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#721- 10 Hábitos Filosóficos para Transformar Sua Vida Hoje | Filosofia na Prática com Vinícius Negrão

29 de março de 202647min
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Você já estudou filosofia, se inspirou, ficou com a cabeça cheia de ideias... e no dia seguinte a vida voltou ao normal?

Esse é o desafio real de quem busca o autoconhecimento: transformar a filosofia em uma prática viva — não um conteúdo que a gente consome e esquece.

Nesta live, o professor Vinícius Negrão mostra como os grandes filósofos não apenas pensavam — eles tinham rituais, hábitos e práticas diárias que tornavam a filosofia um modo de ser, não apenas um modo de pensar.

📌 O que você vai aprender:
— O que a filosofia realmente é (e não é) na visão de Pitágoras, Platão e Aristóteles
— Por que a filosofia, para ser verdadeira, precisa se transformar em conduta
— Como nasce o filósofo em nós — o inconformismo de Aristóteles e a reminiscência de Platão
— O que Plotino ensina sobre os dois tipos de amor que existem na alma humana
— Por que Plutarco chamava a filosofia de "o único remédio para os sofrimentos da alma"
— 10 hábitos filosóficos simples que cabem em qualquer rotina

⏱ Navegue pela live:
0:00 — Introdução: dá para viver a filosofia no dia a dia?
2:30 — O que é filosofia — busca de sentido e compromisso com a verdade
7:00 — Filosofia não é teoria — ela precisa virar prática de vida
10:30 — Plutarco: a filosofia como único remédio para os sofrimentos da alma
14:00 — O amor à sabedoria — Vênus Urânia e Vênus Pandemos (Plotino)
18:00 — Como nasce o filósofo — o inconformismo com uma vida sem sentido
23:00 — O filósofo questiona inclusive a si mesmo
27:00 — A filosofia como arte de viver — caminho interno e externo
32:00 — 10 hábitos práticos para viver a filosofia no cotidiano
33:00 — Hábito 1: não se contentar com a superfície das coisas
34:30 — Hábito 2: cultivar momentos de reflexão diária
36:00 — Hábito 3: desenvolver sentimentos através da arte e da beleza
37:30 — Hábito 4: organização e limpeza dentro e fora
39:00 — Hábito 5: combater a dispersão com atenção consciente
40:30 — Hábito 6: agir com discernimento nas escolhas
41:30 — Hábito 7: buscar a plenitude em cada ação
42:30 — Hábito 8: cultivar uma vida cerimonial e sagrada
43:30 — Hábito 9: análise do dia ao final — a reflexão de Pitágoras e Marco Aurélio
45:00 — Hábito 10: viver o momento presente de coração
47:00 — Conclusão: o compromisso filosófico com a prática

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✦ Sobre a Nova Acrópole
Escola de filosofia à maneira clássica, presente em mais de 50 países. Unimos filosofia, arte e voluntariado para o desenvolvimento humano integral.

Participantes neste episódio1
V

Vinícius Negrão

HostProfessor
Assuntos3
  • Filosofia e PensamentoNão se contentar com a superfície · Cultivar momentos de reflexão · Desenvolver sentimentos através da arte · Organização e limpeza · Combater a dispersão
  • Prazeres e filosofia platônicaBusca pela felicidade · Desenvolvimento das potências humanas
  • Filosofia de VidaTransformação da vida em arte · Harmonia e beleza na vida
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Será que podemos de fato viver a filosofia e os ensinamentos filosóficos em todos os nossos dias, em nosso cotidiano? Será que os ensinamentos de grandes filósofos como Platão, Sócrates, Siddhartha Gautama, Confúcio, são apenas para os livros, para os grandes estudiosos, ou eles servem também para que a gente use de fato para encontrar respostas para os desafios que temos todos os dias?

Meu nome é Vinícius Negrão e estamos começando uma nova live aqui no canal do YouTube da Nova Acrópole Brasil, onde nós falaremos sobre a vivência da filosofia na prática, da filosofia como algo natural, a filosofia como uma expressão da própria condição humana e que deve ser prática, deve ser vivida, aplicada em nossas vidas, em nossas oportunidades, em nossos desafios. Falaremos sobre quem é o filósofo, aonde surge o filósofo, onde ele vive, como...

encontramos, do que ele se alimenta, como ele vive a rotina dos seus dias, de onde nasce essa nossa busca interna por respostas e como nós podemos trilhar, na prática, esse caminho filosófico dentro de nós, no mundo que nos cerca, e teremos ainda algumas dicas práticas de como aplicar e como viver essa filosofia em nosso cotidiano. Então...

participem, comentem aí de que cidade vocês estão assistindo essa live, convidem algum amigo para assistir junto, comentem se está chegando bem aí o som, o vídeo para vocês, fiquem à vontade para comentários, perguntas, e teremos esse momento especial que nós estamos tendo em nosso canal do YouTube, toda quarta-feira, lives sobre temas profundos, belos, mas também práticos, que têm que ser vividos e aplicados em nosso dia a dia, em nossa vida.

Então, para a gente começar, valeria refletirmos sobre o que é filosofia. E para não dar uma resposta só genérica sobre a origem da palavra filosofia, que foi desenvolvida lá por Pitágoras, quando perguntaram se ele era um sábio, ele disse, não, eu sou apenas um amante da sabedoria. Podemos dizer, de forma prática, que a filosofia é a busca de sentido.

Ou seja, é a busca por entender a vida, a origem, a finalidade das coisas, o porquê vivemos aquilo que vivemos, porquê a natureza funciona da forma como funciona, porquê o ser humano age dessa ou daquela forma, quais são as causas, quais são as motivações. A filosofia é a busca por entender, é a busca com a verdade.

E por isso, inclusive, poderíamos dizer que se há um fundamento indispensável para o filósofo, é o compromisso com a verdade. Pois a filosofia não é simplesmente a busca por confirmar as nossas crenças ou as nossas opiniões. Isso talvez seria publicidade, proselitismo...

defender as minhas opiniões em debates, etc., é a busca sincera pela verdade das coisas. Inclusive naquilo que eventualmente contraria as minhas preferências, as minhas opiniões, mas é por entender como a vida realmente é, como a vida realmente funciona. Para que então eu possa, como diziam os filósofos estoicos, refletir sobre como eu vou agir diante disso, diante dessas circunstâncias.

A Cristiane comentou de Santos. Olá, Cristiane, que bom, bem-vinda. O áudio está bom, que legal. Então, vamos seguir, pessoal. Sejam bem-vindos. A filosofia é, então, essa busca verdadeira pelas coisas, pela essência das coisas. É, então, se é um compromisso com a verdade, é também um compromisso com a prática da verdade. Logo, a filosofia, para ser verdadeira, como diziam os grandes filósofos, ela não pode ser simplesmente um conjunto de conceitos, de teorias.

ela tem que se transformar em uma forma de conduta, em uma prática de vida. É o compromisso com a verdade, não só na teoria, mas também na aplicação desses ensinamentos. Se eu aprendo algo, se eu entendo algo sobre a vida e sobre o ser humano, eu tenho, então, como filósofo esse dever moral de colocar em prática esses ensinamentos na minha vida.

Até que eu possa tornar a minha vida, tornar a minha forma de agir, de me relacionar, a forma de encontrar solução para os problemas da vida de forma mais eficaz. Tornar mais plena e mais eficiente a minha compreensão da vida. Participar dela de forma mais inteira. Inclusive...

Tem um filósofo, um historiador, um filósofo chamado Plutarco, que tem uma frase que acho que é muito bela, que explica bem e que diz assim, os homens inventaram duas ciências para os cuidados do corpo, a medicina e a ginástica. Uma estabelece a saúde e a outra o vigor físico.

A filosofia é o único remédio para os sofrimentos e as debilidades da alma, pois com ela pode-se conhecer aquilo que é justo ou injusto, aquilo que é elegível ou evitável. Então Plutarco vai nos ressaltar que há ciências para estudar o corpo, há ciências para estudar, por exemplo, a economia, o comércio, a geografia, mas teria, segundo ele, apenas uma única ciência que estuda a alma humana.

para entender as forças e as debilidades, as necessidades e as oportunidades da própria alma humana. E essa ciência seria a filosofia. Pois com ela, então, podemos discernir o que é bom, o que não é bom, o que é adequado, o que não é adequado. Na busca sincera pela verdade das coisas. E não só pela forma com que nos agrada, mas sim pela vida como ela é.

Por isso se diz, então, que a filosofia é o amor à sabedoria. Não é simplesmente a curiosidade pela sabedoria, ou o interesse pela sabedoria, para que eu possa ter mais lucro, mais sucesso, ou uma posição melhor na sociedade. Não, é o amor. Ou seja, é um interesse profundo e verdadeiro, permanente, capaz de resistir a qualquer tipo de adversidade, sempre seguindo em direção à sua meta, alcançar a sabedoria.

A sabedoria que, por sua vez, não é só acumular informações e conhecimentos, mas é a prática desses conhecimentos, é a prática dessas verdades. Quando vemos em um livro, em um filme, o retrato de um sábio, dificilmente é só alguém que acumulou muita informação. Geralmente, é alguém que tem uma vida muito especial, uma forma de se relacionar com as pessoas, com os animais, com as plantas, com a própria natureza como um todo, com a sua própria alma.

de uma forma muito especial, muito profunda. A sabedoria é, então, a vivência desses valores e desses ideais buscados pela filosofia. Por isso que o filósofo, talvez, não seja ainda um sábio, não é aquele que tem a plena expressão dessas suas potências internas, dessa verdade humana, mas é aquele que está verdadeiramente comprometido com isso.

por amor. Ou seja, não vai desistir em nenhum passo desse caminho. Por isso, poderíamos dizer que todo filósofo está fadado a tornar-se um sábio, desde que ele não desista. Se esse amor for permanente e verdadeiro, ele vai ultrapassar qualquer obstáculo no caminho e vai encontrar a sua meta, vai encontrar a sabedoria.

E esse conceito de amor à sabedoria, de amar à sabedoria, é muito especial. E há um filósofo chamado Plotino que falou muito bem sobre isso. Falava sobre essa ideia de que o filósofo é aquele que ama a verdade, aquele que busca a realidade das coisas. E dizia que o amor é justamente uma ponte dialética.

capaz de nos levar até essa compreensão da verdade, até essa sabedoria, ou seja, o amor seria o meio, seria o canal através do qual o homem pode sair da ignorância e chegar à sabedoria. Sair do seu egoísmo e chegar a uma compreensão de fraternidade e bondade. E alguns filósofos diriam ainda, sair daquilo que é perecível e passageiro.

para encontrar aquilo que é eterno, aquilo que é permanente. E Plotino, então, usava uma imagem sobre o amor. Ele dizia que esse amor tem duas naturezas dentro da nossa condição humana. Tem aquele amor que busca as coisas elevadas, que chamava de Vênus Urânia. Ou seja, essa deusa do amor que busca o céu, o celeste, aquilo que é permanente, aquilo que é durável.

em oposição a Vênus pandemos, que seria esse amor que busca as coisas da vida, do mundo, as coisas da matéria, as coisas do eu pessoal. Esse amor, ou essa busca, esse apreço, essa afeição, que inclusive nós compartilhamos com todos os seres, até mesmo com os seres animais, por exemplo, que também gostam do carinho, da companhia, da boa comida, do conforto.

mas não tem ainda desperto na sua natureza essa busca pelo eterno, pela justiça, pela bondade, pelo mistério da vida e da morte, pelo mistério de Deus. Já a alma humana, ela se move nas asas dessa Vênus Urânia, ou seja, esse amor que se eleva, esse amor que busca as coisas eternas.

Então é esse o amor próprio do filósofo. Não só o amor das coisas materiais. Não que esse amor também não tenha o seu valor, a sua importância. Mas não basta para essa alma que busca respostas. Para essa alma que busca sentido. Para saber como transitar e como atuar na vida. Essa alma vai buscar as coisas eternas. É o amor à sabedoria. É o amor às virtudes, aos valores eternos.

E esse que ama, então, a sabedoria? Será que ele nasce assim do nada? De onde que desperta um filósofo? Será que ele cai de paraquedas em algum lugar? Alguém vai lá e cutuca ele, ele acorda? Como nasce um filósofo?

E a ideia é que o filósofo nasce justamente do nosso inconformismo com uma vida sem sentido, com a aparente ausência de sentido da vida, ou ainda com uma insatisfação com as explicações correntes, com as opiniões vigentes, correntes da moda, que parecem não explicar de fato qual é o sentido das coisas, qual a finalidade da vida humana, o propósito da nossa existência. Será que a nossa vida simplesmente é feita para a gente...

Crescer, trabalhar, pagar boletos, ter filhos, viver algumas diversões, sofrer algumas dores e ponto final? Ou tem um propósito transcendente, um sentido maior? Será que o ser humano participa dessa grande obra cósmica? Essa grande obra da natureza, que os hindus chamavam, por exemplo, de Dharma? Essa grande lei que une a todos, cada planta que existe no universo, no nosso planeta.

está fazendo fotossíntese, está contribuindo para o ciclo da vida. Cada passarinho, cada mosquito, cada sapo está vivendo algo próprio da vida. Será que só o ser humano que não? Para nós não basta simplesmente a participação. Quando vemos as borboletas, as flores e as estrelas, elas participam da vida de forma integral, mas não se questionam sobre isso.

O ser humano tem isso na sua própria natureza, esse questionamento. Para ele não basta simplesmente existir. Para que ele expresse o máximo das suas possibilidades, ele precisa entender. Ele precisa fazê-lo por um ato de vontade, conscientemente. Então há um momento em nós, que Aristóteles inclusive relaciona quase como um cansaço, um infasto que a gente sente, de quando a nossa vida parece vazia de sentido. Algo tem que despertar ali.

Falta algo para preencher a nossa percepção da existência. Esse momento seria o nascimento, o despertar desse nosso eu filosófico, que agora quer respostas para a vida.

Não quer simplesmente existir, levado pelo vento, para lá ou para cá. Mas ele quer encontrar o porquê ele vive. E como ele vai fazer isso da melhor forma possível. Porque, inclusive, seria através desses passos conscientes do filósofo que nós encontraríamos a felicidade. A tão sonhada felicidade, paz e serenidade.

humanas, viria dessa consciência do porquê a vida é como é, o que ela espera de nós e como eu posso participar dela de forma inteira, de forma plena. Então o filósofo é aquele que está disposto a questionar, inclusive, as próprias crenças.

O filósofo não pode ser alguém que quer só, como nós já falamos, confirmar as suas opiniões. Podemos aqui estabelecer um princípio básico. Nenhum de nós está absolutamente certo sobre tudo aquilo que pensamos. A chance de sermos sempre certo é zero. Logo, há muito que temos que aprender. O filósofo, o cientista Descartes disse uma vez que daria tudo aquilo que sabia por metade daquilo que não sabia.

É claro, a multiplicidade das coisas que não conhecemos é muito grande. Então, é importante que busquemos essa verdade de forma ampla, desapaixonada, desidentificada com as nossas próprias preferências, opiniões, expectativas, preconceitos, caprichos. Como já dissemos, o filósofo é aquele que quer a verdade das coisas e tem que estar disposto a questionar, inclusive a si mesmo, inclusive as suas próprias opiniões.

Não como um cético simplesmente que questiona tudo porque acha que nada é real. Não. Mas como aquele que está buscando se aproximar passo a passo, dia a dia, escolha a escolha, da verdadeira essência das coisas. Se aproximar da verdade. Se aproximar da sabedoria.

Então o filósofo tem que estar disposto a questionar. E ele tem que estar disposto e determinado a caminhar nessa busca pela verdade. Porque não basta eu decidir ser um filósofo e no dia seguinte tornar-me um sábio. A nossa caminhada é longa. Alguns diriam que é até árdua, mas também divertida. Também empolgante, nobre, digna, inspiradora. A caminhada do filósofo. Se é desafiador ser um filósofo, mais ainda seria não ser.

caminharíamos na vida sem entendê-la e sem mesmo buscar compreendê-la. Então, o filósofo tem essa capacidade, essa permanência de se manter fiel à sua busca, diria Platão, pois ele traz dentro de si uma memória, uma reminiscência, uma evidência de algo de verdadeiro, algo de atemporal que a sua alma percebe no mundo e em si mesma, ainda que ela não saiba explicar.

Siddhartha Gautama, ou Buda, também trazia essa ideia, ao dizer que o homem, o ser humano, ele sente uma necessidade de eternidade. Faz parte da sua natureza. Porém, como ele está tão identificado com a matéria, ele tende a buscar a eternidade nas coisas que são passageiras. E quando elas se desfazem, ele sofre. E aí seria a origem da dor. O apego.

a impermanência das coisas com as quais nos identificamos. Se eu me identificar com a flor, ela vai murchar e eu vou sofrer. Mas se eu admiro a beleza permanente que está na flor, ainda que essa flor muxe, outras flores nascerão. E essa beleza não está só na flor, essa beleza está também no pôr do sol.

está também no riso das pessoas, está também nas ideias, nas músicas, na poesia, na vida. Logo, buscarmos aquilo que é permanente, atemporal, seguindo essa evidência interna que já sentimos dentro de nós, que nos dá força para permanecer fiel, perseverante nessa busca, ainda que às vezes seja muito desafiadora. E que inclusive não vai ser tão fácil, tão simples.

muitos filósofos vão dizer, inclusive, que enfrentaremos nesse nascimento as dores do parto, pois teremos que abrir mão de algumas meias-verdades ou de algumas falsas percepções. Teremos que perceber que a vida não necessariamente é aquilo que gostaríamos que ela fosse.

Ela não se molda com base nas nossas expectativas e preferências, pois ela é conduzida, segundo valiosos ensinamentos, por uma sabedoria muito maior do que a nossa, e que leva em conta cada átomo, cada instância, cada ser do universo. Não é a nossa preferência ou a nossa opinião que vai governar a vida.

Então, é claro, eu tenho que estar disposto a ter o meu juízo para fazer as minhas escolhas, mas eu preciso entender que a vida é o que ela é. Por isso que buscar a verdade, se comprometer com a verdade e perseverar nessa busca é também a capacidade de estar aberto, desapegado das minhas próprias opiniões. E Pátia de Alexandria, uma grande filósofa, aqui no mês das mulheres, afirmava que não poderia acreditar em algo que não pudesse questionar.

não simplesmente pelo prazer de questionar, como um rebelde sem causa, mas sim pela busca verdadeira da verdade, com o perdão do pleonasmo, a busca verdadeira da essência das coisas, a busca do ser em si.

daquilo que Platão chamaria como o número, a essência, o ser, o ente de cada coisa. Por que a vida me mandou ou me oportunizou tal situação, tal circunstância? Por que eu tenho dificuldade em lidar com tal tipo de situação? Por que eu tenho um sentimento de...

encantamento diante de coisas belas, porque a minha alma se encanta diante de gestos de beleza, porque eu me incomodo quando alguém, por exemplo, me desafia na minha vaidade, ou seja, eu preciso buscar entender isso com verdade, de forma desidentificada, desinteressada dos meus interesses pessoais, mas comprometido com a verdade. E esse processo não é um processo extraordinário ou sobrenatural.

que só algumas pessoas ao longo da história da humanidade seriam os filósofos. Não, o termo filósofo pode ter sido cunhado há alguns séculos, na verdade, 2.600 anos aproximadamente, mas os filósofos existem muito antes disso, pois a filosofia existe desde que o ser humano existe. A filosofia é natural, assim como é prática. Aristóteles usava como exemplo...

ao trazer um ensinamento em que ele dizia assim, o homem tende ao saber. E como exemplo, mencionava os bebês, as criancinhas, que quando começam a abrir os olhos, quando aproximamos objetos com cores diferentes, com formas diferentes, elas imediatamente tentam pegar, tentam colocar na boca, tentam sentir como é a textura, elas querem conhecer. O ser humano tem uma busca natural por conhecer.

por entender, por desvendar a vida. Assim, todas as nossas crianças, nossos filhos, nossos irmãozinhos entram naquela fase dos porquês. E muitas vezes nos enlouquecem com tantas perguntas. E essa fase deveria durar a vida inteira. É fundamental que tentemos encontrar sempre os porquês.

os motivos, os comos, as razões por trás dos fenômenos e das circunstâncias. As escolhas não são aleatórias, nem as nossas, nem as da vida, embora às vezes possa parecer que se age no impulso, que as coisas acontecem ao acaso, mas segundo todos os ensinamentos que a filosofia nos traz, é obra de uma lei, de uma harmonia, de uma ciência, inclusive, que eu poderia entender.

e que entender e viver em harmonia com ela seria a própria sabedoria. Então, a filosofia é uma expressão natural da condição humana.

o ser humano tende a buscar e a entender a vida. Como nós dissemos, os animais, as borboletas, os passarinhos, eles vivem e expressam a sua natureza de forma instintiva, de forma inata. Se diz, nas mitologias, que os deuses têm absoluta consciência de todas as forças que atuam no universo e da sua própria essência imortal.

Porém, o ser humano não é nenhum, nem outro. O ser humano está no meio do caminho. Ele também precisa participar da vida, mas ele ainda não entende ela. E está tudo bem. É porque a condição humana é exatamente o despertar dessa nossa busca pela verdade. E por isso, cada um de nós, em algum momento, há de fazer essa escolha por caminhar na compreensão da vida.

se dispor a entender e a viver, conforme aquilo que a vida nos mostra do seu coração, da sua essência, das suas leis. Então a filosofia, por ser prática, há de promover uma transformação profunda e consequências reais em nossas vidas. Se eu quero parar para pensar se eu realmente estou sendo filósofo, da forma como propomos em Nova Acrópole, eu teria que pensar, eu estou mudando a minha vida?

Será que a forma com que eu vivia 10 anos atrás é a mesma que eu vivo hoje? Se sim, muito provavelmente eu não aprendi nada, eu não cresci nada, eu não mudei nada nesse período. Pois eu não era dono da verdade há 20 anos atrás, ou há 10 anos atrás, ou há 6 meses atrás. Diria mais, há dois dias atrás. Logo, nesse tempo que passou, se eu estava disposto a aprender algo, eu tenho que ter mudado algo. Eu tenho que ter aprendido, eu tenho que ter melhorado, eu tenho que ter crescido.

E caso ao refletir eu constate que eu não estou me vendo crescer, melhorar, transformar, tudo bem, eu posso fazer isso a partir de agora. Me comprometer com esse processo de transformação humana através da filosofia.

A filosofia seria essa força, essa condição natural para levar o ser humano de uma condição animal para uma condição de sabedoria, de uma inconsciência profunda para uma consciência ampla sobre a vida e sobre si mesmo. É a nossa ferramenta para buscarmos o pleno desenvolvimento das potências humanas. Porque, diferente da águia, do grilo ou dos planetas,

O ser humano, para expressar suas potências internas, coragem, bondade, fraternidade, precisa fazer isso conscientemente. A natureza humana não surge de forma extintiva. A natureza humana é fruto de um ato de vontade, de um ato consciente. E a filosofia vai nos levar ao longo desse processo. E como diria Plotino, o amor, a busca por essa união, por essa verdade, vai nos levar ao longo desse processo.

E, vivendo esse processo, poderíamos dizer, dentre os vários ensinamentos, que uma das consequências naturais é a felicidade. O filósofo, ao caminhar na sua busca pela sabedoria, desenvolvendo as suas características, as suas qualidades humanas naturais, também encontra a felicidade. A felicidade seria essa consequência natural do desenvolvimento da vida, da expressão da vida humana.

Por isso, Siriham, por exemplo, diz em uma das suas obras, o filósofo tem a obrigação moral de ser feliz. O fundador de Nova Acrópole traz em um dos seus ensinamentos uma história de que um mestre teria perguntado a um discípulo, mestre, como eu posso reconhecer um sábio? E o mestre respondeu, bom, não tem como reconhecermos os sábios, pois não somos sábios para saber distinguir plenamente, mas uma coisa podemos ter certeza, um sábio será feliz.

Se você vê alguém que está em constante conflito com a vida, constantemente se sentindo injustiçado, amargurado, em conflito com as pessoas, certamente esse não é um sábio. Ainda não encontrou essa forma suave, adequada, plena de transitar pela vida.

E por isso, vários filósofos, várias correntes da filosofia vão nos dizer que a vivência da filosofia é uma arte de viver. Ou seja, é uma forma de elevar a nossa condição de existência a uma arte. Ou seja, algo que é belo, algo que é harmônico, algo que é inspirador.

Tudo pode ser levado, todas as habilidades humanas podem ser levadas a uma condição de arte. Eu, por exemplo, sei cozinhar razoavelmente bem. Sei fazer o meu almoço, sei fazer o meu lanche, a minha janta. Mas conheço pessoas que quando cozinham é uma obra de arte.

Ou seja, esse refinamento da técnica, essa elevação a um grau de beleza, a um grau de inspiração, que a gente olha às vezes e fica pasmo. Nossa, como a pessoa é capaz de fazer algo com tanta beleza, com tanta perfeição, com tanta profundidade? A vida também tem essa possibilidade. Também podemos transformar a nossa vida em uma arte, em algo que comunica beleza, em algo que comunica sentido e inspiração para os demais.

Logo, a filosofia, quando aplicada, então, seria aquilo que os gregos chamavam de um caminho para o Olimpo, ou uma ponte entre o céu e a terra. E esse caminho que nós vamos trilhar ao longo do nosso processo filosófico, ele é trilhado tanto para dentro quanto para fora. Ele é um caminho interno e externo. Inclusive,

no nosso curso de filosofia em Nova Acrópole, aqueles que já conheceram, nós começamos falando de duas matérias, a ética e a política, a sociopolítica. Ou seja, a busca por uma unidade dentro de nós, como viver, nos autoconhecer, como formar o nosso próprio caráter, e a busca de uma unidade fora de nós, no mundo, com os demais, como conviver, como nos relacionar, como encontrarmos sínteses e consensos na sociedade.

uma sociedade tão diversa que busca coisas muitas vezes tão diferentes, mas que tem fundamentalmente ideais em comum. A bondade, a justiça, a felicidade, o bem-estar de toda a humanidade. E nós podemos trilhar esse caminho dentro e fora. Inclusive algumas mitologias representam essa ideia com o símbolo de um machado.

de lâmina dupla, o machado de duplo fio, que seria essa ferramenta, essa arma mágica capaz de nos ajudar nessa caminhada, trabalhando dentro e trabalhando fora.

Então, esse caminho interno, aquilo que os gregos chamavam de ócio, ócio, ou seja, a vida interior, perdão, os gregos não, os romanos, né? Do latim, ócio. Ou seja, a busca de uma vida interna, a busca por conhecer a mim mesmo, a busca por entender as minhas motivações, as minhas necessidades reais.

compreender a essência da natureza humana, os seus mistérios, os seus tesouros, os seus poderes latentes. O ser humano é incrível. Todos nós vemos e conhecemos histórias ao longo da nossa vida que mostram capacidades incríveis do ser humano, de superar obstáculos que pareciam intransponíveis, de perseverar mesmo diante de circunstâncias muito desafiadoras.

de encontrar respostas para enigmas que pareciam impossíveis de serem desvendados, mas o ser humano é capaz, através dos seus poderes internos, das suas virtudes internas. Então a busca por esse contato com a essência, esse caminho interior, é capaz de nos dar essa...

reflexão, esse conhecimento de nós mesmos e gerar uma transformação de dentro para fora. Se eu me conheço melhor, se eu conheço as minhas forças e as minhas fraquezas, se eu busco entender de fato quem eu sou, o que é o ser humano, qual é a origem do ser humano, será que eu me limito a esse corpo, a essa mente, a essas emoções? Ou, como diriam os filósofos, tem algo a mais?

tem uma alma, tem uma consciência, algo para além das formas materiais. Essa busca interna é uma parte essencial do processo filosófico, que se completa também numa busca externa, ou seja, numa vida exterior, ou como chamavam os romanos, o negotium, ou seja, essa vida para fora, a minha relação com o mundo, a minha relação com os outros, a minha possibilidade de ação e atuação na humanidade.

onde eu vou poder aprender com a convivência, aprender com as experiências, aprender, inclusive, a ouvir e respeitar aquilo que é diferente. E é tão fundamental para nós aprender com a experiência do outro. Nós precisamos, inclusive...

do enriquecimento que essa diversidade humana nos traz. Então a experiência coletiva da humanidade é fundamental. Aristóteles dizia que o ápice humano só é alcançado coletivamente, quando ele se refere à civilização, à cultura, à política. Ou seja, juntos podemos fazer muito mais, respeitando a individualidade, a integridade de cada um, mas somando para construir uma ideia em comum.

Construir essa busca de uma felicidade, de uma justiça, de um bem-estar para toda a humanidade. E, através desses caminhos, eu poderia desenvolver, dentro de mim, virtudes como a ética.

a coerência, a mística, a devoção, a identidade. E poderia desenvolver na minha relação com os demais virtudes como a convivência, a bondade, a fraternidade, a empatia, a compaixão, a paciência. Todos esses valores são potências presentes na natureza humana que têm que ser despertas conscientemente, que precisamos nos decidir a desenvolvê-las, a encontrá-las e expressá-las em nossa vida.

E, tendo feito essa breve reflexão e introdução sobre o que é a filosofia na sua busca de sentido, o que representa esse amor à sabedoria e esse compromisso com a verdade, que é uma busca vivencial e prática, como nasce o filósofo em nós, quando as respostas correntes e as opiniões superficiais não bastam mais para entendermos a vida e a gente quer entrar no profundo das coisas.

Tendo feito, então, essa apresentação desses caminhos, eu proponho para vocês algumas dicas básicas e fundamentais que a gente pode aplicar hoje, daqui em diante, na nossa vida, para vivermos a filosofia em nosso cotidiano. E não envolve longas horas de estudo e nem debates na ágora ateniense, mas coisas práticas que nós conseguimos fazer, de fato, na nossa vida. Com um pouco de esforço, é claro, porque tudo que é válido em nossa vida exige um grau de esforço.

de colocar nossa vontade em ação. Mas nada que seja impossível para nós. Pelo contrário, coisas simples, mas que praticadas, vividas intensamente, podem levar a grandes transformações. Então eu trago aqui para vocês 10 dicas, básicas e práticas, de como viver a filosofia em nosso cotidiano.

A primeira delas seria não se contentar com a superfície das coisas e das pessoas, buscar a verdade mais profunda. Não basta para nós vermos a aparência das coisas, eu preciso entender o que está por trás. Alguém pode me dizer algo, não quer dizer que de fato aquilo seja sincero ou aquilo não expressa totalmente o que a pessoa quer dizer com aquilo. Muitas vezes ela tem até dificuldade de expressar o que realmente ela precisa ou o que ela busca.

Não basta ouvir uma explicação superficial sobre um fenômeno natural ou sobre uma situação econômica, política, social. Eu preciso, como aquele que busca a verdade, ir mais fundo. Adentrar, mergulhar na vida para ver a sua verdade. Perguntar mais uma vez, pensar mais uma vez, refletir sobre as coisas. Não se contentar com as verdades aparentes e superficiais, mas buscar o que está dentro, buscar a essência das coisas.

A segunda dica seria, justamente, para que a gente possa desenvolver essa busca, cultivar momentos de reflexão diária.

É muito importante para nós termos momentos, podem ser pequenos momentos em nossa vida, para refletir sobre as coisas. Será que eu agi certo? Será que aquilo faz sentido? Que resposta eu posso dar para aquele problema? O que será que fulano quis dizer com tal coisa? Como eu vou resolver tal situação? O que eu pretendo com o meu dia ou com a minha vida? Esses momentos de reflexão são fundamentais para que a gente possa, de fato, encontrar respostas conscientes para a vida.

Muitas vezes nos desesperamos, ficamos ansiosos diante de um problema porque não vemos uma solução, mas de fato paramos para tentar encontrar essa solução? Ou a gente está esperando que ela venha daquilo que a gente já conhece ou que alguém traga ela pronta para nós?

As soluções, por exemplo, para a nossa nação? As soluções para o mundo, hoje para a humanidade, os problemas sociais, geopolíticos, econômicos, sanitários que a humanidade está enfrentando? Será que a gente está realmente tentando encontrar as respostas? Cada um de nós? Ou estamos, de modo geral, esperando que alguém encontre e nos conte qual que é, e que a gente concorde, e que ele faça, e que dê tudo certo para nós?

Então é fundamental que nós tenhamos alguns momentinhos do nosso dia para remoer aqui com os nossos botões, para pensar, para matutar, para ser capaz de refletir sobre as coisas da vida. Poucos momentos, mas escolhidos, garantidos para que aconteçam, podem fazer toda a diferença de como ajudar alguém, de como dar uma resposta para um problema, de como lidar com uma situação difícil ou imprevista.

Nós temos muitas respostas que nem sabíamos que já estavam dentro de nós. Mas se eu não parar para olhar, eu não vou ver, não vou encontrar. A terceira dica, então, seria desenvolver sentimentos através da arte, através da beleza, através do contato com o belo, com a estética, com a natureza. Ou seja, buscar uma inspiração.

é fundamental para nós. Às vezes parece que a vida está um pouco morna, um pouco sem graça, eu estou me sentindo sem motivação. E um contato, muitas vezes, com uma beleza, com uma música inspiradora, com um poema, ou ir a um lugar belo para contemplar um pôr do sol, uma paisagem, pode ser transformador para a nossa alma. O ser humano é feito de razão e sentimento. A consciência humana precisa não só entender, mas amar.

O professor Jorge Ângelo Ivraga, fundador da Nova Acrópole, dizia que com a mente somos capazes de compreender o universo, mas é com o coração que nós participamos dele. Então é fundamental trazermos para a nossa vida a beleza dos sentimentos, a beleza da inspiração, da arte, a estética é fundamental para nós. Cultivar momentos de beleza, cultivar sentimentos.

A quarta dica, até para nos ajudar nesse processo e nesse trabalho, seria dizer que é fundamental para nós promovermos todos os dias um pouco de organização e limpeza, dentro e fora de nós. Como será que está a gaveta da nossa mesa no escritório? Como será que está o nosso guarda-roupa?

ou aquele quarto que a gente tem na casa que geralmente guarda as bagunças. Como estão os nossos pensamentos, as nossas emoções? Eles estão claros, ordenados e harmônicos, ou eles estão confusos, caóticos, conflitivos? Sempre que eu promovo um grau de organização dentro de mim...

eu vou ser capaz também de buscar e de gerar essa beleza e essa ordem fora de mim. Eu vou querer ver as coisas organizadas no seu devido lugar. Da mesma forma, sempre que eu busco organizar as coisas fora, trazer um grau de harmonia, trazer um grau de beleza, eu vou estar também organizando os meus pensamentos, organizando os meus sentimentos. O escritor Steven Pressfield...

comenta que ele sempre buscava a inspiração para escrever os seus textos, porém, quando ele ia sentar para escrever, pontualmente, todos os dias, no mesmo horário, ele arrumava o seu escritório, arrumava a sua mesa e limpava o tapete de entrada da sua sala para que as musas, quando entrassem, não sujassem as suas vestes. Ou seja, é claro que a inspiração vai vir, mas ela tem que me encontrar trabalhando, num ambiente adequado, ela tem que ter espaço para fluir.

É como a alegoria que nós usamos muitas vezes nas palestras, do cano de bambu ou da flauta. Se tiver cheio de sujeira, cheio de poeira e eu assoprar, só vai sair poeira. Mas se estiver limpo e descontaminado, pode sair música. E eu souber as notas que eu tenho que apertar, a intensidade do sopro que eu tenho que dar, pode virar uma bela canção. Então, buscar a ordem, a organização, a harmonia é muito importante para nós como filósofos, dentro e fora de nós.

A quinta dica seria, então, combater a dispersão, utilizando a nossa atenção consciente. Não desperdiçar o nosso tempo. É fundamental na vida que nós façamos escolhas sobre como estamos usando o nosso tempo, de fato. Então, eu vou descansar? Ótimo, é importante, mas eu vou escolher a forma adequada de descansar.

com a minha mente leve, nos momentos adequados. Não vou dormir em excesso, nem vou dormir pouco demais. Vou buscar aquilo que é equilibrado. Eu preciso ter o meu lazer? Claro, é muito importante, mas qual lazer? Com que companhia? Fazendo o quê? Em que lugar? Com que tipo de estímulos? Eu vou trabalhar? É fundamental. Mas de que forma? Com que humor?

Eu preciso, então, combater os momentos de inconsciência, os momentos de mecanicidade. Muitas vezes, a gente mal vê a vida passar. Mal percebemos que o dia decorreu, e quando vemos, já estamos lá no final do dia, e passamos quase que no piloto automático. Desatentos, dispersos, quase que ausentes da nossa própria vida. A presença, a atenção, a consciência é fundamental para que eu possa, então, aproveitar os momentos de aprendizado, de...

de reflexão, de superação, de crescimento, de felicidade que a vida vai nos dar. Buda dizia que a dor é veículo de consciência, mas não só a dor. A alegria, a prova, a paz, o silêncio, tudo é veículo de consciência. Quando estamos presentes e atentos, dispostos a aprender com a vida.

A sexta dica seria, então, tendo essa atenção e essa consciência, agirmos com discernimento. Ou seja, parar para refletir. Por que eu estou agindo como eu estou agindo? Por que eu estou buscando aquilo que eu estou buscando? Isso faz sentido? Isso realmente é bom para mim? Ou eu estou sendo, talvez, comandado por impulsos?

por instintos, por medos, por paixões, ou até por condicionamento coletivo, biológico, o ser humano é capaz de promover grandes atos de coragem, de beleza, de justiça, mas ele tem que estar consciente e capaz de fazer escolhas. Então é fundamental que nos questionemos, por que vivemos como vivemos?

Porque fazemos aquilo que fazemos. Eu, de fato, parei para escolher a forma como eu vejo a vida, a forma como eu me relaciono com as pessoas, ou eu fiz isso por impulso, com base na opinião da moda, com base na opinião da mídia, com base naquilo que os outros esperam de mim, ou eu parei, de fato, para fazer escolhas sobre quem eu quero ser.

qual é a vida que eu quero construir, como eu quero transitar pela vida e me relacionar com a vida e com os seres, inclusive comigo mesmo. Então, ter discernimento nas nossas escolhas. De fato, fazer escolhas. Não deixar que os outros...

ou que simplesmente o impulso da natureza biológica escolha por nós. Que aí estaríamos não na condição humana, mas talvez na condição, por exemplo, dos animais que agem por extinto. E deixaríamos de realizar aquilo que é próprio da nossa natureza, da nossa condição humana.

E seguindo ainda nessa linha lógica, a sétima dica seria buscar a plenitude nas nossas ações, em cada uma delas. Cada pequena coisa, cada grande coisa guarda um segredo, guarda um tesouro, um aprendizado, um crescimento, uma resposta, um mistério, uma face de Deus, uma expressão das leis da vida. É fundamental para nós colocarmos o nosso melhor em tudo aquilo que fazemos.

cultivarmos uma vida cerimonial, a ideia de sacralizar a nossa vida, o nosso trabalho, a nossa relação com as pessoas, transformar a nossa vida em um ato consciente, em uma oração, em um ato de amor, de devoção. Eu posso todos os dias acordar, fazer um pão e comer, ou eu posso acordar, servir uma mesa de café da manhã, embelezar aquele ambiente para as pessoas que eu amo, compartilhar um momento de consciência.

Há diferentes formas de fazer as coisas na vida. E é fundamental que possamos cada vez mais fazer com esse ânimo de perfeição. Sri Ram, mais uma vez, dizia que o ser humano não conhece a perfeição, mas ele pode conhecer a plenitude, que é a perfeição possível agora.

o melhor que eu posso agora, hoje. E desse melhor viria também a minha realização, a minha paz e a minha felicidade. Como dizia Helena Blavatsky, aquele que faz o seu melhor faz tudo que se pode esperar dele. Eu não posso esperar, ninguém pode esperar de mim mais do que eu posso.

mas eu também não posso me contentar com menos do que isso. Será que eu estou fazendo o meu melhor? Será que os meus companheiros de trabalho, os meus familiares, quando convivem comigo, convivem com o meu melhor? Com a minha melhor face na maior parte do tempo? Ou será que na maior parte do tempo eu estou mostrando outras faces da minha personalidade e escondendo esse melhor da minha alma humana? Caminhando para a nossa conclusão.

Então, o oitavo, nós já trouxemos, seria a ideia de cultivar essa vida cerimonial, se tornar sagrada as nossas ações, através dessa plenitude, dessa dedicação de dar o nosso máximo, o nosso melhor em cada coisa. E a nona dica seria, ao final do nosso dia, fazermos uma breve análise de tudo aquilo que vivemos. Quem eu fui hoje? Como eu agi hoje com as pessoas que eu amo? Ou com as pessoas que...

com quem eu trabalho, ou com as pessoas com quem eu nem conhecia? Qual foi o nível moral, qual foi a condição humana das escolhas que eu fiz ao longo desse dia? Fiz boas escolhas? Soube lidar com as circunstâncias? Dei boas respostas? Alguém que conviveu comigo se sentiu de alguma forma inspirado a ser melhor, a também crescer, a também melhorar? Será que eu ajudei ou eu atrapalhei a vida daqueles que estavam ao meu lado?

Sêneca, na sua obra A Vida Feliz, vai dizer que nós nunca deveríamos viver com o senho franzido, ou seja, com a cara tensa, mal-humorado, porque ao fazermos isso, não só desperdiçamos as oportunidades de aprendizado, como ainda atrapalhamos a vida dos demais. É fundamental vivermos a vida com leveza, com profundidade. Claro, nem sempre é fácil, mas eu só vou conseguir progredir nesse processo se todos os dias eu fizer uma breve análise, uma reflexão daquilo que eu vivi.

De como eu vivi. Se o meu propósito é ser filósofo, é ser humano, é ser uma boa pessoa, um bom pai, um bom profissional, um bom cidadão, eu preciso me perguntar no final do dia, será que hoje eu consegui? E se nos momentos que eu falhei? Tudo bem, por que eu falhei? O que me faltou? Como eu posso trabalhar para que isso não aconteça amanhã? O que eu fiz de certo, que eu acho que foi bom, que foi justo e que eu quero repetir?

que eu quero continuar, eu quero permanecer assim. E o que eu preciso mudar? Pitágoras recomendava aos seus discípulos que fizessem uma reflexão ao final do dia. O filósofo histórico Marco Aurélio recomendava sempre que ao final do dia deveríamos refletir sobre os nossos atos, os nossos pensamentos, as nossas palavras ao longo do dia. Platão e tantos outros filósofos também transmitiam esse ensinamento. E por fim, para chegarmos à nossa conclusão.

A nossa décima dica para viver a filosofia no cotidiano, de forma prática, é estar sempre vivendo o momento presente de coração. Aqui e agora. O lugar mais importante do mundo é aqui e agora. A oportunidade que você tem, que nós temos de ser feliz, de encontrar respostas para a vida, é aqui e agora. Não podemos estar simplesmente... Tudo bem?

desdobrados e alienados, ansiando pelo futuro ou remoendo o passado. Podemos aprender com o passado, guardar as boas lembranças, entesourar os aprendizados. Podemos planejar o futuro com consciência, com estratégia, mas a vida é vivida aqui e agora. É nesse momento que eu tenho a oportunidade de colocar em prática o que eu aprendi, o que eu cresci, de fazer escolhas que, de fato, vão transformar o meu futuro.

que às vezes eu estou esperando, torcendo, temendo, mas não estou construindo ele conscientemente hoje. Por isso aquela frase de Siddhartha Gautama, que só há um momento em que é fundamental você despertar. Esse momento é agora. E daqui um segundo, agora. E daqui um minuto, agora. Viver a vida presente, no agora, que é o único instante que a vida de fato está acontecendo e nós temos a oportunidade de participar dela.

Helena Blavatsky traz uma frase que eu acho linda quando fala da necessidade, do dever de cada momento. Ela diz assim, o trabalho imediato, qualquer que seja, tem implícito o clamor do dever.

e a sua relativa importância ou não importância, não deve ser considerada. Não importa se o meu trabalho agora é varrer um chão, é dar uma aula ou uma palestra, é atender um paciente, é pintar um quadro, aquele trabalho, aquela necessidade, aquele dever que me tocou agora é o mais importante da minha vida, porque a vida está acontecendo agora. Então, que nós possamos, como filósofos,

estar presentes nesse momento, buscando entender a vida, buscando escolher a forma como a gente vive a vida e caminhando resolutamente, com perseverança, com alegria, na direção da sabedoria. Eu espero que as reflexões da nossa live hoje tenham sido úteis para todos vocês, possam ajudar não só com bons pensamentos, com bons sentimentos, mas, de fato, com medidas práticas para a gente aplicar e começar a viver.

Sócrates dizia, disse em um dos seus diálogos, que se fosse convencido por aquele que estava ali argumentando com ele, no dia seguinte ia viver aquelas ideias que estavam sendo discutidas. Para nós, aqui, o nosso compromisso, o meu compromisso, como filósofos, como acropolitanos, como buscadores e amantes da verdade, não é só falar sobre as coisas, mas é nos dedicarmos a vivê-las de fato.

E aí, quem sabe, também possamos ajudar os demais a fazerem o mesmo. Pois a melhor, talvez a única forma de transformarmos a vida dos demais, no ponto de vista humano, é através do exemplo. Então, que possamos ser mais filósofos, mais felizes, mais sábios a cada dia, um dia de cada vez, um momento de cada vez, pois a vida se vive aqui.

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