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378 - O óbolo da viúva - Débora Duarte

10 de maio de 202650min
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Tema: O óbolo da viúva

Palestrante: Débora Duarte

“Muita gente deplora não poder fazer todo o bem que desejara, por falta de recursos suficientes, e, se desejam possuir riquezas, é, dizem, para lhes dar boa aplicação. É sem dúvida louvável a intenção e pode até nalguns ser sincera. Dar-se-á, contudo, seja completamente desinteressada em todos? Não haverá quem, desejando fazer bem aos outros, muito estimaria poder começar por fazê-lo a si próprio, por proporcionar a si mesmo alguns gozos mais, por usufruir de um pouco do supérfluo que lhe falta, pronto a dar aos pobres o resto?”

Allan Kardec

O Evangelho segundo o Espiritismo - Capítulo XIII - item 6.

Referência:

O Evangelho segundo o Espiritismo

Allan Kardec

Palestra realizada em 24/04/2026.

Participantes neste episódio2
D

Débora Duarte

ConvidadoPalestrante
L

Lúcia

Convidado
Assuntos6
  • Lenda do BradadorInterpretação do óbulo da viúva · A mão esquerda e a mão direita como símbolos · Ego vs. Self · A importância do desinteresse pessoal na caridade · A parábola do óbulo da viúva
  • Caridade e FilantropiaBenevolência para com todos · Indulgência com as falhas alheias · Perdão das ofensas · Caridade material vs. espiritual
  • Paz InteriorPlaneta de provas e expiações · Transição planetária
  • Ego e ValidaçãoPersonalismo e ego · Luta contra os maus pendores
  • Apresentação de ArturDar o que se tem · Chico Xavier como exemplo · O óbulo da vida íntima
  • Importância das raízesEstreitar laços de afeto · Ser conhecido pelo amor
Transcrição116 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O Círculo Regeneração e Fé apresenta a palestra O Óbulo da Viúva, conduzida por Débora Duarte. Registro realizado em nossa casa no dia 24 de abril de 2026. Desejamos a todos uma excelente reflexão. Boa noite a todos. É uma grande alegria estar aqui hoje.

Eu costumo dizer que visitar uma casa espírita é motivo de honra e é motivo de alegria. Porque nos ver aqui hoje, a mim, a vocês, a Lúcia, que tão gentilmente nos acolheu, e pensarmos que, há bem pouco tempo atrás.

as nossas sextas-feiras à noite eram despendidas em outro tipo de atividades. Resta-me crer que algo em nós melhora.

porque a par do envoltório exterior que tenha nos trazido até aqui hoje, que tenha nos feito cruzar os umbrais desta casa, no fundo, no fundo, nós nos reunimos aqui por um motivo que é comum a todos nós. Estamos em busca de paz.

Estamos em busca de alívio para tantas dores que carregamos num planeta de provas e expiações como o nosso. Atravessando que estamos todos mares revoltos da transição. Então, meus amigos, que alegria.

é podermos estar aqui hoje, estreitando laços. Porque inaugura-se para nós o momento em que precisaremos estreitar os laços de afeto. Porque o entendimento, conhecimentos, estudos, temos vindo, fazendo.

Mas agora o convite é da afetividade. É preciso que sejamos conhecidos.

Por muito que nos amamos. Foi Jesus que nos trouxe essa diretriz. Foi Ele que nos disse. Meus seguidores, meus discípulos serão conhecidos. Por muito se amarem.

Então, eu gostaria de deixar aqui a minha vibração de amor e de afeto por cada um de vocês, encarnados e desencarnados. E o meu agradecimento pelo carinho com que vocês sempre me recebem. Bem, meus amigos, o nosso tema de hoje...

o óbulo da viúva. Esse tema se encontra em o Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo 13. E o capítulo 13, ele tem por título Não saiba...

A vossa mão esquerda, o que dá a vossa mão direita? Não saiba a vossa mão esquerda, o que faz a vossa mão direita? Enquanto eu me preparava para a nossa conversa de hoje, eu me detive nessa orientação do mestre.

Porque Jesus é um educador por excelência. Aliás, foi o único título que ele aceitou. Quando o jovem diz bom mestre, ele rapidamente diz, por que me chamas bom? Bom só Deus, o dispensador divino das nossas vidas.

Mas ele aceita o título de mestre. Rabi, Raboni. Ele é o nosso mestre. Então, toda a orientação do mestre Jesus, ela traz entendimentos.

Logicamente que esse, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita, num primeiro momento, traz a orientação de não se fazer o bem de forma ostensiva. Não fazer o bem ostensivamente, com ostentação, para recebermos os aplausos e as aprovações do mundo.

Muito bem, é uma orientação valiosíssima. Mas eu queria abrir um pouco mais o meu entendimento sobre o que realmente seria, para a mais, nos nossos entendimentos, os símbolos da mão esquerda e da mão direita.

Porque se trouxermos o entendimento de maneira literal, nos parecerá paradoxal. Uma vez que andam juntas, muito próximas uma da outra, portanto, seria uma tarefa praticamente impossível escondermos algo de uma ou de outra. Então, pus-me a pensar.

E entendi que são símbolos. A mão esquerda representaria para nós as nossas relações com o mundo da matéria. As nossas relações de criaturas encarnadas atendendo aos apelos do mundo material.

E a mão direita, a nossa essência espiritual, o nosso vir a ser, aquilo que somos convidados com a ajuda do elemento material a desenvolver em nós, a nossa essência, aquilo que verdadeiramente somos.

Se quisermos trazer algo no âmbito da psicologia, da psicanálise, analisando os conceitos, por exemplo, de Joana de Ângeles, de Jung, poderíamos dizer que a mão esquerda seria, então, o ego.

aquela instância do nosso psiquismo que nos permite o relacionamento com o mundo, colocando-nos exteriormente no mundo de relações. E a mão direita, o self, a centelha divina, a consciência.

Então, a mão esquerda não saberá o que faz a mão direita quando o que é divino em nós, quando a nossa essência de espíritos imortais que somos se imprimir de tal maneira nos nossos atos.

nos nossos sentimentos, nas nossas vibrações, nos nossos motivos de agir, a ponto disso se fazer com tal e qual espontaneidade que sequer a nossa personalidade, o nosso ego, compreenderá.

Bem, então, terá se transformado em nós em algo espontâneo. Somos o bem. Fazemos o bem desinteressadamente.

Obviamente isso é um vir a ser. Estamos sendo convidados a desenvolver em nós a essência divina que já trazemos em potencial. E aos poucos iremos desenvolvendo-a até que em nós já não haja mais.

o personalismo, já não haja mais em nós a atuação tão veemente do ego, do interesse pessoal, da personalidade. Dia virá em que a essência divina comandará as nossas ações.

E aí então, nesse dia, realmente, a mão esquerda e tudo o que ela representa terá ficado numa instância distante de nós. Me lembro, ainda com essa mesma analogia, estava Jesus junto aos amigos pescadores.

que haviam naquela noite lançado-se ao mar em seu pequeno barco de pescas. Mas a noite havia sido árdua, cruel, para aqueles homens rudes, tão acostumados com as labutas da pesca. E apesar de todos os esforços empreendidos,

não haviam obtido sucesso. Então, o dia amanhecia, eles retornavam para a praia e encontram o mestre. Então, ele olha para aqueles homens e lhes dá um comando, que é um grande símbolo para todos nós. Lançai as redes.

para a banda direita. Será que Jesus estava se referindo apenas a peixes? Penso que não. Era Jesus nos dizendo sobre a mão esquerda e a mão direita numa outra vertente.

Busquem outros caminhos. Busquem outras sendas. Desenvolvam o que é de espiritual em cada um de vós. Então, meus amigos, nós vamos ao livro dos Espíritos. Livro terceiro.

no item perfeição moral. E vamos ver lá na questão 895, Kardec perguntando, a exceção dos defeitos e dos vícios, acerca dos quais ninguém pode se enganar, qual o sinal mais característico da imperfeição?

Olha que interessante a pergunta de Kardec. A par dos vícios, dos defeitos, qual o sinal que caracteriza no homem a imperfeição? E sabem o que eles dizem? O interesse pessoal.

E o interesse pessoal está diretamente ligado ao personalismo, à personalidade, ao ego, à mão esquerda. E ainda neste capítulo...

Quando Kardec pergunta aos venerandos espíritos qual a mais meritória de todas as virtudes, eles irão dizer, todas as virtudes têm seu mérito, porque todas são sinais de progresso no caminho do bem.

A virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. Mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício do interesse pessoal.

Pelo bem do próximo, sem segundas intenções, incondicionalmente, a mais meritória é a que se baseia na mais desinteressada caridade. Compreendem, meus amigos, por que ainda nos é impossível que a nossa mão direita...

Que a nossa mão esquerda não saiba o que faz a nossa mão direita, porque o bem em nós ainda não é desinteressado. O bem em nós ainda não é incondicional. O bem em nós ainda não admite a renúncia integral.

quer o sacrifício. Nós marcamos hora para a caridade. Não, segunda-feira é o dia de eu ir entregar as cestas básicas. Segunda-feira é o dia do atendimento fraterno. Marcamos hora.

E quando, inopinadamente, na rua, alguém nos pede uma ajuda, mas espera, está fora da minha hora de fazer a caridade. Que incômodo, que maçante. Lá vem aquela senhora.

Vamos chegando perto do semáforo. Ai, meu Deus, está lá aquele moço, ele vai vir me abordar. Nos incomoda, nos tira do nosso rumo, do nosso objetivo naquele dia. E vejam vocês, está fora da hora marcada que a gente faz a caridade.

Interesse pessoal. Busquemos, meus amigos, no fundo dos nossos corações. Questionemos a nós mesmos. É importante.

O que estamos fazendo aqui? O que fazemos na casa espírita? O que fazemos no lar? Onde estamos colocados? Porque não estamos colocados em nenhum ambiente das nossas vidas por obra do acaso. O quanto de sacrifício já somos capazes de oferecer.

É lógico que esse estado que trouxemos no início da essência ser em nós uma manifestação espontânea e natural é ainda um vir a ser. Mas para que venha a ser, é preciso que desde agora eu comece a me questionar.

Nessa ação, o interesse pessoal fala mais alto. Porque aí Kardec ainda segue nesse mesmo raciocínio. Mas há pessoas que fazem o bem espontaneamente, sem que precisem vencer quaisquer sentimentos contrários.

E nós temos muitos sentimentos contrários para vencer. É aquele parente que nos pede para ficar com ele no hospital à noite. Mas à noite, ah, eu não durmo bem fora de casa.

Olha, eu vou te falar, eu só durmo com o meu pijaminha. E meu travesseiro tem que ficar desse lado. Então, eu não vou poder ir ficar com você no hospital. Chame fulano. Chame.

É a mãe, é o pai que precisa do filho para dar-lhe o alimento que as mãos trêmulas pelos processos da senectude já não permitem mais levar a boca.

e se juntam os irmãos, vá você. Você sabe que eu não tenho paciência. Olha, eu não posso nem entrar no hospital. Eu fico, a minha perna bambeia. Vá você, eu não posso. Eu dou dinheiro. Ou eu... Compreendem, meus amigos, do que nós estamos falando? Interesse pessoal. Interesse pessoal.

Sem contar como a gente fica feliz quando alguém nos vê. Fazer a caridade. Não é?

E a gente, durante muito tempo, no movimento espírita, nós entendemos, esse capítulo 13, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita, como assim? O espírita faz a caridade, mas ninguém pode saber. Será que é isso?

Muito pelo contrário, a caridade é algo que precisa aparecer. Hoje a gente tem os meios de comunicação, os meios sociais, mostrando as iniciativas do bem. Não. Jesus se referia a outra coisa. Aquilo que vai dentro dos nossos corações.

E aí Kardec segue perguntando, terão tanto mérito essas pessoas que fazem o bem desinteressadamente, quanto as que têm de lutar contra a natureza que lhes é própria e a vencem?

E olhe os espíritos, aquelas pessoas que não têm que lutar contra os sentimentos contrários ao bem, são aquelas em quem o progresso já está realizado. Lutaram e triunfaram.

É por isso que os bons sentimentos não lhes custam nenhum esforço. E suas ações lhes parecem muito naturais. Para elas, o bem se tornou um hábito. A mão direita atua tanto, tão espontaneamente, tão naturalmente, que a mão esquerda...

barra ego, personalidade, valores do mundo, nem percebe que é o bem. Porque o bem egóico, ele é incapaz de reconhecer o bem verdadeiro. Ele nem toma conhecimento.

porque ele não sabe verdadeiramente o que é o bem desinteressado. E é assim, meus amigos, que nós chegamos no óbulo da viúva. Jesus, então, traz essa belíssima parábola.

com símbolos interessantes e estranhos naquela sociedade. Com essa fala, Jesus trazia um elemento até então desconhecido dos homens da época. Ele traz o sentimento na atitude do bem, o sacrifício.

a entrega, a renúncia, o desinteresse pessoal. Porque os judeus davam esmolas, fazia parte do rol de deveres, dar esmolas, materialmente falando, o bem amoedado.

Então estava Jesus, que era um educador por excelência, sentado no ambiente do templo, que era uma espécie de ofertório. As traduções do evangelho nos trazem como gasofilácio.

Nós não sabemos bem se era um grande receptáculo, um grande vaso ou um cômodo no coração do templo. Mas era ali que se colocavam as doações, as dádivas. E era interessante porque era um evento. Quanto mais se colocava...

mais se ufanavam, mais se orgulhavam. Oh, vejam quanto fulano de tal, deutrano, colocaram no gasofilácio. E as pessoas realmente ficavam ali, observando, aplaudiam.

Valorizavam. E Jesus ali. Quando chega uma senhora viúva. E aí já é algo muito maluco. Porque naquela sociedade as viúvas não davam donativos.

Quando a mulher enviuvava, havia inclusive uma lei dentro do judaísmo de que ela seria esposada pelo irmão do marido para que pudesse então ter o amparo pelas vias do matrimônio, ela e seus filhos. Compreendem a vanguarda do Cristo?

Vocês acreditam que ele traz esse símbolo da viúva por acaso? Os judeus estavam acostumados a dar esmolas. Era uma prática comum. Juntavam grandes quantidades, porque queriam ser aplaudidos nas suas doações. E vem a viúva.

Quer alguém na sociedade? Mulher e viúva. A mulher já não valia nada. A mulher viúva, menos ainda. Ela não, as viúvas não doavam. Elas recebiam. E ela vem e doa duas moedas.

De dez centavos. Não era nada. Materialmente falando, ela não doou nada. Era um óbulo. O termo é traduzido em algumas traduções como uma moeda grega de ínfimo valor. Mas não para aí a parábola. Jesus vem e diz, vejam.

Estão vendo a doação dessa viúva, desta pobre viúva, que doou aqui agora, fez o seu donativo no ofertório, no gasofilácio, duas pequeninas moedas? Pois eu vos digo que ela doou mais do que todos aqueles que colocaram no gasofilácio.

porque ela doou daquilo que lhe faltava. Doou mesmo tudo o que tinha para viver. Mas a sua doação é mais valorosa. Parece que Jesus enlouqueceu.

Não é verdade? Se a gente for avaliar isso pela literalidade, nós diremos, não faz sentido nenhum. Mas o que Jesus estava querendo dizer? Olha, existe uma caridade que está para muito além do que é material.

Ele coloca o sentimento. Ela doou de si. Ela doou da sua alma. Ela doou do seu coração. Porque é uma coisa, meus amigos.

É doarmos dos valores que temos em empréstimo do Senhor da vida, que são os valores materiais. Nós os detemos. É obrigação.

Se temos em quantidade, transferirmos ao que tem menos. Isso desde o judaísmo era entendido. Dever, obrigação. O óbulo da viúva não trata disso. O óbulo da viúva trata da verdadeira caridade. Aquela que todos nós...

podemos realizar. Não há ninguém que seja rico o bastante, que não tenha algo a receber. E não há ninguém que seja pobre o bastante, que não possa doar.

Doar de nós o que temos. Foi isso que a viúva doou. Do seu sacrifício. Doou renúncia. Doou amor. Doou sentimento. Era algo que as pessoas na época não conheciam.

Conheciam a esmola material. Mas a caridade é muito diferente. É assim que encontramos em O Livro dos Espíritos, Kardec perguntando qual o conceito de caridade. Como a entendia Jesus.

E os espíritos respondem de forma sucinta, benevolência para com todos. Para com todos? Benevolência para com todos? Quer dizer, ser bom para todos. Espera lá. Tudo bem ser bom. Mas ser bom...

Com aquele, é isso, senhor? É, meu filho. Com aquele outro? Com aquele outro. Puxa vida, desafiador. Mas não para por aí, não.

indulgência com as falhas alheias. Meu Deus do céu! Como assim? Indulgência com os defeitos dos outros? Oh!

Mas hoje a gente tem rede social para descer a lenha. Fulano fez isso, fez aquilo, que absurdo. Olha isso que ele fez. E nos manifestamos. E damos as nossas palavras. Julgamos. Damos a pena. Crucificamos.

Mas essa orientação dos espíritos é de 1857. Nós estamos atrasados nessa coisa da indulgência com as falhas alheias. Vocês imaginem a indulgência com as nossas próprias falhas, a autoindulgência. Temos dificuldade. Porque se eu coloco esse movimento de rigidez, julgamento cruel,

No exterior, como é que eu vou olhar para mim com autoindulgência? Porque é diferente de vitimização. Autoindulgência traduz lucidez e responsabilidade. Compreendem, meus amigos, a mão esquerda e a mão direita? Nós caminhamos ainda com os valores do ego.

Com os valores do mundo, que não é indulgente. Com os valores do mundo que não são valores de benevolência. Mas aí vem o golpe final da resposta. Perdão das ofensas.

Perdão das ofensas. Esse é o convite diário. O convite de sempre. Perdão das ofensas. Vocês vejam que a justiça divina nos oferece como mecanismo para se dar a reencarnação. Renascemos.

com novos corpos, novos semblantes, ao lado daqueles, também em novos corpos, em novos semblantes, com os quais temos questões a resolver. Porque a justiça divina não é só justiça. Ela é justiça, amor e caridade. Mas é preciso...

Aqui, reforcemos a banda direita. É preciso que lancemos as redes para o outro lado. Para que a mão esquerda realmente não veja o que faz a mão direita. Precisamos rever.

Os nossos conceitos. Precisamos rever o móvel das nossas ações. Precisamos rever os nossos óbulos. Os nossos óbulos. O que temos colocado no grande gasofilácio que é a vida?

O que temos colocado? A esmola, essa temos colocado há pelo menos dois mil anos. Temos vindo. Nos é fácil, maravilhoso. Se alguém vê, então, que bom que é. Mas nós estamos sendo convidados e a pergunta é higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher higher

Qual o óbulo que eu entrego à vida? Lembrando-nos do belíssimo símbolo da viúva. Estamos aqui. Pobres viúvas. Sem condições, muitos de nós ainda.

porque trazemos dívidas, compromissos. Mas o convite vem. Entregue as suas duas moedas. Porque à medida que formos entregando as nossas pequenas moedas no gasofilácio da vida,

Vamos nos fortalecendo para cada vez sermos capazes de entregar moedas melhores. Óbulos mais ricos. Que óbulos temos entregado à vida?

E o Evangelho, nesse mesmo capítulo, vai nos dizer que há várias maneiras de fazer-se a caridade. Que muitos dentre vós confundem com a esmola. A esmola é útil. Ele está dizendo o pão material mesmo, no sentido literal, ele é útil.

A caridade, no entanto, ela liga o benfeitor ao beneficiado e se disfarça de tantos modos.

Podemos ser caridosos e devemos ser caridosos com os parentes, com os amigos, sendo indulgentes uns para com os outros, perdoando mutuamente as fraquezas, cuidando para não ferir o amor próprio de ninguém.

A obra da codificação é muito coerente, não é? Vejam, o Evangelho fala do mesmo que o Livro dos Espíritos traz. E aí, meus amigos, eu gostaria de trazer para nós, já finalizando, não é? Uma lição de Emmanuel que está nesta obra Fonte Viva.

É a lição 60. E vejam vocês. Tem por título esmola. Emmanuel Pinça, do Evangelho de Lucas, capítulo 11, versículo 41. Dai antes esmola do que tiverdes. Eu quero que vocês prestem bastante atenção no verbo. Dai antes esmola do que...

Te verdes. Jesus que nos orienta. A palavra do Senhor está sempre estruturada em luminosa beleza que não podemos perder de vista. No capítulo da Esmola, a recomendação do mestre dentro da narrativa de Lucas merece apontamentos especiais.

Dai antes esmola do que tiverdes. Dar o que temos é diferente de dar o que detemos. Detemos o bem material. Esse passamos é uma obrigação.

Dar o que temos é uma outra história. Eu me lembro do Chico, que era um exemplo de pobreza, na verdade, material e riqueza espiritual. E quando as mães, vitimadas pela morte dos seus filhos queridos, vinham visitar o Chico,

E ele não recebia a mensagem dos seus filhos, porque a gente sabe o telefone toca de lá para cá e não o contrário. E ele então no final da reunião se aproximava daqueles corações que sangravam a perda dos filhos queridos. E ele então as abraçava.

entregava àquelas mulheres, àqueles corações maternos, o seu óbulo. Ele as abraçava e copiosamente com elas chorava, pelo tempo que fosse necessário. E com aquela energia amorosa, daquele óbulo santificado,

Elas iam se acalmando, se pacificando. Ele dava do que tinha. Quantas vezes não temos nada?

de material para oferecer a alguém. Nós temos um sorriso, uma palavra de bom ânimo. Podemos vir para a casa espírita, ajudar nos trabalhos. Isso nós temos.

Esse é o óbulo mais desejado. E segue o benfeitor. A caridade é sublime em todos os aspectos sob os quais se nos revele.

E em circunstância alguma devemos esquecer a abnegação admirável daqueles que distribuem pão e agasalho, remédio e socorro para o corpo, aprendendo a solidariedade e ensinando-a. É justo, porém, salientar.

que a fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que nos fundamentos substanciais da vida não nos pertencem. O óbulo da viúva é o que ela tinha de ser, por isso era tão valioso.

Ela doou do que tinha, porque na verdade quase nada detinha. O dono de todo poder e de toda riqueza no universo é Deus, que nos empresta. Mas cabe nos perguntar, o que temos de nós próprios para dar?

Quais os óbulos que temos? E temos entregado esses óbulos à vida? Que espécie de emoção estamos comunicando aos outros? Que reações provocamos no próximo?

Que distribuímos com os nossos companheiros de luta diária, familiares ou não? Qual é o estoque dos nossos sentimentos? Que tipo de vibrações espalhamos?

O aviso do instrutor divino nas adotações de Lucas significa da esmola da vossa vida íntima. Ajudai por vós mesmos, espalhai alegria e bom ânimo, oportunidade de crescimento e elevação para o vosso semelhante.

Sede irmãos dedicados ao próximo. Porque, em verdade, o amor que se radia em bênçãos de felicidade e trabalho, paz e confiança é sempre a dádiva maior de todas. É sempre o óbulo.

que a vida espera de nós. Meus amigos, que possamos levar então em nossos ouvidos espirituais, em nosso psiquismo, em nosso coração, a orientação do Mestre Jesus.

Que possamos cada vez mais fazer com que o bem em nós seja algo espontâneo, desinteressado.

de renúncia, de sacrifício, óbulo divino. Todos nós estamos sendo convidados diuturnamente, a cada minuto, a entregarmos à vida os óbulos que já podemos entregar a ela.

Não fujamos disso. Que possamos seguir adiante e que o símbolo daquela mulher, pobre materialmente falando, mas espiritualmente rica, porque já houvera entendido a verdadeira lição, possa nos calar.

E que nós, a partir de hoje, todas as vezes que ouvirmos essa orientação do mestre, não saiba, vossa mão esquerda, o que dá, o que faz a vossa mão direita, nós nos sintamos motivados.

a fortalecer em nós o que é espiritual, o que é essência divina, o que é bênção, o que é self, o que é em nós verdadeiramente a nossa essência. Pela atenção de todos vocês, o meu muito obrigada.