Vale tudo de Lula inclui blusinhas, crime e gasolina
William Waack
- Crime OrganizadoPrograma de Combate ao Crime Organizado · Investimento de R$ 11 bilhões · Eixos do programa: financeiro, presídios, resolução de crimes, fluxo de armas · Críticas à ingenuidade e credibilidade do plano · Preocupação eleitoral do governo
- Taxa das blusinhasAbolição da taxa de importação para compras de até US$ 50 · Motivação eleitoreira para a medida · Crítica à inconsistência do governo · Impacto no comércio e na indústria nacional
- Guerra de Poder EUA-ChinaReunião de Donald Trump com Xi Jinping em Pequim · Venda de armas americanas a Taiwan · Restrições a programas nucleares de EUA, Rússia e China · Disputa hegemônica econômica e tecnológica · Inteligência Artificial e chips
- União Europeia· InternacionalSuspensão da compra de carne bovina brasileira pela UE · Alegação de não cumprimento de exigências regulatórias · Proibição do uso de antimicrobianos para crescimento · Perda estimada de US$ 2 bilhões ao ano · Negociações e busca por reversão da decisão
- Acordo Mercosul-UEResistência de setores da agricultura europeia à entrada de produtos do Mercosul · Protecionismo europeu como fator na suspensão da carne brasileira · Acordo de livre comércio como ponto de partida para novas exigências · Comparação com exportações de outros países do Mercosul
- Preços de Combustíveis e PetróleoDecisão política de segurar o preço da gasolina · Prejuízo potencial para a Petrobras · Impacto no Tesouro Nacional
Boa noite, SSN Brasil. Este é o WW. Só tem uma coisa que é considerado muito feio na política. É perder. O resto é bobagem.
Preocupado com a possibilidade de perder as próximas eleições, o governo Lula acabou de abolir a tal taxa das blusinhas. Os tais 20% de impostos para importações até 50 dólares, que agora estarão, como era antes, zeradas em termos de taxação. Essa medida é um exemplo perfeito de que não valia nada o que o governo dizia quando impôs a tal taxa das blusinhas. Ou então, que não vale nada o que diz agora.
Não era para proteger a indústria, o emprego, a concorrência do comércio brasileiro e arrecadar mais para equilibrar as contas? Agora não precisa mais nada disso, contanto que renda alguma popularidade?
O mesmo cálculo político-eleitoreiro é o que motivou outro anúncio feito hoje por Lula, onde vai gastar muito dinheiro para combater o crime organizado. Há seis meses da eleição, esses gastos não mudam nada na situação da segurança pública, mas o que importa é poder anunciar.
Tem mais. O que o governo promete gastar nesse anúncio de hoje com segurança pública é fichinha. Perto do que a Petrobras vai perder se continuar segurando o preço da gasolina que ela compra mais caro lá fora do que vende aqui. É uma decisão política, evidentemente, para não ter aumento de preço antes da eleição. Ou seja, a estatal pode tomar um prejuízo.
O Tesouro Nacional pode arcar com mais despênios. A indústria e o comércio nacionais podem se virar. O que não se pode é perder. Isso é muito feio.
Nessa edição, vamos tratar também da União Europeia proibindo a carne brasileira, e não foi por falta de aviso. E Trump se preparando para ir à corte do imperador da China. Antes, a quem está conosco na roda nesse momento, muito obrigado a José Vicente da Silva, coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo e secretário nacional de Segurança Pública. José Vicente, obrigado por estar conosco e boa noite. Boa noite, William.
Daniel Rittenley, Brasília, Thais Herédia e Caio Junqueira comigo aqui em São Paulo. Boa noite aos meus colegas.
O governo Lula assinou hoje duas medidas exclusivamente de olho em possíveis ganhos eleitorais ou pretendidos ganhos eleitorais. A primeira é em relação à segurança pública. Instituiu um assim chamado Programa de Combate ao Crime Organizado. A segunda medida, ela acaba com a tal da taxa das blusinhas que o próprio governo tinha instaurado. A reportagem de Luciana Amaral.
O programa foi dividido em quatro eixos. O primeiro busca a afixia financeira das organizações criminosas com a criação da Força Integrada Nacional de Combate ao Crime Organizado. O segundo eixo visa enfraquecer as facções dentro dos presídios. São medidas já conhecidas, como bloqueio de sinais para comunicações ilícitas, operações para apreensão de celulares, armas e drogas.
e a capacitação de agentes, além da criação do Centro Nacional de Inteligência Penal. O terceiro eixo busca aumentar a resolução de crimes. Isso se traduz em melhorar as polícias científicas e institutos médico-legais. O último eixo visa desarticular o fluxo de armas que alimentam o crime.
O investimento é ambicioso, 11 bilhões de reais. Mas muitos dos resultados dependerão também dos entes federados. Um aporte de um bilhão virá direto do governo federal. Os 10 bilhões de reais restantes virão na forma de linhas de crédito para estados e municípios realizarem ações e comprarem equipamento. O ato de hoje é um final.
para a gente dizer ao crime organizado que eles, em pouco tempo, não serão mais donos de nenhum território. O território será devolvido ao povo brasileiro de cada cidade e de cada estado.
O discurso de combate ao topo das facções também reflete a preocupação do Planalto com o impacto dos escândalos do INSS e do Banco Master há menos de seis meses das eleições. O programa é mais uma tentativa do governo Lula de avançar na agenda da segurança pública sem ficar refém do Congresso.
O Planalto busca imprimir sua marca nessa que segue como uma das principais preocupações dos brasileiros e onde o discurso da oposição tem mais força histórica. No início da noite, Lula fez outro aceno à parcela da população. Em rápida cerimônia reservada no Planalto, fora da agenda inicial prevista, o presidente acabou com a chamada taxa das blusinhas, que havia sido sancionada por ele há menos de dois anos.
Com isso, compras importadas de até US$ 50 não terão mais imposto federal.
Deixa eu ir para o começo da reportagem da Luciana. A gente, mais tarde, vai pegar a questão das blusinhas e começando o meu pedido a você, coronel José Vicente, para elaborar sobre essa frase que nós acabamos de ouvir do presidente da República. Em pouco tempo, não serão mais donos de territórios. Ele está falando em relação ao crime organizado. Isso é realista?
Não, né William? Acho que o Lula está sem noção de tempo. Esse pouco tempo não vai ser com certeza até o fim do ano e duvido que será nos próximos 5 ou 10 anos. Na verdade, os territórios que estão conquistados pelo crime organizado, e aí é uma frente importante de trabalhar contra o crime organizado, reconquistar territórios, constitui um enorme desafio que envolve principalmente as forças policiais de cada estado.
O problema é que projetos ou planos estratégicos como esse, eles demandam uma enorme credibilidade política e normalmente costuma ser feita no início do mandato eleitivo, no mandato presidencial de outros governadores. Há menos de cinco meses da eleição, esse plano começa a pecar até pela própria credibilidade dele.
Quem lida com a questão de segurança pública, os governadores que estão às voltas com seus problemas, não dão o menor crédito para isso, a não ser aqueles governistas que aplaudem tudo que o governo faz. Mas essa é uma dura realidade, a segurança é muito mais séria que isso. Os quatro eixos que são as principais áreas de atuação estratégica desse plano.
Eles são até ingênuos. É ingênuo, por exemplo, achar que você vai combater o crime organizado melhorando o esclarecimento do homicídio. O homicídio é uma parte terciária na questão do crime organizado. Não tem tanta importância assim. Melhor seria qualificar as polistas civis para cuidarem melhor da investigação e da inteligência para os seus territórios afetados pelo crime organizado local.
Quando eles mencionam um grande eixo estratégico, uma grande preocupação em relação aos presídios também, algumas coisas são bizonhas até. Vão colocar aparelhos para dificultar o sinal de celular. Caramba, não é melhor impedir o acesso do celular nos presídios? Não consegue ainda impedir, o presídio tem apenas uma entrada de funcionário que cuida disso. E além disso, dá uma noção de que os presídios ainda comandam crime organizado fora.
Isso é uma bastante ingenuidade, embora a gente tenha grandes lideranças, como a do Vermelho, o PCC, no Presídios, na verdade, as estruturas, principalmente do PCC, elas ganharam uma enorme desenvoltura, uma operação de sistema de rede sem aquela hierarquia, se imaginar que funcionam as coisas, e, além disso, eles estão em um trabalho de grande...
compras de drogas, grandes vendas articuladas, vendas para o mundo todo, Europa, Ásia, África, Oceania, isso não é feito com um bilhetinho de liderança prisional no sistema prisional. O crime organizado é muito mais do que isso, isso mostra uma ingenuidade imensa, achando que pelo menos nós somos ingênuos para engolir essas colocações que estão no plano.
Bom, a exposição que o Zé Vicente fez, a pessoa que lida profissionalmente há muito tempo com essa questão, é demolidura em relação a esse plano apresentado hoje, Daniel. Quem o governo acha que compra isso aí?
O governo está se movimentando de acordo com as pesquisas, não só as pesquisas eleitorais, mas com o que as pesquisas apontam como principal preocupação dos eleitores. E está atacando praticamente ponto por ponto na esperança de se livrar de uma disputa absolutamente parelha e imprevisível em outubro. Impossível deixar de citar aqui duas pesquisas que me parece que balizaram muito o governo.
Primeira, já uma coisa manjada, não precisaria nem de pesquisa nenhuma, mas para citar uma da Ipsos, que é muito interessante porque vai no mundo todo, em mais de 180 países, e pergunta em cada país qual é a principal preocupação da população, no mundo todo, em média, a maior preocupação é com a inflação, é com a carestia, é com o preço das coisas, principalmente de alimentos.
No caso do Brasil, a maior preocupação da população, 47%, é crime e violência, ou seja, segurança pública. E você teve também uma outra pesquisa, Datas Intel, em março, que apontou, quando se pergunta para os respondentes qual é o maior erro da administração Lula, deste terceiro mandato, 62% apontam a taxa das buzinhas. Nenhum outro fator aparece tão forte.
É por isso que um governo que celebrou o jabuti em 2024, que introduziu a taxação de 20% alíquota sobre compras de importados em sites estrangeiros, celebra agora a revogação.
Fernanda Haddad, ministro da Fazenda na época, celebrou a medida aprovada pelo Congresso como um gesto que deveria ser comemorado pela sociedade. Geraldo Alckmin várias vezes disse que ela favorecia a indústria nacional. A oposição percebeu que aí tinha um flanco.
O Gustavo Geyer, que é líder da minoria na Câmara, juntou quase 400 assinaturas para pedir urgência para um projeto de lei apresentado pelo PL, que também derrubava a taxa das blusinhas. Então tem uma corrida maluca para ver quem que chega primeiro na satisfação ao eleitor.
O governo agiu antes, muito por força da ala política do Palácio do Planalto e do marqueteiro Sidônio Palmeira. A questão é que tantas medidas empacotadas em curto período de tempo às vésperas das eleições, parece que dificilmente vão se materializar em intenção de voto. Eu insisto muito na tese de que com 40 anos de eleições presidenciais diretas, o eleitor vai aprendendo que chega nessa época tem muita bondade.
Então, a análise acaba não sendo tão direta assim de medidas tomadas, votos entregues. Bom, o Daniel está colocando os dois termos em perspectiva. Vamos seguir a trilha que o Daniel está dizendo e analisar isso do ponto de vista do marketing. Que diabo de marketing é esse, então? Acho que a partir desses anúncios todos, se a gente colocar desenrola, seis para um, mas principalmente os dois de hoje, o que o marqueteiro Sidonio tenta...
dar elementos para o governo conseguir levar um debate adiante. Então, se o governo Lula, na campanha, vai ser bombardeado com acusações de que nada fez pela segurança pública, e nada fez mesmo, tanto que está fazendo agora, no final do governo.
ele pode, a partir do que foi apresentado hoje, falar, olha, chegou no final, eu tentei a PEC da segurança, os governadores de oposição não quiseram, lancei um pacote ali, que depende da adesão dos governadores, que também não quer. Então, na verdade, não é um plano de segurança que visa, de fato, num curto ou médio prazo, melhorar a segurança. Visa melhorar.
a impopularidade do presidente e visa dar argumentos eleitorais para ele num debate público com os adversários, que têm um desempenho melhor nessa área, segundo as pesquisas, dar elementos para o Lula conseguir tentar debater. E a taxa das blusinhas, eu acho que tem um efeito um pouco distinto, porque a taxa das blusinhas tem um efeito imediato, amanhã.
Saiu agora a edição especial do Diário Oficial da União. A partir de agora, pode correr, quem quiser comprar, já pode aproveitar. A partir de 13 de maio, a partir de manhã. Ok, mas a edição especial sai agora. Então, ela é diferente, porque a taxa da blusinha você já tem um efeito imediato no bolso a partir de amanhã, para quem quiser comprar.
Muito embora você tenha um debate, você errou lá atrás, você foi alertado que era um erro, vocês bateram pé, principalmente o ministro Fernando Haddad, colocando ali diversos, era toda uma elucubração dogmática para justificar a medida que não durou dois anos. Então, ela também municia a oposição, mas não deixa de ser também um reconhecimento de erro e uma correção de rumo. É isso. William, as importações...
As importações... É resistível, desculpa. Não, eu faço compra de roupa brasileira. As importações desses pequenos valores, com essas encomendas internacionais, subiram 25% nesse começo de ano.
Então, houve sim uma queda, especialmente em 2024, e em 2025 os brasileiros voltaram às compras. Então, sim, a taxa da blusinha pega, mas não é só a taxa de importação, muitos estados também aumentaram o seu ICMS sobre essa importação, então acabou ficando mais caro. Dependendo do produto, ainda valia a pena comprar fora, ainda mais vindo da China.
Os empresários fazem um contraponto da questão do custo Brasil, mas para isso o governo nunca dá bola, né? Porque assim, quando eles falam da competitividade, do custo Brasil, da China não produzir da mesma forma como eles produzem aqui, o problema que está colocado é um problema brasileiro.
Mas este governo Lula, os governos Lulas do passado não resolveram isso, pelo contrário, este Lula 3 foi aquele que aumentou a carga tributária, não reduziu a carga tributária. Ah, fez justiça tributária? Fez, cobrando, equilibrando, melhorando a regressividade, não vou nem dizer melhorando a progressividade, vou falar melhorando a regressividade das medidas. Mas isso não, pelo contrário, aumentou a carga tributária no Brasil.
A leitura de hoje foi que, assim, é o desespero, porque em um único dia o governo lança esse pacote anticrime com apenas um bilhão de reais do orçamento federal. Os outros 10 bilhões, se os governadores quiserem tomar no BNDES, um bilhão de reais no orçamento. E logo em seguida, taxas da blusinha, sem anúncio, sem nada, de repente a gente descobriu que eles estavam ao vivo.
apresentando alguma coisa. Então, é uma leitura de desespero político à véspera da eleição. José Vicente, se a gente olhar um pouquinho de perspectiva, com quais armas, eventualmente, na sua avaliação, esse governo pode ir à campanha eleitoral defender o quê da atuação dele em relação ao crime organizado? Absolutamente nada ou há algo por parte do governo a ser defendido eventualmente?
Ele não tem praticamente nada, William. A Thais lembrou que o pequeno montante que ele quer aplicar, um bilhão de reais, os estudos apontam que o custo da violência no Brasil é de 2,5 bilhões por dia.
praticamente um trilhão por ano, custos da violência. Claro que aí estão amontoados os custos de sistema prisional, justiça criminal, polícia, etc. Mas nós temos uma taxa que é praticamente o dobro de países decentes em relação ao enorme custo que a violência tem no país. Então, as soluções que ele quer apontar da Polícia Federal tentando fazer uma integração com os Estados, isso vem sendo tentado há três anos já, desde...
e os resultados palpáveis não existem. O que está acontecendo hoje, vão acontecer uma série de operações, e a polícia muitas vezes, infelizmente, se presta a isso, operações também para fazer mídia de algum tipo de apoio ao governo.
Mas, na verdade, os resultados não vão aparecer. O Caio mencionou bem, a blusinha amanhã você vai observar o efeito. Mas o amanhã da segurança pública é um longo prazo muito suprido. E a população paga o preço por isso. Mas é importante também mencionar aqui...
que não é só crime organizado que o país tem. As aflições que estão aí levando a população a se sentir insegura, reclamar da violência, reclamar das suas estruturas policiais, elas também têm uma outra questão. São quase dois universos paralelos que se tocam um pouco, claro. Mais de 3 milhões de crimes registrados no ano passado, não só no estado de São Paulo.
o Sistema Inteligente da PM, pelo menos um chefe do Centro Inteligente, falou que o Cribo Organizado tem uma participação de três...
de crimes. Quem está assaltando ali na esquina, tomando seu celular, a aliança, o carro, a bicicleta, raramente está vinculado ao crime organizado. Então, esse crime desorganizado também constitui uma enorme demanda dos governantes, dos legisladores. Um caso que eu gosto de ilustrar com frequência demasiada, um jovem de 20 anos chamado Patrick, lá do Rio de Janeiro, foi preso 83 vezes.
Não por ter meramente suspeito, foi preso 86 vezes em flagrante roubando o furtão. Esse é um típico exemplo de questões que estão longe de crime organizado, mas são partes da preocupação que a população em relação ao medo de sair das ruas, de sair à noite, o medo da sua família, da sua casa.
José Vicente, nós estamos encerrando esse segmento. Queria agradecer a você, José Vicente da Silva, coronel reformado da PM de São Paulo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, a participação aqui no WW. Mais uma vez, obrigado. Boa noite, José Vicente. Boa noite, William. Daniel, Thaís, Caio, a gente continua juntos, vamos para o intervalo. Depois tem mais assuntos, entre eles, União Europeia veta a importação de carne bovina do Brasil a partir de setembro. Até já.
O WWW, nós estamos voltando do intervalo. Conosco agora aqui a bordo, Lourival Santana. Bem-vindo. Obrigado.
O setor de proteína animal está estimando perdas ali na área de 2 bilhões de dólares ao ano sem poder vender para a União Europeia. Esse bloco comercial decidiu suspender a compra da carne bovina brasileira a partir de setembro. A alegação é que o Brasil não estaria cumprindo exigências regulatórias. Confira.
A decisão veio de um comitê técnico da Comissão Europeia. O grupo aprovou uma atualização da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco e deixou de fora o Brasil, o maior exportador de proteína animal do mundo.
Os europeus proíbem o uso de antimicrobianos, que são antibióticos, para promover o crescimento ou aumentar a produtividade em animais destinados à alimentação. E o Brasil, segundo o comitê, não apresentou garantias suficientes de que segue essa regulação. Assim, as exportações brasileiras...
qualquer tipo de carne ou produto animal serão suspensas a partir de 3 de setembro. Até lá, a decisão pode ser revertida, desde que o país apresente evidências de que segue as regras de Bruxelas. Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal informou que o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos.
O Ministério da Agricultura ressaltou que até setembro o fluxo de exportações segue normalmente e que haverá uma reunião nesta quarta-feira entre a delegação do Brasil junto à União Europeia e autoridades sanitárias do bloco. Nós trabalharemos com muita serenidade, baseado em ciência, apresentando as garantias, mostrando que o Brasil é esse fornecedor confiável, estável, seguro, tanto que exporta para a União Europeia há mais de 40 anos.
A suspensão das exportações brasileiras acontece logo após a redução e até mesmo o fim de tarifas de importação em cotas para determinados cortes de carne, como resultado do acordo de livre comércio com o Mercosul.
A União Europeia é o segundo maior destino da proteína animal brasileira, só atrás da China. No ano passado, foi responsável pelo comércio de US$ 1,8 bilhão. Outros países do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Paraguai, estão com exportações de carne autorizadas para a Europa.
Lourival, inclusive, logo após a sua intervenção, vamos passar a palavra ao Caio, que tem um texto dizendo que não foi por falta de aviso. Essas negociações a respeito do padrão fitossanitário vêm de longe, pelo menos três anos que aconteceu. Exatamente. Veja, o final dessa reportagem...
Traz essa informação, Paraguai, Uruguai, Argentina, que somados em alguns tipos de carnes, exportam mais do que o Brasil para a União Europeia, em outros tipos de carne é o Brasil que exporta mais, mas as carnes mais nobres, de maior valor agregado, que são consumidas diretamente pelos europeus e não processadas, ou seja, são carnes que têm uma alta...
um alto valor não só em termos econômicos, mas em termos de consumo, em termos simbólicos também para a saúde dos europeus, não sofreram esse tipo de suspensão de licença. Então, não adianta culpar os europeus, o protecionismo europeu apenas. Existe o protecionismo europeu?
europeu, existe. Agora, cabe aos brasileiros fazer a tarefa de casa para não dar pretextos aos europeus, que nesse caso, claramente, estão seguindo uma regra, uma regra europeia que o Brasil não conseguiu provar.
que segue. Então, agora é correr atrás do prejuízo. E é um alerta. E, aliás, não é só sobre as carnes, né? São pescado, são mel, uma série de alimentos, ovo, frango, ou seja. Então, isso vai acontecer direto agora, porque é claro que as lentes, as lupas europeias, vão estar sobre esses produtos agora que muitos deles entram com tarifa zero. Então, ou o Brasil.
se organiza para exportar para esse, que é o segundo maior comprador de carnes e outros alimentos do mundo, depois da China, ou nós vamos ver esse problema frequentemente. O que está por detrás, Caio? No teu texto você disse, por exemplo, os europeus acabaram unindo dois interesses, o protecionista e as questões situacionitárias. Isso, a resposta para a explicação do embargo mais fácil é o acordo União Europeia-Mercosul.
quando conversa com o setor, quando conversa com o governo, é a resposta mais fácil, óbvia, está prestes a implementar, a gente sabe da resistência de setores da agricultura, principalmente França, Polônia, contra a entrada dos nossos produtos na Europa. Então, isso é fácil falar e tem a ver, é factível e é real. Há uma resistência ao protecionismo, como o Lourival estava dizendo. Mas, conversando com o setor, principalmente, também com parte do governo, no dia 13 de junho, tem data isso, 13 de junho.
de 2023, o Conselho Europeu soltou um comunicado dizendo ali do protocolo para o combate a essas bactérias, a essas medidas, esse novo protocolo fitossanitário.
E desde então o Brasil vem negociando, desde 13 de junho de 2023. Nós estamos em maio de 2026 e o Brasil não conseguiu convencer os europeus a flexibilizar essas regras em relação à nossa proteína.
E aí, muita gente do setor atribui parte deste embargo justamente ao fracasso dessas negociações conduzidas pelo Brasil com os europeus há três anos. Uma informação, amanhã o secretário de Relações Internacionais, o Luiz Ruoc, que estava falando ali, vai se encontrar com a embaixadora.
da União Europeia em Brasília e em Bruxelas o nosso embaixador junto à União Europeia vai se reunir com a entidade sanitária lá para tentar reverter essa decisão. O que aconteceu nessas negociações da União?
William, as negociações para valer começam a partir de amanhã, como o Caio acabou de relatar. Eu também hoje, conversando reservadamente com frigoríficos, eles veem uma combinação, combinação de protecionismo com algumas atrapalhadas, vacilos da defesa agropecuária, da sanidade animal do Ministério da Agricultura e um vacilo documental.
transmissão de documentos, de dados, de prestação de contas para a certificação europeia. Nesse momento, algumas pessoas lembram, por exemplo, Pedro Lupion, deputado que preside a Frente Parlamentar da Agropecuária e culpa o protecionismo europeu, é preciso lembrar nessa parte que não podemos oferecer de bandeja, como disse o Lorival,
qualquer pretexto que possa acionar, possa oferecer um gatilho para o protecionismo europeu. Agora, esse protecionismo também parece existir. A gente lembra, há meses atrás, a gente teve produtores rurais no centro de Bruxelas tacando fogo.
literalmente ali, em praças do centro de Bruxelas, para o Parlamento Europeu oferecer algum tipo de resposta ao acordo. A Comissão Europeia resolveu bancar o risco, fazer a implementação provisória na linha contrária, estou me referindo ao acordo de Comércio Mercosul e União Europeia, na linha contrária do Parlamento Europeu, que mandou o caso para a Corte Europeia de Justiça.
Não dá para ignorar o protecionismo europeu contra uma invasão de produtos brasileiros que é muito baixa. Não se pode, aliás, falar em invasão se a gente computa.
Todo o volume de carnes do Mercosul que vão entrar com tarifa zero por meio de cotas no mercado europeu dá em um ano inteiro o equivalente a um hambúrguer por habitante da União Europeia. É muito pouco, mas a reação está forte. Então, há também um entendimento paralelo de que...
Existe vacilo documental por parte da Defesa Agropecuária do Brasil, mas existe uma pressão protecionista muito alta. Agora, o que se antecipa em termos de prejuízos?
William, tem várias contas, tem contas aí que chegam a 2 bilhões de dólares se juntar a todos os setores, e a carne bovina certamente é o que tem maior peso, é praticamente a metade disso. Agora, hoje eu ouvi, agora há pouco, de um executivo grande aí do...
do setor agro e pecuário especificamente, bem-vindo ao novo mundo. Se a gente achava que o fato do acordo ter sido assinado, deles terem conseguido de alguma forma colocar um acordo de pé, independentemente da resistência política da França, por exemplo, ou da Polônia, ou da Holanda, e essa contenda judicial que ainda vai acontecer, mas que a vitória da diplomacia, de alguma forma, tinha conseguido botar um acordo de pé.
e que daí estaria dada uma relação em que as cobranças iriam diminuir, tem gente já achando que as cobranças vão aumentar. A realidade do protecionismo, ela está dada. Ela não vai mudar de uma hora para a outra, porque assinou-se um acordo com o Mercosul.
ela vai aumentar. Então, é assim, bem-vindo ao novo mundo em que a gente não pode presumir que o fato da vitória do acordo, e o Daniel acaba de citar aqui como as cotas reduziram muito a possibilidade da entrada de carnes do Mercosul sem tarifa na Europa, ele já tinha trazido essa conta aqui de um hambúrguer por pessoa. Então, é assim, o setor não deve achar...
que vai ser um passeio no parque, muito menos o governo brasileiro. Não pode achar que ficar tirando foto com assinatura de papel vai resolver a animosidade, não vai. O que a Thais está dizendo, Lourival, é que na visão mais abrangente da questão, o tratado de livre comércio entre os dois blocos não significa que os problemas estão superados.
Exato. E, na verdade, acordos de livre comércio são um ponto de partida e não um ponto de chegada. A partir daí é que você começa a construir uma nova etapa de uma parceria comercial que é muito mais exigente. Exatamente, porque o mercado se abriu, ou pelo menos não escancarou a porta, mas pelo menos abriu uma brecha maior.
para a entrada dos produtos. E eu insisto, Uruguai, Paraguai, Argentina continuam exportando. Se eles quisessem, numa canetada de forma arbitrária, fechar a entrada desses produtos, eles fariam isso.
de forma linear contra o Mercosul inteiro. Não é o caso. Existe uma especificidade, existe uma falha do Brasil nessa questão. Então, é preciso usar isso como um alerta de que o Brasil vai ter que ser muito mais exigente, cauteloso. Claro, existem questões na agropecuária tropical que não podem ter os mesmos padrões da agropecuária.
do clima temperado. Então, o Brasil tem de ser capaz de comprovar cientificamente, de forma incontestável, que esses produtos que são usados nos nossos produtos alimentícios, eles não representam nenhum tipo de...
risco para a saúde dos europeus. Se não conseguir provar isso, vai ter que ser capaz, então, de ter muito claro um nicho de produção, como é feito, por exemplo, para carne halal, que a gente se organizou muito bem, com muito sucesso, para fornecer para o mundo árabe e muçulmano. Da mesma forma, a gente tem que estar muito bem organizado.
O Daniel estava citando, por exemplo, uma das figuras de projeção política ligadas ao agro, que é do deputado Lupion. A frente parlamentar da FPA tem um alto nível de profissionalismo. O Brasil é um grande exportador de grãos e proteínas, ou seja, nós estamos nessa competição internacional pelo menos nos últimos 20, 25 anos. E como é que acontece isso?
William, acho que eles caminham em vias paralelas, muito embora hoje eu senti que tem um cuidado muito grande para ninguém sair acusando os europeus de protecionismo meramente. Isso off the records, obviamente. On the records é vamos ver, vamos atuar. A Confederação Nacional da Agricultura, por exemplo, vai protocolar um documento.
Acho que amanhã ou até o final da semana na União Europeia também. Paralelamente à movimentação do próprio governo junto com a diplomacia europeia. Isso caminha juntos. Agora, olhando o panorama, eu senti hoje que eles atribuem a uma falha mesmo, mais falha do que protecionismo.
do governo brasileiro e não conseguir negociar esses pontos, como o Lourival está colocando e a gente está colocando diretamente com os europeus. Porque por que países vizinhos não entraram nessa lista? Por outro lado, eles veem brechas também, porque a lista que foi publicada dos países...
Ela precisa ser publicada quase que num diário oficial. Você tem a lista dos países que ela não foi publicada, vamos dizendo que seria o diário oficial europeu, sei lá. Algo nessa linha. Então, tanto o setor privado quanto o governo estão vendo uma brecha ali para negociar, sem falar que o prazo ajuda também. A gente tem aí três meses de negociação e o governo e o setor privado indo para cima para tentar reverter.
Daniel, desculpa, talvez você não. Rapidamente, o Ministério da Agricultura já havia proibido algumas dessas substâncias que a União Europeia está acusando o Brasil de usar, que são substâncias, algo parecido com antibiótico, mas muita coisa também que faz a carne crescer artificialmente.
Exatamente, então algumas dessas substâncias já tinham sido banidas, mas aí que está, eu não sei o quanto o Ministério da Agricultura acabou deixando de comprovar o controle da não entrada e da não utilização dessas substâncias.
Eles falam muito, a gente ouve muito do setor e do governo que a União Europeia tem uma exigência. Daí o Brasil cumpre, os países cumprem, vem uma nova exigência. Depois vai tendo outra exigência. Porque a gente estava falando, vai piorar. E dificulta esse processo de negociação também. Daniel, para encerrar.
Tem uma contradição, pelo menos uma aparente contradição. O governo brasileiro tem se vangloriado muito nos últimos anos e apresentado como um trunfo, junto ao agronegócio, a abertura de mercados. O Ministério da Agricultura diz que já são mais de 500 mercados abertos.
E aí o agro brasileiro se ressente muito de que essa contabilidade, na verdade, inclui ali a abertura de um produto para o Togo, na África, para Bangladesh, na Ásia Central, para um mercado pouco relevante do Caribe, de vez em quando. E aí, três mercados absolutamente relevantes para a carne brasileira, União Europeia, a gente tem esse revés, a China.
impôs salvaguardas muito rigorosas que diminuem as exportações brasileiras e que a gente já chegou agora em maio a metade da cota permitida e a gente não está conseguindo abrir o mercado da Coreia do Sul, em que o presidente Lula esteve recentemente e prometia abrir.
Daniel, me despeço inicialmente de você. Obrigado, Daniel. Boa noite. Igualmente, Thais, querida. Boa noite, Caio. Também, Lourival, a gente continua junto. Estamos com o intervalo e depois é Donald Trump embarcando para a China. Até já.
Pessoal, o WWV voltou do intervalo. Conosco agora é Vitello Brustolin, pesquisador de Harvard, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense. Vitello, obrigado por estar conosco. Boa noite. Boa noite, William. Lourival, boa noite a todos. O presidente americano, Donald Trump, está sendo esperado em Pequim nesta quarta-feira. São dois dias de se prever de reuniões com o presidente da China, Xi Jinping.
É ampla a pauta, são bastantes temas que potencialmente serão tratados. Isso vai da competição, ou melhor dito, das tentativas de bloquear a China de acesso aos chips mais modernos, passa pelo monopólio chinês de terras raras, chega às questões de equilíbrio nuclear, fora as questões comerciais e, evidentemente, a guerra no Irã. Confira.
O envio de armas americanas a Taiwan é um dos pontos que devem opor Donald Trump e Xi Jinping. Em dezembro, os Estados Unidos anunciaram a venda de 11 bilhões de dólares em sistemas de defesa, veículos blindados e outros equipamentos a Taiwan. Foi a maior transação militar americana à ilha, que Pequim considera parte inseparável do território chinês.
Washington reconhece o governo de Pequim como representante legítimo da China desde o final da década de 70, mas continua liberando armas e equipamentos que serviriam à defesa da ilha no caso de uma hipotética ação militar chinesa. Xi Jinping também deve abordar com Trump preocupações em relação ao governo de Sanai Takaishi, no Japão. A primeira-ministra já disse que uma eventual operação de Pequim contra Taiwan poderia exigir uma resposta japonesa.
Em abril, um navio de guerra japonês transitou pelo Estreito de Taiwan. Dias depois, a China deslocou um porta-aviões para o local, enquanto um grupo de navios de guerra chinesa atravessou águas entre ilhas japonesas. Trump também quer trazer Xi Jinping para um acordo, junto com a Rússia, que leve a restrições sobre os programas nucleares dos três países.
Em fevereiro, expirou o último Tratado Nuclear em vigor entre russos e americanos, que limitava a quantidade de ogivas disponíveis para uso imediato entre os dois países a 1.500 por cada lado. Pequim rejeita ser equiparada aos poderios nucleares de Washington e Moscou. Entre ogivas implantadas e na reserva, Estados Unidos e Rússia mantêm estoques ao redor de 4 mil ogivas cada um. A China é o país que mais vem crescendo seu estoque de ogivas nos últimos anos.
mas ainda ronda a casa das 600. Vitélio, se a escalação, desculpe a analogia do futebol, pode ser rasteira a especialistas como vocês. Se a escalação de um time sugere como é que ele vai jogar, a escalação do time de Trump tem como capitão e principal figura o secretário do Tesouro.
E não o secretário de Segurança Nacional e de Estado, que é a mesma figura no caso, Marco Rubio. Kissinger foi essa mesma figura lá atrás, na famosa abertura para a China nos anos 70 de Richard Nixon. O que essa escalação indica para você?
Olha, William, eu vou citar aqui o Peloponneso, que eu sei que você referencia com frequência, porque nós estamos vendo uma disputa hegemônica evidente. Atenas olhando para Esparta e Esparta percebendo que Atenas cresce demais e que as próximas gerações serão provavelmente derrotadas pela quantidade de atenenses.
e também pelo crescimento comercial, já que Esparta era bastante limitada nas suas atividades. Os Estados Unidos, nesse momento, travam uma disputa hegemônica ainda econômica com a China.
O Xi Jinping acabou de fazer um expurgo com os seus generais, isso provavelmente jogou para trás os planos da China de ter um exército de nível global até 2035, e ao mesmo tempo os Estados Unidos acabaram de usar boa parte do seu arsenal de Tomahawk, de Patriots, de mísseis importantes no contexto do Irã.
Então, os dois países nesse momento não estão em condições de se enfrentar militarmente e aquela frase do Xi Jinping de que poderia resolver a questão de Itaí um até 2027, ou seja, até o próximo ano,
é vista hoje como uma frase mais diplomática de tentar cercar Taiwan e de tentar forçar Taiwan a negociar. Mas nesse momento de guerra comercial, a disputa econômica é mais importante e é mais premente para o governo dos Estados Unidos e para o governo chinês, William. Vamos prosseguir na analogia, Lourival. O WW no seu momento é bancada da bola.
Mesa redonda de futebol. O que essa escalação do Trump diz para você? O outro comentarista de futebol, barra geopolítico, o Vitero, deu a visão dele, eu queria ouvir a sua. A minha visão é de que a estratégia da China provavelmente não é uma invasão militar de Taiwan, mas uma abordagem comercial.
de assumir o controle do comércio de Taiwan. E lembrando que foi o Donald Trump que aceitou que Hong Kong, também o comércio de Hong Kong, ficasse sob o controle do continente chinês.
Então, uma estratégia tipicamente chinesa, não de fazer de forma explícita a tomada de um território, essa não é uma característica dos chineses, mas fazer um...
um controle, cercar aquele território de uma maneira que, para os efeitos práticos, aquele território passa a fazer parte da China para os efeitos econômicos e de uma forma que o Donald Trump não tenha nem um ajuste, num momento em que o Trump não está no seu melhor momento para reagir de forma militar.
e provavelmente politicamente também não está com apetite para isso, está tentando sair de uma aventura militar e não teria também necessidade retórica de fazer uma ação militar, porque afinal a China também não fez uma ação militar, apenas assumiu um controle de uma forma que Taiwan não tem muito como negar essa projeção chinesa. Então essa é a hipótese que hoje é mais forte.
Vitélio e você, Lourival, nos levaram aqui a uma visão de alguns dos aspectos clássicos, de equilíbrio barra, eventualmente não equilíbrio, militar, de estratégias de negação ou de ocupação de áreas. Agora, do ponto de vista econômico, alguns analistas, Vitélio, começando por você, estão começando a empregar uma nova sigla.
Nós tínhamos na Guerra Fria número 1 a sigla MAD, Mutual Assured Distraction, que em inglês significa louco. Eles estão empregando agora EMAD, Economic Assumed Mutual Distraction.
Ou seja, um confronto das duas grandes potências do planeta hoje em termos econômicos. É relevante saber que é o Besant que comanda tudo aquilo que a gente chama de transformação de pontos de estrangulamento do sistema financeiro e econômico mundiais nas mãos dos americanos. Eles estão dispostos ao quê em relação à China?
se a gente nota o esforço da administração americana em negar aos chineses acesso a tecnologias de última geração, caso específico dos chips. Muito bem, William, são várias questões na mesa. Eu vou começar por um ponto que a gente tem que evidenciar aqui, que é o crescimento do arsenal atômico chinês. Então, por mais que a gente fale em economia nesse momento,
A Rússia acabou de fazer um teste de um míssil de longo alcance, segundo a Rússia, de 35 mil quilômetros de alcance, o RS-28 Sarmat. Não é por acaso que esse teste foi feito agora, na véspera da visita do Trump à China, porque o argumento chinês é de que pode continuar aumentando seu arsenal, que cresce sem ogivas por ano.
e que hoje está em torno de 600, 620, já que Estados Unidos e Rússia, como vocês mostraram na reportagem, têm arsenais muito maiores. Então, a disputa é econômica sim, é sobre a questão das tarifas, a China quer congelar ou reduzir, não quer mais que haja novas tarifas, nem é do interesse dos Estados Unidos.
Mas aqui, passando ao lado, está a questão, sim, nuclear, inclusive porque em fevereiro os Estados Unidos e a Rússia acabaram com o New Start.
ou seja, não tem mais controle de arsenais entre ambos, e tem uma outra questão ainda, porque junto com essa comitiva que envolve o aspecto econômico, existem pessoas como Elon Musk. Então nós estamos também vendo uma discussão de possível limitação da inteligência artificial, que é considerada uma tecnologia que pode ser revolucionária neste século.
A questão econômica é fundamental, sim, mas existem outras questões relevantes, como a nuclear e a inteligência artificial, que estão sendo colocadas à mesa nesse momento também, William.
Para a gente encerrar com você, Lourival, essa menção que o Vitelli fez da inteligência artificial é vital, porque justamente agora se considera que de novo os americanos teriam ganhado uma liderança um pouco mais prolongada em relação aos chineses. Se dizia que eles teriam seis meses de vantagem, agora com o Antropic e o Mythos desenvolvido, esses novos, digamos...
como é que eu vou definir essas novas plataformas de inteligência artificial, teriam dado aos americanos uma vantagem ainda mais longa em relação aos chineses, o que alguns analistas contestam. Agora, quando a gente olha exatamente para esse ponto, o linguajar do governo americano tem sido de evitar a palavra decoupling, separar-se da economia chinesa.
E usar a palavra de risking, diminuir o risco, mudou a postura americana nisso? Mudou e ficou mais convergente com a da China, que também é essa doutrina. A China quer ter liberdade para se desenvolver, para ocupar o lugar geoeconômico no mundo que ela acredita que merece.
sem entrar em um confronto direto com os Estados Unidos. E, politicamente, a China não tem necessitado disso, até porque não é uma democracia. Então, esses jogos de retórica, de criação de inimigo e de tensionamento com o inimigo externo não são tão relevantes para a China quanto são para a política americana ou europeia, por exemplo.
Então, agora, a diferença entre as duas cartas que cada um tem, a carta que cada um tem, se a China tem a carta dos minerais críticos e os Estados Unidos tem a carta dos chips avançados.
Eu tendo a pensar que a China, essa carta da China é mais forte no tempo, porque ela tem demonstrado condições de se aproximar dos Estados Unidos na questão dos chips sofisticados.
E os Estados Unidos não têm demonstrado condições de, de forma rápida, obter os minerais críticos que a China tem. Então, para o longo prazo, pode ser que sim, mas é um prazo muito mais longo do que o prazo que a China precisa para alcançar os Estados Unidos na tecnologia de semicondutores.
Gente, infelizmente eu tenho que encerrar. Queria agradecer inicialmente a você, Vitello Brustolin, pesquisador de Harvard, professor de Relações Internacionais lá da Universidade Federal Fluminense, pela participação aqui no nosso programa. Boa noite, Vitello. Mais uma vez, muito obrigado. Obrigado pelo convite. Boa noite a todos. Igualmente a você, Lourival. Muito obrigado. É sempre nosso orgulho ter você a bordo aqui do WW.
Antes de terminar o meu recado de todas as noites, nós temos bastante material, além do que você viu aqui na transmissão, está na página do www.nc.n. Visite. Agora sim, terminamos essa edição neste momento. Obrigado e boa noite.