Episódios de Historinhas para dormir bem

#319- O escorpião Osvaldinho

24 de julho de 202612min
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Todo mundo tem medo dos escorpiões, com toda razão.

Eles são venenosos e perigosos, menos um! Escutem a historinha do Osvaldinho para saber porque! PINNNNN

Participantes neste episódio2
O

Osvaldinho

Narrador
P

Patrícia Centopeia

Narrador
Assuntos3
  • Lua Cheia em EscorpiãoOsvaldinho · Medo de escorpiões · Aceitação social
  • Prejuízos e ressarcimentoDiferenças individuais · Aceitação de diferenças · Vitiligo · Autismo · Síndrome de Down
  • AmizadePatrícia Centopeia · Osvaldinho · Superação de medos
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
OOsvaldinho

Oi, amiguinhas e amiguinhos, prontos para ouvirem mais uma historinha do Bobopim? Quem escovou os dentes direitinho, levanta a mão. Muito bem. A historinha de hoje é Um Escorpião Chamado Oswaldinho. Naquela tarde tava fazendo muito calor na casa dos Voves. Ninguém aguentava mais, tava muito calor mesmo. E no jardim da casa dos Voves, cada um fazia o que podia para se refrescar. O porquinho Dino tava deitado no chão da cozinha, assim pegava um ar fresco quando alguém abria a porta da geladeira.

Os gatos Vitinha, Piauí e a vizinha gata Cora ficavam deitados pertinho do ventilador, e o cachorrinho Tobe tava deitado de barriga para cima, só que dentro da piscininha com o Polenta. Mas para os bichinhos que moram no jardim da casa parecia que o calor era ainda maior. A Patrícia Centopeia tava reclamando muito do chão quente. Ela tinha 100 patinhas e 100 pezinhos que doíam com tanto calor. Então, quando chegou numa sombra, ela deitou de costas, colocou as 100 patinhas para cima e ficou quietinha.

Aproveitando aquela sombrinha gostosa. E ela tava relaxada, de olhos fechados, quando escutou uma voz reclamando bem baixinho no buraco perto dela. E a Patrícia falou: tem alguém chorando aí? Quem é? E uma voz no buraco falou: eu não vou aparecer não, Eu tenho vergonha. E a Patrícia: Por que vergonha? Quem é você? O que aconteceu? E a voz falou: Eu sou um escorpião, mas eu tenho dois defeitos. E a Patrícia falou: Todo mundo tem algum defeito, sabia?

Sai desse buraco e vamos conversar. Não precisa ter vergonha de mim. Você quer alguma coisa mais estranha do que ter 100 patinhas em vez de 2, 4 ou 6, que nem a maioria tem? O dono daquela voz ficou pensando um pouco, depois colocou a cabeça para fora e devagarinho foi saindo do buraco e falando: Oi, como você pode ver agora, eu sou um escorpião. Quem você é? E a Patrícia: eu sou a Patrícia Centopeia e eu nunca te vi por aqui.

Ainda bem, porque eu tenho muito medo de vocês escorpiões. Qual é o teu nome? E o escorpião falou: eu tenho vergonha até do meu nome, é Oswaldinho. Então Oswaldinho chegou perto da Patrícia Centopeia e ela percebeu que o corpo dele não acabava naquele terrível ferrão venenoso que todos os escorpiões tinham, e perguntou: Que estranho, você não tem? E Oswaldinho: Ferrão, né? Você estranhou, né? Esse é o meu defeito principal. Eu nasci sem ferrão venenoso.

E o outro defeito é o meu nome. Nenhum bicho tem medo de mim. E a Patrícia Centopéia falou: Nossa, que chato, Oswaldinho! Mas por um lado, não ter o ferrão venenoso é bem ruim, mas por outro lado é muito bom. Porque desse jeito os bichos ficam sem medo e você pode ter mais amigos. Você quer ser meu amigo, Osvaldinho? E o Osvaldinho: Epa, eu quero sim, Patrícia! Eu só tinha amigos escorpiões, mas agora você me mostrou que eu posso fazer novos amigos.

E os dois novos amigos continuaram a bater papo naquela sombra fresquinha, os dois deitados de costas e com as patinhas para cima. O Oswaldinho contou que muitos escorpiões gozavam dele por não ter ferrão e também pelo nome, que não era nada assustador. E a Patrícia explicou que tudo tem o lado bom, e o melhor nesse caso é que se todos os bichos soubessem que ele não podia picar ninguém, ele poderia ter vários amigos. E falou assim: você não tem que vergonha, especialmente porque você já nasceu assim.

Aqui na casa dos Voves tem muitos bichinhos que são diferentes da maioria, mas vivem muito bem, tem um monte de amigos e são felizes assim. E o Oswaldinho: é mesmo? Quem são? Aí a Patrícia falou: ah, tem a Vitória Vitilinda, que tem vitiligo, aquelas manchinhas claras no corpo inteiro. Tem a formiguinha Leiloca, que é a única formiga branca em todo o formigueiro. Tem o Léo, com autismo leve. Tem o Uhuu, com síndrome de Down. Todos eles são diferentes da maioria, mas aqui ninguém tem preconceitos bobos.

Então eles vivem super bem e felizes. A gente não liga pra essas diferenças, porque no fundo nenhum bicho é igual a outro. A Patrícia Centopeia tinha razão. Com o passar do tempo e seguindo os bons ensinamentos que o Gubi, o grande urubu branco, fazia, os bichinhos aprenderam a conviver com pessoas diferentes sem fazer diferença entre elas e os outros. Era simples e muito gostoso viver desse jeito, sem preconceitos. E ela disse: eu preciso te apresentar para turma, quer ir até o jardim comigo?

A turma deve estar em alguma sombra fresca por aí. E Oswaldinho: mas todo mundo vai escapar correndo de mim, afinal de contas eu sou um escorpião, né? E a Patrícia: tive uma ideia, e se a gente fizer um cartaz dizendo que você não tem ferrão e não é perigoso para ninguém? Que tal? A Patrícia Centopeia sabia onde tinha um pouco de massinha de modelar. Então os dois foram até lá e colocaram a massa na parte de trás no corpo dele, aonde deveria ter um ferrão.

Só que em vez dele, eles fizeram uma parte que subia e depois achatava, que nem a cauda de uma baleia, e escreveram nela: não tenho ferrão. Com tinta vermelha para todos enxergarem de longe. Então ela e o Oswaldinho acharam que ficou legal e foram passear pela casa do Vovô Pim para ver o resultado. Primeiro eles foram até a sala aonde os gatinhos continuavam se refrescando. Eles passaram na frente deles e a Vitinha olhou e falou: Olha que legal, um escorpião sem ferrão!

Ele não vai picar ninguém. E a Cora falou: que bacana, esse pode ser nosso amigo. E o Piauí: é mesmo, o resto da turba dele é que é assustadora. Ainda bem. A Patrícia e Oswaldinho ouviram os comentários, ficaram contentes, deram tchauzinho. E a Centopeia falou: agora vamos ver os outros bichinhos no jardim. E eles foram, passaram pelo formigueiro e ninguém saiu correndo deles. Depois subiram na árvore Alegria, passaram no meio da banda de maritacas que estavam ensaiando músicas.

Todos viram Oswaldinho e a Patrícia e liam que ele não tinha ferrão, e ninguém fugiu nem fez gozações. Então eles viram que o cartaz funcionou mesmo. O Oswaldinho ficou tão contente que dava pulos de alegria enquanto andava. Aquela placa que ele levava na parte traseira era até engraçada. Quando ele levantava a cauda, às vezes parecia um golfinho nadando. E foi assim que o Oswaldinho foi aceito por todos os bichinhos e aprendeu que mesmos que nascem com alguma diferença podem ser felizes se os bichinhos não tiverem preconceitos.

Vocês sabem como a gente combate preconceito? Em primeiro lugar, a gente tem que mudar o nosso comportamento diante dos diferentes. A gente tem que aceitar que eles são diferentes mesmo e não se achar melhor ou pior por causa disso. A segunda coisa é pensar bem nesse assunto, escutar com simpatia o que os diferentes pensam a respeito de tudo. E a terceira coisa é ter uma atitude firme e não deixar quando a gente vê alguém tratando os outros com preconceitos, e fazer isso toda vez que precisar.

Uma coisa muito boa é conhecer muitos bichos com histórias diferentes, com idade, religião e costumes diferentes dos nossos. E eu vi bastante. Isso diminui o medo e a desconfiança dos bichinhos que são diferentes de nós. Mas então aquele dia calorento foi muito muito bom para o Escorpião Oswaldinho. Ele fez uma grande amizade com a Patrícia Centopeia, aprendeu como se combate o preconceito e percebeu que ser diferente não é nada do outro mundo.

Basta combater sempre qualquer tipo de preconceito. Boa noite, Oswaldinho! Boa noite, Patrícia Centopeia! Boa noite, amiguinhas e amiguinhos do Vovô Pim!

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