#322- Aventura na Montanha de Gelo
A formiga Glorinha Aventureira adora planejar aventuras difíceis, seus detalhes, equipamentos, essas coisas. Escutem só como foi a sua ultima aventura, escalando no gelo!
PINNNNNN
Arthur
Fada Pegadinha
Glorinha Aventureira
Juju
Polenta
Vovô Pim
- Aventura na Montanha de Gelo· EsportesEscalada no gelo·Equipamentos de aventura·Superação de desafios
- Lições de Coragem· SociedadeCoragem e persistência·Aventuras e sonhos·Determinação
- Conquista do Cume· EsportesChegada ao topo·Espera pelo amanhecer·Vovô Pinho
- Aventura Noturna no Freezer· EntretenimentoEscalada noturna·Paraquedas improvisado·Fada Pegadinha
- Superação do Vento Mágico· SociedadeVento mágico·Determinação·Resistência ao frio
- Escalada no Freezer· SociedadePedra de gelo no freezer·Vovô Pinho·Arthur
- Interação com a Fada Pegadinha· EntretenimentoPica-pau e árvore congelada·Música de pássaros·Fada Pegadinha
- Glorinha Aventureira paraquedista· EsportesPrimeiro salto de paraquedas·Juju
Oi amiguinhas e amiguinhos, prontos para ouvirem mais uma historinha do Vovô Pim? Quem escovou os dentes direitinho levanta a mão. Muito bem. A historinha de hoje é Aventura na Montanha de Gelo. Vocês conhecem a formiguinha Glorinha Aventureira, né? Ela é bem corajosa e foi a primeira formiga paraquedista do mundo inteiro. A Juju, filha do Vovô Pin, era paraquedista faz tempo. Então, quando a Glorinha percebia que ela ia saltar, Subia escondida no cadarço do tênis dela, se agarrava bem e ia até a área de paraquedismo para saltar junto com ela sem ninguém perceber.
Ela ficava escondidinha desde a casa até subir no avião e até saltar e aterrissar. Ela adorou voar e com o passar do tempo virou paraquedista e depois instrutora, com os ensinamentos da Juju. E ela ensinou vários bichinhos da casa a fazer o primeiro salto usando o barco do Polenta, em vez de usar aviões que custavam caro e gastavam muita gasolina. Mas a Glorinha já tinha feito coisas incríveis, como escalar sozinha o Monte Everest, a montanha mais alta da região, e depois desceu lá de cima voando num paraquedas improvisado feito com um saco de dormir.
Ela era aventureira mesmo. E o maior sonho dela era escalar uma daquelas montanhas cheias de gelo, de neve, daquelas que a gente vê em filme de aventuras. Mas aqui no Brasil é complicado, nem neve tem. Bom, na semana passada, a Glorinha Aventureira tava num degrau alto da escada do salão, da altura do vovô Pinto. E ele tava conversando com seu Arthur, um especialista em manutenção, e olhando o freezer grandão que tinha lá. E o vovô Pinho falou: puxa, que chato, seu Arthur!
Você acha que esse é o único jeito mesmo? E o seu Arthur: acho que sim, só pode ser o regulador automático. Vamos ter que deixar ele desligado por algumas horas e ver se agora ele vai funcionar e ligar na hora certa. O seu Arthur entendia do assunto e o freezer tava dando problemas. Às vezes gelava demais ou gelava de menos, ou senão gelava na hora errada. E vovô Pinho falou: Olha só, Arthur, essa pedra de gelo tá quase chegando na tampa aqui em cima.
E o seu Arthur: eu vi, mas pode deixar, eu programei tudo de novo, mas vamos testar, né? Se o senhor puder desligar o freezer daqui a uns 10 minutos, eu agradeço e já vou indo. E o vovopim: pode deixar, não tem problema, eu desligo. A Glorinha ouviu aquilo e não acreditou. Ela esperou os dois irem embora e ficou toda animada e começou a subir a parede do grande freezer. Ela demorou um tempão para chegar lá em cima, mas quando chegou e olhou pelo vidro do freezer, parecia que ela tava sonhando.
A pedra de gelo do freezer tava quase chegando na tampa de vidro e parecia uma enorme montanha, muito alta e cheia de escarpas, fendas e precipícios perigosos, especialmente para uma formiguinha tão pequenininha. Ela falou: Eba! É hoje, é hoje que eu vou fazer escalada de verdade! Escalar no gelo era um grande sonho da Glorinha. Ela tinha estudado muito sobre montanhas, geleiras, e conhecia as regras de segurança. Então ela desceu do freezer já pensando em como fazer essa grande aventura.
O vovô ia voltar daqui a pouco, então ela tinha que correr. Ela passou em casa, pegou seu casaco bem grosso, botas quentinhas, luvas, gorros, cordas e ganchos para subir no gelo e algumas barras de cereais. Também levou seu paraquedas, sem saber direito por quê. E enquanto ela preparava tudo, pensou em voz alta: aquele moço, o seu Arthur, ficou de voltar amanhã cedo. Então a minha chance é começar agora. E escalar durante a noite.
Então ela subiu no freezer de novo e ficou agachadinha perto da abertura. Aí o vovopim voltou, espiou o gelo, fechou a tampa, desligou a tomada e saiu do salão. E fez tudo isso sem ver a pequena Glorinha, que aproveitou e pulou para dentro bem depressa, caiu no gelo e ficou bem quietinha. O gelo escorregava muito, então ela cravou os ganchos, olhou para baixo e viu que era um paredão enorme de puro gelo, e tão alto que dava até medo olhar para baixo.
Como é que ela ia descer aquelas paredes lisas? Então ela agradeceu por ter lembrado de pegar seu paraquedas, afivelou ele direitinho direitinho, se concentrou no salto e vupti, saltou, já abrindo paraquedas e voando no vazio entre a montanha de gelo e a parede do freezer. Não tinha muito espaço, então ela fez um voo em caracol, pousando bem lá no fundo do freezer. Tava tudo branco, coberto de gelo, e quando ela andava, as suas botas faziam gelo.
Croque, croque, croque. Mas ela continuou caminhando, e quanto mais subia, mais alta a montanha de gelo parecia. E o chão tava tão escorregadio que quando ela deu outro passo, escorregou sentada e deslizou um pouco no gelo. Depois mais um pouquinho, parecia que ela tava num escorregador gigante. E quando ela finalmente parou, tava todinha coberta de neve e olhando pro seu corpo. Aí ela começou a dar risada e falou: Nossa, eu tô toda branquinha, bem do jeito que eu queria ficar.
Enquanto limpava o casaco, ela ouviu um barulho. Toque, toque, toque! Era um pica-pau batendo numa árvore congelada. Então a Glorinha pensou: pica-pau, árvore dentro do freezer? Eu não tô sonhando, isso só pode ser alguma magia. Não pode ter uma árvore num monte de gelo, e muito menos um pica-pau aqui dentro. Será que É aquela fada pegadinha de novo? Só pode ser. Então, de repente, apareceu uma bola laranja voando, parou na frente da Glorinha, e dessa bola saiu a fadinha pegadinha outra vez.
Vocês lembram que ela apareceu aprontando naquela outra historinha da Dedéia? Era ela de novo e falou assim: puxa, você me descobriu de novo! Como soube que era eu? E a Glorinha falou: é que quando você aprontou na festa da Dedéia, todo mundo falou que você era a única fadinha que gosta de aprontar com os outros. Naquela noite você ficou famosa. E eu também sei que dentro de um freezer não podem nascer árvores e tem pica-paus por aqui também.
Na verdade, a Glorinha era muito esperta e pensava rápido. Por isso, logo imaginou que a Fada Pegadinha tinha visto ela entrando no freezer e tava zoando com ela. Mas ela também sabia que a Fada Pegadinha era legal, ela não fazia por mal. Então se concentrou no principal: continuar sua escalada na montanha de gelo. E continuou subindo a montanha enquanto o pica-pau continuava bicando árvore congelada e fazendo um barulho engraçado.
Toque, plim, toque, plim. Parecia música. Então a Glorinha começou a acompanhar, batendo as luvas duras de tanto frio, e logo apareceram outros passarinhos que cantaram e dançaram juntos no ritmo da música. No final, pareceu uma orquestra tocando. Ela acompanhou a música mais um pouco e pensou: essa fada pegadinha tá querendo me distrair, mas eu não caio nessa. Quero chegar no cume dessa montanha ainda hoje. Amanhã não vou poder mais fazer isso.
Então ela continuou, e a escalada ficava cada vez mais difícil. Ela já tava quase na metade, e a neve ficava cada vez mais funda, mais difícil de continuar subindo, e o vento forte fazia ela escorregar. E uma rajada de vento levantou seu cachecol no ar, e ela pensou e falou bem alto: Eu sei que aqui no freezer não tem vento, fada pegadinha. Não adianta me assustar com esse vento mágico, porque eu aprendi a não desistir tão fácil, viu?
E com muito esforço ela continuou, um passo depois outro, depois outro. Então ela parou para recuperar o fôlego, olhou para cima e viu que ainda faltava muito. Ela tava cansada de verdade. Enquanto comia umas barras de cereais para recuperar as forças, ela percebeu que o vento não parava. Primeiro levantou seu cachecol, depois carregou seu chapéu, aquele que ela sempre usava e tinha uma flor grudada. Depois ela viu os dedos ficarem quase congelados.
As bochechas ficarem vermelhas e sentia um frio. Então ela começou a caminhar de novo para não congelar inteirinha e ficava falando em voz alta: esse vento tá forte, mas eu não vou desistir agora, só preciso continuar subindo. E ela não desistiu. Quando parecia que não tinha mais forças, conseguia dar mais um passo. E foi desse jeito que ela andou, um passo, outro passo, até que sentiu o paredão de gelo ficar cada vez menos inclinado, começou a ficar plano.
E ali chegou o tampo de vidro lá em cima, fechado, e ficou mega feliz. Ela tinha chegado! Ela sabia que tinha passado a noite inteira escalando quase sem parar, e agora tem que esperar o seu João chegar com vovô Pinho e abrir o vidro. Então ela ficou pertinho esperando para não pegar no sono e escorregar lá no fundo de novo. Ela pegou seus ganchos e subiu no gelo, e as botas com ponta de aço e amarrou tudo como se fosse uma rede.
Então deu um jeito de ficar amarrada bem presa no gelo, e como tava bem agasalhada, acabou pegando no sono. Quando ela acordou, um tempão depois, a primeira coisa que viu foram os olhos do vovopim olhando para ela com surpresa. Ele abriu o vidro e falou: Glorinha, o que você tá fazendo aqui no freezer? Não congelou? O que aconteceu? O vovô ficou preocupado porque é muito perigoso passar tanto frio a noite inteira. E ele continuou, falou: Ah, agora eu tô vendo que você tá bem equipada com essas roupas pesadas, essa mochila com tantos ganchos e cordas.
E a Glorinha: é verdade, vovô, eu nem acredito! Eu acabei de escalar a montanha gelada, vovô! Eu desci de paraquedas até o fundo e voltei escalando sozinha. Iupi! Era meu sonho! Agora sim eu posso dizer que eu sou uma alpinista de verdade! Era verdade. Essa escalada foi mais uma grande conquista da Glorinha. Era a prova de que uma simples formiguinha, mas determinada e cheia de vontade, pode fazer coisas incríveis. Quando o vovô saiu do salão, depois de dar muitos parabéns para ela, a Glorinha olhou para aquele pedaço enorme de gelo branco que ainda tava no freezer.
Parecia mesmo uma montanha nevada. Para ela era mesmo uma montanha gelada e maravilhosa. Aí ela lembrou dos perigos que ela soube superar, como o gelo escorregadio, cheio de fendas, porque ela tinha e sabia usar direitinho os equipamentos de escalada. Então ela olhou para cima, agradeceu pela aventura que tinha vivido e começou a caminhada de volta para o formigueiro, levando na memória uma coisa que não ia se esquecer nunca. Ela descobriu que coragem não é enfrentar o frio nem nunca ficar cansada.
Coragem é continuar com calma, fazendo o melhor que pode, um passo de cada vez. E às vezes as maiores aventuras começam com uma simples pergunta: será que eu consigo? A Glorinha descobriu que sim e voltou para casa com muitas histórias para contar e um brilho novo nos olhos, sonhando com a próxima aventura. Boa noite, Glorinha Aventureira! Boa noite, amiguinhas e amiguinhos do vovô Pim. Pim!