05. Em busca do sentido da Vida. Cap 4 - No caminho da incerteza
Leitura do Cap 04 do Livro "Em busca do sentido da vida", de Augusto Cury. Da pág 39 à pág 44.
- Saúde mental de TrumpDepressão bipolar · Humor flutuante · Imitação de nazistas e Goebbels · Rodolfo Merkel
- Júlio Verne· CulturaViagem no tempo · Objetivo de impedir a Segunda Guerra · Carta para Goebbels · Adolf Hitler · Goebbels
- A carta misteriosaRecebimento no século 21 · Distorção de eventos · Incerteza sobre o sucesso da missão
- Superando Incertezas e MedosNotícias perturbadoras · Dificuldade em definir Júlio Verne · Convicção de viagem no tempo de Rodolfo
Olá, aqui é Érica Domingues, compartilhando leitura. Nós estamos lendo o livro de Augusto Cury, Em Busca do Sentido da Vida, e hoje nós vamos ler o capítulo 4, que encontra-se na página 39, e o título é No Caminho da Incerteza. A madrugada iniciou-se sorrateira, calma por fora, mas turbulenta no território psíquico dos presentes. Ana e Gunter foram para a cama, mas a cama deixou de ser um lugar de descanso, pelo menos naquela cálida noite.
As notícias que o forasteiro lhes dera extorquiram-lhes as fagulhas de tranquilidade. Às vezes parecia-lhes que Júlio Verne era um doente mental, em outros momentos um intelectual. Não sabiam defini-lo. Não sabiam o que dizer também sobre a convicção de Rodolfo de ter viajado no tempo. Afinal de contas, o seu filho sempre viajara sem sair do lugar. O professor foi dormir no mesmo quarto que Rodolfo, mas quem disse que Rodolfo queria dormir?
O que você faria se pegasse Hitler, Júlio? Você nem imagina, comentou o professor. Eu lhe daria uns sopapos na cara, um gancho de direita no rosto, um chute nas bolotas e um convite para o inferno. O professor teve um momento de descontração, deu um breve sorriso. Rodolfo continuou com suas bravatas:— Segure-me, Júlio, senão vou para Berlim para pegar esse crápula. Amarre-me na cama, vamos? Percebendo que tudo era teatro, o professor o incentivou:— Vai!
O que o impede? O que lhe falta? Um parceiro de coragem. Júlio Verne engoliu em seco. Tentou dormir. Sono tenso, entrecortado, não reparador. Teve pesadelos horríveis e neles não era um herói, mas um covarde. Bom nas palavras, péssimo nas ações. Às 7 horas da manhã estavam todos à mesa. Café, um bolo de farinha de trigo e pães ázimos, sem fermento, do jeito que os judeus ortodoxos apreciam. Mas Júlio Verne não era ortodoxo. Apreciava uma boa comida, o que em tempos de guerra era uma raridade.
Rodolfo comia sem modos. Enfiava pedaços exagerados de bolo na boca, migalhas caíam pelas laterais dos lábios. Era seu jeito de ser. Era um gênio, mas como muitos sobredotados, tinha inabilidades sociais. Era reservado, dosado, compenetrado, estudioso, amante dos livros. Depois de desencadeado seu transtorno psiquiátrico, tornara-se mais bem-humorado. Tinha depressão bipolar, que naquele tempo não era assim diagnosticada. Os portadores dessa doença eram isolados, alguns amarrados e submetidos à terapia de choques.
O humor de Rodolfo flutuava. Ora tinha tempos de depressão, desânimo, isolamento. Ora vivia períodos de exaltação, grandeza e palavreado excessivo. Mas mesmo nesses períodos não perdia seu bom humor. Dizia: Sou um general de Hitler. Morte às moscas, salvem os judeus! Não havia ninguém na Alemanha que zombasse tanto do poderoso Führer quanto ele. Era para ter sido morto à semelhança de milhares de doentes mentais. Mas, como era querido na vila e seus pais bem conhecidos, até agora fora protegido.
Rodolfo não apenas fantasiava, mas dava crédito às fantasias, como se fossem reais. Conversava com os personagens que criara e agora tinha o professor para dialogar. Diga-me, Júlio Verne, onde você aprendeu a ser maluco? Bom, eu... Você acha que eu realmente sou doido? Doido não, doidão! Bom, eu aprendi minhas maluquices com uns cientistas e uns militares do meu século. Rodolfo, por sua vez, comentou como havia aprendido as suas doidices.
Já eu, eu aprendi com os nazistas. Veja isso! Levantou-se e, na frente dos pais e do professor, imitou um soldado nazista marchando. Flexionava o joelho para o alto e para baixo e depois saudava imaginariamente o Führer. Bye, Führer! Bye, Führer! Marchava e fazia sinal de tchau, sorrindo. Suas bobagens são perigosas, comentou Gunter. Ana o acalmou. Deixa o menino. Ninguém na vila liga para ele. É preciso se divertir nesse hospício social.
Júlio Verne conseguiu dar mais um breve sorriso, o que parecia impossível para quem tinha uma missão quase impossível. Em seguida, Rodolfo, mais espirituoso ainda, pegou o cabo de madeira de uma vassoura e, como se fosse um microfone de uma rádio, impostou a voz e imitou Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler. Essa é a sua rádio germânica, a rádio das vitórias do Führer. Somos privilegiados por ter um grande líder, o maior de todos.
Nessa manhã, Matamos todas as raposas e gaviões e conquistamos mais um galinheiro. Uau! Somos o melhor exército do mundo! Em seguida, fez o som de uma rajada de metralhadora. Ratatatatatatá! Ninguém canta de galo no mundo como nós. Cococó, cococó! E continuou: Em breve conquistaremos toda a Europa, depois as Américas, a Lua, Marte, o Sol, o universo. Somos nazistas, somos arianos, somos donos do mundo. Ah, não desliguem, caros ouvintes, em breve mais vitórias para embelezar os seus ouvidos e entorpecer o seu cérebro.
Bye, Hitler! Tum, tum, tum. Bye, Hitler! O professor não conseguiu se conter, relaxou e dessa vez deu uma gargalhada do deboche de Hitler. O louco mais persuasivo que o mundo já conhecera. E então indagou: Onde aprendeu a ser radialista? Com Goebbels. Ensinou-me uma vez. O quê? Você conheceu o gênio do mal que promoveu Hitler? Sou amigo do seu sobrinho Max, mas detesto Goebbels, disse-lhe com ódio que ele era bom para embalar e vender eufória.
E ele? Rodolfo mostrou as marcas no rosto de uma impiedosa e impulsiva bofetada que recebera. E por que Gorgos não o matou? Ele apontou a arma para mim, mas Max interveio, disse que eu era louco. Ainda tinham compaixão dos doentes mentais naquele tempo, comentou Ana. Lembrando-se da sua missão, o professor, animado, rapidamente indagou: Mas onde Gobbels mora? Berlim, a 500 km daqui, respondeu Gantner. Júlio Verne fez um sinal de desapontamento.
Seu alvo estava muito distante. Havia tantas barreiras para chegar até Hitler, ainda mais no dramático inverno em que estava. Perdeu o ânimo. Mas soube que estará na semana que vem na casa dos pais. Onde eles moram? Moro numa cidade mais próxima, a uns 20 km daqui. A cidade preparará uma grande festa para receber Góbios, comentou Ana, não entendendo as intenções de Júlio Velho. O professor novamente alegrou-se. Imaginou que poderia chegar até Góbios, mas eliminá-lo não mudaria os rumos da Segunda Guerra, pois a Europa já estava em chamas.
Mas quem sabe seria um ponto de mutação da história. Ou, quem sabe, ele me leva até Hitler?, pensou. Subitamente, Rodolfo começou a falar sozinho. Conversava com seus fantasmas. Júlio Verne esperou que ele terminasse a conversa e pediu: Leve-me até Max, seu sobrinho. Mas em seguida indagou: Góbels costuma vir só? Nunca só. Depois da fama, vem sempre com uma grande escolta. O professor afagou a cabeça com a mão esquerda, contraiu os músculos da face.
Havia se preparado para atacar os pontos de mutação que antecedessem— deixa eu só ler isso aqui, acho que eu me confundi aqui, gente— havia se preparado para atacar os pontos de mutação que antecedessem o início da Segunda Guerra, para barrar a sequência das atrocidades que seriam deflagradas. Mas se interrompesse a trajetória de Hitler ou de algum importante do governo, poderia pelo menos evitar a morte de milhares de inocentes, o que já teria feito sua missão valer a pena.
À noite, sozinho no quarto de Rodolfo, ensaiou escrever uma carta para marcar um encontro com Goebbels. Estava eufórico. Escreveu e reescreveu diversas vezes o pequeno texto. Não queria terminar a carta dizendo vida longa ao Führer, como era comum nas correspondências da época. Exaltar Hitler, mesmo que falsamente, o deixava angustiado. Preferiu uma carta simples. E a carta foi o seguinte: Senhor Góbios, gostaria de ter um encontro com o senhor por ocasião da visita à sua mãe em minha cidade.
Gostaria de discutir ideias de seu estrito interesse, inclusive novas técnicas de propaganda veiculadas pela rádio. Certo de que serei atendido, subscrevo-me. Júlio Verne e Rodolfo Merkel. Após chegar ao texto final e relê-lo, sua mente se abriu. Pasmo, concluiu que era a mesma carta que recebera anonimamente quando estava em pleno século 21, após ter um dos seus pesadelos. Pensara naquele tempo que a escrevera sob um ataque de sonambulismo e que a enviara para si mesmo.
Mas agora teve plena certeza de que não estava louco, que a carta fora escrita nos tempos de Hitler e que de alguma forma a máquina do tempo estava distorcendo dos eventos. Ana entrou no seu quarto sem bater na porta, trouxe-lhe uma xícara de chá e o viu abatido. Respeitosa, não lhe perguntou nada, nem ele queria dar mais explicações sobre sua confusa missão. Após Ana sair, foi invadido por uma aura de tristeza. Pensou consigo: se eu recebi essa carta no futuro, então Góbelz não a recebeu.
Consequentemente, ela foi ineficaz. Preocupado em corrigir as distorções dos eventos, procurou tomar precauções para que a carta realmente chegasse ao seu destinatário. Queria ser senhor do tempo, mas o tempo, sempre cruel, abatia generais, fragilizava heróis, furtava o vigor dos mortais. Juruveli era um homem perturbado, portador de uma missão colossal, que queria dar passos largos, Mas sentia-se minúsculo, um caminhante que atolava os pés na lama da incerteza.
Muito bem, assim nós finalizamos este capítulo 4. Espero que estejam gostando do livro. Um grande e fraterno abraço e até o próximo áudio.