Celular de Vorcaro revela submundo do poder
- CorrupçãoRelacionamento entre Vorcaro e Alexandre Morais · Intimidade com magistrados · Crise de confiança institucional · Desgaste do STF · Envolvimento ético
- Dispositivos e dados de Daniel VorcaroMensagens reveladas · Operação Complains 0 · Quebra de sigilo · Conteúdo das conversas · Autenticidade das mensagens
- Eleições Rio de JaneiroCrise de confiança pública · Comportamento de ministros · Normas institucionais · Desconfiança criada por integrantes · Falta de capacidade de resolução
- Esquema Master (Fundo Garantidor de Créditos)Emenda Master · Cobertura até 1 milhão de reais · Envolvimento de políticos · Ciência do Banco Central · Impacto regulatório
- Daniel VorcaroEncontro com Alexandre Morais · Menção a Ciro Nogueira · Contato com Antônio Rueda · Reunião com presidente Lula · Rede de influência
- Relacoes EUA-IraAtaques aéreos · Mísseis iranianos · Interações · Campanhas militares · Conflito regional
- Delação Premiada INSSFamília sob pressão · Primo preso · Cunhado casado com irmã · Troca de advogados · Precedente de Maurese
- Atuação de Lucia na políticaProcurador Geral da República · Paulo Gonet · Tensão com Polícia Federal · Colaboração premiada · Detentor da ação penal
- Banco MasterInstauração da comissão · Divisão no Congresso · Ano eleitoral · Calusiana e relatoria · Pressão política
- STF e Politizacao do JudiciarioBloqueio de investigações · Ministro Flávio Dino · Poder de cassação · Limitação de poderes congressuais · Precedentes jurídicos
- Reação do Supremo às revelaçõesRetirada de Toffoli da relatoria · Crítica à defesa de Vorcaro · Ministro André Mendonça · Quebra de sigilo · Proteção institucional
- Capitalismo de CompadrioRelacionamento entre poderosos · Ineficiência sistêmica · Favorecimento pessoal · Amigos em todos os poderes · Esquemas fraudulentos
- Viagens de ministros em avioes particularesVoo de helicóptero · Financiamento de campanhas · Benefícios privados · Negação de Ciro Nogueira
- Judiciário e PolíticaIntimações ao STF · Pressão sobre PGR · Desgaste com Congresso · Limite de poderes parlamentares · Conflito entre poderes
- Perspectiva chinesa sobre conflito iran-israelDeclínio americano · Enfraquecimento hegemônico · Posição não-interventora · Alianças de Brics · Paciência estratégica
Boa noite, essa cena em Brasil e este é o WW. Não há dúvidas, mais nenhuma, de que o celular de Daniel Vorcaro é um caso de como a realidade supera a ficção. O que a polícia extraiu dali e entregou em parte para uma CPI é um roteiro prontinho de um filme sobre a promiscuidade entre endinheirados, através de esquemas fraudulentos, e poderosos, sem o menor pudor de levar dinheiro e trabalhar para fraudulentos.
se encontra nas mensagens extraídas do celular, é uma descrição detalhada de um ambiente de corrupção, visto com a maior naturalidade, que abrange não só políticos para os quais a principal motivação foi sempre a de se preocupar apenas com negócios, mas também dão conta, essas mensagens, de uma relação no mínimo promíscua. Olha aí essa palavra aparecendo de novo. Entre o banqueiro-chefe de uma organização criminosa e a mais alta magistratura do país. Leia-se Supremo.
Seria um problema ligado a indivíduos que integram o STF não fosse a imensa pressão que se formou agora sobre essa instituição. Pressão que, diga-se de passagem, passou a incluir também o Ministério Público na figura do Procurador-Geral. E que tipo de pressão é essa? É a pior possível. O conteúdo que se conhece até aqui do celular parece justificar solidamente a ampla desconfiança do público
em relação ao topo do judiciário. Desconfiança essa, criada não por campanhas de difamação contra o STF, mas pelo comportamento de alguns de seus próprios integrantes. Acumulam-se os sinais de que o Supremo não conseguirá resolver essa crise sacrificando alguém apenas. Pois o que se trata agora não é mais da conduta de pessoas, mas da legitimidade de quem deveria zelar pelas normas que regem o convívio de uma sociedade.
Vamos tratar também da guerra no Irã. Antes, aos participantes agora do programa, nesse momento, muito obrigado a você, o cientista político Tiago Vidal, que é diretor de análise política da Construtoria Prospectiva, pela sua disposição de estar aqui conosco. Boa noite, Tiago. Oi, William. Boa noite. Obrigado pelo convite mais uma vez. E boa noite aos meus colegas, Daniel Ritner em Brasília, Caio Junqueira ao meu lado, aqui na bancada em São Paulo.
com atenção, dados, atenção é até um jeito simples da gente falar, com enorme tensão. O que está saindo do celular de Daniel Vorcaro, dano do Banco Master? Nas mensagens, a Polícia Federal encontrou citações que se referem a figuras dos três poderes. Reportagem de Thaisa Medeiros. Vorcaro teria citado para sua companheira em abril de 2025 um encontro com uma pessoa identificada como Alexandre Moraes.
em outro momento. Tô aqui em casa, diz Vorcaro. Depois de uma ligação de vídeo, a noiva pergunta quem era o primeiro cara? Alexandre Moraes, o banqueiro responde. Procurada, a assessoria do Supremo Tribunal Federal diz que Moraes não vai comentar. As mensagens no celular do banqueiro expõem a vasta lista de aliados políticos conquistados ao longo dos anos. Além de Moraes, o senador do PP, Ciro Nogueira, também é citado nominalmente.
e ficou o parlamentar como um dos grandes amigos de vida em uma conversa. Ciro soltou um projeto de lei que é uma bomba atômica para o mercado financeiro. Está todo mundo louco, continuou Vorcaro. Ele fazia referência à chamada emenda master, que levaria a cobertura do fundo garantidor de créditos para até um milhão de reais. Nogueira teria, junto do presidente da União Brasil, Antônio Rueda, viajado em aeronaves particulares do banqueiro.
Chegou o voo no helicóptero do empresário e, sobre as mensagens, disse não haver qualquer irregularidade. Vorcaro também sugeriu que o encontro que teve com o presidente Lula foi ótimo. A reunião ocorreu em dezembro de 2024 e contou com a participação de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Lula já havia se explicado sobre a reunião. O presidente disse que relatou ao banqueiro que as instituições responsáveis fariam uma investigação técnica em relação ao Master.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, retirou o sigilo das conversas de Vorcaro no escopo da Operação Compliance Zero. A CNN, a defesa de Daniel Vorcaro, criticou a liberação das mensagens. Os advogados do banqueiro afirmam que a intimidade do cliente está sendo devassada e defenderam a atuação do ministro Dias Toffoli no caso. Toffoli deixou a relatoria do tema depois de investigações mostrarem relações entre ele e Vorcaro.
Durante das revelações no celular de Vorcar, o clima em Brasília é de apreensão, já que tanto a Câmara quanto o Senado Federal se dividem entre abrir uma comissão de inquérito para apurar o caso Master. Em um ano de eleições, isso poderia causar danos aos parlamentares. Davi Alcolombre e Hugo Mota não dão sinais de que irão prosseguir com os pedidos de instauração das comissões.
do INSS, Carlos Viana, disse que agora a situação se tornou insustentável. Os senadores, em sua maioria, querem a CPMI do Banco Master, querem uma investigação clara sobre esse assunto. Essa decisão vem sendo postergada. A meu ver, e em conversa com colegas ontem, as revelações que estão surgindo e, ao que parece, vão piorar daqui para frente, inclusive envolvendo parlamentares, vão forçar a instalação dessa CPMI.
Vou começar por você, Tiago, evidentemente são aparentemente episódios um separado do outro, o episódio da CPMI e do INSS, o episódio do escândalo do Master e os seus desdobramentos, mas o Supremo está juntando os dois. Não só pelo que se antecipa que a Polícia Federal possa trazer à luz em relação ao comportamento de integrantes do Supremo, agora especificamente o ministro Alexandre Moraes, mas também pelo ministro Flávio Dino
e o ministro Gilmar Mendes, ambos, através de decisões, liminares no caso, de certa maneira, travam as CPIs que enxergam como seu papel político seguir adiante e estão juntando tudo num grande caldo. Ou vai ser possível ver cada coisa como uma coisa? William, nas minhas intervenções passadas aqui no programa, eu vinha dizendo que a gente está num fenário de alta volatilidade, em que os eventos têm vida útil bastante curta, com uma exceção.
O Banco Master. O Banco Master segue no cenário, acho que seguirá no cenário. E em relação a esse ponto especificamente, o que mudou é justamente que o que antes era difícil de explicar para o eleitor médio, que era um erro de regulação bancária por parte do Banco Central, converteu-se nas últimas semanas, e particularmente em virtude das mensagens encontradas pela Polícia Federal, num escândalo de corrupção. Escândalo de corrupção que é justamente hoje o principal tema, a principal preocupação do brasileiro
que também acha que nos próximos meses a chance de haver um grande escândalo de corrupção é da ordem de 80%, segundo algumas pesquisas. Por que eu quero dizer isso? Porque talvez seja improvável que o escândalo do Banco Master afete o governo federal, afete o governo Lula, mas é provável que a crise do INSS, a CPMI do INSS, afete o governo Lula. De forma que essas duas questões estão como se fossem vetores na mesma direção.
e vão se anular, se no final haverá um acordão entre os que estão do lado da CPMI e do INSS e os que estão do lado do escândalo do Banco Master, ou se eles terão vida própria em direções contrárias e a gente vai ter um escândalo que afeta tanto a oposição quanto o governo rumo às eleições desse ano, potencialmente indicando que o sentimento anti-establish deve crescer em direção ao público. Como é que você antecipa a evolução desses escândalos? Eles se combinam ali na frente, se combinam agora?
dois eventos separados, criando um clima conjunto. A minha percepção é que está caminhando, se a eleição fosse domingo, vamos supor assim, o tema da eleição seria corrupção e seriam esses dois escândalos, tanto o INSS pelo envolvimento do filho do presidente, do Lulinha, ainda não diretamente comprovado, mas está aí, as movimentações de 20 milhões de reais e por aí vai, e tanto pelo Banco Master. Agora, daqui para outubro, tem aí oito meses que pode pulverizar.
só pulverizar um pouco. Apareceram as mensagens do Ciro Nogueira, com o Daniel Vorcaro, do Antônio Rueda, presidente da União Brasil. Só que esses caras não são candidatos a presidente. Quem é candidato a presidente é o Lula, que teve o Guido Mantega, que teve o Ricardo Lewandowski, que teve o Dias Toffoli, todos eles orbitando esse entorno do petismo, diretamente envolvidos. Então, hoje, olhando em perspectiva, os dois casos parecem que vão pautar.
voltar, sim, à eleição. Só que o Tiago falou, tem tanta coisa para acontecer, tanto celular ainda para ser criptografado, para ser publicado, para sair o que aconteceu, que pode ser que ali na frente atinja mais um ou outro. Mas até agora, o maior prejudicado pelo tema corrupção na eleição em 2026 e na política brasileira é o Palácio do Planalto e o petismo pelo envolvimento direto, tanto do filho do presidente, quanto desse entorno do petismo ali,
diretamente com o vercado. Vamos olhar para o Supremo. O Supremo, em um caso que é do Banco Master, as mensagens indicam e sugerem para o mundo político em Brasília, Daniel, que haja mais. Sugerem uma relação de muita proximidade. Eu estou tentando ser bem cauteloso e diplomático. Entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro fraudulento. É o que até aqui sugerem. Não estou dizendo que provam, mas sugerem forte.
uma intimidade que levanta uma série de questões. Por outro lado, o Supremo tenta ganhar uma posição de certa capacidade de controle do que se faz ou se deixa de fazer no Parlamento através das medidas do Gilmar, suspende quebra de sigilo, e das medidas do Flávio Dino, que igualmente suspende quebra de sigilo, cada um por um motivo diferente, mas o resultado é mais ou menos o mesmo. É o Judiciário dizendo para o Parlamento, olha aqui, há um limite para vocês,
o eu. Como você vê essa relação evoluindo? William, o que a gente vê nas últimas horas e nos últimos dias é um aprofundamento do desgaste, que já não era pequeno, do Supremo Tribunal Federal, em duas trilhas paralelas, que no final das contas se combinam. Uma trilha é o desgaste com o Congresso, que também já não é de hoje, já vem de anos, e que se manifesta de uma forma mais aprofundada,
nas decisões de Gilmar Mendes e de Flávio Dino. Essa decisão de Flávio Dino hoje está sendo extremamente criticada no parlamento, porque dizem, olha, o instituto de uma comissão parlamentar de inquérito, seja de qual tema for, ela acaba perdendo muito dos seus poderes com esse tipo de decisão. Lá atrás, a gente via muito frequentemente, eu estou falando da década passada, até daquelas CPIs clássicas,
do Mensalão, dos Correios, que pessoas que iam depor acabavam ganhando um habeas corpus para não falar tudo o que era questionado. Depois isso evoluiu para um habeas corpus que permitia que as pessoas sequer fossem para uma CPI. E agora as próprias decisões de quebra de sigilo da CPI estão sendo contestadas pelo Supremo sob o argumento de que se desviou do foco. É o mesmo Supremo que tem um inquérito do fim do mundo aberto.
sete anos e que também se desvia do foco constantemente. Então, isso acirra tremendamente um mal-estar com o parlamento. E o outro desgaste, o segundo, que é um desgaste de ordem ética, de ordem moral, e aí ninguém está falando de discordar ou concordar com decisões, que é esse envolvimento que você cita, aparentemente, muito promíscuo, envolvendo o Daniel Vorcaro e figuras do Supremo. Agora tem Alexandre de Moraes e já teve Toffoli.
Supremo cada vez mais pesado, também é, a essa altura do campeonato, um desgaste para o governo. Porque é um governo que fez questão, em momentos críticos, de se aliar ao Supremo e de um Supremo que fez questão de fazer dobradinha com o governo. Então, o desgaste de um, para o eleitor médio, usar essa figura do Tiago Vidal, é o desgaste de outro. São dois aspectos aí, Tiago, ambos de grande abrangência e de enorme complexidade.
de uma instituição como o Supremo, e sem ela não há convívio social possível, porque ela zela pela norma básica pelo qual as pessoas se relacionam. Não há sociedade moderna na democracia, no Estado de Direito, que possa prescindir de uma instância como o Supremo. E a gente pergunta como é que o Supremo sai da situação que está. O outro problema de complexidade é se imaginar que tipo de impacto eleitoral esse desgaste produz,
nomes possam ser ou não candidatos, seja porque ele mexe com figuras dos três poderes, seja porque ele talvez reforce nas pessoas a ideia de que o sistema está podre. Então, deixa eu ver quem me promete que vai acabar com isso aí. Como é que você está vendo isso? É, William, a gente tem visto isso como uma espécie de repeteco de 2014. Acho que eu também já falei isso aqui. Tem no ar aí uma espécie de novo lavajatismo. Estava faltando apenas o objeto. Acho que o objeto agora está claro.
GNSS barra Banco Master, o que leva possivelmente a um cenário de descontentamento social amplificado. Eu digo amplificado porque já há um descontentamento geral, particularmente com a economia, com serviços públicos básicos, mas faltava esse verniz, corrupção barra establishment, que eu acho que agora ganhou voz e corpo. E isso tem um risco claro para todos os envolvidos.
como a gente viu em 2014. Por mais que seja, como foi naquele momento, algo que contamina, eventualmente, mais os partidos de direita do que de esquerda, no final da história, todos pagam o preço. Pagam o preço porque há um descontentamento generalizado. Por isso que esse fenômeno, como o Caio comentou no começo, ele é tão potencialmente nocivo, em palavras planalto. Porque quando se tem um ambiente como a atual, em que o descontentamento é com o establishment, infelizmente ou felizmente,
o fato é que quem paga o pato é quem está presidindo o país. Então, quem está presidindo o país, nesse caso, é o governo Lula, que mesmo que eventualmente não tenha comprovado o vínculo com o caso do Banco Master, eventualmente sim com o caso do INSS, poderá pagar o pato por essa ampla insatisfação social que está começando a se construir nas ruas com o caso do Banco Master, que, de novo, deixou de ser uma questão do sistema financeiro e passou a ser uma questão política de fácil compreensão.
grande análise abrangente da política, vamos pegar os pedaços aí do que hoje dominou, praticamente monopolizou o noticiário político. O que chamou mais atenção nas mensagens do Vorcaro? William, a grande mensagem, acho que a jornalista Malu Gaspar publicou agora há pouco, é o Vorcaro no dia da prisão, mandando uma mensagem para o Alexandre de Moraes, perguntando se ele vai bloquear ou não a prisão. Acho que essa é a grande, é o big deal do dia.
Se bem que só pela exatidão, que a gente tenta manter rigorosamente, a palavra prisão não aparece. Não, mas você vai tentar bloquear. Ok, ok. Estamos inferindo. A palavra bloquear está sendo usada pelo Vorcaro por escrito, por ministro Alexandre de Moraes, no momento que ele está sendo preso. Sim, exatamente. A partir daí, acho que esse é o grande fio condutor para a gente analisar. A gente estava olhando muito para a repercussão política eleitoral. Por quê?
preso não é um sujeito que gosta de prisão, ninguém gosta. Mas um tipo como ele, pelo que a gente vê nas mensagens até as impublicáveis... E uma grande parte são impublicáveis. Pelo menos um programa de família como esse. Sim, sim. Ele tenderia a uma colaboração premiada. Ele tendendo a uma colaboração premiada, ele vai ter que entregar, se for o caso, gente acima dele. Ele vai ter que entregar o contrato de 130 milhões da mulher do Alexandre de Moraes com o Alexandre. Ele vai ter que entregar o Dias Toffoli,
se for o caso, se tiver indícios de corrupção ali. E aí a gente vai estar se deparando com um caso inédito na história do Brasil, desde sempre, de corrupção no Judiciário, na Suprema Corte. O que a gente tem de informação é que há uma tendência forte de colaboração premiada, mas não com os advogados que estão com ele hoje, porque ele tem basicamente dois advogados, um atende e é muito próximo e amigo de figuras do Centrão,
que também seriam delatáveis, e o outro muito próximo também do Dias Toffoli. Então, hoje aqui, pelo menos no mercado, no meio jurídico aqui em São Paulo, se falou muito de uma troca de advogados que propiciasse uma colaboração premiada ali na frente. Agora, uma colaboração premiada atingiria diretamente o Supremo. Aí a gente entra a outra interrogação, puxando esse fio, William. E a Procuradora-Geral da República?
Porque o Paulo Goné, a gente sabe que tem uma ligação com Alexandre de Moraes, com Gilmar Mendes, com Dias Toffoli. Vai ficar assistindo de camarote. Sim, a pressão sobre ele é fortíssima. Sim, e aí entra outra questão. Tem um precedente dos processos da trama golpista, que ali quem tocou tudo foi a Polícia Federal. Então já tem um precedente ali, muito embora o Ministério Público Federal não goste de delações premiadas serem firmadas pela Polícia Federal, a delação do Mauro Cid foi a Polícia Federal.
Então, a gente pode estar vendo tudo o que o establishment não gostou que acontecesse com a trama golpista e com o Bolsonaro e com os bolsonaristas e com os militares, eles, entre assas, pagarem esse preço agora, a partir dos precedentes jurídicos que eles criaram nesse processo, serem encaminhados agora contra eles próprios. E eu colocaria, primeiro, uma colaboração premiada com a Polícia Federal e não com o Ministério Público Federal,
as testemunhas, porque o Alexandre de Moraes interagiu diretamente com as testemunhas, contrariando o regimento e contrariando tudo que se dizia que deveria ser feito. E o André Mendonça chegou aí, chegando, justamente querendo levar esse caso até o fim. Então, a gente pode estar vendo os mesmos expedientes jurídicos utilizados no processo da trama golpista e justificados pelo Supremo, pelo Gilmar, pelo Toffoli, pelo Alexandre, serem utilizados a partir de agora contra eles mesmos.
o André Mendonça falou há pouco em Frankfurt, na Alemanha, onde ele está participando desde o fim de semana passado de um evento jurídico na universidade local, a Goethe Universität in Frankfurt. Ele estava se despedindo e no discurso de despedida dele ele faz uma menção interpretada por muitos como um recado, mas agora qualquer coisa que ele fale vai ser interpretada como um recado, inevitável. Mas a frase é mais ou menos a seguinte, eu não tenho ela aqui literal, a despedida dele foi informal,
Enfim, alguns áudios chegaram, né? Claro, tem sempre alguém com o celular. E aí ele diz algo assim, a desconfiança do público em relação aos agentes de Estado, ela é muito pior quando essa desconfiança foi provocada pelo próprio agente de Estado. E isto leva as pessoas a uma postura, se eles se comportam assim, por que eu vou me comportar de maneira diferente? E ele mais ou menos encaminha a seguinte,
conclusão, identificando a participação dele nisso tudo como uma espécie de missão para combater essa inação. Leia-se. Através da prevenção do comportamento de agentes públicos. Mas isso somos nós, jornalistas, interpretando as palavras. Não precisaria perguntar para ele. Daniel, o que a gente está lendo até aqui? Não, vou botar um pouco de pimenta aqui no programa. São, sobretudo, as conversas do Vorcaro com a namorada dele, que vive nos Estados Unidos,
Unidas, ou pelo menos até o momento que ele estava preso, parecia que ela vivia nos Estados Unidos, não sei se eu estou mal me informando. E ela é extraordinariamente curiosa sobre política brasileira. Então essas mensagens são divertidas no sentido literal da palavra, porque tudo que ele fala, ela pergunta, mas quem? Com quem? E o que ele disse? E o que você achou? E aí vem um retrato da promiscuidade política pessoal particular com o mundo todo, dos poderosos, que a gente só vê, enfim,
Filme. Tem uma coisa que me marcou. Você fez a pergunta para o Caio, né, William? O que mais te pegou ali nas mensagens? Então vamos a você também, por amor de Deus. Vou tirar essa chance. Qual foi o lance que você gostou? Qual foi o lance que você gostou? Todos os casais hoje... O Thiago também. Queria saber qual foi o lance que você gostou. Todo mundo hoje está indo dormir, todos os casais. Poxa, o que você mais gostou? Vai lá. Não, mas assim,
O que fica no atacado, independente ali de mensagens que são tremendamente curiosas, porque descrevem a cena política e são muito densas afetivamente, mas... Densas afetivamente eu achei sexualmente explícitas, mas tudo bem, de uma maneira mais elegante. Obrigado pela sua formulação cavalheiresca. Foi, foi, acadêmica. Como é que é? Como é que é que você falou? Densas afetivamente. Densas afetivamente. É sexualmente explícito, mas tudo bem.
O que mostra, falando sério, William, o que mostra no atacado é que você tem um retrato pronto e acabado ali do que é o capitalismo de laços, o que é o capitalismo de compadril. Isso é um retrato muito forte de um Brasil que não funciona, que não é eficiente, onde as pessoas prosperam e vingam. Pode ser por eficiência também, mas às vezes não só e às vezes não principalmente.
por eficiência, mas por ter um amigão de toda a vida que me faz uma emenda ali, que atende perfeitamente aos meus negócios, ou em que o Vorcaro descreve eventos patrocinados com toda a cúpula do Supremo, em que ele posa de amigo, em que ele relata que todos os ministros o ouviram com atenção. E a capacidade de mobilizar, mobilizar a cúpula do Congresso, mobilizar a cúpula do Supremo e
mobilizar contatos que chegam no Palácio do Planalto. Enfim, é o tal tenho amigos em todos os poderes. Isso fica claro na mensagem e, para mim, o que pega é isso. O império de um capitalismo de compadril, um capitalismo de laços. Você viu só que aula que a gente acabou de tomar? Você e eu, a gente falando só de sacanagem. E o Daniel nos brinda com uma análise sociológica antropológica. Tem ali o caráter nacional.
tem o sistema político não funcional. Eu diria, ele é muito elegante, ele não fala essas coisas assim. A total falta de vergonha transparece nessas mensagens. Mas, Tiago, qual delas te impressionou mais? William, tem um zuzuzum aqui em Brasília. Eu não sou jornalista, não quero entrar na posição de vocês, pelo contrário. A gente tem liberdade de falar de sacanagem. Sobre a veracidade dessas informações.
incrédula se essa conversa entre o Borcário e o ministro Alexandre de fato é verdadeira porque não condiz com, pelo menos não faz sentido com o perfil do ministro que, enfim, passou por várias instâncias públicas e poderia se blindar desse tipo de exposição. Agora, o que me chamou pessoalmente a atenção foi o fato de que se essa conversa é verdadeira, se ela eventualmente aconteceu de fato, ela aconteceu num período em que o ministro Alexandre
Alexandre de Moraes ainda estava sancionado pela lei Magnits, que, portanto, não poderia fazer uso de ferramentas e serviços de tecnologia de empresas americanas, como é o WhatsApp. Então, das duas, uma. Ou tem um furo aí, ou tem boi na linha, ou, eventualmente, essa conversa foi perpassada, ela foi realizada por outros meios, já que o ministro estava impedido de usar o aplicativo que formalmente apareceu ali na coluna, como tendo sido utilizado para essa conversa.
e na linha aí que precisa ser explicado, porque eu acho que nesse caso faz toda a diferença. Há uma desconfiança tradicional do Ministério Público em relação à Polícia Federal. Ela não é de agora. Ela não é do escândalo do Master. Ela é quase que uma relação, às vezes, arraigada nessas duas instituições. As duas investigam. O Procurador-Geral da República, sempre é bom a gente lembrar aqui para a audiência, é o detentor da ação penal. É ele que acusa, mas ele tem que acusar em base no que a polícia investiga.
é tão tradicional como a gente vê até nos filmes a tensão entre o procurador que acusa e a base do inquérito que ele vai dizer, vocês da polícia não trabalharam direito e por aí vai. Mas no momento, essa tensão parece exacerbada. E quem tem realmente o fluxo das informações é a Polícia Federal. O que está acontecendo? Bom, o que está acontecendo é que partindo de um precedente bem sucedido do ponto de vista jurídico e até político, de uma colaboração premiada que colocou na prisão,
o ex-presidente da República, o Jair Bolsonaro, abriu-se esse precedente porque ali se entendeu que o então Procurador-Geral da República, Augusto Aras, não avançaria contra o Jair Bolsonaro e ali se entendeu que a colaboração premiada precisaria ser feita pela Polícia Federal. É exatamente a mesma coisa. Ali já vem um contencioso entre esses dois órgãos, que não é dali, mas é de 10 anos, de 20 anos, é histórico praticamente,
começando a sinalizar é o Gonê descanteado nesse processo, o sistema de investigação achando que não precisa contar com ele ou que ele não precisa atuar. O sistema que você está dizendo é a PF. Sim, sim. A Polícia Federal considerando que é possível avançar mesmo sem ele. Apesar do Paulo Gonê, é possível avançar. E aí, a minha aposta hoje é que uma colaboração premiada aconteceria não
com o Ministério Público, com a Procuradoria Geral da República, mas com a Polícia Federal, que é quem está tocando de fato esse processo. E um segundo ponto, o Supremo Tribunal Federal, eu sinto que com tudo que aconteceu hoje, ontem, nos últimos dias, de alguma maneira pode ser que comece a pensar em algum processo de depuração, seja jurídico ou seja político. Porque a gente nunca viu um processo penal contra o Ministro do Supremo, isso é inédito, isso teria que ser avaliado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal.
De repente, o Toffoli ou o Alexandre de Moraes devem, vai ter que ser o plenário do Supremo Tribunal Federal. E ainda que haja, de novo, como sempre, historicamente, um processo de proteção e de blindagem da corte contra os ataques, porque eles vão considerar isso um ataque externo, tem o processo político que está aí, a partir de 2027, com uma maioria de direita no Senado suficiente para empichar o ministro do Supremo Tribunal Federal, cada vez mais, aparentemente, com motivo,
a partir desses indícios de crimes que estão aparecendo. Daniel, eu tenho um pouquinho menos de um minuto para você encerrar. A palavra é sua, mas eu tenho menos de um minuto. Bom, para encerrar então, para fazer um ponto sobre a perspectiva ou não de delação premiada de colaboração de Daniel Vorcaro, conversando com algumas pessoas que participaram na Polícia Federal daquele processo de colaboração de Mauro Cid, por exemplo, e de outros processos, isso é uma coisa absolutamente subjetiva ali, que os investigadores, esse pessoal da linha de frente,
Nota agora que por mais encrencado que um criminoso esteja, uma coisa que acaba pesando é a percepção deles na prática, na hora de decidir, vou pelo caminho da colaboração ou não vou, é o envolvimento de familiares. E aí se a gente pega o caso de Daniel Vorcaro, o pai dele apareceu e você tem o primo, o cunhado preso.
da família de Daniel Vorcaro também foi trazido para o processo, foi trazido para a investigação, para o centro da investigação. Então, agora, não é só ele. É olhar a família também e perceber que essa pressão está crescendo em cima das pessoas à sua volta. De novo, a gente está diante de um roteiro de filme. O cunhado é conhecido em Brasília como fio desencapado. Eu queria agradecer a você, em primeiro lugar, cientista político Tiago Vidal, diretor de análise política da consultoria Prospectiva,
fazer parte da nossa roda, que hoje não foi só política, mas isso ficou pelo nosso lado, Tiago. Você ficou pelo lado técnico, elegante, político e o outro lado ficou aqui para os jornalistas. Muito obrigado. Boa noite, Tiago. Obrigado, William. Boa noite. Daniel e Caio, meus colegas, obrigado. Boa noite a ambos. Nós vamos para o intervalo na volta. Trump disse que os Estados Unidos terão um papel na escolha do novo líder no Irã. Até já.
Temos o grande prazer de ter aqui na bancada conosco o Marcos Vinícius de Freitas. Ele é professor de Relações Internacionais, professor visitante da Universidade de Relações Internacionais da China. Obrigado por estar conosco. Sei que você está voltando para a China amanhã. De que jeito, hein? Você vai dar a volta pelo lado de São Francisco? Porque direto não está dando com a guerra. Eu vou fazer... Eu tenho que passar uma semana na França, em Toulouse.
Eu dou aula em Toulouse e aí de Toulouse eu vou para a Inglaterra e da Inglaterra para a China. E seja o que Deus quiser.
Uma vez que eu tentei, não deu muito certo. Tentei por Viadorra e o avião teve que voltar para o Brasil. A Real Força Aérea vai mandar uns taifuns para lá e pode pegar uma carona com os caças. A gente acha que está mal de política, imagina os ingleses nessa altura do campeonato. Vamos lá, vamos lá com notícias direto do Oriente Médio com a CNN Internacional. Rodou essa vinheta retumbante. A CNN é a primeira emissora
americana a entrar no Irã em meio à guerra com os Estados Unidos. O correspondente Fred Pleitgen e a equipe dele cruzaram hoje a fronteira da Armênia com o território iraniano. Nós precisamos destacar que a CNN opera no Irã somente com a autorização do governo local. Confira.
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Eu tenho que trazer de lá para vocês a visão do que está acontecendo, pelo menos um pouco que se pode entender. Nós vamos agora... Reza Sayar, jornalista baseado em Teheran, ele falou à CNN sobre o que tem conseguido ver e ouvir de pessoas em meio a essa guerra. Confira.
O que é que é isso?
Eu vivo aqui, eu tenho uma 7-year-old daughter e a dia que o início da strike aconteceu, ela estava com o suprêmio e eu me e eu percebi essa earth shaking e eu conheço o que é e eu puto ela em minha car e eu rastei para a parte da cidade.
E aí
Temos uma terceira contribuição para vocês.
Dessa vez um pouquinho do lado de fora dali, o produtor da serena em Doha, Jan Husseini, testemunhou o momento em que a defesa do Catar interceptava um ataque de mísseis.
O que é isso?
A interceptação já tinha ocorrido. Marcos, Vinícius de Freitas, a gente já teve o prazer de recebê-lo aqui remotamente lá da China. Você já nos ajudou muitas vezes lá da sua posição na China de entender
dessa proporção. Você está de férias no Brasil, mas evidentemente da sua capacidade como acadêmico e com a familiaridade que você tem com os chineses, particularmente o sistema político chinês, como é que eles estão vendo isso? William, eu acho que a China vê e observa esse processo como mais uma pedra que os americanos estão colocando na sua
Queda hegemônica. Porque é uma guerra de escolha, não é uma guerra que tinha razão para acontecer. Embora no Ocidente, e eu fiquei muito feliz de ver a CNN conversando com o iraniano, porque no geral você tem uma visão um tanto distorcida desta guerra em determinadas situações e o fato de que eles abriram ali para que o mundo visse o que está acontecendo no Irã.
Então, o que a gente nota é que os chineses observam essa situação como um processo contínuo de declínio, sabem que vão sofrer críticas, porque até mesmo o Nicholas Burns falou, olha, de que adianta ser aliado da China se na hora em que você precisa a China não ajuda você. Ele está se referindo à questão da relação entre a China e o Irã. Justamente nesse processo. E os chineses entendem que isso faz parte de toda a campanha que é feita contra a China nesse processo todo.
Não intervenção, parar a guerra. E aqui é importante enfatizar uma coisa. A importância aí do próprio BRICS, como uma maneira de tentar dissuadir os Estados Unidos dessa posição. Bem que os BRICS, nesse caso, estão rachados. Há uma divisão e é por essa razão que é importante que haja uma união, principalmente daqueles que são os mais relevantes dentro do próprio conjunto dos países. Veja, os Estados Unidos e o governo Trump encontrou,
à Suprema Corte americana a resistência à questão das tarifas. Na questão internacional, se não houver aí um posicionamento de alguns países no sentido de forçar os Estados Unidos e Israel a mudarem o seu procedimento, fica difícil de essa guerra parar. Que chance existe, Lourival, na sua avaliação do cenário internacional? Não só os aliados tradicionais do Irã, como o Marcos acabou de assinar lá,
isso estrondoso em termos de ajuda clara, ou pelo menos que a gente saiba, da Rússia e da China em relação ao Irã. Mas se a gente considerar a situação assim chamada, as potências médias, entre elas muitos dos vizinhos ali que entregam os BRICS, de ter alguma influência no que Trump está fazendo. Eu acho que esses atores importantes, eles ficam on the sidelines, ficam assistindo a margem, ficam assistindo
Eles não querem um confronto com os Estados Unidos e eles perdem taticamente e ganham estrategicamente. É comum, muitas vezes, você sacrificar o tático em nome do estratégico, não é verdade? Então, a perda tática é a perda de mais um aliado. A China e a Rússia perdem o Irã, um aliado importante.
Mesmo que não se materialize a queda do regime, o Irã está sofrendo uma degradação militar, econômica, industrial, social, geopolítica violentíssima, como nunca sofreu. Está sendo devastado. Na história moderna, talvez na queda do Império Persa. Está sendo neutralizado. Agora, em termos estratégicos, como já sugere o Marcos,
estão entrando numa guerra em que eles demonstram que querem impor seu desejo por meio da coerção, numa guerra de escolha, como o Marcos disse, e perdem muito poder brando nessa demonstração de força bruta, perdem muita liderança, perdem muito da coesão
que faz com que a alicerce, a adesão a teses, a princípios, que é o alicerce de uma liderança no longo prazo. Então, isso para a China é muito bom. E até no meio, até num sentido entre tático e estratégico para a Rússia, acho que aí há até um ganho tático para a Rússia também, que é que os Estados Unidos estão gastando suas armas no Irã, sua munição, é um recurso finito.
E isso não ficará disponível para a Ucrânia. Então, a canalização, deslocamento das preocupações da Europa também e dos Estados Unidos para o Irã, com a França enviando porta-aviões nuclear para se projetar poder também, embora não esteja aliada dos Estados Unidos nessa campanha, acabam drenando energias do Ocidente e a China e a Rússia, com sua paciência,
estratégicas saem ganhando. Eu só queria fazer um acréscimo dizendo que eu acho, nessa minha perspectiva, de que o Irã não está totalmente perdedor. E veja só, ele conseguiu aí, com esses ataques, comprovar que os Estados Unidos não é um protetor fiel daqueles onde eles têm base. Essa é a primeira coisa. Ser aliado não significa que você está bem.
Você está protegido. Essa é a primeira coisa que os iranianos fazem. Segundo, a semelhança do que o Iraque fez com o Kuwait de devastação, todos esses países que eram próximos dos Estados Unidos vão sofrer problemas graves no futuro de turismo, de rotas, porque justamente vai criar o elemento instabilidade na região. O que faz com que o Irã consiga transmitir uma mensagem de que ser aliado novamente dos Estados Unidos não significa um benefício econômico no longo prazo.
coisa que a gente observa nesta ação do Irã é que ele conseguiu, veja, o Irã sendo atacado por Estados Unidos e por Israel, conseguiu comprovar que o domo não funciona muitas vezes como se falava com relação à resistência de Israel. E o mais importante de tudo, o que o Irã faz nesta tentativa é justamente resistir ao grande Satã contra o qual eles se prepararam durante 20 anos.
um passeio no parque e sem uma ação efetiva dos Estados Unidos, colocando tropas em terra, boots on the ground, como todo mundo fala, a guerra não vai a lugar algum. Então vai ser uma guerra que eles vão tentar bombardear o máximo possível, mas na hora em que as tropas forem para a terra, num país do tamanho que é o Irã, com 90 milhões de pessoas, aí eu acho que a situação complica para o presidente Trump. Deixa eu colocar para a sua avaliação o argumento contrário.
sobretudo de Israel. Do ponto de vista de Israel, o objetivo político com essa ação militar é muito claro. Ele pretende eliminar qualquer possibilidade daquele país que é encarado como seu principal perigo existencial possa transformar essa potencialidade em perigo de fato para a existência do Estado de Israel. Esse é um objetivo político que aparentemente ele consegue com essa ação militar. Do ponto de vista americano, a gente tem dúvidas, nunca conseguimos entender claramente qual é o objetivo
político de Trump nessa ação militar com essa escala. Mas sugere que seja, nesse espaço geopolítico, eliminar um adversário importante, sobretudo ali na região. O que parece que a ação militar também lhe proporciona. Onde os chineses encaram, então, e eu estou colocando um argumento principalmente para você elaborar em cima disso. Onde os chineses encaram, então, essa perda estratégica americana?
antigo, que não é tudo muito difícil, não é? 5 mil anos de história também, mas eles dizem, quando seu inimigo está cometendo erros, não atrapalhe. Isso é do Sunyat. Siga assistindo a situação. É um clássico de arte da guerra. E você vê o seguinte, vamos pensar assim do ponto de vista de Israel, qual é o objetivo de Netanyahu nos últimos 40 anos? É transformar Israel na potência hegemônica regional. E claro que um Irã dividido,
Um Irã ala Líbia, fragmentado, é mais um país com menor capacidade... Ou como a Síria. Ou como a Síria. De contestar essa hegemonia. De contestar esse tipo de hegemonia. Então, a narrativa de Netanyahu faz muito sentido do ponto de vista estratégico com relação à proteção de Israel. Agora, o grande problema é que os estados árabes, muitos deles, estavam em negociação com Israel justamente por causa dos álcools abrahâmicos. Isso tudo volta a estar casero nesse processo.
E a China, o que que observa? Tem preocupações com relação à perda de um fornecedor de petróleo? Existe essa preocupação, mas aí eles já encontraram. E a Lua, né? Porque você tem que pôr a Venezuela na sua conta também. É, a Venezuela e... Mas aí o que aconteceu? Aumenta a produção da Rússia, eles compram de Angola, do Brasil. Na questão do petróleo, hoje em dia os chineses têm muito mais alternativas do que tinham antigamente. Então, mas a gente observa uma coisa, e aqui é interessante, né, William?
que daqui a quatro semanas seria o encontro entre o presidente Xi e o presidente Trump na China, Trump chegaria enfraquecido diante da decisão da Suprema Corte. Ele perdeu o chicote da tarifa. Então ele tenta agora chegar nesta reunião fortalecido, talvez por vitórias militares. No caso da Venezuela, que eu nunca sei se o Maduro foi sequestrado ou se foi entregue, conforme a gente começa a observar a movimentação do governo atual.
do Irã. Agora, se esta guerra vira uma guerra de atrito e de longo prazo, aí é que nós vamos ver os grandes problemas que os Estados Unidos têm nesse processo histórico. Repetiram o Afeganistão, repetiram a Líbia, e aí ele chegaria muito enfraquecido nessa reunião com o presidente Xi. Pelo seu conceito clássico entre guerra de necessidade e guerra de escolha, foi uma escolha claramente, Luiz Ivão. Lógico, ele nem consegue elaborar uma explicação para a
Causa principal, chama causa belli, como é que é em latim? Casos belli. Casos belli. Não tem, né? Cada dia ele fala... Ele nem está preocupado com isso. Uma coisa, é. Eu vejo essa guerra no contexto da eleição de outubro, da eleição de novembro. Falei da eleição de outubro, porque tem eleição no dia 26 de outubro em Israel. Eu acho que Israel, que Netanyahu, não Israel, mas Netanyahu é um grande vencedor.
72% dos israelenses apoiam essa guerra. Então ele recuperou as chances dele de se manter no poder na eleição de outubro. E aí tem a eleição do dia 4 de novembro nos Estados Unidos. E o quadro é exatamente o contrário, com os americanos muito descontentes com essa campanha. Mas eu ainda acho que o objetivo do Trump era melhorar a elegibilidade do partido republicano com essa guerra. Mas nesse sentido, claramente,
não vai ter esse resultado. Por último, Marcos, para encerrar o segmento, eu tenho mais ou menos dois minutos ainda. Como que os chineses estão vendo essa superioridade americana do ponto de vista militar exclusivamente? Os Estados Unidos são o país que mais treina os seus equipamentos e mais utiliza os seus equipamentos em guerra justamente para vendê-los nesse processo todo. A China teve, William, uma grata surpresa mundialmente falando no ano passado quando teve a guerra entre o
e a Índia, em que os equipamentos chineses funcionaram muito bem. Derrubaram o Rafale. Derrubaram o Rafale, que o Brasil queria comprar, inclusive. Então, os chineses têm aí feito uma série de investimentos na indústria bélica. É claro que o orçamento deles não se compara àquilo que se tem nos Estados Unidos, mas também uma coisa importante que a gente observa é que os chineses não ficam falando a respeito daquilo que têm. E este que é o grande elemento que complica a situação,
sabemos o que a China fez, o que ela tem feito na questão militar. Agora, a argumentação dos Estados Unidos vai ser sempre de que eles têm mais experiência de guerra e os equipamentos chineses não foram testados. Então, este é um argumento que sempre existe nesse processo todo. Agora, o que nós vemos é que são guerras boas se durarem pouco tempo, porque o grande desafio dos Estados Unidos é colocar os soldados americanos em solo e aí muda toda a dinâmica.
Marcos Vinícius de Freitas, professor de Relações Internacionais, professor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China. Marcos, obrigado pela disposição de estar aqui e lhe desejo uma boa viagem de volta à China com esse longo percurso que você tem pela frente e boa noite. Eu que agradeço pela oportunidade. Lourival, igualmente. Muito obrigado pela presença também, Lourival. Sempre bom que você é a bordo do WW. Essa edição fica por aqui. Pessoal, obrigado e boa noite.