Papa alerta para realidade de IA sem controle
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- Redução de jornada com IAEscala 6x1 · Jornada de trabalho · 40 horas semanais · 44 horas semanais · Sem redução de salário · Período de transição · 14 meses · 60 dias · Promulgação · Câmara dos Deputados · Senado Federal · Lula · Davi Alcolumbre · Hugo Mota · Maurício Marcon · Leonardo Prates · Luciana Amaral · Daniel Rittner · Thais Herédia · Caio Junqueira · William Waack · Eleições · Setor privado · Confederações patronais · CNI · CNA · CNC · Desoneração da folha · Encargos trabalhistas · Sistema S · Contribuição previdenciária · Terceirização · Contratos com órgãos públicos · Choque de custo · Isenções · Servidores públicos · Trabalhadores formais · Trabalhadores informais · José Pastore · Pequenas e médias empresas · Fiesp · Paulo Skaff · Varejo · Crédito consignado privado · Açaí Atacadista
Boa noite, SSNN Brasil. Este é o WW. A Igreja Católica entrou hoje no relevante debate sobre inteligência artificial com uma encíclica considerada tão importante quanto aquela que foi escrita 135 anos atrás sobre a Revolução Industrial e o emprego.
Essa encíclica faz eco aos cientistas. Ela também acha, através do Papa, que assina, que a inteligência artificial é a mais importante que a evolução tecnológica da recente história da humanidade. Mas também faz eco aos cientistas, o sumo pontífice faz eco aos cientistas, aos parecer mais crítico do que esperançoso em relação a essa grande inovação tecnológica.
Ele, o Papa, duvida que a inteligência artificial seja uma tecnologia moralmente neutra. Parece preocupado, Papa, sobre o quanto a inteligência artificial aprofunda manipulação social e vigilância em massa.
O Papa aborda a questão das fake news, controle emocional, polarização política e enfraquecimento do discernimento humano via redes sociais e sistemas de algoritmos concentrados nas mãos de poucas empresas e alguns governos, principalmente China e Estados Unidos.
O Papa faz de novo eco a cientistas e condena o uso militar de inteligência artificial, que já é considerado um dos principais riscos geopolíticos da atualidade, pois não há qualquer sinal de que alguém seja capaz de impor qualquer tipo de controle à inteligência artificial. Ao contrário.
Ela está hoje concentrada em empresas que funcionam como atores geopolíticos por si mesmas, numa espécie de lei da selva, incluindo os governos da China e dos Estados Unidos, na qual, nessa lei da selva, busca-se vantagem decisiva sobre o outro no prazo mais rápido possível. O Papa Ler está na encíclica por perigo de avanço tecnológico sem limites éticos. É para isso mesmo que nós estamos indo. E muito depressa.
Na edição de hoje falaremos ainda sobre a retomada dos ataques americanos no Irã e do avanço da PEC que acaba com a escala 6x1. Vamos aos participantes da roda hoje, estamos com o time aqui, Daniel Hitler em Brasília, Thaís Herédia e Caio Junqueira comigo em São Paulo.
Boa noite aos meus colegas. A Comissão Especial da Câmara dos Deputados lá em Brasília está apreciando agora exatamente esse ponto, o parecer sobre o fim da escala 6x1. Essa proposta prevê um período de transição de pouco mais de um ano para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. Vamos então ao vivo à Brasília com a nossa repórter Luciana Amaral. Boa noite, Luciana.
Oi, William, muito boa noite a você e a todos que nos acompanham aqui no WW, excelente semana. Olha, William, os deputados estão discutindo o assunto nesse momento, quem fala é o deputado federal Maurício Marcon, do PL do Rio Grande do Sul. Essa reunião de hoje começou já por volta de umas 5h30 da tarde.
Mais cedo, o relator Leonardo Prates leu o relatório dele em mais de três horas e meia. A tendência é que haja um pedido de vista, ou seja, mais tempo para análise do texto por parte dos deputados federais. Agora mesmo a gente está vendo um embate entre uma pessoa, um visitante, aqui na comissão com o deputado.
tentando acalmar aqui um pouco os ânimos. Bem, como eu disse, a tendência é de que haja um pedido de avista, mais tempo para análise do texto e que a votação em si, aqui no colegiado, aconteça na quarta-feira. O governo também quer que a votação aconteça no plenário na própria quarta-feira.
feira, mas isso vai depender, é claro, do tempo. Bem, o que traz então essa proposta que foi oficializada hoje? A escala de trabalho passaria de 6 por 1 para 5 por 1, portanto 5 dias de trabalho, com 2 de descanso, não necessariamente consecutivos e a preferência é que um desses dias de descanso seja no domingo. Já a jornada de trabalho...
cairia de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário. Só que essa mudança não é imediata. Quando ela passaria a valer? Tudo levaria até 14 meses para entrar em vigor depois da promulgação. E como? A proposta traz duas etapas.
A escala passaria a ser de 5 por 2 com até 42 horas semanais, 60 dias depois da promulgação da proposta. Um ano depois do fim desses 60 dias é que o máximo de 40 horas semanais entraria em vigor. A apresentação desse texto...
O fim da escala 6x1 estava prevista para acontecer na semana passada, mas justamente diante da necessidade dos ajustes, especialmente em relação ao período de transição, foi apresentado só hoje, inclusive depois de uma reunião do presidente Mula com o presidente da Câmara, Hugo Mota. E o que a gente tem visto é uma articulação muito bem azeitada entre o Palácio do Planalto...
E os deputados federais, entre mota, o resultado até agora é inclusive melhor do que o esperado pelo governo em relação à transição. Agora, o consenso é claro que as eleições ajudaram a acelerar esse processo. Isso porque os deputados e também o governo...
querem que os trabalhadores possam sentir o impacto dessas mudanças antes do primeiro turno eleitoral, antes, portanto, do início de outubro. A preocupação maior agora do governo é com a tramitação ao longo do Senado Federal. O presidente Lula, lembrando, ainda vive uma relação muito conturbada com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Mesmo assim, a previsão do governo é que, chegando lá no Senado, a PEC possa ser aprovada em 30 anos.
É uma estimativa bem otimista e isso vai depender em quanto a oposição vai insistir em emendas e se parte do texto vai ter que voltar à análise aqui da Câmara dos Deputados. Mas é isso então, a análise segue acontecendo aqui no colegiado, a gente está vendo ainda os ânimos um pouco aflorados e a perspectiva é que continue assim, viu William? Volto contigo.
Obrigado, Luciana. Os ânimos aí um pouco exaltados, como você destacou, criam um som de fundo bastante difícil, truncou um bocado a sua participação. É o que acontece quando a gente tem transmissão a vivo, televisão é assim mesmo.
Mas a gente acha que conseguiu, a nossa audiência também, captar bastante bem, digamos, as suas considerações finais, Luciana, como repórter, na qual você nos informa a rapidez com que se quer que essa matéria tramite. Obrigado, Luciana. Boa noite aí para você, em meio aos ânimos exaltados, ao trabalho do repórter mesmo.
Daniel Hittner, começando por você em Brasília. Alguns dos especialistas que se debruçaram com mais calma, coitada da Luciana no meio, evidentemente, daquela barulhada, tinha a sua própria dificuldade, mas como eu digo, isso é normal numa transmissão ao vivo. A gente não trabalha em transmissão ao vivo com ambiente estéreo e controlado. Se manifestaram horrorizados.
Em boa parte, o parecer do Léo Prats configura um ataque a vários pontos da reforma trabalhista. Acaba com a jornada 12 por 36, por exemplo, negociada individualmente. Mantém um vocabulário que se caracteriza pela expressão A lei poderá, a lei poderá. Tudo que pode, também não pode. Então, o parecer sugere uma insegurança jurídica.
cujas consequências, em última análise, caem em cima de quem? Dos trabalhadores. Esse costuma ser o resultado quando medidas do alcance social que essa medida tem, nós não estamos falando de economia. São tomadas por razões políticas mesquinhas, no caso, uma oligarquia política regional do Paraíba.
que pretende eleger alguém lá às custas dessa tramitação e, evidentemente, a medida eleitoreira do presidente da República, buscando alguma coisa que diga que o seu governo tem uma marca. Daniel.
William, essa é a bala de prata que a campanha de Lula reeleição espera que faça efeito nas urnas. Tem muita coisa, a gente passou a viver num ritmo de assim, de anão, tem uma nova BNES, tem um novo pacote, uma nova linha de crédito bilionária, um fim de taxa das blusinhas, mas tudo isso tem um efeito relativamente pequeno.
perto da bomba de votos que o Palácio do Planalto espera trair para a campanha-releição de Lula com a PEC da redução da jornada de trabalho do fim da escala 6x1. Você comentou, William, sobre a rapidez com que o governo espera que a proposta tramite. Eu acentuaria a rapidez com que o governo espera que a proposta seja implementada.
Essa é a grande novidade do dia, porque todos os sinais até agora que vinham sendo emitidos pelo relator da PEC, até pelo presidente da Câmara, que tem sido um grande aliado de ocasião para essa matéria do Palácio do Planalto, mas tudo que foi transmitido em conversas com o setor privado, e eu estou falando, por exemplo, das grandes confederações patronais, CNI, CNA, CNC,
vinha na linha de um tempo de transição na faixa de dois, três, até cinco anos e de algum tipo de compensação que o Palácio do Planalto resistia e que a Câmara acenava. Primeiros falou da desoneração da Folha.
Depois passou a se falar desse tempo de transição. Depois de alguma coisa que pudesse fazer com que a redução da jornada significasse menos horas de trabalho por semana, mas que essas horas de diferença entre as 40, que é o ponto de chegada, e as 44 de hoje, tivessem não cobrança de encargos trabalhistas, por exemplo.
Sistema S, contribuição previdenciária, etc., de modo a reduzir o impacto para o empregador. Nada disso surgiu. E o que surpreende, surpreendeu o empresariado, surpreendeu a gente que tem coberto isso sistematicamente desde o início, e surpreendeu os próprios parlamentares que vinham dialogando com o relator e com o Gumota, é que geralmente, nesses textos, você tem uma gordura para ir para o Senado.
Todo mundo quer fazer uma benesse em troca de votos. A Câmara também quer fazer, o Gumota também quer fazer, como você acabou de acentuar. Então tem que deixar alguma gordura para que os senadores possam, mais adiante, também acenar para os seus eleitores e dizer que estão votando pró-trabalhador. Essa gordura já acabou na Câmara.
Então, esse é um ponto de interrogação porque o texto já veio muito favorável ao que defendia o Palácio do Planalto, ao que vinha costurando o Gumota e não deixou nada para o Senado aperfeiçoar na linha de busca de votos. Então, o trabalho...
do ponto de vista do empresariado das confederações patronais, se complica. A gente não sabe se as ameaças são verdadeiras, se isso vai ser um choque negativo de competitividade ou não, é o discurso do empresariado, mas, a se adotar a linha do empresariado, o texto veio muito pior do que eles próprios esperavam.
Enquanto você nos informava, Daniel, foi concedida a vista coletiva essa matéria da qual estamos tratando. Ficou, então, para ser votada nessa comissão especial, que vocês estavam vendo as imagens agora há pouco com a Luciana ali, na quinta-feira 28. Se aprovado esse texto do qual estamos falando...
segue para o plenário no mesmo dia. Há uma incongruência ali, Thais, não sei se você conseguiu entender melhor do que eu consegui. Nesse parecer, que é o parecer sobre o qual a Luciana estava reportando e sobre o qual estamos falando agora, contratos em vigor na data de publicação da emenda...
cuja execução envolva emprego direto de mão de obra, essa redução será aplicada após aditamento contratual. Nós estamos falando da terceirização. Nós estamos falando do sem número de empresas privadas que fizeram contratos com órgãos públicos. E aí, como é que fica a situação delas?
Então, William, essa é uma preocupação. A gente fica trazendo aqui a posição do setor privado, mas o setor público também está muito preocupado, porque o choque de custo vai acontecer. A primeira leitura aqui é de que a saída, para não ter tanta resistência, é criar isenções. Então, vai isentar os mais ricos.
Os mais ricos, os maiores salários, vai isentar os trabalhadores que estão sob contratos de concessão do governo, vai isentar servidores públicos, vai criar ainda mais distorção. Então, quem são os elegíveis? Por quê?
que o servidor público vai ter uma isenção no mercado de trabalho em que eles são estáveis e são formais. E os formais, porque vamos combinar aqui, porque essa é uma lei que vai atender apenas os trabalhadores formais, os trabalhadores informais vão ter que se virar com o que conseguirem acertar com quem os contratar.
Vai criar ainda mais distorção. Eu lendo, William, aqui, a gente está lendo juntos aqui o que está acontecendo, eu me lembro muito de uma frase do professor José Pastore, que é a nossa fonte aqui, talvez uma das pessoas mais entendas de mercado de trabalho no Brasil. E que está horrorizado com tudo isso. Há muitos anos me disse, Thais, infelizmente no Brasil o trabalhador é um risco. Ele não é um ativo.
Ele é um risco do empregador. Lembrando que o Brasil é um país feito de pequenas e médias empresas, em que o empregador se confunde com o empregado muitas vezes. E, por esse texto, o trabalhador me parece um fator de risco e, ao mesmo tempo, refém.
de uma legislação que não vai proteger o trabalhador, pelo contrário, vai engessá-lo. Então, assim, toda a leitura de fazer a modernização, porque na modernidade o trabalhador quer trabalhar menos, quer trabalhar menos horas, quer trabalhar menos dias, beleza, mas o regramento, o arcabouço legal que está sendo criado é contra a modernização do ambiente de trabalho. Caio, vamos ao ambiente político em torno disso.
William, a chave agora é o Senado, Davi Alcolumbre. A gente sabe que a relação não existe entre ele e o presidente Lula, mas a gente sabe também que é muito difícil para os senadores colocar uma digital contrária a esse projeto. Onde que a gente pode prever alguma coisa nessa tramitação no Senado? O calendário do governo prevê, como o Daniel colocou, a implementação já a partir de 15 de setembro, mais ou menos. Se for no calendário que o governo planeja.
que seria a prova essa semana na comissão especial, talvez plenário já. Na quinta-feira, se for aprovado. Na quinta-feira vai para o Senado, talvez um mês, um mês e pouquinho de tramitação antes do recesso. Então, aprovado, promulgado, coloca 60 dias, que foi uma novidade, estava 90. Agora, hoje o relatório saiu com 60. Calcula 60 dias depois de 15 de julho, mais ou menos, a 15 de setembro. Ou seja, no calendário do governo, em princípio...
O eleitor vai para o primeiro turno no dia 4 de outubro, já sentindo na pele os efeitos dessa PEC. Agora, é claro, se a PEC vai para o Senado, tem um movimento intenso do setor produtivo. O presidente da Fiesp, Paulo Skaff, vai estar amanhã com o Davi Alcolumbre, com mais de 30 empresários, justamente. E não é nem para negociar. A tese do Skaff é parar.
É difícil, mas o movimento agora se joga todo ali para o Senado. A gente pode pensar que talvez o Senado vá aprovar, mas não com o calendário idealizado pelo Palácio do Planalto. Porque qualquer alteraçãozinha lá volta para a Câmara, aí de repente já entra ali para agosto, setembro, 60 dias fica para depois da eleição, talvez. Mas tanto no Senado quanto na Câmara o que a gente mais ouve é que ninguém vai votar contra a hora que for no plenário.
William, sabe que a gente está falando aqui muito da reação do setor industrial, mas tem um setor com quem eu conversei hoje, que é o do varejo, que emprega 9 milhões de pessoas, direto e indiretamente, e que tem atendimento diário. Um dos empresários de uma das maiores cadeias de mercados no Brasil, diz, Thais, faz meses que eu tenho 300 vagas no Brasil todo que eu não consigo preencher, porque eu não consigo encontrar.
mão de obra que queira, com carteira assinada a trabalhar. Eu já adotei a escala 5x2 na rede toda e eu tenho 300 vagas abertas. Se hoje mal consigo...
operar com 300 vagas abertas, como é que eu vou fazer tendo uma redução de jornada sem redução de salário? Então, o engessamento que essa legislação vai provocar com o impacto de custo na gestão das empresas, e aqui eu estou citando o empresário de uma grande rede, mas...
Lembrando, como eu sempre falo, que 90% das empresas no Brasil são pequenas e médias, empregam até 10 pessoas. O impacto de custo para essas empresas é isso que o governo rechaça esse impacto. Ele diz que é um drama, que é um terrorismo do setor privado. Daniel, você está me pedindo a palavra.
O que a Thais está colocando, só queria reforçar isso, demonstra claramente o risco do assodamento na discussão de propostas tão estruturantes como é o caso desta.
A gente viu no ano passado uma medida também muito vendida, não tem a mesma capacidade de impacto eleitoral que tem essa agora, mas também muito importante, que era o crédito consignado privado. E o discurso é ótimo e absolutamente razoável, tentar trocar.
crédito caro para o trabalhador por outro crédito barato. Na semana passada, o William tinha um CEO de uma grande rede de varejo, vou dar o nome aos bois aqui, porque não tem problema nenhum, o presidente da Açaí Atacadista, dizendo que...
Entre 20% e 25% dos seus empregados hoje, que estão comprometidos com crédito consignado privado, recebem ao final do mês um olerite, ou em algumas regiões, como se diz, contra-cheque, zero.
não recebem absolutamente nada, porque o salário está todo comprometido com o consignado privado e outras despesas, outras dívidas. Da mesma forma, tem gente pedindo demissão, achando que se se livra do emprego atual, não precisa mais pagar o crédito consignado e vai para a informalidade. Então, esse é o risco de termos medidas, sim, assodadas, discutidas em cima da hora. Esse é o risco de, na prática, ter um efeito que é o efeito que não se quer ter.
Por último, Caio, qual é o calendário mais provável na tua avaliação das forças políticas? Você estava nos informando agora há pouco, 15 de setembro você está achando difícil? É, 15 de setembro, considerando a indisposição do Acolumbre com o Palácio do Planalto e considerando a possibilidade do Senado poder alterar essa PEC e essa PEC retornar para a Câmara.
Eu acho um calendário muito otimista, mas, enfim, se tratando de governo, se tratando de Senado, se tratando de uma PEC com apelo popular, é possível, mas eu não acho provável. Acho provável que em algum momento, neste ano, ela seja aprovada e promulgada, mas não nesse calendário ainda pré-eleitoral. Mas isso como uma aposta, eu te respondendo intuitivamente.
Claro, nós estamos especulando sobre tudo. Vai depender tudo desse processo político daqui em diante. Pessoal, eu vou encerrando esse segmento. Queria me dividir de vocês, Daniel, Thaís, Caio. Obrigado, boa noite a meus colegas. Nós vamos para o intervalo logo depois dos Estados Unidos que tomaram ataques contra o Irã. Até já.
Pessoal, nós estamos voltando ao intervalo, é o Dado W. Conosco agora a Vitélio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense, pesquisador de Harvard. Vitélio, obrigado por estar conosco. Boa noite.
Boa noite, William. Obrigado pelo convite. Boa noite, Lourival, e a todos. E o nosso, Lourival Santana. Boa noite. Obrigado, Lourival. Os Estados Unidos atacaram há poucas horas atrás lançadores de mísseis e barcos iranianos, alegando autodefesa, enquanto negociações por um cessar-fogo permanecem com rumo qual?
Os dois países estão em passe, evidente sobre o que colocaria, pelo menos, em prática a abertura do Estreito de Hormuz. Pelo menos. Acompanhe com o repórter da CNN na Casa Branca, Kevin Liptec.
President Trump diz que talks com ele são, quote, "...proceding nicely", ele trabalha para finalizar a deal que irá acabar com a guerra. Mas, depois de um dia em que esse memorandum de entender é immanente, ele parece que as duas partes continuam a ser boggeda.
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Hoje no último motivo de que el sofortamento de sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el sofortamento no último motivo de el que no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no estróis no est
até a latera de negociación, sobre os problemas de esticierias sobre o que é a nuclear nuclear. E o que você vê sobre o último 24 horas é compreendente explanações de ambos os lados sobre o que precisamente foi concluído. Então, o U.S. diz que Iran tem concluído, em princípio, para dar o seu stockpile de highly-enriched-uranium.
O que os animais dizem que no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no points no Ele diz que
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It will only be a great deal for all or no deal at all. And he says if that is not the case, back to the battlefront and shooting, but bigger and stronger than ever before. Viteria, no meio disso tudo, vamos esquecer o palavreado do Trump. Ele só confunde a gente. Nós e o resto, né?
Vamos ver o que está acontecendo. Os americanos atacam instalações militares iranianas próximas à Bandarabás, é uma importante base aeronaval. Talvez a mais próxima que os iranianos tenham ali nesse porte, próximo ao Estrito de Hormuz. Alegam que parte desses barcos iranianos atacados estavam colocando minas de novo.
Eu só tenho o que as agências estão informando. Evidentemente, não temos condições independentes de verificar o que é verdade ou não. Mas se os ataques acontecem no mesmo momento que a delegação do Irã de alto nível desembarca em Doha, no Catar, o que nós estamos vendo acontecer? William, eu concordo que o Trump confunde mais do que informa, método de negociação dele, alegadamente um método.
Mas existe um arcabouço legal que aparentemente a Marinha dos Estados Unidos tenta seguir. Eu vou explicar.
Essa guerra começou em 28 de fevereiro. O cessar-fogo veio em 8 de abril. O cessar-fogo entre Estados Unidos e o Irã. Porque Israel e o Hezbollah continuaram a guerra, apesar do Paquistão ter afirmado que isso tinha sido negociado, que haveria um cessar-fogo ali também. O cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, e o Líbano, na verdade, porque nunca aconteceu com o Hezbollah, veio em 17 de abril. As hostilidades continuam.
As hostilidades continuaram tanto dos Estados Unidos contra o Irã, quanto entre Israel e o Líbano. Agora veja só, o Trump quando foi para essa guerra, ele usou o artigo 2º da Constituição dos Estados Unidos, que lhe confere o poder de comandante em chefe. É por isso que ele alegou que o Irã durante muitos anos ameaça os Estados Unidos, desde 1979, que o Irã estava na iminência de produzir uma arma nuclear.
Por quê? Porque existe uma ferramenta que veio lá da Guerra do Vietnã, quando a Guerra do Vietnã acaba, o Congresso passa a War Powers Resolution, uma resolução para limitar os poderes do presidente. E essa resolução tem um mecanismo de funcionamento. O presidente pode ir para a guerra numa emergência, como o Trump alega que aconteceu, só que em 48 horas ele deve enviar um relatório para o Congresso explicando a base da ação, as circunstâncias que a motivaram, o escopo da operação.
E aí ele tem 60 dias para concluir essa operação. O Trump tem alegado que o cessar-fogo lá de 8 de abril interrompeu esses 60 dias. Então todas as vezes que ocorrem esses ataques, e agora eu estava vendo a declaração do Timothy Honkis, do comandante do comando central dos Estados Unidos, portavoz.
ele disse, olha, foi uma operação defensiva, o Irã estava instalando minas navais, eram instalações de lançamento de mísseis, então é sempre na margem da lei, é sempre uma operação defensiva para continuar utilizando o artigo 2º da Constituição dos Estados Unidos e continuar utilizando essa resolução de 1973.
Existe no Congresso, eu vou finalizar com isso, um movimento para limitar os poderes do Trump. O Senado votou nesse mês uma resolução para limitar os poderes. A Câmara está barrando e o Trump pode vetar essa resolução. Mas a queda de braço aqui é pela legalidade e sempre que essas operações ocorrem, os Estados Unidos afirmam que o cessar-fogo não foi interrompido, que ele continua, porque o Trump quer continuar fazendo essas operações e pressionando o Irã. William.
Ok, mas não importa qual seja o artifício legal utilizado pelo presidente americano para levar adiante, o que ele está levando adiante, é aí que se concentra a nossa questão. O que ele está levando adiante agora? Aparentemente, pela reportagem que a gente viu do nosso colega lá da CNN Internacional,
Alguns dos principais problemas, ninguém sabe muito bem como é que eles vão ser tratados. O que é que foi acordado nesse memorando de entendimento? Está em aberto. Pelo menos não é público. Ormuz, como seria? A questão nuclear do Irã, essa é intratável há mais de 30 anos. Como é que ficaria? Enquanto isso, o Trump está preocupado com o Obama. Tudo que ele fala, ele vai se comparar com o Obama.
Bem, acho que eles não conseguiram degradar o suficiente a capacidade do Irã de bloquear o estreito de Hormuz e de atacar os aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico.
Então, foi uma tarefa não terminada dentro do prazo permitido pela lei. E o Trump sente que precisa ainda pressionar o Irã, porque senadores super importantes republicanos, como o Lindsey Graham, o Ted Cruz, o Roger Rick e outros, estão dizendo que o governo não tem mais nada. Então, vamos lá. Vamos lá. Vamos lá. Vamos lá. Vamos lá. Vamos lá. Vamos lá. Vamos lá. Vamos lá.
é que para que fizeram a guerra se estão aceitando o que o Barack Obama aceitou, fazendo um acordo como o que o Barack Obama fez e que permite ao Irã ter um programa pacífico e tal. Por que o Trump está aceitando as condições do Irã? O que o Irã?
mantém o bloqueio Strait de Hormuz, que está penalizando a economia. As próximas semanas podem surgir novas evidências desses efeitos negativos do fechamento de Strait de Hormuz e com consequências eleitorais em novembro. Então, o Trump está em um grande dilema, por isso que ele também tenta atender a Israel.
O Netanyahu fez questão hoje de bombardear intensamente o Líbano para mostrar que não vai cumprir a parte israelense do acordo. É verdade que o Hezbollah também provoca, também ataca Israel, porque também tem interesse nesse tensionamento. E aí ele vem com essa ideia absurda.
dos acordos de Abraham serem mandatórios, obrigatórios para a Arábia Saudita, Catar, Paquistão e todos os países envolvidos. Aqueles que responderam disseram, não, não quero, não vou assinar os acordos de Abraham, que foi o caso do Paquistão. Os outros nem sequer responderam de tão absurda que é essa condição. Trump não tem condições de impor isso aos países muçulmanos depois da destruição da faixa de Gaza feita por Israel, claro que causada pelos ataques.
de 7 de outubro de 2023, do Hamas. Só um parênteses para ajudar a nossa audiência, que às vezes não é tão empenhada nos detalhes como você, os acordos de Abraão supõem uma certa normalização das relações entre esses países, por você mencionar, e Israel, cuja participação exatamente nesse cestar-fogo, você mencionou agora, Lourival, é crucial.
Nós não estamos tratando de um cessar-fogo apenas ali em volta de Hormuz. Nós estamos tratando de uma relação muito mais complexa que envolve a situação no Líbano e Israel, onde os israelenses, como você disse, impuseram hoje alguns dos mais pesados bombardeios dos últimos tempos. Se a gente olha essas duas situações em conjunto, temos que vê-las em conjunto, Vitélio.
Os israelenses estão torpedeando as negociações? É uma forma muito lúcida de colocar isso, William. Na verdade, não é de agora que isso começou. Netanyahu, quando foi afirmado o primeiro cessar-fogo, lá em 8 de abril, ele se negou a cumprir aqueles termos. O Paquistão tinha divulgado os termos e o cessar-fogo incluía, sim, Israel e o Líbano. Agora veja só.
A questão do Hezbollah é muito difícil de se resolver. O Hezbollah nunca cumpriu as resoluções da ONU que limitavam a sua presença para baixo do rio Litane, que fica ali 24 quilômetros ao norte de Israel. O Hezbollah nunca cumpriu isso e o Líbano não tem, não consegue conter o Hezbollah. Nós chegamos a comentar isso aqui, que seria muito difícil fazer um cessar-fogo entre Israel e o Líbano não negociando com o Hezbollah.
de fato, tem sido difícil e não parece avançar. Tem uma observação sobre essa questão dos acordos de Abraão, que vai ser muito difícil que outros países façam parte disso, como o Lourival falou há pouco. O Trump teria uma grande vitória se a Arábia Saudita aderisse, porque, evidentemente, ela representa a grande população.
sunita na região, abriga as cidades sagradas de Meca, Medina. Os sauditas estavam se aproximando de Israel quando houve o ataque de 7 de outubro de 2023.
Agora, não é uma sinalização e nem algo fácil de se negociar, sobretudo quando os Estados Unidos não conseguem cumprir os seus objetivos nessa guerra. Nós falamos isso aqui também. Os objetivos eram de acabar com a projeção de poder do Irã. O Pete Hegset, secretário de guerra dos Estados Unidos, falou isso.
o Irã continua projetando poder, tanto com a geografia controlando a estreita de Hormuz, quanto com metade do seu estoque de mísseis com macia em forma. Então, os ataques dos Estados Unidos de Israel não cumpriram o objetivo de guerra, que era limitar o poder do Irã, pelo contrário, nesse momento o Irã continua projetando poder mais do que projetava antes, porque controla o fluxo de 20% do petróleo e afeta a economia mundial.
Esse é um bom ponto que você levantou, Viter. Entre os objetivos declarados para essa guerra, quaisquer que forem esses que já foram esquecidos, como mudança do regime, um dos principais era eliminar a capacidade de projeção de poder do Irã via arsenal de mísseis. Ao que tudo indica, isto sequer estaria sendo discutido agora, nesse memorando de entendimento.
E aí? O desmantelamento do arsenal de mísseis convencionais não aconteceu. O estoque que foi destruído está sendo reposto. O fim das relações entre o Irã e os seus próxies, Hezbollah e Houthis, principalmente.
Não aconteceu, continuam sendo usados pelo Irã como armas, como formas de negociação. Mudança de regime nem se fala. De forma sarcástica, os iranianos colocaram uma pessoa com o mesmo nome do líder espiritual anterior por ser filho dele.
E até mesmo a questão nuclear está muito mal parada. O Irã não cede o seu direito de desenvolver um programa nuclear pacífico. E a situação piorou com o bloqueio do Estreito de Hormuz. Então, a guerra, o que o Irã quer demonstrar é que a guerra foi pior para o mundo, trouxe para o mundo, o mundo para um lugar pior do que ele estava antes. E o Irã, por isso, não facilita de forma alguma.
as tentativas do Trump. Então, no fim de semana, o Trump falou assim, um acordo é iminente, o Irã. Não, um acordo não é iminente. Todas as vezes eles desmentem o Trump para dificultar a situação do Trump. Então, realmente, o Trump não tem saída, a não ser ceder para o Irã e fazer de conta que não cedeu.
Eu vou encerrar esse segmento aqui do WW. Gostaria de agradecer a você, Vitello Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense, pesquisador de Harvard pela participação. Boa noite, Vitello. Obrigado pelo convite. Boa noite a todos. O Livaldi continua junto, após o intervalo. Papa Leão 14 pede desaceleração da inteligência artificial. Até já.
O WWW está de volta do intervalo conosco agora na nossa roda de conversa o jornalista Alexandre Gonçalves. Ele está falando remoto lá dos Estados Unidos, onde ele é professor na Universidade de Illinois e Urbana Champaign. O Alexandre Gonçalves é especialista sobre o uso de inteligência artificial e os seus aspectos em comunicação, algoritmos. Obrigado por estar conosco remotamente. Boa noite, Alexandre. Boa noite, é um prazer enorme, William.
Vamos ao nosso assunto então. O Papa Leão XIV anunciou nesta segunda-feira a primeira encíclica do seu papado.
É um documento de considerável peso. Em geral, os sumo pontífices ou os sumos pontífices centram boa parte da sua atuação pastoral em cima de um texto, de um documento, muito mais de uma doutrina desse tipo. Ao que se dedicou o Papa? Ao impacto do avanço da inteligência artificial, especialmente no mercado de trabalho, mas com um foco muito forte em questões éticas.
geopolíticas. Acompanhe. A encíclica anunciada nesta segunda-feira foi assinada em 15 de maio, exatos 135 anos depois da Heron Ovarum de Leão XIII, na qual o então Papa cobrou melhores condições às classes trabalhadoras em meio à Revolução Industrial.
Leão XIV anunciou a Magnifica Humanitas ao lado de Cris Ola, cofundador da Entropic, desenvolvedora da ferramenta Cloud. O Papa cobra no documento que governos e outras organizações políticas cooperem em nível internacional para regulamentar o mercado dessas ferramentas.
Para o líder da Igreja Católica, o aumento da automação do trabalho devido ao avanço das IAs deve ser acompanhado por medidas de proteção ao emprego e requalificação, visando que tecnologias liberem tempo a capacidades humanas ao invés de gerar exclusão social e econômica.
A encíclica também alerta sobre a relação entre o uso militar da inteligência artificial e o que o Papa classifica como cultura do poder, quando a força bélica de dominação sobre o outro se sobrepõe a qualquer limite na tomada de decisões. O Papa cita a questão de armas e sistemas militares que tomam decisões contra alvos a partir de dados, não dependendo de análise humana direta, como exemplos de intensificação da desumanização da guerra por meio de IAS.
Para o pontífice, não é lícito confiar decisões letais a estes sistemas, e é preciso uma cadeia de responsabilização clara que vá de quem os projeta até quem os aplica na ponta.
Alexandre, há um debate muito mais abrangente ainda. Se a gente considerar que Silicon Valley, e eu diria o fetichismo da tecnologia, do mundo digital, é mais conhecido do ponto de vista da igreja católica, o Silicon Valley, como o lugar onde se declarou que Deus é o computador. É isso que o Papa está respondendo?
Eu acredito que sim. Num dos capítulos da encíclica, ele fala especificamente sobre duas ideologias que são muito populares em Silicon Valley, que é o transumanismo e o pós-humanismo. O transumanismo é essa utopia...
de que a tecnologia vai acelerar a nossa evolução, a evolução humana. E o pós-humanismo vai na mesma linha, que o humano em alguma medida vai ser superado. Às vezes eles utilizam essa expressão de que o carbono, que é o fundamento da vida orgânica,
ele vai ser substituído pela sílica, pelos chips, pelos computadores. E o Papa é muito crítico disso, assim como toda a tradição teológica recente da Igreja Católica. Basicamente, a encíclica inteira é o Papa dizendo...
O humano tem que estar no centro. A superação do humano, na realidade, ela não é a substituição ou o esquecimento do humano. O humano, basicamente, ele precisa florescer cada vez mais. E a inteligência artificial, não só a inteligência artificial, mas todas as tecnologias, tem que estar a serviço do humano. E não o humano sendo moldado por essas tecnologias.
O Ivan, a gente já citou aqui várias vezes uma das frases mais famosas em relação a papas, que é aquela do Stalin, quantas divisões tem um papa, ou seja, qual é a força real de um papa. Agora, no ambiente geopolítico atual, as grandes big techs estão atuando elas mesmas como agentes geopolíticos, não há controle sobre elas.
O impulso e a quantidade de investimento atrás da inteligência artificial está na mão praticamente, exclusivamente, de grandes corporações empenhadas em obter vantagens sobre seus adversários da forma mais rápida possível. Isso se aplica também aos governos, particularmente dos Estados Unidos e da China. Aí a gente repete o Stalin. Qual é o poder do Papa para parar big techs desse tipo?
Acho que nesse sentido é interessante que o Papa tenha feito a sua apresentação em inglês. Normalmente ele faria em italiano, que é a língua oficial do Vaticano, mas ele estava falando diretamente para esse público das big techs.
que estivesse perto do Christopher Ola, que é cofundador da Antropics, que, aliás, o ajudou a elaborar essa encíclica junto com outros cientistas e técnicos do assunto, sendo que a Antropics justamente tem resistido.
aos avanços do Pentágono, por exemplo, na direção de utilizar meios que, na visão da Antropics, invadem a privacidade tanto de americanos quanto de cidadãos estrangeiros. E a Antropics também que, no seu cloud, ela procurou injetar ali...
visões, por exemplo, da Declaração Universal de Direitos Humanos, uma série que elas chamam de a Constituição da Inteligência Artificial para colocar limites éticos na sua atuação. E, acima de tudo, o Mythos, que também foi desenvolvido pela Antropics, que era para ser uma inteligência artificial de alta capacidade de programação, quando ele começou voluntariamente a...
A descobrir as vulnerabilidades. As vulnerabilidades dos sistemas. Mas esse está controlado. E ela se assustou com o que o Mythos estava fazendo, não entregou para o mercado, entregou apenas para Google, Apple e Microsoft para que pudesse trabalhar nas suas vulnerabilidades, nas fragilidades dos seus sistemas. Então, o Christopher Ola realmente é uma figura interessante para colaborar. Que estava na nossa reportagem, inclusive.
Exato, é super jovem, você viu ele falando, mas ele ajudou o Papa nisso. Qual a fragilidade que eu vejo nessa encíclica? A questão do emprego. A questão do emprego dificilmente não vai seguir uma lógica econômica. Um discurso de um Papa não vai alterar a substituição.
feliz ou infelizmente, dos seres humanos, uma série de tarefas como tem acontecido ao longo da história da tecnologia. Agora, ele fez esse arco histórico, Alexandre, entre o que a Igreja tinha a dizer sobre a divinidade do trabalho humano.
Na verdade, já na saída da Revolução Industrial, a Revolução Industrial precede mais ou menos 100 anos, pelo menos as datas nos livros, a encíclica do Heras Novaro, lá atrás, do outro, do seu antecessor. Leão. É, do outro Leão. Agora, no caso, parece haver uma postura direta do Papa em relação a personagens como, por exemplo, Elon Musk.
Ele, enfim, ele não cita, me parece que ele, quando ele fala sobre as pessoas que de fato estão criando essa tecnologia agora, ele diz que há uma tendência a que o poder econômico, que meia dúzia de empresas, que o oligopólio das empresas que estão criando os modelos, eles vão tomar todas as decisões.
Então, em algum sentido, pode ser uma crítica do Elon Musk, do Sam Altman, provavelmente sim. E me parece que o Papa tem essa visão, ele sabe que o poder dele é limitado, num certo sentido. O poder da igreja, nesse caso, é o poder das ideias. Só que esse poder não é pequeno. Se a gente olha para o predecessor dele, Leão XIII...
As ideias de Leão XIII, mais tarde, vão evoluir, vão se misturar com outras correntes ideológicas, filosóficas, e elas vão ajudar a alimentar a democracia cristã, a democracia social na Europa. Então eu acredito que o Papa Leão XIV escolhe o nome dele, Leão XIV, com essa esperança, de que ele também vai ser capaz de influenciar esse debate. Porque para ele, acho que ele vê claramente que é uma hierarquia.
que você tem o poder econômico, mas que ele precisa ser controlado pelo poder político. Então é necessário que exista essa subordinação. E o poder político tem que ser informado pela visão ética, pela visão moral. E é aí que ele acha que ele pode influenciar, que ele pode ajudar. Essa força das ideias às quais o Alexandre se refere, Leorival, sempre foi a verdadeira força no caso da igreja.
Pensa, por exemplo, na atuação de papas na dissolução do Império Soviético na Europa Oriental, por exemplo. Um dos mais exemplos, um dos recentes exemplos, ou da posição da igreja, por exemplo, na luta contra a desigualdade social aqui do nosso lado. Ou das perseguições políticas à minoria, seja onde for. É a força das ideias aí no caso da igreja. Agora, a competição que a igreja estava levando da inteligência artificial é absurda, em certo sentido. As pessoas estão recorrendo à inteligência artificial.
como forma de buscar conforto religioso, com a inteligência artificial fazendo sua própria interpretação da Bíblia.
Eu acho que é muito interessante você colocar esse aspecto, William, de que há uma concorrência hoje entre Deus e a inteligência artificial, porque a inteligência artificial busca as respostas para todas as perguntas e as pessoas estão buscando essas respostas e consultando a inteligência artificial nos seus celulares, nos seus computadores o dia inteiro, sobre todas as questões. Então, ela é médica, ela é psicóloga, ela é...
namorado, ela é companheira, ela é amigo, ela é guru, ela é professor, ela é tudo. Então, agora, acho que mais profundamente ainda, quer dizer, há o problema de a humanidade se perder, a humanidade perder o protagonismo sobre sua própria vida.
existência. E aí eu acho que o papel da Igreja é fundamental. No segundo dia do papado do Leão XIV, ele já levantou a questão da inteligência artificial. Então, você também foi muito feliz ao dizer que a encíclica é algo que vai nortear o papado dele. E foi muito bem escolhido, na minha opinião, a inteligência artificial.
Eu tenho que encerrar esse segmento. Queria agradecer muito a você, nosso colega Alexandre Gonçalves. Ele leciona lá na Universidade de Illinois, a Urbana Champaign. Participou remoto aqui dos Estados Unidos no programa. Muito obrigado pela participação. Boa noite aí nos Estados Unidos, Alexandre. Muito obrigado. Boa noite para vocês também.
Lúdia Val, como sempre, muito obrigado pela sua participação aqui. Antes de encerrar, queria novamente reiterar nosso recadinho de todas as noites. É esse tema e outros temas, nós temos vários parceiros de produção de conteúdo, de análise de risco, de análise dos assuntos que a gente aborda aqui em imagem na página do WWW, no site da CNN Brasil. Vá até lá. Agora sim, essa edição fica por aqui. Obrigado e boa noite.
E aí