Investigações da PF contaminam as eleições
William Waack
Caio Junqueira
Christopher Garman
Daniel Rittner
Lourival Sant'Anna
Marilda Silveira
Thiago de Aragão
- Operações da PF e revelações recentesPregação de Pedro Paulo Matos · Tráfico de influência e corrupção · Confronto com Flaviano · Polícia Federal · Supremo Tribunal Federal
- Impacto eleitoral da investigação de LulinhaSensação de mar de lama · Aversão ao sistema · Eleições baseadas em rejeição · Crescimento da preocupação com corrupção
- Regulação e pressão sobre big techsCombate à desinformação · Posse de Cássio Nunes Marques no TSE · Inteligência artificial nas eleições · Deepfake · Tribunal Superior Eleitoral
- Influência de Donald TrumpEleições de meio de mandato · Guerra no Oriente Médio · Inflação e economia · Todd Blanche · Expansão do Republicanos na Alesp
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Boa noite. Acesse CNN Brasil. Este é o WW. O ministro André Mendonça do STF autorizou a Polícia Federal a investigar Fábio Luiz Lula da Silva, Lulinha, filho do presidente Lula. Lulinha. Suspeito de tráfico de influência e corrupção em conjunto com o lobista conhecido como Careca do INSS, em outro escândalo. São coisas separadas. O mesmo ministro André Mendonça já havia autorizado na semana passada pedido de investigação da Polícia Federal contra o senador Flávio Bolsonaro.
O objetivo desse inquérito é apurar para onde foram valores doados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao senador em princípio, para bancar um filme sobre o pai dele. O primeiro efeito político-eleitoral dessas investigações é bastante evidente. Cada lado comemora um gol contra o outro. Mas não é um jogo de soma zero, no qual tudo se equivale, se equilibra, pois pelo menos dois efeitos abrangem a totalidade do processo político brasileiro.
O primeiro desses efeitos é marcar ainda mais no público a impressão de que tudo é só sujeira, E que, no fundo, estamos falando de farinha do mesmo saco, que reforça o segundo efeito: uma profunda aversão ao sistema, entendido como um conjunto de instituições, inclusive eleições, que só merecem descrédito. O que não se pode negar é o fato de que a política brasileira, nesta fase, está presa, em grande medida, ao que faz ou não faz a polícia e o Judiciário, incluindo aí o STF e outros tribunais superiores.
É uma retroalimentação perpétua das bolhas e da polarização e o reforço da noção de que se trata de uma eleição em torno de taxas de rejeição, o que é no fundo falta de escolhas. Nessa edição falaremos também sobre a concentração de poder na mão do ministro Cássio Nunes no TSE e dos problemas internos que a guerra contra o Irã está trazendo para Donald Trump nos Estados Unidos. Aos participantes da nossa roda, eu quero agradecer em primeiro lugar aqui a presença no WW de hoje de Christopher Garman, diretor executivo para as Américas do Grupo Eurásia.
Christopher, a Eurásia são nossos parceiros de conteúdo no site do WW. Muito obrigado por estar conosco, Chris. Boa noite.
Boa noite, é um prazer estar aqui novamente, William.
E meus colegas Daniel Hübner de Brasília, boa noite. Caio Junqueira, que é ao meu lado em São Paulo, boa noite. O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou a Polícia Federal investigar Fábio da Silva Lulinha, filho do presidente. A suspeita de tráfico de influência e corrupção. Veja na reportagem de Thaísa Medeiros.
Os investigadores suspeitam que Lulinha tenha atuado com a empresária e amiga Roberta Luxinger para beneficiar a empresa World Cannabis, ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS na venda de cannabis medicinal ao governo. O que se busca saber é se, como filho do presidente, Lulinha teria facilitado o acesso, o trânsito e o contato de interessados junto às autoridades do Ministério da Saúde no processo de autorização para a venda de cannabis medicinal.
Numa petição ao STF, Lulinha afirmou ter conhecido Antunes por meio de Roberta, que o apresentou como empresário bem-sucedido do mercado farmacêutico. Os advogados admitiram que Lulinha teve despesas pagas pelo careca do INSS em uma viagem a Portugal em 2024 e que chegou a se interessar pelo projeto de produção de canabidiol medicinal. Mesmo assim, a defesa alega que o filho do presidente nunca fechou qualquer negócio com o empresário.
O pedido para abertura do inquérito sobre tráfico de influência foi feito no último dia 24 ao STF e distribuído para o ministro André Mendonça, relator de outro inquérito sobre desvios do INSS, no qual também a menção a Lulinha. No começo do ano, o STF quebrou os sigilos bancário e fiscal dele, apontado como sócio oculto de Antônio Carlos Camilo Antunes, preso desde o fim do ano passado pelo esquema bilionário de descontos indevidos de aposentadorias.
Lulinha, no entanto, não foi indiciado neste inquérito e nega ter conhecimento do esquema de fraudes.
Vamos conferir o que o presidente disse a respeito. Lula falou ao podcast Inteligência Limitada Confira o que ele disse.
Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa.
Não haverá nenhum privilégio.
Eu jamais pedirei para um delegado, para um juiz não fazer as coisas corretas. Se for julgado, ele virá para cá.
Não tem, não vai ficar escondido não.
Não vai ficar, não vou utilizar meu cargo para proteger.
Ele vai vir para cá.
Ele vai ter que provar que ele é inocente, como eu provei. Vai ter que provar. E se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra.
Cris, a pergunta central é o impacto eleitoral do que a gente viu hoje. Qual a sua avaliação?
Olha, eu acho que a linha que você deu na sua abertura, William, eu concordo com esse teor. Nós temos denúncias de corrupção tanto do lado do campo do presidente, associação com o filho dele, as investigações continuam. Também temos denúncias de corrupção do campo do Flávio Bolsonaro, com até áudios vazados nas conversas entre o senador e o Daniel Vorkar. Para mim, eu diria que isso acaba reforçando uma sensação de mar de lama no eleitorado como um todo.
Acredito que na campanha eleitoral, tanto a campanha do PT vai ter material para tentar acusar o senador Flávio Bolsonaro de associação com Daniel Porcaro, e a campanha do Flávio vai ter material também para denunciar a corrupção do lado do presidente. Se a gente olha numa competição entre esses dois, eu acho que é um nivelamento por baixo e nenhum vai ter uma vantagem sobre o outro sobre o tema de corrupção. E é importante a gente reconhecer que quando a gente olha as pesquisas nacionais, e você pergunta para o eleitor qual é a sua principal preocupação, duas preocupações se destacam: segurança e corrupção.
E nos últimos 4 meses, os institutos mostraram um crescimento da preocupação com corrupção e um declínio em média do tema de segurança. Então, corrupção está se transformando na principal preocupação eleitoral e nenhum dos dois candidatos são críveis nesses temas. É claro que isso pode abrir um espaço para um outro nome da direita ser mais competitivo do que as pesquisas estão mostrando. Acho que isso é um coringa da eleição que pode ter uma surpresa.
É difícil apostar nesse cenário, mas eu acho que quando você tem um eleitorado com um certo desgaste das duas grandes forças políticas, eu acho que isso é a novidade. Pesquisas qualitativas mostram que lulismo e bolsonarismo estão desgastados. E até apontaria para uma pesquisa da Nexos que mostrou que mais de 40% dos eleitores do Bolsonaro no primeiro turno concordam que eles estão votando nele por uma falta de boa alternativa.
Então, se uma outra alternativa aparecer na campanha, ele pode perder espaço no primeiro turno, sim. Então, eu diria que é mais isso, reforça a possibilidade de uma surpresa na direita, de um desses nomes subindo, e reforça esse desgaste das duas grandes forças políticas.
Lembra aquele joguinho de batalha naval, lembra, Daniel, que a gente jogava na escola? E aí você dava um lance e falava, acertou tal, acertou tal. Como é que as campanhas viram isso hoje?
Sabe o que está me lembrando mais ainda, William? Aquele clima de Que se vayan todos, da Argentina de 2002. Mas acho que não chegamos nesse ponto. Me permita compartilhar a visão de que me parece ainda uma grande guerra de rejeições. Os dois líderes nas pesquisas eleitorais, os dois principais candidatos nas pesquisas, têm somados 96% de rejeição. Mas o medo maior de um grupo é que o rival seja eleito, mais do que o apetite por uma terceira via.
E nesse quesito, William, me parece que a campanha do Flávio, que estava nas cordas Há várias semanas, desde o vazamento do áudio do Vórcaro, e aí teve vídeo da Michelle, teve tarifaço, hoje teve uma grande possibilidade de sair das cordas com 4 fatos: com Lulinha, com a liberação do sigilo de Jax Wagner. O que tá ali levantado é muito chocante e é muito grave. São indícios de corrupção muito chocantes quando você lê os documentos revelados hoje pela Polícia Federal e liberados por André Mendonça.
Teve uma mudança de marqueteiro na campanha do Flávio Bolsonaro, que dá naturalmente um novo gás, e uma sinalização de que a vice na chapa pode ser Tereza Cristina, que é uma candidata moderada, que dialoga com vários grupos econômicos, com o agro, consegue até falar ali com setores que tradicionalmente têm uma rejeição ao próprio Flávio. Então hoje Flávio Bolsonaro teve uma possibilidade de sair das cordas.
Acho que tem dois aspectos: o aspecto político-eleitoral e tem um aspecto institucional mesmo. Tem uma briga, uma disputa dentro da Polícia Federal entre as alas favoráveis a avanço de investigações, contrárias a avanço de investigações, congressos. Assim, o Supremo Tribunal Federal, parte do Supremo Tribunal Federal entende que a Polícia Federal trava investigação contra o governo. E também tem uma parte do Supremo e do universo político que entende que, além disso, parte da Polícia Federal avança contra os adversários do governo.
Então, que seria uma utilização do aparato de Estado para perseguir adversários. Agora, por outro lado, tem quem ache que, de certo modo, o que está em curso é uma tentativa de forçar uma mão, principalmente contra o Lulinha, porque já quebrou o sigilo dele, não achou nada e por aí vai. Enfim, tem todas as versões. Do ponto de vista político-eleitoral, eu considero até a questão do Lulinha muito mais forte do que a do Jacques Wagner, muito embora os indícios contra o Jacques Wagner sejam muito mais fortes do que há de indícios hoje contra o Lulinha, porque fica muito forte, é o que chega mais perto do presidente, é o filho do presidente, é o nome do presidente, é o apelido do presidente.
E por mais que ali na frente não se comprove nada, fica no ar o filho do presidente, Lulinha, que não é a primeira vez também que aparece o nome com suspeitas de envolvimento em negócios estranhos. Então sim, de fato, hoje tem um dia, hoje Quinta-feira tem um dia que se somar a troca da coordenação da campanha, do marqueteiro do Flávio, Tereza Cristina, Jacques Wagner, Lulinha, dá um respiro hoje para essa campanha do Flávio. Mas daí até se comprovar tudo são outros 500.
Cris, você e a sua equipe na Eurásia, acompanham a eleição brasileira, não é todo dia, é praticamente a cada hora. E vocês confeccionam relatórios, vocês estão naquele grupo dos que se arriscam a fazer prognósticos. Os prognósticos de vocês têm sido razoavelmente estáveis. Baixaram um pouquinho para o Lula recentemente, depois voltaram a aumentar um pouquinho para o Lula recentemente, se bem que não tanto quanto os modelos estatísticos que vocês usam.
Sugeririam que fossem as possibilidades de vitória do Lula. Esse noticiário das últimas horas de alguma forma altera o que vocês vêm dizendo ao seu público? Não.
E eu concordo com o diagnóstico que é um dia que a sensação de alívio na campanha do Flávio Bolsonaro é palpável. Você teve as denúncias contra o Jax Wagner, possibilidade de Tereza Cristina, caso de Lulinha. Mas o que é interessante, e a gente também, uma das razões que a gente não flutua tanto nas nossas popularidades, praticamente no período pré-eleitoral, William, é que a gente tem que reconhecer que os eventos que nós discutimos em programas como esse, é debatido na imprensa e entre lideranças políticas, muitas vezes não repercutem com a sensação do eleitor mediano.
Veja que muita coisa aconteceu no último mês e meio, altas e baixas. A campanha do Flávio tá nas cordas, mas você pega a média das pesquisas desde início de junho, nada mudou. Assim, o Flávio, o presidente Lula, tá com uma vantagem média, olhando a média das pesquisas, de uns 4 pontos percentuais, não é, que subiu no ao longo do mês de maio, em parte por causa do vazamento do áudio do Daniel Alvorcaro, mas também porque a gente viu um aumento da aprovação do presidente Lula entre final de abril e início de junho, em 3 pontos percentuais, todos os programas eleitoreiros.
Então, o presidente Lula teria recuperado independente de qualquer vazamento de áudio do Daniel Alvorcaro. Mas o que nós estamos vendo é um eleitorado que não tá focado na disputa ainda, tá focado no seu dia a dia. O presidente Lula tá com uma vantagem de 4 pontos percentuais. E aliás, eu até acho que é um pouco menor do que isso, porque institutos não estão calibrando bem nas suas sondagens quem é que vai votar no dia da eleição.
E a gente sabe que 20% do eleitorado que não vota tende a ser um pouco mais lulista do que conservador. Então a gente tem que dar um pequeno desconto para as pesquisas sobre o tamanho da liderança do Lula nas pesquisas. Então eu disse, acho que é uma certa estabilidade. O que nós estamos fazendo na Eurásia é tentando pegar todos esses eventos Denúncias contra o campo do Lula, contra o campo do Flávio, e como é que pode ser utilizado na campanha quando vier para valer a partir de 16 de agosto e quando os eleitores começarem a prestar mais atenção.
Então é nesse contexto que eu avalio que ambas as campanhas têm materiais de jogar lama uma contra a outra. Então eu não consigo ver uma vantagem relativa de um contra o outro. E eu também diria, William, que o desafio analítico dessa eleição, e você bem citou, a gente gosta de usar modelos de previsão eleitorais comparativos, pegando o banco de dados de 500 eleições nos últimos 40 anos, e nós temos dois modelos apontando para direções opostas.
Se você pega a taxa de aprovação do presidente Lula, que tá em 46, o índice de reeleição, olhando só a métrica de aprovação do governo, deveria estar em 75. Mas também sabemos que geralmente, em mais quase 80% dos casos, o candidato mais forte da principal preocupação ganha. E o presidente Lula não tem credibilidade nas duas grandes preocupações, que é corrupção e segurança. Então o desafio dessa eleição é que nós temos modelos de previsão eleitoral apontando para direções opostas.
É isso que eu sempre tenho dito para os nossos clientes, que é uma eleição mais difícil de cravar do que outras. É por isso que a gente não muda tanto as probabilidades. E a nossa mensagem: o Lula é um verdadeiro favorito, sim, Mas ele tem muitas vulnerabilidades que podem ser exploradas. A oposição certamente pode ganhar essa disputa.
Bom, no que o Cris falou, Daniel e Caio, aqui falando entre nós profissionais de mídia, primeiro lugar, que a gente tem que ser mais humilde. Aquilo que nos empolga tanto, o pessoal, o pessoal não tá nem aí, em outras palavras. E o segundo é algo que nós jornalistas não gostamos de dizer, que a gente não sabe dizer quem vai ganhar. É impossível prever nesse momento quem vai ganhar. E esse paradoxo é para nós um enorme desafio, Daniel, mas também para as campanhas.
Então, cheias de profissionais que fazem o que o Chris faz, que o que nós fazemos, que é olhar, interpretar os dados de pesquisas e do comportamento de público, extrair daí lições. Você é capaz, pelo que você apura, e você, Caio, Que lições cada um está extraindo?
Começa, Daniel?
É você que é mais experiente.
Um empurrando para o outro para ficar pensando.
De uma maneira geral.
Tem que ser rápido, é tipo um enxergue, vai acabar o tempo.
Essa eleição é imprevisível, essa eleição vai ser definida na reta final. Acho que a campanha do Palácio do Planalto, do presidente Lula, eu sempre falo isso aqui, ela é muito bem desenhada, muito bem ajustada. É a última campanha, é um partido e um governo que sabe usar a máquina muito bem, que já ganhou, é aquele time que já ganhou muito campeonato e está chegando para mais um campeonato para jogar. E não tem divisão interna.
Agora, a direita é super fragmentada, tem 4 candidatos, é um candidato que o que ele tem de maior atributo é o sobrenome. Nunca foi um gestor, não tem a experiência e aposta muito tão somente no antipetismo para tocar. Então precisa de algo mais. Esse algo mais eles estão buscando hoje, tentando trazer alguém com senioridade e credibilidade da senadora Tereza Cristina. Então acho que isso eles aprenderam, a campanha do Flávio até agora, que não basta só o sobrenome Bolsonaro e só uma agenda antipetismo para ganhar uma eleição.
Você precisa de algo mais. E aí que eles estão tentando fazer esse ajuste agora.
Daniel, eu tenho uma visão, para acabar, tá?
Eu tenho uma visão de que essa onda de direita que a gente tá vendo na América do Sul não é uma onda de direita, é uma onda anti-incumbente. A oposição tem ganhado em todos os países e num ciclo de 10 anos isso é alternado entre esquerda e direita. Nesse contexto, os governos são muito mal avaliados, talvez por um desgaste acelerado causado pelas redes sociais. Esse é um dos elementos. Então, tudo que for um plebiscito sobre o governo Lula tende a desfavorecer o governo Lula e a favorecer Flávio Bolsonaro.
Mas nos últimos meses, a gente não falou sobre o governo Lula, a gente falou sobre as crises de Flávio Bolsonaro. Na medida em que a gente tiver elementos— hoje foi um dia, precisa ver se vai durar, tem mais 3 meses pela frente— mas na medida em que a gente tiver elementos que voltem, permitam colocar no debate, o governo Lula, influência do Lulinha, o Jax Wagner, etc., isso favorece a oposição. E a oposição tem saído melhor em todos os países da América do Sul.
Eu posso adicionar só um ponto de comparação, William?
Claro, Cris, estamos acabando com você.
É, não, o Daniel tem toda razão que a gente está num ambiente difícil para incumbentes, e também estamos em eleições na América Latina que a grande preocupação com segurança tem ajudado candidatos da direita. Mas eu só diria o seguinte: nenhum incumbente na América Latina perdeu a reeleição com a taxa de aprovação que o presidente Lula tem hoje. Então, os casos que a direita prevaleceram geralmente era com governantes com índice de aprovação bem mais baixo do que o presidente Lula.
Isso para concorrendo à reeleição, tá? Então é só, eu acho que o presidente Lula está melhor posicionado do que seus pares na região nesse quesito.
Cris, queria começar por você, Christopher Gorman, agradecer a participação. Cris é diretor executivo para as Américas do Grupo Eurásia. E temos grande orgulho de dizer nosso parceiro de conteúdo no site do WW. Obrigado, Cris. Boa noite.
Boa noite.
Daniel e Caio, a gente continua juntos depois do intervalo comercial. O TSE muda regras para atuação das Big Techs. Concentração de decisões com o presidente Nunes Marques.
Até já.
Estamos voltando do intervalo, WW, agora com grande prazer de dizer que Marilda Silveira, advogada eleitoral, professora de Direito Administrativo Eleitoral do IDP, está conosco. Boa noite, Marilda, obrigado.
Boa noite, eu quem que agradeço.
Vamos ao assunto. O Tribunal Superior Eleitoral mudou as regras para atuação das Big Techs ao longo das eleições agora, essa de 2026. O presidente da corte, ministro Nunes Marques, ele desta maneira, vamos ver, concentra mais casos depois de mudanças nessas regras decididas por ele mesmo? Reportagem de Luciana Amaral.
A menos de 3 meses das eleições, o TSE endurece a estratégia de combate à desinformação e eleva a pressão sobre as Big Techs. A corte exige que as principais plataformas digitais apresentem planos para prevenir e conter a circulação de conteúdos irregulares durante a campanha. As empresas vão ter de informar como combatem a desinformação, identificam perfis falsos ou automatizados, impedem disparos em massa, monitoram o uso de ferramentas de inteligência artificial e cumprem determinações da Justiça Eleitoral.
A medida também centraliza na presidência do TSE a fiscalização das plataformas. Caberá ao ministro Cássio Nunes Marques aprovar os planos, cobrar ajustes e acompanhar o cumprimento das obrigações impostas às empresas. Nunes Marques já detém a relatoria de alguns dos processos mais sensíveis da disputa eleitoral, entre eles, as ações sobre a pesquisa da Atlas Intel que trazia o conteúdo de conversas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, o uso também da inteligência artificial para recriar a imagem de Jair Bolsonaro na convenção do PL e sobre conteúdos gerados por inteligência artificial contra o presidente Lula.
A concentração de casos se tornou possível depois de uma mudança nas regras internas da Corte, adotadas na gestão de Nunes Marques. Ele passou a integrar, junto ao vice-presidente do tribunal, André Mendonça, o grupo de ministros que podem relatar ações sobre propaganda eleitoral. Até o início deste ano, esses processos ficavam concentrados na ministra Estela Aranha, indicada por Lula. Segundo o tribunal, a mudança busca dar celeridade à análise das ações durante o período eleitoral.
Também está em jogo uma disputa sobre competências. No TSE, houve desconforto com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de pedir explicações sobre o vídeo de inteligência artificial exibido na convenção do PL. Alguns ministros do TSE entendem que parte da discussão sobre o caso deve ser feita somente pela Justiça Eleitoral. Por outro lado, Moraes mantém processos no Supremo com o potencial de influenciar o cenário das eleições.
Às vésperas da campanha, o TSE se vê diante de dois desafios: combater a desinformação e preservar a força da justiça eleitoral.
Mário, são temas extraordinariamente complexos. Eu vou tentar fatiá-los um pouquinho, sobretudo para que a audiência nos acompanhe. De fato, o ministro Cássio Nunes Marques faz uma resolução a respeito do comportamento que ele espera que as Big Techs adotem. E a conclusão imediata parece ser a seguinte: bom, então ele vai vigiar as Big Techs, agora que resolução é essa? Ela é suficientemente rígida a ponto de permitir uma supervisão estrita ou, ao contrário, as Big Techs estão mais confortáveis?
Bom, William, é difícil dizer se elas estão mais ou menos confortáveis. Eu acho que a gente pode concluir que elas têm mais obrigações do que elas tinham. Esse plano de conformidade que o TSE regulou agora, ele na verdade já vinha previsto na Resolução 23.610, foi aquela que foi aprovada no início do ano depois das audiências públicas. Inclusive, esse dispositivo foi uma proposta do grupo de pesquisa do qual eu faço parte lá no IDP, que exige que as plataformas apresentem um plano de conformidade.
O que que é isso? Que elas demonstrem que estão atuando de acordo com o que tá previsto na resolução. Então o ministro colocou o olhar dele do que que é esse plano de conformidade. Respondendo mais objetivamente a pergunta, se elas estão mais ou menos confortáveis e como que é a posição do presidente em relação a isso, eu imagino que elas estejam mais confortáveis na medida em que elas agora sabem com mais clareza o que elas vão ter que fazer, e menos confortáveis no sentido de que agora elas têm obrigações claras e não dá para dizer que estão fazendo o que podem.
E o ministro-presidente, ele mantém as competências na resolução, pelo menos por enquanto, que ele tem desde o ministro Alexandre de Moraes, quando o Supremo fez aquela resolução que dava para presidência do TSE alguns poderes para executar as regras das resoluções.
Daniel tem uma pergunta também.
Daniel, eu queria, William, aproveitar e retomar um pouco aquela questão do vídeo de Ado Bolsonaro apresentado na convenção do PL no fim de semana. Na avaliação da Marilda, isso pode gerar alguma punição para campanha?
Pode. Eu não tenho nenhuma dificuldade, ao contrário da polêmica toda que foi criada em relação a isso, de concluir que Tá errado de cima a baixo. Primeiro que quem não tem direitos políticos não pode praticar atos que só quem tem direitos políticos pode praticar. Então, se o ex-presidente não sabia, como afirmaram hoje, o candidato tinha obrigação de saber que o seu pai e seu representado, porque ele atua como advogado, não tem direitos políticos.
E direitos políticos suspensos significa que não pode fazer nem campanha nem pré-campanha, nem propaganda intrapartidária, que também é uma questão colocada. Às vezes não é propaganda eleitoral, não interessa. Quem tem os direitos políticos suspensos não pode praticar ato de campanha. Isso significa que a propaganda é uma propaganda irregular. Se é uma propaganda irregular, ela é uma propaganda ilícita e, portanto, sujeita à aplicação de multa.
Isso é suficiente para impedir ele de fazer campanha? De jeito nenhum. É um ato ilícito de campanha. É suficiente para caçar o mandato de alguém? Também não. O que a gente precisa olhar é no final de uma campanha tudo que foi feito, um conjunto da obra, se a soma desses ilícitos, ou eventualmente o ilícito muito grave, impactou na legitimidade das eleições. Mas que isso é uma propaganda irregular não precisa nem entrar na inteligência artificial. Tem alguém com direitos políticos suspensos fazendo campanha intrapartidária.
É interessante a forma como a gente compara 2026 com 2022 na atuação do TSE. E ainda assim, como premissa, né, o TSE de 22 com Alexandre era um TSE mais intervencionista. O TSE de 2026 é um TSE mais liberal, né, em termos de deixar correr. Mas essa questão das big techs, ela, a despeito de ser um TSE mais liberalizante, menos intervencionista, com o Cássio Nunes Marques e com o André Mendonça ali no comando, eles ainda assim têm um olhar e esse olhar que a tecnologia, o impacto da tecnologia na eleição, esse controle das big techs.
Eu achei interessante essa semana, o Cássio Nunes Marques tomou uma decisão também que mostra ali um aperto nas Big Techs ao determinar que a Meta, que é o Facebook e o Instagram, preservasse os dados de 51 perfis falsos que atacavam, criticavam Flávio Bolsonaro. Ele decidiu não suspender esses perfis, mas ele decidiu investigar, buscando ali entender essa articulação toda. Então eu comparo muito toda essa campanha. Em 2022 a gente cobriu aqui, inclusive já na CNN, é bem distinta a forma como o Alexandre conduziu e como o Cássio Nunes conduz.
Marília, é interessantíssimo o ponto que você levanta, dado o fato de que todos sabemos que em Brasília não tem bobos. E a campanha do Flávio, por exemplo, tem entre seus integrantes uma colega sua de muita expressão no campo no qual você opera no direito eleitoral. É difícil para nós jornalistas veteranos imaginar que não tivesse havido algum tipo de consulta prévia ao ministro presidente do TSE sobre o referido vídeo. A sensação que temos, eu queria saber qual é a sua, é que Cássio Nunes Marques não está disposto a intervir como o seu antecessor fazia.
Parece haver um empenho por parte deste ministro presidente do tribunal hoje de marcar uma diferença, como o Caio acabou de falar, de estilo pelo menos, em relação a quem o antecedeu ali. É difícil imaginar que um ministro fique sozinho e é difícil imaginar que ele aplique uma punição ou não, Marilu.
Bom, é, a diferença entre os juízes é do Judiciário, é do pressuposto do Judiciário e é da natureza humana, né? E de fato parece que o perfil do Ministro Alexandre é diferente do perfil do Ministro Cássio. Eu não sei dizer se de fato ao longo das eleições ele vai ser mais flexível com relação à execução das competências, e ele tem muitas, né? Inclusive é competência do presidente do TSE retirar do ar publicações que sejam idênticas àquelas que o plenário já determinou que são ilícitas.
Mas me parece que o fato é que as eleições de 2022 são bastante diferentes das eleições desse ano, porque a gente tem inteligência artificial num nível de utilização que a gente não tinha em 2022. Isso vai exigir do TSE uma fixação de uma diretriz. E essa discussão sobre essa diretriz, se é menos interventiva ou mais interventiva, ela é de cada processo eleitoral. Eu concordo que há uma sinalização de que o tribunal vai intervir menos esse ano.
Se isso é bom, se isso é ruim, é difícil a gente dizer, porque a gente tá vivendo uma coisa que a gente nunca viveu, né? Mas eu tendo a achar que aonde a liberdade impera, tem prevalência quem tem mais disposição para o ilícito e quem tem mais poder. Então eu concordo também que muito dificilmente o universo da campanha do candidato Flávio não tenha conseguido aferir todos esses riscos. O que eles fizeram foi claramente uma relação de custo-benefício, é aonde que eles perderiam e ganhariam menos. E a decisão foi tomada, e essa aí que todo mundo viu.
Daniel, William, eu já traz isso aqui na segunda-feira, me parece que Professora Marilda obviamente pode discordar, mas me parece que Jair Bolsonaro é o grande cabo eleitoral não só do Flávio, mas de uma miríade ali de candidatos a governador, a deputado, ao Senado. É óbvio que Fernando Haddad também era o poste do Lula em 2018, mas a diferença agora é que a gente tem inteligência artificial. E o que me parece que é o grande drive ali do do TSE nessa decisão, pelo menos da maioria do TSE, é estabelecer um limite de acenar.
Olha, não é de colocar em xeque a elegibilidade de Flávio Bolsonaro ou da chapa, mas de sinalizar que, olha, a conduta reiterada, o uso reiterado de inteligência artificial, não só por Flávio, mas por toda essa gama de candidatos que eu mencionei, Aí vai dar problema. Então, uma decisão que sinalize para isso agora.
Peraí, peraí, você me perdoa um segundinho, Caio? Claro. Eu queria muito ouvir a Marilda sobre isso. Fazendo uma analogia, Marilda, nós tivemos evidências muito claras da dificuldade do Legislativo e também do Judiciário, por exemplo, definir o que é fake news. Agora, como você mesma assinalou várias vezes, a ênfase que você deu, ao peso dessa nova tecnologia, que tem uma transformação brutal aí fora, aqui dentro e tudo. Você vê o TSE em condições de traçar uma linha clara, o que pode, o que não pode com inteligência artificial?
Sem dúvida nenhuma, vejo com condições. E inclusive no mundo todo o TSE é elogiado por isso. Me parece muito claro, isso aconteceu no mundo todo. O Brasil não é a primeira eleição geral que vai ter inteligência artificial. Isso aconteceu na Índia. Aliás, eu passei em diversos TRS falando sobre isso e apresentando casos de outros países em que isso aconteceu. E o tribunal, quando tomou decisão no artigo 9º-C de dizer que a inteligência artificial não poderia ser utilizada para prejudicar o beneficiário candidato, ainda que com autorização da pessoa, veja, não é caso de transparência.
Não é uma questão de eu contar para o eleitor que eu tô usando inteligência artificial. Como fizeram nesse vídeo, é de não poder usar, porque isso dissimula uma realidade. Não é só dizer assim, ó, eu tô aqui na inteligência artificial, porque veja, um candidato ele próprio é uma pessoa que pode ou não falar inglês, que pode ou não ser engraçado, que pode ou não falar bem. E uma inteligência artificial pode dissimular a realidade para uma pessoa que aquele que tá se apresentando não é.
Isso aconteceu em outros países, o candidato não tinha apelo com a juventude, Mas a sua IA era super engraçada. É por isso que a resolução, na minha visão, e me parece que o texto expresso, não permite o uso de inteligência artificial quando ela simula uma realidade usando voz e imagem de alguém numa situação em que a pessoa não estava nem nunca esteve. Não é uma questão de fake news, é de transformar a realidade artificialmente de uma forma que ela nunca existiu.
Isso que é considerado deepfake. Tá tendo uma confusão entre o que é fake news, que é você produzir um conteúdo com uma mensagem falsa, e outra coisa é você produzir um conteúdo que é profundamente falsificado, que simula uma realidade que não aconteceu. É esta segunda alternativa, que é o uso de inteligência artificial, que a resolução proibiu e que foi utilizada me parece, na abertura da campanha.
Mas aí então, por que o caveate que tem nessa resolução, que aqui muitos colegas seus estão dizendo este ponto é que torna a resolução problemática? É o ponto que vem depois da resolução, que diz assim: o que não se pode é enganar. E aí?
Mas veja, é diferente, William. Você pode usar inteligência artificial artificial para diversas coisas, muitas coisas. Usar inteligência artificial para enganar é proibido desde sempre. Eu não preciso de inteligência artificial para enganar o eleitor produzindo uma propaganda com conteúdo falso. O que a inteligência artificial faz é embalar conteúdos, ainda que verdadeiros, e o que a lei proíbe é que este conteúdo na minha perspectiva, seja embalado de uma forma que o eleitor não seja capaz de julgar pelos seus próprios olhos.
A gente às vezes esquece no processo eleitoral que o mais importante, a pessoa mais importante no processo eleitoral, o eleitor, não é só um candidato em relação ao outro, não é só a isonomia. E o eleitor, quando se depara com um vídeo de inteligência artificial de uma pessoa que não existiu fazendo daquela forma que ela tá fazendo, não é capaz de julgar E o mínimo que a gente espera de um processo eleitoral é que o eleitor consiga separar o que é fato de valor.
E isso ele não consegue julgar. A gente tem um caso na Índia do candidato que fez o pai dele, que já tinha falecido, dizendo no vídeo: eu sou o pai do candidato, eu já faleci, não sou eu falando aqui, mas eu tô aqui para dizer que o meu filho é o melhor candidato e eu estou aqui entre vocês pedindo o seu voto. Se for permitido utilizar inteligência artificial neste formato de produção de um conteúdo altamente falsificado, de um conteúdo que simula realidade que não existiu, as mais diversas formas de utilização vão ser permitidas.
Não é só alguém que tem direitos políticos suspensos, que tá preso, que vai dizer que não sabe que o vídeo foi feito e que vai ser possível distribuir responsabilidade a critério e ao gosto do freguês. Mas o problema tá no eleitor, que não vai ser capaz de julgar a realidade como ela existe. A gente passa a ser incapaz de julgar a realidade porque a gente não sabe o que é real e que não é.
Marilda, eu sou contra a minha vontade obrigado a encerrar esse segmento. Tenho certeza que a gente vai continuar. Tô vendo também a atenção e ansiedade dos meus colegas, o Daniel e o Caio, de quem eu cortei a palavra Peço perdão, tá? A gente com certeza continua, é um dos pontos fundamentais dessa eleição que tá aí. Eu agradeço muito a sua disposição de vir aqui ajudar a gente a entender e, por tabela, ajudar a nossa audiência a entender também.
Marilda Silveira, advogada eleitoral, professora de Direito Administrativo Eleitoral do IDP, muito obrigado pela participação. Boa noite, Marilda.
Eu quem agradeço, William. Boa noite a vocês.
Dani, Caio, desculpa de novo, amanhã o programa é teu. Sim, ele se vinga. E boa noite a meus colegas. Pessoal, a gente vai para o intervalo. Na volta, os problemas que Trump vem enfrentando no cenário doméstico americano. Até já. Estamos voltando do intervalo. Conosco agora no programa o analista político Tiago de Aragão. Tiago é CEO da consultoria Arco Advice International. Arco também é nossa parceira de conteúdo no site do WW.
Ele tá em Quebec, no Canadá. Boa noite aí para você no calorento Canadá e obrigado por estar conosco, Tiago.
Boa noite, é um prazer como sempre.
Lourival Santana, meu boa noite a você.
Boa noite.
Há 3 meses das eleições de meio-termo para o Congresso dos Estados Unidos, uma série de desafios está pautando a relação do presidente Donald Trump com a própria base republicana. Uma pesquisa divulgada pela CNN lá, divulgou, foi ela nessa pesquisa nessa quinta-feira, indica que os democratas têm uma largaram na frente em termos de preferência dos eleitores. Reportagem da correspondente em Washington, Mariana Giangiacomo.
As eleições de 3 de novembro marcam a renovação de um terço do Senado e de toda a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. A capacidade de Donald Trump governar pelos próximos 2 anos de mandato depende, claro, do resultado. E os desafios para Trump com a própria base são muitos. Passam pela guerra no Oriente Médio, problemas econômicos e a insatisfação de um grupo de republicanos cada vez mais vocal contra o presidente. É esse grupo que está lutando para barrar a nomeação de Todd Blanche como procurador-geral, cargo que já ocupa de maneira interina.
Trump admitiu a possibilidade de retirar a indicação enquanto espera o término dos mandatos dos principais senadores contrários a Blanche, que não concorrerão às midterms. John Cornyn e Thom Tillis querem garantias de que Blanche abandonou em definitivo a criação de um fundo de quase US$1,8 bilhão para indenizar cidadãos americanos que alegam ter sido alvo de perseguição política pelo governo federal. Em meio ao impasse, mais uma notícia preocupante para Donald Trump.
Uma pesquisa da CNN mostrou vantagem para os democratas entre os eleitores. 38% dos que responderam à pesquisa disseram que o país estaria melhor nas mãos da oposição, enquanto 33% acreditam que o cenário, nesse caso, seria pior. Para 29%, uma vitória dos democratas no Congresso não faria diferença. A principal preocupação dos americanos segue sendo a economia, cada vez mais impactada pela guerra no Oriente Médio. O crescimento econômico no segundo trimestre veio menor que o esperado: 1,5%, contra a expectativa de 2,1% dos economistas.
Ao mesmo tempo, a pausa temporária nos ataques ajudou a reduzir a pressão sobre os preços do petróleo e a fazer a inflação geral cair em junho. Um alívio provavelmente temporário, conforme as tensões voltam a escalar. A gasolina já voltou a custar mais de $4 pelo galão, colocando dúvidas sobre o futuro da política monetária do Banco Central e os rumos da segunda metade do mandato de Donald Trump.
Tiago, o Trump comprou uma briga boa. Essa dificuldade que ele tá tendo de fazer passar, porque até aqui é o em exercício, né, todo blanche é o Attorney General em exercício. O ponto central é o tipo de proteção que ele tem garantido ao Trump contra, contra o que o Imposto de Renda quer investigar.
Essa situação do Trump em relação ao Congresso é tudo fruto não só da inflação, mas a guerra do Irã tem um aspecto muito pesado nisso. E isso acabou desencadeando uma insatisfação muito generalizada que começou a estimular republicanos ao observar temas anteriores que eles aprovavam e apoiavam o governo Trump, mas que agora eles se sentem no direito de rejeitar, justamente pelo ambiente deteriorado que o presidente encontra. O Todd Blanche, ele é uma proteção muito grande para o Trump, porque o aspecto do Imposto de Renda é um dos temas centrais da campanha da oposição em relação ao Trump nas últimas eleições, e é um tema que sempre acaba voltando.
Eu diria que o tema do imposto de renda aliado ao tema do Epstein são os dois grandes fantasmas ou esqueletos que tem no armário do Trump e que ele precisa de alguma forma ou outra ter pessoas leais para proteger. Mas nem isso, nem essa argumentação tá sendo suficiente, porque muitos desses republicanos, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, estão vendo nas pesquisas locais, que são mais frequentes, que indicam que vários candidatos democratas estão se saindo melhor e com a possibilidade maior de desbancar muitos desses parlamentares americanos.
Se isso é um pesadelo para o Trump, naturalmente isso é um pesadelo muito maior para esses próprios políticos que estão vendo ali a possibilidade de perder o caso. Então existe um efeito dominó muito grande que começou com inúmeras insatisfações do passado e estão culminando com as insatisfações do presente.
Isso significa, de alguma forma, a gente várias vezes já especulou sobre isso e não era exatamente o que a gente estava vendo acontecer, mas acho que cabe a pergunta novamente: algum tipo de diminuição da capacidade de Trump de controlar o Partido Republicano?
Sim, mas pela margem, realmente, porque esse caso da não aprovação do Todd Blanche se refere a dois senadores, o John Cornyn e o Thom Tillis, que os dois decidiram não concorrer mais porque o Trump os boicotou, né? Tinham posições críticas em relação ao Trump e aí o Trump os boicotou nas primárias e eles desistiram de suas cadeiras. Então daí, digamos, a coragem deles de enfrentar o Trump no final dos mandatos deles. E havia um acordo, não só com relação a essa investigação da Receita Federal sobre a fortuna do Trump e dos filhos dele, que poderia levar a um pagamento de US$100 milhões em multas, de impostos, mas também a outra questão que gerou escândalo, e aí é um escândalo mais amplo, que é entre os republicanos, que é aquele projeto de pagar 1,8 bilhão de dólares de indenização para as pessoas que foram condenadas pela invasão do Capitólio.
A título de perseguição do Estado contra elas.
É. Transferência de recursos para os seguidores do Trump. Essa é a visão de republicanos contrários a essa ideia, sem falar dos democratas que também são...
Não, mas essa mataram, né?
Mataram, mas essa era a missão do Todd Blanche, de fazer essas duas coisas. E aí, o Corning e o Tillis se reuniram com o Blanche e falaram assim, vamos fazer assim, você Reduz o escopo dessa espécie de proteção tributária para o Trump, apenas ao Trump, a dois filhos dele, à Organização Trump e aos anos anteriores, e aí a gente já aprova. Aí o Trump falou, não, eu prefiro retirar o nome do Blanche, manter o Blanche como Acting Attorney General, como procurador-geral interino, esperar a eleição.
E depois eu recoloco o nome dele. Ou seja, ele prefere ter um procurador-geral questionado, que pode até ser questionado judicialmente, que é uma situação precária de manter por muito tempo de forma interina, do que ter algum tipo de constrangimento, de limitação na questão fiscal tributária. Então ficou muito claro É claro que para o Trump a questão pessoal dele é mais importante do que a questão institucional do Departamento de Justiça.
Sem contar que pode ser que ele não tenha maioria suficiente no comitê do Senado, do Judiciário, para aprovar depois dessas eleições de midterms o nome do Blanche.
Vamos olhar para o outro lado. Os democratas conseguiram se reorganizar? De alguma maneira em função das eleições de meio-termo. Tiago, o noticiário que a gente tem lido é que eles igualmente não sabem muito bem o que fazer.
É, esse é o ponto que é mais evidente, que os democratas eles não estão ganhando uma vantagem por seus próprios esforços ou por uma reorganização que os levaram a se colocar numa posição de favoritos. Muito pelo contrário, Independente da sequência de erros e equívocos do governo Trump, que é reconhecido por muitos republicanos e principalmente por eleitores independentes que votaram republicano nas últimas eleições, é a atuação dos democratas não é suficiente para levar todo esse apoio para aquele lado.
Então existe ainda uma dúvida muito grande que aquele número da pesquisa que foi apresentado pela Mariana é muito emblemático, onde quase 30% do eleitorado acha que os democratas no governo, eles não fariam nenhuma diferença. Isso vem muito desse descrédito que tem por conta de uma percepção de que a política dos democratas ela acaba sendo muito caricata, e uma caricatura que não reflete necessariamente o momento, que ela não é propositiva, mas ela é se especializou em apontar os problemas do governo Trump, mas não necessariamente em apontar soluções.
Por último, do ponto de vista das consequências políticas domésticas americanas da guerra contra o Irã, elas já estão precificadas politicamente ou não?
Elas estão, né, porque tem impacto sobre a inflação. Direta e sobre a popularidade, porque é um descumprimento de promessa de campanha fazer essa guerra e o constrange na condução da guerra. O próximo passo teria de ser militarmente o desembarque de tropas e aí até mesmo os republicanos se oporiam de uma forma muito enérgica contra isso. Então, as midterms para os republicanos estão muito prejudicadas. Por causa dessa guerra e o Trump aparentemente está sem condições de resolver essa questão e a única aposta dele é dificultar que os eleitores mais pobres votem, que são os mais castigados por essa crise econômica.
Eu estou encerrando aqui, queria agradecer a você, Thiago de Aragão, CEO da Consultoria Arca Advice, que é também nossa parceira de conteúdo no site do WW. Pela participação. Boa noite, Thiago.
Boa noite, muito obrigado.
Igualmente, Lourival. Boa noite, prazer tê-lo a bordo. Tá terminando nossa edição. Meu recado de sempre: procure na página do www, no site da CNN, tem mais materiais sobre o que a gente trata aqui quando estamos ao vivo. Agora sim, tá terminando. Obrigado, boa noite.
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