Episódio #230 – Citicorp Center: a corrida para salvar um arranha-céu em Manhattan - Parte 1
Um edifício novo, que instantaneamente se torna um ícone, pela sua estrutura pouco usual. Menos de um ano após a conclusão da obra, uma estudante liga para o conceituado projetista estrutural, e aponta que a estrutura pode não suportar as cargas de vento.
Quem tem razão? Como tratar a questão quando reputações e vidas estão em jogo?
Venha descobrir porque esse caso virou referência em aulas de ética na Engenharia nos Estados Unidos!
Dê um play e vamos juntos!
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André Schuma
- Descoberta de Falha EstruturalVentos Diagonais·Cálculos Estruturais·Diane Hartley·William LeMejurier
- Furacão Ella· Meio AmbienteFuracão Ella·Plano de Evacuação·Risco para Vizinhança·Manhattan
- Alterações no Projeto e Sigilo· SociedadeGestão de Mudanças·Ligações Aparafusadas vs. Soldadas·Reforço Estrutural Sigiloso
- Reforços e Resolução de Problemas· SociedadeReforços Estruturais·Chapas de Aço·Trabalho Noturno·Geradores de Emergência
- Citicorp Center Construcao e Inovacao· TecnologiaCiticorp Center·Engenharia Estrutural·Arranjo Arquitetônico Inusitado·Amortecedor de Massa·William LeMejurier
- Ética e Gestão de Projetos· EducacaoÉtica na Engenharia·Comunicação de Riscos·Gestão de Projetos de Capital·Estudo de Caso
Um novo edifício icônico em uma das regiões mais caras do planeta, inaugurado em outubro de 1977 para o Citibank, com 279 metros de altura e uma área de escritório de mais de 120 mil metros quadrados e 59 andares, o Citicorp Center se tornou um ícone instantaneamente na cidade de Nova York. Menos de um ano depois da entrega, Uma ligação de uma estudante de arquitetura para o engenheiro estrutural cria um alerta: o edifício era vulnerável a ventos fortes que o atingissem na diagonal.
E é tomada uma decisão de reforçar as ligações da estrutura de aço. Isso tudo com o prédio já ocupado, com as pessoas trabalhando normalmente todos os dias nos escritórios e na vizinhança. Enquanto tudo isso é mantido em segredo pelos projetistas e pela dona do edifício, A situação parece que só piora. Um furacão se aproxima de Nova York e um plano de evacuação é criado. O prédio poderia cair sobre os demais edifícios, criando um efeito dominó devastador numa das áreas mais movimentadas do planeta.
Será que eles vão ter tempo de salvar o edifício? Descubra aqui porque o caso da emergência estrutural do Citicorp Center número 601 da Lexington Avenue em Nova York foi tão crítico e um segredo que só foi revelado em 1995. E nessa história nem tudo é o que parece. Vamos juntos! Olá, amigos do Capital Projects Podcast, eu sou André Schum, estou aqui para mais uma conversa aberta sobre os desafios da gestão de projetos de capital.
Ou seria sobre os desafios da engenharia estrutural de edifícios? Esse episódio aqui, ele é bem especial porque já faz um tempo que eu queria retomar aqui no nosso canal alguns cases interessantes que nos ensinam pela prática a importância da boa gestão de projetos e o que acontece em alguns projetos de engenharia e construção quando a boa prática não é seguida. E esse tipo de episódio é um dos mais pedidos aqui no nosso canal.
Pelas pesquisas que eu já fiz com diversos ouvintes. Mas como eles demandam bastante tempo de pesquisa para que eu possa trazer para vocês aqui a situação real no nível de detalhe que a gente merece, sempre é mais difícil de encaixar na rotina esse tipo de episódio. Então, se você gosta, eu quero que você coloque nos comentários, porque é sempre interessante ter esse feedback da nossa audiência a respeito desses episódios. Olha, desde o episódio número 121, de exatos 3 anos atrás, lá de agosto de 2023, que eu não trazia aqui um case emblemático para ser discutido, exceto os dados que eu trouxe em 2024 falando dos estouros de orçamento dos projetos ou programas de Jogos Olímpicos, que é outro episódio super interessante, que é o Custo do Ouro, para você ouvir ou assistir se você ainda não teve a oportunidade.
Lá no episódio 121, que veio então lá 3 anos atrás, ele era a segunda parte do episódio de Fordlândia, do case de Fordlândia. Um case tão bom que ele virou tema do Showmaflix, uma série especial de mini treinamentos, treinamentos curtos, aonde eu trago as práticas de gestão de projetos, trago os cases e aponto aonde que o projeto teve falhas e como que nós podemos, usando a abordagem da metodologia FEL, prevenir aquele tipo de problema em outros projetos.
Então, se você tem interesse no Showmaflix, o mais fácil é você acessar a partir do meu novo site, que é o andreashowma.com.br. É só ir lá nos materiais lá de treinamento e você tem acesso ao Showmaflix, tá certo? Mas vamos então ao case de hoje, porque ele é super interessante. A partir da hora que eu fiquei sabendo desse case, eu comecei a pesquisar e pensei assim, não, eu preciso trazer para o canal, porque eu não tinha ouvido falar sobre ele até pouco tempo atrás.
É o case do Citicorp Center, no número 601 da Lexington Avenue, em Nova York, lá em Manhattan, tá, na cidade de Nova York. Ele foi inaugurado em outubro de 1977, 5 meses depois de eu ter nascido. Então, olha, coisas extraordinárias aconteceram em 1977. E ele quase veio abaixo um ano depois, ou menos de um ano depois, em um efeito dominó que poderia ali afetar diversos edifícios na vizinhança, provocando uma tragédia sem precedentes na engenharia, o que seria um dos maiores erros estruturais já registrados.
Essa história é demais. O edifício, ele era muito mais alto que o entorno, e realmente, pelos estudos realizados, isso poderia ser uma tragédia muito grande. Mas a gente vai ver também se tudo isso é aquilo que parece. Segue o fio do nosso roteiro aqui. Para que a gente possa aprender com esse caso. Eu tô colado no meu roteiro aqui para não perder nenhum detalhe. Espero que você esteja aí também, tá certo? Vamos lá. No início da década de 1970, o Citibank, que então era o First National Citibank, queria construir uma sede em Manhattan, uma nova sede.
O local escolhido foi ali quase um quarteirão inteiro na Lexington Avenue, pelo menos uma parte do quarteirão que pegava uma esquina Bem interessante. Só que tinha um obstáculo nesse local ali no terreno, ao lado da esquina já existia uma igreja luterana, a Igreja de São Pedro, que estava ali no local já há muito tempo. E nas negociações que foram feitas para aquisição do terreno, a igreja topou participar do empreendimento e concedeu os direitos de utilização do espaço aéreo acima da igreja.
Ou seja, o edifício ele precisava ser grande, precisava ser icônico, ele poderia então ser construído acima da igreja, pegando uma parte da igreja, certo? Desde que a parte do terreno fosse preservada, a igreja fosse reconstruída. Inclusive foi parte do projeto do edifício reconstruir a igreja e ela fosse independente da estrutura do edifício. Então o edifício poderia ocupar ali parte do terreno da igreja, inclusive o espaço sobre a igreja, desde que uma nova igreja fosse construída no mesmo local e as estruturas fossem independentes.
Isso significava então que o edifício não podia simplesmente apoiar toda a estrutura no térreo, como nós estamos acostumados a ver, certo? No solo ali tinha uma restrição muito grande, que era essa igreja. E aí uma solução seria reduzir o tamanho do edifício. Outra alternativa seria construir algo sobre a igreja, certo? Elevar o corpo do edifício e fazer ele a partir da altura da igreja. E aí vem um grande desafio. O arquiteto foi o Hugues Stubens, ou Stubens, e o engenheiro estrutural, que é a peça central aqui da nossa conversa, William Leméjurier.
Com certeza eu tô falando o nome dos dois errado, tá certo? Mas o William Leméjurier foi o ponto central dessa história toda. Ele que foi o engenheiro calculista que concebeu a estrutura do edifício. Eles desenvolveram então uma configuração bastante diferente, pouco usual. O prédio, ele seria apoiado sobre 4 grandes pilares que, ao invés de ficar nos cantos do edifício como a gente tá acostumado— então imagine uma planta quadrada chegando no térreo onde você tem um pilar em cada canto, isso seria o usual— mas por conta da posição da igreja, a solução que foi desenhada foi colocar essas esses pilares, essas colunas, no meio de cada uma das fachadas, sendo que então as quinas do edifício ficariam em balanço, um balanço ali de mais de 22 metros para cada lado.
Então imagine você ver um prédio que está sobre um sistema de, vamos dizer assim, palafitas, sobre 4 grandes pilares com mais de 30 metros de altura, e esses pilares não estão na quina do edifício, eles estão no centro de cada uma das 4 fachadas e as quinas do edifício estão em balanço. Tudo isso mais de 30 metros a partir da rua. Então você passa e vê o prédio como se ele tivesse quase que pendurado ou sobre uma mesa muito alta.
Então eram super colunas que deixavam ali as quinas do edifício em balanço. Esse visual realmente é impressionante. Depois eu tenho certeza que você vai verificar na internet as imagens da obra, ou para quem já teve a oportunidade de estar lá. Eu nunca estive em Nova York. O edifício parece flutuar sobre a rua. Então vale a pena dar uma olhada na concepção dessa estrutura. E isso trazia um desafio muito grande para você trabalhar essas cargas dentro da edificação.
Era uma solução arquitetônica elegante para um problema de stakeholder da vizinhança, mas ela também alterava profundamente a maneira com que as cargas percorriam a estrutura do edifício até finalmente chegar nas fundações. Para que eles conseguissem fazer com que esse conjunto todo parasse de pé, para poder transferir as cargas das quinas do edifício para a parte central da fachada, eles posicionaram— o Le Mesurier concebeu um sistema de enormes contraventamentos diagonais em forma de V, os chevrons, que distribuíam essa carga, que coletavam essa carga dos pisos e jogavam nessas estruturas centrais das fachadas para que elas chegassem no pilar lá embaixo, para você não precisar fazer uma transição lá no que seria o térreo, que não é o térreo, está a mais de 30 metros de altura.
Então o prédio todo tinha estruturas em V na fachada, todo ele estrutura metálica, que traziam a carga das lajes para parte central das fachadas, onde essas cargas então eram direcionadas para os grandes pilares. Essas diagonais, para vocês terem ideia da dimensão do edifício, cada diagonal pegava ali um intervalo de 8 andares. Então eram peças muito robustas, muito grandes para poder fazer o encaminhamento dessas cargas para os pilares.
Se já não bastasse a solução arquitetônica e estrutural do edifício, com esses grandes balanços, esse efeito em comum do prédio estar posicionado mais de 30 metros acima do nível da rua, ainda tinha mais uma questão. Imagina que você tem um prédio que ele é relativamente leve em termos de estrutura, toda estrutura metálica, toda fachada em vidro, e ele está suspenso a mais de 30 metros acima da rua, como a gente já comentou. Isso tudo torna a estrutura mais suscetível a oscilações de vento.
Não é verdade? Então era preciso ter algum sistema que protegesse o edifício de um desconforto no caso de ventos fortes. E aí chegou-se então a solução de um contrapeso, um amortecedor de massa, para ser colocado lá na cobertura. Um contrapeso de concreto de 400 toneladas posicionado lá no topo do edifício, que era movimentado hidraulicamente para contrabalancear o efeito do vento, certo? Então esse foi um sistema super inovador, foi o primeiro edifício a incorporar esse tipo de solução.
Olha só, e numa escala já enorme. Imagine o contrapeso de 400 toneladas, todo um sistema, ele é apoiado em cima de uma cama hidráulica com óleo hidráulico onde ele fica flutuando e ele é movimentado por um sistema super complexo de um lado para o outro, na contramão das oscilações que estão acontecendo, para poder contrabalancear esse efeito e fazer com que o edifício não movimente tanto. Foi o primeiro grande edifício a incorporar esse tipo de sistema, tanto que depois virou padrão inclusive até para o Japão, a réplica desse tipo de sistema de amortecimento de vibrações em edifícios.
Foi algo tão complexo para época, que o maior especialista em vibrações, oscilações de pontes participou da concepção desse sistema para poder ajudar ali a reduzir esse efeito nesse edifício. Olha que interessante, porque era um edifício, de novo, muito alto, mas com uma estrutura muito leve. Apesar de toda essa solução dos contraventamentos, das estruturas em V para trazer a carga das lajes para o ponto central das fachadas, Ainda assim, o edifício era muito leve para altura dele e ele estava mais suscetível a oscilações.
Lembrando que também tínhamos mais de 30 metros de pilares do térreo até a cota 30, o que deixava a estrutura toda menos rígida, então mais sujeita a oscilações, tá certo? Depois de 4 anos de estudos O CityCorp Center estava finalmente concluído, tava funcionando, não tinha nenhuma deformação visível, nenhum sinal evidente de instabilidade. E tudo tava prestes a mudar com uma ligação de uma desconhecida estudante de arquitetura.
Eu já vou voltar nesse ponto porque antes eu tenho um recadinho aqui para vocês. Como vocês sabem, o Capital Projects Podcast completou 5 anos e meio e o programa segue recebendo feedbacks positivos da nossa comunidade, que me deixa muito feliz e mostra que nós estamos chegando em quem precisa ter esse tipo de informação, que vocês valorizam a qualidade desse conteúdo. É isso que de fato mantém o programa no ar depois de tanto tempo.
E nos últimos dias eu recebi uma série de elogios numa lista de WhatsApp na qual participo. Tem um grupo maravilhoso de profissionais, profissionais muito experientes, muito competentes, e o pessoal encheu a lista ali de elogios quando eu mandei o link do episódio passado. Então eu quero dar uma pausa aqui, mandar um abraço para Thaís, para o João Almeida, para o Caio Valério, para Elizabeth Pereira, para o Roberto Barral, e claro para o amigo Aldo Matos, que é organizador dessa lista, desse grupo, e grande incentivador do canal.
O Aldo não só já indicou vários profissionais que já passaram por aqui, como também já foi entrevistado, como organizou também uma série que foi gravada lá em Salvador, em episódios que foram ao ar de novembro de 2023 a fevereiro de 2024. Então agradeço também a todos vocês que ouvem aqui o canal, que mandam os feedbacks, que deixam os comentários, que compartilham os episódios. E eu quero também reforçar um pedido: quando eu libero um episódio aqui do Capital Projects Podcast, você pode ter acesso na sua plataforma favorita.
Normalmente é no YouTube ou no Spotify. No YouTube é possível deixar comentários, no Spotify também. Muita gente não sabe, mas no Spotify você consegue comentar o episódio, ou então no LinkedIn quando eu solto um episódio novo. Tem muitas pessoas ali na minha rede que acabam também reagindo aos episódios. Então isso é importante, me deixa sabendo que vocês estão valorizando aquele conteúdo, que aquele conteúdo principalmente faz sentido para nossa comunidade, que é maravilhosa, tá certo?
Então, tendo oportunidade, eu quero ver seus comentários lá sobre esse episódio, sobre os outros também que você gostou Para que a gente possa seguir nessa linha. Se o conteúdo tá bom, a gente mantém, tá certo? Então vamos lá voltar aqui para o nosso episódio. Tudo tava prestes a mudar com uma ligação de uma estudante desconhecida. Não só o prédio, mas toda a vizinhança estava em risco e ninguém tinha percebido algo que podia ameaçar, pelos cálculos que foram realizados depois, mais de 200 mil vidas no entorno em mais de 10 quarteirões ao redor do edifício.
Sim, era real o risco do prédio tombar, e ao tombar, principalmente sendo o mais alto ali daquela região naquele momento, ele causaria fatalmente um efeito dominó em outros edifícios. Tanto que, como eu comentei, os estudos ultrapassaram aí um raio de 10 quarteirões a partir daquele prédio, tá certo? Então imagine você nessa situação: prédio inaugurado, ocupado, menos de um ano depois E você descobre um problema grave que coloca muita gente em risco.
E aí, prédio caiu ou não caiu? A história a partir daqui ganha dois protagonistas que a gente vai precisar lembrar bem. Um é o William Le Mejurier, que é o calculista do edifício, e a outra é a Diane Hartley, que é a estudante de arquitetura. Então, antes mesmo do edifício completar um ano, inaugurado ali em outubro de 77, E o que eu vou contar para vocês agora se desenrolou a partir de maio a julho, e passando um pouquinho depois, vocês vão entender, do ano seguinte, 1978.
Então, um dos relatos mais difundidos, e foi a maneira com que eu cheguei nesse case, que eu também não conhecia, é que a Daiane Hartley, estudante de arquitetura, teria ligado para o William e questionado a estabilidade do edifício, repassando inclusive preocupações do seu professor na época, que dizia que os pilares que sustentavam o prédio estavam nos lugares errados. Eles deveriam estar nas quinas do prédio e não no meio das fachadas.
Inclusive, o professor teria dito que o prédio, antes dele ser bonito, dele ser grande, etc., ele precisava ser seguro, e aquele prédio não parecia seguro. O William teria se irritado então com essa ligação E dito que o professor ele não sabia o problema que estava sendo resolvido com aquele arranjo, porque lembra, a gente tinha igreja e o prédio precisava ocupar o espaço aéreo sobre a igreja, então não tinha como colocar um pilar na quina da fachada.
E ele então teria se irritado com essa ligação, inclusive desligado o telefone, não ter dado bola, certo? Então Então vamos lá, esse foi o estopim de todo o case e a maneira com que é contado em várias fontes que você provavelmente vai encontrar por aí também. Além disso, vamos voltar um pouquinho. Em maio, o arquiteto, o Hugh Stubbins, estava conversando com William Lemayurier, o engenheiro estrutural. Eles estavam falando sobre o novo projeto que eles estavam concebendo, um novo edifício também em estrutura metálica E junto nessa conversa estava um fornecedor de estrutura, fornecedor e montador de estrutura, e eles estavam pensando em repetir o mesmo esquema do Citicorp Center, certo?
Porque a estrutura tava funcionando, foi um baita sucesso. Então eles estavam pensando em utilizar o mesmo sistema estrutural e as ligações dos elementos estruturais principais, todos aqueles chevrons, aqueles Vs que faziam a transferência, fazem a transferência das cargas para os pilares no centro das fachadas, eram ligações soldadas na estrutura, como tava previsto lá no projeto. E o potencial fornecedor desse novo edifício, que estava ali discutindo com eles, estava comentando que esse trabalho de solda em peças daquele porte, eram muitas soldas, soldas muito longas, isso era inviável financeiramente e atrasava muito a execução do edifício.
E o Lemesurien então disse que isso não tinha, não deveria ser um problema. Que eles tinham acabado de fazer isso no Citicorp Center, certo? Então ali, menos de um ano depois, isso era maio de 78, o prédio foi entregue em outubro de 77. Então isso não deveria ser um problema. Poxa, a gente acabou de entregar um projeto com essa solução. Ele então pegou ali naquele momento e ligou para a empresa que forneceu e montou a estrutura do Citicorp Center para confirmar que a solução não era tão difícil.
Olha, estamos discutindo aqui um novo projeto, a gente quer repetir a solução que foi dada lá atrás porque funcionou, não é verdade? O prédio tá aí. E foi aí que o contratado da estrutura do Citicorp respondeu que as ligações tinham sido alteradas de soldadas para aparafusadas, com aprovação do escritório do Leme Jurier, oferecendo ao cliente um desconto de $250 mil na época pela redução de custo que eles tiveram por mudar o projeto.
E o Leme Julliet não sabia desse fato. Inclusive, o detalhamento da estrutura não foi feito pelo projeto, pela, pelo escritório dele, foi feito por um escritório parceiro terceirizado. E aí foi para o montador. O montador, ao receber aquilo, tinha essa preocupação com o custo e com o prazo para fazer as ligações soldadas, pediu que as cargas fossem encaminhadas em detalhes para eles, para que eles pudessem redimensionar as ligações.
Eles propuseram as ligações aparafusadas E o escritório aprovou, mas o Leme Jurie não sabia dessa alteração. Então olha só, gestão de mudança em projeto. Cuidado com essas alterações aí na sua, né, na sua realidade, porque de repente você tá mudando a concepção estrutural do edifício. Mas isso era maio de 78. Ele ficou sabendo, ficou surpreso, mas ele não deu tanta importância ao fato. Se isso tudo foi recalculado e foi revisado, isso não deveria ser um problema.
Então vamos voltar agora a famosa ligação que aconteceu em julho, então 2 meses depois. Depois dessa ligação, aonde a estudante de arquitetura teria dito que o prédio poderia ter problemas com ventos atingindo o edifício na diagonal, e que era uma preocupação inclusive do professor dela, o Leme Juria foi rever os cálculos da estrutura do edifício E ele se deu conta que de fato o edifício estava em risco. O novo cálculo mostrou o seguinte: que naquelas condições, se o prédio tivesse ventos fortes atingindo ele na diagonal, existia sim a possibilidade do vento ultrapassar a resistência do edifício se desse um tempo, um vento num tempo de recorrência de cerca de 55 anos.
Isso tudo pelo funcionamento do sistema estrutural que ele tinha concebido. Dependendo de como o vento pegava o edifício, tinha algumas peças que acabavam ficando praticamente inertes na estrutura e outras peças tinham uma carga dobrada, porque o comportamento da estrutura passou a ser muito mais como treliças do que como pilares e vigas, como a gente é acostumado a calcular no concreto, por exemplo. Então, ao rever os cálculos, ele viu que realmente, né, o prédio ele tinha sido calculado para resistir a ventos atacando as fachadas de frente, como normalmente é feito no cálculo de edifícios.
Eu não sei como é que é hoje, né, mas na época ele coloca lá que era a maneira que ele se preocupou em fazer, como todo projeto. Só que os pilares, lembre-se, os pilares lá de baixo não ficavam nas fachadas e toda a carga da estrutura tinha que ser transferida para o meio dessas fachadas para descer também em relação, em direção aos grandes pilares de baixo. Então o comportamento da estrutura era muito diferente. E aí sim, testando o vento de quina, que para outros edifícios com a estrutura convencional não seria um problema, a maior incidência de carga seria com o vento pegando direto, chapado na fachada, para concepção do edifício que ele fez, o vento na diagonal era mais ele representava mais carga em elementos e ligações da estrutura do que se o vento pegasse direto na fachada, certo?
Porque a partir da quina, aqueles chevrons levavam a carga até os pontos de ligação com a estrutura vertical. E aí então as cargas recebiam uma incidência direta se o vento pegasse na quina. Bom, então ele recalculou a estrutura com essa condição e levando em consideração as ligações aparafusadas e chegou à conclusão que um vento de tempo de recorrência de 55 anos era o limite para estrutura dentro daquela concepção. Então, muito abaixo do que ele tinha calculado anteriormente.
Mas, e tem sempre um mas, não é mesmo? Vocês lembram daquele sistema de amortecimento que ficava na cobertura para contrabalancear o efeito do vento? Pois bem, pensa o seguinte: no caso de ventos muito intensos ou de um furacão, por exemplo, que pode acontecer em Nova York, como já aconteceu, você pode ter frequentemente que outra ação acontecendo. Você pode ter falta de energia, certo? Se as linhas de alimentação, as linhas de transmissão, os postes, etc., tiverem algum impacto ali com vento, com árvores, etc., e deixarem a região sem energia, o que não é difícil de acontecer no meio de um furacão, o sistema para de funcionar, o sistema de contrapeso.
E aí ele fica inerte no edifício, não ajuda em nada, fica só com a carga lá no topo. E então, recalculando a estrutura sem o sistema de contrapeso funcionando para atenuar o efeito do vento, esse tempo de recorrência do vento necessário para romper ligações críticas na estrutura, que era de 55 anos, caía para 16 anos de tempo de recorrência. Então imagine você dimensionando uma estrutura em que você tem ali uma garantia de resistir a um tempo de recorrência de 16 anos.
Isso é muito pouco, gente. Não quer dizer aqui exatamente que a cada 16 anos você vai ter um vento daquela intensidade. Ele pode acontecer amanhã. Certo, é que numa, num levantamento histórico, num prazo mais longo, você não espera que ele aconteça mais vezes do que o equivalente a uma vez a cada 16, mas ele pode acontecer em 2 anos seguidos, certo? E aí estatisticamente você espera que ele passe mais 30 anos sem ocorrer para ficar nessa média, tá certo?
Então nesse momento, alerta para todos os lados, emergência, vidas ameaçadas, e tudo isso menos de 1 ano após a entrega de um edifício edifício que já tinha virado notícia no país inteiro, nas revistas especializadas, pela estrutura diferente que tinha sido concebida, pelo sistema de contrapeso. Então, naquele momento, o prédio era uma grande novidade no mercado de edifícios, e menos de um ano depois descobre-se que ele está em risco.
Com certeza, nem eu nem você aqui, a gente queria estar na pele do William Leme Jurier. Não é verdade? Imagine você passando por isso, onde a sua criação mais nova e mais icônica até aquele momento de repente se torna um grande risco para sua carreira e para milhares e milhares de pessoas, literalmente. O que eles fizeram então foi mergulhar em cima da solução. Se é um problema de engenharia, isso tem uma solução, ou deveria ter uma solução.
Foi definido que o edifício teria que ser reforçado. Com as ligações mais críticas recebendo ali placas, novas chapas de aço de 50mm de espessura por 1,80m de comprimento. Lembra que essa estrutura é massiva para você suportar um projeto de mais de 50 pavimentos que tá lá pendurado numa mesa praticamente acima de mais de 30 metros a partir da rua, e com os pilares não estando na quina dos andares. Então tudo isso precisava de elementos estruturais metálicos bastante robustos, e o reforço não seria diferente.
Então eram duas chapas, cada uma de cerca de 1,80m de comprimento e 50mm de espessura, soldadas uma de cada lado de cada grande ligação para garantir estabilidade daquelas juntas. Aquilo tudo que tinha sido substituído de uma ligação soldada para uma ligação aparafusada, ela precisaria ser soldada por cima para poder ser reforçada. Eles até chamaram de Band-Aids, de curativos na estrutura na época. Se a gente olhar, depende o olhar que a gente coloca, não é verdade?
Porque assim, a gente pode chamar de remendo também, não é uma gambiarra, porque foi calculado, tá? Vamos pegar leve com o coitado William lá. E nesse caso, olha só, uma divergência da época de projeto acabou se transformando num grande golpe de sorte no momento do reforço. O William, calculista, o Leme Jurier, ele queria que essa famosa estrutura em chevrons, né, essa estrutura em V, que cada V pegava 8 andares e trazia as cargas dos andares para a parte central da fachada para poder conectar depois com os pilares inferiores, ele queria que isso ficasse para o lado de fora da fachada de vidro para que esse exoesqueleto aparecesse para o lado de fora, porque era uma solução estrutural incomum e traria um elemento a mais ali para o edifício.
Só que o arquiteto, o Hugh Stubbs, ele foi contra. Ele não queria que essa estrutura ficasse por fora porque ele considerava que já tinha muita informação naquele design peculiar da estrutura, porque você tinha a questão dos 4 pilares embaixo muito altos e no meio da fachada, de cada uma das fachadas. Você tinha a igreja do lado e o prédio ficando por cima de uma parte da igreja. O topo do prédio era em diagonal, não era reto, porque eles tinham até uma ideia de abrir vista para uma das áreas de Manhattan a partir lá de cima.
Só que isso depois foi vedado. Eles queriam abrir terraços, sacadas lá em cima, e aí fizeram na diagonal para que os andares tivessem um aproveitamento dessas sacadas. E isso foi negado depois pela prefeitura na época de projeto. Então ficou ali uma cunha fechada lá no topo. Então a estrutura já era peculiar, já ia chamar muita atenção, e o arquiteto achou que seria muita informação colocar a estrutura também principal para o lado de fora da fachada de vidro.
Então ele posicionou para dentro da fachada, né, a fachada por fora da estrutura, e a estrutura por dentro ficaria protegida ou isolada por chapas de drywall e por marcenaria. Porque até o próprio Leme Juriê citou depois que algumas pessoas amavam aquela estrutura aparente por dentro do edifício e outras odiavam, porque achavam que ficava feio, né? Você está num prédio de escritórios, no andar de escritório em Manhattan, no local chique, você não espera muitas vezes ver elementos estruturais aparecendo.
Então foi adotada uma solução de fazer um fechamento ali, um acabamento para esconder essa estrutura. Isso não só tornou possível o reforço ser executado por dentro do prédio— imagine você fazendo esse trabalho todo pelo lado de fora, porque eles não queriam alardear, eles não queriam contar para ninguém que um reforço era necessário, para não criar pânico. Então você tinha agora a oportunidade de fazer tudo por dentro, que era muito mais fácil.
E isso então não criou alarde e fez com que todo esse reforço acontecesse de fato em sigilo. Sem alertar não só os ocupantes do edifício, mas também não alertar a vizinhança. E eles começaram então esse trabalho sigiloso de reforço, escondido dos ocupantes do edifício e da comunidade do entorno. Todas as noites a equipe entrava discretamente ali. A partir das 8 da noite eles começavam os trabalhos de reforço. Então, a partir do final do dia, os acabamentos eram retirados.
Eles tinham ali marceneiros, equipes de drywall, que retiravam os acabamentos, soldadores entravam e faziam os reforços junta a junta, do jeito que tinha sido projetado, limpavam a área, recolocavam os acabamentos. E quando as pessoas chegavam para trabalhar no dia seguinte, tava tudo certo, não percebiam que um trabalho estava sendo feito para salvar o edifício toda noite. Então, para que todo o projeto, todo o edifício fosse de fato reforçado naquelas juntas que teriam problema, era necessário então reforçar 200 pontos, eram 200 reforços soldados no total.
E o trabalho tinha começado bem, tinha essa questão de ter um fácil acesso pelo lado de dentro do edifício, a possibilidade de trabalhar sem criar alarde. A empresa que estava executando os reforços tinha participado da obra do World Trade Center, então tinha expertise em grandes edifícios com grandes estruturas metálicas. E também tinha sido providenciado um conjunto de geradores para alimentar o sistema de contrapeso no caso da combinação de ventos fortes e falta de energia.
Então lembra que a falta de energia no sistema de contrapeso derrubava o tempo de recorrência do vento necessário para afetar a estrutura de 55 para 16 anos. Então, se eles garantissem que os geradores dariam conta de manter o sistema de contrapesos funcionando, eles aumentavam muito a resistência ao vento do edifício durante a época dos reforços. Então, assim, eles poderiam ficar mais tranquilos. E o Leme Jurier também tinha estabelecido ali um plano de intervenções para priorizar as ligações que eram mais sensíveis, as mais importantes quais que podem romper primeiro, quais são aquelas que podem causar o maior efeito em cadeia.
Inclusive, ele tinha verificado que na região do 30º pavimento era a região mais sensível onde as coisas podiam acontecer, aonde as cargas de vento podiam se concentrar mais e podiam afetar a estrutura. Então eles começaram pelas ligações que eram mais críticas para segurança do edifício, não que era necessariamente mais fácil para acessar. Mas, e sempre tem um mas, não é mesmo? Eles começaram esses reforços em agosto de 78. Que que é agosto de 78?
Você tá no meio da temporada de furacões nos Estados Unidos. E no dia 31 de agosto, uma grande tempestade se formou no Atlântico e atingiu o status de furacão, o furacão Ella, cuja trajetória podia atingir Manhattan e muito antes dos reforços estarem concluídos. O que era uma preocupação antes abstrata de, ah, isso pode acontecer, é um tempo de recorrência de 16 anos ou 55 anos com os amortecedores funcionando, agora é uma ameaça real e que não espera.
O furacão poderia se dirigir a Manhattan. Então, o que era abstrato agora era uma ameaça real e que não ia demorar muito tempo para atingir o edifício se realmente o furacão se deslocasse para Manhattan. Eles montaram um grande plano de evacuação, um grande plano de emergência. Um grupo se reuniu no dia 1º de setembro, então logo no dia seguinte daquela tempestade ter virado furacão e estar subindo o Atlântico em direção a Nova York.
Então eles passaram a criar esse plano de emergência, ter toda uma mobilização, e a situação era monitorada de hora em hora. E de novo, você já se imaginou nessa situação? Você descobrindo que o seu prédio, a sua obra-prima, tem risco não só para os ocupantes como para toda vizinhança no entorno, é tomada a decisão de fazer um reforço super importante, um trabalho sigiloso, e aí me aparece um furacão antes de você conseguir resolver o problema.
Outro ponto interessante é que esse furacão, Furacão Ella, ganhou o status de furacão, como eu falei, no dia 31 de agosto. No dia 1º de setembro, quando o comitê de crise ali se reuniu, se formou, inclusive trouxeram pessoas da Cruz Vermelha, etc. O furacão tinha atingido velocidades de 201 km/h na costa da Carolina do Norte enquanto ele seguia para o norte dos Estados Unidos. Nova York tá para cima da Carolina do Norte. Nos dias seguintes ele deu uma desacelerada, e o que é incomum, depois os ventos voltaram a se intensificar.
Então muitas vezes um furacão, quando ele começa a perder intensidade, dali para frente é muito rápido para que ele baixa o grau de criticidade, ele volte a ser uma tempestade e depois dissipe. Mas no dia 4 de setembro ele acelerou de novo e os ventos chegaram a 230 km/h. Isso tudo ainda sobre o Atlântico, mas ele já tava começando a pegar uma trajetória sentido nordeste para se afastar da costa dos Estados Unidos. Então aquela situação crítica ali do dia 31 de agosto, 1º de setembro, com acompanhamento de hora em hora Tava, apesar dos ventos estarem se intensificando depois ali dia 3, dia 4 de setembro, mas ele começou a tomar uma direção oposta à direção de Nova York.
E aí parecia que a sorte estava de novo com eles. Imagine mais uma vez você passando por toda essa tensão de ter que correr com um reforço sem alertar, sem alarmar a vizinhança, sem alarmar os ocupantes do prédio, ainda ter um furacão vindo na sua direção. Bom, os reforços terminaram em outubro de 78 e o prédio estava salvo, assim como cerca das 200 mil pessoas que poderiam ser afetadas no entorno, como tinha sido levantado por estimativas da época.
E tudo isso só veio à tona na imprensa 17 anos depois, em uma reportagem da revista New Yorker. Até lá, o negócio tinha ficado na surdina, no sigilo. E então agora a questão estava resolvida. Em resumo, com esse case nós temos o seguinte: uma estudante inexperiente que descobre uma falha gravíssima e vai confrontar um experiente engenheiro estrutural. Ele já era conhecido na época, já tinha ali uma sequência de grandes edifícios executados.
Então ela foi confrontar o experiente engenheiro responsável por uma obra-prima que tinha se tornado um ícone, tinha acabado de ser inaugurado. Ele então assume a responsabilidade, executa os reforços de forma sigilosa, lidando com furacões para salvar uma parte importante de Manhattan próxima ao Central Park. É ou não é um roteiro de filme ou de uma boa série? Olha só quanta coisa aconteceu. Bom, bacana. A história não é exatamente essa.
Poxa, mas agora então Essa versão é que você encontra em vários relatos, em vários sites, inclusive em vídeos. E foi como eu já falei aqui, eu cheguei nesse case e falei, não, pera aí, eu preciso contar essa história. Muitos detalhes que eu comentei aqui, a maioria deles são muito fiéis aos acontecimentos. Então fique tranquilo que o caso todo aconteceu, desdobramento ele foi praticamente esse. Só que tem algumas nuances importantes a serem esclarecidas.
E os detalhes dessa história, as conclusões, as lições aprendidas, eu vou trazer aqui no episódio 231, no próximo episódio do Capital Projects Podcast. Assim como também eu vou falar em detalhes a forma com que o William Leme Juriê lidou com esse problema a partir da descoberta, relatado por ele próprio, e que inclusive virou estudo de caso sobre questões éticas da nossa profissão em relação à comunicação do problema, em relação à postura, em relação à comunicação para comunidade.
Isso tudo a gente vai abordar, porque é muita coisa, e um episódio aqui não seria o suficiente para a gente abordar todos os temas. Eu quero saber de você, você já conhecia essa história? Já ouviu versões diferentes dela? Lembre que no YouTube, no Spotify ou no LinkedIn a gente tem espaço para comentários. Eu quero muito saber as suas impressões. Como é que se sentiria na pele do William a descobrir que o ícone que ele acabou de inaugurar tem um problema muito grave e que quando você resolve tomar a frente para fazer o reforço, você tem um furacão vindo na sua direção e tudo aquilo parecia desmoronar.
Como é que você lidaria com a situação? Você já passou por algum caso parecido, no, vamos dizer assim, no conceito, não nessa intensidade de colocar em risco 200 mil vidas em Nova York, mas em que momento de repente uma questão foi questionada de, poxa, a gente precisa aqui atuar de alguma forma para prevenir um problema maior futuro. Enquanto a gente aguarda então aqui o nosso próximo episódio com mais detalhes desse case incrível, eu quero fazer um convite para você.
Eu acabei de lançar o Programa Rápido de Gestão do Escopo no FEL, no qual você vai aprender a utilizar a metodologia FEL aplicada ao escopo dos seus projetos no desenvolvimento e detalhamento do escopo antes da aprovação para execução. E por que destinar então um produto especificamente para o escopo? É porque em pesquisas realizadas com alunos lá do GPI FEL, mais de 80% deles já responderam que lidar com o escopo do projeto é o maior desafio que eles enfrentam no seu dia a dia.
Então esse programa, ele tem aulas gravadas com passo a passo para você identificar corretamente requisitos, transformar aquilo num escopo e entender quais são os pontos comuns de falhas e dicas importantes para que você construa de fato um escopo robusto e validado nos seus projetos. Além disso, você vai ter acesso a uma ferramenta extraordinária, que é uma planilha de verificação da maturidade do escopo do projeto, que tem mais de 500 itens de verificação, 500 itens de verificação para você avaliar se o teu escopo está de fato robusto e se ele está refletido corretamente nas estimativas.
Então imagine você ter essa ferramenta para usar no dia a dia. Se os seus projetos são de pequeno porte, é claro que você não vai precisar de 500 itens, só se o teu projeto for muito grande. Mas rapidamente você vai identificar ali o que que é aplicável para sua realidade. Você pode customizar inclusive essa planilha, e você também vai ter acesso a um template de uma declaração de escopo real que você pode depois usar no seu dia a dia, um template editável de uma declaração de escopo para você poder usar nos seus projetos.
O link para você ter acesso ao programa rápido de gestão de escopo tá aqui na descrição dos episódios, tá certo? Bom, antes da gente fechar, eu quero agradecer muito aos membros do Capital Projects Podcast que contribuem todos os meses para manter o nosso programa no ar. Muito obrigado! A gente já passou aí de 5 anos e meio, como eu falei, e isso tudo graças a essa comunidade maravilhosa que valoriza esse conteúdo. E que também contribui lá através do Catarse.
Nós temos planos a partir de R$5 por mês, você ajuda a manter o programa no ar. Então, se esse programa traz valor para você, traz insights interessantes, já te ajudou em algum ponto, te trouxe alguma referência, considere apoiar o nosso canal, porque isso é muito importante para manter o canal no ar. E eu vou deixar aqui o convite para vocês acompanharem no próximo episódio os desdobramentos dessa história e alguns fatos que vieram à tona depois e que eu só vou contar no próximo episódio do Capital Projects Podcast.
Como eu falei, é porque são muitos detalhes, a gente não quer perder nenhum detalhe dessa história incrível. Então isso merece mais um episódio. Eu espero vocês no próximo episódio aqui no 231 do Capital Projects Podcast, tá joia? A gente se encontra lá, vamos juntos!