Episódios de WW – William Waack

Caso Master aprofunda divisão no STF

20 de março de 202653min
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Daniel Vorcaro foi transferido para uma cela na Polícia Federal, em Brasília. Medida que facilita os trâmites da delação premiada proposta por seu advogado. Isso ocorreu pouco depois de o ministro Gilmar Mendes ter proibido a quebra de sigilo de um fundo, controlado por Vorcaro, que adquiriu participação da família do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá. Gilmar reverteu voto de uma comissão parlamentar de inquérito e, na prática, ajudou Toffoli a conseguir o que já tentara diretamente, sem êxito, com o relator do caso, André Mendonça. No roteiro desse escândalo, há claramente duas forças opostas. O âncora da CNN William Waack, Thaís Herédia, analista de economia, Caio Junqueira, analista de política, Daniel Rittner, diretor editorial de Brasília, Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme, e Luciana Amaral, repórter da CNN, debatem o tema.
Assuntos10
  • Banco MasterTransferência de Daniel Vorcaro para cela na Polícia Federal · Delação premiada de Vorcaro · Proibição de quebra de sigilo por Gilmar Mendes · Fundo que adquiriu participação da família de Dias Toffoli no resort Tayayá · Reversão de voto de Gilmar Mendes em comissão parlamentar · Investigações vs. proteção institucional no Supremo · Polarização entre forças investigativas e defensoras do STF · Papel de André Mendonça como relator · Defesa técnica vs. segurança jurídica da delação · Tensão institucional entre Polícia Federal e PGR · Possível questionamento sobre participação da PF na delação conjunta · Influências políticas na delação
  • Conflito EUA-IrãAtaques contra infraestrutura energética do Irã · Fechamento do Estreito de Ormuz e impacto no petróleo · Negociações Trump para redução de sanções a petroleiros iranianos · Escalada de preços do petróleo · Estratégia iraniana de pressão regional · Envolvimento de países do Golfo (Qatar, Emirados Árabes Unidos) · Possibilidade de operações terrestres · Afetação de produção de gás natural · Possível entrada dos houthis no conflito · Volatilidade nos mercados energéticos globais
  • CorrupçãoContrato de escritório de Viviane Bárcia com Banco Master · Conversas entre Morais e Vorcaro · CPMi do INSS e análise de empresas de telefonia · Número de funcionado Supremo em dados de celular de Vorcaro · CPMi do crime organizado e ligações com corretora Reage · Suspeita de ligação com esquema de lavagem de dinheiro para PCC · Fundo Island e quebra de sigilo · Participações de Toffoli em resorts
  • Crise de Combustíveis BrasilAumento de preços de combustíveis no Brasil · Redução de fornecimento da Petrobras às distribuidoras · Política de preços da Petrobras (paridade com mercado internacional) · Importação de diesel e gasolina · Refinarias privadas e aumento de custos · Pressão política para redução de preços · Risco de greve de caminhoneiros · Impacto nos custos de logística · Afetação na campanha de reeleição do Lula · Medidas fiscais insuficientes do governo
  • Relacoes EUA-IraGuerra como questão existencial para regime iraniano · Duração prevista do conflito (meses ou anos) · Proximidade com países do Golfo e impactos económicos · Produção de urânio enriquecido · Capacidade de mísseis balísticos e de cruzeiro · Dano reputacional aos EUA na região · Resposta dos países do Golfo (expulsão de adidos militares) · Continuação da escalação pelo Irã · Complexidade das negociações multilaterais
  • Modernização militar da ÍndiaObjetivos de autossuficiência em defesa · Décadas de modernização (2023-2032) · Digitalização e novas tecnologias · Integração de sistemas e sinergia operacional · Aplicação de inteligência artificial · Exercícios militares frequentes · Ambições marítimas e desfile naval · Porta-aviões INS Vikrant como símbolo de autossuficiência · Parcerias com empresas privadas · Redução de dependência de arsenal estrangeiro
  • Forcas ArmadasOrçamento de 85 bilhões de dólares · Comparação com China (280 bilhões) e EUA (900 bilhões) · 3 vezes mais que orçamento do Brasil · Parcerias com empresas privadas em projetos de defesa · Desenvolvimento de drones para militares · Parcerias com Brasil em defesa · Interesse em controle de fronteira e antiterrorismo · Negociações de cargueiro C390 Milênio da Embraer · Cooperação em armamento e munições com empresas brasileiras
  • Política STFElogios a Alexandre de Morais · Papel de Morais na condenação de tentativa de golpe · Discurso do presidente do Supremo (quase 8 minutos) · Declarações de Gilmar Mendes sobre Morais · Associação do Supremo com figura de um indivíduo · Dívida do Brasil com Morais segundo ministros · Conceito de instituições vs. indivíduos
  • Defesa NacionalDisputas na fronteira com China · Tensão permanente na Caxemira com Paquistão · Múltiplos grupos étnicos no nordeste · Preocupação com domínio no Oceano Índico e Baía de Bengala · Segurança comercial e militar estratégica · População como maior do mundo · Crescimento econômico de 7% ao ano
  • Autonomia estratégica e geopolíticaRedução de dependência de líderes globais · Posição de neutralidade aparente em disputas globais · Evitar ser refém de disputas entre EUA e China · Busca por autossuficiência em defesa · Parcerias múltiplas e diversificadas · Investimentos em capacidade militar própria
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Boa noite, STCNN Brasil. Este é o WW. Daniel Vorcaro foi transferido há pouco para uma cela na Polícia Federal em Brasília. Isso facilita os trâmites da delação premiada proposta pelo advogado dele. Portanto, é parte do que se aguardava. Isso ocorreu pouco depois do ministro Gilmar Mendes ter proibido a quebra de sigilo de um fundo controlado por Vorcaro, que adquiriu participação da família do ministro Dias Toffoli no resort Taiaia.

E na prática, ajudou Toffoli a conseguir o que já tentara diretamente sem êxito com o relator do caso, André Mendonça. É também parte do que se esperava. Pois no script desse escândalo, há pelo menos duas, pelo menos duas grandes forças que se opõem. Uma delas empurra as investigações, não importa as consequências, mesmo para o Supremo e para a política. Respondendo essa força a um enorme grau de indignação da sociedade.

Junta quem tem muito medo do que saia de investigações e delações, junta com quem vê no escândalo apenas um ataque espúrio ao Supremo, que o decano Gilmar Mendes identificou hoje de forma perigosa para o próprio Supremo, com a figura de um só indivíduo, a do ministro Alexandre de Moraes. Segundo Gilmar, foi essa pessoa que impediu que o país caísse no abismo autoritário, pessoa com a qual, portanto, o Brasil teria uma dívida.

que futuras gerações reconhecerão, disse Gilmar, a voz embargada. Ocorre que no moderno Estado de Direito, indivíduos não são instituições. Aliás, espera-se que as instituições funcionem de acordo com as leis. Lei perante a qual todos indivíduos são iguais, não importa os serviços que possam ter prestado. É isso que as gerações futuras saberão reconhecer. Nessa edição, vamos tratar também da guerra do Irã

Porta é Luciana Amaral, que foi a Índia tratar de equipamentos de defesa. Primeiro os participantes da nossa roda. Estamos mais uma vez com a equipe completa. Daniel Ritner, boa noite para você em Brasília. Thaís, aqui à minha direita em São Paulo. Caio, à minha esquerda, em São Paulo igualmente. Ministros do STF fizeram discursos elogiosos. Hoje, Alexandre de Moraes. O mesmo dia em que outro ministro, Gilmar Mendes,

do ministro da família, do ministro Dias Toffoli, agora já é célebre, o Ressor Tayhaya. Reportagem de Thaisa Medeiros, de Brasília. O presidente do Supremo falou por quase oito minutos, destacando o papel de Moraes no processo que condenou a tentativa de golpe de Estado. Já Gilmar Mendes disse que Moraes suportou diversas atribulações e que terá forças para suportar outras que surgirem.

Moraes vive o momento mais turbulento no STF, com questionamentos sobre o contrato do escritório que sua esposa Viviane Bar se manteve com o Banco Master e sobre conversas que teria mantido com Daniel Vorcaro horas antes do ex-banqueiro ser preso em novembro de 2025. Nesta quinta-feira, a CPMI do INSS comunicou ao Supremo que uma análise junto a empresas de telefonia

identificou o número funcional do Supremo entre os dados extraídos de um celular de Vorcaro e pediu que o STF explique o histórico de usuários do número nos últimos cinco anos. No Senado, a CPI do crime organizado mira as ligações do caso Master com a corretora REAG, investigada por suspeita de ligação com o esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. Também nesta quinta, Gilmar Mendes estendeu o habeas corpus concedido a maridite participações,

Dias Toffoli é sócio e anulou a quebra de sigilo do fundo Arlen, autorizada pela CPI do crime organizado. Foi a Arlen quem comprou a participação da Maridit no resort Tayayá em 2021. A Arlen era administrada pela REAG e Fabiano Zetel, cunhado de Vorcaro, aportou cerca de 20 milhões de reais no fundo. Daniel, é um grande drama político o que nós estamos vendo. É histórico, em certa medida.

ele se desenrola dia a dia. Hoje a gente viu, no caso da transferência do Vorcaro de uma prisão, uma penitenciária, para a cela da Polícia Federal, vamos dizer, o cumprimento das etapas rumo a uma delação. Ao mesmo tempo, a gente vê dentro do Supremo a articulação de forças, e eu não vou entrar, até porque não tenho base para isso, nas tecnicalidades jurídicas, mas claramente duas forças estão em oposição? Certamente, William.

Conversar muito hoje com as pessoas do Supremo, que estão envolvidas diretamente com o Master, são personagens importantes dessa história, e o que me chamou mais atenção é quem conversou nos últimos dias com o relator André Mendonça, porque tem corrido essa tese de que Daniel Vorcaro está fechando esse acordo de delação premiada com a Polícia Federal e com a PGR ao mesmo tempo,

histórico, são dois rivais quando se fala em acordos de colaboração premiada, mas que seria um acordo, digamos, uma delação meia-sola, uma delação que entrega parte do mundo político, mas que preserva o Supremo e colegas do relator do André Mendonça. E o que eu ouvi das pessoas que conversaram com o André Mendonça nos últimos dias é que esse tipo de jogo o ministro

aceitaria fazer. Ele não quer olhar para a própria biografia em 2050, em 2055, quando estiver saindo do Supremo e ter nas costas a preservação de colegas. As palavras que ele tem usado, não quer transformar uma delação em um show pirotécnico, não quer transformar a delação em nada com aura de justiceiro, separar o joio do trigo, não se submeter às pressões da opinião pública,

mas não dá para aceitar alguma coisa pela metade. Isso, quem conversou com André Mendonça nos últimos dias, saiu com a convicção. Não vai rolar. Caio, independentemente do que o Daniel traz para nós como informação a respeito da postura, da conduta, das intenções do ministro André Mendonça, independentemente disso, os especialistas com quem a gente tem conversado consideram muito difícil essa delação. Acho que você tem os detalhes, não é?

A força contrária à delação e ao caso máximo como um todo, que a gente viu e a gente cobre até hoje, ela vai continuar, só que por outros caminhos, porque até agora o que se tentou fazer? Calar a CPI, o Toffoli segurando o processo, todas essas etapas de dezembro para cá, ou de 17 de novembro para cá, que é a data da primeira prisão dele para cá, elas foram superadas.

ao avanço das investigações está ganhando até agora. Agora, o fato de ter fechado, já fechou uma delação, a delação já existe, o acordo de confidencialidade sela, a transferência dele sela para a superintendência, já estamos sob um processo de colaboração premiada do Daniel Vercaro. Agora, esse processo vai continuar, ele não vai se encerrar. O que esses especialistas apontam é que com o fato de colidir com o processo eleitoral, que é junho, julho,

agosto, setembro, novembro, a contracorrente vai ser muito maior do que a gente estava vendo até agora, porque os vazamentos, os anexos, tem candidato, candidato à reeleição, enfim, é um processo político eleitoral junto com um processo investigativo de efeitos políticos. Então, isso poderia ser uma contracorrente muito forte a ponto de fazer melar esse processo. Uma das frases, até foi conversando com especialistas,

colocou à disposição, que me chamou a atenção. É um paradoxo. Mas como nós estamos vendo um drama político espetacular no sentido de quanto que isso daí nos mobiliza, é o seguinte, o Vorcaro, ele conseguiu mexer com tanta gente em todos os lugares, de forma ecumênica, seja nos três poderes, seja nos vários partidos, que isto agora é um problema para ele. Porque ninguém quer que ele, no fundo, faça uma boa delação. Ele agiu na vertical e na horizontal.

Ele foi para cima e foi para os lados sem barreira ideológica, política, econômica. Ele fez negócio com todo mundo, contratou. Eu acho que ele deve ser o empresário no Brasil que mais contratou advogado nesse país, porque de assim também a gente fica sabendo de um contrato novo com advogado. William, eu acho que essa contracorrente que o Caio traz aqui, eu estava me lembrando hoje, em 2014,

no auge da Lava Jato. Não tinha rede social, não tinha um movimento de direita, não tinha um bolsonarismo que grita nas redes sociais, que conversa digitalmente. Não tinha fake news. Até tinha, mas não na quantidade de coisas que a gente tinha aqui. E como nós já dissemos aqui, pegou peixe muito grande. Os maiores empresários do Brasil foram presos. Os mesmos que andavam de jatinhos e levavam autoridades e tal. Então, eu acho que hoje, não só...

estarmos de novo no ano eleitoral, mas essa contracorrente ser muito forte, existe alguma chance de conseguir furar essa circunstância de como o cara fechou o negócio com todo mundo, não vai aparecer ninguém para apoiá-lo. Um certo isolamento dele nesse processo. Total isolamento. Mas assim, hoje, conversando também com o criminalista, a gente recebeu aqui mais cedo o Fábio Tofik, que é um advogado criminalista,

E ele disse o seguinte, porque eu perguntei para ele, a Polícia Federal tem muita prova. Para essa delação valer a pena, o Vorcaro tem que ter uma quantidade muito importante de provas que a Polícia Federal ainda não teve acesso. Então, eu acho que ainda tem respostas aí para a gente entender. Afinal de contas, o Vorcaro vai oferecer o que além do que a Polícia Federal já viu? Você está apontando para uma dificuldade técnica, realmente.

que é o jogo das instituições. Você tinha acabado de se referir a isso, Daniel. A gente não viu até aqui muita gente dizendo que ele vai falar para a PGR, Procuradoria Geral da República, e para a Polícia Federal. Beleza, então isso daí é uma delação monstra. Quem mexe com isso diz que, na verdade, aí é um problema, Daniel. Porque a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República, elas trabalham de certa maneira,

Não em oposição uma a outra, mas nesse caso específico, se a delação vai por um canal ou vai por outro, tem profundas diferenças. O que está surgindo aí de detalhe, Daniel? Vai ser inédita, ou seja, ele vai falar com os dois ao mesmo tempo, vai ter uma equipe da Polícia Federal com ele e vai ter uma equipe do Ministério Público junto, imagina o tamanho disso daí, ou como? É absolutamente inédito.

Ela gira em torno do artigo 4º da Lei de Organizações Criminosas, que é a 12.850, de 2014, existe desde o nascedor. Como é que a Polícia Federal enxerga a sua legitimidade para trabalhar em delação? Ela acha que delação é um meio de se investigar, faz parte da obtenção de provas como uma interceptação telefônica,

Para a PF é isso. Para a PGR ou para o Ministério Público de forma geral, a visão que se tem é que eles são os titulares da ação penal e, portanto, só eles podem oferecer alguma coisa em troca. A PF continua não podendo oferecer, digamos, um perdão judicial ou um alívio de penas. Isso precisa de validação da PGR ou do ministro relator do Supremo.

com essa ideia de delação da PF e ainda mais de delação conjunta. Vai existir provavelmente uma tensão institucional que não foi superada. A gente viu isso na última grande delação do Mauro Cid, a PGR não quis fechar, teve que ir por um caminho próprio da PF. Agora, isso está se constituindo de forma inédita, é um avanço muito grande, alguma rivalidade institucional vai continuar existindo.

O próprio Supremo já deliberou que pode fechar com a PGR, não tem mais dúvida nenhuma sobre isso, mas a PGR precisa opinar, ainda que de forma não vinculante. Você constatou isso, Daniel, porque o que a gente ouve um pouco também é que a PGR contestou exatamente esse dispositivo ao qual você acabou de se referir, que é a Polícia Federal, que foi no caso do Mauro Cid, que fez a delação com a PGR.

foram bypassadas e está contestando exatamente esse ponto, Caio? Agora, o julgamento já aconteceu. Acho que tinha três ou quatro julgamentos dessa questão específica. O que pode acontecer também, hoje circulou um pouco essa informação não comprovada, porque ainda é no campo da possibilidade. É de ter um novo questionamento e de tirar a Polícia Federal do acordo de colaboração premiada ou a Procuradoria-Geral da República, seja um jeito de melar o acordo.

que a gente sabe das conexões políticas também da Procuradoria-Geral da República com o Supremo Tribunal Federal. O doutor Paulo Gomes é próximo do Alexandre de Moraes, a gente sabe das conexões políticas do chefe da Polícia Federal. André Rodrigues é muito próximo ao presidente Lula, inclusive isso incomoda muito também boa parte do ambiente político. Então, assim, essa questão de que a delação conjunta, na minha leitura, foi uma saída da defesa e do André Mendonça de deixar a delação redonda,

permitir que haja no futuro algum tipo de questionamento ou que durante o processo de elaboração e de construção dos anexos e de validação da colaboração premiada, um não se opõe ao outro ali na frente. Então você começa, em princípio, juntos desde o começo, para a hora que for validar, valida os dois juntos e não abre espaço para ela melar. Agora, se vier um questionamento novo, e hoje circulou essa informação de que poderia ter um novo questionamento no Supremo. O mesmo Supremo que há cinco, seis anos,

validou que a Polícia Federal pode, abrindo espaço, num casuísmo, para a delação do Mauro Cid, que era interesse do Supremo Tribunal Federal. Agora, de repente, revete, porque agora não é interesse do Supremo ou de parte do Supremo que essa delação saia. Então, é um campo para a gente ficar de olho também. O Tofique hoje usou uma expressão muito interessante. Ele disse o seguinte, essa delação vai ser muito interessante porque as delações contaminam quando elas são mal feitas

têm segurança jurídica, e no caso dele ele acha que a PGR é quem dá a maior segurança jurídica, mais do que a Polícia Federal. Exato, exato. Então, ele disse o seguinte, o problema é quando um equívoco no processo, seja por influência do que for, envenena a delação, envenena o processo. Porque aí o que acontece? Então, assim, como a gente já aprendeu que esse veneno acabou fazendo anular os

processo da Lava Jato, sem ter cancelado os crimes, tem que cuidar para não escorrer veneno de novo.

estar conosco. Boa noite. Boa noite a você, William. Boa noite a todos da bancada e a toda a nossa audiência. Obrigado pelo convite. Vamos lá. O governo Trump está numa grande operação de tentar, na medida do possível, controlar os mercados. Isso está ocorrendo, ocorreu hoje ao longo do dia, nessa quinta-feira. O problema é óbvio a escalada do preço do petróleo. Trump e alguns integrantes do governo dele estão tentando achar uma saída para reduzir o preço do combustível.

O preço do combustível está subindo no mundo inteiro. Lula também está empenhado nesse mesmo tipo de operação, confira. O secretário do Tesouro americano, Scott Bassett, disse que os Estados Unidos consideraram retirar as sanções para petroleiros iranianos que já estão em transporte. O petróleo de Teheran sofre sanções dos americanos há 50 anos. E Trump as expandiu no primeiro mandato. Reduzir as restrições permitiria que o combustível chegue à Europa e a outras regiões

a queda de abastecimento causada pelo fechamento do Estreito de Hormuz. Besen também especulou reduzir novamente as sanções aos russos, para desagrado da Europa. O presidente Donald Trump disse que conversou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para cessar os bombardeios contra a infraestrutura energética do Irã. Netanyahu disse que irá parar os ataques e adicionou que os iranianos não conseguem mais enriquecer o urânio,

aberta para uma operação terrestre. O preço do barril do petróleo, que chegou a bater 119 dólares, recuou para 107 dólares. Ainda assim, o valor está bem acima do cobrado, gerando problemas de oferta

Um deles é o Brasil. A Petrobras reduziu o volume que distribuidoras poderão comprar, elevando a necessidade do setor privado em aumentar as importações. Já a Agência Nacional de Petróleo cobrou que a estatal aumente a oferta. O governo, por sua vez, reforçou o pedido para que estados cortem o ICMS.

É porque está cheio de gente no nosso meio que gosta de ter aproveito da desgraça.

de Hormuz, de impedirem o Irã de fechar o Estreito. William, o que a gente está vendo é uma estratégia em execução, que não é uma estratégia decidida desde o dia 28 de fevereiro, quando começou esse conflito. É uma estratégia já decidida há muito tempo. É uma estratégia já pensada há muito tempo. Existem, podem ser recuperadas diversas falas do antigo comandante da Força Quds, da Guarda Revolucionária,

Kassem Soleimani, que foi morto em 2020 no governo Donald Trump, em 2 de janeiro, dizendo que a próxima batalha que o Irã travaria pelo Oriente Médio seria com os países do Golfo. Então esse conflito, colocar os países do Golfo dentro da equação, foi uma estratégia iraniana clara de colocar uma pressão em cima dos Estados Unidos, colocar um choque global econômico, trazer volatilidade e risco para a economia. Hoje mesmo a gente viu o comunicado que acabou de sair,

do Ministério da Energia do Catar, dizendo que a área produtora de Haslafan, que é a maior área produtora de gás do Catar, a maior refinaria de gás do Catar, foi atacada e perdeu 17% da sua capacidade de produção. Esses 17% impactam diretamente na pauta de exportação de gás do Catar. O Catar já havia restringido exportações de gás, é o maior parceiro comercial de gás da Europa depois dos Estados Unidos.

O que a gente está vendo aqui, William, claramente é um cálculo iraniano de colocar essa questão em jogo. E aí a gente tem visto diversos países que decidiram se aproximar do Irã por negociações até mesmo de bastidor, como Turquia, como Índia, como Malásia, como Indonésia, como a própria China, para poder estabelecer um corredor, inclusive passando por águas territoriais iranianas no estreito de Hormuz, e aí sim poder passar os seus petroleiros pela região.

os americanos, a ilha de Karg, ela continua embarcando ali, o principal terminal de embarque de petróleo iraniano, algo entre 1.1 e 1.5 milhão de barris por dia de petróleo. Ou seja, os iranianos conseguiram produzir esse choque, eles conseguiram criar essa volatilidade, e agora o problema é que para você criar uma capacidade para isso, você vai ter de usar uma força muito grande e coloca os Estados Unidos diante da equação que eles não querem, que é provavelmente a necessidade do uso de força terrestre.

naquela região. É interessantíssima a descrição que o Sandro nos traz da situação militar. A gente não pode perder ela de vista para tentar antecipar as consequências aqui. Tudo isso que ele descreve que está acontecendo lá tem um impacto na economia mundial, nos fluxos de energia globais, mas especialmente na situação brasileira. Como é que está sendo a resposta brasileira, Thais? William, o Brasil é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. A situação hoje é muito diferente.

do que em outros momentos de estresse por causa de algum conflito. Então, a Petrobras, por exemplo, não vai ter uma sangria de caixa como teve até 2014 para manter uma paridade, para escapar da paridade do preço. Ela vai sofrer alguma perda, mas não vai ser tanta, porque ela vai ganhar muito dinheiro exportando o petróleo. O nosso problema, e aí o presidente Lula está equivocado,

é que, infelizmente, nós não somos autossuficientes nem em gasolina, nem em diesel. 30% do diesel importamos e 10% da gasolina. A gasolina já melhorou bastante, já foi pior, mas a gente já importou muito mais do que isso. E o que está acontecendo hoje é, a reportagem deu essa informação. A apuração do Fernando Nakagawa e da Lucinda Pinto, a Petrobras está reduzindo em 20% a oferta para as distribuidoras, já que ela tem o monopólio.

quanto ela coloca no mercado com o preço que ela mantém, que é o preço diferente lá de fora. Então, a Petrobras está causando um estrangulamento de fornecimento no Brasil. Por quê? Porque se recusa a acatar uma mudança de patamar de preço muito radical que já aconteceu lá fora. Então, as distribuidoras, e aí é que está o perigo dessa briga política, porque a Petrobras está jogando as distribuidoras numa situação que ou ficam sem ter material,

Sem ter óleo, sem ter diesel e gasolina, ou vão ter que importar. Agora, quem que vai importar com preço que está 40% mais caro lá fora para vender com defasagem de 60%? Competindo contra a Petrobras. Competindo contra a Petrobras. Então, assim, e aí o discurso político é, a própria presidente da Petrobras disse isso ontem, a gente falou aqui, hoje teve resposta do setor, acusando o setor de estar fazendo desvio de carga e tal.

e ela foi convocada pela Agência Nacional do Petróleo para responder a isso. Daniel. A Thais está descrevendo esse quadro, eu só complemento com um ponto ali, que são as refinarias privadas. A Selem, na Bahia, e a Rean, em Manaus, além de algumas refinarias menores espalhadas pelo país. A situação hoje é mais ou menos a seguinte, a Petrobras fornece 60% da gasolina e do diesel do mercado,

20% são as refinarias privadas. A Thais explicou perfeitamente por que não está fazendo sentido importar com os preços do jeito que estão se a Petrobras pratica uma espécie de dumping no mercado nacional. Do ponto de vista das refinarias privadas, também não faz sentido refinar e colocar no mercado um diesel ou uma gasolina num preço muito acima daquele praticado pela Petrobras,

prejuízo e ninguém vai comprar de você. Então, você tem que baixar o preço e aí você toma também o prejuízo. Então, o sentimento é o seguinte, o governo claramente está implorando para a Petrobras segurar os preços, porque tem impacto político, porque pode detonar até uma greve de caminhoneiros, só que quando você vai tapando com uma mão um buraco, vai surgindo outro buraco e você não tem mão suficiente para tapar todos os buracos. Qual tem sido a opção política nesse momento?

Culpar os adversários, culpar os estados, responsabilizar aqueles que ele não tem controle de gerenciar. O que está em curso nessa operação petróleo no Brasil é uma operação reeleição, dentro de mais um problema que o governo não tem o controle do que acontece. Isso é óbvio, mas é preciso dizer, o governo não tem o controle do que acontece na Guerra do Oriente Médio e, portanto, a caixa de ferramentas dele para reduzir o impacto na bomba, que é algo que afeta diretamente uma campanha reeleição,

E do outro lado, a gente tratou disso no primeiro bloco, não tem controle do que o Vorcar vai falar. Então uma coisa, estou ligando uma coisa a outra, porque são dois fatores que tendem a impactar diretamente o desempenho do presidente Lula, a taxa de ótimo e bom, as chances de reeleição, e são dois movimentos que o governo não tem como controlar. Tem um fator, Sandro, vou aproveitar de novo sua expertise, é de grande peso na política brasileira, que é imaginar até quando essa guerra vai.

da sua posição de observador, que elementos você destacaria para a nossa audiência que sugerem qual horizonte de tempo, se é que isso é possível? William, essa é a pergunta talvez de alguns bilhões de barris. Não milhões, mas bilhões de barris, porque a gente está falando aí até o final do ano. Por exemplo, o Comando Central dos Estados Unidos já pediu reforço de pessoal até setembro. Então vai muito além da previsão otimista de Donald Trump de seis semanas de guerra.

Em Israel se fala claramente que é uma guerra que irá pelo menos na sua fase mais intensa até a Páscoa. E os planejadores iranianos e todos os analistas que eu vejo, inclusive ligados à comunidade iraniana no exterior, são muito claros em dizer que para o regime essa guerra é existencial, e para ser existencial é uma guerra que o regime se preparou para travar por anos, e é uma guerra que vai se arrastar por meses ou anos. O fato aqui, William, é que a gente está vendo uma guerra que está gerando efeitos completamente fora do controle dos países americanos.

Então, essa semana a gente viu o barril de petróleo russo ser vendido para a Índia para que ela pegasse e jogasse petróleo no mercado a 98 dólares e 93 centavos, o mesmo barril que era vendido semanas antes por 50 dólares. Então, vários atores vão poder se valer dessa questão e fora a questão da crise de alimentos que a gente está começando a observar no horizonte, porque os países do Golfo também produzem alguns recursos que são interessantes para...

para a produção de fertilizantes, como fosfato, como amônia e como outros componentes, e que precisam ir para a Índia e para a China para produzir fertilizantes e não estão indo. Então, também, de novo, cai-se na mão russa para a produção desses fertilizantes, o que pode, inclusive, afetar o setor agrícola nacional aqui no Brasil. Então, a gente tem uma geopolítica extremamente complicada e, ao que parece, os Estados Unidos não têm tanto um plano assim. Então, cresce de espectro,

a questão, como eu falei anteriormente, da utilização de força terrestre. Para Israel e para o Netanyahu, fica muito claro ali que a ideia seria, talvez, uma utilização pequena, força de operações especiais, algo assim, para tirar principalmente o material nuclear iraniano. Os 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, porque aquilo ali realmente é o núcleo da preocupação israelense em relação ao Irã. Fora também a questão da capacidade missilística iraniana,

baliscos, missões de cruzeiro e por aí vai. Mas, no caso americano, fica muito claro que essa guerra já deixou um dano reputacional para os Estados Unidos na região. Porque, na hora que começou, esses países, considerando que teriam apoio americano para sua defesa, descobriram que vão ter que fazer sua própria defesa, como foi o caso dos Emirados Árabes Unidos, do próprio Qatar, que acabou de expulsar o adido militar e o adido policial do Irã do país, sofrendo diversos ataques diariamente. Então, sem dúvida, a questão aqui é muito complicada.

mas o Irã não dá sinais de que vai diminuir o pé. Pelo contrário, ele vai continuar escalando e escalando em resposta a ações americanas. Então, o ataque ontem que a gente viu de Israel ao campo de gás de South Paris, que é compartilhado entre o Irã e o Catar, vai observar essa resposta que a gente viu do Irã hoje. Os ataques às áreas produtoras no Catar, na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos, no principal terminal que você consegue, para poder concluir aqui, Fujaira,

que é o terminal que você consegue contornar o Hormuz. E talvez a gente ainda veja uma outra questão aqui, William, mais à frente, que seja a entrada dos roots na guerra. Porque os sauditas conseguiram jogar boa parte do seu petróleo para o porto de Ambo, no Mar Vermelho. Se isso ganhar tração, a gente tem esse problema. Só porque eu preciso terminar esse segmento, você vai continuar conosco ainda depois do intervalo, mas eu vou te dar uma oportunidade de quase uma manchete, que é a seguinte, se a gente pegar a linha do tempo que ele traçou, que é longa, e aplica nas medidas fiscais,

Caís, o governo vai dar o quê? William, não vai dar em nada, porque vai apenas alimentar o tamanho do rombo. A logística no Brasil já está mais cara, não é só o preço da bomba, é o preço do seguro já está mais caro, o governo tentando batalhar com frete, as medidas são superficiais para um choque gigante. Não vai dar em nada, quer dizer, vai dar na mesma situação que a gente já está. Obrigado, querida. Boa noite. A gente se despede por aqui igualmente.

Obrigado, boa noite para você, Daniel, para você também, Caio. Obrigado, boa noite.

no seu intervalo, o Sandro continua conosco. Como é que a Índia quer ser autossuficiente em poderio militar? Pela nossa repórter, que foi lá até já. WW, nós estamos voltando do intervalo. Nesse quadro, como a gente viu com o nosso convidado Sandro, no primeiro segmento de extraordinária complexidade em termos de geopolítica, sempre se tem uma pergunta na cabeça. As tais potências médias, não aquelas fortunas, mas as médias, como é que elas se viram?

a oferecer ou como é que elas se protegem. Uma dessas potências médias mais de grande destaque é a Índia. A nossa repórter Luciana Amaral foi até lá, ela viajou para a Índia a convite do governo indiano, justamente com esse objetivo, ver o que uma potência média consegue em matéria de defesa. Confira a reportagem que ela trouxe. A Índia é um país de cultura e tradição milenares. Ao mesmo tempo, é uma das nações mais novas do mundo.

em relação aos britânicos, em 1947, deixou sequelas sentidas até hoje, especialmente nas fronteiras. Há disputas conturbadas com a China ao longo do Himalaia e uma tensão permanente na Caximira com o Paquistão. O nordeste do país é outro foco de alerta por conta dos múltiplos grupos étnicos presentes na região. Há também preocupação com o domínio no Mar Arábico e na Baía de Bengala por questões comerciais e militares estratégicas.

Para tanto, a Índia busca exercer influência sobre países próximos, como Sri Lanka. O Oriente Médio, tão próximo e cheio de hostilidades, é sempre um ponto de atenção. Sendo o país mais populoso do mundo e com uma economia que cresce cerca de 7% ao ano, a Índia pavimenta o caminho para se tornar uma potência militar. O objetivo é ser menos dependente de outros líderes globais, como Rússia, Estados Unidos e países europeus.

e atingir a autossuficiência no setor de defesa. As Forças Armadas Indianas consideram a década entre 2023 e 2032 como um período crítico de modernização. Até esse ano de 2026, a ideia é fazer reformas internas estruturais, investir em digitalização e na absorção inicial de novas tecnologias nacionais. Na segunda fase, até 2029, o foco vai ser integrar diferentes sistemas,

e ter uma maior sinergia operacional. Depois, até 32, a meta é ser autossuficiente, com amplo domínio militar em diferentes espectros, inclusive com a aplicação consolidada da inteligência artificial. Os exercícios militares são frequentes, até para demonstrar prontidão e dissuadir vizinhos. As exibições simulam uma série de batalhas com perseguições, lançamentos de mísseis e ataques de infantaria.

marítimas da Índia são expostas em Vishakapatnan, que recebeu em fevereiro um desfile naval com a participação de mais de 70 países. A escala do evento foi pensada para impressionar, com destroyers, submarinos e veículos anfíbios. O país também fez questão de exibir o porta-aviões INS Vikrant, uma das suas maiores vitrines militares.

e considerado um marco na capacidade indiana de ser quase que autossuficiente em relação às próprias embarcações. Comissionado em 2022, ele foi projetado e construído aqui na Índia, com mais de 70% das peças de empresas do país. O Vikrant tem estrutura para mais de 1.500 tripulantes e pode abrigar cerca de 30 aeronaves. Os aviões decolam com a ajuda de uma rampa curva.

dois segundos e meio, contam com a ajuda de cabos no Convés. O governo indiano tem promovido parcerias com empresas privadas em projetos de desenvolvimento, desde drones a caças, por exemplo. Para os militares, este é um passo importante para diminuir a dependência de arsenal estrangeiro e desenvolver a indústria de defesa nacional. O orçamento anual do Ministério da Defesa

dos 280 bilhões da China e dos 900 bilhões dos Estados Unidos, mas representam três vezes mais o que o Brasil prevê gastar na área. O Brasil é visto como um bom parceiro pelas Forças Armadas Indianas, inclusive pelos riscos geopolíticos menores. Alguns dos principais pontos de interesse são controle de fronteira, contra-terrorismo e atividades em ambiente de floresta. O Brasil está de olho na ascensão militar da Índia

que busca ampliar a relação comercial no setor de defesa. A Embraer negocia o cargueiro C390 Millennium para a aeronáutica indiana. E empresas de armamentos e munições também têm se aproximado, como a Companhia Brasileira de Cartuchos e a indiana SSS Defense.

A mentalidade e os investimentos da Índia servem não apenas para se proteger e se desenvolver. Miram também não deixá-la tão vulnerável diante de tensões entre Estados Unidos e China. Uma ambição compartilhada por outros países que buscam não ficar reféns de disputas entre potências globais.

A Índia está lá no estúdio em Brasília, onde ela está baseada. Luciana, que inveja em você no porta-aviões fazendo uma passagem na frente do Mig-29. Todo mundo que gosta de avião tem a maior admiração por Mig-29, principalmente esses de Operação Naval, antigos Mig-soviéticos. Luciana, vamos à sua, digamos, percepção do interesse indiano pelo Brasil. O que você traz como relato? Vamos lá, William. Muito boa noite a você e a todos que nos acompanham.

Aqui no WW. Olha, foi uma viagem muito proveitosa para realmente entender essa mentalidade indiana. E antes de mais nada, a gente tem que também já ter em mente que a realidade indiana e brasileira são muito diferentes. Como a gente viu, a Índia tem uma preocupação muito grande por conta da fronteira. Fronteira ainda muito mal delimitada em algumas regiões.

global como um parceiro bom. Não é necessariamente o parceiro preferencial, mas é visto ali como um bom parceiro dentro dessa lógica do sul global, que inclusive o presidente Lula, o próprio primeiro-ministro Narendra Modi batem bastante na tecla. E aí a gente vê que o Brasil não tem uma relação comercial, no geral, ampla, tão proveitosa,

bem explorada quanto poderia ter. Mas uma exceção é justamente no setor de defesa. A gente vê, então, esse interesse muito grande dos indianos em ter a tecnologia, a parceria com o Brasil em relação a armamentos e munições. A Índia é um país que está agora, inclusive, se armando melhor. As polícias, os quartéis, me explicaram, também estão se armando mais.

com equipamentos mais novos e eles precisam então desse equipamento, dessa produção. Em relação com a Embraer, a Embraer enxerga um potencial enorme de vender o C390 Millennium, só que assim, é o seguinte, concorre com a Airbus e também com a Lockheed Martin. São dois concorrentes de peso. Uma das questões que a Embraer coloca na mesa para tentar convencer o governo indiano,

é justamente montar um centro de manutenção e de reparo do avião na Índia. Isso incorporando empresas locais. É o que a Índia mais quer, é o que o governo indiano mais quer. Colocar as próprias fábricas para fornecer componentes, pegando o know-how, a transferência de tecnologia também de outros países. E com isso, é claro, depender cada vez menos das grandes potências,

e com isso se tornar autossuficiente. Inclusive, é um plano do governo de Modi que a Índia se torne um país desenvolvido até 2047. Vou voltar a uma expressão que você usou há pouco, Sandro, da alta complexidade da situação geopolítica atual. Se a gente considerar as relações entre o Brasil e a Índia, do ponto de vista que a Luciana está trazendo para nós, dada a viagem dela como repórter, a gente percebe uma delicada situação para nós.

A nova doutrina de segurança nacional americana que exige que os países do hemisfério lhe prestem praticamente vassalagem. Até aqui, do ponto de vista das relações militares entre o Brasil e os Estados Unidos, essas relações até aqui não foram afetadas pela turbulência política. Ao contrário, aparentemente elas prosseguem. Há uma oferta americana de linha de crédito de 8 bilhões de dólares para a compra de equipamento brasileiro lá.

por Forças Armadas Brasileiras aqui, indicam um empenho silencioso em impedir que se o Brasil se aproxime demais da China e procurem lugares como Turquia, que é um país da OTA, e Índia. Essa, digamos, possibilidade de manter os americanos contentes e, ao mesmo tempo, algum tipo de independência. O que a Índia nos oferece?

pensando na dimensão material de equipamento, de armamento, a Índia nos oferece um plano, uma planta estratégica no sentido de pensar como você conseguiria navegar a situação global defendendo o seu próprio interesse e conseguindo promover uma ascensão do seu país no cenário internacional. Então, é um país que hoje é o quarto maior PIB do mundo. Há uma aproximação já do Brasil com a Índia.

de militares para a Índia, não só para fazer cursos, mas também para visitas de curta duração, visitas que podem ser ali algo em torno de uma semana, de 15 dias, mas já ocorre isso no seio das forças, no seio da defesa, o que é algo muito importante, também para mostrar uma outra mentalidade estratégica que é muito antiga, de uma civilização muito rica e que consegue, de certa maneira, navegar no meio dessa grande complexidade global

global com uma certa maestria. Então, a Índia, nesse momento, talvez seja um dos melhores parceiros para o Brasil na situação global. Mas eu acho que o principal ativo é exatamente esse, William. É o de oferecer uma planta no qual você consegue criar uma posição forte o suficiente para defender o seu próprio interesse. A Índia tem uma situação curiosa, ela é membro do Quad, que é um grupo de países coligados com os Estados Unidos para conter a China. Ao mesmo tempo, ela é a principal aliada da Rússia na Ásia.

E, ao mesmo tempo, ela faz parte dos BRICS. Então, ela consegue, de certa maneira, se tornar incontornável e, de certa maneira, também fazê-lo. Há também um olhar para a Índia e para o Brasil, porque eu posso dizer até por experiência própria que, nos últimos anos, a gente começou a ver a presença de oficiais indianos fazendo cursos em Forças Armadas Brasileiras, em diversas das forças. Então, é também algo novo, interessante e que deve ser expandido nesse cenário da competição geopolítica.

global. Luciana, na sua reportagem há um trecho no qual você se refere ao empenho indiano de desenvolvimento de inteligência artificial aplicada à defesa. Uma das ofertas tentadoras que a China faz há tempos aliados ao Brasil se refere ao emprego de inteligência artificial diretamente em campo de combate. Os indianos mencionaram qualquer coisa similar e qual foi a ênfase que eles eventualmente trouxeram a vocês, repórteres, convidados por eles para ver o que eles estão fazendo?

nesse campo mais avançado da inteligência artificial? Olha, William, inclusive, na semana em que eu cheguei à Índia, agora, no final de fevereiro, teve um seminário muito grande sobre inteligência artificial em Nova Delhi. O presidente Lula esteve presente, vários presidentes, primeiros ministros, estiveram presentes e eles falam abertamente às Forças Armadas Indianas que eles vão querer atingir, que eles trabalham para atingir

de um nível em inteligência artificial que dê à Índia uma soberania e, especialmente, o controle territorial. Como isso, então, se encaixa? Principalmente, o que falaram lá para mim, nesse controle e nessa integração dos diferentes sistemas. E quando a gente fala isso, não é só, por exemplo, no sistema antimísseis do Exército.

e exército. Então, isso está sendo vendido, está sendo desenvolvido e vendido nessas novas tecnologias que o governo indiano está ajudando a promover, patrocinando, junto com as empresas privadas. Tanto que a Índia, inclusive, já ofereceu um sistema antimísseis aqui para o Brasil. O próprio nosso Daniel Hitler deu essa matéria no ano passado.

e o desconfiou que realmente ainda não era o último modelo mais novo, o modelo mais desenvolvido, que a Índia estaria, entre aspas, guardando ali ainda o jogo do que ela realmente tem em relação a esse sistema. Acabou, então, deixando um pouco de lado, mas em conversas agora na Índia, me falaram que a Índia, sim, está disposta a continuar vendendo esse sistema para o Brasil e que é o que eles usam nas forças armadas deles. Mas é isso.

a inteligência artificial, eles veem então como a cereja na ponta ali do bolo, realmente para integrar e para colocar tudo que a gente viu, tudo que a gente vê num campo de batalha integrado e coordenado, especialmente com o uso de drones. Isso foi muito ressaltado, a gente viu no campo de batalha lá no teste, no deserto de Pocrã, inclusive, que foi palco da primeira explosão nuclear feita,

pela Índia, a utilização de drones, tanto então para lançar mísseis, lançar foguetes, quanto também para esse controle territorial, muita coisa que o Brasil pode utilizar, por exemplo, para o controle de fronteira e especialmente na floresta amazônica. Sandro, por último, para a gente encerrar o segmento, eu tenho ainda mais ou menos uns dois minutos. O Brasil está começando a fazer, depois desse pontapé que nós levamos,

esplêndido e nos jogou no pesadelo da geopolítica, literalmente. Está começando a fazer um pouco de shopping por aí. A Índia é um bom lugar? Vejo, William. Se eu não me engano, essa conferência que a Luciana falou foi o Raisina Dialogue. Inclusive, a gente teve a presença de um aluno nosso de pós-graduação lá da ICM nesse evento, colhendo e que pesquisa a questão de inteligência artificial. A Índia talvez seja um bom lugar para o desenvolvimento de parcerias e de tecnologia de maneira conjunta. Nós temos

conhecimento que interessa a eles, eles têm desenvolvimentos que nos interessam e talvez seja um parceiro com o qual a gente possa ter um interessante desenvolvimento de tecnologias de maneira conjunta. Agora, cabe lembrar que, como você bem disse, na questão de sermos picados do berço esplêndido, ou como eu já disse algumas vezes aqui, a geopolítica que bateu a nossa porta e que nos acorda, a gente tem que lembrar que, ao coligarmos a Índia,

Isso já implicará em uma escolha que pode reverberar, inclusive, em outros parceiros comerciais nossos ou até mesmo que busquemos questões estratégicas como a própria China. Então, há que se considerar que mesmo uma parceria com a Índia que busca uma posição de aparente neutralidade na situação global, ainda assim tem o seu custo. Mas é uma parceria que, a meu ver, vale a pena ser perseguida.

Sola de Comando do Estado-Maior do Exército, ICM. Como sempre, Sandro, mais uma vez, nosso muito obrigado pela sua participação aqui no WW. Boa noite. Boa noite a você, William, a Luciana e a toda a nossa audiência. Mais uma vez, obrigado pelo gentil convite. E a querida Luciana, nossa repórter, normalmente nos tapetes do Congresso. Dessa vez, como eu gosto de brincar com meus... Eu fui repórter muitos anos. Como eu gosto de dizer, lugar de repórter é na rua, não é, Luciana?

para mostrar o que a gente viu na rua, né, William? Boa noite a todos. Obrigado, Luciana, querida. Boa noite para você em Brasília. Pessoal, antes de me despedir de vocês, o nosso recado agora, ao final de toda a nossa edição, chamando a atenção para os conteúdos que a gente trata aqui. Se você quiser aprofundar alguma coisa, visite a nossa página, a página do www, no site da CNN Brasil. Temos vários parceiros lá de produção de conteúdo que vão interessar vocês. Agora sim, essa edição está chegando ao fim.

Você que nos acompanha e boa noite.