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08. Em busca do sentido da vida. Cap 7 - A grande decisão.

05 de setembro de 202623min
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Leitura do Cap 07 do Livro "Em busca do sentido da vida", de Augusto Cury. Da pág 71 à pág 82.

Participantes neste episódio1
É

Érica Domingues

Narrador
Assuntos5
  • A avaliação psiquiátrica de Júlio Verne após sua suposta viagem no tempoProjeto Túnel do Tempo·Júlio Verne·Dr. Hörner·Laura·Esquizofrenia paranoica
  • A mensagem de Viktor Frankl sobre o sentido existencial e a indignação de Júlio VerneViktor Frankl·Auschwitz·Sentido da vida·Segunda Grande Guerra
  • A decisão de Júlio Verne de retornar à máquina do tempo e a preparação para a nova missãoMáquina do tempo·Consciência·Lutas marciais·Armas
  • A confissão de Júlio Verne sobre ter matado um nazista e a discussão sobre a culpaNazismo·General Hermann·Culpa·Judeus
  • A análise de Júlio Verne sobre a manipulação da juventude alemã por HitlerHitler·Marketing de massa·Primeira Guerra Mundial·Tratado de Versalhes·Holocaustos
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ÉDÉrica Domingues

Olá, aqui é Érica Domingues, compartilhando leitura. Nós estamos lendo o livro de Augusto Cury, Em Busca do Sentido da Vida, e hoje nós vamos ler o capítulo 7, que tem o título A Grande Decisão. E para quem está acompanhando com o livro físico, inicia-se na página 71. Vamos lá! Os membros do Projeto Túnel do Tempo buscaram provas de que Jules Verne realmente viajara no tempo. Como tecido antigo, substâncias químicas, DNA de outras pessoas, mas infelizmente nenhuma prova concreta encontraram, a não ser os traumas espalhados pelo corpo do professor, que ficou dias se restabelecendo.

O estresse mental intenso que sentira na casa de Rodolfo, o sentimento de indignação pelas atrocidades cometidas pelo nazismo e principalmente o risco iminente de morrer produziram ondas cerebrais que acionaram uma corda cósmica que se com a máquina do tempo e o fizera retornar ao seu presente. Pelo menos era nisso que o professor cria. Mas a ciência não sobrevive de crença, todos sabem disso. Restabelecido parcialmente, Júlio logo foi encaminhado a uma avaliação psiquiátrica e psicológica detalhada.

Descobrir se ele estava mentalmente confuso ou apresentando um comportamento dissimulatório era importante para os líderes da equipe. Afinal de contas, uma fortuna enorme havia sido investida no megaprojeto, sem contar que centenas de pessoas há mais de uma década vinham depositando a sua inteligência e sua história na execução dele. Para não constranger o professor, não foi dito que pairava desconfiança sobre sua sanidade intelectual.

Aseguraram-lhe tratar-se apenas de procedimentos de rotina. O Dr. Hörner, um neuropsiquiatra sisudo, pouco flexível, impaciente, que parecia mais um do que um profissional de saúde mental, auxiliado por uma psicóloga afável, Laura, aplicaram-lhe inúmeros testes. Depois fizeram centenas de perguntas qualitativas e quantitativas. O professor começou a desconfiar do tipo de diagnóstico que os profissionais, que eram membros das Forças Armadas, estavam desenhando sobre sua saúde mental.

Os profissionais que o interrogaram não eram qualificados para dizer se ele viajara ou não no tempo. Mas eram responsáveis para dizer se seu raciocínio e pensamento críticos estavam preservados. Depois de todo o processo analítico, que durou 8 longas horas, veio o resultado: deu inconclusivo. Mas o Dr. Runner, chefe da equipe, apresentou o seu laudo, e é o seguinte: apesar de o senhor Júlio Verne ter uma mente culta e um raciocínio arguto que se esforça para se integrar aos parâmetros tempo-espaciais recentes, há uma grande possibilidade de ele estar desenvolvendo uma esquizofrenia paranoica, caracterizada por ideias persecutórias marcantes.

Seu inconsciente é de grande fertilidade, criou imagens mentais de que esteve no passado, mais especificamente nos conturbados períodos da Segunda Grande Guerra, e seu consciente crê sem margem de dúvidas que foram experiências irrefutáveis, portanto verdadeiras. Doutor Hunter Brandt, major do exército e especialista em psiquiatria forense. O professor não era o exemplo solene de uma pessoa calma, mas era muito ponderado, dosado e portador de um raciocínio lógico invejável.

Fez questão de ter acesso ao laudo e o leu a sós num escritório ao lado do seu quarto. Ficou indignado, tenso, deu um murro na mesa, vários objetos caíram. Esse psiquiatra é maluco, ele quer me internar. Em seguida, respirou profundamente e tentou se controlar. Pegou os objetos caídos um por um e eis que um bilhete apareceu flutuando no ar e ele o pegou, leu e ficou atônito, emudecido. E o bilhete dizia o seguinte: Caro Júlio Verne, a maior loucura é viver sem um sentido existencial.

Sem sentido, vivemos por viver. A vida não tem brilho. O caos não nos amadurece. A cultura não nos remete à sabedoria. Sem propósito, a mesa, por mais farta que seja, nutre o corpo, mas deixa faminta a alma. Sem propósito, vivemos num campo de concentração mental, ainda que rodeado por jardins. Não tenha medo de morrer em Auschwitz. Tenha medo de viver uma existência sem sentido. Assinado: Viktor Frankl. Júlio Verne se sentou completamente perturbado.

Não é possível! O doutor Viktor Frankl morreu há mais de meio século. Era um médico vienense e foi preso em Auschwitz, mas escapou daquele inferno. Um dos motivos que o levaram a escapar foi porque construiu em sua mente esperança em meio ao caos. Flores no deserto, motivação para viver quando só era possível enxergar desgraças, corpos magros, mortes sumárias, injustiças intoleráveis. O Dr. Frankl libertava seu imaginário para resgatar um sentido de vida, mesmo quando milhões de células do seu corpo eram esmagadas pela fome.

Sonhava em sair vivo daquele esgoto humano e abraçar as pessoas que lhe eram caras, mesmo sabendo que provavelmente estariam mortas. Elas estavam vivas dentro dele. Baixou os olhos para o papel e releu: O que significa essa mensagem? Encontrar sentido para a vida em Auschwitz? Nunca estive preso neste campo. Estava na casa de Rodolfo, Gunther e Ana. E depois, num raro momento de insegurança, acrescentou, sempre falando consigo: Será que estou enlouquecendo, meu Deus?

Não é possível que tudo tenha sido criado pela minha mente. De repente, Kate entrou na sala. Como a esposa sempre resistira a que ele entrasse na máquina do tempo, escondeu o bilhete. Precisava refletir mais sobre aquilo. Se Kate o descobrisse, ficaria muito mais aflita. Talvez pensasse que o bilhete era produto de seu delírio. Kate leu o laudo psiquiátrico e ficou indignada também. Os líderes da equipe, embora apreensivos com o laudo, o olharam com reservas.

Não podiam supervalorizar a avaliação feita, caso contrário descartariam o escolhido. Além disso, o projeto era saturado de estímulos estressantes e, portanto, era quase impossível não ficar um pouco perturbado com os eventos que o envolviam, ainda mais o do Werner, que estava no epicentro deles. A verdade é que todos estavam marcadamente ansiosos. Júlio Verne também não podia mostrar para os membros do projeto o estranho bilhete, pois nunca estiveram num campo de concentração.

Sua história era outra. Era melhor, nesse clima psicótico, preservar um pouco de sanidade. Não havia um membro do primeiro escalão militar ou dos cientistas que atuavam diretamente no projeto que não tivessem diminuído o limiar das expectativas para a frustração. Pequenas contrariedades invadiam o território da emoção, irritavam-nos. Para mim, o professor está confundindo viagens no tempo com viagens mentais, pesadelo com a realidade.

Eva, você sempre chafurda na lama da dúvida, afirmou Teodoro sem afetividade. Como explica os ferimentos no corpo do professor? Tudo isso está me deixando louca. As consequências que estão aparecendo não me deixam dormir. Afirmou Ângelo. Eva assentiu com um gesto de cabeça, concordando que também estava insônia. O medo é o pior cárcere humano. Temos de reciclar o nosso medo e levar o projeto às últimas consequências, custe o que custar, afirmou Arthur Rosenberg, outro militar de alta patente que atuava no projeto.

Lúcido, determinado e pragmático, o brigadeiro não admitia falhas. De repente chegaram Júlio Verne e Caterine para uma reunião. Todos silenciaram. Logo tomaram posições à grande mesa oval. Como ninguém ousava iniciar a conversa, o professor tomou a palavra e sua primeira reação foi novamente se punir. Colocou-se como um anti-herói. Fui derrotado. Sequer encontrei um ponto de mutação da história. Mas essa pode ter sido apenas a primeira missão.

Se quiser, poderá continuar tentando. O general Hermann o encorajou, torcendo para que Júlio Verne jamais desistisse. A realidade é mais cruel do que nossos livros de história nos contam, incluindo os que eu escrevi. Os livros traem a realidade crua quando, em palavras frias, traduzem a dor dos outros. O leitor, por mais criterioso, não resgata as mazelas humanas. E Júlio comentou que a Alemanha vivia uma psicose coletiva. Os nazistas tinham perdido completamente a sensibilidade humana.

Viviam um primitivismo inimaginável. Não pensavam como espécie. Não se colocavam minimamente no lugar dos outros. Mas ainda podemos derrotar o velho Adolf. Sua missão, embora difícil, ainda poderá ser coroada de êxito. Afirmou Theodore, tentando dar-lhe um choque de ânimo. Theodore não teria a coragem do professor de entrar na máquina e, mesmo se entrasse, sua cultura sobre a Segunda Guerra e sua energia mental não eram suficientemente calibradas para voltar aos tempos de Hitler.

Perder-se-ia no tempo, vagaria errante no espaço. O professor olhou bem nos olhos de Theodore e depois nos de toda a equipe, inclusive Kate, e revelou a sua fragilidade. Como vou mudar a história da humanidade se mal evitei a morte de um jovem casal que encontrei? Como vou escapar das garras do nazismo se não consegui escapar de simples policiais que me espancaram? Não sei se sou o homem certo. Professor, a humanidade não precisa de heróis, mas de seres humanos conscientes das suas limitações.

Quem mais contribuiu para mudar a história da humanidade, seja na ciência, filosofia ou espiritualidade, Foram pessoas de carne e osso e que em alguns momentos atravessaram o caos, disse Eva Gruner, tentando colocar combustível no ânimo do professor. Veja o exemplo de Jesus. Ele não teve vergonha de chorar na frente dos seus discípulos e bradar: Afasta de mim esse cálice! Mas depois aceitou a sua missão. Não se faça a minha vontade, mas a sua vontade.

Emendou Angela Feder. Você se esqueceu de que sou judeu. Ó, desculpe, falou Angela, usei esse exemplo porque houve um tempo em que não acreditavam em Jesus como o Cristo. Não se preocupem, conheço a história de Jesus e o admiro muitíssimo. Ele se colocou como Messias, embora eu não o veja desse modo. E quanto a mim, nunca tive vocação messiânica. Morro todos os dias um pouco. Sou assaltado pelo medo. Não apenas o medo de morrer, mas também o medo de matar.

Júlio Verne falou com a voz embargada e, olhando firmemente para Kate, quis lhe confessar algo que o asfixiava. Kate, eu... eu... Fale, querido. Eu matei um homem. Quando? Perguntou ela, perturbada. Nessa minha viagem, eu matei um nazista, um cabo, com minha arma de choque elétrico. Foi horrível! O general Hermann, embora tivesse dúvida de que realmente Júlio Verne houvesse viajado no tempo, tentou abrandar-lhe a culpa, ainda que o fato tivesse ocorrido, a princípio, só na imaginação dele.

Provavelmente o nazista que você supostamente matou já havia sujado as mãos dezenas de vezes pelas mortes que causou. Mas eu não sou um assassino, general, sou um professor. Um general arregimenta jovens para a guerra, enquanto os professores lavram os solos da mente dos alunos para que eles se coloquem no lugar dos outros, valorizem a vida e não façam guerras. O general quase perdeu o fôlego diante dessa tese poética. Pense deste modo: você não matou um assassino, você salvou muitos judeus de serem mortos.

Julio Verne passou as mãos na cabeça tentando aliviar-se. Em seguida, comentou algo que o abalara: Hitler hipnotizou a juventude alemã com técnicas de marketing de massa. Todos sabemos disso. Mas o que ninguém fala é que os alemães não eram belicosos nem se sentiam uma raça superior. Tinham, na realidade, complexo de inferioridade. Por quê? Indagou Eva Gruner, que nunca tinha pensado nisso. O professor completou: os alemães sentiam-se marcadamente inferiores pela perda da Primeira Guerra Mundial, pelo desemprego em massa, pela insegurança alimentar, pelo Tratado de Versalhes.

Em 3 anos de propaganda massificadora sob a orquestração nazista, os alemães saíram do complexo de inferioridade para o complexo de superioridade. Se os alemães, que eram o topo da cultura do seu tempo, foram vitimizados pelo marketing de massa, que povo na atualidade está livre disso? Essa é minha tese. Essa é minha tese, Eva, uma tese que me tira o sono. É por isso que tenho escrito livros, mas parece que sou uma voz solitária numa sociedade digital, embora tenha muitos leitores e alunos que me admiram.

Novos holocaustos poderão surgir se não tivermos uma juventude autônoma que tenha opinião própria e pensamento crítico. Novos sociopatas surgirão usando as redes sociais. Será que não é melhor prevenir os Hitlers, entre aspas, do futuro que eliminar o Hitler do passado? Eu também penso assim, falou Kate rapidamente. O General Herman olhou bem nos olhos de Júlio Verne e deu-lhe um golpe fatal. Se você viajou mesmo no tempo, sente um pouco da dor que nossos semelhantes experimentaram sob as garras do nazismo.

Essa dor não é suficiente para romper o cárcere do egoísmo e fazê-lo tentar aliviar o sofrimento dos outros? O professor respirou pausadamente. O general tinha razão. Ele pensou não apenas nos milhões de judeus, marxistas, eslavos, ciganos e homossexuais que foram mutilados pelo nazismo, mas também nas famílias alemãs. Provavelmente há milhares de famílias como as dos Merkel que conservaram o seu altruísmo. Elas estavam sendo esmagadas por Hitler.

Todavia, elas não tiveram, não têm poder algum. Se voltar no tempo, terei de trabalhar sozinho ou, no máximo, com alguns malucos brilhantes como Rodolfo. Rodolfo? Questionou Cade. Um psicótico amigo, mais inteligente que alguns intelectuais. Todos se mantiveram calados. Depois, Eric, outro cientista da equipe, quebrou o silêncio e insistiu. Não desista. Lembre-se de que a ciência não pode viver de uma experiência inválida. É preciso repeti-la.

Nesse momento, o professor de história respirou profundamente e sentiu dor na coluna cervical, 10 centímetros abaixo do pescoço, onde o atingira o chute de um nazista quando tentava proteger o rosto. Ai, aquele miserável me acertou sem dó! Em seguida, confessou: Um dos meus terrores noturnos acionou a interrupção da viagem no tempo, e contou o motivo pelo qual fora parar na casa dos Merkel, mas disse que houve uma distorção nas datas.

Fantástico! expressou Ângela. Críamos na hipótese de que as ondas cerebrais são os mecanismos que ejetam o viajante do tempo num lugar e momento específicos. Eis a prova viva! Vocês criam nessa hipótese? Não tinham certeza? Eu entrei na máquina achando que havia uma certeza científica. Mais um momento de silêncio. O professor sentiu-se uma cobaia. Teodoro tentou dar as suas explicações. Professor, o que difere a ciência do misticismo é a organização dos dados, a análise deles, a oportunidade de verificar as hipóteses e a predição de fenômenos.

Tudo isso tende a expandir a probabilidade de acerto. Caro Teodor, você tem um brilhante discurso que no fundo disfarça que você não tem certeza de nada. Sou uma cobaia do Projeto Túnel do Tempo. Por favor, me digam honestamente: alguém de fato, ou mesmo um animal, ou alguma coisa, já foi e voltou? Eles se calaram. O professor sentiu o gosto amargo da traição. Kate também se sentiu traída. Vendo-a angustiada, Júlio Verne tentou abrandar a sua indignação e aliviar o estresse da equipe.

Afinal de contas, eles estavam empenhados em contribuir com a humanidade. Eu pelo menos voltei, senhores e senhoras, falou, tentando dar um toque de humor no clima tenso. Kate tomou a palavra. Mas digam-me honestamente, se Júlio Verne retornar outra vez, Não experimentará o cardápio de terror que aconteceu em seus pesadelos? Ninguém deu uma resposta rápida. Após uma breve pausa, Theodore disse ao casal: Da próxima vez pode ser diferente.

A força de vontade do professor, capitaneada pela sua ilibada cultura, pode levá-lo não ao epicentro dos episódios históricos que foram representados em seus terrores noturnos, mas para um ponto de mutação ou de virada da história. Ele pode ser colocado cara a cara com o Führer. É uma hipótese viável. O professor Joliverni mais uma vez respirou profundamente, só que dessa vez o seu temor era maior que a dor da coluna cervical.

Bom, a hipótese mais viável é que preciso descansar. Os analgésicos e o estresse o haviam esgotado. Os edemas e os hematomas não cederam facilmente, o que exigiu mais alguns dias de recuperação. Durante o processo, o professor pensou e se perturbou muito. A próxima viagem poderia ser um suicídio. Sempre tinha dito que a melhor maneira de contribuir para ser feliz era investir no bem-estar dos outros. E agora, pensava, recuar era ir contra essa tese emocional.

Teve longas conversas com a esposa, mas não revelava o que se passava dentro de si, em especial sobre a sua decisão. Após tomar uma refeição, teve vontade de fazer uma declaração de amor para Kate. Afinal de contas, se partisse, poderia nunca mais vê-la. Kate, você é inesquecível e insubstituível. Não sou poeta, mas quem precisa manejar palavras se a mulher que ama é sua própria poesia? Elo o beijou, mas estava ansiosa por sua resposta, e parecia que ele a estava dando de maneira subliminar.

Você decidiu? Sim. Fez uma pausa, depois completou: Preciso tentar, Kate. Ela ficou com os olhos cheios de lágrimas e não suportou. Não é uma atitude insana, querido? Talvez. Os loucos podem delirar, mas são mais honestos do que os que se consideram normais. E nesse momento lembrou-se do estranho bilhete que aparecera flutuando no seu aposento. E acrescentou: Depois de tudo o que vivenciei, preciso dar um sentido mais nobre à minha vida.

Não suportaria apenas discorrer sobre a história, preciso respirá-la. Há poucos dias comuniquei a você que estou grávida. Você foi às nuvens. Não me deixe, Júlio, nem a essa criança com que você sempre sonhou. Kate, jamais os abandonarei. Eu voltarei. Sua esposa estava inconformada. Tentando dissuadi-lo, ainda disse: Tudo aqui é estranho, Júlio. As pessoas, esse projeto, essa máquina... Nada é normal. Ouvi alguns cientistas dizerem, em tom baixo, que a máquina está cada vez mais instável.

Ela o feriu. Será que nem você crê em mim? Não foi a máquina que me feriu. Foram policiais que encontrei na viagem. Acalme-se, querido. Ela colocou as mãos sobre o ombro dele, tentando relaxá-lo. Não espero que você me compreenda, Keith. Apenas... apenas... Não completou a frase. Expressou outra: Estou sendo fiel à minha consciência. Quem não é fiel à sua consciência tem uma dívida impagável consigo mesmo. Não quero morrer com essa dívida.

Logo em seguida percebeu que fora ríspido. Desculpe meu tom de voz, ando muito tenso, mas não esqueça jamais que eu te amo. Eu prometo, eu voltarei. Ela pensou: Como? Em seguida balbuciou: Eu também te amo. Respirando profundamente, o professor pegou o interfone, ligou para a equipe e deu a sua resposta: Eu entrarei na máquina do tempo novamente. Cientistas, que eram sempre tão discretos, fizeram festa, deram uma salva de palmas e em coro disseram: esse é o cara!

Até os militares, sempre formais, quebraram o protocolo e revelaram incontida alegria. Júlio Verne ainda acrescentou: preciso aprender algumas técnicas de lutas marciais, bem como ter armas mais poderosas. Seu pedido foi atendido. Teve mais 2 semanas para se preparar. Treinou à exaustão, cerca de 10 horas por dia, com os melhores lutadores do exército. Também aprendeu a usar armas pequenas, mas de grande eficácia. Pois bem, assim nós terminamos a leitura deste capítulo 7.

Espero que estejam gostando da história. Um grande e fraterno abraço e até o próximo áudio.

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