Episódios de WW – William Waack

Trump testa limites da paciência mundial

02 de abril de 20261h
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O resto do mundo tem dificuldades em entender as razões que levaram Donald Trump a entrar em guerra contra o Irã. Resto do mundo menos Israel, bem entendido, que sabe muito bem o que lhe interessa e o que lhe serve nesse conflito. Também nos Estados Unidos há uma grande dificuldade em entender, justificar e apoiar a ação militar ordenada por Trump e essas dificuldades se expandem também pelo Partido Republicano e um pouquinho até no movimento MAGA, que em geral considera genial qualquer coisa que Trump faça ou diga. Houve também o pronunciamento do presidente americano sobre o conflito no Oriente Médio. O âncora da CNN William Waack, Lourival Sant'Anna, analista de Internacional, Fernando Brancoli, professor de Geopolítica da UFRJ, e Daniel Rittner, diretor editorial de Brasília, debatem o tema.
Participantes neste episódio5
W

William Waack

HostJornalista
L

Leonardo Matos

ConvidadoProfessor de geopolítica
L

Lourival Sant'Anna

ConvidadoAnalista de Internacional
M

Murilo de Aragão

ConvidadoCientista político
R

Roberto Castelo Branco

ConvidadoEx-presidente da Petrobras
Assuntos2
  • Oposição interna ao Trump sobre guerra no IrãConsequências da guerra · Discurso de Donald Trump · Reação dos Estados Unidos · Impacto econômico da guerra · Estratégia militar americana
  • Discurso de TrumpExpectativa da população americana · Anúncios de Trump · Reações políticas
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Boa noite, STSNN Brasil e este é o WW. O resto do mundo tem dificuldades em entender as razões que levaram Donald Trump a entrar em guerra contra o Irã. O resto do mundo, menos Israel, bem entendido. Israel sabe muito bem o que lhe interessa e o que lhe serve nesse conflito. Mas também nos Estados Unidos, há uma grande dificuldade em entender, justificar e apoiar a ação militar ordenada por Trump.

E essas dificuldades se expandem também pelo Partido Republicano e um pouquinho até no movimento maga, que em geral considera genial qualquer coisa que Trump faça ou diga. A história, porém, está cheia de exemplos de dirigentes que pagaram um enorme preço por desprezar os fatos da realidade, como a capacidade de reação do inimigo, ou superestimaram a própria capacidade de obter resultados políticos apenas a partir do uso da força militar.

Ou avaliaram mal as consequências de uma guerra. Ou sequer tinham qualquer plano B para o caso do plano A não funcionar. Trump fez tudo isso. Está agora diante de uma situação complexa e difícil.

Qualquer a saída que ele encontre e espera-se que anuncie alguma coisa daqui a instantes, as consequências serão de prazo ainda indefinido, porém, teme-se que seja de prazo longo. Da mesma maneira que não tem volta, o mundo de ontem que Trump ajudou a destruir, não tem volta para a economia mundial em prazo breve ou previsível a ruptura dos fluxos de energia em função de uma guerra, como essa que Trump escolheu.

e cujas consequências não previu, ou desprezou as previsões, e agora terá de administrar. Nessa edição nós vamos começar de maneira diferente. O Trump vai falar, como eu já mencionei, em Washington ao vivo, faz um discurso, 10 horas, hora de Brasília, temos ainda 4 minutos para isso. Vamos chamar então nossa correspondente em Washington, Mariana Gian Giacomo, que está lá como nós, aguardando o discurso. Boa noite para você em Washington, Mariana.

Oi, Vak, boa noite, boa noite a todos. Pois é, Vak, torcendo para Donald Trump não atrasar muito, né? Porque várias vezes ele atrasa para fazer esse discurso, para fazer esses discursos, e há uma expectativa muito grande, claro, em torno do que ele pode anunciar, Vak, dado todo o contexto do que a gente está vivendo, mas as informações que a gente tem...

até agora, são de que Trump não deve anunciar uma grande notícia capaz de mudar os rumos do conflito, mas sim deve tentar conversar com a população dos Estados Unidos, acalmar a população nesse momento em que a pressão sobre ele é cada vez maior, mesmo dentro do partido republicano.

já que o custo político para Donald Trump está ficando alto. Os americanos também estão sentindo no bolso o custo dessa guerra e não estão vendo os benefícios. A expectativa, então, é de que Donald Trump vá destacar o que ele falou ontem, que a guerra deve terminar dentro de três semanas, um prazo vago, genérico, como os muitos outros.

que Trump já deu sobre outros conflitos, outras vezes em que precisou tomar decisões importantes. Ele também deve criticar, claro, os países aliados da OTAN. Donald Trump que passou o dia dando entrevistas dizendo que está considerando deixar a aliança, deixar a organização porque está decepcionado com os países europeus.

falas que já geraram reação por parte da Europa, como por exemplo o primeiro-ministro britânico Keir Starmer dizendo que deixou claro desde o começo que essa guerra não era do Reino Unido. Donald Trump então faz esse discurso hoje em meio a índices de aprovação cada vez piores, atingiu o pior índice de aprovação de todo o segundo mandato e deve tentar nessa conversa direta, digamos assim,

com a população dos Estados Unidos, convencer os americanos de que há sim objetivos claros com essa guerra e de que esses objetivos estão sendo cumpridos. Uma estratégia da Casa Branca no momento em que Trump diz que o Irã quer fechar um acordo, hoje mesmo foi as redes sociais publicou uma mensagem dizendo que o Irã...

quer um acordo para um cessar-fogo, mas que isso não seria possível enquanto o Irã não reabrir o Estreito de Hormuz, ou seja, mudando de posição, já que nos últimos dias indicou que poderia parar os ataques mesmo com o Estreito de Hormuz.

na mesma situação em que está, se isentando de responsabilidade e colocando essa responsabilidade sobre os países europeus. Agora, enquanto Donald Trump muda muito de fala, de narrativa, do lado iraniano, a postura continua sendo a mesma, a postura de negar tudo o que diz Donald Trump e afirmar que não há negociações em andamento e que o Irã não quer um cestar-fogo. Daqui a pouco, então, esse discurso, a previsão, pelo menos por esse discurso de Donald Trump, Vak.

Obrigado, Mariana. Estamos 25 segundos atrasados. Bateu agora as 10 horas da hora do Brasil. A hora prevista para ele começar esse pronunciamento lá nos Estados Unidos ao vivo. Me dá tempo de apresentar quem vai estar conosco na roda agora, para comentar depois o discurso. Estamos com o Fernando Brancoli, professor de Segurança Internacional de Geopolítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ.

Fernando Brancoli é pesquisador do Instituto de Estudos Avançados e Princeton nos Estados Unidos, de onde participa a Remoto. Fernando, obrigado por estar conosco. Boa noite para você aí nos Estados Unidos.

Boa noite, William. Boa noite, Lourival. Um prazer estar aqui acompanhando também quando o Trump resolver começar a falar. E aqui ao meu lado, Lourival Santana. Boa noite, Lourival. Fernando, claro, nós, imprensa, jornalistas, a gente fica nessa expectativa, todo mundo publicando. Agora, me dá uma ideia, Fernando. Vou usar você de repórter, pode ser? Vou usar você de repórter. Dá uma ideia para nós aqui no Brasil.

Como é que está o interesse que você pode, digamos, sentir mesmo, coisa subjetiva das pessoas por esse discurso, ou não estão nem aí?

Não, William, até que tem bastante interesse. Eu passei o dia hoje dando aula para adultos jovens, vamos dizer assim, com 20 e poucos anos e o papo era um pouco esse. Isso porque a imprensa aqui nos Estados Unidos, a CNN inclusive, tem dado mensagens, que as mensagens na verdade que vem chegando da Casa Branca são um pouco peculiares. Teve gente argumentando de que Trump vai na verdade anunciar um aumento da atividade militar na região, inclusive com a possibilidade de envio de tropas terrestres. Tem outras mensagens...

dizendo que foi não. Fernando, a gente tem o presidente americano agora iniciando o pronunciamento dele. Perdoa a interrupção, vamos acompanhar, a gente volta na sequência. Muito obrigado. Caros americanos, boa noite. Eu gostaria de começar parabenizando a equipe da NASA e nossos astronautas corajosos.

Por esse lançamento tão bem sucedido da Artemis II, foi algo especial. Ele vai viajar como nenhum outro foguete, até onde nenhum outro foguete foi, passando para outro lado da Lua, cobrindo uma distância incrível. É fantástico. Eles estão no caminho, que Deus os abençoe, essas pessoas corajosas.

Esses quatro astronautas inacreditáveis. Hoje, nesta noite, nós completamos um mês desde que os Estados Unidos lançaram a Operação Fúria Épica.

tendo como alvo o patrocinador número um, o Estado patrocinador número um do terrorismo, o Irã. Nas últimas quatro semanas, nossas Forças Armadas entregaram vitórias arrasadoras, decisivas, no campo de batalha. São vitórias que poucas pessoas viram antes.

Esta noite, a marinha do Irã se acabou. A força aérea está em ruínas. Seus líderes, a maioria deles também. O regime de terror que eles lideravam está morto agora.

O comando aéreo, o controle da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã tem sido decimado, conforme falamos aqui. A sua habilidade de lançar mísseis e drones foi dramaticamente diminuída e suas armas, fábricas e lançadores de foguetes estão sendo destruídos aos pedaços. Há pouco armamento sobrando. Nunca na história da guerra um inimigo sofreu tamanha e devastadora...

perda em escala em uma questão de semanas. Nossos inimigos estão perdendo na América e, sob a minha presidência, os Estados Unidos estão ganhando e ganhando muito. Antes de discutir essa situação atual, eu quero agradecer as nossas tropas pelo trabalho fantástico que fizeram ao tomar o país da Venezuela em uma questão de minutos. Foi rápido, letal, violento.

e respeitado por todos em todo o mundo. Depois de reconstruir as nossas forças militares durante o meu primeiro mandato, nós temos agora a maior força militar e a melhor em todo o mundo. E estamos trabalhando junto com a Venezuela no sentido verdadeiro, como parceiros em empreendimentos. Nós estamos indo muito bem na produção e na venda de quantidades imensas de petróleo e gás.

A segunda maior reserva na Terra depois dos Estados Unidos da América fica na Venezuela. Agora, eles estão totalmente dependentes do Oriente Médio e estamos aqui para ajudar. Nós não tínhamos de estar aqui. Nós não precisamos do petróleo deles, nós não precisamos disso. E hoje eu quero dar uma atualização no tremendo progresso dos nossos combatentes no Irã e discutir a operação Fúria Épica, que é necessária para a segurança da América e do mundo livre. Obrigado.

Desde o primeiro dia, eu anunciei que a minha campanha, que eu anunciei a minha campanha para presidente em 2015, eu prometi que nunca permitiria que o Irã teria uma arma nuclear. Esse regime maldoso tem propagado a morte à América, a morte à Israel há 47 anos.

Seus aliados e seus representados estão por trás do assassinato de 241 americanos da Marinha que morreram em Beirute. O assassinato de centenas de nossos membros em serviço em bombas colocadas nas estradas. O ataque do USS Cole.

E outras atrocidades sangrentas, como o 7 de outubro em Israel, algo que as pessoas nunca viram nada parecido. Esse regime assassino recentemente matou 41 mil pessoas do seu próprio povo por protestarem no Irã. 45 mil pessoas morreram. Esses terroristas que têm armas, fazer com que eles tenham armas nucleares é uma ameaça intolerável.

O regime mais violento na Terra não deve ser livre para poder fazer suas campanhas de terror, coerção, conquista e assassinato em massa por trás de um escudo nuclear. Eu nunca deixarei que isso aconteça e isso não deveria ter acontecido nos nossos presidentes anteriores. Essa situação está acontecendo há 47 anos e deveria ter sido lidada muito antes de eu assumir o governo. Só a menina.

Para interromper essa busca por armas nucleares por Irã, em primeiro, e talvez de forma ainda mais importante, eu assassinei o general Kassam Suleimani no meu primeiro mandato. Ele era um gênio do mal e uma pessoa brilhante, mas um ser humano horrível.

Ele é o pai das bombas colocadas em estradas. E ele trouxe isso para o Irã. Talvez, outra história, porque é outro caso também muito importante, é que foi o acordo nuclear assinado por Barack Hussein Obama, o acordo nuclear do Irã, que foi um desastre.

Obama deu a eles 1,7 bilhão de dólares em dinheiro, dinheiro livre, tirado dos bancos da Virginia, de Washington e de Maryland, em dinheiro. Ele foi levado em aviões para tentar comprar o respeito deles, mas isso não funcionou. Eles riram do nosso presidente e continuaram com sua missão de ter uma bomba nuclear. Esse acordo do Irã poderia ter levado a uma quantidade maciça de armas nucleares.

Não haveria mais Oriente Médio e nem Israel hoje, na minha opinião, na opinião de muitos especialistas, se eu não tivesse acabado com esse acordo nuclear. Foi uma honra para mim fazer isso. Eu tenho orgulho de ter acabado com esse acordo. Ele era terrível desde o início. Essencialmente, eu fiz o que nenhum outro presidente teve a coragem de fazer. Eles cometeram erros e eu estou corrigindo.

A minha preferência foi sempre tratar pelo caminho da diplomacia. No entanto, esse regime continuou sua busca incansável por armas nucleares e rejeitou qualquer tentativa de acordo. Por essa razão, em junho, eu ordenei um ataque nas instalações nucleares fundamentais chamada Operação Martelo da Meia-Noite.

Ninguém nunca viu nada como aquilo. Dois bombardeiros B-2 fizeram a missão maravilhosamente. Eles completamente aniquilaram essas instalações nucleares, mas eles mostraram que não tinham intenção de abandonar suas intenções de ter armas nucleares. Eles estavam construindo novamente um grande estoque de mísseis balísticos.

E em breve teriam mísseis balísticos que poderiam atingir o território americano, a Europa e virtualmente qualquer outro lugar da Terra. A estratégia do Irã era tão óbvia. Eles queriam produzir tantos mísseis quanto possível. E os fizeram com o maior alcance possível. E algumas de suas armas ninguém nem imaginava que eles tinham.

E eles fizeram isso para uma corrida atrás da bomba nuclear, uma arma nuclear, uma arma nuclear como ninguém nunca viu antes.

Isso estava bem na porta deles, para conseguir isso. Por anos, todo mundo achava que o Irã não teria armas nucleares, mas, no final, isso eram apenas palavras. Se é preciso ter alguma ação, é preciso fazer isso quando chega a hora. E eu fiz isso ao anunciar a Operação Fúria Épica, que os nossos objetivos eram bastante simples e claros.

Nós estamos simplesmente acabando com a capacidade do regime de ameaçar a América ou projetar o seu poder fora de suas fronteiras. Isso significa eliminar a marinha do Irã, que agora está totalmente destruída, a Força Aérea e seu programa em níveis que nunca foram vistos antes, e aniquilar sua indústria de base de defesa.

Nós fizemos tudo isso. A Marinha acabou, a Força Aérea acabou, os mísseis estão agora quase arrasados, quase finalizados. Essas ações juntas acabaram com a capacidade militar e a habilidade de apoiar outros terroristas que eles apoiavam, negando a eles a habilidade de construir uma bomba nuclear. Nossas Forças Armadas têm sido extraordinárias.

Nunca houve nada assim em termos militares. Todos falam disso. E hoje eu tenho o prazer de anunciar que esses objetivos centrais estratégicos estão quase completos. Conforme nós celebramos esse progresso, eu penso especialmente nos 13 combatentes americanos que perderam suas vidas nessa luta, para evitar que filhos de outras pessoas tenham de enfrentar um Irã nuclear.

Eu viajei duas vezes para a Força Aérea de Dover para receber essas pessoas que lutaram por isso, para evitar esse destino. Eu encontrei com seus pais, esposas, maridos. Nós os lamentamos a sua partida e são honrados por terem completado sua missão, por terem dado as suas vidas.

Nós agora vamos terminar o trabalho e nós vamos terminar de uma forma muito rápida. Nós estamos muito próximos disso. Quero agradecer aos nossos aliados no Oriente Médio, Israel, Árabia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Eles têm sido ótimos.

E nós não os deixaremos ser feridos ou falharem de qualquer forma. Muitos americanos estão preocupados de ver o recente aumento no preço da gasolina aqui no país. Esse aumento de curto prazo é inteiramente o resultado do regime iraniano lançando ataques terroristas contra petroleiros comerciais em países vizinhos que não têm nada a ver com o conflito.

Isso é uma prova ainda maior de que o Irã nunca deve ser confiado e nunca deve ter armas nucleares. Eles iriam usá-las e eles iriam usá-las rapidamente. Isso levou a décadas de extorsão, dor econômica, instabilidade, pior do que a gente havia imaginado. Os Estados Unidos nunca estiveram melhor preparados economicamente para enfrentar essa ameaça.

Eu construí a força militar mais... Perdão, a economia mais forte da história. A mais forte da história, eu repito. Em um ano, nós éramos um país morto, um país completamente debilitado. Eu detesto dizer isso, mas nós estávamos mortos e debilitados depois da última administração e nós nos viramos o país mais quente, por assim dizer, no mundo.

sem inflação, com investimentos recordes chegando aos Estados Unidos em mais de 18 trilhões de dólares, com as altas no mercado de ações, com recordes de 53 recordes em apenas um ano.

E nós estamos posicionados para nos livrarmos de um câncer que há muito tempo nos atacava, e é o Irã nuclear. Eles não sabiam o que viriam, eles não imaginavam isso, lembrem-se. Por causa da nossa política de perfurar, o nosso programa que eu chamo de Geo Baby Deal, vamos perfurar, a América tem muito gás, nós temos muito gás.

E sob minha liderança, nós somos o produtor número um de gás e petróleo no planeta, sem falar dos milhões de barris que estão chegando da Venezuela. Por causa das políticas do governo Trump, nós produzimos mais petróleo e gás que a Arábia Saudita e a Rússia juntos.

Pense nisso. A Arábia Saudita e a Rússia juntos. E esse número, em breve, será substancialmente ainda maior. Não há nenhum país como nós no mundo que esteja tão bem preparado para o futuro. Os Estados Unidos importam praticamente nenhum petróleo pelo Estreito de Hormuz.

E não fará isso no futuro. Nós não precisamos disso. Nós não precisávamos e não precisamos. E nós aniquilamos completamente o Irã. Nós aniquilamos militarmente e economicamente de toda forma. E os países do mundo que recebem o petróleo através do Estreito de Hormuz devem tomar conta dessa passagem. Eles devem, então, celebrar isso. Eles devem tomá-la.

E isso pode ser feito facilmente, nós podemos ajudar, mas eles devem liderar isso, proteger o petróleo do qual eles dependem tanto. Então, esses países, senão esses países não terão combustível. Nós tivemos de fazer tudo sozinhos. Eu tenho uma sugestão. Número um, é comprar petróleo dos Estados Unidos. Nós temos muito, nós temos bastante. Número dois, é ter coragem. É uma coragem ali que está atrasada. Isso deveria ter acontecido antes.

Nós pedimos isso. As pessoas devem ir até o estreito e tomá-lo, protegê-lo, usá-lo. O Irã foi praticamente decimado. Essa parte está feita, então a outra parte deve ser fácil. De qualquer forma, esse conflito está acabado. O estreito vai ser aberto naturalmente. E eles poderão, então, vender petróleo.

E os preços vão rapidamente voltar a cair. A Bolsa de Valores vai voltar a subir. E nós caímos só um pouquinho, mas, enfim, tivemos tantos dias bons que isso não importa. Nos últimos dias, nós fomos muito...

melhor do que eu achava. Nós tivemos uma pequena jornada ao Irã para acabar com essa ameaça e nós temos os nossos cortes de impostos na lei que eu chamo de linda e bela lei. E a nossa economia está forte, estamos melhorando todos os dias e está voltando com força total.

Eu deixei claro desde o início da Operação Fúria Épica que nós continuaríamos até que os nossos objetivos fossem atingidos. Graças ao progresso que fizemos, eu posso dizer hoje que nós estamos no caminho para completar praticamente todos os objetivos militares da América em muito pouco tempo. Nós iremos atingi-los muito fortemente nas próximas duas a três semanas.

nós iremos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem. Enquanto isso, temos discussões acontecendo. A mudança de regime não era o nosso objetivo. Nós nunca mencionamos uma mudança de regime, mas uma mudança de regime aconteceu por causa da morte dos líderes originais. Todos morreram. O novo grupo é menos radical e muito mais razoável de se negociar. Então, durante esse período...

Se nenhum acordo foi feito, nós chegamos nesse período. Se não há nenhum acordo, nós vamos atingir cada uma das suas plantas de geração de energia e provavelmente vamos fazer isso simultaneamente.

Nós não atingimos o seu petróleo, embora seja o alvo mais fácil de todos, porque isso daria a eles uma pequena chance de sobrevivência e de reconstrução. Mas nós podemos atingi-lo e isso é algo que eles vão acabar muito rapidamente.

Eles não têm equipamento antiaéreo. O radar deles está 100% aniquilado. Nós somos... Ninguém pode nos parar enquanto força militar. As instalações nucleares foram aniquiladas pelos bombardeiros B-2.

embora eles tivessem a capacidade de tentar novamente. Agora nós temos todas as cartas aqui. É muito importante que nós tenhamos esse conflito em perspectiva. O envolvimento da América na Primeira Guerra Mundial durou um ano, sete meses e cinco dias. Na Segunda Guerra Mundial durou três anos, oito meses e vinte e um dias. Na Guerra da Coreia, três anos, um mês e dois dias. Na Guerra do Vietnã...

19 anos, 5 meses e 21 dias. No Iraque, por 8 anos, 8 meses e 29 dias.

Nós estamos agora nessa operação militar poderosa, tão brilhante, contra um dos países mais poderosos por 32 dias, e esse país já foi eviscerado e praticamente não é mais uma ameaça. Eles ameaçavam o Oriente Médio e não são mais uma ameaça. Esse é um investimento verdadeiro nos seus filhos, nos seus netos, no futuro deles, e todo mundo está acompanhando isso. Eu acho que...

As pessoas nem acreditam ao brilhantismo dos Estados Unidos, das nossas forças militares.

Hoje, nessa noite, todo americano pode olhar à frente para um dia em que nós finalmente estaremos livres da maldade, da agressão iraniana e do espectro do cinturão nuclear por causa das ações que tomamos. Nós estamos próximos de acabar com essa ameaça sinistra do Irã à América e ao mundo.

E eu digo a vocês, o mundo está observando, e quando nós fizemos isso, e quando tudo acabar, os Estados Unidos estarão mais seguros, fortes, mais prósperos e maiores do que nunca antes. Que Deus abençoe os homens e mulheres dos Estados Unidos e das suas Forças Armadas, e que Deus abençoe os Estados Unidos da América. Muito obrigada e boa noite.

Temos 20 minutos de... Aproximadamente 20 minutos, não é? É, 18. Quase 18 e pouco. Vou fazer um brevíssimo resumo. O discurso dele tem muita repetição. Ele volta sempre ao mesmo ponto. O ponto central dele é afirmar que tudo o que ele queria ter atingido, que é a destruição completa da capacidade de suazão do Irã ou de executar qualquer tipo de operação, de ameaça do Irã, foi eliminada.

que como ele afirma, que a possibilidade do Irã de chegar a uma arma nuclear também foi eliminada. Ele fala com grande ênfase que essa ameaça estava iminente e que ela foi agora evidentemente destruída, a capacidade do Irã de ter posse de armas nucleares.

deu uma mensagem de, digamos, de conforto ao público doméstico americano, dizendo o seguinte, olha, essa subida de preços da gasolina, isso aí tem pouco a ver com o conflito, uma frase das mais estranhas, ele pronunciou várias frases estranhas, essa é uma delas, e isso vai passar logo, vai passar logo porque a economia americana e a capacidade americana de se sustentar a partir da própria produção de petróleo, ela não foi afetada de forma alguma, ao contrário.

Depois dessa guerra, Trump vê o país dele muito mais forte, muito mais próspero, muito mais seguro, muito mais capaz de resistir a qualquer tipo de coisa. Diz que não precisa do petróleo de lá, reitera as ameaças de ataque a instalações de infraestrutura iranianas, sobretudo as que produzem energia elétrica, que seria um crime de guerra, sem rodeios. Fazer isso é crime de guerra. Ele repetiu essa ameaça.

Repetiu também a possibilidade de atacar a capacidade de produção de petróleo do Irã, dizendo que não o fez ainda porque isso aí eliminaria. E trouxe de novo uma frase muito antiga da história militar americana, que nós já citamos aqui, que é de bombardear o país adversário de volta ao tempo da Idade da Pedra. Essa frase foi pronunciada pela primeira vez durante a guerra no Vietnã, já tem quase 60 anos isso daí.

Fez evidentemente uma descrição extraordinariamente eufórica da capacidade militar americana. Ninguém consegue nos parar. O mundo não acredita no que está havendo do ponto de vista da capacidade americana de eliminar qualquer tipo de...

De capacidade dos seus adversários de reagirem, descreve o verbo que ele adora, obliterado, destruído, absolutamente erradicado. Bom, e aí continuamos como estávamos, Luiz João? Os trechos do ormoço fechados. Ele afirma, os objetivos estratégicos centrais foram atingidos. Quais?

A destruição do arsenal de mísseis e da capacidade de fabricação, a destruição do programa nuclear. Ele disse que sabe que o urânio enquecido está enterrado, mas que se os iranianos tentarem acessá-lo, eles vão fazer surveillance por satélite e vão atacá-los imediatamente.

Ele diz que o regime mudou, porque as pessoas foram mortas, então se as pessoas morreram, não tem mais o regime, o que seria equivalente a dizer que se um presidente de um país morreu, não tem mais o governo, não tem mais o regime. Ou quando morreu o Stalin, acabou o regime soviético, por acaso?

É, ou quando morreu o Chávez, acabou o bolivarianismo, ou quando morreu o Fidel Castro, enfim. Bom, e ele tenta explicar, porque ele é criticado por ter prometido não entrar em guerras e ter entrado agora. O que ele lembra é que em 2015 ele prometeu que o Irã nunca teria armas nucleares. Então, ele está cumprindo uma promessa de campanha de 2015.

E que ele está livrando o mundo de uma potência perversa e que estava próximo de ter arma nuclear, estava próximo de ter mísseis com alcance muito grande e que ameaçava o mundo, ele livrou o mundo disso. E agora é a vez dos países que dependem da energia do Estreito de Hormuz, do Golfo Pesco, de abandonarem a sua covardia, tentar encontrar alguma coragem, ir lá e ir lá e ir lá.

Eu até ajudo, ele disse. A gente até ajuda, mas vocês têm que liderar e a parte mais difícil nós já fizemos. Fernando, de que maneira você vê ele convincente, considerando ou tendo como perspectiva a preocupação dos consumidores americanos com a alta do preço dos combustíveis?

William, me parece o tipo de discurso que a gente esperaria antes da guerra começar, ou no dia em que a guerra tivesse começado, apresentando justificativas um pouco contraditórias. Agora, como você bem coloca, a ideia de que a dor do aumento dos preços dos combustíveis e da inflação que vai vir...

aqui nos Estados Unidos, inevitavelmente vai passar e, no final das contas, os Estados Unidos vai ficar mais fortes. Me parece que é uma tentativa de justificar o que já começa a atingir o bolso do americano, na medida em que o preço da gasolina, do diesel, vem aumentando semana por semana desde o início do conflito. Então, a ideia é de que vai ser algo rápido, uma dor passageira e, nas palavras dele, os nossos netos e filhos irão agradecer pelo mundo mais pacífico que os Estados Unidos estão deixando ao eliminar a capacidade...

nuclear do Irã. Me parece que isso ainda está um pouco distante, eu diria, para convencer a população média aqui nos Estados Unidos, William. As pessoas estão sentindo no bolso. Então, o presidente falar que vai passar, que é algo rápido, eu tenho aí minhas dúvidas do quanto que isso vai ser capaz de convencer algo que o valha. Acho que um ponto que vale a pena reforçar também, William Lourival,

A ideia de que os Estados Unidos é autossuficiente em petróleo e, por isso, não teria impacto no aumento do preço do barril, caso o Irã, por exemplo, continue controlando o Estreito de Hormuz. O petróleo é uma commodity global. O aumento do preço de petróleo impacta o comércio internacional e, necessariamente, vai impactar os Estados Unidos. Então, é um argumento um pouco peculiar também dentro desse tipo de colocação.

Mas olha, se tem uma boa notícia, William, dentro desse contexto, acho que para encerrar esse primeiro comentário, é de que existia uma expectativa aqui nos Estados Unidos ao longo do dia de que Trump poderia anunciar o aumento de atividades militares contra o Irã, inclusive com a presença de operações terrestres. Até agora ele não anunciou isso, o que me parece algo interessante de a gente anunciar também e de apontar de certa forma.

Vamos seguir adiante na provocação que o Fernando está fazendo a nós, Lourival. Ele não anunciou operações militares em terra, mas ele fez ameaças seríssimas de novo em relação ao Irã. Não ficou claro para mim o que o Irã teria de cumprir para que as ameaças dele não se efetivem. Até aqui a gente tinha. Olha, se vocês não permitirem a abertura de Hormuz, eu vou acabar com vocês. Mas acabar de verdade. Ele não repetiu isso exatamente, colocou uma coisa contra a outra.

Outro ponto que ele insistiu bastante, e as expressões dele foram, very shortly, very quickly, é finish the job. Agora, qual é o horizonte de very shortly, very quickly? De duas a três semanas, e ele disse que... Ele não disse, hein? É, mas ficou subentendido que a guerra está próxima do fim. E aí ele fala que vai atacar ainda mais duramente o Irã.

Nesse prazo agora. E aí eu interpreto como sendo as operações terrestres. Mantém a guerra aérea, mas entra para as operações terrestres, porque os Estados Unidos estão prontos para iniciar essas operações.

E aí ele justifica o fato de que, bom, no ano passado nós obliteramos as instalações nucleares. Por que nós estamos falando de instalações nucleares agora? É porque eles deslocaram o programa para outro lugar e já estavam muito próximos.

de fazer a bomba, que é incrível, né? Em menos de um ano, um país consegue deslocar suas instalações que tinham sido destruídas e já está perto de novo de fazer a bomba, né? Mas ele não pode se comprometer. Por que ele vai continuar atacando o Irã nas próximas semanas e mais duramente ainda?

porque ele precisa da abertura do Estreio de Ormuz. Só que ele não pode se comprometer com esse objetivo, porque ele já viu que é muito difícil. A guerra estaria terminada se não fosse o fechamento do Estreio de Ormuz, concorda? Ele já não destruiu todas as capacidades do Irã. Bom, o Irã ainda está conseguindo disparar.

Drones e mísseis. Então, tem essa capacidade também que ele precisa terminar de destruir. Mas, acima de tudo, o que está realmente politicamente causando um grande problema para ele é o Estreito de Hormuz. Ele gostaria de convencer os iranianos a parar de fechar o Estreito de Hormuz, mas ele não pode se comprometer com esse objetivo. Ele pode ter de sair da guerra com o Estreito de Hormuz fechado.

Quando ele faz isso hoje, do ponto de vista estratégico, a situação dele é pior do que quando ele começou a guerra. Claro. Quando ele começou a guerra, o estreito de Hormuz estava aberto. Claro. Quando ele termina a guerra, o estreito de Hormuz estará fechado, assumindo que ele sai agora. Agora, há dois aspectos no discurso dele, e o Fernando Brancoli, eu gostaria de ouvi-lo na sequência, que me chamaram a atenção. É aquilo que na gíria a gente chama de passou-recibo.

Ele passou, na minha visão, dois recibos. Primeiro, eu tinha um plano sim. Segundo, eu tinha objetivos muito claros sim. E aí eu posso colocar mais um recibo, esse montinho de recibos na mesa do Trump, que é o seguinte. Terceiro, eu consegui tudo o que eu queria, Fernando.

Olha, William, é bastante difícil acreditar nesse tipo de afirmação. E eu lembro, acho que o Loival até comentou isso mais cedo, ontem o secretário de Estado, Marco Rubio, falou que o objetivo era acabar com as capacidades de lançamento de míssel balístico e de atingir Israel dentro desse tipo de colocação. Trump repete isso hoje, e de maneira contraditória. No primeiro momento ele diz que os Estados Unidos entram na guerra contra o Irã para proteger os aliados regionais, principalmente Israel.

para algumas frases depois falar que o Irã estava próximo também de desenvolver mísseis que poderiam chegar aos Estados Unidos, colocando aí os Estados Unidos dentro de um cálculo de ameaça ou algo parecido. Então, me parece bastante explícito de que não estava ou não está ainda muito claro os objetivos do conflito, seja acabar com o programa nuclear, que ele já havia anunciado que estaria encerrado, você coloca, não, eles transferiram para outro lugar montanhoso ou algo parecido.

Tem esse debate de acabar com as capacidades balísticas do Irã. Enquanto o Trump fazia o discurso, William, eu acompanhava aqui nas redes, Tel Aviv está sobre ataque agora, está sobre ataque de mísseis iranianos. Então, também o Lourival repetiu isso agora. O Irã continua com capacidades ofensivas dentro desse tipo de contexto.

E agora, com esse elemento extra que você coloca, o Estreito de Hormuz fechado, com o Irã deixando claro que vai querer rever as maneiras como o processo comercial se faz agora, dentro daquela colocação. Já disse que, por exemplo, navios de nações inimigas não vão passar. Agora, navios de nações aliadas podem passar. Então, absolutamente, não existiam objetivos muito explícitos. Não à toa a gente vê membros diferentes do governo americano falando coisas diferentes.

E quando não se tem objetivos claros, é difícil você declarar vitória, declarar que a guerra teve o seu objetivo final, porque, bom, não tinha muito o que falar dentro desse outro motivo. Agora, vale a pena acompanhar também as repercussões, eu diria, na rede agora. William e Lourival acompanhavam esse tipo de colocação.

Os republicanos agora vão dizer que foi um sucesso. Vejo aqui alguns congressistas argumentando que foi um grande sucesso. O presidente declarando uma semivitória. E também a oposição já caindo um pouco em cima e dizendo que é um desastre, que o Estados Unidos está perdido. E, bom, vamos ver como é que o mercado vai reagir amanhã também a esse tipo de declaração.

É sempre interessante a gente olhar para o personagem, né, Lourdes Valves? No caso, o Trump é um extraordinário personagem em todos os sentidos. Ninguém consegue elogiá-lo mais do que ele a si mesmo. Essa operação militar dele, ou como ele queira chamar, excursion, nenhum dos aliados formais até agora elogiou. Nenhuma das potências importantes chegou e disse, nossa...

Realmente é algo muito bem executado, que transformou as coisas de um dia para o outro, da água para o vinho. Porque ele faz uma descrição do Irã e da capacidade que ele atribuía ao Irã antes do início dessa operação. E do ponto de vista lógico, faz a gente se perguntar, se o Irã era tudo isso, como é que não atacaram antes?

Outra questão que Trump nos coloca bem claro do ponto de vista do personagem é a necessidade que ele tem de se projetar a respeito dos outros presidentes que o precederam. Tem uma frase dele com muita ênfase que ele diz, eu estou corrigindo os erros de todos os outros.

É uma enorme sequência de presidentes americanos que foram à guerra. Ele está corrigindo todos. E a fixação dele com Barack Obama, essa é extraordinária também. O que nos leva, de certa maneira, a pensar, esse é um discurso exclusivamente para consumo doméstico, porque lá fora ninguém acredita no que ele diz.

É, eu acho que ele está muito preocupado com a opinião pública americana. No dia 4 de novembro, vai eleger toda a Câmara e um terço do Senado. E as perspectivas já não eram boas antes. Já havia a probabilidade de a Câmara ir para as mãos dos democratas.

O que acontece historicamente nas eleições de meio de mandato, o governo perde. O Senado parecia já mais garantida a maioria de ser mantida pelos republicanos, mas agora até isso parece correr riscos.

vai ter que trabalhar muito daqui até novembro. Por quê? Porque esses efeitos econômicos negativos dessa guerra vão perdurar e também porque ele não resolveu os problemas econômicos que ele precisava resolver.

que eram anteriores a essa guerra. Ele disse que a inflação está totalmente controlada, que a Bolsa de Valores está explodindo e tal. No entanto, para os americanos, o custo de vida está muito alto. Já estava muito alto antes de essa guerra elevar o galão da gasolina de 2,90 para 4 dólares e com tendência de alta.

Não adianta, não há pronunciamento à nação que mude o preço da gasolina ou dos alimentos que dependem do preço da gasolina e do diesel, dos fertilizantes que também têm o preço elevado pelo fechamento do Estreito de Hormuz. Então, são realidades que ele, nem ele, que é provavelmente uma das pessoas mais hábeis em termos de comunicação da vida contemporânea, é capaz de mudar. Então...

Acho que ele vai continuar derrapando aí e tendo de fazer muitos discursos, muita pirotecnia retórica para esconder uma realidade que ele criou. Você está surgindo uma reflexão importante, eu acho. Não sei se é cacoete nosso de profissionais de notícias e de informação, buscar algo novo. Eu não consigo. Queria ouvir você agora na sequência, Fernando.

Eu não consigo identificar nada de novo que ele disse a respeito do que o fez, na visão dele, do que o fez ir para a guerra e do que ele fez durante a guerra. Tudo o que ele disse hoje eu já ouvi. Você ouviu alguma coisa nova hoje, Fernando?

Olha, William, alguns elementos, eu diria, relativamente novos, mas eu queria chamar a atenção para um segundo ponto que eu já chego nele. Essa história do Irã ter capacidade balística de chegar nos Estados Unidos, eu confesso que eu não escutei em momento algum antes disso. A ideia é de que o Irã teria capacidade de atingir os Estados Unidos, mas pode ser que já tenha aparecido. Mas eu concordo com você, grande parte do discurso é inclusive uma repetição da entrevista coletiva que ele deu ontem no Salão Oval, repetindo basicamente todos os argumentos.

Qual que é a grande diferença, William, que eu acho que vale a pena chamar a atenção? Esse discurso que ele faz hoje foi exibido em todos os canais de notícia aqui nos Estados Unidos. Teve uma espécie de cadeia nacional para esse processo. Talvez as pessoas que não acompanham normalmente o Trump nas redes sociais, nas coletivas de imprensa.

Eu confesso que hoje, ao longo do dia, pessoas que normalmente não falam de internacional comigo me procuraram para perguntar sobre a entrevista e coisas parecidas. Então, talvez o conteúdo tenha sido não tão novo assim, mas a plataforma foi. Fazia tempo que Trump não adotava essa estratégia de uma cadeia nacional para decretar algo. Isso, obviamente, tem um impacto. Parte da população que não acompanha, muitas vezes, o noticiário.

que vê as coisas de relance nas redes sociais, provavelmente teve uma chance maior de acompanhar esse ponto. E reforçando o que a gente comentava anteriormente, é um discurso essencialmente para o público interno. A ideia de que ele admite que os preços estão aumentando, principalmente do diesel e da gasolina.

mas que é rápido, que é por uma boa causa, a proteção dos nossos filhos e netos, nas palavras de Trump, e que logo vai passar. Então, acho que esse detalhe, William, faz uma diferença no final das contas. E aí, obviamente, isso vai gerar cortes depois para as redes sociais, vai gerar uma série de respaldo e de rescaldo de produção midiática, que, obviamente, para o Trump é bastante importante. Olha aí, Lourival, ele falou mais ou menos uns 20 minutos e nós passamos mais ou menos uns 20 minutos falando do discurso dele.

Eu vou propor troca de assunto. Se a gente concluir que não tem nada muito novo, vamos, como é que fala, colocar mais esse peso nas costas das audiências, porque há outros elementos importantes nos Estados Unidos hoje, em relação ao Brasil, que vale a pena a gente aproveitar o tempo que a gente já tem nessa edição. Mas eu queria o seu breve resumo, o que é que te chamou a atenção nesse discurso?

Quando ele fala que o Irã poderia atingir os Estados Unidos, ele teria uma saída que seria dizer, não, ele teve um míssil que estava se dirigindo e que alcançaria a base Diego Garcia, que é uma base compartilhada entre Estados Unidos e... 4 mil quilômetros de distância.

E foi uma surpresa realmente que o Irã tivesse conseguido, tivesse um míssil com esse alcance. Então ele fala as coisas de uma forma muito vaga, genérica, para também encontrar uma saída e justificar. Ele exagera, né, e depois para tentar justificar. Bom, mas o meu resumo é o seguinte. O Trump...

Ele tem um dilema muito grande porque ele começou essa guerra com objetivos maximalistas, derrubar o regime e não permitir que o Strait de Ormus...

ficasse fechado, ele não conseguiu esses dois objetivos cruciais, ele tem de se contentar com a devastação do Irã, tem de contentar o povo americano e convencê-lo de que pagar 4 dólares pelo galão da gasolina vale a pena, devastar o Irã vale a pena.

com esse custo econômico, que ainda vai ter outros desdobramentos. E ele realmente demonstrou nesse discurso que ele não tem condições de oferecer aos americanos argumentos válidos para aceitar isso. Norival Fernando, com a licença de vocês, eu vou chamar o intervalo na volta. Casa Branca ataca o Brasil, não igual o Irã, pelo amor de Deus, ninguém aqui é maluco. Por conta de pix e taxa das blusinhas, cada um com a sua guerra.

Estamos de volta ao WWW, a gente transmitiu até aqui ao vivo os 20 minutos de duração do pronunciamento do presidente Donald Trump lá nos Estados Unidos. Tratamos desse assunto, conversamos a respeito e agora, conforme prometido,

Outra situação que a gente tem que olhar muito, sobretudo aqui no Brasil, e para isso está conosco agora no programa nosso colega Daniel Ritner. Boa noite aí em Brasília, Daniel. Eu vou chamar o VT, como a gente fala na nossa gíria, e a gente volta para conversar. Fernando Brancoli nos acompanha também. Louis Val, vamos lá.

Foi publicado hoje pelo escritório do representante comercial dos Estados Unidos um documento reforçando severamente críticas ao que esse documento chama de protecionismo da economia brasileira. Protecionismo esse que atrapalharia empresas e prejudicaria investidores norte-americanos aqui.

Esse tipo de pronunciamento, ainda mais um documento do representante do comércio, isso daí é considerado sinal para a aplicação de novas tarifas sobre o Brasil. Confira.

O USTR dedica oito páginas do Relatório Anual de Barreiras Comerciais aos Estados Unidos para falar sobre o Brasil. Questões como piques e redes sociais se juntam a outras reclamações antigas dos americanos, como tarifas para importação de etanol e cotas para produções audiovisuais nacionais, a chamada cota de tela.

Sobre o PIX, o relatório aponta que partes interessadas dos Estados Unidos demonstram preocupação com o que seria um tratamento preferencial do Banco Central Brasileiro ao sistema. Para os Estados Unidos, as determinações a instituições financeiras para aderirem ao PIX são prejudiciais a serviços de pagamento eletrônico americanos.

As redes sociais aparecem devido a um projeto enviado pelo governo Lula ao Congresso em 2025. A proposta amplia os poderes do CAD, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, sobre plataformas digitais com o objetivo de evitar práticas anticoncorrenciais no setor.

O projeto do governo cria a figura de agentes econômicos com relevância sistêmica, que teriam faturamento superior a 5 bilhões anuais no Brasil ou 50 bilhões no mundo todo. O relatório aponta que, se aprovado, o projeto poderia levar empresas americanas, que dominam o setor, a cumprirem uma série de exigências.

sob o risco de multas que poderiam chegar a 20% de seus faturamentos globais. O projeto tramita em regime de urgência na Câmara. Com isso, depende apenas de aprovação do plenário para ser encaminhado ao Senado. O relatório destaca que, em 2024, a alíquota média do Brasil para importação de produtos industriais foi de 12,5%.

Na visão do USTR, isso representa um patamar relativamente alto para setores como de automóveis e máquinas e equipamentos. Pontos destacados no relatório são mencionados na investigação aberta no ano passado contra o Brasil pelo órgão vinculado à Casa Branca sobre práticas brasileiras consideradas desleais. O processo pode resultar em tarifas específicas sobre o Brasil.

Daniel, o que você aguarda que aconteça aí em Brasília?

William, vai se desenhando um cenário de probabilidade de volta das tarifas americanas a produtos brasileiros. O que a gente teve foi a retirada de quase todas as tarifas, ainda tem algo residual, mas continua havendo uma investigação no âmbito da sessão 301 para uma série de países, em torno de 60 países, de uma específica.

para o Brasil, que já se encaminha para a reta final. O prazo estimado é julho. O problema não é só a investigação e o apontamento de uma série de barreiras protecionistas na visão dos americanos, conforme descrito na reportagem. O problema é que vários movimentos recentes dos americanos não encontraram...

eco um sinal de cooperação no entendimento de Washington por parte do governo brasileiro. Cito aqui três pontos.

Primeiro, uma convocação de países latino-americanos para se discutir cooperação na área de minerais críticos. O Brasil preferiu não participar da reunião, sem juízo de valor, mas preferiu não participar. Segundo momento, o governo americano mandou uma proposta de acordo na área de minerais críticos especificamente para o Brasil e o Brasil decidiu ignorar.

E terceiro ponto, no último fim de semana, houve uma reunião que acontece a cada dois anos de cúpula da Organização Mundial do Comércio. Sei que não anda nada sexy falar de OMC, é uma organização absolutamente enfraquecida, mas os Estados Unidos foram lá com um único objetivo, que era de renovar a moratória para comércio eletrônico. Ou seja, um atestado de que os países não podem impor tarifas, taxas específicas sobre transações sobre comércio eletrônico. Obrigado.

Essa moratória está chegando ao fim, os Estados Unidos queriam renová-la por cinco anos, ou preferencialmente até de forma indefinida. Nenhum país se opôs publicamente, a não ser o Brasil e a Turquia que bloquearam o acordo. Aí o Jameson Greer, que é o chefe do USTR que preparou esse relatório, voltou para Washington, segundo as pessoas que estiveram com ele, absolutamente contrariado, irritado com o Brasil.

e o que se presume disposto a defender uma postura mais ofensiva de Washington, do governo Trump, contra o governo Lula. Você detecta isso aí em Washington, Fernando, uma postura mais ofensiva do governo Trump em relação ao Brasil?

Há uma movimentação bastante errática, William. Eu estive em Washington há duas semanas e conversando com pessoas que acompanham esse processo, há uma insatisfação, no caso norte-americano, como a gente comentou com o Daniel anteriormente, de não conseguir acessar o Brasil muitas vezes do ponto de vista prático, de que o Brasil adia decisões importantes, que não deixa muito claro esse tipo de processo.

Eu lembro também que essa comissão tem boas relações com grupos de oposição lá no Brasil. Não quero colocar juízo de valor aqui, mas entra dentro de um cálculo também de quem esses congressistas escutam, de quem esses técnicos, de certa forma, se articulam. Então, eu concordo de que não está fora da mesa a possibilidade de novas taxas no futuro.

Lembrando que Trump diz que gosta do presidente Lula, que de alguma maneira tem um bom acordo com ele. Agora, se começar a reforçar essa movimentação e essa imagem de que o Brasil está muito refratário, a possibilidade de discussões mais amplas, seja na questão de terras raras, seja em cooperação bilateral em assuntos estratégicos, não está fora da mesa esse processo. Dorival.

O Brasil também adotou, por medida provisória, em outubro de 2024, uma taxação de 15% sobre as plataformas digitais que recaem diretamente sobre as plataformas americanas. Foi uma iniciativa que envolveu também a União Europeia, que também adotou.

essa taxação e isso frustrou profundamente o Trump, o governo americano. E está associado também a outras questões que são mais políticas, ideológicas, sobre o controle dessas plataformas e das redes sociais. Então, há um conjunto de coisas, teve aí a ausência do Brasil também naquela cúpula que criou o escudo das Américas, que era uma discussão sobre o controle do narcotráfico.

do que eles chamam de terrorismo, enfim, do crime organizado aqui no continente latino, na América Latina e nas Américas e tal. O Trump relevou essa ausência quando falou sobre isso, perguntado por um repórter e tal. Não, eu me dou muito bem com eles, que eram os presidentes do Brasil, Colômbia e México, acho que eles não puderam vir e tal.

E as atenções do presidente Trump realmente não estão voltadas para isso, mas, de fato, pelo que a gente vê das informações que o Daniel traz, a área de comércio dos Estados Unidos está reunindo dados, informações, argumentos para voltar à carga contra o Brasil. Trump agora está com atenção em outro lugar.

Quando voltar o olhar para a América Latina, vai olhar para Cuba, que é uma questão que ele precisa resolver antes. Mas é possível que, com o aumento das chances também do Flávio Bolsonaro, o Trump veja toda essa questão de um outro ângulo.

Daniel, voltando à questão que nós abordamos muitas vezes aqui, alguns meses atrás, no auge, por exemplo, da aplicação do tarifácio americano contra o Brasil, que era o empenho de empresas privadas e setores do governo brasileiro de desvincular a política do que se chamava a racionalidade das negociações do ponto de vista econômico e comercial. Isso se perdeu de novo?

Eu vou colocar, pegar esse gancho, William, da política com a racionalidade econômica comercial para fazer uma abordagem um pouco diferente. O melhor momento do governo Lula nos últimos dois anos, vamos colocar na segunda metade deste mandato, acontece para efeitos domésticos e de popularidade de aprovação do governo.

justamente naquele momento muito tenso do ponto de vista econômico comercial de aplicação do tarifaço em julho de 2025. É nesse momento em que o Palácio do Planalto acha o discurso e a retórica da defesa da soberania.

Esse discurso cola, mesmo entre o segmento do eleitorado que se opõe a Lula, a uma boa captação desse discurso, Lula cresce nas pesquisas. A partir do momento que surge a boa química e outros fatores começam a pesar na política interna,

Lula começa a estagnar e a cair e a perder terreno para a direita e para Flávio Bolsonaro. De modo que não é exagero absolutamente dizer que, do ponto de vista do Palácio do Planalto do governo, de certa forma até convém um tensionamento, uma crise com os Estados Unidos para poder resgatar o que na cabeça dos marqueteiros...

próximos do governo, é uma excelente oportunidade de um discurso no que melhor pegou para o Lula até agora, desde 2025, que foi a defesa da soberania.

Pessoal, eu vou encerrando o segmento sobre o discurso do Trump e este agora sobre mais esse abacaxi. Esse tem realmente proporções grandes entre o Brasil e os Estados Unidos, do ponto de vista das relações comerciais.

E começo, então, agradecendo ao Fernando Brancoli, professor de segurança internacional, de geopolítica lá da UFRJ. O Fernando Brancoli é pesquisador do Instituto de Estudos Avançados e Princeton, nos Estados Unidos, de onde participou aqui nessa edição do WW. Fernando, muito obrigado. Boa noite para você aí nos Estados Unidos. Boa noite, meu caro. Sempre um prazer. Até a próxima.

Olival, muito obrigado aqui, sempre um orgulho para nós ter você a bordo. Daniel, obrigado pelo esforço, ficou até tarde para abordar isso, que é um assunto que você domina tão bem. Antes de eu me despedir da nossa audiência, eu queria mais uma vez reiterar.

O tipo de conteúdo que a gente coloca à disposição de vocês no site do WW, na página do WW, perdõem, no site da CNN Brasil, dos assuntos que a gente trata aqui, tanto os domésticos como os internacionais, temos uma série de parceiros de produção de conteúdo, eu tenho certeza que são úteis para vocês. Ora sim, me despeço da nossa audiência, muito obrigado a todos, boa noite.

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