Prisão domiciliar de Bolsonaro não afasta a crise do STF
Os médicos atestaram o delicado estado de saúde do ex-presidente e seus óbvios riscos — entre eles, os riscos políticos. Mito encarcerado é uma coisa. Mártir, vítima de crueldade persecutória, é outra. O problema do STF agora não é mais o que fazer com Bolsonaro, mas o que fazer dentro do próprio Supremo. O âncora da CNN William Waack, Thaís Herédia, analista de economia, Caio Junqueira, analista de política, Daniel Rittner, diretor editorial de Brasília, Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Eceme, e Lourival Sant'Anna, analista de Internacional da CNN, debatem o tema.
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Boa noite, SSN Brasil. Este é o WW. O ministro Alexandre de Moraes já foi vítima, investigador e julgador dos fatos envolvendo Jair Bolsonaro. Agora, na condição de carcereiro, mandou o condenado para prisão domiciliar. Os médicos atestaram o delicado estado de saúde do ex-presidente e os óbvios riscos envolvidos. Entre eles, riscos políticos. Mito encarcerado é uma coisa.
é outra. Mas a crise não foi junto com Bolsonaro tratar-se em casa. É que o problema do Supremo agora não é mais o que fazer com Bolsonaro. O problema hoje para o Supremo é o que fazer dentro do Supremo, que vai votar em plenário se mantém ou não liminar do ministro André Mendonça, prorrogando os trabalhos da CPMI que investiga o escândalo do INSS. Se for prorrogada, a medida fragiliza tremendamente a figura do presidente do Senado.
Davi Alcolumbre, dado o envolvimento de auxiliares próximos dele nesse escândalo. Alcolumbre é considerado um importante aliado político pela ala do Supremo em torno de Alexandre de Moraes, por sua recusa em levar adiante pedidos de impeachment de ministros. Fragilizar o presidente do Senado é fragilizar uma parte do Supremo, que já é visto hoje como instituição dividida entre os que querem investigar tudo,
de credibilidade atual e os que não pretendem que muita coisa seja investigada por razões políticas, pessoais ou ambas. Não é pelo que faz ou deixa de fazer com Bolsonaro que o Supremo trará consequências políticas para as próximas eleições. É pelo que fará consigo mesmo. Nessa edição vamos tratar também de como o governo pretende enfrentar a crise de combustíveis trazida pela Guerra do Oriente Médio e de como essa guerra está caminhando.
da nossa roda. Começar por um ilustre aniversariante desta noite que está em Brasília agora. Parabéns, Daniel Ritner. Feliz aniversário. Bem-vindo ao programa hoje à noite. A gente disse que você podia comemorar de dia porque a noite era nossa. Ué, tem que curtir o aniversário com vocês, né? Thaís Herélia, boa noite. E Caio Junqueiro. Bom, chega. A gente vai agora... Vamos lá. Vamos cair no sério, que está bem sério a coisa, de verdade. O ministro Alexandre Moraes concedeu
domiciliar temporária, 90 dias a Jair Bolsonaro. O regime deverá ser cumprido após o ex-presidente receber alta do hospital onde está internado por um quadro de pneumonia. Moraes impôs uma série de cautelares, elas terão que ser cumpridas. As restrições que detalha o repórter Danilo Moliterno, de Brasília. Além do uso de tornozeleira eletrônica, o ex-presidente não poderá receber visitas nestes 90 dias.
A restrição visa manter o ambiente controlado e evitar o risco de sepse e de infecções. Há exceções apenas para os advogados e a equipe médica de Bolsonaro, além dos filhos. Carlos, Flávio e Jair Renan poderão visitar o pai nos mesmos dias e horários que eram permitidos no Complexo da Papuda. Bolsonaro também não poderá utilizar celulares ou qualquer meio que lhe permita comunicação externa,
ou áudios. Outras cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes incluem relatórios médicos semanais e proibição de acampamentos e manifestações nos arredores da casa de Bolsonaro. Na decisão, o ministro frisou que qualquer descumprimento das medidas resultará no retorno imediato de Bolsonaro ao regime fechado ou, se for necessário, a um hospital penitenciário. Michele reagiu à decisão com um obrigada, meu Deus.
Moraes, ocasião em que pediu que o marido fosse autorizado a cumprir a prisão em casa devido a questões de saúde. Jair Renan destacou que a articulação de Flávio Bolsonaro foi fundamental para o pedido ser aceito. O filho, presidenciável de Jair Bolsonaro, também se reuniu com Moraes, na semana passada. Em entrevista à CNN, o senador criticou as restrições sobre visitas a Bolsonaro, apontando o contexto eleitoral em que vem a decisão.
Bolsonaro vinha recebendo políticos no Complexo da Papuda, especialmente para tratar das chapas de disputa para o Senado. Neste ano, cada estado vai eleger dois senadores, o que permite a renovação de até dois terços da casa. E é também com dois terços dos votos no plenário que um processo de impeachment contra ministro do STF
como que era direito em relação a Moraes, é aprovado.
que houvesse uma domiciliar. Tarcísio de Freitas já foi algumas vezes ao Supremo pedir isso, fez uma rodada de conversa com ministros do Supremo cada vez que ele foi. A própria Michele Bolsonaro já esteve com Alexandre de Moraes. E ali houve aliados dentro da própria corte de Alexandre de Moraes que vinham alertando desde a semana passada de que esse era o melhor momento para Alexandre de Moraes fugir de um imenso problema potencial.
Qual seja, se Bolsonaro piora, se Bolsonaro morre, não vamos tapar o soco copineiro, o estado de saúde dele é difícil, ele pode morrer. Se isso acontece, você teria uma potencial onda de radicalização eleitoral, de comoção no país, seria entregar a eleição para Flávio Bolsonaro na visão de muitas pessoas dentro do próprio Supremo.
De certa forma encurralado, mas de certa forma com uma saída muito fácil. O que me parece é que essa saída, além de não encerrar a polêmica, a gente vê algumas repercussões, por incrível que pareça, Flávio Bolsonaro até adotou a postura do não contestador. Ele evitou criticar, nas entrevistas que deu hoje, Alexandre de Moraes. Mas outras figuras, Nicolas Ferreira, por exemplo, foram muito fortes contra o Supremo e contra Alexandre de Moraes.
isso um pouco mais adiante, uma reconfiguração da própria campanha em termos de organização eleitoral dentro da direita e dentro do PL com Jair Bolsonaro em casa e não mais na Papudinha ou na PF. Quer dizer, o Daniel está levando a gente justamente para apreciar que impacto eleitoral isso aí tem. Assim, de certo modo, primeiro tratar de Supremo, né? Supremo, para mim, se não tivesse a crise máster, o escândalo máster, essa decisão não teria ocorrido. O Alexandre de Moraes só toma essa decisão porque ele está,
encurralado e é protagonista negativamente do caso Master, pelo contrato de 129 milhões da mulher com o Daniel Vercaro. Se não tivesse nada do caso Master, Bolsonaro estaria voltando hoje, depois da broncopneumonia, para a Papudinha. Essa é a minha avaliação. E ele só deu porque foi pressionado a isso para evitar, como o Daniel disse, que uma morte, que prejudicaria ainda mais e geraria um efeito dominó, fortaleceria o Flávio Bolsonaro na campanha, fortaleceria candidaturas anti-supremo,
a chance de senadores pró-impeachment do Supremo no ano que vem e aí poderia descambar na saída de um ministro do Supremo. Impacto na campanha, eu não vejo um arrefecimento, uma perda do discurso do Flávio Bolsonaro. Claro que ainda está muito difuso isso e a gente está fazendo uma análise quente, William. Mas hoje, o que mais pega, o que eu sinto na conversa com os políticos, a esquerda e com a direita, é a crise do Supremo. E não a crise do Supremo em
em relação da relação do Supremo com o Bolsonaro, da condenação do bolsonarismo, da condenação dos investigados do 8 de janeiro à crise do Supremo em razão do caso Máster. E isso o Supremo não tem como sair. E ele não consegue arrefecer isso mandando o Bolsonaro para uma prisão domiciliar a contragosto. Porque a decisão do Alexandre é a contragosto, é uma prisão domiciliar humanitária temporária. Ele cita que o Bolsonaro poderia ter apertado o botão de pânico. É uma decisão a contragosto.
ele continua e ele não arrefece com o Alexandre mandando o Bolsonaro para casa, porque essa contaminação está clara pelas investigações da Polícia Federal, pela postura do André Mendonça, por aí vai. Acho que não esgota aí. William, eu hoje ouvi de um jurista, ele falou que o STF agora está com uma mania, os ministros, até pela situação política, estão sendo levados a tomar decisões que não querem, mas usam o voto para dar o recado político.
A gente viu isso com Gilmar Mendes, quando confirma a prisão de Daniel Vorcá. Ele usa metade do voto dele para dizer por que ele não gostaria de fazer e a outra metade, ou menos até, ele acaba acatando. Então, ele acata questionando tecnicamente, politicamente, fazendo a ligação com a Lava Jato. Mas ficou óbvio que, politicamente, ele não tinha outra opção a fazer. O Alexandre de Moraes faz a mesma coisa hoje.
defendimento, defende a equipe médica, toda a condição que ele criou para o Bolsonaro ser bem cuidado na Papudinha, que a condição com que Bolsonaro chega no hospital teria acontecido, independentemente de onde o ex-presidente estivesse, querendo dizer, não foi a presença dele na Papudinha que causou o estado grave que ele se encontrou e que ele chegou para ir para o hospital.
porque um advogado me explicou que essa figura da prisão humanitária surge ali durante a operação Lava Jato e ela surge como um benefício temporário. Mas nunca tinha havido uma decisão, pelo menos ninguém conseguiu encontrar uma coisa idêntica ao que fez o Moraes, de trazer essa cláusula. Então, essa característica do temporário é o ato de resistência do Alexandre de Moraes de dizer,
Ele justifica isso dizendo que os médicos afirmam que 90 dias é o período necessário para se avaliar se o paciente se recuperou, principalmente o paciente na idade do Bolsonaro. É, mas aí ele está esticando a corda, né? É, porque não é 60 ou 120. Diz ele que é uma avaliação médica. Enfim, eu estou reproduzindo o que ele escreveu. Mas aí ele está esticando a corda, quer dizer, ele precisa fazer fundamento técnico ali, minimamente na decisão dele, mas é óbvio que é uma escolha.
escolha de resistência, de não entregar o jogo e não entregar uma prisão domiciliar. Quinta vez que a defesa pediu, né? Não entregar. Sete vezes. Sete vezes. O advogado nem falou cinco. Dependendo da contagem, foram sete. Daniel está pedindo a palavra. William, acho que tem um fator pouco perceptível, menos evidente dessa prisão domiciliar do ponto de vista político-eleitoral, que merece uma apreciação de uma análise
mais aprofundada, é o fator Michele Bolsonaro. Michele Bolsonaro teve um crescimento, uma densidade para qualquer campanha e uma influência num segmento do eleitorado em que a direita se comunicava mal, que é o eleitorado feminino, sempre ali um calcanhar de Aquiles do bolsonarismo, desde a campanha, da reta final da campanha de 2022. E ela só cresceu desde então.
pouco mais afastada da política para cuidar do marido nas visitas na Papudinha e que teve menos tempo de se dedicar às articulações político-eleitorais. É uma Michele que não se alinhou completamente aos filhos de Bolsonaro, que tem divergências às vezes inclusive escancaradas com Carlos, com Eduardo, com o próprio Flávio Bolsonaro e que agora pode estar 24 horas por dia ao lado do
Bolsonaro que, por sua vez, emitirá os comandos para os seus comandados, para a sua tropa, inclusive para os filhos, ou seja, aumenta o seu poder de influência junto à direita e consegue costurar, consegue também se liberar mais para essa agenda de comício, de eleições, de pré-campanha.
Bolsonaro propriamente. Ela tenta eleger a sua bancada feminina. As suas representantes da direita no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo, ela tem candidatas próprias. Então, é uma Michele que potencialmente cresce nos próximos meses em relação a uma Michele se tivesse ali o Bolsonaro preso na Papudim. O que o Daniel está dizendo é que com o Michele, que nessa situação agora, nesse tipo de situação a qual estará submetido o Bolsonaro,
cresce como articuladora da campanha? Eu não vejo... Acho que a campanha do Bolsonaro, do Flávio, ela está muito bem estruturada. Eu não vou dizer que é uma tutela, mas ela tem ali algumas cabeças no entorno, no qual eu destaco o Rogério Marinho, que é o coordenador do programa de governo, que é um operador político, já foi ministro, enfim. Ele está muito bem cercado de nomes, vamos dizer assim, de peso no campo político da direita e na formulação de programas, sem estar no mérito da...
da qualidade dos programas, mas ele se cercou de gente experiente. Porque ele não tem essa experiência, esse estufo, ele tem o sobrenome. Então eu vejo esse pessoal articulando muito bem. Os profissionais. Sim, os profissionais da política ajudando e o próprio pai também. Porque o pai toma a decisão do Flávio e essa decisão é criticada em dezembro. Os caciques, o centrão, o erro, todo mundo ficou incomodado. Quando que o Bolsonaro escolhe o filho? E tá aí, o filho cresceu.
empatou com o Lula, algumas pesquisas já colocam na frente, foi uma decisão acertada do Bolsonaro do ponto de vista de estratégia. Então é o pai, o pai, Rogério Marinho, tem os outros todos ali que ajudam nessa articulação. Não vejo a Michelle como uma grande articuladora, eu vejo ela como alguém jovem, então ela dialoga com o público jovem, ela dialoga com os evangélicos, principalmente, e a gente está falando de um terço do eleitorado, mas não como uma grande articuladora,
articuladora política, a ponto de descambar o Flávio. E o Flávio já sacou isso também. Tirando o Carlos Eduardo, que tem mais problema, o Flávio também já sacou ali de que precisa dela para dialogar com esses públicos e público feminino também, que é mais a metade do eleitorado brasileiro. Agora, eu acho que o Daniel tem um ponto, porque a decisão do Jair Bolsonaro por Flávio Bolsonaro foi tomada sem a participação dela, porque as visitas eram feitas de formas separadas.
com Jair Bolsonaro, quando ele sai da prisão e anuncia que o pai o escolheu. Tanto que foi um barata-vô naqueles dias, porque a gente esperando a Michelle ir lá e ouvir dele. Agora a situação é diferente, porque tanto os filhos quanto ela vão ter o mesmo acesso o tempo inteiro. Aliás, quem vai estar mais do lado dele é a própria Michelle. Então, acho que é uma coisa que a gente vai ter que entender aí como é que ela vai se posicionar, porque ela nunca apoiou o Flávio abertamente, ela acabou acatando uma outra decisão.
Eu acho que essa composição agora de estar todo mundo junto lá na frente dele pode mudar um pouco a esfera de poder que ela terá. A política nunca apoiou a Michele. Não é uma coisa do Eduardo, do Carlos, do Flávio. Os políticos ali do Centrão, eles nunca viram, e sempre os relatos são de que alguém que não conseguiria, não sei até que ponto tem misoginia aí, enfim, mas que não conseguiria conduzir um processo político como uma eleição presidencial. E o Flávio, queira ou não, já foi deputado estadual, é senador,
E teria esse caminho. E a rigor, o que alimenta muito a candidatura do Flávio, acima de tudo, é uma avaliação do governo Lula e um alinhamento do governo Lula com outro poder que está aí mais queimado que tudo, que é o Supremo Tribunal Federal. O aniversariante está pedindo a palavra. Eu já ia para o intervalo, mas é porque você é aniversariante. Conceda esse presente, William. O Caio tem toda razão quando ele nos mostra
Flávio Bolsonaro está cercado, e está mais do que cercado, domado pelos profissionais da política. Rogério Marinho encabeçando. Certamente, a diferença que você tem agora é uma, Michele, que não é uma profissional experimentada da política, 24 horas por dia, como disse a Thais, com a capacidade de ficar ali no ouvido do Bolsonaro, dizendo, vai por aqui, vai por lá, isso aqui está errado, e essa capacidade de influência agora só vai aumentar.
Esse segmento, vamos para o intervalo e na volta vamos tratar do controle de preços da Petrobras. Isso aí aumenta a discussão sobre risco de falta de diesel no país, até já. Estando no intervalo, WW, conosco agora a economista Zeina Latif, ela é só se a diretora da Jai Brautar Consulting. Zeina, é bom ter você conosco, obrigado por estar aqui, boa noite. Prazer é meu, boa noite a todos, William, Thaís, Caio, Daniel.
o assunto. O Ministério da Fazenda anunciou uma nova proposta de subvenção na importação do diesel para os estados. Essa medida chega depois de uma forte resistência dos governadores à ideia que até então estava em cima da mesa, que era zerar o ICMS sobre a importação de combustível. Confira. Na nova proposta da Fazenda, estados de União dividem igualmente os custos, com cada um bancando 60 centavos cada por litro de diesel. Segundo o chefe da
A medida se junta a outros esforços do governo nesse sentido. O primeiro foi zerar o PIS e o COFINS no preço do diesel. E o segundo foi garantir outra subvenção a produtores do combustível, de 32 centavos por litro.
Banaldo tentou convencer os governos estaduais a aceitarem a redução temporária do ICMS para o diesel, como resposta à variação do preço do petróleo, mas não obteve sucesso. Durigan ainda deixa no ar a possibilidade de outras medidas serem postas à mesa. A gente tem novas medidas de novo. Aqui eu não tenho medida para ser antecipada, mas nós temos um norte que nós estamos sendo guiados e orientados pelo presidente. O cenário no mercado de combustível segue complicado.
com preço 74% mais barato do que o comercializado no exterior, uma defasagem de mais de R$ 2. Isso porque a Petrobras mantém a política de evitar repassar ao consumidor o impacto de volatilidades externas. Associações do setor apontam que a decisão pode ser uma forma de manter os preços artificialmente baixos. Isso é visto como prejudicial para os produtores de petróleo, para quem refina o combustível no país e para os importadores.
No entanto, não planeja mudar a política e voltar a aumentar o diesel nas refinarias, pelo menos no curto prazo. Zena, a reportagem indicou, eu acho, com toda propriedade, a nossa fundamental, vital dependência do diesel e, portanto, também dos preços desse combustível. Na sua avaliação, o caminho que o governo está escolhendo para tentar manter os preços mais baixos possíveis está correto?
natural que governantes tentem queiram suavizar essa trajetória de preços de combustíveis. Isso não é só no Brasil, isso é no mundo. Outros países estão fazendo descontos na tributação, redução da carga tributária. Agora, isso é legítimo. É legítimo você usar o orçamento como você quiser. Mas isso não pode ser um instrumento para conter o ajuste de preços da Petrobras.
Isso não. A Petrobras tem que seguir uma regra, mesmo que seja de suavização, mas já estamos falando de uma defasagem muito alta. E aí, o governo que vai fazer com isso, são outros 500. Agora, não pode ser uma justificativa para tentar segurar artificialmente os preços da Petrobras. É importante deixar claro para as pessoas, a gente tem essa dependência na importação do diesel, algo como 20%,
30%, depende do nível de defasagem. Então, o importador, ele deixa de importar quando a Petrobras mantém os preços artificialmente baixos, afinal ele vai importar, vai pagar muito caro e não vai ter um produto competitivo aqui. Então, ele reduz a sua importação. E aí, obviamente, com todos os riscos de desabastecimento que a gente começa a ver aqui e ali no país. Então, assim, não pode usar a Petrobras para isso. Então, que flutue o preço,
ainda que seja não automático, enfim, mas que flutue o preço da Petrobras, para não dar o sinal equivocado para os importadores, sinal equivocado para quem vai investir no setor no Brasil. Soluções de curto prazo, elas não podem rasgar, vamos dizer assim, manuais, regras que no longo prazo vão ter consequências nas decisões de investimento no país. Agora é aquilo, se o governo vai ter um ganho de arrecadação,
Tem um estudo interessante do Manuel Pires falando, olha, no orçamento estava ali previsto um barril de petróleo a 65 dólares, agora é 100, vai ter um ganho de arrecadação para o governo. Se o governo quer usar essa parte da arrecadação para fazer algum tipo de compensação, tudo bem, mas jamais pode ser uma justificativa para conter preços da Petrobras. Uma estratégia para isso. O governo do PT consegue resistir essa tentação,
esse magnetismo de mexer com a Petrobras e como ela forma preços? Dessa vez nem está precisando fazer tanta força, né, William? Tem um alinhamento muito direto da nova diretoria da Petrobras com o pensamento do governo. De ontem para hoje, aconteceu uma coisa que meio que assustou o mercado, a Reuters com uma apuração, dando, inclusive, aspas de fontes de dentro da Petrobras, dizendo que o reajuste nos preços não estava no radar,
pensando nisso e que estavam dentro da política escolhida pela Petrobras. A gente que cobre isso há muitos anos viu isso acontecer raríssimas vezes. Há uma defasagem gigante de quase R$ 3,00, ela flutuou entre R$ 2,50 e R$ 3,00, o que nunca aconteceu. Amanhã essa defasagem vai aumentar porque o petróleo hoje voltou. E como disse a Zena, a política pública está aí para ser adotada.
ou subvenção ou redução de impostos, diminuindo o horário de escola, diminuindo o horário de escritório, pedindo para as pessoas trocarem o fogão pela air fryer para economizar. E estão dando ajuda para os mais pobres, estão fazendo transferência de renda para as pessoas mais pobres. Isso é uma coisa, mas não tem ninguém segurando o preço como o Brasil está fazendo,
Hoje, o Fernando Nakagawa, no Hora H, trouxe um dado assustador. A refinaria privada, essa que o Lula quer recomprar, da Bahia, no mesmo dia que a Petrobras anunciou o reajuste de 11% de R$ 0,38, ela anunciou o reajuste de R$ 0,66, porque ela não tem o tamanho do caixa da Petrobras, ela não consegue segurar o preço como a Petrobras faz. Então, essa distorção já está no mercado.
a própria Petrobras, a presidente da Petrobras, culpa o setor privado ou criminaliza todo o setor. Daniel. É por isso que existe um discurso por parte do governo de dizer, mas olha o que a refinaria privatizada pelos governos anteriores faz. A gente perdeu o controle de uma estrutura verticalizada, então agora arquemos com as consequências disso. Obviamente, possibilidade de inflação de alimentos, já o segundo efeito ali, a derivada do aumento dos preços do petróleo,
inflação de alimentos, redução do ritmo de queda na taxa de juros e até greve de caminhoneiros que a gente não pode descartar. Amanhã tem uma reunião no Palácio do Planalto, o Guilherme Boulos recebe caminhoneiros. Tudo isso apavora o Palácio do Planalto num contexto de pré-eleição. A gente está seis meses das eleições. Agora, a proposta, me parece do ponto de vista técnico, onde a proposta mais falha de um subsídio para o diesel
os estados como um bloco monolítico. É claro que quando você tem aumento dos preços internacionais, você não só tem um aumento dos dividendos pagos pela Petrobras, e aí isso vai para a União, além dos minoritários, obviamente, mas você tem crescimento da arrecadação com royalties, participações especiais, impostos para a União e para os estados e municípios produtores.
o Rio de Janeiro, o Espírito Santo, São Paulo hoje, até consigam arcar com algum tipo de subvenção, se tiverem disposição política. E o Mato Grosso do Sul? E Santa Catarina? E o Acre? Vão poder arcar com isso? Então, ao tratar os estados de forma igualitária, também existe uma pressão que é injusta, porque nem todos os estados têm como responder a esse chamado da fazenda, por mais, assim, a gente não entra na discussão do mérito, mas por mais que
possa ser interessante a proposta, os Estados não têm como reagir de forma igual. Caio, é uma operação política, em primeiro lugar. Tem os seus fundamentos econômicos muito claros. A própria Zeina começou a intervenção dela dizendo que é a coisa mais natural, está acontecendo por toda parte, todas as partes do planeta, os governos têm que tentar ver como é que conseguem mitigar os efeitos da guerra lá no Oriente Médio. Agora, vamos pegar do ponto de vista da operação política. Ela está, de alguma forma,
subordinada às questões econômicas, ou ela que está mandando nas questões econômicas? Bom, é importante frisar que o marqueteiro do governo, Sidoni Palmeira, ele acompanha esse debate todo, porque além de toda a crise política, além de todo o caso máster, além da forma como o caso máster está colando no governo, em razão da crise do Supremo, do alinhamento do Palácio do Supremo, a preocupação econômica tem deixado ali o Palácio do Planalto quase em pânico,
que a caixa de ferramentas que ele tem em mãos, ele não consegue resolver o problema, ele consegue resolver uma parte do problema muito mínima, e há uma imprevisibilidade com o futuro da guerra, que não se sabe se o que ele está propondo, agora da subvenção de 1,20 para o diesel, vai se resolver, e vai durar no tempo, e pode chegar na eleição, e os juros não caem, a inflação de alimentos começa a crescer, então o que estava há seis meses um pouco mais aplanado do ponto de vista econômico, hoje vira um motivo de desespero,
da forma como isso vai ser tratado, principalmente no que os governadores consideram uma coação para tentar forçá-los a aceitar a fórmula do governo para reduzir danos. Zena, aí que entra você como economista, diretamente, porque o Caio descreve como, do ponto de vista político, o governo está antecipando possíveis influências da guerra na economia brasileira, portanto, inflação, custo de vida e o comportamento do eleitor.
essa força de expressão, foi forte o que você usou, o desespero. Tem o governo razão em sentir desespero? Olha, a depender da extensão desse conflito, sim. Você pode montar aí uma tempestade perfeita, que o Caio descreveu muito bem. E tem um ponto que eu acho interessante, quando a gente olha as pesquisas de aprovação do presidente, enfim, o efeito da economia é bem assimétrico.
mais a aprovação do governo do que a notícia boa beneficia. É bem assimétrico. Então, sim, tem razão. É interessante a gente lembrar, lá atrás, naquele período pós-pandemia, em seguida veio a guerra da Ucrânia e da Rússia, a inflação muito pressionada. Eu não tenho dúvidas que aquela inflação pressionada foi um fator que prejudicou bastante a competitividade do presidente
Bolsonaro. Eu não tenho dúvida em relação a isso. Preços de alimentos, principalmente. Então, sim, eu acho que eles têm razão. O contexto é diferente. Lá atrás, a pressão foi muito forte, porque veio o conflito ainda em cima de uma inflação elevada no pós-pandemia. Agora, quando a gente olha a inflação mundial, ela é mais bem comportada. Mas, de novo, os efeitos na aprovação são assimétricos e já está bem justo ali. A taxa líquida de aprovação
aprovação do governo Lula, ela está negativa, mais pessoas desaprovando do que aprovando. Eu queria fazer um comentário breve, que eu achei interessante esse ponto que o Daniel colocou em relação aos Estados, bem breve, e concordando com ele, lembrando que a arrecadação de ICMS, ela continua crescendo em termos reais, mas ela já tem uma desaceleração em curso por causa da atividade econômica.
termos reais, a arrecadação do ICMS já cresceu um pouquinho abaixo do PIB, 1,7 mais ou menos. Então, é difícil para alguns estados imaginar que vai abrir mão de uma receita, de um recurso, ter que transferir para essa subvenção, só para reforçar que o quadro das finanças dos estados também não está assim tão fácil, não. E teve uma mudança importante na cobrança do ICMS sobre combustíveis, que antes eram
Então, quando o preço subia, assim como a União, os estados também ganhavam. Agora não é mais isso, agora é um valor real sobre o litro. Então, os estados não terão benefício, a não ser os estados produtores, e Rio de Janeiro, nesse caso, sai na frente, a não ser os estados produtores não terão esse benefício. Portanto, a compensação fica praticamente impossível de acontecer.
fiscal, não precisa fazer a compensação oficialmente, obrigatória, mas ainda assim causa um rombo no cofre dos estados. Então, é uma equação que coloca os governadores num constrangimento, mas não resolve o problema de caixa deles, que já era conjuntural. Daniel está pedindo a palavra. Tem um ponto muito legal que a Thais citou na intervenção anterior, que é de você sinalizar claramente para o consumidor aquilo que ele precisa fazer
Porque o mundo está vivendo isso. Então, é desligar o fogão, usar a airfryer, é usar menos o carro, é trocar pelo transporte coletivo. Enfim, você precisa mostrar para o consumidor de alguma forma. A melhor experiência que o Brasil tem de sinalização de preço de forma clara, didática para o consumidor, são as bandeiras tarifárias nas contas de luz. Elas foram criadas de uma forma muito simples. Está verde, está amarelo, está vermelho, dependendo do nível dos reservatórios e da necessidade de uso de fontes mais caras de energia.
O curioso é que a proposta das bandeiras tarifárias foi toda desenhada para se implementar em 2014, mas 2014 tinha uma eleição muito dura pela frente, então o governo acabou decidindo, na ocasião, deixar só para o ano seguinte, 2015, quando Dilma já tinha sido reeleita. Se a gente vê o que o atual ministro está fazendo, disse o Durigan, não, eu não tenho outras medidas para anunciar. Este é o plano ABCD ou algum aí ainda?
Esse já é o B, né, William, porque o plano da semana passada era que os estados bancassem ICMS e não conseguiam bancar. Eles estão trabalhando por partes. Acho que a ideia agora é tentar a subvenção direta de 1,20, tentar ver se os estados conseguem bancar pelo menos parte disso, mas ainda assim a resistência dos estados. E fora o plano sempre da ordem política, de dizer que o governo está tentando atuar e os estados que não estão aceitando a fórmula do governo
na bomba. Deixa eu pegar para o último ponto, Thais. E rápido a Zeina também. Antes da gente entrar no ar, nós estávamos assistindo o boletim do nosso novo segmento sobre o agro e havia uma contribuição importante. Começando por você, Zeina. O agro está pendurado no diesel. E o que se antecipa, então? Olha, no diesel e, obviamente, nos preços de fertilizantes, que é muito sensível. Neste momento, como a gente não está no momento de plantio,
Na verdade, tem o plantio da safrinha, de milho, mas que uma boa parte já foi, não no sul, por isso que no sul a situação está mais sensível. Mas, de novo, é claro que uma extensão grande desse conflito pode atrapalhar o plantio lá na frente, porque talvez demore para os preços caírem. Então, sim, a situação do agro é sensível e, no caso, obviamente,
do óleo diesel, porque colheitadeira, os tratores, enfim, todas essas máquinas, equipamentos, elas dependem do diesel e isso encarece. A grande propriedade, ela consegue diluir mais ou menos esse custo, mas, de fato, acaba prejudicando muito as empresas menores. Então, obviamente, isso acaba tendo repasse em custos. E tem um ponto, William, que eu acho importante. A gente está vendo muita quebradinha
no agro. E o descasamento de fluxo de caixa nesse momento, quer dizer, a empresa tem que, o produtor tem que pagar muito caro para insumos, para o óleo diesel, para fazer a colheita da soja, de novo, uma boa parte já foi, mas no sul está um pouco mais atrasado. Qualquer descasamento aqui, isso pesa muito e num quadro de elevada inadimplência do setor, o crédito fica mais caro,
caro, fica mais escasso. Então, esse setor está numa situação realmente mais difícil, não tenho dúvidas. Zena, começando por você, Zena Latifi, a sócia diretora da Gibraltar Consulting. Zena, bom ter você mais uma vez aqui conosco. Obrigado, boa noite. Boa noite, eu que agradeço. Feliz aniversariante lá em Brasília. Obrigado, boa noite, Daniel. Boa noite, obrigado. Balada. Vai para a balada, imagino. Caio, obrigado, boa noite.
Pessoal, nós vamos para o intervalo na volta. Como é que estão indo as tais negociações sobre a guerra no Oriente Médio até já? De volta do intervalo, é o WW, conosco agora na roda, Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC do Rio de Janeiro e também da Escola de Comando Estado-Maior do Exército, a ECM. Carlos, obrigado por estar conosco, boa noite. Estamos nos comunicando, Carlos, o William exigindo uma boa noite. Você me ouve aqui de São Paulo?
Exatamente. Ótimo, obrigado. O teu microfone tem uma pequena falha. Agora estamos todos na mesma parte, na sintonia. Maravilha. E o nosso Lourival. Lourival, boa noite. Boa noite. Donald Trump continua tentando encontrar o que se chama de uma rampa de saída para a crise que lá quebrou ele mesmo criando a situação para ele mesmo. Ele se diz otimista em relação a negociações com Teheran. Negociações que iranianos disseram que talvez fosse melhor falar.
com o vice dele, J.D. Vance. Reportagem de Mariana Janjakomo. Uma fonte iraniana afirmou à CNN que os Estados Unidos estão procurando o Irã para acabar com a guerra e que os iranianos estão dispostos a ouvir propostas. Ainda segundo essa fonte, o Irã está pronto para oferecer garantias de que nunca vai desenvolver uma arma nuclear, mas quer poder usar a tecnologia para fins pacíficos, além do fim das sanções.
e Estados Unidos, intermediada por países aliados, o que contradiz o presidente americano, Donald Trump, que afirma haver negociações diretas e avançadas em andamento. O porta-voz militar do regime dos ayatolás, no entanto, apareceu caçoando de Trump em um vídeo publicado nesta terça-feira.
tensões é cada vez maior por causa dos custos financeiros, políticos e humanos da guerra. As falas mais recentes do presidente americano parecem indicar que ele prepara o terreno para eventualmente declarar vitória e parar os ataques. Mas até aqui não está claro qual seria exatamente a conquista obtida pelos Estados Unidos, já que as demandas do Irã seguem as mesmas desde antes da guerra.
e que isso poderia ajudar ainda mais os caminhos diplomáticos. Se os Estados Unidos estão pensando em cessar os bombardeios, o mesmo não parece valer para Israel.
tangível neste momento. Israel intensificou os ataques ao Líbano, atingindo pontes que ligam a região sul ao restante do país. Além disso, o Ministério da Defesa israelense disse que planeja ocupar essa parte do território libanês, mesmo depois do fim dos combates. Teheran também disparou mísseis contra Tel Aviv. Os ataques atingiram prédios e carros nas ruas da capital israelense.
matéria do Trump é sempre complicado entender o que vai acontecer. Vamos tentar começar por ele. A gente tem quais fatos que a gente pode se referir como tais? A gente tem um ultimato que, em princípio, vence só sexta-feira, que ele prorrogou, na verdade, o ultimato dele, que ele não realizou. Fato número um. O ultimato está de pé. Número dois. Confirma-se, por fontes oficiais americanas, o envio de duas unidades de peso.
A 31ª Força Expedicionária dos Marines, que é uma tropa pesada, e cerca de 3 mil integrantes da 82ª Aerotransportada, que é outra tropa pesada. Elas precisam ainda de um tempo para se posicionarem ali na região, dizem ali por volta da Páscoa. Você consegue entender o que o Trump está fazendo? Eu fico feliz, mais uma vez, boa noite, mas eu fico feliz que você já apresenta a pergunta,
dizendo anteriormente que é muito difícil entender o que se passa ali em termos de estratégia. As mensagens, a única constância de Donald Trump, até o momento, tem sido a sua inconstância. Isso perpassa diversos assuntos e, em relação ao Irã, não tem sido diferente. Essa procura por uma saída honrosa do conflito, eu acho que tem a ver com uma outra informação,
que você não citou, mas muito importante, que é o declínio contínuo dos seus números e da sua aprovação e o aumento dos preços ao consumidor nos Estados Unidos. Do ponto de vista militar e do ponto de vista estratégico, levar essas divisões para próximo do conflito tende a aumentar a capacidade de barganha.
mensagens são mensagens muito dísperes. No momento diz que está pronto para fazer o maior ataque, dois dias depois diz que está pronto para discutir a paz. Ao que parece, e a gente sempre pega essas informações de segunda mão, ao que parece não há contatos diretos com o governo iraniano ou com o que restou das lideranças iranianas, mas há já algumas
propostas que foram enviadas e que talvez por emissários indiretos possam trazer algum alento. Eu acho que o grande paradoxo, diria ironia, mas o grande paradoxo de toda a situação é que talvez a gente sempre tenha discutido o que aconteceria se houvesse o fechamento do Estreito de Hormuz. Hoje nós temos o resultado e não importa a maneira que o conflito
o Irã também vai saber disso, que é capaz de infligir uma enorme disrupção nos mercados globais e a maior disrupção no mercado global de energia em alguns dias ou em algumas semanas. A gente tem que voltar, então, para o que a gente possivelmente interprete como vitória do ponto de vista do Trump. Qual seria? Ele vai ter muita dificuldade de...
Eu acho que, de certa forma, ele já perdeu. Tem muitos clichês em relação a qualquer conflito. E a guerra, normalmente, a gente diz que se ganha do ponto de vista da comunicação. E da comunicação está difícil. Do ponto de vista material, é certo que o Irã perdeu muito da sua capacidade militar. É certo que o regime sai enfraquecido, porém vivo. Então, não há mudança de regime.
E do ponto de vista da economia e também da segurança regional, é difícil de mostrar alguma vitória. Então, eu acho que o melhor para fazer nesse momento para Donald Trump é declarar uma vitória, ainda que absolutamente limitada, porque a tendência é que as coisas piorem. A continuação do conflito e agora com o Estreito de Hormuz como o verdadeiro centro de gravidade do conflito,
Qualquer continuação do conflito passa pela resolução da questão do straight or loose. E é difícil imaginar uma solução ali que não signifique escolta, presença física, e isso significaria uma escalada ainda maior. Então, Donald Trump deveria confiar nos seus dotes comunicativos e terminar o conflito o quanto antes. Escalada ainda maior.
É o que eles chamam na linguagem militar, mas na linguagem política também, o gap de credibilidade. Ele faz ameaças que ele não concretiza. A próxima ameaça tem que ser muito maior do que aquela que ele não concretizou. Ele fez uma ameaça terrível. Vou acabar com a energia elétrica do Irã. Imediatamente, os juristas americanos vieram dizer, peraí, peraí, peraí, isso aí é crime de guerra clássico. Isso daí é uma operação de punição da população civil.
na convenção de Genebra. Agora, qual é a próxima ameaça que ele vai fazer, então, Lourival? É, e a questão é, foi a resposta também do Irã, né? O Irã falou, então tá bom, eu vou destruir as usinas de dessalinização das monarquias... É outro crime de guerra por si também. É, das monarquias árabes do Golfo e também as usinas de energia das monarquias, o que é o equivalente, né? Porque se você destrói as usinas de energia, você acaba com a capacidade de dessalinização que é vital para
Você mata a população de sede, simplesmente. É simples assim. Essas monarquias são muito prósperas e já colocaram populações no deserto que dependem... Manta um trigo no deserto. Depende da destanalização, depende da irrigação, dependem de ar-condicionado para sobreviver. Então, já dependem disso. Não existe saída para os Estados Unidos. Não existe. Por quê? Porque não é possível garantir a navegação no Estreito de Hormuz
enviar milhares de soldados para garantir ali a costa, que é uma região montanhosa, complicadíssima, de enfrentar uma guerra de guerrilha para a qual os iranianos estão preparados. Então, politicamente não é sustentável um cenário em que você teria dezenas, talvez centenas de soldados americanos morrendo ali para garantir a navegação do Estreio de Hormuz.
a ilha de Khag, que responde por 90% do escoamento dos combustíveis iranianos para colapsar as exportações desses combustíveis, também não funciona. Porque o Irã fala, bom, como é que você vai conseguir chegar lá e sustentar isso lá sem, de novo, essa morte de soldados? E como você chega lá, você tem que passar pelo Estreio de Hormuz, você vai pelo mar.
estava realmente blefando. Essas 48 horas se transformaram em uma semana e ele não tem condições de assegurar a credibilidade da ameaça. No entanto, o Trump não pode parar a guerra agora. Esse é o grande paradoxo. Ele precisa parar, como o Carlos Frederico disse, mas ele não pode parar. Por quê? Porque se ele para, é uma derrota clara, porque antes da guerra,
o Irã não bloqueava o Strait de Hormuz. Então, é uma perda estratégica brutal para os Estados Unidos. O Trump realmente se colocou numa situação em que ele se obrigou a sofrer uma humilhação ou pagar um preço político insustentável, que é a morte de muitos soldados americanos. Eu preciso ser muito breve agora, que o tempo está acabando, Carlos Federico. O Trump se enfiou numa sinuca de bico?
o Crior, e a minha maior preocupação é que ele escolha a escalada, é que a gente entre aí na teoria dos jogos, num jogo de ticking, onde dois carros estão em sentidos opostos, pensando aí quem vai piscar primeiro. E o resultado pode ser muito ruim para todos os envolvidos. Mas para Donald Trump, com certeza, ele está numa situação difícil. É possível ele taco again, Dorival?
Isso, né? Ele não tem saída e para ele, em termos políticos, é péssimo. Quer dizer, já tem essa elevação de preços, já é algo real, já é um fato consumado, mesmo que a guerra pare agora. E o Irã sabe perfeitamente tudo isso, está colocando um preço muito alto nas negociações e dessa vez o Trump não vai conseguir maquiar a situação.
erro de cálculo que ele cometeu. Carlos Federico Coelho, queria agradecer a você, professor de Relações Internacionais lá da PUC do Rio e da ECM, a Escola de Comando do Estado-Maior do Exército, a participação aqui no WW. Sempre muito bem-vindo, obrigado e boa noite, Carlos. Obrigado, boa noite, William, boa noite, Lorival, um prazer. Igualmente, Lorival, obrigado. Prazer enorme ter você sempre aqui a bordo conosco no WW. E antes de me despedir de vocês, aquele nosso lembrete que eu acho que é muito útil para todo mundo que se interessa pelos conteúdos que nós estamos tratando
aqui, sejam eles de política brasileira ou esses internacionais, visite a página do www no site da CNN. Agora sim, essa edição fica por aqui. Meu agradecimento a você que nos acompanha. Obrigado e boa noite.