Nerdebate 555 - A Odisseia
🏛️ O ÉPICO DEFINITIVO! | A Odisseia de Christopher Nolan | Nerdebate
O mestre do cinema grandioso atacou novamente! No episódio de hoje, Luiz Felipe Santos, Allan Nicol e Julia Paula "Dell" embarcam na jornada mais monumental da carreira de Christopher Nolan: sua adaptação de A Odisseia.
Após revolucionar a ficção científica e as biografias históricas, Nolan nos leva diretamente para a Grécia Antiga para contar o retorno de Odisseu para casa. O time do Nerdebate analisa a escala técnica absurda do filme, o uso inovador das câmeras IMAX nas batalhas marítimas, a trilha sonora avassaladora e como o diretor conseguiu adaptar a obra imortal de Homero mantendo a sua marca registrada de manipular a percepção de tempo e realidade.
⚓ Tópicos debatidos neste episódio:
A Visão de Nolan sobre Homero: Como o diretor traduziu os mitos, monstros e deuses gregos sob uma ótica realista e imersiva.
Espetáculo Técnico: A filmagem em IMAX, os efeitos práticos na construção dos monstros e a navegação em alto-mar sem o uso excessivo de CGI.
Elenco e Atuações: A entrega do elenco principal no papel dos personagens míticos.
Veredito Final: o estilo do Nolan dividiu opiniões nesta adaptação?
⚠️ AVISO DE SPOILERS: Analisamos o filme do início ao fim, incluindo a estrutura do roteiro e as maiores cenas de ação. Assista antes de dar o play!
👥 Participam deste episódio:
Luiz Felipe Santos
Allan Nicol
Julia Paula "Dell"
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E para você, Christopher Nolan acertou ao adaptar esse clássico ou esperava algo diferente? Deixe sua opinião nos comentários!
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Luiz Felipe Santos
Julia Paula "Dell"
Allan Nicol
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- Filme em IMAXQualidade de imagem e som · Tecnologia IMAX · Projeção a laser
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Alô você que está ouvindo mais um podcast Nerd Debate! E como prometido e não podia faltar, vamos comentar o grande filme do diretor Christopher Nolan, né? Uma jornada épica, um dos maiores diretores de atualidade. Vamos comentar o filme A Odisseia. Prometemos e cumprimos. Eu sou Luiz Felipe, apresentador do Nerd Debate. Estamos aqui com nossa querida Júlia Paula, mais conhecida como Deel.
Oi, gente, pronta para mostrar os recibos, matar a cobra e mostrar o pau.
E não podia faltar ele também, Alan Nicole, que tem aí seus estudos também, né, de mitologia, etc.
Olá, pessoal, boa noite! É, né, estudo, mas apesar de que eu não gosto muito de ler os clássicos assim, vamos, poesia, né, mas enfim. Vamos lá.
É, pois é, tem um detalhe que eu debati muito essa pauta com o Del alguns dias antes, né? Tem um detalhe que Del disse, não, a gente não deveria comentar tal coisa, mas a gente vai ter que comentar porque eu vi um vídeo, chegou a ser criminoso o vídeo que eu vi assim, sabe?
A gente tem que comentar isso, Del, não tem como correr, porque é o seguinte, em minha defesa, eu sei o que você vai comentar e eu não falei, ai, a gente não deveria comentar, eu falei que ter um foco para isso é dar atenção que essa galera quer a uma pauta que assim não é nada além de preconceituosa. Mas prossiga.
Mas é necessário porque assim, tiveram algumas polêmicas em volta desse filme muito tempo antes. Tem alguns locais que já teve venda, até pré-venda de ingresso um ano antes. Uma amiga minha no Canadá Sabe aqueles ingressos colecionáveis que é uns cartão bonito, etc.? Ela comprou um ano antes e teve esse cartão. Poxa, eu boto no Instagram, disse, caramba, tal, eu não sabia que tava tendo essa pré-venda um ano antes, entendeu? Então esse filme já tá rolando na boca miúda, digamos assim, há muito tempo.
E as polêmicas vieram já na escalação do elenco. Ah, vai ter rap na trilha sonora, adaptação histórica, não sei o quê. E a polêmica principal que atraiu todas as atenções foi o boato, né? O boato não, vamos primeiro pelo que foi mesmo. Lupita Nyong'o, certo, foi a primeira, como Helena de Troia, né? A primeira polêmica foi essa, que a gente sabe de onde vem, né? E a segunda polêmica era a Laila Autêntica vai ser Aquiles, que foi uma mentira.
A gente só foi saber agora Né, que não era aqueles. E a gente sabe também de onde vem essa polêmica. São duas polêmicas assim. E eu vi um vídeo de um canal aí que o cara meio que usa o conhecimento dele em história, algumas coisas de história. É um canal conhecido, certo? E aí eu fui ver, rapaz, o que será que essa galera extremista contra o woke, entre aspas, né, tá falando desse filme, tá falando a mesma coisa que eles já falavam antes, certo?
Mesma coisa, padrão. E eu fui ver o vídeo desse canal, desse cara que se diz um historiador, mas você percebe que ele usa o conhecimento dele para as agendas problemáticas e atacar a galera como ele gosta de fazer. E o que a gente vai fazer nesse podcast aqui é diferente do que essa galera faz. Uma coisa é a gente comentar que, ah, nessa época não existia tal barco, nessa época não existia tal armadura. É uma coisa, certo? A época que o conto está citando ali, aí é uma coisa, né?
A gente tá realmente citando como era e como adaptou. Se a gente gosta ou não é outra história. Outra coisa é o que essa galera fez de atacar com preconceito mesmo esses dois atores. Entendeu? A Lupita e ela e o Elliot Page, certo? São duas coisas diferentes. Foram atacados. Teve um amigo meu que passou a semana toda dizendo: não, mas tudo bem e tal, mas não tem como a Lupita ser um sinônimo de beleza a ponto de ser disputada.
Ela é a mais bonita segundo o poema, segundo a história, entendeu? Então assim, Ele bateu muito nessa, nesse martelo. Com uma pessoa que bate muito esse martelo, eu fico muito com o pé atrás, sabe? Eu fico muito desconfiado assim nessa questão. Então assim, o que vocês acompanharam do pré-filme, eu acho que foi mais do que o que eu acompanhei, certo? Portanto, trailer eu só vi uma vez e meio que eu não tava ligando tanto, eu só queria ver o filme.
Ultimamente eu tô assim. Então o que vocês acham dessa, dessas polêmicas? A gente vai entrar mais a fundo nessas questões de adaptação, mas assim, o que é que vocês acham dessas pré-polêmicas que no final, por exemplo, ela nem era o Aquiles, né, para começo de conversa?
Ah, eu posso assim, deixa eu começar só para dizer, Del, que a Del talvez tenha visto mais que eu, porque eu meio que me abstive disso aí, sabe? Assim, eu vi alguma coisa do começo, vi algum outro trailer, mas eu não me aprofundei em ficar acompanhando tudo que tá saindo desse filme não. Então, sei, pouca coisa para filme.
Assim, eu mantenho a minha questão de que essa, entre mil aspas, pré-polêmica, não é, eu nem chamaria de polêmica, porque é ridículo, é a galera de novo preconceituosa, conservadora, tentando empurrar problemas totalmente fictícios pautados em desconhecimento histórico e pautados no próprio preconceito deles para tentar convencer uma massa a, entre mil aspas, boicotar, como se fosse possível gerar um boicote a um filme de um cineasta tão renomado, com elenco tão estrelado quanto é esse filme.
Então eu acho, essa foi a minha questão, de eu acho desnecessário trazer atenção para algo que o objetivo deles é justamente ter essa migalha de atenção. Eu acho uma ótima, inclusive, nem expor o cara, porque não vale a pena essa briga, que é uma briga desnecessária.
Eu não sei nem quem é, do que que ele tá falando.
Aí dá para contar as pessoas, viu? Porque muita, muita gente chatinha. Mas enfim, e no idioma que você quiser, tem as opções. Eu quero dizer que O Nolan, ele, a gente vai entrar, como o Luiz falou, nas maiores diferenças e tal, mas Grécia é sim uma sociedade patriarcal, mas eles nunca viram nem em mitos nem histórias, em relatos verídicos, nenhum dos dois pontos a gente vê o gênero como algo pautado em pedra. Eles veem o sexo, orientação sexual e o gênero como algo fluido, como algo que é inconstante.
E é, eu vou falar ridículo pela falta de palavra melhor, mas é ridículo a gente querer colocar um comportamento de sociedade atual, moderna e cristã, porque a gente pauta nossas normas em normas cristãs pela origem do nosso país, em algo que é outro tipo de sociedade, outro tipo de cultura, outro tipo de época. Não dá para a gente comparar. Então é uma discussão sem fim e uma discussão sem futuro. Essa é minha opinião.
E se o outro capítulo, né, das questões aí são as adaptações do filme, confesso que essas adaptações não me incomodaram, não me incomodaram, porque meio que já tô acostumado, tal. Eu quero ver a visão do diretor sobre aquela história, né? Eu quero ver aquela história sendo contada, recontada, etc. Já teve também várias outras versões. É, Del, que é mais aí por dentro, porque Del é grande fã aí do Eggers, né? O Eggers é o diretor que adapta o negócio com aquela fidelidade histórica, temporal, de roupa, de idioma, de sotaque.
O bicho vai longe, né? O cara vai longe. Eu sou mais de boa, eu quero ver o filme. Então assim, o que lhe incomodou, o que não lhe incomodou, o que realmente é um problema e o que não é problema. Porque olha, o Agamemnon para mim é sensacional, mesmo eu sabendo que aquela armadura não existe, né? O Darth Vader, né?
Só fazer um adendo antes até eu falar, é que eu acho que assim, questão de Já essa questão de adaptação, eu vi bastante, né, a discussão. Isso aí foi uma coisa pós-filme, né, e é uma coisa que eu estudo também, enfim. Mas questão de fidelidade a uma obra numa adaptação é uma coisa assim inalcançável no final das contas, assim, sabe? As pessoas idealizam muito essa questão de uma coisa ser fiel ao livro, ser fiel ao material fonte, né?
Como se fala nos estudos especificamente, mas é uma ilusão ficar esperando que uma obra, por mais que um autor, por mais que um adaptador, mais que um diretor, enfim, alguém vá tentar reproduzir o máximo possível perto daquilo que ele tá lendo ou que ele, né, que ele tá se baseando, nunca vai ser 100% igual, né. O simples fato de ser uma outra mídia né, de ser outro meio intersemiótico e tal, já é uma outra realidade, já é outra, não tem como se equiparar, né, 100%.
Então assim, é aquela coisa, se você quer fidelidade, vai ler o livro e lê o poema, né, porque o poema ainda tem isso, né, porque se a gente fosse ir muito fielmente em cima da Odisseia original, né, ela seria toda cantada, ela não seria nem contada assim, não seria nem Ela seria quase praticamente um musical, né, que eu não gosto muito de musicais. Sei inclusive que existe um musical aí que eu nunca vi porque eu nunca me interessei, que dizem que vai ser adaptado também para cinema, mas bombou aí nas redes sociais uma época aí.
Mas é isso basicamente. Ah, para vocês terem uma noção, a primeira adaptação de Odisseia, a primeira vez que eu lembro de ter visto alguma coisa adaptando trazendo o tema da Odisseia, que depois eu fui entender o que que era Odisseia, foi quando era criança. Eu assisti um episódio de DuckTales, que tinha um episódio em que a turma do Tio Patinhas encontrava Ulisses e eles seguiam os caminhos lá da Odisseia, né?
Engraçado, eu já devo ter visto alguma coisa de Odisseia, mas assim, nunca foi um filme. Nunca vi um filme da Odisseia. Eu lembro que eu vi Não, filme acho que eu nunca vi.
Eu vi uma série, já vi um filme muito antigo que tem, acho que é o de 57, se não me engano, que é bem legal porque vai nessa vibe de, né, tentar ser mais próximo possível do original. Então ele é bem fantasioso e é um espetáculo assim à parte assim, sabe? É bem interessante, apesar de ser bem antigo, eu acho legal assim.
É, e eu não estou falando de, ah, uma, como Alan falou, DuckTales. Eu não tô falando nesse sentido, eu tô falando assim, ah, o filme da Odisseia, nunca vi.
Às vezes você vê também, não sabe porque tava disfarçado. Não é a primeira vez que tentam atualizar a Odisseia.
Então é isso, eu lembrava, porque eu lembraria, porque essa questão, por exemplo, eu já fiz adolescência. Não, mas como eu tô dizendo, não tô falando de uma adaptação desse tipo, tipo DuckTales, eu tô falando de O filme da Odisseia, entendeu?
Da história da Odisseia, é a história da Odisseia.
Não, eu sei, mas não é um filme da Odisseia, entendeu? É o Bob Esponja adaptando a obra da Odisseia. É isso que eu tô dizendo.
Por que que a Odisseia do Nolan é mais Odisseia do que a do Bob Esponja? Porque é Odisseia.
Não, é porque é uma outra franquia que tá adaptando a obra clássica. Isso aí é tipo, é um tropo já. Entendeu? Tipo, tem um episódio do— muitas séries americanas fazem episódio do Dia da Marmota, entendeu? É um episódio que é o Dia da Marmota, fica se repetindo até que você quebra o ciclo ali.
É um filme, não é um episódio. Isso que eu tô falando, é a Odisseia.
Não, eu não vi esse filme.
É o de 2004, dos Amendobobos.
Não, não, não, não cheguei a ver.
É, pois é.
E assim, me marca a Odisseia da minha infância. Eu lembrava muito pouco. Eu leio na infância, adolescência, né, na escola, certo? Só que algumas coisas me marcaram muito, que eu queria muito ver nesse filme.
Você leu o quê exatamente?
É adaptação qual, no caso?
Porque você também tá vendo adaptação, porque duvido muito que tenham colocado uma criança como você para ler o poema da Odisseia, pelo amor de Deus. Eu na minha infância, a gente lia alguns clássicos da mitologia, mas eram adaptações em prosa inclusive, né? E enfim, algumas coisas até muito alteradas, né?
Eu lembro que eu lembro que o que mais me marcou foi alguma versão para mim, porque tem que ter muita censura, Luiz. Sobre a questão das mudanças, é que eu não encarei, como eu falei, já tiveram várias adaptações, como Alan disse também, de Odisseia. Tiveram adaptações tipo DuckTales, tiveram adaptações tipo Bob Esponja, tiveram adaptações tipo Querido Irmão, Onde Está Você?, que é incrível, maravilhoso. É a minha adaptação, era a minha adaptação favorita da Odisseia.
E não tem nada a ver com Grécia, é transportado para os Estados Unidos. Então é super legal, na minha opinião, eu adorei.
Tem um filme lindo da década de 80 da Odisseia também, que nunca chegou no Brasil. Oi, tem um anime antigo da década de 80 que infelizmente nunca chegou no Brasil, mas quase veio, que é o Ulysses 31, que é um anime, é uma colaboração entre a França e o Japão, que eles basicamente adaptam a Odisseia todinha para um período assim futurista do século 31, sabe?
Tem o Depois de Que Horas de 85, que também é legal, e é em Manhattan também. Então eu gosto dessa pegada. Diferente, sabe? E aí, meu irmão, cadê você, né, querido irmão? Tô ficando maluca. Que inclusive tem o George Clooney. É muito legal, muito divertido. Eu gosto dessa ideia de pegar a mensagem original, porque para mim adaptação é isso, quando você pega a mensagem, o cerne da história, e mantém ele. Você não altera o curso do que tá acontecendo, você continua com o conto que tá acontecendo na epopeia, e você mantém ali, só que num outro contexto, com a sua observação, porque é outra pessoa cantando, contando, né?
Cantando, a maluca já levando para o musical. Eu estava totalmente embarcada nessa época em que viralizou Epic, é o musical, o nome do musical é Epic. Ele nunca aconteceu, ele só vivia, só viveu através de álbuns. Que eram as músicas originais, porque esse musical foi cancelado. E daí agora ele vai ser adaptado para uma animação. Então tô ansiosa, parece que vai ser super legal. Eu gosto de musical, né, a gente já sabe disso. Mas para mim as adaptações do Nolan foram totalmente ok.
Vou depois esmiuçar tudo certinho, mas a adaptação do filme, sem minúcias e sem detalhes, Eu gostei muito e gostei muito da história que ele decidiu contar, porque ele mudou um pouco o foco e eu achei isso— não vou falar refrescante porque não faz sentido em português falar isso, mas eu achei uma nova perspectiva legal para analisar. Achei bem interessante.
É, eu gostei do que eu vi e, como eu disse, nada me incomodou nesse seguinte sentido, tirando uma coisinha ou outra. Né, de expectativa mínima que eu tinha. Como eu disse, a questão que mais me marca é a do Ciclope, certo? Aquilo ali para mim é o Charadas na Escuridão do Hobbit aqui. Para mim sempre foi isso, na minha cabeça, né? E quando chega aqui, não tem aquele negócio da malandragem, não tem aquele negócio de como ele vai resolver aquela situação.
Não teve, entendeu? Então eu fiquei muito chateado por não ter tido essa, essa questão, entendeu? Fiquei muito chateado mesmo. Eu esperava uma forma inteligente dele resolver aquela situação usando a lábia, etc. Não foi o que aconteceu, né? Ele usou uma certa inteligência, claro, mas ainda termina de uma maneira que eu não curti muito, né? Ele querendo se vingar do bicho, dando uma flechada lá. Aí eu não gostei muito dessa questão, desse trecho, né?
O que eu, o que me incomodou mais, que a gente pode comentar para o final, é a forma como as pessoas interpretaram esse filme. Mas aí eu falo no final. Agora, uma coisa que eu lembro que me incomodou, que eu vontade de rir na hora, foi só, teve, lógico, tem muitas coisas, muitas coisinhas, né, que a gente, que foram alteradas e tal. É que coisas assim, sei lá, os gregos usarem calça, por exemplo, não era uma coisa comum, mas enfim.
E o modelo do barco, essas besteiras assim incomodou um tiquinho, mas depois isso é artista do filme.
Eu não notei isso da calça, tem que, acho que eu tenho que ver esse filme de novo para perceber isso.
Ué, os gregos tudo estão praticamente, a maioria de calça ali, não é? Não sei se usava calça antigamente, né? Eles até, até, mas o que me fez rir na hora, quase me segurei para não rir, foi uma hora lá pelo final do filme em que eles falam, que eu acho que se eu não me engano é o próprio Odisseu que fala assim, ah, esse é o fim da Era de Bronze.
Eu fiquei assim, como você sabe que essa era de bronze?
Ele tem esse conhecimento. Primeiro que o conceito da Era de Bronze não se encaixa nem ali naquele momento, né, do ponto de vista da mitologia da Grécia Antiga e tal. Assim, se a gente for levar para esse lado filosófico da coisa, eles até tinham uma ideia de a Idade do Ouro, a Idade, né, da prata, do bronze, a idade dos deuses, a idade dos heróis e tal. Tinha isso aí, sabe? Mas a Odisseia, ela tecnicamente se encaixa bem depois disso, ela não tem nada a ver com a idade do bronze, tecnicamente falando.
E é uma coisa mais moderna que os europeus criaram, enfim, é uma coisa que é outra coisa, né? Quando ele falou isso, eu fiquei assim, eu quase, eu dei uma risada, eu fiquei pensando alguém que tá num filme sobre a Idade Média e comenta: ah, meu Deus, a Idade Média tá acabando. A pessoa não tem noção do que é a Idade Média porque não consegue existir naquela para ele, sabe assim?
Normalmente essas eras são nomeadas depois, né, e não durante.
Eu ri nessa hora só, mas enfim, foi só isso que me incomodou mais assim.
O resto tem um momento que eu ri, um momento assim que isso aqui não é possível que isso aqui não tenha sido humor proposital, que é quando fica caindo nas armas a batalha final. E o Antínomos fica, como fala o nome dele, Antínoo, Antínoo, Antínoo, é o Robert Pattinson, né? Ele fica, olha, uma espada, olha, um escudo, olha isso aqui. Eu até, eu juro que não é possível que aquilo ali não foi um humor proposital, pô, porque eu ri demais com aquilo ali, achei muito engraçado.
Aí eu fico nessa dúvida, rapaz, foi proposital, não foi? Enfim. É, foi a única, eu dei uma risada ali, sincero, ali eu achei engraçado aquilo ali, achei um humor pastelão, né? De resto, como eu disse, tô vendo agora as fotos aqui, eu tô vendo aqui a galera de calça, não notei isso, não passei despercebido totalmente. Mas é aquele negócio, eu não tava tão exigente assim, entendeu, com essa questão.
Mas assim, não deixa de ser um problema, entre aspas, aquela coisa que chama atenção, porque inclusive Acho que todas as adaptações que existem, que se propõem a ser mais próximas de uma antiguidade grega, eles sempre usam um personagem de sábio, de, né, de, enfim, de toga. Nunca, nunca tem assim uma calça.
Fica uma coisa estereotipada também, não tá 100%, né, mas pelo menos não escancara o foda-se, o vai colocar uma calça aí, sucesso. Os tons dos tecidos também, aquela coisa sóbria, mas assim, Nolan, né? Um filme do Nolan colorido, pelo amor de Deus, é um filme do Eggers que não seja fiel ao período histórico que ele tá querendo contar.
Como você mencionou outra coisa que me incomodou no geral, quando sai do filme, essa questão de que ele fez tanta questão, Nolan, de filmar nos locais assim, locações reais, né, com construções antigas e tal, que me incomodou um pouco. Porque é aquela coisa de a galera, quando vai retratar a Grécia, sempre usa as imagens de pilares destruídos, de estátuas brancas, né. Quando se esquece que naquela época mesmo tudo tava inteiro, supostamente tava inteiro e tudo colorido.
Né? Então assim, eu senti uma falta de pompa na ambientação, nas coisas. Tá tudo muito, muito cru, muito assim, tá? Ele quer mostrar que ele tá usando as locações reais, tá? Mas se você pensar na realidade dos personagens, aquilo tava mais ajeitadinho, sabe? Tava tudo mais bonitinho, sabe? Tinha mais enfeite, não era aquela coisa tão assim, né? Então isso me incomodou também no final do filme. Eu fiquei pensando, nossa, ele podia ter exagerado um pouco mais, podia ter ter feito como o semântico de Hollywood, que o semântico de Hollywood tinha muito isso, né?
Os filmes de mitologia deles são todos assim grandes, grandes assim, coisas grandiosas, muito enfeite, muito ouro, sabe?
Agora você falou, eu acho que eu notei um pouco isso aí, Teca, realmente assim, é o famoso tal, que é que eles estão tanto disputando aqui nesse local que aparentemente não vale nada, né? Aí depois pegando informação em vídeo de internet comentando sobre Ítaca. Acho que a Helena, alguém fala que tipo lá não é um negócio agrícola muito grande, eles vivem de criar porcos e ovelhas, né? Não é um, não é um grande algo assim, né?
Tava muito cru para o meu gosto, mas enfim, me incomodou assim no geral. No final, quando eu fiquei pensando, para parar para pensar, nossa, podia ser mais, mais pomposo as coisas, mas enfim. Dos males o menor.
Na forma que a história é contada, é impressão minha ou ele mistura um pouco mais com a Ilíada aqui, né, da Guerra de Troia? Ou é assim mesmo?
É porque a Guerra de Troia ela não é contada na Odisseia, né, ela é contada antes, ela é da Ilíada. Então não tem como não mencionar o cavalo de Troia, né, sem mencionar o que tem na Ilíada, né.
Então basicamente é isso assim, mas Sim, mas assim, do jeito que foi, eu nem esperava que fosse ser desse jeito, né? Porque a história mesmo, ela já é contada de forma assíncrona, né? Ela já é contada de uma forma que Nolan ama, né? Que é fora de ordem. Ele já gosta disso. E originalmente a história já é contada assim, né? Mas eu gostei, eu gostei, achei interessante essa mistura com Troia. Temos aqui uma lição um pouco diferente, né, a ser contada.
Achei interessante a forma que o filme, que o filme foi relatado misturando ali com Troia. Não desgostei não, eu gostei dessa forma de misturar um pouco com Troia. Eu fiquei até me perguntando, caramba, por que que ele não faz uma adaptação da Ilíada e depois faz uma adaptação da Odisseia?
Porque se ele contasse sobre a Ilíada antes, a mensagem dele não ia ficar tão boa. É, então foi isso, ele precisa que a Odisseia seja primeiro.
No final eu entendi essa questão, que não faria sentido ele contar em outra ordem porque perderia a força da mensagem que ele quer passar.
Tem uma série relativamente recente na Netflix que adaptava a Guerra de Troia, essa parte da Ilíada todinha, né? Que inclusive achei engraçado porque quando terminou essa série a galera ficou dizendo, nossa, tinha que ter a cena pós-créditos dizendo que vai ter Odisseia depois, porque terminava com Odisseu partindo, né? Para casa.
Que série é essa?
Aí eu não lembro agora o nome, mas ela tá na Netflix. Ela foi comentada na época, a gente comentou, não nessa época.
Não lembro que você falou que você ia assistir.
É, a gente deve ter alguma coisa assim, mas tá na Netflix essa série. É uma série feita pela Netflix que na época foi comentada, porque inclusive, diferente desse filme assim, ela tinha muita presença dos deuses. Eles falavam, então a gente via as 3 deusas, né, disputando lá o título de a mais bela com Páris.
Você sabe que é, você sabe se é a BBC? Não, se é da BBC? Não, acho que não é da BBC, porque tem Troia, Queda de uma Cidade, Sangue de Zeus, Caos.
Não, Caos não é, não é outra, é outro nome.
Vocês viram O Retorno? Inclusive eu assisti um pouquinho antes, eu consegui pegar um pouquinho antes só do que A Odisseia, então eu fiquei com aquilo na cabeça, sabe, comparando os Sobre essa questão da arquitetura de Troia, eu tanto em Troia quando você mostra a estátua toda branca, me deu uma pequena pontadinha aquilo, mas é aquela coisa, você já viu isso tantas vezes que você não espera que seja uma coisa que eles vão finalmente prestar atenção e fazer certo.
Agora, o barco me incomodou, o barco me doeu um pouco. Quando eles anunciaram o barco, que nossa, era uma réplica, não sei o quê, eu: sim, mas a gente tá adaptando a Odisseia ou Vikings? Porque é um barco viking. Aí, mas assim, foi bom ter visto antes do filme, porque daí eu já vi, pensei: ah, ok, vai. Você vai, vamos ver, vamos ver o filme, não vamos pensar nisso, segue em frente, segue o bonde, segue o baile.
Caramba, que doideira! É um barco viking, é um barco viking, que doideira!
As armaduras são totalmente diferentes. Tudo bem que assim, você vê as armaduras da Idade de Bronze, que eles, né, teoricamente, ó, tem que ser na Idade de Bronze, mas eu concordo com o que ela falou, que tipo é uma mistura, não é porque Homero já é uma mistura, e depois tem outros vários contos e que vão adicionando. Depois vira romano. Aí tem muita coisa que ele fala, o Nolan, que são estudos atuais sobre os povos do mar, por exemplo.
Então é uma mistura de épocas. Aí você fica, não, tem que ser uma armadura da Idade de Bronze.
Você viu aquela imagem que o pessoal postou? Editando como seria o filme.
Eu não ia conseguir levar ninguém a sério, eu ia ficar rindo o filme inteiro.
Era ridícula a armadura se ele fosse usado como diz naquela animação.
Parece umas placas de latão, que dó, gente.
Essa versão é— deixa eu procurar.
Existe, existe alguém que fez um comparativo. Olha como seria, como é no filme e como seria se fosse mais fiel possível ao que tá escrito lá na na história. Ridículo, fica muito tosco. E tem gente que gostaria muito de ver aquilo.
Ai, porque assim, chega num ponto que começa a me dar um pouquinho de, não ódio, mas começa a me dar um pouquinho de asco, de tipo, ai nossa, cheguei no cinema e fiquei decepcionada ao ver um monte de atores e locais e filme, porque eu queria que tivesse adaptação histórica fiel. Ou seja, era para ter uma pessoa cantando sobre alguma coisa acontecendo.
Então, as críticas tão estranhas. Eu vi uma crítica da Isabela Boscoff que me deixou chocado. Ela reclamou porque tinha atores de Hollywood no filme, porque tinha muito ator. Disse, que louca!
Eu entendo, eu entendo a ideia, sabe? Eu entendo de verdade que, ai, queria que tivesse mais variedade no elenco. Entendo, de verdade entendo. Só que assim, Não vai acontecer porque é um filme de Hollywood. A gente já não tá careca de saber que Hollywood faz isso? Então já foi um milagre ter o Elliot Page e a Helena de Troia e a Lupita como Helena. Imagine se não tivesse nem isso, porque podia muito bem não ter nem isso. A Charlize Theron como Calipso, tipo, oi, pelo amor de Deus, a Grécia virou a Europa do nada.
Ah, mas enfim, Europa, né? Eu quero dizer o nosso estereótipo europeu de loiro de olhos azuis, para ficar bem claro, para ninguém me atacar sobre alguma coisa. Enfim, é aquela coisa, né? Eles acharam as ruínas da cidade de Troia, supostamente a cidade de Troia, na região da Turquia. Então sim, pessoas europeias brancas de olhos azuis, acho um pouco difícil. Terem morado naquela região. Enfim, eu acho que a crítica da Isabela Bosco é que ela fala que não, não baseado nessa pesquisa, nessa descoberta arqueológica, é porque ela fala que tem muitos atores iguais, tipo todos são brancos, todos têm o mesmo rosto, mesmo tipo, não tem uma variedade.
Porque a Grécia ela tem uma miscelânea, né, ela tem uma variedade de tipos de pessoa, não tem Não tem nenhum ator grego, não tem nenhum.
Enfim, não tem como esperar algo. Nolan, exato.
E ele gosta de trabalhar com os atores que ele já trabalhou.
É muito absoluto cinema, entendeu? Então ele vai muito pelo visual, pelo que ele acha legal, acha bonito. Ele quer contar a história dele, pô.
Pois eu acho bem perigoso você falar que ele não escolheu uma variedade de elenco porque ele acha bonito, que ele vai pelo que ele acha bonito. É porque ele foca na filmografia E ele gosta de trabalhar com que ele já trabalhou.
Bom, eu tô falando do conjunto da obra, pô, tô dizendo do barco, das roupas, tudo, tudo aí, o conjunto da obra do que Nolan faz. Inclusive, acho que o fracasso de Tenet e ele ter saído da Warner fez bem para ele, porque eu acho que a Warner não apoiaria ele em Oppenheimer ou Odisseia com a liberdade que ele teve, não. Acho que aquilo ali fez um bem danado para ele ter saído da Warner ali naquele naquele fracasso e naquela briga que ele teve, né, naquela época.
Questão do IMAX, que é uma polêmica. Vocês assistiram ou não em IMAX? Como é que foi para vocês a experiência?
Eu assisti na tela do micro-ondas, como Nolan queria.
Não tem IMAX em João Pessoa, a gente se vira com o que dá, né?
E a verdade é que no Brasil inteiro só tem um lugar que a gente tem o IMAX de verdade, que o Nolan queria, né?
Não, não tem, não tem também, não tem. O IMAX mesmo não tem no Brasil. Não, mas não o IMAX que o Nolan fez o filme. São menos de 50 no mundo, né? E aquela homenagem, aquela homenagem que aparece, Del, que eu fiquei perguntando quem foi que morreu, não sei se tu lembra. É o pai do Geoff Keighley do Game Awards, é que ele foi o inventor do IMAX.
Eu vi na cabine, mas o IMAX básico, né?
Assim, é o digital, né? Não é que a tela é IMAX, tudo é IMAX, é porque eles conseguiram projetar para simular. Não é o IMAX de 70mm, acho que é 40mm. É o menorzinho.
E você já viu, Alan, melhor do que 90% das pessoas que vão ver no mundo é o filme, entendeu?
Aqui nas telonas em IMAX pelo Brasil, a imagem é gerada por projetores a laser ou lâmpadas de xenon. Geralmente a resolução máxima é 4K e a proporção da tela varia entre 1,90 por 1 e 1,43 por 1. Então não é o jeito que Nolan quis.
Eu gostei não só pela imagem, mas pelo som também. Eu achei o som muito, muito bom na sala de IMAX, né? Então tipo as cenas mais, tipo aquela da tempestade, por exemplo, que eles passam lá, né? É, ela é aterrorizante assim, é o barulho que faz, a coisa toda é muito forte assim, sabe?
Agora eu fiquei com vontade de assistir naquelas salas 5D, sabe? Porque falaram que esse é a experiência, porque a cadeira não para de mexer, porque é o tempo todo, né?
É, aqui na minha cidade tem uma sala que tem isso ainda. Vou até ver.
Aqui não tem. Deve ser muito legal. Se você for, você avisa, por favor, como foi, porque, ai, ficou parecendo tão legal a galera falando, ai, meu Deus, pirroga, hein, Bia? Ah, achei muito mágico.
Tenho. Não tenho essa curiosidade do muitos Ds, não, mas o IMAX eu tenho. Acho que o mais perto daqui é em Recife.
IMAX. É, o ruim desse 5D é porque tem uns negocinho jogar água e jogar um jato de ar, sabe? E às vezes dá um susto assim em você, você tá ali concentrado.
Quero não, cara. Eu uso óculos, não dá para usar um negócio desse.
Faz um, leva um paninho. Eu também uso óculos, mas deve ser super legal. Enfim. Vamos para sinopse do filme para avançarmos no enredo.
Sinopse: Odisseu é um cachaceiro que passou 20 anos na Esbórnia e inventou uma desculpa. Inclusive, você, obrigado, Del, por me lembrar, Alan disse quando viu o filme na cabine de imprensa, tem algo do filme que ele disse assim, prestem atenção em tal coisa. O que era finalmente ela? Que você escondeu da gente?
É uma coisa que eu percebo, que todo mundo no geral foi muito em cima de, ah, o Lula está fazendo uma coisa real ou está fazendo fantasioso? Aí, né, ficou essa questão. Aí quando o pessoal viu, ah, graças a Deus apareceu o Ciclope, apareceu os monstros, ai, é fantasioso. Ah, mas não aparece os deuses todos, ai, tal. E eu entendi, quando eu cheguei no final do filme, eu entendi a interpretação, minha interpretação, é diferente, é de que tudo aquilo ali era uma lombra do Odisseu, que ele tá contando tudo para Calipso, que não é, ela nem se identifica como ninfa, né?
Ele tá contando tudo para Calipso enquanto ele tá sob os efeitos lá da Lótus, né? E a Atena que ele vê não é Atena de verdade, só uma projeção que ele fez numa vítima que ele viu lá em Troia, né? Então assim, na minha cabeça, tudo ali para mim era tudo uma grande fantasia da cabeça do Odisseu. Nem de fato aconteceu aquilo tudo, nem ele chegou a enfrentar Ciclope, nem enfrentou, era tudo assim coisa da cabeça dele ainda, sabe? Não era realidade, realidade.
E aí eu vejo muita gente celebrando aqui também, velho.
E aí eu vejo muita gente ainda tratando o filme desse aspecto, já não foi fantasioso sim, aconteceu mesmo aquilo. Tá, você pode ir por esse caminho, mas não foi a interpretação que eu tive. Então por isso que eu digo, presta atenção nos detalhes, porque não só os deuses não aparecem, só aparece aquela Atena entre aspas, que na verdade é um fantasma basicamente, você vai ver. Né, como também tudo mais ali. Quem poderia testemunhar junto dele que aconteceu morreu, né?
Isso, ele é um narrador não confiável, pô. Isso é sensacional.
É uma grande questão, inclusive, que é trazida até mesmo na própria, no próprio texto clássico, né? Porque até quanto o Odisseu aumentou ou diminuiu essa história quando ele conta para as outras pessoas lá no mito, né? Como foi? Então assim, acho que o filme levou isso bem, bem ao pé da letra também. Então assim, não foi por acaso também que ele fez aquilo ali dele tá com fotos, esquecer, não só para justificar o fato dele tá passando tantos anos no mesmo local, naquela ilha, né, com a Calypso e tal, mas também para dar uma certa turvada na mente dele, ele ter noção de que as coisas não aconteceram exatamente como ele tá contando, mas ele lembra de um jeito fantasioso, né, e conta para gente de um jeito fantasioso, mas até certo ponto, né.
Nossa, sensacional, porque eu tava pensando isso, porque eu fiquei muito na cabeça isso. O Alan deixou um uma mensagem codificada que eu vou ter que codificar durante o filme. O que será que Alan quis dizer?
Eu fiquei incomodado com aquilo até aquele momento, até aquele momento em que ele lembra, quando ele tá contra o Papai Melo no final, da experiência que ele teve e tal e tudo mais. E aí quando ele lembra da menina que morreu, quando ele olha para a Zendaya, né, para Atena, e aí ele, a Zendaya pega e dá a mão para ele, segura a mão dela assim, sabe, como se estivesse assim lamentando. Ele não tá falando com a Deus, ele tá falando com a memória da menina, entendeu? Então assim, não era a Deus aquela hora, tempo todo com ele era fantasma.
Nós estamos diante de A Origem, tudo de novo, tudo de novo, mesmo debate. Ela está sonhando ou ele está acordado? De novo aqui temos a mesma coisa.
Obrigado, obrigado. Essa interpretação que eu tive, por isso que eu disse para as pessoas prestem atenção nos detalhes, porque eu acho que as pessoas vão começar, vão ver esse filme pela cabeça de que realmente tudo ali foi um grande mito grande, né?
Pode ter sido, pode ser, você pode interpretar para essa forma também, mas eu pensei, porque tem aquele negócio, os deuses eles gostam de se transformar em outras, né, em outras formas.
Atena não acontece, Atena no mito, né, na epopeia ela se metamorfoseia em homem, ela faz várias coisas, sabe? Aqui não, ela só aparece só como a imagem daquela menina. E ela só aparece para ele, ela nem interage com outras pessoas com nada.
Então assim, eu fiquei pensando, é, e na Odisseia mesmo ela intervém com outras pessoas, né?
Então assim, não foi por acaso que ele fez do jeito que fez. Assim, eu acho que o Nolan tava querendo dar para a gente já entender que tudo era coisa da cabeça do Odisseu o tempo todo, mesmo a parte fantasiosa, um pouco de fantasia que teve nesse filme era na cabeça do Odisseu, era parte do trauma dele da guerra, de tudo que passou e tal, entendeu?
Então a gente começa no começo, quando o Travis Scott, fazendo o papel do bardo no filme, ele vai fazer a harmonização para começar a entoar a história. Ou seja, uma representação a Homero, que é uma alusão ao fato da poesia ser cantada na obra original. Eu achei muito legal, inclusive, esse detalhe. Achei respeitoso da parte dele, tipo, ó, fiz para vocês, de resto agora é comigo, tchau.
Eu gosto desse negócio da história chega antes, né, do que aconteceu lá, tal, etc., antes dele mesmo chegar, né. Eu gostei disso, achei interessante.
Sim, é porque os feitos dele já estavam sendo fantasiados, né, ali já estavam sendo contados de forma totalmente epopeica.
Eram 20 anos, né, que o filme coloca ali, 20 anos que ele já não voltava. Então dava até tempo da história ter rodado, voltado e aumentado 500 mil pontos.
É porque assim, a Guerra de Troia dura 10 anos, né, e daí o retorno dele dura outros 10 anos. Desses 10, na verdade só dura 3, porque 7 anos ele tá na Calipso.
E o que eu gosto é porque o tempo todo durante o filme é citado algo do o povo do mar, né, como se fosse uma invasão viking, um negócio assim. E não era, né, eram eles mesmos voltando.
Deixa de entrar, vai, Luiz, atrapalhando aí.
Não, o viking, eu já fiquei estarrecida que é o viking.
Viking, não, você entendeu o que eu quis dizer, né?
Meu olho tá tremendo, Luiz, meu olho tá tremendo. Ai, meu Deus do céu. Alan, por favor, a sua sabedoria. São os na vida real, na vida real e não no filme do Nolan. Ele tá fazendo alusão aos piratas, aos saques de piratas que estavam acontecendo, e aos fenícios, né?
Sim, acho que sim. Eu acho que o Nolan deve estar fazendo na verdade uma alusão até maior, né, como o Luiz falou aí naquela hora. É aquela coisa de que tá muito latente hoje em dia no nosso mundo, infelizmente, sim, de a gente tá sempre com medo do outro, né, de quem vem de fora, do estrangeiro. Então acho que é uma coisa até geral que ele quis colocar, até para a gente refletir aqui fora, né, na nossa realidade atual, né.
O filme como um todo é uma reflexão extremamente atual, né. Mas enfim, a gente tem o fim da Guerra de Troia, Odisseu escolhendo seguir com a tripulação para a próxima ilha para não aportar junto com os navios do Agamenon, que foi o general dele, né, de guerra, o chefe. Super legal. E daí, trazendo o pano de fundo, Agamenon, ele, ou Agamêmnon, ele não é pessoa— porque eu tenho um tio chamado Agamenon, então Teoricamente tem um acento, mas aí depende da versão. Pode ser Agamêmnon ou Agamêmnon, enfim.
Tem Odisseu e Ulisses, tem isso, né?
Que essa diferença é quando virou do grego para o romano. Na versão romana ele é Ulisses, tem também isso. Então é bem por isso que eu falei, é muito complicado você falar que, ai, não teve veracidade histórica, porque O negócio não se chama Ulisseia, né?
Se chama Odisseia, né, palhaços? Mudaram o nome para quê?
Ai, porque tem todos os romanos fazem isso, é normal. Os nomes dos deuses também são todos alterados, mas enfim. E Agamêmnon, ele não é uma pessoa que você quer estar perto, ele provoca medo, ele é um uma pessoa imponente, né, em todos os contos dele. E por isso, na minha opinião humilde, ou não tão humilde assim, que o Nolan optou por esse figurino mais imponente e essa coisa de obscurecer o ator. É muito mais uma armadura, é armadura falando por si só, é uma figura imponente.
Mas quando você vê ele sem armadura, você vê como ele é, o crápula que ele é, na verdade.
Sim, eu não entendi o porquê que a mulher dele matou ele com o amante.
Eu estava tão pronta para essa pergunta. Eu sou muito comemorada, eu comemorei demais. Isso não era algo que não estava no filme, essa informação estava no filme, é que foi ela.
Isso acontece depois. Sim, tá no começo, né?
Pelo amor de Deus, Luiz, mas pera aí, faz parte do plot do Agamemnon, né? Que assim, não tem tanta coisa, ele é muito assim. Não, não tem no filme, não tem. Ele é muito—
o Agamemnon no filme é o principal contraponto do Odisseu. Você só se comove com Odisseu porque você não se comove com Agamemnon. Ele é o contraponto, ele é o conquistador que faz de tudo e sacrifica de tudo, independente da moral, independente da razão. Ele deixa-se levar pela religião e ele faz o que for possível e preciso para atingir os objetivos dele. No começo do filme, ele sacrifica a primogênita dele, a Ifigênia, para Ártemis, para rogar por ventos bons para uma viagem tranquila até Troia.
Nossa, no começo do filme?
No começo do filme, o Odisseu fala que ele foi convocado para guerra e daí a Penélope fala, ai, mas você não pode, você não pode negar, você não pode. E ele falou, o Agamêmnon é uma pessoa inflexível, ele chegou a sacrificar a própria filha para essa viagem. Então a gente já tem o primeiro ponto de O Odisseu já está falando que o Agamemnon é uma pessoa que não tem diálogo, é uma pessoa totalmente—
ele fala muito pouco nesse filme.
Então, justamente porque se ele falasse, a gente teria um contraponto.
Não é para ele ter um contraponto, é para ele ser tipo a figura do Darth Vader, tipo a figura do Batman, é uma coisa imponente ali. Você não discute, você olha e você sente aquele— você se sente amedrontado. Você se sente igual. Eu gostei muito naquele trecho do Ademicon, e totalmente sem reconhecer o próprio erro, né? Totalmente enviesado para o lado dele.
É o mínimo que eu espero é que ele matou a filha dele.
Ele matou a filha dele para ele casar com a— é porque tem muita coisa por trás. Enfim, eu morrerei nessa colina completamente convencida que Agamemnon é uma pessoa que não é boa.
Ah, mas você tá certa.
Eu falei da Netflix, lá você mostra em detalhes as coisas que ele fazia.
Mas eu tô chegando na conclusão, não é uma pessoa tão desprezível no filme.
Também dá para ver que ele é desprezível no do Nolan, porque ele sacrifica a menina, e Odisseu já no começo Coloca esse contraponto de: era realmente necessário? Existe realmente esse deus para o qual ele sacrificou a menina? Era, de fato, uma obrigatoriedade a ser feita? Além disso, quando eles invadem Troia, quando o Odisseu abre as portas de Troia, o Agamêmnon é visto lutando com alguém, Luiz? Ou ele só anda calmamente enquanto todos os homens se sacrificam e fazem absurdos com a população local?
Não, ele não faz nada, só que ele vai na frente, né? Like, dá.
Ele não vai na frente.
Vai, é aí que tá.
Ele não vai na frente, a galera entra e ele entra, a galera entra e ele fica.
Ele não vai na frente, ele vai no ritmo dele.
Ele não vai no ritmo dele, ele deixa os outros avançarem para o caminho estar limpo para ele poder só ficar, como os jovens falam, farmando aura.
Farmando muito.
Então, Luiz, é isso que eu estou falando. Ele não é uma pessoa—
inclusive lançou a skin dele no Fortnite. Eu comprei no dia 1 a skin do Agamemnon, estou farmando a hora no Fortnite.
Alan, você entendeu o que eu quis dizer, né? Pronto, ponto provado.
Eu tô chegando à conclusão aqui, é pouco a pouco.
Eu vou ficar surpreendida, vai, Luiz.
E o problema que Nolan já vinha desenvolvendo em outros filmes Vamos ver se os personagens femininos, é porque ele já tinha essa, né? Ah, os personagens femininos deles sempre são mal desenvolvidos e quase não tem nada de profundidade.
Calma, tenha calma.
Tô falando isso porque a gente ainda vai chegar nos personagens femininos, mas no geral, pera aí, Del, tenha calma. No geral, eu tô achando que Quase todo mundo foi mal desenvolvido, menos Odisseu. Eu tô chegando a essa conclusão aqui, que o desenvolvimento da galera ficou meio fraco de profundidade do resto. O Odisseu foi óbvio que é Odisseu, mas né, beleza. Mas eu tô achando que todo mundo tá fraco menos Odisseu, entendeu? Não só os personagens femininos, que era onde ele costumava já errar.
Eu tô achando todo mundo agora meio Existem momentos na vida em que a gente entende por que que tem escrito nas instruções do shampoo que não pode colocar no olho.
Eu tô achando a galera ao redor mal desenvolvido, menos o Odisseu. Eu tô achando isso. E o feminino, a gente ainda vai chegar à análise mais para frente.
Veja, estou falando o ponto do Agamemnon. Eu assistindo só o filme, veja, Cléo assistiu com a gente. Cléo virou para mim e falou: Claro, nunca viu nada da Odisseia, nada, nem episódio de DuckTales, nada. Ele assistiu o filme, ele viu Agamêmnon, ele virou para mim, ele falou: esse cara é um péssimo general porque ele não está à frente do exército dele igual Odisseu. Veja, interpretação. Odisseu liderou. Odisseu, mesmo enquanto estava em Troia e os outros estavam ali, ele ainda lutava. Ele não parou de lutar.
Eu achei esquisito o Agamemnon não ter lutado em nenhum momento.
Eu achei um pouco estranho, mas é um sinal do caráter dele, é um jeito de comunicar o personagem, é um jeito de desenvolver o personagem.
O Agamemnon, ele só exerceu a força que ele tinha como rei de Micenas para juntar a galera para ir atrás do interesse dele, exato, recuperar a mulher dele, né? Inclusive a mulher do irmão dele, a mulher do irmão, né, do Menelau.
Inclusive tem como desculpa, mas ele não é o destaque.
Inclusive o destaque da epopeia da Odisseia fica mais para o Odisseu, né, nesse caso. E naquele caso da Guerra de Troia é o Odisseu e o Aquiles.
Então assim, que não é nem o Aquiles até o fim, né, da Ilíada. Tem, como era o outro, Petro Eu sempre erro o nome dele porque eu quero chamar ele de Petróleo, mas nunca, não é Petróleo.
Inclusive, tem até um relato que parece que essa questão da Helena não foi bem o objetivo principal, né? Parece que objetivos econômicos estavam mais importantes.
Existem várias interpretações sobre isso, né? O que aconteceu de fato, o que é que levou a acontecer. No próprio comecinho da história, quando o Odisseu lembra que da conversa que ele tem com a Penélope antes de sair, né? E o Nolan coloca na boca da Penélope aquela coisa de: a Helena foi sequestrada ou ela fugiu porque quis, né?
Então aquela coisa fica, aquela coisa enorme, né? Isso, o filme coloca a fonte dela ter fugido porque quis também, né?
É o mesmo debate.
Eles também trazem isso, vocês lembram?
É um filme, é porque não tem assim, não tem como você com os olhos de hoje em dia, os olhos da modernidade, dos atuais, você não olhar para qualquer um desses mitos, tentar dar um outro significado com base nas suas vivências, das coisas como são hoje em dia. Então por isso que as pessoas ressignificam a Medusa, ressignificam a Helena, né? Então assim, tem várias interpretações. O mito da do Hades e da Perséfone também. Tem gente que diz que o Hades é sempre contado que o Hades sequestra a Perséfone, mas tem gente que interpreta que não, que a Perséfone fugiu com ele, né? Então assim, é sempre assim hoje em dia, é desse jeito.
É o da Helena aí, foi colocado no filme, né, que ela não gostou de ter voltado, né? Tanto é que ela foi castigada.
Ela foi, ela tem uma marca, né? Aparece a Helena, tem uma marca, né, que alguém não— então fica bem claro quem que fez a marca, como é que foi, né?
Eu entendi que foi o próprio Menelau.
Se eu não me engano, em algum momento da própria edição do texto, eles colocam que depois que a Helena voltou com Menelau, ela ficou numa boa, sabe? Assim, ela continuou vivendo a vida normal, sabe, até o fim.
Entendi.
Agora sim.
Ai, desculpa, galera.
Não houve a revolta com a Helena, não agiu com o Menelau como a Cliteminestra agiu com o Agamêmnon, né? Foi diferente. Então assim, a Helena, independente se ela tava satisfeita ou não, o fato é que ela aceitou e ficou numa boa ali depois do final. Isso é dito também, Pompeia, ela ficou ao lado do Menelau até o final, acabou assim, a história dela acaba ali. Ela voltou de Troia junto com todo mundo e lá ficou, né?
Na epopeia tem o pós ou pós-vida, que daí ela se casa com Aquiles.
Esse deu um detalhe.
Pátroclo, lembrei, Pátroclo.
Ah, o Pátroclo é o cara que assume o lugar do Aquiles.
Ele também é outro herói, super-herói na Ilíada. E daí o Aquiles vem depois dele.
Meu amigo me perguntou assim, que é um absurdo, Aquiles. Eu não lembro se o Aquiles foi citado no filme. Se foi, foi um dos citados. Mas assim, o amigo meu tava indignado e com Aquiles não apareceu. Eu entendi por quê, porque ia roubar toda a cena, né, Ale?
É porque ele não é importante para Odisseia.
Ele só aparece na verdade quando Odisseu vai no Hades, no mundo, na história original, né, quando ele vai no mundo de Hades. Acris, ele vê o fantasma do Aquiles, ele fala com ele, né?
Trocaram pelo Sinon aqui, né?
Não, é assim, o filme tem essa passagem lá, né, do Sinon. Não aparece o Aquiles, realmente tiraram.
Mas assim como tiraram outras coisas também, a mãe dele ele também vê lá, que é horrível inclusive, meu Deus.
Então assim, eu lembro que até o Platão criticava muito a Odisseia na época dele. Ele não gostava do que o Aquiles falava para ele lá no Hades, né, naquela passagem.
Ele falava o quê?
Que ele se arrependia de ter sido herói.
Caramba, ele se arrependia?
É porque para os gregos você morre um herói ou você vive no esquecimento. É que você só se torna um imortal através de contos, e para você ser digno de ser imortal nos contos você tem que fazer um feito muito incrível. E para isso ele morreu em batalha.
E o Platão achava que isso corrompia quem lia a Odisseia, que o grego que fosse ler a Odisseia, que a Odisseia passou a ser usada como uma base de estudo para todo jovem grego. Todo mundo que tava na, né, na formação de um grego tinha que ler os clássicos, inclusive a Odisseia. E o Platão achava que aquilo ali era um absurdo, que aquilo ali fazia o jovem pensar 2, 3 vezes antes de lutar pela sua pátria, sabe, de ser É isso.
Mas o Aquiles não morreu como herói? Não é considerado?
Ele morreu como herói, mas ele não gostou de ter morrido como herói na Odisseia.
Ele morreu jovem, né, na Ilíada, no caso. Ah não, ele morre na Odisseia mesmo, no comecinho, né?
Interessante essa crítica do Platão. Gostei, gostei.
Pois é, no livro Troia que a gente vê no filme do Brad Pitt, eles botam muito isso como destaque, né, que o Aquiles queria ser imortalizado como herói. Ele queria fazer alguma coisa grandiosa para ser o herói, né? Depois, ele, depois, na Odisseia, a gente vê que ele recebe uma profecia.
Mas enfim, voltando, Odisseu decide não parar, não ir para a mesma cidade para abastecer suprimentos, a cidade, mesma ilha que o Agamemnon, porque o Agamemnon, como estabelecemos, é o Agamemnon, uma pessoa não muito legal que não provoca muita confiança, somente medo. E daí a gente tem ele continuando e fazendo a primeira parada dele, que é em uma ilha totalmente saqueada pelo, entre aspas, povo do mar.
Eu gostei muito dessa visão que o povo do mar, que lá na frente a mulher dele está se referindo, Anne Hathaway, né, tá se referindo como que ela tá com medo do povo do mar, etc. O tempo todo eram eles saqueando os locais por onde passava. Isso achei assim genial, gostei, gostei muito dessa visão.
Duas coisas podem ser verdadeiras. Não é porque eles são o povo do mar que eles são o único povo do mar, o povo inteiro do mar.
Não, eu sei, mas é porque a gente não tem a visão de outros invasores. Inclusive pode ser o Agamemnon também, e pelo outro lado não passou naquela ilha.
O Agamemnon estava em outra ilha.
Não, eu tô falando daquela ilha. Eles passaram por outros cantos, entendeu? Pode ter sido por outro caminho. E eu acho isso interessante, eu acho isso bacana da forma que o filme colocou. Eu gostei, gostei, achei legal. Mas só fui perceber isso no meio do filme ali, eu disse, rapaz, será? Será? E foi, né? E se eu não me engano, eles são 9 paradas, e eu acho que o filme fez o quê, 7?
Ele deu uma juntada, umas 10, se eu não me engano. Mas é Enfim, sim, eles juntaram. Depois a gente tem a parada mais famosa, acredito que seja a do Polifemo. Acredito que seja a mais citada, mais lembrada. Enfim, a gente tem diversas diferenças já na primeira ilha do saque, né, a ilha que tá saqueada. Enfim, em que não é possível exercer a lei de Zeus porque não sobrou nada, sobraram poucas provisões, enfim, porque eles foram saqueados.
Mas vamos deixar essa parte para lá, acho que não é um grande ponto a se discutir sobre diferenças disso, de acordo, galera?
Sim, o do Polifemo, eu acho interessante, não tem mais nenhum, né, só ele no filme, né?
Sim, a ilha originalmente do Polifemo é cheia de gigantes, cheia de cíclopes, né? E a gente tem essa diferença de que na Ilha do Polifemo é só o Polifemo. A gente já tem essa questão na adaptação do Percy Jackson, por exemplo, que foca somente na presença do Polifemo ali. E daí a gente tem o Polifemo não falando. A gente não tem a troca do Polifemo com Odisseu, o que acontece no original. No filme, então, primeiro eles chegam em uma, em uma ilha e veem ovelhas, e Odisseu aponta muito sabiamente que ovelhas normalmente andam em bandos, e portanto vamos seguir as ovelhas para saber onde o bando está, para eles conseguirem abastecer os suprimentos deles.
Só que eles chegam em uma caverna e nessa caverna eles são presos por um ciclope e fecha a entrada com uma pedra enorme, que é o Polifemo. A gente nem sabe inclusive que o nome dele é Polifemo até o final, né, da cena. Em questão de filme, sem pensar em diferenças com o original, Primeiro, as questões da cena em si, nua e crua. Eu adorei ver Nolan explorando um pouco de suspense e terror, porque eu considerei aquela sequência um pouco de terror.
Achei bem interessante. Gostei muito da referência clara de Saturno Comendo Seus Filhos, que é uma obra, um quadro. Para quem tá ouvindo e não sabe que demônios é Saturno Comendo Seus Filhos, é um quadro do Francisco Goya, que é muito bom. E se vocês viram o filme, virem esse quadro, vocês vão entender certinho a referência. A textura da pele eu achei muito legal. Eu vi a semelhança que ele falou que teve com O Labirinto do Fauno, que ele se inspirou muito no Del Toro para essa filmografia pós-guerra, essa filmografia de crítica a períodos de guerra, misturando a história com um pouco de ficção.
Né? Então senti realmente essa proximidade e gostei muito do design do rosto, das expressões e movimentação, e da iluminação da cena. O que que vocês acharam?
Teve uma mistura, né, do, da forma que aquele bicho foi gravado. Eu sei que eles gravaram com uma captura de movimento, é, mas tem uma captura de movimento também de um, de um ator em algum momento.
Eles mixaram, né? Misturaram as cenas, porque não dá para fazer movimentos finos com que eles construíram, né?
O Nolan tava elogiando o filme Obsessão e ele disse que tava querendo fazer um filme de terror, mas ele ainda não tem uma história boa para ele, né?
Segundo ele, eu queria muito. Meu sonho de consumo é que ele faça a adaptação do Dante, do Inferno de Dante, do Dante Alighieri. Seria incrível. Eu queria muito ver ele adaptando isso.
Eu não sei como é que ainda não fizeram isso até hoje, né?
Uma adaptação de terror assim, porque é uma coisa tão de terror. Tem vários filmes que fazem referência a isso, mas não que adapte isso não. Mas enfim, o que vocês acharam da retratação do Ciclope, do Polifemo, dessa cena? Acharam interessante?
Eu gostei, não senti falta daquela coisa daquela malandragem do Odisseu, né, que a gente, que todo mundo que leu, que lembra alguma coisa, tinha estado. Luiz mencionou, né, essa coisa do, sim, que incomodou ele no começo. Eu senti falta, mas depois eu vi assim que eu entendi, era outra pegada, a pegada era outra mesmo, de terror e tal. Então gostei, no geral eu gostei.
Sim, eu vejo como mais um ponto onde a Lei de Zeus é desrespeitada. Sim, então eu gosto do filme inteiro fazendo alusão a essa lei da xênia, ou xênia, né, ou xênia. Tem gente que chama de xênia.
A xenofobia vem disso, né? Exato, exatamente disso. Assim, você tem um medo do desconhecido, do estrangeiro, do visitante, é o visitante, o de fora, né? Então, porque o povo grego tinha muito, não tinha, né? Estruturas como a gente tem hoje em dia, né? Então assim, o estrangeiro dependia muito da boa vontade de onde ele chegava, né, para ter onde dormir, para ter o que comer e tal. Então assim, era um costume essa lei da hospitalidade, né, que eles se referem como lei de Zeus, né?
Porque Zeus tinha essa alcunha, inclusive, né? O Zeus era chamado, se não me engano, de Zeus Xenos, né? Porque justamente ele prezava muito essa coisa de de isso, de receber bem, né, o que é de fora e tal. Primeiro você alimenta, primeiro você cuida da pessoa, e só depois você pergunta quem ela é, né, de onde é que ela veio, essas coisas. Então tinha muito esse costume grego, né.
O mito da onde saiu isso é muito bonito, né. Então Ele e Hermes se disfarçam como pedintes, como viajantes, e todos na vila, na cidade, enfim, negam a hospitalidade a ele. E uma pequena barraquinha ao lado assim da vila, extremamente É, como é que eu vou falar, é destruída, sem muita estrutura, sem muito como abrigar, ainda faz o possível para oferecer roupas, um local para dormir, um local para pousar, comida, bebida. E então Zeus se revela Zeus e fala que a vila inteira será destruída, menos aquela, aquela pequena casinha.
E diz para os moradores, que eu não estou lembrando o nome, como vocês podem perceber, já que eu não citei, mas são dois, pergunta se eles têm algum desejo. E daí eles falam que o que eles querem é morrer juntos, eles não querem ter que ver o caixão do outro. Então ele, Zeus, transforma a cidade inteira, a vila inteira, em um pântano, ergue um templo super suntuoso onde esses dois moravam. E esses dois começam a cuidar do templo, e na hora que eles estão cansados de viver, eles se olham, se abraçam e viram uma árvore entrelaçada em outra, que é o carvalho, símbolo de Zeus, e a hítria, acho que é ilha, eu não lembro o nome da outra árvore, mas vira uma árvore entrelaçada na outra.
É bem bonito. Daí vem a Lei de Zeus. Seguindo, Polifemo, o que para quem tá ouvindo não sabe, como assim, que malandragem que a Alan está falando que incomodou Luiz também? A malandragem é que Odisseu chega e conversa com Polifemo. Polifemo se revela um péssimo anfitrião, então ele fere essa Lei de Zeus porque ele cobra um preço. Que são os homens do Odisseu. Ele vai se alimentar dos homens. E Odisseu fala que é Ninguém, o nome dele é Ninguém.
E como a gente falou, originalmente na ilha eram para ter vários ciclopes. Então quando Odisseu— que acontece isso no filme do Nolan também— quando Odisseu perfura o olho do ciclope Ele grita, ele urra de dor, e os outros ciclopes perguntam: o que está acontecendo? Alguém te machucou? E daí o Polifemo fala: ninguém está me machucando, ninguém me machucou. Então os ciclopes ouvem isso e pensam: ok, então tá tudo bem, não aconteceu nada.
Só que tanto no do Nolan quanto no original, a gente tem essa demonstração de que Odisseu não consegue ser frio e calculista, porque o ego é uma coisa profunda e um problema com o qual ele está lidando o filme inteiro. Então, no final, na versão do Nolan, ele passa pelo Polifemo, está tudo em paz, eles estão conseguindo escapar tranquilamente, silenciosamente, e Odisseu taca uma flecha, tira uma flecha no olho do Polifemo como uma vingança, entre aspas.
E no original, quando eles estão no barco, Odisseu fala: e quem te machucou foi Odisseu de Ítaca. Então nesse momento, no original, o Polifemo consegue clamar para Poseidon para se vingar de Odisseu de Ítaca. E daí nesse momento, no original, o Odisseu é amaldiçoado por Zeus. E no do Nolan, nesse momento da perfuração, o Polifemo fala finalmente. E ele fala, inclusive adoro a voz dele toda distorcida, acho incrível. Ele fala que, ah, pai, me machucaram, vingança pelo meu machucado, vingança pelo meu olho, pai Poseidon.
E daí os homens do Odisseu começam a falar que eles estão amaldiçoados, mas a gente não vê em momento nenhum, né, o Poseidon.
Foi bem antes, né, bem, bem antes que ele tenha jogado essa maldição.
É quando eles furam o olho do Polifemo.
Então não, porque tu falou como se fosse no momento que ele dá flechada na saída, mas é lá dentro da—
não, o original é no fim, e no Nolan é assim que eles perfuram o olho, é antes deles saírem.
Aí eu gosto que fica aquele debate entre eles, né? E a gente, que a gente não tenta conversar, né? E não tentou conversar desde o início, né? Não sabia, né?
Pois é, e nem arriscaram saber.
E mesmo depois não arriscaram também, né?
Sim, é porque daí, né, eu concordo com você, o ponto do seu é totalmente válido. Acho que eles estão um pouquinho, passaram do ponto de conversar com polifemo depois que eles furaram o olho do bicho, né? Meio difícil você argumentar. Então eu furei seu olho, Não é que eu tava com medo, meio complexo.
Então, como eu tinha falado assim, eu senti falta dessa questão do ninguém, né? Ah, quem, ninguém tá me atacando, ninguém tá me atacando, tá? Mas como não tinha outro Ciclops ali, né, não ia fazer sentido esse diálogo do ninguém, né? Também.
E eu acho que tirar esse Essa parte do ninguém é importante para que a gente de novo crie uma afeição pelo Odisseu, porque essa parte do ninguém só mostra como ele consegue enganar. Ele é inteligente, ele é conhecido pela sagacidade, né, dele, mas ao mesmo tempo ele é extremamente orgulhoso, né, ele tem essa falha. Então colocando só como uma vingança, uma flechada, quando ele sai na caverna, uma coisa como um descontrole da ira dele, fica mais adequado para a visão moderna de, ah, eu entendo, ele segurou até o último minuto a raiva dele.
Então é mais palatável esse erro, entre aspas, dele, do que se adaptasse a parte do ninguém e depois ele falasse, foi o seu.
O Odisseu sai muito abalado lá de Troia, né, meio arrependido. Só que eu não pesquei em qual momento que ele realmente parou para pensar e se arrependeu, né, naquela questão toda e tal.
Eu acho que o filme mostra no momento que ele olha, dá uma olhada assim no que tá acontecendo ali, ele meio que pensa: o que foi que eu fiz, né? Porque foi ele que teve a ideia de entrar com o cavalo de Troia e tudo mais, né?
Então aí chega no Ciclope e ele faz aquilo da flechada no final Eu pensei que era um pouco contraditório, né? E eu parei para pensar também agora que aquela questão que você falou do Aquiles foi colocado esse debate para o Odisseu, né, de se arrepender.
Ah, sim, os dois têm essa questão, os dois têm a profecia, os dois têm a escolha de escolher. A escolha de escolher é difícil, né? Eles têm a escolha entre a imortalidade através das lendas e uma mortalidade longa e plena. Tanto que o Aquiles, ele é muitas vezes colocado em comparação com Odisseu por causa disso, né? Um é um guerreiro formidável, o outro é astúcia que ganha. Ele ganha pela astúcia. Então, não que Aquiles não fosse astuto, vocês entenderam.
Aí, próxima parada, vamos lá.
Aí eles saem desesperados e vão para a pior ilha, tanto na Odisseia quanto no filme do Nolan, que é a ilha que eu não tinha entendido na versão do Nolan, tá? Eu vi eles cheios de armadura, eu fiquei, ué, que que tá acontecendo? Que ilha é essa? Demorou para eu entender. Que é a Ilha dos Lestrigões, que a gente não sabe que chamam Lestrigões também no Nolan, mas eles são Lestrigões, são gigantes. Essa ilha, toda essa Ilha dos Lestrigões é uma questão do Nolan.
Eles não usam armadura, não tem criança chorando, não tem árvore movendo. Na verdade, eles são gigantes canibais que jogam pedras. Nas pessoas e nos navios. Eu particularmente gostei depois que eu entendi que eram os lestrigões. Eu achei interessante a mudança. Eu entendi a necessidade da armadura pelo jogo de câmera, porque tudo é feito com efeito prático, né, porque é o Nolan, o mínimo de computação. Então nessa cena, por exemplo, a dublê do Matt Damon é uma mulher e Eles buscaram para os Lestrigões atores extremamente altos, dublês extremamente altos, e para a tripulação do Odisseu pessoas extremamente baixas, para ter esse jogo de câmera.
Não é?
Eu achei bem legal. Saúde! Tem toda essa questão da diferença, mas é igualmente traumático passar pela Ilha dos Lestrigões porque no original tinham acho que 12 navios e sobram 3. Acho, Alan, me corrija se eu estiver errada. E daí no do Nolan são 3 e sobra 1. Então a gente tem essa grande perda de várias pessoas, eles têm que sair fugido porque não tem como salvar ninguém.
Eu não gostei muito não dessa, dessa parada aí não, achei fraquinha.
Por quê?
Não, achei fraca, não curti muito a cena toda não.
Por quê?
Agora a próxima, a próxima eu achei ok.
Eu achei ok.
Então eu queria saber por que que você não gostou.
Se fosse muito parecido com da mitologia, não ia ter tanta graça, que os bichos jogando pedra, né?
Exato.
Não ia ter um efeito assim, nossa, que coisa! Pelo menos dá uma sensação de pânico de verdade assim, de que eles não têm.
Exato. Uma atmosfera de suspense, né? Ficou legal. Gostei até da criancinha gritando, achei bem interessante. Fiquei bem curiosa para saber como o Nolan faria um filme de terror por causa dessas sequências. Bom, é o momento em que a gente vê Odisseu chocado, assim, mais abalado, vai, com as decisões de parar nas ilhas, com as decisões que ele tem feito, e a gente sente que ele tá segurando um peso enorme nos ombros. A gente tem o diálogo dele com Atena de: você não entende os sinais dos deuses?
E ele fala, acho que é nesse momento que ele fala pela primeira vez para Atena: vocês deuses podiam se comunicar de uma forma mais clara. Aí ela começa falando: mas quem não entende o medo? Quem não entende o raio? Quem não entende a tempestade, a maré? Como se fossem realmente essa ideia de forças da natureza são os deuses. E daí a gente tem o começo da revolta, né? Os tripulantes, os soldados do Odisseu, eles começam a duvidar do Odisseu, o que, de novo, Alan, por favor seja minha base nisso, não acontece na Odisseia.
Até um pouquinho mais para frente a gente tem essa dúvida. A grande traição é na Ilha de Apolo mesmo, né? Sim, não tem esse momento de dúvida antes deles.
Não, acho que não, ainda não.
Enfim, próxima parada a gente tem a Ilha da Cície. Aí sim, na verdade é a mesma dos Lestrigões, eles só dão a volta, que no caso da Odisseia original. Não é outra ilha, que enfim, lestrigões não convivem com outros que não sejam lestrigões. Mas nesse eles só dão a volta e tem uma fumaça saindo. Eles veem uma casinha e decidem, a tripulação decide deixar o Odisseu responsável ali pela, pelos barcos, junto com outro soldado. E eles vão sozinhos para casa da Circe e começa uma das sequências que assim não achei que ia ter tanto destaque.
Tava na verdade com medo de como iam adaptar e fiquei muito positivamente surpresa.
Eu acho que foi feito com bonecos, né? Não foi feito com CGI nem nada.
Achei legal, foi efeito prático. Eu não sei se vocês sentiram isso, mas eu senti uma aproximação de um body horror como Alien assim. Com a mesma intenção quase de invasão corporal, dos limites corporais.
Sim, tem uma referência de outro filme nessa história mesmo que eu tava tentando lembrar e não tô, me fugiu agora da memória. A forma como ela modela a cara deles tem alguma coisa de, tem uma referência daquele filme das bruxas lá que tá na Disney, não sei se é aquele da Convenção das Bruxas.
É, eu pensei que fosse algo tipo.
Não, não é em outro lugar, mas eu não lembro agora exatamente.
É um clássico também isso que Alan tá falando. Eu acho que eu vi, mas eu não vou lembrar, Alan. Mas enfim, eu senti essa proximidade com a, com a Aline, no sentido de é uma violência, é uma violência sexual, da mesma forma que ela afirma ter sofrido, né, tanto com os homens do Odisseu quanto com outros anteriores. E é uma violência extremamente invasiva que te deixa com receio, com nojo até, com uma sensação de estar sendo invadido, de estar vendo algo extremamente íntimo que não era para ter acontecido, que não era para estar acontecendo, como um assédio, um, enfim, não vou falar o crime de fato, o crime sexual que estamos pensando, porque senão é perigoso, né, censurarem o negócio.
Mas eu achei interessante esse viés de o que eles fizeram, porque a gente tem subentendido no Nolan, mas a gente tem ele por escrito, né, ele extremamente explícito na obra do Homero, que são as violências sexuais perpetuadas por todo o exército do Odisseu e do Agamêmnon, enfim, dos outros reis. Na cidade de Troia contra civis inocentes e sacerdotisas.
Enfim, é algo assim, ah, só tô transformando eles no que eles realmente são, né? Eles estão usando disfarces. Como gostei.
Sim, sim, é bem interessante. Um apetite insaciável, né? Uma coisa, eles saqueiam, eles vêm, eles dominam, eles violentam e eles abandonam. É bem interessante. Na original é super diferente essa sequência da Circe. Ela realmente transforma os homens em porcos, em animais, e o Odisseu na verdade recebe ajuda de Hermes. Ele recebe uma raiz que anula a poção da Circe, e na verdade o que acontece é que Odisseu se apaixona entre aspas, pela Circe, porque um é um desafio intelectual para o outro.
Eles são rivais intelectuais e isso faz com que surja um amor ali. E somente quando ela confia nele, ele confia nela, que ela realmente fala a profecia e todas as as orientações sobre como navegar para o Hades e toda essa questão de direções do Caribe, da Sila, e destransforma, né, volta para o disfarce os homens dele.
Então vem daí todas as dicas do que vem pela frente.
É, no do Nolan ela também fala, né? Também é ela que fala?
Não, ela fala para ela ir atrás do Hades.
Sim, eles fragmentam, né, no Nolan. Mas no original ela fala, ela dá todas as instruções e ela partilha tudo que ela sabe com o Odisseu. Mas depois dos dois terem um ano de romance ali, um ano, os homens dele como porcos. Ou antes desse um ano eles viram humanos de novo, mas eles ficam tipo no cantinho ali. Eu acho que eles estão como porcos, eu não lembro. Mas enfim, daí tem uma parte que a galera fala que não é canônica, né, da Odisseia, que é— aí eu não vou lembrar em que livro que tá, acho que é o da Circe mesmo, que ela tem um filho com Odisseu, inclusive.
Nossa, tem toda uma loucura que, enfim, vou resumir muito, muito, muito, muito resumido. Assis tem um filho com Odisseu, Odisseu vai embora, o filho do Odisseu recebe uma profecia que tem que encontrar o pai, e daí ele navega, encontra sem querer Odisseu e mata ele. E daí ele se casa com Penélope. Você tá confundindo com Édipo, será? Daí ele casa com a Penélope e o Telêmaco casa com a Circe. Toda uma loucura. Enfim, toda uma loucura, mas não é isso que acontece. Então é e não é complicado.
Foi o Homero?
Não, mas tiveram várias partes da Odisseia que foram adaptadas, inclusive como Odisseia, que não foi Homero.
Então não é cano. Não é o Curumada que faz, não é, Cano? Alan, que conhece esse debate aí.
Enfim, seguindo, temos a sequência da Circe, que é uma sequência de body horror maravilhosa. Vocês querem acrescentar alguma coisa sobre essa parte?
Eu acho que a parte da Circe foi a que eu acho que gerou mais assim repercussão, né? Das pessoas, eu percebo, né, que assistiram filme, além da do Ciclope, claro, né.
Rapaz, tinha uma mulher do meu lado que estava o filme todo chocada com tudo que acontecia. Ela botava a mão na boca assim, olhava para o namorado dela e ficava, sabe assim, eu percebia que ela estava muito chocada. E eu acho legal que esse filme apresenta essa história para uma nova geração, né, acho interessante isso.
Uma coisa, eu não me espantaria se a atriz que interpretou a Cíce, que agora eu esqueci o nome dela, ela deva ser indicada e de repente até ganhe o Oscar de coadjuvante, de atriz coadjuvante.
Sim, porque ela vendeu a Cíce de uma maneira, porque a Cíce até então ela nunca tinha sido interpretada dessa maneira, né? Eu pelo menos nunca vi ela sendo interpretada dessa maneira, tá?
Eu gostei que ela tem uma cara de personagem filha da mãe.
É a Samantha Morton.
É, mas na verdade ela, ela tá numa vibe mais estou devolvendo o que fizeram comigo e com todas as outras mulheres, porque ela mora sozinha, é uma casa, ela é invadida o tempo todo. Então é uma O Nolan coloca isso, a meu ver, ele coloca essa cena mais como um: ela é realmente ruim? Quem é o real ruim? Não tem preto e branco, tem gradações de cinza, né? Famoso. Mas a Samantha Morton, que é a atriz que interpreta a Sissy, foi a primeira que eu vi nessa maneira, porque antes a Sissy sempre é uma pessoa, uma mulher extremamente sedutora, extremamente maravilhosa, uma aura meio misteriosa, meio sexy, meio, ai, usufruam da minha hospitalidade e de mim também.
Sempre uma vibe meio assim, a não ser em uma Odisseia, mas que daí é antigona mesmo. Que eu vi uma vez para zoar só, inclusive meio triste essa história, é a história de Deel sem entender cinema, é porque era aquela pegada meio teatral do cinema antigo, mudo ainda. Então eu assisti, eu achando, rachando o bico, porque era tudo muito performático, mas a Circe dessa versão também era super Meio performática, mexendo nas pessoas para transformar.
Era bem legal. Mas nas outras versões é uma varinha, ela coloca uma varinha assim e daí a pessoa, puff, animal.
Ela é uma personagem assim que inspira outras versões. E até na DC tem a sua Circe, a Marvel tem a sua Circe, inclusive que ela é uma dos Eternos, né, que a gente vê no filme dos Eternos.
Exato. Ela é uma grande inspiração para tudo. E inclusive tem alterações, né, no mito dela, porque primeiro ela é a mãe da feitiçaria, porque ela é a mãe da magia e tal, porque ela é a primeira feiticeira. Depois surgem os relatos dos deuses menores, tipo Hécate, daí ela é filha de Hécate. Então tem toda uma questão, ela foi uma pioneira a seu modo.
É complicado. Ela também tem versão que ela é filha de Hélio, Sol, né? Enfim, tem variante.
Todo mundo muito louco, cada versão filho de alguém. Ninguém quer assumir a paternidade. Enfim, seguindo, disse-se, eles pegam todo o rabinho entre as pernas e vão para o Hades. Uma sequência que, na minha opinião, meu Deus, que sequência linda de morrer de ver!
Gostei demais.
E quando você sabe como filmaram, mais linda ainda, mais impressionante ainda, porque os dublês estavam realmente embaixo de todos aqueles cascalhos. É uma pedra, é uma pedra, uma praia na Islândia que tem aquelas pedras, né? Então eles estavam com snorkel embaixo enterrados, e daí quando era para gravar eles tiravam os snorkels e saíam.
Eu acho que eu conheci essa praia lá da Islândia, eu acho que eu fui lá.
Ai, que chique! Conte tudo!
Foi na Islândia?
Eu já fui na Islândia, mas eu, mas o que eu fui era uma parte que tinha mais rochas assim, sabe? É uma parte que é mais famosa, que o pessoal gosta de tirar foto nas rochas assim meio cortadas, assim meio quadriculadas assim, sabe? Tipo lapidada, é como se fosse lapidada pelo tempo, né? Mas ela é toda quadradinha assim, sabe? Mas a terra é exatamente como mostra lá mesmo, a areia da praia daquele jeito mesmo.
Bom, então eles surgem do solo, os mortos, quando o Odisseu e seus homens fazem o sacrifício. Daí a gente tem a questão das informações sobre a viagem e a gente tem o momento do Sinon explicando, né, o porquê do Sinon estar naquele filme. Quem é o Sinon? Ele é o soldado deixado para trás para provar que o presente era um presente mesmo e que os gregos realmente haviam saído dali. Ele é morto pelos troianos ao lado do cavalo de Troia.
E daí ele expressa profundo, profunda raiva e tristeza, melancolia, porque ele foi enganado até o último minuto.
Como foi que eles fizeram isso? Tipo, você não vai ali rapidinho? Aí todo mundo foi embora, se escondeu. Aí ele voltou, tava o cavalo lá. Não entendi muito como foi feita essa dinâmica aí, mas tudo bem.
No original a gente tem um personagem que fica para trás, um soldado que fica para trás, mas ele precisa realmente convencer, né, que o cavalo é um presente. Então ele fala que ele quer ser troiano, ele não quer mais ser grego. E enfim, totalmente diferente. É, pois é, a gente não vê essa galera, não vai embora, não.
A galera se esconde, outra esconde os navios ali em algum canto. Morto, mas eles estão ali ainda, né? Então assim, como foi que eles fizeram para despistar? Não sei, mas funcionou, né? O que importa é sim.
E daí ele é morto e ele revela, né, porque ele encontrou o pai dele também entre as sombras, que são os mortos, e ele revela que ele foi traído. Porque no começo do filme a gente vê que não era para ele ir para guerra, ele não foi o sorteado. E sim o personagem do Robert Pattinson, mas que o personagem do Robert Pattinson troca com o Sinon e promete que vai continuar, vai ficar pagando a família do Sinon para que eles não tenham que se preocupar com nada.
E daí, sob essa condição, o Sinon vai para guerra, só que ele revela nesse momento do que foi tudo uma mentira, que ele nunca pagou nada, que a promessa foi vazia e que ele não tem honra. Portanto, ele exige vingança. Ele pede para Odisseu executar essa vingança e entregar a flautinha dele de madeira de volta. O pai morreu, né, pobre, de fome, que é horrível. É, além disso, a gente tem o Agamêmnon falando, revelando o que aconteceu com ele, que é: ele foi assassinado pela esposa dele com a ajuda do amante da esposa, que, fun fact, é o inimigo do Agamêmnon no palácio, era, né, o inimigo do Agamêmnon no palácio.
E ele fala Odisseu, se eu posso lhe falar uma palavra de sabedoria, volte para casa disfarçado e não buscando louros e glória, porque pode ser que Penélope faça a mesma coisa. E daí planta uma sementinha da discórdia no Odisseu, que ele fica: é mesmo? Muito tempo? E essas são as sombras com as quais ele fala, certo?
E tem o vidente, né, que fala.
Mas aí é o próprio Hades.
Ali não é o vidente, é o Hades mesmo que passa aquelas informações.
Não é uma sombra, não é um morto falando aqui.
Não, não, eu entendi que não era um morto, mas eu entendi que fosse um tipo um vidente mesmo, né?
O profeta Tiresias, é o que assim se disse, né, que ela encontraria e que ele O profeta vai revelar tudo através da oferenda para Hades.
Ele consegue, ó, você pode ouvir, mas os seus, os seus não, né?
Porque é pro de seu. Tem muito essa questão nos mitos gregos, que não é para um grupo a profecia, é para pessoa.
Aí eu achei legal esse negócio. E vem aí a parte aí de Cavaleiro do Zodíaco, né, Alan? Sila. Grande Odisseia. Caribe, diz, eu não lembro se aparece em Cavaleiros. E tem uma diferença aí entre sereia e a siren, né, que seria o Sorento de Sereia lá em Cavaleiros, né, e Pet de Sereia, né, porque na tradução meio que ficou tudo a mesma coisa. É, muitas interpretações é, mas é o siren, seria tipo, é um bicho que voa, né, com corpo de mulher e asa ali.
E a sereia é uma sereia que a gente conhece, né? E na tradução da legenda eu acho que ficou a mesma coisa, né?
E, e, mas tem isso, se eu não me engano, no outro sereias mesmo, mas no original são mulheres pássaro. Quer dizer, depende da versão também. Essa é a merda. Tem inclusive pintura dos dois, pode escolher a sua versão.
É, no fato é que são criaturas que têm uma aparência eventualmente feminina, né, e que conduzem quem escuta o canto delas à morte, né. Então sim, eu acho mais interessante, sabe, é porque tipo assim, a sirene, né, que a gente vê a mitologia, vieram primeiro, né. A do sereia que a gente vê com a Pequena Sereia ou a referência Cavaleiros e tal, É a Marmade, né? Vem mais do conto do Hans Christian Andersen, que é outra, não sabia, outro lugar inclusive.
É outra coisa interessante, não sabia. São personagens diferentes lá no 106 Cavaleiros.
Mas aí a gente tem a profecia de que todos os homens do Odisseu vão morrer menos ele, e que não adianta ele ir contra os deuses. Ele tem que aceitar a profecia, a natureza e o destino. E daí ele fala, então eu desafiarei o destino, eu desafiarei os deuses, enfim e tal, sigam em frente. Eles saem do Hades e Odisseu opta por não revelar nada da profecia. Ele segue fundo e sucesso. Eles passam sobre as sereias e daí Odisseu revela que eles vão ter que cobrir as orelhas com cera.
Isso acontece no original mesmo. É realmente, Odisseu tem ali a sua primeira experiência de bondage, ele é amarrado no mastro, e porque ele precisa ouvir a mensagem da sereia, ele precisa ser a pessoa viva a ter ouvido a mensagem da sereia. Nessa parte do Nolan, eu achei genial o som abafado, as sereias ao longe, e o Odisseu contando depois um relato assim como se tivesse tido uma crise de ansiedade profundíssima nele, que ele tá sem fôlego conversando sobre como foi, sobre o que ele ouviu. Ele quer ouvir, mas ele fala que precisa. Mas ele quer para ser o único.
É, eu entendi isso também, que ele queria porque queria passar por aquela experiência e tal. Sim, com relação a isso dele não querer contar a galera, eu achei que assim tá correto para acontecer, como ele mesmo fala, pô, para acontecer do jeito que tinha que acontecer, ele não podia contar, né? Senão eles não tomariam a decisão que seria a que levaria sacrificar menos pessoas para salvar mais pessoas. Tinha muito para onde correr, tinha sim dessa parte, mas tem várias outras, né?
Eu achei genial essa coisa de a gente não ouvir o canto da sereia em si. A gente tem só o relato de como o Odisseu interpretou, né, o que ele ouviu do canto. Achei legal essa parte.
Pedaço de diálogo incrível, né? Eu não vou saber falar palavra por palavra, mas a ideia geral de elas cantam sobre algo que você, o que você mais quer ter, mas que você quando percebe que já tem, já não tem mais, né? Então que incrível! Eu fiquei assim, gostei, gostei muito dessa parte.
A transição dele ali de tá gostando do que tá ouvindo para um desespero completo. É muito bom.
Sim, e ele contando depois, né, esse misto de sensações é muito bom. Seguimos para o grande dilema entre Caríbdis e Sila, dois monstros marinhos que foram mulheres, pois sempre é assim na mitologia grega.
Que delícia!
É maravilhoso ser mulher na mitologia grega. A gente tem Caríbdis, que é um monstro que provoca o redemoinho mortal, que para o filme do Nolan foi um monte de jet ski criando aquele turbilhão, que foi aumentado com computação gráfica. E a gente tem a Sila, que é um desfiladeiro extremamente estreito, onde quase destruiria o navio, mas não destrói. Só que tem o preço de— são, é um monstro de 6 cabeças, então ela vai cobrar o preço de 6 homens para passar, aleatoriamente escolhidos.
No original também tem essa questão da decisão. O Odisseu também faz com que os homens escolham a Sila. E também 6 pessoas morrem, sem muitas alterações nesse ponto. Na parte da Cereza também sem muitas alterações. Algum relato sobre a parte da Sila? Sobre—
não, gostei também, nada demais a declarar.
Talvez tenha sido mais interessante se ele tivesse feito a perda dos homens específicos, se tivesse sido mais específico assim, sabe, para ele sofrer mais e tal, que na história original é mais sofrido para ele essa parte.
É, ele sofre com essa decisão, ele faz essa decisão, mas ele sofre com essa decisão. A minha impressão é que conforme o filme avança, ele vai ficando mais É, como é, eu não sei como uma palavra para falar isso. Ele vai ficando mais, não acostumado, mas não tem tanto impacto. Isso, anestesiado. Mas dá para ver que não é porque ele é uma pessoa ruim, e sim porque realmente ele está anestesiado, sabe?
Escutou, né, que ia acontecer assim, já meio que sabia.
Exato. Ele meio que passou por um pré-luto ali. Parece que as forças dele estão se esvaindo, ele não tá mais conseguindo desafiar os deuses tanto quanto ele queria originalmente. É, inclusive, outro fato curioso: os atores, né, os dublês que são içados pela— que são abocanhados pela Sila, na verdade eles estão sendo içados para as pedras. Eles realmente foram puxados. Então quando você vê o movimento dele sendo puxado, a única coisa fake ali é o bicho, porque que a pessoa tá realmente sendo puxada.
Sério mesmo, isso de efeito prático, né?
Ele sempre leva, né? É uma pessoa meio conhecidinha por isso. Aí depois da Sila a gente tem a grande traição, tanto no original quanto no Nolan, que é a Ilha de Apolo. E quão cruel é a cara do Odisseu? Quão cruel no sentido para a gente assistindo é cruel ver ele se desmontando dessa maneira, desistindo desse nível. Porque a gente tem depois da Sila o segundo em comando dele falando: você sabia que isso aconteceria, você não contou.
E daí ele falou: vocês querem que eu conte? A próxima ilha vai ser a de Apolo e vocês comerão o gado sagrado de Apolo e ninguém vai ficar vivo, só eu vou sobreviver. E ele conta, ele decide, né, contar. E daí todos juram para ele que não comerão, que dará tudo certo. E daí Odisseu fala: não vamos parar nessa ilha, vamos seguir, vamos parar em outra ilha. E daí o segundo em comando dele fala: não, a gente não vai parar, porque daí é a grande traição, ninguém mais vai aceitar a ordem do Odisseu.
Eles vão para a ilha de Apolo e cruelmente, o vento ajuda eles a aportar na ilha. E lá estão as belas vaquinhas de Apolo.
Mas pera aí, mas o vento parou de soprar também, né, para sair?
Então eles acabaram de chegar.
Mas aquela visão do que ela comentou, ah, será que a influência dos deuses na história, né? Será que isso aí já é parte do castigo, né, que da maldição que já vinha rolando há algum tempo? Foi Poseidon? Foi Atena? O que foi que aconteceu aqui, entendeu? Acho legal essas questões.
Atena não é, né?
Que Atena tá do lado dele.
Pois é, teoricamente, né? Teoricamente, que ele também, eles também violaram o templo de Atena, né?
Não, mas ele tem o broche de Atena, então o O tempo inteiro ele é protegido de Atena, tanto no original quanto no Nolan. Atena fala com ele. Mas enfim, aí é que se a gente for seguir ao pé da letra, Vento seria a Ártemis, porque foi por causa do vento que Agamemnon sacrificou a Ifigênia, né, para ela. Mas enfim.
Seguimos, né?
Partiu o barco também, tem isso. Então tem talvez influência de Zeus também.
Tem uma parte que não foi adaptada no filme, que é quando eles encontram o Elo, né?
Que é o que dá o saquinho de vento.
Isso, que muita gente achou, sentiu falta que ele ter visto e tal, que o pessoal abre o saco de vento e aí eles vão embora no barco e vão, voltam tudo. Não tava chegando perto de ir até que eles voltam tudo de novo.
Tipo a caixa de Pandora, né?
É mais ou menos isso.
É, só que é um saco de vento, literalmente um saco de vento. Enfim, aí a gente tem longos dias em que o vento para de soprar e eles não conseguem sair da ilha. Com isso, eles perdem todas as provisões que eles tinham e começam a passar fome. Odisseu está caminhando pela ilha já sabendo o que ele vai encontrar, e ele vê todos os homens dele comendo o gado sagrado de Apolo. Quando eles voltam, que daí eles comeram, o vento muda na hora para eles saírem da ilha, porque era exatamente o que a profecia falava.
E vem de novo aquela coisa de: são os deuses? Não são os deuses? Acaso ou consequência? E daí a gente tem mais um momento do Odisseu com Atena falando sobre a linguagem dos deuses não ser clara, E que Atena aponta que o Odisseu está carregando tudo nos ombros dele, que a culpa é dos tripulantes, porque que eles não ouviram o que Odisseu falou. E daí Odisseu fala, mas eu conduzo os tripulantes, eu sou o chefe deles, eu deveria ter proibido, eu deveria, enfim, né?
É quase um egoísmo, não é um egoísmo, mas é uma centralização da responsabilidade, né? Ele não terceiriza a responsabilidade.
Não foi culpa dele também, né? Então assim, toda vez essa questão.
Pois é, mas ele sente que sim, o que é algo, né, que dá para a gente entrar no mérito de ser parte do pós-traumático dele, né, do transtorno pós-traumático. Enfim, e também a consequência de um pensamento extremamente racional. Ele vai realmente trazer a responsabilidade para ele. Porque ele é o que sabia, ele é o que não acredita nos deuses, ele é o que fica— não necessariamente não acredita, mas ele é o que fica desafiando toda hora.
Então, né, e ele se sente culpado também porque ele tem essa coisa de: será que se eu tivesse feito um sacrifício? Será que se eu tivesse enterrado os mortos devidamente? Enfim, aí eles saem e imediatamente tempestade atrás de tempestade, uma sequência incrível também de tempestade. Que foi feita com uma sequência de lanterna, tá? Não tinha raio de verdade, não foi computação, foi lanterna.
Você também, se não mete raio de verdade também, aí o cara tá maluco, né?
Não, mas não foi com computação gráfica, não foi raio, certo? É lanterna, truca de iluminação. E daí o navio se parte com raio, deixando só o Odisseu de um lado e toda a tripulação morrendo do outro. Ele acaba na Calífata.
Foi Zeus que meteu o raio ali?
É, teoricamente, na narração foi.
Na história original, o gado não é de Apolo, é de Hélios, né? O próprio sol, né? E ele fica irado, né, quando o gado dele é devorado. E aí ele vai reclamar com Zeus, ele chega a ameaçar: vou levar a luz ao mundo das trevas, ao mundo de Hades. Se ele não for vingado. E aí o Zeus vai, solta um raio e destrói o navio.
Faltava, inclusive no original, é importante que seja de Hélio, porque no fim, quando Odisseu vai fazer a prova da Penélope, ele pede ajuda de Apolo. Então não faria sentido, né? Ué, você fez seus tripulantes comer meu gado, eu vou te ajudar agora como, meu querido? Então faria muito sentido.
Eu acho que o Apolo, a mitologia tem uma narrativa que conta que na época que o Apolo tava vivendo na Terra, né, por causa daquela treta que ele teve com Zeus e tal, enfim, aí ele tinha, ele trabalhou como pastor de ovelhas, né, de gado. E aí ele tinha, até que Hermes apareceu, nasceu Hermes, inclusive criou a Líria, deu para ele, enfim. Então tem uma história do Apolo com gado também. Acho que é por isso que o Nolan trocou aí as bolas.
Sim, a pessoa que até uma simplificação, né?
Porque hoje se confundem muito, né, determinado momento.
Sim, enfim. Aí a gente tem o começo, a gente volta para o começo do filme em que ele tá narrando tudo para Calypso, tentando lembrar. A gente tem a junção da questão da Ilha dos Comedores de Lótus com a Calipso, que alimenta Lótus para ele como uma forma de apaziguar e amansar os sentimentos conflitantes dele. E assim ele passa 7 anos com a Calipso ali.
É um pouco isso. Eu pensei assim que ela tava meio que como se fosse emagrecendo ele ali para ele ficar com ela e não ir embora, para ele esquecer das coisas Mas aí quando ela começa, por algum motivo que eu não entendi, perceber que ele tem que ir embora, ela começa a desmamar ele da droga ali, entendeu? Aí eu fiquei confuso se ela queria que ele ficasse, aí depois mudou.
É por causa do que ele fala para ela, né? Ela começa a falar com ele sobre o amor e tal, não sei o quê, aí sobre ele tá vivendo uma ilusão e tal. Ele fala que se fosse assim não era verdadeiro, né, o amor, se ele tivesse ali porque tava Não era exatamente essas palavras, mas a ideia é essa, né? Sim, que ele disse que se ele, né, se ele lembrasse do passado dele, né, se ele fosse completo, e se aquilo ali não fosse real, fosse só uma ilusão, então não era amor de verdade, né?
Não era, não era para ele estar ali. Então é que ela percebe que ela tá segurando ele na mentira, né? Porque se ele soubesse da verdade, aí ele ia decidir se ele quer ficar mesmo ou não, e ele decide E que tipo assim, que a Calipso, a Calipso ela não, ela não faz isso na mitologia, né? Não, né? Nada, uma coisa que tem uma coisa também que não foi colocada, aquela questão ali lá dos comedores de lótus, né? Que também não é bem exatamente a lótus-flor como a gente vê ali, é mais um fruto e tal, é diferente.
Mas enfim, eles meio que juntou, né, uma coisa com a outra, colocou ali que Acho que deu certo, ficou legal. Lembra que tem um negócio desse também, que eles vão e se inebriam também com uma lótus, né, também num lugar lá que parece Las Vegas, né?
É, só que daí é de Hermes, que não tem relação com Calypso. A gente vê a Calypso no Percy Jackson mais tarde, em outro momento.
No mito, Hermes é que ajuda lá, vai lá e diz para Calypso que ela tem tem que liberar o Odisseu, né, a pedido da Atena, que pediu aos Eus.
Então enfim, eu gostei da ideia, é porque tudo é cheio de melindre, porque Atena não pode brigar diretamente com Poseidon, então ela se disfarça em vários momentos e ela vai por trás da cortina ali mexendo uns pauzinho para que Odisseu seja favorecido. Ninguém quer uma briga direta com os três grandes, né? Então eu gostei da ideia do Nolan colocar a Calypso olhando para o céu direto. Sempre quando o Odisseu fala alguma coisa, antes dela dar Lotus para ele, ela olha para o céu como se fosse uma alusão a: será que eu desrespeito Zeus?
Será que não? Fica uma coisa tipo: será que ela tá só olhando para o céu? Será que ela tá olhando para Zeus? Eu gostei dessa constante dubiedade sobre, ai, será que tá, será que tem deuses, não tem deuses, que que tá acontecendo? E eu gosto muito do que dele contando a versão dele aos poucos, lembrando aos poucos com calma, como se fosse uma pessoa realmente saindo de uma crise. Gosto desse momento reflexivo do Odisseu, sim, que faz com que a gente realmente sinta empatia, né, por ele.
E então vem a aprovação final, que Calipso fala que ele tem que— inclusive, Calipso fere a lei da hospitalidade porque ela não permite a saída do anfitrião dela, até que o anfitrião se lembre. E daí a gente tem o teste final, que é a Calypso falando que para ele voltar ele vai ter que finalmente entregar o destino, a vida dele ao destino, aos deuses, e no caso, né, do Nolan, a sorte. Porque o que tiver que acontecer acontecerá.
Não há um teste de fé maior. E ele faz isso, ele constrói uma balsinha bem das mequetrefe e vai, e acaba na praia de Ítaca, em que Atena— ele fala: onde eu estou? Onde eu estou? E Atena fala: você não reconhece mais a sua própria casa. Ele está em Ítaca. No original a gente tem umas diferencinhas desse momento também, né?
É mais esticado. Ele encontra uma, como é que é, no povo, esqueci agora, no povo que encontra ele. É uma corte real que recebe ele e tal, ele é bem recebido aí. Lá que ele vai começar a contar as coisas tudo que aconteceram.
Exato, que ele até chora com as canções. É bem legal, bem legal essa sequência. Mas tudo bem, faz sentido também, ficou legal. E agora a gente fala do outro lado, que tem duas histórias acontecendo ao mesmo tempo, né? Odisseu e Telêmaco. No começo do filme, Penélope está no palácio de Ítaca tecendo o sudário para Odisseu, para velar Odisseu e assim conseguir outro pretendente e o trono de Ítaca ter outro governante, porque Telêmaco ainda não está em idade suficiente para assumir o trono e não pode ter uma mulher governando, pois sociedade patriarcal.
E a gente tem aquele momento clássico de Penélope, você está desfazendo o seu tear à noite, porque uma das criadas fala para o personagem do Robert Pattinson, o anfitrião, o anfitrião, o pretendente mais sem pudor nenhum e sem ética, moral, bons costumes nenhum, que inclusive convence os outros pretendentes a ficarem pressionando a Penélope, né?
E sempre nos banquetes ele revela papelzinho forreca da minha gofa. Meu Deus do céu, tava esperando mais aí da participação dela.
Coitada.
Enfim, ela é criada, que na verdade todos os criados são escravos. A escrava em questão, interpretada pela Mia Goth, está mancomunada com o personagem do Robert Pattinson. Antônio, Antônio. Ai meu Deus, eu nunca sei pronunciar o nome dele. Socorro, Antônio. Ele revela que sabe do Thear e a gente sabe que a Penélope está sendo traída por uma criada que aparentemente ela confiava. A gente consegue então a revelação de que todos os criados estão corruptos, estão com algum dos pretendentes dando informações.
E o Telêmaco, interpretado pelo Tom Holland, fala que nós temos ainda alguns servos fiéis, que são ironicamente os mais idosos, é o responsável pelos porcos, né? E uma criada da cozinha, os que têm mais destaque. Daí, nesse caso, Telêmaco resolve, porque Penélope está tentando de todo jeito enrolar, mas também não enrolar o fato de conseguir outro pretendente, e não quer que Telêmaco saia porque acha que os pretendentes vão tramar a morte dele.
Telêmaco então sai secretamente com ajuda dos criados de confiança para Esparta para falar com Menelau e descobrir se o pai dele está voltando, se tá vivo, se tem alguma notícia, se ouviu falar sobre a existência do cara chamado Odisseu. Nesse ponto a gente descobre também sobre o Argo, que é o cachorro velho de caça do Odisseu, que tá com muitas dores, muita dificuldade, não consegue andar direito, mas ele tá esperando a volta do mestre dele, que é o Odisseu.
A gente tem um desrespeito constante com a lei de Zeus dos pretendentes, que são teoricamente os anfitriões, já que eles estão promovendo os banquetes. Tudo bem que é com os recursos de Ítaca, não com os deles, mas eles querem Pois é, mas mesmo assim eles negam, né, todos os direitos que a Lei de Zeus preza. Eles negam. É, Telêmaco vai para Esparta, fala com Helena e com Menelau, descobre sobre o destino do Agamêmnon em partes, porque o Menelau não quer falar sobre.
E eles tramam um plano para expulsar todos os pretendentes, que é fazer a Penélope se casar com um e expulsar os outros, porque daí o Telêmaco teria que lidar só com um pretendente e não com todos, já que se ele simplesmente mata os pretendentes, ele teria que se exilar, porque seria um crime absoluto. Telêmaco volta com guardas, inclusive, e acaba no mesmo ponto em que Odisseu acaba. Daqui um tempinho, pera aí que eu vou ter que cortar de novo essa narrativa, mas Telêmaco acaba chegando no templo.
E Odisseu acaba no templo após, pela lei de Zeus, ser acolhido pelo criado que ainda é fiel a ele, o Eumeu, que é parcialmente cego, não reconhece Odisseu. E ele fala: ai, não me alimente falsas esperanças, porque ele já tá cansado de pensar que o Odisseu vai voltar, ele tá exausto já, né, dessa situação. Mas ele ainda assim oferece tudo que a Lei de Zeus precisa que ele ofereça para Odisseu. E então Odisseu parte para o templo descobrindo que vão tentar matar Telêmaco lá.
Lá ele se reencontra com Telêmaco e consegue evitar um assassinato do próprio. Até aí, alterações, comentários?
Eu não gostei muito do Tom Holland, achei bem fraquinho como Telêmaco.
Você queria que ele tivesse o quê?
Mais ódio?
Eu achei.
É, então eu não sei o que que ele— porque o Telêmaco tá perdido, ele é um jovem, ele não tá pronto para o trono, ele tá tentando de tudo quanto é jeito, ele tá numa posição delicada, né?
Porque exato, ele é, além dele ser muito jovem ainda Tem essa questão da Lei de Zeus, né, dele não poder fazer nada contra os caras que estão lá, as atrizes estarem tentando puxar toda hora uma briga. Então claramente extrapolando, né, a Lei de Zeus também, péssimos, péssimos hóspedes, né. E enfim, é complicado, né, complicada a situação dele. Eu acho que o Tô Rolod faz, fez o que ele pode fazer, eu acho que ele tava ok. Eu vi muita gente falar, foi usar calça mesmo, assim, nossa, como ele tá extraordinário, não sei o quê. Achei ok, achei bom, mas não foi nada assim.
E ele é o que o pessoal catou para Cristo para falar, não gostei que colocaram pai e mãe no filme porque se referiu como pai e mãe. Gente, é sério, sabe? Eu, tipo, eu entendo, mas ao mesmo tempo é sério. É engraçado porque foi assistir o filme como uma pessoa que leu as adaptações, né? Porque a gente não consegue ler. Eu não sei grego, então eu não consigo ler Homero de fato, né? Mas quem leu as traduções, quem leu a Odisseia e tal, é um constante duelo, porque tipo Não é assim, mas eu gostei.
Não é assim, mas eu gostei. Não tinha isso nessa época, mas tudo bem. Foi um duelo assim que eu senti o tempo todo. Você também sentiu, Alan?
Não, eu tô mais aberto à questão de adaptações, eu não me incomodo tanto não. Eu sou fã de Cavaleiros do Zodíaco, né, que já faz um desgraça de mitologia grega. Tem fidelidade nenhuma ali em Cavaleiros, essa mitologia grega, basicamente os nomes. Então Ah, tô acostumado, realmente. Estudar mitologia grega e ver as outras coisas, hein, você tem que desenvolver essa casca grossa. Isso não dá para ser inflexível, né? Porque na verdade a mitologia grega, os clássicos gregos, eles inspiraram tantas coisas direta, indiretamente, que tem muita coisa que você nem se toca que é referência à mitologia grega ou aos clássicos e tá lá, né?
Tipo assim, até Star Wars também, certa forma, enfim, os tropos, né, clássicos, então tá tudo ali de um jeito ou de outro. Então é isso, a gente tem que ter essa cabeça fria, sabe? Eu me incomodei muito porque eu vi muita gente muito revoltada na internet, sendo muita esse cri-cri, sabe, com essa coisa de fidelidade, de nossa, de não tá na— cadê isso? Por que que não tá isso? Por que que tá assim? Passado. Eu acho que é um estresse desnecessário.
É, eu não senti um estresse, nenhum momento de cri-cri. Eu fiquei mais tipo, nossa, mas por que que ele não colocou isso? E daí no final tudo clicou, parece que faltava a última peça, sabe? E daí tudo clicou e tudo fez sentido. Daí eu fiquei, ah, captei. Mas aí depois eu fiquei ruminando assim, será que se ele colocasse isso teria mudado? Aí eu fiquei refletindo, sabe? Mas nada, nada digno de nota.
Tem muita coisa que foi de fora. O papel mesmo dos pais, dos pais do Odisseu mesmo, a questão da mãe lá do Hades, o pai dele que ainda deve viver, ele é só mencionado também na história, ele não aparece, né, o Laerte. Que o Laerte inclusive é um ex-argonauta, né, de outro mito famoso também.
Então assim, por isso que o cachorro chama Argo.
Por isso que o cachorro chama, exatamente, bichinho do cachorrinho. A cena mais triste para mim foi a do cachorro.
Sim, eu achei que eles não iam pegar essa cena, tá? Pois é, bicho, eu fiquei feliz até de adaptarem porque é um detalhe muito legal.
Eu gostei da Penélope, que o tempo todo o pessoal fica cobrando, ah, tem que ter um rei, tem que ter o rei. Mas ela tá de rainha ali, pô, ela tá coordenando a parada ali na ausência da galera, teoricamente, né? Teoricamente.
Eu acho que sim, foi dito muito, como Luiz falou algumas vezes, os críticos assim muito o jeito que o Lula escreve as mulheres e tal, mas no caso da Penélope do jeito que a coisa tava ali, do jeito que a situação tava, acho que não tinha como fazer ela de outro jeito que não fosse daquele jeito. Eu acho que ela tava bem desenvolvida dentro dos limites que a própria história permite, né? Ela até extrapolou alguns momentos, que ela que menciona a história de Helena ter sido sequestrada, ela ter fugido por conta própria.
Ela tem esse discurso de falar, mas e a minha experiência? E eu que tô aqui esse tempo todo, 20 anos aqui, não vale de nada, né? Então assim, tem coisas que até funcionou, ela extrapolou, que eu não esperava que fosse extrapolar. Sim, para mim eu achei que foi muito bom. E isso permitiu a Anne Hathaway se destacar um pouco mais no papel. Tem um, eu lembro que o Dalleno Gari chegou a ficar revoltado na crítica dele porque ele achava que a Penélope foi muito escanteada, que ele via ela como uma coisa, uma figura tão importante quanto Odisseu.
Mas em nenhuma adaptação Penélope é tão valorizada assim, nenhuma. Então é aquela coisa, mais interpretação de quem tá analisando a epopeia de uma forma, né, com outra cabeça e tal.
Enfim, então no final tem a Penélope, ela não confia no Odisseu até o último minuto. E daí eu queria, essa era uma parte que eu queria que tivesse, mas ao mesmo tempo eu tenho para mim que aquele momento em que, porque assim, eles Eles saem do templo e eles vão para o palácio, e Telêmaco não sabe que é o Odisseu, ele acha que é só um cara aleatório que tá ajudando ele. E daí o Argo reconhece o Odisseu numa cena lindíssima, e a partir disso Telêmaco sabe que o Odisseu é o Odisseu, e ele fica todo feliz.
Só que Odisseu pede para que ele mantenha segredo para que eles consigam bolar um plano para se livrar dos pretendentes. E ver se a Penélope realmente não quer ninguém mais, né? O último teste dele para ela, o que eu acho assim, eu achei um pouco prepotente da parte dele, já que ele ficou 7 anos com a Calypso, né? E no original eu também acho prepotente, tá? Porque ele fica com a Circe e com a Calypso no original. Então eu realmente tenho essa questão para mim, meio prepotência dele.
Mas de novo, sociedade patriarcal, então vem até daquela sementinha que foi plantada na cabeça dele lá atrás, no arco.
Joga menos.
Até mesmo o filme faz sentido isso também.
Então sim, faz sentido. Isso foi birra minha de verdade, tanto que meu momento crica. Aí a gente tem o teste da Penélope, né? Penélope estabelece que a pessoa pela qual ela vai ceder, ela vai casar com a pessoa que conseguir montar, armar o arco de Odisseu, que só o Odisseu conseguia, e atirar por uma sequência de 20, 12 machados.
Eu acho que são, eu acho que são 12. Em algum momento muda esse número algumas vezes, mas é por aí.
Enfim, o teste é o mesmo no original. Essa parte é uma parte que geralmente eles não mudam, né?
Não tem uma adaptação que eu saiba que mudaram.
Em muitas adaptações eles mudam, às vezes é atravessa os cabos, às vezes é os machados estão de uma posição diferente, ninguém, mas sempre os machados. E o arco é sempre, só não tá muito certo como é que é que ele faz esse negócio. Eu lembro, existe um estúdio de cinema, qual é o estúdio? Não lembro agora. Tem um estúdio que a logo dele é uma animaçãozinha justamente do Odisseu através do machado.
Não é um estúdio muito grande, mas tem, né?
É muito legal disso.
Toda vida que aparece esse logo, eu lembro do Odisseu.
Enfim, aí é pela lei de Zeus, todos os que— e pelas leis do teste da Penélope, é todos os que estão naquela sala têm o direito de testar. Os pretendentes tentam um após outro, ninguém consegue. E daí, quando chega a vez do personagem do Robert Pattinson, A gente vê que ele é um covarde, que ele não se dignifica nem a tentar isso. Ele tenta manipular, né? Ele fala: já ficou, já ficou claro que ninguém nunca vai ser o Odisseu, você tem que se decidir entre nós que estamos aqui.
E daí o Odisseu fala: eu vou tentar. E todo mundo ri e tal. Ele amarra, ele consegue armar o arco, ele consegue fazer o estrondo lá, né, a reverberação da corda, o que eu acho incrível porque é o momento em que você vê a expressão da Anne Hathaway fazer toda atuação necessária. Eu achei muito legal o olhar dela mudando e remete à noite anterior quando ele ficou conversando com ela pela tela, em que ele assume a culpa em que ele fala que eles são o povo do mar, que é o que Luiz ficou falando, em que ele finalmente para de ver Atena porque ele finalmente assume a culpa, ele assume o que tava incomodando ele, ele coloca para fora, né, ele desabafa e ele entende que a barreira que ele cruzou foi cruzada para a eternidade, não vai ser possível voltar atrás. Ele cruzou, então todo mundo pode cruzar agora essa barreira.
Não existe mais uma régua a ser seguida.
E ele só conseguiu um fim naquela guerra porque ele jogou sujo, porque ele promoveu um massacre gratuito na cidade de Troia, onde horrores foram feitos, e onde a gente tem a revelação de que a Zendaya na verdade não está fazendo Atena. Fala sobre isso aí, Alan, que acho que é mais vibe suas.
Não, pois é, o que eu percebi quando eu vi aquela cena, né, é que de fato ela era uma vítima, uma troiana, né, que foi sacrificada lá gratuitamente lá pelos soldados. E isso mexeu muito com a cabeça do Odisseu, né? E aí ele ficou com aquele trauma na cabeça, e aí ele projetava ela na figura de Atena. Que só ele via e só ele falava com ela, né?
Então nesse momento ela some.
É, interpretação que eu tive era a seguinte: quando eu vi aquela cena final, foi que faltava para mim para entender a interpretação de que tudo aquilo ali era imaginação do Odysseu.
Tudo que aconteceu, ela, ou Atena está se fazendo naquela forma para meio que punir ele também.
O que muita gente interpretou também, né, que era na verdade Atena fazendo aquilo como uma lição para ele de alguma forma.
Mas eu não sei, eu não, eu gosto das duas interpretações, ela, eu acho bem legal.
Não consigo chegar a uma conclusão, mas eu acho muito massa a sua conclusão de que tudo não passa de coisas da cabeça dele porque ele é o único que viu, né, porque levar em conta o pôster do filme falar Defy the Gods, né, eu pendo muito mais para interpretação do Alan do que para essa de que era realmente Atena, porque o filme inteiro é a razão contra a crença. Então não tem por que o ápice do filme você pensar, era Atena.
Porque se fosse Atena divina mesmo, ela teria feito mais coisas, inclusive.
Exato.
Só aparecido para ele, ela teria intervido em outras formas, entendeu? A gente teria visto alguma coisa mais fantasiosa, um pouquinho, sabe? Teria visto ela atuar indiretamente para ajudar o Telêmaco, como acontece, né, na história. Enfim, apesar de não mostrar os outros deuses, e que ela interage com os outros deuses também no texto original, Aqui ela podia ter pelo menos interagido com outros personagens, a gente ter visto bem claramente que ela era ela se fazendo passar por tal personagem. E a gente não vê nada disso.
E ela nunca fala nada divino de fato, ela nunca fala uma profecia, ela nunca fala uma coisa que o Odisseu não saiba. É como se fosse realmente a consciência dele falando com ele.
E quando ele expressa o pesar dele pelo que ele viu em Troia E ele lembra da cena da mina morrendo. E aí ele olha para Atena e ela do nada toca nas mãos dele, eles se tocam como se fosse assim ele pedindo perdão para ela. Aí eu percebi de fato assim, para mim foi o que faltava, né? Ele tá, só ele que vê ela porque ela não é Atena de verdade, ela é uma imagem do que ele tá projetando. Então eu entendi naquele momento que não tinha nada a ver com divindade, com nada disso, era tudo coisa da cabeça dele.
Inclusive tudo que ele tem contado até então era fantasia que ele teve, alguma forma de processar o trauma dele, né, de todas as perdas que ele teve, de tudo que ele passou até então, né, todos os marinheiros que se perderam no caminho.
Enfim, que são saber em qual momento que ele perdeu a, né, o sentido ali, né, na Guerra de Troia, onde o choque foi grande.
E daí ele desenvolve o estresse pós-traumático, né, o transtorno de estresse pós-traumático.
É que aquele momento bem chave que a gente mostra o Matt Damon rodando assim, olhando ao redor e vendo tudo sendo destruído e as coisas caindo, explodindo, enfim. Aí que ele se toca, né, de como a coisa toda tava fora de controle total assim.
Não era mais uma guerra, vários civis sendo mortos sem motivo.
Já não era mais uma guerra por um objetivo tal, era mais um massacre mesmo de uma população inteira.
Se eu não me engano, ele fala 10 anos de de fome, de raiva, sendo descarregados em uma noite. Ele fala alguma coisa assim, não fala?
É mais ou menos isso.
Nossa, que é muito bom também, meu Deus, diálogo bom.
A interpretação de que, inclusive aquela questão que a gente tava falando lá no começo das eras, nas eras da humanidade e tal, sobre o ponto de vista da própria mitologia, enfim, o que acontece na Guerra de Troia, ela marca o final dessa era dos heróis gregos. Sim, a partir daí, aí já era mais humana, humana mesmo assim, sabe? Onde os deuses não aparecem, não deixam mais assim de lado a humanidade.
Então, até porque daí a gente vai ter um grande ápice da filosofia grega.
Quem foi que disse? Teve alguém que falou, algumas críticas que eu vi depois, que o efeito da Guerra de Troia foi muito similar ao efeito da bomba atômica Em termos de mudar a história, o curso da história da humanidade, né?
Então, que daí, portanto, Oppenheimer conversa com o Seiya.
Isso. Então assim, é mais uma coisa que o Nolan, né, gosta de trabalhar essas coisas de, né? Porque é meio que tudo o filme do— esse filme ele converge muitas coisas que o Nolan já trabalha em outros filmes dele, né?
Exato. Inclusive o protagonista com o ego que não consegue se aguentar também. Porque o Oppenheimer também tem essa questão do ego.
Então a Guerra de Troia, ela é muito conhecida justamente até os dias de hoje, né, pelo Cavalo de Troia. E o Cavalo de Troia foi uma invenção, foi uma ideia do Odisseu.
Então assim, na verdade foi de Atena, né?
Mesma coisa que o Oppenheimer idealizou a bomba atômica, ele também idealizou o Cavalo de Troia.
Então é muito legal analisar isso, que os dois conversam. E a gente, pelo filme do Nolan, né, a gente tá vendo um filme que tá também sendo um alerta para a sociedade atual, porque a gente também tá vendo um império que dominou o mundo, que é ícone para o mundo, caindo. A gente também tá vendo o fim de uma civilização, o fim de uma sociedade como a gente conhece. Então também vejo muito esse alerta de extremismo, de se basear muito e fazer sacrifícios em nome de um bem maior suposto e fictício.
Pois é, e ao contrário do que a gente vê no filme, onde o Odisseu narra que aquele é o fim da Era de Bronze, né, a gente tava vivendo um momento em que a gente não sabe exatamente, talvez só no futuro, aqui há muitos anos, as pessoas vão olhar para trás e vão dizer, é, foi aquele período ali, aquele marco que ele terminou a mudança da sociedade como a gente tem hoje. Porque as coisas estão mudando de um jeito ou de outro, né?
A gente não sabe que idade que vai finalizar, porque isso é uma coisa que vai vir depois.
Eu, na minha cabeça, para mim, tenho que tudo mudou depois da pandemia. Mas você pode muito bem perguntar a outro historiador, dizer que não, que tudo começou lá no 11 de setembro. Enfim. Pode, a gente não sabe ainda.
E por que não várias eras, né?
Depois, às vezes no futuro, vão separar mais isso.
Sim.
E daí a IA chegando, os Estados Unidos perdendo um pouco do prestígio absoluto que eles tinham, né, sendo encarados por outra ótica. Então a gente tem muitas mudanças acontecendo. Mas para concluir, Odisseu consegue completar a prova, Penélope de bate-pronto já reconhece ele e fecha a— e se fecha no casulinho dela ali de proteção e deixa inclusive a personagem da Mia Goth para morrer junto com todos os pretendentes. E daí é uma sequência de ação incrível, sem mais, sem notas, aquelas 10/10, absoluto cinema.
E mata Mia Goth? Que eu não lembro, não aparece.
Príncipe. Ela morreu, se eu não me engano.
Ela pode ter sobrevivido.
Não, nas versões teve uma adaptação que fez ela sendo morta ao mesmo tempo que ela se abraça com o Antínoo. Atira uma flecha, atravessa os dois ao mesmo tempo.
No Homero, todos, todas as criadas, que são escravas, né, no caso, elas são enforcadas.
Hoje o seu tem um negócio de pegar todo mundo que não foi leal a ele nesses anos e se vinga, né?
Uma coisa que eu gostei muito dessa adaptação do Nolan foi essa diferença, porque ele coloca no começo do filme, quando fica estabelecido que a personagem da Mia Goth traiu a família, né, a quem ela estava servindo, o Antino, ele fala: ela é uma escrava, o que você esperava? Ela se ela não pode ser leal, ela tem que se adaptar, ela tem que se manter viva. E realmente faz todo sentido, porque para o Homero simplesmente aconteceu, elas dormiam com os pretendentes e pronto, porque, né, a época.
E para justificar também no final todo mundo ser morto, talvez faltasse uma cena boa para mim. A Golfe, ela justamente tem esse diálogo Ela deixando claro que ela só fazia aquilo porque ela tinha que sobreviver e tal, e não tinha outra opção.
E ela pode ter se apaixonado pelas mentiras dele também, porque com certeza houveram mentiras, né, sobre, ah, vou te alçar e tal.
Faltou uma cena dela realmente para inclusive justificar mais a presença dela ali, porque ela é uma atriz que tem se destacado e tal, né.
Sim, então, mas enfim.
Tudo deu certo mesmo, eles partindo, aquilo ali.
Então, o exílio de Odisseu. A prova é concluída, Penélope aceita Odisseu de volta como seu marido, e daí, por conta do massacre que ele promoveu, ele tem que se exilar. No original isso não acontece, ele continua reinando daí até um dado momento em que Telêmaco assume o trono e ele vai Veleza com Penélope vai embora.
Telema, se eu não me engano, Atena tem que intervir para poder as famílias não se vingarem.
A questão toda que o filme inclusive traz, né, isso aqui não só uma questão simplesmente da lei de Zeus, é se o Telema tivesse matado eles ali, os pretendentes, antes, todas as famílias que os seus respectivos exércitos Então é um dos motivos até políticos pelo qual ele não pode fazer muita coisa. E quando o Odysseus resolve fazer a grande, né, vingança no final, ele quer dar conta de tudo sozinho para justamente ninguém tocar no, dizer que o Telêmaco fez alguma coisa, para o Telêmaco ser o rei, assumir, e ele ser exilado e fugir.
Porque no original, de fato, há toda uma guerra de novo, uma Inclusive o pai do Odisseu, o Laertes, ele entra na luta também, mata o pai do Antínoo também. Enfim, tem toda uma coisa depois que até Atena chegar e apaziguar todo mundo é um pequeno caos ali.
É bem, bem interessante. E daí no do Nolan, ele vai, ele aproveita que ele vai ser exilado, ele vai para oeste para honrar os mortos que ele não pôde honrar quando morreram. E é isso. A gente tem uma interpretação muito engraçada, como Luiz falou, do Robert Pattinson gritando espadas, lanças, escudos.
E era tipo a covardia dele não querer entrar na luta diretamente, mas ficou engraçado, né?
É para ficar, porque é para você achar ridículo uma pessoa com uma atitude dessa. E daí vai ficando, conforme ele vai ficando mais desesperado, vai ficando mais ridículo. Na minha interpretação foi isso.
Mas assim, a grande mensagem no final do filme é essa, que eles, quando ele fala que, né, que é o fim da Era de Bronze e tudo mais, que tudo ali que eles fizeram determina o fim, né, da questão da ordem como eles conhecem, enfim, a lei de Zeus foi rompida e eles se tornaram o povo do mar, né, no final das contas, como o Luiz trouxe várias vezes essa, essa parte, essa questão. Então é para dizer que a gente também, a nossa humanidade daí para cá só piorou, no sentido de nós não respeitamos os outros como deveríamos nos respeitar, né?
E tratamos o estrangeiro de uma forma péssima, né? E essa constante luta, né, de uns contra os outros é o que a gente tá nesse mundo até hoje, de guerras, e do jeito que tá as coisas Acho que a mensagem do final do Nolan é essa. E muita gente se perdeu nessa coisa de tá nas minúcias das diferenças, de, ai, porque o Odisseu do Nolan é mais herói do que o humano cheio de defeitos que a gente vê no texto original. E se perdeu-se essa coisa da mensagem que o Nolan tava querendo contar com essa história, né?
E eu achei triste porque muita gente não aproveitou o filme como poderia ter aproveitado. Exato, era para a gente estar discutindo a mensagem do que a questão da fidelidade do filme ou questões de woke, né, como o pessoal fala.
Inclusive, para essa interpretação, é por isso que ele traz a Odisseia antes da Ilíada, porque se você conta o feito, o feito da guerra antes, você conta o ponto heroico antes, É difícil você descer do patamar para falar, gente, mas não foi tudo isso, não foi legal o que aconteceu. Depois que você assiste um filme como Troia, é difícil você falar, não, mas que feio essa guerra. Você trata como se fosse uma coisa incrível. Então o fato dele tratar a Odisseia primeiro e depois Odisseu, lembrando do massacre que foi, porque foi um massacre, fica muito mais pesado a favor da mensagem que ele tá querendo passar.
Inclusive, só uma observação aqui, que ator escalado para ser o jovem atino, viu? Igualzinho Robert Pattinson. Impressionado, eu tava impressionado com aquilo ali, impressionado. Eu olhei assim, eu disse, não, não é possível, dá até a sobrancelha, pô.
Igual.
Se vocês me permitem, meninas, para concluir, eu queria falar que a adaptação que o Nolan diz ter usado da Odisseia foi a primeira adaptação em língua inglesa feita por uma mulher. Eu achei isso bem legal.
E eu vi ela recentemente criticando o filme do Nolan. Olha aí, vendo que perfeição é sobre quem é, quem é a Emily, a Emily alguma coisa.
Aí eu não lembro o sobrenome dela não, pera aí.
Eu vi hoje isso numa rede, devia ter guardado, mas ela tava lá criticando a Emily Wilson. Ela tava falando que não gostou muito das escolhas.
Primeira versão completa em inglês escrita por uma mulher.
Nossa, mas foi em 2017, eu pensei que era algo mais antigo, mas é novo.
Isso diz alguma coisa, né? Inclusive, para quem se interessou muito, eu vejo muito esse filme do Nolan como uma porta para o pessoal se interessar por essa ideia da literatura clássica, da Odisseia, das epopeias gregas, né? Então, para quem se interessou e quer ir atrás de mais coisa, Eu indicaria realmente esse livro da Emily porque ele é mais acelerado, o estilo dele, ele é mais tranquilo de ler do que se você for pegar os versos em poesia, porque é realmente cansativo.
Eu também indico assim fortemente Canção de Aquiles, tá? É um, não é uma canção, é um livro da Madeline Miller, é muito, muito, muito, muito bom. Também vai falar muito sobre a parte do Aquiles na Ilíada e na Odisseia, porque ele aparece nos dois, né? E sobre a Circe especificamente, também tem um livro chamado Circe, é um romance pela Madeline Miller, e fala sobre essa questão, essa história que eu falei rapidamente da Cícero ter um filho com o Odisseu e fala sobre toda a questão dela, sobre as interpretações que ela tem.
Muito bacana também. E por último, eu vou indicar um filme para quem— como é que eu vou falar? Para quem Acha que a Penélope não tem grandes coisas ou grandes feitos, que é o livro da Odisseia pelo ponto de vista da Penélope, que é Odisseia de Penélope. É muito mais difícil falar esse título em inglês, então eu não vou nem tentar, mas é Odisseia de Penélope, é um romance da Margaret Atwood, que sim, esse nome é familiar porque é a mesma escritora do conto da E ele desconstrói inteiro a Odisseia.
É bem curtinho, então é bem gostoso de ler e dá um foco muito diferente, não só por se tratar da Penélope, mas também as coisas que acontecem na Odisseia são interpretadas de outro jeito.
Muito bom, muito, muito bom. E é isso.
E o filme do Bob Esponja de 2004 Uma beleza a visão dela lá fazendo, tecendo o negócio, depois desfaz, aí tece, desfaz. Ah, que ótimo! Inclusive, eu tô com raiva agora.
Você tá diminuindo a história da Penélope a tecer o sudário?
Tá.
Não tem versão em português dessa, da Odisseia da Emily Wilson, só tem inglês.
Tem tradução feita?
Tem outras versões aí que o pessoal recomenda. Agora até esqueci os autores, mas Depois eu posso até acrescentar aí para você colocar o link para a galera procurar e tal, comprar.
E o da Emily tem, talvez não por meios muito bacanas, mas tem.
E uma das mais populares do Brasil inclusive é essa do Frederico Lourenço, que tá em promoção inclusive na Amazon, né? Também tem um box bonito que reúne a Ilíade e a Odisseia, também é bem procurado, né? Tem uma edição comentada da Odisseia também que parece que é muito boa.
Tô vendo aqui Frederico Lourenço. Enfim, tradução direta do grego.
Olha só, do Trajoto Vieira também, bem, bem famoso também. Também tá lá na Amazon, mais caro um pouquinho.
Então obrigado a todo mundo que ouviu até o final e até a próxima. Tchau, tchau, tchau, tchau!