Episódios de Quebrando a Cuca

Do jaleco ao negócio

01 de maio de 202630min
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Do jaleco ao negócio: dá pra empreender ainda na universidade?

Nesse Quebrando a Cuca, a conversa é com quem está vivendo isso na prática.

Kauana Yrina e Daiana Baragão recebem Augusto Cesar Dorneles para um bate-papo direto sobre os bastidores de empreender enquanto ainda está na faculdade de medicina.

Sem romantização:

– Como conciliar estudo e negócio

– Onde estão as oportunidades reais

– As barreiras que ninguém fala

– E o que muda na mentalidade de quem decide começar antes de “estar pronto”

Se você está na universidade ou já percebeu que o caminho tradicional talvez não seja o único… essa conversa é pra você.

Sexta-feira é dia de Quebrando a Cuca.

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Assuntos7
  • Inovação em SaúdeOtimização de processos clínicos com IA · Pré-anamnese com inteligência artificial · Resumo clínico estruturado para médicos · Humanização e eficiência na consulta médica
  • Formação UniversitáriaHabilidades desenvolvidas na faculdade (tomada de decisão, trabalho em equipe, empatia) · Busca por conhecimento de negócios fora da faculdade · Experiências empreendedoras prévias (vestuário, produtora cultural) · Formação em casa e em eventos
  • Mercado de medicina saturadoPrevisão de aumento de médicos no Brasil · Perda de privilégio de reserva de mercado · Conflito entre carreira médica tradicional e startup · Estabilidade sem propósito
  • Liderança e soft skillsFerramentas de IA e no-code para MVPs · Comunicação clara · Escuta ativa para entender a dor do mercado · Adaptação às constantes mudanças do ecossistema de inovação
  • Empreendedorismo médico e gestão de consultórioConsultório como negócio · Falta de gestão em negócios médicos · Formação focada apenas em ser médico
  • Falhas empreendedoras e aprendizadosMedo e insegurança ao apresentar ideias · Permissão para falhar e pivotar · Aprender com erros e recomeçar
  • Médico bom vs. construtor de soluçõesSer um bom médico é indiscutível
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Bom dia, gente. Chegou aí a nossa sexta-feira com a presença ilustre da minha corroche, que tá aqui pra trazer a graça pra esse nosso programa, esse nosso encontro, né, né? Ai, ai de mim que não dê conta dessa abertura toda agora, né, gente? Muito bom dia!

Pessoal, olha só, se você está acompanhando a gente no YouTube, dá o sininho. Se você está no LinkedIn, já deixa um textão gigante para a gente. Diz que você não gostou, que você quer saber outra coisa, mas conversa aqui conosco, porque o nosso objetivo é te atender, é trazer muito conteúdo, é muita informação.

de inovação, inteligência artificial, startup, investimento, todo esse nosso ecossistema que você encontra aqui, toda sexta-feira, e cheio de graças com a Daiane. Viu? Vamos fazer um negócio? Quem fizer o melhor comentário, a melhor, nem que seja para reclamar, está tudo bem também, a gente vai ler aqui, e nós vamos ter que convidar para defender essa tese daí. Se você for bom, você vai defender aqui, mas se for ruim, vai defender também. Então, ela está abrindo crítica ou...

Nossa, como você é ousada. Ela, ó, criticou, elogiu e ainda vai ter que defender aqui com a gente no estúdio. Gostei de... Nossa, gostei de... Nossa, gostei de... Não me venha só falar, né? Então vem aqui, ajuda a contribuir pra gente fazer melhor. Eu tô bem disposta, hein? Nossa, ó, arrasou a... Ó, fala mal, mas fala junto. Fala junto, vai. Vamos agregar.

Pessoal, primeiro vamos agradecer o nosso patrocinador, que é o Grupo Condor. Graças a ele, a gente está aqui toda semana junto com vocês, trazendo aí muita informação, muito conteúdo desse nosso ecossistema. Quero agradecer também todas as startups, a Ibexia que está aqui com a gente também.

o tempo todo falando desse universo de inteligência artificial. E você pode entrar na plataforma, pode, olha, não consegui acompanhar, não consegui assistir agora, sexta-feira de manhã. Não tem problema, você ouve no Spotify. Ah, não consegui ainda, por causa do trânsito e tal, prefiro ler. Entra na comunidade que tem todo o artigo escrito lá e você pode acompanhar de alguma forma. Ah, não consegui, eu quero só um pedacinho. Entra no nosso Instagram e acompanhe. Você não pode ficar de fora.

Não, e quem tiver ainda nessa sexta-feira indo para a praia, viajando, qualquer lugar, porque é feriado, põe no podcast, galerinha. Vamos ouvindo, né? Vamos compartilhar. E hoje a gente vai fazer uma coisa diferente. Semana passada, nós estávamos com a Luísio, que é do Sebrae e também tem muito conhecimento dentro das academias, dentro das universidades. E a gente trouxe um trecho do Augusto, que é um estudante de medicina que fala e que constrói, está construindo uma startup.

E aí, a gente conversando nos bastidores, a Day disse assim, Cal, vamos fazer um link? Vamos pegar uma coisa e trazer para outra. Às vezes dá, às vezes não tem como fazer isso. São assuntos muito diferentes. Mas hoje dá para a gente fazer um link.

Falamos da universidade semana passada, desse mercado da educação, e hoje a gente trouxe um aluno, estudante de medicina do último ano, que tem uma startup. E aí vamos trocar um pouquinho com ele, conhecer ele. Tudo bem, Augusto? Tudo bem, muito obrigado por me terem aqui hoje.

Conta para mim um pouquinho. Assim, pode ficar relaxado que você está nervoso. Gente, o pessoal senta aqui e fica nervoso. Dá um chacolhão. É, se movimenta. Tudo certo, porque quando a gente está falando aí desse universo de inovação, começando a criar uma startup, não tem o certo e o errado. São hipóteses a serem validadas. Então, você está...

No ambiente seguro. Super. E maravilhoso ainda, né? Porque você pode falar aberto e joga aberto. Conta para nós um pouquinho, antes de a gente entrar no assunto, quem é você? Conta um pouquinho o que você construiu, como é que você pensa, como é que você inventou, o que você está inventando. Certo. Conta da sua história um pouquinho para a gente.

Então, meu nome é Augusto César, eu sou acadêmico do último ano de medicina da Universidade Federal do Paraná. Eu vim para Curitiba a estudo, sou do interior de Minas Gerais. E no ano passado eu fundei a Medful NECI. Na Medful NECI a gente ajuda médicos e clínicas a eliminar a parte burocrática da consulta. Então, o paciente, utilizando inteligência artificial, fazendo uma pré-anamnese, ele responde a algumas perguntas e a gente consegue gerar...

um resumo clínico estruturado para o médico, tornando a consulta mais humanizada, mais eficiente e mais segura. Tá, vamos lá. Você está vindo de um mercado extremamente tradicional e seguro. O que fez você sair desse caminho óbvio e vir para um mundo de tanta incerteza que é criar uma startup?

Então, antigamente, a gente poderia falar isso com mais clareza, no sentido que a área médica, ela realmente traz essa segurança. Mas hoje a gente sabe que no Brasil, apenas, a gente tem 635 mil médicos. E a previsão é que até 2030, a gente tenha mais de um milhão de médicos atuantes no Brasil. Então, mudou muito esse privilégio de ter um pouco de reserva de mercado.

E eu não acredito que eu estou saindo desse mercado, da área médica, para construir um outro mercado, sabe? Meus pais, eu vi eles a vida inteira construindo negócios e ajudando pessoas. Então, eu sempre tive essa formação de liderança dentro de casa, de responsabilidade, de tomada de iniciativa. E empreendedorismo. É, já nasci com isso.

E quando eu entrei na faculdade e que eu vi que eu poderia cuidar de pessoas de uma outra forma, não só dentro do consultório, não só no centro cirúrgico, foi aí que nasce a ideia de criar uma startup, de ver essas novas possibilidades. Então, a startup surge quando eu vejo que a tecnologia também consegue entregar saúde para as pessoas.

muita, né? O seu olhar de mercado, mais o olhar acadêmico. Você não teve nenhum momento ali, tipo, agora eu estou em conflito. Calma que eu não sei bem como é que eu vou agir, para que lado eu vou. Por quê? São duas coisas que exigem muito.

De você criar uma startup, exige muito conhecimento, exige uma habilidade, exige tempo. Tempo. E vamos pegar o curso de medicina, agora a gente só está fazendo esse recorte mesmo, exige a mesma coisa de você. Como é que você vai lidar com essas duas coisas? E qual foi o conflito aí?

Então, o conflito foi justamente trocar a previsibilidade de uma carreira mais direcionada, que é a área médica, para construir uma startup do zero. Porque na medicina, você tem a graduação, você tem a especialização, você tem a subespecialização, você tem um mercado, querendo ou não, mais seguro. Hoje, no Brasil, dentro de todas as graduações, talvez a medicina seja uma das mais seguras.

E trocar isso geralmente gerou um conflito interno. Mas eu acredito que a estabilidade, sem um propósito, ela também tem um custo. E eu percebi que eu não estava disposto a abrir mão de ser quem eu realmente sou, de empreender, de usar a tecnologia dentro da saúde. Então, foi um conflito que hoje está mais resolvido, estou mais confortável seguindo esse caminho.

Muito bacana. O Brasil hoje tem um paradoxo de crescimento, né? Cada vez mais médicos estão aí, mas ao mesmo tempo, a medicina, a saúde, né? Ela continua sendo muito engessada por processos, tecnologias, a prevenção. Esse olhar teu, desse cuidado para a área tecnológica, veio devido ao teu uso diário? Como é que você simplesmente... Ah, não é do nada que a gente tem ideias, né? Geralmente, é do meio que a gente convive, é buscando... Essa solução, ela surgiu, o que você enxergou?

Por quê? Acho que desde o ano passado, quando eu entrei no internato, que é o estágio obrigatório na faculdade, eu vi como que os processos são muito demorados, as longas... Burocráticos. Muito burocráticos, muito papel para preencher. Foi quando eu realmente tive contato com a prática clínica. Então, o paciente chega, a gente tem que preencher aquele monte de papel, tem que digitar tudo de novo. Às vezes, o paciente já passou na recepção, na triagem, repetindo as mesmas informações, então, acaba sendo um processo muito maçante para o paciente.

Então, a ideia surge daí, de como eu poderia otimizar esse fluxo e garantir que o paciente tivesse acesso à saúde de qualidade, com tempo de qualidade ali, porque muitas das vezes o médico vai gastar 55% do tempo dele só fazendo essa transcrição.

Então, o médico virou basicamente um digitador de luxo. Então, acho que ele deveria gastar esse tempo dele cuidando do paciente, olhando o paciente como um todo. E tendo um diagnóstico mais assertivo, claramente. O que você consegue enxergar no mercado, na área de saúde, dentro da sua área, que os outros médicos ainda não conseguiram enxergar?

Olha, difícil essa pergunta, mas eu acredito que o médico tradicional tem muito medo da tecnologia. Ele tem medo que a tecnologia vai conseguir substituir ele em algum momento, tem medo de aderir a esse novo mercado.

Mas eu acho que vai um pouco na contramão disso. Acho que o médico hoje, principalmente nessa era da inteligência artificial, o médico que tem esse domínio dessa área, que usa automação, que tem o conhecimento de dados e como que pode utilizar esses dados, ele vai sair muito mais na frente do que o médico que está só ignorando essa nova era da inteligência artificial. Então, eu diria que a tecnologia tem esse poder de amplificar e assim лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег лег

o poder do médico, dentro e fora do consultório. Então, acho que eu vejo a medicina mais por esse lado. E ainda existe, Augusto, uma resistência da área médica. É bom que a gente está trazendo assuntos sempre meio polêmicos. Polêmicos. Bem polêmicos. Na semana passada, a gente saiu da nossa conversa aqui, a gente falou assim, acho que a faculdade, o pessoal vai ficar chateado conosco. Agora, nós estamos falando... Pessoalismo Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg Berg

Eu acho que a área médica lá. Mas, assim, gente, não estamos fazendo nenhum tipo de julgamento, mas é legal trazer esse olhar para a discussão, não de forma alguma apontando, nem de forma alguma dizendo que eu faria diferente, não, mas para essa discussão. Porque é a fotografia que existe realmente hoje.

Então, existe essa resistência. A gente percebe como paciente, como consumidor, existe sim uma resistência do médico a coisas novas, a coisas diferentes. E quando a gente fala em empreender...

Uma própria clínica, gente, qualquer, um consultório, ele não deixa de ser um negócio. Mas a gente ainda não tem, o médico não tem esse olhar, né, isso aqui é um negócio. Se você tem cliente ou se você tem paciente, você tem um negócio. E não existe essa gestão como negócio, né, ele, claro, ainda é...

Está sendo construído, né? Para ser, na verdade, está sendo ensinado só ser médico. Exato. Só ser médico. E aí, por isso, entra essa resistência toda. Entendendo que você está dos dois lados da mesa. Você está na área onde os médicos têm, sim, essa resistência, você conhece, e você está na área de que uma startup disruptiva trabalha com tecnologia e pode vir ajudar esse mercado, que a gente chama de uma health tech.

Como é que você se enxerga desses dois lados e o que você vai fazer para transpor essa dificuldade, essa resistência cultural que os médicos têm?

É bem complicado, mas eu acredito que a partir da internet, hoje em dia, os médicos já estão muito mais acostumados com isso, porque o médico hoje que não se posiciona no mercado digital, ele não é visto. Então, acho que apesar da barreira ser complicada, pelo médico já estar acostumado com esse modelo mais tradicional, eu acho que todos eles já estão percebendo que o caminho é esse, que ou você se adapta ou você vai morrer na praia.

Então, acho que a partir do momento que eu conseguir trazer uma solução que vai solucionar uma dor latente no mercado e que essa solução seja de fato boa para eles e consiga abarcar tudo isso, eu acho que essa barreira tende a diminuir, porque o médico se preocupa muito com qualidade. A gente tem uma formação muito rigorosa, muito técnica.

Mas se você traz... Vamos abrir um parênteses que a pessoa acha polêmica. Ele se preocupa muito com qualidade ou com dinheiro, porque às vezes, gente, horrível, né? Não, eu não quis dizer dinheiro. Opa, falei. Escapulhou.

A gente vê uma linha de produção, né? A gente vê uma linha de uma série. Nossa, 70 pessoas atendidas. E é assim... Em 15 minutos cada um. Não estou falando do médico, porque ele também é exaustivo, ele tem que fazer esse tipo de atendimento, né? É um absurdo. E a falta... Mas a gente sabe que vem lá de cima. Foi só um parênteses. Vamos lá, Augusto. Onde que a gente parou?

E daí, como médico, ele tem essa formação mais segurosa, isso, ali acaba que ele não vai colocar qualquer tecnologia para dentro do consultório dele. Ele vai ter essa resistência que é muito mais natural. Mas ele sabe também que a demanda por saúde está aumentando muito, que as pessoas cada vez mais estão se digitalizando. A gente fala hoje na geração prateada, quando a gente vai falar da população idosa no Brasil, cada vez mais tem inserida... Ai, que charmoso, né? Geração prateada.

cada vez mais está inserida nesse mundo digital. E a gente precisa colher essas pessoas de alguma forma. Porque a população está envelhecendo. Até 2050 ou 60, se eu não me engano, a população de idosos no Brasil vai dobrar. Então, a gente precisa... Vamos abrir uma startup voltada para a terceira idade? Eu, inclusive, fiz isso no Hackathon da Smart City e consegui ganhar o terceiro lugar. Essa é uma pergunta que eu ia te fazer.

E você me adiantou ela. Vamos tornar um pouco do assunto que a gente falou semana passada com relação às faculdades. E minha primeira pergunta é, a faculdade te preparou para você, de alguma forma, empreender? Ou ela te trouxe alguma informação, modos para empreender? Você aprendeu tudo isso fora? E se você aprendeu fora, qual foi a sua primeira experiência com esse mercado?

Certo. Eu acho que a faculdade me auxiliou até determinado ponto. Dentro da medicina, principalmente, no sentido de tomada de decisão, trabalho em equipe, empatia, todas essas coisas, elas me ajudaram a ter uma formação ética, ter uma formação filosófica. Eu acho que tudo isso é muito valioso dentro do empreendedorismo. Apoio aos negócios.

Isso, agora quanto aos negócios, questão de vendas, marketing, gestão. Como business mesmo, né? Como business, tive que buscar isso fora. Aí você buscou como? Na primeira experiência.

Foi em eventos. Na verdade, eu já empreendia em outras áreas. Eu tenho uma marca de vestuário, eu tenho uma produtora cultural. Super, eu escondendo tudo, Cauã. É. Eu faço parte dos negócios dos meus pais também. Qual o negócio do pai também? Então, a gente tem comércio na cidade e tudo mais. E, a partir disso, eu fui fazendo. Foi formado em casa. Foi formado em casa Augusto Mineiro.

Isso. Augusto Mineiro, pão de queijo. Eu já lembro só do pão de queijo. Estou aqui pelo pão de queijo. Já tive até a ideia de fazer um lugar de pão de queijo também. Acho válido. Legal. Eu posso fazer MVP com você. A parte da prova, né? Eu vou testar. Mas daí foi tentando a parte de eventos. Na faculdade eu já participei de algumas ligas também. Eu fundei a primeira Liga de Genética Médica de Curitiba em 2019. Unindo as cinco faculdades de medicina na época. Olha que...

Então, sempre tentei empreender de alguma forma, sabe? E fui correndo atrás mesmo, perguntando para o professor de outro curso. Você aprendeu por fora. Isso, exatamente. Muito legal. Mas o importante, gente, é que aprendeu, né? Quais conhecimentos foram mais importantes até agora, quando nós estamos falando para tirar uma ideia do papel?

Olha, para tirar uma ideia do papel, hoje em dia a barreira, como a gente estava conversando até anteriormente, a barreira sumiu. Hoje, com inteligência artificial, com ferramentas no-code, você acaba conseguindo colocar seu MVP para rodar. Eu não acho que isso seja tirar a startup do papel, acho que envolve muitas outras coisas.

E eu acho que o que me ajudou muito é aquilo que a gente chama de soft skills, sabe? Eu acho que saber me comunicar de uma forma clara, ter uma escutativa, sabe? Para entender qual que é a dor do mercado, a dor das pessoas, isso, assim, não tem preço, essa sensibilidade. Porque, às vezes, como a startup...

esse ecossistema de inovação, ele muda constantemente, a gente precisa se adaptar, a gente precisa perceber essa nuance e conseguir tocar o barco ali. Então, acho que essas habilidades comunicacionais, de escuta, são valiosas para você conseguir fazer com que a startup, de fato, avance. Teve algum momento ali, durante essa jornada, essa criação da startup, esse conhecimento que você falou assim, não, isso é difícil, não dá para mim, vou desistir.

Teve. Acho que... Teve vários. O curso é o maçã, são horas, ele é bem pensativo. Além de toda essa coisa de não ter tempo para fazer, mas nunca tem, você sempre vai ter alguma outra coisa. Mas as pessoas mais ocupadas são as que geram mais resultado. Sim.

Mas eu acho que o mais difícil assim para mim, que ainda é um pouco, né? Hoje em dia menos, né? Agora que eu conheço vocês. Mas foi a solidão mesmo de empreender. Porque você se vê sozinho, você chega com uma ideia para a pessoa, apresenta e a pessoa fala, não, isso não vai dar certo, isso não faz sentido.

Então, você tem aquele medo, aquela insegurança de continuar. Será que eu estou no caminho certo? Ou alguma coisa nesse sentido. Mas, ao longo do caminho, fui conhecendo pessoas que me mostraram que, na verdade, eu posso empreender, eu posso tentar, e que está permitido falhar. É super normal. E que está tudo certo. Errando, a gente vai ajustando, pivotando, refazendo. Começa de novo, não é, Gatona? O que você considera mais importante, Augusto? Ser um bom médico ou ser um bom construtor de soluções?

ser um bom médico que constrói soluções inovadoras. Eu quero as duas coisas. Sabe por quê? Ele construiu a proposta de valor dele. Lembra? Mas sabe por que eu falo isso? Porque, assim, ser um bom médico é indiscutível. Você tem que ser. Você não pode ser um médico ruim. Você está lidando com a vida das pessoas, né?

Mas qual é a importância desse link com ser capaz de inovar, esse intraempreendedorismo? Mesmo que você esteja trabalhando em uma outra instituição ou dentro do seu próprio consultório, você tem que ter essa habilidade. Porque quem está ali dentro está vendo a dor que você realmente tem. É diferente de alguém de fora e tentar propor uma solução para você. Então, se você é um médico que pensa fora da caixa, você consegue se aproximar muito mais da solução para a dor que você mesmo está vivendo.

Gente, isso é muito legal. Deixa eu fazer um parênteses para vocês. Porque às vezes você diz assim, ah, não consigo levar as duas coisas, muito difícil. Uma coisa é muito complementar a outra. A startup que ele está criando, essa health tech, é dentro da área dele, onde ele está constantemente, ou seja, o que ele está fazendo? Ele está em campo. Ele está atuando, né? Ele está o tempo todo atuando.

com essa startup dentro da linha de frente ali que ele tá atuando na área médica. Então, nossa, dá pra levar as duas coisas? Super dá. Vai exigir de você muitas horas trabalhando em paralelo? Vai. Só que uma coisa não anula a outra, porque esse conhecimento acadêmico que ele tem, ele vai colocar como pesquisa dentro da Health Tech que ele tá desenvolvendo.

Por que eu estou trazendo isso? Porque às vezes você também, não é só para a área de medicina, você pode estar no curso de engenharia, de arquitetura, no que você quiser, você consegue ter esse olhar empreendedor, de entender uma dor e trazer uma solução para dentro da sua área.

Verdade, e se você ainda está na dúvida do que fazer, como fazer, por onde começar, pode chamar a gente por todos os canais de comunicação que vocês conhecem, YouTube, podcast, Instagram, tem o nosso WhatsApp lá, o Condor Connect está aqui de portas abertas e vai ser incrível poder conversar, cocriar e trocar essas ideias juntos. Vamos falar um pouquinho de auto-performance, execução? Como é que você organiza a sua rotina mesmo, na prática? Na prática?

Eu tento colocar primeiro no meu dia a dia o que é mais importante para fazer, né? Porque hoje em dia eu tento não depender só de motivação. Porque depois de um plantão de 12 horas... Não tem motivação. Não existe motivação. Exato. Eu entendo isso. Então, eu tento colocar o que é mais importante para ser feito ali, né? Daí eu utilizar algumas ferramentas também.

O que eu mais tenho utilizado hoje, fica a dica aí para o pessoal de casa, é o Obsidian. Não sei se vocês já ouviram falar, mas ele funciona como um segundo cérebro, assim. Você consegue colocar suas notas lá e ele consegue organizar todo o seu pensamento e fazer links, assim. Você consegue ver visualmente, assim, em 3D. E é muito legal isso. Isso é legal. Então, eu consigo me organizar. Qual é o nome da startup da solução ali? Da ferramenta Obsidian.

É muito legal. Aí, gente, estudantes de plantão, quem não tem tempo, que está com a agenda ferrada, que precisa ter alta performance, precisa ter uma ferramenta de AI para te ajudar. Tem que usar. Eu abandonei a agenda de papel já tem um tempo, não queria abandonar, porque eu gosto muito de escrever, mas não tinha como, eu precisava acelerar meu processo. Estou tentando migrar, eu tenho papel, eu tenho tela, eu estou aqui tentando, estou tentando ainda adaptar, gente.

Sim. Qual é o primeiro passo para criar uma startup para quem está na universidade ainda?

E aí

Você me respondeu essa. Eu acho que é ir atrás de quem realmente tem a dor que a gente está tentando resolver. Sair para conversar com essas pessoas e tentar entender. Porque não adianta você começar pelo... Ah, vou criar um Instagram. Vou pensar qual vai ser a logotipo. Vou criar o domínio. Vou fazer o registro de marca no INPE. Acho que não é por aí o caminho. É o caminho inverso. É o caminho inverso. Descobre a dor, descobre o cliente.

Exatamente, se aprofundar na dor ali, é o primeiro caminho para você começar uma startup, se aprofundar no problema, entender o que é aquilo, e daí sim você vai conseguir extrair os insights necessários para fazer com que a startup comece a nascer ali aos pouquinhos. Conta um pouquinho para a gente.

Vadindo? Não, vai lá. Estou aqui acompanhando com vocês. Vamos lá, vamos lá. Conta um pouquinho para a gente, Augusto. Em que fase você está? Da solução. Bem no começo. Ainda tenho uns clientes iniciais, mas ainda não pagantes.

Legal, você está validando ali a ideia. Estou validando a ideia. Ih, gente, vai pivotar, hein? Vai pivotar muito ainda dentro da operação. E a experiência disso está sendo bacana para você? Como é que está sendo?

Está sendo legal, está sendo difícil, porque no começo a gente acha que as coisas vão dar muito mais rápido. E muito mais certo. E muito mais certo, assim. Igual eu estava te contando, que eu já apivotei algumas vezes, porque como tem as pessoas utilizando a solução, acaba, falta isso aqui, coloca isso aqui, eu acho que seria melhor dessa forma. Então, a gente está sempre melhorando ali. E fala, nossa, meu Deus, até onde que vai?

Para que lado eu vou agora, gente? E feriado, você dorme ou você trabalha e estuda? Trabalha e estuda. Augusto, o mercado de saúde hoje está sendo muito disputado. Hospitais, plano de saúde, Big Techs, Health Techs, investidores, o que mais tem é a gente querendo inventar. E a gente sabe também que teve um grande crescimento de investidores nessa linha de Health Techs.

Mas na sua visão, quem hoje você acha que lidera esse papel, ou quem vai liderar os próximos papéis que preparam mesmo, analisando os médicos que entendem a dor real do paciente, ou os empreendedores que sabem escalar tecnologia, quem você acha que vai liderar esse ranking hoje?

Dentro da qual ranking exatamente? Dentro da medicina, a gente está falando de hospital, plano de saúde, Big Tech, Health Tech, Startup. Temos ali um leque de pessoas olhando para uma única área. Não deixa de ser saúde, qualidade de vida. Existem empresas gigantes também sendo formadas que melhoraram bebidas. A gente vê hoje...

Tivemos uma baixa gigantesca do mundo de bebida alcoólica, porque as pessoas estão se tornando mais conscientes de que isso retarda um pouco o nível de conhecimento, de busca por realmente intelectualidade. Então, a gente teve uma mudança de mercado que tornou tudo. Sim. Na sua percepção hoje, você nesse meio acadêmico, formando para médico...

mas também empreendendo, startupeiro, correndo nesse mercado curitibano a mil. Quem que você acha que é capaz de liderar esse mercado brasileiro com relação a esse olhar de cuidar da saúde, da qualidade de vida? Então, a pergunta é difícil para responder, porque o mercado da saúde...

É o mercado de trilhões. Então, são várias frentes dentro da saúde que podem ser abocanhadas pelo mercado. Mas, para dar uma resposta para você, eu acredito que quem vai liderar isso são... A gente tem um mercado já tradicional, tem vários grandes hospitais aí. E a gente vê quem sai na frente dessa liderança é justamente...

os locais que têm uma equipe, um ecossistema de inovação dentro da instituição, mesmo que não siga um modelo tão disruptivo como uma health tech. Então, acredito que esses locais, essas pessoas que conseguirem implementar o intraempreendedorismo...

dentro dos seus locais, com o pessoal que trabalha ali, vai conseguir sair na frente. Eu acho que a liderança surge a partir disso, de estar aberto para a inovação, para tudo isso que está acontecendo nessa era de inteligência artificial. De muitas IAs. Exatamente. Cacau domina tudo, pode dizer para nós também. Na sua opinião, o que você acha? Nós estamos chegando no finalzinho do programa.

Porque é muito assunto, gente. Isso é muito legal, né? Mas pra gente terminar, vamos fazer uma rapidinha assim? Eu falo, se você quiser falar, ó, que a gente vai combinar aqui. Vamos combinar aqui, ó. Vamos combinar. Acabei de inventar isso aí. A gente fala isso e ele responde. Ah, tá bom. Tá bom. Bate bola.

Nossa, eu não sou bom em bate-bola. Ah, você é? Eu adoro as empresas, você me disse. Ah, gente. Para nós irmos, né, gente, para o feriado, né? Porque hoje é dia 1º de maio, dia trabalhador, então merecemos também como trabalhadores. Uma descansadinha, o Augusto vai trabalhar e estudar, porque ele está nessa fase assim, meio escravo. Mas assim, faz parte dessa fase. É só uma fase. É só uma fase. Então, vamos lá. Você acha que a faculdade atrasa ou acelera para quem quer inovar?

Só pode responder um? É, ou acelera ou atrasa. Não, é para ser político. Entendi, atrasa, então. Mas assim, né? Ai, calma que eu vou justificar. Calma que eu vou justificar. Vamos lá. E o sistema, ele forma profissionais ou limita criadores? Limita criadores. Dá para ser excelente em duas coisas ao mesmo tempo? Ou alguém sempre paga o preço?

Alguém sempre paga o preço, é difícil, hein? Ai, gente, é pagando o preço, né? A vida do empreendedor, a vida de quem quer fazer a diferença é pagando o preço. É isso, gente, foi legal esse bate-papo, hein? Você viu que ele falou, ai, ai. É, a gente fica um pouquinho, assim, criando umas rusgas, mas é com boa intenção. É sempre com a intenção, boa intenção, inferno tá cheio.

É com a intenção de a gente melhorar, de a gente crescer, criar uma disrupção, sim, no mercado. E pensar diferente, né? Provocação, né? Sair da caixinha, senão fica todo mundo falando só cerveja, chuchu, receitinha de bolo, não dá, gente. Augusto, para a gente encerrar, para a gente se despedir aí para o feriado, o que você deixa para os empreendedores que estão no último ano dos seus cursos acadêmicos?

Quem tem vontade de empreender, sai para a rua, converse com as pessoas, desenvolva essas habilidades, soft skills de comunicação, de escuta ativa, de empatia. Eu acho que isso é a base para qualquer pessoa que quer empreender e inovar hoje no Brasil. E muito obrigado, Kauana, Daiane, pela oportunidade. Muito feliz com a participação aqui hoje. A gente também, adorou você. É o primeiro podcast dele, viu como a gente está especial? Eu nunca mais esqueço.

É isso, pessoal. Ficamos por aqui. Você deixa sininho, deixa comentário. Fala pra gente se você gostou. E aí também fala se você quer vir aqui e defender a sua ideia. Fique super à vontade. Nós estamos à disposição e prontas. Aguardamos vocês.