Episódios de Pipocast | Podcast de Cinema e Streaming

Na Natureza Selvagem (2007) | Pipocast

26 de agosto de 202656min
0:00 / 56:35

Neste Pipocast: Na Natureza Selvagem (2007) transformou a história de Christopher McCandless em um símbolo de liberdade e desapego, mas será que abandonar tudo para viver longe da sociedade é realmente inspirador? Entre paisagens deslumbrantes, escolhas questionáveis e uma busca quase obsessiva por liberdade, revisitamos o polêmico filme de Sean Penn e discutimos se Alexander Supertramp foi um aventureiro em busca de sentido ou apenas um jovem irresponsável.

Onde Assistir: MercadoPlay

Participantes: Richard Ribeiro⁠, ⁠Marina de Falco⁠ e ⁠Ailton Borges⁠.

Participantes neste episódio3
R

Richard Ribeiro

Host
A

Ailton Borges

Co-host
M

Marina de Falco

Co-host
Assuntos5
  • Críticas ao personagem principal e a romantização da pobrezaPrivilégio branco·Irresponsabilidade·Romantização da pobreza
  • A história de Christopher McCandless e o filme Na Natureza SelvagemChristopher McCandless·Na Natureza Selvagem·Sean Penn·Alexander Supertramp
  • A morte de Christopher McCandless como suicídio prolongadoSuicídio prolongado·Despreparo na natureza·Falta de inteligência
  • A filosofia beatnik e o isolamento como fuga de problemasFilosofia beatnik·Antimaterialismo·Isolamento·Depressão
  • A natureza selvagem como um ambiente hostil e não romantizávelFrio extremo·Perigos da natureza·Ushuaia
Transcrição123 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RRRichard Ribeiro

A gente tá tanto tempo sem gravar que estamos até enferrujados já, mas a gente tá fazendo um banquinho bom de episódio para começar a sair, não ter pausa mais também.

MDMarina de Falco

Eu acho que Avatar vai render porque a gente vai falar, a gente vai acabar entrando na série. E aí eu até vou alertar o Richard aqui porque vai ser sobre o filme e a série, não tem como, entendeu?

ABAilton Borges

Eu vou falar uma coisa para vocês, não tem como não ser sobre o movimento que tá tendo, que é simplesmente a Paramount, quando ela percebeu que ela não consegue comprar HBO Max, ela se desesperou, ela pensou, putz, então eu tenho que investir nas coisas que eu tenho. O que que eu tenho aqui que dê dinheiro? Aí a série do Avatar fez números bons, ela pensou, ah, foda-se, eu vou investir nisso. Nada, não faz sentido eles anunciarem o filme do Avatar a animação nova de Avatar justamente no quase poucos meses depois de ter estreado a segunda temporada da série.

RRRichard Ribeiro

Então, cara, não sei por que isso aí. O filme era para cinema, eles jogam no streaming, né? Então não tava botando muita fé também.

ABAilton Borges

Mas eu acho que é isso, eles querem inflar o streaming, entendeu? Ah, sim. Então assim, eu acho que a Paramount já tá nesse momento de querer se expandir. Cara, eles trouxeram o Feiticeiro de Everplace de volta, estão desesperados.

RRRichard Ribeiro

Foi o terceiro VVV Place da Disney, cara.

ABAilton Borges

É, eles trouxeram alguma coisa, agora não lembro qual que é a série que eles trouxeram. É Star Trek. Eu sei que teve alguma coisa que eles trouxeram.

RRRichard Ribeiro

Enfim, vamos dar uma olhada. Eu assinava a Paramount Plus só para assistir Strange New Worlds.

ABAilton Borges

É isso.

RRRichard Ribeiro

Vamos começar então, beleza. Olá, meus queridos amigos, tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos a mais um Pipocast. Eu sou Richard Ribeiro, o R2, e hoje a gente tá aqui para falar de na natureza selvagem, Into the Wild. Mas antes de tudo, hoje eu tô aqui com a minha querida Marina.

MDMarina de Falco

E aí?

RRRichard Ribeiro

E com o Doutor Cinéfilo Tom Borges.

ABAilton Borges

Quem vai para o Alasca se lasca.

RRRichard Ribeiro

A gente decidiu assistir Na Natureza Selvagem, que tava na nossa watchlist aqui por acaso há um século. E a gente gostou do filme, mas tem umas ressalvas. Tinha muita coisa pra comentar, jogamos no grupo. O Tom falou, tenho coisa pra falar sobre esse filme. E cá estamos.

MDMarina de Falco

Basicamente, quem tem coisa pra falar aqui sou eu. Eu que falei, eu falei assim, vamos fazer um episódio desse filme porque eu estou com o espírito da contenda em mim e eu quero reclamar. Entendeu? É isso.

RRRichard Ribeiro

Apesar do filme ter coisas pra gente reclamar, vamos pôr assim, eu gostei do filme. Eu entendo as críticas da minha querida esposa, eu entendo o porquê as pessoas não gostam do filme, ou o motivo pelas pessoas não gostarem. Mas eu entendo a mensagem que ele quer passar e eu acho que ela é legal.

ABAilton Borges

Só um adendo pequeno, que é o seguinte: ninguém no grupo, vocês não perceberam, queridos ouvintes, ainda, vocês estão conosco depois. Sei lá, de décadas que a gente não produz um episódio. Porém, no estado atual da gravação, eu já peço desculpas do porquê a gente demorou, mas é porque esses dois que vocês escutaram, nosso querido Richard e Marina, agora são um casal, são senhor e senhora R2, senhor e senhora Marina. Portanto, eles tiveram que também fazer uma viagenzinha para o Alasca da América do Sul, que é Argentina. Que é Argentina. E aí agora eles voltaram, a gente tá gravando esse episódio.

RRRichard Ribeiro

E pior que é muito legal que a gente assistindo o filme, a gente, nossa, parece muito Ushuaia vendo as cenas das montanhas aí.

MDMarina de Falco

Até teve uma hora que ele vai lá para o México, alguma coisa assim. Eu falei, ele tá lá na Patagônia onde a gente já foi. Aí o Richard falou, não, ele subiu, ele foi lá para o Alasca.

RRRichard Ribeiro

É a montanha do outro lado.

ABAilton Borges

Então eu quis gravar esse episódio, né? Eu falei, ah, eu topo gravar por dois motivos. Primeiro, porque esse filme ele tem em mim o que eu chamo de efeito Donnie Darko, no populacho também conhecido como efeito Clube da Luta. Que é o quê? Quando você é um adolescente, 13, 14 anos, você vê esse filme, você fica assim, nossa, esse é o melhor filme do mundo, eu sou muito esse cara, foda-se a sociedade.

MDMarina de Falco

Exatamente.

ABAilton Borges

É quando que você cresce, você entende realmente o que eu considero realmente a história do filme, você meio que quebra um pouco a cara e percebe que você tava errado, né? É aquela coisa que eu falo hoje em dia, o que eu gosto muito da interpretação desse filme e o fato dele ter músicas do Pearl Jam, que é uma das minhas bandas favoritas.

MDMarina de Falco

A questão é que, tipo assim, eu não assisti esse filme antes, eu assisti ele pela primeira vez ontem com a minha visão já de uma pessoa adulta politizada, com 30 anos, CLT, entendeu? Aí é por isso que eu quis gravar esse episódio pra reclamar, entendeu?

ABAilton Borges

Isso eu acho interessante, por quê? Porque esse foi justamente o que aconteceu. Eu vi esse filme a primeira vez, achei incrível e tudo mais, porque eu sempre tive uma questão muito interessante pessoal, que é o quê? Como eu já falei em alguns episódios passados, eu cresci no interior e eu mudei muito jovem para a capital, para cidade grande, né? E aí, por conta disso, eu sempre tive muito dessa, vamos dizer assim, dicotomia, que quando eu estava no interior eu queria— eu sempre fui uma criança muito como um adolescente muito cosmopolita, eu gostava de cidade grande, eu queria ver as luzes neon, eu sempre gostei de Cidades como Tóquio, como Nova York, etc.

E aí, quando você tá morando na cidade grande, às vezes bate muito um sentimento de você querer experienciar um pouco a natureza, uma coisa mais pequena. Tanto é que hoje em dia eu consegui sair. Eu ficava bem numa das avenidas mais movimentadas da capital aqui de Goiânia, de Goiás, E hoje em dia eu moro na divisa com a cidade, numa divisa bem arborizada inclusive. Eu moro tipo a 2 quarteirões de um parque botânico gigantesco assim, que esse parque, como é que fala, é parque que é meio que reserva florestal também.

Então tipo assim, para mim eu acho muito bom. Eu sou uma pessoa de parques, eu adorei ir em parques, né? Tanto é que Eu sempre gostei muito de correr, de ler ao ar livre. Então esse filme me traz muito esse sentimento. Quando eu era adolescente, eu me sentia que eu tinha um espírito meio que— a gente vai discutir isso ao longo do episódio— que esse espírito beatnik, que é meio que também o Alexander Supertramp, né, o personagem do filme, ele tem, que esse sentimento antimaterialista.

Para quem não sabe, o movimento beatnik Foi tipo um movimento meio que indie, né, meio que ele não era necessariamente hippie, mas ele influenciou muito os hippies e os hippies também muito se influenciaram, porque eles é um estilo de vida antimaterialista, né, vindos principalmente daquela época baby boomer e tudo mais, quando você tava tendo muita revolução tecnológica. Um aumento muito grande do consumismo nos Estados Unidos, ele é meio que um evento, uma coisa contrária, mas sem a questão transcendental e coisa muito oriental que tem na maioria da comunidade índia, né?

RRRichard Ribeiro

É mais um movimento contracultura do que um movimento religioso.

ABAilton Borges

Isso. Só que tem um problema, que aí que é o que a gente vai discutir no filme, que é o seguinte: é, o problema é que isso também se confunde, é muito interessante. Por que que esse movimento, na minha opinião, cresce muito nos Estados Unidos? E até hoje você tem muitos desses pessoas que quer se isolar, viver no meio do mato, ou quer viver em pouca sociedade. Ou senão você tem aquela coisa muito clássica dos Estados Unidos, né, cidades com 50 habitantes, 30 habitantes.

Eu acho que é pelo mesmo motivo que se tem muito psicopata nos Estados Unidos, que é o pessoal é muito isolacionista nos Estados Unidos. Eles são muito... É uma filosofia de vida no geral que tende muito ao isolamento. E pra mim esse filme, quando eu era adolescente, era muito isso. Uau, o antimaterialismo! Cara, isso é viver livre, isso é liberdade de verdade. E hoje, né, uma visão mais madura, eu vejo assim, não, o cara só queria se isolar.

Ele tinha os problemas dele e ele tentou fugir e tentou se isolar. Então pra mim...

MDMarina de Falco

A minha grande questão com esse filme, Tom, é que eu vejo ele de uma forma muito mais não romantizada e nua e crua, tá?

ABAilton Borges

Sim, exatamente.

MDMarina de Falco

Na verdade, é, ele era um garoto branco, rico, privilegiado, certo? Ponto. Ele era um garoto, ele só conseguiu fazer isso que ele fez porque ele era um homem branco privilegiado. Uma mulher jamais iria querer sair para viajar sozinha, já começa por aí. Ela não ia conseguir cruzar o estado sem sofrer pelo menos umas 3 tentativas de assédio sexual. Uma pessoa preta, eu não preciso nem falar, né? Porque assim, a cena dele lá cruzando a alfândega lá, né, para passar lá para o México, que o guarda só simplesmente chega nele.

RRRichard Ribeiro

Ele vai para o México e aí ele tá assim, tá comentando, precisa voltar para os Estados Unidos. Não é ele cruzando para o México, ele voltando para os Estados Unidos.

MDMarina de Falco

Ele simplesmente, o cara chega, fala assim, ô meu parceiro, não faz isso não, tá? Não faz não, é perigoso para você aí, você vai se machucar, não sei o quê. Porra, se é um cara preto, se é um latino, já ia descer a cacete nele, já ia descer a porrada nele. Era para ele parar de tentar transportar a droga. O menino nem tava com droga, mas com certeza iriam implantar uma droga nele, alguma coisa assim, para ele parar com essas engraçado.

E aí a gente chega num conceito, aí vocês me desculpem, entendeu? Vou falar palavrão mesmo nessa porra, não tô nem aí. É, a questão é: rico, rico com dinheiro, só morre cedo se faz merda. Se faz merda, vai fazer o quê? Vai entrar na porra de um submarino decadente lá para falar que é vitorioso de alguma coisa, vai subir uma montanha no Everest. Por quê? Porque rico acontece que a vida dele é plena demais. Aí ele fica caçando o quê?

Problema. Onde que eu posso arranjar um problema para dizer que eu sou muito, muito— nossa, eu tenho tantos problemas! Ai, ai, meu pai traía minha mãe! Ai, tão simple plan, perfect, do simple plan. Eita, look at me! Ai, sabe? Ai, porra, que saco! Na hora que eu tava assistindo o filme... É que assim, eu já tinha ouvido a história desse cara aí, a história real dele. Mas eu não associei com a história do filme. E aí, eu tava naquela, eu falei assim: Meu, esse diacho desse moleque, eu tenho certeza que ele vai passar por um perrengue fodido.

E aí, quando ele menos esperar, ele vai querer voltar pra mamãe e pro papai dele. Por quê? Porque ele é rico, privilegiado. E ele pode voltar pra casa da mamãe e do papai. Porque vai ter lá a casinha dele, o carrinho dele lá, para ele continuar a vida dele quando ele parar de fazer essas palhaçadas, entendeu? Eu acho que assim, hoje vendo o filme do jeito que eu vi, parece uma tentativa de romantizar a pobreza, sabe? Gente, a pessoa— tem gente que assim simplesmente não tem opção, entendeu?

A pessoa que— beleza, a gente tá falando ali do movimento hippie, não sei o quê, mas são pessoas que não têm opção. População, se ela vai para a cidade, ela vai ser explorada, ela vai trabalhar em subemprego porque ela não tem formação, ela não tem da onde conseguir um cargo melhor para ela ter uma vida um pouco mais tranquila. E o que que eles fazem? Eles se reúnem, eles vão montar um grupo onde um ali vai ajudar o outro, um vai estender a mão para o outro para eles conseguirem ter uma vida com um pouco mais de qualidade.

Agora, essa desgraça desse moleque tinha uma porra de um diploma da Harvard, entendeu? Que os pais dele chegou para ele, falou assim: eu vou pagar a faculdade da Harvard para você. E não só pagar a faculdade, ele estava tão de boa de dinheiro que ele falou assim: não, vou te pagar a faculdade e te dar um carro. Você não vou pagar a faculdade, eu vou ficar um pouco difícil aqui da grana, mas a gente dá conta. Não, eu vou pagar e ainda vou te dar um carro.

Que mais que você quer, meu filho? Ai, pai, eu sou muito revoltado porque você Você foi infiel. Ai, eu vou... Eu sou tão rebelde. Ai, eu vou sair por aí, vou pegar uma mochila, vou andar por aí sem nome, sem telefone, sem nada. Mano, só o simples fato dessa... Desse caralho, desse moleque ter rasgado o documento dele. Ele pegou o documento dele e dinheiro, pra você ver como ele é burro. Porque eles ficaram pintando ali. Ai, porque ele era muito inteligente.

Ele é muito inteligente porque ele tem um diploma da Harvard. O dinheiro, onde que uma pessoa inteligente queima o documento dela e o dinheiro? Ah, dá licença, não, na boa, na hora que eu vi aqui eu falei assim, é muito branco privilegiado, porque todo mundo que já viveu em periferia, que já viveu em um lugar que é menos avantajado, você sabe que você não pode sair sem documento. Você é pego pela polícia, você não é um branquelo ali que tá passando um apuro na natureza.

Você é um traficante, você é uma prostituta, você é mula de carga de droga, você entendeu? E o seu documento serve pra você provar quem você é, que você não tá fugindo de uma pena, você não tá fugindo da cadeia, você não tá fugindo de uma cena de crime. Mas como ele é tão branco privilegiado, na cabeça dele o documento serve pro quê? Pro pai dele achar ele.

RRRichard Ribeiro

Amor?

MDMarina de Falco

Não tô calma, não tô calma. Porque tipo, o que é mais engraçado da revolta da Marina é que esse moleque inteligente é esse que ele vai lá no meio da água gelada lá, claramente ele sabe que muda as estações, aí ele vai aprender, ele vai aprender na hora, ele vai pegar o livro lá para ver qual que é a porra da planta que ele tem que comer.

ABAilton Borges

Isso que eu acho legal, que isso eu acho legal, mas que eu acho mais legal, é irônico, engraçado da revolta da Marina. É que percebam, a Marina, ela tá revoltada não é com filme, né, que o filme é ruim, que eu gosto. Ela tá revoltada é com o personagem principal, é com o cara da vida real que fez isso. Cara, ele é os cornos, ele é a cara do Richard, gente. E o personagem principal, que o Emily Hirsch, ele é irmão do Richard, eu acredito.

MDMarina de Falco

Não, mas é muito assim, sabe, gente, é uma parada.

ABAilton Borges

Marina, Marina, Marina, Marina, o ator não parece o Richard? Não parece familiar do Richard?

MDMarina de Falco

Não, com certeza bem privilegiado, né? Porque assim, o Richard, a gente conversa bastante assim sobre família, tal. E assim, né, dando um contexto geral aqui para os nossos, para os nossos, não é personalidade do Richard, eu estou falando que ele parece fisicamente comigo. Não, não, vou dar o contexto aqui para os nossos 3 gato pingado de ouvinte que a gente tem. Eu venho de uma família, gente, que é bem assim desestruturada. Tanto que eu não tenho, né, o Tom foi no meu casamento, ele viu que assim, de família, meu irmão, minha tia, e é isso.

Não tem meu pai, não tem outro irmão, que eu tenho outros irmãos, não estavam lá, só tem um. Minha mãe faleceu. Então assim, a minha família, gente, é um sofrimento muito grande. Tanto que eu tinha o sonho de sair de casa com 12 anos de idade. Com 12 anos de idade eu tava pedindo para minha mãe para trabalhar Porque eu tinha já um sonho de comprar uma casa e sair de lá, porque eu não aguentava mais morar na minha casa. Quando eu consegui meu primeiro emprego, às vezes eu pegava a passagem do ônibus e eu ia andar por aí e ficava à toa por aí, porque eu não queria ficar em casa, porque eu sabia que em casa eu ia passar por algum tipo de abuso mental, que não era físico, não sofria nada físico.

Mas era abusos mentais mesmo. Aí a gente corta aqui pro contexto do Richard. Os pais dele ainda é vivo, eles são casados e eles se amam. Tipo assim, ó.

RRRichard Ribeiro

Tipo, o básico.

MDMarina de Falco

Você viu o nível de privilégio que o Richard vive? Aí você vai ver ele falando da infância dele. Ai, que não sei o quê. Ele escutando Simple Plan lá. É o Perfect do Simple Plan. Hey, Del, look at me.

RRRichard Ribeiro

O problema da Marina é que eu era emo. Esse é o problema da Marina.

ABAilton Borges

Ouvintes, ouvintes.

MDMarina de Falco

Eu era um privilegiadinho, é isso.

ABAilton Borges

Eu quero inclusive que vocês saibam que a Marina odeia tanto nós emos que eu quase fui banido do casamento porque eu queria tentar encaixar algumas frases de CPM22 no casamento.

MDMarina de Falco

Na hora que eu escutei essa conversa no corredor, eu já dei um grito: não vai não!

ABAilton Borges

Você não me fecha a boca! Mas encaixava perfeito, ouvintes, encaixava perfeito.

RRRichard Ribeiro

NX Zero, cedo ou tarde.

ABAilton Borges

NX Zero também. Porque é o seguinte, ouvintes, já que a gente tá, putas, a gente já tá fazendo episódio de qualquer jeito mesmo, na revolta pura, é o seguinte, tinha músicas do CPM22 e NX Zero que combinavam muito com eles. Porque literalmente, quando eu casei esses meus dois grandes amigos, o tema do meu discurso de casamento foi que a vida é assim. A vida é do nada você encontra aquela pessoa. Porque o Richard e a Marina, eles se conheciam há muito tempo, mas eles não estavam na mesma sintonia.

E de repente eles ficaram nessa sintonia, então eles se encontraram. E aí nasceu um amor, e aí veio um casamento. Ou seja, cedo ou tarde a gente vai se encontrar numa bem melhor. E eles não deixaram falar isso no petiscos. Eles não, o Richard adorou, a Marina que não deixou.

MDMarina de Falco

Inclusive, esse fim de semana eu descobri que a gente costumava pegar o ônibus no mesmo ponto de ônibus que eu. Olha só a diferença, eu trabalhava na escala 6 por 1.

RRRichard Ribeiro

Eu também trabalhava, tá?

MDMarina de Falco

Não, dá licença, eu trabalhava escala 6 por 1, eu trabalhava em call center, atendimento em call center. E aí eu pegava o ônibus 7 horas da manhã lá em Alphaville para ir para o meu trabalho. E aí o Richard falou assim para mim, ah, você pegava aqui nesse mesmo ponto? Eu, é, geralmente de sábado eu vinha esse horário. Ele, nossa, eu pegava aqui nesse mesmo ponto para fazer o curso de inglês dele em Alphaville. Eu, ai, que legal você fazendo o seu curso de inglês, trabalhando para você ver a diferença da classe social aqui, entendeu?

ABAilton Borges

Olha só, literalmente, ouvintes, a música Cedo ou tarde, a gente vai se encontrar. Tenho certeza, numa bem melhor. Vocês se encontraram justamente no momento que tinha que ser, numa bem melhor. E outra coisa, e outra coisa. Caso vocês já perceberam, já notaram, o Richard, ele é alguém extremamente racional. Ele é o cara do sci-fi, ele é o cara do Star Trek. E a Marina é toda emoção, é toda... Como vocês perceberam, é uma pessoa de emoções.

E aí, eu tentei levar pra porcaria do casamento a frase: Entre razões e emoções, a saída é É fazer valer a pena. Se não agora, depois não importa. Por você eu posso esperar, assim como eles esperaram. E eles também não deixaram eu falar essa frase no casamento. A Marina, essa revolta contra os emos tem que acabar. É hemofobia.

RRRichard Ribeiro

Eu concordo, sofremos de hemofobia aqui nesse podcast.

ABAilton Borges

Mas falando em hemofobia, eu acho uma coisa interessante, é o seguinte: tem um motivo da Marina odiar emo e também ter odiado esse filme. Porque, mais uma vez, o filme, né, o próprio Alexander Bertrand, ele bebe muito da filosofia beatnik, da filosofia antimaterialista. E ela nasce justamente desse— a Marina não tá errada em falar tipo assim, ah, o cara era branco, tinha tudo. Porque se você pega realmente o perfil do pessoal do movimento hippie, cara, começou com o pessoal que tinha dinheiro, pessoa que era de família branca, bem estruturada, porque é aquele negócio, tá tudo muito bem, é uma geração baby boomer.

É, você começa a, quando você tem um período de calmaria muito grande, você começa a ter um efeito backlash. E aí você justamente começa um movimento contra a estrutura vigente.

MDMarina de Falco

Então você tinha bando de vagabundo.

RRRichard Ribeiro

A questão não é nem só essa, mas vamos lá, quando você não está preocupado em sobreviver, você consegue se preocupar com o mundo ao seu redor e conquistar de errado nele.

MDMarina de Falco

Exatamente, esse foi, esse foi o pensamento que passou na minha cabeça. Gente, é óbvio que esse moleque ele vai querer viajar o mundo, ele não tem problema, ele não tem que pensar assim, ó. Agora eu vou colocar mais um ponto de vista aqui maduro da história, gente. No mercado de trabalho, se você ficar um tempo ausente sem justificativa ou qualquer coisa do tipo, você simplesmente não consegue se inserir no mercado. Tem mulheres que muitas vezes precisam ficar 1, 2, 3 anos fora do mercado de trabalho para cuidar dos seus filhos, e elas simplesmente não conseguem voltar para o mesmo patamar do qual elas estavam antes.

Por que que você acha que é um grande desespero quando a gente fica desempregada? O maior tempo que eu fiquei desempregada Foram 10 meses e foram os piores 10 meses da minha vida. Literalmente, eu estava no fundo do poço. Esse período que eu fiquei desempregada— e agora vai uma sessão de terapia aqui— esse período que eu fiquei desempregada, eu tinha acabado de perder minha mãe, eu tinha acabado de cortar contato com meu pai, porque meu pai era uma pessoa extremamente grosseira e só sabia ofender.

E eu estava pagando minha faculdade, fazendo o último semestre da faculdade, eu tava pagando aluguel. Então você imagina o desespero que não passa na cabeça de uma pessoa que eu simplesmente eu não tenho aonde recorrer, cara. Eu estava numa situação, eu tava mandando currículo para tudo, até para atendente de loja, para empacotadeira, sei lá o quê. Eu já estava na minha cabeça que pronto, eu vou ter que fazer bolo no pote e vender, sei lá, vou ter que dar meus pulos.

Aí você acha que ia passar na cabeça, aí não, vou fazer um mochilão aqui, vou lá na puta que pariu. Ficar no meio do mato. Não, cara, você tem que trabalhar, você tem que conseguir suas coisas. Você simplesmente chega uma hora que você não vai ter dinheiro para viver, para sobreviver, para ter uma moradia, para você ter comida na sua mesa, você entendeu? Então assim, a despreocupação de ficar, ai, esse tempo fora e tudo mais, é simplesmente porque ele tinha, apesar dele ter toda revolta que ele tinha com o pai dele, com os pais dele, no fundo ele sabia que ele tinha uma segurança, um local seguro que ele poderia voltar caso desse alguma merda muito grande.

E quando deu a merda muito grande, o filme colocou lá para gente qual era o lugar que ele queria estar, entendeu? E aí eles romantizaram tudo. Ai, o perdão! Ai, a família! Ai, não sei o quê. Mas a gente sabe que é a segurança que você ter uma base para onde você voltar traz para você, você entendeu? Então assim, por isso que quando eu assistir esse filme, eu só vi um cara totalmente irresponsável, uma pessoa totalmente privilegiada que não tem, não valoriza os privilégios que ele tem.

Cara, você não gosta do seu pai? Então beleza, vai trabalhar, vai fazer sua vida. Você quer viajar? Viaja. Mas porra, não vai se meter no meio do Alasca, sabe? Fazer uma merda, uma burrice, morreu o quê?

ABAilton Borges

Mas aí que eu acho que é o ponto do que vem a crítica do filme, que aí é a visão que eu tive bem a posteriori, né? Depois, quando você é mais velho, você entende a burrada que o cara fez e tudo mais. Só que ao mesmo tempo, se você ver o filme com cuidado, você começa a pegar sinais que na verdade o que que esse cara tava fazendo era literalmente isso, ele tava fazendo um suicídio. Tanto é que você tem momentos em que ele descobre a felicidade, ele vai encontrando pessoas, e tem momentos em que ele começa a ter vínculos com essas pessoas, e logo ele vai e se quebra, ele se afasta.

O que na verdade ele tava fazendo era aos poucos se isolando, e no final ele morre. Tanto é que o filme no final ele tem, ele traz essa mensagem, né, que a verdadeira felicidade é aquela que é compartilhada. Porque na minha opinião é isso, é literalmente um filme sobre uma pessoa que tava, ele não, ele não foi um estalo, né, aquela questão dele descobrir que ele é um filho bastardo e tudo mais, aquilo lá é meio que uma quebra.

Mas ao mesmo tempo ele já vinha de, provavelmente, vamos pensar, ele era, ele tinha tudo e tudo mais, só que ele também tinha aquela cobrança da sociedade, aquela desilusão dos anos 90. A gente tem que lembrar que nos anos 90 você tem muito essa desilusão porque a economia dos Estados Unidos tá afundando. Então você aprende igual hoje a gente no Brasil, né? Quem nasceu, quem cresceu nos anos 2000 tinha que, ah não, cara, se você estudar e fizer uma faculdade, seu futuro tá garantido.

Hoje em dia não tá garantido se você fez isso. E a mesma coisa aconteceu nos Estados Unidos quando você começou a ter as crises econômicas do final da década de 80, né, década perdida, e 90. Então o cara que já tá assim muito, já vamos dizer assim, desestimulado da sociedade, né, tem uma influência cultural muito forte, que é essa cultura grunge e tudo mais. E ainda por cima, ele era um cara que, como você falou, de faculdade, mas provavelmente tava sentindo, tava sentindo pressionado demais.

Esse cara, ele tava com depressão. A verdade é essa, ele tinha uma depressão. Só que aquele negócio, anos 90, ninguém— eu acho que ele vai caminhando lentamente por uma forma de suicídio.

MDMarina de Falco

Eles passaram um pano, botaram um filtro no filme para tipo ele, para pintar ele. Ah não, porque ele era muito inteligente porque ele tirou as notas mais altas, sendo que não, eles estão passando um pano. A verdade é que ele era burro. Eu não consigo ser positiva nesse nível, eu tô no meu estado mais puro de—

RRRichard Ribeiro

vamos lá, vamos lá então, amor. Você, a questão é que você não tá passando pela camada superior do filme, que é essa que te atingiu.

MDMarina de Falco

É que assim, eles estão passando um pano para uma falta de responsabilidade, falta de maturidade emocional e burrice. Eles não, aí ele era inteligente.

RRRichard Ribeiro

Ai não, amor, amor, amor, olha só, mas a gente tem um problema aqui que não é passar um pano porque não é uma história original, é uma história real. Então é algo que aconteceu, o cara fez isso de verdade.

ABAilton Borges

E outra coisa que aconteceu é o seguinte, o Champaign, que é o diretor do filme, Primeira coisa, a gente tem que sempre— ele nunca faz, ele nunca fez um filme assim extremamente positivo. Os filmes, eles são meio melancólicos. Então, vendo isso, para mim esse filme ele é melancólico, ele não tem nada de positivo. Em segundo, é exatamente isso que você falou. O filme todo é vendido tanto que ele é inteligente, tanto que é isso, né, aquilo.

Aquilo para mim é mostrado como uma pressão que o personagem tem e não que ele de fato é, porque não é inteligente. Ele literalmente morreu Porque ele não soube cultivar comida, entendeu? Ele não soube preservar comida. Então ele não era inteligente. Só que os personagens falavam que ele era inteligente, entendeu?

RRRichard Ribeiro

Mas a pessoa... Ó, em defesa do cara, a pessoa que matou ele foi o editor do livro, que colocou primeiro a planta e na página seguinte: não comer. Tinha que colocar primeiro: não comer essas plantas. E depois as plantas.

ABAilton Borges

Eu acho de verdade que... Que esse filme ele é melancólico nesse sentido. Ele não, ele inclusive não é um elogio à cultura beatnik, muito pelo contrário. Tem um jogo, gente, é para mim a série Life is Strange é uma das minhas séries favoritas de jogos, e muita gente gosta do Life is Strange 1, mas apesar de ser o jogo que mais, que é o meu jogo favorito em especial, tem alguns defeitos o segundo jogo, mas o segundo jogo que mais me tocou por alguns motivos.

É porque eu sou um irmão mais velho de um irmão mais novo e de uma irmã mais nova. Então, como você joga com o protagonista que é o irmão mais velho que tem que cuidar do irmão, você sente muito isso. É como eles, como é uma história sobre um personagem que ele sai da casa dele e vai viver fora, me pegou muito isso também. Porque assim, eu quando mudei para e tal, né, para Goiânia. Eu era um jovem, teve um momento que eu era um jovem adulto e minha irmã se mudou para morar comigo com 14 anos.

Então eu tava cuidando dela, entendeu? E de repente eu tô tendo que ajudar a cuidar de uma adolescente e tem essa responsabilidade. Então essa questão de responsabilidade pega muito. E o filme, o jogo, quer dizer, Life is Strange 2, ele é meio que um road movie em forma de filme, em forma de jogo, porque cada cada capítulo do jogo, né, o Life is Strange dividido em capítulos, eles estão viajando e conhecendo coisas diferentes.

E cada capítulo eles conhecem estilos alternativos de um Estados Unidos invisível. Então eles conhecem moradores de rua, eles conhecem nômades, eles conhecem pessoas igual o Alexander Subertramp, que é esse pessoal que mora isolado, eles conhecem idosos, eles conhecem pessoas que moram no campo. Eles conhecem membros de culto, né? Então eles conhecem várias sociedades alternativas. E eu acho legal que o filme também traz um pouco isso.

Ele vai mostrando também os outros personagens coadjuvantes, né, outras também formas alternativas de se viver no road movie dele. E o que eu acho, por isso que eu falo que eu acho que o filme ele não defende cultura beatnik, Porque ele mostra que ele também não consegue se encaixar nessas outras culturas. Ele não consegue se encaixar, não é só na sociedade atual, ele não consegue se encaixar. Isso é um problema pessoal dele. Então é isso que a gente fala muito dessa questão nos Estados Unidos.

Eu acredito que muita gente que vive isolado, muita gente que busca esse refúgio no meio da natureza, eles têm problemas, entendeu? É um pessoal que tem algum trauma, é um pessoal que tem depressão ou tem ansiedade ou tem alguma coisa do tipo, sabe? Hoje em dia a gente discute muito sobre autismo, muitos podem inclusive ter a questão do autismo, entendeu? E assim, isso não é passar pano para o personagem, de forma alguma, mas é entender que para mim não é passar pano porque é algo que aconteceu.

RRRichard Ribeiro

Vamos pôr que o filme está relatando e te mostrando a decadência da vida desse cara, entendeu? Você pode concordar ou não, com o que ele fez. Mas a ideia do filme é te relatar isso.

MDMarina de Falco

A questão é, eu não consigo sentir empatia e sentir dó, sentir pena de uma situação em que a pessoa se colocou por livre e espontânea vontade, você entendeu? Uma coisa, a pessoa que, poxa, ela ali ela não tinha outra opção, ela não tinha outra saída, ela não tinha para onde correr. E aí o jeito que ele tinha para ver. Não, não era. Ele quis, ele que se quis colocar nessa situação, ele que quis estar lá, ele que se enfiou naquilo. Então eu não consigo sentir dó e empatia.

RRRichard Ribeiro

Mas não necessariamente o filme pede que você tenha empatia por ele. Você pode assistir o filme, vários filmes, você pode assistir com um relato de: meu Deus, eu estou acompanhando um merdeiro gigantesco que só faz coisa ruim.

ABAilton Borges

Uma hora ele vai se ferrar. E é basicamente isso.

RRRichard Ribeiro

A hora que ele apanha no trem, eu tava esperando já que ele fosse apanhar.

MDMarina de Falco

Então pronto, então vamos todo mundo aplaudir.

ABAilton Borges

Não, é que, por exemplo, vou dar um exemplo: Poderoso Chefão. Poderoso Chefão, ele é uma história, ou até mesmo o Breaking Bad, é uma história de anti-heróis.

RRRichard Ribeiro

Mas aí você tá pegando o personagem que a gente empatiza com eles, cara.

ABAilton Borges

Calma aí, calma. Eu tô querendo dizer é que a gente mostra um descenso, a gente mostra o tanto que o personagem ele vai se corrompendo com o tempo. E aquilo serve para quê? Para servir de lição para gente mesmo, né? É quase um cautionary tale, é tipo assim, olha, não faça isso, sabe? Não venda seus valores. Esse filme meio que também é isso, é tipo assim, olha só, não se isole do mundo, olha a merda que é esse negócio de você tá revoltado e vai se isolar do mundo, entendeu?

RRRichard Ribeiro

Para quem eu não tá aí, para mim o objetivo principal, né, ao contar essa história, ao fazer esse filme No final não é enaltecer, nossa, olha só como ele era foda. É realmente mostrar que ele estava errado de fato no final, entendeu?

MDMarina de Falco

Então eu não tô errada então.

RRRichard Ribeiro

Mas eu não sei se você estava errada. A gente só tá falando que você não tá apreciando o filme enquanto você só tá revoltada.

MDMarina de Falco

Não, vou falar agora, vou tentar ser positiva agora, vai. Eu achei muito bonitinho o arco do velhinho lá, que o velhinho era sozinho. Achei meio estranho o arco lá do casal. Achei que teve mais química dele com a véia do que com a Com a Kristen Dunst. Com a Bela do Crepúsculo. Achei que teve mais química dele com a véia do que qualquer outra coisa. Eu achei meio estranha essa relação deles aí. Mas o arco do velhinho, eu achei muito fofinho, entendeu?

Porque querendo ou não, ele acabou sendo uma presença ali pra uma pessoa que era sozinha, que era isolada e tava precisando de uma companhia. Sobre os visuais, o filme também tem... Não tô falando nada da qualidade do filme, assim. A qualidade do filme eu achei bem bonitinha. As músicas também eu achei muito legal. Ficaram super dentro assim do filme, de um jeito. Isso ficou, ficou tipo harmonioso, ficou, sabe, legal. E tem filme que às vezes eu assisto e falo, nossa, a música aqui não combinou muito.

Mas eu não consigo não, não consegue abstrair. Eu não consigo pintar essa questão assim de tipo emocional Porque no meu ponto de vista ele só é uma pessoa fraca emocionalmente, entendeu? Ele é uma pessoa— é isso para mim, o resumo do personagem é esse. Ele foi burro. E aí tipo assim, você vê que foi feito um puta de um filme para uma história do cara. E por quê? Privilégios. Privilégios de ser um homem branco que morreu fazendo uma burrice. Aí parece que homens brancos vê isso e fica igual macaquinho. Que legal!

RRRichard Ribeiro

Não, então, mas aí que tá, é isso aí, o que o Tom falou, com 14 anos é isso, nossa, entendeu? Mas a mensagem do filme não é para quem tem 14 anos, mas é para o adulto.

ABAilton Borges

É igual Clube da Luta, todo mundo, todo mundo, todo mundo entendeu Clube da Luta errado. Porque se você pega o que Clube da Luta realmente tá querendo dizer Se você pega o livro Clube da Luta e se você pega o que que as opiniões pessoais, políticas, etc., do Chuck Palahniuk, né, que é o escritor, você entende que todo mundo entendeu errado, que ele tá literalmente— cara, eu acho muito absurdo isso. Deixa eu fazer um parênteses.

MDMarina de Falco

Eu acho que não, acho que esse filme eles fizeram num tom assim de tipo assim, sabe, ai, vamos fazer uma memórias póstumas aqui e tentar Mas é porque também eu não acho, porque no final, coitado, de que ele tinha muitos traumas e por isso que ele fez o que ele fez. E tipo, eu não consigo, sabe? Para mim eles tentaram mascarar, mas na verdade tipo a história real é que eles não conseguiam mascarar tanto isso, entendeu?

ABAilton Borges

Mas é que também é complicado você fazer um filme de uma pessoa que realmente viveu falando mal dela, entendeu? Tipo desse jeito, sabe? Tipo, você tem que ser no mínimo melancólico, entendeu?

MDMarina de Falco

Eu já pedi desculpa logo no começo, já, já a qualquer pessoa que eu tenha ofendido. Mas assim, mas a minha é a minha visão nua e crua da realidade ali, do qual o próprio personagem se inseriu, entendeu? E aí eu só vejo a história, uma história, sabe, tipo, ai, maneiras idiotas de você morrer. Ah, sei lá, você morre porque você enroscou seu pescoço na grade de não sei o que lá e você não conseguiu tirar. Pra mim foi isso, sabe?

Tipo, a história de uma pessoa que morreu por besteira. Basicamente é isso. E aí é o que eu consigo enxergar.

RRRichard Ribeiro

Então, mas isso é uma coisa legal do cinema, né? Vamos pôr assim. Porque as pessoas interpretam os filmes e veem eles com as suas próprias vivências, entendeu?

MDMarina de Falco

Sim, infelizmente eu enxerguei com muito pessimismo e continuo enxergando com muito pessimismo. Porque a vida é isso, ela vai te dar um soco no estômago. E aí, quando você menos esperar, ela vai te dar um soco na boca. E aí você levanta e segue, cara, sabe? É um mínimo de culhões que você tem que ter, ou você vai se degradar. É isso, você vai se afundar no poço e vai ficar lá no fundo do poço lá se fazendo de vítima. Ninguém vai me salvar assim, porque a vida é assim. Você levanta e reage, ou a vida vai acabar contigo.

RRRichard Ribeiro

Mas as pessoas reagem assim à vida, e só por isso você não tem nada para aprender com ela? Com essas histórias. Por exemplo, nesse filme você aprendeu que primeiro você lê a segunda página de comer a planta, entendeu?

MDMarina de Falco

Então assim, o que você aprende é: se você quer viver na natureza, aprenda sobre a natureza antes. Então não vai querer aprender lá na hora, lá para pegar o livro e ver qual que é a planta que você tem que comer. A gente, então você vai— ele queria tanto ir para o Alasca. Eu quero ir para o Alasca, tá? Como que as pessoas viviam lá? Como que os primitivos viviam lá? Qual que é a vegetação que tem lá? E nas outras estações do ano, o que as pessoas comiam?

RRRichard Ribeiro

Então, mas aí você tá racionalizando uma coisa que o Tom mesmo puxou. Que isso foi basicamente um suicídio prolongado, de fato. Tanto que se você for ver sobre o Alexander Petropov real, todo mundo fala, tipo, os especialistas em viver na natureza, foi um suicídio prolongado. Não tinha como, entendeu? Ele foi despreparado. De fato, entendeu? Então assim, você tem que assistir esse filme, né? Apesar de você interpretar a sua camada de sobreviventes, você tem que assistir.

Vamos ver o que levou esse cara à morte, sabe? Onde ele errou, onde ele poderia ter sido salvo, ele não foi.

ABAilton Borges

Mas tão burro que ele não era apenas burro como Trump, ele era super Trump. Então é esse o filme.

RRRichard Ribeiro

Agora assim, piadas à parte, eu acho que é muito O filme, ele tem vários momentos que eles poderiam ser salvos. No final, o velho fala que ia adotar ele, o casal fala para ele viajar com ele, a menina quer que ele fique, sabe? Mas ele se recusa a ser salvo, entendeu?

MDMarina de Falco

Então assim, é assim, eu consegui fazer aqui o que eu queria, que era reclamar, entendeu? A minha base de vida é essa, é reclamar, entendeu? É porque tipo assim, é a delícia da vida e é que me, é o que me motiva a gravar podcast, é ter os meus momentos de reclamação, de mazela e de pessimismo.

RRRichard Ribeiro

Então, mas agora você tem que ouvir a gente dar a nossa perspectiva de homens brancos sobre por que não é só isso, filho.

ABAilton Borges

Vale por você, Richard. Então, agora, sendo muito sincero, a Maria não tá errada, claro, nas opiniões dela, longe disso. Só que realmente eu acho que a gente tem que enxergar esse filme mais do que ele entrega. Porque de verdade, você vê ele sem tentar racionalizar muito, você vai ver ele com um adolescente de 13 anos e vai achar que o filme tá tipo te evocando a você largar tudo e morar no meio do mato. Assim como aí eu talvez citando o exemplo do Clube da Luta, quando você vê com 13 anos, você não tem critério algum.

Você que é um filme também meio contracultura, você acha que não, vamos queimar a porra toda, vamos explodir tudo e vamos sair na mão, porque nós é homem e homem quem queima a puta do céu na mão. Isso é completamente distorcer a história, a mensagem do filme. O filme justamente fala sobre o quanto é fácil você, com o tanto que homens, principalmente homens brancos, blá blá blá, são tão carentes de afeto. A sociedade molda a gente Pra ser tão isolacionista, ter o coração tão fechado.

Que quando a gente entra num grupo, a gente é facilmente... A gente facilmente compra qualquer ideia. Por isso você vê hoje em dia esse tanto de osho tendo uma rotina.

RRRichard Ribeiro

Uma coisa que a gente viu recentemente, a série do Senhor das Moscas. Senhor das Moscas saiu recentemente, a série, a gente viu. Tem lá o Jack, ele é contra tudo que estão fazendo. Mas como ele foi alçado ao posto de líder, ele não quer desagradar os outros garotos. Então os outros garotos vão lá e matam o Simon, e ele fica tipo, isso tá errado. Que ele faz nada, entendeu?

MDMarina de Falco

Então tipo assim, é porque aí tudo bem, ele é uma criança, entendeu? A gente não espera muita coisa de uma criança.

ABAilton Borges

Eu acho que vem muito de uma coisa da sociedade, ou principalmente ocidental, que é essa questão de a gente, do tanto que é fácil. Por isso que hoje em dia tem tanto incel, etc. E tal, de tanto que é fácil o homem branco, blá blá blá, ele ser captado por um grupo, por um movimento. E é isso que inclusive o clube da luta, né, vai falar. Porque hoje em dia você tem os legionários subindo montanha, hoje em dia você tem esse pessoal tomando sol no saco, repondo testosterona, é comendo carne crua, entendeu?

E aí é a mesma coisa, o próximo episódio do PipocaCast, 127 horas. Então, tipo assim, se você vê o Clube da Luta e você pega só o superficial, você acha que o Clube da Luta te tá incentivando e você não tá. E a prova que não tá é porque literalmente o Chucky Palahniuk, ele é contra tudo isso. Eu acho muito engraçado o Clube da Luta ser referenciado pelos homens héteros e tudo mais, sendo que o Chucky Palahniuk é gay, velho. E literalmente ele é tão contra a violência, que ele já escreveu em outras obras sobre violência e tudo mais, porque ele era abusado fisicamente do pai dele, o pai dele batia nele, entendeu?

Ele em momento algum quer violência, isso que é muito impressionante. Ele é um cara de movimento, assim como o Chayanne Miyavili, né, o outro escritor também de contracultura atual e tudo mais, mas não tem nada a ver o que ele escreveu com o que foi interpretado. Eu acho que Na Natureza Selvagem ele é muito disso assim. Ele é um filme que eu acho que, não sei se foi pela direção, se foi pelo roteiro, apesar do roteiro e a direção serem a mesma, que é a do Champagne, ele deixa você, ele dá, ele dá uma camada que se você entender, principalmente pelo final, pelo jeito que o filme é construído, né, ele, porque o filme não começa de uma maneira cronológica, ele começa pelo final, ele começa conversa com ele, já achando o ônibus e tudo mais.

Ele te entrega que essa questão melancólica, entendeu, que é aí, como eu fui falando, né, como eu disse, que para mim o filme ele é uma degradação do cara, ele buscando esse isolamento a ponto que ele se arrepender, se suicida. E existe um momento disso que é muito interessante, que é o seguinte, que quando ele chega, que é quando abre o filme, né, ele acha o ônibus, ele acha muito bonito. O filme mostra a beleza do lugar. Se você ver que quando o filme ele chega ao final, que é quando ele finalmente conecta ao começo do filme, né, porque ele vê a cena e tudo mais, dá nome ao ônibus e tudo mais, aí começa o flashback, começa a ordem cronológica do filme.

Hora que ele volta, em momento algum, quando ele tá isolado no Alasca, mostra ele feliz. Não tem uma cena dele feliz. Caçando alce é difícil, conservar a carne é difícil. Não existe momentos de felicidade dele, existe uma desilusão. E eu acho isso muito legal, que é o que muita gente não pega quando vê esse filme muito jovem e tudo mais, é essa desilusão. Porque ele depois ele vai entender que, cara, não é isso, isso aqui não é a felicidade, não adianta você realmente se isolar, isso não vai resolver os seus problemas.

Isso também é uma coisa que eu acho que é muito do estadunidense, o estadunidense ele é mais fácil. Eu acho muito, até uma frase que é muito interessante, que é assim: é mais fácil você imaginar outras coisas do que o fim do capitalismo. Em momento algum esse moleque ele tem na cabeça dele que ele vai participar, tipo assim, de um movimento de contracultura contra o sistema, de mudar o sistema, de ajudar outras pessoas, de ajudar.

Vamos pôr aí, né, a questão de ajudar pessoas necessitadas, etc., atingido esse sistema que ele odeia. Não, ele quer sair do sistema, ele quer ser o outsider. Porque o estadunidense, ele é um bicho tão egoísta que ele é isso, tipo assim, ele não quer mudar o sistema. Eu quero sair do sistema, mas eu não quero mudar ele. E eu acho muito legal a crítica do filme, que quando ele fala habilidade só pode ser ignorada quando a gente tem em sociedade, que a gente percebe que não adianta você se isolar, você tem que realmente mudar o seu lugar ao redor.

E a prova é que eles têm uma mente tão limitada, né, que o filme até mostra no livro também que ele doa parte do dinheiro dele, parte ele queima. Olha o tanto que ele é burro, porque ele não doou tudo, sabe?

MDMarina de Falco

Tipo assim, é uma coisa que eu falei, só que você tá falando mais bonito e mais calmo, só isso.

ABAilton Borges

A diferença é que ele é burro. A diferença é o seguinte, na minha opinião, ele é burro e o filme não endossa que ele é burro. Ele é apenas burro. E o filme vai mostrando assim, olha só que tristeza esse burrinho.

MDMarina de Falco

Ai, exatamente, entendeu? Mas é tipo, ó, vamos lá, a gente vai pensando, você vai raciocinando, a conclusão é essa, ele é burro.

RRRichard Ribeiro

Não, mas vamos lá, vamos pegar um exemplo aqui então de uma pessoa com problemas. Ó, vamos lá, a gente pega o filme do Coringa, por exemplo. Ele é um cara com problemas que, ah, foda-se a sociedade, tal, tal, tal. E uma hora ele quebra, aí ele vira um maluco assassino. Esse vira um maluco no meio do mato. É exatamente isso.

MDMarina de Falco

É muito mais legal quando você vira um maluco assassino.

RRRichard Ribeiro

Mesmo com tudo isso, eu entendo todos os posicionamentos, mas eu acho o filme muito massa de se ver.

MDMarina de Falco

Eu gostei de assistir o filme. É porque, que nem eu falei, eu costumo sempre repetir a mesma coisa, eu gosto de filmes que passam para nós algum tipo de emoção, seja qual ela for. E a medida da intensidade dessa emoção é a medida da intensidade do quão o filme é bom, entendeu?

ABAilton Borges

Marina, Marina, agora sim eu vou te dar só uma coisa para você refletir. A gente falou aqui sobre jovens brancos privilegiados que deixaram tudo por uma coisa errada.

MDMarina de Falco

Essa frase, mas Serena, você também é branca.

ABAilton Borges

Disso não, mas você sabe quem que era branco, privilegiado, médico e largou tudo para viver no meio do mato e fazer umas certas coisas? Che Guevara. Então assim, tamo aí, só joguei, só joguei a reflexão. Você pode se isolar no meio do mato, aí eu não gosto da sociedade, e fazer, ou você pode tentar literalmente derrubar governos ditatoriais por aí. Instaurar uma.

MDMarina de Falco

Exatamente, são escolhas. Aí um escolheu o certo, outro escolheu errado, simples assim.

RRRichard Ribeiro

Agora, quem escolheu qual, né? Só apontando mais uma coisa, o filme deixa muito claro, é só não levar as coisas muito a sério. A gente leu O Chamado Selvagem do Jack London, nossa, que legal esse livro! O cara leu O Chamado Selvagem do Jack London, meu Deus do céu, eu preciso morar no Alasca!

MDMarina de Falco

Não, esse livro a gente A gente leu, eu li esse livro e é um livro bem legal. Só que é aquilo, cara, tipo, vamos, vamos olhar as coisas com parcimônia, né? O coitado do cachorro. Aí é que tá a diferença, ele era um cachorro e ele não tinha escolha, ele não tinha, ele não tinha como simplesmente chegar e falar, ah não, não quero, não vou passar por isso, vou embora. Ele não tinha, ele era escravizado, ele era literalmente um escravo do homem, você entendeu?

Personagem principal desse filme aí, ele não Ou ele era um branco privilegiado que ele poderia simplesmente falar: não, tudo bem, vou usar aqui dos meus privilégios para construir minha vida. E beleza, você gosta de viajar, vai viajar, mas né, parcimônia, vamos fazer as coisas com inteligência, né?

ABAilton Borges

Eu acho muito legal as coisas que estão sendo citadas aqui, porque de novo, eu vivi realmente uma questão que eu quase fui um beatnik assim, porque durante muito tempo um dos meus livros favoritos era Formato Selvagem, do Caninos Brancos, né? Eu adorava o Caninos Brancos. Nossa, eu queria morar na neve até hoje, né? Uma coisa que até engraçado, vocês terem noção, essa coisa de que me dá paz, a questão do isolamento da neve me dá paz.

Sempre meus protetores de tela sempre foram, sempre foram paisagens com neve, com às vezes uma cabaninha, porque era um sentimento.

MDMarina de Falco

Você já já foi para neve? Você já foi para algum lugar assim? Você já achou?

ABAilton Borges

Olha só, é por isso que eu tô falando que é tudo na minha cabeça, graças a Deus.

MDMarina de Falco

Então, porque assim, a gente foi agora mudando um pouco o tom do assunto, mas continuando o mesmo assunto. A gente foi para nossa viagem de lua de mel, a gente foi para Ushuaia, que é um lugar lá com bastante neve. É literalmente o último ponto que você vai para ir para Antártica. Isso, Antártida. Isso é o Alasca da América do Sul. E assim, gente, o frio, a gente costuma ver, isso é uma coisa que eu fiz a reflexão com o Richard quando a gente voltou assim para casa e tal, a gente costuma ver os filmes, a gente vê cenas de neve e tudo mais, a gente acha que é uma coisa super de boa assim, e não, cara, é um frio de cortar realmente a pele, é uma coisa assim surreal.

Na hora que ele coloca a mão na água, que ele entra ali na água, né, durante o filme ali, a gente vê, a gente pensa que o que a gente mora num país que é quente, né, que é um país tropical, e a gente vê, ah, é um rio, é de boa. Não, eu tive a experiência de lavar a mão com esta água gelada, e assim, é uma coisa que você simplesmente não aguenta ficar mais do que 2 minutos com a mão na água, você entendeu? Porque é muito difícil, é uma, é doloroso, é realmente uma dor muito muito forte, entendeu?

E então assim, eu não— por isso que quando eu assisti o filme eu já não romantizei nada disso, eu não romantizei, porque é muito difícil. Teve um momento da nossa viagem assim, ele era determinado que ele passou por tudo isso, mas teve um momento da nossa viagem que a gente chegou a ver um morador de rua lá, né, em Ushuaia. E aí eu fiquei pensando, gente, é assim, é uma situação muito difícil, sabe? Esse é um nível assim muito mais difícil de morador de rua, porque o frio é uma coisa que simplesmente, sabe, você mata, você mata simplesmente de você estar ali exposto ao frio, você entendeu?

Então assim, eu não romantizo porque, ah, beleza, você quer morar no meio do mato, vai morar no meio do mato então aqui no Brasil, sabe? Pelo menos você vai ser picado por umas muriçoca aí.

ABAilton Borges

É o exemplo, melhor exemplo possível. Eu odeio, eu odeio quem vive, quem é de outro estado, ou às vezes aqui dentro do próprio estado, assim: nossa, Goiás, nossa, interior! Aí eu queria tanto morar na fazenda, moro tanto, cara, é uma bosta morar na fazenda, é uma bosta você morar no interior, não é bom você trabalhar. Daqui o galo canta até de noite. Se acontece qualquer merda, você tem que largar tudo, tá resolvendo. Você tem tem noção do que que é, por exemplo, um dia de mandioca.

RRRichard Ribeiro

Mas o ser humano é o ódio de, a ânsia de ter e o ócio de possuir. A pessoa que tá na cidade quer ir para o interior e a pessoa que tá no interior quer ir para cidade.

ABAilton Borges

Exatamente, gente. Vocês têm noção? Vocês têm noção que você pode gastar 4, 5 dias plantando a sua rocinha de mandioca? Aí você põe a cabecinha no travesseiro, dorme, e no outro dia, durante a noite, Os javaporcos, os porcos selvagens foram lá e destruíram tudo. Você tem noção do que que é, por exemplo, ah, você cerca seu gado lá e tudo mais, aí um dia chove e aí literalmente o ribeirão, o rio, sobe a água e derruba a cerca e o gado foge?

Você tem noção do desespero? A pessoa não tem noção mesmo. É você ser assaltado, cara. Se um grupo invade com um carro uma fazenda com duas pistolas fazem o que eles quiserem, não tem ajuda próxima. Então não, não romantizem a porcaria da natureza. Quem vive na natureza, quem entra, já tem convívio por natureza, sabe que ela tá lá para te matar, entendeu? Tipo assim, é literalmente isso. Você não— é tipo aquela coisa que a gente tem no interior, que é tipo assim, o pessoal chega na fazenda para andar de bermuda e chinelo, os seus coiós.

É no mínimo uma calça muito grossa. Se você não quiser colocar uma caneleira de couro, tudo bem, é mais chance de ser picado por uma cobra. Botina, se não puder botina, bota. Se puder, bota militar, porque tem espinho para tudo quanto é canto, pode ter cobra, pode ter bicho.

MDMarina de Falco

Nisso o Richard tem propriedade, porque ele mesmo fica aí fazendo serviço no meio do mato, ele já teve berne duas vezes.

RRRichard Ribeiro

É que a natureza é selvagem.

ABAilton Borges

Sim, exatamente, a natureza selvagem, gente, entendeu? E eu acho engraçado que a gente tá aqui descendo agora, que eu percebi, eu não tinha percebido antes, aí eu cliquei aqui na página Wikipédia, é a gente tá descendo um pau nesse filme, né, no personagem, né, não no filme em si, mas no personagem, sendo que o Emily Hurt também nos trouxe Speed Racer. Então eles trouxeram, sim, ele é um Speed Racer, exatamente. Então é muito engraçado, a gente tá fazendo esses dois filmes muito perto um do outro.

Tô muito impressionado aqui, vocês me perdoem, mas é que eu tô em choque que o cara ele fez— olha a diversidade do personagem! Ele fez Na Natureza Selvagem, aí ele fez Speed Racer, ele fez Show de Vizinha, que eu acho que tipo assim um dos filmes de comédia dos anos 2000 mais sábado de noite que tinha. E ele fez um filme que para quem já viu sabe que é bem pesado que é o Lords of Dogtown. O cara tá em todas, mano, ele tá atirando para tudo quanto é lado.

RRRichard Ribeiro

Ele era uma grande promessa dos anos 2000 que não vingou porque o ator fez merda, e é isso, entendeu? Então assim, fez merda, foi acusado de assédio.

ABAilton Borges

Deixa eu ver.

RRRichard Ribeiro

Nossa, que fofoca é essa?

ABAilton Borges

É verdade, ó, em 2015, Hirsch foi acusado de agressão agravada após atacar e estrangular uma executiva da Paramount. Da Paramount Pictures. Eu tava, a gente tava literalmente falando da Paramount antes de começar essa gravação. Eu tô falando, tá tudo conectado, vocês não acreditam em mim.

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