#482 "100 Anos: Milton Santos, presente!" - com Marina Montenegro e André Maleronka
Há poucos dias, no dia 03 de maio (estamos lançando esse episódio no dia 05 respectivo), completaria 100 anos um dos maiores gênios brasileiros de todos os tempos: Milton Santos.
Professor, pesquisador, colunista, divulgador científico, jornalista, jurista como primeira formação e um dos maiores nomes da história da geografia no mundo: Milton tinha um brilhantismo raro, e uma sensibilidade imensa para criar e experimentar conceitos que não apenas revolucionaram o campo de estudos geográficos, mas também aproximou esse mesmo campo de uma série de constatações políticas e preocupações com os rumos do mundo e da vida. Defensor da resistência contra o tipo de exploração que sofremos hoje, Milton falecido em 2001 não viu o desenrolar do que os últimos anos nos reservariam, mas de certa forma previu muito do que iria ocorrer - e nos deixou um legado de força, esperança e caminhos e soluções contra tudo isso.
Mais do que nunca, gritamos 'Milton Santos, presente!' - e, para dar os parabéns, junto conosco, pelo seu centenário, conversam no episódio de hoje a professora Marina Montenegro, que tem pós-doutorado em Geografia e leciona na Universidade de São Paulo, tendo sido inclusive aluna e membra do grupo de pesquisas do professor Milton, e nosso velho chapa, André Maleronka, que além de jornalista e diretor musical (e membro da banda CriseCriseCrise), quis um dia ser geógrafo por conta das leituras das colunas de Milton na Folha de São Paulo! Taca play!
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Vamos de vestir conforto, inteligência, praticidade, estilo e muita tecnologia? Já sabe, então: É INSIDER, sem erro!
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Expediente:
Pai-Fundador e apresentador: Felipe Abal
Outro apresentador: Gabriel Divan
Apresentador que está em missão secreta: Carapanã
Edição de Áudio que nunca falha: Ingrid Dutra
A Garota da Capa: Dani Boscatto
Música de abertura: Dog Fast by mobigratis
- Milton Santos: Legado e GeografiaCentenário de Milton Santos · Contribuições para a Geografia · Recepção da obra de Milton Santos na academia · Milton Santos como intelectual público · Trajetória acadêmica e profissional de Milton Santos
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- Milton Santos e a CulturaDiálogo com o rap brasileiro · Interesse pelo rap como manifestação cultural · Documentários sobre Milton Santos · Literatura urbana e homens lentos
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- Vira Casacas Podcast e ApoioApoio financeiro ao podcast · Importância do ouvinte para a continuidade do programa · Interação com ouvintes e ouvintes apoiadores
- Dicas culturaisSérie Harry Hole · Documentário Jeff Buckley: It's Never Over · Documentário Punk: Turn It Around · Filme Hardcore Logo · Livro Perus Malagueta Baganasso · Livro A Palavra que Resta · Livro James
A bestialidade imperialista. Bestialidade que não tem uma fronteira determinada nem pertence a um país determinado. Que tipo de democracia é isso? Que tipo de liberdade é isso? Isso é a doutrina liberal. É a doutrina que o mercado e a democracia vão juntos, são inseparáveis. Isso é uma praga.
Porque a utopia serve para isso, para caminhar. Saudações, pessoas! Sejam bem-vindos a mais um episódio do Vira Casacas Podcast. Eu sou o Felipe Abau e estou aqui com ele, Gabriel Divã. Me diz uma coisa, Gabriel Divã. Tem alguma peça de roupa mais injustiçada que a polo? Porque eu seguidamente vejo o senhor de polo.
cara, não existe peça mais injustiçada que a Apollo, porque durante anos fizeram a Apollo parecer sinônimo de desconforto, de tecido pesado, de reunião que poderia ter sido um e-mail, e eu ainda vou aduzir mais. Fizeram ela parecer sinônimo daquelas pessoas que usam sapatênis, não são nem de esquerda nem direita, e toda coleção de discos é coletâneas.
Exatamente, Gabriel de Vaz. Só que daí tem o seguinte, né, cara? Entra em campo Apollo Game Changer da Insider, que basicamente pega toda essa ideia antiga e atualiza para a vida real, a vida dos homens normais, a vida dos homens inocentes, eu diria, Gabriel de Vaz.
Não, cara, tá louco. A Game Changer, ela tem o visual limpo, aquela modelagem minimalista, vamos dizer assim, né? Gola no mesmo tecido da peça, aleluia, obrigado, Insider, graças a Deus. Botão discreto, graças a Deus 2. E principalmente, Felipe Abau, ela tem conforto de verdade. Não é aquela roupa que o cara quer tirar, assim, né? Não, não, não, não. Ao contrário, essa é polo e essa vem bem.
Porque ela tem um toque macio, respirabilidade, conforto térmico e ação antiodor. Antifedor, vamos dizer assim. Ou seja, funciona pra sair, pra trabalhar, pra resolver a vida. Ou ficar em casa sem parecer que tá largadão também, né? Vai que vem visita.
E esse é o ponto justamente do mês de maio, né? Mês das mães, mês do aniversário do nosso homenageado, mês do meu aniversário também, né? Fique registrado, mas enfim. A rotina já tá rodando, o cara não precisa de roupa que cria problema, além de tudo. Ele precisa de roupa que resolve, que entrega, sem esforço.
E olha só, Gabriel de Vânia, hoje, 5 do 5, 5 de maio, é data dupla e importante demais, porque tá rolando, sabe o quê? Eu acho que tu sabe, é uma oportunidade excelente no site da Insider. Então, você pode ouvir esse episódio quando você bem entender, mas se você está ouvindo hoje, no dia do lançamento, 5 de maio, então é o seguinte, entra lá no site, usa o cupom VIRACASACAS, tudo caixa alta, VIRACASACAS.
E é esse cupom dinâmico que você sabe, ele te dá 15% off para novos clientes e 10% para quem já comprou direto no carrinho, ele vai somar com os descontos do site e pagando no Pix ainda tem 10% adicional. Eu vou repetir.
Eu vou repetir porque vale a pena, né? Então, vai no site, cupom VIRACASACAS, caixa alta, tudo junto. Você já sabe que tem 15% de desconto na primeira compra, 10% direto na segunda, mas aqui tem mais, ó. Soma com os descontos do site e se você meter ele no piczão do Brasil, tem 10% ainda, ainda menor, ainda.
Hoje, hein? Hoje, hein? Se ouviu depois. Ah, eu deixei pra ouvir. Eu tô ouvindo virar casaca do dia 28. Bom, tudo bem. A gente agradece, mas perdeu a promoção da Insider, né? Isso é decisão inteligente, não é impulso. Apollo Game Changer resolve o visual, resolve o dia. E Gabriel Divan, eu vou fazer aqui um link imediatamente, cara, por causa do seguinte, ó. Já que tu tá pagando...
A sua polo game changer. No Pix. Sabe o que mais você pode fazer com o Pix? Você pode ajudar o Viracazacas também. Aproveita que já está ali pagando sua compra. Belíssima compra no site da Insider. E manda um Pix recorrente. Cinco pilinhas. Viracazacaspodcast.com É grátis. Mas você paga. Porque você nos gosta. Porque você quer que a gente continue. Isso é um negócio, cara.
Cara, eu sempre, toda a minha vida, eu vou fazer aquela menção à ideia do Kleber Mendonça Filho, quando estavam pirateando o filme, aquele som ao redor dele, foi um sucesso de pirataria. E ele disse assim, não me importo com a pirataria.
Mas é importante você ir no cinema também, para valorizar, para ter estatística o cinema. E aí você vai lá e paga para ver o filme, mais ou menos como aquele amigo que vai na casa do outro amigo e diz assim, olha só, tem, o que é para levar? Aí o cara fala, não, não precisa levar nada, não, já tem bebida, já tem tudo aqui. Tudo bem, mas o cara leva, leva um vinhozinho, leva um...
um packzinho de cerveja a mais, né, pra colaborar. Então, Vira Casacas é grátis, sempre será, está aí pra você em todas as plataformas, inclusive em algumas que não são muito legais, mas você gosta, então a gente aceita. O fato é, você não precisa pagar pra ouvir o Vira Casacas, mas você...
talvez possa pagar para o Viracasacas continuar existindo. Então a gente não cobra por episódio, a gente cobra ajuda. Temos despesas com isso aqui, nenhuma delas nos fará milionário, mas nos dá muito prazer em entregar esse programa para você toda semana. Então, apoia.se barra viracasacas, oorelo.cc ou o Pix, o mesmo Pix que você vai ganhar uma barbada ali só hoje no site da Insider, você faz um Pix também, só que o nosso é uma vez por mês.
Uma vez no mês inteiro, R$5,00, você nem lembra que gastou esse Pix aí. Você nem lembra. Isso não faz cócegas aí para o orçamento da maioria da galera. Para nós é muito, muito fundamental, Felipe. Exatamente, Gabriel Divan. E assim, você vai ouvir o episódio também. Você vai gostar do episódio, porque está super bom, Gabriel Divan. Depois você vai me dizer sobre o que é que eu não lembro mais.
E você vai compartilhar, você vai dizer que gostou, você vai mandar para as pessoas. Isso também é importante para nós. E a gente te ama, e Jesus te ama, e Milton Santos te ama. E se não ajudava, vinha o Jesus do SBT tocando o calor. Não. Mas, Felipe, o nosso episódio de hoje é para comemorar...
os recém-completados ou que seriam completados, mas que as pessoas que não morrem para a gente, que continuam nos inspirando, a gente pode falar delas no presente, a gente pode dizer que fez aniversário. Domingo agora, domingo passado, dia 3 de maio, Felipe Abau, completou ou completaria 100 anosτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτο
Um homem negro, do interior da Bahia, formado em direito, alfabetizado em casa, posteriormente poliglota, jornalista, geógrafo, e não qualquer geógrafo, mas geógrafo que foi um dos únicos homens do sul global e o único homem latino-americano a vencer o maior prêmio, a maior honraria da geografia no planeta.
Estamos falando, senhoras e senhores, dele que eu não sei se era apreciador de batidas de limão ou não, mas dele que é um cara fundamental, Milton Santos, o brabo. E a gente está aqui com um programa especialíssimo com uma convidada que é... Olha, eu não vou nem dizer que ela é versada no assunto, porque ela é mais do que isso, a gente vai ver. E com outro convidado muito querido também que está retornando. E nós vamos conversar, nós vamos aprender e nós vamos celebrar.
essa vida e essa obra que se o Milton for embora carnalmente falando ele continua com a gente aqui apesar de tudo nos seus conceitos ele continua nas suas lições, ele continua nas sacadas que ele teve se você conhece Milton Santos essa é uma festa para você participar junto com a gente se você não conhece, chega junto também porque você vai aprender bastante vai querer ler e vai querer se interar bastante sobre esse grande brasileiroτοτο
Perfeito, Gabriel de Vaz. Vamos pro nosso episódio. Vamos.
Gabriel Divan, como é que você está? Cara, eu tô muito bem, porque poucas vezes o cara pode se gabar assim, ó. Olha, eu propus uma pauta, eu inventei aqui, né, uma comemoração pra gente, e isso aí deu certo, passou pelo conselho, passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Vira Casacas, mas é uma pauta que Felipe Abau jamais iria negar, porque merece. Estamos falando de um cidadão aí que merece, é ou não é?
É verdade, né? E como o cidadão merece, inclusive, temos pessoas voltando e temos pessoas novas no Vira Casacas. Gabriel Divan, por favor, faça as honras. Bom, vamos deixar a nossa convidada estreante, né, pra se apresentar com um pouco mais calma daqui a pouquinho. Vamos primeiro deixar aqui a banda de abertura, que às vezes tem tanto o gabarito quanto a banda principal. André Maleronca, de volta ao Vira Casacas. Como vai, meu amigo?
Muito bem, melhor agora que estar aqui com vocês de novo. Eu adoro vir aqui, cara. Acho muito bom, adoro ouvir. E vamos lá. Fiquei com vergonha de vir também, mas vamos lá. Não, o Maleronca foi uma indicação, inclusive, do Gonzo. Quando a gente falou dessa pauta, ele disse assim, não, não, chama o Maleronca que ele vai organizar pra vocês. Eu falei assim, tá bom, né, então, cara, virou.
Virou produtor executivo, tá ótimo, né? Tá ótimo, mais uma função desse cara. Aproveita aí, pra quem não te conhece, Maleronca, diz aí quais são as tuas funções principais, fora a de ser papai de uma linda garotinha de dois anos. Então, essa é a principal, né? Mas então, é isso, eu fui jornalista, eu estive em situação de jornalismo por muitos anos, hoje em dia eu sou membro do Crise, Crise, Crise, que é uma banda, um coletivo, um bagulho meio maluco que a gente faz.
Mas aí, pra falar de política, pra falar de outras coisas, a gente chegou a fazer um especial do Milton Santos há muitos anos atrás. Por quê? Porque eu fui estudar geografia por causa do Milton Santos, que é o nosso assunto de hoje, não sei se podia falar já. Já falou. Agora que eu me dei conta. E foi onde eu conheci a Marina. Eu acabei abandonando a graduação, mas a Marina fez tudo e mais um pouco. O que mais? Ah, é isso. Eu trabalhei, fui ficar em situação de jornalismo, fui editor-chefe da Vice, trabalhei lá durante 11 anos.
Nesse meio tempo eu fui me envolvendo com... Além de cantar em banda punk, eu fui me envolvendo com fazer direção artística de discos de rap, de carreiras de rappers e artistas. Hoje em dia eu sou sócio do Dom L, que é um rapper de Fortaleza, que mora em São Paulo. Enfim, tem uns discos, é muito curtido pela esquerda. Enfim, então é isso que eu faço atualmente. Então eu escrevo coisas, escrevo matérias, essa coisa aí. É isso aí.
É, né? Uma que outra atividade, né? Do nosso rapaz aqui. Bom, ele já falou o nosso tema e ele já falou também quem é a nossa outra convidada, esta sim, estreando no Vira Casacas, Marina Montenegro, tudo bem? Como é que você tá? E pode se apresentar para os nossos ouvintes, sendo que vale currículo látis, vale coisa que não é currículo látis, vale absolutamente tudo que você quiser.
Boa tarde, pessoal. Primeiramente, queria agradecer o convite do Gabriel e do André Maleronca para estar aqui com vocês no Vira Casaca. É uma satisfação também estar aqui começando nesse universo dos podcasts. Então, primeiramente, queria agradecer me apresentar, acho que primeiro como mãe da Sofia e do Tito também, tenho aí uma dupla, e como geógrafa. Então, eu venho da Universidade de São Paulo, onde eu fiz minha graduação,
entre 98 e 2002, e desde então segui, ao longo da graduação já comecei a trabalhar na equipe coordenada pelo professor Milton Santos, que foi meu orientador na ocasião, aí no grupo de pesquisas que ele coordenava, um grupo grande de alunos de graduação e de pós, na ocasião eu estava na graduação ainda, e depois segui trabalhando com a professora Maria Laura Silveira, que era a, digamos,
parceira dele nesse momento no qual ele publica, em colaboração com ela, o livro, acho que o último livro, o Brasil, Território e Sociedade, no início do século XXI. Então, desde então, segui trabalhando com a professora Maria Laura Silveira, argentina, que voltou para a Argentina depois.
E sigo trabalhando aí com a teoria do professor Milton. Então, hoje sou professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo também. Onde, depois de ter passado pela UNB, pela PUC, hoje sou professora lá da USP mesmo. E é isso, estou aqui para conversar com vocês sobre Milton Santos.
Tá bom demais, Gabriel de Vans. Sente o cartão assim, né, carrapô? Maravilhoso. E é o seguinte, né? A gente tá aqui, e você que já viu a nossa chamada nas redes sociais, você que já viu os nossos teasers aí no Instagram e em outros lugares, você já sabe que esse programa está sendo uma espécie de comemoração, porque estamos falando aqui da terça-feira que sucede um domingo.
sucede o dia 3 de maio, que é o aniversário de Milton Santos. Não por acaso, Felipe, 2026 completaria 100 anos o Milton Santos. É por isso que a gente está fazendo essa comemoração, é por isso que a gente está aqui ouvindo a Marina e o Malle. Então, eu queria fazer de pronto uma pergunta, já para a gente abrir os trabalhos aqui.
que a Marina pode nos responder, mas eu fiquei curioso também com uma coisinha que o Maleronca falou, que disse que se atraiu pela geografia por causa do Milton Santos. E, Marina, o negócio é o seguinte, às vezes a gente ouve, por parte de alguns críticos que tem por aí,
esse pessoal que a relação deles com universidade é meio estranho e meio fetichista, porque eles não gostam de universidade, não gostam de pesquisa, não gostam de quem está lá, falam coisas absurdas, mas eles volta e meia querem se validar, eles querem ter títulos aqui e ali, meio obscuros e coisa e tal. Aí os caras dizem assim, nas universidades brasileiras, para além daquelas coisas da droga e não sei o que, os caras dizem assim, nas universidades brasileiras é a doutrinação marxista e tudo mais. Bom...
Nós aqui, eu e o Felipe, como professores da mesma instituição, a gente sabe muito bem que se tivesse 10% de doutrinação marxista já ia melhorar muito a qualidade dos debates, mas não acontece. Aí o cara fala assim, na faculdade de direito só fica essas coisas de direitos humanos e não sei o que, garantias e garantismo. Mal sabem eles que é 80% pelegagem e reacionalismo.
Assim como falam na faculdade de psicologia, sei lá, né? Ah, deve ficar estudando o dia inteiro Freud, não sei o que. Nem sonham, né? O que que passa e o que que não passa por um banco escolar e por um currículo. A pergunta que eu faço é, como é que é a recepção da obra? Você disse que começou a estudar, inclusive, desde a graduação com o professor Milton Santos. Mas hoje em dia...
Como é que é a recepção da obra do Milton Santos? Quem estudar Geografia hoje vai ter nele um cânone que vai ser lido? Vai ter nele uma teoria, um conjunto de teorias que vão ser largamente estudadas? É uma coisa mais da pós-graduação? Como é que é o Milton Santos no dia a dia de quem chega hoje para estudar Geografia no Brasil?
Acho que tem algumas perguntas na sua pergunta, né, Gabriel? Acho que, primeiro, se a gente for olhar para a própria geografia, a gente tem que entender ela como uma disciplina, um campo de saber cindido, né, entre uma geografia humana e uma geografia física. Então, isso tudo já está na base da formação do curso de graduação.
E embora o Milton Santos tivesse uma proposição aí, claro, e se esforçou ao longo da vida toda para propor uma concepção de um objeto para a disciplina como um todo, não só para a geografia humana, Milton Santos acaba sendo mais estudado no conjunto de disciplinas da geografia humana, e não todas, né, acho que posso falar mais propriamente aí do curso do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo.
onde a gente tem, digamos, professores que são mais alinhados com as propostas do professor Milton Santos e professores que têm outras concepções, vão trabalhar em outras linhas também. Então, não necessariamente os alunos vão ter aí uma carga grande de Milton Santos ao longo da graduação.
embora a gente tenha outros cursos onde esses orientandos, esses pesquisadores que foram orientados por ele, estão mais presentes no Brasil também. Então, se a gente olhar para o curso da Unicamp, se a gente olhar, por exemplo, para a UES, Universidade Estadual do Ceará, se a gente olhar também para o Rio de Janeiro, para o IPUR, que é a parte da pós-graduação em pesquisa.
em planejamento urbano e regional, a gente tem uma linha forte de Milton Santos, mas hoje acho que isso está muito mais capilarizado do que em um momento anterior, onde isso estava mais restrito à Universidade Federal de Santa Catarina, à UFBA, na Bahia e à USP. Hoje a gente tem uma maior capilaridade das ideias de Milton Santos.
mas, ao mesmo tempo, a gente se esforça para que a nova geração não veja o Milton Santos como um geógrafo do passado. Justamente a ideia é que a gente possa entender e discutir com esses alunos que estão na universidade de hoje a potência das ideias de um geógrafo que a gente entendia como a frente do seu tempo. E que ideia é essa de um geógrafo a frente do seu tempo?
um geógrafo que entendia o mundo como um conjunto de possibilidades, acho que é um pouco essa a ideia, é um conjunto de possibilidades e algumas dessas possibilidades se tornando existência, se concretizando, se materializando nos lugares.
Nesse sentido, pensar outras possibilidades, acho que era um pouco essa proposta no limite do professor Milton Santos, que aparece, por exemplo, num livro como por uma outra globalização, é vislumbrar outras possibilidades, outros futuros, né, que aí usando todos esses aparatos técnicos que a gente tem hoje, mas que dependem de outros arranjos políticos. Então, acho que a nossa preocupação, trazer Milton Santos para a graduação hoje, por exemplo,
entender a potência de uma obra viva, não de uma obra do passado. Embora o Milton Santos tenha falecido já há 25 anos, essa semana a gente comemora o centenário, a gente repensa e reaviva essas ideias mais fortemente. Acho que é um pouco nesse sentido.
Maleronca, qual foi o momento em que tu se deparou com o Milton Santos e pensou assim, vou estudar geografia porque esse é o cara? Por incrível que pareça, foi por culpa da terrível Folha de São Paulo. Porque acontece, cara, e eu acho que é um pouco o que justifica a minha presença aqui, enquanto tem muita gente muito mais qualificada para falar do trabalho do Milton Santos como geógrafo do que eu no Brasil, tem muitas pessoas.
Mas eu acho que ele teve um trabalho de intelectual público que é de uma generosidade insana, assim, e de 81 até 2001, até a morte dele, ele publicou colunas na Folha e deu entrevistas, ele era uma fonte da Folha, e era um cara que estava ali antes da lei seu, da Erundino, do Pita.
arrebentando com as campanhas eleitorais, sabe? Principalmente do Pita, mas também falando dos problemas que estava tendo na campanha e que Eirondin ia perder. E assim, tem que citar nomes e tal, e uma coisa, uma coragem que você não vê hoje em dia no próprio veículo, né? Apesar deles querendo ser super polêmicos, ah, pra um ladinho, pro outro, coloca lá um fascista e um social-democrata pra fazer uma falsa equivalência como colunistas.
Eles já fazem isso já há uns 15 anos, pelo menos, mas assim, piorou, né? Piorou a qualidade, mas antes você tinha o Milton Santos escrevendo semanalmente no seu jornal, cara.
E aí era uma coisa maluca, assim. Enfim, da minha trajetória, o pessoal acho que não tem a ver dizer por isso, mas eu fui, porque ele era um cara, porque ele tinha uma sacada que era, ele falava nas colunas deles, principalmente, quando ele era a fonte, sim, tipo, cara, tem uma entrevista, tem um livro, né, que compila essas coisas, que é o País Distorcido, que é muito legal e que é, pra mim, é a minha, é a porta de entrada pras outras drogas, assim, todo mundo que vira e fala, pô, é legal, eu falo, cata esse livro, cara.
você não precisa entender de geografia ou de outras coisas, você vai ter a abertura de um pensamento de um cara que pensava o mundo e ele tinha uma generosidade, ele tinha uma sacada que era muito legal, que era de conseguir transformar as coisas que ele estudava, que ele pensava, que ele estava debatendo, em relação ao que estava acontecendo sem cair na armadilha do hard news, mas sim falando do momento e conseguir dialogar com as pessoas. Então acho que é um trabalho de intelectual público.
que é generosíssimo e muito interessante. É muito interessante, sabe? E é isso, ele não ia estar lá explicando a teoria dele, mas ele ia estar aplicando a teoria dele para explicar uma outra coisa. Porque, no caso, a campanha do Pita e da Irundina não estavam discutindo a cidade. Essa era a questão dele com essas campanhas. Então, por isso, eles não estavam discutindo as coisas que eram as mais importantes e as mais sérias.
então ele tava fazendo isso, cara, ele tava fazendo isso semanalmente era um negócio, eu falei, cara se é pra eu entender melhor o Brasil e o mundo que é uma necessidade que eu tava sentindo na época essa é a faculdade que eu posso fazer porque histórias, sociais, essas coisas eu já era meio autodidato, eu consigo ler uma coisa ou outra e eu continuei sendo, né, então eu consigo ler uma coisa ou outra, mas era uma coisa que era mais inalcançável pra mim cara, como é que esse cara conseguiu chegar aí que ele consegue articular tantas coisas
pegando o gancho que o André está trazendo, acho que talvez, para as pessoas que não conheçam a trajetória dele, ele começa, inclusive esse envolvimento dele com trabalho em jornais, com a imprensa, ele começa ainda nos anos 50 a trabalhar como jornalista no jornal da Atarge, na Bahia, ele vai ser jornalista, redator, ele vai ser diretor da imprensa.
oficial da Bahia entre os anos 50 e 60, então ele tem como trouxe o André esse papel aí um pouco de intelectual público, e ao longo dos anos ele mantém essa frente também, ele vai publicar, vai ser colunista da Folha, se eu não me engano entre os 99 e 2000, publica também no caderno Mais, que depois vira chamada Ilustríssima, né.
E ele tem textos muito, enfim, muito fortes, acho que como colocou o André aqui nessa época, e acho que isso que o André traz também, a gente, a força das ideias dele em pensar o que estava acontecendo no momento, sem entrar num debate mais conjuntural ao mesmo tempo.
está na potência da geografia como uma ciência do presente. Então, pensar o período atual, que ele tinha aí uma proposta, inclusive, de periodização própria, entender o que caracterizava esse período, o que era entendido como globalização, e aí ele vai ter toda aquela discussão sobre globalização.
Ora, entendido também como um período técnico, científico e informacional, mas também entendido como a potência, acho que esse vislumbrar das outras possibilidades, como período demográfico ou popular da história, que ele discute por uma outra globalização. Então, acho que tudo isso vai dando força para essas ideias que ele discute nesses textos na Folha.
e inclusive estava relendo também, ele tem aquele texto sobre a guerra dos lugares, ou é guerra fiscal ou é guerra dos lugares, o apartheid é brasileira, o chão contra o cifrão, são vários textos aí que vão de uma forma ou de outra não traduzir as ideias dele para uma linguagem mais, digamos, jornalística, mas para dialogar com o que acontecia nos lugares e no país, e acho que tem nesse sentido...
uma força para pensar que ele tinha, o intelectual pensando o momento. Acho que a geografia tem essa potência de pensar o presente. Ela se propõe como uma ciência do presente mesmo.
Ele tem uma generosidade muito grande, acho que você começou a falar isso na sua primeira fala também, Marina, que ele era um cara, que você fala que é um cara do futuro e tal, ele é um cara da imaginação, ele é um cara que, você vê por uma outra globalização, ele é um livro, que você estava dizendo, não é necessariamente, mas tem uma certa, no melhor sentido, uma vulgarização dos conceitos e das coisas, quando ele vai fazer por uma nova globalização, estava todo mundo da esquerda falando assim, cara, a globalização é a pior coisa que pode acontecer, e ele vira e fala, peraí, galera.
Tudo bem, mas a gente não vai tratar o que é conjuntural, a gente está querendo tratar coisas conjunturais, coisas que são estruturais. E aí pensando estruturalmente, no meio dessas estruturas vai ter espaço para fazer outras coisas. E aí que a coisa roda, e aí que a coisa anda. Então é muito esperançoso, cara.
Aí conecta demais com o Grabber, conecta demais com o Mark Fischer, tem tudo a ver com todos esses caras que são pensadores super legais e que estão falando de esperança e desesperança, que estão falando de sonho, que estão falando de possibilidade. Ele abre, com esse tipo de pensamento dele de papo, ele abre pra arte de um jeito muito maluco e tem um papel emancipador da arte que está meio ali, assim, nos textos dele, nas falas dele, no tempo inteiro. E é muito doido, né? E eu acho que...
Marina, acho que você vai saber falar bem sobre isso, que ao mesmo tempo ele era um cara super rigoroso, e ao mesmo tempo ele conseguia fazer essa vulgarização das coisas, acho que de tão seguro que ele era, é a impressão que eu tenho, que era do mesmo jeito que a minha memória de graduação que eu tenho é dele chegando de táxi e sentando ali nos bancos, antes de ele entrar no... sentando nos bancos, a gente tava sentado tomando café, e a gente ficando assim, caralho.
professor, ele tá aqui, e tipo assim, e ele falou pra mim assim, se alguém quiser me perguntar alguma coisa, alguém me pergunta, eu tô aqui esperando pra entrar ali. E outra coisa que é super importante de falar é que as pessoas não têm essa noção, e isso é fundamental, é que ele se vestia muito bem, ele era um cara muito, muito elegante, cara. Muito elegante. Isso é muito importante, cara, isso é importante.
Felipe, olha só, falar de esperança, falar de futuro, ler a conjuntura, ser contra a melancolia de esquerda, fazer interdisciplinaridade, divulgação científica e elegância. O rapaz, né, alto gabarito, né? Altíssimo gabarito, Gabriel. Mas assim, eu ia pedir agora, Marina, vai que alguém dos nossos ouvintes não conheça Milton Santos. A gente tá falando muito da obra dele, a gente tá falando do que ele fez. Mas assim...
Primeira aula de Milton Santos vai dizer assim, o que esse cara escrevia a respeito, qual é a importância dele dentro do campo, o que tem para a gente ler os contextos que a gente pode utilizar, até uma atualidade do Milton Santos hoje.
Ótimo, obrigada. Acho que talvez a gente começar pelo começo aqui, olhando então, né, essa semana que a gente comemora o centenário de Milton Santos, entender um pouco, buscar aqui um breve resumo da trajetória dele, é sempre muito simplificador, mas ele nasce, então...
em maio, 3 de maio de 26 na Bahia, na Chapada Diamantina, e desde então os pais que eram professores primários viajavam muito e tal, então ele acompanha os pais nessas viagens, criança ainda, e os pais que vão alfabetizar ele em casa. Então é também importante a gente dizer que nessa época não existia essa legislação hoje bastante controversa em torno ainda do homeschooling, para a gente tomar cuidado com isso, não é o caso, tá gente?
Mas o Milton Santos, ele vai aos 10 anos para o Colégio Interno de Salvador e vai começar a se interessar bastante por matemática e por geografia, conclui a escola e nessa época, inclusive tem um certo depoimento dele, no qual ele conta que ele pensa em fazer a escola politécnica, mas desiste porque muitos candidatos negros não eram aceitos. Então ele vai fazer a faculdade de Direito na Universidade Federal da Bahia, ele se forma em 1948.
e depois vai para Ilhéu ser professor primário, professor primário, mas no final dos anos 40. Mas é também nessa época que ele começa a trabalhar como jornalista e se envolver com uma militância maior de esquerda, sempre muito preocupado com as realidades locais, regionais.
E ele publica, inclusive antes de fazer o doutorado, um livro chamado A Zona do Cacau, que chama muita atenção, olhando para essa realidade local e regional também, que ele vivencia ao longo da juventude. É nessa época, então, que ele vai ter o convite, nos anos 50, do Jean Tricard, que era um grande geógrafo aí renomado francês.
para fazer o doutorado na França. Então ele vai para a França, faz o doutorado na França, na Universidade de Estrasburgo, fica 56, 57, 58 na França, circula por vários países, volta para o Brasil, e depois de um tempo começa a trabalhar na Universidade Católica de Salvador, e como professor catedrático na Universidade Federal da Bahia. Então ele tem aí, já como professor de Geografia.
E aí ele começa a ter uma atuação mais engajada como acadêmico. E o que acontece nesse meio tempo? Em 1961, o Jânio se torna presidente, o Jânio Quadros, e se aproxima, tem uma certa aproximação do Milton Santos, convida o Milton Santos para ir à Cuba. E eles vão juntos à Cuba, conhecem.
Fidel, e na volta o Jânio então vai convidar o Milton Santos para compor ali, como assumiu um cargo da Casa Civil no governo da Bahia, o Milton Santos também vai ter então essa entrada aí, digamos, numa atuação mais pública nesse sentido, mas com a mudança de governo e depois vem o Jango, o 64 ele é preso, ele ficou 90 dias preso.
e na prisão ele sofre um derrame e acaba sendo hospitalizado, e ao longo desse período, gente, eu estou passando um pouco rápido só para dar um panorama aqui, ao longo desse período ele vai, então quando ele está hospitalizado, ele é convidado por professores franceses para lecionar na França, então é uma forma dele sair do país nesse período, ele vai para a França, ele vai como professor convidado.
E é interessante que aí começa uma fase que, inclusive o Jacques Lévy, que é um geógrafo francês, que ganhou como o Milton Santos esse prêmio Votran Lude, que é considerado o Nobel da Geografia e que também é um grande estudioso de Milton Santos, vai chamar da fase do pesquisador viajante.
porque ele vai para a França, ele vai ser professor das universidades de Toulouse, de Bordeaux e depois da Sorbonne, mas sempre por períodos relativamente curtos, né, e em seguida ele vai para a Tanzânia, para a Universidade de Darer Salam, ele vai para o Peru, ele vai para a Universidade de Caracas, na Venezuela, ele vai para a Colúmbia, nos Estados Unidos, ele fica um tempo como pesquisador visitante no MIT.
E tudo isso vai compondo, acho, só para dar um panorama, esse contato com várias realidades que ele está pensando. Ele está olhando para essas realidades, ele está olhando para um processo de urbanização, que ele está procurando entender as diferenças dos processos de urbanização desses países, sobretudo na América Latina e na África. Ele olha para isso, está procurando entender. Bom, e acho que essa...
A imaginação que o André citou é, não só ele, mas outros geógrafos, um geógrafo importante nessa interlocução é o geógrafo nigeriano que é o Akim Mabogunji, que vai com ele manifestar uma insatisfação com os modelos que eram importados e procuravam explicar a urbanização nos países ditos subdesenvolvidos na época. Bom, isso aqui não explica a nossa urbanização, como é que a gente explica a nossa urbanização? Não é uma urbanização...
que acontece pela industrialização. Os países não estão se industrializando, a gente não tem esse emprego para todo mundo, na verdade é uma urbanização que se dá muito com a explosão do chamado informal. Então vamos pensar outros modelos para explicar essas realidades. Então essa é uma época muito potente, anos 70.
na qual ele vai publicar livros importantes, tanto, digamos, no campo da teoria da geografia, como o livro Por uma Geografia Nova, que é, Gabriel, um momento de muita internalização do marxismo na geografia, sim, de renovação.
e de, digamos, imaginação para questionar uma geografia clássica, tradicional, mais engessada, mais descritiva, que ainda era muito resistente, mas também uma geografia quantitativa, estatística e tal, que era muito forte também.
E, por outro lado, não só nesse sentido, a imaginação vai, vamos pensar modelos e propostas teóricas que permitam pensar a natureza própria da organização do espaço nos países periféricos. E acho que tem uma ideia interessante dele, que ele se recusava a entender, na verdade,
esses países como periféricos, né, ele falava da centralidade da periferia, porque, bom, ele falava, bom, se a gente tem aí dois terços da população do mundo vivendo na África, na Ásia e na América Latina, como é que isso é periférico em relação ao resto do mundo, né, então acho que nesse sentido ele vai criando aí um arcabouço muito forte, tanto teórico, mas também empírico, conceitual, para entender essas realidades, muito nesse período dos anos 70 e 80, que é quando ele volta para o Brasil. E aí
e no primeiro momento ele vai trabalhar na Federal do Rio de Janeiro, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, até 83, quando ele presta o concurso para professor titular na USP, né, e aí ele entra na USP, 83, e é onde ele vai trabalhar até 2001, que é o ano quando ele falece, então, acho que tem uma trajetória, e aí a partir daí ele vai se debruçar outros temas, vai também, acho que é importante.
a gente olhar, ele tem uma trajetória, como coloca uma pesquisadora Flávia Grimm, uma trajetória epistemológica na qual ele vai dialogar com diferentes interlocutores, vai dialogar com diferentes correntes teóricas e vai, nesse sentido, aprimorando e desenvolvendo cada vez mais, acho que talvez a preocupação central dele, que era...
uma proposta de método e uma proposta de objeto para a geografia, que ele entendia como o próprio espaço geográfico. Então, aqui, acho que esse exercício de imaginação é central. Como é que a gente vai, a partir de um olhar de uma disciplina específica, pensar o mundo presente, interrogar esse mundo, o que ele é feito, que materiais, quais são as ações, como os agentes são diferentes em cada país.
como é que esses agentes têm diferentes poderes de uso do território. Então, é esse movimento. E no final da vida, quando ele publica por uma outra globalização, essa força da imaginação está muito presente.
no sentido que ele vai propor, como você trouxe, André, digamos, vamos pensar o que está acontecendo, globalização é perversidade, sim, é competitividade, é oligopolização do território, é oligopolização da economia, é oligopolização do mercado.
fabricação incessante de cada vez mais necessidade, cada vez mais necessidade, e além disso, aquela ideia da globalização como fábula, então a hiperconexão, o encurtamento das distâncias, toda essa discussão, mas é também possibilidade, possibilidade, e nesse sentido...
ele vai destacar, acho que uma ideia forte dele, que eu gosto bastante, é a ideia de uma possível emergência das massas, né, então do que ele estava falando? A gente teria aí um conjunto de fatores que apontariam para a emergência do que ele coloca como um período popular da história, né, então uma espécie de, bom, diante de um contexto que aprofunda e que gera cada vez mais necessidades, que é pautado pela...
pelo consumo, pelo endividamento, que um autor que eu gosto bastante, que é o Lazarato, vai falar que hoje é a fabricação constante do homem endividado, essa relação credor-devedor é central no mundo hoje, então ele está olhando para essa...
fabricação constante de pobreza, sobretudo nas cidades, e vai trazer propostas de, bom, diante dessa situação de crise constante, a gente poderia passar uma tomada de consciência e a emergência de um novo período aí, acho que ele fala nesse sentido da pertinência da utopia.
muito inspirado pelas ideias do Samir Amin, do Fanon também, da possibilidade de um Elan terceiro mundista, em que a gente teria grande parte do mundo não alinhada aos propósitos de uma globalização, tal qual ela é.
proposta. Então ele vai falar dessa urbanização cada vez que se dá cada vez mais como metropolização, ou seja, a força da aglomeração nas cidades, a emergência de uma série de contrarracionalidades que a gente pode discutir mais para frente, o que ele está entendendo como contrarracionalidades.
E, ao mesmo passo, o que ele entende como uma pedagogia da existência, nesse sentido, pensar pobreza como diferente de miséria. Pobreza é situação de escassez, é situação de carência, mas é também luta cotidiana, e nessa luta cotidiana...
A gente teria aí, digamos, ingredientes para a emergência de um período popular da história, que para ele seria regido pelo homem, pela centralidade do homem, não pela centralidade do dinheiro. Então um pouco, um dos textos da Folha, ele fala justamente essa ideia do chão contra o cifrão.
E ele reconhece, vocês trouxeram a questão da arte, do cotidiano, ele reconhece, por exemplo, no rap, ele vai ter interesse pelo rap, no final da vida, uma manifestação dessa pedagogia da existência. Como é que esses caras estão...
manifestando a sua situação, o seu contexto de escassez, e estão reagindo usando técnicas, usando esse material, todos esses aparatos tecnológicos que são impostos de cima, que são difundidos pelas grandes empresas, mas para os quais eles imprimem outros usos. Acho que essa era uma discussão central para ele, dar outros usos para uma tecnologia.
que serve a um uso capitalista, que serve a financiarização do território e assim por diante. Então, eu acho bastante interessante essa, e nesse sentido ele propõe a ideia de contra-racionalidade, como que a gente vai encontrando reações a esses vetores e a essas verticalidades que chegam e se impõem ao território cotidiano.
E acho que esse diálogo dele com a arte é bonito também, nos trabalhos, não sei se vale muito a gente lembrar aqui, nos diálogos dele com o documentarista Silvio Tendler, que o Silvio Tendler tem a Caliban produção, Silvio Tendler é falecido recentemente, documentarista.
vai produzir uma série, se não me engano, quatro documentários sobre as ideias do Milton Santos, mostrando várias interfaces com movimentos sociais, não só com acadêmicos, mas com movimentos sociais, com artistas, como a potência dessas ideias, como elas, na verdade, estão sendo operacionalizadas o tempo todo.
Maleronca, fala mais sobre esse negócio do rap, Milton Santos, acho que aí caiu no teu colo. Cara, isso foi fundamental pra mim, isso foi uma coisa que me mexeu muito comigo na época, enfim, foi uma hora que eu falei, pô, tem tudo a ver, mas é isso, acho que nessa coisa do Tender, num desses episódios do Tender, tem isso, é legal, dá pra ver, tem no YouTube.
recomendo que as pessoas assistam e é muito interessante porque é justamente isso que a Marina está falando, ele tem uma visão do rap que como, acho que muito generosa, do rap brasileiro, e é muito interessante porque ele não está preocupado no que o rap brasileiro tem a ver ou deixa de ter a ver com o rap gringo que é uma coisa que a crítica de música na época fazia muito.
A crítica de música estava muito preocupada com isso. Ele não estava preocupado em ser crítico de música nem nada, mas em sim ver ali uma possibilidade de potência. Ele viu o rap como um punk, porque ele viu uma possibilidade de potência, de subversão de as coisas. Ah, então vocês estão usando...
sei lá, um sampler e um negócio, isso está sendo feito de outro jeito para falar de outra coisa, para fazer outra coisa e, em última instância, para modificar o tecido social. Que é disso que ele está falando no fim das contas, né? Tipo assim, de mudar a realidade objetiva, de mudar os lugares, de transformar uma coisa, um lugar horrível, num lugar da hora, num lugar de pertencimento. Estou falando de maneira muito legal. Então é isso que ele enxergava.
Então assim, era um senhor muito mais arejado e muito mais inteligente, muito mais sensível.
que 98% da crítica musical da época, tá entendendo? É só ver o que ele tava falando na época sobre o rap e o que o próprio jornal, que era o mais progressista ainda da época, tava falando, nas mesmas datas, nos mesmos anos, é só olhar. É meio bizarro, hoje em dia salta muito aos olhos. Se você olhar aquelas colunas que tinham no folhatim e o que era falado, salta muito aos olhos, muito aos olhos.
E você pensar que um senhor acadêmico que se vestia de camisa e tudo mais sacava muito mais do que o cara com a camisa do Ramones, entendeu? Essa é a parada, entendeu? E aí eu acho que tá, assim, eu acho que ele não... Quando eu tava falando ali...
ele conseguia entender o que estava acontecendo e ele não caía nessa armadilha do hard news. O hard news é um problema no jornalismo, desde sempre, porque ele é teoricamente ligado com o dinheiro, com a rapidez e com uma função do jornalismo, que é a comunicação, e que ele é uma grande bobagem.
Vamos pensar que em última instância o Hard News era o da Atena e virou uma extrapelação, vira o da Atena e hoje em dia vira o clickbait, que é uma coisa feita por IA. Então assim, não quer dizer nada. E a gente ficar também pirado em o que aconteceu no mundo não é necessário. E não funciona em nada em nossas vidas. Não serve nada pra gente entender o presente. É uma falsidade. E é muito doido. E ele pensava a geografia como uma ciência do presente e ele conseguia...
Nesse trabalho dele de comunicador, não cair nisso, não cair na polêmica idiota do colunistazinho que tem que falar do assunto, discutir se a coluna pode ser escrita por Iá ou não, e aí o outro fala que sim, o outro fala que não, e o outro não sei o quê, entendeu? Não era isso, cara. Não à toa, a gente vive nessa época, ele já falava dessa aceleração contemporânea muito.
e não à toa a gente vive numa época onde uma música dos já não tão jovens assim porque já tem outra juventude aí mas uma juventude que acabou de já não estar mais tão jovem e estar lidando bem mal com isso era o trap, que em inglês é o que? Armadilha
e isso é uma armadilha e aí esses clickbaits isso aí é armadilha, é uma época da armadilha de uma coisa de você ficar o tempo todo se enganando e sendo enganado e tudo mais eu acho que ele traz muito um farol e um horizonte que não tem nada a ver com isso
não tem nada a ver com isso eu imagino eu estou muito super por fora do que está sendo produzido academicamente, lógico, de mestrado de TCC, de doutorado, de nada disso mas eu imagino que as coisas do Milton Santos circuitos superiores e inferiores devem ser super mega usados para entender a uberização e o que acontece na uberização na qual a uberização e no território porque super funciona
acho que ele fez esse esforço de criar categorias que funcionassem pra explicar o terceiro mundo, os terceiros mundos esses lugares, esses países subdesenvolvidos que a menina colocou e eu acho que ele foi muito bem sucedido nisso porque ele tem conceitos ideias e discussões que pronunciam o que a gente tava vivendo e que muito provavelmente saíram pra explicar o que a gente tá vivendo e como, e mais que isso como lutar contra isso sabe?
Pegando o gancho nisso que o André colocou, acho que ele... E era bem, acho que duro nesse sentido, em dizer quais eram os debates desnecessários e quais eram os debates necessários. Acho que tinha bastante clareza nesse sentido.
E justamente na obra O Espaço Dividido, do final dos anos 70, na qual ele traz essa proposta de que a economia urbana dos países subdesenvolvidos a gente teria a coexistência desse chamado circuito superior, que é composto pelas grandes empresas mais capitalizadas, e o chamado circuito inferior, que seria esse grosso modo economia da pobreza nas suas mais diversas formas de trabalho. E aqui vale ressaltar também a crítica dele.
ao paradigma da informalidade, entender essa economia urbana pelo critério da legalidade ou da ilegalidade, da formalidade ou da informalidade, a preocupação dele estava em entender...
como essas pessoas viviam, em que medida elas atendiam os critérios normativos. Então, acho que ele vai muito nesse sentido. E, justamente, mas voltando, justamente na introdução desse livro, ele afirma que uma das motivações dele era oferecer um modelo teórico para que outros pesquisadores pudessem estudar realidades empíricas.
pensar como esse modelo servia ou não, né, para a gente analisar as realidades em questão. E nesse sentido, os circuitos, o circuito inferior, circuito superior, contra-racionalidade, vem sendo pensados e acho que essa ideia da força das ideias do Milton Santos no presente. Então, enxergar contra-racionalidades, ou seja, outros usos possíveis para essas técnicas, que acho que era uma...
preocupação que vinha, inclusive, dele, que sempre teve um olhar muito para os filósofos da técnica, entendendo a técnica não só como tecnologia, o objeto técnico em si, mas sempre combinado aos usos possíveis desses objetos e as normas que regem os usos desses objetos. Então, esse triângulo...
Então a gente vai ter, desde então, por exemplo, o trabalho sobre o tecnobrega, no Pará, em Belém, pensando a partir da teoria do Milton Santos, pensando como você trouxe, André, outros usos para todos esses equipamentos musicais para vocalizar um cotidiano ali amazônico, urbano amazônico, de uma Amazônia oriental, mas que também é metropolitana. Então acho que tem...
Outro trabalho bastante interessante que foi feito pelo Fábio Tosi, da Universidade Federal de Minas Gerais, que agora parece, para a gente ver como essa aceleração contemporânea vai exigindo uma releitura e preencher os conceitos com o conteúdo de cada época, foi sobre a pirataria. Então, pensar a pirataria como esse uso das técnicas...
que reagia à criminalização de usos populares, da possibilidade de copiar num pendrive. Hoje tudo isso parece muito ultrapassado para a geração do streaming, mas era uma forma de garantir acesso à produção.
visual, produção musical, cinematográfica, que não por meio da televisão a cabo, digamos, ou da compra do CD na época. Então, o Fabio Tosi traz essa discussão com base nas ideias do Milton Santos para pensar, bom, nos lugares onde a gente não tem sala de cinema, não tem casas musicais, essa população não pode comprar esses produtos. O papel da pirateria em difundir o acesso à arte. Então, ele vai...
trabalhando esse para, e sobretudo a partir do conceito de flexibilidade tropical, que também é um conceito forte da obra do Milton Santos. Olha, eu acho que a gente podia entrar um pouco nessa questão dos conceitos, porque vocês começaram dando muita ênfase, e quem está nos ouvindo certamente vai se interessar por isso também.
para aquela questão de um Milton Santos já numa parte, digamos assim, final da vida, num quadrante final, popularizando a sua teoria através de colunas onde ele vai ter uma linguagem muito simples. Quem já leu principalmente o livro da compilação...
vai ver que ele está ali dialogando com o povo mesmo. Ele está prestando o serviço de um intelectual generoso, como o Maleronca enfatizou muito bem, no sentido de dar alguma contribuição, de tentar botar um olhar mais especializado, mas de uma maneira que possa circular. E é por isso que, no começo, o meu primeiro contato com o Milton Santos...
Foi justamente a partir disso. E eu achava que ele era basicamente um colunista, em algum momento, porque o cara lia e via que tinha opiniões. Valtemir pintava esse nome, Milton Santos. Eu não tinha lido ainda, por uma outra globalização,
E de uma maneira muito errada, na qual eu me penitencio em público aqui, eu associava ele a uma espécie de crítica à globalização num sentido mais idílico e num sentido até que a gente pode batizar ou cravar hoje que é melancólico. O Felipe, que tem dialogado muito com isso sobre isso, eu ando numa cruzada anti-Balman.
Não porque eu discorde do CERN e das afirmações do velhinho, mas é porque eu acho que ele é a própria melancolia e o próprio passadismo. E eu meio que fazia uma associação de alguns autores que trabalhavam a globalização, porque o Bauman tem aquele livro sobre globalização.
eu fazia uma associação como se fosse mais ou menos aquele tipo de crítica, e aí um dia eu decidi, não, eu vou ir mais a fundo na teoria do Milton Santos, porque aí já sabendo do tamanho que ele tinha, da importância que ele tinha, eu disse, não, peraí, eu não posso ficar só na superfície desse cara.
Obviamente, o primeiro contato foi aterrorizante, porque é uma densidade nos livros dele, é uma profundidade, é uma profusão de conceitos, é uma coisa que tem que se pensar bastante. E aí eu fiquei meio, nossa, olha o tamanho do ridículo eu estar eventualmente subestimando ou eu tentando achar que o Milton Santos era alguém contornável ou alguém cujo limite era visível num primeiro momento. Quando eu...
entendi ou penso que entendi alguns conceitos como o do espaço em Milton Santos, eu juro por Deus a primeira vez que eu olhei pra rua, pras coisas acontecendo pros carros passando, pras pessoas passando depois de ter lido e quiçá compreendido a noção de espaço em Milton Santos, é uma coisa assim o cara quase chora
O cara se emociona porque, velho, é um negócio que tu tá olhando aquilo e tu percebe as camadas de tempo, história, trabalho. Essa noção é muito foda, é muito fundamental. O quanto de trabalho tem num espaço e aí o cara vê as várias cidades e as várias temporalidades ao mesmo tempo. É um choque na cabeça. É uma coisa tão bonita, é uma coisa tão impactante. Então eu queria que vocês falassem um pouco sobre esses conceitos. Por quê?
O Maleronca trouxe e a Marina explicou um pouquinho essa questão dos circuitos superiores e inferiores, que é uma coisa que aparece bastante, é uma coisa que é muito usada da obra dele. Mas eu queria que vocês falassem um pouco mais disso também. Essa questão do espaço, essa questão da flexibilidade, eu acho que são coisas importantes. E eu queria fazer uma pergunta também. O prêmio que ele ganhou, que posiciona ele como um dos maiores geógrafos do mundo, até porque isso não há dúvida que é, eu diria que é um dos maiores intelectuais do mundo e ponto. Então, eu acho que é um dos maiores,
É um prêmio que é meio o conjunto da obra ou tem alguma coisa específica no sentido de ter um livro, um conceito, alguma coisa assim?
Então essas duas coisas aí para jogar na mesa. O prêmio, o prêmio Votre en Lourdes, Votre en Lourdes, em francês, é o prêmio, digamos, pelo conjunto da obra, né? Pelo conjunto da obra. E acho que vale dizer aqui que até hoje, eu confesso que eu não sei quando esse prêmio começa a ser...
mas até hoje Milton Santos é o único geógrafo latino-americano que ganhou esse prêmio que é considerado meio Nobel da geografia, enfim. E a gente só tem um outro geógrafo de um país do sul, que é o Akin Mabogunje, nigeriano, que ganha também, né, pelos seus estudos da urbanização na Nigéria. Então são os únicos dois geógrafos aí, não de países centrais, que ganham esse prêmio.
até hoje. Por outro lado, Gabriel, acho que a sua pergunta aqui sobre essa trajetória teórica, conceitual do Milton Santos é central para a gente resgatar, por um lado, essa densidade que perpassa a obra dele, acho que aqui a gente teria três eixos, como propõe a Flávia Grimm.
três eixos nessa trajetória epistemológica, que por um lado, esse esforço dos diálogos dele com a técnica, os diálogos com a filosofia da técnica, que vão redundar em grande medida nas propostas que ele vai fazendo ao longo da vida de conceituação do espaço geográfico, como objeto da geografia, aí eu já chego no espaço.
Mas também, para além desse eixo, ele tem outros dois eixos, que são o eixo da economia política, que está muito na fase na qual ele internaliza o materialismo histórico geolético na geografia como método para radicalizar, digamos assim, uma geografia mais passiva, talvez. E um terceiro eixo, que é o eixo da cidadania como praxis.
então esses diálogos que vão aparecer em livros, por exemplo, como Espaço do Cidadão, no qual justamente, aqui acho que até na ponte com o Bauman, ele vai muito fazer essa crítica da cidadania em contraponto ao consumidor, do cidadão em contraponto ao consumidor.
Mas eu acho perfeita essa ideia da gente resgatar essa preocupação dele com uma definição do conceito de espaço, da interrogação do conceito de espaço, até porque essa acho que é a grande preocupação que atravessa a vida dele, entender...
propor um objeto que acho que no final a grande obra na qual ele vai trazer uma definição que acho que ele considera talvez a que ele chegue no final da vida é a natureza do espaço, na qual ele propõe o espaço geográfico como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações. Então, toda essa materialidade, essa infraestrutura.
que compõem o espaço, tanto em micro-objetos como em grandes objetos, que podem ser até as cidades, a gente pensar nas cidades, e aí o espaço em si é essa natureza transformada, essa natureza na qual a gente vai agregando cada vez materialidade, mais próteses, mais próteses, mais próteses, mas ao mesmo tempo não só essa materialidade, é a sociedade em movimento, vivendo nesse território transformado e sendo influenciada por esse território.
também. Então, aqui essa ideia que ele traz muito do papel ativo do espaço. Então, essa materialidade que vem de um passado, que é resultado de um trabalho anterior, de um modelo produtivo anterior, ela vai condicionar e vai influenciar, não sei se eu estou me fazendo clara, as ações presentes.
Então é um pouco essa ideia que ele vai, inclusive, resgatar do sartre, o conceito de prático inerte, essa força dinâmica que tem a materialidade condicionando as ações no presente. E aí, nesse sentido, ele traz esse conceito para trazer a ideia de inércia dinâmica, como que essa materialidade que você está falando da cidade, influencia nossas ações, as nossas circulações, a nossa relação com a cidade, o que a gente pode fazer, o que a gente não pode.
E isso vem das ações passadas, que transformaram esses meios. E acho que ao longo da vida a gente vai olhando, desde os anos 70, quando ele propõe pensar o espaço como formação socioespacial, nesse diálogo maior com o marxismo.
Pensando, bom, se por um lado o marxismo estava falando informação social e econômica, para ele ele vai dizer, bom, e o espaço nessa história? Porque o modo de produção precisa de um território para se concretizar. Se eu não estou falando de espaço, estou falando de um certo modo de uma abstração. Então, a realização do modo de produção se dá em cada território de forma diferente conforme o que já existe ali. Então, um pouco essa ideia da inércia dinâmica também.
Então, aí ele vai propor, nesse momento, a categoria de, o conceito, perdão, de formação socioespacial. Então, nesse momento, ele está pensando, em grande medida, o espaço como formação socioespacial. E também, acho que nesse momento, na obra Por uma Geografia Nova, isso também aparece na obra Por uma Geografia Nova, o espaço como instância.
então o espaço como instância, ou seja, como essa estrutura que é subordinada, mas também subordina as outras instâncias, então como a cultura, como a economia, como a política, como o direito, então o que ele está, de certo modo, convocando geógrafos a dar mais voz ao espaço, porque no final, geografia é tudo o que? Estudo espaço geográfico, então a gente ficar discutindo o que era a geografia,
para ele não era um debate central, o debate central era sobre o espaço em si, então o espaço em movimento, o espaço ele vai trazer também na obra Metamorfose do Espaço Habitado como um conjunto de fixos e fluxos, então essa ideia das materialidades em movimento, articuladas pelos fluxos, mais para frente, acho que aqui talvez uma proposta que me parece...
muito potente, que aparece num outro livro, no Por Uma Economia Política da Cidade, que é a proposta de entender o espaço como esse conjunto entre o trabalho vivo e o trabalho morto. Então, aqui a gente também vê a força do marxismo, nas ideias dele, o trabalho vivo, o trabalho morto.
esse trabalho morto como esse trabalho acumulado, como você trouxe, Gabriel, nas infraestruturas, nas máquinas, nessa natureza transformada, no tecido urbano, no sistema viário, todo esse complexo tecnológico que a gente tem hoje, mas que, quando a gente olha só para esse trabalho morto, a gente está falando aí de uma paisagem no limite, de uma configuração territorial, mas para falar de espaço, a gente precisa...
olhar para esse trabalho morto mobilizado por um trabalho vivo, e aí a gente estaria falando de espaço. Então, olhar para a cidade, então ele tem certas passagens aí na qual ele brinca com a ideia, bom, se a gente tira a sociedade e deixa só o quadro material, a gente não está falando de espaço. A gente precisa olhar para a sociedade inserida em movimento.
E aí ele chega, nos anos 90, a essa ideia do espaço como conjunto de sistemas de objetos e sistemas de ações como indissociável, como uma relação dialética entre ambos, um não se explica sem o outro, a ideia de que o espaço é um híbrido, a gente tem esse conceito de híbrido também que ele traz do Bruno Latour, é central para ele.
Já em 2001, no livro com a Maria Laura Silveira, eles propõem que o espaço geográfico também pode ser pensado como sinônimo de território usado. Então, aqui é uma outra entrada também para a gente pensar os usos do território. Então, os usos do território no presente, mas o território usado também com a ideia do usado no participio passado. O uso no presente...
quais são os usos possíveis hoje, os usos hegemônicos, os usos contra-hegemônicos, mas esse território que já foi usado e que condiciona os usos possíveis hoje. E, por fim, acho que um pouco nesse resgate todo, a ideia dele olhar para o território usado é pensar os vários usos do território, então olhar para o espaço, não só para o espaço das grandes empresas, para o espaço...
polarizado para o espaço chamado circuito superior, mas é olhar todos os usos que cabem no espaço. Então, nesse sentido, ele chega à ideia de espaço banal, que é, eu acho que também aí, tem uma potência enorme, a gente entender como no espaço cabem todos, como todos conseguem se inserir de algum modo nas cidades, através de alguma atividade, nas partes mais desvalorizadas nos bairros.
com menos infraestrutura, de alguma forma, esses agentes estão se inserindo, encontrando formas de trabalho, e isso compõe o chamado espaço banal. Então, é um contraponto também à ideia de aceleração contemporânea, a força do que ele vai chamar desses homens lentos.
ele traz essa ideia, né, a aceleração contemporânea ou o espaço das redes, da virtualidade versus o espaço banal, no qual a gente tem todos e sobretudo os homens lentos, né, acho que um pouco esse movimento que, acho que...
e a gente reconhecer a força dessas ideias, e a atualidade dessas ideias, e o potencial de operacionalidade dessas ideias para uma infinidade de pesquisas que podem ser feitas mostrando esses usos, mostrando essa pedagogia da existência que ele falava. Então, sair de uma situação de crise para uma consciência de crise e para um movimento. Como é que a gente pode conferir outros usos para essas materialidades?
Talvez, assim, tentando me aproximar aqui do que eu considero esse caminho da conceituação de espaço nele. Nossa, mais do que bom dentro de um espaço, sem ironias, curto, né? Como o de uma conversa que não pode, infelizmente, se estender por 28 horas. Felipe, o Maleronco podia entrar justamente aqui, né? Nessa questão de aceleração, velocidades, lentidão ou coisa parecida, né?
Você tirou as palavras da minha boca, né? Eu quero saber sobre velocidade, sobre aceleração, sobre Milton Santos, sobre Marquinhos Pescador, sobre crise, Maleronca. É, então, eu acho que a primeira vez que eu vi esse papo de aceleração contemporânea e de tudo mais foi, eu sei que você já está quase falando o nome que não pode ser dito, né, do homem lá.
o Nemesis, a quimera, o Nick Land, o aceleracionismo e tudo mais, é muito doido, porque, na verdade, do que eu me lembro, ele vê essa aceleração contemporânea como uma coisa quase que inevitável e aí como é que a gente lida com isso? E esses caras, esses apologistas do apocalipse, essa galera que está tocando a trombeta do apocalipse na nossa orelha,
tipo o Nick Land, esses outros fachos malucos aí, eles querem mais é que vê o circo pegar fogo, querem que a coisa vá. Acho que é isso, a gente tem um lado aí nessa história. Adorei ouvir a Marina, foi maravilhoso, muito bom, muito bom. Mas acho que tem uma coisa que é muito importante, que o Milton Santos estava se alinhando a uma galera, e na verdade sendo um dos pontos de lance dessa história mesmo, de uma geografia que não queria mais se ver como...
inerte, ou como em cima do muro, ou como fingiu uma isenção. É uma discussão que vem pro jornalismo depois, até dito, dessa falsa isenção. Ele fala, cara, não é possível você ser isento porque você tá vendo as coisas que estão acontecendo, então você precisa ter uma atuação. Tem o livro do Nibir Lacoste, que é o melhor título de livro de todos os tempos. A geografia, isso serve, antes de mais nada, pra fazer a guerra. Esse é o título do livro, tá ligado?
Ele tá virando e falando assim, cara, galera...τοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτοτο
seguinte, vocês vão ficar nessa de ficar medindo coisinha, de ficar dizendo onde é a fronteira, de qual é o tamanho do não sei o que, de que isso, que é aquilo, do clima, de não sei o que e blá blá blá, e fingindo que isso não serve pra nada, isso serve pros caras invadir o teu país, ou pra você invadir o país do outro, né? Então, não vamos fingir que isso não aconteça, né?
Um estudo demográfico vai servir pra você diminuir ou aumentar a pobreza da tua população. E por aí vai, né? É meio isso. E acho que ele se insurge contra isso. E ao mesmo tempo a gente vê uns caras pensando justamente o contrário, né? Essa galera do aceleracionismo é justamente o contrário. É uma desesperança e é um faniquito.
do tipo, ai, deu tudo errado, então vamos destruir tudo pra fazer tudo de novo, e você vira e fala, cara é mesmo? eu acho que, em todos os tantos, a ideia tá muito mais que dentro mesmo dessas estruturas, dessas coisas tem um espaço aqui, e tem coisas pra fazer outras coisas, que podem solapar essa estrutura e eu acho que a ideia é muito mais potente muito mais interessante, e não acho que seja uma ideia reformista, inclusive
Muito pelo contrário, eu acho que é por aí. Sacou? Perfeito, Gabriel Divan. Eu ia dizer que eu ousei tentar colocar aí um pitaco num escrito vindouro.
em que eu estou trabalhando justamente com essa questão do Mark Fischer e estou discutindo essa questão do aceleracionismo. E aí a gente pensa, por exemplo, no conceito do homem lento, aquilo que muitas vezes o Milton Santos colocava a respeito dessa insubmissão às velocidades do capital, ao produtivismo do capital, a uma vida pautada através da geração de resultado dentro da produtividade do capitalismo.
Só que em algum momento eu me deparei com uma ideia, e aí pode ser aqui o fim derradeiro dela, pode ser uma tristeza muito grande, mas pode ser também uma abertura de diálogos futuros.
no sentido de dizer que tem como ver a aceleração, o aceleracionismo, não, obviamente, na visão apocalíptica, patética, de gente como o Nick Land e outros, mas tem como ver uma produtividade de outros aspectos, uma produtividade da gente pensar biopolítica, a gente pensar coisas da nossa vida e interesses e própria questão de emancipações.
Então eu fiquei pensando assim, o homem lento do Milton Santos talvez seja lento num contraponto justamente à velocidade que o capital nos exige, nos impõe. Mas talvez não seja incompatível com uma aceleração justamente no sentido de que este homem lento para o capital e só como um servo do capital, na verdade ele vai produzir muito em outros aspectos.
ele vai angariar muito em outros aspectos, ele vai entregar muito em outros aspectos. E é isso, por exemplo, é uma citação que eu me lembro que o Negri faz naquela coletânea, naquele artigo que é uma coletânea sobre o aceleracionismo.
onde ele comenta o próprio manifesto aceleracionista do Serenchec e do Williams, e ele vai dizer assim, não é para trabalhar mais, não é para a gente correr mais, ao contrário, nós temos que liberar essa outra potencialidade, esse outro trabalho que reside justamente nessa condição que é nossa, nessa condição que é humana, nisso que também é trabalho, mas que está sendo usado para ser extrativizado.
Então eu pensei assim, poxa, será que dá? O meu palpite é eventualmente eu digo que sim, para compatibilizar o homem lento do Milton Santos com algum aspecto de aceleracionismo no instante em que aceleracionismo para simplesmente a gente produzir mais para o capital? Não.
Para simplesmente a gente ir mais rápido para o apocalipse, para o colapso? Não. Mas justamente para a gente produzir mais vida, para a gente produzir mais dentro desse aspecto e não produzir mais na nossa indústria ou coisa parecida. Porque o que ele fala do homem lento é muito bacana.
É uma coisa também muito inspiradora, no sentido de que ele inclusive coloca isso com a esperança, porque é isso que é atraente do Milton Santos. Ele não vai ficar choramingando o tempo inteiro, ele vai dizer justamente que o futuro vai ser desses homens lentos. O futuro vai ser dessa outra construção. Nós estamos gestando alguma coisa, nós temos muito poder de resistência.
Mais do que a gente imagina. Então, quando uns dizem que o capital vai simplesmente nos destruir, a gente tem que pensar em como vamos ser destruídos de uma maneira um pouco menos dolorosa, ele está dizendo, não, não, nós temos como resistir, inclusive, o que nós estamos produzindo aqui vai ficar, vai ficar muito mais do que esse resto, esse outro lado. Então, eu acho uma coisa interessante. Espero que eu não tenha, Marina, espero que eu não tenha falado de uma viagem muito grande, porque senão...
E se eu tiver falado uma viagem muito grande, tu, por favor, seja gentil, um pouquinho que seja, né? Porque senão vai acabar com o capítulo inteiro do Malva aqui, que eu tô...
Não, imagina não, Gabriel. Acho que talvez tentar puxar aqui uns ganchos para uma ideia da aceleração contemporânea como um traço forte do período atual, né, para ele, do período atual, entendido como esse período técnico, científico e informacional.
que, por sua vez, se realizava graças a uma configuração do meio técnico-científico-informacional, que era, para ele, esse meio geográfico da globalização, essa cara geográfica da globalização. Então, o que seria essa aceleração contemporânea?
acho que essa velocidade cada vez maior, essa velocidade frenética da circulação dos fluxos de informação, de capital, ele vai falar por uma outra globalização da convergência dos momentos, então essa ideia da simultaneidade das bolsas, da simultaneidade das ações, do conhecimento cada vez maior do próprio planeta, dessa universalidade empírica hoje, desde sistema de satélite, fotoaérea,
Bom, foto do planeta Terra em tempo real, né? Tudo isso que a gente vê. E, ao mesmo passo, o que a gente vê hoje? Essa circulação incessante, essa dataficação, essa loucura que a gente vive hoje, né? De uma informação que até então era considerada banal, né? Ela vai se tornando cada vez mais estratégica.
nesse processo de plataformização, esse volume de informação criado também é cada vez mais acelerado, ele se exponencializa hoje aí numa outra velocidade. Por outro lado, o que é o homem lento? Acho que aqui, como contraponto a toda essa correria, toda essa financiarização do território, financiarização do cotidiano, financiarização da pobreza, essa racionalidade que chega.
e submete as outras formas de viver, eu acho que é olhar para o cotidiano desse homem lento na cidade, entender, acho que aqui também uma chave, talvez que ajude a gente a pensar, é o lugar, a escala do lugar, o lugar não como uma escala em tamanho, o lugar como uma porção da cidade, porção de um município, mas o lugar como essa escala do acontecer solidário, e aqui o solidário não é na chave da filantropia também, não é nessa.
nessa linha mais de uma solidariedade de caráter mais orgânico, a ideia de que não é uma solidariedade organizacional na linha de uma solidariedade das empresas, normativa, mas uma solidariedade que passa pelo compartilhamento de um cotidiano, então ele está falando o quê? Ele está falando das periferias, está falando do migrante na cidade, está falando das situações cara a cara, dessa convivência numa mesma condição que cria...
forçosamente uma solidariedade entre esses agentes que vivem em outros tempos, nos tempos possíveis, e não é que essa ideia de outros tempos e das temporalidades não é naquela chave lá da teoria da modernização, que a gente teria uma economia tradicional e uma economia moderna, não, está todo mundo vivendo o mesmo período, todo mundo aí no capitalismo financeiro, no capitalismo de plataforma hoje.
mas vivendo com diferentes possibilidades de usufruir desses recursos. Então, acho que na sua reflexão, Gabriel, acho que também a ideia de produtividade é central. Por que essa economia dita não produtiva? Ela é extremamente produtiva, na verdade, essa economia popular, essa economia pobre.
Se a gente for levar em conta os recursos, o grau de capitalização, a tecnologia e o tipo de organização que esses agentes conseguem mobilizar, eles são extremamente produtivos com essa escassez. Então, também é uma, digamos, distorção narrativa esse conceito de produtividade.
E, mais uma vez, acho que o que você traz, a gente pensar essa força dos homens lentos, remete à preocupação dele da pertinência da utopia, a gente enxergar outras possibilidades, outros mundos possíveis. E aqui ele tem um diálogo muito bonito com uma socióloga.
do Rio de Janeiro, que é a Ana Clara Torres Ribeiro, que é uma potência também, que vai ter muitas interlocuções com o professor Milton Santos ao longo da vida dele, e ela traz, acho que aqui um conceito forte para a gente, pensando nos homens lentos, pensando no circuito inferior da economia urbana.
e pensando o espaço banal em contraponto a essa aceleração contemporânea, ela traz a ideia de um mercado socialmente necessário, né? O que seria esse mercado socialmente necessário? O mercado que prioriza, né, que tem como agente central...
O circuito inferior da economia, essas outras formas de trabalhar, essas outras formas de produtividade, e no fundo é pensar, bom, nem tudo é oligopolização, nem tudo é financiarização, nem tudo é plataformização, a gente pode ter contra-racionalidades a plataformização, como a gente tem hoje aí, né?
muita gente legal aí estudando o chamado cooperativismo de plataforma, por exemplo, como o Trevor Sholls traz aí, e o Rafael Groman vem estudando também, hoje acho que ele está olhando mais para os limites do chamado cooperativismo de plataforma.
mas a gente pensar, acho que aqui a potência do conceito de mercado socialmente necessário é pensar outras possibilidades, como é que a gente poderia, aí na ideia do mundo como um conjunto de possibilidades, como é que a gente poderia priorizar esse circuito inferior, garantindo o mercado, garantindo...
espaço nas compras públicas, garantindo inserção na cidade, garantindo apoio técnico, e não só, e acho que essa é uma pesquisa que eu tenho feito ultimamente, não só meificando todo mundo, né, não é transformando todo mundo em mei na chave do microempreendedorismo, né, do empreendedor de si próprio, como vão trabalhar aí o Dardô e o Laval, que a gente vai garantir aí ou produtividade, ou cidadania, ou...
enfim, inserção digna a essas pessoas. Juntou tudo, Gabriel de Vann, juntou tudo. Juntou tudo e mais um pouco. Olha, quem está nos escutando e não está vendo no vídeo, estamos com uma participação especial ali, na janelinha do Maleron.
É, apareceu. Essa é a Tereza. Oi, Tereza. Eu tive uma situação de fralda, tive que trocar a fralda, enfim. Desculpa, gente. Esse é o tipo de coisa que não sai na edição, porque é para as pessoas verem como é que é o podcastismo no Brasil. Exato. Perfeito. Felipe, eu ia dizer que com a presença de Tereza, inclusive, a gente vai para aquele outro momento. Perfeito. Vamos para o momento das nossas dicas culturais, Gabriel.
É, a gente sempre tem que fazer algo como que encerrar de forma abrupta a conversa, porque o pessoal que vem aqui no Vira Casacas tem conteúdo e tem coisas interessantes para falar, a gente poderia ficar muito mais tempo, mas assim, eu suspeito que...
para um começo de conversa, para um começo de troca de ideia, a gente conseguiu honrar um pouco o aniversário do nosso homenageado com esse papo incrível aqui. E vocês que estão nos escutando já sabem, o Vira Casacas não acaba agora, tem mais coisa ainda, justamente porque agora vem o momento das dicas culturais. Então...
A Marina, que é estreante aí, ela vai ficar por último. O Maleronca, que é o segundo, ele é da casa, mas ele é o segundo que, tecnicamente fora, ele vai ficar depois também. E eu e Felipe começamos com as nossas dicas culturais, onde a gente fala aí para os nossos ouvintes coisas que podem ter a ver com o episódio ou não, podem ter a ver com os temas tratados ou não.
E a gente sugere para o pessoal ou aliviar a cabeça ou às vezes se desgraçar mais ainda. Eu só vou pedir, Marina, entre as tuas dicas que tu quiser dar, se possível, poder comentar para a gente. Algumas já foram faladas ao longo do episódio, mas se puder comentar por exemplo, algum livro que possa trabalhar o Milton Santos para quem não conhece, ou algum livro para quem...
De repente já tá familiarizado, qual é o teu preferido da obra e tudo mais. Mas fica pra daqui a pouquinho. Vai ilustrando as tuas dicas aí. Felipe, o que tem de dica pra semana aí? Divã, semana passada eu falei que eu tava começando a ver a série, né? Que tinha saído a série do detetive Harry Hole. E daí eu comecei a assistir ela. E cara, infelizmente, não é legal. Não é tão legal quanto poderia ser. Só pra fazer um...
uma parte aqui, eu inclusive tava com vontade de começar a ver porque eu vi que saiu o disco, né, da trilha sonora que é do Nick Cave e do Warren L. Pô, sim, cara. Vou ser justo, Gabriel de Vannes. Eu acho que tu vai gostar porque tu já leu os livros.
Eu acho que não é uma série legal pra quem não leu nada, não conhece o personagem, é muito abrupto. Porque as atuações são boas, a fotografia é boa, a direção é boa, mas falta aquele negócio de te deixar interessado pelos personagens. Então eu tava assistindo com a Dani, que não leu.
E a Dani ficou assim, ah, não, tá legal e coisa, mas não me pegou. Tu não tem vontade de assistir o próximo. Eu devo ter gostado mais porque eu já conheço. Então assim, se por acaso você já pegou alguma das dicas anteriores do Vira Casacas, leu, gostou, você vai achar legal. Não excelente, você vai achar legal. Mas se você não leu, não sei. Então assim, quero depois ouvir a tua opinião. Tu vai ver.
porque a gente vê, porque é isso aí, é o Harry Hole, é o Joe Nesbo, é ele que escreve, ele que faz o roteiro. Então, eu só tenho tudo pra dar certo, falta alguma coisa. Eu vou dar sete vira casaca só pro detetive Harry Hole, mas tá ali nas dicas. Olha, mas eu comecei a escutar algumas dos temas ali da trilha sonora, assim, tá muito forte, né? Tá muito bacana. Propõe uma coisa sombria, assim, né? Não sei, eu tava com vontade...
E, enfim, vou em breve dar uma chance ali, mas com essa tua ressalva, já vou vacinado quanto a isso. A minha dica também, ela é audiovisual, mas ela não é de série, ela é de filme e ela é de documentário. Eu assisti alguns dias atrás o It's Never Over.
que é o filme biográfico sobre o Jeff Buckley. Cara, que coisa maravilhosa. Eu adorei, eu adorei. Eu ainda não entendo de que planeta saiu aquele disco, Grace, naquele momento em que a música, e principalmente o círculo onde o Jeff Buckley estava inserido, era bastante diferente. O que estava em moda era bastante diferente. E aquele cara vai lá propondo...
Às vezes o rock grunge de cartilha, mas às vezes chamando num falsete, fazendo um cover de standard do jazz, imortalizando uma canção do Leonard Cohen que ele meio que pegou pra si. E a vida dele é muito engraçada, porque ele tem uma série de questões com o pai, a morte prematura do pai, o fato da ausência de contato misturada com uma certa idolatria. O pai dele também cantou Tim Buckley.
E isso aí vai permear muito a inconstância desse cara. E, poxa, ele escrevia, ele era realmente artisticamente preocupado com performance, tinha lá a sua loucurada também, e teve uma morte muito simbólica, afogado num dos afluentes do Mississippi, diz a lenda, enquanto escutava Led Zeppelin. E deixou pra nós um disco e um...
uma série de materiais meio esparsos uma vida interessante de ser biografada, também completou faz pouco 30 anos do lançamento do Grey Star, da grande ascensão dele ele virou uma espécie de unanimidade entre aqueles que eram seus ídolos então é um material muito bacana
Tem depoimento da mãe, de as namoradas, é um documentário bem construído, bem legal, pra quem gosta do cara, então, né? É um prato cheio. Eu vou dar, acho que eu dou nove vira-casacas para o It's Never Over, Jeff Buckley, e se possível, faz já o caminho completo aí e escute ou reescute o Grace, que é um disco bem legal. Perfeito! Agora, André Maleronca está pronto? Maleronca e Tereza.
é, eu quero uma dica de cada vamos lá, tô pronto, tô pronto cara, antes de tudo eu queria dizer que a última vez que eu vim aqui Divã indicou o documentário sobre sobre o Gilman Street, aquele negócio e eu assisti, eu derreti
Você quer ver Acalipso, né? Eu derretia das histórias de punk mais lindas que eu já vi na minha vida. É maravilhoso. E atualmente tem ele no YouTube pra quem quiser ver. Então isso é legal. Não é uma dica, é só um reforço. É só um endosso. O nome do filme é Turn It Upside Down, né?
Turn it around. Tem no YouTube hoje em dia, e é muito legal esse documentário, uma história dessa cena punk, que os caras fizeram tudo mais um pouco, e de uma galera que, se for ver, na história do hardcore, é meio tirada pra bosta, porque o Green Day veio de lá, porque o resto veio de lá, mas, cara, a história, eles bateram nos nazis, eles fizeram tudo, enquanto a galera que paga de machona, de Nova York, fica fazendo churrasco com nazista, esses caras comeram os nazistas da porrada, se envolveram com a Maximum Rock'n'Roll, a história é linda, e excelentes bandas super variadas, e excelentes bandas super variadas,
É muito legal essa história. Mas, enfim, não é a minha dica. Isso é só... Muito obrigado pela dica anterior. Aí as minhas dicas são as seguintes. O grupo de pós-punk... O trio de pós-punk de Itacoaquecetuba, Nigéria Futebol Clube, que lançou o seu último disco ao vivo chamado Hamas, que começa dizendo que eles apoiam o grupo terrorista Hamas. E é bem legal essa banda, bem legal.
bem legal, são os moleques bem novos, e um filme, cara, que se eu me engano é de 93, um filme canadense que é um mockumentary, é um documentário de mentira, chamado Hardcore Logo, que é teoricamente, é como se acompanhando a volta de uma banda.
É uma banda de punk que era do final dos anos 80, eles estão no começo dos anos 90, os dois membros principais sejam brigados e eles voltam a se falar para fazer um show beneficente, que eu não vou dar spoiler, e vão fazer uma turnê dessas de Vã e tudo mais. E é o máximo esse filme. Eu queria muito ter visto nos anos 90.
Ele fala muito sobre a primeira metade dos anos 90, mas também da transição dos anos 90 para os anos 2000. Então, quer dizer, fala muito sobre neoliberalismo, fala muito sobre a morte ou não da contracultura, sobre o Be Yourself. É maravilhoso, cara. Eu acho que todo mundo tem que ver. É muito legal.
Olha, eu falei aqui do Jeff Buckley, eu me lembrei, Felipe, que o Maleronca foi o autor da crítica, eu diria, mais cruel, que foi feita em relação aos grunges, dizendo que era um bando de metaleiros que queriam ganhar dinheiro. É verdade. Mas o Jeff Buckley foge desse epíteto aí.
Marina, vamos lá então, tuas dicas e também esse pedido que a gente solicita aí, né, de alguma obra de entrada para o pensamento de Milton Santos e, eventualmente, qual a tua obra preferida e recomendação? Legal, bom, acho que obra de entrada a gente costuma, assim, sugerir o metamorfose do espaço habitado, né, que seria uma...
uma entrada aí para algumas ideias, a gente diz que às vezes é um livro mais didático, com muitas aspas aqui, né, o Metamorfose do Espaço Habitado. Agora, meu livro preferido, sobre o qual eu venho trabalhando há 23 anos, é o livro Espaço Dividido, né, então é o meu livro preferido, acho, e a natureza do espaço, no qual ele, de certa forma...
amarra a produção teórica dele final. Sugiro também, gente, quem tiver interesse em outras linguagens, acho que aí a partir da obra do Milton Santos, ver os documentários do Silvio Tendler, eles estão disponíveis aí no YouTube e no site da Caliban Produções, acho que é o...
são linguagens super potentes também, e não sei o que tem disponível, mas a gente teve muitos diálogos também entre a Denise Stoclos e o Milton Santos, Denise Stoclos por meio da dança, que vai representar as ideias do Milton Santos nas suas performances também, então é um diálogo bem bonito, bem potente.
Aí eu vou tomar liberdade aqui para dar algumas, enfim, de literatura, que acho que é a minha outra paixão, que eu compartilho com o Maleron Caideis da época da graduação também. Acho que eu fiquei pensando aí nos Homens Lentos, né? Um livro que eu relia e...
agora, tinha lido na época da graduação e relia há pouco tempo, pensando nessa literatura urbana, do submundo, homens lentos, é o Perus Malaguete Baganasso do João Antônio, que vai fazer essa literatura urbana de uma forma lindíssima, essa inserção desses homens considerados malandros na cidade, esse universo do jogo da sinuca, então o João Antônio eu traria aqui para essa conversa.
Eu sou muito fã, Marina, eu sou muito, muito, muito, muito fã do João Antônio. Eu consegui pensar a coisa da vida, mas eu sou muito fã, muito fã, muito fã. Então, o Perus Malaguete Bacanaço eu reli agora e achei, assim, muito... Homens Lentos também, né? Então, achei que cabia a gente resgatar aqui.
Em tempos de machosfera, né, ele li agora um livro muito lindo do Stênio Gardel, escritor cearense, que é o livro A Palavra que Resta, e por fim um livro que é do Percival Everett, que chama James.
foi lançado aqui no Brasil, sei lá, uns dois anos, no qual ele vai recontar as aventuras do Huckleberry Finn, do Mark Twain, só que do ponto de vista do escravo, do James. Então é um livro muito lindo também.
Fica como dica aí. Todos, como é que é o ranking aí? É quantos vira casacas? Dez pra todos. Olha aí. Aí que é bom. Pessoal, muito obrigado por terem vindo. Obrigado, Marina. Obrigado, Mali, pela ponte, pela disponibilidade mesmo. Prazer ter vocês. Pô, uma honra, cara. Obrigado demais. Adorei, adorei. Adorei ouvir a Marina. Eu que agradeço, gente, o convite. A gente também adorou.
E abrir esse diálogo aqui com vocês para próximas oportunidades e outras frentes. Obrigada mesmo, gente. Perfeito, Gabriel Divan. A gente agradece. E se é dia de festa, se é aniversário do nosso querido Milton, nada melhor que dar vivas, dar salves. Então é para lá que a gente vai. Eu e Felipe Abau. Então não saia daí que ainda temos que distribuir carinho para quem nos ouve. Vamos lá.
Olha, aulas, aulas, não tem mais nada a ser dito. Literalmente aulas, né, cara? Pô, aulas no sentido assim, aulão, né? Aula mesmo, né? A nossa convidada professora que é não deixou barato.
Maleronca fez a frente também. Estou satisfeito e eu volto a dizer, eu acho que o nosso convidado deve estar satisfeito também, né? Saber que a gente está aqui nessa data homenageando ele, trazendo uma pessoa que era da confiança dele, era da convivência dele. Então, nossa, né? Muito bacana, muito bacana mesmo. Excelente, Camplô de Vila. Agora nos resta dar alguns salves, dar alguns vivas. Quer começar?
Eu vou começar mandando um abração, mandando aquele viva para ele que é nosso ouvinte, ele que está sempre lá interagindo com a gente, repostando a gente, ele que está sempre mandando firmeza aí, que é o Alisson Mestre, cara. Porque além de interagir muito, ele também quer marcar umas pontes aí, pediu para a gente manter ele em contato com o Vander Wilson, nosso convidado aqui recente para poder fazer alguns projetos.
Então é um cara que tá aí aproveitando a convivência e a ouvida do Vira Casacas. O Alisson Mestre, ele gravou um vídeo esses dias, tu chegou a ver, né? Pô, muito bom, muito bacana, cara. Fiquei feliz, fiquei orgulhoso. Pô, cara, tá louco comentando a leitura do nosso artigo. E ele falou, pô, não sou das humanas, não sou aqui da área, mas vou gravar um vídeo comentando o artigo lá que o pessoal do Vira escreveu e publicou.
Olha, muito bacana a iniciativa, Alisson. Muito obrigado aí, cara. A gente fica lisonjado aí com essa leitura. E uma leitura que não só se encerra em si mesmo, mas que virou aí um material pra ser compartilhado aí. Valeu mesmo. Perfeito, Gabriel. Eu vou mandar um salve aqui pro Paulo Vitor e pro Alexandre, que foram nossos apoiadores sorteados agora do mês de abril, Gabriel Diva. Então lá no mês de abril, dia 25, sempre tem sorteio, e eles ganharam o livro da Jandira Feghali. E aí
Gabriel. Ah, mas daí aí é gabarito, gabarito. E olha o detalhe só, né? Aqui fica se você se chama Alexandre, tá? Se você se chama Alexandre, por favor, abre seu e-mail, se você for apoiador do Viracasacas, porque o Paulo já recebeu o livro dele e o Alexandre ainda não respondeu.
Então aqui, para ficar mais claro, se você se chama Alexandre Paulo, tá? Então, por favor, responda. Mas ganha Viva igual, porque o apoio caiu. Então, muito obrigado. Aí, aí, Viva, Viva. Enfim, vou mandar também um Viva para ele, que é indiretamente o responsável por a gente chamar também os salves de Vivas. É o nosso querido Samir Salim Jr. Lembrando que foi a avó dele que disse, no final do programa lá, né?
Vê se mandem um... Como é que chama? Viva? E a gente adotou os vivas desde então. O Samir... Eu só vou dizer uma coisa. Primeiro, o Samir ganhou um beijo, ganhou um viva aqui da gente, né? Porque ele é o Samir e ele merece. Mas, Felipe Abau, o Samir tem mantido contatos.
Depois a gente fala sobre isso e a gente fala com o Samir sobre isso. Tem mantido contatos. Contatos. Mas enfim. Quero. Deixa no ar. Deixa no ar. Então tá. É, pois é. Mas tem uma coisa que eu só... O Samir é um homem normal. Ele é um homem inocente, inclusive. Ele é um homem inocente, isso sim. E nós também. Beijo, pessoal. Tchau.
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