Episódios de Alerta Diversidade

Alerta: A vida é feita de travessia (com José Milton Neto)

27 de abril de 202653min
0:00 / 53:23

Nesse episódio falamos sobre o que compõe a vida e outras reflexões filosóficas.

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Participantes neste episódio2
A

Arthur Araújo

HostPodcaster
J

José Milton Neto

ConvidadoPsicólogo
Assuntos4
  • Estilo de VidaCaminhos e possibilidades · Autoconhecimento · Experiências e alegrias · Vulnerabilidade e amor
  • A importância do novoDescoberta no cotidiano · Mudança e adaptação
  • Medo e vulnerabilidadeCoragem para amar · Desafios emocionais
  • Paradoxos da vidaDualidade do ser · Mudança e permanência
Transcrição133 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

A alerta! No episódio de hoje a gente vai pensar sobre a vida e o que a compõe num papo bem filosófico sobre os segredos do universo. Eu sou Arthur Araújo e você está ouvindo o Alerta à Diversidade.

Olá pessoas, sejam bem-vindos a mais um episódio do Alerta Diversidade. Hoje eu toquei com um convidado especial, um dos meus psicólogos favoritos, pessoas favoritas, artistas favoritos, que é... Neto, eu quero que ele se apresente para vocês. Uma apresentação dessa sim, já fico até com vergonha, né? Primeiro. É um prazer estar aqui, né? Depois de muito planejar, estar aqui é bom também.

Ao lado da pessoa também que eu admiro muito, psicólogo favorito, artista favorito também. Eu sou José Milton Neto, sou bacharel em saúde, sou psicólogo e pensador nas horas vagas. E é isso. A gente tem uma página no Instagram pra falar de psicologia e da vida.

que é lirisdossol.pc, vai ter tudo na descrição, sigam a gente, leiam nossos textos, mas da mesma forma que a gente fica lá filosofando sobre detalhes da vida e a vida no macro, eu queria trazer algumas reflexões aqui em áudio, pra gente pensar um pouco sobre o que é a vida, que é a primeira pergunta capriciosa, assim, muito holaciosa. E aí, Neto, o que você responde a respeito disso?

A primeira pergunta é essa, imagina as outras perguntas, né? O que é a vida? Fica mais fácil depois. Eu acho que a vida é a sucessão do novo a todo instante e o novo que sempre traz muitas possibilidades, assim.

E aí não falando assim, é tudo sempre bom e sempre maravilhoso, né? O novo às vezes se apresenta em outras roupagens também. Só que como ele também é repleto de possibilidades, então tem sempre caminhos diferentes para trilhar em busca talvez de o caminho mais agradável a se seguir e a se compreender.

que segue por aí. Eu gosto dessa ideia da vida como caminho. Tem aquela música, né? Que a gente vai conhecendo a vida caminhando e se perdendo também. Se perder também é um caminho. Acho que a vida é isso. Recuar às vezes. Um amigo um dia me disse que existe sempre...

Eu não vou lembrar a frase completa agora. Mas você vai lembrar que você foi o meu amigo que falou assim, do pra cima, pra baixo, pro lado, pro outro e pra dentro. Sim. E aí, volta e meia quando eu penso na vida, eu penso nessa frase. Pode até falar a frase aí, que é uma frase muito boa.

Ah, então, é isso aí. Que quando a gente chega na encruzilhada, a gente se deparar com sete caminhos. Pra cima, pra baixo, pro lado, pro outro, pra frente, pra trás e pra dentro. Que é o único caminho que importa de verdade. De onde quer que você vá, você tem que ir sempre com honestidade, com seu coração. Então, sempre pra dentro.

Então, acho que isso é a vida. São esses caminhos e essas possibilidades, né? E aí a gente reconhecendo o nosso próprio caminho, né? Esse caminho de dentro, assim, também. Que é o mais importante sempre, né?

Nossa, aí você fez pensar em muitas coisas assim. Tá, vou falar logo pra não esquecer. Porque eu penso, vou pegar o seu grande pra pensar uma coisa que eu penso. Que é a vida como a nossa chance de se conhecer. No sentido de que é como a gente... Tá, quando você falou sobre o novo, eu sempre venho novo. Eu sempre venho novo, porque às vezes vem o antigo também. Mas mesmo o antigo voltando, é novo.

Porque o homem não pode se banhar duas vezes no mesmo rio, etc, etc, etc. Então, tudo é novo. Então, pensando até na lógica de vidas passadas, essa vida, vida futura, a vida que eu vivi não é a vida que eu vivo hoje, a vida que eu viverei não é a vida que eu vivo hoje. Então, assim, a experiência que eu tenho agora é uma experiência única. Então, quem eu sou agora, eu só posso aproveitar agora. Isso vale tanto pra pensar em encarnação...

quanto, nossa, eu odeio caminhões, vale tanto pra pensar em encarnações, quanto pro momento presente. Então, quem eu sou nessa minha fase da vida agora, eu só vou poder aproveitar agora. Então, se eu...

deixar passar essa chance de me aproveitar nesse momento, não vai ter outra oportunidade. Então eu fico pensando como a vida é meio que essa chance de me conhecer, de saber... Eu vi uma frase muito boa vez que é uma pessoa falando se eu desistir agora, eu nunca vou saber o quão bom eu poderia ter sido. Isso me fez pensar, caralho, a vida é isso. É esse lugar de...

É você descobrir o quão bom você pode ser, o quão ruim você pode ser. Descobrir o quanto dói também, o quanto a gente consegue se alegrar com as coisas. Eu uma vez estava conversando com o meu irmão e ele disse que recebeu uma felicitação dizendo assim, que suas alegrias sempre se renovem. E ele ficou pensativo, eu fiquei pensativo e eu...

Eu sempre que vou desejar um feliz aniversário pra alguém, atualmente falo assim, nossa, que você tenha alegrias renovadas. Porque sentir as mesmas alegrias é legal, mas você descobrir alegrias novas e descobrir que existe uma gama de alegrias diferentes que você pode sentir, que às vezes você nem imaginou, é surreal. E acho que nos últimos anos, assim, eu tenho me permitido estar nesse lugar e buscar esse lugar de experimentar alegrias novas.

E aí eu fico pensando, a vida é um pouco desse lugar, assim, essa composição que a gente vai construindo. E eu gostei também do que você falou sobre se perder. Uma vez eu tava no Lollapalooza, e foi a primeira vez que eu fui no Lollapalooza, eu tava jovem. E eu me perdi do meu amigo que tava comigo, e eu não tinha marcado o lugar de encontro com ele. E a gente tava sem ter como se comunicar pelo celular.

E foi insano. Eu passei a ter fé em Deus naquele dia ali, ó. Eu prometi pra Deus, se eu achar o meu amigo, eu nunca mais duvido da existência de Deus. E no exato momento, tava assim, com a cabeça erguida. Meu Deus, se eu achar o meu amigo, porque é um multitângulo, lá falou, você é insano. Então, eu tava cheio de gente. E eu tava com a cabeça pro céu, assim, conversando. E aí, quando eu abaixei a cabeça e olhei pro lado, meu amigo tava sentado, assim, eu fiquei... Caraca!

Tá bom, tá bom, tá bom, entendi, entendi. Mas enquanto eu tava caminhando e eu consegui explorar bastante o espaço do autódromo, eu pensei assim, quando você não sabe pra onde você tá indo, qualquer caminho é caminho, e você vai vivenciando ali cada parte e conhecendo as coisas. Então eu sinto que eu consegui me vincular muito mais ao espaço enquanto eu tava caminhando sem um objetivo específico, porque eu tava só prestando atenção em tudo.

E às vezes eu sinto que a vida tem esse convite de que se a gente for muito cego em um objetivo, a gente pode perder muita coisa. Então, hoje em dia, eu tento caminhar com essa abertura de prestar atenção no que está acontecendo ali.

como se eu tivesse meio que perdido. Eu tenho algumas ideias do que eu quero, mas eu aceito o não saber, o não da vida, de não ter consciência do que pode acontecer, porque, aí, se foi outro ponto, hoje em dia, eu tô contando todos os meus segredos da vida, hoje em dia eu considero, eu não sempre levo em consideração o desconhecido.

Porque hoje tem elementos na minha vida que eu não sabia da existência deles antes. Então, não teria como antes eu prever a vida que eu vivo hoje, porque antes eu não sabia das coisas que eu sei hoje. Até em questão de pessoas que eu conheço, de filmes que eu vi, de música que eu ouvi. Então, se eu olhar pro meu futuro, tipo, ah, como é que vai ser meu futuro daqui a 10 anos?

Eu não sei os filmes que eu vou estar amando daqui a 10 anos, nem as músicas. Eu não sei como é que vai estar as coisas. Então eu posso ver alguns lapsos de ideias, mas os elementos que vão compor a minha vida são coisas que eu não tenho alcance nem imaginativo agora. Então eu sempre levo em consideração o desconhecido de tem o que eu quero, mas tem o tanto todo que eu não sei ainda. E tem desejos que eu vou acabar construindo enquanto eu for caminhando.

Tua internet? Ou a minha internet? Acho que é a tua internet. Então, aproveitar e pegar o gancho da tua fala, né? É engraçado, né? Que tu não vai ouvir agora, mas vai ouvir na frente. Então, acho interessante quando fala assim do caminho desconhecido, né? Porque a gente tende, num caminho conhecido, a ir muito anestesiado. Porque a gente já conhece o caminho.

A gente tende aí de... Quase de olho fechado. Tem até aquela frase, né? De tem quem passe... Ó, tu saiu, eu tava aqui... Falando. Eu ainda brinquei que tu não ia ouvir agora, mas ia ouvir no futuro, quando subisse. É, assim. Eu fiquei assim, eu vi que eu tava explanando os segredos da vida e tentando me derrubar. Mas pode continuar falando. Não, pode voltar a tua ideia, eu guardo aqui. A minha relação, a vida é isso. Então, pode seguir.

Eu estava falando assim como o caminho desconhecido é interessante, porque os caminhos que a gente já conhece, a gente tem daí anestesiado. A gente tem quase de olho fechado, né? Já conheço o caminho, então vou sem novidades. E o caminho desconhecido, a gente vai prestando atenção em tudo, né? A gente vai tentando captar tudo, conhecer tudo, fotografar tudo. Aí eu ia falar uma frase que tem assim, que é a quem passa pela floresta, só veja lenha para a fogueira, né? Então, porque a gente vai tão...

imersos nos caminhos conhecidos, na nossa vida rotineira, que não se depara muito mais com o novo e não se encanta mais com o que a gente já tem. Então, eu acho que o desconhecido é sempre bom por isso, porque a gente está sempre movimentando e angustiado e isso é bom, faz com que a gente perceba mais as coisas, absorva mais das coisas, observe as coisas.

Fantástico. Isso da Leia pra queimar, eu tô... Blow mind. Nossa, sim, sim. Eu tava respondendo um stories de uma amiga ontem, que ela postou umas fotos e falou assim, nossa, adoro gente bonita, que anda com gente bonita, que veste roupa bonita, que vai pra lugares bonitos, que tira fotos bonitas. Ela falou, adorei o conceito de existir. Eu falei, é, mas existir com beleza é diferente. Então, você viver a vida com esse grau de presença, né, de você.

tá ali não vendo as coisas só como pra queimar, mas essa forma de encarar o novo, eu vou fazer uma pergunta sobre isso daqui a pouco, mas essa forma de encarar o novo, eu sinto muito isso quando eu tô viajando, assim. Tipo, principalmente dessa última vez que eu fui pra São Paulo, eu fiquei na mesma rua, e eu descobri mil coisas diferentes na mesma rua, mas tipo assim, do outro lado.

da calçada que eu andava, então. Eu fiquei, nossa, tem tanto, o mundo tem tanto. E eu fiquei abismado. E a pergunta que eu quero te fazer é, você acha que tem como descobrir o novo mesmo dentro da mesma rotina? Era isso que eu ia falar, quando tu falou aqui, veio isso na minha cabeça, né? Existe muito desconhecido no conhecido, né? Porque a gente tende a filtrar a nossa...

visão, nossas ideias, só para as mesmas coisas, às vezes, existe muito, né? Existe muita coisa diferente, mesmo no mundo conhecido, né? A gente tem que ter essa abertura, né? Para ir conhecendo, para ir buscando.

E eu acho que é um exercício que a gente tem que estar sempre fazendo. Quando eu vejo assim as pessoas, é que minha vida caiu na mesmice. Não dá para cair na mesmice. Se permita ver outras coisas e visualizar outras coisas, às vezes dentro da mesma coisa existe um outro mundo, né? E a gente às vezes acaba anestesiado mesmo, né? Muito por... Talvez por certo comodismo, não sei, por certo...

limitação até da própria imaginação, das fantasias. As fantasias são importantes para isso, para a gente ir vendo o novo e descobrindo novas coisas também. Isso é muito fantástico de pensar, porque é um exercício, ainda mais usando a ideia de criatividade,

de criatividade, de criação, de ver o mesmo por outro lado, eu me pego muito pensando nisso como exercício de eu preciso fazer algo novo com aquilo que eu já tenho. Aí eu vou pôr algumas ideias. Às vezes eu tava falando com... Eu não lembro com quem. Nossa, eu tava tocando Roberto Carlos na rua. Eu... É isso que acontece quando você começa a gravar um podcast.

Mas eu não lembro com quem exatamente estava falando, que a pessoa disse que queria descobrir um livro novo, e tipo um novo livro favorito, mas a pessoa não queria recomendação, não queria comprar um livro novo. A pessoa queria encontrar um livro não lido na estante dela que fosse se tornar o novo livro favorito dela.

E eu fiquei pensando muito nisso. Aquele sentimento de você sempre esteve aqui e você poderia ter mudado a minha vida esse tempo inteiro, mas não funcionaria se não fosse antes. Precisava ser exatamente agora. E eu acho isso muito, tipo, caraca, a peça que falta tá na nossa mão. É tipo montar o cabo-cabeça, né? Todas as peças que você precisa já estão ali. Você precisa descobrir a gente. A dinâmica.

E às vezes o mesmo livro, quando a gente lê de outra forma, tem esse mesmo poder de descobrir um novo dentro do mesmo livro. Tem alguns livros que eu pego para reler às vezes e falo, caramba!

Eu não tinha visto isso da primeira vez, não tinha entendido da primeira vez. Até uma metáfora, assim, eu gosto de ficar olhando muito pro meu irmão, assim, né? Eu gosto de saber cada pedacinho que ele tem. Aí ele tem uma manchinha, e essa manchinha sempre esteve lá, desde quando ele nasceu. Só que essa semana olhando, eu falei, pô, essa manchinha parece, sei lá, uma figura de um bicho. Então, já não é mais a mesma manchinha. Agora é uma manchinha que parece um bicho.

Então, vai sempre atualizando o que a gente já está ali dado com o novo, né? Sempre imaginando coisas novas. Então, acho que... E se não fosse assim, a vida não teria graça, né? Porque a nossa vida tende a ser limitada a um espaço e a um tempo. Então, se a gente não for descobrindo o novo, às vezes, dentro dessa mesma vida aqui, a vida vai perdendo a graça, realmente. E não pode ser assim, né? O que é a vida? A vida, talvez, seja não perder a graça.

Cara, sim, eu tenho até na parede aqui escrito de que eu quase me esqueci de que tudo é pra ser divertido. I almost forget it's all for fun. É pra ser divertido. A vida é pra ser divertida. E uma coisa que eu tenho encontrado diversão atualmente também é me surpreender como eu continuo o mesmo depois de muito tempo. Eu achei um...

um conto que eu escrevi quando eu tinha, sei lá, 13 anos, e aí eu comecei a reescrever ele em alguns momentos. Tipo assim, eu li o começo do parágrafo, eu imaginava meio que aonde ia dar, o que estava acontecendo ali, os elementos que compunham e o que eu precisava escrever.

E aí eu tinha até de falar isso. E aí, quando eu fui escrever, o parágrafo saiu muito parecido, até com frases iguais, assim. Eu fiquei, nossa, eu presto atenção nas mesmas coisas, da mesma forma, mesmo tendo passado mais de 10 anos. E eu, às vezes, relendo livros, eu escuto muito audiobook. Então, às vezes, eu estou relendo um livro, ouvindo audiobook, e eu penso, nossa, essa frase. E aí, quando eu vou pegar o livro físico para marcar, a frase já está marcada, aí eu fico...

Como pode a mesma frase me impactar igual, mesmo depois de todos esses anos, e ao mesmo tempo impactar diferente? E eu fico, caraca... E aí o movimento de resgate, assim, de entender...

O que é que de mim sobrevive? Eu vou abrir um parênteses, assim. Mas, enfim, vai fazer sentido, talvez. Eu tinha a visão, quando eu estava no ensino médio, eu tinha a mente muito à frente do meu tempo, assim. Eu pensava em muitas coisas, desde muito novo, que as pessoas ao meu redor não pareciam estar pensando. E aí, quando chegou o ensino médio, assim, isso ficou muito mais demarcado, porque as pessoas estavam em outro lugar, bem diferente do que eu estava. E isso foi muito adoecedor.

Mas eu segui o meu rolê, né? Hoje em dia eu tô aqui, as pessoas estão vivendo a idadelas. E aí eu tava, encontrei, reencontrei, encontrei, reencontrei, uma...

amiga do ensino médio, e ela tava falando nossa, quando você tava no ensino médio, você era. E ela começou a me descrever. E eu nunca tive essa percepção de mim que ela descreveu do exterior. E eu fiquei tipo nossa, que interessante. Porque era uma descrição muito mais carinhosa do que eu imaginei que as pessoas fossem ter pela forma que elas me tratavam.

E aí eu falei isso com um amigo meu que me conheceu nessa época, mas que não estudava comigo. E ele falou, tipo, sim, você sempre foi tudo isso de legal que ela escreveu em você. Porque quando ela falou o que eu era, eu pensei... Acho que a tua internet não está colaborando com nossas boas reflexões. Mas a gente também se aproveita desse silêncio, né? Ok.

A reflexão também é boa no silêncio. Vou ficar sempre completando esses vazios da sua internet aqui. Se demorar muito, eu vou ter que cantar uma música para a gente ocupar esse espaço. Não sou cantor.

Uma coisa que eu fiquei pensando, assim, na tua fala, é de como a gente está sempre alicerçado no eu do passado. Claro, a gente nunca vai conseguir ter uma ruptura tão grande entre quem a gente foi, que na verdade a gente ainda é.

Então, é engraçado perceber nesse movimento. Às vezes também eu me pego fazendo uma coisa hoje e falo, nossa, o neto pequeno também gostava disso, também fazia isso. Só que eu acho que é isso que tu falou, né? É igual, só que diferente. Só que hoje eu tenho outras questões, outras condições em cima disso, desse neto jovem e pequeno.

Completei o vazio aí com tudo, viu? Da sua falta, da sua internet. Eu cantei e eu fiz tudo. No futuro, você vai ouvir esses pedaços. Eu estava falando só dessa questão de que é interessante como a gente está sempre a partir do nosso eu pequenininho ali, do Arthur pequenininho, do Neto pequenininho.

Pode continuar a história. Eu tô achando fascinante, porque é uma brincadeira sobre tempo, e tem coisas que eu vou entender e perceber, relaborar quando eu for ouvir isso aqui. Gente, muito terapêutico isso aqui, é muito simbólico, a minha internet caindo, eu vou ter que descobrir coisas quando eu for reouvir isso aqui. Porque tem coisas que escapa a primeira experiência, e quando a gente vai rememorar, elas vão aparecendo. Até esse podcast vai ser o novo pra tu.

E eu tava pensando Ah, esse vai ser meu episódio favorito Eu vou ficar ouvindo ele muitas vezes Eu vou ter que ouvir ele muitas vezes Mas por mais ou menos A vida é engraçada Mas é isso, eu pensei muito em quem eu sou hoje

E a partir do que ela falou Mas aí eu falei com a amiga Então, você sempre foi essa pessoa Você não começou a ser assim ontem Foi uma coisa que você foi construindo E eu acho muito excepcional Essa beleza de que Existe algo da gente Que permanece Mesmo que a gente mude E ao mesmo tempo A gente é o novo e é o mesmo E são coisas que a vida permite

esse paradoxo, essa dualidade. E eu acho isso lindo. A vida é muito paradoxal, assim. Eu acho isso muito bonito. Terminei a minha fala.

É interessante, eu estava pensando nisso, estava vendo hoje uma frase do Camila, de querer suscitar paradoxos, e é isso, e é legal que seja assim, o paradoxo dá essa ideia do movimento, dá essa ideia de caminhos diversos, então eu acho que a vida tende a caminhar por aí, e a gente caminha a partir desse nosso eu criança, reinventando, fazendo o novo e criando possibilidades também.

Você acha que tem como alguma coisa ser uma coisa só? Porque eu tô até pensando sobre amor, assim, especificamente, esse leque, de como eu vejo muitas pessoas falando que um relacionamento, eu também penso em relacionamento não é só amor, mas quando a gente pega amor como um termo guarda-chuva, é o que as pessoas sentem. Existem outros sentimentos também que estão ali vinculados ao amor, que compõem esse sentimento, o que você acha?

Eu acho que quando a gente reduz coisas grandiosas em termos, a gente tende a perder muita coisa. Então, eu acho que eu acredito que existam realmente coisas além.

Talvez que até que façam parte da composição do amor, que dialoguem bem com o amor. Acho difícil uma coisa ser só uma coisa. O Freud é um charuto. É só um charuto. Mas eu acho que se a gente reduz... A gente até conversou sobre isso já. E como talvez tentar reduzir uma coisa tão grande em algo tão...

tão simples assim, é um pouco até assustador, né, em relação à grandiosidade das coisas da vida. Então, acho que não é possível, não, que uma coisa seja só uma coisa. Até que a gente tá partindo dessa ideia do paradoxo e das possibilidades, então... Eu fico pensando, amor também inclui raiva.

Não entendi. Amor também inclui raiva? Dentro dos sentimentos que amor tem, se você ama alguém, você também vai sentir raiva dessa pessoa? Eu acho que uma coisa não... Não... Não é tão distante da outra, né? Assim também.

Momentos e momentos, né? E não quer dizer que diminuiu o amor, não quer dizer que acabou o amor. Mas talvez compõe o amor também, certos sentimentos, né? Não sei se a raiva em específico, mas outras coisas assim que repassam o amor mesmo. É porque o amor, eu acho que é até um tema mais difícil do que o que é a vida. Aí você tocou no lugar. Não, não, não me entregue as pérolas, sabe?

Então é isso, vamos abrir esse leque. O que é o amor? O que é o amor? É, vamos lá. Acho que o amor é saber que existe uma manchinha no meu irmão e que essa manchinha está lá desde que ele é pequenininho.

E que essa manchinha hoje parece um bichinho. E que eu sei onde ela está. E que ele sabe que eu sei. E que eu já verbalizei que eu sei sobre isso também. Então, talvez o amor seja isso. Ou seja, essas pequenas coisas que às vezes parecem tão...

que com o nosso olhar do cotidiano às vezes passam tão despercebidos, o amor é o novo também. O amor é a gente estar sempre se reinventando afetosamente em relação ao outro e o outro também afetando a gente. Caramba, não esperava essa resposta de mim mesmo.

É aquela coisa de amor e paixão como atravessamento, né? A gente se deixar atravessar pelas coisas. Tem um filme que eu gosto muito, que é Short Bus, que é sobre uma psicóloga, uma terapeuta de casais, que ela... Nossa, eu tenho que recomendar mais esse filme, ele é muito bom. Ela é essa psicóloga que ela tá sempre tratando casais em casos de dificuldade. Aí chega um momento onde os pacientes dela descobrem que ela meio que não experimentou amor.

E aí, nunca teve orgasmo. E aí, eles ficam meio que indignados. Tipo assim, como é que você tá aqui tratando a gente, tentando ajudar a gente, a partir de um lugar que você nunca esteve? E aí, ela fica meio que mobilizada. Não, eu preciso descobrir o que é isso. Eu preciso sentir isso em algum momento. Então, ela entra na jornada de, eu preciso conhecer meu próprio corpo. E viver a vida.

E nisso, tem um momento, um dos pacientes dela fala que ele sente que todas as coisas o tocam, mas nada nunca o atravessa. E aí eu fico pensando nessa frase. E aí, talvez amor seja essa coisa que atravesse as pessoas, né? É muito próximo daquela frase do La Rosa, né? Do Bom Dia.

Sobre a experiência aqui, não é o que passa, o que toca, o que acontece. É o que nos passa, nos toca e nos acontece. Sim, eu junto essas duas ideias também na minha cabeça. Outra pergunta, vou devolver aqui uma coisa. Você falou sobre verbalização. E se não for verbalizado, é amor? Não, eu acho que eu me expressei...

De uma maneira... Não, vocês... Não, não é muito simples. Porque às vezes...

Às vezes é verbalizado sem a oralidade, entendeu? Assim, verbaliza pelos poros, até os ossos, entendeu? Talvez sem nem precisar ser dito de maneira oral mesmo. A pessoa exala, assim, né? O amor, eu acho que é algo que exala. O amor, acho que... É isso, o amor é assim, é... É...

visceral, talvez. Acho que ele é algo que escapa até do nosso controle. O corpo fala pela gente. Então, acho que é isso.

interessante, interessante num dos meus livros favoritos que é Me Chama Pelo Seu Nome filme também, a gente tem que ver em algum momento tem um arco onde os personagens refletem se é melhor falar ou morrer it's better to speak or to die e o que você pensa a respeito sobre sentimentos? você acha que é melhor falar ou fugir? dos sentimentos? é a gente vive uma vida muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita

uma vida finita, e a gente carrega tanto medo e tanto receio de coisas que duram talvez frações de segundos, frações de... efêmeras de uma coisa maior, e a gente...

Talvez morrer seja um ato até de covardia perante a vida. Acho que a vida exige que a gente fale. A gente tem muito medo, o medo impede que a gente viva.

Hoje, né, e eu não tô falando aqui como se eu tivesse já esse conhecimento do tempo todo, eu acho que é um exercício que eu tenho tentado fazer, eu tenho tentado entender que eu tô aqui nesse corpo e nessa vida por um breve momento, já vivi, inclusive, uma boa parte dela, né, a gente não sabe quando vai.

Então desperdiçar o tempo e morrer antes com coisas para dizer, com coisas para sentir, é triste. Acho que não se permite o novo, não se permite as possibilidades. Você sucumbe ali e...

E bota uma pedra assentando o novo, né? E a possibilidade. E aí eu retorno. A possibilidade, às vezes, vai ser algo desagradável. Às vezes falar, não sei correspondido, ou sei lá quais consequências possam ter. É ruim, mas é só também mais uma fraçãozinha da vida. É só mais uma coisinha que passa. Então, o novo vem de novo. O novo sempre vem. Sim, já dizia Melchior e Elidegina, né?

Mas eu gostei do uso da palavra medo, porque tem a música da Zona Vitória, que o nome é Seis Anos Depois, e a última frase da música, as últimas duas frases, me pegam sempre, que é Faltou coragem pro amor, faltou coragem. E às vezes eu fico pensando como bancar o sentimento é talvez mais difícil do que a ideia de uma rejeição.

Por mais que as pessoas, elas anseiam, ai, romances e tudo mais, a gente é educado a querer essas coisas, mas bancar ser visto, bancar tudo que vem quando o amor acontece, eu acho que é um rolê muito difícil e que nem todo mundo consegue se entregar dessa forma. Eu atendi uma pessoa essa semana que...

a fala dela mostrava como ela e a outra pessoa chegaram muito nesse impasse de que nenhuma das duas tinha coragem de viver aquilo que estava sendo proposto ali, cada um por motivos diferentes. E isso, ao mesmo tempo que foi doloroso, me fez pensar sobre como...

Demanda, viver o amor demanda muito mais do que a sociedade ensina sobre. Uma coisa que eu penso muito quando eu penso em ter filhos, que é quando eu penso, ah, se eu disser pra criança, eu te amo, eu amo você. Talvez isso pareça uma ideia muito estática, tipo assim, eu amo você agora. Então se você mudar, não vou falar.

E aí eu penso muito em dizer, tipo, ah, eu amo conhecer você, eu amo quem eu tô conhecendo de você, e eu, mesmo que você mude, eu vou amar continuar te conhecendo. E aí isso pra mim dá uma ideia de movimento muito maior, e eu fico pensando sobre como o amor, ele pede um pouco dessa preparação pro movimento, preparação pra mudança, que às vezes a gente, como sociedade, busca muito mais o estático do que se preparar pro novo.

No começo tu perguntou se o amor era só o amor, e se uma coisa era só uma coisa. E aí tu falando, eu fiquei refletindo aqui. O amor acho que exige muito de uma vulnerabilidade. E a gente também é ensinado a não ser vulnerável. Então a gente é meio que ensinado a não amar também. Por esse caminho. Porque eu acho que o amor exige certa vulnerabilidade. Exige, às vezes, você...

recuar da sua armadura e encarar. E aí volta para essa questão do medo. A gente tem medo de sofrer, a gente tem medo de se decepcionar, que é natural também ter esses medos. Eu estava conversando isso ontem, a gente vai calejando das paixões, dos amores, e aí a gente vai criando uma carapaça, e a gente não se mostra mais vulnerável.

e a gente tende a ir ficando frio e vai perdendo talvez a coisa que dê mais sentido também à vida, que é o amor, que é o afeto. A gente é sempre ensinado de que existe o amor, de que a gente tem que buscar o amor, só que a gente não entende como funciona o amor, não entende como amar. E aí volta para a ideia do paradoxo, né? Eu quero muito amar, mas como é que ama? Eu tenho que me mostrar vulnerável? Eu tenho que...

Ser como? Pra amar e ser amado, né? E é assim que a gente dá uma crise existencial nos nossos ouvintes. E é isso. Nesse podcast, eu luto muito contra o mito da autossuficiência. Porque, sim, nós somos seres sociais, precisamos de outras pessoas. E eu fiquei pensando na sua fala também sobre masculinidade.

Homens, principalmente, não são ensinados a associar esse lugar de amor com afeto. Às vezes, até buscar um relacionamento, sim. Buscar por sexo, sim. Até pensando em sexo como a linguagem que homens aprendem a falar. Aprendem a se comunicar através do sexo. Me falta muito esse lugar de se buscar vulnerável. Se conhecer através da vulnerabilidade. Se construir através dela. Tem uma música que eu gosto muito.

que é Raimi In, do Sam Fender. E essa música eu acho fascinante, assim. Tem a versão só dele, que ele fala nossa, eu vacilei muito com você. E ele vai se lamureando por como ele se comportou dentro de um relacionamento. E aí ele fala, ou reforna a música, tipo assim se você me vê num bar, bebendo e chorando, por favor, não tente me parar.

Porque eu estou exatamente onde eu preciso estar. Porque eu fui vacilão, ferrei tudo. Ok. E aí tem uma versão com Olivia Jean, que eu acho ainda mais fascinante, porque a Olivia Jean ela tem um álbum chamado A Arte de Amar e ela adiciona um trecho nessa música, como se fosse a perspectiva da mulher nesse contexto e aí ela fala, tipo assim, eu nunca vi um homem fugir tanto de afeto assim. Então, tipo, para de correr, só aceita que eu tô tentando.

fazer por você isso, de criar um espaço onde você pode crescer junto comigo e ter essas experiências de, cara, eu sei que você não sabe de tudo, ainda mais se a gente tem uma frase legal de This Is Us que a esposa fala pro marido tipo assim, considerando de onde você veio você é um milagre, que é muito isso, pensando em contextos pra pessoa poder se abrir pro amor, é difícil pra caramba.

E aí, quando a Olivia Dinh vai cantando nesse espaço de olha só, eu entendo que pra você não é fácil, mas eu tô aqui pra você aprender junto comigo, porque eu não vou desistir de você, eu acho que isso abre um espaço muito interessante. Tem outra frase de um livro...

que eu nunca li, mas a minha amiga contou pra mim, ela mandou o trecho, eu gostei muito, que é sobre como, pra tirar uma armadura, você tem que ir em pedaço por pedaço. Então, esse movimento de vulnerabilização, ele não vai acontecendo, tipo, de um dia pro outro, você não vai acordar, ah, estou 100% vulnerável, vou me deixar ser acessado. É muito mais de, não, tira um pedacinho aqui, tira um pedacinho cá, e assim as pessoas vão chegando em um outro lugar, porque elas vão conseguindo...

passo a passo, construir uma versão delas mesmas que está acostumado acostumadas a se vulnerabilizar sem ver isso como um fator de risco, ou que se sintam capazes de enfrentar o risco. E aí eu fico pensando como, talvez não dê pra falar da vida sem falar de amor em vários aspectos. E não só romântico inclui esse movimento de vulnerabilização com amizade mesmo. Ontem minha amiga tava reclamando que nunca me viu chorar, e eu fiquei assim.

Como assim? Como assim? Mas tem essas coisas. Acho que é muito curioso ver como a gente vivencia barreiras que nem sempre estão no nível da consciência pra gente conseguir verbalizar. Alguns pontos aí. Eu acho que a gente às vezes chama de amor coisas que não são amor. E aí, tipo aquela ideia daquele filme assim, do amor.

Acho que é só o filme que a mulher conta a história do peixinho, de eu quero o oceano, mas você está no oceano, é algo maior. Acho que o amor esteja, assim, talvez em outra prateleira, e a gente tente botar muitas coisas nessa prateleira, que não são amor. E a gente bota esse termo, assim, grandão, que é para segurar. Uma outra coisa, agora vem o humor e vem a comédia.

Tu falando dessa música aí, na parte do bar, eu fiquei lembrando daquela música de Murilo Ruf, que é o Anestesiado, né, que ele disse que tá fumando e que tá bebendo. E eu, caramba, como pode existir duas músicas tão próximas e tão distintas? Fechar aspas. E isso que tu falou assim, né, da... A gente não acorda, assim, de um dia pro outro, é vulnerável e tal.

E é isso, eu acho que é um exercício, na verdade, quando a gente vai tentando compreender coisas da nossa vida e tentar mudar coisas da nossa vida, é isso, é o processo, né? A gente tem que ir aos poucos, tem que ir sempre fazendo reflexões, autoreflexões, analisar as coisas que a gente faz, que fazem com a gente também, pra gente ir tentando...

entender onde é que a gente está situado ali e buscar esses novos caminhos, buscar essas novas possibilidades. Eu gosto da ideia de travessia. A gente está sempre em travessias, então nessas travessias a gente vai aprendendo muito. Sim, isso das músicas... Cara, eu fico... Eu fico fascinado como existem músicas iguais em culturas diferentes.

E sim, sim, porque é muito social essa dinâmica de ah, eu vou beber pra lidar com isso, e foi. Tem, eu fico muito...

Isso é um lado meu que eu não exploro tanto publicamente. Eu adoro músicas sertanejas, assim. E, é, acho que no geral, assim, sertanejas. Eu sou um, tipo, Marília Mendonça, Jorge Matheus. Porque vai conseguir, eu tenho um fascínio por entender o que as massas estão consumindo. Porque, assim, se tem um grande número de público, é porque muitas pessoas se conectam e são atravessadas por aquela narrativa.

E eu fico fascinado de o que é que essas pessoas estão pensando pra poder se conectar com essa narrativa. Aí eu fico com isso na cabeça. Então eu vou ler livros muito populares, tipo aquele, você mira no amor e acerta na solidão. E outros, assim, mais populares. Porque eu fico, por que as pessoas estão lendo isso? O que é que tá sendo dito aqui?

que as pessoas estão sabendo. Então eu quero lidar, jogar com as cartas que estão na mesa também. E aí eu escuto Maíra Mendonça e eu fico fascinado com como ela consegue descrever um sentimento quase que universal em algumas experiências que, mesmo que eu não me relacione, eu consigo ver como isso atravessa muita gente e a forma como amor e relacionamento são construídos na sociedade.

E eu fico muito admirado com tudo isso. O movimento que me apetece muito pensar sobre. E eu fico pensando sobre esse rolê da vida e de vulnerabilidade. Sobre como pra gente...

poder estar na vida e se conectar com ela, a gente também precisa dessa permissividade. Porque se a gente... É aquela coisa de perceber o que está ao nosso redor, do caminho. Se a gente for só vivendo e não deixar que nada nos toque, nada nem tente nos atravessar, não acontece. E aí vem outra coisa de que...

a gente também não é preparado para isso. Eu vi, não lembro onde foi, mas uma pessoa falando que acreditava que uma forma ideal de criar uma criança era você, permitindo que ela tivesse experiências e acessos à maior gama de coisas possíveis, para que quando ela fosse adolescente, ela pudesse escolher a partir do repertório dela.

Então, tipo, você vai conhecer muito de arte, muito de ciência, e pô, pô, pô. Porque quando ela fosse escolher o que ela fosse fazer da vida dela, ela ia fazer muito mais baseado no que ela já viveu e gostou, do que só uma ideia de, ah, eu quero experimentar isso. E a gente tem um peso de que a gente não conhece o que a gente vai entrar no nosso futuro. Tipo, o que eu sabia de psicologia antes de entrar na faculdade? O que eu sabia de biologia antes de começar aquele semestre que eu fiz e depois tranquei o curso?

Então, o que a gente sabe das coisas? Nada, a gente vai na aventura mesmo. Então, o que me pega nessa ideia é de como a gente não, por falta de recursos também, com certeza por falta de recursos, eu marco isso muito fortemente, a gente não tem esse acesso à vida, essa estimulação para vamos explorar a vida, vamos ter ideias, vamos viver.

Nossa, isso faz muita falta. Eu sei que muitas famílias não têm essa proposição por questão de acesso também. De colocar o filho para ler um livro, para ver um filme, para ir para lugares. E eu sei que isso é muito social. Eu fico pensando muito sobre as gerações que passaram até chegar na minha e sobre as gerações que estão acontecendo simultâneas à minha e as que estão vindo aí.

que é um grande... Ah, eu sinto uma energia meio de desastre eminente, mas eu tento não pensar nisso, porque... O que eu tô ganhando pensando sobre isso? Então, pra não desanimar, eu fico só seguindo nesse jogo de travessia mesmo, de caminhar e ver o que me afeta e o que dá pra compartilhar e seguir.

E como hoje tá um dia engraçado, a internet de Neto caiu. E, ai, gente, é porque tá chovendo. Mas eu vou continuar falando. Então, olha, voltou, voltou. E aí, que que que. Tá. Gente, ai, muito engraçado. Episódios icônicos.

Deixa eu ver. Eu não estou conseguindo te colocar na chamada de novo. Agora foi. Pronto, bem-vindo de volta. Legal demais. É isso aí, as possibilidades. Tem possibilidade da internet cair e a gente vai tentar contornar até chegar num lugar mais interessante. Sem vender essa ideia de que existe uma felicidade e tal, como foi lá no começo. A vida é graça. Talvez não uma felicidade plena, mas graça.

Não sei se tu já tem terminado, mas tu tava falando, tava pensando numa coisa assim, quando tu falou de criar a criança, conhecer no máximo, pra na adolescência escolher. E aí a pessoa vai percorrer novos caminhos dentro de caminhos conhecidos. É só a síntese que eu ia fazer do que tu tava falando. Exatamente.

Como eu sei que você tem horário, a gente vai se encaminhar para o final. Você quer comentar mais alguma coisa antes de fazer uma pergunta final para ti? Ah, tem uma pergunta final, é? Pergunta final. Ah, eu vou esperar a pergunta final, que deve ser boa. Não, essa é a minha pergunta favorita. O que é que você sempre quis falar sobre, mas nunca te perguntaram?

Não sei se tu lembra que eu fiquei brincando isso assim, que ninguém fazia pergunta que realmente interessava, lembra? Sim. Eu acho que... Só perguntas boas hoje. Eu trabalho assim. Eu acho que a questão não é nem tanto, talvez, das perguntas.

que foram ou não foram feitos. Talvez parta mais das minhas respostas. Não acho que eu tenha falado muito sobre o que eu sinto e sobre o que eu penso.

de uma maneira crua e de uma maneira realmente verdadeira. E eu acho que isso se aplica para muitas pessoas, assim, tem uma coisa que eu sempre dou risada, toda vez que acontece eu dou muita risada por dentro, uma risada triste. É muita risada, mas é uma risada muito triste. É quando a gente passa por uma pessoa que a gente conhece e a gente vai se cumprimentar e falar assim, tudo bem? E a pessoa fala, tudo bem?

A gente pergunta, tudo bem, tudo bem. Mas nenhum dos dois para pra responder. Então, acho que é isso. Acho que a gente... Às vezes não fala sobre o que sente, sobre... Acho que tu entendeu, lógico, né? Quando a gente passa com outra pessoa, você fala, oi, oi, tudo bem, tudo bem. Só que os dois perguntam, ninguém responde. E eu acho que seja isso. Talvez eu não tenha falado muito sobre...

como eu me sinto, e as pessoas não falam muito como se sentem, e é por isso que a gente é psicólogo, e é por isso que a gente fornece um espaço seguro e atencioso, né, pra realmente ouvir como as pessoas se sentem. Então, ainda terminei aqui fazendo essa ponte aí pra nossa profissão. O Gil, daí a pergunta.

Você respondeu e não disse nada. Propição, psicólogo. Mas sua fala me fez elaborar uma outra pergunta muito legal também, que é o que já te perguntaram que hoje você gostaria de responder diferente? Caramba, tá ficando cada vez mais difícil.

Eu acho que essa própria ideia, a primeira pergunta do nosso podcast aqui hoje, sobre a vida, em que outros momentos eu respondi como algo bem fatalista, algo bem triste, algo bem... Assim...

negativo da coisa e hoje, né, caminhando aí nos processos de travessia, de possibilidades do novo, eu tenho tentado perceber a vida de uma maneira diferente, tenho tentado viver a vida de uma maneira diferente, né, e em outros momentos talvez eu tivesse respondido que a vida não tinha sentido, que a vida era ruim, do e sofrimento.

E hoje eu trabalho com a ideia do novo e da possibilidade, não vendendo uma positividade tóxica, não. O que o Freud diz, existe uma infelicidade ordinária, só que a gente tem que sempre trabalhar para ir buscando talvez o mais confortável para a gente, o mais agradável.

Não dá para a gente romantizar certas situações, certas coisas, mas a gente tem sempre essa fagulha de buscar algo que seja diferente, que seja afetuoso e amoroso. Vou pegando os termos que a gente trabalhou hoje. Então, acho que...

Tem muito também do fazer da psicologia, do que a gente tem feito, de enxergar uma vida que permita isso, que permita o novo, que permita as experiências, que permita as possibilidades. Então acho que encerro com isso. Hoje a vida é isso, a vida é o novo, são as possibilidades, são as experiências, o amor, a vida também, é isso. Agora sim respondeu. Eee!

Gostei, cara, gostei. Foi legal, gostei. Mas achei muito interessante como você fugiu da primeira pergunta do que é que você gostei de falar que nunca te perguntaram. As pessoas geralmente ficam muito empolgadas nesse espaço. Foi a primeira experiência que eu tive da pessoa recuando de, ah, então...

Mas, legal, legal. Você construiu uma coisa a partir disso. Acho que o poder de assistência é admirável. A gente pode marcar um segundo episódio um dia e a gente começa com essa pergunta e eu vou refletir isso. Eu gosto também dessas perguntas que talvez eu não tenha uma resposta para a hora, mas que eu saia com ela rodando assim na minha cabeça. Ela está aqui dentro da minha cabeça. O que eu respondi também é algo que...

Acho que cabia no momento. Mas acho que é uma boa pergunta. Uma pergunta pra sempre a gente estar refletindo, né? Sobre isso. Enfim. Eu gostei da resposta. Mesmo sabendo que você poderia ter dado outras respostas. Eu ganhei de qualquer forma. Ganhei agora, vou ganhar de novo quando você pensar na resposta. Então, é isso. Esse foi o nosso episódio de hoje. Vocês me encontram ...

No Instagram, como arrobaarturizerba, eu tenho vários links na descrição, porque eu tenho vários perfis também. Eu tenho o meu perfil onde eu posto minhas ilustrações, que é o tutis.dazenha. Eu tenho o meu perfil de tarot, que é o tutis.sol. Eu tenho esse podcast, eu tenho um canal no YouTube.

Eu tenho um monte de coisa, vocês vão olhar na descrição e vocês vão ver as coisas que eu faço. E sigam a gente lá no arroba liriosdossol.pc sigam o Neto também na conta principal dele, que é jn jm neto só mais um humozinho assim antes de acabar.

Estou falando assim, duas páginas, eu lembrei de Bruno Henrique do Flamengo. O Flamengo tem diversas páginas de Instagram, o Arthur tem diversas páginas de Instagram. Me despeço com essa. Eu sou Flamengo dos artistas, sabe? Me joguei lá pra cima agora. Mas é isso, você quer falar mais alguma coisa?

Não, agradecer pelo convite, pela paciência, por aguardar o meu tempo, que é um tempo diferente, que é isso também que a gente faz na psicologia, o tempo do outro. Trazendo a psicologia, já te dando um brecha aí para um segundo podcast. Tchau, amigo, obrigado.

Com certeza, perfeito. Não, sim, sim, sim. Eu fiquei pensando no tempo do outro. Se as coisas fossem como eu quero, eu perderia a beleza das coisas como elas podem ser também. Então, entender que eu não sei de tudo, não sei o que é melhor. E aí, é isso. Isso fica pro próximo episódio. Vou trazer Neto de volta aqui pra gente gravar. Então é isso, pessoas. Um beijão e até mais.