03. Em busca do sentido da vida. Cap 2 - Herói ou Psicótico?
Leitura do Cap 02 do Livro "Em busca do sentido da vida", de Augusto Cury. Da pág 21 à pág 26.
Érica Domingues
- Encontro com a família MerkelRodolfo Merkel · Gunther Merkel · Anna Merkel · Julio Verne
- Nazismo e Solução FinalHitler · Partido Nazista · Doenças mentais · Purificação racial
- Trump e PsicopatiaRodolfo e a vila · Julio Verne · Nazismo
- Júlio Verne· CulturaJulio Verne · Hitler · Delírio de grandeza
Olá, aqui é Érica Domingues compartilhando leitura. Estamos no início do livro de Augusto Cury, Em Busca do Sentido da Vida, que é uma sequência do último que nós lemos, O Colecionador de Lágrimas. Então vamos lá, hoje nós vamos ler o capítulo 2, que tem o título Herói ou Psicótico, e encontra-se na página 21, inicia-se na página 21. Vamos lá. O comportamento de Rodolfo e o fato dele ser amigo de doentes mentais induziram o professor a desconfiar que a vila poderia ser um hospício rural.
Seu diagnóstico não estava distante da realidade. Quando chegaram em casa, Rodolfo socou a porta como se fosse arrombá-la. Calma, Rodolfo, calma! Gritou uma senhora de dentro da residência, que rapidamente se dirigiu à porta com medo de ficar sem ela. Foram recebidos pelos pais de Rodolfo. O pai, observando a visita, logo se adiantou. Mais um filho? Perguntou tenso, sob uma aura de contrariedade. Mais um. Este seria comida de cães, papai, comentou brava e brevemente o filho.
Mas o pai, passando os olhos pelo uniforme do professor, tirou uma pistola de dentro da camisa e rapidamente a apontou para Júlio Verne. Que mais uma vez se viu ameaçado. Mas e esse uniforme? Indagou esbravejando. Ele não tem as expressões bem definidas de... Disse a mãe, que interrompeu a palavra proibida. Judeu. O professor franziu a testa e Rodolfo intercedeu. Não tem cara, mas tem jeito e tem cheiro de judeu, mamãe. Mas há algo errado, disse o pai, tenso, Sabendo que se fosse um nazista que enganara Rodolfo, todos seriam fuzilados.— Papai, um nazista morreria, mas jamais se passaria por um judeu.
Ele confessou!— afirmou Rodolfo em tom exasperado.— Calma, filho, não se irrite. Só estou dizendo que não parece. Temeroso, o pai se aproximou do professor e, com a arma apontando para a cabeça dele, perguntou:— Quem foi o profeta que introduziu Davi como rei de Israel? 5 segundos para acertar e viver, ou errar e ir para o inferno. 5, 4, 3, 2— o quê? Samuel! Quem construiu o primeiro templo em Jerusalém? 5, 4, 3— Salomão! Essa foi fácil.
Quantos capítulos tem o livro de Êxodo? 5, 4, 3, 2, 1... Não me lembro, mas sei que Êxodo vem depois de Gênesis.— Não parece um judeu inteligente, mas acho que é legítimo— confirmou o pai. Júlio Verne novamente respirou aliviado, mas raramente ficara tão perturbado. Fora alvo de exaltação na vila porque o reconheceram como um oficial da SS, agora era salvo por informações sobre a história de Israel. Que loucura era essa? Onde estava?
Quem seriam essas pessoas? Indagava para si, agitado. O estranho era que os que o salvaram pareciam arianos e não judeus. Muito prazer, meu filho. Eu sou Ana. Meu marido é Gunther Merkel. Eu sou Rodolfo Merkel, afirmou o filho, soltando mais uma risada desproporcional, indicando que tinha um problema mental. Além disso, continuava com seu comportamento bizarro. Às vezes falava sozinho. E o seu? Indagou a mãe, sempre num tom suave.
Júlio Verne. De onde você vem? Perguntou ela mais uma vez. O professor engoliu saliva. De outro mundo, confessou. A delicada senhora, pensativa, meneou a cabeça e solidarizou-se. Eu entendo. Muitos judeus perderam tudo, ficaram tão perturbados que se sentem como se estivessem em outro universo. Mas vem aqui, sente-se no estofado ao lado da lareira para se aquecer. Vou buscar um cobertor e lhe trazer uns deliciosos biscoitos. De repente, Rodolfo começou a dançar desajeitadamente e em seguida arriscou-se novamente a cantar.
Sou uma fera! Sou um caçador de judeus! Subitamente ficou ansioso, olhou rapidamente para o teto de madeira e gritou: Aviões vão nos bombardear! Escondam-se! Rapidamente empunhou seu rifle, apontou para o alto e disparou duas vezes. Júlio Verne, assustado, olhou para o teto, mas nada viu, nem escutou o som angustiante de aviões em campanha militar.— Pare! Não atire, meu filho! Os aviões já se foram!— bradou Gunter, o pai. Em seguida, pegou o filho pelo colarinho e disse aos berros:— Você quer nos matar?
Atire! Vamos! A mãe entrou em pânico. Em lágrimas, impediu que seu marido espancasse o filho, embora fosse mais frágil que ele.— Não, Gunter! Não o agrida! Tenho alguma reserva para consertar o teto. Júlio Verne voltou a se sentar perto da lareira, mas estava ofegante. Não passaram duas horas e já havia tido mais sobressaltos do que jamais poderia imaginar. Em seguida, veio a explicação da mãe para o comportamento de Rodolfo. Não ligue para ele, judeu.
Meu filho é um bom homem, mas desde que Hitler assumiu o poder ficou com as ideias perturbadas. Quando tudo estava mais calmo, Mais um sobressalto. De repente, ouviram-se toques apressados e fortes na porta. Todos ficaram inquietos. O casal de idosos se entreolhou, aflito. Gunter, ansioso, foi atender. Fez um gesto ordenando para Rodolfo ficar quieto. Olá, Allen! Era o irmão de Gunter, o veterano que desconfiara de Júlio Verne.
Allen morava a 30 metros do local. Que barulho foi esse? Minha arma disparou quando eu estava limpando, explicou Rodolfo. Ah, Gunter, não convida um irmão para entrar em sua casa? Sinto muito, mas estou muito ocupado. Ocupado protegendo doentes mentais? Estou com minha família. Sua família? Espero também que não esteja cometendo a loucura de proteger judeus. Gunter ficou trêmulo. Alice tentou disfarçar sua ansiedade, mas era impossível.
Loucura, Allen, é você desconfiar de seu irmão. Se papai estivesse vivo, ele o repreenderia. Heil Hitler! Após essa saudação, foi imediatamente fechando a porta. Allen o impediu com a bengala. Não traia sua pátria! Não traia sua família! E assim se despediram. Gunter se aproximou da lareira e sentou-se numa cadeira com dois braços de madeira torneados. O preço para fazer o bem era muito alto. Gunther Merkel e sua esposa, Anna, eram de uma generosidade invejável.
Eles haviam cuidado por anos de uma instituição para doentes mentais. Infelizmente, não sabiam que Hitler, querendo purificar a raça ariana, iniciara uma das maiores atrocidades do mundo contra as pessoas indefesas do seu próprio povo: uma eutanásia racial. Em 1º de setembro de 1939, o dia em que a guerra com a Polônia começou, Hitler, que raramente assinava ordens letais para não abalar a opinião pública alemã, assinou um memorando liberando os portadores de doenças incuráveis para terem a concessão para morrer.
Uma concessão falsa, pois era imposta pelo partido governante, o Partido Nazista. O programa se chamou dissimuladamente de ação eutanásia. Não era eutanásia no sentido clássico, consentida por uma pessoa em fase terminal e em dramático sofrimento. Esse programa, por incrível que pareça, foi apoiado não apenas pelos médicos fanáticos da Liga dos Médicos Nacionalsocialistas, mas por muitos outros. Foi inclusive aceito por psiquiatras que, sob a insana influência nazista, também o aprovaram e elegeram pacientes doentes mentais para serem eliminados.
Médicos clínicos e psiquiatras enlouqueceram. Crianças especiais e pacientes psiquiátricos de origem ariana foram eliminados em função da purificação racial. A humanidade chorou. A sociedade alemã desaprovava a eutanásia na República de Weimar, antes de Hitler tornar-se chanceler. Mas após a ascensão do nazismo, a utilização do marketing de massa para exaltar a supremacia racial numa sociedade que perdera a Primeira Grande Guerra, que tinha baixa autoestima, desemprego em massa, insegurança alimentar, altíssima inflação, tudo associado à ação das polícias como a SS e a SA, tropa de assalto do movimento nacional socialista, que impunham um terrorismo de Estado, levou Adolf Hitler a fomentar os instintos mais primitivos que se alojavam no cérebro humano, inclusive no cérebro de intelectuais.
Por isso, não poucos deles abortaram sua consciência crítica. Entretanto, muitos alemães, como os pertencentes à família Merkel, estavam decepcionados com Hitler. Alguns, inclusive, tinham asco por ele. Mas o clima de terror era de tal monta que silenciou suas vozes. A violência era tão surpreendente e avassaladora que amordaçou inclusive a capacidade de reação da grande maioria dos judeus. Como ovelhas mudas, foram para o matadouro.
O professor Júlio Verne, um judeu pacifista, gentil, que nunca tivera vocação para ser um herói, cria ter sido enviado do futuro para romper a inércia judia. Acreditava ter a missão de eliminar o poderoso, paranoico e superprotegido Adolf Hitler e assim mudar a história. Parecia estar em surto psicótico, cujo sintoma mais proeminente era um delírio de grandeza, pois na realidade era incapaz de matar uma mosca. Ao que parecia, ele não tinha força sequer para mudar a sua própria história, que dirá a história da Segunda Guerra Mundial.
Muito bem, assim nós finalizamos este capítulo 2. Que já começa o livro assim, tão tanto quanto o anterior, com bastante fatos, né, dessa atrocidade cometida pelo nazismo, de todas as atrocidades cometidas pelo nazismo. E assim a gente vai adentrando aí mais uma vez nessa história. Então um grande fraterno abraço e até o próximo áudio.