Petróleo muda guerra sem planos de Trump
- Conflito EUA-IrãAtaques a navios no Estreito de Ormuz · Bloqueio de fornecimento de petróleo · Impacto econômico global · Preços do petróleo acima de 90 dólares · Liberação de reservas estratégicas pela IEA
- Governo e Gestao PublicaConversa com Gustavo Petro da Colômbia · Diálogo com Claudia Sheinbaum do México · Resposta conjunta ao crime organizado · Resistência a pressão americana · Busca de autonomia regional
- Caso Mestrado STFRecusa de Tofoli da relatoria · Julgamento de Daniel Vorcaro · Nova relatoria de Cristiano Zanin · Pressão para instalação de CPI · Credibilidade abalada do STF
- Falta de Planejamento e Projeto de PaísAusência de objetivos coerentes · Falta de preparação para consequências econômicas · Surpresa com proporção do impacto · Relatórios inadequados dos assessores · Excesso de confiança da Casa Branca
- Crise InstitucionalPercepção pública abalada · Pressão política interna · Risco de interferência legislativa · Isolamento político · Possível resposta punitiva
- Terrorismo em Cabo DelgadoProposta dos EUA para PCC e Comando Vermelho · Temor de brecha para intervenção militar · Novas sanções econômicas · Interferência eleitoral americana · Divergência com diplomacia brasileira
- Geopolítica de Trump, Xi e PutinDivergência de interesses EUA-Israel · Capacidade de reconstrução iraniana · Possível continuidade do conflito · Preparação para futuras guerras · Discussão sobre mudança de regime
- Banco MasterMandado de segurança de Rodrigo Rolimberg · Obstáculos do STF para instalação · Redução de poderes investigativos · Proteção excessiva de depoentes · Precedente da CPI da Pandemia
- Segurança OperacionalViolação sistemática de direitos · Ocupação territorial · Corrupção institucional · Ameaça ao estado democrático · Controle do PCC e Comando Vermelho
- Mediação InternacionalGravação de reunião secreta · Vazamentos seletivos · Clima de desconfiança entre ministros · Impacto reputacional · Estratégia de afastamento temporário
- Operacao Escudo das AmericasCoalizão contra narcotráfico liderada EUA · Convite a Brasil, Colômbia e México · Ausência dos três países no lançamento · Divergência estratégica com Trump · Bloco de países de esquerda
- Percepcao publica STFComposição reduzida sem Tofoli · Possível empate 2x2 · Divisão entre alas · Posição de Cristiano Zanin incerta · Defesa de Ricardo Mago por filho de Cassio
- Opinião Pública EUAPreocupação com preços de gasolina · Desejo de investigação clara · Midterm elections fim de ano · Desgaste político do governo · Possível vitória declarada antecipadamente
- Resposta Trump à crise econômicaInsistência em segurança de Ormuz · Negação da gravidade · Discurso de confiança · Falta de ação concreta · Desconexão com realidade
- Geopolítica EnergéticaInstalação de dispositivos iranianos · Operação americana de destruição · Risco de navegação · Segurança em Ormuz · Número reduzido de artefatos
Boa noite, STSNN Brasil. Este é o WW. Ataques a navios próximos ao estreito de Hormuz por parte do Irã sugerem um cenário preocupante para a guerra. Um cenário da possibilidade real e próxima de estrangulamento de parte significativa do fornecimento de petróleo que vem do Golfo Pérsico. O cenário ganhou cores fortes também pelo fato de vários países que integram a Agência Internacional de Energia terem anunciado hoje à tarde
grande quantidade de suas reservas estratégicas de petróleo. Essa liberação é considerada inédita pelo volume, 400 milhões de barris, para comparação. Isso aí é o dobro do que foi liberado na crise ocorrida quando começou a guerra na Ucrânia, quatro anos atrás. O presidente americano parece ter sido apanhado de surpresa, não tanto pela reação do Irã, essa é mais ou menos a que se esperava, a que se previa,
que tomou a questão do impacto da queda de fornecimento de petróleo sobre a economia global em geral e os preços aos consumidores americanos em particular. Essa surpresa traduz o que se disse desde o início da guerra. É a falta de planejamento para ações militares de grande porte. Parte da imprensa americana está relatando também a surpresa de congressistas americanos que foram informados secretamente pelo Pentágono sobre a guerra.
coerente, nem como chegar a eles, disse um deles quando Trump começou a guerra. Uma das frases mais famosas ao longo da história, repetidas por manuais estratégia, diz que nenhum plano resiste ao primeiro contato com o inimigo, ou seja, um plano precisa ser sempre revisto, sempre adaptado diante das mudanças das circunstâncias. Trump nem sequer plano tinha. Nessa edição vamos tratar também de Toffoli declarando-se suspeito,
para assumir mais uma relatoria no caso Master e de Lula articulando com governos de esquerda na América Latina como enfrentar a postura americana no caso de organizações criminosas transnacionais. Estamos com o time de hoje aqui, olha só, Daniel Rittener de Brasília, boa noite, Thais Herédia, querida, e Caio Junqueira, boa noite, Caio. O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito de participar do julgamento da prisão preventiva de Daniel Borcaro e isso vai ocorrer via a segunda turma do STF.
Julgamento previsto para sexta-feira, depois da manhã. Mais cedo, Toffoli havia recusado a relatoria, tinha sido sorteado, para um mandado de segurança que pede que a Câmara seja obrigada a instalar a CPI do Banco Master. Houve um novo sorteio, dado a recusa do Toffoli, o processo caiu agora por sorteio com Cristiano Zanin. Reportagem de Luciana Amaral, de Brasília. Dias Toffoli alegou motivo de foro íntimo para não julgar o pedido de CPI do Master.
que não há hipótese de suspeição ou de impedimento de sua atuação no processo relativo ao banco, do qual era relator. Toffoli, inclusive, revive a nota assinada pelos demais ministros em sua defesa no dia em que abriu mão da relatoria do caso Master. O autor do mandado de segurança, deputado federal Rodrigo Hollenberg, quer que o Supremo obrigue a Câmara a colocar a CPI para funcionar,
Defensores de uma CPI do Master avaliam que Toffoli tomou a decisão correta. Já a postura do novo relator Cristiano Zanin ainda é tida como uma incógnita. Mas Hollenberg espera que o ministro siga o precedente da CPI da pandemia, criada no Senado depois de uma ordem do STF em 2021.
da CPI do Banco Master, porque ela atende todos os requisitos constitucionais. Enquanto a CPI não é instalada, parlamentares recorrem à CPMI do INSS para avançar sobre o caso. A comissão está sob posse de dados sigilosos do celular de Daniel Vorcaro. O vice-presidente do colegiado, deputado Duarte Júnior, busca informações sobre um número que, em comunicações de Vorcaro,
No entanto, a própria CPMI enfrenta embates com o STF. Nesta quarta-feira, seria a vez de a comissão ouvir Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master. Mas ele conseguiu um habeas corpus no Supremo e a audiência acabou cancelada. Parlamentares reclamam que isso se tornou um padrão, o que desrespeitaria o Congresso.
se reuniu com o relator dos processos sobre o Master e as fraudes no INSS na corte, André Mendonça. Uma visita de muita cortesia, mas uma visita que, infelizmente, ela não avança no sentido do que eu tenho falado para vocês sobre o desequilíbrio entre os poderes em nosso país.
e as suspeitas envolvendo ministros do Supremo. Destes 48%, 69% consideram que a credibilidade do STF está abalada pelas suspeitas envolvendo o banco de Daniel Vorcaro.
uma figura isolada. Os ministros estão convencidos que foi ele que gravou aquela reunião secreta e espalhou pedaços dela por aí. Agora, do ponto de vista do Supremo, mexe de alguma maneira com a relação? O William ajuda a situação dele, ele submerge. Na política, isso é muito comum, e considerando que é um ministro político, então ele acabou optando por esse caminho também. Quando que um político submerge? Que foi o que o Dias Toffoli fez.
Quando ele está no alvo. Quando ele está sendo alvejado, ele está no centro das polêmicas,
das controvérsias, tanto por parte da opinião pública quanto por parte do Congresso Nacional. Então, é uma decisão dele de submergir, primeiro, para se poupar, porque se ele assume, volta o tiroteio contra ele. Nas vésperas, talvez, do Congresso abrir uma CPI, tem pedido de CPI específica contra o Toffoli e contra o Alexandre de Moraes. Então, do ponto de vista do Congresso, ele sai do alvo. E do ponto de vista interno do Supremo, ele se preserva,
no linguagem popular, queimado entre os pares, porque gravou, é apontado como o gravador, está sem clima em casa, está sem clima na corte. E aí ele acaba também evitando, consequentemente, que a corte vire novamente, mais ainda do que já está, também um alvo. Então fica bom para os ministros do Supremo, fica bom para o Supremo, fica bom principalmente para o Toffoli.
Então, William, o que ele quer dizer com isso? Vamos lá.
questão jurídica que envolve, inclusive, os precedentes ali, o mais recente da CPI da pandemia, da Covid, no governo Bolsonaro, em que o Supremo decidiu que é um direito da minoria a instalação de uma comissão, que isso está consagrado na Constituição e esse precedente pode ser usado agora. Porém, existe, principalmente aqueles deputados e senadores que são mais experientes com CPIs, existe um clima de muita frustração, porque uma
no passado, e isso a gente remete lá para aqueles casos da CPI dos Correios, da CPI do Mensalão, CPI dos Bingos nos anos 2000, elas investigavam tudo. Quebravam sigilo, chamavam as pessoas mais sensíveis para depor. No máximo, você tinha ali uma decisão, uma liminar do Supremo, um habeas corpus, dizendo que o depoente não era obrigado a produzir provas contra si mesmo durante o depoimento.
tempo e a partir, inclusive, da CPI da pandemia, a gente começou a ver muito habeas corpus no sentido de proteger ou garantir que a pessoa convocada sequer vá depor. E isso começou a fragilizar muito as CPIs. Agora, qualquer desvio mínimo do fato base que cria a CPI tem ensejado por parte dos alvos de uma CPI o argumento no Supremo de que a quebra
sigilo no Vale, qualquer medida investigativa é muito protegida. Então, isso tirou, realmente tirou as armas, tirou o medo que uma CPI impõe para muita gente. E é isso, CPI do Master pode sair? Pode, mas pode sair nesse novo contexto de uma CPI, que não é a CPI dos anos 2000, e num Congresso que daqui a dois meses e meio para de trabalhar. Assunto, né? Mantém o assunto no olho do furacão, se abrir uma CPI. A CPI, desculpa, Thaís,
Claro, não, não, não. Uma CPI, ela permite que esse tema, garante que esse tema entre definitivamente, continue com força do ponto de vista legislativo por 3, 4, 5, 6 meses que vai concedir com o período eleitoral. Porque tudo que o Estado do Chumann não quer, as cúpulas dos poderes não querem, é que esse tema permaneça em voga, permaneça sendo debatido pela sociedade e pela política. A CPI obriga isso.
está instalado e dura pelo menos três meses. Então, mas à espera de um outro julgamento importante no Supremo. Levando essa linha que o Caio estava abordando e o Daniel também, da relação entre os dois poderes, o Gilmar, e isso tem um efeito sobre a relatoria do próprio André Mendonça, diz o seguinte, quebra de sigilo, tem que obedecer uma série de procedimentos e ele suspende a quebra de sigilo de uma empresa da qual o colega dele, o ministro Tópolis,
Eu falei, era sócio. Isso vai ser julgado ainda. Isso tem um impacto grande na relação judiciária, sobretudo na questão do trabalho das CPIs. É, aí nós vamos ter que entender o seguinte, qual é o grau de independência que os ministros do outro lado vão conseguir adotar diante desse constrangimento. Porque, no final das contas, eles criam para si, todos os dias, algum constrangimento. E eles vão escolhendo qual é o menor constrangimento.
Hoje eu ouvi, foi até engraçado o Caio falar isso, que mantém o assunto em vogue, porque eu conversando hoje com advogados, empresários, começou a aparecer uma preocupação do tipo, escuta, a Polícia Federal tem que aparecer com mais coisa, porque senão essa história vai morrer e a pizza do tamanho da maracanã vai ser assada. E aí, mesmo diante de uma preocupação da fragilidade do Supremo, a minha percepção é de que o desejo é de que haja mais esclarecimento,
Porque quanto mais acordinho, quanto mais gestos como esse do Toffoli de se declarar impedido, coisa que ele tinha que ter feito lá em novembro, vamos combinar, ele tinha que ter feito isso desde o primeiro momento em que ele descobre que, aliás, ele estava num avião privado indo para assistir um jogo do Palmeiras, quando ele descobre que ele é o relator viajando do lado de um advogado do Master.
vai se criando e vai se impondo, há um desejo da sociedade de que esse assunto não morra. Então, eu também não sei eleitoralmente, politicamente, o quanto que o Congresso vai conseguir furar essa barreira que a cúpula da casa não quer deixar para criar e manter o factóide, manter a coisa borbulhando o fogo no parquinho, mesmo que seja com uma chama menor. Se bem que no caso do Toffoli, a gente está falando de certa maneira,
isso, de um teatro secundário. O Toffoli saiu da relatoria, obteve o que ele precisava dos colegas, que é um atestado de boa conduta. Ele cita isso hoje. Na decisão. Exato. Quando ele se declara suspeito, ele diz que é por fora o íntimo, mas eu estou calçado numa decisão de dez dos meus colegas, dizendo que não há suspeitas. Fez um respaldo moral numa decisão judicial. Ok, mas ele fez. Agora, é teatro secundário.
Polícia Federal tem ou não tem em relação a Alexandre de Moraes, Daniel? Eu acho que tem um ponto, William. Você está lembrando muito bem ali o contexto em que algumas semanas atrás o Toffoli acabou saindo da relatoria, mas saiu com uma nota pública de apoio dos colegas, mas o clima mudou de lá para cá. O Toffoli perdeu o apoio, é visto sim como a pessoa que gravou e espalhou uma reunião fechada de forma absolutamente inédita,
expondo os ministros, e isso acirrou um clima de absoluta desconfiança, de forma sem precedentes, entre os ministros e os gabinetes dos ministros. E tem um ponto ali que, desde o começo desse escândalo do Master, nada é exatamente o que parece. E aí, com o decorrer de algumas semanas, a gente vai descobrindo as coisas. É aquela história, aí não existiu o contrato da Viviane Barsi.
O que significa essa saída do Toffoli, não só da relatoria da CPI, de uma decisão sobre CPI, ele está também ali deixando de votar na turma sobre a prisão de Daniel Vorcaro, que foi emitida por decisão do André Mendonça. Isso vai para a turma, votam Gilmar Mendes, Cássio Nunes Marques e Luiz Fux. Gilmar Mendes, a gente não sabe,
E, assim, existe uma impressão de que ele poderia votar pela revogação da prisão de Daniel Vorcaro. E Cássio Nunes, eu vou dizer que não tenho nenhum elemento para dizer como Cássio Nunes vai votar, mas o outro grande escândalo da história que ficou esquecido ali, que é do grupo Refit, do Ricardo Magro, que está lá nos Estados Unidos, intocado até agora, o filho do Cássio Nunes Marx passou a exercer a defesa do Ricardo Magro no próprio STF.
Então, é essa teia de laços muito mal explicados que se reflete também na votação da própria turma com a prisão de Daniel Vorcaro. Ela vai mostrar a relação de forças? Ou, melhor dito, deixa eu me corrigir, como é que estão divididas as alas? Vai ficar, vai dar uma luz sobre isso, né? É um julgamento de 4, 4 de 10, né? Porque tem uma vaga que está em aberto. Sim, esclarecendo, são 11 ministros.
de 5, o Toffoli sai, ficam 4. A gente supor que... A questão é se vai ser um julgamento jurídico ou político. A prisão do Vercaro, por incrível que pareça. E por incrível que pareça, na grande parte dos julgamentos do Supremo, a gente tem que fazer essa questão. É jurídico ou político? Porque se for político... É verdade. Porque se for político, a gente vai falar, pô, Gilmar Mendes está com o Alexandre e com o Toffoli, o Nunes Marques e o
é o outro, né? Então, ali, ainda, pelos diálogos que vazaram, que o Toffoli teria gravado, teria uma posição Supremo Futebol Clube, pra ficar na expressão do Flávio Dino, mas, assim, eles ainda não apareceram, essa turma do meio. O que a gente tava falando ontem, né, William? Você tem, claramente, três no extremo. Fachin, Carmen Lúcia e André Mendonça. Mas você tem Zanin agora na palavra da CPI. Três no outro extremo. Jumar, Alexandre e Toffoli. Aí você tem o meio de campo ali,
que a gente não apareceram ainda. Vai ser curioso ver a postura do Zanin em relação à CPI. É uma turma que a gente pode chamar moderada, uma turma, um centrão. O Daniel está querendo falar, perdão. Não, é só para deixar absolutamente claro. Como o Toffoli não vai mais votar, são quatro votando. Se der empate, se der dois a dois, em dúvida o Prorel e Vorcaro é solto. Vorcaro é solto. Aí a delação não vem. Não sei, William, não sei, porque a pressão...
O que a gente enxerga é o isolamento dele. Ele ficou tóxico demais e provavelmente vingativo demais. Vamos combinar aqui que, enquanto ele estava solto, começou a aparecer um monte de vazamento seletivo. A gente vivia falando, escuta, mas o envolvimento com o Centrão nunca aparecia. Os vazamentos eram todos seletivos. O contrato com o Ricardo Lewandowski, a relação dele com o Guido Mantega, a reunião dele com o Lula.
Então, ele solto, ele estava, de alguma forma, fazendo alguma gestão. Agora, eu queria jogar aqui na roda a pesquisa ideia, meio ideia que saiu hoje, que fez perguntas específicas sobre o caso Master e que eu acho que são importantes, porque se a gente está falando aqui da tentativa de pressão política, de não ter a CPI, essa operação abafa dentro do próprio STF,
35% das pessoas ouvidas direcionam, enxergam, identificam a crise como sendo uma crise do STF. 21% do governo federal, 18% do Congresso Nacional. Então, na ordem de envolvimento, em primeiro lugar está o STF, em segundo lugar está o governo e em terceiro lugar o Congresso Nacional.
até agora. E quase 70% dos entrevistados estão vendo a credibilidade do STF super abalada. Como é que você volta disso? Como é que você recupera esse estrago que foi feito até agora com uma investigação que ainda está em andamento? Acho que não tem uma saída fácil à vista. São todos que têm essa preocupação. Eu não vejo parte do Supremo, historicamente, com uma preocupação com a opinião pública. Uma parte, sim. Se a gente considerar
Todos os episódios desse século, se considerar mensalão, se considerar lavar jato. A gente chega no gabinete do Gilmar, está lá uma capa da revista Veja, o juiz contra a opinião pública, ele se orgulha daquilo. E tem até um conceito jurídico que o juiz também não pode julgar de acordo com a opinião pública. Agora, não sinto que o Supremo, por não ter ninguém acima dele, e muitos dos abusos do Supremo é justamente por esse fato, pelo controle político do Senado,
justamente porque os ministros do Supremo são os que investigam os senadores, os parlamentares, então fica um acordo ali, você não me investiga e eu não te impecho, não julgo o impeachment contra você, eu não sinto que tem uma preocupação. Eu sinto uma preocupação legítima, por exemplo, e é feeling isso, do Edson Fachin com isso, da Carmen Lúcia com isso, já visto o que ela falou ali, do próprio ministro André com isso. Agora tem os outros que tanto faz quanto tanto fez.
Sim. E que promessa de campanha que esses senadores vão fazer, o Edson Fachin está com medo desse Senado de direita que vai criar pautas contra o STF. Então, o STF e o Gilmar Mendes, enfim, pode achar que a opinião pública não vale, que a obediência dele é a Constituição. Mas eles estão correndo risco político se a opinião pública prevalecer na hora de escolher quem vai para o Senado.
Vamos supor que vença um Flávio Bolsonaro, você fica em um ambiente político para o Supremo pior e, principalmente, uma coisa que você fala pouco, uma parceria em indicações de tribunais, em advogados alinhados e próximos ao petismo e ao Palácio do Planalto e ao Supremo Tribunal Federal e ao STJ, que entra tudo num jogo de acordos para indicação de desembargadores, acordos para indicação de ministros, acordos para ocupar os espaços todos possíveis dentro do judiciário.
O Judiciário Brasileiro. E aí que o Supremo se lasca. Para brutalizar a discussão de vocês que é sofisticada, nós estamos, quando a gente olha para o Supremo, diante do seguinte dilema para eles. O Supremo está sendo atacado injustamente, que é, por exemplo, o que o Gilmar diz. Ou o Supremo, se quiser sair daí, tem que se aproximar da sociedade, que é o que o André Mendonça diz. Gente, eu sou obrigado a encerrar esse segmento. Agora que estava esquentando. Agora que estava esquentando.
E já ninguém mais acredita em mim quando eu digo que é problema de grado de televisão, mas é. A gente acredita. Mas é. Então, eu preciso me despedir de você, Thais. Obrigado pela participação. Sei que hoje você teve um dia super cumprido. Caio também, né? A gente vai para o intervalo, Daniel, você e eu. Segura aí. Na volta, nós vamos falar da ligação entre Lula e Gustavo Peto, México, Chaimbao e da Guerra do Irã. Até já. Pessoal, estamos de volta do intervalo.
agora na roda, o cientista político Tiago Rodrigues. Tiago é professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense, é especialista em temas de política de drogas e crime organizado na América Latina. Tiago, obrigado por estar conosco e boa noite. Boa noite, William. Obrigado pelo convite. É um prazer estar aqui com vocês. Lourival, boa noite. Prazer ter o abordo aqui conosco. Vamos então ao assunto.
O presidente Lula conversou nesta quarta-feira com o colega dele, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. E essa ligação do Lula ao Petro,
Ela veio em meio a esse debate quente sobre a possível designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos. O partido do presidente, o PT, vê nessa medida um tipo de tentativa da Casa Branca de eventualmente influenciar as eleições aqui. Confira. Lula e Petro buscam uma forma de ampliar a cooperação na segurança para reduzir pressões externas.
Lula também conversou com a presidente mexicana Cláudia Chimbau na última segunda-feira. Em fevereiro, um trabalho conjunto entre a inteligência americana e as forças de segurança do México levaram à morte de Aumento, um dos traficantes mais procurados do mundo. A cooperação foi possível após os Estados Unidos declararem os principais cartéis de drogas mexicanos como organizações terroristas estrangeiras.
A avaliação é de que se os Estados Unidos declararem unilateralmente as facções como terroristas, uma brecha se abre para uma intervenção militar e a aplicação de novas sanções ao Brasil, inclusive financeiras. O PT ainda vê na iniciativa americana uma forma de Trump interferir nas eleições brasileiras, uma vez que Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL, é a favor da ideia.
O governo americano disse que CV e PCC são ameaças à segurança regional e que os Estados Unidos estão comprometidos em tomar as medidas cabíveis, mas não confirma a designação das facções como terroristas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversaram no último domingo sobre uma parceria para o combate ao crime organizado. O tema deve ser um dos pontos centrais do encontro entre Lula e Trump.
A data sugerida pelo governo brasileiro era o dia 16 de março. O conflito dos Estados Unidos com o Irã, no entanto, adiou a visita ainda sem previsão de ocorrer. Nesta quarta-feira, Trump disse que Brasil, Colômbia e México foram convidados para participar do chamado Escudo das Américas, uma coalizão contra o narcotráfico liderada pelos Estados Unidos. Nenhum desses países compareceu.
de líderes latinos de direita.
essa consciência de quanto o crime organizado aqui no Brasil se expandiu e passou a ser uma questão de segurança nacional gravíssima. Porém, na relação com os Estados Unidos, são situações com certas nuances. Isso permite a esses três países formarem, digamos assim, não sei se você se associa à definição ou não, formarem uma frente comum frente a Trump ou são situações que não permitem que isso aconteça? William, acho que a pergunta é interessante porque essa frente é
parcialmente possível, acredito. Existe um elemento comum que são três governos de centro-esquerda e três governos que têm colocado publicamente a motivação de ter certo grau de autonomia com relação a essa iniciativa geral do governo Trump de ter muito maior poder sobre a América Latina ou de retomar um protagonismo que estava relativamente fraco nos últimos anos, nos últimos mandatos. Então, isso há em comum entre os três,
mandatários, a Cláudia Sheinbaum, o Gustavo Petro, que está em final de mandato, e o governo aqui brasileiro do Lula. Mas, como você também bem destaca, a situação dos países, apesar da presença do crime organizado, é bastante diferente. A presença do crime organizado no México tem um nível de penetração com o Estado e um nível de controle territorial que aqui no Brasil ainda estamos bem distantes. Então, nós temos problemas com o crime organizado,
Duas organizações, o Comando Vermelho e o PCC, são as nossas organizações mais importantes, elas têm aumentado a influência, aumentado, digamos assim, o desafio ao Estado Democrático de Direito, porque eu acredito até, e tenho defendido essa tese, de que não se trata nem apenas de um problema de segurança pública, é um problema de segurança do Estado Democrático de Direito, porque boa parte dessas ações, ou a maioria das ações desses grupos, incide diretamente sobre a qualidade do nosso Estado Democrático de Direito.
Ou seja, territórios ocupados por esses grupos levam à violação sistemática do direito das populações que vivem sob o controle desses grupos. E, ao mesmo tempo, a penetração institucional por meio de pressão e de corrupção também enfraquece as nossas instituições. Então, não acredito nem que seja um tema de segurança pública, pura e simplesmente. E eu acho que essa noção é importante porque ela está sendo, de alguma maneira, lidada pelos três países.
a sua pergunta, eu acredito que se há alguma coisa em comum, além do fato de serem três governos de centro-esquerda e que demandam uma certa autonomia diante do governo Trump, isso não significa que eles estejam em franco conflito com o governo Trump. Talvez Gustavo Petro tenha sido aquele que mais tenha chegado próximo de um conflito, mas que também parece certamente enfraquecido, fez uma visita que foi aparentemente bem sucedida, que diminuiu a atenção.
e Cláudia Schembaum também têm mantido relações mais amistosas com o Trump. Então, eu acho que, em comum, a gente pode ver que esses três governos estão tentando dar respostas próprias ao combate ao narcotráfico para dizer o seguinte ao Trump. Olha, nós nos preocupamos com o tema e nós até aceitamos a ajuda, como Cláudia Schembaum aceitou na questão contra o cartel ralisco Nova Generacion, ajuda, apoio de inteligência, etc. Mas a iniciativa é nossa.
resposta comum que pode acontecer entre os três. Se tem alguma consertação possível, é o seguinte, é essa. Nós respondemos juntos, mas respondemos também da nossa parte com o apoio dos Estados Unidos, para que não haja, digamos assim, um atropelamento das medidas reativas ao crime organizado. Thiago, deixa eu ver então, vamos inverter o eixo. A gente olhou para a relação com os Estados Unidos da perspectiva desses três países. E da perspectiva americana, Lourival? Às vezes eles não diferenciam nada.
Tem uma dificuldade de enxergar, por exemplo, as nuances que o Tiago descreveu para nós. Qual é a deles? Vamos lá. Eu acho que na psique do presidente Trump ficou claro nessa declaração que a gente mostrou que ele quer uma relação boa com esses países. Ele disse isso. I get along very well with the three. Eu me dou muito bem com os três. Colômbia, México, Brasil. Colômbia, México, Brasil. E, de fato, esta é a postura do Trump hoje.
Variou? Claro que variou. Exerceu pressão fortíssima sobre a Cláudia Schambau já no início do mandato, aliás, antes de tomar posse. Durante a campanha, ele sempre foi muito duro com o México, mas respeita, tem uma boa relação, até pela firmeza que a Cláudia demonstrou e habilidade também. Ela não pula nas granadas, diferentemente do presidente Lula, não sai ali, não atravessa a rua para ir atrás de casca de banana.
E o Lula também foi, apesar disso que eu acabo de mencionar, também deu muita sorte, como ele sempre dá, mas também teve uma firmeza e, enfim, deu certo a estratégia. Então, os três estão bem. Eu acho que esse ambiente positivo não é bem explorado pelos três, sobretudo pelo presidente Lula, quando ele busca exatamente uma frente desse tipo que você mencionou. Isso eu acho que eu não faria, acho arriscado. Por quê?
Você vê ali um bloco de três países que são muito problemáticos, como você disse, que claramente não conseguem conter os seus respectivos crimes organizados, estão em situações graves e que poderiam se articular de uma forma continental, porque o problema é continental. E aí você diluiria essa marca de três países problemáticos, grandes, problemáticos e de esquerda e resistentes.
marcar essa posição de resistência. Assim, você mantém a firmeza, não classifica como grupos terroristas, mantém a sua linha, perfeito. Mas não fica se articulando politicamente de uma forma que destaca o Brasil num bloco de países problemáticos. Porque o Equador tem problemas mais graves ainda do que o Brasil. Mas não é um governo de esquerda. Exato. Não faz sentido, tecnicamente. O Peru, o Paraguai. O Lívia.
Todos são países super problemáticos em relação ao crime organizado e ao narcotráfico. Então, para que ganhar esse rótulo gratuitamente? Daniel, Brasília, como é que está vendo isso? William, o que eu observo é que existe, em boa parte do governo e dos setores mais próximos ao Palácio do Planalto, uma certa tendência ao triunfalismo quando se pensa na relação,
conturbada que houve com os Estados Unidos desde julho do ano passado e que foi superada. Foi superada momentaneamente. Lula estabeleceu a boa química a partir da ONU, começou a dialogar com Trump, a Magnitsky foi revogada contra Alexandre de Moraes, boa parte do tarifácio antes mesmo da decisão da Suprema Corte saiu de cena. Mas esse processo todo coincidiu com o período de fortalecimento de
e do governo no plano doméstico, de prisão de Jair Bolsonaro e de enfraquecimento da oposição durante 2025, num contexto em que Trump, a gente sabe, não gosta de se vincular e de relacionar ao lado loser da história, ao lado dos derrotados. E hoje o cenário está absolutamente em aberto. Então você tem oposição, hoje o Flávio Bolsonaro,
em mais uma pesquisa, numericamente empatado com Lula, um novo conselheiro para Brasil dentro do Departamento de Estado, que é muito próximo do MAGA, do bolsonarismo, que vem visitar Jair Bolsonaro na prisão. Então, tudo isso é visto também, ao mesmo tempo que você tem essa tendência ao triunfalismo, você tem alguns profissionais da diplomacia que estão alertando, olha, esse cenário que nos foi favorável
nos últimos meses, pode muito rapidamente descambar para uma outra situação, em que pode haver interferência ou declarações muito favoráveis ao lado da oposição numa corrida eleitoral. Isso pode energizar a direita, pode significar algum tipo de punição política ou comercial econômica ao governo brasileiro. Então, todo esse cenário é visto com muito cuidado.
do que deveria, porque, insisto, é de uma parte do governo, não de toda.
de ser o chefe de um cartel. Então, há um temor. Por outro lado, no cenário político eleitoral brasileiro, é uma bandeira importantíssima da oposição de direita dizer, olha aqui, é prova da timidez do Lula em enfrentar o crime organizado, ele não querer reconhecer que são organizações na categoria de uma organização terrorista. Você vê o governo brasileiro escapando dessa armadilha ou caindo nela? Esse é o grande tema.
Por quê? Se a gente for ver o que o governo Lula fez no ano passado, que foi, enfim, todas as investigações centradas no coração financeiro do PCC, por exemplo, essa foi a primeira vez de relevo que um governo como o de Lula tomou uma iniciativa concreta e com eficiência para combater o crime organizado.
eu acho, nessas eleições de 2026, porque pela primeira vez o campo da esquerda entendeu que é necessário dar uma resposta também a esse problema. Esse problema, a questão da segurança pública, tinha sido há muitas décadas abandonado praticamente pela esquerda institucional, relegado como se fosse um tema da direita. Isso tem várias razões históricas e outras mais recentes para que isso acontecesse. Mas, recentemente, diante do relevo da questão,
problema colocado, me parece que houve uma sinalização, essa sinalização apareceu com essas investigações que colocaram a Polícia Federal, junto em articulação com os Ministérios Públicos Estaduais, como no caso de São Paulo, quer dizer, um diálogo, inclusive, de instâncias diferentes do Judiciário e o Governo Federal, o Executivo Federal, uma coisa inédita que visou um outro foco que não é o foco tradicional da repressão, que é sempre aos peixes menores,
Quer dizer, então, como foi a operação de outubro do ano passado aqui no Rio de Janeiro, no complexo da Penha, a regra no Brasil tem sido essa, quer dizer, a repressão mais severa contra os peixes menores e os peixes maiores sequer são comentados, etc. Então, eu acho que essa entrada que foi seguida da PEC, de reavivar o tema da PEC, da segurança pública, da lei antifacção, e diante da reação que houve do campo da direita com a mobilização do The Hit, por exemplo,
governo federal, pelo menos uma facção desse governo, uma parte desse governo, como mencionado, percebeu que aí tem um caminho, que é um caminho para dar uma resposta com uma certa originalidade, que é mais ou menos a seguinte, olha, a gente está dando uma resposta ao crime organizado, essa resposta não é igual à resposta que a direita dá. Eu não tenho certeza e desconfio de que essa leitura seja uma leitura hegemônica ainda no governo federal. Se for ou tiver uma prevalência, se Lula e
os seus conselheiros mais próximos encaminharem por aí, eu acredito que pode ser uma forma de, nesse ano eleitoral, essa armadilha que você menciona, William, ser parcialmente desmontada. É preciso dar uma resposta, o governo Lula tem que dar uma resposta. Se a resposta for igual à resposta da direita, talvez não tenha surto a muito efeito, porque a direita tem mais prática nesse discurso e tem mais prática nessa seara. Então, se o governo Lula tiver sabedoria política para encaminhar, digamos assim,
a partir daquilo que já foi sinalizado com a necessária transformação, inclusive, do campo constitucional brasileiro, para enfrentar a atual... Lembra? A Constituição brasileira é de 88. O sistema de segurança pública do Brasil, que está em vigor ainda hoje, é de 88. Em 88, a gente não tinha o crime organizado que nós temos hoje. Então, é plausível, é compreensível, é até mesmo defensável que haja uma mudança nesse campo. Se talvez esse seja o caminho trilhado, eu acho que tem uma chance, William,
Lula não cair nessa armadilha. Mas se houver essa bater cabeça dentro da questão, porque há alas que são mais tradicionalistas e que veem a segurança pública ainda como um tema da segurança da direita, eu acho que daí o governo Lula pode cair numa armadilha complicada que o tema internacional e a pressão, e o Trump está esperando para ver, concordo com essa leitura, esperando para ver o que vai acontecer, justamente para apostar no cavalo vencedor. Tiago, eu tenho que encerrar o segmento. Queria agradecer a você, Tiago,
Rodrigues, cientista político. Ele leciona no Departamento de Relações Internacionais lá da Universidade Federal Fluminense. A participação do programa. Boa noite. Obrigado, Tiago. Obrigado a vocês. Até mais. Igualmente, Daniel. Obrigado. Boa noite para você aí em Brasília. Lourival, continuamos juntos. Nós vamos agora para o Irã, que atacou três embarcações que tentavam navegar pelo Estreito de Hormuz nesta quarta-feira. Desde o início da guerra, os iranianos atingiram 14 navios.
Um dos ataques atingiu uma embarcação com bandeira tailandesa, deixando três pessoas desaparecidas. Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica, o navio ignorou avisos e insistiu em uma travessia ilegal. O Irã está utilizando a região de Hormuz como arma econômica durante a guerra.
ligados aos Estados Unidos e a Israel serão considerados alvos legítimos. E disse para o mundo se preparar para o preço do petróleo acima de 200 dólares por barril. Teheran também instalou algumas minas no local. Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, com mais de 6 mil em estoque, o país colocou menos de 10 artefatos no estreito, por também temer danos econômicos e políticos dentro de seu território.
Os americanos reportaram que destruíram 28 navios que estavam instalando esses dispositivos. Mesmo diante do cenário de incerteza, Donald Trump insiste que a passagem por Hormuz está segura e que as empresas devem utilizá-la normalmente. A tensão resulta em instabilidade no mercado. O preço do petróleo segue numa montanha russa, com altas fortes e quedas bruscas.
Na sexta-feira, o barril do tipo Brent ficou grande parte do dia acima dos 90 dólares. Antes da guerra, o valor estava em 72 dólares. Tentando segurar os preços, a Agência Internacional de Energia anunciou que países-membros vão liberar 400 milhões de barris do combustível no mercado global. Esta é a maior operação emergencial da história. A associação, no entanto, reconhece que a medida pode não ser suficiente,
Conosco agora é Dani Zahreddin, ele é professor de relações internacionais, dirige o Instituto de Ciências Sociais da PUC de Minas, é autor do livro Oriente Médio, Velhos,
e novos conflitos, o convidado frequente aqui nosso do WW. Agradecemos mais uma vez, Dani, e boa noite. Boa noite, William. Prazer é tudo meu. Dani, qual é a sua avaliação? O que a situação sugere é que essa expansão da guerra e as consequências sobre o fornecimento de petróleo e o impacto na economia não estavam no radar da Casa Branca quando lançou a ação? É interessante a fala do presidente Trump. Parece que ele vive no metaverso.
Havia várias ameaças por parte do governo iraniano de que ele poderia fechar o Estreio de Hormuz e que ele poderia compartilhar os custos. Eu vejo que o maior problema foi o excesso de confiança da Casa Branca com relação aos seus relatórios e também aos seus assessores mais próximos que viam uma janela de oportunidade, principalmente a parte de Israel,
de uma ação que hoje nós temos 12 dias da guerra. A Guerra dos Doze Dias ensinou muito ao Irã. Eu acho que o maior ensinamento foi justamente esse, que na Guerra dos Doze Dias, há nove meses atrás, eles não compartilharam o curso da guerra. Estados Unidos e Israel avaliavam que o regime com a decapitação do Khamenei poderia ruir e as ameaças de uma ação econômica a partir do fechamento de Hormuz
do ataque às bases americanas não ocorreria. O que nós vemos em 12 dias é que o plano A não funcionou e o plano B ainda está um pouco longe de funcionar. Então, no radar dos americanos, o que prevaleceu foi um excesso de confiança e esse excesso de confiança vai atrapalhar no discernimento dessa crise enorme, sistêmica, que o mundo vivencia hoje.
participando do programa, nos deu uma, digamos, como fala o motorista de ônibus, uma freada de arrumação. Ele disse o seguinte, quando vocês olham os preços de barril de petróleo, vocês estão olhando o papel. As pessoas compram índices. Isso daí não reflete necessariamente a questão do suprimento. Agora vem a Agência Internacional de Energia e diz, estamos fazendo algo inédito. A liberação de reservas desse volume não tem igual. É o dobro do que foi liberado quando teve a última vez
que se preocupou com o fornecimento de energia, que foi o começo da guerra da Ucrânia, quatro anos atrás. Que cenário está se desenhando? Então, aí psicologicamente isso tem um efeito ambíguo, ambivalente, porque de um lado, tá bom, são 400 milhões de barris, o mundo consome 100 milhões, mas o que está comprometido no Estreito de Hormuz são 20 milhões, então daria para 20 dias. Parece bom. Muita gente aposta que essa guerra terá acabado em 20 dias. No entanto,
A atitude dramática de reunir 32 países para abrir suas reservas estratégicas para colocar esse petróleo no mercado sinaliza o quanto a situação é grave. O primeiro ponto. O segundo ponto, isso não é liberado imediatamente, então não tem um efeito imediato no mercado. E terceiro ponto, tem muita gente que acha que pode ser que essa guerra não tenha acabado dentro de 20 dias.
E mesmo que essa liberação funcionasse instantaneamente, jorrassem esses 400 milhões de barris no mercado, poderíamos estar daqui a três semanas com uma falta de 20% do petróleo. E não é só petróleo, essa é a grande questão. Essas refinarias que estão sendo atacadas são enormes.
922 mil barris por dia. Tem uma na Arábia Saudita que são 550 mil. Tem uma no Bahrein que são 380 mil. Total, 1,9 milhão de barris por dia não estão sendo transformados em gasolina, óleo diesel e todos os outros derivados do petróleo. E aí vem a parte de ureia, que é dependente do gás.
consumido no mundo e as refinarias do Catar estão fechadas também. E aí você tem 20%, significa que entra toda a questão da ureia, que é um subproduto desse gás, que é usada nos fertilizantes e que impacta diretamente na produção de alimentos. Dani, essa situação que o Lorival detalha, faz a gente pensar na relação Israel-Estados Unidos.
dessa fase da guerra, a convergência era óbvia. Alguns analistas têm dito que agora começa a haver uma separação. Do ponto de vista de Israel, continuar com o tipo de operação de devastação do adversário faz todo sentido. Do ponto de vista americano, sensível a todas essas questões do impacto da economia global, parece haver agora menos. Ou não? Isso é uma ilusão.
a avaliação, por quê? Porque a quem mais interessa esse conflito é Israel. Quanto mais fragilizado, quanto mais à beira do colapso o Irã estiver, melhor para Israel. Israel tem o controle da sua sociedade civil no sentido de que a proximidade com o Irã, a proximidade com o Líbano, cria uma ideia de uma crise existencial para os israelenses. Então, por mais que exista ali um debate sobre essa guerra
válido ou não para os israelenses, ela é muito mais real para Israel do que para os Estados Unidos. Os Estados Unidos está a milhares de quilômetros dali, os Estados Unidos tem problemas com a migração, tem problemas com a inflação, tem um problema de liderança e talvez a entrada nessa guerra era justamente para reforçar a sua imagem de liderança desse mundo que vive ali uma transformação de ordem. E vai ser justamente nesse ponto que o próprio presidente Trump começa,
a ensaiar um discurso de vitória. Então, quando ele diz, veja só, já vencemos a guerra, essa guerra já acabou no primeiro dia, agora nós só estamos fazendo uma coisinha a mais para liberar o restante dos bons frutos dessa guerra. Isso já é um sinal para o Netanyahu. Olha, nós vamos acabar isso logo, porque eu tenho mid-term elections no final do ano, porque eu tenho uma pressão dos próprios republicanos que estão dizendo que minha imagem está sendo desgastada
desse conflito, e o Netanyahu quer que essa guerra continue um pouco mais. Um pouco mais, porque quanto mais fraco esse país, melhor para o projeto de presença de Israel naquela região. Só que, ao mesmo tempo, esse regime iraniano não vai cair, em razão de muitas questões, inclusive você já ponderou isso, sobre a ossificação da estrutura organizacional da Revolução Islâmica. Então, não vai cair esse regime
regime, e aí o que os iranianos estão pensando é, tudo bem, essa guerra vai acabar daqui a 10 dias, e quando for a terceira guerra? Como que eu vou me preparar para a terceira guerra? Então isso tudo eu acho que está no cálculo, sabe? Os americanos querem acabar logo, mas não querem daqui a um ano começar uma outra guerra. Então eu vejo que o cenário é complicado, complexo, e ao mesmo tempo os custos, ou trade-off da continuidade da guerra, tem impactos distintos para Israel e para os Estados Unidos, que vejo para o
Trump e para os americanos um custo muito maior do que para Israel. Olival, para a gente encerrar, pegar esse último aspecto que o Dani estava abordando, em que medida o impacto da guerra doméstico nos Estados Unidos tem condições de alterar e se é possível, eu sei que a riscada é altamente especulativa, em que prazo, em que horizonte de tempo a conduta do Trump? Esse impacto econômico e político,
político e tal, o Trump já está organizando um off-ramp, uma saída honrosa dessa história. O Pete Hegset já adiantou o discurso de que os objetivos são destruir a marinha de guerra iraniana, destruir o arsenal de mísseis balísticos e a capacidade de fabricação desses mísseis e impedir o Irã de se tornar uma potência nuclear para sempre.
Trump está abandonando palatinamente a ideia de mudança de regime e preparando a população para a vitória, para dizer que os Estados Unidos venceram. Mas existe um grande problema aí, que é a permanência do regime, a sua capacidade de reconstrução desse arsenal, a sua capacidade de mobilizar forças terroristas, forças guerrilheiras.
entraram em cena ainda. O Hezbollah hoje atacou simultaneamente Israel com o Irã. Foi o primeiro ataque coordenado dessa crise. Então, para o Irã, essa guerra ainda demora a acabar. O Irã vai continuar, vai manter, vai ter o interesse de manter, estender esse conflito ao máximo. E aí vai ficar caracterizada uma guerra inócua do ponto de vista da opinião pública americana.
esse discurso.
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