A influência das mulheres na eleição de 2026
Caio Junqueira
Cila Schulman
Luciana Veiga
Renato Meirelles
- Violência política nas democraciasMedo masculino de perder espaço de poder · Violência política de gênero · Dificuldade de permanência da mulher na política · PL Mulher e sua extinção · Michele Bolsonaro
- Voto FemininoEvitar política agressiva e discurso de ódio · Foco em resultados concretos · Pragmatismo no voto feminino · Importância dos serviços públicos para mulheres
- Participação política das mulheresAutonomia de voto feminino · Inserção da mulher no mercado de trabalho · Rejeição ao discurso de ódio e ataque · Voto embasado na realidade
- Voto Feminino no BrasilVoto feminino em Jair Bolsonaro em 2018 · Impacto da pandemia e vacinação infantil · Voto antibolsonarista · Lava Jato e questão moral
- Eleições PresidenciaisEleitorado indeciso e feminino · Desempenho do governo e economia · Candidatos com alta rejeição · Possibilidade de primeiro turno
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Olá, boa noite, bem-vindos ao WW Edição Especial. Hoje vamos debater aqui a influência da mulher e do voto feminino nas eleições presidenciais de 2026. Eu sou Caio Junqueira e com muita honra apresento aqui os debatedores, os convidados para este programa. Começando, deixa eu pegar a minha cola aqui, com a Luciana Veiga, que está remota. Lá do Rio de Janeiro. A Luciana é cientista política e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e da Fundação Getúlio Vargas. Muito bem-vinda, Luciana.
Obrigada, prazer estar aqui, Caio.
Prazer é todo nosso. A Sila Schumann, CEO do Instituto de Pesquisa Ideia. Bem-vinda, Sila, novamente conosco.
Obrigada, é um prazer estar com você, Caio, Renato, Luciana.
Prazer é todo nosso. E o Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. Reserva. Renato, bem-vindo.
Privilégio estar com vocês três.
Vamos lá, longo debate aqui. Luciana, vou começar com você. Brasil tem 8 milhões a mais de mulheres eleitoras, né, um eleitorado dominante, né, no gênero aqui no Brasil. E eu queria pegar em termos macro a sua percepção, se você acha que a mulher brasileira que vai decidir a eleição presidencial neste ano.
É, a mulher ela vai com certeza ajudar a decidir, né, a eleição esse ano, porque particularmente porque a gente começa a perceber, né, Caio, que há uma diferença de voto entre os homens e as mulheres. Essa diferença de voto nem sempre aconteceu na história do país, ela é mais marcada Depois de 18, a partir de 18, a gente começa a ter o que a gente chama do gap de gênero mais moderno, né? Antes nós tínhamos um gap de gênero mais tradicional.
O que quer dizer o gap de gênero? É que a gente, o gap de gênero tradicional mostrava que as mulheres eram um pouco mais conservadoras do que os homens, né? E a partir de agora, desde 18, tem uma virada e nessa virada se percebe que as mulheres acabam sendo um pouco mais progressistas do que os homens. Então tem um jeito diferente de ver e tem um jeito diferente de processar. Não é um corpo único as mulheres. As mulheres têm uma vertente mais conservadora, uma vertente mais progressista.
Elas formam até uma média de maneira geral, os homens estão caminhando um pouco mais para uma perspectiva mais conservadora. Mas sim, sim, é um discurso moderado, por exemplo, é importante para conseguir alcançar o voto das mulheres.
É interessante, né? Tem algumas camadas ali do que a Luciana coloca, mas eu vou pegar por uma, principalmente a última, né? Ela sugere ali para um candidato, uma candidatura, um discurso de moderação eleição, talvez, né? Temos 86 milhões de mulheres adultas, né, capazes, aptas a votar. Tem uma receita para conquistar, né? Como que um candidato— claro que não atrair todas as 86 milhões, mas pelo menos não perder, né? Você vê, você enxerga nas pesquisas que você faz, tem um— teria um direcionamento, uma receita básica para um candidato que quiser pelo menos ter a maioria desse universo?
Olha, eu diria que o Renato Meirelles e a gente procura essa receita juntos, inclusive a gente tem uma iniciativa que chama WLAB só para estudar mulheres, justamente pelo que a Luciana falou, que as mulheres passaram a votar diferente dos homens e a gente se debruça nisso há anos. São dois institutos, o que é bastante feminino, né? Porque a gente tem um consenso ali de descobrir isso. Mas o que que As mulheres, tem um pouco essa lógica de que as mulheres são mais de esquerda, eu vejo um pouco diferente.
Eu considero que as mulheres elas não estão nos extremos. Quando eu olho, por exemplo, a última pesquisa Meio e Ideia, que foi publicada essa semana, a gente vê ali mais mulheres, 32% das mulheres dizendo que ou não têm posição política ou já tiveram e não têm mais, contra 25% dos homens. Eu vejo uma diferença maior entre homens mais de direita do que mulheres. Uma hipótese disso é que as mulheres são quem usam mais os serviços públicos.
Então, as mulheres que levam as crianças na escola, portanto, usam a educação, levam crianças e idosos no posto de saúde, são totalmente dependentes da segurança pública. Quando a gente faz, né, Renato, grupo de pesquisa qualitativa, a gente ouve as mulheres dizendo, eu pego o ônibus, eu não sei se eu vou chegar no meu trabalho. Então, tem essa insegurança e, portanto, elas ficam esperando ali propostas concretas, tanto é que elas demoram também mais a decidir o voto.
Então, se eu pudesse dizer uma receita, é que as mulheres não gostam de uma política agressiva, elas repelem essa agressividade e elas estão em busca de resultados concretos da política. Então, se pudesse resumir uma receita, seria essa.
O que as mulheres brasileiras querem de um político?
Em primeiro lugar, poder voltar a almoçar domingo tranquilamente na família. E aí eu vou um pouco na linha do que a Cíla está falando. Que a gente estudou lá nessa nossa empreitada pelo entendimento das mulheres no WLAB. Vamos lembrar o que foi o Lula. Comecinho do Lula, campanha de 89, completamente voto masculino. Durante todo o início da primeira, da segunda candidatura do Lula, ele majoritariamente tinha um voto um voto mais masculino.
E o que ele não tinha, o Lulinha Paz e Amor? Ele não tinha a tranquilidade, ele tinha uma postura de campanha muito mais agressiva.
Bruto, né?
Bruto. E que tirava parcela do voto das mulheres. O Lula começa a ter mais voto das mulheres com o Lulinha Paz e Amor, mas ainda não ganhava. E aí quando vem um pouco mais pra frente, começa a entregar serviços públicos, o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida no nome da mulher, começa a ter uma, a levar para política uma lógica da participação dos serviços públicos. E efetivamente é a mulher, como a Cila disse, eu super concordo, que leva, que utiliza os serviços públicos, que leva inclusive o marido para ir no posto de saúde, o filho para vacinar, você quase não encontra pai.
Que leva o filho para vacinar. Então tem um, eu diria que tem um pragmatismo aí no voto, em que hoje essa mulher, hoje na eleição passada em 2018 com Haddad, como a Luciana dividiu com a gente, mas de enxergar mais claramente que vantagem Maria leva em votar num lado ou votar no outro lado.
Agora, Luciana, você também se dedicou e dedica sua atividade profissional a estudar essa evolução do voto feminino no Brasil, principalmente nesse século. E você mencionou na sua primeira resposta o gap de gênero e acho que associa-se a isso o que a Cila e o que o Renato colocam dessa evolução e dessa mudança. Eu queria que você transmitisse um pouco o que você captou nos seus estudos, nas eleições presidenciais deste século, dessa evolução e dessa mudança da percepção feminina em relação aos políticos brasileiros, aos candidatos a presidente principalmente.
É, eu acho que conversa muito com que tanto a Priscila, né, quanto o Renato estavam dizendo, porque, por exemplo, quando a gente estuda, né, a gente percebe, a gente foca no que se refere à participação, quanto que houve uma evolução de maior ou menor participação da mulher na política, né. Então, no que se refere à presença eleitoral a gente não tem uma mudança significativa ao longo dos anos, tá? Então não tem uma mudança tão significativa.
No que se refere à questão ideológica, a gente percebe que ela tem esse processo, né? E aí uma coisa, ela sai da— ela era porque na verdade esse voto do gap de gênero tradicional era um pouco a ideia que se defende até hoje, alguns conservadores têm defendido isso nos Estados Unidos, do voto da família. Então ela não tinha tanta autonomia de voto porque era um voto que era um pouco guiado pela família, pelo marido. E aos poucos a mulher vai ganhando uma certa autonomia.
É, e aos poucos ela vai ganhando uma certa autonomia com a inserção no mercado de trabalho. Ela começa a ter mais autonomia para escolher de maneira geral e também em relação ao voto. E aí que ela sai da direita e vai caminhando dentro dessa perspectiva, mais caminhando para o que a gente chama do gap de gênero moderno. Então, no que se refere a isso, na ideologia você percebe um pouco essa tramitação. No que tanto a Sila e o Renato falaram, uma coisa que é muito interessante é a mudança, é o comportamento em relação ao voto, a escolha do voto propriamente dito, tá?
A gente tem alguns estudos internacionais, e a gente percebeu isso no Brasil também, que mostram o seguinte: as mulheres, mesmo as mulheres conservadoras, elas não gostam desse discurso do ódio e do discurso do inimigo, do adversário e do ataque, tá? Então isso faz com que elas tenham um comportamento de evitar o que a Sila falou, de evitar o extremo, né? Porque ela não gosta da agressão. Ela pode até compartilhar de alguns valores, mas ela não gosta da agressão.
Então, quando você tem para um extremo uma candidatura que tem um tom mais agressivo, ela recua um pouco. E sem dúvida ela participa, ela que tá na frente para o serviço público de saúde, ela saúde, educação, mais do que os homens. Vem mudando isso também, os homens vêm participando um pouco mais, mas as mulheres ainda estão na frente. E isso faz com que elas tenham um voto mais embasado na realidade, um pouco menos ideológico. Como tanto a Cila quanto o Renato falaram.
É, agora é interessante, né, nas pesquisas, pelo menos o Datafolha mais recente, neste universo dá Lula na frente do Flávio, 52 a 37, né, ou seja, 52% das mulheres votariam no segundo turno no Lula e 37% das mulheres. E as diferenças, você colocou isso num artigo recente, entre 9 e 19 pontos. Acho que toda consequência de tudo que vocês falaram até agora aqui está desembocando numa preferência da mulher brasileira pelo Lula e não pelo Flávio Bolsonaro num segundo turno, considerando esse cenário para esse ano. Dá para dizer, Cila, que a mulher brasileira virou lulista? É isso?
Não, eu não diria isso. Mas, de fato, se a eleição fosse hoje e só votassem mulheres, o Lula estaria eleito, o que não acontece. Entre os homens, onde há disputa. É como a Luciana falou, é desde 2018 esse universo entre o voto feminino e masculino se cindiu, mas ele vem mais de trás, né? Quando a gente olha para o mundo, a gente olha ali que desde 2008, com o MeToo, com as mulheres ficando mais vocais, vindo para o Brasil, a gente tem o fenômeno da maior escolaridade hoje que é entre as mulheres, é no público todo.
Aliás, eu recomendo muito o livro do professor Jairo Nicolau, quem não leu ainda e gosta desses temas, é uma leitura obrigatória, em que ele traz todos esses dados, inclusive o dado de que as mulheres estão mais escolarizadas, o dado também de que são as mulheres que mais aparecem para votar. Então, se as mulheres são ali perto de 53%, acaba ficando um ponto a mais de não abstenção entre mulheres do que homens, fazendo com que elas sejam novamente fundamentais para a eleição.
Mas eu não diria que elas são lulistas, mas desde 2018, pelas falas misóginas do ex-presidente Jair Bolsonaro e especialmente por conta da pandemia, da administração da pandemia e especificamente não ter vacina para as crianças, ali realmente o mundo se abriu, porque Bolsonaro ganhou entre as mulheres em 2018, não é? Mas ali o mundo se abre e eu diria que é um voto muito mais antibolsonarista do que um voto lulista, apesar disso ser uma hipótese.
Queria só somar, Caio, o que a Cila está falando e colocando um outro componente na mesa, ou tirando um componente da mesa, que é o componente ideológico. Nós aqui adoramos falar esquerda, direita, não está nem aí para essa mulher. Então, a mesma mulher que fala que é contra o aborto... É contra que uma mulher que fez o aborto seja presa ou que tenha que ser obrigado a ter um filho fruto de um estupro. Por quê? Porque ela conhece alguém que fez isso, ela já fez um aborto, a vizinha dela já fez um aborto.
Você vai discutir: ah, elas não estão preocupadas com a violência, que é um dos grandes temas da campanha? Só que a violência para ela, Caio, não vai ser resolvida com porte de arma, porque ela tem medo do filho tomar uma bala perdida, que um coleguinha na escola pegue a arma do pai, ou que ela mesma seja vítima de algum tipo de violência do marido ou de um vizinho com o uso da arma de fogo. Então, o que a mulher bota do lado, acho que mais do que a questão ideológica, É a forma de se apresentar, a solução para os problemas reais que ela tem.
E essas mulheres são bem diferentes. Então você tem uma mulher que sobrevive de uma pensão do governo no interior de Pernambuco, uma outra que é empreendedora aqui no Grande ABC. São pessoas que pensam de uma forma diferente. Mesmo quando você vai olhar para uma mulher evangélica, né, se fala muito do voto evangélico, as mulheres são maioria absoluta do voto evangélico. A diferença de homens e mulheres evangélicos para homens e mulheres no total de eleitorado é maior entre o número de mulheres evangélicas, né, esse gap aumenta proporcionalmente, mas ela também é quem está acostumada a acolher um primo distante que é um egresso do sistema penitenciário.
Eu só estou dando exemplos concretos de que são muitas variáveis que interferem ali, não se trata de uma questão ideológica, não é isso?
Ela pode falar que é mais de esquerda, falar que é mais de direita, mas não entende o que é isso.
É, não, e tanto é que, se me permite, no Congresso a gente vê a nossa bancada feminina é pífia, né, e é uma vergonha na minha visão. A gente tem aí 13% de representação feminina no Congresso, quando no mundo são quase 30% e nós somos a maioria da população. Mas é nos temas que dizem respeito às mulheres, as mulheres entram muito mais em consenso, justamente porque são temas como o Renato citou. Eu gosto muito de um exemplo da Argentina, aonde o Renato falou de aborto.
Aborto é um não assunto no Brasil, né? Ninguém discute, nenhum candidato é a favor do aborto no Brasil, esse é um não tema. Mas a Argentina resolveu enfrentar esse tema e a campanha que as mulheres fizeram lá, que juntou mulheres de esquerda e de direita, foi exatamente isso que o Renato falou. Elas disseram para as meninas jovens irem perguntar em casa para suas mães e avós se alguma já tinha praticado o aborto. E muitas tinham praticado o aborto.
Aí elas diziam às meninas, mas você quer que eu passe pelo que você passou com o aborto clandestino? E assim elas foram ampliando e mulheres de esquerda e de direita se reuniram, inclusive a Cristina Kirchner, que é religiosa, que era super contra o aborto, mas que presidia aquela sessão. Acabou votando a favor. Estou falando tudo isso para corroborar com o que o Renato disse, que a gente olha no Brasil desde lá do lobby do batom.
Eu cobri a Constituinte, tinha o lobby do batom, em que mulheres de esquerda e direita se reuniram em torno desses temas. Então, acho que também são coisas para a gente olhar aí sobre...
Luciana, o que tanto a Cila quanto o Renato colocam, talvez a gente está caminhando para uma conclusão de que é menos uma questão ideológica, uma questão são mais da forma como os candidatos, os políticos encaixam o discurso e se apresentam. E ali, ao fim e ao cabo, quem que vai resolver na prática os problemas reais que essas mulheres têm? Você acha que é meio que por aí?
É, na verdade eu acho que tem o eleitorado. Sempre a gente fala de esquerda e direita, né, tem essa discussão, porque efetivamente o eleitorado ele não é coerente, né? Coerente. Você tem apenas um pequeno segmento que efetivamente é coerente de cabo a rabo quando a gente pega os valores que determinam esquerda e direita. Na verdade, as pessoas são muito incoerentes dessa perspectiva, mas não da perspectiva da vida, tá? Mas da perspectiva de você ver os valores, alinhar os valores As pessoas não seguem essa cartilha precisamente, né?
Então, ao mesmo tempo que eu tenho, por exemplo, uma mulher que é conservadora sim nos costumes, né? Por que que enfim ela— vamos pegar essa questão, talvez o eleitorado que seja mais na mira dos dois candidatos a presidente é essa mulher evangélica e de uma classe mais baixa. Por que que essa mulher evangélica de uma classe mais baixa, que ela vive um conflito, né? Ao mesmo tempo que ela tem uma perspectiva mais conservadora em relação aos costumes, e isso nasce de uma percepção, aí volta aquela história que eu falava da educação dos filhos, da socialização das crianças, desse, dessa maneira tradicional de ver a política.
Isso pode ajudar ela nesse processo de criação, mas ao mesmo tempo essa mulher é uma mulher que enfrenta todos esses Essa é uma mulher que em última instância vai fazer a compra e volta com a sacolinha para casa, que vê o custo de vida. Então ela é uma mulher que em última instância ela tá tanto atenada no desempenho dos governantes. E aí uma coisa, uma pergunta que você trouxe antes, que eu acho que é importante dizer, juntando também com uma coisa que o Renato disse, é você falava assim, então quer dizer que essa mulher, que a mulher é lulista?
E aí eu respondo trazendo isso um pouco com uma fala antes do Renato. Quando que o Lula começa a crescer? É claro que ele tem uma resistência, uma queda da resistência antes da eleição de 2002, que possibilitou ele a chegar como presidente. Mas depois, com as políticas sociais muito voltadas para as mulheres, em resposta a essas políticas, elas começam a cada vez mais aderir a ele. Então ainda tem um resquício desse processo, uma percepção de quem faz mais ainda é o presidente Lula.
Então ela fica, elas ficam meio assim entre uma agenda mais pragmática de entregas e de percepção de defesa de interesses que estão ali no seu dia a dia, e ao mesmo tempo emparelhadas com essa questão um pouco da agenda de costume. Então assim, É, não é que não tenha o problema da ideologia, o problema da ideologia tem, só que ao mesmo tempo ela fica, ela não considera só isso, né? Mas ela pontua um pouco mais, digamos assim, sobre, com bastante pé no chão, digamos assim.
Agora, há um momento em toda a linha que a gente traçou aqui, principalmente nesse século, em que Esse voto feminino lulista, ele desgarra do Lula e ele vai para o Jair Bolsonaro e depois desgarra de novo. Em que momento vocês consideram, Cila primeiro, que tem esse afastamento do voto feminino talvez ali na década de 10, na década de 10 do século 21, a gente já está falando nesse nível.
Década de 10, a gente elegeu a primeira mulher presidente do Brasil, não foi isso?
Mas em 18, o voto feminino foi para o Jair Bolsonaro.
É que 18 é uma eleição completamente diferente das outras, como 89 é uma eleição também totalmente diferente das outras, porque 18 foi a eleição da Lava Jato. Em 18 tinha uma questão moral que pairava e que era representada por Jair Bolsonaro, com Lula preso, que não se Eu não vejo paralelo em outras disputas. Então ali realmente teve um apoio muito grande a esse tema Lava Jato, acima de ideologias, de entregas ou de qualquer outra questão.
Então as mulheres superaram as falas de misoginia, teve aquele movimento grande do Ele Não, mas que eu considero bastante importante nessa trajetória em que as mulheres se uniram ali para protestar, foi um movimento grande no Brasil. No entanto, ele não se materializou na urna porque, de novo, e nas questões morais, quando a gente vai falar de evangélicos e de mulheres evangélicas, ela é central, essa questão. A Luciana falou muito da questão da família, dos princípios, de tudo isso, quando você fala de corrupção, esse é um tema muito importante nesse público.
Então, acho que isso foi acima de qualquer outra questão. Remessa Online em 2018.
Renato, antes da gente ir para o primeiro jogo.
Eu acho que o Lula estava preso e o debate não foi um debate, se você for lembrar 2018, não foi o debate em que se colocou a discussão sobre programas sociais. Estou concordando com a Cila, colocando outro elemento disso. Quando o debate é corrupção e Lava Jato, você colocou o debate eleitoral no território dos costumes. Quando o debate não está no território dos costumes, o debate está numa discussão de projeto de país, e aí você tem um campo que defende mais abertamente os programas sociais, é natural que o voto feminino vá para quem defende mais os programas sociais nesse sentido.
E o Haddad não era capaz de falar isso. A campanha do Haddad estava para soltar o Lula, o tema era o tema corrupção, e não se e o Bolsonaro tava no hospital. Então não se discutiu isso durante a pandemia, né?
Pandemia também faz um divisor de águas também, né? Administração da pandemia é um divisor de águas.
Tem uma coisa só, desculpa, Caio, é que apareceu em várias quales nossas na eleição passada, que foi um sentimento de algumas mulheres olharem para o ex-presidente, ex-presidente Bolsonaro, com uma sensação de que eu não tenho mais isso em casa, não vou ter no Brasil, no sentido de um imaginário de uma agressividade, de um imaginário de um tipo de imposição, de uma falta de sensibilidade com o social, que na visão dessas mulheres, verdade ou não, mas na visão dessas mulheres dificultavam um apoio ou o voto ao Bolsonaro, que tinha acabado de sair da pandemia.
Sim, sim, perfeito. Eu preciso fazer um rápido intervalo e daqui a pouco a gente continua o nosso debate. Até já. WW Especial de volta. Nessa edição estamos debatendo a influência da mulher e do voto feminino nas eleições presidenciais de 2026. A gente passou o primeiro bloco aqui, vamos dizer, em termos mais macro, mas agora Eu vou tentar, com os meus colegas, fulanizar mais, falar mais de nomes, pessoa física, candidatos, candidatas, políticos e políticas.
A gente chegou, acho que numa conclusão, mais ou menos aqui na primeira parte do nosso debate, Luciana, de que a mulher brasileira caminhou naturalmente, por diversas variáveis, para uma aproximação mais do campo lulista, vamos dizer assim. O que eu queria te provocar é por que que, a despeito disso, a gente tem visto o surgimento em nível nacional talvez de mais lideranças, e fiquem à vontade para discordar de mim, à direita do que à esquerda.
Entre mulheres, eu coloco aqui Michele Bolsonaro, coloca senadora Tereza Cristina. Quando a gente olha para o outro lado, eu vejo talvez a Thaba Tamarau, se vocês notam esse fenômeno. E por favor, fiquem à vontade para divergir.
É, eu acho que assim, você tem um crescimento, tudo, tudo quando a gente pensa em termos de representação de mulheres no Brasil, tudo ainda é muito pequeno, né? Tudo é muito aquém do que se esperaria de um país como o Brasil e comparando com os outros países latino-americanos. Então assim, ainda é tudo muito pequeno, mas levando em consideração o que você tá apontando, eu acho que é um pouco reflexo do macro que tá acontecendo tanto entre homens quanto entre mulheres, tá?
Eu acredito que também algumas lideranças, é como se a direita, né, desde 2018, ela tivesse se organizando mais, ela tivesse ganhando mais espaço, ganhando mais visibilidade, via as redes sociais. Isso faz com que você vai aumentando também a representação no Congresso. Então eu acho que a maior representação de mulheres de direita, ela vai um pouco nessa onda de um maior crescimento e maior representação, uma maior visibilidade da direita nos últimos anos também.
Mas as lideranças de esquerda continuam crescendo, continuam surgindo, continuam estando. Agora, uma coisa que é importante quando a gente pensa em termos dessa representação, é não apenas no chegar, mas no permanecer, tá? O que a gente tem que ficar bastante atenta é o quanto que essas mulheres, tanto a da esquerda quanto a direita, vão conseguir permanecer. Elas chegaram num número grande no Senado, grande no sentido de crescimento, porque como eu disse, é tudo ainda muito pequeno, mas é É o quanto elas vão conseguir permanecer, ou enquanto— porque o que a gente tá percebendo aí nessas últimas semanas é que as mulheres começam, de direita, começam a ser vítimas de política de gênero, o que elas não conheciam muito até então, que até então era muito focado nas mulheres de esquerda, nas políticas de esquerda, e Isso tem um certo impacto eleitoral. Então eu traria um pouco essa questão para falar a verdade.
Perfeito, Luciana. Esse ponto é importantíssimo. Como é que as mulheres entram na política? Em geral é através dos seus pais, dos seus irmãos, dos seus maridos, para ocupar uma posição que interessa ao grupo. Muitas vezes esse mandato inclusive é sequestrado por esses homens. Mulher não tem autonomia para realizar o mandato dela e ela é expelida quando deixa de interessar. E a gente está vendo isso, e aqui eu vou fulanizar, no PL, né?
O PL Mulher, veja, esses puxadinhos que eu chamo, Partido X Mulher, é um puxadinho ali, elas não têm um protagonismo, nenhum apoio, nada disso, eu desconheço. Michele Bolsonaro vai para o de mulher por um arranjo familiar ali na derrota do marido, em que cada um ali foi absorvido ali pelo partido. Só que ela faz desse limão uma limonada, né? Michele Bolsonaro, que foi uma primeira-dama muito discreta, não foi vocal durante o mandato do marido, ela foi mais vocal durante a campanha porque se precisou dela para falar com mulheres evangélicas e com evangélicos, mas no momento que ela assume o cargo e que ela tem verba, ela faz um trabalho impressionante, na minha visão.
Ela traz ali mais de 70 mil filiadas, ela viaja, ela tem um resultado expressivo na eleição municipal, elegendo prefeitas, vice-prefeitas, vereadoras. E no momento em que ela bate de frente com o enteado homem, simplesmente o PL Mulher deixa de existir. Lhe é retirado o salário, lhe é ameaçado não lhe dar a legenda, para a qual ela é praticamente considerada uma barbada, né, ela ser senadora no Distrito Federal, e o PL Mulher deixa de existir.
Eu acho isso, né, essa história assim, ela é um exemplo, né, do que a União Europeia diz, que 44,5% das Muitas mulheres não vão à reeleição, porque justamente elas sofrem violência política de gênero pelos pares, elas não sofrem violência política de gênero pela população, pelo eleitor, elas sofrem violência de gênero pelos outros políticos. Até por isso que, por exemplo, um país como o México, que lá desde, eu acho que é 2012, Luciana, a Luciana deve saber, tem a paridade de gênero.
Que não é cota, é paridade, 50/50 em tudo, no Judiciário, nos conselhos, em tudo, que deságua na eleição de uma mulher, que é a Cláudia, eleita hoje, que veio não por homens, veio porque ela era uma cientista ambiental que vai ocupando espaço e que hoje ocupa essa presença num país que é muito machista, que é violento, mas é um processo que a gente não passou aqui no Brasil, né? A gente é número 133 em representação feminina no Congresso.
Então a gente está muito longe. Eu acho que essa questão que a Luciana trouxe é fundamental. Não é só o problema das mulheres entrarem na política, como é que elas permanecem.
Sim, é, a gente pega as duas, vamos pegar duas lideranças, uma de cada lado. Toda a primeira-dama Janja da Silva e também tudo que ela passa ali no governo, de regissão. A Dilma Rousseff e a Michelle também. Porque a Michelle, o que aconteceu com ela, pelo menos eu tenho essa percepção, a minha leitura, né, uma das minhas leituras sobre esse episódio, é muito mais um medo, aponta muito mais um medo da machosfera bolsonarista em relação a ela, porque ela é, ela, e tanto que o Palácio do Planalto teme que ela seja trocada, mulher bonita, evangélica, origem humilde, Periférica, comunica muito bem, né? CI, né? Ceilândia, né?
Para quem não sabe, é periferia de Brasília.
Assim, ela como um produto eleitoral, vamos dizer assim, ela tem, teria em princípio para muitos, inclusive dentro do PT, um potencial eleitoral muito maior do que o do Flávio. Mas vamos te ouvir.
Vamos lá, não, vamos falar sobre a Michele porque Para mim era uma representação clássica de dois fenômenos, um um pouco mais novo, portanto não clássico, e outro mais clássico. Vamos entender que para os homens a maior participação das mulheres significa perder espaço de poder. Então nós estamos discutindo poder, estamos discutindo se eu sou mais machista, menos machista e tal, é um espaço. Em que ele está perdendo para uma mulher.
E quando você fala de disputa de poder, nós estamos falando de algo que alguém que é seu amigo deixa de ser. Você tá discutindo a cadeira lá, são 3 pessoas para 2 cadeiras. Aí, amigo, você vai tirar quem? Com conjunto de barreiras que a mulher tem tanto na política quanto no mercado de trabalho, de que não são— ela não construiu, ela não teve oportunidade de ter o capital social que os homens têm para conseguir, por exemplo, fazer os conchavos necessários para aprovar uma lei no parlamento.
Então acho que a primeira coisa é: da onde vem essa violência de gênero que as mulheres sofrem? Vem do medo dos homens de perder espaço de poder. Eu acho que essa é a primeira coisa que tem que estar bastante claro quando se fala de mulheres na política. Mas eu queria falar sobre o ponto de vista da eleitora. A briga da família Bolsonaro, a briga da Michele com Flávio, é muito mais do que perder determinados votos, ele perdeu a chance de uma narrativa e de um cabo eleitoral que talvez fosse a única forma dele entrar nas mulheres mais pobres e reduzir essa vantagem que o Lula tem nas pesquisas.
Porque a Michele— esse programa vai ficar na internet, vocês podem me cobrar isso mais pra frente— ela tem um jeito muito novo de falar pras mulheres, de mulher falando pra mulher. Um jeito de escolher as polêmicas que entra, um jeito de ser conservadora, mas ser leve. E ela tem posturas, inclusive, algumas mais conservadoras até do que os filhos do Bolsonaro. Mas ela fala isso com leveza, ela fala isso ouvindo, ela escuta. Como regra, homem não sabe escutar mulher na política.
Como regra, o cara vai lá, ele não ouve, ele toma lá, toma um cafezinho, faz alguma pergunta genérica e vai embora. É diferente do que uma lógica que vem do culto, é diferente de uma lógica que foi a construção do PL Mulher, em que ela trazia mais pessoas para organizar outras mulheres e a partir disso discutir o que que é o Brasil, discutir como é que tava a rua, de usar as igrejas para também distribuir os programas sociais que muitas vezes são feitas por organizações do terceiro setor, por cadastramento.
Então ela foi se fortalecendo como uma mulher que era sim o aspiracional da mulher evangélica. Ela se tornou o aspiracional da mulher evangélica, de uma mulher evangélica que é conservadora, né? Conservadora, que cuida do marido, que não deixou— ela teve toda a potência relacionada à mulher, sem— e relacionado ao que boa parte do que a Bíblia mesmo fala sobre o que que é uma mulher virtuosa. Sem ter as coisas contrárias que os estereótipos feministas muitas vezes causaram na outra parcela da sociedade.
É, acho que tudo isso a gente acaba desembocando, e é uma reflexão que eu tive ao longo dessa cobertura do caso Michele, Luciana, se o que foi feito com ela, o que aconteceu com ela foi mais disputa de poder ou mais machismo, misoginia. Porque o que está aí também em disputa é um pós-Bolsonaro, né, que a gente fala muito do pós-Lula, mas tem um pós-Bolsonaro. E ela, com todas essas características aqui, mulher bonita, evangélica, de origem humilde, periferia, é um potencial fenômeno eleitoral, né, que assusta inclusive o petismo, o presidente Lula, Palácio do Planalto.
É possível, será, medir o quanto é essa disputa bruta da política de macho, né, que a gente é acostumado a acompanhar e a cobrir, que é bruta, que é matar ou morrer, mas a gente é acostumado a ver isso entre homens, né, que dominam a política, ou quanto teve esse componente também e preponderante de machismo e misoginia? Qual que é a sua leitura, Luciana?
Então, Caio, na sua própria pergunta fica assim, é difícil de separar uma coisa da outra, tá? Porque se a gente pega assim a violência de gênero na política, ela tem 7 componentes, né? E alguns componentes que parecem que alguns componentes psicológicos, eles também estão presentes. Então até essa, você falou assim, essa maneira mais dura da política, né, essa maneira mais áspera da política, né, ou a misoginia, na verdade ela já traz, eu entendi o que você quis dizer, mas eu só tô mostrando como que é sutil a diferença, né, porque Eu acho que a saída dela, eu acho que a maneira como ela sai, pele mulher, tá?
E a maneira como ela recua, né, é uma saída muito, digamos assim, de mulher, ou seja, de evitar muito o embate, de evitar— ela entra, faz o vídeo, depois ela não segura a repercussão do vídeo. Então ela sente, ela recua, porque de repente começa uma agressividade agressividade, né, que talvez um homem talvez tivesse mais apto, né, ou estivesse mais acostumado a lidar e que ela não tá. Então ela vai recorrer dessa maneira, é uma maneira de como que as mulheres não gostam, não, talvez sejam menos adaptadas a essa maneira mais agressiva.
Lembrando que o que se sucedeu depois do vídeo foi uma sequência de violência de gênero nas redes sociais. E uma das, uma coisa que a gente destaca muito é quando você começa a atacar a vida das pessoas, né? Então a vida privada das pessoas, essa é uma das, é muito recorrente. Tanto ela passa por isso, isso começa a se estender a Damares e começa a se estender a outras mulheres. Então tem uma disputa de poder, é disputa de poder por candidatura, disputa de poder por tem recursos de campanha.
No caso específico, ainda tem a do legado do ex-presidente Bolsonaro. Tudo isso tá em disputa, mas sem dúvida também tem um pouco desse componente do machismo.
Flávia, vai perder voto com isso?
Sim, quer dizer, não sei se ele vai perder, ele já perdeu, né? Quando a gente olha a pesquisa Meio Ideia, essa última dessa semana, o que a gente percebe é uma flutuação, porque veja, quando a gente olha a pesquisa, números gerais, a impressão que a gente tem é que são os mesmos eleitores, ah, perdeu entre os mesmos eleitores. Não é verdade isso, os eleitores vão e voltam. Então o que a gente vê nos nossos cruzamentos ali é que com o Dark Horse, com aquele áudio sobre o filme, o áudio com o Vorcaro, ele perde no público masculino, ele perde em superior, ele perde em várias faixas.
O que acontece de uma pesquisa para outra é que alguns homens voltam, mas as mulheres saem. Então é a mesma perda, mas é uma perda diferente. Eu acho que ele pode perder também quando esse trechinho do vídeo for usado em campanha. No momento que ela diz, eu fui humilhada, eu fui maltratada, é o que uma mulher sente, é o que uma mulher sofre em casa, é o que uma mulher sofre no dia a dia. Quando se fala, né, isso que a Luciana trouxe, que é importantíssimo, dessa agressividade nas redes sociais, é o que uma mulher sofre.
Todas nós sofremos. Eu sofro quando eu divulgo uma pesquisa, as pessoas, os homens me xingam. Presidente de partido, inclusive blogueiro, não tem a menor constrangimento de me chamar de coisas, né? Eu acho muito interessante, né, uma mulher na política que Jacinda, né, que era a primeira-ministra, né, da Nova Zelândia, fez um trabalho extraordinário na pandemia, era super popular. De repente, de um dia para o outro, ela sai. Aí todo mundo, que esquisito, né?
Porque senão, questões privadas. Aí se descobre depois que ela tava sofrendo uma violência de gênero nas redes sociais que tinha aumentado em 200% naqueles últimos meses, e ela não aguentou. Uma mulher daquele tamanho, com aquela popularidade não aguentou. Então isso que a Luciana fala é muito importante. No entanto, eu não vejo a Michele saindo da política, eu não vejo a Michele saindo da política, porque, de novo, a gente tem uma situação no Distrito Federal que é muito curiosa, Renato.
A gente pode ter, e é muito provável que tenha, 3 senadoras conservadoras do mesmo partido chamado PL como senadoras do Distrito Federal. Que a Bia Kicis, a Damares, que já é senadora, e a Michele. Essas duas eleições da Bia e da Michele são dadas como barbada no Distrito Federal. Então, acho que para um partido perder uma senadora, vai pensar bem, né, do tamanho que ela ficou.
Mais do que ter perdido o voto ou não, e hoje perdeu, e toda essa explicação que a Cila deu, o Flávio perdeu o que talvez fosse a principal, o que talvez fosse a única, mas pelo menos a principal forma, ponte, porta-voz, cabo eleitoral para conseguir conquistar as mulheres. Essa é a maior perda.
E os evangélicos, onde ele também tem dificuldade diferente?
As duas grandes dificuldades que ele tá tendo, ele tá perdendo entre os evangélicos, perdendo comparado ao que ele tinha antes, né, tá perdendo entre os evangélicos e toma uma surra entre as mulheres. E a palavra é surra, o que ele toma entre as mulheres. A única chance dele reverter isso era uma narrativa feita pela Michelle. Era Michelle falando, olha, calma, porque eu tô aqui também, nós estamos todos do mesmo lado, eu tô cuidando da família do meu marido, eu tô junto com ela fazendo isso.
E eles perderam isso. Então, para mim, é esse o ônus político. E não é que eles perderam e pronto. Depois que eles perderam, eles não souberam perder. Então, acabar com o PL Mulher é um tiro no pé sobre todos os pontos de vista. Aparece uma truculência, que é o que tira voto entre as mulheres, perde uma estrutura orgânica que ela foi que foi construída, que daria voto entre essas mulheres, e dá discussão para as que não eram bolsonaristas. Tá vendo? Ó, é tudo assim, por isso que eu não voto nele.
É verdade. Olha, não é trivial que nessa última pesquisa Meio Ideia, 15, mais de 15% das pessoas falam espontaneamente que a mulher mais poderosa do Brasil chama-se Michele Bolsonaro. Não é trivial isso. Em segundo lugar vem a Janja, com 9%, também muito bem posicionada. Mas enfim, Michele adquiriu aí é um tamanho. A gente não tá aqui falando se gosta ou se desgosta, mas é um tamanho, é para se observar. E eu queria chamar atenção também de que essa vai ser uma campanha muito disputada, o que os números e o cenário mostram.
Então a gente calcula aqui que ela vai ser decidida ali entre 3%, 4% do eleitorado ali no final. Esse eleitorado em disputa, ele é feminino. 69% desses eleitores são mulheres, mulheres que já votaram em Jair Bolsonaro, se desencantaram com ele por causa da pandemia, votaram em Lula em 22 e estão desapontados com o governo dele. Então esse é o eleitorado em disputa e esse eleitorado é fundamental para Flávio, como é para Lula. Então eu vejo a campanha do Flávio tentando resolver o problema, mas aí aparece o blogueiro falando que mulher não sabe votar, entre outras coisas.
Eu acho curioso que nessa pergunta nossa é muito raro, né, Renato? A gente teve traço entre mulheres que concordam com as afirmações dele? Zero. Zero mulheres entre 1.500 pessoas que a gente pesquisou concordam, mas 24% dos homens concordam. Acordam, né? Mas enfim, de qualquer forma, a gente tem ali um cenário em que ele vem dizendo, ah, então vou colocar uma mulher de vice. Não é sobre isso. É muito interessante, é muito legal ter uma mulher na chapa.
A gente inclusive nunca teve uma vice-presidente, né, que eu lembre. Teve a Rita Camata, que foi candidata do Serra lá em 2002. Não me lembro de outras vice-presidentes repetitivas. De qualquer forma, ótimo ter uma mulher, mas não é sobre isso, não é por causa disso que as mulheres vão votar no candidato. Então eu acho que a campanha do Flávio, ela tem que correr bastante atrás desse tema e fazer o que o Voltemar tem dito: vamos tentar fazer a paz.
A Manu Quadradro.
Ah, é verdade, a Manu ter feito, tem toda razão, tem toda razão. Mas tentar fazer essa paz e seguirem juntos até— são 3 meses, né, gente?
Deixa eu fazer um segundo intervalo e daqui a pouco a gente continua nosso debate. Até já. WW Especial de volta nessa edição debatendo a influência da mulher e do voto feminino nas eleições presidenciais de 2026. Luciana, vou contigo agora. No final do último bloco, a gente estava analisando o impacto ali desse problema que teve a campanha do Flávio com a Michele Bolsonaro. Eu queria a sua perspectiva, né? Você, na sua percepção, talvez, né, colocando como uma possibilidade, uma eventual rejeição do Lula preponderaria sobre um esforço da campanha do Flávio de tentar atrair esse voto feminino após esse episódio?
Então, eu me somaria ao que foi falado antes, concordando com o que foi falado e trazendo um ponto também que eu acho que é muito importante, né? A comunicação, ela, a comunicação digital, ela em campanha ela é segmentada, né? Isso quer dizer que você tem que elaborar estratégias para, pensando na campanha do Flávio, né, você elabora estratégias desde para segmentos que são segmentos mais à direita e que trazem esses valores fortes e que são capazes, essas emoções fortes que são capazes de mobilizar as redes sociais, Isso esteve presente também na campanha do Bolsonaro de maneira muito forte, mas você também precisa ter nessa segmentação de comunicação uma comunicação que seja menos dura, uma comunicação que seja mais moderada, e você passa essa comunicação para aquele segmento que você quer conquistar, que é um segmento mais com esse perfil das mulheres que nós estamos falando.
A Michele fez muito isso, particularmente no segundo turno em 2022. Era recorrente ela ir, né, aos cultos, e era recorrente ela mencionar quando se tinha, as mulheres se mostravam algum, algum, alguma insatisfação com Bolsonaro, e alguns momentos uma vez saiu na imprensa ela falando, ah, desculpem o meu marido, né? Então, ou seja, quando ele tinha um comportamento mais agressivo que talvez as mulheres não gostassem, ela colocava, ela de alguma maneira ela atenuava aquela situação.
E isso podia ser usado de maneira, na comunicação para esse público específico. Então isso eu considero que Essa foi talvez uma das maiores perdas que o Flávio teve nessa campanha. Colocar outra mulher, não sei se outra mulher substituiria tanto, porque dadas características específicas que a Michele tinha nessa linha. Então, possivelmente a gente tem aí, a gente tava falando, né, dessas mulheres que já votaram em Lula, votaram em Bolsonaro, votam em Lula e agora A questão do bolso aí, eu acho que a questão da satisfação com o governo e a questão da percepção da economia, aí eu acho que fica um voto mais tradicional que a gente conhece, que era muito presente até 2018, ou seja, um voto muito de satisfação ou insatisfação com o governo.
Eu acredito que essas mulheres vão mais ou menos por aí. E se o governo souber comunicar resultado para essas mulheres, possivelmente ele pode sair na frente e talvez aí o Flávio sentir mais falta desse processo. Só uma coisa que eu acho que é importante, eu concordo total com a Cila, eu acho que a Michelle não saiu da política, ela saiu foi do PL Mulher, né? E um último ponto que eu queria colocar é que eu também achei lamentável que que terminasse com a direção nacional do PL Mulher, porque vai fazer falta para estrutura do partido e mostra o quanto, de alguma maneira, é muito personalizado e não era uma coisa fortemente institucional, ainda que você continue com os diretórios estaduais.
Agora, eu queria olhar um pouco o campo. A gente tá falando bastante aqui da direita, mas queria olhar assim para esquerda. Eu noto, eu já fiz reportagem sobre isso, governo Dilma especificamente, né, era uma mulher presidente da República. Eu lembro que a Dilma tinha um programa, Casa da Mulher Brasileira, e foi assim, lançou 3, 4, 5, enfim, era muito pouco, né. Não foi um governo de uma mulher do PT que a gente possa dizer que tiveram ali uma proliferação de políticas, vamos dizer, ligadas políticas de gênero, né?
E no governo Lula 3 também a gente não vê assim, né? Ministério das Mulheres, por favor sintam-se à vontade para divergir quem quer, né? Ministério das Mulheres, qual que é a grande política, né? Questão de aborto. Parece que a esquerda consegue abrigar a causa, pelo menos a defesa da causa, mas na hora de brigar e ir para cima nessas questões em outras esferas, principalmente Congresso, não compra essa briga. Você tem essa percepção, Ceylan?
Tenho. Antes disso, eu vou fazer uma errata aqui porque eu esqueci de várias mulheres que foram candidatas à vice. A gente falou aqui da Ana Amélia no intervalo, da Guajajara, de várias mulheres. A gente não teve, foi uma vice-presidente, e nessa eleição a gente não tem mulheres competitivas, né? A gente tem apenas uma mulher que concorre num partido que não pontua entre os primeiros, né, quando a gente já teve muitas mulheres competitivas, Marina Tebet e muitas outras aí.
Mas eu concordo com você, a gente vê essa diferença hoje de direita a esquerda, acho que não tem comparação do tanto que a esquerda andou nessas políticas e na presença das mulheres. No entanto, a gente está muito longe longe de ter uma situação satisfatória mesmo na esquerda, né? Agora que a gente tá em campanha, a gente já conseguiu colocar o tema do feminicídio, que é fundamental. Eu tinha uma expectativa que esse governo colocasse esse tema no dia 1, isso não aconteceu.
Campanha é bom também porque os temas vêm, né? Então agora o tema do feminicídio, que é uma epidemia, né, que a gente tá enxergando, ele tá colocado, está sendo enfrentado e vai ser assunto de discussão durante a campanha, né? Mas eu concordo também com o que você diz a respeito de Dilma, é que Dilma é uma mulher que chegou aonde chegou não pelas pautas femininas, né? Ela chegou onde chegou, ela era uma ministra do Planejamento, Conselho de Petrobras, Mas ela tinha um outro perfil.
E eu não vejo que as mulheres também sejam obrigadas a trazer as questões de gênero quando elas estão num espaço de poder. No entanto, tem um livrinho muito legal da Melinda Gates, esqueci o nome dele, um livrinho pequenininho em que ela fala que só quando mulheres estão na política determinadas políticas se desenvolvem, né? Mas eu diria que isso é muito também no legislativo, né? Então, mas de fato eu acho que Dilma é um assunto que a gente pode aqui passar um programa discutindo, né, de o que aconteceu com Dilma.
Eu me lembro quando eu estudei, eu estudei na George Washington University lá atrás, a Hillary Clinton ia ser candidata ao Senado, se discutia isso, ela era primeira-dama ainda, o Clinton era o presidente. Eu me lembro de um professor dizendo assim, a mulher na política é muito difícil, porque Porque ou elas são vistas como frágeis, e daí como aquela mulher que não vai ter condição de enfrentar uma greve da segurança, alguma coisa assim, ou elas são vistas, e aí vou falar aqui uma palavra, já é depois das 10 da noite, né?
Ou elas são vistas como bitch. Bitch em inglês quer dizer uma mulher arrogante, não é? E eu acho que a Dilma caiu nisso, né? Ela era uma mulher vista como uma mulher desse segundo e E aí teve um preconceito, e eu não tô aqui discutindo das qualidades do governo, do impeachment, não tô falando nada disso, tô falando do preconceito que se tinha com Dilma.
Eu aqui ouvindo vocês, e você especificamente, eu tenho duas reflexões para colocar e já jogar para o Renato. Primeiro, que o presidente Lula, ele tem uma série de declarações também que a gente considera racistas, misóginas, e que aparentemente não choca esquerda como declarações machistas, misóginas dos Bolsonaro, né? Parece que quando Lula fala, a mulher é dentro de casa, enfim, esse ano tiveram algumas, sem falar de outras passadas grosseiras inclusive.
Parece que choca menos, né? E a esquerda se choca mais com machismo do Bolsonaro do que com machismo do Lula. Esse é um ponto. E outro ponto que eu acho é interessante, quando a gente pensa no governo Bolsonaro, a gente tem uma mulher forte. Forte, que é a Damares, né, que cresceu, que veio a partir da Michelle, inclusive. E quando a gente pensa em governo Lula 3, a gente fica buscando talvez a Simone Tebet, né, que não é propriamente uma mulher de esquerda, né. Eu não sei essas reflexões como lhe caem assim, Renato.
Da seguinte forma, Caiô, o machismo é suprapartidário. Precisa ter esse entendimento. Machismo não surgiu só por conta da política, mas isso não é uma superpartidário. Tem a ver com uma lógica de poder e que uma lógica de poder em diversas dimensões da sociedade, inclusive na política. E é por isso que ele aparece em governos de esquerda e governos de direita. Talvez a forma dos governos lidarem com isso sejam diferentes, talvez a vergonha pública seja diferente, mas ele efetivamente existe.
Como existe na sociedade brasileira, como existe em coisas banais, como quando um técnico de futebol, um professor de educação física numa escola pública do Piauí, quando um menino se machuca, ele fala: tá chorando igual menina? Joga que nem homem, rapaz! O que quer dizer está chorando igual menina? Joga que nem homem, rapaz? Que só menina chora? Que só homem sabe jogar bola, que se você quiser. Então o machismo começa aí e não tem nada de política no jogo de futebol do colégio da periferia de Piauí.
Então isso, essa questão atravessa diferentes dimensões e não resiste à realpolitik. Vamos lembrar a quantidade de mulheres que tinha no governo Lula no começo do mandato, a quantidade de as que tem no Ministério do governo Lula no começo de mandato e as que tem agora, as substituições que foram feitas com isso. Ah, Renato, você tá dizendo então que o Lula e o Bolsonaro têm a mesma concepção sobre as mulheres? Longe disso. O que eu tô dizendo é que se é necessário para os projetos de manutenção de poder não olhar para as mulheres, da esquerda à direita não vão olhar para as mulheres.
Muito bom que você falou, Renato, mas a Simone Tebet tinha como senadora um projeto que eu achava muito interessante, era de paridade na executiva dos partidos, porque é ali que se tomam muitas das decisões, né?
Tem várias, eu sinto, eu fui setorista de Congresso, morei 10 anos em Brasília, meu lugar de trabalho por anos era o comitê de imprensa ali da do Congresso Nacional. E naquela época, ali a gente está falando governo Dilma principalmente, mas ainda no governo Lula 2, a agenda da bancada feminina era muito contraditória. E a gente viu esse ano especificamente algo muito interessante, que foi uma transversalidade, principalmente na época digital.
O efeito digital uniu a Damares, as parlamentares do PT e do PSOL. Isso foi um movimento muito chique.
Como pobreza menstrual também chamou.
Sim, sim.
E tinham coisas absurdas.
E o ECA Digital tá envolvido nessa briga com a Adamares. Sim, nesse ecossistema todo.
A Adamares sendo chamada de PSOL do PL. Luciana, você nota essa, uma aproximação maior dos dois campos políticos de gênero na política brasileira?
Então, isso é interessante porque agora você trouxe para essa discussão para o Legislativo, né? Quando a gente traz para o Legislativo, é quando a gente fala de representação de mulheres, a gente tem que pensar não apenas o número de mulheres, mas que tipo de representação elas estão levando ali dentro, né? E tem uma discussão até alguns autores chamam de supermadres, né? Ou seja, como essa agenda do cuidado ela está presente nesse segmento.
Então assim, se você faz uma investigação, você percebe que as mulheres conseguem mais participar mais de comissões que são voltadas para o cuidado, seja questão da criança, seja questão da saúde, educação, Então elas participam, têm menos acesso a outras condições que estão mais distantes dentro dessa realidade do cuidado. E eu acredito que ali na instância do cuidado, mulheres de esquerda e mulheres de direita se aproximam. Então eu acho que é mais um corte temático do que qualquer outra coisa.
Então esse, por exemplo, da época digital, é um exemplo bastante interessante dessa perspectiva da proteção da socialização das crianças, que une a esquerda quanto à direita.
Pegando o gancho do que disse a Luciana, é interessante, de fato, as mulheres fazem parte dessas comissões ou são convidadas a serem secretárias também desses assuntos. E tem um tema, né, dessa, da penúltima legislatura, eu creio, a Daniela Ribeiro, que é uma senadora da Paraíba, ela foi a relatora, presidente da da Comissão de Orçamento. E aí, como presidente da Comissão de Orçamento, ela pegou um recurso grande para ir contra o feminicídio e criou um programa chamado Antes Que Aconteça.
Então é isso que acontece quando você tem uma mulher no lugar de poder desse tipo, né?
Mais mulheres na política, só isso. Sim, isso é bom não para as mulheres, A história tem mostrado que uma participação maior das mulheres é bom para a sociedade. Os homens ganham com isso. E essa discussão tem que ser feita não pela lógica de esquerda versus direita, não pelo flaflu na política, mas é por um entendimento do para que que deve servir o Estado. E o que as mulheres, no eleitorado feminino, mais concorda é que o Estado deve servir a oferecer uma vida melhor para as pessoas, a oferecer igualdade de oportunidade.
Então, se a gente esquecer um pouquinho do que virou esse flaflu na política e entender efetivamente o que pode mudar na vida das pessoas, a conclusão óbvia é que é fundamental ter mais mulheres na política. E para ter mais mulheres na política, não basta apenas elas se candidatarem, tem que não serem tão sabotadas como são sabotadas pelos homens que hoje dirigem a política nacional. Então, para quem está nos ouvindo, se você não está satisfeito com a política nacional, vote em mulheres.
Sim.
Muito bem.
Eu tenho 3 minutos, eu queria jogar uma pergunta genérica e ampla para a gente projetar para quem nos assiste. Na prática, a Copa do Mundo acabou e a eleição começou. Luciana, A sua percepção da campanha eleitoral em si, aqui saindo um pouco mais da questão de gênero, o que que você projeta que deve ser determinante para quem nos assiste observar daqui até outubro? Na prática, o que que vai definir essa eleição?
Eu acho que tá tendo meio um consenso, né, de pensar que vai definir é esse 4, 5% aí que vai ficar ou tendendo para um lado ou tendendo para o outro. E eu sempre acredito que esse 3, 4%, ele é um eleitorado que, uma coisa interessante, ele não é um eleitorado desinteressado, ele é um eleitorado que fica sob pressão, ele ainda não tem, não tá claro para ele o que que ele vai priorizar, ele vai deixar mais para frente, mas ali na véspera ele fica muito sob pressão, né?
O que que ele vai colocar, o que que ele vai pontuar, e ali as mulheres vão estar. As mulheres em geral retardam mais a tomada de decisão, elas têm mais dúvida. Por quê? Porque elas conseguem ponderar mais. E eu volto a dizer, eu acho que a questão do desempenho do presidente, a capacidade, o impacto dessas políticas na gestão do dia a dia delas, isso vai impactar na hora da decisão, satisfação ou insatisfação.
Nós temos uma campanha bastante única, não é? A gente tem um presidente da República que não conseguiu trazer um único eleitor do Bolsonaro, do seu opositor, em 22. Um presidente que a maioria da população julga que não merece um novo mandato. O que eu quero dizer com isso é que a reeleição é sobre o incumbente, eu quero continuar ou não. Ele tem dificuldades, tem melhorado, tem melhorado visivelmente, tem ficado estável, tem metade do eleitorado, não há dúvida disso.
O presidente Lula, que está no campo da esquerda dessa vez sozinho, ele não tem o Ciro Gomes, ele não tem o Garotinho, ele não tem uma Marina para dividir esse campo, ele está sozinho com boas chances de ganhar a eleição. E do outro lado, aparentemente, a gente tem É um candidato com grande rejeição, assim como a do presidente. Então a gente sai num país dividido. O que a gente viu agora quando os eleitores saíram de Flávio por conta dessas, dessas crises de campanha, eles foram para o branco e nulo.
Então eu, ao contrário de muitos analistas, assino com a ideia dessa eleição acabar em primeiro turno por conta disso que eu falei do presidente Lula está sozinho no campo e de aumentarem brancos e nulos e, portanto, menos votos válidos, né, e terem dois candidatos competitivos, mas campanha é campanha, gente. A campanha só vai começar no dia 15 de agosto. A gente já viu em campanhas brasileiras muita coisa acontecer, então deixamos a campanha se movimentar para o eleitor fazer a grande escolha dele.
E eu sublinho aqui a fala do Renato de que precisamos de mais mulheres na política, inclusive lembrando que no Judiciário, no STF, a gente deixa de ter mulheres agora e que Cármen Lúcia foi a terceira mulher mais votada como a mulher mais poderosa.
Muito brevemente, por favor.
Vai ganhar quem errar menos.
Sim.
Foi breve.
Renato, breve.
Bom, eu queria queria agradecer muito aos três, começar pela Luciana Veiga, cientista política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Fundação Getúlio Vargas. Luciana, muito obrigado. Cila Schumann, CEO do Instituto de Pesquisa e Ideias. Cila, muito obrigado. E ao Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. Meus caros, foi um prazer, uma honra. Muito obrigado, aprendi muito com vocês.
Valeu, valeu.
E a vocês que nos acompanharam até agora, Uma excelente noite, muito obrigado pela companhia, excelente semana a todos.
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