Episódios de Compartilhando Leitura by Érica Domingues

06. Em busca do sentido da vida. Cap 5 - Nazistas Caçadores.

20 de agosto de 202623min
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Leitura do Cap 05 do Livro "Em busca do sentido da vida", de Augusto Cury. Da pág 45 à pág 58.

Participantes neste episódio8
É

Érica Domingues

Host
A

Ana

ConvidadoProfessora universitária
G

Gunter

Convidado
J

Júlio Verne

ConvidadoProfessor
M

Miriam

Convidado
R

Rodolfo

ConvidadoChefe
S

Sara

ConvidadoCartomante e professora de tarot
S

Simeão

Convidado
Assuntos4
  • Amor e Fé em Tempos de Perseguição· ReligiaoSamanta Betts·Últimas palavras·Oração a Deus·Catherine
  • Nazistas caçam judeus· SociedadeAsilo dos Merkel·Eutanásia racial·Polícia SS·Câmara da morte·Samanta Betts·Denúncia de Allen
  • Confronto com Nazistas e Fuga· SociedadeJúlio Verne·Rodolfo·Policial cabo·Apagamento de memória·Marino·Samanta Betts
  • Fuga e Disfarce de Júlio Verne· EntretenimentoJúlio Verne·Rodolfo·Identidade falsa·Coronel da SS·Tecnologia do futuro
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
ÉDÉrica Domingues

Olá, aqui é Érica Domingues compartilhando leitura. Estamos lendo o livro de Augusto Cury, Em Busca do Sentido da Vida, e hoje nós vamos ler o capítulo 5, que está na página 45 para quem está acompanhando com livro físico, e o título é Nazistas Caçadores. O asilo de doentes mentais de que o casal Merkel cuidava tinha uma porta de acesso pelos fundos da casa. Lá estavam abrigados mais de 30 doentes, a maioria fora abandonada pelos seus familiares.

Júlio Verne começou a visitá-los e ficou impressionado com a afetividade que o casal lhes dedicava. Eles os abraçavam e beijavam no rosto. Havia uma cozinheira e um enfermeiro idoso que os ajudavam. Não podia viver como um foragido, tinha de dar um propósito à sua vida. Junto com Rodolfo, começou também a ajudar no asilo. Contava piadas, brincava, dava comida, banho e procurava relaxar os pacientes. A eutanásia racial ainda não havia batido às portas do asilo dos Merkel.

Ingênuos, nem sabiam que Hitler tinha dado ordens para eliminar todos os doentes mentais da Alemanha. Num fatídico dia, algo aconteceu. 5 policiais da SS apareceram enquanto Júlio Verne fazia uma visita. 3 deles portavam submetralhadoras. Depois de analisarem os documentos do asilo e checar lista dos internos, os compeliram a ser transportados para um hospital de melhor qualidade. 3 furgões os aguardavam. Era comovente ver aqueles inofensivos e indefesos seres humanos desalojados.

Alguns estavam naquele abrigo há anos, expressavam rituais obsessivos, mal andavam, tinham o corpo curvado e travado. Júlio Verne ficou trêmulo, não apenas pelo medo de ser reconhecido, mas também porque sabia que iriam para a câmara da morte. Ele não suportou. Tentou contra-argumentar. Um policial apontou-lhe uma pistola. São ordens do Führer, senhor, apenas afirmou. Os Merkel não sabiam para onde os levavam, nem o porquê da intervenção do professor.

Será que ele tinha informações secretas? Pensaram. Resistiram, pois amavam aqueles desprotegidos. Nós cuidamos bem deles, não precisamos dar esse peso para o Estado. Comentou Gunter. Você não entendeu, são ordens do Führer, senhor. Eles vão para um lugar melhor, disse com voz imponente outro policial jovem de cerca de 25 anos. Mas eles são como nossos filhos, não queremos que os levem, afirmou Ana. Sem se importar com os olhos umedecidos do idoso casal, os policiais ainda comunicaram: Nós precisamos levar também seu filho.

Onde ele está? Rodolfo estava na sala com eles. Deveria manter-se calado, mas mais uma vez mostrou a sua inocência. O Führer me procura? Que privilégio! Exclamou com deboche. Os policiais fizeram um sinal para que também os acompanhasse, pois tinham informação de que ele era um doente mental. Prevendo o pior, Jules Verne interveio. É melhor o Dr. Rodolfo continuar ajudando os pacientes dessas bandas. Dr. Rodolfo? Quem é ele? Indagou um dos policiais.

O mais brilhante médico dessa região, disse Júlio. Médico como eu. Em dúvida, os policiais o deixaram. Não podiam assassinar um médico do calibre de Rodolfo. Depois de levarem todos os doentes do asilo, Ana e Gunter caminhavam desolados pelo prédio vazio. Ela então fez uma pergunta fatal para o professor: Para onde os levaram? Ele nada disse, apenas abaixou a cabeça. Ana e Gunter choraram. Já não ouviriam mais a voz de seus filhos.

Ficaram deprimidos. Quem sabe não estão num lugar melhor, Ana? Indagava o professor, tentando aliviá-la. Dois dias depois, Júlio Verne descobriu que havia mais dois judeus na aldeia, um jovem casal. Que há apenas 5 meses tinham se casado às escondidas, Simeão e a bela Sara. Simeão era sobrinho de uma amiga de Ana, Miriam, cujas raízes judias eram guardadas às sete chaves. Simeão e Sara viviam nos porões da bela casa de Miriam.

À noite, sorrateiramente, o jovem casal foi junto com a tia Miriam até a casa dos Merkel conhecer Júlio Verne e Rodolfo. O risco era grande, mas Simeão e a esposa não suportavam mais a prisão do porão. Longas conversas, diletos afetos, momentos emocionantes cercaram o diálogo de Júlio Verne, Rodolfo e o jovem casal. Meus pais foram presos há 3 meses em outra cidade. Fugimos para cá, contou Simeão abatido. Os meus pais foram fuzilados porque se recusaram a entrar no comboio de trem.

Afirmou Sara. Em seguida, com os olhos marejados de água, completou: Meus dois irmãos foram presos e levados para a Polônia. Os nazistas, destilando ódio e deboche, propagandeavam para os judeus deportados que iam para uma terra que emana leite e mel, uma terra onde se pode praticar esportes, ouvir músicas e trabalhar livremente. Mas todos nós acreditamos que iam para o corredor da morte. Parece que fizeram da Polônia o depósito das suas monstruosidades.

Ana, Gunter, Miriam, o professor e Rodolfo ouviam sensibilizados aqueles relatos. Rodolfo, tentando animá-los, fez suas piadas, mas era difícil relaxar minimamente que fosse naquele clima. Nesse ínterim, Simeão perguntou pela identidade de Júlio Verne. Ele não quis entrar na celeuma de falar da sua missão. Ririam dele. Sou um simples professor de história perturbado pelo desejo de entender que espécie é essa que elimina seus próprios filhos sem que esses ofereçam ameaças.

Foram longas duas horas de conversa. Logo antes de o casal partir com a tia e voltar para o confinamento do porão, a suposta tranquilidade derreteu como gelo na primavera. Um grupo de policiais da SS, muito tensos, apareceu na pequena vila de uma rua só. 3 deles seguravam cães numa das mãos e submetralhadoras na outra. Caçavam judeus. Tinham recebido uma denúncia de Allen, o tio de Rodolfo. Entraram direto na casa de Gunther e Ana.

Bateram na porta com incrível violência. Todos entraram em pânico e o desespero chegou às alturas quando ouviram os latidos dos cães. Segundos depois, arrombaram a porta. Pegaram os judeus em flagrante tentando sair da residência para se esconder. Apontando suas metralhadoras, os policiais ordenaram que ninguém se movesse e que colocassem as mãos para o alto. Os nazistas passaram os olhos sobre o grupo reunido na sala e separaram a safanões o jovem casal de judeus no meio deles.

Ficaram na dúvida se Júlio Verne era um judeu. Ele estava com uniforme da SS e por enquanto não o perturbaram. Em seguida, indagaram os nomes dos idosos e renderam Miriam à tia do casal. Tinham um relatório de que ela era de origem judia. Gunter implorava por compaixão. De repente, um soldado lhe disse: compaixão? Vocês envergonham a nossa raça protegendo judeus. Gunter tentou interceder por Miriam, que estava petrificada. Essa mulher contaminou a raça ariana, seu velho! retrucou um dos policiais e deu-lhe uma bofetada que o atirou longe.

Em seguida, apontaram armas para os três. Iriam fuzilá-los à queima-roupa na própria sala dos Merkel. Queriam que eles limpassem a sujeira. Júlio Verne recuou assombrado. Estava taquicárdico. Queria sair correndo. Esse episódio não estava no script dos seus pesadelos. Fechou o circuito da memória, não conseguia pensar em mais nada a não ser em sobreviver. E além disso, o medo de cães o paralisava. Rodolfo, ao contrário, era destemido.

Tinha baixo limiar para compreender o perigo. Inconformado, socorreu seu pai e se preparava para intervir, mas de repente uma cena cortou o coração de todos. Menos dos nazistas. Simeão superou os vales escabrosos do medo e disse com intrepidez aos soldados: Deixem-me dizer minhas últimas palavras à minha esposa. Vendo sua sólida determinação, os militares permitiram. Sara, não perca jamais a sua fé. Saiba que ainda que nos retirem os olhos, jamais nos impedirão de ver.

Ainda que extraiam nossa língua, jamais nos impedirão de falar. Ainda que explodam meu coração e me matem, jamais deixarei de te amar. E se desfez das garras de dois soldados e a abraçou. Os cães começaram a ladrar. Pareciam invejar um amor inimaginável que só os humanos poderiam sentir. Eu te amo, Simeão. Agradeço a Deus por ter te conhecido. Nem a morte silenciará meu amor. Sara falou chorando. Simeão fez uma oração em silêncio ao Deus de Israel e Sara o acompanhou.

A morte iminente não extirpara sua crença. Ao contrário, Júlio Verne presenciara muitos casos onde a vida estava em risco altíssimo e de forma atroz e injusta. Nesses episódios, a espiritualidade deveria ser completamente asfixiada, mas florescia. Em pleno deserto. Esse fenômeno fez o pensador Júlio Verne refletir que o ateísmo floresce mais em tempo de abundância. O professor foi às lágrimas ao ver o amor borbulhante do jovem casal.

Lembrou-se da mulher da sua vida, Catherine. Ele prometeu silenciosamente a Kate que um dia romperia o cárcere do tempo, voltaria para o século 21 e a encontraria novamente, custasse o que custasse. Os soldados nazistas, ao contrário do professor, debocharam do casal. Que lindo! Judeus também amam! Ávido para ver sangue, um deles disse: Agora vamos à nossa declaração de amor. Declaro que os vermes devem ser eliminados da terra.

Declaro, portanto, que vocês não merecem viver. E sob os aplausos dos outros soldados, ele e mais dois policiais apontaram as armas para a cabeça de Simeão, Sara e Miriam. Quando ia apertar o gatilho, alguém interferiu. Espere, deixe eu mesmo terminar com esses judeus, falou o tímido Júlio Verne para o desespero dos Merkel. Rodolfo, esperto que era, logo entrou em sintonia com o professor. Exaltando-o sobremaneira, disse: Ele é um general de Hitler!

Ele prestou continência. O professor fez um sinal com as mãos para que Rodolfo diminuísse sua euforia e lhe abaixasse a patente. Caso contrário, os soldados desconfiariam de que tudo era teatro. General não, ele é um coronel do Führer, um homem que não apenas caça os judeus, mas também nazistas estúpidos. Menos, expressou Júlio Verne com os olhos, querendo apenas que Rodolfo calasse a boca. Sim, sou um coronel da SS. Um coronel da SS naquele vilarejo fazendo o quê?

Só podia ser balela, passou pela mente dos policiais. Afinal de contas, eles eram de baixa patente da mesma polícia. Em seguida, querendo mostrar autoridade, o professor começou a farejar os policiais que iam matar os inocentes como cães, assim como os superiores fazem com subalternos. Os cães rosnaram como se quisessem atacá-lo. Tentando contornar o medo desses animais, disse a Rodolfo: Faça esses cães se calarem, cabo. Cabo?

Rodolfo queria que ele subisse sua patente. Sargento Rodolfo, silencie esses cães agora ou irá para a corte marcial! Sim, senhor! Gritou Rodolfo. E súbita e destemidamente deu um tapa na cabeça do cão mais agressivo, que de medo se comportou como um gato. Todos os cães se esconderam timidamente atrás dos soldados. Os soldados ficaram confusos com os dois malucos. Será que o sujeito estranho era um oficial da poderosa SS? Será que esse tal de Rodolfo era mesmo um sargento?

Pensaram. A atitude dos dois, apesar de atabalhoada, deu certo. Pelo menos naquele instante não estouraram os miolos de Simeão e sua esposa. Mas 3 dos 6 policiais apontaram as armas para os dois, embora demonstrando certo temor, pois ambos trajavam uniformes de elite militar. Todos na sala torciam para que os dois desajeitados policiais tivessem sucesso. Seus documentos, senhor, pediu o cabo, que era chefe dos policiais, para Júlio Verne.

Você não consegue enxergar um superior, soldado? Falou com autoridade o professor. Comunique o nome dele a Himmler, senhor. By Hitler, bradou Rodolfo. Himmler era o líder máximo da SS, uma das polícias mais inumanas e agressivas da história, responsável inclusive pela higiene racial e pelo extermínio em massa nos campos de concentração. Himmler, com seu colossal aparato policial, era o cão de guarda de Adolf Hitler. Sim, sargento, Himmler gostará de saber da petulância desse policial, afirmou o professor.

O cabo engoliu saliva, ficou ofegante. Em seguida, para não haver dúvidas quanto à sua identidade, o professor tirou do bolso alguns documentos e os mostrou. Eram documentos falsos, mas muito bem elaborados pelos que o haviam enviado do futuro. Os policiais fizeram continência imediatamente para o coronel. Rodolfo, idem. Mas um policial não engoliu a trama. Mas, senhor, o que estava fazendo aqui com esses judeus? Sente o tubearo, o professor pediu a Rodolfo.

Anote o número do policial. Ele conversa demais. Não sabe minimamente o que significa o serviço de espionagem. Sim, senhor, novamente assentiu Rodolfo, tomando nota do sujeito. O cabo, esperto, resolveu testar o coronel. Desculpe-me, senhor. Em tempos de guerra, nossa insegurança aflora. E como o senhor não é um traidor da pátria e solicitou matar esses judeus, por favor, tome minha pistola. Miriam começou a ter vertigem. Sara e Simeão entraram em pânico.

Ana e Gunter estavam emudecidos. Júlio Verne pegou a pistola e começou a suar frio. Apontou para a cabeça de Simeão. Esse abaixou a cabeça. Não tinha como pedir clemência para seu amigo. Chegara a vez de testar a coragem do homem que queria mudar a história. Quando ia atirar, subitamente o professor abaixou a arma e começou a examinar a pistola. Em postando a voz, declarou: Vocês estão usando armas rudimentares, policiais. Eu tenho uma arma mais poderosa.

Tirou do bolso um pequeno aparelho e pediu para os soldados se aproximarem. Curiosos diante de um oficial da SS, eles chegaram mais perto. Em seguida, Júlio Verne emitiu um tremendo choque em 3 deles, que caíram imediatamente semiconscientes. Rodolfo deu um chute nos testículos do quarto e, num salto impressionante, Juruverne deu um choque no quinto, que estava apontando uma arma para ele, e Rodolfo chutou as mãos do sexto e último policial, o cabo, que perdeu a sua arma.

Profundamente tenso, este deu um soco no queixo de Rodolfo, que ficou abobalhado. Em seguida, atacou Juruverne, mas o outrora tímido professor esquivou-se do golpe como um valente e o atingiu com um gancho de direita. Doeu-lhe a mão, mas valeu a pena. O cabo desmaiou. Quase que simultaneamente, os cães os atacaram. Quando o primeiro pulou sobre o professor, este o atingiu com seu aparelho, e o grunhido de dor foi tão grande que levou os outros dois cães a fugirem como vira-latas espantados.

Esse é o meu general, falou alegremente Rodolfo, tentando se agarrar no sofá. Ingênuo, não sabia que a coragem que a corajosa atitude de Júlio Verne colocara toda a sua família em risco. Não poderiam viver mais ali. Alguns policiais, inclusive o cabo, estavam acordando, mas o professor lhes deu seguidos choques, fazendo-os desmaiar completamente. Você mandou o cabo para o túmulo, declarou Rodolfo. O quê? Eu o matei? Indagou desesperado o professor.

Todos perceberam que não estavam diante de um militar, mas um simples civil espantado com a morte de um assassino profissional pelas suas mãos. Rodolfo, tentando aliviar-lhe a culpa, disse-lhe: Não se preocupe, coronel, eu esmaguei os testículos daquele outro. Gunter rapidamente comentou: Ou eliminamos todos eles e escondemos seus corpos, ou devemos nos mudar imediatamente dessa vila. Como não somos assassinos, Devemos nos mudar.

Além disso, é impossível não deixar rastros, disse Simeão. O professor sabia que deveriam se separar. Sara, Simeão, isso foi o máximo que pude fazer por vocês. Fujam para o mais longe possível. Eles ficaram apreensivos não só por eles, mas pela tia que os acolhera. Agora ela seria perseguida pelo nazismo. Vão, meus queridos, eu os abençoo. Procurem um lugar no campo, é melhor que na cidade. E Miriam lhes deu um endereço a 15 km, numa região montanhosa, onde tinha uma amiga que poderia dar-lhes abrigo temporário.

Quanto a mim, voltarei para casa. Ana interveio: Não, Miriam, você vai conosco para casa de uns parentes numa cidade distante daqui. Vamos, peguemos o mínimo necessário e partamos. E assim Simeão e Sara os abraçaram e partiram. As chances de sobrevivência deles eram irrisórias, mas a esperança faz a vida pulsar. Sem esperança se morre ainda que vivendo, com ela se vive ainda que morrendo. Júlio Verne, que era colecionador de lágrimas, começara a se transformar num pequeno colecionador de esperanças.

Em seguida, ele tirou do bolso um aparelho minúsculo e começou a encostá-lo na cabeça dos policiais vivos. Uma luz ultravioleta era emanada. Vendo a atitude do professor, Rodolfo indagou: Você está matando os desgraçados? Não, apagando a memória deles. O aparelho apagava temporariamente a memória, tal qual ocorre quando se sofre um acidente. Ana e Gunter haviam se casado no final do século anterior, em novembro de 1899. Foram 42 anos de um bom casamento.

Tiveram um único filho, Rodolfo, após 7 anos de matrimônio. Eles amavam a Alemanha. Agora teriam de ser fugitivos em sua própria pátria. Ana estava cansada. Cansada da guerra, de presenciar inocentes serem perseguidos e mortos, de ver seu povo seguir os caprichos de um sociopata. Teria de caminhar sobre a neve e se aquecer naquele inverno rigoroso. Mas nada lhe aqueceria a alma. Era uma mulher forte, mas teve uma crise de choro.

Temia mais pelo filho do que por si. Que tecnologia é essa? questionou Gunter sobre a arma que o professor usara. Uma tecnologia de outra era. Mas Júlio Verne não queria novamente entrar no assunto viagem no tempo. Não era compreensível, nem haveria tempo para isso. Ana olhou para Gunter e se lembrou das informações que ele dera sobre Gorin e a solução final. Ficou convicta de que aquele misterioso homem era portador de informações cruéis, mas concretas.

Júlio Verne disse que deveria seguir sua missão. Tentaria marcar o encontro com Himmler. Rodolfo insistiu em ir com ele, mas Júlio Verne não permitiu. Respeite o seu coronel. Você deve proteger seus pais, sargento. Em breve nos encontraremos. Rodolfo bateu continência, embora não fosse o que queria. Após afetuosos abraços, o professor agradeceu a todos. Nunca imaginara que se tornaria amigo de alemães em plena Segunda Guerra Mundial.

Obrigado, Rodolfo. Em breve nos veremos. Nós venceremos essa guerra, coronel. Numa guerra nunca há vencedores, apenas perdedores, afirmou o professor. E assim se despediram, cada grupo seguindo o seu próprio destino. Cansado, o professor repousou num estábulo a 5 km da casa dos Merkel. Dormia quando uma fresta de luz incidiu sobre seus olhos, fazendo-o despertar. Eis que ao acordar estava sob a mira de vários soldados da SS. Esse é o falso líder da SS apontado pelo veterano Allen.

O tio de Rodolfo pedira que averiguassem quem era Otto Hamburger, o nome com o qual Júlio Verne fora identificado quando se conheceram. Otto Hamburger era um amigo de Rodolfo que já estava morto. Era um judeu cujo pai era alemão. Allen era um bom fisionomista e um ótimo desenhista. Desenhara a imagem do rosto de Júlio Verne e a entregara a um grupo de nazistas diferente do que estivera na madrugada anterior na casa dos Merkel.

Não queriam apenas alvejá-lo com um projétil, desejavam fazê-lo sofrer por ter ludibriado a SS. Está tremendo, seu canalha! Os judeus estão ficando espertos! E antes que Júlio pudesse dar qualquer explicação, foi espancado. Não havia como escapar da morte. Após os primeiros chutes e murros, a dor foi tanta que a mente de Júlio Verne se abriu. Uma luz imensa surgiu e uma fenda cósmica se abriu. Algo inimaginável aconteceu. E assim nós finalizamos o capítulo 5, já com esse gostinho de quero mais para o próximo capítulo, que será em breve.

Então, um grande fraterno abraço, obrigada por quem está acompanhando, até o próximo áudio.

06. Em busca do sentido da vida. Cap 5 - Nazistas Caçadores. | Castnews Index — Castnews Index