Episódios de Astronomia e Astronáutica

Episódio 295 - O difícil caminho para o espaço - Parte 4

02 de maio de 202615min
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Após chegar à Lua, a humanidade já havia provado a sua capacidade tecnológica ao mundo e agora tentava algo ainda mais ambicioso: aprender a viver e trabalhar no espaço por longos períodos. Mas essa nova fase da astronáutica revelou um fato desconfortável: chegar ao espaço era só o começo. Venha comigo nessa viagem!

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Acesse no mural os seguintes episódios:

1 – Elon Musk

2 – Noções básicas sobre estrelas

3 – O significado do nome das principais estrelas das constelações zodiacais

4 – Buracos de minhoca – Atalhos no espaço-tempo?

e-mail: astronomiaeastronautica@gmail.com

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Assuntos9
  • Desafios da permanência no espaçoEfeitos do espaço prolongado no corpo humano · Problemas de acoplamento de naves espaciais · Riscos de descompressão e toxicidade em cápsulas · Falhas em sistemas de reentrada e pouso · Desafios psicológicos em missões espaciais
  • Missão Soyuz 11 e a tragédia na reentradaPrimeira missão bem-sucedida à Estação Espacial Salyut 1 · Falha no telescópio principal e incêndio na estação · Descompressão da cápsula durante a reentrada atmosférica · Morte dos três cosmonautas antes do pouso
  • Batidas na Estação EspacialEstação Skylab gravemente danificada no lançamento · Perda de proteção térmica e asa solar · Reparos em órbita para tornar a estação habitável · Improvisação para reduzir o calor interno
  • Missão Soyuz 9 e efeitos no corpo humanoRecorde de permanência humana no espaço · Debilidade física e dificuldade de locomoção dos cosmonautas · Impacto da ausência de gravidade no organismo
  • AstronomiaPrimeira tentativa de acoplamento à Estação Espacial Salyut 1 · Impossibilidade de acoplamento rígido e seguro · Nave Soyuz presa à estação · Vapores tóxicos na cápsula durante o pouso
  • Apollo 16 e a falha no motor principalDetecção de possível falha no motor principal do módulo de comando · Suspensão da missão e risco de aborto do pouso lunar · Decisão de prosseguir após análises intensas
  • Exploração LunarImportância do acoplamento para a missão lunar · Cinco tentativas fracassadas de acoplamento · Risco de fracasso operacional e constrangedor
  • Apollo XV e o paraquedas principal falhoFalha de um dos três paraquedas principais no pouso · Aumento da velocidade de descida e impacto mais duro · Sobrevivência da tripulação apesar do pouso violento
  • Skylab 3 e o vazamento nos propulsoresVazamento nos propulsores do módulo de comando Apolo · Preparação de missão de resgate pela NASA · Decisão de retornar com propulsores defeituosos
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Após chegar à Lua, a humanidade já havia provado a sua capacidade tecnológica ao mundo e agora tentava algo mais ambicioso, aprender a viver e trabalhar no espaço por longos períodos.

Mas essa nova fase da astronáutica revelou um fato desconfortável. Chegar ao espaço era só o começo. Olá, eu sou Flores Berto, apresentador do podcast Astronomia e Astronáutica, e vou levar você nessa viagem.

A partir dos anos 1970, as missões passaram a envolver permanência prolongada em órbita, estações espaciais, acoplamentos complexos, reentradas delicadas e sistemas cada vez mais interdependentes. E foi justamente aí que surgiram novos perigos. 1º de junho de 1970. Missão Soyuz 9.

À primeira vista, essa foi uma missão de sucesso. Ela estabeleceu um novo recorde de permanência humana no espaço. Mas, ao retornar à Terra, revelou algo que preocupou profundamente os soviéticos. O corpo humano não reagia tão bem ao espaço prolongado quanto se esperava.

Durante a missão, a nave foi colocada em uma rotação lenta e descontrolada, propositadamente uma espécie de giro passivo usado para economizar combustível. Isso somado à falta de exercício físico adequado, teve efeitos severos sobre a tripulação.

Quando os cosmonautas retornaram, estavam em péssimas condições físicas. Eles apresentavam grande debilidade, dificuldade de locomoção e sinais claros de que o organismo sofria muito com a ausência de gravidade. Isso era extremamente preocupante. Até então, a União Soviética já pensava em missões de longa duração e em estações espaciais permanentes.

Mas a Soyuz 9 mostrou que não bastava apenas manter um ser humano vivo no espaço. Era preciso garantir que ele continuasse funcional. Foi uma lição duríssima. O espaço não desafia apenas motores e circuitos. Ele desafia músculos, equilíbrio, circulação, mente e resistência humana.

No dia 31 de janeiro de 1971, os americanos lançaram a Apollo 14, missão que deveria consolidar a retomada da confiança da NASA após o drama da Apollo 13.

mas o espaço mais uma vez resolveu testar os nervos de todos. Para que a missão lunar prosseguisse, o módulo de comando precisava se acoplar ao módulo lunar após a separação do estágio do foguete. Esse era um procedimento conhecido, ensaiado e essencial. Só que ele simplesmente não funcionava.

Uma tentativa falhou, depois outra e mais outra. No total, foram cinco tentativas fracassadas de acoplamento, aparentemente sem explicação clara no momento. Sem o acoplamento, não haveria módulo lunar utilizável. E sem o módulo lunar, não haveria pouso na Lua. Pior, a missão corria o risco de se transformar em um fracasso constrangedor ou até operacionalmente perigoso.

A cada nova tentativa, o relógio avançava, o combustível era consumido e a incerteza aumentava. Então, na sexta tentativa, finalmente deu certo. Pode parecer apenas um detalhe técnico, mas esse tipo de situação mostra algo fundamental sobre a exploração espacial. Às vezes, tudo parece pronto, tudo foi testado e ainda assim, algo simplesmente não coopera.

E no espaço você não tem oficina, não tem tempo infinito e não tem margem confortável. Se os americanos ainda estavam voltados para a Lua, os soviéticos começaram a apostar forte nas estações espaciais. E foi aí que surgiram alguns dos episódios mais dramáticos da história da astronautica.

Em 23 de abril de 1971, a missão Soyuz 10 tornou-se a primeira tentativa de levar uma tripulação à Estação Espacial Salyut 1, a primeira estação espacial da história. Mas o acoplamento não ocorreu como deveria. A nave até conseguiu uma aproximação, mas não foi possível realizar um acoplamento rígido e seguro. Em outras palavras, a tripulação não podia entrar na estação.

E quando tentaram se afastar, surgiu outro problema assustador. A Soyuz ficou presa à estação. Esse é o tipo de situação que, no papel, parece apenas um contratempo mecânico. Na prática, é um pesadelo orbital. Duas estruturas acopladas de forma imperfeita em órbita, sem total controle da situação.

Depois de várias tentativas, a tripulação finalmente conseguiu se separar, mas o drama ainda não havia acabado.

Durante o pouso, vapores tóxicos no suprimento de ar penetraram a cápsula e um dos cosmonautas chegou a ser afetado pelos gases. A missão foi um alerta sério. Viver e operar com estações espaciais exigia um nível de confiabilidade muito maior do que o imaginado. Mas o pior ainda estava por vir.

Em 6 de junho de 1971, foi lançada a Soyuz 11, a primeira missão realmente bem-sucedida em levar tripulantes para dentro de uma estação espacial. E no início, parecia um triunfo.

A tripulação ocupou a Salyut 1, realizou experimentos e entrou para a história. Mas a estação logo começou a revelar seus próprios riscos. O telescópio principal não funcionou por falha de uma cobertura que não se ejetou corretamente.

Em outro momento, um incêndio a bordo da estação quase forçou uma evacuação de emergência. Mesmo assim, os cosmonautas sobreviveram à estadia orbital. O problema aconteceu na volta. Durante a reentrada atmosférica, uma válvula de segurança abriu prematuramente, causando descompressão da cápsula. Em questão de segundos, a atmosfera interna da nave se perdeu.

E como os cosmonautas não usavam trajes pressurizados naquele perfil de missão, os três morreram antes do pouso. A cápsula pousou de forma aparentemente normal. Equipes de resgate chegaram esperando encontrar os heróis vivos, mas encontraram silêncio. A Soyuz 11 permanece até hoje como a única morte de seres humanos ocorrida no vácuo do espaço.

Foi um choque brutal para a União Soviética e para toda a humanidade. Em 26 de julho de 1971, a missão Apolo XV parecia mais uma grande conquista do programa lunar. E de fato foi. Mas até no retorno à Terra, o perigo permaneceu presente.

Durante a reentrada e o pouso no oceano, um dos três paraquedas principais falhou. Isso significava menos sustentação, maior velocidade de descida e um impacto muito mais duro contra a água. A cápsula pousou com violência, mas, felizmente, a tripulação sobreviveu. Esse tipo de incidente é um lembrete poderoso.

Mesmo depois de decolar, viajar à lua, pousar, explorar a superfície e voltar para casa, a missão ainda não estava terminada. No espaço, o risco acompanha até o último segundo.

Esse padrão voltou a aparecer em 16 de abril de 1972 na missão Apolo 16. Já em órbita lunar, foi detectada uma possível falha no motor principal do módulo de comando e serviço, um motor que seria absolutamente necessário para várias manobras críticas, inclusive o retorno.

Isso colocou a missão em suspense. Se o motor realmente estivesse comprometido, a descida à superfície lunar poderia se tornar uma atitude irresponsável. Afinal, não faria sentido pousar se depois não houvesse confiança suficiente na capacidade de voltar. O pouso quase foi abortado. No fim, após análises intensas e decisões cuidadosas, a missão prosseguiu.

Se a União Soviética abriu a Era das Estações Espaciais, os Estados Unidos responderam com a Skylab, sua primeira estação espacial. E a estreia foi dramática. Em 25 de maio de 1973, a missão Skylab 2 foi lançada para ocupar uma estação que havia sido gravemente danificada ainda no lançamento.

Uma proteção térmica havia sido arrancada, uma asa solar se perdera e a estação estava superaquecendo perigosamente. Ou seja, a tripulação foi enviada não apenas para habitar uma estação, mas para salvá-la.

Os astronautas tiveram que realizar grandes reparos em órbita, improvisando soluções para tornar a Skylab habitável. Em uma dessas operações, durante a liberação de uma asa solar presa, houve um momento em que um astronauta foi praticamente lançado para trás no espaço pelo esforço da manobra. Além disso, as temperaturas internas da estação estavam altíssimas e foi necessária improvisação para gerar sombras solares visando reduzir o calor.

A missão foi um triunfo de engenharia e improviso, mas por pouco, a Skylab não se tornou um fracasso histórico antes mesmo de começar. Pouco depois, em 28 de julho de 1973, a missão Skylab 3 enfrentou um novo drama. Desta vez, o problema estava no módulo de comando Apolo, que apresentava vazamento nos propulsores.

A situação ficou tão séria que a NASA chegou a preparar uma missão de resgate. Isso mesmo, havia uma possibilidade real de que os astronautas em órbita não pudessem voltar em segurança com a nave original. No fim, decidiu-se correr o risco e tentar o retorno com os propulsores defeituosos. E deu certo. O espaço é um ambiente em que, muitas vezes, a solução não é perfeita, é apenas menos perigosa entre várias opções ruins.

Em 26 de agosto de 1974, a missão Soyuz 15 precisou abortar sua missão à Estação Espacial quando a eletrônica de encontro falhou. Mais uma vez, a velha lição. Se você não consegue se aproximar com segurança, você não tem missão.

Em 5 de abril de 1975, ocorreu um dos abortos mais violentos da história espacial, a Soyuz 18-1. Durante o lançamento, a separação do terceiro estágio não ocorreu corretamente. A tripulação precisou abortar em pleno voo e enfrentou uma desaceleração brutal de 20 Gs.

Mas esse não foi o fim da história. A cápsula pousou em uma região montanhosa próxima à fronteira com a China e começou a deslizar por uma encosta em direção a um penhasco. O que impediu a queda foi algo quase inacreditável. O paraquedas ficou preso em uma árvore. A vida dos cosmonautas literalmente ficou pendurada por fios.

Poucos meses depois, em 15 de julho de 1975, ocorreu a histórica missão Apollo-Soyos Test Project, símbolo de cooperação entre Estados Unidos e União Soviética em plena Guerra Fria.

Mas até essa missão diplomática quase terminou em tragédia. Durante a reentrada da cápsula Apollo, vapores tóxicos de propelente entraram no suprimento de ar da cabine, quase matando a tripulação por envenenamento.

Em 6 de julho de 1976, a missão Soyuz 21 também revelou outra dimensão do risco espacial, a psicológica. Um dos tripulantes apresentou comportamento tão alterado que houve suspeita de um quadro psicótico. A missão foi encerrada antes do previsto. Também se suspeitou da presença de gases tóxicos na estação.

E então, em 14 de outubro de 1976, veio a impressionante história da Soyuz 23. Após falha eletrônica no encontro com a Estação Espacial, a missão foi abortada. Durante o retorno, a cápsula pousou em emergência em um lago congelante, em meio a uma nevasca com temperaturas de menos 20 graus Celsius.

A tripulação ficou presa na cápsula em risco real de hipotermia e congelamento, enquanto equipes de resgate lutavam por horas para arrastá-la até a margem. É uma das situações mais surreais da história espacial. Depois de sobreviver ao espaço, os cosmonautas quase morreram na água gelada da Terra.

Para saber todos os detalhes das missões Apolo descritas nesse episódio, leia as partes 1 e 2 do volume 1 da coleção Astronomia e Astronáutica. Lá você vai conhecer os bastidores de todas as missões Apolo. No próximo episódio, vamos ouvir sobre os problemas enfrentados pelos primeiros voos dos ônibus espaciais. Não perca! Eu sou Flores Berto, produzi e apresentei esse podcast Astronomia e Astronáutica.

Até a próxima viagem.

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