Episódios de WW – William Waack

CPI do Crime Organizado cai, mas ofensiva contra o STF cresce

15 de abril de 202652min
0:00 / 52:31
Com a decisiva ajuda do governo, foi rejeitado o relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado que pedia o indiciamento de três ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), além do procurador-geral da República. Mas o estrondo político ficou e é de grandes proporções. O âncora da CNN William Waack, Caio Junqueira, analista de Política, Daniel Rittner, diretor editorial de Brasília, e Wálter Maierovitch, jurista e professor, debatem o tema. Sobre a situação no Oriente Médio, Lourival Sant'Anna, analista de Internacional, Marcello Estevão, dir. gerente e economista do IIF, e Hussein Kalout, prof. de Relações Internacionais da USP e pesquisador de Harvard, participam da discussão.
Participantes neste episódio7
W

William Waack

HostJornalista
C

Caio Junqueira

ConvidadoJornalista
D

Daniel Rittner

ConvidadoDiretor editorial de Brasília
H

Hussein Kalout

ConvidadoProfessor de Relações Internacionais
L

Lourival Sant'Anna

ConvidadoAnalista de Internacional
S

Sérgio Denícoli

ConvidadoCientista de dados e CEO da AP Exata
W

Wálter Maierovitch

ConvidadoJurista e professor
Assuntos4
  • Medidas econômicas do governoaumento da gasolina · guerra no Oriente Médio · imposto de exportação de petróleo
  • Crime Organizadoindiciamento de ministros do STF · Gilmar Mendes · Rômeu Zema
  • Críticas ao STFGilmar Mendes · Rômeu Zema
  • Conflito Irã-EUAcessar-fogo entre Israel e Líbano · negociações mediadas pelos Estados Unidos · Hezbollah
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Olá, boa noite. Esta é a CNN Brasil e este é o WW. As críticas de Gilmar Mendes ao pré-candidato à presidência Rômeu Zema acabaram produzindo efeito contrário ao pretendido pelo decano do Supremo Tribunal Federal. Um estudo da AP, da consultoria AP Exata, que trazemos com exclusividade no WW de hoje, detalha esse movimento.

Segundo o levantamento, as menções ao ex-governador de Minas Gerais nas redes sociais cresceram 192% após o confronto com Gilmar Mendes, contribuindo para projetar seu nome em âmbito nacional. Zema também passou a liderar as menções positivas entre os pré-candidatos de direita e ainda viu aumentar o sentimento de confiança em relação a seu nome nas redes, enquanto a percepção de medo diminuiu.

Os dados confirmam que já se imaginava. Explorar a indisposição do eleitor com o Supremo Tribunal Federal funciona e já virou estratégia eleitoral. No WW de hoje a gente vai falar também das medidas econômicas anunciadas pelo governo para tentar conter o aumento da gasolina e também a derrota de Lula na eleição. E claro, do conflito no Oriente Médio. Antes de apresentar aqui os convidados neste primeiro trecho do programa, está conosco o economista Jefferson Bittencourt, chefe.

de Macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional, Jefferson. Bem-vindo, meu caro. Obrigado, Caio, pelo convite. Boa noite, Thaís. Boa noite, Daniel. Nós que agradecemos a sua presença aqui no estúdio. Thaís Herédia também, bem-vinda. E Daniel Rittner, nosso diretor em Brasília, conosco. Daniel, bem-vindo, meu amigo.

O governo federal avança em medidas para tentar frear o aumento dos preços dos combustíveis depois da guerra no Oriente Médio. Nessa quinta-feira, a equipe econômica anunciou um projeto de lei que permite usar o aumento na arrecadação com o petróleo para reduzir o preço de combustíveis enquanto durar o conflito. A reportagem é de Luciana Amaral.

O projeto autoriza a redução parcial na alíquota de tributos, como a CID e o PIS-COFINS, sobre a gasolina, o diesel, etanol e biodiesel, quando houver aumento extraordinário das receitas decorrentes do petróleo, como royalties e exportação.

O corte nas taxas seria equivalente ao valor da alta na arrecadação. A queda parcial nos tributos, portanto, não vai ser imediata. Também não há uma definição exata sobre o quanto cada tributo seria reduzido, nem quanto cada combustível ficaria mais barato ao consumidor final.

A equipe econômica afirma que a proposta mantém neutralidade fiscal, sem comprometer a meta de superávit de 0,25% do PIB, e que vai ter resultado prático para amortecer o efeito da guerra no Oriente Médio sobre a população.

São medidas temporárias, medidas cuidadosas, que mantêm o compromisso da neutralidade fiscal, que vão ser revisadas e acompanhadas do ponto de vista diário pela equipe econômica do governo.

A princípio, o governo trabalha com um período de dois meses para a validade da medida, embora a duração da guerra seja uma incógnita. O projeto se soma a outras iniciativas já em vigor, como subvenções para óleo diesel, gás de cozinha e querosene de aviação, além de linhas de crédito para companhias aéreas brasileiras. O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, afirma que a cúpula do Congresso apoia o projeto.

O governo agora vai trabalhar na aprovação do regime de urgência ao texto para acelerar a tramitação. Na semana passada, Guimarães chegou a defender o endividamento do país para salvar o que chamou de economia popular, numa direção contrária à pregada pela equipe econômica.

O governo trata o projeto como uma medida de efeito preventivo. Para o Planalto, o Brasil não pode ser sócio da Guerra do Oriente Médio, expressão muito usada por integrantes da gestão petista. Em ano eleitoral, a alta nos preços é uma das principais preocupações do presidente Lula, ao lado do endividamento das famílias, que atinge níveis recordes.

A equipe econômica já enviou o despacho final do programa Desenrola 2.0 para o presidente Lula. A expectativa é que a reedição do programa para a renegociação de dívidas da população seja anunciado até a semana que vem.

A gente tem vários aspectos que a gente pode analisar do programa. Eu acho que tem um pontapé inicial que é o seguinte, é difícil a gente ter um sistema melhor para medir como está o economia do que o sistema de preços. Se os preços estão em alta, está refletindo que a gente tem uma escassez de um produto ou a gente tem uma elevação de custos de produção. No caso aqui, a gente tem, claro, coleção às causas.

A gente ainda não sabe qual é a profundidade da escassez na produção, em função da destruição das estruturas produtivas. A gente tem um problema de logística, mas o produto está chegando pouco e o preço está subindo. A gente já está na população brasileira, não pode ser atingida pela guerra. Bom, mas a gente está falando de uma commodity e o sistema de preço está falando que está...

escasseando no mundo essa commodity. A gente tentar fazer com que esse problema não existe é bastante arriscado a gente enfrentar o sistema de preços. Em relação à medida em si, a ideia não é absurda. A ideia é pensar que o governo vai ter uma receita extraordinária e vai temporariamente, tem todos os riscos de a gente estar tratando de um evento de um choque temporário.

Mas não é um absurdo a gente usar para uma desoneração temporária. Tem alguma preocupação de a gente estar mexendo na LRF, que é uma instituição nacional importante. A mexida está sendo feita pontualmente, numa medida que acaba durante a guerra ou no exercício de 2026. Beleza, até aí estamos bem, estamos bem cercados.

Mas tem um ponto antes e um ponto depois dessa proposta. O ponto depois, a operacionalização. O governo coloca, entre as receitas extraordinárias, imposto de renda e CSLL extraordinário. Como eu vou saber quanto eu estou arrecadando a mais de imposto de renda e CLL por conta, por exemplo, de alta no preço do petróleo das empresas que produzem e exportam petróleo aqui?

e quanto desse lucro adicional é de ganho de eficiência da empresa. O quanto eu posso estar levando para essa compensação, ganhos que não têm nada a ver com o preço do petróleo, a partir do momento que eu estou simplesmente dizendo que é o imposto de renda pessoa jurídica, esse SLL. Outra questão operacional do desenho do PLP que foi apresentado. O preço de referência é o preço da LOA, o preço que foi aprovado em última instância em dezembro, proposto em agosto.

O governo já fez uma revisão desse preço no seu processo orçamentário. Ele fez uma revisão desse preço em março. Por que eu tenho que voltar no preço de dezembro? O preço de março foi incorporado no primeiro relatório bimestral de receitas e despesas, onde mostrou uma piora da previsão do resultado primário com um ganho já extraordinário desse petróleo. Por que a gente vai voltar no preço de dezembro? Se parte disso a gente já perdeu.

Então, na operacionalização, a gente tem esses problemas. Mas, para mim, a questão mais importante dessa proposta é a motivação, é a questão anterior. 40 países estão atuando sobre o preço do petróleo. E nesses 40 países se sabe que o grande problema de atuar sobre preço de petróleo com política pública de desoneração, de subvenção, é focalização. Recurso público é uma coisa escassa que tem que ser tratada com cuidado e direcionada para os lugares certos.

Quando eu resolvo desonerar QAV, quem é o beneficiário final da desoneração do QAV? Quando eu desonero, por exemplo, quando eu crio uma subvenção para o GLP, o GLP já não chega de graça para quem efetivamente precisa, através do gás do povo. Por que eu preciso fazer uma subvenção adicional? Por que eu preciso subvencionar? Por que eu preciso desonerar a gasolina? No momento em que a gente vai ter taxas de juros mais altas,

a nossa dívida vai crescer mais porque o ciclo de corte de juros vai ser menor por causa desse choque. Não seria o momento de eu aproveitar um pouco desse recurso, focalizar em quem precisa e guardar uma parte para conter o crescimento da dívida? É isso.

Acho que esse último ponto do Jefferson é o que mais me chama a atenção. Primeiro, como o William Wack aqui costuma brincar comigo, que eu sou a musa da institucionalidade, acho que a gente já abusou muito da lei de responsabilidade fiscal. Então, mesmo que o mérito, e é um mérito que o Brasil já discutiu várias vezes, aliás, a troca do teto de gastos pelo arcabouço fiscal era exatamente para que, se houver aumento de arrecadação,

o Estado possa gastar um pouco mais contando com esse aumento de arrecadação. Então, já houve uma abertura para, vamos dizer, entre aspas, um aproveitamento de um aumento de arrecadação. Mas a lei de responsabilidade fiscal vai sendo machucada, nós estamos ficando cada vez mais distantes da noção do limite.

Porque os limites vão sendo avançados o tempo todo. Então, é óbvio que quem é que vai dizer, se você vai receber mais porque o petróleo está mais alto, transforme isso em política pública. O mérito faz sentido. Agora, a forma...

de fazer, de novo excluindo e se aproveitando ali de uma brecha para furar a lei de responsabilidade fiscal. Óbvio também que tem um motivo eleitoreiro, isso aqui a gente não precisa nem discutir.

Mas nós somos um país que ainda tem déficit. Por mais que o Ministério da Fazenda de Fernando Haddad tenha dito, olha, eu estou cumprindo a meta, quando joga toda a despesa para valer, não está. E a dívida pública continua crescendo. E, por último, primeiro, fere a lei de responsabilidade fiscal, segundo, ainda é uma medida de caráter muito eleitoreiro e, para fechar...

Nós temos no Brasil, diferentemente dos outros 40 países, a Petrobras, que não repassou o preço. Nós temos uma defasagem de 60% do preço da gasolina. Portanto, o consumidor brasileiro, que paga mais caro, porque as distribuidoras de alguma forma estão elevando o custo do seu produto, mas o choque ainda não chegou no Brasil, como já chegou em outros países. Então, é uma mágica atrás da outra.

e vai acabar tudo em dívida pública. Daniel, diante de tudo isso aqui que tanto o Jefferson e a Thais colocam, o que dá para esperar, tanto do ponto de vista de tramitação desse projeto no Congresso Nacional, e da própria reação das petroleiras, do setor privado, diante do que foi apresentado pela equipe econômica?

Bom, hoje quem estava presente na entrevista coletiva lá no Ministério da Fazenda era o novo ministro da articulação política, José Guimarães, que informou que esse projeto de lei, que na verdade foi apresentado pelo líder do governo na Câmara,

ele vai ser submetido ao colégio de líderes partidários na próxima terça-feira e disse o José Guimarães que tem apoio. Outras medidas apresentadas pelo governo para tratar de combustíveis não tiveram tanto apoio assim e uma reação muito forte das petroleiras. Estou me referindo a duas que foram mais particularmente mal vistas.

Uma é a medida que estabelece que as distribuidoras de combustíveis precisam divulgar publicamente sua margem de lucro por semana. Isso contraria muitas práticas já adotadas e consagradas pelo próprio Cade, que acha que isso é ruim.

para a concorrência, gerou uma reação muito ruim das empresas distribuidoras, porque acham que isso é uma invasividade tremenda do setor privado. Elas pretendem acionar a justiça, tem um projeto de decreto legislativo já tramitando na Câmara, suspendendo essa medida, que é um decreto presidencial. E outra medida muito mal recebida pelas petroleiras, a não ser a Petrobras. A Petrobras cumpriu direitinho.

foi o imposto de exportação de petróleo bruto, que foi fixado em 12%. Isso foi uma medida provisória, com validade até 12 de julho. A medida ainda está parada lá na Câmara, não teve relator designado, nada disso. Teve uma liminar das petroleiras, conseguiram suspender, depois a liminar caiu. E o que as petroleiras estão temendo e muito?

que a medida provisória passe, porque aí ela transforma esse imposto de 12% numa medida permanente. O governo pode até baixar em algum momento, mas a rigor é permanente. E aí o que elas estão dizendo é o seguinte, nos 40 países mencionados pelo Jefferson, em que houve algum tipo de medida para aliviar no mercado doméstico o impacto da alta do petróleo no mercado internacional,

O Brasil é o único, um dos pouquíssimos países que está colocando imposto de exportação sozinho. Geralmente teve isso combinado com alguma coisa, alguma medida ali que restringe taxa ou lucro, ou reduz, digamos, raciona combustíveis, mas...

Esse tipo de medida de imposto sobre as exportações é uma medida praticamente única no mundo. Porque elas dizem, olha, quando o petróleo depois, ao contrário de 30 anos, o petróleo vai para 30 dólares, aí o governo não entrega dinheiro para a gente. Então, não adianta cobrar agora quando está em 100, porque depois quando cai o governo não paga para a gente. Ora, Jefferson, dá para corrigir durante a tramitação ou mesmo alguma reanálise das medidas por parte do governo?

Dá, eu tenho pouca esperança. Eu tenho pouca esperança, é o tipo de medida que nesse momento, o Congresso é difícil de pensar um parlamentar parando na frente da medida que vem com a promessa de que vai reduzir o preço da gasolina. A gasolina é sempre um produto...

muito focado nos períodos eleitorais. No período eleitoral sempre tem um foco sobre a gasolina. Mas daria para corrigir, sim, daria para ajustar esse ponto que eu disse, o preço de referência, a surpresa, esse ganho extraordinário, é com que referência? Extraordinário em relação a quê?

Eu acho que em relação ao orçamento, eu acho exagerado. A gente já tem um relatório bimestral publicado, então é extraordinário em relação ao último relatório bimestral. Seria uma justa que seria muito tranquilo de fazer. Rediscutir a questão do imposto de renda da CSLL, assim, a gente consegue expurgar?

Dentro desse imposto, o que vem de ganho de eficiência, o que vem de preço de petróleo efetivamente? Participação especial e royalty muito provavelmente é ganho de preço, mas dividendo e imposto de renda as coisas ficam muito mais misturadas. E só fazendo um comentário sobre o que o Daniel falou.

A gente teve anos e anos no Brasil a arrecadação, a estatística da arrecadação de imposto de exportação dizendo o traço. Imposto de exportação, para mim, sempre foi uma ideia inconcebível o Brasil voltar a impor imposto de exportação. A gente fez isso em 2023, vocês lembram, para prorrogar a desoneração por um tempo dos combustíveis, o governo adotou imposto de exportação.

E agora, de novo, imposto de exportação tem vários problemas, exportar imposto, as coisas mais óbvias, mas ele é um imposto sobre faturamento. Pode ter uma empresa que esteja faturando muito, mas com custos elevados e um lucro pequeno, e empresa que esteja faturando pouco, mas com custo muito baixo, lucrando muito. E aí, tu taxa a que tem um lucro menor, tu taxa mais, e a que tem um lucro maior, tu taxa menos. Então, é um imposto ineficiente.

O Daniel quer fazer uma intervenção aqui, eu vou depois dele.

Ô Thais, me desculpe, viu? Obrigado e me desculpe. Eu só queria, só para pegar a deixa do Jefferson, que falava sobre o imposto de exportação, que durante muito tempo foi traço na arrecadação, o governo está avaliando também, a gente comentava isso aqui outro dia no WW, existe um projeto de lei para criar a política nacional de minerais críticos. E agora a ideia que está ganhando força em alguns setores do governo...

é propor dentro desse projeto de lei que está em tramitação na Câmara um imposto de exportação sobre minérios brutos. Então, se o Brasil exportar minerais críticos em formato bruto sem beneficiamento, teria algum tipo de taxação, o que contraria inclusive a lei Candir dos anos 90, que é de você retirar todo tipo de tributação sobre exportações, inclusive de minério.

Essa fórmula é uma fórmula que eu já estou nisso há muitos anos. Parece que eu estou voltando lá no começo dos anos 2000, com essa história de imposto de exportação e uma ideia, especialmente na cabeça dos governos do PT.

de não compreender como funciona a competitividade de um país exportador. Então, parece que há uma dificuldade nos governos do PT em compreender a importância disso. Não à toa, o Brasil permaneceu fechado. O Lula hoje é um defensor do multilateralismo, mas o Brasil permaneceu fechado, protegendo a sua indústria, cobrando imposto de exportação, depois teve que fazer compensação por causa da lei Candir.

E agora retoma essa prática e gera insegurança jurídica. Essa semana mesmo, agora já não sei mais, acho que foi no começo dessa semana, as empresas estrangeiras foram para a justiça dizer, escuta, não posso pagar esse imposto de exportação. Conseguiram. Então, os estrangeiros pararam de pagar, as nacionais continuaram a pagar.

E aí a justiça derruba, eliminar, portanto as estrangeiras voltam a pagar. Como é que você faz investimento nesse setor, que é um setor que tem que estar preparado para ganhar muito quando o petróleo chove, e para ganhar menos e continuar competitiva?

quando o petróleo cai, ainda tem que lidar com essas ideias estapafúrdias, de achar que para se ter um equilíbrio fiscal é preciso arrancar dinheiro com essa fórmula que o Jefferson trouxe, que independe de eficiência, independe de gestão, de momento de mercado, de conjuntura e tudo mais. É um déjà vu, nós estamos revendo.

A mesma prática que já vimos no passado e uma cartela muito parecida com o que fez em 2022 o governo Bolsonaro, que o ministro Fernando Haddad, aliás, em 2023, criticou muito, chamou de herança.

essa desoneração que foi feita também em 2022, sob a mesma ligação, por causa do preço dos combustíveis. Sendo que lá em 2022, a defasagem da Petrobras, dos preços da Petrobras, chegou a 30%. Hoje bateu 1,80 já e a Petrobras não fez nada. Então, é assim, dois pesos e duas medidas e uma dificuldade de compreender como é que os negócios avançam e ajudam o Brasil, e não o contrário.

É isso que eu queria para finalizar, Jefferson, essa volta ao passado. Se o que foi anunciado hoje dialoga mais com 2022, o impacto no preço do combustível em razão da guerra da Ucrânia, ou se a gente pode ensaiar, de alguma maneira, um microgerenciamento intervencionista em economia de 2014. O que dialoga mais o que aconteceu hoje?

É curioso, é difícil da gente separar, porque é de certa maneira inovador a gente apelar em 2022, o instrumento era a emenda constitucional, isso tem um custo político bem mais elevado, de fazer, juntar o Congresso em torno de um...

de uma emenda constitucional, agora tu vem com uma proposta de lei complementar. Eu acho que a grande discussão aí é o que é que está... Curioso, né, os anos que a gente apontasse, 14, 22...

Tem uma coincidência nesses períodos. É uma coincidência incômoda nesse período. Mas, de novo, acho que recurso público é algo que tem que ser muito bem aplicado. E o principal balizamento...

do recurso público tem que ser a focalização. A gente tem que entender por que a gente está subvencionando, por que a gente está distorcendo o sistema de preços, por que a gente não acredita nos preços que estão sendo apresentados pelo mercado e quem a gente está tentando proteger. Porque senão abre espaço para questionamento da verdadeira motivação por trás da medida.

Jefferson, muito obrigado, meu cara. Obrigado pelo convite. Volte sempre. Jefferson Bittencourt, chefe de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional. Bom descanso, meu cara. Obrigado. Bom, daqui a pouco vamos falar sobre como as críticas de Gilmar Mendes a Romeu Zema têm beneficiado o pré-candidato a presidente. Até já.

WW de volta e participa agora o cientista de dados e CEO da AP Exata, Sérgio Denícoli. Bem-vindo, Sérgio.

Boa noite, Caio. Obrigado mais uma vez pelo convite. Nós que agradecemos sua presença. Bom, o ministro do Supremo Tribunal Federal, decano Gilmar Mendes, tem liderado a reação contra críticas à corte. Nas últimas 24 horas, o decano elevou o tom em diferentes frentes e reforçou a defesa aos colegas do Supremo Tribunal Federal, a parte, pelo menos, dos colegas. Confira.

Nesta quinta-feira, em entrevista ao Correio Brasiliense, Gilmar defendeu a continuidade do inquérito das fake news, que completa sete anos em 2026. O ministro atribuiu à investigação um período que tratou como um estágio de paz política no país e que ela não representa um abuso.

Eu acho que o tribunal precisa de instrumentos efetivos de defesa. E isso é bem controlado. O procurador-geral pede medidas, o relator examina, a Polícia Federal investiga. Não há nenhum risco de abuso.

Gilmar também voltou à arena política. Na última quarta-feira à noite, falando a Record News, o ministro atacou o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. O decano lembrou de uma liminar concedida pelo Supremo que ajudou o governo de Zema a ficar mais de um ano e meio sem pagar dívidas com a União e chamou o sotaque de Zema de dialeto.

A resposta veio rápido. Nas redes sociais, o ex-governador criticou a declaração, ampliando o embate público com Gilmar. No Congresso, deputados da oposição apresentaram mais um pedido de impeachment contra o ministro. Já são quase 100 pedidos de cassação contra integrantes do Supremo no Senado.

O grupo também vê na prolongação indefinida do inquérito das fake news uma maneira do STF perseguir aqueles que criticam o tribunal e citam justamente a insistência de Gilmar para incluir Zema no inquérito. Na avaliação de Gilmar, os pedidos de impeachment ganharam força durante a pandemia de covid-19 porque muitos acreditavam que o Supremo atrapalhou o governo Bolsonaro ao determinar que governadores seguissem diretrizes da Organização Mundial da Saúde.

De acordo com Gilmar, o STF, na verdade, impediu uma matança geral. Com as novas declarações, o decano tenta passar uma imagem de unidade dentro do Supremo, mas os últimos dias deixaram claro que nem mesmo os ministros se entendem.

O Código de Ética do presidente Edson Fachin não se materializa, enquanto colegas como Flávio Dino sugerem uma reforma do Judiciário, que ainda ficaria aquém do necessário para uma parcela da classe política.

Bom, desde o início dessa troca de farpas entre o Romeu Zema e o Germar Mendes, o pré-candidato à presidência registra um crescimento de menções ao seu nome nas redes sociais. As informações são de um levantamento da AP Exata. O percentual de menções ao ex-governador de Minas Gerais saiu de 1,60 para 4,68, um aumento de quase 200%. A partir do outro lado.

Agora a gente olha para o número de menções positivas aos pré-candidatos nas redes sociais. Olha ali, o Ronaldo Caiado do PSD tem 46,62%. Flávio Bolsonaro do PL tem 44,16%. Presidente do PT...

O presidente Lula, perdão, do PT, ficou com 37,98% de dimensões positivas. Renan Santos, do Partido Missão, com 46,96%. E olha ali, Romeu Zema com 46,89%. E por fim, esse levantamento, nessa última tela, a gente mostra as emoções nas redes sociais sobre o Zema a partir desse confronto.

19% dizem confiar no ex-governador e 15% dizem que tem medo de Zema. Se a gente olha na perspectiva, o sentimento de confiança aumentou com o confronto e o de medo diminuiu. E aí, você, Sérgio Denícoli, você que é especialista, autor dessa pesquisa, dá para dizer o quanto o ministro Gilmar Mendes acabou ajudando o Zema nesse confronto todo?

Então, Caio, o ativo mais importante dessa eleição é a atenção. No ambiente onde as redes sociais fazem todo o meio de campo da informação e os algoritmos determinam como essa informação chega até as pessoas, quando alguém consegue furar esse bloqueio e chamar a atenção, acaba tendo uma repercussão interessante. Foi o que aconteceu com o Zemba. Ao entrar num conflito com o Gilmar, ele conseguiu conquistar a atenção, conseguiu furar esse bloqueio dos algoritmos e conseguiu ter o conteúdo muito distribuído pelo Brasil.

E aí ele saiu de um ambiente regional, que era muito comentado na região de Minas Gerais, e conseguiu ampliar em quase 200% a participação dele sobre o que se fala das lideranças que estão envolvidas nessas eleições. Então, houve realmente um crescimento. É claro que isso é um...

É um fato que aconteceu agora, não quer dizer que ele vai se sustentar por muito tempo, mas o Zema tem conseguido aproveitar bem essa oportunidade que ele teve, tem sido colocado como um candidato de confronto, que está verbalizando uma insatisfação da população, e isso é muito interessante porque...

Quando alguém verbaliza algo que outras pessoas querem dizer, faz com que essas pessoas compartilhem o conteúdo. Então, assim também ajuda a contornar o bloqueio dos algoritmos e chegar até mais pessoas. É isso que o Zema está vivenciando nesse momento, porque ele entrou num ambiente onde muitas pessoas compartilham desse sentimento que ele está expressando em relação ao Supremo. E aí ele consegue ter uma empatia de parte do eleitorado e pronto, é o que nós vemos aí nos dados. Acabou por ser positivo para ele, acabou por ganhar mais destaque.

O senhor Sérgio, isso mostra também que esse viés antissupremo é uma tendência, é uma bandeira eleitoral, é uma estratégia eleitoral eficiente?

Sem dúvida, porque essa lógica de críticas ao Supremo já vem desde o início do julgamento do Bolsonaro. Ela tem movimentado, por exemplo, as eleições para o Senado, porque há muitos candidatos que se colocam como candidatos que, eventualmente ganhando, vão lutar por impeachment de ministros do Supremo. Então, já era uma lógica que estava colocada no ambiente político.

No entanto, o Flávio Bolsonaro tem sido mais moderado, até porque o pai está preso, depende de decisões do Supremo, ele tem sido menos crítico ao Supremo. Então, houve aí um espaço, um vácuo, que acabou sendo ocupado pelo Romeu Zemo, e tem se colocado de uma forma bastante incisiva contra o Supremo. Há um sentimento da população, nós já medimos isso, de que há uma descredibilização muito grande do Supremo, por escândalos que apontam possível envolvimento de ministros.

com alguns escândalos que vão aparecendo, como o caso do Banco Master. Então, isso gera uma insatisfação na população. E, como o campo estava aberto para que alguém confrontasse o Supremo, nesse ambiente eleitoral, o Zema acabou por se apropriar desse discurso e tem angariado bastante apoio nas redes sociais. É claro que...

O Zema ainda segue com uma dificuldade muito grande de crescer nas redes, ele partiu de 1,6% para quase 5%, é um crescimento realmente expressivo, mas temos candidatos como o Flávio Bolsonaro, que chega a 25% da atenção, o Lula com 20%, 22%, então tem uma caminhada aí para ele se estabelecer realmente, mas eu acho que a grande novidade do que aconteceu agora é que o Zema efetivamente entra na corrida eleitoral, chamando a atenção da população, ele era muito cotado como vice, ele era candidato a vice.

muitas vezes, de acordo com analistas políticos, e agora eu acho que a candidatura passa a valer realmente, o Zema Granha encorpa a candidatura dele e parte realmente para um ambiente mais político de competitividade.

Agora, Thaís, falando do Gilmar Mendes, essa série de entrevistas que ele vem dando essa semana, tem uma parte ali que eu acho interessante, que é menos eleitoral, e no que se refere ao Banco Master, e ao caso Master. Ele coloca que é uma crise da Faria Lima. Basicamente é isso. Que foi transportada para a Praça dos Três Poderes. Essa tese, uma tese...

Ela conta, no meu sentido, pelo menos metade da história. Eu queria ouvir sua percepção, você que dialoga bastante com agentes econômicos, com a Faria Lima. Qual é a sua impressão em relação a essa ideia? A minha percepção hoje, conversando com os gestores e tal, foi de um espanto absurdo. Porque ele já pré-julgou. Será que em algum momento o caso Master vai cair no plenário do STF? E...

E ele já está dizendo que a crise é da Faria Lima? O que quer dizer isso? O que quer dizer uma crise da Faria Lima? É óbvio que o Banco Master nasce do ambiente do mercado financeiro, nasce dentro do sistema financeiro.

e opera no limite das regras até ultrapassá-las de vez e transformar inclusive a brecha das regras para se beneficiar disso, foi o que ele fez com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito, mas assim, para um juiz de Suprema Corte dar essa sentença...

É uma crise da Faria Lima? O que quer dizer uma crise da Faria Lima na cabeça de um juiz do Supremo Tribunal Federal? Essa foi a grande pergunta. A exposição do Gilmar Mendes, não só dessa frase, mas de outras tantas que ele deu nessas respostas, parece que ele assumiu isso como uma missão, porque ele não para de falar. É essa a percepção.

O Gilmar Mendes está entregando da visão dele sobre tantas coisas num julgamento que ainda pode cair no plenário do Supremo e exigir dele uma avaliação. Ele vai se declarar suspeito por avaliar o caso Máster depois de ter feito essas declarações?

Sim, e para mim me chamam a atenção outros dois pontos dessas declarações todas. Uma, o fato de relativizar o inquérito das fake news, dizer que vai acabar quando tiver que acabar, ou seja, ele banca, e é algo que até mesmo advogados próximos ao Supremo, alinhados ao Supremo, vem fazendo críticas à própria OAB também. E outro ponto, para mim, talvez o principal, o fato de considerar o contrato.

da esposa do ministro Alexandre de Moraes, algo lateral nessa questão toda, e ele tem dito isso entre locutores, que isso é uma lateralidade, quando, pelo menos na minha percepção, acho que é nossa, é de que isso é central. Talvez dos maiores escândalos desse caso todo são esses 129 milhões de reais para o escritório da esposa, sem a gente saber ao certo para quê. O Daniel quer fazer uma pergunta para o Sérgio, Daniel?

Isso. Bom, me chamou muito a atenção nessa rodada de entrevistas do ministro Gilmar Mendes a forma como ele acabou se referindo de maneira jocosa ao sotaque de Romeu Zema. Parece um dialeto do Timor-Leste.

Quando isso me parece muito mais um ativo do que qualquer tipo de passivo de Romeu Zema, que se coloca com esse linguajar mais simples. O próprio slogan, um dos slogans do governo de Minas Gerais é aqui o trem prospera. Nada pode ser mais regionalizado do que isso.

Mas uma dúvida que eu tenho, Sérgio, é se ao comprar essa briga e ao escalar essa briga com o Supremo, se o Romeu Zema acaba falando mais nas redes e chamando mais atenção e possivelmente conquistando uma parte do eleitorado mais à direita, que hoje é claramente mais do Flávio Bolsonaro, ou se ele consegue atingir...

Um usuário de rede social e um eleitor, obviamente por consequência, considerado independente, ele consegue caminhar por esses dois públicos ou mais por um deles para se transformar num candidato mais competitivo?

Então, eu acredito que ele tem aproveitado bem essa oportunidade. Hoje, nas redes, se discutiu muito a questão de xenofobia, falaram muito sobre isso. E, realmente, quando você tem ataques dessa natureza, acaba por vitimizar um candidato, no caso do Zema, ele aproveitou isso muito bem. Então, eu acho que ele tem se beneficiado.

dessa questão. Obviamente que há um espaço à direita, mas não só, Daniel, porque hoje a ideia do Supremo, de um Supremo que precisa ser reformulado, ela é muito ampla, ela atinge vários aspectos ideológicos, não somente à direita.

Mas as redes que nós vimos hoje dentro da direita bolsonarista foi um incômodo em relação ao Zema, inclusive com ataques ao Zema, levantaram novamente a questão do fique em casa durante a pandemia, falaram que o Zema seria o novo candidato do sistema, enfim, começou a ser atacado pela direita bolsonarista, que se incomodou porque...

Dentro desse espectro, muitas pessoas começaram a olhar o Zema como um candidato interessante, porque está confrontando o Supremo, inclusive declarando que vai votar no Zema no segundo turno e que eventualmente votaria no Flávio, aliás, votaria no Zema no primeiro turno e eventualmente votaria no Flávio no segundo turno, mas que acha que o primeiro turno seria um voto.

dado a quem realmente está confrontando o sistema e, no caso, o Zema. Então, ele traz, sim, esse desejo de voto por parte do bolsonarismo. É claro que isso ainda tem uma longa caminhada para se converter realmente em intenção de voto, mas há essa tendência nas redes que a gente identificou hoje muito claramente.

Sérgio, bem brevemente, eu queria ouvir de você o posicionamento de Caiado, Zema e Flávio, tanto em redes sociais, enquanto em termos de estratégia política de cada um. Bem brevemente, por favor, que o Felipe já me pede aqui para chamar o intervalo.

Então, o Caiada é muito regional, Caio. Ele não consegue ultrapassar os limites da região onde ele atua, onde ele é conhecido, então não está conseguindo se impor. O Zema Furia se bloqueia a partir de agora, também não vinha conseguindo. No caso do Flávio, ele abarca uma grande parcela das redes, porque junta na idade da candidatura do Flávio também o recall do Jair Bolsonaro, do Eduardo Bolsonaro, do Carlos Bolsonaro, da Michelle.

A família Bolsonaro abarca quase 60% do que se fala das lideranças envolvidas com a campanha eleitoral para o Plano Alto. Então, ele se beneficia disso. No caso do Lula, ele tem uma parcela da esquerda, acaba por se colocar basicamente sozinho, então chama a atenção também. Mas é muito difícil realmente romper essa barreira digital que coloca os dois polos.

para se degladear, mas o Zema acabou conseguindo isso, o Caiado ainda não conseguiu. O Renan, eventualmente, acaba conseguindo também, porque o MBL tem uma capilaridade já nas redes e acaba dando ao Renan algum destaque, eventualmente, quando ele entra em conflito, principalmente com o Flávio. Bom, Sérgio Denícoli, cientista de dados, jornalista e CEO da AP Exata. Muito obrigado, meu caro.

Muito obrigado. Boa noite a todos. Boa noite a Thaís Herédia. Até amanhã. Bom descanso. Meu amigo Daniel Rittner, nosso diretor lá em Brasília. Bom descanso, meu caro. Até amanhã. Daqui a pouco a gente vai falar sobre o conflito no Oriente Médio, Israel e Irã, estendendo o Cessar Fogo por três semanas. Até já.

WW de volta corrigindo para a gente tratar agora do cessar fogo estendido por três semanas entre Israel e Líbano. E apresento agora o Hussein Kalut, professor de Relações Internacionais da USP, pesquisador de Harvard. Hussein está em Cambridge, nos Estados Unidos. Em Cambridge? Nos Estados Unidos mesmo, Hussein? É isso.

Bem-vindo, meu Carlos. Em Massachusetts. Bem-vindo. Obrigado, Caio. E o Lorival Santana. Prazer vê-lo. Prazer é todo nosso, meu amigo. E o Lorival Santana também. Nosso Lorival está longe hoje, muito longe, né? Ribeirão Preto. Bem-vindo, Lorival. Obrigado.

Bom, a segunda reunião entre embaixadores de Israel e Líbano sob mediação dos Estados Unidos terminou com uma extensão do cessar-fogo de Israel contra o território libanês nesta quinta-feira. Sobre o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, Donald Trump disse, abre aspas, não ter pressa para acabar com a guerra enquanto mais um porta-aviões americano chega ao Oriente Médio. A reportagem é de Priscila Asbeck, dos Estados Unidos.

Embaixadores de Israel e do Líbano concordaram em estender o cessar-fogo por três semanas. Assim, a trégua que duraria apenas dez dias seguirá até meados de maio. Donald Trump participou das conversas e disse que a reunião foi um sucesso com a união entre Israel e o governo libanês para desmilitarizar o Hezbollah.

Israel insiste que o Líbano utilize força para isso, mas o governo libanês teme mergulhar o país em uma guerra civil ao enfrentar o grupo. Líbano e Israel nunca tiveram relações diplomáticas oficiais. As negociações mediadas por Washington também têm o objetivo de que os países reconheçam mutuamente suas fronteiras.

Apesar da trégua, ainda há ataques pontuais na região. Nesta quinta-feira, o Hezbollah disse que disparou foguetes contra o norte de Israel em resposta a ataques israelenses no sul do Líbano. Mais cedo, o exército israelense disse que matou duas pessoas que teriam se aproximado de seus militares em uma vila do sul do Líbano, onde Israel conduz uma operação de ocupação militar. O Ministério da Saúde libanês relatou três mortes e dois feridos na região.

Donald Trump se empenha diretamente em manter a trégua no Líbano para evitar uma nova escalada de tensões com o Irã. Mas, ao mesmo tempo, nega que esteja com pressa para encerrar o conflito e diz que tem todo o tempo do mundo. Quanto tempo você está disposto a esperar até que você tenha uma resposta unifíada? Não me perca, Jeff. Gente como você, você quer dizer, oh, então estamos em Vietnã há 18 anos, estamos em Iraque há muitos anos. Eu estou fazendo isso há seis semanas.

As negociações estão em um impasse. Líderes do Irã se recusam a conversar com os Estados Unidos enquanto o bloqueio a portos do país for mantido. E Trump diz que só encerrará o cerco quando chegar a um acordo duradouro. Nessa quinta, o porta-aviões americano George H.W. Bush chegou ao Oriente Médio.

Com isso, os Estados Unidos ganham a capacidade de posicionar mais 70 aeronaves de combate na região. Outros dois porta-aviões americanos, o Abraham Lincoln e o Gerald Ford, já estavam no local. O Sen, qual o seu grau de otimismo ou de pessimismo?

Não é uma pergunta que se faça nessa hora. No Oriente Médio, nesse estado atual, é muito difícil de ter um grau de otimismo, ainda mais tratando de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Veja bem, no que diz respeito ao Líbano, em primeiro lugar, o governo libanês está sendo coagido e chantageado.

a ter que sentar com Israel à mesa em Washington. Na verdade, o objetivo disso é oferecer uma saída para Netanyahu, que fracassou, porque ele vendeu para a sociedade israelense que a guerra com o Irã levaria a uma paz, levaria a uma derrota do regime iraniano, levaria a uma derrocada do regime iraniano.

com o assassinato do Ali Khamenei, o líder supremo, e que haveria uma revolução nas ruas que levaria à deposição do regime, e que a guerra se encerraria logo.

O povo israelense foi enganado, porque a guerra durou 40 dias, 40 dias em que os israelenses ficaram nos bunkers com uma chuva de mísseis sobre o país. O país perdeu centenas de bilhões de dólares porque a economia ficou imobilizada.

Logo, o Israel entrou em guerra com o Hezbollah. O norte de Israel ficou totalmente neutralizado. E o norte de Israel é a base eleitoral de Netanyahu. O Netanyahu mentiu para a população israelense ao dizer que...

O Hezbollah havia sido desimado. A população, o arsenal do Hezbollah havia sido liquidado. Só que o Hezbollah não estava liquidado e o seu arsenal não estava desimado. Então a popularidade Netanyahu começou a despencar, a se degradar. E ele ficou exposto no contexto interno israelense.

Razão pela qual o Netanyahu, o Trump nessa conjuntura, passou a coagir o governo libanês a ter que negociar com Israel com o fundamento de dizer que Líbano e Israel são países aliados, unidos, no mesmo propósito, para combater o mesmo inimigo. O que é uma grande mentira. Israel ocupa o Líbano.

Israel está matando cidadãos libaneses, está matando jornalistas libaneses, está destruindo vilarejos libaneses, está destruindo sítios arqueológicos e religiosos libaneses, destruindo estátuas de Jesus Cristo no Líbano. Então não há nada que una o governo libanês ao governo de Benjamin Netanyahu. Eles não estão unidos no mesmo propósito. O que o Líbano quer...

tanto o governo e a oposição querem que Israel desocupe o sul do Líbano. O que o governo e a oposição discordam, no fundo, é quanto ao formato do diálogo com Israel.

A oposição não admite negociações diretas, porque ela entende que isso é reconhecimento a Israel. E o governo, pressionado por Washington, está negociando diretamente. A discussão não é sobre o conteúdo da demanda, mas sobre o formato. E esse é o ponto no que diz respeito ao Líbano. Quanto ao Irã, na próxima pergunta eu respondo. E deixo para o Lorival.

Olorival, basicamente, se eu entendi a colocação do Hussein, ele trata do risco Netanyahu, do risco Israel no acordo como um todo, porque é um acordo Israel-Líbano, impacta diretamente o acordo Estados Unidos-Irã, e eu queria a sua leitura sobre isso, por favor.

Bem, um grande desafio nesse acordo entre o Líbano e Israel são dois. De um lado, a presença das forças israelenses no sul do Líbano, que Israel justifica dizendo que porque o acusar fogo de novembro de 2024 não foi cumprido e o Hezbollah manteve sua presença no sul do Líbano e voltou a atacar.

Israel, depois da decapitação do regime iraniano, especificamente a morte do líder supremo Ali Khamenei. Então Israel disse que precisa ocupar de novo o sul do Líbano e isso tem gerado escaramuças, conflitos constantes entre o Hezbollah.

E aí o grande desafio é esse, é que o Líbano, o Exército Nacional Libanês, não tem condições de desarmar o Hezbollah, de retirar o Hezbollah do sul do Líbano. Só Israel é que tem essa condição. Então é um cessar-fogo entre duas entidades que não estão em guerra.

O governo libanês e o governo israelense não estão em guerra. Quem está em guerra é Israel e o Hezbollah. Então, por isso, é um acordo um pouco distópico nesse sentido. Mas é algo que, de fato, o Trump precisa apresentar.

para garantir a continuidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, porque embora os Estados Unidos e Israel tenham negado que o Hezbollah, o Líbano, estavam incluídos no acordo de cessar-fogo com o Irã, na verdade eles sentem que precisam manter esse cessar-fogo para não pôr a perder o cessar-fogo com o Irã.

Hussein, esse... Por favor, Hussein, pode conduzir. É o seguinte, o Lourival, tem dois pontos importantes. Israel reconhece que é incapaz de desarmar o Hezbollah. Eles não têm condição nem capacidade.

Não é nem o exército libanês, nem Israel consegue desarmar o Hezbollah. Então esse é um ponto reconhecido pelo próprio governo Netanyahu em declarações pretéritas há 20 dias atrás. Segundo aspecto, quem não respeitou cessar fogo foi o governo israelense.

Quando foi assinado em novembro de 2024, um acordo entre o governo libanês e o governo israelense para um cessar fogo. Esse acordo foi violado por Israel durante 15 meses e essas violações, segundo a Unifil, foram mais de 10 mil violações do lado israelense.

Enquanto o Hezbollah cumpriu com o que é determinado pelo acordo mediado pelos Estados Unidos, que é entregar todas as armas ao sul do rio Litane.

Entende? Portanto, quem não cumpriu com o acordo foi o Estado de Israel, não foi o Hezbollah. E aqui não estou defendendo o Hezbollah. O Hezbollah é um problema do Líbano. Claro que o Estado de Libanês tem que desarmar o Hezbollah. Esse é um assunto interno libanês. Agora, o fato é, qual é o problema?

Num acordo eventual entre Israel e o Líbano, o grande problema é que se o Hezbollah se desarmar, não há nada que garanta que Israel vai se retirar. Israel não cumpre acordo nenhum de paz, nem com os palestinos, nem com os libaneses, nem com ninguém. Esse é o grande problema. Lorival, para finalizar.

Bem, eu discordo. Acho que Israel se retirou do sul do Líbano depois de ficar lá durante 20 anos, entre 82 e início dos anos 2000. Israel tem voltado... Mas não se retirou, Lorival. Por que quis? Se retirou porque houve uma resistência armada. Não vi a cor do diplomado.

discordo novamente. Mas, enfim, eu acho que a gente podia... Eu discordo. Eu acho que o que desencadeou essas incursões e a ocupação são os ataques do Hezbollah ao norte de Israel. Mas acho que a gente podia falar... Bom, acho que, na verdade, acabou o tempo, né? A gente não pôde falar, então, sobre a situação no Irã. Acho que... Dois minutos, Lorival. Pode falar, Lorival. Dois minutos.

Existe um dado que o New York Times divulgou hoje, que são dados do Departamento de Defesa americano e de autoridades do Congresso americano, que a guerra contra o Irã está custando um bilhão de dólares por dia aos Estados Unidos.

que nessa guerra eles consumiram 1.100 mísseis de cruzeiro stealth, furtivos, de longo alcance, que iam ser usados na guerra contra a China, e praticamente todo o estoque foi gasto nessa guerra com o Irã. Dispararam 1.000 mísseis de cruzeiro Tomahawk, que é 10 vezes o número que os Estados Unidos compram por ano, e utilizou 1.200 interceptadores Patriot.

que custam 4 milhões de dólares cada um, e mais de mil mísseis terrestres, precision strike e atacamos. Então, sim, esse é um grande presente que o Irã e os Estados Unidos estão dando para a China. O arsenal que seria usado de forma dissuasiva, ou mesmo numa guerra quente contra a China, está sendo gasto com o Irã pelos Estados Unidos.

Senhores, queria continuar e estender o debate, mas a grade aqui eu preciso encerrar. Peço desculpa aos dois e a quem nos assiste, mas eu vou me despedir do Hussein Kalou, professor de Relações Internacionais da USP, pesquisador de Harvard. Hussein, obrigado, querido. Obrigado a você. Obrigado, Lorival. Um abraço. Lorival, também. Bom descanso aí, meu caro. Volte logo. O WW termina aqui. Uma boa noite, excelente descanso e até amanhã.

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