Episódios de Glória Tupinambás - A Casa Nômade na CBN

Artes de brasileiros pelo mundo

07 de maio de 20269min
0:00 / 9:12
Glória Tupinambás aproveita a viagem ao Norte da Espanha para falar sobre artes de brasileiros no exterior. Glória encontrou um centro cultural projetado por Niemeyer na cidade de Avilés, na província de Astúrias na Espanha.
Participantes neste episódio2
S

Shirley

Host
G

Glória Tupinambás

ConvidadoRepórter
Assuntos4
  • Centro Cultural Niemeyer em AvilésOscar Niemeyer · Arquitetura modernista · Avilés, Espanha · Transformação de área industrial
  • Obras de brasileiros na EuropaOscar Niemeyer · Sede da ONU em Nova Iorque · Prédio em Le Havre, França · Edifício Interbal em Berlim · Mesquita de Argel
  • Arte brasileira em museus e ruasTarsila do Amaral · Abaporu · Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires · Vic Muniz · Cobra (grafiteiro)
  • Exposições de Sebastião Salgado em ParisSebastião Salgado · Fotografia documental · Migrações e trabalho · Prefeitura de Paris
Transcrição23 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

A Casa Nômade na CBN, com Glória Tupinambás. Oi, Glória, bom dia. Bom dia, Shirley, bom dia, ouvinte CBN. Vamos falar hoje de trabalhos de artistas brasileiros pelo mundo. Isso porque você está na Espanha só para contar um dos pontos. E você encontrou obra por aí. Qual foi? Conta para a gente.

Olha, Xiria, foi uma grata surpresa. Passeando aqui pelo norte da Espanha, eu me deparei com um conjunto artístico aqui, construído por ninguém menos que Oscar Niemeyer. É isso mesmo, o gênio da arquitetura modernista, né? Que nos presenteou com Brasília, com o conjunto da Pampulha aí, que deixa a gente cheio de orgulho sempre. A igrejinha da Pampulha com aquelas curvas icônicas e todo o conjunto arquitetônico da Pampulha.

Niemeyer também deu ao mundo obras como essa que eu acabei de visitar aqui nas Astúrias. É o centro cultural da cidade de Avilés. Para quem está acostumado com o nome das cidades do interior da Espanha, às vezes vai ficar pensando que é Ávila, que é bem pertinho de Madri, é uma cidade super turística. Mas não, nós estamos falando de Avilés, uma cidade minúscula aqui, minúscula assim, 78 mil habitantes, mas não é nenhuma super metrópole, né, Shirley?

fica a 30 quilômetros da capital das Astúrias, que é Oviedo. Então, uma região pouquíssimo turística e que tem esse destaque. Quando a gente está passando na estrada, entrando na cidade, a gente já se depara com o conjunto, com aquelas características, a identidade de Niemeyer mesmo. Nós estamos falando de prédios com linhas brancas, formas curvas, uma presença quase futurista. E é uma curiosidade que é a única obra assinada por Niemeyer.

em toda a Espanha e uma das poucas na Europa. A gente fica cheio de orgulho, não fica não, Chile? Demais. E eu estou vendo as imagens aqui pela internet, quando eu fui buscar, tem um quesinho, enfim, né? Ali o dedinho de Brasília, que tem a marca registrada de Nehemiah, também da nossa cidade administrativa, um pouquinho, pelo menos uma referência.

Tem, sim. Tem os prédios curvos, aquela abóboda bem característica de Niemeyer. Tem os vãos livres, enormes, sem nenhuma pilastra, nenhuma viga. E esse, em especial, tem um prédio com um espiral envolvendo, que é muito bonito, é muito legal. A gente tem que pensar que isso aqui veio, Niemeyer presenteou a cidade. Ele ganhou o prêmio do rei de Espanha, por sua notoriedade, como um gênio da arquitetura modernista mundial.

E ele presenteou a Espanha com esse projeto. É um projeto que foi instalado, Chile, em uma área que era uma área fortíssima industrial. E aí, Niemeyer, essa área já estava em decadência. E uma planta industrial, a cidade portuária e uma planta industrial muito importante no passado, mas que já estava em certa decadência. E a ideia de Niemeyer era transformar esse antigo território industrial de produção.

um piso de fábrica mesmo antigo, em um lugar de encontro com a arte e com o lazer. Super bonito aqui, a Pedra Fundamental foi lançada em 2008 e foi inaugurada na primavera de 2011. Na verdade, a inauguração completa é 2011.

Mas a primeira inauguração dessa cúpula, desse prédio redondo que é a cara de Niemeyer, foi inaugurado no dia 15 de dezembro de 2010, que coincidiu com o aniversário de 103 anos de Niemeyer. Então Niemeyer pôde ver um pouquinho aí da grandeza da obra dele, ganhando aí essa proporção na Europa.

E super bonito, Chile. E hoje, esse centro cultural abriga espaços para exposição de fotografia, para música, para o cinema, para o teatro, para a dança, atividades culturais, riquíssimo espaço. E, além disso, tem visitas guiadas. É uma ótima forma da gente...

compreender um pouquinho da lógica da construção dos prédios, a relação com a cidade, porque a cidade tem, como eu falei, essa tradição marítima, tem essa questão de ser uma área industrial e ela hoje casa com esse conjunto artístico que dá espaço para a arte e para a cultura se desenvolverem.

Então, super bonito, vale muito a pena fazer a visita guiada, que aí paga 5 euros para fazer essa visita, mas fora isso, a visita esplanada ali do centro arquitetônico é todo gratuito. Chile, é super bonito, viu? E deve ser surpreendente viajar tantos quilômetros, ir para uma outra cidade, às vezes fugir dos grandes centros urbanos e se deparar com uma obra, com algo que é tão nosso assim, brasileiro. E você já encontrou essa situação em outros países, não foi, Glória?

Já sim, Shirley, mas como você falou, aqui foi muito especial porque é a cidade completamente fora do roteiro turístico. Por exemplo, quando eu estava em Nova Iorque, a gente fica ali embasbacado, todo cheio de orgulho mesmo, quando a gente vê nada menos que a sede da ONU em Nova Iorque, inaugurada em 1952.

é um dos trabalhos mais famosos de Niemeyer fora do Brasil. Niemeyer tem várias marcas pelo mundo, a gente falou aí, aqui em Avilés tem a sede da ONU em Nova Iorque, mas na França tem o prédio lá no Le Havre, tem em Berlim o edifício do Interbal, tem a mesquita de Argel na Argélia, o antigo Cassino da Madeira em Portugal, tem a Universidade de Haifa em Israel, então tem várias obras de Niemeyer pelo mundo.

Muito legal poder ver isso numa cidadezinha tão pequena. Mas esse orgulho nosso não se restringe só a Niemeyer, né? Eu já tive o privilégio, Shirley, de me deparar com artistas do peso, por exemplo, de Sebastião Salgado, de poder visitar uma exposição dele em Paris, um fotógrafo super renomado que transformou um mineiro, a gente fica super orgulhoso disso.

e que transformou essa arte da fotografia numa arte documental e já expôs problemas de todo mundo, da questão das migrações, do trabalho, de vários temas super delicados. Sebastião Salgado emprestou o seu olhar e é muito bonito a gente poder ver isso. Por exemplo, ele morava em Paris e a gente poder ver isso. Eu tive o privilégio de ver essa exposição em Paris.

E a novidade é que agora, tem uma exposição em cartaz agora, no prédio da Prefeitura de Paris, que é um ícone, tem uma grande exposição que faz uma retrospectiva da vida dele. Essa exposição fica em cartaz até o dia 30 de maio. Então, quem estiver aí visitando Paris, não deixa de fora.

E a gente fica cheio de orgulho, não é à toa, né, Chile? O celeiro de artistas brasileiros é realmente muito grande. Eu já tive o privilégio também de ver, por exemplo, Tarsila do Amaral, uma das maiores pintoras e desenhistas que tem o ícone do modernismo com o seu quadro, o Abapuru.

No museu lá de Buenos Aires, na Argentina, esse quadro é, para você ter ideia, a gente está falando da tela brasileira mais valorizada do mercado mundial das artes. Hoje ele tem um valor estimado de 40 milhões de dólares.

Ele foi comprado por um colecionador argentino, hoje faz parte do acervo do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires. E uma coisa que me encanta muito, Shirley, é quando a gente se depara com a arte brasileira fora dos museus, quando ela está nas ruas. Isso acontece, por exemplo, em Nova York, que a gente tem aí instalações do Vic Muniz numa estação de metrô super nova de Nova York, na 2ª Avenida.

Tem aí o Perfect Stranger, super bonito, mais de 30 personagens desenhados ali com aqueles mosaicos de azulejo do Vicky Muniz. A gente tem o Cobra, né, colorindo aí com seus painéis de grafite Nova York, Amsterdã. Foi super emocionante pra mim ver o painel do Cobra em Amsterdã. É um painel que faz aí uma referência a Anne Frank, né, uma das maiores vítimas do nazismo, que tem o famoso diário de Anne Frank, esse livro super bonito.

E a gente sai ali andando de Amsterdã meio atordoado, depois de visitar a casa de Anne Frank, e dá de cara com um museu, um painel de grafite do Cobre, com a frase, né? Deixa eu ser eu mesma. Let me be myself. É muito bonito ver essa arte brasileira em todos os cantos, né, Chile? Demais. E que oportunidade, né? Conseguir conferir de pertinho tudo isso. Glória, obrigada pela coluna. Um grande beijo para você. E a gente volta a se falar quinta-feira que vem.

Até quinta que vem, Shirley. Um beijão.