Trump troca guerra externa por conflito com aliados
William Waack
Caio Junqueira
Daniel Rittner
Leonardo Matos
Lourival Sant'Anna
Marcos Jank
Thiago de Aragão
- Oriente Médio e Estreito de OrmuzEstreito de Hormuz · Negociações entre Irã e EUA · Guerra entre Israel e Hezbollah
- Fertilizantes e Insumos AgrícolasCrise de fertilizantes · Agronegócio brasileiro
Boa noite, STS e Nen Brasil. Este é o WW. Na sua fúria épica, Donald Trump não parece ter conseguido até aqui o que queria. O odiado regime teocrático do Irã continua lá, mesmo depois de ter tomado uma histórica surra militar.
e continua praticando um histórico fechamento do Estreito de Hormuz. Um caso clássico de operações táticas, brilhantemente executadas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos e de Israel, que levaram a uma situação estratégica desfavorável para os Estados Unidos. A fúria épica de Trump volta-se agora contra os tradicionais aliados da OTAN.
Enquanto ainda não sabe o Trump se volta ou não a bombardear ou até mesmo invadir o Irã, o que parece depender muito mais de Israel do que da própria superpotência, Trump fala em desfazer o principal pacto militar do planeta até aqui.
Na visão de Trump, os principais beneficiados desse pacto foram europeus preguiçosos que viveram à sombra do guarda-chuva de segurança proporcionado pelos americanos e que não correram para salvar Trump da confusão que ele mesmo arrumou lá no Estreito de Hormuz.
Trump já vem tratando os tradicionais aliados a pontapés, seja na retórica, seja no emprego de armas econômicas e comerciais. Mas a OTAN sempre funcionou muito mais como aliança abrangente, como pilar de um tipo de ordem internacional, do que simplesmente como arranjo militar.
Não é, porém, o que está naquilo que a gente poderia chamar, para dar um nome a isso, de visão de mundo de Trump. Essa visão não parece ir muito além do próprio umbigo. O que surge no horizonte agora, depois da operação épica, fúria, é um adversário que ficou mais forte depois de ter apanhado muito na guerra. E uma forte aliança militar que Trump ameaça deixar mais fraca.
Nessa edição, nós vamos tratar também do Senado se movendo para tratar da indicação do STF e da dosimetria, apenas pelo julgamento do 8 de janeiro, e da dependência brasileira de fertilizantes, como é que fica isso. Antes, participantes da nossa roda nesse momento, Daniel Ritner, boa noite para você em Brasília. Caio Junqueira, bem-vindo de volta à bancada aqui em São Paulo, boa noite igualmente. Vamos com política brasileira no começo.
O presidente do Senado Federal acenou hoje ao governo e também à oposição. Davi Alcolumbre destravou a indicação de Jorge Messias para o STF, ele foi indicado por Lula, e pautou também a sessão conjunta, uma sessão do Congresso, para analisar os vetos presidenciais ao PL da dosimetria. Essa é uma das principais demandas dos grupos bolsonaristas no Congresso.
Então vamos ao vivo de Brasília com a Luciana Amaral, nossa repórter. Ela tem as últimas informações. Boa noite, Luciana.
Um aceno para cada lado, bem ao estilo do Davi Alcolumbre, viu, William? Muito boa noite a você e a todos que nos acompanham aqui no WW, excelente quinta-feira. Bem, essa foi a avaliação dos senadores ao longo do dia de hoje. Depois de quatro meses em banho-maria devido a dificuldades políticas, o presidente Lula, na semana passada, se sentiu seguro o suficiente para oficializar.
A indicação de Jorge Messias junto ao Senado e hoje o Davi Alcolumbre oficializou esse envio da indicação para a CCJ, que é a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, primeiro passo necessário para a tramitação realmente acontecer. Então, na prática, ele destravou.
esse processo. Depois da CCJ, Messias ainda tem que ser analisado pelo plenário do Senado, onde ele precisa de pelo menos 41 votos a favor. O Messias nunca deixou de procurar nem de conversar com os senadores ao longo desses últimos meses.
E hoje ele fez mais um gesto ali para agradar os senadores. Ele elogiou e agradeceu tanto ao Columbre quanto também aos outros senadores envolvidos. A sabatina dele está marcada para o dia 29 agora de abril, então no final do mês. Agora, um ponto que deve ser ressaltado é que mesmo que o Messias seja aprovado pelo Senado Federal, isso não significa que o governo vai continuar...
numa posição confortável, muito pelo contrário. Isso porque logo no dia seguinte, o Alcolumbre já marcou uma sessão conjunta do Congresso Nacional para votar o veto total do presidente Lula ao projeto da dosimetria. Se o veto presidencial for derrubado, as punições tanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro quanto também aos outros envolvidos, tanto na trama golpista quanto no 8 de janeiro,
Essas punições devem ser revistas e reduzidas de forma significativa. É o STF quem vai calibrar como ficam as penas depois disso. Alcolumbre já disse que o veto é o item único da pauta dessa sessão conjunta do Congresso Nacional.
Portanto, ele indicou que ele não tem intenção nenhuma de ler e de dar andamento a criação da CPMI do Banco Master, o que também era um pleito dos principais da oposição dentro do Congresso Nacional.
O que a gente apurou é que a oposição tende a tentar derrubar o veto do presidente Lula e acabar deixando a CPMI do Master de lado, deixar isso então acabar morrendo. A gente sabe também que uma eventual CPMI do Banco Master não é de interesse nem da cúpula do Congresso Nacional, nem também de caciques, especialmente de partidos do Centrão. Portanto, o panorama é esse.
tem acenos a ambos os lados, tanto ao Palácio do Planalto quanto também à oposição. E agora é ver quem vai se sair vencedor até o final do mês. Volto contigo, William. Obrigado para você. Boa noite para você aí em Brasília, querida Luciana. Daniel Ritner, pouca gente aí em Brasília acredita em coincidências, você acredita?
De jeito nenhum. Então vai passar tudo? Olha só a coincidência, olha só a coincidência. 29 tem ali a tramitação da questão do Messias. 30 tem a tramitação da questão da dosimetria. Passa tudo?
William, vamos lá. Eu estive hoje no Palácio do Planalto, conversei longamente com a oposição e posso te dar um relato aqui absolutamente fidedigno de que os dois lados no que se refere à sabatina de Jorge Messias estão confiantes.
Tem alguém errado aí na história. O Palácio do Planalto acha que tem votos suficientes, por isso que Lula mandou. O entorno de Messias está muito confiante, inclusive porque diz, olha, o Messias já conversou com 73, 74 dos 81 senadores e tem votos inclusive em senadores de direita.
que identificam nele alguém com valores conservadores. Não é indicação dos sonhos de nenhum senador de direita, mas alguém que eles identificam como menos ruim do que uma outra indicação, porque tem valores mais próximos de valores conservadores de direitas pelo perfil religioso. Então, que ele pode arrematar alguns votos ali da bancada evangélica, por exemplo. Agora, a oposição...
que conversou hoje com Davi Alcolumbre, saiu absolutamente convencida de que Davi Alcolumbre só encaminhou o nome de Messias para CCJ, para Sabatina, porque o próprio Davi Alcolumbre fez um mapeamento dos votos.
E teria identificado que não mais do que 35 senadores votam a favor de Messias. Preciso lembrar, não basta ter a maioria para aprovar Messias. É preciso que 41 votem a favor dele. Então, a ausência no plenário joga contra Messias. Uma pessoa até disse o seguinte, que teria ouvido de Davi Alcolumbre, o que o gabinete dele nega,
que teria ouvido de Davi Alcolumbre que, olha, eu estou pautando isso porque tenho a impressão de que vai ser rejeitado. Vocês tratem de arrumar os votos. Se não arrumarem, nunca mais me pressionem com o pedido de impeachment de ministro supremo. Então, na verdade, ele só faz isso porque quer dar duas pauladas no governo? Caio.
Na verdade, primeiro ele distensiona, com o Senado praticamente parado neste semestre, muito por impacto do caso Master, então os trabalhos legislativos estão muito paralisados neste ano, principalmente no Senado. E pressão dos dois lados, uma para pautar o Messias, despachar o Messias, porque na verdade ele só despachou, demorou uma semana, mas despachou para a CCJ. E a pressão da dose de mil.
Não, não foi isso. Não, despachar seria na descrição que o Daniel nos trouxe. Ah, assim de tocar. Ah, é? Quer indicar? Tá bom, eu sei que você vai ser despachado, então vamos lá. Não, vamos lá. Desculpa, eu interrompo. Ele distensiona uma pressão governista e distensiona, de fato, ao enviar a nomeação para a CCJ e distensiona uma pressão oposicionista ao pautar a sessão dos vetos do PL da dosimetria.
corroborando a parte governista do que o Daniel falou, eles têm o mapa também. O governo tem o mapa, a gente publicou isso agora há pouco, e acredita-se entre 48 e 52 votos no plenário a favor da aprovação. É bastante, é bem mais do que o mínimo. É uma folga, eles dizem, conservadora. Eu queria colocar muito nessa questão, porque desde o envio...
Por que o Davi enviou e não sentou em cima? Na verdade, ele sentou em cima desde o final do ano passado. Faz sentido a tese de que ele encaminhou para tirar esse assunto da frente, retirar a pressão governista e, pelo menos, não trabalhar a favor dos votos para o Messias. E aí, me foi colocada uma questão que eu achei muito interessante.
o caso Mássio também influenciando esse processo. O Messias é tido como alguém que no Supremo...
seria alguém muito próximo ao grupo do Fachin, do André Mendonça e da Carmen Lúcia e do Fux. Vamos dizer que é a turma pró-código de ética e a turma que não teria restrições em votar a favor de uma abertura de investigação contra o Alexandre de Moraes e contra o Dias Toffoli.
O Alexandre de Moraes é muito próximo do Davi Alcolumbre. E ao Davi Alcolumbre também não interessa muito esse caso Master avançar, porque pega potencialmente aliados dele no Amapá. Então, nesse sentido, faz sentido...
Tirar o Messias da jogada. Porque seria um voto a menos contra os avanços da investigação do caso Master a partir de uma derrota. Mas tem muitas variáveis aí. Mas tem muita gente em Brasília apostando que o caso Master influenciou, está influenciando direto. Como se fala naquelas clássicas novelas de espionagem, é o double crossing do double crossing.
O cara me deu uma dobrada e eu estou dando uma dobrada, uma dobrada. Exatamente. Então é o seguinte. Fala, Daniel. Não, sabe? Só uma coisa que eu achei absolutamente fascinante, porque no meio de versões tão diferentes, e fato, tá? O Caio nos trouxe isso, o governo acredita lá que tem 45, 48 votos, e a oposição jura que não tem 35. Então é um duelo de versões ali violento. Mas onde? Quem está errado, Daniel? Ele deixa eu...
Quem é que está errado? Porque você me usou a expressão. Voltou-se contra o autor a expressão. Não pode estar os dois certos. Quem você acha que está errado? Aí o Daniel tem que tomar para ele, né? O que eu acho mais interessante é que os dois lados me citaram isso hoje. Achei absolutamente fascinante essa convergência nas opiniões de que uma vitória do governo aprovar o Messias o Messias
É tido como não mais do que obrigação. Nos últimos cento e tantos anos, todos os governos aprovaram as suas indicações para o Supremo. Não faz mais do que obrigação. Mas na hipótese de rejeição, não se sabe como é que vai ser a eleição se vamos ter um governo Lula 4. Mas na hipótese de rejeição do Messias, o governo Lula 3 acabou.
Se for rejeitado, não existe clima para se votar mais absolutamente nada, nem no Senado, nem na Câmara. A gente, nas outras duas nomeações do Lula neste governo Lula 3, que foram Cristiano Zaninho e Flávio Dino, a gente sempre volta para a história do Brasil para lembrar quando que houve rejeições de ministros do Supremo, salvo engano, o governo Floriano Peixoto. Foi no século... É coisa de livro.
Assim, não, de tão extraordinário que seria. Não tenho memória disso. Porque é muito arriscado para senadores também, olhando sobre outra ótica, potencialmente investigados, e muitos já investigados também em processos criminais pelo Supremo Tribunal Federal, que é quem investiga o parlamentar. Mas é muito arriscado eles também apertarem a mão, muito embora seja votação secreta, quanto uma indicação de um cara que pode virar ministro do Supremo. Haja vista.
O próprio caso do Davi Alcolumbre, que trabalhou muito para o André Mendonça não ser nomeado e aprovado ministro do Supremo Tribunal Federal. E hoje, o André Mendonça toca os dois grandes processos da República, que o faz o homem mais poderoso da República hoje, que envolvem potencialmente aliados do Davi Alcolumbre. Tanto o caso do INSS quanto o Mastem. Então, resumindo.
A raposa política ao columbre acha que ganha duas vezes. Uma, distensiona porque ele leva adiante um indicado do governo federal. Se ele não for aprovado, é problema do governo, não dele ao columbre. Se não for aprovado, ele ganha de novo, porque não se formaria aquilo que você mencionou agora, uma hipotética.
conjunção de maioria que iria contra seu principal aliado dentro do Supremo Ministro Alexandre de Moraes, que Lula está implicando no escândalo. Agora, e dosimetria, Daniel?
Vamos lá, William. Vamos tentar fazer um exercício aqui, tem a ver com dosimetria também, de tentar entrar na cabeça do Davi Alcolumbre. Opa, isso aí é difícil. A gente tem feito isso com vários pessoas. É do Trump e tudo. Virou festa agora no WDW, entrar na cabeça dos outros.
Não, olha, é um sujeito que é conhecido em Brasília, pelo menos a lenda, vamos colocar assim, vamos ser gentil, conhecido pelo apetite por cargos, que tem um interesse em espaço dentro da máquina pública, como muitos outros personagens políticos que chegaram aonde ele chegou, tudo bem. Mas é um sujeito que, por um lado, precisa fazer um agrado e pescar para o governo.
porque ele está enfrentando ali uma investigação da Polícia Federal em torno de inúmeros casos, Banco Master, emendas parlamentares, tudo isso é complicado e também atinge Davi Alcolumbre no Supremo, então tem que piscar para o governo.
Mas é um senador que tem pretensões de continuar nessa cadeira da presidência do Senado no próximo bienio, a partir de 2027. Numa configuração do Senado, falando isso aqui ontem, tende a ser um Senado de direita, talvez até com quase dois terços de direita.
E hoje, com a oposição tendo zero apetite, zero apetite por deixá-lo na presidência do Senado no próximo bienio. Então, é preciso fazer um gesto também e dizer assim, não, dosimetria, ok, vamos pautar.
Agora, vocês precisam dar um jeito aqui, então, de garantir que eu tenho como segurar a CPMI do Master. Por isso, houve um requerimento da oposição pedindo, com 30 senadores, pauta única numa sessão conjunta do Congresso Nacional. Precisa ver se o Supremo deixa também, se tiver recurso, viu? Mas essa é a cabeça do Davi Alcolumbre, de que ele precisa agradar o governo por sobrevivência e precisa agradar a oposição por sobrevivência a partir do ano que vem.
Artista da corda bamba, sem dúvida alguma. Sim, sim. Agora, dosimetria. Não, dosimetria... Passa, quer dizer, derruba-se os vetos do presidente. Sim, na verdade, dosimetria, os placares dos plenários já foram dados nas votações do ano passado. Tem muita gente esperando isso. Por exemplo, Felipe Martins, é um caso, ele sai da cadeia.
pelo que os advogados relatam. O Bolsonaro a gente sabe que diminui, mas tem muita gente de olho. E tem a tal da associação dos familiares e vítimas, 8 de janeiro, que é muito ativa, inclusive, entrou com o mandado de segurança hoje, antes, inclusive, da decisão do Alcolumbre de pautar. E caiu com o André Mendonça, pedindo que seja obrigado a que fosse pautada. Acabou sendo pautada. Não extinguiu porque foi pautada.
É, mas não é uma questão assim... A grande questão, acho que do Alcolumbre, além das questões das investigações, eu acho que é o Estado, eu sempre falo isso aqui. A questão eleitoral na MAPA nesse ano é um contexto desfavorável para o grupo político dele, do Randolfo Rodrigues. O líder nas pesquisas, o doutor Furlan, tem 70% das intenções de voto.
E o governador, o Clécio, que é aliado dele, tem 30. No Senado, também tem uma situação desconfortável até para o Randolph, Rodrigues ser reeleito. Então, ele pisca para o governo também, o doutor Fulano é mais à direita. Então, imagino que os bolsonaristas do Amapá e a direita do Amapá votam no doutor Fulano. Então, ele precisa piscar para o governo também.
Porque para abraçar um pouco o eleitor mais lulista e mais à esquerda no seu estado, que a situação realmente é difícil para ele. Desculpa. Perdão. Daniel, por último, tem um minutinho ainda. Se a gente somar esses dois eventos, domiciliar Bolsonaro...
E, como o Caio está dizendo, os placares até aqui indicam que a dosimetria vai ser instituída, instaurada. O que isso bate na eleição? Dosimetria, William, dosimetria realmente concordo com o Caio, está dado. A questão da dosimetria é, uma sessão do Congresso Nacional, o presidente do Congresso, que é o Davi Alcolumbre, precisa.
pela jurisprudência do Supremo, dá vazão aos requerimentos da minoria e, portanto, instalar a CPMI do Master. Me causa dúvida ali se alguém não acionará o Supremo testando o argumento de que ele precise pautar.
E aí, se isso se tornar uma realidade, não é o status quo hoje, ele vai só conduzir a dosimetria, mas se isso for levado adiante, aí sim teremos um capítulo novo, um desdobramento, que seria uma CPMI do Master, com toda a repercussão de noticiário que significa. Então, tem muita gente querendo evitar, mas é bem capaz de essa bola cair no colo do Supremo.
Eu estou encerrando esse segmento aqui, me despeço de você, Caio, amanhã a loja é tua. Boa noite, amanhã o W é contigo. Daniel, a gente continua juntos, vamos para o intervalo. Na volta nós vamos ver o risco em questão de fornecimento de fertilizantes para o Brasil. Até já.
Estamos voltando do intervalo WW Conosco, agora na roda. Marcos Yank, coordenador do INSPER Agro Global. Marcos, obrigado por estar conosco, boa noite. Boa noite, William. É um prazer imenso estar com vocês aí hoje. Lorival, prazer tê-lo a bordo do WW. Boa noite, Lorival. Boa noite.
Fertilizantes. O governo federal estuda novas ações. Claro, a preocupação é com as consequências do que está acontecendo no Oriente Médio. Quando a gente fala guerra ou cessar-fogo, ninguém sabe muito bem, também ninguém sabe muito bem para onde isso aí vai desaguar. O setor, evidentemente, a ser alcançado por ações que estão sendo pensadas pelo governo é o agronegócio e especificamente a questão do fornecimento de fertilizantes. Confira.
O Planalto avalia a chance de criar um subsídio para os insumos dentro do Plano Safra. A medida seguiria o modelo adotado para combustíveis e gás de cozinha, visando frear o aumento nos preços. No entanto, o plano não é emergencial, já que os produtores já adquiriram grande parte dos fertilizantes para os próximos dois meses. Para além do curto prazo, o governo discute maneiras de tornar o país menos dependente da importação desses produtos.
Além da crise atual em Ormuz, o Brasil já lidou com disrupções no mercado externo durante a pandemia de Covid-19 e a guerra da Ucrânia. Diante disso, a equipe econômica estuda a criação de linhas de financiamento e programas de incentivo industrial. Com um governo mais imprevisível nos Estados Unidos, o Planalto avalia que reduzir a vulnerabilidade ante choques externos se tornou uma necessidade.
Hoje, o Brasil importa 85% dos fertilizantes que consome. Quase metade vem de países com maior propensão à instabilidade política, conforme apontou um relatório do Inspiragro, que pode elevar o preço no mercado como um todo. O preço da ureia, por exemplo, cresceu mais de 100%. Legenda Adriana Zanotto
O Oriente Médio concentra mais de 40% das exportações globais do produto, cruzando, especialmente por Hormuz. A China, um dos principais fornecedores do Brasil, suspendeu a exportação de alguns insumos, preferindo se concentrar no mercado interno. Agricultores brasileiros costumam intensificar a compra do produto no segundo semestre.
Mas o alto nível de incerteza deixa o mercado apreensivo e com postura cautelosa, enquanto a situação geopolítica não se tranquilizar. Marcos, os dados que foram citados no texto editado e narrado pelo nosso editor Saulo foram tirados do seu relatório. O seu relatório é super contundente. Você afirma ali o seguinte, o que precisa mudar é a nossa estratégia de segurança e de abastecimento.
Um agronegócio que alimenta o mundo não pode ter seu calcanhar de aqueles permanentemente exposto a cada nova turbulência nos gargalos do planeta. Concluo eu, então, que o que está se examinando agora não vai servir para grande coisa?
É isso, eu acho que a gente, quando fez a grande expansão do agro-tropical, principalmente em direção ao centro-oeste, a gente esqueceu de duas coisas, a gente esqueceu de fazer uma infraestrutura melhor, principalmente de trens e hidrovias, a gente ficou em cima do caminhão, portanto um custo caríssimo, por exemplo, para o Mato Grosso, que está a 2 mil quilômetros do porto, e esquecemos dos fertilizantes.
Porque é uma coisa que nesses anos todos que eu trabalho nisso, William, a gente sempre só se preocupou com o acesso ao mercado dos nossos produtos no mundo, principalmente na Ásia hoje. A gente não se preocupou com dois problemas fatais nos insumos. Primeiro, a falta de diesel, eventualmente, porque a gente importa 25% do diesel e também importa querosene, gasolina, etc. E a falta de fertilizantes, onde o Brasil é de longe o maior importador do mundo.
E, diferentemente de outros países, como Estados Unidos, que também é um grande importador, para eles o problema é só o potássio. No caso do Brasil, nós temos o problema de abastecimento de fósforo, que é 60% importado, e de nitrogênio.
e de fósforo, que aí vai dar mais ou menos uns 95%. Então, seria basicamente 60% no fósforo e 90%, 95% nitrogênio e potássio. Portanto, a gente tem que buscar isso em algum lugar e é difícil porque um produto ajuda a fazer o outro. Por exemplo, a coisa mais crítica hoje lá no Oriente Médio é o problema do enxofre.
que vem da produção da Arábia Saudita, daqueles países todos, e que pode fazer falta e que afeta os outros elementos. Então, é uma situação extremamente delicada. A gente não prestou atenção em buscar um nível de autossuficiência menor. Isso vai levar muitos anos para ser conquistado. Tem poucos fornecedores alternativos no mundo.
Então, a gente está numa sinuca de bico. E, diferentemente de 2022, que de fato a gente teve uma crise por conta da guerra Ucrânia-Rússia, naquele momento não houve desabastecimento. Houve aumento de preço dos fertilizantes, de maneira geral, que depois caíram. Nessa crise atual, se a gente continuar com o estreito de hormônio fechado, nós vamos ter preços semelhantes ou maiores do que 2022?
E podemos ter desabastecimento no segundo semestre. O primeiro semestre não teve problema, mas o segundo semestre, a gente vai precisar desse fertilizante chegando no agricultor até o mês de agosto, agosto e setembro. Então, pode acontecer um problema grave aqui no Brasil, sim. Dorival, o que você pode dizer ao produtor que precisa do fertilizante chegando no mês de agosto?
Bom, a intenção do Irã é continuar controlando o Estreito de Hormuz. O que eles dizem é que o Estreito não está fechado e não será fechado. É que é preciso coordenar com o Irã a navegação do Estreito. Eles dizem que é...
Primeiro, por problema de segurança, porque eles colocaram minas em algumas das linhas de navegação do sistema que se chama esquema de separação de tráfego, que é por onde, digamos, como se fossem as pistas pelas quais os cargueiros passam. E só eles sabem onde estão essas minas.
E, além disso, hoje o líder espiritual, Mostaba Khamenei, diz que vai vingar o assassinato do pai dele e de todos os mártires, como eles dizem, dessa guerra, por meio dessa nova gestão do Estreito de Hormuz, que equivale para ele à compensação pela guerra, reparação da guerra. Então, o status que o Irã pretende manter...
é esse permanentemente de controle e de coordenação e de pagamento de pedágio para ele que ele diz que vai dividir com o man o país vizinho ali agora essa não é a visão do donald trump né ele
porque é um resultado muito ruim para ele dessa guerra, porque antes e nunca na história o Strait of Hormuz foi controlado. Agora é como resultado dessa guerra estar sendo controlado. Então essa é uma crise que se essa negociação que começa no sábado não surtir efeito, se o Trump insistir em não aceitar...
E se isso não for usado como uma moeda de troca pelo Irã, temos aí mais uma crise em relação, uma continuação da crise em relação à navegação. Nas últimas 24 horas, passou apenas um petroleiro chinês.
e cinco grandeleiros pelo Estreito de Hormuz, porque a Organização Marítima Internacional, que é uma agência da ONU, se recusa a fazer essa coordenação, a aceitar esse status novo do Estreito de Hormuz, porque eles acham que esse é um precedente extremamente perigoso, que isso é contra as práticas da navegação, o Estreito é um acidente natural, é diferente de um canal como o de Panamá.
Aliás, o secretário-geral é panamenho, Arsenio Domingues, e diferente do canal de Suez, que foram feitos pelo homem, estreitos não podem ter pedágio. Então, temos aí um impasse internacional. O que o governo está pensando em termos estratégicos a respeito, Daniel?
William, é muito curioso que, num país com uma polarização tão acentuada, o governo Bolsonaro elaborou e o governo Lula manteve um plano nacional de fertilizantes para reduzir a dependência dos fertilizantes pelo nosso agronegócio, que hoje beira 80%, 85%.
Se eu der algum dado errado, por favor, Marcos Yank, me corrija. Mas esse plano é conceitualmente interessante e bem estruturado, mas ele tem tido uma dificuldade de implementação. O potássio como matéria-prima, um minério absolutamente crucial para a nossa redução da dependência.
Veja um projeto muito relevante no estado do Amazonas, da Brasil Potash, tem uma dificuldade tremenda de implementação por razões de licenciamento ambiental e de oposição, entre outros, do Ministério Público e de movimentos sociais.
E o outro dado que é interessante é o preço do gás. Para você ter uma indústria de fertilizantes, de produção de fertilizantes, além dos minérios adequados, você precisa ter gás relativamente barato. Em 2019, me lembro vivamente de Paulo Guedes prometendo o choque da energia barata e uma redução de 50% do preço do gás. Hoje temos...
mais ou menos os mesmos preços de 2019. Os Estados Unidos têm um gás, o gás chega à porta da indústria por 3 dólares por milhão de BTU, na Europa por 5, 6 dólares, no Brasil chega por 10, 12 dólares. Com gás nesse preço, não tem indústria nacional de fertilizantes. Eu queria a sua avaliação desse plano, Marcos.
Eu acho também que o plano é insuficiente, ele não foi implementado, tem essas travas ambientais aí que são absolutamente complicadas, essa questão lá do potássio, há muito tempo que se fala da possibilidade de explorar o Tazes, que é onde está esse potássio, tem uma questão indígena lá, então existe uma série de problemas que impediram historicamente que a gente...
explorassem os nossos minerais. A mesma coisa acontece com as terras raras e com minerais críticos. Infelizmente, a gente está muito atrasado nisso. É um setor que está parado e devia estar a pleno vapor. Mas agora acendeu uma luz vermelha, porque uma crise de fertilizantes, William, é uma crise alimentar global, certo? Isso vai ter impacto, inclusive, na inflação e na macroeconomia. Se a gente tem uma quebra de safra por conta disso...
é uma coisa calamitosa. E o Brasil é o país mais exposto no mundo ao problema do fertilizante. É um calcanhar de Aquiles enorme que a gente tem, que não vai se resolver no curto prazo. E também nesse momento, a gente tem que buscar realmente alternativas ao estreito. E isso não é fácil, porque mesmo que você fale que a gente está comprando muito fósforo lá do Marrocos, mas o próprio Marrocos depende...
lá do enxofre e do nitrogênio que vem lá de Hormuz. Então, existe aí todo um problema em termos da logística. Esse problema pode se estender para outros estreitos, como o estreito de Babel-Mandeb, que fica abaixo do canal de Suez. Então, a gente pode ter um problema gravíssimo já no segundo semestre.
No primeiro semestre, de fato, nós não fomos tão afetados. Os americanos foram mais do que a gente, porque eles plantam agora. Mas no segundo semestre, a safra começa e não tem como deixar esse fertilizante atrasar, porque senão afeta a produção e a produtividade. Então eu não vejo nenhuma saída de curto prazo.
a não ser tentar encontrar alternativas aos fertilizantes, que são muito poucas na parte dos orgânicos e outras coisas, não vai resolver o problema. Se não existe saída de curto prazo do ponto de vista da capacidade de a gente buscar fornecimento ou quem oferte isso alternativa ao que acontece hoje, Lourival, a gente volta para o seu argumento na sua intervenção até aqui, tudo pendurado numa negociação que promete levar ao quê?
Bom, é uma negociação bastante robusta do ponto de vista dos seus representantes. Hoje já chegaram em Islamabad o presidente do parlamento iraniano, Mohamed Khalibaf, que pelo que nós sabemos é uma figura que está tendo um papel muito proeminente no governo.
iraniano e que vem sendo citado pelo presidente Trump como um interlocutor razoável com quem é possível negociar, junto com o Abbas Araghti, que é o chanceler iraniano
chefe das relações exteriores do Irã. Então, eles chegaram hoje a Islamabad, o que é um sinal muito positivo. Porque ontem um funcionário do governo iraniano me dizia que nós nem sabemos se vai haver essas negociações, porque Israel está bombardeando o Hezbollah.
Mas como a gente antecipou ontem aqui, os Estados Unidos pressionaram o Israel e o Netanyahu anunciou hoje, aceitou um plano de negociação com o governo libanês que havia sido oferecido pelo governo libanês no mês passado e ignorado pelo Netanyahu que sentia que estava numa posição de força nessa guerra junto com os Estados Unidos.
Mas os Estados Unidos exigiram que Israel ponha fim a essa guerra. Israel, por sua vez, a negociação será na semana que vem em Washington, portanto serão negociações praticamente paralelas e Israel exige o desarmamento do Hezbollah, que nós sabemos que é uma condição muito difícil de se conseguir, algo que se vem falando há vários anos, mas nunca foi feito.
Só que o Irã não vê essas duas coisas como sendo interligadas. Para o Irã...
A gestão do Estreito de Hormuz é um ponto pacífico da condição que ele impôs. Só que o Irã e os Estados Unidos aceitaram condições de cessar fogo completamente diferentes. O Trump ignorou as dez condições impostas pelo Irã. Aliás, hoje o Trump acusou a CNN e o New York Times O Trump é um ponto pacífico da condição que ele impôs.
de espalhar fake news, porque nós ficamos aqui falando sobre o documento do Irã, mas é o único documento que a gente conhece. A gente não conhece um documento do Paquistão e nem um dos Estados Unidos, a não ser aqueles 15 pontos que são anteriores a todo esse processo. Então, o Trump disse que aceitou as condições de cessar fogo, o Irã disse que aceitou também, mas as condições são completamente diferentes.
Mas J.D. Vance, vice-presidente americano que é contra essa guerra, deve ir para essa negociação em Islamabad, junto com o genro de Trump, Jared Kushner, e o representante do presidente, Steve Whitcoff. Então, é uma negociação...
promissora essa. Como o Irã fala de um protocolo, que é um termo um pouco vago, pode ser que haja aí um espaço para negociação. O Irã não quer perder o controle do Estreito de Hormuz porque ele sabe que se ele se retira ali, retira o seu controle militar, entrega o mapa da mina, enfim, permite uma livre navegação sem o controle dele, ele nunca mais vai retomar esse controle que é hoje.
uma grande forma de dissuasão que ele tem para não voltar a ser atacado. Então isso é muito estratégico para o Irã, mas é muito estratégico politicamente para o Trump também. Então os dois países vão ter de encontrar um ponto, um meio termo em que o Irã tem algum tipo de controle, mas não cobre pedágio e existe espaço para negociação. Vamos ver o que vai acontecer a partir de sábado.
Nossos produtores estão olhando para a Islamabad. Marcos Jank, queria começar por você. O agradecimento aqui pela participação no WWW. O Marcos Jank é o coordenador do INSPER AgroGlobal. Boa noite. Obrigado, Marcos. Muito obrigado. Sempre à disposição.
Daniel, igualmente, obrigado, boa noite para você em Brasília. Lourival, a gente continua juntos. No último segmento do programa hoje, é símbolo falar direto do que está acontecendo no cenário de guerra. Até já.
Estamos de volta do intervalo, agora conosco participando do programa, o comandante da reserva Leonardo Matos, que é professor de geopolítica na Escola de Guerra Naval. Leonardo, obrigado por estar conosco, boa noite. Boa noite, William, boa noite, Leival, boa noite a todos.
Vamos então, em primeiro lugar, já vou antecipando, nós vamos ao vivo ao hófito com a Mariana Janjá. Ela vai nos trazer o que... não? É VT? Ah, é VT. Então, o VT da Mariana Janjá. Deixa eu refazer toda a minha apresentação e do assunto.
A gente traz com a Mariana Janjá, como agora, um VT, como a gente diz na nossa gíria, ou seja, como é conhecido, uma reportagem sobre o que o Moro Lourival já vinha em parte abordando no segmento anterior, que são as negociações, mas sobretudo o regime de desconfiança mútua entre os vários participantes. Confira.
Benjamin Netanyahu ordenou que seu governo busque negociações com o Líbano, mas ponderou as forças israelenses continuarão a atacar o território libanês.
A CNN apurou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a Netanyahu para reduzir os ataques contra o Líbano e iniciar negociações com Beirute sobre o desarmamento do Hezbollah. Os Estados Unidos devem intermediar essas conversas, mas o Líbano já sinalizou que não aceita negociar sem antes ter um cessar-fogo.
O sinal verde para as conversas veio após o mais letal bombardeio israelense contra o Líbano desde o início da guerra, o que fez o Irã colocar o cessar-fogo em xeque. Mais ataques foram registrados nesta quinta-feira, no sul do país e nos arredores da capital, Beirute. O Paquistão, mediador entre Teherã e Washington, diz que a suspensão dos ataques israelenses no Líbano fazia parte do cessar-fogo, o que tanto Israel quanto os Estados Unidos negam.
O Líbano pede por negociações desde que Israel lançou a atual ofensiva contra o Hezbollah. O grupo libanês realiza ataques contra o território israelense em apoio ao Irã desde o início da guerra. Também nesta quinta, Trump disse que ataques mais fortes contra o Irã ocorrerão caso um verdadeiro acordo não seja alcançado.
O presidente americano também advertiu o Irã sobre cobrança de taxas para petroleiros atravessarem o Estreito de Hormuz e afirmou que, com ou sem o apoio do Irã, o petróleo começará a fluir muito em breve.
Leonardo, às vezes levar o Trump literalmente pelo que ele fala é sempre um problema. Ele dizendo agora que o petróleo vai voltar a fluir livremente, acredite quem quiser. Agora, cabe aqui aquela pergunta capciosa, Leonardo, realmente capciosa. São os americanos conduzindo essa negociação ou Israel?
William, nós temos lados diferentes nesse conflito. A gente não pode esquecer que os objetivos de Israel são diferentes dos objetivos dos Estados Unidos. Para Israel, é uma questão de sobrevivência, considerando a distância geográfica dele para o Hezbollah no Líbano e em relação ao Irã também. Então, Netanyahu tem eleições parlamentares em outubro.
tem um processo parado lá nos tribunais de Israel contra ele. Então, para o atual governo israelense, quanto mais tempo permanecer em conflito, melhor em função de todas essas questões. Não é o caso do Trump. O Trump quer sair desse conflito rápido, já ficou tempo demais, tem a questão da inflação nos Estados Unidos, tem a questão da popularidade do próprio Trump com eleições em novembro.
Temos aí, 14 de maio, encontros do Trump com Xi Jinping lá em Pequim e vários outros eventos. Então, o Trump quer sair desse conflito. Mas, como até no bloco anterior o Lourival estava comentando, essa negociação não vai ser simples. Só para lembrar aos nossos telespectadores, o vice-presidente Irivense, que vai chefiar a delegação americana, ele estava na Hungria ontem.
e voltou para os Estados Unidos hoje para ir para o Paquistão e chegar lá no sábado de manhã. Ou seja, ele voltou para os Estados Unidos, porque as coisas não estão assim tão tranquilas, ele tem que se entender pessoalmente ali com o Trump e com os outros.
membros do gabinete americano, para tentar ver o que é possível ser feito. O Netanyahu vai se manter dentro do Líbano e, logicamente, o Irã vai querer que Israel pare os ataques. Então, a situação não é nada fácil para essa negociação a partir de sábado lá no Paquistão.
Em condições o Vence, Lourival, ele estava na Hungria, fazendo campanha para quem parece que vai perder o poder. Parece que nós vamos ter uma eleição aí com um resultado importantíssimo. De um pequeno país na Europa, e depende desse resultado dessa eleição parlamentar na Hungria, um bocado do que é, digamos, um pivô importantíssimo da política externa americana, via Maga, via Trump, para o mundo inteiro.
fixado em Budapeste, mas isso vamos deixar de lado aqui no momento, para não complicar demais a cabeça de quem está nos acompanhando. Agora, Vance sai da Hungria, vai para Washington e atravessa o mundo de novo para ir para a Islamabad. Que condições ele tem? Porque como o comandante Leonardo estava assinalando, a negociação passou a ser de quatro lados praticamente.
Sim, é uma negociação bastante complexa, a começar pelo fato de que o J.D. Vance e o Trump têm posições diferentes a respeito dessa guerra. Como o J.D. Vance é um funcionário, uma autoridade eleita, ele teve...
ele teve perfil suficiente credenciais para confrontar o Trump. Ele discordou dessa guerra. E outros que discordavam também, comandantes militares, não tiveram coragem. E também o diretor-geral da CIA. E o Peter Hegsett, que é o secretário de Defesa, gostava da ideia da guerra.
Mas, então, eles têm uma divergência fundamental, mas, de qualquer maneira, o J.D. Vance se provou certo. Então, nesse sentido, deve ter ganhado mais confiança da parte de Trump. Ele pode dizer, I told you so. Eu te falei que não era uma boa ideia.
Mas aí ele vai estar distante, com um fuso horário diferente, embora a gente saiba que o Trump não dorme, mas ele vai ter que consultar o Trump nessas negociações. Em relação ao Netanyahu, como...
O Leonardo estava dizendo, o Netanyahu quer a continuação dessa guerra, ele precisa de guerras até o dia 26 de outubro para se tornar competitivo, chegar competitivo nas eleições israelenses.
Mas a gente viu que o Trump está disposto a dobrar o Netanyahu, a se impor sobre ele. Ontem ele já fez o maior bombardeio dessa campanha, exatamente porque sabia que ia ter de parar. Então ele estava arrematando a campanha no Líbano.
E o Trump com um humor, como sempre, ainda mais lábio, ainda mais oscilante, porque foi ele que causou essa guerra e está profundamente constrangido, pressionado por ter entrado nessa situação. O Irã.
por incrível que pareça, é o que tem a posição mais transparente, mais clara. E eles são grandes negociadores, eles são os bazares, eles são os criadores, os inventores da negociação, por assim dizer. Então, eles vão jogar muito, muito duro. Vai ser uma negociação incrivelmente difícil.
A gente tem um denominador comum aí, Leonardo, que é o Estreito de Hormuz. Do ponto de vista americano, inicialmente foi a surpresa de todos nós que eles tivessem, pelo menos na retórica, dado como um ponto a ser negociado o controle do Irã sobre o Hormuz. Depois se viu que não, que eles perceberam que isso é absolutamente inaceitável. Para os iranianos é o contrário.
Parece inaceitável, do ponto de vista do Irã, agora ceder o controle desse acidente geográfico. E aí? William, como o Lodival comentou, a situação é realmente bastante complicada em termos de negociação, mas, pelas leis internacionais, estreito não é a mesma coisa do que canal. Canal do Panamá, canal de Suez, etc., estreito.
É um acidente geográfico, ou seja, não tem como o Irã manter o Estreito de Hormuz fechado. Nós temos aí cerca de 800 navios, 800 navios dentro do Golfo Péssico, são cerca de 20 mil marítimos.
embarcados nesses navios dentro do Golfo Pérsico. A Imos está muito preocupada com a situação. São reuniões regulares com relação a esse tema. E eu acho, na minha avaliação, a comunidade internacional está também deixando muito, como se estivesse sendo uma torcida pelo resultado.
E vimos aí no bloco anterior, com o professor Janck, muito bem colocado, que a questão do fechamento do Estreito de Hormuz não é só uma questão de combustível, também é uma questão de fertilizantes, comida. Ou seja, é uma situação muito séria. Os países, de uma maneira geral, precisavam entrar firme contra o Irã com relação a essa questão do fechamento de Hormuz.
Se existe um conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, eles que se ataquem uns aos outros. Mas não quer dizer que vão matar pessoas de fome pelo mundo em função da crise que nós vamos ter de fertilizantes, a questão de alimentos. Então é uma questão muito séria. Nós não podemos também deixar de levar em consideração a possibilidade dos Estados Unidos, do Trump, acabar tendo que novamente utilizar...
a, digamos assim, a carta do poder militar dos Estados Unidos. Temos um grupo de batalha do George Bush chegando no Mediterrâneo, provavelmente amanhã ou depois de amanhã. E aí teremos aí lá para segunda-feira, ele já a leste do Mediterrâneo, junto com outro grupo de batalha do Gerald Ford e mais o Abraham Lincoln lá no Mar da Arábia. Ou seja, três grupos de batalha centrados em porta-aviões, prontos para atacar aí o Irã, caso essas negociações não evoluam como...
como previsto. Os iranianos podem ser muito bons negociadores, mas eles têm algumas cartas já bastante desgastadas por todos esses ataques realizados pelos Estados Unidos, por Israel, degradando muita infraestrutura, degradando muita fabricação, mísseis balísticos, drones, etc. Então, na minha avaliação...
Eu concordo que a negociação vai ser uma negociação dura, mas é inaceitável para a comunidade internacional. Não é só para Trump, para a comunidade internacional, ela deve se posicionar claramente junto ao Irã.
com essa questão do fechamento do Estreito de Hormuz. Nós estamos chegando a um limite, digamos assim, do razoável, do aceitável, para termos uma crise muito séria. Hoje foram seis, sete navios apenas que cruzaram o Estreito de Hormuz, o que é um número muito pequeno. Já temos 40 dias nesse conflito e vejo com muita preocupação os próximos dias. Vamos ter que seguir bastante de olho lá em Islamabad. Tomara que dê certo e o Irã abra efetivamente esse estreito em breve.
Eu tenho um minuto ainda, Lorival, e gostaria de ouvir sobre o que o comandante Leonardo acabou de dizer da concentração de ativos militares americanos ali e ainda mais as tropas que chegaram hoje. Qual seria o apetite do Trump de voltar à guerra?
ele não gostaria de precisar, ele mesmo se definiu como um negociador, ele gosta da ideia de negociar com, ele respeita os iranianos como negociadores, ele já falou isso, então é o momento dele, né, de...
recuperar a iniciativa e também a narrativa e tentar chegar a um acordo que seja honroso para ele. Mas para os iranianos se trata de impor o custo ao ataque. Envolve petroquímicos, envolve fármacos, envolve a produção de semicondutores, porque depende do hélio, que é um derivado da extração do gás.
todo tipo de material industrial que existe depende do que sai ali pelo Estreito de Hormuz. Os iranianos sabem disso, vão jogar essa carta de forma muito estratégica e sabem também que o custo da continuação dessa guerra e da tentativa de retomada, de liberação da navegação, teria um custo humano.
militar alto para os americanos, que o Trump vai evitar a todo custo. Então, vai ser uma negociação muito dura realmente. O Trump só usaria essa cartada militar em ultimíssimo caso, porque é algo que vai ter um custo político eleitoral muito grande nessa guerra impopular que ele está travando.
Lourival, começando por você, Lourival Santana, muito obrigado, sempre um enorme prazer nosso ter você a bordo do WW Boa Noite. Igualmente, meu agradecimento ao comandante da reserva, Leonardo Matos, professor de geopolítica na Escola de Guerra Naval. Leonardo, obrigado por ter estado conosco, boa noite também. Obrigado, obrigado, William, obrigado, Lourival, boa noite a todos.
E como sempre, meu recadinho ao final do WW, vários dos assuntos que a gente trata aqui, vocês têm material complementar visitando a página do WW no site da CNN. Agora sim, essa edição fica por aqui. Boa noite a todos e obrigado.