do Caminho. Ele é uma coisa, é um baluarte de espiritualidade. E no tanto, a Luz do Caminho tem uma frase que, mal entendida, pode gerar uma série de equívocos. Ele diz o seguinte, ser tão ambicioso, quanto mais ambicioso dos mortais, só desapegado dos frutos.

Então vejam bem, se um homem materialista chega e diz, vou construir um prédio de 10 andares, um espiritualista teria que chegar e dizer, vou construir um de 20, só que não para mim, para a humanidade, para a necessidade dos outros, para alguma causa maior. Porque se nós estamos no mundo, e isso é inexorável, não há outra opção, o mundo é o nosso lugar nesse momento, se a espiritualidade não serve para você lidar com o mundo, para que serve a espiritualidade? Se não temos como sair daqui, se esse é o nosso lugar?

Se a espiritualidade não dá respostas para estarmos no mundo da melhor maneira possível, a espiritualidade é uma utopia que vai gerar uma evasão da vida. Vai nos prejudicar ao invés de nos ajudar. Não é assim que funciona. Espiritualidade ajuda a trazer o espírito à matéria. E para isso você tem que saber ter contato com o espírito, mas também saber lidar com a matéria. Espiritualidade é saber imprimir a pegada do espírito na matéria. Você tem que conhecer as leis dos dois mundos.

Se você é inábil para lidar com as leis do mundo material, você está perdido. Sua espiritualidade vai ficar lá entre os anjinhos, nas nuvens, e não vai gerar nenhuma pegada de benefício no mundo. E não é assim que funciona. Então, se a espiritualidade nos debilitasse para viver no mundo, é que serviria a espiritualidade? Se é no mundo que estamos.

Por exemplo, se você tem um sonho, quer fazer algo por alguém, pela humanidade, você quer construir algo belo, algo justo, quer fazer uma obra de arte, quer fazer alguma coisa que traga beleza, justiça, bondade ao mundo, um sonho é uma construção e toda construção demanda recursos. Se você não sabe gerir essa parte de fazer com que esses recursos surjam, o seu sonho vai morrer com você no plano mental.

Os homens que deixaram rastro no mundo, foram capazes de trazer as suas criações ao mundo, de alguma maneira conseguiram gerir esses recursos. Porque senão não haveria pedra de mármore que Michelangelo esculpiu.

Não haveria, sei lá, o papel pautado que Mozart utilizou para escrever. Não haveria as condições básicas para que as coisas fossem feitas. Qualquer sonho é uma construção. E uma construção demanda que você seja capaz de pegar essa ideia do plano mental e trazê-la para o plano emocional, gostar dela, para o plano prânico, gerar recursos para ela e para o plano físico, levantar e realizar.

Se você não é capaz de abrir as portas desses quatro mundos, você não entra com o seu sonho para a realidade. Ele não vai existir. Ele vai morrer como uma semente murcha lá no plano mental, porque você não teve a capacidade de abrir esses portões e trazê-los para a vida. Agora, é muito importante pensarmos em certos detalhes em tudo isso. É muito importante.

Uma coisa que eu trago como, por exemplo, vital, é o ensinamento do Dhammapada, que é o livro sagrado do budismo, onde ele, no seu nobre óptico do caminho, fala sobre as várias atitudes retas que o homem tem que ter na vida. E uma delas é reto meio de vida.

Eu não devo me corromper para poder gerar recursos. Isso é absolutamente fora de consideração. Eu não devo tomar caminhos tortuosos. Meu método de vida, meu meio de vida, deve ser sempre reto.

Temos que ter cuidado com aquela ideia de que os fins justificam os meios. Não justificam. Fins e meios têm que ser coerentes, porque se os meios são tortuosos, não te levarão a fins nobres. Isso é um dos maiores erros, um dos maiores desvios de interpretação da doutrina maquiavélica. Que nem Maquiavel era tão louco assim como parece.

Ou seja, os fins não justificam os meios. Ah, eu tenho um sonho nobre, então vou tomar caminhos tortuosos. Não. Reto o meio de vida. Isso é uma condição fundamental. Vou lidar com a economia, vou lidar como? Aproveitando as oportunidades que a vida dá, aproveitando as oportunidades que a minha própria espiritualidade me dá. Porque veja bem, espiritualidade é um canal de energia infinito. É uma coisa muito curiosa isso.

Espiritualidade, um pouquinho que você tem, um pouco de idealismo, um pouco de altruísmo, já te coloca numa condição de ter uma energia muito superior à média da humanidade.

Talvez você já tenha vivido alguma experiência assim. Eu vivo concretamente isso. Muitas vezes, durante toda a minha vida, trabalhei, porque o trabalho em Nova Acrópole é voluntário, e chegava à noite para dar as minhas aulas em Nova Acrópole, e chegava muito cansada. Depois de duas horas de aula, eu tinha tanta energia, ficava tão elétrica, que às vezes era difícil até dormir.

Ou seja, qualquer pequena canalização do espiritual te dá uma energia fora do comum, te dá muita capacidade de realização. Não precisamos apelar para recursos tortuosos. Ah, mas tem muita gente no mundo que faz. O problema é de quem faz. Os fins não serão nobres como você imagina. Serão tão tortuosos quanto os meios. Não podemos contaminar os meios. Ou seja, reto o meio de vida. É algo que o da mapada vai nos dizer.

Existe uma frase de Swami Vivekananda, um grande pensador indiano, que eu gosto demais dessa frase e diversas vezes tenho repetido, que ele diz que quando as coisas são os fins e Deus é o meio, você é um materialista.

Quando as coisas são meios e Deus é o fim, você começou a espiritualidade. Entendam o que significa isso. A maior parte da humanidade coloca Deus como despachante, ou seja, como meio, para obter aquelas coisas que Ele realmente quer. Coisas materiais, títulos, honras, reconhecimento, seja lá o que for. Ou seja, Deus é um meio para coisas materiais.

O certo seria o contrário. Ainda que você não acredite em Deus, o nome que você coloque, a unidade, o ápice da evolução humana, seja lá o que for que você coloque, a harmonia com a natureza, Deus é o fim. E as coisas são meios para que você chegue lá. E assim você sacraliza o trabalho, seja ele qual for. Você sacraliza as coisas. Então isso que eu estou fazendo me serve para me tornar um ser humano melhor.

mais próximo da unidade, com mais valores, virtudes, com um certo grau de sabedoria. Isso que eu estou vivendo, isso que eu estou possuindo, me serve para me aproximar desse ideal. Ou seja, a finalidade é sempre o ideal humano, é sairmos daqui maiores do que entramos, mas próximos da unidade, que é o atributo por excelência de Deus. Acredite você nele ou não. Viemos ao mundo para crescer.

para nos aproximarmos desse ideal. Então as coisas são meios, e tratadas dessa maneira, ainda assim, nós podemos fazer, aí é que nós temos mais razões, inclusive, para fazer o nosso melhor, porque aí sacralizamos a ação. Quem lida com as coisas só para extrair delas lucro, não tem a mesma motivação que aquele que lida com as coisas, querendo deixar ali uma pegada de um ser humano, querendo deixar um caminho.

todo ele iluminado pelas suas melhores intenções, querendo deixar uma escada toda carimbada com o seu coração. Não há como fazer coisas de uma maneira melhor do que aquele que faz pelo seu ideal. Não há entrega maior, não há estímulo maior do que esse. Portanto, é muito estranho que um homem espiritualista faça as coisas mal feitas. Tem alguma coisa estranha? Que a busca do ideal na sua vida, como um todo, implica na busca do ideal em cada momento.

Ou o idealismo está no presente ou ele não está em lugar nenhum. Ele está nisso que eu estou fazendo agora, na minha tentativa de passar o melhor para vocês. Em cada momento, ou o idealismo está ali ou ele não está em lugar nenhum. Então, há uma premissa aí fundamental da qual a gente também tem que se desvencilhar definitivamente. A economia não pode andar separada da ética, jamais. A economia é uma necessidade que nós temos de gerir, administrar a nossa casa.

Isso deve caminhar junto com a ética, porque ambas são forças da natureza, ambas são necessidades humanas. Não tem por que uma entrar em contradição com a outra. É como você dizer que a bondade entra em contradição com o amor, ou o amor com a justiça. Isso seria uma loucura.

Se são necessidades humanas que não foram criadas por nós, mas que fazem parte das leis do universo, elas são naturalmente afins. A economia não pode se desvenciar da ética. Não deveria nunca ter feito isso. E isso gerou uma imagem hoje que muitas pessoas têm. De que o econômico é de alguma maneira materialista e inferior, quando não é real.

Outra premissa que temos, que também tem que ser revista para que tenhamos uma vida econômica correta, vitória não é chegar à frente de ninguém.

Vitória é o domínio de si próprio, é você dormir o sono dos justos, tendo certeza que no dia de hoje você fez o seu melhor. Como dizia Helena Blavatsky, quem faz o seu melhor faz tudo o que se pode esperar dele. É dormir o sono dos justos em paz com céus e terra, sabendo que no dia de hoje você fez o seu melhor. Ou seja, eu estou à frente de quem? De mim mesmo no dia de ontem.

Eu não estou fazendo uma corrida onde eu quero deixar ninguém para trás. Vitória não consiste em subir num pódium e com um monte de fracassados lá embaixo, morrendo de inveja de ninguém. Sua vitória não deve depender do fracasso dos demais. Então desvencilhar essa ideia de que só temos sucesso na vida econômica se sairmos subindo na cabeça uns dos outros. Se sairmos eliminando pessoas, prejudicando pessoas, que também é uma visão muito equivocada.

Se você pegar uma pequena empresa, que é uma família que funciona muito bem, uma família harmonizada, é um pequeno empreendimento. Se você está dentro dessa casa e, sei lá, você quer ajudar na cozinha, tem duas, três pessoas na cozinha, você chega e diz, na cozinha não precisa de mais ninguém. O que eu vou fazer? Eu quero contribuir para casa. Eu vou ver o que está faltando.

Então eu vou varrer a casa, ou eu vou lavar os banheiros, ou eu vou varrer o carpete, ou vou fazer alguma coisa que seja necessária. Eu vou encontrando, porque as necessidades humanas são muitas, eu vou encontrando o meu lugar sem caprichos, buscando aquilo que é necessário, fazendo da melhor maneira possível, e não querendo expulsar alguém da cozinha para que eu entre. Dentro de uma lógica natural, regida pela justiça, pela bondade, pelo amor, não existe essa mentalidade. E, no entanto, no mercado nós criamos essa mentalidade.

De que para existirmos temos que sair jogando todo mundo para fora, prejudicando e falindo todo mundo, porque não há espaço para todos. Ou seja, essa é uma mentalidade que um dia vai ter que mudar. Não podemos continuar construindo, gerando coisas dessa maneira. É uma mentalidade de guerra, de exploração, que coloca a humanidade permanentemente num estado de egoísmo, de pensar apenas em si próprio.

A energia mais que suficiente é acessível ao ser humano, quando ele se conecta com valores universais. Como eu falei para vocês, valores universais são espiritualidade. O plano das ideias de Platão é um plano espiritual. Então, quando eu estou conectado com a justiça, com a fraternidade, com a bondade, há energia de sobra. Eu tenho que ser capaz de canalizar essa energia para trazê-la ao mundo. É uma fonte inesgotável de energia.

Eu costumo dizer que quando nós envelhecemos, existe um vetor, que é o da vida física, que declina, e um vetor da vida metafísica, que acende, que em um determinado momento substitui a outra com vantagens. Então uma pessoa que tem um ideal, uma pessoa que tem sonhos, uma pessoa que trabalha para algo maior do que a sua própria personalidade, é uma pessoa que tende a ter uma energia enorme até o final da vida.

Por quê? A energia metafísica substitui a física às vezes com vantagens. E você vai ver aquela pessoa altruísta, boa, que reflete, que pensa, um filósofo, como foi um Sócrates, como foi um Platão, que chegaram à idade avançada, extremamente lúcidos, ativos, por quê? Estão comprometidos com uma ideia, estão comprometidos com o ideal. E isso gera energia, isso não é fantasia. O vetor metafísico é ascendente, o vetor físico é descendente.

Portanto, nós temos que fazer com que nós vamos crescendo, desenvolvendo valores, e esses valores nos garantem a energia necessária. O grau de sabedoria que nos cabe a cada momento, garante que nós tenhamos energia de sobra, pela vida fora. Às vezes até mais do que um jovem, que não tem nenhum ideal, portanto fica apático, não tem nenhuma motivação. Isso é algo que eu costumo falar bastante quando falo de envelhecimento.

Se você pega uma pessoa de meia idade, uma pessoa de terceira idade, que tem o ideal, que tem um valor, que tem uma meta na vida, ele, sei lá, com 70 anos, ele em 5 anos pode fazer mais do que um jovem de 20 fará em 50. O tempo não é tão objetivo quanto vocês pensam. Tempo não é só tempo de relógio. Tempo é o tanto de vida que a gente é capaz de colocar dentro de segundos, minutos, dias, horas. Você pode desdobrar o seu tempo.

Então, a espiritualidade realmente, os valores realmente compensam a perda da energia material. E podemos gerar muita coisa. Temos que saber que, por exemplo, um martelo, como qualquer objeto material, um martelo pode ajudar a construir uma casa e pode ferir alguém também.

A economia não é diferente, é uma faca, pode construir uma excelente, pode fazer uma excelente comida, e pode atacar alguém também. Tudo no mundo manifestado é dual.

O fato de que usamos mal a economia de uma maneira predatória, de uma maneira competitiva, onde não pensamos em somar a sociedade, mas em colocar alguém para fora para que a gente ocupe esse espaço. Ou seja, essa mentalidade não é correta e ela pode ser corrigida. Ela deve ser corrigida. Não precisamos disso para fazer as coisas bem feitas. Não precisamos disso para atender as necessidades da humanidade.

Assim então é com o dinheiro, assim é com a economia. Pode ser tremendamente negativo e pode construir coisas maravilhosas. Não há por que um espiritualista fazer, rejeitar os recursos materiais, rejeitar o dinheiro. Isso é no mínimo imaturo, é no mínimo pueril. E quem fala para vocês é uma pessoa que trabalha 37 anos como voluntária.

Ou seja, eu gero recursos? Gero. Mas não para a minha vida pessoal. Já gerei muitos recursos para construir muitas coisas boas, que beneficiou muita gente ao longo desses 37 anos. Agora, se eu não fosse capaz de gerar nenhum recurso, eu me sentiria bastante limitada, porque os meus sonhos não teriam como se concretizar.

Então a economia separada da ética é exploração. E a ética separada da economia é inabilidade. Um monte de regras que na prática não te permitem fazer nada. Isso é absurdo. Dá para fazer tudo com ética. Você não precisa deixar a ética em casa para garantir nenhuma necessidade da vida. E a economia é uma necessidade da vida. Então ambas têm que caminhar juntas.

Filosofia, então, é algo que vai unir os dois. Filosofia vai ter essa capacidade de juntar os dois, produzir com consciência, administrar com justiça e usar os recursos para o bem comum. Consciência, justiça, preocupação com o bem comum. Se você junta essas coisas, você vai fazer com que a economia seja algo extremamente benéfico. E o mais espiritualista dos homens vai se preocupar em saber lidar bem com isso.

Todo ser humano tem que saber. Não é virtude não saber gerar recursos no mundo. A habilidade para gerar recursos no mundo é uma necessidade. Nós não vamos nos comparar com ninguém. Mas um nível de habilidade temos que desenvolver. Isso faz parte.

Viver filosoficamente, gente, não é fugir do mundo, é assumir a responsabilidade por ele, porque é no mundo que estamos. Nós vamos ficar aqui apáticos esperando um outro mundo. É nesse mundo que nós temos que atuar. Viver filosoficamente é tomar as rédeas do mundo, assumir a responsabilidade por ele.

Ou seja, ter sonhos, ter ideais e fazer o possível para trazê-los ao mundo. Querer beneficiar. Querer deixar o mundo melhor do que aquele que a gente encontrou. Querer que a nossa participação aqui não traga só gastos para a natureza. Traga benefícios.

querer que a nossa conta feche positivo. Eu gerei uma série de gastos para a natureza para existir até essa idade que tem, mas também trouxe benefícios com a minha ação. Todos nós deveríamos poder dizer isso. Ou seja, que a nossa conta com a natureza seja positiva, que a gente tenha crescimo, que a gente saiba gerar, que a gente saiba somar. E isso é uma necessidade.

Então, o meu sonho é um dia, quem sabe, talvez eu não veja nessa vida, acho pouco provável, mas que a gente tenha uma economia sadia, onde as pessoas possam gerar os seus recursos com aquilo que fazem, serem respeitadas naquilo que fazem, valorizadas naquilo que fazem bem feito, que ninguém precise passar a perna em ninguém para se impor no mercado, que todo aquele que gera recursos tenha a intenção também de fazer alguma coisa pelo mundo e não apenas por si mesmo.

Eu acredito que um dia o mundo pode ser assim. E a filosofia te oferece a possibilidade de sonhar com esse mundo, porque tudo nasce no plano das ideias. Se nós sonhamos com esse mundo, um dia ele existirá. Um respeito tremendo por todas as nossas três casas. O nosso corpo, a nossa residência e o planeta em que vivemos.

Gerando aquilo que necessitamos para implementar os nossos sonhos, que sempre devem beneficiar mais gente do que apenas a nós mesmos. E é isso. Eu peço que vocês façam uma boa reflexão, porque eu acho que aí tem algumas coisas que podem ser uma sementinha para que a gente sonhe com um mundo um dia melhor do que esse. Muito obrigada.

Você já pensou que uma compra simples pode mudar o destino de alguém? Todos os dias fazemos escolhas quase automáticas. Compramos o que precisamos, clicamos, recebemos em casa e pronto. Mas e se com esse mesmo gesto você pudesse alimentar uma criança, apoiar um projeto educativo ou levar dignidade a quem precisa? Esse é o propósito do Shopping do Bem. Transformar o consumo em consciência.

Cumpre como sempre, ajude como nunca. Acesse shoppingdobem.com.br e experimente isso na prática.

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