STF vira problema eleitoral para Lula
William Waack
Augusto Teixeira
Caio Junqueira
Daniel Rittner
Leonardo Matos
Lourival Sant'Anna
Thiago de Aragão
- Lula e STFDaniel Vorcaro e Alexandre de Moraes · Banco Master · Delação premiada
- Exportação de PetróleoAdriano Pires · Petrobras
- Presença militar americana no Oriente MédioCessar-fogo entre EUA e Irã · Hezbollah
Boa noite, STSNN Brasil. Este é o WW. O STF ouviu hoje uma das mais duras críticas à maneira como está enfrentando uma crise política e de credibilidade. E essa crítica veio do presidente Lula, que já deixou claro em público isso mais de uma vez, que seu terceiro mandato, ele e Lula, deve em boa parte ao Supremo.
Mas hoje deixou claro que o Supremo é uma ameaça para obter um eventual quarto mandato. E a culpa disso é do ministro Alexandre de Moraes, que Lula já tratou como salvador da democracia. O presidente contou que disse pessoalmente a Moraes para não jogar fora a biografia dele e Moraes por conta do escândalo do Banco Master e, portanto, que se declarasse impedido de atuar em questões envolvendo esse escândalo.
Lula referiu-se diretamente a um contrato entre o máster e o escritório de advocacia tocado pela mulher de Moraes. Um negócio portentuoso que rendeu 80 milhões de reais e levou a família de Moraes à condição de milionária em curtíssimo espaço de tempo.
Não se sabe, ou pelo menos não veio a público, o que Moraes teria respondido ao Conselho de Lula. Mas o que ele fez foi aumentar ainda mais no público a percepção de que integrantes do Supremo agem hoje para salvar principalmente a própria pele.
Moraes liberou para julgamento no plenário do Supremo uma ação proposta pelo PT para fixação de limites para acordos de delação premiada. O assunto dormia numa gaveta há uns cinco anos, mais ou menos. Mas como o PT defende que delação assinada por quem está preso seja considerada nula e Daniel Vorcaro preso prepara uma delação na qual ministros do Supremo poderiam ser incluídos, tudo ganhou outra dimensão.
Poucos dias, o decano da Corte, o ministro Gilmar Mendes, disse, emocionado, que as gerações futuras têm uma dívida de gratidão com Alexandre de Moraes. Lula, pelo jeito, acha que ele está atrapalhando. Nessa edição, vamos tratar também de como ficam as subvenções de combustíveis com a situação atual do Oriente Médio, que vai ser nosso terceiro assunto hoje, o cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos, Israel e Irã. Vai pegar?
Antes aos participantes da roda, estamos com Daniel Rittner em Brasília, boa noite. E Caio Junqueira, remoto também, boa noite, de Santa Catarina, né Caio? É isso?
Exatamente, William, boa noite a todos. Repórter itinerante. Vamos ao primeiro assunto, então. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre Moraes, liberou para julgamento no plenário físico uma ação apresentada pelo PT lá atrás, em 2021, que tem potencialmente a capacidade de restringir colaborações premiadas.
Essa decisão do ministro Alexandre de Moraes acontece em meio a uma grande expectativa em torno da já iniciada delação premiada, ou pelo menos o processo dela, do banqueiro Daniel Vorcaro, entre outros. A reportagem é de Luciana Amaral.
O processo, que estava parado desde julho do ano passado, agora está pronto para ser incluído na pauta do plenário físico, ainda sem data definida. A ação, impetrada pelo PT, pede que delações sejam acompanhadas de outros elementos para fundamentar medidas cautelares e o recebimento de denúncias.
A decisão de Alexandre de Moraes vem em meio às negociações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para um acordo de delação com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Antes, o ministro já havia restringido a atuação do COAF, abrindo espaço para a anulação de provas produzidas com base em relatórios do órgão.
Nesta quarta-feira, as atenções se voltaram mais uma vez às relações da família de Moraes com o Banco Master. Dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado apontaram que o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barsi, recebeu 80,2 milhões de reais do Master entre 2024 e 2025.
O escritório não confirma o que chamou de informações incorretas e vazadas ilicitamente. Viviane Barsi nunca falou em valores, embora tenha já tornado pública a relação dos serviços prestados ao Master. A situação de Moraes, no caso, é tida como potencialmente mais delicada do que a de Dias Toffoli.
E já repercute no topo dos três poderes. Em entrevista concedida a Leandro De Mora e Eduardo Moreira no ICL Notícias, o presidente Lula disse ter orientado o ministro a se declarar impedido no julgamento do Master. Eu vou dizer para vocês exatamente o que eu disse para ele. É o seguinte, você curtiu a biografia histórica desse país com o julgamento do 8 de janeiro.
Não permita que esse caso do Bocaro jogue fora a sua biografia. O desgaste à imagem do Supremo preocupa o planalto de olho nas eleições. A avaliação é de que mesmo que não haja irregularidades envolvendo morais, as acusações e as críticas de imoralidade somadas à suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro pela trama golpista inflamam o discurso da direita.
Além de derrotar o PT na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro busca formar maioria no Senado para eleger o presidente da Casa e então pautar o impeachment de ministros do Supremo. Para a direita, a imagem de Lula está intimamente ligada a morais. Dessa forma, sangrar um seria também atingir o outro. Como se deve entender, em primeiro lugar, você, Caio, como se deve entender esse passo que o Lula deu?
Uma coisa é ele dizer pessoalmente ao ministro do Supremo, olha, a situação não é fácil para você, muito menos para mim. A outra é virar público, contar o que ele disse em particular.
Bom, vamos lá, William. Primeiro que o conselho do Lula é um conselho que está escrito no Código de Processo Penal. O Alexandre de Moraes é diretamente ou indiretamente relacionado ao caso Márcia. É óbvio que ele não pode julgar ou participar de qualquer coisa que tenha um julgamento do caso Márcia.
Então, não é um conselho mirabolante, nem algo extraordinário, é o óbvio, é o que prevê a lei. Segundo ponto, para a gente partir para uma interpretação política, há claramente uma tentativa do presidente Lula, que enfrenta uma campanha à reeleição difícil.
tem o principal oponente empatado com ele nas pesquisas de intenção de voto, uma tentativa de descolar a figura dele da figura do Supremo Tribunal Federal, especificamente do ministro Alexandre de Moraes. O presidente Lula fez isso já há algumas semanas com o Dias Toffoli, que é o outro potencialmente delatado nessa delação do Vorcá.
Ali foi um movimento de permitir que circulasse informações que ele defenderia, que ele defende, um afastamento do Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal em razão do desgaste todo pelo envolvimento do Dias Toffoli com o Banco Márcia. E agora ele vem a público e diz, olha, o meu conselho para ele foi não julgue esse caso. De novo, uma tentativa.
de se descolar, porque como você falou no começo do jornal, o caso Master, a despeito de ter muitos personagens do centro e da direita brasileira, pega muito no Palácio do Planalto justamente porque Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal, ou pelo menos a aula política do Supremo Tribunal Federal, para grande parte do eleitorado, virou a mesma coisa nessa quadra da política brasileira.
Eu volto à questão agora com o Daniel, Caio, pelo seguinte, como você acabou de assinalar, o público em geral percebe claramente a ligação política. Os ministros do Supremo detestam quando a gente fala isso, mas eu acho que a gente não briga com o fato, esse é um fato.
Essa aliança tácita, no mínimo, entre o Supremo e o Executivo. Não precisamos perder tempo aqui com todos os detalhes disso. Me parece algo de consenso generalizado. Difícil imaginar o governo Lula sem a aliança dele com o Supremo. Antes da eleição e mais ainda depois da eleição. Agora, o gesto político do Lula, Daniel, é muito carregado.
Porque Moraes é a figura central para os dois lados. Ele é a figura central em torno do qual o decano do Supremo, por exemplo, armou a defesa da instituição e faz essa defesa em público.
pessoalmente, uma coisa pessoal, e por outro lado é a quem o Lula em público já se referiu como uma espécie, não foram as palavras que ele usou, mas o sentido foi esse, como uma espécie de garantidor do mandato dele nesse terceiro mandato. Qual é o tamanho da preocupação com a reeleição e a imagem do Supremo por Lula fazer o que fez? Ou não foi pensado? Saiu.
Não, não saiu não, William. É claramente pensado e parte de um diagnóstico, eu já trouxe isso aqui algumas vezes, que a direita, a oposição, detecta como o principal fator de rentação do eleitorado, de insatisfação, mais do que insegurança pública, mais do que corrupção, mais do que inflação ou alta do preço dos alimentos, é...
um desânimo, uma insatisfação com o Supremo Tribunal Federal. E essa crise do Banco Master é um escândalo ecumênico, pega esquerda, pega muito centrão, pega direita também, mas é uma crise principalmente de dois ministros do Supremo, de Toffoli e de Alexandre de Moraes.
Um ex-advogado do PT, historicamente ligado ao partido, depois até acabou se afastando, é justo dizer, há muito tempo não tem uma relação boa com Lula e com o Palácio do Planalto, mas foi indicado pelo atual presidente da República.
e, obviamente, como você descreveu, de Alexandre de Moraes. Então, a tentativa de distanciamento é clara. Eu já ouvi diversas vezes no Palácio do Planalto, desde a virada do ano, desde a agudização dessa crise do Master,
que o Palácio do Planalto e o governo Lula gostariam de se desvincular ao máximo possível. Mais de Toffoli, é mais fácil, mas também de Alexandre de Moraes. Mas têm encontrado uma imensa dificuldade de fazer isso na prática, porque qualquer tentativa, qualquer costura, qualquer arranjo político capaz de dar uma saída, digamos, digna para Dias Toffoli, que ninguém sabe qual é,
Pode até ser, digamos, só por hipótese, uma embaixada no exterior, aposentadoria precoce, o que for. Mas qualquer afastamento do Palácio do Planalto do governo Lula da crise precisa passar por uma consertação que envolva os próprios ministros, que não querem se afastar dela. E está aí uma prova hoje com esse movimento de Alexandre de Moraes. E segurados pelo decano...
Gilmar Mendes, que outro dia chorou no Plenário do Supremo, fazendo o mesmo tipo de elogio a Alexandre de Moraes, que ele será lembrado na história, em resumo, em bom português, por ter salvado a democracia.
A gente é obrigado a lembrar que o próximo presidente supremo, as coisas caminhando como sempre caminharam, fora alguma imprevisibilidade das grandes, vai ser Alexandre Moraes. Ele sucede, Fachin. Será que está consciente na cabeça do Lula, Caio, o tipo de constrangimento que ele criou hoje?
Para a defesa armada, sobretudo pelo decano Gilmar Mendes, que tem uma ascendência intelectual muito forte sobre os seus pares, a defesa está claramente armada, em primeiro lugar, na afirmação de que nada foi feito que mereça ser investigado, muito menos punido. Isso já foi lá atrás, quando Toffoli assumiu por breve tempo a relatoria do Mastro.
Vieram a público o presidente do Supremo e particularmente o decano dizer não há nada aqui que tenha fugido aos bons modos, vamos dizer assim. E essa defesa se acentuou recentemente quando o plenário derruba a liminar do ministro André Mendonça pela prorrogação dos trabalhos da FCPMI do INSS.
Agora, Lula, na prática, está dizendo o seguinte para o Supremo, alguma coisa tem aí, ele tem que se declarar impedido. Será que ele dá claro o constrangimento que ele criou para a defesa que o decano faz do Supremo? Bom, William, entre constranger um potencial adversário, ou colocar, jogar os leões, o próprio presidente Lula já fez isso em outras situações, grandes lideranças políticas, como é o presidente Lula, costumam fazer isso.
que visivelmente tem o potencial de prejudicá-lo, que é o caso, o Alexandre de Moraes e o Dias Toffoli tem potencial de prejudicá-lo eleitoralmente, o Lula já deu sinais no passado de que se afasta e entrega esses personagens para quem precisa ser entregue. E é isso que está em curso. Quero dizer isso antes de afirmar que entre constranger e se livrar do Alexandre de Moraes, tóxico...
ou do Dias Toffoli, tóxico, ou mesmo do Gilmar Mendes, tóxico, e terminar uma eleição com uma derrota, potencialmente, o Lula pode perder a eleição. O Lula, que para muitos é o Getúlio Vargas dessa geração, ele pode acabar a vida política dele sendo derrotado por um ex-deputado estadual de Rio das Oças, do Rio de Janeiro.
E isso está sendo muito levado em conta. Então, entre a biografia dele de acabar uma eleição com uma vitória e constranger o Supremo Tribunal Federal, ainda que tenham sido aliados, ainda que tenham desajudado, ele vai ficar com a biografia dele, vai ficar com ele. Isso eu não tenho a menor dúvida. E isso está em curso, William. Está em curso a partir dessa declaração de hoje.
está em curso a partir das informações que o Palácio do Plano Alto não hesitou em vazar de que o Lula defende um afastamento do Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal em razão do envolvimento. Agora, para pegar, tem seis meses para a eleição, tem várias pontas soltas, vários obstáculos para o Lula conseguir se reeleger. Para pegar eleitoralmente...
o que é uma construção política, uma aliança, Palácio do Planalto, Supremo Tribunal Federal, de todo o governo Lula III, é muito difícil, mas que a operação está em curso é listada. O Supremo eventualmente reage, Daniel? É especulativa a pergunta, eu sei.
Eu continuo percebendo o Supremo muito dividido, empurrando com a barriga o código de conduta proposto pelo presidente da casa, Edson Fachin. Mas, nos momentos decisivos, o Supremo, em sua maioria, pesou muito o espírito de corpo. E como a decisão que você mencionou, em que André Mendonça ficou praticamente isolado só com Luiz Fux.
no julgamento sobre a prorrogação da CPMI e do INSS, assim tende a continuar. O que existe, a gente não pode deixar de enfatizar isso, continuam todos os prognósticos, mas também não é uma novidade de que a oposição hoje, a direita, muito antissupremo, com uma pauta antissupremo muito forte.
fará uma maioria no Senado a partir de 2027. Sairá das urnas em outubro com essa maioria. Talvez, inclusive, com uma maioria folgada, beirando dois terços. E isso sugere que um impeachment de ministro do Supremo em 2027 está muito perto. Alexandre de Moraes pode ter se blindado agora.
esvaziando potencialmente uma delação de Daniel Vorcaro. Isso pode ser o produto de ele pautar hoje o esvaziamento da delação. Mas a cada decisão polêmica dessa, eu percebo o clima político se complicando, não agora, mas em 2027.
E tem um dado, Caio, às vezes a gente se esquece quanto que a linha do tempo já nos indica como que a política vai caminhar. Veja só, no primeiro turno, na noite do domingo, no primeiro turno, a gente já sabe como é que vai ser o Senado. A gente já sabe como é que vai ser a Câmara. A gente já tem uma ideia exata da proporção de forças.
Portanto, essa constatação, com a qual o Daniel acabou de se referir, que tipo de maioria o centro-direita constrói, especialmente no Senado, ele usou a expressão dois terços. A gente está sabendo na noite do primeiro turno. Quem quer que vai enfrentar hoje, pelo que as pesquisas indicam, seria Flávio Bolsonaro. Quem quer, porém, que enfrente Lula num segundo turno, no qual...
Também as pesquisas indicam que a gente tem que assumir como um dado. Não há muita gente afirmando que essa disputa se resolve no primeiro. Sabe exatamente como pedir votos para ir contra o Supremo? Sim, William. A conta que vem sendo feita é que basta eleger 24, 25 bolsonaristas nesse primeiro turno para conseguir depor o ministro do Supremo via um processo de impeachment.
Se o Flávio Bolsonaro ganhar e tiver essa maioria, claramente a gente já pode prever, sim, um processo de impeachment. Se o Lula for reeleito, acho que o Palácio do Planalto, o Executivo ainda tem instrumentos para tentar tangenciar essa pauta. Vai ser um governo novo, entre aspas, mas ele conseguiria ter esses instrumentos. Eu queria prestar atenção, além desse processo jurídico, a gente está falando bastante do processo jurídico, da delação premiada.
da investigação em si contra os dois ministros, e esse é um processo político que não depende desse processo jurídico que está em curso neste ano. E interessante que a pauta anti-supremo e o envolvimento desses dois ministros com o Banco Márcio acabou alimentando, e acaba alimentando, sim, muitas das campanhas ao Senado e ao deputado federal e estadual neste ano. Ou seja, virou um tema de campanha, sim, principalmente para o legislativo.
Queria só chamar a atenção, William, você perguntou da reação do Supremo. O Supremo tem dois ou três Supremos hoje.
Você tem ali uma ala política, que é essa ala Alexandre de Moraes, Gias Toffoli, Gilmar Mendes e o Cristiano Zandim, Flávio Dino. Essa turma, sim, tem a ideia de um Supremo Futebol Clube. E a outra turma ali, pelo que eu tenho de apuração, isso é informação, não hesitaria em votar a favor de uma abertura de uma investigação contra um dos dois ministros. E esses placares já estão sendo contabilizados.
hoje a avaliação é que teria um placar de 5 a 4 a favor da abertura de uma investigação seja contra o Dias Toffoli seja contra o Alexandre de Moraes Alexandre de Moraes não vota e tem uma vaga em aberto que ainda a gente não sabe o que vai acontecer agora tem também a leitura, isso é muito importante frisar de que os vazamentos de informações, de ligações do filho do ministro e aí
Nunes Marques com Daniel Alvarcaro, é uma estratégia, inclusive, tramada por advogados ligados ao Alvarcaro, de que é uma estratégia para minar e fazer esse voto que daria a maioria pró-investigação contra Moraes e contra Dias Toffoli, migrar para um voto contrário a essa abertura de investigação. Lembrando que os casos são muito distintos, uma coisa é a Viviane Baird de Moraes recebeu 80 milhões diretamente do Banco Master.
Outra coisa é o filho do Nunes Marques receber 280 mil reais de uma empresa indiretamente que foi abastecida pelo Banco Master. São casos ligados ao Banco Master, sim, mas tem situações distintas. E a leitura de muita gente no Supremo é de que a tentativa de expor o Nunes Marques é justamente para que ele vire esse lado contrário à investigação jurídica contra qualquer ministro.
do Supremo Tribunal Federal. Esse placar está sendo contado já e contabilizado, porque espera-se sim que a apuração da Polícia Federal, que deve terminar no dia 18 de maio, se não se estender novamente, deve trazer ali sugestões, indícios de envolvimentos irregulares, tanto do ministro Alexandre quanto do Dias Toffoli com o Banco Mastro.
Agora com o presidente Lula implicando Moraes claramente no contexto todo do escândalo. Muito amigo. Eu vou encerrando esse segmento. Me despeço de você hoje. Boa noite. Até amanhã. Daniel, continuamos juntos. Nós vamos para um intervalo na volta aos riscos da política de subvenção de combustíveis e do governo. Até já.
É o WW, nós estamos de volta do intervalo, conosco agora participando do programa, Adriano Pires, sócio fundador, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Adriano, obrigado por estar conosco, boa noite. Boa noite, William, boa noite, Daniel, é um prazer estar com vocês.
A Justiça Federal suspendeu agora, de noite, nesta quarta-feira, a alíquota de 12% que o governo tinha determinado sobre a exportação de petróleo bruto. Esse imposto tinha sido criado, como mencionado pelo governo, dentro de um pacote amplo, cheio de detalhes, com medidas anunciadas já de março para abril para segurar o preço dos combustíveis, em especial o diesel. Acompanhe.
A liminar foi concedida em ação movida por empresas privadas do setor de óleo e gás. A decisão afirma que a medida tem caráter arrecadatório. O governo argumenta que o imposto visa manter o refino de petróleo no Brasil e garantir o abastecimento no país.
Ainda assim, a estimativa era de que a medida gerasse arrecadação de R$ 30 bilhões. Esta arrecadação seria utilizada para compensar medidas emergenciais para segurar o preço dos combustíveis. Já empresas privadas do setor petrolífero argumentam que a medida gera insegurança tributária e traz riscos para a viabilização de investimentos no Brasil em um momento de instabilidade em outros mercados.
Nesta semana, distribuidoras de combustíveis e companhias de aviação também se surpreenderam negativamente com a cobrança de juros sobre o parcelamento do reajuste do combustível de aviação.
As distribuidoras tomaram ciência dos termos do parcelamento do reajuste da Petrobras na última segunda-feira. Os juros mensais de 1,6% equivalem a uma taxa de cerca de 140% do CDI. O parcelamento foi a saída dada pela Petrobras para as empresas não arcarem imediatamente com reajuste de 55% no preço do combustível de aviação.
Com o parcelamento, as distribuidoras arcariam com 18 pontos percentuais do aumento em abril e os outros 37 poderiam ser pagos em até seis parcelas mensais a partir de julho. Nesta quarta-feira, o governo publicou a isenção do Pisco Fins do querosene de aviação pelo prazo de dois meses.
As companhias aéreas nacionais esperam economizar R$ 100 milhões com a medida, mas a consideram insuficiente. As maiores empresas do setor gastam em média cerca de R$ 700 milhões mensais com combustível. Também já está em vigor a ampliação da subvenção no preço do diesel. A medida provisória foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União na noite de terça-feira.
Importadores de diesel habilitados para o subsídio de R$ 1,20 deverão repassar todo o valor subvencionado ao mercado. E a distribuição ao varejo deverá ocorrer com valores que reflitam a subvenção. A Agência Nacional de Petróleo será responsável por fiscalizar o cumprimento das condicionantes. Distribuidoras que não repassarem preços subvencionados ao varejo estarão sujeitas a multas que podem chegar a R$ 500 milhões.
Adriano, são várias medidas, tomadas ao longo de um período de mais ou menos 15 dias. Se eu for tentar, queria que você me ajudasse nisso, procurar um denominador comum, possivelmente a gente chegue à seguinte afirmação, teremos resultados aquém do necessário com uma confusão acima do esperado?
Olha, William, não tenho dúvida que está acontecendo isso. Acho que é muita confusão, pouca transparência. E nitidamente, a premissa do governo não elaborar as MPs, vamos combinar que a gente está na quarta MP, nós temos seis decretos e um projeto de lei. Então, tudo isso que o governo está colocando, ele está colocando muito mais com uma premissa eleitoral do que uma premissa para evitar que o aumento do barril incida sobre a economia brasileira.
Então, isso faz com que o mercado não esteja aderindo ao pacote do governo e, consequentemente, os preços do combustível lá na ponta, na bomba, não estão caindo como o governo desejava. É isso que é o resultado. Então, nós estamos gastando muito dinheiro. Agora mesmo, como você colocou, o imposto de exportação caiu, foi um imposto que não faz o menor sentido, realmente um imposto arrecadatório.
o imposto incide sobre a receita das empresas, você poderia tranquilamente tentar financiar todo esse pacote com a questão dos royalties que estão aumentando, com as participações especiais, que será uma maneira muito mais correta. E aí você está nessa situação, entendeu? Uma situação onde você está criando subsídios.
para no final do dia diminuir o prejuízo que a Petrobras está tendo por vender diesel abaixo do mercado internacional e aquela espada do desabastecimento continua existindo.
William, é curioso, para seguir na mesma atuada, é até um pouco chato aqui a gente ficar tentando falar de eleição em tudo, parece que a gente está obcecado por esse tema, mas é óbvio que há seis meses de todo mundo ir para as urnas, e isso pesa muito decisivamente em quase qualquer discussão.
E o que a gente consegue perceber no discurso de vários ministros, do governo como um todo, até do presidente da República, é uma espécie de nova campanha do petróleo é nosso. Por que eu digo isso? Grande medida do governo Lula 3 foi, como ele dizia na campanha de 2022, abrasileirar os preços dos combustíveis, ou seja, acabar com aquela paridade de preço internacional.
Acabou sem colocar nada muito transparente no lugar. O Adriano pode dizer se eu estou equivocado. Mas me parece que há duas novas plataformas que se encaixam muito bem em termos de discurso eleitoral para o momento que a gente vive, que é reestatizar...
refinarias que foram privatizadas nos governos Temer e Bolsonaro. Claramente a da Bahia é a principal e existe uma intenção declarada de fazer isso. E segundo, quando se vendeu o controle da BR Distribuidora e a Petrobras sai do segmento de distribuição, o governo está dizendo o seguinte.
Se a gente não retomar essa possibilidade de participação, a gente deixa os consumidores brasileiros à mercê do que acontece no exterior. E isso é culpa de Temer, é culpa de Bolsonaro. Existe uma cláusula ali que foi definida na venda da BR Distribuidora. Até 2029 a Petrobras não pode voltar. Governo Lula 4 pode preparar a volta da Petrobras ao mercado de distribuição.
Adriano, no fundo a gente cai numa pergunta um pouco mais abrangente. Eu sei que ela é um pouco especulativa, mas está na cabeça de todo mundo. Existe, afinal, proteção possível para o consumidor brasileiro diante do que acontece lá em termos de guerra e crise no Oriente Médio?
Olha, William, primeiro eu concordo com tudo que o Daniel colocou. Daniel, vamos combinar que transparência nunca existiu na política de preços, nem antes da guerra do Irã, quando o petróleo, nesses três anos do governo Lula, teve muita volatilidade para baixo.
Então, transparência não é o que o governo faz em relação à política de preço combustível. E, no fundo, o que eu falo é que o presidente Lula tem o seu museu de grandes novidades. E as grandes novidades do museu são as de sempre.
reestatizar a vibra, reestatizar a refinaria como se isso fosse suficiente. Eu acho que existem outras maneiras de você tentar combater essa questão do aumento de preços no mercado brasileiro.
A primeira coisa que eu teria feito é não esperar tanto para aumentar o preço do diesel, da própria gasolina e do que era de aviação. Vamos combinar que o petróleo estava a 60 dólares no ano passado, todo mundo esperava que não aumentasse o preço do petróleo esse ano, mas aí veio a guerra. Mas o petróleo não foi de 60 para 100 da segunda para terça-feira, ele foi de 60, 65, 70, 75 até passar de 100. Então, países como Estados Unidos, Ásia e Europa foram aumentando o preço dos diesel.
E o presidente Lula, acho que concordando com o presidente Trump, eles acharam que a guerra demorou muito tempo.
E o fato é que a gente está entrando na semana, que apesar de cessar fogo no céu do ontem, parece que a coisa não está andando bem com esse cessar fogo e pode ser tranquilo que, na semana que vem, esse preço do petróleo volte a subir. Então, acho que está faltando transparência e clareza. Não poderia realmente reduzir pela metade do CMS a importação de diesel, mas você tinha que usar na refinaria como referência o preço nacional, não uma referência...
o mercado internacional, o que faz que não permita que empresas importadoras privadas entrem nessa história. Então, está com a primeira confusão aqui. Não precisava também ter criado exportação, foi um outro erro que o governo fez. Então, o que eu estou dizendo é que...
O governo não acredita em mercado. E aí o mercado se protege. A confusão é dessa falta de transparência. E acaba que as distribuidoras aumentam. Aumentam para se proteger.
Adriana, minha interrupção é técnica, desculpe. Eu quero dar a palavra a você de novo, mas a gente vai tentar corrigir a qualidade da sua transmissão. Está difícil um pouco para a nossa audiência por causa de razões técnicas, acompanhar todo o teu raciocínio. Eu vou passar a palavra para o Daniel, volto a você com a esperança de que a questão de áudio que nos perturbou e perturbou a audiência também seja corrigida. Até um instantinho só, desculpe, um pouquinho de paciência.
Daniel, seguindo o que a gente conseguiu entender do que o Adriano estava nos dizendo, que é o cálculo, o horizonte com o qual se trabalhou na política de subvenção que está se tentando implementar agora em função da guerra.
Evidentemente, isso está no ar e nós vamos pegar logo mais no próximo segmento do programa. Tentar entender, afinal de contas, se essa guerra acabou de verdade, se o cessar-fogo vai durar. O que é que Brasília, o que é que o governo está pensando que vai acontecer? Porque isso tem um impacto no que ele está tentando fazer em termos de subvenção.
De forma imediata, William, antes mesmo do último movimento de Trump, o Itamaraty e o Palácio do Planalto já vinham apostando em um recuo. Já citavam muito o famoso taco do Trump e diziam, olha, a tendência é que ele vai voltar atrás nesse ultimato, vai amarelar no final das contas.
Mas existe um cenário traçado pelo Palácio do Plano Alto e pelo Itamaraty de uma incerteza e uma instabilidade crescente no Oriente Médio, de mais médio e longo prazo, inclusive com outras potências regionais e médias.
buscando armas nucleares, por exemplo. Isso é um cenário bastante mencionado aqui nas conversas em Brasília. Agora, do ponto de vista mais imediato, com a decisão da justiça de hoje, você tem ali um...
Uma falha de prognóstico de caixa, o governo chegava a mencionar até a possibilidade de arrecadar 30 bilhões de reais com essa medida. Era principal para você bancar a subvenção ao óleo diesel e aos demais derivados de petróleo. Então, se essa decisão da primeira instância não for revertida, o governo tem um problema de caixa. Ele tem de onde tirar royalties, participações especiais, os próprios dividendos da Petrobras. Mas a equação originalmente pensada cai por água abaixo.
Pessoal, infelizmente a gente não conseguiu recuperar o sinal que estava muito ruim com o Adriano. Quero deixar aqui, depois, para ele poder acompanhar pelo YouTube, muita gente faz isso amanhã cedo, inclusive. Nosso agradecimento a ele, Adriano Pires, pela participação aqui no WW. Eu vou me despedindo de você também, Daniel. Boa noite, nos vemos amanhã aqui ao vivo.
Pessoal, nós vamos para o intervalo e conforme já mencionado, próximo segmento nós vamos tratar da guerra. Continua ou para valer lá no Oriente Médio? Até já.
Então, é o WW, nós estamos voltando do intervalo, trocamos o time agora, estamos com todos os nossos convidados hoje remotos. Então, eu queria, em primeiro lugar, agradecer a disposição de estar no programa ao Augusto Teixeira, que é professor de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba e também lidera o Grupo de Pesquisa em Estudos Estratégicos de Segurança Internacional. Obrigado, Augusto, por estar conosco.
Boa noite. Boa noite, William, Lorival e todo a olinense. Muito obrigado pelo convite.
E o nosso Lorival Santana também está participando do Remoto hoje. Como sempre, grande prazer e orgulho nosso tê-lo a bordo do WW. Boa noite, obrigado, Lorival.
Boa noite. Nosso assunto, a gente dedicou a edição anterior a essa edição, da véspera de hoje, quarta-feira, inteiramente a esse assunto, foi o cessafogo anunciado entre Estados Unidos, Israel e Irã. Esse cessafogo demonstrou hoje, ao longo das últimas 24 horas, uma instabilidade e uma grande, se teme que seja uma grande também fragilidade.
Isso ocorreu basicamente, mas não só, mas o fator principal, foram pesadíssimos ataques israelenses contra Beirute. Os mais pesados desde o início dessa última fase da guerra no Oriente Médio, desde o final de fevereiro.
Realmente, esses acontecimentos colocaram em dúvida se esse cessar-fogo é ou não é sustentável, que nós vamos examinar logo mais, depois da reportagem de Mariana Janjácomo.
Os ataques continuaram mesmo horas depois do anúncio da trégua. Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos reportaram ataques ao longo do dia. Segundo Kuwait, drones iranianos atingiram instalações petrolíferas, centrais elétricas e usinas de dessalinização de água. O Irã também registrou um bombardeio que atingiu a refinaria de Lavan e não deixou vítimas.
No entanto, o Líbano foi quem mais sofreu. O exército israelense manteve a ofensiva contra o território libanês mesmo depois do anúncio do cessar-fogo por parte do Irã e dos Estados Unidos. Tel Aviv declarou que essa foi a maior ofensiva desde o início da guerra. Alguns bombardeios atingiram o centro de Beirute e outras regiões densamente povoadas. Segundo o Ministério da Saúde libanês, mais de 180 pessoas morreram.
O governo de Benjamin Netanyahu diz que o Líbano está fora da trégua acordada na última terça-feira. Agora eu estou pensando assim, que a abertura da guerra com o Irã não vai ter que clover em Hezbollah. E nós continuamos a acotar ele em paz.
A Casa Branca também reforça o argumento de Israel. Os iranianos insistem que o Líbano era parte do acordo desde o início e, diante da sequência de ataques, o Irã anunciou um novo fechamento do Estreito de Hormuz e ameaçou abandonar o cessar-fogo.
O regime dos ayatollahs também reclama que americanos e israelenses violaram três dos dez pontos apresentados pelo Irã. Além dos ataques ao Líbano, os iranianos acusam um drone de ter invadido seu espaço aéreo e afirmam que o direito de o Irã enriquecer urânio não foi reconhecido. O vice-presidente americano, J.D. Vance, negou o descumprimento e ameaçou retomar a guerra caso o Ormuz não seja reaberto.
É diante desse cenário que J.D. Vance vai liderar a delegação americana para uma série de conversas com os iranianos no Paquistão ao longo do fim da semana. As reuniões devem se concentrar na questão do urânio enriquecido pelo Irã.
Augusto, vamos nos concentrar. A gente fala um bocado de Trump, dos Estados Unidos, do Irã, mas Israel tem um papel tão central no início desta fase do conflito e agora nesta altura do cesta-fogo. É o papel de Israel decisivo? Veja, central, William.
Porque Israel é o ator que, dentro do contexto regional, age de forma ofensiva como uma dimensão de defesa estratégica. Israel é um país pequeno, com pouca profundidade estratégica, que se vê cercado de inimigos naquilo que se chama de anel de fogo.
Parte do processo de remodelagem estratégica do Oriente Médio, começado depois do 7 de outubro de 2023, produziu um cenário muito positivo para Israel, que esse conflito poderia ser, em grande medida, ou a concretização do Irã enquanto uma última ameaça ser batida, ou um cenário de debilidade.
Nesse sentido, a manutenção da frente aberta no Líbano é fundamental, seja para que o Irã possa permitir-se a um acordo de cessar fogo, seja para a perspectiva de permitir uma estabilidade no Oriente Médio, algo que a administração de Netanyahu não irá querer nem tão cedo, especialmente no contexto de eleições vindouras, em que a guerra se faz como necessária.
E, como se usava a palavra em inglês, desculpa o anglicismo, é a leverage, qual é a alavanca que os americanos têm em cima de Israel? Israel, de fato, que é uma postura oportunista, que Israel tem demonstrado ao longo de décadas de conflito nessa região, aproveitou a oportunidade e foi lá e deu mais uma pancada no inimigo.
A maior parte das armas usadas por Israel é fornecida pelos Estados Unidos, que além disso dão uma ajuda de 3,8 bilhões de dólares por ano, uma ajuda militar de 3,8 bilhões de dólares por ano para Israel, sem contar as complementações que sempre são feitas quando Israel se envolve em guerras como essas dos últimos anos.
Então, é nesse sentido que o governo americano tem sim um poder de veto sobre o emprego das armas diretamente, porque são fornecidas pelos Estados Unidos e o Trump usou esse poder de veto em dezembro, quando obrigou o Netanyahu a aderir ao cessar fogo com o Hamas, contra a vontade de Netanyahu.
O Netanyahu sente que precisa de guerras para sobreviver à eleição do dia 26 de outubro. Ele que vinha com um alto grau de impopularidade e reverteu isso com essa guerra com o Irã. Foi por isso mesmo que ele buscou essa guerra e conseguiu convencer o Trump.
de que essa era uma fruta que estava madura, fácil de ser colhida, que seria derrubada do regime, contra o que a CIA orientou e assessorou o presidente Trump e contra o que J.D. Vance, o vice-presidente, também teve coragem de dizer para ele. Então, agora...
Hoje, por exemplo, o Jay Divens disse que Israel sinalizou, se ofereceu a se conter no Líbano. Já é a preparação para uma mensagem para dizer para Israel que ele tem que parar de atacar o Líbano, embora a Casa Branca tenha dito que não está incluído o Líbano no cessar fogo.
mas o Irã deixou claro, por sua vez, que não aceitará cessar fogo se o Hezbollah continuar sendo atacado. Como é patente o desejo do Trump de encerrar essa guerra, ele até disse que as condições impostas pelo Irã, que são o contrário das condições impostas por ele, eram condições razoáveis e que era um ponto de partida trabalhável para negociar o Trump.
Eu acredito que vai, sim, exigir que Israel pare essa guerra. E Israel sabe disso e, por isso, hoje fez o maior número de bombardeios ao Líbano desde o início dessa guerra. Vamos pegar agora, então, a...
O momento no qual nós estamos agora, nesse instante, Augusto, em que medida a gente consegue, a partir dos fatos que a gente identifica, fazer qualquer tipo, eu sei que isso é arriscado, mas não é pegadinha não, Augusto, em que medida a gente consegue prever a solidez desse sextafogo?
William, acredito que o cessafogo, ele apesar de ser profundamente relevante para trazer estabilidade para diversos atores na região, e como o Lurie Holbein coloca, os Estados Unidos encontrou no momento, especialmente Trump, aquela off-ramp que ele estava procurando há algum tempo que o possibilitaria criar uma narrativa de vitória ao passo...
A grande questão é que os termos do cessar-fogo, além de serem muito especificamente pró-Irã, são em grande medida difíceis de digerir por uma administração americana. Em que sentido? Se olharmos para os 10 pontos, eles são basicamente propostas ou demandas que um país vitorioso numa guerra faria. Entre elas, coisas que nem a Rússia fez em relação aos Estados Unidos no período pré-invasão da Ucrânia, como por exemplo...
a retirada de todas as bases americanas do Oriente Médio, em grande parte, algo que é inimaginável. Se nós considerarmos o contexto pré-invasão plena da Ucrânia, a Rússia solicitou a retirada das bases americanas dos países que foram entrar no OTAN após a queda da União Soviética. Se você considerar uma circunstância...
como essa, os termos que o Irã coloca são termos muito duros, são termos de um país vitorioso no campo de batalha, algo que no nível tático não é verídico, apesar de que no nível estratégico até o momento o Irã tem vencido, dado que o regime subsiste em relação aos desejos de mudança de regime.
dos Estados Unidos e Israel. Se você considera isso, o acordo de cesta-fogo pode ser, em grande medida, algo sólido que se desmancha no ar muito em breve. É por isso que essas duas semanas serão muito tensas e talvez violentas.
A gente não viu até agora, na prática, pelo noticiário que a gente acompanha, Lourival, sobretudo noticiário que vem dos armadores e dos donos de navios, o tal da abertura do Estreito de Hormuz, porque assim foi apresentado ontem, 24 horas atrás, o fundamento desse cessa-fogo. Vamos parar de bombardear vocês e vocês vão parar de fechar o Estreito de Hormuz. Os bombardeios...
Pelo menos no Irã ou ali, diminuíram muitíssimo, sobretudo comparado à violência que estava 48 horas atrás. Agora, o Estrito do Hormuz continua, na prática, muito pouco usado, o que é diferente de dizer que está fechado. Está fechado ou está aberto?
Hoje, a informação que eu tenho é que passaram dois navios de bandeira chinesa e dois navios de bandeira grega. Então, continua no mesmo ritmo, com o Irã arbitrando, em termos absolutos, quais são os navios que podem passar. O único país que cumpriu os termos de cessar fogo hoje foram os Estados Unidos. O Irã bombardeou o Arábia Saudita, o Kuwait, o Bahrein, os Emirados Árabes Unidos, Israel bombardeou o Brasil.
o Líbano. Então, o Irã manteve o controle sobre o estreito. Hoje eu conversei longamente com um funcionário do governo iraniano, ele disse que o Irã pretende continuar controlando o estreito, cobrando pedágio, dividindo o valor desse pedágio ao meio com o Oman, que é um país que está ali nessa costa também projetada sobre o estreito de Ormuz, e é um país...
que tem boas relações com o Ocidente, um país neutro da região. Então o Irã continua perseguindo o objetivo de cobrar muito caro por esses ataques que ele sofreu e para dissuadir no futuro qualquer país de voltar a atacar o Irã. Esse funcionário do governo me disse, olha, nós nem sabemos se realmente vão acontecer essas negociações.
no fim de semana em Islamabad, porque ele não falou o nome Israel, eles evitam falar, mas isso porque um ator da região continuou ataques, não cumpriu o acordo de cessar-fogo, ele se referia aos ataques de Israel contra o Líbano.
Então, o Irã, como foi dito, está com uma postura muito dura realmente, ele se sente numa posição de força, percebe a ansiedade, o desejo do Trump de que esse acordo seja levado adiante e, por isso, o Trump escalou o J.D. Vance para essa negociação que, além da sua senioridade, é uma pessoa que foi contra essa guerra, tem todo o interesse.
de pôr fim a essa guerra. E do lado iraniano estaria o Mohamed Halibaf, que é presidente do parlamento, e o Abbas Arad, que é o chanceler. Mas eles dizem que não irão negociar se Israel continuar bombardeando e não irão negociar.
E as condições realmente são difíceis para os Estados Unidos, de maneira que o Trump terá de ter muita boa vontade para contornar a visível concessão, a visível derrota dos Estados Unidos no campo político. Bom, para ele não existiu derrota de jeito nenhum, não é Augusto? Ele declarou isso como uma impressionante vitória militar.
Ela vai ser medida pelos fatos. Os fatos até que indicam que os principais objetivos assim declarados foram se alterando ao longo dos dias, mas os principais objetivos declarados lá de início não foram atingidos, em especial, não é apenas um detalhe, mas em especial a questão do material físico em poder dos iranianos ainda, mas principalmente o Hormuz.
Você mesmo destacou que o tipo de proposta para início de negociação apresentada pelo Irã é praticamente inaceitável para os Estados Unidos. Ou qual seria a linha para os americanos do aceitável? Veja, William, como você bem coloca, a posição iraniana é uma posição muito dura.
O Irã vem sendo fortemente massacrado em termos de bombardeio, destruição de infraestrutura e a tentativa da destruição de capacidades soberanas, como o programa de enriquecimento de urânio para finalidades civis oficialmente e sua capacidade de suazão convencional com os termos de mísseis.
Se você considera essa circunstância para os Estados Unidos numa negociação, alguns aspectos podem ser mediados. Primeiro, a retomada da discussão em relação ao enriquecimento de urânio do Irã, que pode voltar ao acordo anterior, costurado pelo Obama, do qual Trump saiu.
saiu no primeiro mandato, algo como isso pode ser discutido em virtude de que o Irã é um país partícipe do TNP, é um país que tem ou recebia até certo momento visitas da Agência Internacional de Energia Atômica e tem um programa oficialmente de caráter civil, algo que pode, por questão legal do tratado, ter um programa de enriquecimento. Somos é isso que o controle do estreito talvez seja o ponto mais sensível de tudo.
Primeiro, pelo fato de que oficialmente agora o Irã, na prática, controla o estreito e coloca o Man dentro do jogo como uma forma de ganhar legitimidade regional para fazê-lo, algo que inclusive está relacionado a receitas vindouras para reparações dentro da reconstrução do país e some-se a essa questão.
à posição do regime que subsistiu há mais de um mês de guerra, com a principal potência do globo e a principal potência militar da região. Nesse contexto, as posições para os americanos negociarem uma saída honrosa oficialmente deverão ser muito distintas do que a narrativa de vitória proclamada por...
pelo presidente Trump ou por Peter Hetzig, que tenderão a bater o martelo em métricas de caráter militar. Essencialmente, objetivos militares, como degradação do poder militar do Irã, destruição de capacidades militares e, por sua vez, o tempo que o Irã demorará a reconstruí-las. Algo que, da perspectiva política estratégica, infelizmente para os Estados Unidos, não são o principal centro de gravidade do conflito.
Lourival, por último, eu tenho um minutinho ainda, exatamente um minutinho.
Enorme o racha hoje, pelo menos na esfera da informação nos Estados Unidos em relação a esse cessafogo. É grande, se expandiu o número de influencers, de gente que participa no debate público, afiliado diretamente ao Partido Republicano, a campanha de Trump, a figura dele, descendo o pau no presidente americano. A tendência disso é se acalmar rápido ou não?
As consequências são muito negativas para os Estados Unidos em várias esferas. O custo dessa guerra em termos humanos, 13 militares mortos até agora, o custo econômico, o Trump pediu 200 bilhões a mais de dólares, fazendo cortes nas áreas de saúde, de educação, de assistência social, pedindo 1,5 trilhão de dólares para o próximo ano fiscal que começa no dia 1º de outubro.
O custo de credibilidade, os ultimatos sucessivos. Desde o dia 21, ele veio fazendo os ultimatos de 48 horas. São 48 horas que duraram 17 dias. O custo, o erro de ter entrado na guerra em si. A clara imagem de que ele foi arrastado para essa guerra por Israel. Foi iludido pelo Netanyahu.
O fato de o Estreito ficar fechado, os ataques às monarquias árabes do Golfo, que tem agora elementos para concluir que ser aliado dos Estados Unidos não vale a pena. Os ataques aos aliados da OTAN, do Japão, da Coreia do Sul, não foram consultados para essa guerra, a Austrália também, e aí o Trump os atacando por não vir ajudar nessa guerra. Então são muitas perdas e tudo isso é muito visível para...
para os analistas e políticos americanos. Queria começar por você, Augusto Teixeira, professor de Relações Internacionais lá na Paraíba, líder grupo de pesquisa em estudos estratégicos, segurança internacional. Meu agradecimento pela participação aqui no WWW. Boa noite, Augusto. Boa noite, William, e a toda a audiência. Muito obrigado pelo convite.
A você igualmente, Lourival, grande prazer ter o abordado. Obrigado, boa noite. Antes de eu encerrar a edição, meu recado de todo dia, procurem na nossa página, no site da CNN, temos sempre mais material ainda sobre os assuntos que a gente abordou aqui na transmissão. Essa edição fica por aqui, muito obrigado a todos e boa noite.