Música de IA: autoria, royalties e o futuro dos artistas
- A IA generativa na música e a diferença entre processo e produtoIA generativa como recombinação de dados·sistemas de IA antes do deep learning·IA como ferramenta de automação·falhas na arquitetura da IA musical
- Fraudes e golpes com músicas de IA em plataformas de streaminginundação de faixas sintéticas·bots para ouvir e gerar royalties·Spotify e playlists com IA·Deezer e detecção de IA
- O significado de fazer música na era da IA e a importância do ponto de vista humanobanalização do fazer música·qualidade e unicidade da obra·o olhar do artista·o porquê da criação musical
- O impacto da IA na formação de novos músicos e a perda de diversidade culturalIA substituindo o trabalho júnior·déficit cognitivo pela terceirização mental·marasmo e coisas iguais na arte·sacrifício do ecossistema criativo
- Direitos autorais e o treinamento de IAs com obras existentestreinamento com Big Data·dados transformados em vetores matemáticos·caso Suno e Gema·acordos entre gravadoras e IAs
- A IA como ferramenta de auxílio e a linha tênue com a substituição criativaMoises como ferramenta de estudo·IA para remover ruído e masterização·IA como porta de entrada para a música·IA como amplificador de criatividade
Esse podcast é apresentado por p9.com.br.
Olá, sou o Carlos Merigo, esse é o Braincast 650, programa cheio. E aí, minha filha, tudo bem?
Eu vim debutar minha tatuagem nova que eu não gravei ainda. Cadê ela? Aqui, ó. Que é do David Bowie, que eu coincidentemente vi como eletrônica também. Mais ou menos, só falta ver. Minha meia? Não, a minha meia é vermelhinha.
Luiz Higino, que você tá já ouvindo e vendo, jovem. E temos nosso convidado aqui, Felipe Vassão.
Muito obrigado, muito obrigado, obrigado pelo convite, uma honra estar aqui. Obrigado você, tô ótimo com meu travesseirinho.
Excelente, muito bem. Vassão, que é compositor, produtor musical, multipremiado, divo, divo, exatamente, influencer, né? Não quer admitir, mas influencer das maiores ídolos da nação brasileira. Isso aí, é isso aí.
Carlinhos Maia, Virgínia Fonseca e Felipe Vassão.
Perfeito.
Obrigado.
E vamos falar de um assunto que ele adora falar, uma coisa nova, nunca falou. A gente pensou aqui que é música feita por IA. Na semana passada, no último programa, a gente falou de IA. No design. E agora vamos para música. Como que a IA entrou em tudo, né? E na música, aí tá na boca do povo, né? Tá na boca do povo, no mundo cada vez mais conectado, mais primórdios. Só que assim, a música, acho que todas as áreas estão sendo muito afetadas, mas a gente tá vendo uma ebulição aí na indústria musical, porque não é só você gerar uma música inteira a partir de um prompt, é possível.
Enganar muita gente por aí. Mas, por exemplo, dados do Deezer e do Spotify, eles dizem que estão recebendo dezenas de milhares de faixas sintéticas todos os dias. O Deezer falou em quase 90 mil faixas totalmente tiradas por IA por dia, diariamente. E nos dias de pico, isso passou de 50% de todos os novos uploads da plataforma. Então é muita coisa, muita música. Isso, isso é música. Ponto de interrogação.
É uma faixa de áudio.
Artistas estão discutindo autoria e consentimento. Gravadoras processam empresas de IA e ao mesmo tempo fazem acordão com o STF, com tudo. Como o jornalismo, né? A gente já falou aqui, New York Times processa e depois vai lá e faz um acordo. Tudo tem seu preço, tá? Então tá acontecendo também com as gravadoras.
Todo mundo levando dinheiro, menos a gente.
Como mais uma vez a gente tá de fora demais.
O banqueiro deu dinheiro para todo mundo menos para gente.
Queria tanto.
E no meio disso tudo, uma pergunta que ficou menos óbvia e queremos saber aqui. O Vassão vai nos contar o que afinal significa fazer música em 2023, tá?
Interrogação.
Mas antes, mas antes, siga @braincastpod nas redes sociais, por favor.
Tem cortes, tem carrosselzinho de programa, tem os resumos do episódio com a voz e o rosto de milhões de Carlos Merigo.
Tem, eu tenho feito esses videozinhos. Tem também que se inscrever no nosso canal no YouTube, youtube.com/b9, dê o joinha, tá bom?
Lembrando que se inscrever no canal não é um fricote, não é um capricho nosso. Quando você se inscreve, comenta, dá like, manda o link para outras pessoas, você faz com que a plataforma entenda que esse é um conteúdo que pode ser oferecido conhecido a novos públicos.
E essa plataforma é o quê?
Plataforma de vídeos.
Aí, ó, aí, ó, trabalhando.
Ah, é?
Muito bem. Ela pode compor uma boa música também.
Eu acho que é o que ela faz quando ela não está recomendando as coisas.
Ela para assim, ela falou, ué, deixa eu sentar aqui agora e fazer música.
Outra coisa importante é quem é assinante, quem é membro do nosso canal. É verdade, tem um botãozinho Assine aí embaixo, vai ver um episódio secreto Em que o Vassão revelou a sua rotina de beleza.
Que nem ele não falou em nenhum outro vídeo que ele fez.
Os seus produtos favoritinhos do mês. Se você quiser acompanhar essas e outras peripécias que a gente já fez em Braincast Secretos, em que a gente se expôs de forma totalmente desnecessária, seja membro do canal, faça isso pela gente.
Perfeito.
Eu já tô arrependido, inclusive, de tudo que eu falei. Já quero que a gente apague e grave de novo depois.
Vamos aos arrependimentos de Luiz Gino.
Tem corrida de Fórmula 1 que carrega décadas de história, e tem Baku, que chegou ao calendário há só 10 anos, mas parece que resolveu recuperar esse tempo perdido bem rápido. Em uma década, o GP do Azerbaijão já acumulou 7 vencedores diferentes, com uma série de ultrapassagens improváveis, finais caóticos e uma coleção de momentos que fã de Fórmula 1 reconhece na hora. Claro que ajuda o fato que a pista parece ter sido desenhada por duas pessoas que definitivamente não conversaram entre si.
Tem um trecho que os carros passam espremidos pelas muralhas da cidade velha, numa das partes mais estreitas de todo o calendário. Pouco depois, eles entram numa longa reta à beira do Mar Cáspio, atingindo mais de 350 km/h. E claro, como você deve imaginar, essa é uma combinação que deixa bastante espaço para o inesperado. E o inesperado sempre vira história. É assim que um circuito relativamente novo vai ganhando repertório entre os fãs.
Porque na Fórmula 1, as corridas acabam Mas as histórias continuam e vão criando conexões entre pessoas que compartilham da mesma paixão. E é por isso que a Heineken 00, patrocinadora oficial da Fórmula 1, acredita que fãs têm mais amigos. 10 anos depois, Baku já tem aquele tipo de história que faz todo torcedor dizer: lembra daquela corrida? Pois é. Heineken 00, a cerveja oficial da Fórmula 1. Muito bem, vamos para pauta. Primeiro, começando do começo, né, quando a gente fala de o que é IA, quando a gente fala de IA na música A imagem que vem ou o som que vem mais imediato é alguém escrevendo prompt, que é isso que a gente viu viralizar, né?
Você vai lá, você escreve o tipo de música e a copy uma e você fala, caramba, até que funciona. Que é o Suno, né? Acho que é o mais famoso.
É o que pegou assim.
Que pegou, exatamente. Só que não é, a IA não tá na música a partir disso, né? Ela vem de antes. Queria que você contasse um pouquinho quando você começou a ver a IA aparecendo dentro de um estúdio, qual que é a diferença do que a gente tem hoje com essas faixas? Inclusive, citando o Dino, já caiu nessa. Você vai lá no YouTube, tem, sei lá, músicas compiladas, quase todos têm não foi feito por IA. A galera tá preocupada em avisar.
E quando é feito por IA, a galera no comentário, isso aí, ah, isso aí. Então é, puta, eu tava gostando, mas agora desgostei, desgostei, porque eu achei que era seres humanos fazendo.
Mas puro preconceito, né? Bicho, acho que tem essa ideia da IA generativa, né? Essa denominação é muito importante porque a IA generativa ela parte de uma estrutura de recombinação de dados para te dar um output. Antes disso, né, você tudo que usa algum tipo de IA como um algoritmo de recomendação, enfim, trabalha em cima de um banco de dados e de machine learning que os caras chamam. Antes de existir machine learning eram sistemas que eram programados no osso mesmo, né?
Então a gente, no mundo da música generativa, antes de existir deep learning, redes neurais, essas coisas, você tinha, por exemplo, David Cope, na década de 70 e 80. Ele era músico, ele teve um bloco assim de não conseguir compor, e ele também manjava dessa parte tecnológica. Ele fez um sistema chamado Experiments in Musical Intelligence, aonde ele pegou a obra do Bach, do Vivaldi, do Mozart, e levou anos para fazer isso. Ele decompôs isso em dados que fossem compiláveis num sistema de programação.
E aí ele criou um sistema que conseguia imitar esses caras, tá, a ponto de dar uma partitura para um músico que manjava de tocar e acha que é Essa é aquela peça do, entendeu?
Sim, sim. Então era uma coisa nova, era uma coisa gerada por aquela máquina ali, entendeu?
Extremamente limitada, porque não tem a mesma quantidade de dados que os sistemas de hoje têm, mas era convincente nesse ponto. E esse é o sistema de IA generativa de música que tava tendo, sendo desenvolvido ao longo dos anos até chegar 2015, que é um recombinador de notas musicais. Ele entende musicalmente o que que é o baixo, guitarra, bateria, que notas que estão ali, e cria um arquivo MIDI. Se você não sabe o que é MIDI, MIDI é um— vocês devem saber, né?
Dá um Google aí, usa a punha. Pega o arquivo MIDI e joga esse arquivo MIDI num sistema de síntese, e o resultado sonoro não virava, tá? E aí começaram a criar um sistema em cima de espectrograma que é o que a gente usa hoje. Isso é IA generativa. Quais são os outros tipos de IA que tem, que a gente usa já em áudio há anos? São IAs ou subtrativas, que são IAs que olham para um som e falam, ah, isso aqui é tal coisa, isso aqui é tal coisa, e consegue separar.
Ou IAs de análise, que te dá dicas. Então você tem, por exemplo, coisas que removem ruído. A gente usa isso há muitos anos. Então você mostra para ela o que que é aquele ruído que você não quer. Tipo, se a gente ficar quieto aqui, a gente ouve que tem um zoom. Dá para tirar esse zoom. Por exemplo, masterização com IA já rola desde 2012. Eu uso o Lander, eu assino o Lander, que eu não vou substituir uma masterização de um disco pelo Lander, mas eu tô fazendo uma trilha e eu quero dar uma bombada nela antes de usar, eu jogo lá e E aí testa.
E é um sistema também de machine learning que treinou em um monte de música sem masterizar e depois masterizada, que ele olha e fala, ah, é para fazer isso? E aí ele vai lá e tenta reproduzir isso na sua música. Então a gente já tem um monte de sistemas desse tipo sendo usados. Os mais atuais assim de mixagem são os de balanço tonal. Isso é quase mágica assim, é um bagulho que você joga lá, ele olha para aquele áudio e fala, pô, Esse áudio ficar bom mesmo precisa fazer isso.
E te dá uma dica. Às vezes vai muito bem, às vezes vai muito fora, assim. Porque não é, né... Uma coisa soar bem não necessariamente é o que você precisa que ela soe. Num padrão, entendeu? Às vezes você quer que a coisa seja meio estranha. Mas a gente tem bastante coisa desse tipo hoje em dia. Esses dias eu vi alguma publicação falando que isso... Reduz em 50% o tempo de uma mixagem e é papo furado, não reduz porra nenhuma. Não reduz.
Dá trabalho, continua dando trabalho.
É a mesma coisa, só que você tem mais uma coisinha pra você mexer.
Sim, o que você descreveu é um trabalho, sei lá, mesmo do designer que vai usar inúmeras ferramentas, né? Antes podia desenhar, ele pode agora desenhar direto no computador, ele vai usar Photoshop, vai usar...
Eu acho que, por exemplo, um bagulho de... Visual que se usa há um tempo já, é tipo tracking, né? Tipo fazer rotoscopia. Sim, era um negócio insuportável de ser feito e faz anos já, mais de 20 anos.
Mas isso a gente nunca questionou, o tirar o humano, né? Ah, você usa o computador para fazer, mas você continua sendo um trabalho humano. A sua decisão criativa é sua, né? Você que escolheu fazer, usar essas ferramentas, que você descreveu, é isso. A máquina vai te dar opções, mas ainda você tem essa escolha. Quando entra a IA generativa Suno da vida, né, e você simplesmente bota lá um prompt, me gera uma música aí.
Olha, eu nessa semana tive o prazer de estar em um carro de aplicativo que estava tocando louvores feitos com AI.
Que isso, velho!
Que é aquela voz que ela tem alguma coisa, um granulado, um negócio na voz ali. Que aí eu entrei, boa tarde, boa tarde, tá o endereço? Tá o endereço. E aí eu olhei e falei, olha, ele tá ouvindo um negócio de ar. Aí a próxima também era, aí a próxima também era.
Aí você falou, cara, essa voz é a mesma voz do vocalista de Caçador de Perereca.
De Caçador de Perereca. É o mesmo cara que gravou a versão gospel de Tong Song.
Engraçado, né? Agora com eleições tá tendo um monte de jingle aí de... Do Oswaldinho.
Ah, é, tá bem.
O Oswaldinho se tornou o político mais conhecido do Brasil. Porque foi a família do Valdemarzinho, é Osmarzinho, né? Osmarzinho, Osmarzinho, é Osmarzinho, é o próprio Osmarzinho. Ah, é a família do Osmarzinho, tudo feito com fome. Olha aí, acho que primeiro dia de campanha liberada saiu esse jingle que era contra um candidato X. E aí acho que já foi, a justiça já bloqueou produção, mas já caiu na boca do povo, acabou. Tá todo mundo cantando, já tá em todos os memes, virou um negócio de maluco assim.
Então, e aí você coloca essa IA para fazer a música a partir de uma coisa que você pede, qualquer um vai lá, o Osmarzinho pode ir lá e pedir, fazer a resposta se ele quiser.
E eles vão estar, eles vão muito, eles vão.
E aí, isso, isso é música? Porque isso não é mais aí ajudando a produzir uma música, ela está fazendo de fato, entregando, cuspindo um negócio pronto. Baseado em milhões de outras coisas.
É, então o que que é uma música, né? Se a gente olhar para música na história do ser humano, o ser humaninho, é um negócio que acontece entre a gente assim, sei lá, lá nos povos originários da Mesopotâmia, sei lá que cacete. A música era um negócio ritualístico ou sei lá, para se divertir. Tantas, ou simplesmente uma autoexpressão, mas era uma expressão individual ou de grupo, ou enfim, tinha alguma função. E ela era efêmera, né? Ela acontece e acabou.
Tem que fazer, se quiser tem que repetir, mas não vai ser igual, né?
Exatamente. A gente viveu isso assim durante milênios. A partir do momento que a gente consegue ter a tecnologia de escrever música e notificar e Você começa a poder compor coisas muito mais complexas. Então é uma tecnologia super interessante você poder registrar uma bula de como que uma canção é. E aí, no momento que a gente consegue gravar a música, pô, isso é mágico, porque você pega um momento no espaço-tempo e você cristaliza aquilo, certo?
Isso é música? É uma representação do que é uma música. E a gente construiu uma indústria em cima disso. Então a gente confunde um pouco música com esse produto. É também música, mas esse que é o que pega. Não sei se vocês viram o corte do Luz Maluco do Daft Punk falando num podcast da Chanel, acho que é. E é o Luz Maluco, não sei, né, porque o cara tá sem aquela roupa, vai saber se é o cara.
Dizem que é, às vezes é umas Às vezes é o tio do Osmarzinho.
E aí o cara chega lá e fala, cara, eu não me interesso em usar IA pra fazer música. Porque a IA generativa tá preocupada com o output, tá preocupada com o produto. E pra mim, fazer música é o processo. E essa é a grande frase, todo mundo repete isso. E quem nunca fez música não entende, né. Processo, que papinho, meu! Papinho de...
É processo fumando baseado de terceiros processos.
É, sou maconheiro folgado, sabe assim. E aí eu sinto que é um pouco isso assim, é uma máquina de automatização da produção de fonogramas, de faixas musicais. Não necessariamente aquilo é uma música no sentido de significado mesmo. E aí entrando na tecnologia mesmo, o sistema que é usado hoje em dia ele analisa um espectrograma, que é o quê? Quando você pega uma música, transforma isso num num vetor de tempo. Então aqui você tem graves, agudos, tempo, e o quanto mais claro for, mais forte é aquela frequência.
Se alguém aqui já usou algum programa tipo RX Denoiser, vocês já devem ter visto, dá um Google aí, vocês vão ver o que que é. E aí a IA foi treinando em várias fotos de músicas. E ela entendeu que tem um certo padrão, mas ela não sabe exatamente o que tá rolando ali, que o que que é o baixo, que que é o piano, que que é. Você até tenta dizer para ela, ó, isso aqui tem baixo, tem piano, tem bumbo. Aí ela vê mil desse, fala, tá, eu acho que eu entendi o que que é um baixo, um piano.
Mas ela não sabe exatamente o que que é isso. E aí quando você pede para fazer alguma coisa, ela tenta reproduzir isso. Então ainda é um sistema que pela sua arquitetura é falho entender música, né? Então você fala, caramba, vocês estão confiando demais num troço que nem sabe o que que é aquilo que faz, sabe assim? Não sei se vocês já viram também, se você pede para fazer uma imagem, se você for olhar, os pontos de fuga quase nunca batem. É a mesma coisa. Isso dá um mal-estar.
É, como é que é o algoritmo?
Exatamente, é isso.
Você bate a cena fala que essa cena tem alguma coisa estranha, aí você vai medir assim, fala, ah, os pontos de fuga tá tudo cruzado, e você bate. Aí você fala, puta, é isso que te dá esse ânsia de vômito, entendeu?
Mas, Vassão, você falou uma coisa que eu queria muito, eu vim para cá pensando em ouvir você sobre isso, e aí você falou, eu falei, pô, os astros quando eles se alinham é a melhor coisa do mundo, que é a possibilidade de fazer uma coisa esquisita e estranha que a IA nunca vai conseguir fazer, porque ela tá sempre tentando replicar uma coisa média com as coisas que ela tem. Por que que é, quer dizer, é importante a gente ter a opção de fazer uma coisa esquisita, estranha, que se eu tocasse de um jeito o Higinho ia falar, nossa, mas o que que você tá tocando assim?
Eu ia falar, cara, é a minha expressão, minha arte, me deixa, cara, não me sufoca só com meu braço, meu jeito único de ser.
Então Então, por que que eu fui estudar IA com música? Em 2011 me bateu um negócio, falei, vou fazer isso. Porque eu fazia trilha sonora pra publicidade. Eu vivi minha vida inteira fazendo essa porra.
Então quer dizer que Carlos Berico conseguiu enfiar mais um publicitário... Você viu? Nessa porra desse programa.
É, deixou, marcou bobeira, bota publicidade. Não sei se vai acreditar.
Levantou, a gente chega.
É isso.
E aí eu vou fazer o branding aqui, bem show da porra. Não, a parada é a seguinte, eu faço trilha desde 92, gente. Eu era criança ainda quando eu comecei. E aí chega uma hora que enche o saco, né? Porque publicidade sempre foi um pouco isso, mas ela se consolidou, se cristalizou no modus operandi. É: vamos copiar isso aqui e fingir que não é uma cópia, e vamos fingir que a gente fez. É isso, né? E com música é rompante. Eu ainda sou de uma época que falava: meio isso aqui, mas não.
Aprova uma ref e copia essa ref, né? Tanto que eu criei um modus operante dentro da minha produtora, que era: não manda música famosa.
Porque os cara aprovam Michael Jackson e vão querer assim, aí tomou no cu, processo.
É, não, ninguém, você nunca vai chegar no Michael Jackson, mano. Se eu conseguisse produzir um negócio tão bom quanto Michael Jackson, eu não tava fazendo sua trilha. Não, pera lá, com todo respeito, seu sabonete em forma de oliva aí, entendeu? Você, pô, é muito importante, devia ser O Paulo Molive, né? O bom.
É que aí não tá o Molive, ele, ele, eu fui pro Dove, entendeu? Então você que não ouviu o secreto, corra lá, assine, vem com a gente.
Não, não foi você, foi o amigo do seu primo.
É verdade.
E aí, bicho, você, eu tava lá fazendo a décima milésima cópia de Coldplay, entendeu? Eu falei, não, bicho, não é possível que não tenha um sistema que eu falo Coldplay, pô, enfia no cu do cliente 10 Coldplay, não me enche o saco, entendeu? Então, para isso, aí é fenomenal, porque ela vai recombinar o que a gente já tem e vai chegar numa parada super convincente. E é super convincente, gente. Você pega um sono da vida, agora tem um chá Treblo, você coloca lá, inventando palavras, né?
Tem um que chama Treblo e o Bloblo.
É tipo, vou criar um lance de, ah, inventa um nome, tira um nome do cu e coloca lá. É. E aí, é, por que que, por que que quem faz música fica incomodado com isso? Ou quem faz arte, entre aspas. Eu coloco muitas aspas em arte porque essa é outra discussão que a gente pode ter aqui, né? O que que é arte, o que que não é. Mas quando você quer fazer uma parada que seja de certa forma única, porque você quer, basicamente, se você tem que fazer do seu jeito.
Tem um livro que todo mundo falou para eu ler, eu fui ler daquele maluco, o Rob, como um artista. E tem uma coisa muito boa ali que fala que é o seguinte: vai copiar. E todo mundo fez isso, copia uma parada e você não vai conseguir fazer, você vai inventar um jeito seu, porque você não vai conseguir fazer aquela mesma coisa. Então é essa sutileza que é só tua, é o que faz aquilo ser seu, é o que faz o David Bowie ser o David Bowie.
E aí quando você tem um sistema que caminha para média, você tá cada vez menos sujeito a encontrar uma coisa nova, né? Ah, mas a arte, a música, não precisa ser tudo, tudo novidade. Não precisa ser tudo novidade, mas para que que eu vou fazer de novo aquela mesma música, né, de amor? Eu sempre uso esse exemplo da música do eu estava com você, não estou mais, agora eu tô bem, né? Essa música existe muito, existe muitas vezes essa mesma música, que eu nem sei porque que essa música existe, porque se você tá bem Você tá fazendo uma música pra falar pra pessoa que você não tá mais com ela.
E depois que rolou o You're So Vain, You Probably Think This Song Is About You, aí o pessoal viu que não precisava mesmo mais nada.
Exatamente.
Agora realmente chegaram no topo dessa máscara.
Essa música é cabulosamente genial, né, bicho? Porque ela é muito foda. Então você chega num ponto de repetição de padrão que se confunde com onde a gente tá no mundo da música e da arte, aonde se repete muito padrão também. Então fica meio, mas você tá querendo fazer uma coisa única numa era em que todo mundo copia uns aos outros e é tudo meio parecido? Então você é um ludita, você é um cara muito ingênuo. Cara, da minha experiência musical, as coisas mais legais que eu participei, que eu gostei de estar junto, eram coisas que eu nunca tinha visto antes.
Mas do ponto de vista da arte, eu acho que perfeito, né? Inclusive, um dos dados que se coloca aqui dessas milhares de faixas sintéticas subindo pro Spotify, pro Deezer, é que ninguém ouve, né? Eles estão subindo no volume pra ganhar micro royalties e fazer dinheiro com isso, mas as pessoas não estão ouvindo. Então não é pela arte. Porém, quando você fala de música pra publicidade, patrilha, jingle de político nanico, cara, essa galera não tá nem aí, né?
Assim, e uma coisa que a gente falou no programa passado É que o primeiro a sofrer com isso são quem tá começando, né? Porque seria o pequeno artista, o cara que pode criar alguma coisa. Para quem tá lá em cima, talvez ele nem perceba isso.
É a pessoa que vai cobrar um preço de entrada porque ela também tá começando, vai ficar meio tortinho aqui, mas você também só pagou R$150.
E aí o preço de entrada, o cara não vai mais no artista de entrada, ele vai lá no sumo e vai se dar por satisfeito. Como o cliente quer 10 versões de Coldplay o resto da vida, para ele tá bom, fica me cuspindo aí, é de graça, né?
Então é, uns anos atrás aí, vai, o Suno saiu acho que em 2023, né, a versão 3, que é a primeira versão que todo mundo começou a usar. Final de 2023, tava andando na minha rua, tinha um prédio sendo erguido e tinha uma caixa JBL na frente tocando um jingle do Suno, claramente versão 3, que ainda era meio chonga de letra assim, né? Vem morar no centro da cidade. Eu vi aquele jingle, eu falei, caralho, alguém perdeu um trampo, mano.
E eu fui essa pessoa já. Eu fazia esses jingles, porque você não começa a fazer nada como o Pica Grossa fazendo Coca-Cola. Eu fazia esses jingles, fazia jingle de loja de piscina do lado da escada rolante, manja assim? Tipo, é que dá, né? O que você vai. E eu falei, cara, tem uma, caiu essa ficha ali. Eu falei, toda, toda o nível de entrada, toda essa galera júnior se fodeu. E se não tiver um plano de contenção ou de retreinamento ou que consiga fazer com que as pessoas se desenvolvam, a gente não vai ter pessoas para tomarem próximos cargos.
Esse é o ponto que eu mais fico pensando. Ele entra nessa conversa sobre IA na música, mas acho que entra com IA em tudo, assim, né? Tipo, pra você ficar bom numa coisa, você demora muito tempo. E aí, até dá pra pegar o gancho do CEO arrombado lá do Suno.
Tem nome essa desgraça aí?
Você lembra? Mike Schumann.
Mike Suno.
O cara sabe o nome do cara. Mike Schumann.
Que ele falou, ele falou em algum, em alguma, sei lá, palestra, evento, alguma coisa, mas teve uma frase forte dele, ficou bem marcada, que era uma parada do tipo, ah, dá muito trabalho, você tem que estudar muitos anos para ser sacabro e ficar músico, então não faz nenhum sentido.
Argumentos da puta que eu pariu.
Que assim, da mesma forma que o Vassão falou, é o processo de fazer música, é o processo de compor o disco, processo de gravar, é o processo de estudar por anos, passar por aquela curva de dificuldade, você acha que nunca nada vai acontecer, você não melhora nada, e de repente parece dar um clique. Tudo isso, para tudo, a sensação que eu tenho é que aí essas IAs generativas de música, de criação de imagem, de criação de vídeo, de qualquer coisa, elas estão cortando de um nível essa capacidade de aprender ao longo do tempo, que ninguém vai aprender, que ninguém vai ter paciência para aprender mais nada. E aí A gente vai entrar numa era de marasmo e coisas iguais.
Pra que que eu vou aprender se o bagulho já faz sozinho, né? Esse pensamento.
Eu tenho que aprender o prompt, não é?
Isso, isso. Exato. Era um potencial que eu fico pensando, sei lá, quando eu era moleque e tava aprendendo a tocar, eu penava pra encontrar backing track pra conseguir ficar treinando e tocando junto ali uma versão da música instrumental sem o instrumento que eu toco. Uma coisa sem vocal. E aí, sei lá, o Moises, quando apareceu, primeira vez que eu vi, 2000 e nada, sei lá que ano que era, 2020, alguma coisa por aí. Eu lembro que eram duas sensações que eu tive.
O que que é Moises?
O Moises é, ele é um... Quando eu comecei a usar, eu não sei nem em que nível que ele tá agora, mas quando eu comecei a usar, ele basicamente era uma ferramenta, acho que é brasileiro inclusive, que separava as faixas da música. Então eu botava uma música qualquer, ele separava: aqui é vocal, aqui é o baixo, aqui é bateria, aqui é guitarra, aqui é o teclado. E eu falo assim: ah, legal, então eu quero que você me gere a mesma música sem a guitarra.
Aí ele gerava a mesma sem guitarra e eu ficava em casa: caralho, que gostoso! Ou então falar: agora gera sem vocal. E aí eu podia usar pra trilha de edição. E aí minha vida se transformou e tudo fez sentido.
Eu uso isso na aula de canto, que às vezes quando não tem a versão karaokê no YouTube, aí remove a voz.
Mas a sensação que eu tenho é que no começo do aparecimento das ferramentas ferramentas, sempre parece que é uma ferramenta nova que vai entrar na vida do artista, do criativo, do estudante, do apaixonado. E aí você vai conseguir deixar mais fácil aquele processo inteiro. Só que da mesma forma que daqui a 3 meses, né, 10 meses, que o planeta acaba, já já, evolução da IA, prometa, parece que tudo muito rápido. A gente foi de caralho, isso vai ajudar muito a minha vida, para cara, ninguém vai se importar mais, não vai conseguir chegar em lugar nenhum.
Porque ninguém tá passando por esse processo, a coisa tá ficando completamente vazia cognitivamente.
A gente tá perdendo, é isso que falou, não tá aprendendo a fazer, né?
A gente é muita gente, né?
Você falou, não, o caso específico do Monroi, mano, é muito louco. Eu sou brand ambassador deles, né? Olha, olha, ó, não fui eu que falei, mas o lance Foda. Aí é uma das maiores, os maiores clientes do Monzi são escolas de música. Eles acabaram de me contar que tem tipo 20 mil emails .edu como clientes.
Caralho!
E eles acho que ontem passaram da marca de 80 milhões de usuários ativos.
E ainda é, ainda é. Tem que ver quem que é esse Eduardo aí, né?
Tem mais outras coisas, mas o carro-chefe ainda é isso. E eu, o que, qual que é o grande lance? Primeiro, grande, grande parceria que eles fizeram foi com a Berklee, que é aquela escola de música, justamente por causa disso, porque você precisa treinar, você precisa tocar. Então é uma ferramenta de separação de, de que a gente chama de stems, para você poder tocar junto ou tirar solo. Eu lembro quando eu era moleque, eu queria tirar um solo, mano, Eu tinha que ficar ouvindo.
Não, não é essa frase. Aí botar para tocar meio lento. Ah, isso aí. Agora não, você vai lá, abaixa o tempo, baixa, tira guitarra, ouve só ela. Ah, essa nota. Então, tipo assim, isso mudou a vida do processo. Eu acho que tem várias ferramentas que fazem isso. Tem um sintetizador que usa aí, acho que chama Simplant. Você joga um som lá dentro e fala, faz esse som como síntese. Qualquer merda, você joga e não é o sampler, ele gera aquele som, você pode mexer.
Cara, isso é fenomenal, né? Incrível, porque são coisas que realmente te abrem novos leques para você criar. Eu acho que o grande vilão do rolê, que acho que tá na música, mas tá na imagem, enfim, é a IA generativa como essa, essa, esse hub que centraliza um processo criativo e substitui o seu processo e que te gera déficit cognitivo. Que acho que a gente tá vendo, não sei se vocês já viram, mas muita gente falando que ChatGPT, essas coisas, tá tipo fritando o cérebro porque você tá terceirizando processos mentais para essas coisas.
Isso, pra chegar em algum lugar, você não chega em lugar nenhum porque você já tem tudo, a resposta pronta.
Exatamente. Então eu vejo, então Eu acho que você pegou esse gancho, que é esse ponto de entrada do jovem que vai pro saco. Isso é uma implosão social. E eu acho que existe um ponto de implosão cultural, porque no momento que todo mundo começa a usar a mesma máquina pra fazer a mesma coisa, a gente produz os mesmos resultados, a nossa diversidade vai pro saco. E é que nem a gente tem hoje com... Com sementes, né? Tem uma história que a gente tem muito menos grãos de diferentes cepas que são muito mais suscetíveis a pragas.
A gente precisa usar esses remédios da Monsanto, porque senão você não tem milho, você não tem soja.
A gente criou o nosso próprio problema. E aí a gente não, né? De novo, a gente fale por você, mas aí depois cria o problema e aí vende a solução do problema.
Exatamente. Então a gente tá, eu tenho muito, muito pé atrás nisso assim.
Então por isso que não é só uma frase que todo mundo repete, e é só mais uma ferramenta, né? Assim, de gente começando aos CEOs globais, não, veja bem, a gente acredita na IA como mais uma ferramenta do seu leque. E você já falou bastante sobre isso, né, que não é só mais uma ferramenta.
Eu acho muito muito conflitante as mesmas pessoas falarem duas coisas diferentes. A primeira é: a IA é a maior revolução da história do ser humano, maior do que qualquer outra coisa, desde a máquina a vapor, desde a imprensa de Gutenberg, a coisa mais revolucionária. Mas é só mais uma ferramenta, porra. Se decidiu, é um bagulho revolucionário que vai mudar a porra da de todo mundo, ou é só mais uma ferramenta, não é? E aí, por que que não é só mais uma ferramenta?
Porque é um substituto de um processo, né? Não é, ah, mas o sampler, o sampler é uma ferramenta.
Quero muito isso, o sampler é diferenças.
Então todas, todas essas ferramentas foram criadas para um propósito e foram usadas para outro. O sampler foi criado, ah, eu quero ouvir som de cordas. Mas eu tô sem dinheiro e não vou ter como, então eu vou comprar um sampler, eu vou usar. E as pessoas foram lá, começaram a usar sample de coisa que fizeram hip-hop. Então o sampler foi criado para uma coisa e gerou um novo gênero. É uma guitarra, foi criada simplesmente porque numa Big Band não dava para ouvir o cara tocando.
Então vamos criar um sistema para ficar mais alto. Aí o maluco foi lá, vamos ver o que acontece, a gente destruir essa merda e criou-se o rock and roll. A bateria eletrônica foi criada para ir junto do órgão, porque o órgão já é meio que um substituto de uma banda, né, de uma orquestra. Se você olhar para o órgão de tubo, ele foi meio que pensado para ser um, né, tem os sopros, tem as cordas, tá lá escrito, né, tipo flautas, papapá, e O órgão que ficou meio que na moda nos anos 60, todo mundo ter na sua casa.
Se você for na casa da sua avó, todo mundo tinha um órgão, né? Tinha uma máquina de ritmos para poder tocar junto a sua bossa nova, entendeu? Não é que eu não vou mais chamar ninguém para tocar. Aquilo foi criado para um uso muito específico. Aí alguém foi lá, foi lá e fuçou e gerou um novo som, e essa porra gerou um novo gênero musical. Aí tem uma fala do— eu falando, eu não vi até agora que gênero que a IA trouxe, porque ela não te abre nenhum leque de possibilidade novo, ela não te abre nenhuma novidade.
Aí eu vi um cara falando, não, mas eu consigo fazer músicas multigênero, tá? Porque eu entro na IA e falo, quero um rock, depois vira uma valsa. Cara, tem um disco do Mr. Bongo, a banda do Mike Patton, chama Disco Volante, tá lá, foi feito em 95, é uma música multigênero, música multigênero a gente faz aqui agora, entendeu?
Tipo assim, gente, não tá inventando nada e nunca vai inventar, por pela arquitetura dela, do jeito que ela é, a IA generativa.
Agora vamos supor, você cria um plugin de IA que já tem, chama Voclia. Eu sigo esses caras há 10 anos. E aí você chega lá e você faz assim, e ele já faz um bumbo, caixa, chimbal. Eu acho foda isso aí, acho incrível. Eu pego um beatbox meu e faço uma coisa rítmica no meu processo. Vamos pôr alguém que não sabe tocar nada, canta para caralho, pega um negócio desse. Aí eu quero fazer um som de trompa e sai com uma trompa do caralho, lindo.
Ah, mas você não chamou um cara para tocar trompa? Mas não ia chamar. Sim, nesse processo, pessoas veem os meus vídeos e fala: porra, mas você tá usando IA fazer suas legendas, cara. Eu não vou contratar alguém, cara.
Uma coisa é fazer a legenda, né?
Poderia ser, poderia ter alguém no meu time, meu time, porque é o cara que faz. Eu sou eu que faço. Então eu ganhei 2 horas do meu dia, porque antes eu tinha que ir lá colocar. Eu falei o quê mesmo aqui? Não, agora pum, toma aí, tchutchuco lindo.
Eu penso muito nesse tipo de uso, não só da música, mas de tudo assim, do que libera o acesso para alguém que não teria nenhum tipo de contato, não teria chance de fazer nada parecido assim. Ainda entendendo que, putz, pega o lugar da pessoa que tá começando na música, ou pega lugar da pessoa que tá começando no design, mas o quanto é legal que essa galera consiga ter o primeiro acesso, consiga ter um contato, consiga fazer o mínimo, consiga começar a estudar, que seja.
Eu acho super interessante esse ponto de vista e eu acho que tem uma divisão aí que é a seguinte: fazer música é um negócio muito difícil. Fazer qualquer coisa é, né? Mas música é uma coisa que é especialmente frustrante, assim. Muita gente começa a tocar e não segue porque É muito, muito complicado, muito fisicamente mesmo. Só que esse sarrafo já baixou muito, assim, né? Você pega, eu sempre cito o Steve Lacy, ele fez o disco do Kendrick, grande parte dos beats foi feito num iPhone, entendeu?
Então assim, é relativamente fácil comparado com a época, sei lá, da da Elza Soares, quando ela pintou, ela tinha que ter uma Big Band, um estudião foda, e ela tinha que cantar sem errar uma nota. Esse era o nível mínimo.
Senão começava tudo de novo.
Exato, para tudo, volta, entendeu? Hoje em dia não, hoje em dia é muito fácil fazer música, cara. Com um Fruity Loops craqueado num PC podre e uma conta de Splice, você faz um monte de coisa. Então eu já sinto que tá acessível. Porém, se a pessoa mesmo assim acha difícil, ela vai usar Suno, vai usar uma IA dessas, isso desperta nela essa vontade e serve como uma porta de entrada para começar a baixar o Froot Loops. Porque rola isso, né?
Você vai lá no Suno fazer, não é exatamente o que você quer, então você tem que meio, puta, e se eu baixar isso aqui, separar e pegar o bombo e pegar? E aí Piscou, você tá fazendo música de verdade, entre aspas, né? Pode ser bom. Eu acho que é uma porcentagem muito pequena da gente hoje em dia, porque a grande parte cai nesse lugar que você já falou. Essa inundação dos streamings com música de IA, ela não é uma coisa por acaso, ela é uma metodologia de golpe.
Isso é estruturado, né? Então assim, é golpe, Bino, é cilada. O rolê é o seguinte: você vai lá, faz 10 mil músicas, né? Porque você entra no Suno, em 2 horas você faz 100 músicas fácil mesmo assim, tipo, mesmo. E aí você sobe essas músicas usando, usando DistroKid, qualquer CD Baby, qualquer porra, estão no seu nome. Aí você vai, paga bot para ouvir, e aí você recolhe royalties.
Você ainda paga bot para ouvir, né?
Não é só vou pescar micro royalties.
Sem internet morta, né?
Você paga, você paga bot consumindo coisa de É, a internet mostra todinha ali. Paga esses bots e aí a conta fecha assim. Você gasta, sei lá, $5.000, você tira $7.000.
Tem um cara sendo processado nos Estados Unidos, produtor musical, até não tem o nome dele aqui, mas esqueci. Smith, é, $10 milhões de dólares ele ganhou com fazer isso.
Ele ficou fazendo isso e ele ainda é de uma época que não tinha Suno, tá? Era uma outra IA que era uma IA meio merda. Ele só foi pego por causa disso, Porque eram umas músicas bizarras, eram uns negócios lá que ficava lá, entendeu? E aí esse cara, e ele criou os próprios bots, então ele tinha uma margem de lucro muito maior, ele era craque dos bots. Então ele que fez os playfarm dele, entendeu? E aí o cara foi pego na coisa inteira.
O que tá rolando hoje, que existe um todo um ecossistema de playfarm montado Grande parte aqui, né? Brasil é um dos maiores platforms do mundo, é foda isso.
Isso para artista real também?
Também.
Então assim, antigamente tinha campanha mutirão, deixe seu Spotify ligado de madrugada.
É verdade, vai ficar tocando música da Anitta aí.
É verdade, daí tá com signo da lenda.
Não, mas porra, os fandom dos K-pop fazem isso, seja rodando, seja chorando.
Mas ali é uma questão organizada, né?
Não, tudo bem, aí beleza, são os fãs loucos. Louco fazendo coisa. Outra coisa é você ter um robô louco fazendo coisa e que tá tirando dinheiro, porque as pessoas elas não entendem financeiramente o que que rola, né? Então com um streaming tem uma piscina de grana para distribuir, para aquela piscina lá e acabou, entendeu? Do dinheiro do streaming ninguém toca. Então tem que tirar dinheiro do Spotify mesmo. Não, mas Spotify Tá ganhando com a fraude.
E esse pool que vai pros músicos, que vai da Taylor Swift até o Trololó, aí tá saindo essa grana que tá indo pra essa turma.
Acho que rolou um bafafá com o Spotify porque eles estavam colocando músicas de artistas que não existiam e que eram geradas por IA. Em playlists que eram recomendadas, tal, muitas dessas coisas de música para trabalhar, música para estudar, música para não sei o quê, concentre-se com jazz gostoso suave na frente da lareira. São playlists do YouTube, mas eram playlists oficiais do Spotify com músicas, tinham nomes genéricos de músicas, de artistas, tal, e que você olhava, entrava no artista, parecia que era um negócio real.
Mas era tudo de uma ou duas produtoras suecas próprias lá que faziam isso. E aí o que acontecia é o Spotify não precisava pagar os mesmos royalties que ele pagava para artistas de verdade. Ele tinha um acordo com esses caras, os caras recebiam uma grana X ali e não tinha esse pagamento. Isso ia rodando para caralho nas playlists oficiais e eles economizavam um dinheiro gigante mantendo o tráfego. Era uma coisa.
Agora eles vão lançar agora em setembro o selinho de lá, né? AI Persona, que é para perfis cuja identidade é para representar artista que não existe, não é humano, e vai ficar de fora dessas playlists, né, por padrão. Não vai ter recomendação editorial, nada. Eles não vão proibir faixa de IA lá, mas vai ter o selinho também, né?
Que é um lance assim, a gente acha que é mais mais atencioso com isso assim, mais preocupado, me parece. Eu posso estar errado também.
O Deezer tem um bagulho, tem duas coisas muito boas. Primeiro, eles têm um sistema de detecção deles, e aí quando eles veem que é IA, eles tiram a grana. Falaram, não, isso aqui se é gerado totalmente por IA, não tem dinheiro, tchau. E o jeito que eles remuneram é um troço chamado Artist Centric, que é o seguinte: você entrou no Deezer e você só ouviu Aromail, todo o dinheiro que você, ou X da sua grana do mês que você paga para o Deezer, vai para o Aromail.
Olha aí, então assim, tipo, é um jeito muito mais, é um jeito muito mais democrático mesmo assim, de justo mesmo, né? Eu acho que eles, eles estão bem na frente nesse sentido.
Chegar uma hora que vai ficar impossível de descobrir se a faixa é feita por IA.
Totalmente gerada não, acho que vai sempre dar, porque tem um traço espectrográfico mesmo que você consegue. E as próprias empresas de IA agora estão querendo colocar uma marca d'água. E aí todo mundo tá meio confuso. Nossa, que legais que eles são, né?
É porque eles são sempre tão bons.
Na próxima vez que eles forem raspar tudo, aí eles já sabem o que que já é deles. Lógico, isso aqui é nosso, não dá confusão.
Tem pressão de regulação na Europa, né, que eles estão pedindo para ter esse carinha.
Tanto que regulasse.
Quando a gente fala em aventura, costuma imaginar uma expedição, né? Semanas de férias, muito equipamento e um roteiro cheio de paradas. Só que na vida real tem muita aventura que começa com uma frase bem menos cinematográfica: e se a gente fizesse alguma coisa diferente nesse fim de semana? Pois é, pode ser finalmente conhecer aquele lugar que tá salvo no seu mapa, ou trocar programa de sempre por um caminho novo. O mais importante é não ter que esperar a viagem perfeita para sair da rotina.
É nesse espírito que entra a nova Chevrolet S10 Trail Boss. Ela já vem preparada para o off-road de fábrica, com suspensão Ironman, pneus Pirelli Scorpion All Terrain, rodas de aro 18 com acabamento exclusivo e protetor de caçamba Multiflex. É um conjunto pensado para quem usa picape no dia a dia, mas mas também quer ter liberdade de fazer outros planos. O conceito Viva no Modo Boss tem a ver com isso: escolher o que fazer com o tempo que você tem e viver a próxima aventura do seu jeito.
Se você quiser conhecer a nova Chevrolet S10 Trail Boss, vou deixar o link aqui na descrição desse episódio e também no QR code aí na sua tela. Viva no Modo Boss! Somos picapeiros, somos Chevrolet!
Eu queria muito, você falou o negócio de fazer um trompete com a boca e aí ele gerar um trompete. E você fala com frequência sobre ser antipreguiça, certo? Qual é o limite do humor? Qual é o limite da facilidade? Porque para você aprender um instrumento é legal que você consiga remover a faixa da guitarra para você tocar em cima, aprendeu, conseguir analisar ela melhor. Mas quando você falou desse negócio de fazer o trompete com a boca, eu lembrei da nossa saudosa Dolly Parton, que voltou agora que ela morreu, voltou a circular a história de que no 9 to 5 ela fez uma das batidas com o som da unha dela, que a unha de acrygel lá que ela fez.
É, exatamente. Quando você tem uma dificuldade ou não sabe fazer alguma coisa, você precisa usar da sua criatividade para contornar ou descobrir no meio do caminho um outro som que talvez seja mais interessante. Se eu tenho um robô que vai fazer o papapá para mim, não é facilitar demais?
Sim, eu acho que sim. Eu acho que grande parte da criatividade— dá para resumir criatividade em resolver treta, né? Então você tem uma encrenca, você Inventa um jeito de— muito louco você falar da Dolly Parton. No mesmo dia que ela fez 9 to 5, ela compôs All I Want Is Love You, e no mesmo, na mesma sessão de estúdio, brother. Essa tia era foda. Eu acho que sim. Quando eu falo isso, eu penso assim, pô, a pessoa tá ali querendo criar alguma coisa e ela tem muita, muita fricção.
Quanta fricção é uma fricção suficiente para você continuar caminhando ou você parar. E na música existem muitas fricções. Então eu trabalho com música desde 92 e eu passei por muitos, muitos momentos de quase desistência. Eu vejo muita gente que entra nisso. Então qual que é a equação que é instigante o suficiente para continuar te mantendo motivado e criativo, mas não te frustra tanto? Então é aí que tem que morar a sua o seu julgamento, não é?
Qual que é a facilidade que pode, a facilidade que não pode? Não sou eu que vou dizer, é o que a pessoa vai conseguir. Pode ser que para uma pessoa, tipo um jovem de hoje em dia que cresceu já com TikTok, que tem um déficit de atenção monstruoso, seja difícil demais sentar e aprender ré, sol, e pode ser Pode ser uma merda, mas pode ser. E para essa pessoa seja mais fácil hoje em dia pegar uma IA e começar a mexer com música ali para depois se interessar e capilarizar, né?
Mas eu acho que a gente tá sacrificando grande parte do nosso ecossistema criativo e cultural para facilitar um pouquinho mais para meia dúzia, entendeu?
No fundo é isso. Mas pensando nisso, né, essa meia dúzia vai ser tipo incrível Então vai ser a galera que vai, quem passar, né, por isso.
Então é bom que seja fora.
Não, quem passar por isso vai se destacar.
Pelo contrário, talvez.
Pelo contrário?
Talvez pelo contrário.
Por que não vai passar por tudo isso?
Não vai amadurecer durante esse processo? O que eu mais fico pensando é isso, cara, é o quanto o processo amadurece e o quanto essa galera vai só ficar lidando com referências. É um autorreferencial, né? Alimenta naquele negócio.
Aquela coisa de você achar que você inventou um negócio agora.
Tipo, você ouvia assim, não, fiz isso.
Cara, olha o que eu fiz aqui. Falou, não, parabéns, cara, você é legal. Meu pai sempre faz 14.
Eu não preciso, eu não preciso de ar para isso. Eu lembro quando eu devia ter uns, eu devia ter uns 20 e poucos anos assim, e lançou a Loto Fácil. Lembra? Sabe a Loto Fácil? Loto Fácil tem que adivinhar 15 de 25, né? 15 números de 25.
Lotomania hoje faz 14.
Lotomania, acho que é.
Meu pai sempre faz 14 e ele ganha R$200.
E aí eu vi essa porra, eu falei, brother, brother, eu vou quebrar esse código, eu sou foda. Então se eu tivesse o MyAI, eu tava feito. Eu fiquei falando, aí eu, como é que é que faz, que faz fatorial mesmo para eu saber quantos que eu preciso? Aí eu fiquei meio, eu fui reaprender a fazer fatorial, para, eu fiquei 2 horas fazendo a conta. Eu preciso fazer quantos jogos para zerar as possibilidades, 1 milhão 400 não sei quantos jogos.
Aí eu falei, legal. Do que eu virei essa filipeta, tava escrito atrás 1 milhão 400.
Que otário!
E o prêmio nunca passa disso, sacou? O prêmio nunca passa de 2 milhas, 3 milhões. Você não vai investir 1 milhão e coisa para ganhar 2 milhas, entendeu? Numa porra dessa. Então Então é isso assim, tipo, nossa, bicho, eu sou um gênio, eu tenho ideias foda. Todo mundo tem esse momento. Hoje em dia a gente vive uma amplificação ridícula disso, né? Teve um, teve, tem casos aí. Eu vi outro dia na BBC um cara falando que ele, mano, ele achou que ele tinha criado uma nova fórmula química fodida.
E não, e o Cláudio falando, não, isso aí, mano, você é bravão mesmo. Você chegou lá.
Tem um negócio que eu queria falar de quem, com quem que aí aprendeu a fazer música, né? Você falou, tem o caso do Suno com a Gema, né? Assim que se pronuncia, cara.
É pesado, tá bravo.
Queria que você contasse isso, porque as empresas estão treinando aí com milhões, bilhões de faixas feitas por humanos que são donos dessas músicas, né? Então processinhos estão rolando. Queria que você contasse esse caso aí.
É uma— você tem dois jeitos de treinar uma IA. Você tem Big Data, Low Signal, que é assim coisa para caralho, mas não necessariamente vai estar tudo bom.
Sim.
E é o que rola geralmente com essas, com as LLMs, com SunHy e tal. Então pega tudo que tem, mano, tudo que tem e treina e vai. E você tem um troço que chama Small data, high signal. Então você pega, eu vou tipo, Moisés faz isso, eu vou treinar separação de stems de forró. Então eu gravo um trio tocando forró, gravo mil músicas e eu treino só com aquelas mil músicas, porque eu, eu, mas elas são de altíssimo nível, então eu consigo criar um super modelo foda.
Essas empresas grandes treinaram com tudo, tudo que tem, coisa que é da Sony, da Warner, da Som Livre, da Chantecler, da Elenco, e de uns selos que ninguém, que nem existem mais, porque tem coisa que você nem sabe aonde tá, né?
E elas já saíram pegando, né?
Saíram pegando, foram lá, pega, pega, e aí dane-se. E aí, qual que é o grande, grande argumento para elas de que elas não estão roubando? Que você pega essas músicas, você transcreve elas para para um espectrograma. Esse espectrograma, ele é transformado no que seriam vetores matemáticos, que são uma coisa meio probabilística.
Sim.
E isso vai, você treina a sua IA com esses dados. E aí, quando você tem uma IA treinada, tudo aquilo que foi usado para treinar foi para o lixo. Então, dentro de um sistema treinado de IA não tem nenhum dado projetado para o pretório dos outros. Quando, então, treinamento é uma coisa e a inferência é outra coisa. Você treina, você gera essa coisa, você compila ela e fala, ó, pode usar.
Claro, então não são as mensagens do Vorcaro, é tipo aqueles prints que se apagam.
Não é que você tem o print do Vorcaro falando bom dia com aquelas, os emojis estrelinha para todas as loiras do celular. Sim, é só que ele entende que fala assim, ah, quase sempre antes e depois de um bom dia tem que usar o solzinho.
Sim, ele tem essa informação. Perfeito, entendido.
Exatamente isso.
Fácil de— a gente gosta de trazer para nossa audiência exemplos didáticos, coisa que tá aí no dia a dia do brasileiro. É isso.
Quem é Vulcano? Aí, bicho, você, quando você infere, você fala, eu quero um samba. Ele vai lá e fala, ele vai, ele varre tudo que ele treinou como samba e fala, cara, segundo as minhas coordenadas, um samba é mais ou menos isso. E joga para você, ele cria um novo espectrograma seguindo aqueles vetores e faz isso virar um áudio. Você dá play, legal, isso aqui parece um samba. O que que rolou no caso da Gema? O Suno, até 2024, você conseguia subir qualquer coisa lá.
Eles pegaram letras de músicas deles e colocaram, falava assim, tipo, pegava uma música do Alphaville, Forever Young, colocava lá e falava synth pop '80s, mais nada, letra e gênero. Você inferia na hora que entrava para inferir Qual que era o dado mais fresco ali?
Era exatamente a mesma música, saía com a mesma melodia, do mesmo jeito, tudo igual. E o mais foda dessa história, e aí é uma, é uma prova de que o poder da IA ainda não chegou naquela super inteligência, ficar bem pior, não chegou ainda na singularidade, que é uma das músicas que eles fizeram esse teste lá foi aí uma que o Merigo dançou muito na Praia Grande, que era Lowbagger Mambo Number 5.
Muito, eita!
Aí quando fizeram a mesma coisa, botaram a letra inteira e saiu Lowbagger Mambo Number 5 perfeito, idêntico, idêntico. Mas mesmo com a premissa de que se temos um Mambo Number 5, cadê o Mambo Number 4, o 3, o 2 e o 1? Aí não conseguiu gerar isso, muito menos conseguiu criar o Mambo Number Sim, que seria a próxima passa ainda. Se é tão criativa isso, por quê?
Cadê?
Porra, não faço, não faz.
Parece um teste tão coisa de criança, né? Ai, não tô copiando.
Forever Young.
Muito bem. Então pegou as coordenadas e ficou tudo bem.
Isso é muito chato, né, cara?
Mesmo que você não guarde aqueles dados, aqueles dados tão impregnados no seu sistema. E aí a grande diferença, que é que nem no livro do Copie como um Artista, você vai copiar, você vai transformar, porque você é um ser transformador. É muito mágico ouvir isso, mas é real. Você vai copiar, você vai fazer outra coisa, porque você não é aquele ser. E o sistema não, o sistema vai copiar.
É o papo, olha, Tive que ouvir contra a minha própria vontade de uma pessoa na minha frente falando. Mas é a mesma coisa, você ouve a música e você processa a música na sua cabeça, e aí você faz uma outra coisa.
Vamos supor que fosse, eu amei o dedinho. Vamos supor que fosse, tá? Você pagou pelas músicas que você ouviu na sua vida, ou você pagou com o CD que você comprou, ou você ganhou da tua avó Ou você pagou com seu tempo assistindo TV, porque quando estava vendo sua MTV passava: ah, ligue já e compre os bagulho do 14x0 meses. Pagou com seu tempinho. Ou você pegou seus livros que você comprou. A gente pagou pelo nosso material de treinamento.
Então paga aí, filha da puta, que eu tô tentando fazer.
Mas sem pagar por todo o conteúdo já produzido pela humanidade disponível na internet.
Mas nessas coordenadas, judicialmente tem como provar que foi, que é cópia assim?
Os cara ganharam, ganharam. Agora apagou todos os modelos. É que essa história é boa, porque aí os cara falaram assim, beleza, então tá bom, então vou pegar todos esses modelos, vou apagar. E acho que eles fizeram um acordo que agora eles têm os modelos novos que são licenciados só com, treinados só com material licenciado de gravadoras. Então tem as gravadoras grandonas lá da Warner e da BMG.
Aí eu fui, eu fui testar o Suno 6. Vamos lá, peguei o mesmo prompt que eu usei para fazer uma música meio, meio Motown, meio soul, e botei lá, e não sai a mesma coisa porque eles não têm mais as músicas da Motown. Então eles tiveram que fazer um downgrade do modelo deles para não cair nessa cilada.
Ou seja, o Predador de Perereca não sai mais, provavelmente.
Não sei se eles tiveram algumas coisas nessa onda, sim, porque ali já é mais disco assim. Eu acho que, acho que talvez olhe.
Mas quem nesse caso, volto em breve, nesse caso que as gravadoras estão fechando acordos, né, um serviço de IA, elas são donas do catálogo. Então em tese elas podem fazer o que elas quiserem.
É que se fode é sempre quem? O ser humaninho.
Isso, o artista pode chegar e falar, não quero que minha música sirva de treino. Que brigou com o Spotify, então fizer a mesma coisa com serviço de ar, não seria um—
se você assinou um contrato com uma gravadora e a gravadora controla os seus fonogramas, brother, que a Disney fez isso, a Disney fez isso com, não sei, acho que foi o Sora, né, que a OpenAI desistiu.
Mas que era isso, a Disney falou, não pode, podem usar, tá licenciado para usar meus personagens. A gente falou disso aqui, é, o negócio não foi para frente, eu acho que Ainda mais a Disney não desistiu dessa ideia. Eles querem abrir os personagens para criações de AIs LOP.
É, tem um lado, tem um lado que ninguém fala muito, que a IA generativa funciona muito como entretenimento, né? Não como lugar de criatividade. Então assim, você entra no Suno ou no Sora, vou fazer uma música para minha sogra, muito legal. Aí você toma uma breja Então assim, é um pouco— e aí tem outro lado que é o seguinte, é meio uma bronha, né?
Fazer um meme aqui, né?
Aí eu vou fazer uma música minha que é foda, aí faz uma música e fica ouvindo aquela música achando foda pra caralho. Logo que fiz essa música, aí mostra pra alguém, ó, fiz essa música. Legal. Ninguém quer ouvir a tua música.
Cara, ninguém, ninguém.
Que nem é bagulho do Estúdio Ghibli. Foda-se Estúdio Ghibli, mano.
Ninguém quer esse negócio feito.
Pensa lá na Disney. A Disney chega e fala, legal, você pode usar tudo que a gente fez e todos os nossos jeitos de edição também Pixar, então tudo estilo Pixar pode fazer. Aí você pode então entrar no seu Netflix, o seu Disney Plus, a AI, e lá e falar: faz um filme tipo Up, só que da história do meu vô e eu quando a gente foi para Pindamonhangaba caçar pato. E vai fazer um filme lá de 2 horas, mó bonito, com as músicas bonitas, vai chorar, teu vô, que legal.
Aí você vai mostrar isso para quem? Ninguém mais vai querer saber dessa merda. E aí qual que é? Aí a gente vai entrar no que que é arte. A arte é um um lugar, uma das, né, arte é tanta coisa, mas é um, é um, uma coisa que eu coloco aqui que eu acho que é X e você acha que é Y. E aí você deposita o seu Y aqui e para você isso aqui é teu e não é meu mais.
Isso que é a grande graça de uma obra de arte, a interpretação faz parte da arte, né?
Por que que eu vou fazer isso com o filme do teu vô, gerado Isso é um ponto, né?
Porque essas faixas sintéticas aí, bilhões de plays e nenhum fã, né? Que gerar, você criar música, né? Você gerar o fandom em torno, né? Gente que vai assistir o seu show, que vai ficar ouvindo, que vai comprar uma camiseta, o seu ARMY. Será que um dia, só que assim, eu vou fazer uma comparação idiota, não sei nem se tem a ver, mas eu lembrei de quando o Gorila Tinha uma discussão meio isso, né? Ai, mas não existe, é desenho animado.
Quem é que vai ouvir essa música? Quem é que vai no show? Quem é que vai comprar uma camiseta?
Ninguém, puta fracasso.
A gente vai, porque isso é um argumento que a gente ouviu no último episódio, que é vocês não levaram em consideração, vocês estão falando do estado da IA agora, e daqui 5 anos, daqui 10 anos, a IA não vai chegar num ponto em que a música não vai ser reconhecível como IA? Porque a gente vai deixar— o Gino contou essa história aqui do como que era o Street Fighter, a playlist de jazz.
Esse foi o meu ponto de virada, né?
É isso, eu tava curtindo.
É, então eu tava tendo várias conversas sobre produção de música guiar com meus primos que são produtores, e tava sempre com uma antipatia infinita. Todas as coisas que me apresentavam: nossa, olha que legal a musiquinha que eu fiz, que é essa coisa de mandar pelo WhatsApp. Olha aqui, ó. Ah, fulano de tal derrubou o copo de cerveja sábado na balada. Olha a música que eu fiz aqui da ele. Derrubou o copo de cerveja. Tudo eu tava achando idiota e tudo tava me trazendo muita antipatia.
Aí veio Predador de Perereca, que eu dancei nas festas, mas falei, não, tudo bem, admito, eu tô só dançando aqui, recriaram uma musiquinha. Não, tava na festa ali gostoso e tal. Aí um dia em casa abri o YouTube para fazer alguma coisa no trabalho, apareceu apareceu uma thumbnail com o Ryu sentado na beira de uma praia do Caribe segurando um violão aqui, ó, olhando para baixo. Street Fighter Latin Jazz.
Aí, isso, Latin Jazz.
Eu dei play e assim, a coisa mais delicada, sublime, maravilhosa da história da humanidade tocou nos meus ouvidos, que eram os temas de Street Fighter, Street Fighter no instrumental de bolero, era isso. E aí eu falei, cara, quem foi a alma abençoada que produziu isso? Olhei na descrição, era um troço de— aí eu descobri que era um buraco na internet gigantesco. Você tem qualquer coisa no estilo qualquer coisa. Então você tem, sei lá, Linkin Park, música de elevador. Você tem Roberto Carlos heavy metal. E aí eu fiquei chateado comigo mesmo.
Sim, mas o cara tava gostando.
Se eu falar, se sentiu traído, se eu me senti traído pelos meus próprios sentimentos, se eu falar que 14 vezes por semana eu não volto a ouvir Street Fighter Latin Jazz, então, para olhar a louça e etc., é mentira. E se eu falar que a partir Do momento que eu descobri que tudo isso existia, eu voltei a considerar um projeto antigo que eu tinha na época de faculdade, acabei não realizando, que era lançar um disco de— como é que chama em português?
Lullabies? É que eu fui educado em Brighton, eu acabo me confundindo. Eu tenho a vontade de fazer um disco de cantigas de Niná com músicas do Alxã e do Axé baiano. Sim, ó, eu vou partir para isso. Talvez esse seja o jeito que eu vou conseguir expor para o mundo essa grande visão que eu tenho.
Esse é um ponto muito específico assim, porque isso já existe faz tempo, que é você tá revisitando uma obra uma composição que você ama foi criada por um ser humaninho vestido de outra roupa, e por acaso foi feito com IA porque é mais rápido e mais fácil. Então é, é um, é um recorte muito específico. Eu falo isso porque vocês lembram de uma banda chamada Dread Zeppelin? É uma banda que tocava Led Zeppelin versão reggae com o cara cantando que nem o Elvis.
Se você pegar Senhor Coconut, vocês já viram Coconut é um cara alemão que foi para o Chile, começou a fazer versões latinas de Kraftwerk, depois fez, mano, é bom para caralho. Richard Cheese faz versão Big Band. O Paul Anka fez um disco de Big Band de rock and roll, tem uma versão de Wonderwall foda, tem uma versão de Black Hole Sun foda. Então quando você pega, quando você pega obras que você ama muito e você, e aí tem esse buraco na internet, que é um buraco do tatu, que é onde a Blow Records entrou, que você pegar uma obra criada por um ser humano que te tocou de alguma forma, então existe uma criação humana ali, você só veste ela contra a roupa.
Esses dias eu descobri essa porra aqui, eu tipo confesso que eu achei foda. Gostoso.
Gostoso.
Qual que é a música que é?
Baby One More Time.
É Britney Spears. É o quê? E aí, tô liberto, quero gostar, quero gostar, me libera.
Então, então, então, o que que é isso? O que que você quiser na tua vida, galera.
Mas esse é velho também.
O corte que a gente tá buscando.
Não, mas você ia buscar Aí vocês sabem qual é, né?
Libera ou não libera Paixão por Iá?
É isso aí. Isso acontece, eu entro numa playlist dessa, ai, que legal. Aí eu vejo lá todo mundo nos comentários, isso aí, aí eu fecho, puta, não quero. Mas aí eu falei, pô.
Mas então, o Latin Jazz Covers de bolero do Street Fighter eram tão maravilhosos que ao invés de ser vários comentários agredindo aquela pessoa, eram as pessoas trazendo trocadilhos gostosos em espanhol duplo, entendeu? Tipo, Luteador calejeiro, o Horiuken de passião, mano.
Aí que tá, aí que tá. Você tá, a gente tá agora resvalando num lugar aqui que é: existe um significado artístico aqui, né? Existe uma coisa, porque primeiro não é só um prompt para fazer uma porra dessa, tá? Você trouxe um negócio que Você tem que fazer, você tem que subir essa porra lá, pedir para fazer, testar, enfim.
Então você trouxe o material original, né?
Você trouxe um, tem uma música que já, já existe teoricamente. Se a música do Calle Hero aí do Street Fighter tá no streaming, foi o direito autoral tá legalizado, então quem compôs ganha. Então você começa a entrar num vetor assim, você fala Cara, isso, e é aonde grande parte dos acordos entre IA e as gravadoras tá indo, fazer remix, fazer mashup, que é você explorar um amor que já existe por uma obra com outras roupas, sim, né, outras, trocar skin, né.
Acho que o meu primeiro vídeo sobre IA eu falei isso, imagina você entra no seu streaming e fala quero ouvir É uma música dos Beatles cantada pela Britney Spears, entendeu? Você pode querer isso.
Que teve essa febre também na época que as IAs estavam começando a ficar um pouquinho mais populares, de Silvio Santos cantando, mosquito cantando, que era só—
mas isso também, isso que a gente tá falando, eu caí numa dessa terrível que foi o Tong Song. Versão coral gospel que eu ouvi no TikTok. Não, é inacreditável, sabe assim? Aí o coral preenche, é uma loucura. Aí eu descobri que era IA, e aí eu fiquei muito chateada. Aí outros músicos fizeram a versão de fato cantando, e aí eu voltei a me autorizar a gostar dentro da minha própria cabeça. Isso é uma coisa, no YouTube antigamente tinha AI Se essa música, se Baby One More Time fosse dos anos 40, anos 50, aquele pós-moderno, exato, exato.
Mas também fazendo versão funk de outras coisas.
Quando você fala que a gente começa, tipo esse do Street Fighter, né, as pessoas, se tá ali é porque tem alguém que deixou e aí tá pagando e tudo mais. Você não é contra, você fala isso, né, eu não sou anti Mas anti-preguiça, e sim, mas no sentido de você não é anti-IA a partir do momento que a gente começa a regular as coisas e todo mundo começa a receber, ou tem algo aí que também, sabe, tem um lado filosófico que acho que tem a ver com essa história da arquitetura.
A gente já falou sobre isso hoje, que é a estrutura de uma IA generativa desse modelo, que é essa que tem o intuito de substituição de processo e que olha para a criatividade como uma coisa a ser otimizada. E todo mundo que trabalha com o lado criativo sabe que certas coisas são otimizáveis, outras não. Mas quando transforma tudo em um sistema otimizável, o como isso impacta a gente como seres humanos criativos, entendeu? E é muito confortável para quem já tem repertório julgar e falar, ah não, mas é só mais uma ferramenta, porque eu já tenho repertório para lidar com isso, eu sei vetar o que sai do Maia e falar, isso não, isso não.
O que uma criança de 8 anos tem de repertório para lidar com isso? Como que vai ser preparada? O que essas empresas vão contribuir socialmente para isso acontecer? Democratização da criatividade vem de abrir espaço para a pessoa poder errar. Porque assim, vocês só veem o nosso lacre, né, gente? Quantas músicas, esses dias eu vi o Ed Sheeran compôs 240 músicas.
Que aliás, hoje ele cedeu uma. Hoje não é um bom dia dele.
Mas ele compôs 240 músicas para o último disco dele, das quais ele ficou com 12. É um número assim, e é um número comum, gente. Tipo assim, número comum para um disco foda é a pessoa compor 200 músicas e ficar com 10. Por quê? E essas outras 190, elas vão para o lixo, elas vão para o lixo. E aí as pessoas não têm noção dessa matemática, da quantidade de erro que você tem que fazer para chegar numa coisa boa. E muita gente confunde isso com uma coisa meio meritocrática.
Ah, você tem que se foder para ser bom. Qualquer— viver é trabalhar. Se você não vivesse de fazer música, você vivesse no mato plantando, era o dia inteiro plantando, mano, colhendo o esterco. E a gente vai ter que passar pelo processo de aprender também.
Não tem atalho, vai ter que fazer.
A vida não tem atalho, turma, não tem.
Sabe o que eu lembrei? Alguém botou vídeo esses dias de no supermercado, em farmácia, só música de IA rolando, porque os caras não querem pagar direitos. Então geraram um monte de música por que fica tocando, sei lá.
Mas o EK de Cobra do mesmo jeito fala: essas músicas foram treinadas com as nossas músicas.
Então vocês podem fiscalizar.
Então, mas olha que coisa louca, são dois vetores muito loucos que vieram aqui. Um é esse de cover, que os covers já existem, a gente já viu. Porra, I Always Loved You da Whitney é um cover de Dolly Parton. Então Isso é uma coisa muito comum no mundo musical, covers. Ok, aí você vai fazer um cover com o IA, aí tem uma graça, tem uma piada, tem uma graça. Geralmente cai para esse lado, né? Vamos fazer uma coisa que você não queria fazer, né?
E faz isso. E o outro vetor é esse consumo passivo. Então é lobby de hotel, essa música que você não se conecta. Aí eu tava, eu fui para, fui para Varginha, galera, Tava no hotel, beijo aí para baixo. Aí, ó, ET, a gente tá com você, brother. A gente tava lá no café e tocando uma música. Eu tava lá tomando e é uma música muito convincente, meio, meio Shawn Mendes assim, essa onda, esse meio popzinho. Acho que é meio ele assim. Eu falei, meio Shawn Mendes, é meio chato, né?
Mas beleza. Chato, brother. Esse cara é muito chato, mano. Quem que é esse filho da puta? Shazam, fulano, Jack McIntosh, sei lá. Eu falei, ah, é o Jack McIntosh. E aí, ah, caramba, cara! Aí você fala, olha só, eu não sabia que era IA. Eu achei que era um cara tipo um Shawn Mendes da vida, um Nick Jonas, e era um cara de IA. Aí eu fui na mina que cuidava, falei, então está vindo esse som? Ah, é aqui, ó. Eu entro aqui toda manhã no YouTube, abre aqui Hotel Lobby, Hotel Lobby, alguém gênio fez uma playlist, criou um carinha, o Sean Braga, e meteu umas fotinhos do cara lá assim, pá.
Hotel Lobby, perfeito.
Falou que a mulher do lobby do hotel foi direto no Hotel Lobby, o que é mais maravilhoso, lógico, porque ela poderia ter falado assim Café Paris, isso, focado, e falado podia ser Street Eu fiquei em Belém do Pará no hotel que o cara da recepção colocou Hamilton, as músicas de Hamilton.
Olha aí, sempre teve uma personalidade.
Foi, teve. Aí eu fui, aí eu fui para ele, eu mostrei assim, olha, eu tenho uma tatuagem de Hamilton. Aí ele falou, ah, que legal, parabéns.
Ó, quero, para a gente ir para o Coelho Boa, tem uma pergunta que é assim, aquela pergunta do que te fazem nas ruas. De 1 milhão de horas. Que assim, de gerar música, uma música inteira tá tão fácil quanto você— a gente falou um pouco disso aqui, mas queria que você trouxesse um resumo, né? Que a gente fazer música é tão fácil quanto tirar uma foto no celular. Você vai lá, então pronto, aperta um botão, tese, saiu uma música que você vai usar no hotel lobby.
O que que passa a significar ser músico, já que a gente tá nesse nesse cenário em que, assim como no design, muita gente se sentiu designer. Agora sou designer, eu vou lá no ChatGPT, manda gerar um cartaz, um cardápio, um pôster, um logo, né? E as pessoas estão se sentindo— a galera que faz a trilha do supermercado, do hotel lobby, tá se sentindo música, compositor, compositor, compositora.
Eu achei essa pergunta genial porque comparou de uma coisa que eu, qualquer coisa mais banal que existe no mundo hoje em dia, foto no seu celular, a quantidade de foto que você tira no seu, e fica lá, você nunca mais volta. Você, o fato de você poder tirar uma foto de 200 milhões de megapixels não te transforma num fotógrafo, né? Eu adoro um maluco do Instagram que ele mostra o que que ele viu e a foto que ele tirou.
Vocês já devem ter visto isso, o que eu vi e a foto que eu tiro.
Eu adoro mostrar para as pessoas quando eu falo sobre criatividade, qual que é o seu olhar sobre aquilo, qual que é o seu ponto de vista. O que faz uma canção ser uma canção incrível, uma música, uma obra, sei lá o que que é, uma sinfonia, é o ponto de vista da pessoa que fez aquilo. Então se você vai hoje em dia, vai no Mercado Livre, bota aí Hasselblad, você compra uma câmera Hasselblad de R$30 mil, você não é fotógrafo, você é um proprietário de uma câmera fotográfica.
Fotógrafo tá no olhar. Aí eu tenho um brother que é um puta fotógrafo foda. E aí vamos tirar foto de festa junto, eu já dou o celular para ele. O maluco enquadra perfeito, mano, com celular, com celular. As minhas fotos uma bosta, dele sempre tá foda, entendeu? Solta o queixo um pouquinho só aqui, entendeu? O cara, o cara trabalha com isso. Então é tipo assim, É você poder gerar uma música sobre o quê, né? Porque eu acho que a grande pergunta é por quê, meu. A gente tá brincando, por quê? Por que que você tá fazendo essa porra, brother?
Tá de coração partido? Você tá feliz?
E coração partido como? Porque esse que é o rolê. Não é qualquer coração partido, geralmente tem um coração específico, tem uma dorzinha específica, e quando você ouve você fala Eu já senti isso aí, eu já senti isso aí. Isso é exatamente isso aí, entendeu? Não é qualquer coisa. Então eu sinto que a banalização do fazer faz com que a gente agora olhe para qualidade mesmo do que tá ali. O que que tem nessa coisa que não encontra em lugar nenhum mais?
Então quanto mais especial for, quanto mais único for, mais valor aquilo vai ter, né?
Perfeito. É isso, Bia Ferreira.
Porra, boa!
Qual é a boa?
Vamos! Qual é a boa?
Começa você aí.
Fala do Cinemático primeiro, vamos falar.
Sempre esquece. Cinemático dessa semana, no dia dessa gravação, está, foi publicado o Dia da Magia Sedução 2: Feitiço de Amor. É ruim, mas gostamos, né?
É ruim, mas é bom. Esse é um filme, é o Da Magia Sedução, lembra? Cassandra Bullock com a Nicole Kidman, de 98.
Existe um novo?
Acabou de lançar o 2.
Ninguém pediu, mas eles fizeram mesmo assim.
É isso, apenas para nós, garotas Góticas.
Isso aí. E vai sair o próximo que a gente gravou de Supergirl, que estreia no HBO Max agora em 10 de setembro.
Exato. Não vimos quando passou no cinema, mas esse episódio é com a Rhaenyra pequenininha, que é a protagonista. Ó, eu vou— tá meio sem qual é a boa. E aí eu me lembrei— desculpa, não, eu me lembrei que eu assisti faz uns 2 anos, e a minha amiga Ana Luísa Ferreira Ela me falou que ela foi assistir agora que tá em cartaz a peça Morte Acidental de um Anarquista, que é—
você gosta dessas coisas, coisa de comunista, né?
Gente, cenário vermelho, entendeu? Pronto, você já sabe que aqui é— como é que é que eles falam? Tem um comentário, tem um comentário muito velho do Braincast que era uma do Cinemático, não me lembro, que era uma pessoa falando assim: gente, eu tô deixando aqui um alerta porque eles, eles atraem você com um assunto que parece interessante, eles querem doutrinar os ouvintes, como se a gente fosse, né?
Mas aí aconteceu, você não falava de política.
Isso aqui tá escrito aqui na porta da U2. Ó, então eu vou ler a sinopse para você que tá no site, que é inspirada em um caso real ocorrido na Itália nos anos 60. A comédia parte do controverso e nebuloso suicídio de um anarquista acusado de atentados à bomba. Na peça, a farsa oficial da polícia começa a ruir quando um louco detido por falsidade ideológica se passa por um juiz corregedor e assume o caso ali mesmo. É muito maneiro, é com um dos atores que fazia o Tibiu Perônio e com o Marcelo Laham também.
Enfim, é muito boa, é divertida, não é muito comprida, não é um musical de 3 horas, embora gostamos muito de musical de 3 horas também. Chama para gente sempre. Mas é uma peça muito bacana, vá ao teatro, mate a vontade de ir ao teatro, assista A Morte Acidental de um Anarquista.
Muito bem.
Desculpa, não deu serviço, né? Tá no Teatro Estúdio aqui em São Paulo, na Santa Cecília. Estreou dia 18 de agosto essa temporada, vai até o dia 30 de setembro, tá? Aí você vê tudo no Simpla, os detalhes. É em São Paulo, não sei se eles têm planos de ir ao Rio, mas Ok, muito bem.
Ó, vou indicar a série da Netflix que eu só assisti agora, minissérie The Beast in Me, que é O Monstro em Mim, que é dirigido pelo Antônio Campos. A gente já falou dele no Cinemático, que ele fez aquele filme aqui, ó, The Devil, The Staircase. Lembra aquela série da HBO?
Não, desculpa.
Tá bom.
Regina não lembra, Faustão lembra?
Fala que lembra, fala que lembra.
É aquela que do negócio lá da escada, é com a Claire Danes.
Widow's Bay e o Matthew Rhys, que ontem ganhou o Emmy, vários prêmios no Emmy. Puta, cara, esse cara é impressionante. Ele ganhou pelo Widows Bay e ganhou por essa série. E aí, quando ele ganhou, foi indicado duas vezes e ganhou os dois prêmios.
É a primeira vez que um ator ganha duas vezes na mesma edição.
É. E quando você assiste um atrás do outro, você entende por que que o cara ganhou assim, porque ele se transforma de uma série para outra, que é o trabalho do ator. É isso aí, ele tá de parabéns por fazer o mínimo. E é uma série assim, é um meio trash, um novelão assim, mas tem a Claire Denis sendo uma autora que há muito tempo não consegue escrever um livro. Ela escreveu um sucesso e aí muda-se para casa dela, um milionário.
Falando da Claire Denis, ela não consegue há muito tempo, ficou parecida, né? Nossa desgraça, tá fazendo um livro de lá.
Aí muda para vizinhança confiança dela esse cara bilionário do segmento imobiliário, do real estate, é que o cara bem esquisitão, acusado de ter matado a mulher dele que desapareceu. E aí ela vai começar a se meter nisso, escrever um livro sobre ele. E aí várias coisas acontecem. São 8 episódios. Não achei uma das melhores minisséries que eu já vi, mas tem esse gostinho. Não, é gostosinha. É, você pode vários plot twists, pode maratonar. A The Beast in Me está na Netflix.
Aproveitando o ensejo, achou que o Widow's Bay mereceu todo esse carinho da galera?
Eu gosto da série, né, me diverti bastante, mas não sei também, assim, meu Deus, da última temporada de Hex, 14.
Eu não faço a menor ideia de quais foram os prêmios que levou, mas eu assisti essa série, eu fiquei muito feliz durante todo o processo.
Ela é boa, mas pô, mas o prêmio esse todo, 14, não precisava desse auê.
Aonde passa essa parada?
É legal, é do Diddle's Bay.
Give Your Jumps TV.
E é uma ilha amaldiçoada em que o prefeito quer transformar num lugar turístico. Então ele leva a gente para lá, leva a gente para a ilha.
Vou fazer tudo, vai só dar merda, obviamente.
Gente, não vou. Uma comédia são episódios de meia hora, né?
Nossa, ainda voltou esse debate todo ano de o que que é comédia, o que que é drama, Noemi. Gente, eles têm as coisinhas deles, deixa eles.
Eu vi uma série muito foda, que eu não— antiga já, que eu vi uns cortes de TikTok, falei, ah, vou ver essa porra. Chama Mr. In Between. Vocês já viram? É um maluco, é uma série australiana, 3 temporadas. Que é um capanga que trabalha num nightclub assim, tem que matar as pessoas, enfim. Só que ele tem uma filha e ele tá, tem uma mina, e aí fica em between essas coisas.
Uma cara legal, tá no Disney Plus.
E eu botei assim, eu falei, ah, vou ver essa porra aí, mano, é cabuloso, cabuloso, é bom demais.
Já gostei, vou botar na minha lista. Esse é seu caramba, São?
Acho que pode ser isso, pode ser, sei lá. Eu li, eu tô lendo um livro que eu até fiz um vídeo sobre, que é Reclaiming Art in the Age of Artifice. Espero que traduzam, mas já tem 10 anos, duvido que vão traduzir. De um cara chamado J.F. Martel. E é interessante assim como ele define a diferença entre arte e o que não é arte, que ele chama de artifício. E para as pessoas publicitárias que nem eu, que trabalham com trilha e tal, é bom às vezes você Ah tá, é verdade, eu faço arte.
É, não, é bom você dar um nome para coisa que você faz que não é arte, né? Que você sabe que não é arte, você sabe, você tá fazendo, tá vendendo tonelada de sabonetes. Então aí é bom assim, eu achei, me deu uma tranquilidade assim no meu âmbito.
Boa.
Como é que é de novo o título?
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Muito bem.
E foi feito antes da IA generativa chegar, então tem muito a ver com o que tá rolando hoje em dia. Mas o cara fez há 10 anos atrás.
Muito bem. Aí você pode divulgar também seu perfil, que você tá com pouco seguidor lá.
Ô, gente, dá uma força aí, dá uma força.
Ele tá começando, isso, pouco conteúdo.
Mas quem me segue aí, o Felipe Vassão, Felipe Vassão com 2 S, sem tio, porque não tem tio na internet. E aí tem no TikTok, que lá eu tô precisando de ajuda, gente. Não, que TikTok é louco, eu comecei lá, começou a bombar e parou. Parou, esqueci. Chega, fica aí. Mas a gente descobriu lá no Instagram, pegou mais agora, tal bombom, umas parada muito da hora. E no YouTube eu tô tentando assim, eu coloco uns vídeos, mas eu não tenho mais, eu que monto minhas coisas.
E eu sou, tem que fazer roteiro, legendar, e produzir muita coisa para ele também, porque na verdade eu produzo música, né?
É isso.
Meu tempo livre eu posto os meus coisas. As pessoas acham que é o contrário. É só lá, você faz música, velho.
Eu achei que era só vídeo. Eu achei que era só—
nossa, e o que que você faz para ganhar dinheiro?
Eu achei que era só Reels, Shorts.
Quer dizer, música, coisa de vagabundo. Isso. Videozinho na internet, o dia inteiro no computador.
Coisa de piriguete. Isso.
Coisa de piriguete.
Quer confete?
Eu sou um bunda mole, basicamente.
Muito bem. Finaliza aí. Qual que é a frase da preguiça?
É isso que você falou mesmo?
Não sou anti-ácido, sou anti-preguiça.
É isso. Falando em preguiça, já que você é anti-preguiça, tem uma moça que tava 15 anos sem lançar um disco e lançou um disco agora há pouco, a chamada Erika Badu. E essa é uma palavra de hoje. Before the World Blows, Erika Badu e The Alchemist, é uma brisa boa.
É uma brisa boa, cara, é uma brisa boa.
Não é disco de canções, né? É uma brisa assim, meio, meio jam, meio sons cósmicos que se ligam e tal. Mas do nada entra umas musicona massa assim, cara, muito foda. Produção massa. Eu vi até umas entrevistas dela falando, ah, tá todo mundo falando, é o Alchemist brilhando com vocais da Erika Badu e letras da Erika Badu. E é o caralho, produz essa porra pra caralho também, filha da puta.
Eu mixo, eu masterizo, eu faço tudo.
Mas é a sonzeira. Tava esse final de semana, passei uma tarde com meus amigos Eduardo Barreto, Rafael Alves. E aí a gente ouviu bastante essas músicas enquanto a gente assistia Dog TV.
Cachorro passando?
Dog TV, você liga lá e tem cachorros. É o canal de TV que é pra cachorro.
E você como cachorrão?
Não, às vezes quando você tá querendo curtir uma coisa contemplativa, você vai querendo curtir uma coisa contemplativa. Da Erika Badu, bota um Dog TV.
Mas o Dog TV passa coisas para os cachorros assistirem, ou cachorros, ou tem cachorros?
Tem cachorros que atraem cachorros também, porque aí o cachorro vê o cachorro e fala, é nós! E tem fractais, luzes, prismas, tem várias coisas.
É legal, é isso. Você sabe qual é, desculpa, mas pegando o gancho, um outro disco que é brisa vibes, que de repente vê um musicão, é o último do Gorila Gorilas, não vi falar neles.
Nossa Senhora, falando sobre isso, né, a comparação. Desculpa, eu sei que já passamos. Gorilas tem um negócio, tem um termo em inglês que eu amo, que eu não sei como traduzir para português, que o pessoal que faz cinema usa muito, que é suspension of disbelief, suspensão de descrença. Então assim, você tá vendo, é uns bonecos, gente, é uns bonecos tocando uns negócio, é de mentira.
Sim, é o mano do Blur.
O problema é o mano do funk, entendeu? É tipo Hatsune Miku, é um boneco, é um boneco de verdade. Mas não, mas não estão tentando enganar você.
Ah, é mesmo?
E quando faz um cara, o Joshua Mechatrap, estão tentando enganar, tentando te enganar.
É boa, boa, estão tentando te enganar.
A sensação do videogame, de quando o videogame fica perfeito demais e você tem uma tontura. Então é a sensação que as duas, essas duas, esses conceitos, eles são primos, né?
A gente tem o direito de saber, né?
Quando aí, ah, é isso, certo? É, você é legalmente obrigada a me dizer.
Muito bem.
Eu tenho mais um disco de Qual é a Boa aqui, já que eu não sou mais a pessoa mais tão presente no podcast para conseguir guardar Qual é a Boa. É que chove muito nessa cidade, né? E aí tem que atravessar a cidade, tem que tomar banho, mas Mas outro disco que eu ouvi esses dias e eu achei gostoso, de uma banda chamada Curió Curió, que é uma cantora brasileira com um produtor e instrumentista alemão. Eu acho que a menina mora na Alemanha também há muito tempo, e aí tipo, sei lá, não tava— é uma pessoa que claramente eu não tenho grandes informações, porque eu ouvi, achei gostoso e não investiguei tanto.
O pouco que investiguei, eu entendi que assim, é uma mina que mora na Alemanha bastante tempo porque, sei lá, o pai trabalha na Bayer ou na Mercedes. Nada disso, tudo que eu tô falando é Mercedes. E aí a mina vive na Alemanha, fala alemão, mas tem aquelas memórias raiz brasileiras. Falou, não, quer saber, eu quero botar para fora isso aqui. E aí se juntou com produtor e fizeram assim as letras que são em português e claramente são dela, né?
Porque o outro é alemão. Elas têm, você vê que a construção das palavras, a construção das frases, a dialética ali, a narrativa, ela escreve de um jeito que, cara, tem um traço gringo de formação de frases. E então você ouve, tem uma estranheza, tipo, cara, a construção frasal dela Tipo, tem umas coisas que parecem que são simples demais, meio quase simplórias, tem umas coisas que parecem que não faz muito sentido, mas bonitinho.
Ela tá fazendo, tá rolando, né?
E do nada vem umas coisas legais, bonitas. Agora assim, a voz dela é maravilhosa e a produção de disco é muito foda, cara.
Muito foda.
Ele vai desde uns teminhas meio, cara, com uma carinha de música anos 70 assim, às vezes tem uma coisa meio pilantragem Só que do nada entra umas baterias de jazz, é muito foda.
Eu achei que você ia falar do Quero Quero Bonito.
Quero Quero Bonito.
Você falou Curió Curió, aí minha cabeça fez, ah, não é isso. Curió Curió, muito bem. Mas eu preciso investigar mais para trás. A gente espera no próximo episódio. Perfeito. Aí você falou, eu achei que você ia falar do Quero Quero Bonito. Quero Quero Bonito. Você falou Curió Curió, aí minha cabeça fez, ah, não é.
É isso, Curió Curió.
Muito bem.
Mas eu preciso investigar mais para trás.
A gente espera no próximo episódio.
Perfeito.
Aí você falou completo, né? Porque eu quero saber de você. Aí não é uma questão de ser melhor, é que Acho que a gente espera umas coisas e uma expectativa, mas são fases, né?
Mas tudo bem, nossa audiência, não tem problema.
Você ainda é, antes de tudo, um rostinho bonito, né? Então a gente deixa você aí, ó.
Obrigado, galera.
Gente, obrigado, Vassão. Bom te sempre, viu? Que você quiser.
Vamos falar de outras coisas, né?
Fechou, é nós.
Certo, beijo, tchau!
Chevrolet S10 Trail Boss
Picape off-roadHeineken
Cerveja oficial da Fórmula 1