Arcano Pop #1 - Rede de Apoio
No novo spin-off do Nerdebate, o Arcano Pop abre um espaço de acolhimento, escuta e trocas profundas sobre os afetos e conexões que nos sustentam ao longo da vida. Neste episódio de estreia, o tema central é Rede de Apoio: a importância de ter pessoas ao nosso redor para compartilhar vulnerabilidades, superar desafios e celebrar conquistas, seja na vida real ou no universo da cultura pop.
Em um papo sensível, bem-humorado e dinâmico, Julia Paula 'Dell', Gabi, Fernanda e Lucinha debatem o que realmente constrói uma rede sólida — desde amizades reais até os vínculos e comunidades que nos inspiram nas telas e nas redes. Aperte o play e venha fazer parte dessa conversa!
- Rede de ApoioImportância da rede de apoio·Seres sociais·Ocitocina
- Redes de Apoio e Classe SocialParasita·Que Horas Ela Volta?·Roma·Elite Nannies for the Rich and Famous
- Relacionamentos Familiares TóxicosLuto pela relação·Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo·Borderline·TAG mista com transtorno de síndrome do pânico·Artemis
- Relatos de Ouvintes: Ajuda RecusadaCesta básica·Pix·Machismo·Psicofobia
- Obras sobre Rede de ApoioDivinos Segredos·Bordados·Laços·Nana·Freirem·Witch Hat Atelier·Sempre ao Seu Lado
- Cultura Pop e Rede de ApoioBatman·Alfred·Robin·Superman
- Redes de Apoio FemininasRivalidade feminina·Gossip·Comunidade feminina
- Animações e Rede de ApoioUp - Altas Aventuras·Frozen·Lilo & Stitch·Nimona·Steven Universo·Hora de Aventura·O Incrível Mundo de Gumball
- Corregulação e Desregulação EmocionalMidsommar·O Senhor dos Anéis·Frodo e Sam·Gollum
- Pandemia e Redes de ApoioGripe Espanhola·Festa do abraço·Redes sociais
- Incel e Masculinidade TóxicaIncel·Masculinidade tóxica·Patriarcado
- Cuidado com IdososDanilo·Idoso Aranha
- Relatos de Ouvintes: MadrinhaCasamento·Madrinha
Alô, você que cansou de ouvir a voz masculina dando essa chamada, bem-vindo ao podcast onde a gente também reclama dele. Sim, bem-vindo ao Arcano Pop. Agora nós temos um nome oficial, segundo episódio a gente já pode virar um filhotinho independente. E hoje o nosso tema vai ser: quem segura a gente quando a gente cai? Ou redes de apoio. Também podemos falar quem desvacila o nosso vacilo, quem não deixa a gente enfiar a cabeça no nosso próprio cu, nossas redes de apoio.
E estamos aqui com as nossas mediadoras maravilhosas de sempre, Gabi, nossa psicóloga de plantão.
Hello, boa noite, bom dia, boa tarde, que vai ficar com esse horário, né? Toda vez eu quero dizer boa noite. Claramente é gravado à noite e eu tô totalmente estou um pouco transtornada de horário, cansada do dia. Então é isso, gente. Olá para todos!
Estamos segurando a mão metaforicamente de todos aqui, porque estamos todo mundo assim da cabeça, todo mundo assim. E temos também nossa outra mediadora barra minha parceira atacante de homens e todos os agressores, agressoras, agredidos também às vezes, de vez em quando.
Fernanda, e aí? Oxe, às vezes é importante agredir, às vezes é importante tentar em todas as posições. Sim, sim, às vezes a gente arma, às vezes a gente faz o gol, às vezes a gente dá um corte assim bem violento, corte seco.
E hoje nós temos uma convidada especial que vai dar um relato para gente também. Teremos um relato misterioso junto com o relato dela. É, Lucie.
Olá, boa noite.
Fale um pouquinho de você.
Bom dia.
Fale um pouquinho de você, Lu.
Ah, seu, sou enfermeira, mãe, né, mãe, como é que diz, é recente, é 3 anos, 3 aninhos só. Vim falar um pouquinho do meu relato nessa parte da rede de apoio. E é isto, bem-vinda!
De pessoas em geral, não tão geral, mas em geral, em geral, porém específico. Exato. Vamos lá então, vamos começar com o nosso subtítulo: quem segura a gente quando a gente cai? Por que que a gente precisa de rede de apoio? A gente começa com a explicação formal e completíssima e perfeita da Gabi, óbvio.
Eu começo hoje? Tá bom.
É porque você tem a explicação, entendeu?
É, tá bom. Então, gente, a gente vai precisar de rede de apoio. E agora tem aquele momento maravilhoso que eu digo uma frase que meus pacientes amam odiar, que é: porque nós somos bichinhos sociais. Nenhum homem é uma ilha, né? Nem uma mulher.
Mas às vezes a gente queria.
Sim, e eu compreendo muito, muito eles, tá? E eu tô nessa estratégia que às vezes queria sim ser uma ilha, queria sim ser um robozinho que se conectasse apenas com as nuvens e não com outras pessoas. Que ele entendia que é difícil, a bateria social tá lá embaixo, mas a gente é, nós somos, né, a gente é, foi triste, nós somos bichinhos sociais. Isso quer dizer o quê? Isso quer dizer que a própria biologia da gente ela vai estar voltada para alguns processos serem, vamos dizer assim, serem otimizados quando a gente tá em sociedade, tá?
Por exemplo, tem alguns hormônios da gente que eles são justamente liberados quando a gente tá trocando afeto com as pessoas que a gente gosta, quando a gente recebe um abraço, quando a gente dá uma risada em grupo, que é, por exemplo, o caso da ocitocina. A galera de saúde pode me dar aí a força, né, de confirmar aí. Então a gente é um bichinho social, quer a gente queira, quer não. Isso quer dizer que a gente vai precisar de outras pessoas.
Fora isso, a gente, desde que nasce, a gente precisa de outras pessoas, porque ao contrário dos outros bichinhos, a gente não já nasce andando, se alimentando, fazendo coisas, sendo capaz de tecnicamente meio que se virar, né? Então é importante que a gente tenha essas primeiras conexões, né? Podem ser familiares sanguíneos, podem ser pessoas que cuidam e protegem a gente nos nossos primeiros anos. Então meio que a gente já começa a vida da gente dependendo de outras pessoas, que, adendo importante, não necessariamente vão ser nossa rede de apoio, tá?
Podem ser nossa primeira rede de contato social, mas nem todo contato social configura uma rede de apoio. E vamos falar um pouco disso, mas Antes disso, meninas, não me deixem falando aqui só.
Não deixo jamais, imagina. Eu queria resgatar isso que você falou e até que Fernanda brincou, que às vezes a gente queria ser uma ilha, né? Não só pela bateria social, mas eu acho que tem vários momentos em que a gente vê uma representação midiática de que a gente tem que se bastar, a gente tem que ser completo por si só e que não precisa depender dos outros, que depender dos outros pode ser feio e faz de você uma pessoa fraca.
Tem muito isso, por exemplo, da gente conversando no episódio passado sobre a questão do homem, do que o homem é ensinado pela cultura machista, pelo patriarcado, e agora vem sendo martelado pelos incelos, né?
Exato.
A gente vê uma representação bem forte disso, por exemplo, nessa figura. Eu vou falar que é representado por isso porque muita gente que pega esse personagem para representar, representa ele dessa maneira. Mas ele de maneira nenhuma é assim, porque quem leu o quadrinho sabe a verdade, e quem viu o único filme que retrata ele de verdade, bem retratado, sabe que não é assim, que é o Batman. Todo mundo retrata o Batman como um sozinho, como um depressivo, solitário.
Nossa Senhora! E o único filme que representa o Batman bem é o Batman Lego. Que mostra que o Alfred é a rede de apoio do Batman.
Sim, é o melhor Batman.
O Alfred é sim a rede de apoio do Batman. O Batman não caga para a existência do Alfred. E eu acho que os meninos, principalmente em céu, tem tanta adoração pela figura do Batman, principalmente do Christopher Nolan, que é toda essa questão de, ai, eu sou sozinho, eu sou, tenho que me bastar porque eu sou o macho alfa, tal.
Eu acho que também esses filmes saíram na época da construção, do início assim da construção dessa ideia, sabe? Eu não digo que ele participou ativamente e sabendo na coisa de vou espalhar assim essa narrativa porque é o que queremos construir, mas numas de é o que tá rolando na época e é isso. Às vezes você participa das coisas sem, né, porque você não tem como ter a visão também, e a gente não tem como ter essa amplitude de visão o tempo inteiro.
É uma coisa que a gente sabe hoje. Quantos anos depois, sabe? E vocês estavam falando, eu lembrei também de uma animação, que aí eu não sei se vai ser um filme de animação ou uma série de animação, que eu vi um pedaço com meu marido e mostra justamente como não só o Alfred, ele se importa muito com o Alfred, como com o parceiro dele, o Robin. E era uma história que tipo tinha um Robin antigo que se aposentou e foi fazer outra coisa no rolê, e o Robin novo, e ambos tinham um valor, uma importância sentimental para ele e tal.
Então eu acho que se a gente sair da, né, da mídia de massa assim, porque comparativamente o cinema é, né, vai pegar um público muito mais abrangente do que essas coisas que são um pouco mais de nicho, trabalha um pouco mais essa coisa de você ter uma base, né?
Sim, e assim, indo para os quadrinhos, por exemplo, o Batman ele desenvolve um Uma relação meio assim questionável, no sentido de já botar os pirralhos para lutar, questionável, mas ele desenvolve toda uma relação de parentalidade, ele bota os Robins para estudar, tem acesso a todas as coisas da família Wayne, eles são reconhecidos como Wayne também.
É, todo mundo conhece, cria uma rede de apoio, como ele também é rede de apoio, né, dessas pessoas. É muito bonita essa relação. E a galera reduz a Batman sozinho, sede.
Bom, e não só Batman, mas por exemplo, ele tem uma relação meio que de confiança barra amizade que gera muitos chips na internet, inclusive com Super-Homem. Sim, a Mulher Maravilha também. Então assim, a Liga da Justiça é meio que vem daí, né? Assim, então ele não tá sozinho, ele prefere trabalhar no próprio ritmo dele, até porque ele tem muitas questões. E muitos da gente, às vezes a gente prefere estar um pouco mais de tempo na nossa própria companhia, o que faz parte também, mas não quer dizer que a gente não precise de alguém, não precise de apoio, não precise de alguém que possa ajudar a gente.
Inclusive é uma coisa que é questionada de uma forma bem, bem, bem pesada, isso de querer carregar tudo só num dos quadrinhos, que eu não vou estar lembrada o nome, mas que o— acho que o Bane, se não me engano, ele que é um vilão do Batman, ele se aproveita. Primeiro porque para ser vilão do Batman você precisa pelo menos ter graduação, né? Isso já é Terrível, tem que mandar currículo para ser vilão do Batman.
E aí, para você ver, você quer fazer uma coisa da sua vida, você tem que pelo menos ter faculdade.
Tá pesado o negócio. Mas aí, tipo, ele começa a sobrecarregar o Batman de várias coisas até que ele vai realmente meio que colapsando. E aí termina que ele truca a vida do Batman, Chega a quebrar coluna, quebrar perna, quebrar tudo, porque ele consegue realmente fazer com que ele entre em colapso de tentar fazer tudo só. Então assim, é bem uma perda de equilíbrio. Olha aí, eu sou horrível com nome, mas é isso que ficou muito na minha cabeça, essa história, né?
Então é bem interessante a gente entender o quanto não é, nunca foi exatamente objetivo vender o rolê do cara ser sempre só não. Inclusive tem um quadrinho que critica bastante isso, é usado como uma fraqueza dele, uma vulnerabilidade.
Sim, é aquilo, né? Uma coisa é você gostar de fazer os trabalhos sozinho A outra é você não ser capaz de reconhecer que às vezes vai ter que ter trabalho que vai ser feito em grupo, ou de, tá certo, tô fazendo meu trabalho sozinho aqui, mas vamos ali, coleguinha que trabalha uma coisa parecida, vamos trocar uma ideia sobre isso.
Sim, e pelo que eu estou vendo aqui, a situação é que a própria baixa família acaba ajudando. Sim, que é o Tim Drake, com ênfase no Tim Drake, que é um dos hobbies. Para quem tá ouvindo e não sabe quem demônios é Tim Drake, é um dos hobbies.
Lucinha, se você tiver uma opinião sobre Batman, você tá liberada para dar também, viu? Sobre qualquer outro ponto da pauta, não se sinta obrigada, mas também não se sinta tipo Não, com certeza, porque não é muito meu forte não, mas eu tô tentando. Claro, não tem problema nenhum, só estou lembrando.
Tá certo, obrigada.
Não gosto do Batman também é válido.
Ah, tá certo.
Agora, em contraponto, que a gente tem o Batman como uma coisa, uma figura que a galera abraça para falar não, porque ele se basta, porque ele é sozinho, porque ele é muito Muito maravilhoso, ele é o GOAT, né, que agora é a gíria, o GOAT, e ele é fácil de identificar. O GOAT, o The Best, o mais mais, o que vocês preferirem. Ele lacra, não é graça?
Ele lacra.
Eu tento agradar todos os públicos aí. Em contrapartida, o oposto dele, né, porque ele é o gato preto, a gente tem o Golden Retriever, que é o Super-Homem. E o Super-Homem, ele é, ele grita rede de apoio, né? Ele tem a rede de apoio dele, mas ele grita pessoa confiável, rede de apoio, confia em mim, por favor, confia em mim. O Golden Retriever mais Golden Retriever a existir. Só que a gente tem também um sério problema em uma dada época, porque ele foi retratado como rancoroso, como figura vingativa, como sozinho também, porque é a fortaleza da solidão, não é mesmo?
E a gente tem esse pequeno problema que foi consertado faz pouco tempo e não muito, não foi muito bem aceito pela comunidade incel de novo esse conserto. Então a gente tem uma gritante diferença entre o último filme de Super-Homem e os filmes anteriores do Super-Homem, como Batman vs Superman ou o próprio SuperMimic.
Posso fazer um WhatsApp, tipo drift de carro, pegar um caminho diverso e depois voltar? Porque eu vou falar de uma coisa que não tem nada a ver, mas eu ouvi hoje em outro podcast e eu achei muito interessante.
A mulher falou, né?
Exatamente. Esse programa é neurodivergente friendly, você já viu o vídeo?
A mulher tava falando sobre como ela é contra o termo incel, porque ela disse que a gente não pode considerar que esses homens são celibatários involuntários. Esse é um nome que eles deram para eles ficarem de coitadinhos. Ela é estadunidense, então eu já estou fazendo a minha tradução e a minha, o meu borogodó de termos aqui, né, para a gente se entender melhor. E aí Ela discute que enquanto as mulheres são educadas para que os homens se agradem delas e as escolham ao longo da vida, os homens não são.
Só que o esforço que elas precisam fazer é muito pouco, e eles não podem dizer que é involuntário se eles não fazem questão de fazer o mínimo para que uma mulher queira transar com eles, já que é essa questão, sabe? E coisas que ela colocava, tipo, não quero nem tomar banho, não quero escovar os quer ser grosseiro e chegar e pagar um drink. Não é uma prostituição. É, pois é, tipo, você não quer fazer o básico? A gente tá pedindo muito pouco.
A barra está no chão.
Exatamente, a barra tá no chão para você pegar. Você não vai fazer uma barra, você vai fazer uma flexão. E tipo, né, você não quer pegar a barra e subir um pouquinho para ficar da altura da sua cabeça e passar ali. Aí ela disse que ela é contra esse termo porque eles não são involuntários, porque não é como se eles estivessem seguindo pelo menos o princípio básico de higiene. Não posso dizer de todos, mas ela citou, eu achei isso muito interessante.
Afinal de contas, a gente tem aí o Dia do Homem para dizer lave ou pinto, porque eles não lavam. Isso é um problema grave de câncer de pênis.
Exatamente.
Sabe, sabe, só para isso. Você sabe, enfermeira na conversa aqui, né? A enfermeira pode dar uma discorrida sobre enfermeira. Como é convencer homens a tentar cuidar minimamente de si mesmo para não perder uma parte dele mesmo?
Nossa, difícil demais. Homem é muito cabeça dura para tudo, pô. Tudo, tudo. Graças a Deus não tive problema isso com o meu, graças a Deus. Mas, velho, eu atendo cada um. Super-Homem, pelo amor de Deus, é o mínimo. Tipo, você chegar lá, é aquelas— não, é uma imundícia, eu não posso.
Ela não pode seguir, não pode.
Não, tudo bem, a gente não quer traumatizar uma hora dessa da noite. Mas esse vídeo eu queria fazer sobre o termo incel, porque assim, eu achei genial a proposição dela. Mas então contamos onde estávamos mesmo, no Super-Homem.
Ser totalmente distorcido para caber na narrativa de que o homem, principalmente, né, porque eu diria que nós mulheres a gente não sofre tanto com essa narrativa da sociedade de que a gente tem que se bastar sozinha. Nós somos, a gente meio que caga para isso, a gente sempre fica com nossas amizades, a gente é mais encorajada a ter amizades. Agora o homem ele tem os amigos do futebol. E daí, portanto, no futebol ele pode demonstrar afeto, ele pode apoiar o amigo, mas fora eles são meio que lobos solitários, porque eles têm que ser—
eles não podem falar dos sentimentos, né? Sim, seu adendo. Como uma pessoa velha, eu tenho um adendo. Como uma pessoa velha, eu experienciei um recorte de época muito específico que assim, a gente não é diretamente proibida, desencorajada de ter amizades, né, com os homens, como uma regra fixa. No entanto, a gente, eu vivi, hoje em dia tem muito um combate contra essa narrativa, né, bem tão diluído já dentro das narrativas da gente que já não é mais tão, tão claro. Mas na minha época era bem— ó, a velha falando da minha época.
Não, mas eu acho que eu sei qual é o adendo que você vai fazer. Eu acho que eu concordo com você, eu ia fazer justamente pela questão da idade.
Pode ir. Olha aí, tá vendo as idades da gente? É justamente a ideia de que essa construção da solitude feminina, ela foi construída em cima da rivalidade feminina. Exatamente, que a gente não podia estar junta porque Mulher junta é um bicho perigoso.
E mulher não deve ser confiável, então você não pode ter muita amizade feminina, você pode ir futricando, não sei o quê, mas você não pode confiar de verdade. Isso que é, se você não pode confiar de verdade, você não pode literalmente abrir seu coração. E o termo em inglês de gossip, eu não lembro da onde foi, tipo, a palavra que derivou, mas era uma palavra parecida. E outros termos que também significam fofoca ao redor do mundo.
Porta dos Fundos, que era o termo dado para o grupo de mulheres que estavam indo lavar roupa no rio. É um trabalho demorado, chato, cansativo e que exige muita força. Então as mulheres iam todas juntas e lavava roupa tudo de uma vez, e elas aproveitavam para trocar informação. Isso dava a elas, obviamente, poder. E aí foi que gossip e fofoca se tornaram termos tanto ligados a mulheres como extremamente pejorativos.
Negativos.
Sim, aí você não pode confiar em mulher porque a mulher fofoqueira, etc., etc., etc. Por quê? Porque a mulher, quando se junta e troca informação, sabe das coisas que tá acontecendo e não se deixa esmagar tão fácil.
Sim, e eu digo num sentido muito positivo que mulher junta é um bicho muito perigoso, porque é muito perigoso a status quo. Exato, porque justamente redes de apoio formadas entre mulheres, entre pessoas fora da normatividade, elas têm uma característica muito diferente de uma rede de apoio regular, porque ela tem muita característica da gente, além do senso de pertencimento, criar uma normalização de tipo, ao invés de dizer você é um pedaço quebrado desse sistema, fazer você começar a questionar: será que é esse sistema que não tá quebrado e não tem, não fez espaço para mim?
E isso é perigoso. E isso é lindo. Por isso que precisamos falar de redes de apoio em grupos minoritários, em entre mulheres, entre populações racializadas, LGBT, neurodiversas. Então assim, porque gera esse questionamento, né? E questionamento gera mudança. E é isso mesmo.
Sim, puxando esse gancho então, saindo um pouco da questão dos super-heróis, Vamos focar um pouquinho na questão de todo mundo tem acesso às mesmas redes, o que é um não, um grandíssimo não, né? Grandíssimo não, porque nem sempre a gente vai ter a rede de apoio disponível. Às vezes a gente vai ter que sair caçando algum espaço em que aceite a gente. Às vezes a gente vai achar que aquele lugar é onde a gente cabe e não, aquele lugar só tá diminuindo.
Na verdade, é uma rede de apoio falsa, é um lugar que tá sugando em vez de ajudar a gente. Então queria que vocês falassem um pouquinho sobre, meninas, a comparação. Por exemplo, vamos começar com as classes sociais, que acho que é um definidor bem lógico. Acho que todo mundo que tá ouvindo pode entender a grande diferença com Rede de apoio e classe social.
Você colocou na lista o Parasita, né, que eu acho um filme genial, só que ele vai tipo, ele vai questionar, né, um pouco essa lealdade que você pode ter pela rede de apoio paga. Mas a realidade que a gente tem é que a rede, quem realmente pode ter rede de apoio na verdade estão nos extremos, pode não, quem tipo Tipo, pode porque pode, que são os ricos, porque eles podem pagar. E tem os que, tipo, tem porque precisam, porque não sobreviveriam de outra forma, que são as classes mais baixas.
Quem tá no meio, a classe média, né, tipo o pobre, pobre premium, pobre premium plus, ele meio que suporta, que não pode pagar tanto assim. Eu acho que seria legal você trazer alguma coisa de Parasita sem dar spoilers. Eu não sou capaz, mas eu queria trazer um documentário que eu não consigo me lembrar o nome daquela Só lembrando que a gente é totalmente a favor de spoiler aqui, pode rolar spoiler à vontade. Pô, mas é porque eu não sei se Parasita é um filme que eu gostaria de dar spoiler, mas aí se você quiser dar problema, né?
Porque, sei lá, eu acho que é um filme que por mais que tenha ganhado Oscar e tudo mais, talvez muita gente não tenha assistido por ser coreano, mas o ritmo dele é maravilhoso e ele vai revelando coisas assim que eu acho que permitem cada um a chegar a pequenas conclusões próprias.
Eu acho que eu vou tentar dar uma pincelada sem dar spoiler, aí você qualquer coisa fala pare, sabe? Igual João Kleber, metam João Kleber em mim qualquer coisa. Nossa, não dê uma de João Kleber, não meta ninguém em mim, por gentileza.
Jesus.
Eu tô mal hoje, gente. Vamos lá, Parasita fala sobre uma família de classe social extremamente baixa na Coreia do Sul e um dos filhos conseguindo se, vou colocar entre mil aspas, infiltrar, porque ele consegue um trabalho em uma casa de uma família de classe social extremamente alta. E daí a gente começa a ver as divisões invisíveis, entre aspas, mas extremamente claras e óbvias na nossa frente, todas elas sendo escancaradas e esticadas ao máximo.
É tanto as questões de uma falsa proximidade como questões de uma rede de apoio paga, a lealdade dessa rede de apoio, até onde Você, você tá ligando para sua empregada e pedindo alguma coisa, ela tá fazendo porque ela gosta de você, porque ela tem um afeto por você, ela tem um carinho? E até onde é pelo salário que você paga? Ela tá realmente satisfeita com esse trabalho? Você realmente não está forçando uma intimidade com ela?
Será que quando você puxa um assunto com o motorista do Uber, vai para trazer mais para classe média, realmente ele tá querendo falar sobre aquilo ou ele tá forçando para você conseguir dar aquela avaliação de 5 estrelas e ele conseguir ser mais indicado para viagens e conseguir mais viagens e ser tido como mais confiável e conseguir pelo menos uma grana para jantar naquele dia. E aí?
Eu achei que foi uma boa descrição, sim.
Obrigada, obrigada, obrigada. Eu tentei não dar nenhum spoiler.
Nem passa perto. Não, achei que foi perfeito.
Parabéns. Eu choro assim, pare.
E aí eu acho que é onde se relaciona com coisa da vida real, né? Eu tava procurando aqui o nome do documentário. Eu, pela, por essa mulher aqui que eu fiquei muito sentida por ela, eu acho que é esse aqui mesmo, é Elite Nannies for the Rich and Famous, ou seja, babás de elite para os ricos e famosos. Tá disponível no YouTube. YouTube, e ele vai contar sobre como os super ricos eles contratam empregados para os seus empregados, para que eles não tenham que lidar com tudo que é chato da criança.
E aí tem um cara que é muito rico, que uma das coisas que me lembrou assim, e aí ele tá numa festa tal, e aí a pessoa que tá fazendo documentário pergunta a ele, ah, mas tipo, você nunca trocou uma fralda? Ele nunca nem viu uma fralda. Mas se acontecer alguma coisa que você precisa trocar, Se eu precisar trocar uma fralda é porque tá faltando empregado nessa casa, eu contrato mais 3. Ele resolve o problema dele assim, ele não precisa lidar com nada que seja trabalhoso ou desconfortável com a criança.
E a mesma coisa para esposa dele. A esposa dele é uma grande gerente de um grande staff de empresa, porque ela gerencia os empregados dos empregados dos empregados. E olha lá, porque normalmente ela tem um empregado para gerenciar também, e são pessoas que são tão bem pagas que em um pedaço da série que mostra, que tipo, foda-se a minha vida nesse horário e tal, e outros não, que faz, eu preciso dessa grana, eu sou muito bem paga para aguentar levar cocô na cabeça, ou seja lá o que for, mas desse nível assim de destrato.
E essa, quando eu, para ver se era esse documentário mesmo, eu cheguei nessa mulher que era uma mulher filipina que estava cuidando de uma uma criança que é basicamente da mesma idade da filha dela, que ela teve que deixar no país de origem dela, tá? Ela mora com a família que é de super ricos, porém menos super ricos, e ela só tem responsabilidade com o bebê. E ela faz tudo pelo bebê, mas não precisa fazer mais nada. Só que tipo, aí ela fala, né, sobre como ela se apega e como ela sente falta da filha que ficou com a avó, não sei o quê.
Esse trecho do documentário assim me quebrou por algum motivo. Aí eu depois disso eu nem acho que eu assisti mais, eu não terminei de ver. Apesar de não ter filhos, eu fiquei muito doendo muito por ela.
Eu acho que se a gente for trazer para o Brasil, eu acho que a gente tem um ótimo filme como base, que é Que Horas Ela Volta, né? Sim, com certeza, muito bom. E fala sobre como é um trabalho que você vira uma rede de apoio paga para pessoa, e daí você deixa de ser rede de apoio de alguém que você deveria ser ou gostaria de ser. Não tem ninguém para te apoiar ali, porque você está sozinha, quase que cativa no seu emprego, né?
E aí, o que acontece?
Dormem nas casas.
Exatamente. E o que acontece com o dinheiro que elas ganham aqui, ou as sequestradas filipinas da Europa? Elas mandam para família porque elas têm uma rede de apoio lá de quem elas garantem toda a conta para que aquela pequena comunidade consiga cuidar da criança ou das crianças dela, tipo uma avó, as duas avós, que normalmente recai sobre a mulher, né? Então assim, pelo fato de a classe baixa conseguir tipo se ajeitar de alguma forma para que um cuide dos filhos do outro, quando é possível fazer isso, né, a classe rica pode pegar e tipo tirar a pessoa, tipo da sua comunidade, da sua família, e venha me atender para que eu não tenha nenhum estresse para essa criança, que com certeza vai ser um ser humano maravilhoso sendo criado por um empregado que lhe deve obediência.
Exatamente, sem nunca ter que ouvir um não na vida, né? Enquanto a gente tem no outro extremo uma pessoa que raramente vai ouvir um sim, não por falta de competência e sim por falta de acesso. As coisas que dariam uma maior competência, uma maior habilidade, permitiriam os sims, né? Ela não chega no sim porque tem 500 mil outras pessoas com mais acesso aos meios que permitem esse sim. A gente pode falar também sobre Roma, do Alfonso Cuarón, que ganhou Oscar também há um tempo atrás.
É um filme que, se eu não me engano, eu posso pesquisar aqui para dar uma confirmada, mas se eu não me engano está na Netflix ainda, é de 2018, muito, muito bom. E ele fala justamente isso, é uma empregada doméstica durante a instabilidade política do país, é como ela É uma rede de apoio para aquela família e não consegue ser para a própria família porque ela tá presa na família onde ela trabalha, para quem, né, ela trabalha na Cidade do México.
Então aí o resultado disso a gente vê um pouco em A Amiga Genial, né, tanto no livro como no filme, não, na série, porque as meninas elas crescem meio que sem rede de apoio a não ser uma amizade muito muito disfuncional entre as duas.
Sim, exatamente. A gente tem uma— aí eu vou trazer até um paralelo da animação, porque é engraçado. Eu comecei a pensar sobre filmes e séries, e provavelmente a Lucy— você prefere que eu te chame de Lucinha ou de Lúcia? Eu devia ter perguntado isso muito antes.
Tanto faz, o que sai na hora.
Beleza, beleza. Provavelmente por você ter uma criança pequena, você vai ter mais acesso, acesso não, mas vai ser mais familiar para você conteúdo infantil, porque, né, a gente acaba assistindo o que a criança assiste. E eu comecei a pensar, eu comecei a pensar em filmes que falem sobre esse apoio, sobre essa rede de apoio, essa amizade, essa questão da criança ou da pessoa precisar buscar alguém que entenda ela, que apoie ela nas decisões.
E, cara, o que mais vinha era animação, era filme infantil. Então, como filmes infantis, muito mais, eu sinto muito mais os filmes de antigamente, né, do que os de hoje em dia, mas como a gente tinha essa ideia antes, né, todos os filmes infantis tinham essa ideia de Não, porque o poder da amizade, tanto que a gente virou até um meme uma época, não, porque tudo é sobre o poder da amizade, eles ganham com o poder da amizade. Ai, Pokémon, aquele Pokémon é super fraco, mas ele ganha com o poder da amizade.
O Naruto, ele só ganha porque ele é um psicólogo de todo mundo e é o poder da amizade. Então amizade, sabe? Porque no jiu-jitsu eles não ganham, sabe? Então, como antigamente era assim, e daí quando a gente vai, principalmente como mulher, né, eu acho que eu posso falar isso muito com conhecimento de causa, pois, né, é até onde eu sei, sou mulher, a gente vai crescendo consumindo o conteúdo juvenil e conteúdo adulto no sentido de filmes para adultos, não filmes pornô, tá?
Tá, todo mundo bem, ok? Não, e mesmo assim, não, eu vou, pera aí, eu vou me controlar aqui, vou primeiro completar minha ideia, depois eu vou para essa outra ideia que surgiu na minha cabeça, que é brilhante, provavelmente justamente por isso não é nada boa. A gente vai crescendo e vai consumindo um conteúdo que antes falava que a gente deveria buscar amizades, deveria se apoiar, e o conteúdo vai começando a ser: você tem que se bastar, você tem que ter o corpo ideal, você tem que falar assim, você tem que servir só o cara que você gosta e que gosta de você, deixa suas amigas para lá, são secundárias, não são amizades só para ocupar o seu tempo quando você não está trabalhando e servindo o seu homem maravilhoso.
E você começa a ver cada vez mais filmes que te diminuem para uma caixinha que não te estimulam a buscar um apoio, a buscar uma ajuda, a buscar alguém que— um grupo onde você floresça junto com o grupo. Não sei se vocês sentem isso também, se vocês sentiram isso também pensando em obras para citar nesse episódio.
Sim, tanto é que quando você vê as questões de animações e que traz esse esse recado, né, de o poder da amizade, instantaneamente é colocado no lugar de ser infantil, de ser infantilizado, de ser uma coisa que é quase como se trouxesse uma mensagem irreal. Mas se a gente pega alguns desses filmes, os melhores, eles Tem uma mensagem que cabe para as crianças, mas também cabe muito para reflexão de quem já tá adulto.
Nossa, você sabe, sabe?
Nossa, você assistir As Aventuras quando você é criança e depois você assistir quando você é mais velho, meu Deus, é uma experiência toda totalmente diferente.
A minha mãe falou isso uma vez para mim, olha, Começou assim. Minha mãe falou uma vez para mim que é up quando você é menor, você chora no começo porque você entende a perda, você teme até a perda, porque você não, você não tá, é uma coisa que você não conhece ainda, né? Assim, generalizando completamente, geralmente crianças não sabem, não sentiram uma perda tão profunda ali. Lógico que exceções existem, enfim, nada é absoluto no mundo.
Mas conforme você cresce e você vira adulto e eventualmente você tem um filho, você chora no começo e no final, porque você vê o quanto que o Russell precisava daquele apoio que ele tá tendo no final e ele não tinha. E você morre de medo de não conseguir ser aquele apoio para alguém e E é muito engraçado chegar na idade que eu tô hoje e pensar nesse comentário e ficar, nossa, porque eu não tenho filho, né? Eu acabei escolhendo não ter filho, pelo menos por enquanto.
E é muito doido você pensar que isso pode ser um medo para alguém. É muito fora da minha realidade, né? Mas é engraçado você começar a medir as experiências das pessoas, pensar, nossa, eu não me preocupo, eu não preciso me preocupar em ser rede de apoio nesse nível ainda. Acho que é uma coisa que você pode falar mais sobre, Lucy, no caso. Você já assistiu?
Já, várias vezes, e chorei também.
No começo e no fim, aquelas testes, no começo, no meio, no fim, no meio, no fim.
Nas propagandas.
Porque tem essa questão, você pode falar mais sobre, por favor?
Da rede de apoio em relação à criança?
Em relação a você deixar de crescer, né? Deixar de precisar de uma rede de apoio só unilateral, porque é uma criança, né? A começar a ser a rede de apoio prioritária de uma criança.
Sim, tipo benefício, na verdade. Ou a gente vê assim, quando a criança nasce, né, a gente precisa de total e completamente de apoio de outras pessoas para até para ir no banheiro. Mas nesse caso do Up, ele não teve essa experiência, né, e ele não Não sabe o que era, na verdade não sabia que precisava. Ele contava o tempo todo com a esposa, que eu esqueci o nome dela.
Qual era o nome dela?
Ela é a Elly. Isso, o seu Frederico e a Elly.
Isso, aí ela era o apoio dele. E no final, tipo, ele, depois que ela morre, ele não acha que vai ter uma outra opção de apoio Ele fica lá parado no tempo e acaba aparecendo uma criancinha tentar abrir o coração do seu Frederiksen para, como é que se diz, ele notar que precisava disso. Né, que é uma coisa muito diferente, aquela coisa de homem, né? O homem não é coisa que não precisa de ninguém, eu consigo fazer as coisas sozinho. E no final ele viu que precisava realmente de um apoio, e ainda bem, né?
Fez uma amizade linda, se torna a rede de apoio do Russell também.
Acho que esse é um, o que emociona, os pais de Russell não aparecem no final, né? Quando ele vai para receber a mãe, é o pai.
Então eu não— depende, né? Tem gente que interpreta que aquela moça aplaudindo ele na plateia é empregada, é a babá dele, e tem gente que acha que é a mãe. Mas enfim, que fosse a mãe, na verdade, não é dito, é só uma mulher aplaudindo.
Fica em aberto, né?
Mas fica claro que os pais dele não estão muito presentes ali, né? É bem complicada a presença.
E ele conseguiu o apoio de um estranho, né?
Sim, tanto que ele se sentiu confortável com estranho. É um pouco problemático esse filme, não? Agora que estou lembrando. Mas também dá para pensar em outro filme também classicão da Disney que teve um remake nada bom, que é Lilo e Stitch, em que elas precisam desesperadamente de uma rede de apoio, porque uma é o apoio da outra. Porque se é tipo segura na minha mão que eu seguro na sua, nós duas estamos nessa maluquice, nessa situação, né?
E justamente por isso, por essa situação, a Lilo, que é a menininha, ela já não consegue se encaixar muito bem ali na, com as amigas, não tem amigas, né, na verdade, com as outras meninas, não consegue ter amigas. Aí você vê que maluquice de filme, eles precisam tão desesperadamente de uma rede de apoio e o filme é tão doido que a única rede de apoio deles são extraterrestres. Muito doido isso, não podia ter um filme que tinha uma família ali do lado, tipo Ah não, eu te ajudo, imagina, que isso, toma aí. Não, tem que ser alien. É assim, é um retrato bem fiel aos Estados Unidos.
Pois é, porque nos Estados Unidos elas meio que se encaixam ali na classe média baixa, que tipo todo mundo tem que trabalhar e não tem quem fique em casa com a criança. Quem é que vai vir para ficar com a criança? É um milagre que caiu do céu.
Sim, literalmente.
Um anjo bem bonitinho.
Um anjo caído.
Aí é aquilo.
Ai, meu Deus, ela orando ali: ai, que o Senhor me envie o anjo mais bonzinho. E daí o Stitch aparece.
Meu Deus.
Que não foi isso?
Mas era pé assim.
E é muito interessante, né, assim, como essas Essas histórias, né, de que falam tanto de uma família que tá lá apoiando quanto uma família que é construída, né, o grupo da Found Family, ela, elas mexem com a gente, né? Porque é que nem eu disse bem no começo, nem toda rede social, rede de pessoas ao redor da gente vai configurar uma rede de apoio, né? A gente discutiu isso quando tava falando da questão das classes. A gente sabe que, por exemplo, para muitas pessoas fora da normatividade, nem sempre a família vai estar de acordo.
Então, às vezes, a família vai estar contra e vai estar agindo como, na verdade, quase como uma antirede de apoio, né? Então assim, nem não é por ter pessoas que estão ali no alcance que configura uma rede de apoio, né? A Lilo mesmo tava ali, tinha amigas, tinha colegas, né, que poderiam estar ali por perto. Com certeza tinha vizinhos, tinha pessoas que estavam ali de repente poderiam ver a situação delas duas, mas isso, ter pessoas ao redor não configura pertencer, não configura estar conectado com essas pessoas, né?
Então acho que o que define bastante essa questão da rede de apoio é justamente essa sensação de conexão, de pertencimento, de apoio mútuo, né? E Pode tomar vários formatos, né? Pode ser um apoio emocional, um apoio ali mais prático no dia a dia, financeiro e material também, tá? Porque às vezes é necessário demais, principalmente hoje em dia.
Às vezes a sua rede de apoio é o Silas pagando tudo.
Não fala do Silas que eu fico frágil.
A depressão batendo.
É, então pelo menos 3 pessoas aqui gostariam que o Silas existisse. Sim, porque a única que não é porque não conhece o suficiente, mas eu acho que ela queria que existisse por mim, talvez.
Com certeza, com certeza. É, eu não sei, sabe? Eu acho que É uma mídia somente que não me interessa tanto, mas com certeza se eu parar para pensar um pouquinho, eu devo ter meus silos em algum outro lugar. Porque no momento eu estou relendo O Senhor dos Anéis e aí eu tô me sentindo muito refletida de quem que apoia, sabe?
Cara, Senhor dos Anéis é uma obra tão incrível, né? Porque não tem uma representação tóxica masculina ali. O Aragorn que se apoia no Legolas, que se apoia no Gimli, Todo mundo se apoia, todo mundo. Ai, ai, que obra perfeita! Perdão, saiu um funk muito do meu interior, perdão. Mas é que é muito legal.
Eu tava reassistindo Esses Tempos e eu tô relendo o livro e já tenho muitas coisas a dizer, mas fica para um outro momento. Mas é bem diferente do filme e é uma experiência completamente diferente, tipo, ler um livro com 25 anos de intervalo da última vez que você leu. Mas prossiga sobre o filme.
É, eu escolhi falar sobre o filme porque é mais fácil da galera saber do que o livro. Mas aí você pode fazer a comparação no livro, ó, top.
Exato.
Não posso falar top, fui avisada que isso me faz parecer velha, falar top.
Você não tem como ser mais velha que a gente, então você não é velha o suficiente.
E a gente não fala top, então a gente já fala frases tipo do nosso tempo.
Então já, mas eu também falo, ai, tô muito triste.
Enfim, você já foi chamada de tia várias vezes, principalmente nesse negócio de energia.
Todo cliente menor de 12 anos vai chamar de tia.
Já teve gente de 18 que me chamou de tia.
Olha aí, pois é, esse barco já foi. Abraço. Abraço, seu lado.
Vamos para as terras juntos. Oxe, mas menino, mas enfim, não, eu tava reassistindo e antes da batalha de Helm's Deep, o Legolas tá falando que todo mundo vai morrer ali, que, ó meu Deus, tá todo mundo, vai todo mundo morrer agora, bora simbora, não vale a pena não, meu comigo. Vai ser uma carnificina isso aqui. E o Aragorn fica, porque, né, eles precisam fingir que tá tudo bem ali, tá disfarçando. E daí o Aragorn chuta o pau da barraca e fala, então vamos morrer todos juntos.
Sem ser em élfico mesmo, que eu acho um pouco insensível da parte dele, porque a galera tava só arrumando as coisas do lado dele. Eles olham tipo, é o quê? Como assim?
Então, ah, eu não acho. Eu acho que tipo é, vou abrir aqui para geral e vou dizer, tô junto com a geral independente do que aconteça.
Sim, mas meu ponto é, ele, o Legolas, se sente confortável o suficiente para falar: Aragorn, eu não sei se é uma boa ideia o Aragorn discutir de volta. Eles têm essa abertura, tem essa sensibilidade, tem o Gimli se sentindo confortável e falar: olha, eu não, nenhum anão é jogado, mas por você, você pode me arremessar se você não falar nada para o elfo. Tem essa cumplicidade entre eles, eu acho muito legal. E é o que faz deles tão maravilhosos como personagens.
Porque ter um personagem, fazendo a conexão lá com o começo, como o Batman do Nolan ou o Superman do— meu Deus, do Michael Bay também dá certo, mas enfim, como é o nome daquele homem mesmo? O homem que fez O Homem de Aço? Não o ator, o diretor. Esqueci. O diretor do novo Flash é o cancelável lá. Isso, Snyder.
Nossa, quase não sai. Já tem que saber.
O cancelável, o cancelável. Tanto o Super-Homem do Snyder quanto o Batman do Nolan é uma coisa tão— eu não posso me sensibilizar em momento nenhum. E daí o personagem fica meio unifacetado, ele não pode, ele tem aquela depressão entre mil aspas, ele fica meio emo ali e ele só fica aquilo, ele não consegue ter multifacetas. O Legolas, por exemplo, a gente vê já no primeiro filme, usando filmes de novo como referência, a gente vê ele reagindo a uma perda de um amigo querido que era o Gandalf e que nem era muito conhecido por ele, mas era conhecido muito por outros personagens ali, ele vê toda uma questão de luto.
E você vê o crescimento dele ao longo dos 3 filmes quando outros membros próximos vão perdendo a vida. É muito bonito ver isso. O personagem, ele tem altos e baixos, porque o ser humano tem altos e baixos. Então, um filme bom e um personagem bem construído, multifacetado, é tudo na vida, né? Eu acho que o livro volta para falar isso.
Perdão, gente, mas eu acho que o livro, ele assim, algumas coisas vão ser bem diferente do filme assim. Tanto que eu me lembrei por quê, que quando lançou o primeiro filme eu odiei. Hoje em dia eu amo a trilogia e eu vejo cada um tem seu lugar assim, mas eu tinha 14, 15 anos, tinha acabado de poder odiar as coisas. Exatamente. Eu ainda odeio umas coisas, mas agora eu as coisas fundamentadas, né? Eu tenho agora um documento que diz que eu tenho um conhecimento profundo de tradução de obra literária para o cinema.
Então, né, eu acho que já passou o meu ranço, mas na época eu odiei muito. E eu tipo não sabia. Eu tô lendo agora e tô vendo uma profundidade e uma quantidade de acontecimentos e uma quantidade de coisas que tipo eu na época nem tinha uma noção consciente da importância daquilo tudo, porque eu não tinha essa estrada de vida. Hoje em dia eu leio e eu tipo, ai, eu sei agora porque que eu achei tão importante, porque agora eu consigo realmente entender qual é a importância dessa passagem.
Mas aí você vê assim os detalhes no livro. Eu gostaria de dizer em primeiro lugar que no meu coração eu shippo Frodo e Sam até o fim da minha vida, porém eu gostaria de lhe apoiar profundamente Mas eu entendo que seja só humanidade. Assim, no meu mundo mágico, não monogamia tá aí. Sam pode amar tanto Frodo quanto Rosinha, ser casado com ela e deixar Frodo no cantinho dele, porque Frodo é uma pessoa mais solitária, que ele quer encontrar com as pessoas nos termos dele, tá tudo bem.
Ele sofreu um grande trauma, que importa ele saber que ele pode ver a comunidade dele nos termos dele todo dia. E ter o namorado dele com ele. Mas assim, é uma coisa que essa mesma beleza que tem na amizade deles dois, essa mesma profundidade, você vê em outras amizades e não tem essa carga tão grande assim de ship que tem para mim eles dois assim. E uma coisa de cuidado que os outros personagens têm um com o outro. Aí tem a questão de que alguns personagens como Legolas e Gandalf já se conhecem há alguns milhões de anos no livro, mas tem vários outros que passaram a se conhecer agora.
Eu acabei de chegar em Valfenda, Frodo acabou de acordar da facada que ele levou e tá tendo o banquete dele. Então ele conheceu, e aí tá tipo todo mundo chegando em Valfenda porque tem todo mundo tá tendo um problema causado pelo Sauron, né, nos seus territórios. Tá todo mundo querendo saber o que é, porque Valfenda é basicamente a QG dos espiões da informação da Terra-média, aparentemente. Todo mundo tem problema, todo mundo vai para lá.
Aí esse anão que apenas achou Frodo parecido com o Bilbo, ou Bilbo já tinha falado sobre ele, sei lá, mas eles dois sentam, não se conheciam, apenas um sabia da experiência do outro. E ele já tem assim um cuidado com a história um do outro e tal. Então tem toda uma coisa da gentileza, né, ser uma coisa que você tem pelas pessoas. É uma coisa que é algo natural, é algo natural. Você vai ser gentil. E é o contraponto que faz também com Mordor, com Sauron, com, né, o seu natural, ser humano natural, ele vai contar a história vai tipo se aceitar, porque cada um vai ter um nível de sociabilidade diferente.
Então você tem o solitário, Aragorn é um solitário no filme e no livro. Isso não quer dizer de forma alguma que ele se exclua da comunidade dele, né? Ele vai tirar os momentinhos dele para fumar um cachimbo, vai ver o que tá acontecendo, vai pensar seus pensamentos pensantes e tal, e ter comunidade. É, eu acho Aragorn muito reflexivo. Eu gosto muito de Aragorn.
E assim, ele é o— para mim, pelo menos, ele foi o primeiro e maior exemplo de green flag da vida, assim, sabe?
É sim.
Nossa, até hoje ele ocupa um lugar assim inocupável por qualquer outro. Nem Silas conseguiu derrubar Aragorn do seu posto. Ele reina.
Olha, que Silas vai saber disso, viu?
Eu não tô dizendo nada, eu fiquei calada aqui. Lucinha que falou, eu tô calada.
Eu falei nada.
Quem que se comunica? Quem que se comunica?
Eu que instilei o caos. Eu não tô dizendo quem vai falar, não tô dizendo nada. Eu sei que Silas vai saber, só sei disso. Porque as coisas, ele sempre acaba sabendo das coisas. Eu acho incrível como ele acaba sabendo das coisas.
É sensacional.
Daqui a pouco ele vai acertando sobre Aragorn assim. É, mas próximo episódio participação especial do Simon.
Eita, exatamente.
Olha, vocês param de me provocar com Simon.
Mas eu já saí de Senhor dos Anéis fazendo a única reclamação que eu tenho para para fazer, que é Tolkien ter vivido em um mundo que, assim, ele amava profundamente a esposa dele e tal, fica até claro nas coisas, mas, e tinha um respeito por mulheres, né? Mas elas não aparecem na obra dele. Até no filme colocaram algumas coisas que eu achei interessantes fazendo comparativo hoje em dia, mas elas quase não aparecem. Eu acho isso uma tristeza muito grande, porque eu acho que se Tolkien tivesse tido a oportunidade que o livro é total traumas de guerra, né?
Tivesse a oportunidade de ter convivido com mais mulheres que fazem as mesmas coisas que os personagens dele faz, a obra dele teria sido mais diversa e teria sido mais bonita. Mas é isso, Senhor dos Anéis, perfeito. Aragorn é nossa rede de apoio imaginária coletiva.
O que Aragorn faria? Uma pergunta agora.
Não, meu amigo, o que é que o Frodo do livro faria? Porque o Frodo do livro é popeiro, meu amigo, qualquer coisinha não levantando miçada.
Pois é, uma pergunta para Gabi. No caso, pegando esse gancho do Senhor dos Anéis e pensando na questão da rede de apoio, a gente pode pensar na relação da sociedade do anel como uma corregulação, porque muitos estão passando pelas mesmas situações?
Sim, sim, é interessante porque existe uma diferença entre— novamente, somos seres sociais, então é muito fácil haver uma contaminação de sentimentos. Então a gente começa a falar aqui, uma tá com raiva, a outra vai: é isso aí mesmo, não sei o quê. Então vai meio que passando o sentimento de uma pessoa para outra, porque a gente consegue espelhar as emoções, por assim dizer, né?
Vou dar um exemplo muito bom disso, mas assim incrível disso. Vocês estão prontas, crianças? Eu lembrei imediatamente daquela cena de Midsommar em que a Dani tá gritando e chorando, e daí todas gritam e choram em volta juntas. Aqui, pronto.
Aí era isso, né, que você falou dos efeitos, dos estudos de efeito em manada e de questões assim de desespero em massa e tudo isso. E aí tem um outro lado desse mesmo sistema que é a questão da corregulação, só que a corregulação Tem a diferença da intencionalidade. A corregulação é você, por exemplo, você quer ajudar aquela pessoa a se regular. Por exemplo, quando você vai, chega toda descabelada, sem saber o que fazer da vida, aí chega para uma amizade sua, para uma rede de apoio, diz: Aconteceu 85 coisas ao mesmo tempo.
Insira aqui 2 traumas: o cachorro foi atropelado, eu assisti um filme horrível para ver se conseguia chorar, não consegui, vim falar aqui com você antes que eu explodisse em chamas. Aí a pessoa pode desregular junto com você, ou ela pode pegar na sua mãozinha e dizer: tá certo, Vamos pegar uma coisinha de cada vez, tá certo? A gente vai aqui conversar. Primeiro eu vou lhe dar água, a gente vai sentar, vai dar uma respirada. Isso é a tua rede de apoio te ajudando a se regular, porque ela tá usando a emoção dela para que você use de exemplo, para que você use de modelagem para regular a tua, porque a tua já foi, a regulação foi para Jesus quando algumas coisas acontecem, né?
Então a outra pessoa ela vai dizer, ó, tem esse modelo aqui que pode ter o teu cerebrozinho tá funcionando, me dá tua mãozinha, eu vou te trazer de volta. Parece simples, mas não é simples desse jeito, tá?
Não é nada simples.
E aí tem esse, isso é uma coisa muito legal que tem esses impactos, né, em saúde física, saúde mental, né? E aí entra a questão que vai para além de você só tá com uma pessoa e vai para além de você só falar com a pessoa. Tem que ter a intencionalidade, tem que ter a questão da confiança. Então acho que dá para falar assim que o Senhor dos Anéis se encaixa aí. Tem algumas cenas inclusive que o Sam é sensacional em corregular o Frodo.
Sim, bicho, Sam é a melhor pessoa!
E o mesmo equivale no livro, Porque vários, inclusive também o melhor personagem para se jogar em Senhor dos Anéis LEGO. Ele é o mais útil e o mais incrível.
Aí eu estou jogando com Sam na minha equipe de heróis no jogo Senhor dos Anéis, o board game, e devo dizer que é espetacular. O Poney Bill já é o personagem que eu mais me identifico real oficial agora que eu tô lendo o livro.
E é bem legal, porque eu lembro dizendo, eu estou me identificando com o pônei.
Às vezes é sobre—
a gente sempre soube que você tava mais para um espectro de um unicórnio do que para coisas mágicas, do que para o espectro de seres humanos. Tá tudo bem, válido, que te ama e te aceita, combina perfeito.
Mais uma coisa que O Senhor dos Anéis mostra, porque cada um mais— e aí eles não são tipo, é o que a gente chamaria de estranhos, doidos, não sei o quê, porque como todo mundo se aceita, cada um é apenas único e autêntico e tem o seu toque peculiar.
Agora todos é isso, né? Então assim, e é bem legal porque tem esses dois exemplos que eu falei, né, da corregulação e da deregulação em equipe, por assim falar, porque você tem a parte do Frodo lá andando com o Gollum, que tipo, vamos nos desregular em equipe.
Sim.
E tem a parte dele andando com o Sam, né, que ele ajuda várias vezes ele a se regular, porque havia uma pessoa naquele trauma, né, não trauma naquela pessoa.
Citando o Samwise, o The Best, ele fala: eu posso não, eu não posso carregar o anel para o senhor, senhor Frodo, mas eu posso carregar o senhor.
Isso, sabe?
Eu acho que, eu acho que tem alguma coisinha assim que o sonho de todo mundo, homens ou mulheres, é ser colocado no colo por uma pessoa muito forte, sabe?
Não é nem forte, não precisa ser nem Tipo, fisicamente. Metaforicamente já tá ótimo, já é tipo ótimo.
Tem uma foto que eu já fiz isso, já coloquei as duas aqui, as duas, que meu nominho está entre as duas.
Ó, deixa eu ver só se não é o de cima.
Já realizei esse sonho, tá? Já, outro pessoal, foi ótimo.
É, eu acho que principalmente essa questão da regulação que você falou, Gabi, de pegar na mão, de— é quase como pensar em desativar uma bomba ali, né? Porque a sua vida tá com uma bomba relógio acontecendo do seu lado e a pessoa vai ali para você e vai desativando essa bomba para você, te ajudando, né? Eu acho que dá muito para fazer esse comparativo. E agora a galera que tá ouvindo spoiler com o final de Nimona. Porque assim, não sei se vocês já assistiram Nimona, mas por favor assistam se vocês não assistirem. Lucy, é para criança, é animação, dá para assistir.
Não chegou no recorte de idade da Bíblia.
É bem bonitinho.
Ah, mas é porque é 3 anos, né?
É, ela não vai entender, mas tem tubarãozinho, ela vai gostar, é bonitinho, ela vai achar bonitinho. Mas é incrível o final com a Nimona totalmente sem esperança, né, numa representação total de abandono, de estar sentindo, estar se sentindo abandonada por tudo e todos e totalmente desencorajada. E a rede de apoio dela, que é o amigo dela também em exílio, e lá e se desmontando pedacinho por pedacinho daquele luto, daquela sensação ruim que ela tá, e revelar ela como ela é de fato para todos.
É muito legal, que às vezes é um tubarão e às vezes é uma pessoa e às vezes é um menino.
E é muito interessante isso que Desculpa.
Não, tudo bem, era só uma coisa rápida sobre idade recomendada, né? Porque o que eu vi aqui é que a idade é de 12 anos, conteúdos moderados e de violência fantasiosa e temas sociais complexos. O Adoro Cinema coloca como menos de 10 anos. E aí eu digo que, tipo, temas sociais complexos para quem, né? Eu acho que é mais para adultos, mas eu acho que vale a pena porque Pode fazer, mas eu deixa eu terminar. É só porque eu acho que vale a pena ver a questão da violência no Coiso, porque aí pode ser que seja um limite que ninguém queira para o seu filho.
Então, não aparece nada gráfico, tá? Nada. É super tranquilo nessa questão. Os temas sociais complexos é porque eles lidam muito com a exclusão da pessoa, do porquê que excluída de classe social, de até dá para fazer um corte com racismo. Mas sinceramente, quando estreou, o que a galera ficou mais falando sobre classificação indicativa, que tinha que aumentar, que não podia ser livre, que não podia ser 10 anos, que tinha que ser 12, 14, é porque tem dois homens se beijando.
Eu imaginei que fosse isso, mas é uma coisa que depende, tipo, se for feito de uma forma para crianças Não é uma grande questão para uma criança, a não ser que seja uma questão para os pais, né? Ser feito para que uma criança veja pobreza é porque o pai não quer discutir pobreza com a criança, porque você já tá na idade dela, tal, você vai responder brevemente. Quanto mais nova for, mais brevemente vai ser a resposta. Sim, mas ninguém quer conversar.
O povo quer contratar uma babá para ser a babá da criança. Aí é difícil. Aí não tem isso, aí quer botar na TV. Aí fez, ah, não pode colocar nada que eu tenho que conversar com a criança, porque eu não tenho cabeça para conversar com a criança depois de trabalhar 12 horas por dia. Sim, não seja por isso.
Uma outra, pode falar, pode falar.
Voltando nesse gancho dos pais que não querem, né, eu me lembrei agora, porque assim, eu não lembro qual era a animação, mas eu tenho uma sobrinha que questionou aos pais que não poderia assistir aquela animação. Para mãe. Aí a mãe, não lembro o que foi que ela veio, todos que não podia porque tinha algumas cenas que ela impróprias para criança. Aí eu fui perguntar porque minhas outras sobrinhas elas assistiam. Aí tá, porque que não, tipo, ela não pode assistir?
Tem o que é que tem aí que na época acho que ela tinha 7 anos, ela não pode assistir? Aí não, porque tem dois caras se beijando. Aí ela, a mãe evangélica, não queria explicar, não queria que a filha visse, não queria que a filha tivesse alguma coisa para tentar explicar para ela a situação, sabe? Aí já era uma coisa que, tipo, privação de uma informação que ela vai ver no dia a dia, em algum momento da vida dela, na escola, na rua, em algum canto ela vai ver e vai questionar.
Um desenho muito bom é que fala muito sobre rede de apoio, fala sobre co-regulação, inclusive eles falam com todos os nomes, explicam tudo bonitinho, é Steven Universo. É um desenho incrível e tem muitos pais proibindo as crianças de verem porque, ai, tem duas garotas juntas, ai, porque tem cara com cabelo comprido, Ai, porque o menino gosta de rosa no desenho. Gente, é um desenho incrível, incrível.
Que aí veja a oportunidade que todo mundo perde de se desconstruir, porque é sempre tempo de, né, de expandir-se e de usar uma mídia para explicar para criança a importância de uma inteligência emocional, de uma rede de apoio. Exatamente, você assistir junto e aprende com o desenho. Você conversa com a sua criança até se, tipo, isso, ah, tá certo. Eu sou, olha, na nossa religião tal, não sei o quê, não é assim. Mas tipo, é a nossa religião, só que não pode ser assim, né?
Inclusive, aproveitando, eu tenho uma criança, não uma criança, mas meu irmão mais novo, ele amava esse universo. E assim, vários momentos até hoje ele para, não, porque Vocês lembram que eu gosto de Steven Universo? E daí tinha um episódio que acontecia isso, isso, isso, e ele fazia isso. É como isso. Então até hoje gera gancho, sabe, para conversa. É muito bom esse Hora de Aventura. São desenhos que assim, nossa, eu indico muito para as pessoas.
E tem muita gente que fala, não, mas tem cenas que não são tão legais. E não são nada demais. Eu estou falando do ponto de vista de uma pessoa que teve acesso à internet totalmente sem supervisão e assistiu Cisne Negro com tipo 12 anos. Não sou uma pessoa confiável nisso, mas não morri, estou aqui, somente alguns traumas, mas estamos bem. Meu irmão já seguiu mais as classificações indicativas e está bem também, assistiu Steven Universo, é um ser humano totalmente ótimo.
Não morreu. Você vê coisa, dá para assistir Steven Universo, dá para assistir Hora de Aventura, dá para assistir Nimona, que ele assistiu também.
Então, o que questiona muitas, muitas coisas também é, eu não sei se vocês já viram, é o Gumball.
Sim, ai, maravilhoso, incrível! E o melhor é que o Gumball aqui em casa, pelo menos, era um desenho que unia muito minha mãe e meu irmão. Porque os dois gostam muito. Então eles sentavam juntos, assistiam o episódio e depois tinham uma discussão sobre. Era muito legal.
Ai, que legal, não é?
E aí me levanta uma pergunta assim, porque assim, isso molda até um pouco das pessoas que você vai entrar em contato, as suas primeiras pontes sociais, porque assim, por exemplo, talvez essa sobrinha de Lucinha não vá conseguir entrar em contato com pessoas mais diversas e isso vai ser uma limitação. E aí eu queria perguntar, Lucinha, como é que é do teu ponto de vista? Porque a baby dragon, né, a nossa pequena dragãozinha, ela vai crescer, ela já vai crescer, com uma perspectiva bem diferente da nossa, né?
Ela já tem uma rede de apoio, ela já tem pessoas bem diversas, né? Tipo, umas tias meio diferenciadas no raio dela. Já cresce sabendo que existe mais de uma religião, porque tem as tias que não são cristãs. Então, como é que é isso para né? Como é que tu acha que isso impacta para, para, assim, como eu e Luciano, a gente não liga para isso, sabe?
Aí a gente tenta fazer a criação dela o mais livre possível. A gente explica quando ela pergunta alguma coisa, aí ela, ela só, ah, mas eu ia pintar cabelo. Ela pensa em pintar cabelo, só que É aquele tipo, mãe, eu quero pintar meu cabelo de loiro, de amarelo.
Mas o cabelo já é amarelo, minha filha.
Mas ela quer pintar o cabelo. Mas quando for mais velha e você puder pintar seu cabelo, você pinta. Odeio estar com o que não seja o seu cabelo.
Quando ela tiver uns 5 anos, tem uns negocinho que você passa no cabelo e que não estraga feito papel crepom, porque, né, eu também não tenho uns fake para isso.
A sociedade entendeu que a gente queria pintar. Exatamente, nós abrimos o caminho.
Quero deixar aqui minha nota de repúdio, porque papel crepom não funcionava no meu cabelo, porque meu cabelo é escuro.
Eu passava papel crepom, pensava que ia funcionar também.
Tá, era uma ilusão. O meu é mais claro, mas eu com cabelo mais claro, deixa eu lhe dizer que era uma ilusão. Mas eu jurava que tinha pegado uma corzinha.
Eu pegava aquelas presilinhas, escondia no meio do cabelo, das mechinhas, e falava, não, que eu tenho mecha.
Meus pais eram assim, Meus pais, os bichinhos foram desafiados fortemente por mim, tá? Assim, oi pai, oi mãe, cheguei aqui, sou eu de novo. Então eu sou uma pessoa um pouco diferente do padrão, né, lá de casa. E meus pais até hoje eu acho que eles não entendem muito sei como minha cabeça funciona, mas eles sempre me apoiaram, né? Pelo menos isso. E eu comecei a pintar cabelo, pintar real oficial, acho que com 12 anos. Pode que comecei a mexinha pequenininha e coisa e tal, e depois continuei, né?
Então é uma coisa bem comum para mim. E com acho que 14 para 15 começaram os furos, piercings, e por aí foi, né?
O meu furo foi com 18, porque meus pais assim, eles não— meu pai odeia, nunca gostou. Minha mãe tentava não ficar entre os dois. Mas aí fiz 18 anos, não precisava da autorização, furei. Eu expliquei, mãe, eu vou furar ela, eu não vou saber de nada. Quando você chegar em casa com esse negócio, vou fingir que eu nem sabia isso. Beleza. Cheguei em casa, olha, pai, furei. Oxe, menino, foi dias para falar comigo.
É, então, pai, ele tentou isso, mas aí ele descobriu que eu passo mais tempo, consigo passar mais tempo que ele sem falar, e nunca deu certo.
Eu acho incrível como o corpo dos filhos, eles sempre pertencem aos pais, né? Eu não sou tanto assim, e eu comecei a me tatuar mais tarde e tal. Eu já tinha meu próprio dinheiro, ninguém podia falar nada. É, mas meu irmão é dos piercings, cara. Primeira vez que meu irmão furou um piercing foi um caos, foi um babado, foi um babado, cara. A primeira vez que eu fiz uma tatuagem, bom, meu irmão já tinha feito 3 piercings.
Eu tô do time do teu irmão aí usando esse gancho.
E quando, porque assim, quando é só um babado e depois tudo segue a vida, lindo, maravilhoso, maravilhoso, né, melhor dos mundos para gente. Mas e quando não é só sobre um piercing? E quando é sobre a sua existência? Quando a crença dos seus pais, ou o que era para ser a sua primeira rede de apoio, que é a família, né, não é sua rede de apoio? Na verdade é uma situação extremamente tóxica que não te aceita como você é, ou nega o que que você— e daí você tem que, juntando, levando lá para o gancho do que você já falou, Gabi, para tropo do found family, que você tem que achar um local, um grupo de pessoas em que você pertence, porque você não tá sendo aceito ali onde você primariamente deveria ser aceito.
O que é, como é esse, esse lado da rede de apoio? E eu pergunto para você porque é a sua área de atendimento, né?
Sim, é minha área de atendimento e eu confesso que eu sou bem— eu quis ir para essa área de atendimento porque eu tenho uma questão de sempre ter sofrido algum nível de discriminação e estresse de minoria, mas ao mesmo tempo reconhecer que eu fui muito privilegiada nesse sentido, porque que nem eu disse, meus pais não fazem a menor ideia do que se passa na minha cabeça, assim, no sentido de como é que eu saí tão diferente deles.
Mas eles, tipo, meio que não vamos entender o que é que tá rolando aqui, você não vai talvez nunca entender totalmente o que é que tá rolando aqui com a gente, mas todo mundo se ama, todo mundo almoça junto e é isso. Isso, né? Então não é o que acontece para todo mundo, infelizmente, né? Então é isso que acontece, é que muitas circunstâncias essa rede de contato social não é uma rede de apoio, né? Porque que nem eu disse, precisa para ser uma rede de apoio ela tem características específicas de proteção, de pertencimento, de senso de segurança, E se não há esse senso de segurança, então o que exatamente estaria apoiando, né?
Só que a gente vive numa sociedade que ela é estruturada dentro de valores cristãos, heterocentrados, monogâmicos. Então a gente é muito levado a acreditar que A família vai ser essa rede de apoio para gente. Então é meio traumático quando você tem que fazer essa ruptura, né? Quando você tem que entender que às vezes não é daquele lugar que você vai estar tirando esse apoio, essa afeição, esse senso de pertencimento.
Me corrija se eu tiver errada, pelo amor de Deus, mas Mas é certo falar que a pessoa passa quase por um período de luto dessa relação?
Não, sim, é corretíssimo, é bem por aí mesmo, porque é um luto da relação e é um luto das expectativas, né? É um luto do que poderia ter sido e não foi, né? Um luto das potencialidades, um luto de daquele lugar que era para ter te acolhido, que era para ter te dado espaço para ser, independente do que você fosse. Porque é passado muito essa ideia do amor incondicional, né, dentro da família. Só que aí você, quando você sai daquele lugar da normatividade, você encontra condição, você encontra regras, e que se você quebra elas, aí o amor já deixa de incondicional, e é muito doloroso isso.
Dá para a gente fazer um paralelo com Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, né, que é aquela luta da mãe aceitando a filha e a filha aceitando a mãe, e ela se encontrando no meio do caminho, porque é algo bem complicado. É um filme muito bonito também.
É, pois é, é bem intenso aquele filme, porque tanto vai falar do senso de desconexão quanto de uma reconexão, né?
Sim, e consegue mostrar entre— engraçado usar o multiverso, né, para mostrar isso, mas muito genial ao mesmo tempo. Porque mostra o quão delicado é tudo, o quanto. E isso inclusive eu vou te expor um pouquinho, Gabi, mas é um tanto ok. É que a Gabi fez o nosso roteiro desse episódio incrível e ela colocou a relação como pequenos avanços e uma uma constância sem sufocamento. E eu achei isso tão incrível, uma definição tão maravilhosa, porque é isso.
Não tem uma obrigação de você acabar de conhecer e já virar super amigo. É devagar, é uma coisa, é tipo regar planta, cuidar de planta, é uma coisa devagar que vai se construindo, é um quebra-cabeça. Você não vai—
ai, Júlia, sim, por favor, obrigada!
Porque Você achar que você vai crescer. E porque assim, eu trazendo para minha realidade, né, que é a que eu posso falar sobre, a minha relação com a minha mãe sempre foi maravilhosa. Eu sempre tive muita sorte porque minha mãe, e nesse âmbito isso não foi muito bom para ela, mas ela me teve muito nova, eu não fui planejada, então eu mexi muito na rotina dela, minha existência Atrapalhou muito a vida dela. Só que entre trancos e barrancos ela teve sua rede de apoio e ela construiu também tijolinho por tijolinho a rede de apoio dela, porque ela mudou de cidade muito nova.
E isso, essa proximidade de idade e essa questão da rede de apoio de tijolinho por tijolinho fez com que eu e ela fôssemos muito próximas Então até hoje tem muitas coisas que acontecem comigo que eu falo com outras pessoas, eu não, eu discuto isso com a minha mãe de boa, tranquilo. Nossa, você fala isso com a sua mãe? Nossa, porque normalmente tem uma idade, uma separação maior de idade geralmente, né? Mas a minha mãe, por conta da cabeça dela, de toda essa criação, de toda essa questão de me ter nova, de ter a rede de apoio, ter que correr atrás de uma rede de apoio porque ela não tinha, ela morava longe da família, ela ainda mora longe da família, ela consegue se colocar muito no meu lugar e vice-versa, né?
É muito bonito pensar isso, que mesmo eu crescendo, eu me tô— porque a gente cresce, a gente se torna uma pessoa, uma versão diferente nossa, né? A gente vai descobrindo cada vez mais coisas sobre nós, sobre nossas preferências e tudo. E ter cada mudança que ocorreu comigo sendo acolhida aos pouquinhos também pela minha mãe e por mim até, porque a gente também aprende a acolher os nossos novos pedaços, né, nossas novas características.
É muito bonito pensar nisso, que é uma aproximação gradual, lenta, mas constante.
Eu tive uma experiência um pouco diferente com a tua. Eu consegui, eu tenho uma expressão que eu uso com uma certa recorrência, eu vou usar para definir alguns pontos da minha relação com minha mãe, que é: em alguns momentos a minha relação com minha mãe era um cabaré flamejante, porque Porque a gente, principalmente da adolescência, jovem, adulto, isso foi bem difícil, bem difícil, porque que nem eu disse, né, eu era muito diferente, era muito diferente das expectativas, eu era muito diferente do esperado, era muito diferente do que ela conseguia entender e que não fui diagnosticada no tempo hábil como autista, né?
Eu sou autista com diagnóstico tardio. Então ela foi incrível no sentido de ela é aquela coisa meio diferenciada nesta criança, vou levá-la para terapia. Então nisso ela foi minha rede de apoio, conseguiu ser minha rede de apoio na questão dos acessos que ela pôde me prover. Meu pai, só que na questão emocional ela não sempre conseguia fazer essa ponte, né? A gente não conseguia se comunicar tão bem porque nem sempre ela conseguia ter uma rede de apoio, nem sempre ela conseguia ter tido esse lugar, né?
Tanto é que em alguns momentos já da minha adolescência, aí eu eu ocupei esse lugar de ouvinte, só que eu era filha, né? Então acabava ficando um negócio meio difícil, né?
Quase uma simbiose ali.
Era meio conflitante e tal, só que hoje em dia sou adulta, consegui entender muita coisa, a gente não mora na mesma casa, Então dá para dar uns passinhos atrás, olhar um pouco de fora e entender de outro ponto de vista, né? Então a relação da gente melhorou assim 250%.
E usando esse gancho, Gabi, da questão de você morar numa casa, sua mãe morar em outra, Permita minha pergunta, já para usar a sua relação com a sua mãe de exemplo, mas e na questão pandemia, como foi? Porque vocês continuam com a relação, pois mãe e filha, né? Mas como foi esse momento da pandemia? Afastou? Você acha que teve algum impacto?
Entre a gente, em relação, na relação de vocês? Não, foi um momento difícil.
Você diz a relação de mãe e filha ou você diz relacionamento?
Não, não, a relação mãe e filha como rede de apoio ali, é a dela. Só porque ela falou que às vezes tem uma questão de passos para trás e Porque na pandemia a gente não podia, principalmente tratando-se do fato da gente tá falando uma geração atrás, tem toda a questão de não poder se aproximar tanto deles, né, na época da pandemia, porque a gente podia, principalmente a gente que atende pessoas no trabalho, eu e Gabi no caso, e Lucinha também, que a gente não pode visitar nossa rede de apoio ou não pode ser a rede de apoio porque nós somos pessoas que temos que considerar que somos contaminadas.
Sim, meus pais, eles puderam contar no caso com meu irmão, né, que mora com eles ainda. Tem um irmão mais novo e ele que ficou dando esse suporte presencial. No caso, eu ficava ligando, checando, eles mandavam mensagem Assim, a gente ia se falando e foi muito difícil porque além de todo cenário de pandemia, da preocupação com eles, meus pais são diabéticos, hipertensos, o combo todinho do negócio, apesar deles serem relativamente jovens e tudo mais assim. E tinha a questão também que, além de tudo, eu me divorciei, né, na pandemia.
Mas é um momento em que você precisa de uma rede de apoio ali.
Fiquei sozinha. E eu tive acesso à minha rede de apoio como dava na época, né, porque quando eu me divorciei já tava flexibilizando também. Como era de saúde, eu já tinha tomado algumas, talvez 12 já, vacinas. Assim que abriu para a idade deles, eu comecei a pentelhar fortemente, porque eu sou esse tipo de filha, eu encho o saco, eu sou muito boa nisso.
Parabéns!
É, nossa, sou sim muito boa em encher o saco nisso.
Aliás, é quase uma inversão, é uma inversão, é uma inversão. No meu caso, né, meus pais foram tomar vacina, tipo, abriu, eles estavam lá para se cadastrar, para tomar. E assim, quando foi a minha vez de tomar vacina, eu já não morava com eles. E era, já abriu para sua idade, já foi tomar, já abriu para sua idade, já foi tomar. E tipo, todo dia eu olhava, porque eu acho que eu nunca desejei tanto uma vacina na minha vida. Nossa, sim, cara.
Ah, vai abrir tal dia, tal hora. Eu tava tipo dando F5 assim, né? Ctrl+F5, abra. Ctrl+F5, abra. Me cadastrei assim que eu pude.
Eu lembro que teve um momento muito, muito, muito, muito pesado. Eu não sei se Fernanda vai lembrar, mas ainda não tinha batido o martelo 100% que não podia sair de jeito nenhum. Mas a gente que acompanha a internet acompanha as coisas meio em tempo real e até um pouquinho adiantado, né?
Sim.
E aí eu tava meio, eu não sei o que que aconteceu, que eu tava meio mal. E Fernanda passou lá em casa, só que a gente não se abraçou, que a gente sempre se abraça.
Eu lembro, eu lembro.
Nossa, aquilo foi muito difícil, vontade de chorar da gota. Nossa, foi muito ruim.
E aí é uma coisa que faz falta, né, um contato que a gente já tinha, o constante do contato ali.
E eu não sou, e vocês que convivem comigo pessoalmente, vocês sabem que eu não sou muito touchscreen, né? Eu sou, ou seja, precisa de todo contato que você conseguisse dar, né, amiga?
Porque é lembrar de Aragorn, né? Ele tem um espaço dele, ele tem um espaço do coletivo. A gente tem que passar um momento.
Por isso que Gabi é tão amada por nós. Porque Gabi é nosso Aragorn.
Olha aí! Mas é uma coisa que tipo faz, mas é a coisa de, o meu caso é o que se espera, né? Eu sei que foi completamente o contrário, foi exatamente a mesma história de Gabi no país inteiro, dos filhos tendo que ser os pais dos pais, né? Mas o meu caso é o que você espera, tipo seu pai ser seu pai, ser responsável por si mesmo, seu pai, sua mãe, né? No caso, pai, como nosso horrível idioma aqui não tem um gênero neutro para as coisas.
Mas ele responsável por si, e ainda que os filhos não precisem, é preocupado, né? Não era aquela coisa de tipo, vá tomar a vacina, sua desgraçada irresponsável, não sei o quê. É tipo, e aí, já foi? Já abriu? Tipo, posso me tranquilizar? Calmar um pouquinho o coração.
Talvez seja um outro recorte também, porque tanto eu, Gabi, e talvez Lucinha possa falar sobre, a gente tem o adicional profissional de saúde. Eu não sei o que que rola na cabeça nossa, mas assim, vou falar generalizando, tá, gente? Vocês me corrijam qualquer coisa, mas parece que a gente sai, parece que a gente entra na faculdade já, não é nem sair da faculdade, a gente tá na faculdade e a gente já fica tenho que cuidar de todo mundo e eu sou a última pessoa a ser cuidada.
Vocês percebem na faculdade, porque é o que eu vejo com outras famílias, que as pessoas são advogadas, gravadoras, professoras de história da arte, porque tem alguma coisa. E aí eu queria trazer para esse coisa que a gente tá falando da rede de apoio, porque é um processo que em algum momento na relação pai-filho a coisa se inverteu e o filho teve que ser o pai do pai. E essa rede de apoio ela vira completamente, né? Que os nossos pais, uma vez que precisem disso, vão deixar de ser rede de apoio para gente, né, de outras formas e tal.
Existem várias formas que as pessoas nos apoiam, mas é uma coisa que dá uma catapulta muito louca assim, eu imagino, na vida de alguém.
Sim, é muito, é muito doido pensar quando você começa já até financeiramente a ser a rede de apoio dos seus pais. É uma coisa muito maluca porque você tinha uma outra constante, né? Você tinha uma outra ideia, você teve um momento ali de, ah, morei sozinho, tive uma liberdade financeira, eles estavam lá, eu tava aqui. E daí você tem uma inversão a ponto de, beleza, agora eu vou cuidar de você, vou ver às vezes um cuidador, vou ver a minha avó tá chegando nesse ponto e eu tô vendo os filhos que antes tinham tudo tranquilo, que só passava lá para cuidar, é para dar um alô, para, ah, mãe, eu ainda existo, viu, tô vivo.
E sabe, temos de tudo, são muitos filhos, então temos todas as opções para ser uma situação de quem vai ficar com ela essa semana porque ela não consegue mais sozinha. Então, e tá sendo um jogo de cadeiras ali muito doido. Eles estão aprendendo a lidar com isso porque nunca tiveram homens, nunca tiveram que cuidar de ninguém significativamente, e agora estão aprendendo a lidar com uma responsabilidade que para eles é tão fora da casinha, que é a própria mãe. Eu quero fazer um Você pode fazer o que você quiser, Gabi.
Eu quero fazer um adendo muito, um adendo fofo para o meu primo, o Danilo. Mandar um beijo, Danilo.
Beijo, Danilo.
Um beijo, Danilo.
Mandemos todos beijos para Danilo, porque a gente tem muito realmente essa cultura das mulheres serem as cuidadoras, né? Das pessoas, principalmente de idosos e de pessoas doentes e de pessoas que estejam machucadas. E o Danilo, ele é muito responsável por boa parte dos cuidados, não só ele, tá, mas ele é bem presente, né, nos cuidados do meu avô atualmente. Então é a ponta assim dele, o pobre, né, já ter virado amigo do povo do hospital.
Deu algumas vezes que meu avô caiu, porque meu avô só cai, tá? Ele é, ele tem uma saúde que faz mal para ele a certo ponto, tá?
Ele é o idoso aranha, porque tem uma musiquinha, você já ouviu do idoso aranha? É muito bom, depois eu te mando. É exatamente isso, é o idoso que é saudável, mas aí ele vai Ele é saudável e portanto ele vai arrumando coisas para fazer que ele vai se machucar, porque ele é saudável, então ele consegue fazer aquelas coisas. Só que daí a gente fala que o adulto já se machucaria, aí o idoso machuca mais ainda porque é idoso.
É bem por aí, né? Assim, para não dizer que o bicho é full zerado, ele tem diabetes, essas coisas, mas é isso, coisas controláveis. Ele tem 90 e 3 anos, eu acho, se eu não tiver calculando errado, mas enfim. E aí é incomum, né? E boa parte do pessoal da minha família meio que pegou um pouco desse rolê do cuidado, uns mais, outros menos. Tem muito profissional de saúde na minha família, então é aquela coisa, É uma família meio conservadora, mas não muito, porque é meio esquisito, sempre teve num limiar meio diferenciado, né, de entender.
Mas eu queria mandar esse cheiro porque realmente é uma pessoa que tá sendo bem presente nesses últimos anos, né, para as pessoas. E precisam de mais cuidados.
Eu vou só fechar essa parte da pandemia com uma frase que também a Gabi colocou como ideia-chave, que eu achei muito bonita, que é: talvez a gente não tenha perdido a habilidade de fazer amigos, mas sim os lugares onde fazer amigos acontecia. Que eu achei a definição perfeita, porque foi minha cabeça, né, funcionando de maneiras misteriosas, mas é como quando um neurônio morre, os outros neurônios fazem outro caminho, aprendem a fazer outro caminho para chegar naquele mesmo ponto.
Então a gente tá reaprendendo a ter caminhos para ter conexões, para construir nossos tijolinhos aos poucos e estabelecer conexões duradouras e redes de apoio. Achei muito, muito bonito.
Ah, com certeza. Sabe uma coisa que eu me toquei agora? A gente não teve um período em que a gente tivesse uma liberação para dizer, beleza, encerrou a pandemia e enfim, a gente pode viver essa merda. Só que há 100 anos atrás, mais ou menos, né, nos anos 1920, teve a gripe espanhola, que foi horrorosa. E os métodos que se tinha: isolamento, ficar em casa. Nossa, quem diria! E os jovens passaram por essas coisas de tipo privação do toque físico.
E eles começaram, quando, quando tipo puderam considerar que não era mais um amigo, eles começaram a promover a festa do abraço. A gente passou tão, tipo, foi tão sofrido para gente, tão arrastado. E a forma como a gente veio para cá, para esse estado assim que tipo nem existe oficialmente alguma coisa que diga, olha, acabou a pandemia de COVID, que a gente não teve a festa do abraço. Eu acho que isso fez falta para todos nós.
Mas eu acho que isso pode puxar o gancho com a existência das redes sociais também, porque a gente tá se isolando desde antes do isolamento, a gente tá cada vez mais se distanciando, sabe? A rede social ela tá fazendo com que a gente tenha a impressão de que está criando conexões e a gente não tá.
Aquele, aí tá puxando conexão com pessoas que não estão presentes e deixando deixando de lado as que estão presentes, né?
Exato.
Porque a rede social era para ser uma ponte, né? Para, por exemplo, pessoas que estão longe ou que você não tem tanto contato. Mas às vezes a pessoa tá ali do lado e você não consegue ter um tempo, né? E tem muito, eu noto que é muito assim, às vezes É tão performático as coisas. Eu noto que algumas coisas ficaram muito performáticas, principalmente com o advento das redes sociais, né, de tudo virar muito instagramável. E, ah não, a gente tem que fazer alguma coisa que seja um café e que a gente vai se reunir para jogos ou para alguma coisa, quando na realidade às vezes a gente pode se reunir para não fazer nada.
Outro dia desse, Fernanda disse, ai, vou parar aí na tua casa voltando do trabalho para a gente fazer nada. E foi exatamente isso que a gente fez, nada. A gente botou, eu fui para reclamar.
Reclamação e fofoca edificam relacionamento.
Ela foi reclamar, eu tava me recuperando do— porque assim, eu sou absolutamente, totalmente apaixonada pelo meu trabalho, e eu digo isso com plena confiança, tá? Só que eu gasto muito da minha energia trabalhando com ser humaninhos. Então eu tava sem um neurônio funcional nesse dia. Então ela ficou lá lindamente reclamando de várias coisas. E eu sendo essa pessoa lindamente com meu neurônio. E foi ótimo, porque eu podia, eu tava no espaço que eu podia ter meio neurônio e não ser interpretada como uma pessoa que não tava prestando atenção. E ela podia reclamar à vontade que eu não ia interromper ela em segundo nenhum.
Depois a gente ficou fazendo várias jantadas com os gatos, foi maravilhoso.
Assim que é bom.
Monroe, né, transformando em gorrão o bichinho, sempre gorrão.
Mas só para encerrar essa questão das redes sociais, da amizade, e até sobre algo performático também, acho que também dá para entrar nisso. E quando a gente se isola socialmente a ponto, Gabi, isso não diz respeito a nós de jeito maneira, tá bom? Pelo amor de Deus, vou fazer o adendo. E quando a gente se isola a ponto da nossa conexão, da única conexão que a gente achar que é verdadeira, vir de um IA e de um ChatGPT e de um otome game e de um personagem fictício? Então eu acho que digo para você no sentido da psicologia, tá? Perdão, foi mal.
Não, tudo bem, eu não me sinto ofendida, tá? Eu acho que o Delulu e Solulu tem seu lugar na vida da pessoa, tá? O chat ou personagem ou aquele momento de imaginação do lúdico, ele tem o seu lugar de acompanhar, de ter o lugar do lúdico, de você botar para jogo, treinar algumas conversas difíceis, treinar habilidades difíceis. Por exemplo, eu treino o tempo todo na minha cabeça várias conversas porque eu sou uma pessoa extremamente socialmente ansiosa.
Eu tenho uma coisa social para fazer na sexta e eu estou nervosa hoje, que é segunda. Na verdade, eu tô nervosa desde a semana passada. E é isso, minha vida, tá, gente? Mas basicamente 40 anos disso. Então vai ter esse lugar de poder ser uma ferramenta, só que não substitui, não substitui a conexão humana, não substitui a outra pessoa que vai estar lá. Só que tem a questão de que É um ambiente que vai ser gerado artificialmente e vai estar tudo muito perfeitinho, tudo muito legal, tudo muito dentro de um espaço controlado.
E a humanidade, ela não é controlada, ela requer vulnerabilidade, ela requer abertura, ela requer o medo de você— sim, você pode ser julgado. Eu não vou conseguir garantir para nenhuma pessoa que me procure que ela nunca vai ser julgada. Eu não vou conseguir garantir para nenhuma pessoa que ela nunca vai ser rejeitada. Eu não vou conseguir garantir para nenhuma pessoa que me procure que ela nunca vai ter o coração partido por ninguém.
Eu não vou conseguir garantir que todas as amizades vão dar certo e que vão durar para sempre. Eu não consigo garantir nada disso porque somos todos seres humanos. Então a gente vai ter uma variabilidade enorme de expressões emocionais e de jeitos e de personalidades, e isso não cabe dentro de uma programação restrita, né? Então, só que o que a gente busca nesses lugares é o que a gente— não é diferente do que a gente estaria buscando na vida real, não é diferente do que a gente estaria buscando aqui com outras pessoas.
O que a gente busca aqui, o que a gente tá fazendo, que é conexão, né? Então é Isso é pertencimento, conforto. Então assim, sendo uma ponte para você chegar lá, tudo bem, faz sentido, ajuda. Às vezes você precisa daquele conforto. Às vezes eu até brinco com você, né? Diz, ai não, hoje dá não, hoje a vida real tá real demais. Vou me desligar um pouquinho, vou ali abraçar o Silas e já volto. Sim, e é, eu vou mexendo comigo do Silas, tá?
Sim, a gente tem nossos escapismos, mas ele não pode tornar, se tornar realidade, né?
Porque a gente não pode transformar a ficção em realidade, porque não é aquela coisa assim, não é que a gente não pode tornar, a questão é, ela se torna Não, ela ocupa esse lugar porque assim, a gente tá realmente preenchendo isso que tá faltando ou a gente tá, não sei, de repente buscando outra coisa?
Porque, por exemplo, eu tenho uma coisa que não é ali, né, fantasiando uma coisa que não existe.
Exato. E assim, Eu conheço pessoas que jogam, por exemplo, Love in Deep Space, Otome Games, haha, não vou dizer quem, né, que tem chatbot de companhia e tem suas relações. Então assim, tem suas relações humanas, então Aquele lugar tá sendo ocupado por algo que ela tá buscando só ali.
Sim, e o nome dela parece muito uma marca do computador, mas qualquer coincidência pode ser.
Ironicamente é uma marca do computador, não é mesmo?
Pois é.
Inclusive, o PC que eu tive que substituir das trevas é Delta. Isso é homenagem.
Eu não vou ressarcir, canso. Sinto muito.
Mas olha, meu PC é Dell, eu tenho ele há o quê?
Deixa eu ver, 14 anos. O meu tinha 10 anos quando ele foi para o céu dos PCs.
Tá vendo, Dell me patrocina.
Patrocina nós, Dell. Eu queria, queria. Patrocina Dell, Dell.
Meu bichinho aqui, 14 aninhos, minha filha.
Respondendo, pode ser uma resposta assim, assim, resumando, né? Pode ser sim uma resposta para esse isolamento, porque uma resposta é o que a gente precisa. Que nem voltando lá para o começo do nosso rolê de hoje, a gente precisa de conexão. Somos bichinhos sociais. E se a gente vai formular um que seja artificial, ou se a gente realmente vai botar a cara no sol e vai se vulnerabilizar e tentar entrar em contato com outras pessoas, mesmo sendo extremamente ansiogênico e assustador às vezes, que nem eu acabei de descrever— eu digo isso de um lugar muito pessoal, tá, gente? Eu não sou uma pessoa sozinha.
Não, eu também não. Eu sou só o cara do—
falando várias histórias aqui, mas é tudo fake. Quando acabar, eu vou me jogar ali no sofá e abraçar um gato.
Sim, eu sou o cara do Um Grande Garoto, que inclusive é um ótimo filme para rede de apoio, que fala: eu não sou uma ilha, eu não sou só uma ilha, eu sou Ibiza. E daí você vira, a pessoa tá em posição fetal de parabéns. Por que será que sou assim? Bem isso.
Mas como a introvertida de estimação de Fernanda há 20 e tantos anos atrás, e estamos aqui até hoje.
Eu descobri que eu sou pirâmide porque eu tava analisando minhas relações. Eu fui adotada por uma pessoa mais extrovertida do que eu. Que sendo eu a introvertida do rolê, e ela tem também a sua pessoa extrovertida que a adotou. Ou seja, um esquema de pirâmide.
Será que eu adotei a Lucinha? Olha aí, talvez.
Eu sou a supervisora da adoção? O que que é isso?
Eu sou o gato misterioso, que elas do nada É você aquela que chega no rolê, a gente não tem dessa cor ainda.
É mais cabideiro.
Vamos para agora o nosso, Lucinha, nós temos agora um relato de Eu Sou o Babaca. Eu vou ler um caso e daí a gente vai discorrer sobre se essa pessoa é um babaca ou não. E é isso, porque a gente também é a rede de apoio uma da outra para poder criticar abertamente. Sempre bom, identifica. Vamos lá. Sou babaca por querer recusar o convite de ser madrinha? Eu, 27 anos. Ah, é, vocês têm que dar um chute antes, né? Vai, só pela pergunta, vocês acham que sim ou não?
Não.
No caso, ela recebeu o convite, certo?
É, mas eu acho que tipo as pessoas têm direito de recusar as coisas e tal, e É só você dar seus motivos e a outra pessoa pode entender e tal, né? É assim que funciona a sociedade humana, a gente conversa e chega em consensos.
Sim, sim. Vamos lá então. Eu, 27 anos, estou noiva e estou planejando meu casamento já tem 2 anos. Minha data escolhida é 10 de julho de 2027. Já tenho quase tudo acertado, estou guardando dinheiro para esse dia e me planejando desde que desde que fiquei noiva. Há um mês atrás, a prima do meu noivo decidiu casar em outubro desse ano. Até aí tudo bem. Eu amo essa frase.
Tem problemas, fica terrível depois.
Até aí já não está tudo bem, mas tudo bem. Só que ela decidiu mudar. Agora vai se casar no dia 22 de junho. No ano que vem, um pouco antes do meu. E ela também escolheu a mesma paleta de cor dos vestidos do que eu e me chamou para ser madrinha dela. Porém, estou magoada. A família do meu noivo não vai conseguir ir nos dois e provavelmente muitos não vão no meu. Também tem a questão do dinheiro. Vou estar terminando de pagar meu casamento, não vou ter dinheiro para dar um presente caro para ela, pagar vestido e salão para me arrumar para o dela. Sou babaca por querer recusar o convite de ser madrinha?
Jamais. Primeiro que tá muito estranho esse negócio, parece que a menina desistiu de tipo— tem uma história que eu ouvi recentemente que eu fiquei achando que era montada, mas era tipo isso, uma prima que tinha inveja da outra e ficava tentando se escalar na vida dela. E existe esse tipo de gente, né? Por mais que a gente não queira lembrar na nossa bolha da felicidade. E é estranho ela desistir de planejar o casamento dela e copiou o da menina para fazer igual.
Não é? Não parece?
Eu acho que ela nem precisava ter um motivo financeiro para não querer ser madrinha de alguém, apesar de que eu acho que esse é um dos principais.
É isso, é um ponto muito importante.
E agora eu tenho o melhor relato para o nosso caso de hoje, para o nosso tema de hoje, porque é sobre uma pessoa que quer negar a ajuda da tal rede de apoio dela.
Eita, carpado da rede de apoio!
Eu, vamos lá.
Eu sou babaca por não concordar em receber ajuda que não pedi?
Ah, depende.
Eu tô tentando entender ainda.
É babaca por não aceitar ajuda que claramente não pedi? Olha, tem um subtítulo. Meu Deus, a pessoa está muito revoltada, cara.
É porque de repente é uma ajuda que deve ajudar Tanto que era melhor começar o fim oferecido.
É. Olá, estou postando outra vez, ou seja, já postou uma vez, pois percebi que as informações ficaram confusas. Antes de tudo, vou explicar um pouco sobre a minha personalidade, meu relacionamento e sobre acordos que fiz com meu namorado para manter a relação saudável, pois infelizmente nós dois temos tendência à toxicidade, senão nos atentarmos.
Eu entendo, é importante reconhecer.
Eu, homem, não, ou perdão, eu, mulher, 23 anos, meu namorado, homem, 26 anos, entramos numa discussão forte hoje. Meu namorado, cujo vou chamar de Artêmis, gente, o hiperfoco em mitologia grega é forte em todo mundo, é uma pessoa maravilhosa. Ele é inteligente, me entende, faz o que pode para me ajudar. E apoiar quando é necessário. Sempre aceito ajuda dele quando eu— e daí tem caps lock— preciso. E quando esta é financeira, reembolso ele o mais rápido que posso, pois não gosto de sentir que estou tirando vantagem dele.
Mas sou assim com as pessoas em geral. Eu tenho borderline, do tipo que se isola e desconta em si mesma quando entra em surto psicótico. No momento não estou medicada. Sou transparente e direta, tão direta que eu peço licença para as pessoas quando quero soltar pum, e tão transparente que quando elas perguntam o porquê disso, digo a elas que é porque eu vou soltar um pumzinho. Meu Deus! Tenho TDAH, o que acaba aumentando a minha irritabilidade e dificuldade em lidar com questões relações sociais e lidar com esse tipo de situação. Tenho TAG mista com transtorno de síndrome do pânico.
Meu namorado é um DSM completo.
Meu Deus, eu gostei muito da explicação do pum dela.
Meu namorado faz uma reavaliação. Será que não tem algo que explique melhor os sintomas?
Pois é, seja mais completo talvez, né? Sim, meu namorado sabe das minhas limitações, sabe da minha transparência e sabe que sou direta e que para entender bem as coisas preciso que elas sejam detalhadas. Isso também reflete na comunicação. Há um tempo atrás, ele e eu tivemos um mal-entendido muito grande. Eu errei feio com ele e porque queria me atingir, ele contou segredos íntimos meus para minha mãe, para a família dele. Ele estava com raiva e queria descontar isso em mim.
Ok, perdi a confiança nele por um tempo e me senti invadida. Conversamos, ele se desculpou e se arrependeu profundamente. Eu claramente perdoei, pois já tive relacionamentos que a pessoa nem se desculpava comigo quando errava. Valorizo ele e para mim ele é como o sol. Muitas vezes ele é aconchegante, me ajuda a fazer fotossíntese, me faz florescer com sua— e valorizo meu lado bom. Mas às vezes ele simplesmente me aquece tanto com sua insistência em me proteger de cuidar de mim, que me faz queimar.
Eu murcho, ele reconhece isso e emite ondas de calor mais generosas. Eu peço um pouco de espaço a ele às vezes para poder me recuperar. Acontece que ontem— ela colocou a data do dia, pois é, mas tudo bem— estava eu estudando e me preparando para vagas de emprego, pois estou no momento de vulnerabilidade financeira e pela primeira vez estou tendo contato com o mercado de trabalho. E isso mexe muito com meu borderline em escalas gigantescas.
Achei umas 6 horas enviando currículo, melhorando perfil nos aplicativos feitos para vaga de emprego. Ele notou minha ausência, ficou chateado porque sentiu que eu não estava dando a devida atenção a ele, mesmo nesse meio tempo tendo conversado com ele minimamente, somando umas 3 horas no dia. No meio de nossa relação, ele me ensinou a amar um pouco mais a vida e me amar um pouco mais, a ponto de despertar vontade de voltar a ter interesse pelo mundo acadêmico e me fez querer ingressar no mercado de trabalho novamente.
Expliquei isso a ele, ele foi compreensivo comigo, mesmo sabendo que estar me dedicando tanto nos últimos dias a encontrar um emprego e a me especializar tem me deixado esgotada e deprimida pela inconsistência que as empresas têm de responder as inscrições. Eu também me irrito com isso, moço. Desabafo com ele a respeito de como anda me sentindo. Digo a ele que ultimamente me sinto miserável, deprimida por conta dessas coisas. Falo sobre o fato de não ter dinheiro nem para comprar uma tapioca e satirizo isso, como faria a Dona Irã Barbosa.
Ela citou a Dona Irã Barbosa mesmo. Ele me aconselha, eu aceito os conselhos e chegamos à conclusão de que eu deveria dormir um pouco, porque as últimas semanas sem tenham dormido pouco, até porque as últimas semanas tenham dormido pouco e usado a técnica Pomodoro em pequenos intervalos de tempo. Jesus, pessoas ouvintes, a técnica Pomodoro ela não é indicada. Eu já ouvi falar disso, pelo amor de Deus, não. Abra o WhatsApp e lá tem uma mensagem repentina dele: amor, te mandei X valor no Pix, espero que não gaste com mapas mentais.
Leio aquilo e fico confusa. Questiono o que ele queria com isso e ele disse que quer ajudar. Até então agradeço ajuda e digo que devolvo assim que possível. Mal termino de digitar, ele simplesmente, de forma repentina, diz que minha cunhada e meu cunhado iriam me dar uma cesta básica. Fico confusa e questiono a situação. Ele, de forma corriqueira, responde que no momento de fragilidade, de estar se sentindo sobrecarregado com meus relatos e sátiras infelizes, resolveu desabafar com a minha sogra, e que devido a isso meu cunhado e cunhada viriam trazer a cesta aqui na minha casa, mesmo ele sabendo que não estava bem.
E ele me conhece, sabe que quando eu estou bem eu não tenho forças para levantar da cama, quem dirá limpar e organizar a casa. Isso me irritou e me fez ser um pouco ríspida, porque quando questiono o motivo dele ter falado sobre algo pessoal meu que confiei a ele, a resposta do bonito é que estou sendo inflexível e paranoica quanto à situação. Peço para ele educadamente, embora muito irritada, que não venha para minha casa porque ela tá bagunçada.
Ele responde que se ele não puderia, mandaria apenas meu cunhado e cunhada. Eu entro em desespero e começo a desrealizar e despersonalizar sintomas de psicose e peço para ele conversar com meu cunhado explicando que não há necessidade de me darem a cesta. Observe, não estou passando necessidade, Na verdade, estava apenas desabafando sobre me sentir miserável, sobre não comprar uma tapioquinha ou uma linguicinha no dia anterior.
Triste vida. Vou dar uma resumida porque é muito grande. Ela não quer uma cesta básica de jeito nenhum, ela não quer o cunhado, e ela quer na casa dela, e ela quer de fato devolver o Pix que foi feito porque ela está muito chateada com a situação. Uns 20 minutos depois de falar com a minha cunhada, ele continuava me ignorando porque ela ligou para a cunhada dele, ela ligou para a cunhada dela agradecendo, mas falando que não precisava porque ela não estava bem no dia para recebê-los.
Ele ficou chateado porque ela falou isso para a cunhada. Então ela decidiu fechar os olhos e fazer exercícios de respiração para não entrar em surto psicótico, embora já estivesse com os primeiros primeiros sintomas de que quando, de quando entro em surto. Ele simplesmente me liga, diz que tá chamando há um tempo na porta, que tá com meu cunhado na porta e que meu cunhado queria conversar comigo. Eu me senti pressionada na situação, decido respeitar meus limites e entro em contato no WhatsApp com meu cunhado para que ele possa se retirar devido ao momento de sensibilidade que me encontro.
Agradeço as intenções e o tempo dele vindo me ver e tentar me dar algum tipo de conselho ou apoio, e peço para ele compreender meus limites. Ele resolve não responder nem visualizar. Meu namorado fica na porta insistindo que eu abra e me fazendo leves pressões psicológicas. Eu mando áudio para ele falando da minha situação e pedindo para ele parar de forçar. Ele se sente triste, irritado, decidir ir embora. Depois disso, mandei mensagens para minha cunhada e meu cunhado esclarecendo melhor a situação.
Logo depois de ter feito o post anterior, porque entendi que na perspectiva de 63% das pessoas que votaram não, eu sou a babaca. Acredito que possa ser a babaca por não receber ajuda, por não saber receber ajuda, e com isso ser ríspida com meu namorado, embora tenha tido meus motivos para ter agido assim. Não que isso justifique. Acredito que meu namorado também é um babaca, por parte, pela parte de que ele simplesmente sabia que isso poderia me dar gatilhos e quis forçar a situação mesmo assim.
O que vocês acham agora? Espero que com esse textão tenha ficado claro. Então, repetindo a pergunta: eu sou babaca por não concordar em receber ajuda que não pedi?
Eu acho que esse namorado é um manipulador do caralho.
Sim, certo.
E que ela tem que se livrar dele o mais rápido possível.
E é isso.
O bicho é um filho da puta que tá se aproveitando dela, tá querendo colocar ela numa situação que ela fique devendo a ele.
Eu gosto muito da gente pensar assim: você querer ajudar uma pessoa é legal, é importante. Receber ajuda não é fácil, tá? As pessoas já: você não sabe receber ajuda. Não é fácil, gente. Nem todo mundo teve esse aprendizado ao longo da vida. Receber ajuda não é fácil, pedir ajuda menos ainda. Tem gente que não tem nem vocabulário para isso. Só que se você quer prestar ajuda para uma pessoa, é muito importante, principalmente se for rede de apoio dessa pessoa, tá?
Pensa no que é importante para essa pessoa, pensa nos limites dela, pensa no que você conhece dessa pessoa, tá? Porque se você quer ajudar alguém, você tá partindo do que você pode oferecer, claro, e da perspectiva do que aquela pessoa precisa, não do que você precisa. Senão não vira sobre ajuda, vira sobre você. E aí, até que ponto tá ajudando, sabe? Então é importante que você dê esse espaço, sabe? Eu sei que às vezes a gente a gente fica meio desestabilizado junto, né?
Ver um parceiro numa situação difícil e tal. Mas é aquela coisa que eu falei lá no início, né? Você tem a opção de ser a pessoa que vai ajudar a corregular ou desregular junto. Sim, não é fácil.
Não tô dizendo que seja a regra do Tipo, nunca entre em pânico.
Não sei se é possível nunca entrar em pânico, tá? Mas assim, não é um bom, é bem dick move você cobrar porque a pessoa não aceitou ajuda, tá? Eu sei que nunca entrar em pânico pode não ser opção, mas a opção de cobrar por não ter aceitado ajuda também eu acho que não Não vai por aí não.
Acho que a pessoa pode oferecer ajuda, mas saiba que ajuda pode ser aceita ou não. Sim, é um ofereço que você tá oferecendo, que você é Deus e a pessoa tem obrigação de aceitar essa super oferenda linda, maravilhosa que você tá fazendo.
E é engraçado porque, partindo da perspectiva de Deus, né, existe um negócio muito doido que as pessoas às vezes esquecem, que chamada livre-arbítrio, né? Então é doido isso, né?
Para encerrar a votação, que eu tenho sempre uma votação, né, no Reddit, de que ela é a babaca, tá em maioria.
Ah não, pelo amor de Deus! É por isso que as pessoas caem nas trouxices do povo, sabe?
Sim.
Que vocês, a grande maioria acha que ela é babaca.
Então eu me pergunto se não rola um pouco também assim da questão do machismo, tá, que é um ponto de vista de uma mulher falando, então a dor feminina é muito subestimada, e um pouco de psicofobia, tá, porque as pessoas que têm bordo, elas principalmente, elas ainda experimentam muita muito estigma nesse sentido. E ah não, porque tá exagerando, porque estão sendo babacas, ou porque veja que ela tem muitos problemas além do borderline.
E tipo, eu não tenho border, mas se uma pessoa vem na minha casa sem ser convidada, eu jogo um gato nela.
Sim, coitado do gato, né?
Não, não jogo o gato Joga um balde de água na pessoa. Pronto, pronto, melhorou, né? É porque a ideia de Nori atacando uma pessoa me diverte muito, mas realmente jogar o gato não tem nada a ver.
Coitado, mas eu acho que Nori gostaria, visse?
Nori ia se divertir muito, pô. Nori ia sair leve, ela ia sair leve, ela ia concordar comigo. Ela não gosta de gente aqui também. Sim, sabe? Ela precisa de uma notificação de pelo menos 12 horas de antecedência para alguém pisar na casa dela. Isso é regra de Nori, não é minha, tá? Eu tô só dizendo, só tô transmitindo.
Claro, com certeza.
Não sou eu.
Eu acho que a gente pode encerrar falando que a gente disse sobre as redes de apoio e Acho que uma ideia muito bacana é que a gente tem que sempre tratar como se fossem plantinhas nossas redes de apoio. Elas precisam de atenção. Nós somos rede de apoio, assim como a rede de apoio é nossa. É uma via de mão dupla, para não ficar repetindo 500 mil vezes apoio aqui. Então tratemos como plantinhas, vamos adubar nossas relações, vamos regar as nossas relações e vamos respeitar o espaço que eles precisam também para tomar cada um um pouquinho de sol.
Sim, porque afinal de contas tem planta que não gosta de sol, então ela só pode ver só um pouquinho. Tem planta que não gosta de tanta água, tem planta que precisa que você afogue ela, e tem planta que precisa que você ignore por 3 meses. Mas tem planta que se você não for lá todo dia ela morre. Então é isso.
Então já temos a mesma coisa.
Exatamente.
É isso, é por aí mesmo. E eu acho que esse foi o Arcano Pop de jardinagem de hoje. Aqui temos cultura pop, psicologia, jardinagem, trabalhamos com de tudo um pouco. E eu acho que é interessante a gente falar que esse próprio projeto ele surge um pouco de uma rede de apoio nossa, né? Nenhuma meio que puxando a outra para não, vamos falar, a gente sabe falar disso. Não, você é ótima falar disso. Não, você é muito boa com isso. Porque assim, cada um tem seus momentos de altos e baixos, cada um tem seus momentos de, ai, não sei falar disso, ah, não quero fazer isso.
Fernanda mesmo ontem tava dizendo Deixa de ser louca, não precisa estudar tanta coisa para falar de um negócio que você já sabe.
Gente, eu disse tão bonito, eu escrevi tantas palavras, muito inspirada por Tolkien.
Pois é, mas resumiu a isso.
Resume: para de ser louca.
E daí, como nossa despedida, eu queria propor que cada uma sugerisse um filme, uma série ou um livro, enfim, uma Nossa, não, uma mídia que te emocionou por mostrar uma pessoa sendo amparada pela rede de apoio dela, que um filme que te tocou, um livro, enfim. Deu para entender o que eu pedi?
Sim, sugestões.
Tá, vocês querem que eu comece então como exemplo? Tá bom, tá bom.
Ainda bem que eu sou a última, porque eu tenho mais tempo.
Eu vou sugerir Divinos Segredos, que em inglês é Os Divinos Segredos da Irmandade da Iaia, e é um filme incrível em que uma rede de apoio de mulheres é construída de mulheres para mulheres mostra toda a sua, o porquê da sua existência no melhor, na melhor das situações. E não, elas não fazem milagre, porque uma rede de apoio nunca vai fazer milagre, mas elas estão ali presentes. E é muito emocionante ver quando você pode, quando você pode ter a segurança de se sensibilizar e de colapsar com quem você confia, quando você realmente pode se abrir e se permitir ser fraca um momento.
Principalmente pra gente que sempre tá crescendo e lidando com muitas situações em que a gente tem que ser forte o tempo todo pra não cair em nenhum problema, pra não ser vítima de nada. É muito reconfortante assistir esse filme. Tá aí, certo.
Eu vou então indicar dois quadrinhos, voltando às minhas raízes, né? Pois é, o primeiro é Bordados, de Marjane Satrapi. Foi um quadrinho que a primeira vez que eu li eu não dei muita trela para ele, e é a segunda vez que eu li, tipo um ano depois, tal, alguma coisa, ou menos, sei lá, alguma coisa pegou em mim. E a Marjane basicamente vai contar como é que as mulheres da família dela no Irã se reuniam para tomar chá, porque tinha refeição coletiva com os homens e depois tinha o chá.
Os homens iam tomar a bebida deles numa sala, as mulheres ficavam na outra, e isso criava um laço assim num país que, imagine, né, absolutamente devastado pelo golpe. E vai mostrar que ela é uma personagem em Persépolis, absolutamente sozinha, né, porque ela vai ser uma imigrante para, basicamente, para se salvar do regime. Assim, ela faleceu inclusive esse ano recentemente, uma grande perda para a gente. Ela morreu inclusive jovem.
E eu acho que é um quadrinho muito emocionante, que ele vai falar dessa relação das mulheres, da família como uma rede de apoio, até nessa questão assim de que às vezes eu sei que não é, tem família que não dá para a gente considerar grande coisa, né, porque enfim são pessoas realmente que não merecem isso, mas em geral muitas famílias têm aquelas pessoas que a gente não se dá tão bem assim, tem um certo atrito, mas que ainda assim elas vão lhe proteger e vão lhe acolher numa situação de necessidade que você tenha.
E outro é um infantil que é Lassos, da série da Turma da Mônica, né, daquela graphic MSP.
Eu acho incrível, maravilhoso.
Eu acho a arte linda. Eu esqueci quem é que faz, mas eu tenho aqui, eu vou dar uma olhadinha. E vai contar a história da da Turma da Mônica sendo separada, né? Porque uma pessoa vai morar noutro bairro, muda de escola e tal. Eu teria que reler, mas vai contar como, de uma forma pré-redes sociais, né? A Turma da Mônica, ela não vai considerar essa nossa revolução tecnológica, como a turminha continua. E a Turma da Mônica entre tapas e beijos, eles são uma rede de apoio formadora de todos nós, eu acho.
A arte é da Luca Faggi, é dos irmãos Vitor e Luca Faggi. A arte dela é maravilhosa, eu acho muito linda.
É bonita mesmo. Eu não sei se eu vi já algum outro trabalho, mas em Laços é, nossa senhora. Vai, Gabi.
Eu vou para anime, mangá. E se Lucinha está em Frozen Panic porque não está conseguindo pensar em um, eu estou em Frozen Panic porque eu não consigo pensar em apenas um. Então eu vou escolher o primeiro que vem à mente ou mais recente. Eu vou, eu vou, você indicou um, ela indicou dois, eu vou indicar três.
Não, Lucinha indica um e o Pequeno Dragão, se quiser, indica outro.
Pronto.
É, o Pequeno Dragão tá dormindo.
Não, mas aí você pode indicar uma coisa que ela assiste, que ela gostou muito, o que você gostou muito.
Um que eu vou indicar, ele é bem mais ou menos antigo, mas nunca realmente foi embora, é Nana, que são a história de duas meninas com o mesmo nome e que elas se conhecem muito por acaso e formam uma rede de apoio. Eu acho muito interessante porque primeiro vai mostrar justamente aquela coisa de que a rede de apoio não precisa ser perfeita, não precisa ter uma estrutura muito muito certinha, e que ela não salva de tudo, mas ela certamente ajuda em muitos perrengues, né?
Ela passa umas raivazinhas com algumas coisas, assim, morre de chorar com outras, mas é uma indicação que eu faria. Outra é Freirem, é mais recente, porque É uma jornada dentro de uma jornada, de uma rejornada, né? Então ela teve aquela primeira rede de apoio, aquele primeiro contato com a humanidade, é primeiro contato com sair daquele espaço pequeno de bolha que ela vivia, meio que no isolamento. Teve toda a jornada e depois foi, tem o período de luto dela e decide reviver a jornada formando uma nova rede de apoio e sendo uma rede de apoio também, né, de certa forma.
Então a gente vê meio que você vai vendo o paralelo dessas duas aventuras, mas cada uma com suas próprias características, né. E você vê que os companheiros da primeira aventura dela eventualmente formaram as próprias redes de apoio também, tiveram seus discípulos e tudo mais. E o outro é Witch Hat Ateliê, que a gente tá levemente obcecada, bastante obcecada, né, que além de falar dessa rede de apoio, desse acolhimento, tem muita diversidade, fala de um jeito muito sutil, mas ao mesmo tempo muito direto de temas como capacitismo, tem representatividade LGBT, tem falar sobre temas como pertencimento, que lugar você tá ocupando, como é que é ser uma pessoa que tava fora desse círculo e de repente ser inserida da maneira mais traumática possível e aos poucos ir achando o seu terreno, que tinham pessoas ali que estavam dispostas a te acolher, né?
E você vai vencendo os desafios porque tem alguém que é tua rede, tem alguém para te segurar se você cair. Então acho que o It Hacked Até, ele para essa temporada e como mangá, ele é muito rico nesse sentido, além de ter um estilo maravilhoso tanto de animação quanto a arte do mangá. Incríveis.
E tudo com uma sensibilidade que assim, cara, não dá para não se emocionar. Quando a pessoa tem carinho pela obra, pela história que tá contando, dá para ver.
Sim, e estamos levemente obcecadas pelos senseis lá que que cuidam das pirralhas.
Então sim, bem obcecado, né?
Levemente, levemente.
É seu número, é seu número, Gabi.
Que foi meu nome?
Oxe, mas ele ainda bateu o olho, eu já sabia.
Não me põe, para de me expor na internet, Fernando.
Exponha mais, querida.
Eles já me expuseram mais de uma vez nesse episódio, eu tô me sentindo atacada.
Não, eu expus uma, Júlia expôs outra, falta Lucinha.
Quem é Júlia? Quem é Júlia?
É brincadeira, relaxa.
É então, vamos.
É só o misterioso aqui que invadiu a transmissão.
Nossa, lembrei de nada assim. Lembra de— a primeira coisa que eu lembrei foi de Sempre ao Seu Lado. Nossa, eu choro horrores com esse filme, muito. Que a rede de apoio do cara era simplesmente o cachorro, pô. Muito lindo.
Não sei se vocês lembram como é que é, como é um pouquinho a história.
Que nós vamos ver aqui um resumo. É um professor universitário, eu não lembro como foi porque faz muitos anos que eu assisti, mas eu lembro que sempre quando eu assisti eu chorava. E sempre que eu tô com vontade de chorar, ele achou o cachorro, digamos na cultura, né? O cachorro que achou ele e ele simplesmente adotou o cachorro, que é um Chow Chow.
Não, acho que é um Shiba. É um Shiba. É uma Akita.
Nossa, coitada!
Memória dela.
E ele ficou, criou o cachorro. O cachorro teve uma conexão tão grande com ele que para todo canto que o professor ia, ele ia junto. Ele acompanhava até a estação de trem, ficava esperando o dia todo porque o professor dava aula em outra cidade. Ficava lá o dia todo esperando, e o cachorro, ou quando ele voltava, o cachorro tava lá esperando e voltavam para casa. No final, teve um dia que o professor, ele, o cachorro sentiu que ia acontecer alguma coisa de errado com ele, ficou pulando em cima dele, não queria que ele saísse de casa, não sei o quê.
Ele acabou indo e, como sempre, ele foi para a estação de trem ficar esperando. Só que aí o professor passou mal durante a aula. No meio da aula e acabou falecendo. E o cachorro ficou lá esperando ele voltar e nunca voltou. E fizeram até uma estátua dele lá no local.
Essa estátua existe?
Essa história é real?
É real essa história.
Eu não quero brincar mais disso não.
Esse negócio de ter pets como rede de apoio, acho que é muito importante, né?
Muito. Um episódio só desse, porque pelo amor de Deus, eu tô com a minha aqui olhando com cara de abuso porque eu tranquei ela no quarto aqui comigo.
Não, o meu teve uma oportunidade de sair, aí como um bom idoso cego, ele foi tateando o lugar dele no quarto que ele Aí o outro que eu lembrei, pensando em animação já, é uma coisa que eu mais estou assistindo por causa de Yasmin, foi o Frozen.
E as duas, elas basicamente crescem sem os pais, e uma, as irmãs têm que ficar apoio de uma com a outra. Uma não aceita, que é Elza, não aceita muito contato, por mais que tenha todo aquele segredo, essas coisas assim. Ela não aceita que Ana se aproxime dela. E ao mesmo tempo que Ana quer ficar do lado da irmã, ela quer ter o apoio da irmã, já que não tem os pais. Então ela precisa mais de uma rede de apoio, ela tem aquela necessidade, né?
Eu acho que as duas precisavam, né? Só que ela tinha medo porque já tinha machucado a irmã. E eu acho que é muito legal final, porque eu lembro a primeira vez que eu assisti, eu fiquei maravilhada de não ser o final do, ai, o beijo do carinha que era horrível inclusive, que salva ela do congelamento. Não, foi a irmã que salvou, que salvou, porque ela era a rede de apoio de verdade, ela que era, que era o ato de amor verdadeiro. Achei incrível.
Foi.
Com certeza. Aí esse filme foi um grande acerto da Disney, né?
Não foi? E daí eles pensaram, ah, foi um grande acerto, vamos repetir até não ser mais. É isso que me mata na Disney da atualidade, é que elas reclamam.
Pois é.
E eu vi na, eu vi as fotos do D23 mostrando, né, as artes. Ó meu Deus, olha Saiu a roupinha que a Elza e a Ana vão usar cada ano menos detalhado para ser mais fácil de vender boneco. É sobre capitalismo, né? O capitalismo ganhou faz tempo. Enfim, próximo episódio: por que o capitalismo é tão ruim? Mentira, mentira! Mentira, mas gente, queria agradecer do fundo do coração por mais uma participação. Lucinha, seja bem-vinda. Sempre que estiver com um tempinho, quiser papear, prosear sobre a vida, estamos aqui.
Sinta-se super convidada. Obrigada pelo convite.
Você e com toda a liberdade que eu espero poder ter, mas seu pequeno dragão também, caso queira fazer algum comentário também. E muito obrigado, meninas, por mais um, mais um na conta. Mais uma vez torcendo para não sermos cancelados. E é isso, muito obrigada, gente, e yupi!