Xi Jinping deixa claro que China não teme Trump
William Waack
Thais Herédia
- Candidatura Flávio BolsonaroEscândalo do Banco Master · Flávio Bolsonaro · Ciro Nogueira · Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Romeu Zema · Ronaldo Caiado · Michele Bolsonaro · Tarcísio de Freitas · PT · PL · CPI do Banco Master
- Encontro Xi Jinping e TrumpArmadilha de Tucídides · Xi Jinping · Donald Trump e a NASA · China · Estados Unidos · Taiwan · Guerra tarifária · Chips de alta tecnologia · TSMC · Apple · Tesla · SpaceX · NVIDIA · Boeing · Irã · Israel
- Política de subsídios a combustíveis e cenário econômicoSubvenção à gasolina · Preço dos combustíveis · Guerra no Oriente Médio · Petrobras · Lula · Dilma Rousseff · Bolsonaro · Samuel Pessoa · Ministro do Planejamento · PEC 6x1 · Juros · Inflação
- Estratégia eleitoralEleições presidenciais · Lula · Flávio Bolsonaro · Bolsonarismo · Anti-Lula · Pesquisas eleitorais · Estratégia de campanha
Boa noite, STCNN Brasil. Este é o WW.
É bastante óbvio que a proximidade de uma figura pública com um escândalo tão tóxico como o do Banco Master envenena essa figura. Só não enxerga isso quem está completamente cego pela paixão política. Foi o que aconteceu com o senador Ciro Nogueira, uma figura de peso na oposição. E agora com o senador Flávio Bolsonaro. Até aqui, quem melhor pontuava nas pesquisas como candidato da mesma oposição.
O momento é particularmente perigoso para o grupo representado por Ciro e Flávio por conta de um sentimento muito forte no eleitorado, que é o anseio por uma mudança e não simplesmente por uma troca ou mesmo apenas o fim do atual governo. Qual a mudança de rumo sinalizada por integrantes de uma corrente política envolvida no escândalo que atinge também outras correntes, incluindo a do principal adversário? Ponto de interrogação.
Mas o momento é perigoso do ponto de vista da candidatura de Flávio, por mais um motivo ligado a esse. As pesquisas indicam um espaço enorme no eleitorado, que varia entre 30% a 40% de gente querendo uma alternativa ao eixo Lula-Bolsonaro nessas eleições.
Até aqui, os nomes que se apresentam não registram nas pesquisas uma alta densidade eleitoral, mas vários deles demonstram nos mesmos levantamentos uma grande capacidade de competição contra Lula caso cheguem a um eventual segundo turno. Não é possível, neste instante, dizer com segurança qual o grau do estrago do escândalo do Máster na candidatura de Flávio Bolsonaro.
Mas só o fato dessa pergunta surgir é uma péssima notícia para ele. Nessa edição, vamos tratar ainda de subsídios para gasolina e de Trump sendo recebido em Pequim.
aos participantes da Roda, nesse momento, quero agradecer, está lá nos estúdios da Cinelli em Brasília, o cientista político Leonardo Barreto, que é sócio da consultoria Think Policy. Leonardo, muito obrigado por estar conosco, boa noite. Eu que agradeço, boa noite. Igualmente, Brasília, Daniel Ritner, boa noite. Thais Herédia, boa noite. Caio Junqueira, boa noite.
A cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro passou horas reunida buscando uma saída para o estrago causado pelo vazamento de áudios entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio, ele é pré-candidato à presidência, admite ter pedido dinheiro para bancar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, mas nega irregularidades. De Brasília, Luciana Amaral com as últimas informações ao vivo. Boa noite, Luciana.
Oi, William, boa noite a você, boa noite a todos que nos acompanham aqui no WW. Sem dúvida, o dia mais atribulado até o momento para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Essa reunião foi convocada de emergência pouco então antes das três da tarde ali, quando saiu a matéria revelando as conversas dele com o banqueiro Daniel Vorcaro.
E durou até agora noite, viu? Pouco depois das sete horas da noite, só é que eles saíram dessa reunião na casa, que serve como quartel-general da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Agora a equipe tenta entender o estrago feito, o impacto feito, enxerga também um vazamento seletivo nessas conversas de Flávio com o Vorcaro, já que a argumentação é que o Vorcaro, na época dessas conversas, ainda era respeitado, não tinha nada contra ele.
e que ele tinha contato com todas as instâncias de poder. Bem, o negócio é que o que mais chateou, até irritou aliados do Flávio Bolsonaro foi o fato dele não ter contado nada sobre essa relação com o Daniel Vorcaro de antemão. Então, a avaliação é que todo mundo foi pego muito de surpresa, teve que reagir correndo de forma afobada e também sem uma estratégia da gestão de crise, da gestão de imagem.
de Flávio Bolsonaro, mas que Flávio Bolsonaro, então, hoje à noite, teria assegurado ali os aliados de que não tem mais nada que o condene ali, que coloque-o em maus lençóis junto a Daniel Vorcaro. Bem, agora, claro, eles tentam ver, calcular como agir. A gente já viu um primeiro vídeo do Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro.
se defendendo, dizendo que ele cobrou ali Vorcaro por um dinheiro, por um filme privado sobre a história do pai Jair Bolsonaro para uma empresa, então, privada, no caso, o Banco Master, que não teve nenhuma troca de vantagem, que não teve promessa, portanto, que não haveria nenhum cometimento de crime. A equipe dele vai tentar, é claro, buscar imprimir um tom ainda de normalidade. Por exemplo, para amanhã...
Falaram que ele deve continuar com articulações estaduais, questões de pré-campanha e que para sexta-feira ele deve ir a uma agenda pública no Rio de Janeiro. Pelo menos é o que uma parte do entorno dele prevê. Ainda não tem nada exatamente confirmado de forma oficial.
mas grande parte defende, então, que ele saia da defensiva, que ele, então, não fique acuado. Até mesmo porque a gente já vê uma direita dividida. Romeu Zema disse que esse pedido de dinheiro do Flávio para o Vorcaro é imperdoável.
criticou, caiu em cima. Ronaldo Caiado fez críticas também, de forma mais sutil, mas fez. Mas, então, o que a gente vê é que os outros pré-candidatos da direita não embarcaram com Flávio nessa história. Vale a gente só ressaltar aqui também que...
O PT já criou uma ofensiva nas redes sociais com toda essa história e parlamentares da esquerda já entraram com um pedido tanto na Polícia Federal quanto na PGR para que haja investigação e até mesmo uma prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. E nisso tudo ressurge a questão da CPI do Banco Master. Flávio voltou.
a defender a instalação de uma CPI desse tipo. Parte do PT também voltou a defender, mas um consenso interno nos bastidores é que não dá para instalar, a princípio, uma comissão parlamentar de inquérito nesse momento, tão próximo das eleições e sem um resultado visível. Tudo pode acontecer e servir de palanque eleitoral maior ainda. Volto contigo, William.
Leonardo, começando por você, qual é a avaliação preliminar que se faz do eventual possível o tamanho do estrago na candidatura, pré-candidatura de Flávio Bolsonaro?
Sendo muito objetivo, William, existe uma perspectiva de estrago muito clara, porque se o presidenciável Flávio Bolsonaro tem segurança de que não vai perder muitos votos na sua base de seguidores, na sua base de aliados, que ele conserva, herdado do pai, uma liderança do tipo carismática, ou seja, mais inflexível a esse tipo de evento.
ele pode colocar para o outro lado, a perder, aquele eleitor que ele busca para resolver a eleição, que é o eleitor moderado, que é o eleitor que pode votar tanto nele quanto em Lula, que é aquele que a gente chama de isentão muitas vezes. E esse eleitor é afastado. E aí há uma coincidência.
É muito difícil para ele, porque na pesquisa divulgada hoje da Quest, o Lula movimentou positivamente exatamente nesse público de isentões. E aí o que acontece se isso vier realmente a ser confirmado? O Flávio Bolsonaro pode cristalizar um teto, um teto alto, mas que seja insuficiente para vencer a eleição.
E isso ficar claro, por exemplo, acho que todo mundo pode lembrar, muitas vezes, eleições que Paulo Maluf disputava em São Paulo. Ele concorria, ele passava em primeiro lugar, muitas vezes, no primeiro turno, mas ele tinha um teto baixo, no segundo turno ele seria derrotado.
Então, essa perspectiva, eu acho que é a perspectiva que mais ameaça, do ponto de vista eleitoral, a ideia de viabilidade do Flávio Bolsonaro no momento em que ele está, como a própria reportagem colocou, buscando aliados, buscando palanques, buscando trazer gente para caminhar junto com ele.
Todos nós tivemos uma série de conversas, a maior parte de conversas off the record, com vários operadores políticos. Eu acho que, nesse momento, vamos fazer uma avaliação do que a gente ouviu. Como é que está sendo avaliado o estrago na candidatura de Flávio Bolsonaro naquilo que você apurou, Daniel?
William, a primeira percepção ali do entorno mais próximo, os aliados que estão mais dedicados à pré-campanha de Flávio Bolsonaro, foi muita surpresa e um sentimento de decepção, de quebra de confiança por uma questão que a Luciana Amaral já nos trouxe aqui há pouco, que é o fato de que Flávio Bolsonaro omitiu.
E mais de uma vez me relataram diversas vezes os contatos, diálogos, conexões com o Daniel Vorcaro. É óbvio que Daniel Vorcaro, em novembro, a troca de mensagens é do dia 15 de novembro, já era, nessa data, um sujeito tido como radioativo no mundo político.
E isso foi objeto de atenção na pré-campanha para saber se havia alguma conexão, inclusive por uma espécie de blindagem, de tentar criar uma vacina, de domar a narrativa ali se surgisse algum áudio, algum contato, alguma conexão, algum documento, como foi o caso justamente hoje.
E aí o que me colocaram foi o seguinte, você tem um risco muito grande em omitir ou mentir para o advogado de defesa, em mentir ou omitir para o médico. E foi isso que aconteceu. Você está doentemente para o médico, você pode enganar o médico aqui, mas você está colocando a sua própria vida em risco.
A vida de Flávio Bolsonaro como pré-candidato presidencial, na avaliação dos seus aliados, não está em risco. Não se fala, por enquanto, em uma troca de candidatura. É importante lembrar que Tarcísio de Freitas não pode mais. Já passou o prazo de desincompatibilização. Mas não se fala em um plano B. Ninguém está tratando seriamente da possibilidade de Michele Bolsonaro, por exemplo.
substituir Flávio. Mas existe um reconhecimento de que o impacto é inevitável, não só na quebra de confiança entre as pessoas, mas porque a reação do Flávio foi muito dedicada a convencer o próprio circuito bolsonarista, a própria bolha. E aí, é isso um pouco que o Léo comentava.
Tem um Flávio que tem altíssimas chances ainda de ir para o segundo turno, mas que precisa ir além do seu teto, ainda um pouco baixo, e fazer essa disputa quase que voto a voto com eleitores que são antipáticos, relativamente antipáticos aos dois lados. Não são nem bolsonaristas nem lulistas e que estão buscando ali uma opção. Caio.
Bom, William, acho que o bolsonarismo hoje foi pego um tiro muito duro, muito forte, muito intenso, um estrago grande, uma interrogação muito grande de sim sobre a viabilidade dessa candidatura até o fim, porque o Flávio Bolsonaro vai ter que arrastar esse questionamento até o primeiro turno, pelo menos, se ele mantiver a candidatura de fato.
Era uma sacudida pelas vias tortas que a candidatura precisava, porque ela vinha com um certo salto alto, com um certo imobilismo, com um certo jogando parado e assistindo ao principal adversário Lula, se mexendo muito.
e conseguindo obter resultado dessas movimentações, conforme a pesquisa mostrou hoje. O Lula conseguiu diminuir, por exemplo, a taxa de desaprovação e aprovação. Só que não era sacudida que a campanha do Flávio precisava por esses motivos. O Flávio agora tem que se explicar. As explicações até agora não são muito satisfatórias, porque elas são, até certo ponto, contraditórias. Se a gente olhar o que o Flávio Bolsonaro disse...
e que o Mário Frias, que é o produtor executivo do filme, diz, são falas contraditórias. Então, não está muito claro. Muita gente apontando também o valor desse filme. É um valor que seria muito alto para os padrões de um filme brasileiro. Tudo bem filmado nos Estados Unidos. Então, essa triangulação toda dos recursos, que vai lá para os Estados Unidos, entra num fundo, enfim. Tudo ainda carece de explicação.
Pegou a campanha de surpresa, os aliados, obviamente, já de olho nesse espólio, que não sabem ainda se vai acontecer da candidatura se inviabilizar. A posição está muito firme da campanha. Agora, muita gente dentro do campo político do bolsonarismo, querendo, já defendendo uma substituição pela Michele.
Embora a gente saiba que os três filhos não falam com a Michelle, o Flávio e a Michelle praticamente não se cumprimentaram ontem na posse do Cássio Nunes Marques no TSE. E o pai, Jair Bolsonaro, é contra a ideia da Michelle candidata. Agora, tem uma travessia para fazer, que não é uma travessia fácil o Flávio Bolsonaro nas próximas semanas diante dessa colagem dele. E o áudio é o áudio, não tem em contexto, né? É dinheiro para ele enfrentar.
Nem ele está negando. Sim. Ele está confirmando. E, assim, tem uma expectativa, ah, o PT da Bahia também, Jacques Wagner também, o Rui Costa... Pô, o Jacques Wagner e o Rui Costa não são candidatos.
O Lula é candidato. Agora, o Jacques Wagner e o Rui não são candidatos. Você tem um candidato pedindo dinheiro para o Daniel Verkart. Vamos pegar esse plano mais geral. Eu queria colocar você também nessa mesma rodada inicial, Thaís, do que você ouviu hoje a respeito de como se estima o estrago para a candidatura.
Eles têm que superar o fato de uma quebra de confiança que o Daniel trouxe aqui, de todo mundo ter sido pego de surpresa com essa informação. Ele escondeu isso do próprio chefe de campanha. Ele escondeu, e a gente ouviu a expressão, o Flávio Bolsonaro não se vacinou. Acho que o Daniel trouxe aqui exatamente esse termo. Diante de todo o escândalo, e a primeira reação do Flávio hoje, quando ele foi questionado pelo repórter do Intercept Brasil, que pegou ele numa...
saída de um evento foi negar. Isso aí é tudo mentira e tal. E aí depois vem o áudio e o áudio entrega o que ele faz. Então, eles estão tendo que lidar internamente com o que estava escondido pelo Flávio e estão tendo que lidar com...
uma quebra ainda maior entre os outros candidatos de direita, porque a gente estava tratando aqui da possibilidade de acontecer no Brasil, o que aconteceu no Chile. Você tem um primeiro turno ali com mais de um candidato do campo da direita e um sozinho do campo da esquerda, mas chega no segundo turno, todo mundo vai estar junto.
Não vai, mas todo mundo está junto, não. A reação do Romeu Zema hoje, com a gravação do vídeo, já descarta qualquer possibilidade de uma reaproximação para valer na busca de votos.
O Romeu Zema está em Nova Iorque e está participando de vários eventos. Ele promoveu um jantar exclusivo para só ele falar, agora há pouco. Conversei com algumas pessoas que estavam nesse jantar. E a surpresa foi que ele não citou o nome do Flávio Bolsonaro. E há uma percepção de que ele meio que...
Deu uma recuada na história do vídeo e uma impressão de que assustou a reação dos bolsonaristas sobre a posição dele. O que revela que essa história de que a direita estaria contra a Lula, no Brasil não parece ser esse o formato que vai caminhar. Se juntar contra a Lula. Se juntar contra a Lula, exato. O Daniel também tinha falado.
Só colocar rapidamente, William, esse ponto, a bancada do PL hoje no Congresso Nacional apontava muito para esse fato como um efeito colateral da crise hoje na pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A reação de Romeu Zema, que foi diferente da postura mais tímida contida de Ronaldo Caiado, quebrou uma ponte ali. Se muita gente falava de Zema como uma alternativa para ser vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, isso hoje...
No entendimento do PL, não existe mais, é irreversível. No entendimento que a gente tem da questão, parece, ou se diz agora isso, que essa alternativa já estava descartada um mês atrás do Zé. Mas, enfim, os políticos levam muito a sério aquele célebre ditado, você olha para as nuvens, elas estão de um jeito agora, daqui a pouco estão de outro. Então, os políticos também falam como as nuvens mudam, com muita rapidez, o que eles disseram.
Agora, eu queria ver um ponto contigo, Léo, que é o seguinte, antes da gente entrar no que seriam outras candidaturas, no que isso significa para o quadro eleitoral de forma mais ampla, em que medida que a gente tem aí ou não, tem ou não, estou deixando aberta a questão, uma brecha para outras candidaturas que até aqui a gente talvez não tenha levado muito a sério, mas a minha pergunta é a seguinte, aparentemente, Léo,
Até aqui, o comando da campanha se vê na situação de, olha, nós vamos tomar uma onda pela frente, nós vamos enfrentar uma máquina azeitada, que é a do PT, mas isso passa e a gente toca a candidatura. Isso daí é realista?
Olha, hoje não. Embora há duas semanas atrás, depois que o governo foi derrotado na indicação do Jorge Messias, muita gente boa estava dando que o governo tinha acabado. E hoje a gente está dizendo que a oposição provavelmente acabou também. Então a gente tem que tomar todos os cuidados, todas as vacinas nesse sentido.
Eu acho que uma questão que é muito importante, a gente tem que olhar, o Flávio Bolsonaro chegou numa situação de ascensão muito rápida, meteórica, e de certa maneira fechou o espaço para a direita, estimulou alguns candidatos que estavam na corrida a desistir, e hoje parece que esse jogo se abre de novo.
Se abre com limites. Eu acho que é muito importante destacar o que a Thais trouxe, porque a gente pode estar próximo de uma coisa que aconteceu por outros caminhos na Bolívia. Na Bolívia...
O Evo Morales foi impedido de ser candidato. E aí ele simplesmente disse, eleição sem Evo Morales não é eleição. E isso abriu um caminho para uma onda devastadora da direita. Dois candidatos de direita chegaram no segundo turno e o Congresso todo foi dominado pela direita.
Aqui, o que a gente olha? A gente sempre tem a família Bolsonaro segurando ali o botão da bomba atômica. E esse botão da bomba atômica é exatamente fazer a mesma coisa com o Evo Morales. Olha, vai ser o Flávio, ou então não vai ser ninguém, ou a gente não vai emprestar o nosso apoio para ninguém.
E isso cria uma condição de muito risco, inclusive para outras candidaturas e outros nomes de direita. Hoje eu acho que o Zema, talvez ele tenha se apressado um pouco, mas ele selou que se ele fosse eventualmente para um segundo turno...
ele teria dificuldade de conquistar todos os votos bolsonaristas. Então, eu acho que hoje a gente quebra um paradigma importante e a questão se vai ser o Flávio ou não é apenas uma das questões. E nesse aspecto do campo maior, a gente tem que se perguntar se o verdadeiro anti-Lula...
Já está colocado, se há espaço para a chegada de outras pessoas, não acredito que seja a Michele, porque se Flávio Bolsonaro sabia desse dinheiro, a Michele também não sabia?
ela seria questionada da mesma forma acho que vai haver uma pressão interna no PL em algum momento para que aquela história que ninguém ande para um suicídio político junto com o Flávio, se isso se caracterizar mesmo e acho que ele sim está numa condição que vai ruim, que vai mudar muita, muita, muita coisa nesse jogo que a gente está observando hoje. Deixa eu pegar esse ponto, Léo, por último pertinho, será esse segmento contigo, Caio? Obrigado.
Flávio ofereceu um contraste, provavelmente muito bem-vindo por parte de Ronaldo Caiado, cuja necessidade de marcar uma personalidade forte estava em boa medida, digamos, ofuscada pelo brilho do nome Bolsonaro. Se... estou colocando essa condicional, ok?
Se o estrago no brilho do nome Bolsonaro assume as proporções que muitos, por exemplo, nesse instante acham que assumirá, se a gente comparar com a reação do Ronaldo Caiado, ele percebeu ali a sua chance, porque a reação dele foi, o estadista sou eu.
William, não dá para pensar num campo político da direita e no anti-Lula sem o bolsonarismo. O bolsonarismo raiz, vamos supor ali, desses votos do Flávio nas pesquisas, vamos supor 45, vamos supor que metade é o bolsonarista raiz mesmo, fã do pai, fã do governo do pai, por aí vai. Qualquer outra candidatura, seja Zema, e aí está o erro do Zema hoje precipitado de já ir para cima, dizer que é um tapa na cara.
E o Caiado tem experiência política para sacar que, opa, eu não vou atacar, vou pedir esclarecimento para tentar ali não melindrar esse bolsonarismo. Agora, a gente vê o Lula retomando no movimento de uma semana para cá, mas o anti-Lula, seja ele quem for desses três ou desses quatro...
É uma força muito forte, um fenômeno político também muito intenso, se há Lula ao anti-Lula. O anti-Lula até hoje era o Flávio. Vai continuar sendo Flávio? É uma interrogação. O Flávio se inviabilizando, a gente poderia apostar, e a gente está especulando aqui também, né, William? Muito no calor do dia ainda.
A gente poderia especular de algum modo num acordo do bolsonarismo com algum candidato da direita tradicional, que seria hoje, o que tem na mesa, seria o Ronaldo Caiado. Agora, isso é um campo especulativo muito alto, porque do que a gente sabe da campanha do Flávio...
da cúpula e do próprio Flávio, é que eles não vão redar pé, não vão se abater, vão tocar adiante, vão esperar a delação do Vorcaro bater no PT e bater no Palácio do Planalto, apostar numa tese de é tudo farinha do mesmo saco e apostar nas diferenciações do caso deles. Foi uma relação privada e um pedido de dinheiro para patrocinar o filme do pai. Eles vão apostar nisso agora. Se isso vai parar de pé, é o tempo que vai dizer.
E a própria Polícia Federal, que vai avançar nessa investigação também. Bom, nós vamos encerrando essa parte da nossa cobertura hoje. Leonardo Barreto, cientista político, sócio da consultoria. Ah, você fica conosco, Leonardo, estou sabendo agora. Ótimo, perfeito. Tá bom. Obrigado, que bom ter você conosco ainda no próximo segmento. Então é isso, nós vamos para o intervalo e na volta o governo, vamos examinar o governo, editando medidas provisórias para subsidiar a gasolina até já.
Estamos de volta do intervalo WWC continuando. O governo federal anunciou nesta quarta-feira uma subvenção ao preço dos combustíveis, mais uma. Desta vez, de maneira inédita, vai direto sobre o preço da gasolina. O anúncio ocorre um dia depois da presidente da Petrobras, perdoem, ter dito que um reajuste nos preços do combustível poderia ocorrer em breve prazo. Reportagem de Danilo Moliterno, de Brasília.
A subvenção ao preço da gasolina poderá chegar a R$ 0,89 por litro. Mas no momento, o governo espera entrar apenas com cerca de metade deste valor. O subsídio será destinado aos produtores e às importadoras, visando uma reação em cadeia que freia a alta dos preços nas bombas. Esta é a primeira medida do governo para segurar os preços da gasolina desde o início da guerra no Oriente Médio, que desestabilizou o mercado global de petróleo.
Antes da guerra, a gasolina estava sendo vendida, em média, a R$ 6,28 nos postos. Hoje, está em R$ 6,65. O governo afirma que a subvenção deve custar até R$ 2 bilhões aos cofres públicos ao longo de dois meses. Porém, dado o aumento da arrecadação com a alta dos combustíveis no mercado global, o impacto fiscal deve ser neutro.
E o presidente nos determinou que o Brasil não poderia ser sócio da guerra. Então, aqui se trata, não faria sentido ter um Estado rico e uma sociedade pobre. O Palácio do Planalto quer que avance na Câmara dos Deputados um projeto que permite este uso para o bônus no orçamento. Mas o texto está travado em meio à pressão da bancada do agro, que tenta destinar estes recursos para agricultores endividados.
O presidente da casa, Hugo Mota, demonstra mais atenção a outra pauta também de interesse do governo, a PEC pelo fim da escala 6x1. Nesta quarta, o governo fechou com Mota um acordo em relação ao tema. Ficou definido que a PEC, já em tramitação na Câmara, colocará na Constituição o limite de 40 horas para a jornada de trabalho e o mínimo de dois dias de descanso semanal remunerado.
Já o projeto de lei do governo entrará em questões como negociações coletivas e outras adequações. Uma possível regra de transição poderia ser abordada no projeto, mas o governo resiste a uma implementação gradual. Quando se aprova isenção fiscal para grande empresário aqui no Parlamento Brasileiro, passa a valer no dia seguinte. Ninguém fala em transição.
Ele não está nem comparando coisas com coisas certas. A frase é tipo a própria frase, é feita de palanque, não tem pouco a ver com a realidade. Mas, enfim, é o estilo. Hoje está fácil fazer pergunta, Thais. Logo de cara, qual vai ser o estrago desse negócio de uma candidatura e esse esquema vai funcionar para a subvenção?
William, pode até funcionar, mas aqui o ponto eu acho assim, a gente tem que pensar a política pública, o Brasil está longe de ter um Estado rico e mais longe ainda de ter uma sociedade rica, como fez a frase de efeito ali o ministro do Planejamento.
O Estado brasileiro está longe de ser rico, a política pública tem que ser muito focalizada, porque a gente tem sim pessoas de baixa renda, de baixíssima renda, já sofrendo, por exemplo, com a inflação dos alimentos ou dos transportes em função dos combustíveis. Quando você faz subsídio para gasolina, você está financiando os ricos, o andar de cima, que o governo petista...
elegeu como seu inimigo, o inimigo do povo, os mais ricos do país. Ora, está subsidiando gasolina para os mais ricos e não focando a política pública para quem precisa, se for o caso, no caso brasileiro. Essa combinação entre o governo federal e a Petrobras também, além de ela não ser sustentável, você mesmo disse ontem que a Petrobras vai...
A Petrobras vai custar bilhões de reais manter o preço defasado e manter o preço diferente, mas é uma política pública que ela já nasce torta. Aliás, o PT foi muito crítico de quando o Bolsonaro fez isso em 2022, tirando o imposto da gasolina, dizendo que...
Estava pagando para isso. Hoje eu conversei com o Samuel Pessoa, ele esteve no Aragá, e ele falou uma coisa muito interessante. Ele disse assim, Thais, há dois meses, se você me perguntasse se eu acharia que o Lula vai gastar mais do que Bolsonaro em 2022, eu te diria que não. Hoje eu já não sei. E ele fez a conta para mostrar que Dilma Rousseff gastou, em 2014, mais do que Bolsonaro em 2022.
E o Lula está correndo para bater, quem sabe, o recorde da Dilma. Deixa eu passar para você agora praticamente o mesmo tipo de abordagem que a gente teve no caso, agora no primeiro segmento do programa, Léo, sobre o estrago em uma campanha, referindo estávamos nós à questão do Flávio Bolsonaro.
Qual é o estrago antecipado que o comando do PT faz sobre o impacto da guerra e da inflação na campanha do Lula? Existe essa avaliação? Há um fator aí de enorme imprevisibilidade que é a própria guerra.
Sim, exato. Olha, o Brasil hoje está a serviço do projeto da reeleição. Eu acho até difícil chamar algumas dessas coisas de políticas públicas, porque elas não têm outro objetivo que não seja segurar um determinado nível de popularidade eleitoral.
Agora, eu acho que, mesmo que o governo tenha variado positivamente para cima hoje nas pesquisas, e aí eu acho que a pesquisa teve uma contaminação de um noticiário relacionado ao Donald Trump, que foi muito positivo, e uma boa avaliação do desenrola. A pesquisa também trouxe dois dados que mostram, William,
como que a guerra e as questões estruturais que ela traz são ainda os desafios mais significativos para o Lula. Tanto na questão do aumento de preços, da percepção do aumento de preços, quanto na percepção da redução do próprio poder de compra, os indicadores negativos estão quase beirando 70%. Ou seja, as pessoas estão vendo a inflação.
Elas estão vendo a inflação sobre os alimentos e elas estão vendo o seu poder de compra diminuir. Então, essa é a questão hoje que o Lula enfrenta com esse problema do Flávio que a gente estava conversando no bloco anterior. Ele vai se dedicar, está se dedicando completamente a isso com custe o que custar. Acho que essa é a palavra de ordem que guia as políticas públicas que o governo coloca em prática.
Nós estamos falando de estratégias, Daniel, e estratégias precisam ter uma avaliação muito exata das circunstâncias. Em que medida o governo Lula está se deixando iludir por um eventual desfecho rápido da guerra no Golfo?
William, o governo está ciente de que tem vários impactos ali que são muito negativos se você pensar no timing de uma campanha. Tem uma alta que resulta dos derivados de petróleo.
que impacta preço de alimentos. Isso não chegou totalmente ainda no supermercado. O governo sabe que esse é um fator de estresse junto ao eleitorado mais pobre. Tem um outro fator ali que é uma queda da taxa de juros num ritmo muito mais contido do que qualquer pessoa imaginaria no começo do ano.
mas tem também a abertura ali de uma caixa quase infinita de bondades que antes vinha num ritmo mensal ou semanal e que passou a ser num ritmo diário praticamente. A gente teve na semana passada desenrola, esta semana passamos a ter fim da taxa de...
blusinhas, agora medida para subvencionar gasolina, já estamos falando de PEC 6x1, de desenrola para a linha de implantes, de linha de crédito de 30 bilhões de reais para motorista de aplicativo entregador. Então, existe um...
uma grande corrida por quem oferece mais. É importante dizer que a oposição também está oferecendo, a oposição também estava apresentando pedido de urgência para acabar com a mesma taxa das blusinhas. Agora, curioso hoje no Planalto, a lamentação, o comentário de que...
Puxa, escolhemos um momento tão ruim para acabar com a taxa das blusinhas e falar de mais subvenção de combustível, porque foi justo no dia do vazamento dos áudios do Flávio Bolsonaro. Ou seja, ninguém está falando de política pública. O que estão pensando é no timing da BNES e como isso vai se transformar em algum benefício eleitoral, pura e simplesmente. Só queria terminar, William, fazer uma menção rápida. Há um mês, mais ou menos, no momento em que...
tudo era ruim, tudo que se fazia no Palácio do Planalto era ruim e tudo parecia dar certo na campanha de Flávio Bolsonaro, eu dizia que você me questionava assim, qual que é a estratégia da SECOM? Qual a estratégia do Palácio do Planalto, dos marqueteiros do PT? E eu trazia um elemento aqui que eles diziam assim, não é possível, é que nem um jogo de futebol, não existe time que pressiona os 90 minutos e o outro não tem nenhuma oportunidade de sair dessa operação abafa.
em algum momento o lado contrário vai errar. Ali é até o que acontece na Copa do Mundo de Clubes. Uma hora o Botafogo se aproveita de uma desatenção do PSG e faz um gol onde a defesa adversária menos se espera.
A campanha do Flávio também tinha essa percepção de que poderia ter algum erro, mas não se imaginava que seria algo que viesse dele, mas algo que viesse, por exemplo, de uma Carla Zambelli, 2026, algo nessa linha que pudesse afetar a campanha. Desculpa, William. Não, não. É boa a sua posição que você está colocando na mesa.
porque é extraordinário quem quer ser candidato à presidência da República esconder da própria campanha um tipo de assunto como esse. Tanto é que hoje ele foi praticamente interrogado pelo pessoal da campanha, escuta aqui, tem mais?
Porque se você tem uma conduta desse tipo, querendo ser candidato à presidência da República, achando que no escândalo tóxico como esse, você pode passar incólume, realmente é uma falta de visão do processo político que a gente se assusta com quem quer ser candidato. Se ele quer ser candidato a um cargo proporcional é uma coisa, mas o cargo executivo, que é o que ele está disputando...
Outra conversa. Agora, voltando à questão do Lula. Há um horizonte aí que não é cronológico, eu acho. Que é psicológico do ponto de vista de uma campanha eleitoral. Como o Daniel vinha trazendo, essa famosa caixa de ferramentas, ele jogou um monte em cima. Elas têm um prazo de validade, inclusive, do efeito que elas produzem. Teriam sido usadas muito cedo?
Não, William, eu vejo, eu sempre falo isso aqui também, o PT, o Lula e o Palácio do Planalto atual, eles são extremamente profissionais, eles são frios, eles têm uma fórmula e uma receita de ganhar a eleição, estando no governo, estando no governo ganharam em 6, 10 e 14, estando na oposição ganharam em 2002, do Fernando Henrique, do Serra, no caso, e ganharam agora do Bolsonaro.
E essa receita eles estão seguindo a risca. O que eles fizeram foi antecipar a receita por N motivos. Porque a crise se antecipou, porque apareceu uma guerra no meio, porque o Lula 3 entrega menos que o Lula 2 e o Lula 1, porque tem uma crise de imagem, de um desgaste em relação ao lulismo, a faixa etária dele, tem um debate de etarismo e tudo mais. Eles anteciparam essa receita. Então aparece o problema, eles abrem a caixa de ferramentas e aplicam.
Fizeram isso hoje, não é a primeira medida contra os impactos da guerra, fizeram isso na questão do endividamento e vão continuar fazendo o quanto puderem, se possível, ultrapassando a Dilma em 2014, ultrapassando o Bolsonaro em 22. Porque é óbvio, eles olham o histórico e falam, fizemos isso em 5, em 5 não, porque tinham campanhas que eles eram oposição.
Mas essa fórmula dá certo no psicológico petista. E dá certo porque o resultado é que dá certo. Então, o máximo que eles puderem esticar essa corda, eles vão esticar. E aí, cuida de conta em 2027. E aí, é outra coisa. 2027 resolve em 2027.
William, só para fechar rapidamente mesmo, o mercado financeiro hoje reagiu negativamente, o dólar subiu bastante, mas o que chamou a atenção foi a reação dos juros futuros para o ano que vem, acima de 14%. Ou seja, o espaço para redução dos juros, não só em função da guerra ou da inflação aqui, ele vai diminuir e isso vai gerar custo para a Lula.
Pessoal, sou obrigado em encerrar aqui, por causa da programação que a gente tem ainda no WWI hoje. Queria agradecer muito, agora sim, agradecer muito a você, cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, pela participação aqui conosco. Boa noite, obrigado, Léo. Agradeço, boa noite, pessoal. E me despeço dos meus colegas também, Daniel, Thaís, Caio, obrigado. Boa noite a vocês, nós vamos para o intervalo. Na volta, vamos tratar da chegada de Trump na China. Até já.
WWV, voltando no intervalo, conosco agora Roberto Dumas, professor de economia chinesa do INSPER, estrategista da GCB Investimentos. Roberto, obrigado por estar conosco, boa noite. Boa noite, Lourival, boa noite, William, prazer estar com vocês. O nosso Lourival, boa noite, Lourival. Boa noite.
Donald Trump chegou à China levando uma comitiva repleta de investidores, alguns dos grandes nomes entre os CEOs americanos. Há um foco, pelo menos a partir dessa escalação, um foco econômico no encontro. E é um encontro no qual a pauta é muito ampla, supõe-se até aqui, o encontro vai começar daqui a uma hora, na verdade, por causa da diferença de horário. Supõe-se que abranja de tarifas, a compra de equipamentos americanos.
Acesso ou não à tecnologia de ponta, inteligência artificial, o que vocês quiserem. Confira. Depois de quase 10 anos, os chineses receberam Donald Trump com uma cerimônia ensaiada.
A chegada do americano marca o início de uma viagem que deve durar três dias e que será regada a negociações. Trump levou consigo uma grande comitiva. Junto dele estão Marco Rubio, secretário de Estado, Pete Hegset, da Defesa, e Scott Bassett, do Tesouro. Entre os empresários estão Tim Cook, da Apple, Elon Musk, da Tesla e SpaceX, Jensen Huang, da gigante de tecnologia NVIDIA, e Kelly Orterberg, presidente da Boeing.
Outros executivos dos setores financeiro, agrícola e energético também acompanham o presidente americano.
O perfil da delegação já dita um dos temas das conversas, o econômico. Pequim quer garantir acesso a mais chips de alta tecnologia. A Casa Branca impõe restrições contra a venda de semicondutores para o governo de Xi Jinping, temendo o avanço da China no mercado de inteligência artificial. Os dois países também avaliam formar um conselho de comércio e, com isso, cortar tarifas para bens não sensíveis, que não afetam a segurança nacional.
A lista de produtos contemplados segue sem definição, mas os dois países identificaram cerca de 30 bilhões de dólares em mercadorias que poderiam ter taxas reduzidas. Uma delas seria uma tarifa da China contra commodities agrícolas vindas dos Estados Unidos. Washington tem interesse em expandir as exportações de grãos para os chineses, que vem sofrendo desde o tarifácio de Trump no ano passado.
Além disso, os líderes querem estender a trégua na guerra tarifária do ano passado, acordada em encontro realizado em Busan, na Coreia do Sul, e que tem duração prevista de um ano. Mesmo com o tarifácio, os chineses atingiram no ano passado um superávit comercial recorde, um trilhão de dólares comercializados, especialmente para mercados como o Sudeste Asiático, África e Europa.
Roberto Dumas, a gente tem a sensação, não só pela escalação do time, com a brincadeira que a gente começou ontem aqui no WW, não só pela escalação do time do Trump, mas...
digamos, pela gravidade das relações entre a China e os Estados Unidos, que a questão econômica vai mais além do que problemas tarifários, do que para usar o trocadilho em inglês, que é ótimo, fazer os chineses comprarem Boeing and Beams, ou seja, comprar aviões da Boeing e soja, grãos de soja dos Estados Unidos, que é uma relação econômica do ponto de vista estratégico de tal maneira e simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente simplesmente
que se trataria, na verdade, do ponto de vista chinês, de ter garantias por parte dos americanos que eles não utilizariam uma tática de rompimento econômico, no caso da pressão inevitável da China sobre Taiwan.
Eu acho, William, esse é ponto absolutamente crucial. Veja, você está numa guerra, não comercial, mas numa guerra entre Irã, Estados Unidos, Israel.
e com a celeuma que envolve Taiwan, você entrar num aspecto que envolve alguma coisa como comércio. Claro que o comércio é absolutamente irrelevante, mas é preciso levar em consideração que, no momento atual geopolítico, geoeconômico...
fazer uma visita sob o aspecto, do ponto de vista econômico, não faz lá muito sentido. Por isso que isso ficou postergado. Você está num cenário, numa tensão política, geopolítica enorme. Agora, você vendo essa tensão, principalmente com Taiwan, provavelmente os Estados Unidos vão continuar utilizando a sua ambiguidade, a neutralidade ambígua.
Vão continuar vendendo armamentos para Taiwan, que era uma terra dos chineses até 1895, passou para os japoneses em 1895, ficou com os japoneses de 1895 até 1945, passou para Chiang Kai-shek e depois...
Virou aquela coisa que Xi Jinping falou que até 2027 quer Taiwan de volta. Mas os Estados Unidos têm um problema geopolítico aí. Porque se você não continuar vendendo armamentos...
Vamos pensar na parte geopolítica. Como é que a Coreia do Sul interpretaria esse rompimento de relacionamento comercial armamentista? Como é que os japoneses entenderiam? Ou seja, na hora que a gente mais precisa dos Estados Unidos, vocês vão roer corda?
Por outro lado, se você não fizer isso, você entra numa celeuma com os chineses. Então, Trump está num problema de que ele procura utilizar um balão de ensaio e uma cortina de fumaça, que obviamente é absolutamente relevante, de certa maneira, o comércio, mas que você tem um ponto importantíssimo aí, dois pontos. Um, a guerra do Irã.
Outro, Taiwan, que para 2027, Xi Jinping já falou que quer buscar Taiwan até 2027 e fazer parte da China, como aconteceu com Hong Kong lá no turmoil dos guarda-chuvas, se eu não me engano, há cinco anos atrás, mais ou menos, William. Você está citando o discurso mais citado na carreira inteira do Xi Jinping.
Curso de 2018, no qual ele apresenta a visão dele de rejuvenescimento da China, para a qual ele deveria estar preparado em 2027. E parte relevante de rejuvenescer o país é ter Taiwan de volta à China continental. Agora, Lorival...
A pressa por parte de Xi Jinping, a sensação que muitos analistas internacionais hoje nos dão é que Trump vai ao encontro de Xi Jinping numa posição consideravelmente mais vulnerável do que ele tinha até mesmo no Liberation Day, 2 de abril do ano passado.
quando ele, digamos, esgrimiu suas grandes armas tarifárias e os chineses demonstraram uma capacidade enorme de resistência e de reverter essa política.
E o dilema, eu acrescentaria a centralidade de Taiwan na questão da produção de chips. Os Estados Unidos fizeram um movimento de atrair investimentos da TSMC, a gigante taiwanesa, que fabrica 90% dos chips mais sofisticados do mundo, para instalar um campus no Arizona, em Phoenix.
Agora, esse campus, e ele vai expandir, ele não contrabalança, não compensa uma eventual perda de Taiwan para a China. Por quê? Porque a fabricação de chips altamente sofisticados, ela inclui muitas etapas de colocação, de montagem dos chips sobre os wafers, sobre substratos, de empacotamento desses chips.
empacotamento não é no sentido de embalagem, mas um por um ali, pequenininhos, empacotamentos deles. São muitas etapas e estima-se que vão levar muitos anos, se não décadas, para os Estados Unidos conseguirem trazer tudo isso para o território americano. Porque levaram décadas para Taiwan construir essa...
esse colosso que são essas usinas de fundição. E não é só a TSMC, todo o que há em torno de empresas prestadoras de serviços, cluster.
Todo esse cluster formado é muito grande, não dá para você replicar isso em poucos anos. Então, é por isso que os Estados Unidos não têm como aceitar que a China passe a controlar.
Por outro lado, de fato, o Trump está muito fragilizado pela guerra contra o Irã, pela reação da China de contrapor à questão dos minerais críticos, que foi um checkmate na estratégia comercial do Trump.
E a capacidade que a China está demonstrando de rapidamente ir acelerando a sua capacidade de fabricação de chips também sofisticados, de inteligência artificial e tal. Então, diante de tudo isso...
O Trump vai ter de ceder algo. Ele sinalizou, ele já está demorando para finalizar a venda de 13 bilhões de dólares em armas para Taiwan. E ele disse, os chineses querem que eu suspenda essas vendas, nós vamos conversar.
Por outro lado, fontes do entorno de Trump dizem que ele não vai ceder na linguagem da ambiguidade estratégica, não vai afirmar que os Estados Unidos não desejam a independência de Taiwan, vai manter a linguagem que os Estados Unidos não apoiam a independência de Taiwan, essa é a nuance.
Huberto, queria pedir desculpas a você, o Noticiário Nacional hoje, por razões que você conhece, roubou um pouco do nosso tempo. Eu tenho mais dois minutos para te fazer uma pergunta que eu sei que é ampla. E aí sou obrigado, infelizmente, a pedir uma resposta mais breve que você conseguir, que é a seguinte.
Ambos os países parecem ter transportado para a relação econômica deles os preceitos da Guerra Fria e aplicar a dissuasão através do medo que provoca no outro. Qual é o medo que a China tem hoje de medidas econômicas por parte dos Estados Unidos que a levem a se comportar de maneira mais, digamos, restrita?
Eu acho que por esse lado, pelo lado econômico, é um pouco complicado achar que a China está mais temerosa. Primeiro, a China tem os títulos públicos dos Estados Unidos. Então a gente muitas vezes fala, olha, mas ela pode vender esses títulos públicos. Sim, ela pode vender esses títulos públicos, mas o valor do título público acaba caindo. Então ela acaba perdendo dinheiro também.
Fazer negócios com o Chinese One também não é o caso, porque isso vai de encontro ao aspecto de que a moeda chinesa não é livremente conversível. Então você tem um aspecto que os chineses acabam perdendo do lado dos Estados Unidos. Pelo lado dos Estados Unidos, existe a preocupação que já existia até na época de Barack Obama, até que ponto...
Trump ou os Estados Unidos querem exercer o seu poder geopolítico no Pacific Ring. Porque se você abandona, como eu disse, Taiwan, como é que os outros podem se sentir, William?
Mais uma vez, muito obrigado e desculpe, Roberto Dumas, essa pressa famosa grade de revisão. Roberto Dumas é professor de economia chinesa do INSP, estrategista da GCB Investimentos. Boa noite, Roberto. Boa noite, Lourival. Boa noite, William. Um abraço a todos. Igualmente, Lourival. Muito obrigado aqui sempre.
www.procurem a nossa página, é sempre meu recado de final de edição. A gente tem um bocado mais de material a respeito do que vocês veem aqui na transmissão. Fica o site da www.nacnnbrasil.com.br Agora sim, estou terminando essa edição do WW. Boa noite e obrigado.