Episódios de WW – William Waack

Risco econômico global vira arma de guerra do Irã

04 de março de 202654min
0:00 / 54:20
O conflito no Oriente Médio se agravou nesta terça-feira (3). Estados Unidos e Israel atingiram prédios históricos e locais associados à liderança dos aiatolás em Teerã, capital do Irã. Israel avançou sobre o Hezbollah no sul do Líbano. O Irã, por sua vez, segue resistindo e busca compensar a desvantagem militar com uma arma menos visível, porém potencialmente devastadora: o impacto do conflito sobre a economia global. O âncora da CNN Caio Junqueira, Monique Sochaczewski, professora de Relações Internacionais do IDP, Paulo Filho, mestre em ciências militares, Lourival Sant'Anna, analista de Internacional da CNN, e Roberto Dumas, professor de Economia do Insper, debatem o tema.
Assuntos13
  • Relacoes EUA-IraAtaques aéreos dos EUA e Israel contra o Irã · Destruição de infraestruturas militares iranianas · Resposta militar iraniana com drones e mísseis · Avanço de Israel sobre o Hezbollah no Líbano · Terceira onda de ataques prometida pelos EUA
  • Geopolítica EnergéticaFechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã · Aumento de 6% no preço do petróleo Brent · Impacto inflacionário global e nos EUA · Efeito na economia chinesa · Bloqueio de 20% do petróleo mundial e 30% da ureia
  • Mercado FinanceiroQueda generalizada de índices (EUA, Europa, Brasil) · Estado de medo entre investidores americanos · Volatilidade dos mercados financeiros · Avaliação do FMI sobre riscos econômicos · Cautela dos bancos centrais
  • Impacto Cadeias LogisticasBloqueio de transporte por Estreito de Ormuz · Aumento de fretes e seguros marítimos · Alternativa da Rota do Cabo da Boa Esperança · Atraso de 15 a 20 dias em rotas alternativas · Pressão em cadeia de suprimentos global
  • Conflitos MilitaresMúltiplos atores envolvidos no conflito · Falta de clareza sobre duração · Cenário de 3 a 4 meses de impacto econômico · Escalação potencial vs. resolução rápida · Dependência de consolidação do novo regime
  • Economia da ChinaChina importa 80% de petróleo do Irã · Consumo de 34% da energia do Golfo pela China · Política chinesa de não interferência · Possibilidade de Taiwan como nova crise · Dependência chinesa de exportações
  • Atuação de Lucia na políticaAprovação baixa da guerra entre americanos · Impacto do preço da gasolina na eleição · Custo de vida como questão eleitoral para Trump · Tentativa de criar coesão política em torno da guerra · Pressão de aliados vs. opinião pública doméstica
  • Tecnologia MilitarUso de drones kamikaze dos EUA · Inteligência artificial acelerando ciclo de combate · Drone Loitering baseado em tecnologia iraniana · Guerra eletrônica e redes de comando destruídas · Inovação tática e resposta adaptativa
  • Justificativa política para operação militarDiscurso desalinhado entre autoridades americanas · Falta de apoio público doméstico · Questões de legitimidade perante Congresso · Mudança narrativa ao longo da operação · Erro estratégico sem objetivo político claro
  • Crise Hidrica Golfo PersicoPressão da Arábia Saudita sobre EUA · Impacto de ataques iranianos nos Emirados · Papel do Catar e Omã como mediadores · Fechamento do espaço aéreo para operações · Possível radicalização das respostas
  • Inflação e Política MonetáriaDepreciação do real · Impacto nos preços de fertilizantes e alimentos · Possível postergação de queda de juros · Pressão sobre meta de inflação do BC · Flexibilização da política monetária ameaçada
  • Potencial para terrorismo e desestabilizaçãoPossibilidade de ataques terroristas do Irã · Histórico de atentados em Buenos Aires · Papel da Guarda Revolucionária Iraniana · Ataques simétricos vs. guerra convencional · Destabilização de aliados dos EUA
  • Controle de Precos GovernamentalReunião de Trump com secretário de energia · Risco de controle de preços artificiais · Precedentes de falha em controle de preços · Impacto fiscal no tesouro americano · Alternativas de política monetária vs. controle
Transcrição104 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Olá, boa noite. Esta é a CNN Brasil e este é o WW. O conflito no Oriente Médio se agravou hoje. Estados Unidos e Israel atingiram prédios históricos e locais associados à liderança dos ayatollahs em Teherã, enquanto Israel avançou sobre o Hezbollah no sul do Líbano. O Irã, por sua vez, segue resistindo e busca compensar a desvantagem militar com uma arma menos visível, porém potencialmente devastadora, o impacto do conflito sobre a economia global.

seja, drones e mísseis iranianos têm como alvos refinarias, campos de produção de gás natural, infraestruturas logísticas e embarcações que se arrisquem a cruzar o Estreito de Hormuz, corredor por onde transita um quinto do petróleo e do gás natural consumido no mundo. A aposta de Teheran está clara. É provocar um choque inflacionário global capaz de pressionar a Casa Branca ao menos sentar-se à mesa de negociação.

ao conflito no Oriente Médio. Antes de apresentar aqui os convidados, a historiadora Monique Sorracevski, especialista em Oriente Médio e professora de Relações Internacionais do IDP. Muito bem-vinda, professora. Obrigada pelo convite, Caio. E o coronel da Reserva, Paulo Filho, mestre em Ciências Militares e analista de Geopolítica e Política Internacional. Bem-vindo, coronel. Boa noite, Caio. Boa noite, Lorival. Boa noite, professora Monique.

Boa noite, meu caro. E o Lorival Santana aqui comigo na Avenida Paulista. Bem-vindo, Lorival. Vamos lá.

Esta terça-feira, o presidente Donald Trump comemorou o impacto da ofensiva contra o Irã até aqui e prometeu que uma terceira onda de ataques está próxima de acontecer no Oriente Médio. O republicano também disse que é tarde demais para o Irã ter negociações com os Estados Unidos. De Washington, as últimas atualizações com a repórter Mariana Janjácomo. Caio, Donald Trump afirmou que as defesas do Irã foram completamente aniquiladas e que um novo ataque está por vir. Ele foi às redes sociais para dizer o seguinte.

A pesquisa aérea deles, a Força Aérea, a Marinha e a liderança, todas já foram, foram derrubadas. Eles querem conversar e eu disse, tarde demais. Palavras, então, do presidente dos Estados Unidos, que hoje conversou com repórteres diante das câmeras pela primeira vez desde que ordenou os ataques contra o Irã no final de semana. Donald Trump respondeu a perguntas dos repórteres ao lado de Friedrich Merz, o chanceler alemão, que visitou aqui a Casa Branca mais cedo.

nova onda de ataques para o Irã, ele também falou sobre o futuro, como enxerga o futuro no país. Donald Trump afirmou que vê a possibilidade que o pior cenário para o Irã seria um sucessor tão ruim ou pior quanto o último, fazendo uma referência a Ali Khamenei. Foi questionado sobre se apoiaria um controle de Reza Palévi, o príncipe herdeiro do Irã, que está aqui nos Estados Unidos, e afirmou, depois de ter falado muito sobre mudança

regime que acharia mais apropriado que alguém de dentro do Irã assumisse esse controle do país nesse momento. Caio, queria chamar a atenção para essa fala de Donald Trump dizendo que haverá uma terceira onda de ataques porque esse é um discurso alinhado com Israel e com o que dizem outras autoridades da Casa Branca, incluindo o secretário de Estado americano Marco Rubio. Israel já falou que haverá uma nova onda de ataques, Marco Rubio também afirmou que há uma onda mais pesada ainda de ataques,

está por vir focada agora nos lançadores de mísseis do Irã. E esse é um discurso alinhado, diferente do discurso das justificativas para que os Estados Unidos lancem esses ataques nesse momento. A Casa Branca ainda não conseguiu chegar a um discurso alinhado entre as autoridades para explicar para a população americana e para o Congresso o porquê de os Estados Unidos estarem gastando tantos recursos nesse momento, exatamente nesse conflito.

Ontem, Marco Rubio afirmou que Israel iria lançar um ataque e que o Irã tentaria retaliar e essa retaliação poderia trazer um grande número de vítimas. Então, era necessário atacar agora. Hoje, Donald Trump disse que não foi Israel que puxou os Estados Unidos para a guerra. Ficou evidente que não há uma justificativa em comum, uma justificativa alinhada entre as autoridades, entre Donald Trump e as autoridades.

essa justificativa. Toda vez que alguém fala sobre isso, que uma autoridade fala sobre a situação no Oriente Médio, nunca é só para atualizar ou dizer o que vem pela frente, mas há sempre uma tentativa de justificativa, já que a Casa Branca não conseguiu o apoio da maioria da população e está sendo muito questionada pelo Congresso, principalmente, claro, pela oposição, sobre o porquê de estar fazendo isso nesse momento, Caio. Obrigado, Mariana. Bom trabalho por aí.

Hiveram várias declarações do Trump ao longo do dia. Eu queria puxar contigo pelo lado geopolítico da questão. Ele disse que não sobrou ninguém ali para suceder o Khamenei. Diz que os possíveis nomes para suceder o Khamenei foram mortos. Nesse vácuo de poder aparente nas palavras do Trump, queria ver se você concorda com isso, o que sobra se todos os que os Estados Unidos apostou foram mortos?

a gente olhar para os curdos. E hoje a gente já tem informações... Só um minuto, professora, que eu não te escuto pelo menos. Oi, perdão. Aí, agora sim. Pode seguir, professora. O que eu dizia é que, na realidade, hoje a gente tem informações, tanto dos colegas que são experts, tem saído inclusive na CNN em inglês, de que há o interesse, já existia de Israel e aparentemente dos Estados Unidos, em assumir que os curdos no Irã,

poderiam ocupar esse espaço. A gente tem 60% da população iraniana é persa, xiita, mas tem minorias muito importantes, sobretudo quando a gente pensa os curdos e os baluches, são minorias que são sunitas, além de terem outra etnia, e os curdos têm um projeto mais regional, no Kurdistão iraquiano, no Kurdistão sírio e no Kurdistão turco, e os baluches têm uma questão também com o Paquistão. Então, o que me pareceu hoje,

enfim, frente, esse descompasso não parece muito claro para o Trump para onde está indo, talvez ela acreditasse que o Irã fosse a Venezuela, que fosse algo mais rápido de se resolver. Nesse momento, parece que está tendo essa aposta, sobretudo nos curdos, enfim, eles próprios, que eram muito divididos entre si, têm tentado mostrar uma liderança, são talvez, enfim, dos grupos, aqueles que têm mais experiência militar,

Mas é muito complicado, o que a gente sabe dessas questões de transição de regime, precisava ter, na realidade, milhões de pessoas nas ruas, teria que ter defecção, inclusive, dos grupos ligados ao governo, isso não está aparecendo nesse dia de guerra, acho que é quarto dia de guerra, a gente tem que acompanhar, mas a aposta está me parecendo sendo escurros. Paulo, pegando pelo aspecto militar do que o Trump disse,

terceira onda, que vem aí uma terceira onda de ataques. O que você consegue projetar deste conflito no campo, no terreno? O que o presidente Trump está sinalizando é uma ação com o objetivo de exterminar todas as lideranças, o que ele já tem feito, lideranças políticas, lideranças militares, acabar com a marinha, já anunciou que afundou todos os navios do Irã que estavam no Golfo Pérsico, nos portos do Golfo Pérsico,

tem atacado depósitos de munição, tem atacado lançadores de mísseis, centros de comando e controle, radares. Então o objetivo dessa operação levada a cabo pelos Estados Unidos e por Israel é acabar com o poder militar iraniano a fim de impedir que o Irã continue, prossiga nos ataques que ele tem realizado até aqui.

o objetivo político da guerra não ficou bem definido. Os Estados Unidos tiveram aí 40 dias reunindo os meios, mandando dois porta-aviões para a região. Era tempo suficiente para pelo menos o governo americano alinhar um discurso e decidir qual era o objetivo político. A guerra só pode ser feita se houver um objetivo político muito claro. O objetivo político seria fazer uma mudança de regime, colocar, como disse a professora Monique, os curdos no poder,

Ok, poderia ser esse o objetivo político. Mas para isso os curdos teriam que ser ajudados. E para serem ajudados você teria que ter tropas no terreno. E o presidente Trump já disse que não vai mandar tropas para o terreno. Porque isso é uma linha vermelha que ele mesmo traçou na campanha eleitoral dizendo que não travaria novas guerras, que não levaria os Estados Unidos soldados americanos para morrerem em locais distantes. E a base de apoio política dele, o movimento MAGA, também não admite isso.

O objetivo político inicial, que era fazer a mudança de regime, ficou muito difícil. Porque só com esses bombardeios, só com ataques aéreos, você mata a liderança, a liderança seguinte aparece. Hoje já tem algumas notícias na imprensa especulando que o filho do Ali Khamenei já teria sido, mais ou menos, havido um consenso que ele seria o próximo escolhido. Então você muda de Ayatollah e o regime continua no poder. Por quê? Porque há uma opção política que não casa com a opção militar.

regime exigiria tropas no terreno para apoiar uma insurgência, apoiar um grupo como os curdos, por exemplo, para que eles fossem instalados no poder. Só que isso, aparentemente, não vai ser feito. Lurival, ao se confirmar essa informação da mídia iraniana, de que é o filho do Ali Khamenei, o sucessor, sinaliza o quê? Eu vi só no International Iranian News, que é um site independente.

Fiquei rastreando a mídia oficial iraniana, não consegui ver nada por enquanto. Eles dizem que são fontes que estão dizendo isso. Mas o Mostaba Khamenei, ele é filho do líder supremo morto. Ele é muito radical, muito conservador. Não tem as credenciais, porque não é ayatollah. Ele é um rojetalislado.

que, comparando, seria um bispo e não um cardeal. Então, isso instauraria uma monarquia no Irã. E mesmo as pessoas de dentro do regime não gostam dessa tese, porque a Revolução Islâmica de 1979 foi para derrubar uma monarquia e não instalar uma nova monarquia islâmica. Um outro candidato, que é o Hassan Khomeini,

do Ayatollah Khomeini, que é o fundador da República Islâmica, também teria esse mesmo problema de origem. Então, resta dos que surgiram o Alireza Arafi, que foi eleito, que é da Assembleia dos Experts, da Assembleia dos Peritos, que é esse corpo de 88 pessoas eleitas pelo povo, que tem a função de eleger o líder supremo.

E juntamente ele foi para esse triunvirato dessa liderança de transição junto com o presidente Massoud Pesekian e com o presidente do Poder Judiciário, como prevê a Constituição. Mas vamos ver o que acontece. Assim, os curdos, eles representam 10% da população iraniana. Não há a menor possibilidade de querer colocá-los no poder no Irã. Isso não faria nenhum sentido.

Podem ser uma força de desestabilização e entrar ali pelo oeste do Irã, cruzando a fronteira do Iraque, para iniciar uma insurgência. É isso que eles conseguem fazer. O Partido Democrático do Kurdistão iraniano, com cujo presidente Mustafa Hijri, o presidente Trump conversou hoje pelo telefone, tem no máximo milhares de combatentes, no máximo.

poucos milhares. Então, o Trump está se inspirando no que aconteceu na Líbia, que eu cobri aquela guerra. Mas, primeiro, os rebeldes já estavam armados, já tinham tomado as armas das forças do Kadhafi e precisavam de treinamento e de mais armas. Foi o que a França proporcionou a eles nas montanhas lá do oeste da Líbia.

ali com a ajuda do Catar, financiamento do Catar. Mas foi para reforçar uma guerra civil que já estava em andamento. É diferente começar pelo zero uma guerra civil numa população que não tem armas, que não está preparada para isso. É, vamos olhar agora. A gente preparou um material, uma reportagem que mostra como funciona essa estrutura de governo no Irã e por que, como disse a Monique, como disse o Paulo, como disse o Lourival aqui, é tão difícil de ser derrubado esse sistema

A liderança suprema do Irã é um cargo de natureza vitalícia que dá a seu ocupante um poder acima de qualquer outra autoridade. Mas a estrutura que gere o país vai além de seu chefe de Estado. O líder supremo é quem nomeia o chefe do Judiciário.

enquanto o presidente e os membros do parlamento do Irã são eleitos por voto popular. Nesta estrutura, o líder supremo tem a missão de supervisionar as atividades dos três poderes. Qualquer candidato à presidência ou ao parlamento deve ter seu nome aprovado pelo Conselho de Guardiões. Esta instância é composta por 12 juristas, sendo que seis deles são especializados na lei islâmica e indicados pelo líder supremo,

O Conselho de Guardiões também tem o poder de vetar leis aprovadas pelo parlamento que sejam consideradas inconstitucionais. O Irã também conta com uma Assembleia de Peritos, composta por clérigos muçulmanos eleitos para mandatos de oito anos. Todos os candidatos a ela também precisam ter seus nomes aprovados pelo Conselho de Guardiões. A Assembleia de Peritos é a responsável por apontar o novo líder supremo do país em caso de vacância no cargo.

Assembleia de Peritos não define um novo líder, o cargo é ocupado interinamente por uma junta composta pelo presidente, o chefe do judiciário e um membro do Conselho de Guardiões. Monique, sua aposta na tendência de manutenção do regime, mas de maneira mais moderada e flexível?

povo, que foi a razão pela qual a gente teve essa última leva de manifestações, reagiu muito fortemente, muito violentamente contra as manifestações. Então, por um lado, há uma grande insatisfação, uma parcela muito significativa da população irânia nasceu bem depois da Revolução, não se identifica, uma população que inclusive está cada vez mais secular. Então, enfim, essa insatisfação está muito grande, mas o que a gente está falando aqui, e foi isso que eu quis dizer,

inclusive da fala do Trump, é que está claro que todo mundo não quer, lembro um pouco a Primavera Árabe, mas não está claro quem é que pode ocupar esse espaço. Parece que a figura do chá ganhou uma certa atração, pessoas gritando em relação a ele, mas a gente vê que ele não está no terreno, como é complicado. Então, existe essa ideia que talvez a gente tenha uma transição, digamos, vinda de dentro,

o Hamenei já faleceu, vocês já tinham falado que são vários nomes, mas a mídia israelense hoje estava dizendo que era o Mustafa, inclusive ele já está com um alvo na cabeça, porque ele é tido como radical e como muito próximo do Hezbollah, que para Israel isso é uma grande ameaça. Enfim, eu acho que está claro que o regime é zumbi, que não está claro essa sucessão, mas um caminho pode ser,

justamente alguém, digamos, menos radical, talvez ligado às guardas revolucionárias, a gente tem que acompanhar. Mas nesse exato momento está me parecendo que uma pauta que parecia difícil para o Irã, que apesar de ter minorias, ele sempre foi unido por uma narrativa mais ampla de nacionalismo até, que talvez estejam tentando jogar para, embora os curdos sejam uma minoria, mas para tentar pensar em fragmentação. Essa tem sido, inclusive,

estratégia de Israel e mesmo nos Emirados Árabes, um pouco para lidar com a região. Paulo, do ponto de vista militar, qual é a sua análise sobre a resistência iraniana, esse enxame de drones nos países aliados dos Estados Unidos, no Golfo Pérsico, os mísseis, a própria estratégia econômica, mas do ponto de vista das ciências militares, te surpreende essa resistência iraniana? O que mais me chamou a atenção, Caio, foi que eles estão usando

uma velha tática, uma velha maneira de liderar um modo de agir de comandantes táticos de pequenas frações que vem lá da Segunda Guerra Mundial, dos alemães, da Blitzkrieg, que é você dar iniciativa para os comandantes subordinados de modo que mesmo que eles não recebam ordens porque o comandante do escalão superior morreu ou porque as comunicações foram interrompidas, ele vai continuar agindo sozinho, sem receber ordem,

cumprir a missão que ele recebeu pela finalidade, ou seja, ele tem que atacar determinados alvos, ele vai fazer aquilo nos horários pré-estabelecidos, mesmo que não receba ordem. Isso está bastante claro para mim, porque com quatro dias de combate, Israel e Estados Unidos fazendo mais de mil ataques por dia, destruindo completamente redes de comando e controle, certamente o Irã está sob fortíssima guerra eletrônica,

muito difíceis entre os comandantes de diversos escalões, mesmo assim os ataques continuam, ou seja, eles sabiam que a reação americana seria dessa forma, eles aprenderam na guerra dos 12 dias ano passado contra Israel, aprenderam nos ataques americanos contra as instalações nucleares do ano passado e descentralizar o comando, isso para mim está muito claro, e isso vai ser bastante estudado por quem estuda

Esse foi o principal aspecto que eu notei do lado iraniano. Do lado americano, eles usaram pela primeira vez um drone que, por ironia, foi construído por engenharia reversa do drone iraniano, do Shahed. Então, eles usaram o tal do drone Lucas, que é um drone kamikaze, é um drone que é uma arma, e usaram esses drones em grande quantidade, com inteligência artificial. Então, inteligência artificial acelerando,

alterando bastante o ciclo de combate. Então, de um lado, o uso de drones e de inteligência artificial pelos americanos, e do outro lado, pelos iranianos, essa descentralização da cadeia de comando para que os níveis mais básicos, mais subordinados, possam agir, independentemente de terem recebido ou não ordens para isso. Orival, Estados Unidos e Israel não previram que seria tão difícil assim? Ou previram essa dificuldade toda?

de derrubar o regime, não pelo cálculo de o que seria colocado no lugar. E isso é inquietante. Um dado interessante é que no primeiro dia de bombardeio foi atingida a casa do Mir Hussein Moussavi, que efetivamente venceu a eleição de 2009, que foi fraudada pelo Khamenei, que manteve, que deu a reeleição para o

Mahmoud Ahmad Nejad. Eu estava lá cobrindo aquela eleição. Desde então, o Moussavi e a mulher deles, Ahra Rahnavad, que é uma grande intelectual, foi reitora da Universidade de Teherã, é uma antropóloga, estão sob prisão domiciliar. E eles teriam o único vestígio de legitimidade para assumir o governo do Irã. Porque foi a última vez que houve uma eleição

desejo da população iraniana. Então, no entanto, aparentemente, se esse bombardeio tivesse sido, eles aparentemente não morreram, mas a casa foi danificada, se tivesse sido proposital, todos sabem onde é a casa do casal, parece que é um desejo realmente de eliminar qualquer chance de uma transição dentro do regime, porque o Moussavi é um reformista, mas,

aceita a teocracia, até porque se não aceitasse não poderia ter sido candidato a presidente, ali o Conselho dos Guardiões veta aqueles que representam uma ameaça e que vão presos, inclusive. Mas ele poderia, dentro de um ambiente de maior liberdade, assegurado pelos Estados Unidos, expressar uma visão mais reformista ainda e fazer uma transição para um regime democrático

da teocracia. É a única hipótese que eu vejo de alguma legitimidade dentro do sistema iraniano. Monique, eu queria muito te ouvir, a gente vai tratar no segundo bloco depois bastante de economia e dessa arma econômica que o Irã está utilizando, mas eu queria te ouvir, você especializadíssima em Oriente Médio, qual a capacidade que os países aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico tem de influenciar

influenciar a Casa Branca a pelo menos sentar na mesa ou a conter os ataques, porque eles estão hoje sendo alvejados de diversas maneiras. Esses países, Emirados, Catar, Arábia Saudita, eles têm alguma capacidade de influenciar a Casa Branca a sentar na mesa ou a conter pelo menos os ataques? Olha, Caio, é talvez uma das razões pelas quais eu e o Paulo Filho, a gente até conversava quando é que aconteceria esse ataque

parecia que ele ia acontecer, era justamente porque os países do Golfo estavam fazendo pressão, sobretudo o Arábia Saudita e os Emirados também têm um impacto grande em relação ao Trump, porque justamente eles temiam ser ameaçados e diferente da guerra dos 12 dias, em que claramente a questão era com Israel, dessa vez o regime iraniano ali passou semanas ressaltando que se fosse atacado, reagiria contra os países

do Golfo, então acho que eles tentaram no primeiro momento, mas a partir do momento que começaram a ser atacados, a narrativa do Irã era de que era um ataque contra as bases dos Estados Unidos, quer dizer, esses países disseram que o seu espaço aéreo estava fechado, que eles eram contrários ao ataque dos Estados Unidos e de Israel em relação ao Irã, tentaram inclusive dois deles ser mediadores, o Qatar e Oman em particular, acho até interessante que Oman

no primeiro momento tinha sido o único país ali do Golfo que não tivesse sido atacado, de repente, enfim, aí recebeu alguns drones e aí você tem praticamente o Irã reagindo contra todos eles. Ao que tudo indica, essa é a tática do Irã justamente de, não só, o Paulo Filho falou, não só os ataques oficialmente são para as bases e para os interesses militares, mas a gente tem ataques contra hotéis, eles falam que soldados americanos ficam hospedados nos hotéis, tem uma elasticidade ali

dizer, porque isso está sendo atacado, mas obviamente, sobretudo nos Emirados Árabes, enfim, os poucos drones que conseguiram seguir pela defesa dos Emirados, é muito simbólico isso, então é fazer literalmente ficar caro, e agora a gente está tendo essa terceira leva, que são justamente infraestruturas ligadas a petróleo, já tinha, a Arábia Saudita já tinha sido atacada, aparentemente, por interesses iranianos em 2019, e a gente está tendo essa onda agora, além disso, o fechamento de hormônios,

isso. Então, claramente, há uma tentativa de forçar esses países do Golfo para que eles usem a sua força, eventualmente junto aos Estados Unidos, para que tentem parar esse ataque. O que está aparecendo agora é que, inclusive, por exemplo, a Arábia Saudita e Emirados Árabes estavam se estranhando muito. Eles estavam em posições diferentes, no Iêmen, no Sudão do Sul. A Arábia Saudita tem, emitiu a chancelaria deles, uma nota dizendo que estava ali,

chamando uma liderança e que, em algum momento, inclusive, se colocaria no direito de revidar. Então, o que parece que o Irã está querendo fazer ficar caro e exigir, enfim, demandar que esses países se posicionem, pode ser que, inclusive, a coisa fique mais radical, talvez, se eles reagirem. Eles são muito fracos ainda militarmente, a gente está vendo isso, enfim, como é que seria isso é complicado. Então, a gente está aí nesse quarto dia, vamos ver,

para onde isso vai. Depois a gente pode conversar sobre isso também, porque claramente tem uma tentativa de impactar na China o que está acontecendo. Mas, enfim, esse conflito que parecia uma coisa que talvez o Trump achasse que fosse uma coisa muito rápida, ele já está repercutindo, a gente já teve ali drones no Chipre, enfim, a coisa está se complicando e pode ficar mais amplo, apesar do claro interesse, óbvio,

Enfim, a gente tem toda essa narrativa de hub, de aviação. Olha o impacto que está tendo na aviação, de turismo. Muitos expatriados e empresas ali, aqueles que têm recursos estão pagando jatinhos para sair via Istambul e sair dali. Então, já está tendo um impacto ali, inclusive, no que é esse projeto de poder regional do Golfo nos últimos tempos. E a gente tem que ver se isso vai se resolver ou se vai ser um impacto a longo prazo. Paulo, no limite, eu sei que é uma pergunta ainda sem resposta.

mas eu devo fazê-la se você vê no limite uma necessidade de invasão terrestre por parte dos Estados Unidos no Irã. Eu não tenho dúvida, cara. Para você fazer uma... Olhando exclusivamente sobre o aspecto militar, para você promover uma mudança de regime, você tem que tirar da cadeira presidencial aquele que você não quer que esteja sentado naquela cadeira e colocar na cadeira aquele que você quer que fique na cadeira.

No meio disso tudo há uma enorme instabilidade. Então quem que vai controlar o país nesse momento de instabilidade, em que troca-se o regime? É a força invasora, é a força que vai controlar, vai fazer a estabilização do país. Só que eu duvido muito que o presidente Trump faça isso por razões que nós já abordamos. Ele se recusa a fazer isso. E tem um ditado nas Forças Armadas que diz o seguinte, nenhum sucesso tático corrige um erro estratégico.

Então, se o objetivo era aquele, e é por isso que no início da nossa conversa a reportagem falou que as autoridades americanas não conseguem alinhar o discurso. Por quê? Porque o discurso foi mudando, porque se viu que mudar o regime não seria tão fácil, porque o Irã evidentemente não é a Venezuela, e aí foi tendo que arrumar outras justificativas para o ataque, para a operação militar.

da operação, eu diria para o presidente temos que entrar, tem que ter o boots on the ground, só que isso tem um custo altíssimo. Isso vai ter mortes, isso vai ter sofrimento e a população americana não está disposta a pagar esse preço para fazer uma mudança de regime de um país lá do outro lado do mundo. Então, tudo isso é um grande erro estratégico, na minha opinião, Caio. Bom, a gente vai falar de economia depois, então eu queria agradecer muito a Monique Sorrachevski, especialista em Oriente Médio,

professora de Relações Internacionais do UDP. Monique, professora, muito obrigado. Volte sempre. Obrigada. E também é o coronel da Reserva, Paulo Filho, mestre em Ciências Militares, analista de geopolítica e política internacional. Muito obrigado, coronel. Foi um grande prazer. Boa noite a todos. Prazer foi todo nosso. A gente vai chamar o intervalo. Daqui a pouco a gente vai falar sobre os desdobramentos econômicos da ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irnã.

Até já. WW de volta. Participa agora o Roberto Dumas, professor de Economia Internacional do INSPE. Olá, professor.

Boa noite, Caio. Boa noite, Levan. Prazer estar com vocês aqui. Prazer é todo nosso. Vamos ver esse impacto econômico. O risco de um colapso na economia global virou uma arma de guerra para o Irã. O mercado financeiro acompanha o conflito com certa impaciência e volatilidade. Uma série de indicadores caíram ao redor do mundo e o Fundo Monetário Internacional assume uma onda de incerteza diante do conflito. Confira. Os mercados caíram de forma generalizada nesta terça-feira.

e do Brasil fecharam o dia em forte baixa. O desempenho das bolsas mostra uma postura temerosa dos agentes de mercado. Segundo a CNN, investidores americanos operam em estado de medo com a menor confiança desde o começo do ano. O Fundo Monetário Internacional reconheceu a desconfiança dos investidores. Na avaliação do FMI, o impacto da guerra sobre a economia mundial vai depender da duração do conflito e do tamanho dos danos à infraestrutura e às indústrias da região.

se a incerteza persistir e os preços de energia continuarem elevados por mais tempo, os bancos centrais deverão agir com cautela e avaliar os desdobramentos antes de tomar decisões. Em janeiro, o FMI também havia adiantado que possíveis interrupções na cadeia de exportações do Irã gerariam uma alta nos preços do petróleo. O bairro de petróleo Brent, referência no mercado global, subiu mais de 6% desde o início da guerra.

diz em relatório que o aumento ainda maior no valor da commodity pode desacelerar a economia americana, especialmente no quarto bimestre. Isso seria resultado de uma queda no consumo em decorrência do custo maior para a energia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a alta será passageira.

republicano, o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, assumiu que o país também sentirá a consequência das mudanças nos preços. O Irã fechou o Estreito de Hormuz, por onde passam 20% das semestras de petróleo e gás pelo mundo, e ameaçou queimar

a região. Com isso, os Estados Unidos preparam respostas. A primeira seria a garantir maior controle da exportação de petróleo do Irã. Para isso, os americanos planejam expandir ataques para a ilha de Karg, onde está localizada uma instalação de venda de petróleo. Por outro lado, Trump afirmou que, caso necessário, vai escoltar navios petroleiros pelo Estreito de Hormuz e ordenou o fornecimento de um seguro para o comércio marítimo que passa pela região.

Veja, a coisa não é tão simples como a gente imagina. Trump está falando, olha, vai ser um negócio rápido, não vai ser um negócio rápido. Por exemplo, quando a gente fala que o Estreito de Urmuz foi fechado, nós estamos falando, obviamente, que todo mundo já está cansado de saber que 20% do petróleo mundial passa por ali. Mas o mais importante disso é que desses 20%, 84% estão indo para a África.

Por isso que a hora que a gente mostra, acabaram mostrando aí os mercados, mostraram os mercados asiáticos. A Coreia do Sul teve um circuit breaker. E dentro do mercado asiático, a China consome 34% desses 84%. Então a China acaba sendo afetada demais. Como é que o mercado pode ser impactado?

vai para 89, vai para 90, vai para 100, vai para 120. Não é essa a pergunta que a gente tem que fazer. Essa é a resposta que a gente tem que ter. A pergunta que a gente faz é, esse conselho deliberativo provisório que vai escolher um novo Ayatollah, quem vai ser? Porque a gente sabe, essa guerra não é a mesma guerra que Trump efetuou ou fez o ataque em junho de 2025.

Sim, não é um ataque cirúrgico. Essa guerra objetiva é derrubar o regime iraniano. Então, se você não derrubar o regime iraniano, isso pode prejudicar o preço do petróleo. E a gente sabe que um choque de oferta, não estou dizendo que é imediato, mas se durar uns três, quatro meses, por exemplo, petróleo bater 100 dólares, um petróleo a 100 dólares poderia jogar a inflação dos Estados Unidos,

média de 2,5% para 4%. Uma inflação de 4% nos Estados Unidos faria com que o Federal Reserve postergasse a tão esperada continuidade da queda das taxas de juros. E isso deprecia meu câmbio, que já está depreciando. Então, quando meu câmbio deprecia, bate 5,20, 5,30, isso bate em pressões inflacionárias. Isso assumindo que é um impacto não temporário, é um impacto duradouro.

E aí muda-se a narrativa ou o comunicado da ata do cupom do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil de que poderia fazer uma flexibilização da política monetária. Não estou querendo dizer que a taxa de juros vai subir, mas se por um acaso essa guerra continuar até a próxima reunião do cupom, é possível que a nossa taxa de juros não caia 0,5%.

mas cai apenas 0,25 ou cai a nada. E outra tem um problema. Sabendo que os preços vão subir, porque quando sobe petróleo, todo mundo fala, mas petróleo não tem nada a ver com isso. Não, você tem a ver. Tem a ver a camisa, tem a ver fertilizante, tem a ver alimentos, tem a ver parte petroquímica, tem um monte de coisa que afata e tem um índice de dispersão enorme quando afeta o petróleo.

fazer com que a minha inflação volte a sair do teto da meta. E a expectativa inflacionária volte a sair do teto da meta, fazendo com que o Banco Central Brasileiro não derrube a taxa de juros. Caio. E aí, Lourival, é uma estratégia inteligente. Eu queria acrescentar aqui uma preocupação, infelizmente, que é que 30% da ureia consumida no mundo

hormuz. A ureia é um ingrediente fundamental dos fertilizantes, junto com o gás natural. 20% do gás natural liquefeito passa pelo estreito de hormuz. Então, se você junta esse choque da ureia com o choque do gás, você tem uma elevação do custo dos fertilizantes, que prejudica o agronegócio, e também uma elevação do custo dos alimentos.

e todas as outras coisas da face da Terra são transportadas com o uso de petróleo. Então, nos Estados Unidos, na bomba lá, o galão da gasolina já ultrapassou a faixa psicológica, a barreira psicológica dos 3 dólares. E tudo isso tem um impacto exatamente no ponto mais nevrálgico do ponto de vista político-eleitoral do governo Trump,

que é a questão do alto custo de vida. Aliás, um dos motivos para essa guerra é exatamente que ele quer se desviar desse problema político eleitoral que ele tem, criar ali uma coesão em torno da figura dele. Não funcionou, as pesquisas mostram que só 27% dos americanos aprovam essa guerra, isso pesquisa da Reuters, 59% são contra, pesquisa da CNN.

Trump tem um problema que ele precisa resolver. É um problema para a China? É. 80% do petróleo exportado pelo Irã é importado, comprado pela China. Então, são 3,4 milhões. Então, são 2,5 milhões de barris de petróleo por dia do Irã que ia para a China. Problemão para a China. Hoje já deu instruções para o Irã. Pare com isso. Mas agora é uma questão existencial. O Irã não vai obedecer a ninguém agora. É uma questão de vida ou morte para ele.

China, justamente agora para o Dumas, que é bastante especializado na China. Tem um encontro do Trump com o Xi, já estava previsto, 31 de março, a ver se vai acontecer mesmo diante do recrudescimento da guerra. Agora, a China, a situação dela, começa a ficar mais complicada pelo cenário que o Lorival tratou aqui. Você vê a China com capacidade de pressão, seja sobre o Irã, seja sobre os Estados Unidos, seja levando a guerra como um tema

entrar nesse encontro com o Trump no final do mês? Veja, tanto a China como a Rússia, elas estão muito mais como fazendo, como a gente diz, o bystander. A China tem uma política de não interferência. Por quê? Ela é boazinha? Não, porque ela não quer que nenhum país interfira nos assuntos internos dela. É óbvio que essa guerra vai ser condenada pelos chineses, pelos russos, mas que daí a China vai entrar

algum petrolífero, não sei, isso é complicado. Agora, existe uma maneira também que você pode não passar pelo Estreito de Hormuz ou passar pelo Estreito de Hormuz e tergiversar essa venda pela Rússia. Isso pode acontecer, como aconteceu na União Europeia, que grande parte das vendas que foram para o Cazaquistão, Kirquistão, Turcumenistão, passaram por esses países,

e depois foram para a Rússia. Mas não é o caso. E, além do que, tem um problema maior ainda. Você pode buscar de outro lado. Não, veja, não é o único canal que nós estamos falando de petróleo. Nós estamos falando também do Estreito de Bab al-Madab. O Estreito de Bab al-Madab é controlado pelos terroristas rutsis do Iêmen, que são aliados do Irã, que é onde sai o Mar Vermelho, o Canal Suez.

de Baal-Baumadab, onde fica a Somália e o Iêmen, você vai dar a volta pelo Cabo da Boa Esperança. Só que quando você dá a volta pelo Cabo da Boa Esperança, que é lá para baixo da África, você gasta de 15 a 20 dias a mais. Isso, além da ureia, encarece o frete, encarece o seguro e traz mais insegurança para a economia. Não acho, só para fechar aqui, passar para vocês,

guerra vai durar quatro anos. Porque você não tem dois players. Você não tem apenas a Rússia e a Ucrânia. Você tem a Rússia, você tem a Ucrânia, você tem o Bahrein, você tem a Arábia Saudita, você tem o Qatar, você tem o Iraque, você tem o Kuwait, você tem Israel, você tem Estados Unidos. Ou seja, você tem muito player aí que está brigando. Então, eu espero que essa guerra termine. Mas agora, achar que termina em quatro semanas, também aí já é um pouco demais.

a riscagem.

arma que o Irã tem. Você teria uma guerra, só para colocar na mesa, sobre a mesa, o que mais o Irã tem, tem os elementos da guerra assimétrica e o terrorismo, digamos, Bahrein, por exemplo, a maioria da população chiita, que é a maioria da população iraniana. Então, desestabilizar o Bahrein, por exemplo, e realizar atentados terroristas.

Já houve um atentado com suspeita de ter ligação com o Irã, porque lá em Austin, no Texas, um cara matou duas pessoas e ele estava com a camisa, com referências ao Irã, camiseta, sou propriedade de Alá, ele era senegalês, naturalizado americano. Mas aparentemente um lobo solitário, não alguém já seguindo ordens do Irã.

inclusive do Hezbollah e da própria guarda revolucionária iraniana, fez atentados em Buenos Aires, matando centenas de pessoas nos anos 90, na Síria, no Líbano, em Beirute, matou um primeiro-ministro, Hariri, e pode voltar a fazer isso para desestabilizar os Estados Unidos e seus aliados.

Veja, eu.

Eu não gosto de controle de preço. Isso é uma coisa de republiqueta de banana. Você não pode controlar preço, porque isso vai acabar faltando produto ou tendo um excesso de demanda. Você controla preço, a gente precisa deixar claro o seguinte, alguém vai pagar. Se alguém vai pagar, quem que poderia ser? Se você tem a Petrobras, vamos supor, que vai controlar preço, quem vai acabar pagando não é nenhum acionista minoritário. Claro, o acionista minoritário vai pagar,

é o acionista majoritário, que é o Tesouro. Eu adoro quando me chamam de Tesouro, porque o Tesouro sou eu. Então você acaba botando essa pencha na população inteira que tem participação ou não tem participação numa empresa eventualmente com algum stake estatal ou no minoritário. Não gosto dessa maneira de... E além do que, você não sabe quanto tempo vai durar.

Muito ruim você fazer um controle de preços temporário e essa guerra demorar mais tempo e ter que abrir mão desse controle temporário, como aconteceu com o Milley. Não tem nada a ver a comparação, mas como aconteceu com o Milley, só para fazer aqui um paralelo bem estranho. Quando o preço era controlado, quando soltou, foi aquela pancada. Foi aquela pancada, a inflação bateu 25% no mês.

Então você precisa tomar cuidado por quanto tempo você vai controlar e por quanto tempo Trump acha que essa guerra vai durar. É que nem nós estamos falando, ele está achando que são quatro semanas. Quatro semanas não precisa nem usar um controle de preço, porque é um choque de oferta temporário. Choque de oferta temporário, isso o mercado está acostumado.

acaba trabalhando. Agora, se for um choque não temporário, duradouro, isso você trabalha com política monetária, não com controle de preços artificiais. Lorival, eu só queria voltar a uma questão sobre China. Tem muitos analistas, gente escrevendo ou apostando que na medida em que o Trump avançou sobre Venezuela, está avançando sobre Cuba, avançou sobre Panamá, que abriria ali um espaço

passo para a China cuidar do terreno dela e avançar sobre Taiwan. Você aposta que está aberta essa janela ou ela está se abrindo? Ela está se abrindo, já estava se abrindo, mas não sei se a China gostaria de abrir uma outra crise mundial agora. Eu entendi o raciocínio, quer dizer, os Estados Unidos estão ocupados, estão mobilizados com uma série de tarefas, de questões e a China teria essa

oportunidade, mas teria um impacto econômico. Os chineses são zelosos, eles são suscetíveis à economia mundial, porque são um celeiro de exportações, é uma economia ainda bastante dependente das exportações, cada vez menos, mas ainda bastante. Então, não seria um bom momento para a China abrir uma nova frente, uma nova crise.

Estados Unidos reagiriam à anexação de Taiwan, reagiriam militarmente. Os Estados Unidos de Trump. Os Estados Unidos de Biden, provavelmente sim. Os Estados Unidos de Trump, não sei, ninguém sabe. Mas, de qualquer maneira, acho que a China quer agora uma estabilização da situação econômica e me parece que, mesmo militarmente, a China não está pronta para enfrentar os Estados Unidos, nem sequer com os Estados Unidos

com outras frentes. Edu, mas para finalizar, sua previsão para os próximos dias em termos de economia e do impacto da guerra na economia? Uma bruta volatilidade. Você vai ver o preço do petróleo subir 5%, 10%, depois cair 5%, até saber, acho que é importante deixar claro o seguinte, não é questão de olhar o preço do petróleo, é questão de saber como andam as eleições, se é que a gente pode dizer assim,

Conselho provisório de eleição do novo Ayatollah. Quem vai liderar o Irã daqui para frente? O que está escrito? Isso é prova fundamental e crucial para saber se essa guerra vai continuar mais tempo ou se o preço do petróleo vai ultrapassar 100 dólares e afetar a economia toda.

uma guerra cirúrgica, como foi em junho de 2025. É uma guerra para derrubar o regime. Se o regime não cair, para que você atacou? Fica aquela pergunta. Então, enquanto o regime não cair, vem um ayatolá mais soft e não tão hard power, isso vai fazer continuar a guerra e o preço do petróleo mais volátil e indo para cima, Caio.

uma manchete brutal, temos um minuto, sua previsão para amanhã. Mesmo que, quer dizer, o Conselho, a Assembleia dos Espíritos está reunida, talvez já tenha escolhido o líder espiritual, vai escolher amanhã, vai anunciar, e mesmo que isso aconteça, isso não quer dizer que essa pessoa vai continuar governando, concordo que os Estados Unidos e Israel vão tentar romper esse regime

regime, então tem muita coisa para acontecer ainda. Obrigado, Lorival. Até amanhã. Roberto Dumas, professor de Economia Internacional do INSPER. Obrigado, Roberto. Bom descanso. Obrigado, Caio. Obrigado, Lorival. Um abraço. Boa noite. Boa noite. Só um aviso que amanhã o William Wack está de volta. Acabei substituindo ele aqui com a ajuda sempre, né, Lorival? Em assessoria de termos internacional, sempre que eu tenho que substituir o William em meio, principalmente, a extensionamento. Amanhã o William Wack volta e agradeço

muito a vocês por esses dois dias. O WW terminar aqui, uma boa noite e até amanhã.