Episódios de WW – William Waack

Trump só tem opções ruins na guerra no Oriente Médio

01 de abril de 202652min
0:00 / 52:27
O presidente americano Donald Trump disse na terça-feira (31) que a guerra contra o Irã deve durar de duas a três semanas. Trump está agora diante de uma opção muito ruim e outra péssima. A ruim é sair de lá rápido e deixar no lugar um regime, o iraniano, que aprendeu a usar a posição geográfica como grande arma. A péssima é escalar a guerra com o emprego de tropas para ocupar partes do território iraniano, o que significa prolongar, por tempo indefinido, uma situação que já cobra um preço altíssimo, em todos os sentidos, inclusive dentro dos Estados Unidos. O âncora da CNN William Waack, Thaís Herédia, analista de Economia, Caio Junqueira, analista de Política, Daniel Rittner, diretor editorial de Brasília, Jean Castro, CEO da Vector Relações Governamentais, Lourival Sant'Anna, analista de Internacional, e Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC Minas, debatem o tema.
Participantes neste episódio6
W

William Waack

HostJornalista
C

Caio Junqueira

ConvidadoJornalista
J

Jean Castro

ConvidadoCEO
L

Lourival Sant'Anna

ConvidadoAnalista de Internacional
M

Murilo de Aragão

ConvidadoCientista político
T

Thiago de Aragão

ConvidadoCEO da Arko Advice Internacional
Assuntos3
  • Guerra no Oriente MédioDonald Trump e a NASA · Irã · OTAN · Estreito de Hormuz
  • Impacto da guerra nos mercadospreço da gasolina · gás de cozinha
  • Indicação Jorge Messias ao STFJorge Messias · Conselhos de Lula · Investigações sobre Davi Alcolumbre
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Boa noite, esta é a CNN Brasil, este é o WW. O presidente Donald Trump disse hoje que a guerra contra o Irã não deve durar muito mais tempo, duas a três semanas. O problema com as palavras de Trump é confiar nelas, pois mudam muito rápido o significado, várias vezes mudam de significado durante o mesmo dia. Pior ainda é confiar na ligação das palavras dele com a realidade.

No comecinho da guerra, Trump disse que tudo ia ser rápido, não foi? Que o regime iria cair ou mudar, não aconteceu ainda. E Trump minimizou as consequências econômicas do conflito que ele escolheu iniciar, e com as quais está lidando agora em regime de pressa e improvisação.

Trump tem agora diante de si uma opção muito ruim e outra péssima. A opção ruim é sair de lá rápido e deixar no lugar um regime, o regime iraniano, que aprendeu a usar a posição geográfica como grande arma. A opção péssima.

É escalar a guerra com o emprego de tropas para ocupar pelo menos partes de território iraniano, o que significa prolongar por tempo indefinido uma situação que já cobra um preço altíssimo em todos os sentidos, inclusive dentro dos Estados Unidos. Trump fala de negociações que na prática não existem, em torno de propostas que aparentemente não são levadas a sério, a começar pelo Irã.

Trump advertiu hoje que as tais negociações nem precisam existir, se ele e Trump sentir que os bombardeios jogaram o Irã de volta para o tempo da Idade da Pedra. E qual seria o plano se os iranianos insistirem em continuar na guerra atirando pedras?

Nessa edição, falaremos também de Lula enviando a nomeação de, indicação na verdade, de Jorge Messias, o STF. Indicação essa submetida ao crivo do Senado e da situação fiscal do país, evidentemente, no contexto da guerra no Irã. Antes aos participantes da roda nesse momento, muito obrigado a Jean Castro, CEO da Vector Relações Governamentais, presidente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais, é a Abrig. Jean, obrigado por estar conosco. Boa noite.

Obrigado, William. Eu que agradeço. É um prazer, irmão, estar aqui com vocês. Daniel Rittner, Thaís Herédia, Caio Junqueira, meus colegas. Boa noite.

Depois de quatro meses, o governo deve enviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria sido surpreendido por essa decisão. E ele jogaria a sabatina do escolhido de Lula para o segundo semestre. Carol Rosito traz mais detalhes direto de Brasília. Boa noite, Carol.

Oi, William, boa noite para você, boa noite a todos. Olha, interlocutores do Palácio Planalto disseram que essa mensagem chegaria ainda nesta terça-feira. Segundo a atualização ali da Secretaria-Geral da Mesa do Senado, a mensagem ainda não chegou. Mas a indicação, vamos lembrar...

Foi oficializada no Diário Oficial da União em novembro do ano passado. De lá para cá, nesses quatro meses, faltava de fato essa mensagem que faz parte do rito para oficializar esse movimento. À época, a decisão do presidente Lula gerou um desconforto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia a indicação do seu aliado, o senador Rodrigo Pacheco. Também fez críticas sobre a forma como ficou sabendo da decisão do presidente Lula.

através da imprensa. Mesmo assim, ele chegou ainda no ano passado a desenhar uma espécie de calendário em relação à sabatina e votação aqui no Senado, mas o presidente Lula segurou o envio dessa mensagem sob o risco ali de uma rejeição ao nome de Jorge Messias. Hoje, segundo apurou a CNN, mais uma vez, Alcolumbre foi pego de surpresa com a decisão do presidente Lula em enviar nos próximos dias ou até o fim da semana.

Essa mensagem oficializando, de fato, a indicação de Jorge Messias e já disse a interlocutores que não deve tocar esse assunto a curto prazo. O presidente Lula gostaria de ver o assunto resolvido antes das eleições, mas Alcolumbre vem dizendo que isso muito provavelmente vai ficar para o segundo semestre. A gente também ouviu o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Otto Lencar, onde vai acontecer a sabatina assim que esse trâmite for resolvido.

e ele disse que vai colocar, vai deliberar o assunto assim que o nome for enviado à CCJ. Em nota, Messias disse que vai seguir mantendo diálogo com todos os senadores. William. Obrigado, Rosito. Boa noite para você aí em Brasília. Jan, aparentemente um jogo arriscado que vai levar para onde?

Bem, William, antes de mais nada, boa noite, Daniel, Thaís, Caio, também cumprimentamos. O governo deve ter, provavelmente, a gente ainda não tem conhecimento disso, na conversa que o presidente Lula teve há cerca de duas semanas atrás com o presidente Davi Alcolumbre, sentido alguma boa vontade ou uma mudança naquele humor que o presidente Davi manifestou em novembro.

Ficou muito claro, e naquele momento nós tínhamos primeiro, a recusa ao nome que era a indicação do presidente Davi Alcolume. O nome era Rodrigo Pacheco. E isso causou uma irritação e, ao mesmo tempo, uma perda de prestígio do presidente do Senado nessa indicação para o Supremo.

Só que o presidente Lula, como depois também comentou com alguns dos seus mais próximos, inclusive com o líder do governo do Senado, o senador Jax Wagner, as últimas duas vezes que o presidente da República, ou no caso o presidente Dilma, também aconselhado pelo presidente Lula, não levou o seu nome à frente e acabou aceitando uma sugestão de outro nome, segundo o presidente Lula, as consequências não foram positivas. E aí, nós estamos falando do ministro Luiz Fux e também, deixa eu me lembrar, do ministro...

Joaquim Barbosa. Joaquim Barbosa, quando o presidente Lula era presidente, e depois, quando a presidente Dilma estava à frente do Palácio Planalto, com orientação também e apoio do presidente Lula, aceitou o nome de Luiz Fux. E hoje eles são vistos, né? Joaquim Barbosa não está mais no Supremo, acabou aposentando, mas o ministro Luiz Fux é visto como alguém que não tem convergência com os posicionamentos do Palácio, enfim, e da base do governo, digamos assim.

Bom, o que a gente vê no fundo é a compra de uma possibilidade. Ou estava garantido e deixou de estar. As coisas têm mudado rápido em Brasília, Daniel.

Ah, mas nunca esteve garantida, não, William. Essa indicação e essa análise tem muitas facetas. Você me corta na hora quando quiser, mas tem muitas facetas para a gente analisar, William. Primeira é a do próprio Messias, que está num humor, pessoalmente, de não aguentar mais a situação. Então, no que depender do ânimo do próprio Jorge Messias, ele vai para o pau, como se diz. Rejeitando ou sendo aprovado, ele prefere se livrar logo dessa situação e não prolongar mais.

No que dependia de Davi Alcolumbre, isso ficava para depois das eleições, ficava para o final do ano, não seria deliberado agora. Agora, desde o ano passado, e todo mundo sabe que Jorge Messias não era a indicação preferida de Davi Alcolumbre, Alcolumbre tinha uma fatura ali para apresentar para o governo.

queria fazer o presidente do CAD, queria fazer CVM, queria fazer, se possível, uma troca ali no Banco do Brasil, porque ele acha que Arthur Lira tem o presidente da Caixa, então que ele tem que ter o presidente do Banco do Brasil. Tudo isso é a fatura da Vial Columbre.

E é preciso dizer que, quietinho, quietinho, o governo e o próprio Messias foram costurando ali um clima que foi se revertendo. Um clima que era, no final do ano, de hostilidade ao Messias, foi se revertendo. O Messias conversou com mais de 70 dos 81 senadores. Tem muito parlamentar ali, senador oposicionista, que é da frente parlamentar evangélica, que hoje provavelmente votaria a favor do Messias.

Só que esse clima melhor que foi sendo costurado mudou com o caso Master e com esse sentimento anti-STF que só cresceu. O Palácio do Planalto acha que a situação é melhor hoje do que era no final do ano. Na minha leitura, na minha leitura, Daniel...

É muito fácil hoje para qualquer senador que tem um discurso anti-STF votar contra o Messias, sem que o problema seja o Messias, necessariamente. Mas é muito fácil e muito difícil para um senador que defende a indicação do Messias sustentar esse voto publicamente. Então, me parece que hoje é pior do que era no ano passado. Então, Daniel, nós estamos na seguinte situação, que a pergunta que a gente está realizando é resolver. O Planalto está lendo corretamente a realidade ou não, Caio?

A mensagem que chegou no Palácio é de que MDB e PSD apoiariam a indicação do Jorge Messias. As duas bancadas somadas têm 25 senadores, coloca mais uns 20 à esquerda e está configurada a maioria. O problema é que para chegar no plenário do Senado tem que passar pelo Davi Alcolumbre. O rito é o Palácio do Planalto manda, prometeu mandar hoje, chega na mesa do Davi. Ali ele decide se manda para o CCJ ou não e não tem nenhuma sinalização de que dali ele vai despachar.

Prometeu mandar hoje, mas ainda não mandou. Ainda não mandou, mas tem uma hora e cinquenta. A Carol entrou lá para nós ao vivo, a gente deixou justamente para a abertura do programa. A última informação era, cadê? Agora sim, William, eu acho que tem uma neva de caso máster nesse caso todo. Primeiro porque o Supremo Tribunal Federal, com a crise que vive, tem um ministro a menos há quatro meses.

porque o Davi Alcolumbre não quer, sinaliza que não vai despachar essa mensagem. O André Mendonça, que é o relator do caso Máster, atua pelo Jorge Messias. Então, o Senado... Por convicções religiosas assimiladas. Também, sim, sim. E já viveu isso com o próprio Davi Alcolumbre. Você lembra que no governo Bolsonaro, o Alcolumbre também segurou a indicação do... Parece que isso deixou um gosto muito amargo. O André Mendonça, que é o relator do caso Máster. Então, os senadores...

Eles, em princípio, se isso chegar no plenário, eles vão votar contra um ministro que ali na frente, a depender da turma que ele cair, a depender das votações do plenário, vão poder estar votando uma ação penal criminal contra eles mesmos, delatados no caso Márcia. Então tem uma néva de caso Márcia aí diretamente envolvida.

Essa névoa é fascinante para nós jornalistas, porque olha só, o Jean disse, o governo estava tentando ver se dava certo, achou que dava. O Daniel disse, achou que dava, mas não está dando. Você está dizendo que está uma névoa. A gente tem que confrontar a seguinte questão, que a audiência está esperando que a gente fale alguma coisa. Afinal, a situação melhorou ou piorou para o Messias?

William, eu acho que... Você conseguiu ver nessa névoa aí, você vê a reportagem política, hoje ela está trazendo um bocado de... Ela está um nevoeiro que só. Um nevoeiro só, isso. Um nevoeiro que só. Mas, como meu pai dizia, a serração baixa só o que racha, será? Vamos entender quanto tempo vai durar essa serração em Brasília. Mas, olha, eu acho que a pista foi o próprio Daniel que deu, quando fala do beijamão que o Messias fez. Ele falou com a maioria dos...

senadores e os relatos são de que foram encontros muito jeitosos. Acho que o maior obstáculo é o da Vialcolumbre. Hoje eu conversei com Brasília porque há duas cadeiras vazias em Brasília que também preocupam muito e que também dependem do Senado. Estou falando das cadeiras do Banco Central.

E surgiu uma expectativa, até de alegria do presidente mandar a indicação do Jorge Messias, para servir como teste, de teste para entender qual é o ambiente para aprovação dos nomes do Banco Central.

O presidente Lula ainda não resolveu, a indicação do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, parece que caiu numa quinta gaveta da mesa, não está mais ali entre os preferidos, mas estão vendo isso como um teste de como é que Lula vai se ajeitar com a columbre.

para sinalizar uma votação para os nomes do BC. Então, o que você está sugerindo, e eu queria ouvir a sua avaliação, Jean, é se a capacidade que o Lula tem de levar adiante um nome para o Supremo, levar dois nomes para uma instituição tão importante como o Banco Central, é função da percepção que o Senado tem da força eleitoral do Lula ou não.

Claro que em tempos de eleições chegando, isso também tem algum poder de influência sobre os senadores, enfim, sobre o conjunto do parlamento. Mas eu daria um passo atrás e diria que hoje em dia não basta ser tecnicamente competente e reconhecido para o cargo de ministro do Supremo.

você precisa também ser politicamente viável. E o presidente Lula tem muita experiência, esse longo tempo já nessa trajetória política dele, e já muito tempo à frente da presidência da República, em diferentes mandatos, lidou com vários momentos diferentes, onde tinha maioria, onde não tinha maioria, mas sempre conseguiu construir bem. E eu entendo que hoje...

O teste do Messias, para depois virem os cargos do Banco Central, é para o governo, primeiro, uma sinalização de que o Messias deve ter dito ao presidente Lula que ele está seguro, que ele entende que fez o dever de casa e que ele prefere enfrentar esse debate e ir para o enfrentamento.

Os números que nós temos hoje, com várias algumas pesquisas e matérias que saíram a respeito, dão conta de que não faltam tantos votos assim. A maioria dos votos hoje são votos ainda não definidos. São de pessoas que não se declararam nem a favor nem contra. Ou seja, existe um espaço muito grande e eu acho que é nesse espaço de não declarados que provavelmente o Jorge Messias está confiando nos acordos, nas conversas que ele deve ter tido.

E volto ao que eu falei no bloco anterior. O presidente Lula conversou com o senador Davi Alcolumbre, se não me engano, semana passada. E com certeza esse assunto esteve na pauta e o presidente Lula acho que não encaminharia se não sentisse o mínimo de segurança. Acho que a gente tem que levar em conta, e eu tenho ouvido isso de gente do PT, tem uma... Lula vive uma situação que, de certa maneira, a Dilma Rousseff viveu.

E na minha leitura, eu sempre, quando esse assunto vem à tona, eu trato disso. Para mim, a Dilma caiu porque ela não segurou a Lava Jato.

E muito da indisposição de parte da política com o Palácio do Planalto, além do risco eleitoral do Lula perder, porque está empatado com o principal oponente, está no fato de, para a política, ele não conseguir segurar a Polícia Federal, no caso Master. E o caso do Alcolumbre é diretamente relacionado, porque tem duas broncas do Alcolumbre com o Lula. Uma não indicação do Rodrigo Pacheco.

e a outra a Polícia Federal contra aliados na Amapá, num cenário eleitoral na Amapá completamente desfavorável para o grupo político do Alcolumbre, do Clécio, que é o governador, e do Randolfo Rodrigues, porque o principal adversário do Alcolumbre no Estado, que é o doutor Furlan, prefeito de Macapá.

favorito para derrotá-lo. Então, acho que tem na política também, por isso que eu coloco a néva do caso Márcia, não de a gente não conseguir enxergar, mas a néva do caso Márcia influenciar a atuação dos agentes políticos. E no caso da Columbre, eu apostaria que hoje a bronca dele com o presidente é muito maior pelo fato do presidente não conseguir segurar a Polícia Federal no Estado dele, do que dele não ter indicado o Rodrigo Pacheco para o Supremo. Daniel, está me pedindo a palavra.

É claro, tem uma tese circulando em Brasília de que, no fundo, no fundo, o Lula está jogando essa indicação no Senado para queimar o Messias mesmo. É para levar uma bomba, para perder e para poder indicar Rodrigo Pacheco no lugar. E resolve todos os problemas de todos os grupos políticos.

Eu não acredito nessa tese, quero deixar claro aqui, mas existe essa tese circulando em Brasília. O que eu vejo é o seguinte, alguns meses atrás, antes da bomba Master estourar, todo o papo do Davi Alcolumbre era, olha, eu preciso aqui aumentar o preço.

de ser o fiador dessa indicação. Então, sabe o Banco do Brasil? Sabe a superintendência da CVM? Sabe a presidência do Cade? Agora, ele tem um problema muito mais urgente para resolver, que é como vai ficar o Fundo de Previdência na UAPA.

E é isso que ele tem que pedir para o Lula. Me deu um alívio. O problema é que o próprio Lula não controla a Polícia Federal. Ou pelo menos não controla totalmente. Então, essa carta branca do Alcolumbre, que é disso que Messias precisa, ele precisa sair da presidência do Senado e ir para a CCJ, para a Sabatina. Aí tem chance de passar. Mas ele depende de Davi Alcolumbre e o jogo do Davi Alcolumbre mudou completamente de três meses para cá.

Daís, para encerrar, nós estamos diante de uma situação irúnica lá em Brasília. O Jean, por exemplo, nos apontou, quando ele colocou um condicional importante. Se o Lula está fazendo o que está fazendo, querendo prosseguir até aqui, não prosseguiu. O Quarol está lá ainda esperando ver se o tal do período chega. Ainda não chegou. São o quê? 22 e 18. Não é nem educado mais mandar, né?

Bom, não sei, não sei. O Brasil é um lugar estranho às vezes. Mas o que o Jean está nos dizendo é o seguinte, o condicional que ele colocou. Se o Lula está fazendo isso, é porque ele confiou na palavra do Davi Alcolume. Então, chegamos ao ponto em Brasília que as pessoas confiam nas palavras proferidas.

Eu acho que ninguém é ingênuo a esse ponto, né, William? Talvez faça um jogo ali de nem eu te ligo, nem você me telefona, mas até para combinar que ninguém vai ligar para o outro, eles precisaram se falar. Então, não acho que há acordo e não acho que há segurança nem confiança para nenhuma decisão de qualquer lado. Jean Castro, queria agradecer a você. Jean Castro é CEO da Vector Relações Governamentais, presidente da BRIG, a participação aqui no WW. Boa noite, Jean.

Ainda dá tempo dele falar boa noite, já congelada a imagem, acho que agora voltou. Muito obrigado e boa noite, Jean. Boa noite, boa noite, obrigado. Meus colegas continuam e eu juntos, vamos para o intervalo e após. O governo avança com subvenção do diesel e procura medidas para conter alta do gás de cozinha. Até já.

Estamos voltando do intervalo pessoal. O governo continua na busca cada vez mais frenética de tentar, como seja, diminuir e mitigar as consequências possíveis do aumento do preço do petróleo. Houve uma série de negociações e agora sabe-se que parte dos governadores estariam dispostos a aceitar uma proposta do Planalto.

que implica subsídio à importação de diesel. A reportagem é de Thaisa Medeiros. Segundo o Conselho Nacional de Política Fazendária, 80% dos estados já sinalizaram positivamente pela adesão à medida. A equipe econômica disse não ser necessária uma unanimidade para a subvenção.

A economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, explica que o caminho até o consumidor é longo. O governo toma esse passo inicial para, mais uma vez, suavizar esses impactos. Não quer dizer que ele vai reduzir ou, de forma alguma, evitar que em alguma magnitude eles reverberem sobre a economia. Mas a garantia de que esses processos cheguem integralmente até o consumidor final, ela não existe.

A medida diz que o governo federal pagará 60 centavos por litro de diesel para garantir a entrada do combustível no país. Os estados, por outro lado, financiam outros 60 centavos.

A princípio, o governo federal tinha considerado uma mudança no imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços, o ICMS, mas os estados resistiam. O principal argumento contrário é que a redução seria capaz de gerar desequilíbrios fiscais nos caixas.

O Planalto, visando frear o aumento, zerou o PIS e o COFINS no preço do diesel, além de já ter realizado uma subvenção, mas sem o auxílio dos estados. Outro fator que freia parcialmente alta no diesel é a política da Petrobras de segurar o repasse dos preços internacionais para as bombas de combustível.

Segundo o relatório da Associação Brasileira dos Importadores de Combustível, a Abcom, a defasagem do diesel brasileiro é de 73%, ou R$ 2,65 por litro do combustível. Além do diesel, o governo teme o avanço nos preços para o gás de cozinha.

Com isso, também monta uma proposta de subsídio ao GLP como uma resposta à escalada dos preços causada pela guerra no Oriente Médio. A medida ainda está em análise, mas seria temporária. Para partes do mercado, isso acende uma outra preocupação, a das contas públicas.

Em fevereiro, o governo federal apresentou um déficit primário de R$ 29,5 bilhões, segundo o Banco Central. Junto disso, a dívida pública também cresceu, chegando a 79,2% no maior valor desde outubro de 2021. A cobrança de juros e o déficit constante nas contas públicas são os principais motivos para esse aumento no endividamento.

Thaís, é uma situação complicada de fato. A gente separou em dois pedaços essa reportagem. Um pedaço dela lida com as subvenções, tem que haver algum tipo de reação, todo mundo está tentando algum tipo de reação, e ela tem impacto naquilo que está registrado ao final da reportagem da Thaís. Isso é que é o impacto da dívida pública. Sete pontos percentuais aumentou desde que Lula assumiu. E aí, como é que sai disso?

William, lá em 2023 a expectativa era até pior, no final as contas acabaram vindo melhores do que o imaginado. O governo federal vai arrecadar bastante por causa do aumento do petróleo, por dois motivos. Primeiro porque a Petrobras vai pagar mais dividendos, mais royalties e vai arrecadar mais imposto naturalmente.

E ainda tem o imposto sobre exportação de petróleo. Então, além da via natural que já receberia, criou também mais um imposto. Então, esse é o momento, ele tem que usar esse dinheiro, é o momento de fazer a política pública e aplicar isso exatamente na fonte do problema, que é o aumento do preço do petróleo. A subvenção foi muito mais bem recebida pelos governadores e pode ser uma conta dividida, aliás, uma conta mais barata.

do que aquela do ICMS que o governo gostaria de ter feito primeiro. Então, fiscalmente... Parece que os governadores eram inaceitáveis. Era inaceitável. Fiscalmente, vale mais a pena fazer a subvenção, tanto para o governo federal quanto para os estados. E eu falo sempre isso. Mais vale a pena do que a renúncia fiscal.

Do que a renúncia fiscal, exatamente. Até porque o governo federal, em especial, os estados não vão ter aumento de arrecadação, mas o governo federal terá, e não sei aqueles produtores, mas são poucos. O governo federal terá. Então, esse é um ponto. O segundo ponto é...

Trazer mais um elemento aqui para a conversa, é que além dessa angústia com o preço dos combustíveis, que ainda não chegou no Brasil, porque a Petrobras não repassa, mas vai chegar em algum momento, assim a gente espera um mínimo de normalidade, o governo está muito preocupado com o endividamento das famílias, está pedindo solução rápida e aí sim tem dinheiro do Tesouro Nacional, obrigatoriamente vai ter que colocar.

E é por isso que o equilíbrio fiscal é exigido para, na hora que precisar fazer uma política pública que faça sentido, essa, por exemplo, da subvenção, não colocar em risco as contas. Agora, do jeito que as contas estão e ainda querer tomar medida eleitoreira, aí fragiliza mesmo. Encontraram essa chave de ouro de como tratar a questão de enviamento das famílias, Daniel?

Mais ou menos, William, sabe que na semana passada o presidente Lula reuniu seus principais ministros, principalmente aqueles do Palácio do Planalto, e foi uma grande discussão em que ele queria entender e pedir a opinião dos ministros sobre o seguinte ponto.

Por que aumentou a isenção do imposto de renda para trabalhador que ganha até 5 mil reais? Por que tem luz do povo, gás do povo, expansão de benefícios sociais, aumento dos limites do Minha Casa Minha Vida? E tudo isso não rebate em popularidade. Avaliação praticamente consensual ali em resposta à provocação de Lula. As pessoas estão mais endividadas.

E tem muito dinheiro escoando para as bets. Então, no final do mês, continua faltando dinheiro do mesmo jeito que faltava antes. As pessoas estão tão endividadas ou mais endividadas hoje do que antes do desenrola em 2023. O problema continua igual. O governo quer mexer nos juros do crédito consignado privado e nos juros do rotativo.

O que é um problema que está chegando e vai aumentar cada vez mais nos combustíveis? A gente está falando de gasolina e de diesel, mas amanhã, dia 1º, é a data mensal em que a Petrobras aplica reajustes para o querorzene de aviação. O que está se falando é de um reajuste de 54%.

Isso vai bater em preço de passagem. O governo está para soltar uma medida provisória tentando segurar reajuste de energia elétrica com empréstimas distribuidoras, 7 bilhões de reais. Então, tudo isso vai aumentando os jeitinhos que são necessários ou que o governo está estudando para empurrar o problema mais para frente. Guarda semelhanças.

com os jeitinhos dados em 2014 e que resultaram num realismo tarifário a partir de 2015. Esse ponto, desculpa Caio, eu só vou complementar aqui. A gente começou com combustível, passou para o endividamento das famílias, o Daniel traz querosene de aviação e traz conta de energia elétrica.

mesmo que haja uma folga em função da arrecadação com petróleo, estruturalmente o governo não pode sair, não poderia, não deveria sair fazendo o que ele quer fazer. Segurar o preço de energia elétrica é repetir essa condição criada pela Dilma Rousseff e que depois virou um estelionato eleitoral.

Foi o que aconteceu em 2014, porque ela segurou a conta de luz em 2014 e em 2015 a conta veio 60%, 70% de aumento. Então, é uma atitude extremamente arriscada do governo, não só fiscalmente. Caio, fizeram a culpa no Sidonho. Sim, e no Trump.

Bom, o Trump tudo bem, o Trump está lá longe. Agora, o Sidono é provavelmente, assim, a impressão que a gente tem, todo dia a gente lê a agenda do presidente da República, a gente tem a sensação, não quero falar mal de nenhum ministro, não, mas o Sidono parece ser o que mais trabalha.

Na verdade, essa reunião de hoje, eu já falei outras vezes aqui, eu gosto muito de cobrir reunião ministerial. Porque a reunião ministerial, as partes que não são públicas, e hoje eu me dediquei a falar com ministros, o que o presidente falou, quais ministros falaram, o que foi dito, ela indica rumos do governo. Isso para qualquer governo, desde que eu comecei a cobrir governos, na minha vida profissional.

E hoje, especificamente, três pessoas falaram nessa reunião, que foi uma reunião longa, além do presidente Lula, o Rui Costa e o Sidonio. O Rui Costa apresentou o balanço do governo.

E cobrou-se idôneo de não ter uma comunicação em público. Em público. Isso, em público, do que eles consideram que é um governo que entrega muito, faz muito, e essas dúvidas todas. O presidente Lula, essa questão do endividamento muito presente. E o Trump, eu estou batendo a tecla do Trump, porque eu já noto, já de umas semanas para cá, claro que a guerra já tem um mês, o impacto econômico dela, mas sim, o PT e o Lula vão levar.

a responsabilidade que eles atribuem ao Trump no preço da bomba, no preço do combustível, no preço do fertilizante, no preço dos alimentos, de fato eles vão levar. E o presidente Lula hoje se dedicou boa parte no discurso fechado, segundo os ministros me relataram, a atribuir a culpa ao Trump, tanto do ponto de vista econômico, do aumento inflacionário que pode afetar a reeleição do Lula, quanto do ponto de vista político, apontando ali.

uma ameaça de novo à democracia, à soberania brasileira, caso o Flávio Bolsonaro ganhe aqui, ou mesmo o Caiado, que assinou um acordo de terras raras com ele. Então, tanto do ponto de vista político quanto econômico, o Trump começa a aparecer nas falas dos petistas, do governo, dos ministros e do próprio presidente Lula. O Sidonio acha que isso aí cola, Daniel?

William, o Sidonio para começo de conversa é curioso que tem uma disputa interna ali o Rui Costa que foi quem criticou abertamente o Sidonio na reunião de hoje a turma do PT da Bahia tem o seu próprio queridinho na comunicação que é o secretário de comunicação do PT

Então, essa turma, Rui Costa, Jax Wagner, também não é chegada ao Sidônio, é ligada a outro grupo. Considerando que o Sidônio vem da Bahia, hein? Pois é, você vê que a Bahia tem vários grupos, né? Agora, o problema, eu cito muito, William, uma entrevista que o João Paulo Cunha, que foi...

Presidente da Câmara nos anos 2000, depois acabou se afastando da política porque foi condenado no Mensalão, reverteu sua condenação posteriormente, é pré-candidato a deputado federal e quer votar à Câmara dos Deputados, mas ele nos deu uma entrevista recentemente em que mostrava sua...

quase que indignação em que tudo que o governo fazia não colava na sociedade. Não colava porque era mal empacotado, o governo não conseguia se conectar com a população, fazia a leitura errada.

Humildemente, William, acho que o João Paulo Cunha tem um ponto, mas ele só erra no erro de comunicação. O problema não é esse. O problema de tudo que ele acaba descrevendo é a dita fadiga de material. As pessoas já não identificam essas coisas interessantes e bacanas com o Lula.

mas se apressam muito a identificar o negativo com o governo de ocasião, que aí não é um problema do Lula, é de qualquer governo de ocasião. Então, essa fadiga de material num terceiro mandato, talvez indo para o quarto, fica cada vez mais evidente. É isso. William, posso botar mais uma pimenta aí nessa nossa conversa? Arroes.

Carne, leite, frango, carne bovina, frango, ovo, tudo aumentando de preço. A maior surpresa negativa... 30% o ovo, né? O ovo, 30%. O leite, dois dígitos também. Arroz, a mesma coisa. A maior surpresa negativa no IPCA de fevereiro, as duas maiores, passagem aérea, nem tinha esse querosene aí que não chegou ainda.

Imagina, eles venderam passagem lá para trás e vão encher o tanque com 50% agora. Exato. Então, assim, ainda não entrou querosene, já assustou. E alimentação a domicílio, que no ano passado e no ano retrasado, especialmente nos últimos dois anos, a inflação da alimentação a domicílio foi dois pontos abaixo da inflação geral. Então, ainda tem...

a inflação, que ainda nem sentiu os efeitos. Aqui são problemas de safra, alguns problemas de escoamento, o preço internacional que já subiu um pouco. Então, calma que ainda vai apimentar mais esse prato.

E aí, qual vai ser a estratégia? Porque a sensação que a gente tem é que boa parte das medidas tomadas até aqui tem, e é bom, enfim, esforço para conseguir algum tipo de vantagem política eleitoral. Não vieram, através dessas medidas, as vantagens que se esperava. E agora?

Bom, William, a receita é de sempre, a do PT. Pacote de bondades, subsídios, tem um cálculo aí, se não me engano, acho que da Eurásia, de 88 bilhões de programas, tarifa zero, tarifa de energia, tarifa social. É a receita que fez o PT ganhar.

em 2006, 2010, 2014, 2022, esse é o mesmo receituário, só que o país está outro, está outro, acho que além da questão econômica, o impacto da guerra nos preços, tem o caso Máster também, que para mim ele paira acima e a forma como a crise do Supremo cola no Palácio do Planalto acaba sendo uma dificuldade também para eles conseguirem sair dessa, não estar numa situação confortável.

o governo e a campanha à reeleição do Lula hoje. Pode ser que mude, mas hoje a situação é desconfortável. Bom, vou me despedir dos meus colegas, Daniel, Thaís, Caio, obrigado. A gente vai para o intervalo na volta, o assunto é guerra. E o que Trump diz que pode fazer. Até já.

A gente está voltando do intervalo, nosso assunto é guerra. Conosco agora no programa, Dani Zaredin, professor de Relações Internacionais, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC de Minas. Dani, obrigado por estar conosco, boa noite. Boa noite, William. Boa noite, Lourival. E meu boa noite a você também, Lourival. Obrigado por estar conosco.

Contos da Casa Branca disseram à CNN que o governo Trump acredita que uma guerra contra o Irã deve acabar mesmo em três a cinco semanas. É o que o Trump está dizendo. O que a Casa Branca e o Trump dizem é bastante confuso, não é o jeito que a gente está dando a notícia para vocês. De fato, ele fala uma coisa e a gente não entende muito bem o que é.

O que a gente, por exemplo, hoje registrou é ele dizendo, olha, quem depende de petróleo e do gás natural que passa ali pelo Golfo Pérsico, pelo Estreito de Hormuz, sobretudo europeus e asiáticos, eles que se responsabilizem pela crise que ele mesmo criou. Agora, o Trump está prometendo, e a Casa Branca confirma isso, a porta-voz confirma isso, há poucos instantes atrás, cinco minutos atrás.

Ele vai fazer um pronunciamento amanhã, quarta-feira importante, com uma importante atualização a respeito da guerra. O que é? Até aqui não temos indicações. Acompanhe.

Donald Trump disse que os Estados Unidos devem encerrar a guerra em até duas ou três semanas, um prazo genérico que costuma dar sobre decisões importantes que tem que fazer. E afirmou que Washington não depende de um acordo com o Irã para acabar com o conflito.

Mais cedo, Trump havia dito que outros países devem criar coragem para buscar seu próprio petróleo, pois, abre aspas, os Estados Unidos não estarão mais lá para ajudá-los, fecha aspas. A cobrança de Trump é direcionada especialmente à Europa.

O presidente critica aliados da OTAN, a Organização do Tratado Atlântico Norte, por não cederem bases e ativos militares em apoio à ofensiva americana contra o Irã. Também nesta terça-feira, o secretário de Defesa americano, Pete Hexth, colocou em dúvida se os Estados Unidos agiriam em defesa da Europa em algum eventual ataque. O artigo 5 da OTAN define que uma agressão a um país-membro é uma agressão a todos.

A pressão sobre Trump para aliviar as tensões é cada vez maior.

Aqui nos Estados Unidos, o preço da gasolina chegou aos 4 dólares por galão. A última vez que isso aconteceu foi em 2022. E no Irã, a guarda revolucionária ameaçou atacar empresas americanas no Oriente Médio.

Em comunicado, o grupo citou os nomes de 18 empresas americanas que podem vir a ser atacadas, dentre elas Microsoft, Google, IBM, Tesla e Boeing. O braço militar paralelo do Irã afirmou que funcionários e aqueles que vivem em um raio de até um quilômetro de distância das empresas devem deixar a região. A Casa Branca respondeu que está pronta para impedir qualquer tipo de ataque do Irã.

Dani, só para acrescentar um pouco mais a confusão, mesmo a imprensa americana não sabe muito bem como manchetar o que o Trump está dizendo nas últimas duas horas. As manchetes mais simpáticas, ele até eu diria, são as que dão conta de declarações conflitantes a respeito de quanto tempo a guerra ainda dura e em que condições os Estados Unidos estariam dispostos a se retirar de lá. Ali ele deu uma indicação.

Parece que ele repetiu isso hoje várias vezes da mesma maneira, o que acontece sempre. Diz assim, a gente está pronto para sair de lá, mesmo que não haja um acordo. Um acordo seria irrelevante. É a sua interpretação.

Percebeu, William, que esse endgame que ele buscou de todas as formas não vai aparecer de uma maneira fácil. A ideia de invadir a ilha de Harg, a ideia de acabar com a capacidade do Irã de impedir os navios de passarem pelo Estreio de Hormuz e, principalmente, a possibilidade dos Houthis E aí

de fecharem o estreito de Bab el-Mandeb, isso aí deixou claro o custo que o presidente americano vai ter para buscar esse endgame que, de fato, dissesse, conseguir vencer a guerra contra o regime iraniano.

E a pressão enorme, não só do empresariado ou da política, mas agora das ruas nos Estados Unidos, colocou ele numa condição ainda pior. Então, eu vejo que a condição do presidente agora é de não ter alternativa a não ser...

Dizer, alcancei os meus objetivos, os meus objetivos eram obliterar, principalmente, o programa nuclear iraniano. O segundo, uma mudança de regime, porque eu matei o Ayatollah Ali Khamenei, e aí ele diz que agora outras pessoas estão no poder. Mas a verdade é que ele não suporta lidar com uma estratégia.

que foi muito bem organizada pelos iranianos, que compartilhou o curso dessa guerra com o mundo. Então, ele está desesperado por uma narrativa que possa, de certa forma, garantir a ele esse sucesso, essa vitória, mas só o ato de fala não vai funcionar dessa vez. Não vai funcionar.

É, Lourival, me sinto a obrigação de ir atualizando à medida que a gente conversa, porque ele vai dizendo coisas. Nove minutos atrás, 22h48 de Brasília, nove minutos atrás, o presidente americano disse o seguinte, em inglês, we will be living very soon. E acrescentou que ele tinha um objetivo.

quer evitar que os iranianos conseguissem manufaturar, fazer uma arma nuclear. Eu tinha esse objetivo, disse o Trump, aos repórteres. Eu consegui. Vai levar de 15 a 20 anos para voltar a ter essa capacidade e aí será problema do presidente americano da época. Ele disse que ele mudou o regime.

que não é verdade, e que é problema de quem precisa do petróleo, go and get it, vai lá buscar. Sendo que o Estreito de Hormuz nunca esteve fechado. Foi ele que causou o fechamento do Estreito de Hormuz e que era uma reação absolutamente previsível, que fazia parte da doutrina iraniana.

O Trump sempre ajustou os objetivos dele aos resultados a posteriori, a um método dele. E ele está fazendo isso agora.

Agora, existe algo que nesse caso especificamente é incontornável, que é o estreito de Hormuz permanecerá fechado e o galão da gasolina nos Estados Unidos, que era 2,90 antes da guerra, agora está 4 e com tendência de alta.

Isso não tem como ele mudar, principalmente se ele não vai conseguir abrir o Estreito de Hormuz. E os iranianos ainda puseram um pedágio lá agora, né?

É, verdade, 2 milhões de dólares e tal. E essa guerra ensinou para os iranianos que eles realmente têm essa capacidade e que o mundo, as forças armadas, duas das forças armadas mais poderosas do mundo, Estados Unidos e Israel, não são capazes de fazer isso. E a OTAN, o restante da OTAN, não tem o desejo de entrar numa guerra como essa.

Então, e um resultado também complementar a isso, é que ele tenta responsabilizar a OTAN, dizendo que a OTAN, como ele sempre disse, nunca viria ao socorro dos Estados Unidos. A única vez que o artigo 5º da OTAN foi acionado foi para socorrer os Estados Unidos, numa guerra que durou 20 anos no Afeganistão, com muitos mortos europeus, que foram para ajudar os Estados Unidos a derrotar o Talebã.

Sem sucesso, diga-se de passar. Depois dos atentados do 11 de setembro. É, foi a única vez. Então, é profundamente injusto, ainda por cima, dizer isso da OTAN. A OTAN não foi consultada sobre essa guerra do Irã, não foi informada, não concorda com essa guerra. Então, ele sai com um problema muito sério econômico para os Estados Unidos e para o mundo, uma derrota visível, clara e, ainda por cima, com a relação com os aliados mais esgarçada do que nunca.

Como sai Israel disso, Dani? Hoje, uma das decisões que trouxeram duas, né? Política doméstica e israelense, a gente já mencionou isso aqui em outras edições, a pena de morte para crimes de sangue, como eles falam, para palestinos em, no máximo, 90 dias.

Mas hoje chamou muita atenção também a decisão israelense de demolir as casas no setor sul do Líbano que Israel pretende ocupar. Como é que Israel sai disso?

É uma situação de esgarçamento das forças militares israelenses. Hoje, os reservistas e as forças formais de Israel estão acabadas de tanto...

de tanta guerra, vamos dizer assim, né? Existe uma pressão enorme por conta não só da guerra com o Irã, mas também com a guerra com o sul do Líbano. Muitos acreditavam que o Hezbollah estava acabado, né?

E nós temos observado que a imprensa israelense noticia a cada dia quatro mortes, três mortes, cinco mortes. Então, existe uma concepção dupla sobre o Estado de Israel hoje. Primeiro, o apoio à guerra, que no início, lá no dia 28, era quase que 92%, cai agora para aproximadamente 78%, 76%.

Então, as bombas caindo dentro de Israel, as bombas de fragmentação caindo em Tel Aviv, em Jerusalém, e as pessoas tendo a sua vida meio que transformada em razão de uma realidade que não é muito comum, começam a cobrar seu preço. Esse é um ponto. O segundo ponto é que os soldados estão voltando mortos lá do sul do Líbano.

E isso é uma memória muito negativa da presença de Israel no Líbano, que vai de 1982 até 2000, e reviver essa realidade vai ter um custo político para o Netanyahu também. Então eu vejo que há uma preocupação do Netanyahu, principalmente em justificar esse sacrifício, nas falas públicas dele, ele deixa claro isso, que é um sacrifício necessário, porque hoje...

O Irã, na fala do Netanyahu, não representa mais um perigo existencial como existia antes. Então, ambos, tanto o Trump quanto o Netanyahu, tentam criar um ato de fala, uma narrativa vitoriosa. Mas a realidade é que em ambos os casos, tanto nos Estados Unidos quanto em Israel, o impacto político dessa guerra começa a cobrar seu preço. Claro, do ponto de vista estratégico, Israel ganha mais com essa guerra.

Do ponto de vista político, Estados Unidos perde mais com essa guerra. Então eu vejo que, no caso israelense, acabar essa guerra agora ainda poupa um pouco mais o Netanyahu. Mas ele vai ter de lidar agora com a própria posição que é de direita, de sendo direita, que já começa a acusá-lo de conduzir a guerra de maneira equivocada.

A gente está atualizando à medida que estamos conversando aqui, evidentemente já é dia, faz tempo, lá do outro lado do mundo, e os mercados na Ásia abriram eufóricos. A gente tem aqui os dados da Coreia do Sul, 3,3%, o benchmark, o índex, e no Japão, 4,9% de subida. Eles estão levando bastante a sério o que o Trump disse. Vão se enganar?

Acho que não, e eu já vim dizendo isso desde ontem, que o Trump realmente estava já preparando o ambiente para justificar o fim da guerra, uma saída dessa guerra sem atingir nenhum objetivo.

de obliterar a infraestrutura do programa nuclear iraniano, ele disse que já tinha alcançado em junho do ano passado, então é absolutamente redundante. E aí entra um terceiro aspecto de derrota, de perda para os Estados Unidos. A gente falou da questão econômica, a gente falou da questão estratégica do Irã ter saído dessa guerra.

com a sua capacidade militar objetivamente degradada, mas com a sua projeção de poder aumentada, paradoxalmente. Que a geografia lhe dá, né? Pela capacidade de fechar o Estreito de Hormuz e mantê-lo fechado. E a terceira perda é de credibilidade. A gente já teve aquela saída caótica dos Estados Unidos no governo Biden do Afeganistão.

Agora, depois que houve aquele atentado contra guardas nacionais cometido por um refugiado afegão, o Trump começou a retirar o direito dos afegãos de ficar nos Estados Unidos.

E são afegãos que vieram porque receberam essa promessa, porque trabalharam com as Forças Armadas Americanas, não poderiam ficar no Afeganistão, que seriam trucidados pelo Talebã, como traidores da pátria. Agora esses afegãos correm o risco de ter de voltar para o Afeganistão. Da mesma forma, o Trump, em janeiro, disse que a ajuda estava chegando para os manifestantes.

iranianos que podiam enfrentar o regime, que essa é a oportunidade em uma geração, ele falou agora no dia 28 de fevereiro, quando a guerra começou. Esses iranianos não tiveram acesso ao poder, se jogaram nas ruas, milhares foram mortos.

Os aliados dos Estados Unidos, a OTAN sendo esculhambada mundialmente, sem ter culpa nenhuma dessa guerra, sendo responsabilizada pelo fracasso da guerra. Então, a credibilidade dos Estados Unidos como aliado fica extremamente enfraquecida.

Bom, a gente está encerrando esse segmento agora. Dani, queria agradecer ao Dani Zarridini, professor de declarações internacionais, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC de Minas. Mais uma vez a participação conosco. Mais uma vez, obrigado e boa noite, Dani. Eu que agradeço. É um prazer, William. Abraço para você e para o Lourival. Lourival, igualmente. Muito obrigado por estar à borda do WW.

Antes da gente se despedir, reitero, para mais conteúdo sobre os temas que a gente vem tratando aqui, e eu reitero, tanto os temas de política nacional como particularmente os da guerra no Oriente Médio, visite a página do www.nc.br. Nós temos parceiros de conteúdos, vocês vão gostar. Agora sim, essa edição está terminando. Obrigado a todos. Boa noite.

Trump só tem opções ruins na guerra no Oriente Médio | Castnews Index — Castnews Index