RapaduraCast 909 - Youtubers estão virando CINEASTAS e dominando Hollywood!
Jurandir Filho, Rogério Montanare, Thiago Siqueira e Fernanda Schmölz conversam sobre como muitos youtubers estão conquistando Hollywood. Durante décadas, assistir a vídeos era um ritual controlado por poucas empresas. A televisão decidia o que seria exibido, os cinemas escolhiam quais histórias mereciam espaço e os grandes estúdios definiam quem teria chance de criar. Para entrar nesse mundo, era preciso dinheiro, contatos e, muitas vezes, sorte. Então surgiu o YouTube. No começo, parecia apenas um site de vídeos engraçados, memes e gravações caseiras em baixa qualidade. Mas, sem que muita gente percebesse, ele estava mudando completamente a relação das pessoas com entretenimento, informação e criatividade.
Talvez uma das maiores mudanças tenha sido o fato de que Hollywood passou a observar o YouTube em busca de novos talentos. Durante décadas, cineastas precisavam entrar em festivais, estudar em escolas tradicionais ou trabalhar anos na indústria até receber alguma oportunidade. Hoje, um vídeo viral pode mudar completamente a vida de alguém. O YouTube se tornou uma gigantesca vitrine de diretores, roteiristas, atores, animadores e artistas visuais.
Foi aí que sugiram David F. Sandberg ("Annabelle", "Shazam!"), Neill Blomkamp ("Distrito 9"), Fede Álvarez ("A Morte do Demônio") e os recentes Kane Parsons ("Backrooms") e Curry Barker ("Obsessão"). Como eles conseguiram?
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Voz B:Woo!
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Jurandir Filho:Rated PG. Rapadura Cast, o podcast do portal Cinema com Rapadura. Hello?
Voz D:Is someone there?
Jurandir Filho:Seja bem-vindo, séries rapaduras de todo o Brasil. Está começando mais um episódio do Rapadura Cast. Eu sou o Jurandir Filho e no programa de hoje nós vamos falar sobre os YouTubers que estão virando cineastas. O YouTube está dominando Hollywood? Estamos aqui com o Thiago Siqueira.
Voz C:A gente tem que atualizar aquela frase de "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça" pra todo mundo ter um celular na mão e um bocado de ideias na cabeça, nem todas boas.
Jurandir Filho:Roger Montanari.
Voz D:YouTube é o novo cinema.
Jurandir Filho:Aquela criatividade de 10 centavos. Fernanda Dias Tiburcio.
Voz B:As gerações que cresceram com o YouTube são literalmente a atualização daquela frase "se você quer alguma coisa bem feita, faça você mesmo".
Jurandir Filho:Chegamos aqui com mais um RapaduraCast. Vamos falar sobre como YouTubers, isso mesmo, a galera que faz vídeo para o YouTube, estão se tornando nomes frequentes em muitos filmes que estão fazendo bastante sucesso. A gente sabe que isso não é de agora, mas muita gente começou com curtas-metragens, nem existia YouTube ainda. Depois, quando chegou o YouTube, virou uma plataforma para divulgar os seus trabalhos. Mas recentemente tá demais, eles estão dominando a as bilheterias, tão fazendo filmes com baixo orçamento e faturando milhões. Quem são essas pessoas? Quem são esses nomes? Podemos dizer, por exemplo, que um fenômeno recente, Obsessão, é feito por YouTubers. Sabe aquele filme de terror Fale Comigo? Feito por YouTubers. E mais, o que é que tem em comum de ambos? Filmes de terror. Mas especificamente do Obsessão é que a gente tem um sala VIP dele, patreon.com. Acessa aí, você pode conferir esse fenômeno do ano tá aqui, né, talvez um dos fenômenos do ano. Filme que custou menos de 1 milhão de dólares e faturando quase 100 vezes mais. Uma loucura inacreditável, um sucesso absurdo. Quer saber por que ele é o filme de terror do ano e por que que é o filme que tá todo mundo assistindo e ficando maluco? patreon.com/rapaduracash. Mas espera aí, nesse mês de junho, 50% de desconto no Sala VIP, patreon.com/paduracast, aproveitando os 2 anos de Sala VIP, aproveitando as 100 edições do Sala VIP, sim, tá chegando o episódio número 100, famigerado episódio 100. 50% de desconto, nunca assinou? Essa é a sua oportunidade, aproveita! É isso, gente, vamos falar sobre YouTubers no cinema agora aqui no RapaduraCast. Oi, eu sou o João Daniel de Natal, no Rio Grande do Norte. Sejam bem-vindos ao Mundo Espetacular do Cinema.
Voz D:É o seguinte.
Jurandir Filho:Os YouTubers, é muito curioso porque antigamente os cineastas eles tinham recurso do curta, né, fazer um curta-metragem para colocar os primeiros aprendizados, tudo que fazer um longa é muito caro, um curta acabava sendo o caminho. E ele só tinha basicamente festivais de cinema para poder exibir esses curtas. Chegou a internet, foi possibilitando isso, né. Eu lembro que o Vimeo era a casa desses curtas-metragens, né, que a galera distribuía É, né? Pra algumas assessorias, né?
Voz D:É, né? Na verdade ainda é, ainda é. Cara, quando você vai pesquisar os cineastas, quase praticamente todos os cineastas que você vai pesquisar, novos diretores e tal, você vai olhar que eles têm vários curtas-metragens que a gente nunca viu na vida, que não tem lugar nenhum. E aí quando você vai pesquisar onde eles estão, normalmente eles estão no Vimeo, ou eles realmente passaram em algum festival e depois não tá em lugar nenhum.
Jurandir Filho:É que tinha aquele negócio, Rogério, do Vimeo ser o local que você podia colocar os vídeos e eles são na altíssima qualidade, na maior qualidade possível, qualidade de cinema, né?
Voz D:E que também existe a possibilidade de você cobrar ou não para assistir, né? Você pode liberar, ah, quero que meu curta fique totalmente liberado para assistir, ou se você quiser cobrar uma taxa e tudo mais.
Jurandir Filho:Sabe onde eu assisti o filme do Jovem Nerd? Por exemplo, Jovem Nerd e Azaghal fizeram aí o filme dele, né, A Própria Carne. Onde é que eu assisti? No Vimeo, eles mandaram a senha, que era assim: Rapadura Cash é o maior. E aí eu coloquei lá e simplesmente assisti o filme do Jovenel e de Azaghal, que são YouTubers.
Voz D:Pois é, são YouTubers.
Jurandir Filho:O Ian SBF também é YouTuber, né? Na verdade, ele é mais diretor de YouTube, né? Ele fez muitas coisas do Porta dos Fundos e...
Voz D:Exato, ele é o...
Jurandir Filho:Sabe aquele que ele tinha que era bem legal, do Ian? Anões em Chamas. Muito antes do Porta dos Fundos, né? Na verdade, foi ali que começou a ideia do Porta dos Fundos.
Voz D:Então, ele é o clássico YouTuber que se tornou diretor de filmes.
Jurandir Filho:Sim, sim, sim.
Voz D:Porque ele começou fazendo filmes curtos no YouTube, depois ele ajudou a construir o Porta dos Fundos dirigindo ali aqueles primeiros vídeos, né? Os vídeos mais impactantes aí que a gente tem, todo mundo tem na cabeça, né?
Voz C:Aquele do Judite.
Jurandir Filho:Judite, não fode comigo, Judite.
Voz B:O Judite.
Voz D:Judite, tem vários, né?
Voz B:O cortado de Woman, o do espulheto do Toma Palmito.
Voz C:Tem um que eu não sei se é dele, que eu acho maravilhoso, que é dois caras de uma produtora conversando, dizendo: "Cara, a gente vai ter que gastar X reais com o pessoal de iluminação." "Não, não, corta isso aí, corta isso aí." Aí na hora que corta, o vídeo fica com animação... Aliás, fica com iluminação amadora. "Cara, esse negócio de continuista não tá dando muito certo, né? A gente tá gastando muito com continuista e não tá entregando resultado. Aí corta o continuista." Aí o vídeo fica totalmente sem continuidade. Pessoal de figurino, né? Pra que figurino, né? É roupa, é roupa. Corta figurino. Aí os caras usando umas roupas, cara, tem muita coisa muito interessante vinda do YouTube. Tem um cara que eu não posso chamar de YouTuber porque os vídeos dele só foram parar no YouTube depois, né, mas que tinha uma plataforma que era o Fun Your Die. O James Gunn, James Gunn, ele fez vários vídeos pro Fun Your Die antes de virar um diretor conceituado e tudo, quando ele fazia o quê? Fazia trabalhos lá pra Troma. E fazia esses vídeos curtos que iam para essas plataformas de vídeos engraçados. Tem um dele com... Tem uma série dele que eu acho engraçada.
Jurandir Filho:Antes do pornô.
Voz B:É o PG Porn.
Voz D:É o PG Porn.
Voz C:Que são de cenas que dão setup para filmes pornôs, mas que nunca...
Voz B:Que não chega no pornô. É só aquela conversinha, tipo assim: "Ah, o mecânico chegou para consertar o seu encanamento." "O seu carro." "O encanador." "O entregador de pizza." E sempre é uma coisa, é muito vergonha alheia assim, mas é super engraçado.
Jurandir Filho:É que tem, por exemplo, o Jordan Peele, ele fez muito sucesso ali com as séries na Mad TV, né, ali no, fazendo aquele do King Peele. As skets passavam na TV, mas começaram a bombar quando entraram no YouTube, né? Elas passaram a estourar mesmo assim, a chegar no grande público. E aí é uma coisa que a gente pode falar de forma mais aberta, como o YouTube se tornou essa plataforma que antes era um site de vídeos e hoje é basicamente a TV de boa parte das pessoas que usam a internet, né? Muita gente nem tem mais TV aberta, não tem TV a cabo, e basicamente assiste o YouTube, assina o YouTube Premium, né, para você não ver propaganda e tudo. E aí começa a assistir tudo, e tem muitos canais, e aí tem canal de notícia, tem canal de todo tipo, e tem superproduções também, né? Então a TV, ela realmente foi ameaçada pelo YouTube. Lá nos Estados Unidos, as pessoas assistem mais YouTube do que a própria televisão a cabo e aberta, né? É para você ver o tamanho do YouTube. A galera assiste mais YouTube do que Netflix, por exemplo.
Voz B:As gerações mais jovens, né, no caso. E aí isso é um problema no momento para os veículos tradicionais, porque, ah, por enquanto eles ainda têm público porque a galera que cresceu vendo TV, mas e no futuro? Como que você vai integrar? Então faz muito sentido você pegar essa galera que tá fazendo um baita sucesso no YouTube e trazer pro cinema, trazer pra televisão, porque os fãs vão junto. O YouTube permitiu que as pessoas construíssem uma fanbase delas. E aí você não precisa mais passar por todo aquele processo e que alguém te escolha pra você ter voz ativa na mídia.
Jurandir Filho:Fernanda, sabe o que eu percebo? É que Houve uma tentativa de Hollywood alguns anos atrás de— aliás, se você pegar Brasil, pensa aí 2010, o quanto de filme que tentou colocar influenciadores, a galera que tava bombando no YouTube, sim, para protagonizar a história. Kéfera, é o Felipe Neto, é aquele lá, o Christian Figueiredo, né? Todos eles tiveram filmes, né, para fazer. E aí Alguns deram certo, outros não. A maioria não deu certo, porque não é isso, né? É isso que ele tá falando, é outra coisa, né?
Voz B:E aí você só botar a pessoa lá não vai magicamente fazer uma história, tipo, é uma coisa diferente do que eles estão acostumados a fazer.
Voz D:Diferentemente do que tá acontecendo ultimamente, o— era você simplesmente pegar a imagem. É muito você tentar usar uma mídia nova para emular uma mídia antiga.
Jurandir Filho:Sim, então assim, você pega o cara, fizeram isso no cinema e nos livros, né? Porque também muitos influenciadores escreveram vários livros que nem era escrito por eles, tinha um monte de ghostwriters.
Voz D:É isso, você pega, por exemplo, um influenciador famoso e aí você bota ele no cinema, mas você vai contratar um diretor de cinema para usar esse cara como se fosse um ator, sendo que na verdade ele não é ator, ele fala a mesma língua. Sim, ele faz vlog sobre a vida dele, então como é que isso vai fazer sentido dentro de um filme? Então, tirando, eu acho que a, como é que é a primeira que você falou? A Kéfera é atriz de verdade, né?
Voz B:Então ela começou no YouTube para tentar ter visibilidade para ter a carreira dela de atriz. Então ela é uma exceção.
Jurandir Filho:O próprio Felipe Neto, ele tem DRT também, né?
Voz B:O ator de teatro estudou na CAL, que foi onde eu estudei teatro também. Ele também estudou lá, fez coisa lá.
Jurandir Filho:Mas a grande maioria não, né? A grande maioria foi fazendo coisa no YouTube, e aí alguns foram se especializar, né, na parte do teatro, do cinema, das novelas. Tem vários que fizeram essa transição, mas ainda assim não vingou do jeito que Hollywood esperava dessas pessoas, né? No caso, do que o cinema esperava dessas pessoas, porque o sucesso dessa galera também era momentâneo. Porque o que faz sucesso hoje, daqui 2, 3 anos não é a mesma coisa, sabe?
Voz B:É o que a gente vem comentando, né, Július, nas nossas lives, nas as coisas, a gente sempre tem que dar uma inovada. É aquela coisa que o YouTube, quem trabalha com YouTube sabe que normalmente o que você faz é você experimenta várias coisas quando você tá começando, você não tem view nenhuma, você experimenta. É uma época boa para você descobrir o que você quer fazer. Às vezes um tipo de vídeo que você faz viraliza. Eu quando comecei no YouTube, por exemplo, há 11 anos atrás, bom gente, o tema de hoje é "Da pra eu ir pra Orlando sem carro?" Eu achava assim: "Pô, quero falar de cultura pop." Dá pra falar de muita coisa, então nunca vai faltar assunto. Só que a galera que clicava nos meus vídeos de review de filme não eram as mesmas pessoas que queriam ver um vídeo meu falando de Disney. Não eram as mesmíssimas pessoas que queriam ver o vlog de viagem que eu postava. Porque tem muita gente no YouTube que começou antes que consegue fazer várias coisas porque a concorrência era menor. E aí a pessoa construiu. Você não consegue fazer várias coisas diferentes até você tá muito estabelecido. E mesmo assim, os algoritmos de todas as redes sociais hoje em dia, eles prezam por um— você tem que reter a atenção das pessoas, que é cada vez mais escassa porque tá todo mundo viciado no conteúdo rápido. Então se você não prende a pessoa nos primeiros 2 segundos, ela simplesmente vai embora e nunca mais te vê. E aí se você começa às vezes a tentar "Vou fazer outra coisa?" As pessoas não clicam. Então você fica meio que preso num formato. Só que depois de um tempo fazendo aquele mesmo formato, fica cansativo. E aí a galera que era seu espectador assíduo começa a ficar menos interessada e clicar menos. Então assim, é uma jornada de empurra-pedra do Sísifo que não acaba nunca, você criar conteúdo na internet. Nunca você vai estar seguro. Porque quando você fica muito confortável Você passa a ser comum. Mas aí, se você vai mudar, você não pode mudar muito. Porque as pessoas ainda querem aquele conforto da familiaridade que elas criaram contigo.
Jurandir Filho:Exato, exato.
Voz C:O risco de alienar o público antigo.
Voz B:Exato. A gente vive... Cara, essa carreira de você criar conteúdo na internet é um negócio tão surreal de você ter que estar sempre andando no fio da navalha do negócio.
Jurandir Filho:Eu vou citar um exemplo. Sem citar nomes, e vocês conseguem identificar. Eu tô falando para o público, né, que especificamente você começa a produzir conteúdo sobre um tema e aí ele não estoura muito. Aí você acerta numa temática específica de vídeos, e aí esse vídeo estoura. Aí você faz outro, estoura, tá, do mesmo, do mesmo tipo do anterior. Aí você volta a fazer o que você fazia antes, o assunto que você gosta e tudo, e aí não dá bom. Aí você volta a fazer depois. Pô, já que não deu certo, eu vou fazer aquele que estourou. E aí continua dando certo. E aí muita gente passa a ser refém daquela temática, né? Isso a gente consegue enumerar diversos YouTubers que se enquadram nesse perfil, né? De estão refém desse tema. Aconteceu isso muito com Marvel, aconteceu isso muito com Game of Thrones, aconteceu muito com grandes franquias. Quando o canal ele se estabelece com uma temática, ele quer falar de outras coisas mas não consegue. Por exemplo, quem fala muito só de animação vai querer falar de algum outro assunto. Eu lembro que quando acabou Harry Potter e o Tiego, que queria o Tiego lá do Observatório Potter, ele quis falar sobre Percy Jackson, de outros universos fantásticos. Já que acabou Harry Potter, eu tenho que, né, procurar outras coisas, já que eu vivo de internet, né? E aí o público aceitou, ok, mas nada do tamanho de quando ele fazia um vídeo de Harry Potter. Então às vezes você fica refém da temática. Eu lembro que no começo do Rapadura, quando a gente falava, a gente falava só de cinema, e a galera, né, cinema, cinema, cinema. Quando a gente pincelava algo sobre série, a galera: não, gente, nada a ver, não é um podcast de cinema, porque você vai falar de série e tudo. Só que a gente precisou adaptar e mudar o nosso público pra nova visão de que streaming deixou de ser só um serviço qualquer aleatório, que a TV deixou de ser uma coisa aleatória.
Voz B:Virou a forma principal que as pessoas consumem conteúdo.
Voz D:Exato. Eu lembro, isso de fato começou quando eu fui pra Fortaleza numa San Diego Comic-Con lá que teve, que a gente foi fazer uma cobertura, né, sobre essa show de futebol.
Jurandir Filho:Acho que foi 2018, 2017, 2018, sei lá.
Voz D:Eu acho que foi 2018, acho que foi 2018, né. Eu lembro que a parte de séries dentro do evento era tão grande quanto a parte de filmes. E aí foi ali que eu cheguei pro Juras. Eu lembro que foi pessoalmente, por isso que eu lembro que foi aquela vez, porque eu falei pessoalmente pra ele. Eu falei: Juras, eu acho que tá na hora da gente começar a falar de séries, cara, porque a grifearia tava tão alta.
Jurandir Filho:A gente fazia uma coisa pontual, né?
Voz D:Uma de vez em nunca tinha uma coisa muito do site, mais vídeo, podcast. Não, era um ou outro e muito de vez em nunca.
Voz C:Teve aquele quando Lost acabou, porque ali era um fenômeno que era impressionante.
Jurandir Filho:Que acabou junto com 24 Horas, né? A gente fez até um podcast em grupo na época.
Voz D:Mas assim, era uma raridade e era muito particular. E aí eu lembro que, né, principalmente nessa Comic Con, pô, teve Stranger Things, acho que era a segunda temporada de Stranger Things, teve a segunda temporada de Westworld.
Jurandir Filho:Walking Dead, Game of Thrones.
Voz D:Não, segunda temporada de Westworld. Eu lembro que a coisa ficou muito grande e aí eu lembro de ter falado pro Júlio, eu já sou "Mas o site é Cinema com Rapadura, como é que a gente vai botar série com Rapadura, velho? As pessoas vão se confundir e tal." E com o tempo, eu acho que a gente foi entendendo que de fato não tinha como abrir mão de falar de série, porque série, em algum momento ali, ela se tornou tão ou mais importante do que cinema. E aí eu lembro que a gente tentou uma vez e acabou, o público acabou embarcando, porque realmente a gente tá Cara, a série, quando atores, a gente começou a perceber isso, né? Quando atores de cinema começaram a ir pra TV sem vergonha, sem ter, porque antigamente eles tinham vergonha, né? Um ator de cinema que ia fazer alguma coisa de TV, ele ficava meio envergonhado porque ele sentia que era algo menor.
Voz C:Parecia que era um retrocesso, um downgrade.
Voz D:Quando você vê que eles estão indo, é que nem a Marvel também, que os atores começaram a ir pra Marvel, E também os caras no começo tinham vergonha de: "Ai, meu Deus, cinema de herói, o que eu tô fazendo aqui?" Hoje em dia tá todo mundo praticamente falando, pelo amor de Deus, me escala em Marvel. Isso não tem como você virar as costas pra isso e falar: "Não, eu vou deixar de falar disso e tal." Então a gente começou a colocar as séries e começou a dar certo, assim. Porque eu acho que o público, do mesmo jeito que a gente, entendeu que séries eram tão importantes quanto filmes.
Jurandir Filho:Eu acho que a pandemia ajudou muito também no processo, porque a gente pensou assim: "Cara, streaming..." faz mais parte da vida das pessoas do que o cinema, principalmente na pandemia, porque tava todo mundo em casa trancado. Aí a gente assimilou de assim, cara, a gente tem que cobrir streaming. Tanto que o Rapadura Cast, ele se tornou um podcast de cinema e streaming, né? Virou um slogan, né?
Voz C:Juras? Televisão é corriqueiro, o celular é rotina, cinema é— a gente tava falando sobre isso, era evento. Agora imagina só, eu pego como exemplo Porta dos Fundos. Certo, que eles fizeram. Eles experimentaram tantos formatos diferentes, mas a sketch, que às vezes que eles fazem, é o que fica, ainda é o que sobressai, né? Exatamente. Eu lembro quando eles fizeram tipo um jornal falando das notícias da semana, que nem o Saturday Night Live faz, e tava funcionando. Eles estavam conseguindo, inclusive eles estavam com uma bancada rotativa de apresentadores, chamava até apresentadores diferentes. Teve uma vez que chamaram o Luiz Fernando Guimarães e o Diogo Vilela para apresentar. Mas aconteceu uma coisa bizarra que um dia tava lá o Gregório e o João Vicente. O Gregório Viveiro e o João Vicente Castro. E basicamente eles não tinham notícia pra falar, eles não tinham um roteiro, entre aspas, pronto. E começaram só a conversar, começaram só a conversar e pronto. E nisso acabou gerando um programa atual deles que é o Não Importa, que é só basicamente o João Vicente e o Gregório Conversando, comentando a vida. E nisso gerou um spin-off que é com a Clarice e a Bela, com as mães delas, só conversando também. E o Porta, eu acho um caso interessantíssimo porque o Porta lançou dois filmes especiais, especiais de Natal, que polêmico ou não polêmico, foram feitos com orçamento, foram feitos com uma pompa maior. Tem as skets de TV, tem o programa do Porchat que é produzido pelo Porta, que tá lá no GNT. Tá na Globo também, que é o Que História É Essa, Poxa, que é um sucesso inacreditável. Então o Potter, ele começou com sketch, ele mantém o DNA de sketch, mas além disso ele lançou outros produtos que eles foram meio que tateando. Isso aqui deu certo, isso aqui não deu tão certo. Quando eles tentaram migrar para o cinema, os filmes foram inclusive dirigidos pelo Ian, eu acho que não migrou bem.
Voz D:Não, não, não. Então aí eu acho que é isso que a gente vai mais falar hoje, é quando o YouTuber entende a linguagem de cinema como uma linguagem diferente da que ele tá acostumado no—
Jurandir Filho:Linguagem de cinema não é linguagem do YouTube, é outra coisa, né?
Voz D:Porque é isso, quando você tenta fazer o porta dos fundos do filme, é um amontoado de— de esquetes, mini esquetes que não funciona.
Jurandir Filho:Agora quando o Ian fez o Entre Abelhas com o Fábio Porchat, que é um filme que foge do tipo de coisa que eles estavam produzindo, no Porta dos Fundos. E aí você encontra realmente um filme com muita qualidade. O próprio, a própria Carne, né, do Jovem Nerd, terror, fugindo completamente aqui do que eles faziam de audiovisual, né. Mas se a gente pegar do caso que tá rolando nesse momento que a gente tá gravando esse podcast, o fenômeno que é o Obsessão, o Kelly Barker, que é o diretor responsável pelo Obsessão, ele é um YouTuber bem popular. Ou esse filme não tá fazendo sucesso pela fama dele no YouTube, tá fazendo sucesso porque o filme tem qualidade como filme de terror, como filme de drama psicológico, né?
Voz B:Ele é aquele tipo de filme que você assiste e ele continua com você.
Jurandir Filho:Isso.
Voz B:Assim, já tem quase 3 semanas que eu assisti, eu já assisti 3 vezes e eu continuo pensando sobre, eu continuo vendo um monte de conteúdo sobre ele.
Jurandir Filho:O poder de influência de alguém que vem da internet, ele tem limite. Ele vai levar x pessoas para o cinema. Sim, o que vai dar dinheiro, que vai funcionar, vai fazer uma comoção da galera fazer milhares de vídeos sobre o filme, como tá acontecendo com Obsessão, é pela qualidade dele.
Voz B:Então, é a discussão que ele levanta, a abordagem que ele tem, a forma como ele toca em certos assuntos, como ele não tem medo de pôr o dedo em certas feridas. E ele faz isso de uma forma muito foda assim, o inteiro desse filme é cheio de mini detalhes. E quanto mais você assiste, mais você consegue teorizar sobre, mais você consegue refletir sobre. E é um tema polêmico, né? Então assim, é um negócio que funciona muito bem. E aí eu acho que o que que acontece, a galera que vem do YouTube, principalmente a galera que cria conteúdo fictício no YouTube, né, cria sketch, cria curtas, cria histórias, eles têm A escola da vida, que é você aprender a se virar com pouco no início. Que raramente você tem alguém que tem...
Jurandir Filho:Hollywood está procurando isso, galera que gasta pouco, né?
Voz B:Raramente você tem galera que tem muito dinheiro pra investir desde o começo, né? Então a galera pra se destacar tem que se virar. Que curiosamente, com alguns tipos de diretores que fazem esses filmes que a gente acaba comentando muito, quando eles têm menos dinheiro é quando funciona melhor, porque eles têm que trabalhar a criatividade melhor. Mas isso é um tapa na cara de Hollywood, que acha... Que só ficar fazendo remake com a mesma fórmula das coisas que fizeram sucesso há 10, 20 anos atrás, live action de filme animado, e ficar fazendo... usando nome de franquia pra ver se atrai um público, falando: "Pelo amor de Deus, por favor, paga um ingresso". Que focar numa boa história é muito mais efetivo e muito mais barato. Porque pra você pagar um ator super foda que fez um filme de sucesso há 20 anos atrás pra fazer uma continuação agora, É muito mais caro do que você pegar alguém que já teve muita chance de tentativa e erro. E uma coisa muito legal que o YouTube te proporciona é o feedback automático. Porque você lança na internet e a galera já tá dando a própria opinião. E é uma opinião, assim... As pessoas são muito duras no YouTube, na internet. Você ter coragem de criar um canal, botar a tua cara ali, falar e tá disposto a... tá, né? Apto a receber qualquer tipo de comentário, qualquer tipo de crítica. É um negócio que, assim, te cria uma casca dura, sabe? Eu tô falando muito sobre isso porque eu trabalhei tendo um canal só meu por 10 anos, né? Então eu sei muito bem, eu já tive dos dois lados. Do lado que todo mundo concorda comigo e do lado que eu tô tomando hate.
Jurandir Filho:Mas existe uma diferença nisso porque uma coisa é o público falando mal de você em comentários e aí você deleta o comentário ou coisa do tipo. Uma coisa é tipo uma Verity falando Você assim: "Esse filme é um dos piores filmes lançados esse ano." A dimensão é outra, né, mano?
Voz C:E o Howard, que às vezes é o veículo que o cara... Que era a bíblia do cara, que o cara se espalhou muito.
Voz B:Mas aí vem da gente também saber diferenciar o que é o veículo e o que é a pessoa que escreveu pro veículo, né?
Voz D:Tem isso também, cara. Eu também queria destacar uma coisa. Não necessariamente você ter uma boa história ou um bom filme quer dizer que você vai fazer sucesso.
Jurandir Filho:Estourar.
Voz D:É, tem uma... Infelizmente, assim... Tem, a gente vê muitos diretores que têm bons filmes. Eu, de vez em quando, eu assisto alguns filmes, a maioria é porcaria, tá? Eu já falo aqui tranquilamente, 95% do filme cinema de terror é porcaria e tal. Mas de vez em quando você encontra umas coisas, umas pérolas que simplesmente não fizeram sucesso em lugar nenhum, que ninguém nunca comprou, não sei o quê, saiu num canto ali, aí de repente você acha um bode.
Voz B:E são ideias fantásticas e feitas com pouquíssimo dinheiro.
Jurandir Filho:O terror é um gênero que ele permite muito facilmente você fazer um filme com pessoas desconhecidas, com uma boa história, e ele estourar. Ele nunca vai estourar de bilhão, mas ele vai justificar o investimento. Diferente de um drama, que se pauta muito principalmente nos rostos conhecidos, né? A gente vê que muitos dramas funcionam porque são rostos conhecidos. Terror, comédia romântica, ele não precisa de gente famosa. O terror, ele não precisa. Você vê, Obsessão é um filme que fez muito sucesso é pela qualidade do negócio. Eu lembro daquele, a gente pegar vários cineastas que surgiram no YouTube com terror e estouraram. Você pega Neil Blomkamp, que não é terror, o Distrito 9, mas ele fez um curta pro YouTube. Peter Jackson, né, diretor de Senhor dos Anéis, viu, falou assim, pô, Cara bom, quero transformar num— ele até foi cotado numa época para dirigir o filme do Halo, né, adaptação do jogo Halo. E aí também, não é? Mas ele foi fazer o Distrito 9, deu uma sumida, deu uma sumida. Mas tem o David Sandberg lá, que fez um curta chamado Lights Out, depois fez o filme Lights Out, aí depois fazer Annabelle, Shazam, e fez Once Upon a Time. Não são filmes bons, mas veio do YouTube. Ele é um—
Voz B:E ele tá trabalhando, né?
Jurandir Filho:A ser chamado, a ser convidado, sabe? Você pega o Fede Álvarez, que é o diretor do Evil Dead, né? Ele fez um curta chamado Ataque de Pânico, estourou, Hollywood: "Caraca, esse cara é bom!" Foi fazer Evil Dead.
Voz B:Não é ele que fez o Alien Homus também?
Jurandir Filho:Ele fez o Don't Breathe também, o— Como é o nome dele lá? Nas Trevas? É o Homem nas Trevas.
Voz D:Ah, o Homem nas Trevas.
Jurandir Filho:Homem nas Trevas, né?
Voz B:Don't Breathe, ah.
Voz C:E olha, eu vou dizer uma coisa, o teste grande pro Cory Barker vai ser o seguinte: ele trabalhou agora com um elenco basicamente desconhecido, a mais conhecida ali era a gente da varrete que vinha de 30 Reasons Why, que vinha de Superman Lois, o amigo Ian, o amigo lá que era já parceiro dele da época do YouTube também. Ele fez um filme com um elenco basicamente desconhecido e agora não, agora ele vai ter que encarar um projeto com o Aaron Paul e a Bryce Dallas Howard.
Jurandir Filho:E com grande orçamento, né? Comparado com o orçamento anterior do filme dele, ele vai ter mais orçamento, né?
Voz D:E ele tem, e acho que ele tem mais um também pela, não é ele que vai fazer o Massacre da Serra Elétrica?
Jurandir Filho:Ou é o? É ele mesmo, o Clay Barker.
Voz D:Ele tá escalado pra fazer o reboot, outro reboot de Massacre da Serra Elétrica, né? Que já, acho que é um dos filmes mais rebootados e tal.
Voz C:Então assim, acho que, ou seja, o próximo dele é uma ideia original que eu até gostei da ideia, que é de uma empresa de caçadores de fantasmas que é Fajuta. Que são basicamente charlatões, só que aí começa a aparecer fantasma de verdade mesmo na história.
Voz B:Cara, eu adoro ideias assim.
Voz C:Vai ter que começar a se virar com isso. E vai ter agora Massacre da Serra Elétrica. Ou seja, ele vai fazer um filme que tem uma ideia original, vai fazer um reboot depois, e ele vai ter que lidar com isso, porque ele tá saindo agora de um projeto que não tinha zero visibilidade, que ele pôde trabalhar com calma, com parcimônia, sem estar sob nenhuma lente em cima dele. Mas agora não, agora é o cara que fez um projeto por $750 mil, que foi comprado por um estúdio por $15 milhões e que ultrapassou $100 milhões de bilheteria. Pô, agora esse cara é visado, agora esse cara tem um "crash copy" na cara dele.
Voz D:Ele tem uma coisa a favor dele que foi o seguinte: ele não tinha nenhum produtor na orelha dele enchendo o saco, que é o que você falou, entendeu? Porque esse filme só foi comprado depois, ele passou no Festival de Toronto e eu lembro de ter assistido Como a gente tinha descoberto o trailer antes da Blumhouse ter comprado, aquele primeiro trailer que ele tá dentro do carro, ele passou antes do Festival de Toronto. E eu lembro de ter visto ele numa apresentação, foi a primeira apresentação do filme dele sentado lá no... Filmaram ele sentado assim, tipo, ia começar o filme, ele tava super nervoso e tal. Porque era um filme de baixíssimo orçamento que ele conseguiu encaixar num festival muito importante, né, que é o Festival de Toronto. E aí a Blumhouse viu, aliás, não foi a Blumhouse que viu, vários estúdios viram e eles fizeram um leilão pra comprar esse filme. E aí a Blumhouse foi quem pagou mais, que pagou 15 milhões. Acho que se deu muito bem, né? Eu acho que agora vai começar uma corrida de: "Peraí, esses caras tão por aí e a gente precisa ficar de olho neles, entendeu?" Porque esse cara nasceu... Quer ficar com raiva de você mesmo? Ele nasceu em setembro de 99.
Voz B:É tudo shopping, é tudo shopping.
Jurandir Filho:Filha da puta, eu terminando meu terceiro ano, simplesmente tava nascendo o diretor de Obsessão. Vai se fuder, caralho!
Voz D:Eu já tinha 19 anos, já ia fazer 20 anos, cara, e o cara tava lá nascendo e tendo as suas ideias. E essa própria ideia de Obsessão, ele tava falando também numa outra entrevista que, ah, tinha uma ideia dessa coisa de, ah, de desejo, isso Se a pessoa tivesse desejo. Só que aí ele pensou assim: "Cara, mas se eu criar um objeto, alguma coisa muito importante, como uma lâmpada, ou seja, o foco do filme vai ser isso e não vai ser o que eu quero, que é de fato uma pessoa presa, né?" Então, por isso que ele falou assim: "Ah, e se fosse um graveto, um nada, uma coisa que não tem importância nenhuma?" Não, e que você só usa uma vez e não tem mais utilidade. É, e é tipo assim, sabe, não é um... E aí o cara teve essa ideia, e agora ele teve uma outra ideia incrível. Que aí ele já falou que não vai dirigir, mas que ele quer, porque obviamente a Blumhouse já tá atrás dele pra fazer uma continuação, né, de Obsessão.
Voz B:Sim.
Voz D:Todo mundo quer, né? E aí ele falou: "Olha, eu tenho uma ideia, eu não quero dirigir nem nada disso, mas eu tenho uma ideia de uma série de TV em que a cada episódio uma pessoa faça um desejo, e aí você vai ver as consequências desse desejo." E aí a repórter pergunta pra ele: Pra caramba isso, tá? E aí a repórter pergunta para ele assim: mas vai ter desejo que vai dar bom? Ele falou: depende de quem quiser, quem for escrever, se quiser dirigir um episódio, uma coisa que dá certo, tudo dá certo para pessoa, ele pode fazer. Porque a ideia é essa, é tipo assim, expandir sem ficar preso, deixar a sandbox livre, deixar a pessoa livre para criar sandbox.
Voz B:Uma dica e um exemplo que se eles seguirem eu acho que daria muito bom Tem uma série que tá na Netflix no momento que a gente tá gravando, pelo menos agora, que é a Soulmates. Eu não sei se algum de vocês já assistiu, mas tem um episódio que é com o Bill Skarsgård, tem um que é com a Sarah Snook, tem uma galerinha ali. É um negócio que é tipo assim, é como se fosse um episódio de Black Mirror, mas essa é uma premissa e eles exploram toda ela nos 6 episódios da série, né? Que criam um teste que consegue identificar quem é a sua alma gêmea. Só que aí você só sabe quem é a sua alma gêmea se ela também fizer o teste. E aí eles mostram várias possibilidades de como isso pode dar certo e como pode dar errado. E como mesmo quando dá certo pra alguém, outra pessoa vai sofrer por causa disso. Então tem gente que é casada e descobre que outra pessoa é a alma gêmea dela. Tem gente que não sabe o que quer da vida. Tem gente que... Como você faz se a sua alma gêmea já morreu? Aí tem um grupo de... Apoio a quem perdeu os seus soulmates, tipo... Eles exploram muitas ideias muito interessantes, sabe? Eu acho que se fizerem uma coisa nesse estilo com Obsessão, daria super bom. E não precisa ser uma série longa que nem é o Black Mirror, no fim das contas. Mas assim, é um celeiro de você descobrir novos diretores, novos atores. Porque muitos desses atores do Soulmates, por exemplo, não são famosos. Tem um ou outro ali pra dar uma chamada. Tem, fica aí a recomendação.
Voz C:Uma coisa bizarra no Barker é o seguinte: a inspiração dele, uma das inspirações dele para Obsessão foi um episódio dos Simpsons, aquele episódio da pata do macaco que o Bart tem lá, faz os desejos e tudo. Se fosse qualquer outra pessoa, não teria dito isso. Se fosse um cineasta, já: não, não, minha inspiração foram os contos clássicos de desejos que estão errados, etc. Ele chega e diz: não, cara, eu vi um episódio dos Simpsons e uma das ideias veio disso. Sabe, o Kenny Parsons, por exemplo. Kenny Parsons que agora tá lançando o Backrooms, mas que foi quem lançou essa série Backrooms no YouTube. Ele começou a série no YouTube.
Jurandir Filho:É porque o Kenny Parsons é conhecido por fazer vídeos de lenda urbana, né? Cara, o Kenny Parsons tem 20 anos apenas, mano.
Voz B:O quê? Ah, como pode, né?
Voz D:Você sabe da lenda de que ele pode, ele foi com, não sei se é lenda, acho que é verdade mesmo. Ele foi contratado quando ele tinha 17 anos para dirigir esse filme, The Backrooms, né? E só que não pode. Então os caras esperaram ele fazer 20 anos.
Jurandir Filho:Alguém aí já jogou futebol que tem que esperar fazer 18 anos para poder...
Voz D:Mas você já compra o passe porque você sabe que... Porque, olha, cara, essa história é fantástica.
Jurandir Filho:Será que tem olheiro de Hollywood no YouTube assim? Vou acessar o site aqui, os canais, para ver.
Voz B:Hoje em dia com certeza tem.
Jurandir Filho:Ver quem é que tem potencial.
Voz D:A história do Parsons é muito interessante porque, aliás, do Backrooms é muito interessante porque é o seguinte: tudo começou num post no 4chan que alguém postou uma foto, era só uma foto, alguém postou uma foto lá que era uma casa que em tese tava pra alugar ou tava abandonada e tal, que tinha umas paredes todas amarelas, o carpete também era amarelado, tinha aquela luz lá meio que não é muito clara, mas também não é muito escura. E alguém postou aquilo e ela tinha um ângulo da foto que parece que você não vê o fim da sala, né? É como se fosse um labirinto, mas é uma casa, uma casa normal, uma casa normal. Com papel de parede amarelo e o cacete. E aí alguém postou uma foto e aí alguém olhou essa foto e falou, escreveu um texto falando do, olha...
Voz B:É um creepypasta, é um conto.
Voz D:É, escreveu um, assim, mas bem curtinho, era bem curtinho, tipo uma estrofe assim, sabe qual é? Um parágrafo contando desse lugar. Em que o cheiro de carpete molhado, as luzes fluorescentes que você só escuta aquele som e tal. E aí a galera começou a pirar nisso e o Parsons foi um desses caras que vendo aquela historinha e vendo a foto e não sei o quê, ele começou, e ele sabendo mexer ali nas ferramentas mais primordiais, tá, ali da criação de imagem, de tudo mais, de efeito e tal, ele começou a criar uns curtas que era essa história de backrooms, que era assim, pessoas que se perdiam nesse não lugar, não por acaso. É uma denominação que colocaram aqui no Brasil, né? É, chama backrooms, um não lugar.
Jurandir Filho:É parecido até com a série lá da Apple que a gente sempre fala, a Ruptura, né? Que tem aquelas salas infinitas, os corredores infinitos.
Voz B:E é tudo muito tipo assim sanitizado, não tem detalhe, tudo muito cru, tudo da mesma cor.
Voz D:E assim, e A ideia de um lugar que você está acostumado, porque é um lugar que você se sente seguro, porque afinal é como um escritório, entre aspas. Mas que coisas estranhas acontecem lá dentro que você percebe que não é tão normal. Então você fica naquela sensação de que, peraí, eu tô no lugar que meu cérebro diz que é seguro, mas meu cérebro também tá dizendo que alguma coisa tá fora do lugar. E aí ele começou a fazer pequenos vídeos curtas, né, usando ali ferramentas de edição muito simples e tal, e colocando filtro de VHS, que sempre dá um pouquinho de medo a mais, né. Mas ele não tinha câmera VHS pra fazer, ele usa filtro de VHS, pra você ter uma ideia. E aí ele começa a fazer esses pequenos vídeos e eles começam a ir muito bem no YouTube. E aí ele começa a ampliar o conceito e criar uma empresa e não sei o quê.
Jurandir Filho:Então aí ele começa a criar uma lore em volta disso, é.
Voz D:Exatamente. Aí o estúdio vai lá e fala: queridão, toma aqui essa grana, o passe é meu e você vem fazer um filme para mim. Só que ele tinha que ter idade suficiente. Aí agora que ele teve idade suficiente, de 20 anos, ele fez o filme, conseguiram. Aliás, ele é o diretor da A24 mais jovem a ser contratado da história. Talvez ele seja um dos diretores mais jovens a ser contratados, cinema total, por uma, por um grande estúdio. Ele foi contratado pela A24 para fazer o Back Room, né, está cotado para ser uma das maiores bilheterias da semana. E estamos em uma semana em que tem Michael, que tem Javesh Prada, que tem Mandaloriano e Grogu.
Jurandir Filho:He-Man chegando, Star Wars.
Voz D:He-Man! Então assim, não é pouca coisa, sabe?
Jurandir Filho:Não é pouca coisa. Mas é curioso porque ele é um cara de muita personalidade também, porque foi perguntado para ele sobre isso, né, de como é que você acha que Hollywood tá enxergando o YouTube, ele tá tem muita gente boa ali. Ele falou, aí ele disse assim, que não tem nada a ver com o YouTube, tem a ver com o fato das pessoas estarem na internet e colocando suas coisas na internet, né? Porque antes não tinha isso, né? Você tinha que exibir em festival para você ser chamado, ser visto de alguma forma. E o fato de ter a internet, ter descentralizado tudo, né, o fato do YouTube descentralizou, né? Ele é um grande espaço em que as pessoas acham tudo, né? Porque trailer é divulgado primeiro no YouTube, as pessoas assistem ao trailer, postam seus reacts ao trailer no YouTube, então tudo acontece ali, né? É um local efervescente, né?
Voz C:Eu acho que o maior exemplo disso é o Markiplier.
Jurandir Filho:Por quê?
Voz B:Sim, sim.
Voz C:Cara, o Markiplier, ele comprou os direitos, ele é um YouTuber, ele comprou os direitos do Iron Lung, que é um jogo indie.
Voz D:É que por acaso, só pra completar sua informação, ele um dia pegou pra jogar e ele se apaixonou pelo jogo, e é um jogo super simples. Eu assisti o vídeo dele, ele terminou o jogo em 50 minutos e ele se apaixonou por aquilo, se apaixonou pelo jogo e pelo conceito.
Voz C:Ele comprou os direitos do Iron Lung, fez o filme de maneira independente. Nenhum estúdio queria o filme, ele ofereceu o filme, ele ofereceu para a galera o filme, nenhum estúdio queria.
Jurandir Filho:Ele lançou o filme, claro, para isso ele precisa, ele já tinha grana, mas ele financiou, né? Ele fez um crowdfunding com a sua própria comunidade, ele financiou e distribuiu, ele mesmo distribuiu o próprio filme.
Voz D:Sim, não, ele fez tudo, ele dirigiu, ele editou o filme, que ele é um editor dos filmes dele.
Jurandir Filho:Ele é protagonista também.
Voz D:Ele é protagonista também, aliás, inclusive as críticas que falam do filme é isso, que ele poderia ter delegado algumas coisas, sabe assim, porque quando você faz tudo, quando você tá 100% a cargo de tudo assim, você tem alguns vícios.
Voz B:Isso a gente sabe bem aqui, né, porque é muito fácil você se perder, né, cara.
Voz D:Um escritor, ele não escreve e ele não manda pro editor, não manda pra outras pessoas lerem, pra essas pessoas darem dicas. Então se você tá fazendo tudo dentro de um filme, acaba ficando muito eu, eu, eu, e não tem ninguém pra chegar pra ti e falar: ó, essa coisa aqui você passou e tal. Mas o Marc Plié, ele fez o seguinte, cara, ele bancou 3 milhões o filme dele e arrecadou 50 milhões. Você fala: 50 milhões de nada.
Voz B:É um puta sucesso pra ele. Ótimo investimento.
Voz C:É com distribuição independente, gente, totalmente independente. E sabe onde esse filme vai ser lançado? Qual streaming que esse filme vai ser lançado?
Voz D:Somente no YouTube.
Voz C:Só no YouTube.
Voz D:Ele criou, olha só isso, isso é muito interessante, qualquer, o Obsessão mesmo, apesar de ser cria do YouTube, o Backroom cria do YouTube, todos eles vão estrear quando chegar em VOD, eles vão estar nos streamings, em todos vai estar na Amazon, vai estar na Apple, vai estar no próprio YouTube, né, que tem, que tem, vai estar no Google, então vai estar em vários lugares, certo? O Mark Plier, ele falou: não, meu filme, ele foi feito todo com base no YouTube, o dinheiro veio do YouTube, do crowdfunding, da galera que me assiste no YouTube, a ideia veio do YouTube, o tudo veio. Eu vou fazer o seguinte: o meu filme, ele é exclusivo do YouTube. Se você quiser assistir ele em VOD, você vai ter que comprar ou alugar no YouTube. Ele fechou um acordo de que ele vai ganhar obviamente mais dinheiro do que se ele fizesse no VOD normal. Ele vai ganhar mais dinheiro do YouTube, porém as pessoas só vão poder assistir lá.
Jurandir Filho:Mas as pessoas foram assistir também por causa da popularidade dele, né? Então ele é um, ele de certa forma ele é um influenciador que levou as pessoas a verem um filme. Não foi um filme que gerou tipo um boca a boca, por exemplo, como o Fale Comigo do Danny e do Michael Philippou, que são youtubers também, né? Surreal, ele é absurdo. E deu tão certo que alguns anos depois eles fizeram o Bring Her Back, né?
Voz B:O Faça Ela Voltar. É um baita socão no estômago. Eles são bons, eles são muito bons. Quero ver o que eles vão fazer depois.
Jurandir Filho:Eles são irmãos gêmeos, né?
Voz D:Eles são australianos, né? Eles são australianos, eles não são norte-americanos.
Voz C:O Fale Comigo, ele só tinha uma atriz mais conhecida, que era a Miranda Otto, que é a Elwynn lá de Senhor dos Anéis, é uma das tias lá do Sabrina lá da Netflix, e ela é australiana. Então tava fazendo projeto entre aspas de casa. Já pula pro Fale Comigo, pro Faça Ela Voltar, e já tiveram um salto de orçamento, já teve mais gente envolvida, etc. Mas o Fale Comigo é um filme que ele é muito focado em personagens jovens, que é uma coisa que ele tem como obsessão, por exemplo. Ele é muito focado em personagens jovens que historicamente em filmes de terror são os personagens que estão mais propensos a tomarem decisões erradas. Eu acho que até isso, a linguagem ajuda, porque o YouTube ainda é uma mídia entre aspas jovem, certo? Por mais que ela já tenha sido adotada por todas as faixas etárias, ele é um ami... A mídia em si ainda é jovem. Então, eu acho que existe uma comunicação com a linguagem aqui. Porque a gente sabe, não existe nada mais cringe, pra usar o termo atual.
Jurandir Filho:Que não é mais atual, né?
Voz C:Que não é mais atual.
Jurandir Filho:Cringe é coisa de velho hoje em dia.
Voz C:Até eu sou cringe, eu sou cringe pra caralho.
Voz B:Sabia que eu descobri ontem que falar que as coisas são cringe ou falar que você é cringe é cringe, não pode mais falar cringe? Eu descobri, cara. Uma amiga minha da aula de dublagem tava falando: "É, então, a minha sobrinha me falou que não pode mais falar que as coisas são cringe." É cringe falar que é cringe, meu Deus, onde a gente vai parar? Exatamente, é cringe falar que é cringe. Aí eu fiquei como? Gag de la gag.
Voz C:Mas é uma das coisas muito complicadas você ter diretores e roteiristas mais velhos tentando imprimir essa juventude nos seus personagens. Muitas vezes não dá certo.
Voz B:Vira o "How do you do fellow kids?" né?
Voz C:Exatamente. Então esses caras, eles possuem uma linguagem mais jovem e uma gramática cinematográfica mais jovem. O Fale Comigo, ele é um filme que é impiedoso no seu roteiro, é um filme que ele não tem pena dos seus personagens, porque eu acho que os diretores e roteiristas, eles entendem isso, eles entendem que os personagens tomam decisões ruins E essas decisões ruins precisam ter consequências dentro da história.
Voz D:É que sabe o que eu ia falar pra você? Uma coisa que você consegue perceber é exatamente isso que você tá falando, essa diferença do que um diretor como esse, que cresce no YouTube, né, que aparece no YouTube e que entende as pessoas, as pessoas mais jovens, não só os adolescentes, mas o próprio jovem adulto. Você vê quem fez o trailer de Fala Comigo, que com certeza não foi nenhuma dessa galera, foi uma empresa contratada pela distribuidora. E que você olha o trailer de Fale Comigo e você fala assim: lá vem mais um terrorzinho adolescente de merda.
Voz B:Básico, é.
Voz D:Porque o cara, ele não entende, o que ele entende de conceito do que é o adolescente é o jump scare, é o não sei o quê, não sei o que lá. E aí quando você vai assistir, eu lembro quando eu assisti o Fale Comigo, foi um susto.
Voz B:É um puta filmazo, foi um soco na minha cara.
Voz D:Foi um susto que eu levei assim.
Jurandir Filho:É surpreendente, né, até.
Voz D:É um filme sobre trauma, um filme, porra, Foda-se, aliás, todos esses filmes de terror de ultimamente, todos são sobre trauma. Impressionante.
Voz C:Eu acho que ninguém tá bem, galera, ninguém tá bem.
Voz B:Eu acho que alguém já esteve bem, porque então, mas essa geração mais jovem, a geração Z, que é de onde estão vindo esses diretores, conversando com pessoas dessa faixa etária, o que eu mais ouço é, porque eu falo assim, pô, mas nós millennials, a gente é "Mas deprimido? Porque nós tivemos a promessa de que se você estudasse e fizesse as coisas direitinho, você teria uma vida ok, você teria sua casinha, dois carrinhos, suas crianças, não sei o quê, sabe?" E eles viraram pra mim, as duas pessoas com quem eu falei, falaram pra mim assim: "Cara, tá, mas e a gente que já cresceu sabendo que não tinha esperança nenhuma, que não tinha nada?" Então assim, eu acho que isso é muito dessa geração também.
Jurandir Filho:Se os millennials tão fodidos, geração Z tá pior ainda, hein. Toma essa aí.
Voz C:Exatamente, exatamente. Tipo assim, é uma uma coisa.
Voz B:E agora que começou 2026 e é o primeiro ano dos Betinhas, queridos, não sobrou realmente nada para vocês.
Jurandir Filho:Um pouco mais de otimismo aqui, né? Vamos falar sobre as pessoas que deram certo.
Voz B:Não, então, mas então essa que é a maior, eu acho que é a maior, o maior plot twist disso tudo, porque você fazendo filmes, esses filmes de terror que tocam nos lugares extremamente dolorosos e no lugar comum, eu acho que é isso que faz o terror ser bom. Porque ele toca num assunto de forma, muitas vezes sobrenatural ou exagerada, assuntos que assombram a gente na vida real, né? Essa falta de esperança, esse desespero, o luto de você perder alguém, tudo isso. E aí ele acaba conversando com todo mundo, não só com jovem, mas com todas as faixas etárias. E aí eu acho que esse terror agora, ele deixa de ser aquele terror que era considerado uma coisa um filme B, que tanto que nunca era nem considerado para premiação e tal. E a gente tá vendo o crescimento de filmes com indicações para melhor roteiro, melhor ator, melhor atriz coadjuvante. A Amy Madigan ganhou atriz coadjuvante.
Jurandir Filho:A gente fez um podcast ano passado, em 2025, terror no cinema em 2025, um dos maiores anos da história.
Voz B:E 2026 já começou assim também. Isso, eu não acho E eu acho que vocês também vão concordar com isso, que 2025 foi um bom ano pro terror. Eu acho que a partir de agora é muito mais fácil a gente ter bons anos no terror com esses novos nomes que continuam aparecendo do que ter sido só uma coisa pontual, porque só 2026 já tá cheio de filme de terror bom e a gente nem saiu do primeiro semestre ainda. É, quando estamos gravando isso.
Voz D:Um exemplo bacana disso que você tá falando, é que não tem nada a ver com o YouTube, mas que eu acho que é importante porque fala sobre isso. Tava lendo Eu li o segundo livro da Margaret Atwood, aliás, o segundo livro dela no universo de Handmaid's Tale, né, do conto da Aya. E aí eu tava lendo o final, né, no final tem um textozinho dela, um pós-fácil, que ela fala sobre a escrita do livro e tudo mais, porque que ela voltou para escrever, e esse segundo livro chama Os Testamentos. E aí ela fala que ela agradece a série, né, porque a série fez um grande sucesso e tal, e aí fez com que as pessoas entrassem em contato com o livro original dela, que era o conto da Aya, e que perguntassem pra ela: "Cara, por favor, me conta como é que vai ser o final dessa história, né?" E tudo mais.
Voz B:O livro, ele é um livro excelente, mas ele é um livro que, principalmente se você é mulher, assim, ele é muito difícil de ler. E o final não tem aquele, aquela dopamina do "Ai, meu Deus, deu tudo certo", sabe? Ele deixa tudo muito em aberto.
Voz D:É, o final do livro é o final da primeira temporada, né? O primeiro livro, o livro, ele é todo, a primeira temporada toda baseada no livro, e aí depois é aberto.
Voz B:Depois a série expandiu e fez outras coisas.
Voz D:Mas ela agradece a série, aí é disso que eu queria falar, ela agradece a série porque ela falou assim: "A única coisa que eu impus pra eles é o que eu impus pra mim mesmo. Tudo que está nessa história já aconteceu em algum lugar, alguma vez na história da existência humana." Nada, por mais absurdo que sejam as coisas que a gente vê em The Handmaid's Tale, aquilo já aconteceu em algum lugar, alguma vez, em alguma época. É esse, esse é o terror. Eu acho que é por isso que quando você assiste, por isso quando você lê o livro ou quando você assiste o filme, a série, né, Handmaid's Tale, tanto os testamentos agora, quando que você fica horrorizado, porque aquilo ali é fato. E eu acho que esses novos diretores, e aí a gente inclui todas as diretoras que estão vindo do YouTube e tudo mais, eles estão pegando esse terror, é que é um terror traumático, mas que é muito baseado naquilo que a gente tá vivendo. Cara, como é que você vai dizer que as pessoas de 2026, em 2026, né, que todo mundo que sobreviveu até 2026, não importa a idade, não passaram por um grande trauma de 2000 a 2022?
Voz B:2020 a 2022.
Jurandir Filho:Tem a pandemia, cara. Isso é um trauma coletivo.
Voz D:Não importa falar: pra mim não foi, não existe.
Jurandir Filho:A gente vive hoje as consequências do período pandêmico assim forte, e alguns não bateu ainda.
Voz D:Curiosamente, alguma coisa ainda vai, ainda tem coisas que virão por aí. Mas assim, eu acho que essa galera mais jovem que tá fazendo essas obras no YouTube e que estão sendo reconhecidas a fazer as suas obras no cinema, elas entendem isso muito bem, elas viveram isso na pele e elas conseguem colocar isso em película. E agora, o importante disso tudo é que aparentemente algumas dessas produtoras E distribuidoras, elas estão comprando filme e elas não estão mexendo no âmago. Porque a ideia anterior... Porque assim, cineasta novo sempre teve, sempre vai ter, que vem de outros lugares. A gente teve, a gente viveu numa época, eu, o Juras e o Sicas, mas eu e o Juras principalmente, dos diretores de videoclipes.
Voz C:Sim.
Voz D:Videoclipes eram o YouTube do passado.
Jurandir Filho:A maioria, mano.
Voz B:Vários, David Fincher... Era o que revelava a galera, é.
Voz D:O Spike Jonze, o...
Jurandir Filho:Diretor de videoclipes e publicitários, né? Eram todos isso, era a galera que dessa turma, por exemplo.
Voz C:Não, se esse programa tivesse sendo feito há 30 anos atrás, a gente não estaria falando sobre o YouTube, estaria falando da MTV, a geração MTV dos diretores de cinema.
Voz D:E era o que aquilo? Linguagem jovem da época. Liberdade criativa que as bandas davam para esses caras fazerem.
Voz C:Vindo de formatos curtos.
Voz D:Formatos, exatamente, com formato curto que encaixa uma mensagem.
Voz B:Não existem coincidências.
Voz D:E aí agora você tem o mesmo, a mesma ferramenta que matou MTV, que foi YouTube, cria. É por isso que eu falo daí, aí é uma desgraça, uma merda tal, mas ela é a ferramenta que no futuro, no futuro, claro que não da maneira que é agora, terrível, aquela coisa escabrosa, não sei o quê, ela vai trazer mentes que— porque a inteligência artificial sozinha ela não vai fazer tudo sozinha, mas ela pode ser uma ferramenta que vai trazer pessoas criativas que não conseguem trabalhar com as ferramentas que elas têm hoje, mas que elas podem trabalhar com essa ferramenta, claro, regulamentada, bonitinha, lá lá lá, e sendo usada de maneira correta e tal, para trazer criatividade. YouTube foi visto durante muito tempo como o que tá desgraçando a cabeça das crianças e dos adolescentes, vazio, né?
Jurandir Filho:E rasteiro.
Voz B:Mal sabiam as pessoas que ia chegar aí o brain rot. A gente tava, era muito bem no YouTube, não sabia.
Jurandir Filho:Mas hoje no YouTube a gente tem a Copa do Mundo sendo transmitida na Copa do YouTube, entendeu? Coisa que era inimaginável anos atrás, totalmente inimaginável.
Voz B:Oscar vai passar a ser transmitido pelo YouTube daqui uns anos, cara.
Voz D:E aí você pega, e aí você tem a ferramenta anterior que, ah, meu Deus, a MTV tá acabando com a cabeça dos jovens, tá fritando a cabeça dos jovens, ai, não sei o quê, e cara, é isso que eu tô falando, é assim, é coisa, né?
Jurandir Filho:Eles sempre odiaram jovem, né?
Voz C:Sempre, sempre.
Jurandir Filho:Onde o jovem tá é odiado.
Voz C:Daqui a pouco a gente vai Você tá citando aqui Legião Urbana, você disse seus pais não entendem, mas você não entende seus pais.
Jurandir Filho:Mas ó, eu te dou mais exemplos aqui, por exemplo, o The Daniels, ele dirigiu até o momento 2 filmes, que é Um Cadáver Para Sobreviver, que é aquele filme lá do Daniel Radcliffe, que é bem legal.
Voz B:Caraca, que filmaço esse aí, é o morto que fica peidando, né? É uma loucura esse aí.
Jurandir Filho:E Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, né, que estourou, foi para o Oscar e ganhou prêmio e etc. Vou dizer outro exemplo de YouTuber que decidiu, né, acabou trilhando a carreira já hoje em dia muito boa no cinema, que é o Dan Trachtenberg. Simplesmente ele fez um curta de Portal, do jogo Portal, lá em 2011, botou no YouTube, teve lá 15, 16 milhões de visualizações. Hollywood, esse cara é interessante, vem cá. Aí ele dirigiu o Rua Cloverfield Número 10, que é Filmaço absurdo, fez Black Mirror, depois foi dirigir The Boys, dirigiu Stranger Things e dirigiu os Predadores, né, o Prey, o Badlands, o Assassino de Assassinos, não é Assassino dos Assassinos, né, o animação, é o pai do Predador hoje em dia, né.
Voz D:É, ele é um grande que dizem que ele vai pegar aí futuramente o Alien vs Predador, né. Pois é, tem um desses jovens também, Juras, que acabou fazendo sucesso, só que aí infelizmente no caminho dele teve uma produtora atrapalhando um pouco, que é o Chris Stuckmann, que é outro YouTuber muito famoso nos Estados Unidos.
Voz B:Ele é o Dali dos Estados Unidos.
Jurandir Filho:Ele é crítico de cinema?
Voz D:É, ele é um cara que também tem um canal lá, estourado e tal. Ele, cara, tem foto dele em tudo quanto é Tapete Vermelho, A Pretensão daquele moço, ele é bem conhecido.
Voz B:Ele é muito famoso, é.
Voz D:E aí ele também começou a fazer um... ele também fez um curta ali pro YouTube, né, que é o Notes from Melanie, na verdade. Ele foi fazer lá um longa-metragem que é o Terror em Shelby Walks, que também foi uma ideia dele, que é uma coisa meio de fantasma e tal, não sei o quê. Hollywood adorou. Vem, amigo, venha!
Voz B:Venha!
Voz D:Venha comigo! Venha, porque o cara era muito famoso. Sim, só que o que que eles fizeram? Pegaram o filme do cara, mas eles mexeram.
Voz C:E aí você assiste o filme fazendo esse venha, venha, pareceu o Pennywise chamando você.
Voz B:Você quer um balão? Você quer um balão?
Voz D:Tome muito dinheiro, dinheiro, dinheiro. Deram muito dinheiro para ele.
Voz B:Não, não é assim, é assim, ó, dinheiro tem que vir puxando, ó, vem, vem, vem sugando a pessoa.
Jurandir Filho:Curiosamente ele foi distribuído pela Neon, né?
Voz D:Pois é, e mesmo assim a Neon deu uma mexida no filme. E você vê claramente ali da onde vem ideias inovadoras e da onde vem as ideias ultrapassadas.
Voz B:Sim.
Voz D:De estúdio que precisa botar um sustinho, precisa botar um não sei o quê.
Voz B:Mas eu gosto da...
Voz D:Precisa explicar coisas e tal.
Voz B:Eu gosto da Neon porque de todas essas distribuidoras de filme indie de terror, né, que é a Blumhouse, a A24 e a Neon, Sim. A Neon, ela sempre faz os filmes mais surtados. Ela lança os filmes mais surtados de todos.
Jurandir Filho:A Neon adora a Turma da Internet, viu?
Voz B:Você vai sair daqui, esse filme vai passar como um rolo compressor em cima de você.
Jurandir Filho:A Neon e a 24. A 24 até hoje em dia ela é mais... Ela é bem mais popular do que ela era alguns anos atrás, né? É, e aí ela pega muito mais massa.
Voz B:Ela pega muita coisa mista, ela não pega só um tipo de filme. Então ela lança muita, muito drama, aí lança um terror, lança um suspense, ela investe, né?
Voz D:Olha só, para você ter uma ideia, olha como essas coisas funcionam. É um filme que custou 1 milhão e 400 mil dólares, tá? O Terror em Sherbrooke. E ele rendeu uma bilheteria baixa, 8 milhões. Porém é lucro, você pagou, é muito, e deu lucro.
Jurandir Filho:Porque você tá considerando só cinema, né? Você não tá considerando Vod, depois, né? Vod, as outras mídias.
Voz D:Sim, mas mesmo que seja só o cinema, pra ele ter rendido, a gente faz uma conta aí de 3 vezes, né? Uma conta bem aberta assim, de 3 vezes. Ele rendeu, cara, quase o dobro.
Voz C:É, sim.
Voz D:Ele teve um lucro de quase o dobro do custo.
Voz C:Quase o dobro, quase 6 vezes mais, né? Então assim, mano.
Jurandir Filho:Mas aparentemente não foi o suficiente pra justificar um investimento em cima desse diretor, né, do Chris Stuckmann, pra ele continuar fazendo outros filmes.
Voz C:O Juras falou aí da Neon e me veio na cabeça o Sean Baker, que já tá nos seus 50, já tá na casa dos seus 50, mas é um diretor que eu acho que meio que se enquadra no que a gente tá falando. Por quê? Porque ele faz um cinema basicamente de guerrilha, com equipamentos menos rebuscados. Teve uma cena de Projeto Flórida que foi filmada com um iPhone, gente, pelo amor de Deus, sabe? É um cara que não tá, que mesmo não utilizando recursos de ponta, e nós, utilizando orçamentos milionários, consegue resultados em premiações bastante expressivos.
Jurandir Filho:Aí tem um negócio também, Sikas, que ele coloca um filtro de realidade, né, nos projetos dele, né. Então você pega o projeto Florida, você pega o Tangerine, o Anora, né, ele tem um pouco dessa roupagem, mas acho que foi o filme que mais estourou dele, né.
Voz B:Ainda é o mais comercial dele, com certeza.
Jurandir Filho:Com certeza, mas ele é um cineasta que ele não é um cara que vem do YouTube, mas é um cara que vem do conceito dos curtas, né? E YouTube como sendo a plataforma de distribuição, né, aberta, ela se torna também uma plataforma para distribuir curtas, né? Tem muitos curtas ali, né? Muitos do Oscar, por exemplo, estão sendo postados diretamente no YouTube, né? Que a galera falou assim, pô, o povo, ah, já tá indicado ao Oscar, a galera quer assistir, para onde é que eu vou colocar? E aí muita gente tá colocando no YouTube, né? Virou o grande celeiro de filmes, né?
Voz D:O YouTube, ele permite usar ferramentas às vezes mais simples pra você conseguir fazer suas obras, né? Eu tava olhando aqui, porque eu fico muito abismado mesmo com a carreira principalmente do Kenny Parsons, assim. Sabe onde que ele começou a trabalhar com efeito especial?
Jurandir Filho:Hã?
Voz D:Você não vai acreditar. No LittleBigPlanet.
Jurandir Filho:Maneiríssimo.
Voz D:Que é o jogo de videogame de você montar—
Voz C:Sim.
Voz D:De você montar a fase.
Jurandir Filho:É, montar outros jogos dentro dele, né? Você monta outros jogos dentro dele, né?
Voz D:Isso, você conseguir montar outros jogos para outras pessoas jogarem.
Jurandir Filho:Eu lembro, Rogério, que teve um cara que fez o remake de Alex Kidd no LittleBigPlanet e a galera: "Caraca, ficou sensacional isso!" Aí anos depois saiu o remake oficial.
Voz D:Saiu, exatamente. E aí ele começou, olha só que legal, quando ele viu o LittleBigPlanet, ele começou a pesquisar o After Effects. Olha só, é um sistema de que a gente usa no YouTube aqui, mas assim, ele é um sistema que perto de outros sistemas de efeitos, ele é dos profissionais de Hollywood, ele é praticamente uma carrocinha, né? Assim, ele é um bom, é um bom, é uma boa ferramenta, mas para grandes coisas assim ele acaba sendo um pouco limitado demais.
Jurandir Filho:O Joel, nosso editor aí, Ele é um mestre dos After Effects. Joel, laser do meu olho, ó.
Voz D:E aqui ele usa também o Blender, que é outro sistema também, que também é de efeitos e também é um pouco mais simples. E olha só a ideia que ele teve, a primeira ideia.
Jurandir Filho:O Flow, filme Flow.
Voz B:Do gatinho que ganhou Oscar de Design.
Voz D:Exato, foi no Blender. E aí a primeira ideia que ele teve de criação de universo Foi pegar um outro jogo de videogame. Cara, é muito legal quando o cara vive a mídia que a gente vive, e aí a gente meio que entende qual é a dele.
Jurandir Filho:Ele quis fazer um ambiente— É foda, né?
Voz B:Ah, mas ele é da mesma época. Ele tá mais próximo. É que isso pra gente que trabalha com internet são coisas que a gente usa. Talvez a galera da nossa cidade—
Jurandir Filho:Essa gente malandro, com pirocóptero no chapéu, caralho.
Voz C:Novamente, "How you do, fellow kids?" "How do you do, fellow kids?" What?
Voz B:É, a gente é o "How do you do, fellow kids?" Mas ainda assim, né, como a gente trabalha com internet, a gente entende.
Voz D:Ele aprendeu a fazer essas ferramentas porque ele decidiu, ele queria fazer um vídeo que fosse ambientado num universo de Little Nightmares, que é outro jogo de videogame, que é um jogo que são umas crianças que elas têm que percorrer um ambiente todo meio sombrio, com monstros esquisitos. E cara, se for pensar, o Backrooms, ele tem muito disso, de fato. São ambientes convencionais, mas que tem essa coisa esquisita e alguém, alguma coisa que você não entende o que que tá querendo te pegar. E sabe o que que é muito foda? Tanto ele quanto o Cory Barker, a referência deles de terror é muito, muito, muito, muito diferente daqueles que a gente tá acostumado. É, quando você vê entrevista do diretor lá do Midsommar, o Ari Aster, Ah, ele vai falar lá do, do, ele vai falar de Kubrick, ele vai falar dos grandes mestres, iluminados, esses caras, eles também viram esse aqui então, você já viu o filme do Almodóvar ali?
Jurandir Filho:Quem é Almodóvar? Quem é Almodóvar?
Voz D:Espanhol, que é o Renato Rensner, que fez o Backrooms. Ela tava falando numa entrevista que ela sentou para conversar com ele e ela ficou abismada que as referências dele eram totalmente outras. E que assim, ah, mas aí tu viu Iluminado? Ele, não vi, cara, não vi Iluminado, cara, não vi Exorcista, não vi nada. As referências dele não são essas e a gente não pode julgar.
Jurandir Filho:E não dá para dizer que ele tá errado porque não dá para ter conhecimento de tudo, gente.
Voz B:Eu com 20 anos não tinha visto metade disso aí, não.
Jurandir Filho:Se eu perguntar pro meu pai as referências cinematográficas do meu pai, ele vai falar de um monte de filme do John Wayne, do Charlton Heston, sabe?
Voz B:Exato, exato.
Voz D:E meio que quebra essa ideia de que você precisa ter todo conhecimento de terror pra poder criar. Ai, você precisa ter conhecido... Não, não, o cara com as ferramentas que ele tem, ele vai lá e cria, entendeu?
Voz B:Você precisa entender o que dá medo no ser humano.
Voz C:É isso. A gente tá falando de uma geração que não viu, que assistiu as paródias de terror feitas pelos Simpsons, mas que não viu os filmes que geraram essas paródias, sabe? Nem por isso deixam de ser excelentes cineastas, nem por isso deixam de ter domínio da gramática cinematográfica, nem por isso deixam de ter domínio dos zeitgeists da geração atual, do público que eles querem atingir. É diferente, cara. E até pela própria idade, dizendo, é, por mais que alguns deles não fizeram, não tiveram, não tem curso formal em cinema, não tem, não tem, não tem idade para isso. É pegar o que o Tarantino tava dizendo, da, dizia antigamente lá, não, a minha, a minha faculdade de cinema foram as locadoras e papapá. Cara, essa galera literalmente nasceu com uma câmera na mão.
Jurandir Filho:Isso, Cicas, é uma referência para novas gerações, porque tem, por exemplo, teve gente gente que cresceu assistindo de A Bruxa de Blair para lá, de 99 para 2000 ali, os filmes que saíram nos anos 2000, Jogos Mortais, filmes que também inspiraram muitos outros cineastas, sabe, se de fazer esse filme de baixo orçamento, né, e meio de guerrilha, e aí usando a internet como base para fazer divulgação. É totalmente diferente, gente. Você pega Exorcista, Iluminados, são filmes que foram feitos na base de outras coisas, sabe? Filmes de estúdio grandes. Aqui é completamente diferente. E aí acho que a maior diferença de todas é o fato do YouTube ser descentralizado. Qualquer pessoa pode colocar um conteúdo no YouTube, sabe? E a gente não tá aqui fazendo, né, defesa. Ah, vamos fazer a defesa do YouTube como plataforma e tudo mais, mas não dá para negar o fato dele ter disponibilizado um espaço para você colocar milhares de vídeos da forma que você quiser, como você quiser, na internet, e possibilitar que outras pessoas pudessem ter acesso. Coisa que quando se tratava de cinema era muito difícil para a gente ver filme que não tava na TV, que não tava na locadora e que não tava em festival. Não tinha como ver, não tinha como assistir, cara. A quantidade de gente que faz filme é muito grande. Tem muita gente que faz, muita gente não coloca filme completo no YouTube na vã esperança de conseguir uma distribuição. Porque se você coloca no YouTube, por que que o cara vai querer lançar no cinema se já tá disponível no YouTube? Então ele fica segurando, não coloca no YouTube, não coloca no YouTube, não coloca no YouTube.
Voz B:Cara, um excelente exemplo disso são os curtas, os curtas que vão para o Oscar e tudo mais. Raramente você encontra um deles upado no YouTube, é muito, muito raro. E são histórias normalmente muito boas. A maioria delas nem usa animação convencional, são coisas experimentais, são filmes absolutamente fantásticos, e as pessoas não têm acesso. Nem depois que passa a premiação você não encontra isso.
Jurandir Filho:Não encontra.
Voz B:Eu fico muito triste. Aí a gente não tem, por exemplo, que nem lá nos Estados Unidos eles fazem, porque é o país que vai julgar o Oscar, etc., etc., que fazem as exibições dos compilados. Você tem que ver por meio dos exclusos, e é difícil, sabe?
Jurandir Filho:É porque parece que tem um negócio que alguns festivais só permitem a inscrição se o filme não estiver disponibilizado online, sabe? Então muitos deles esperam fazer todo o circuito de festivais para aí sim disponibilizar online, né? Eu acho uma bobagem, né? Mas enfim, mas é para evitar que o filme tem uma predileção, porque vai que esse filme estoura, o curta-metragem, ele é sucesso na internet, 30 milhões de visualizações, aí ele chega no festival, é óbvio que ele vai ter uma predileção ali, sabe? Vai ter mais popularidade.
Voz D:Então, mas se fosse assim, então você não podia ter o filme do, do filmes da Netflix, porque a Netflix também é uma plataforma que facilita mais. Não necessariamente ela ganha. O, tem um cara novo que tá chegando aí, chama Dylan Clark. Vocês não devem ter ouvido falar dele, mas ele tem 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 curtas no YouTube. 14. Sendo que um deles tem 9 milhões de visualizações. E é um cara que é jovem, um moleque, acho que ele tem 20 e poucos anos também, que foi contratado agora pra fazer o remake da Bruxa de Blair. Porque tem uma parada também que a gente não pode esquecer. Esses caras custam mais barato, né?
Voz C:Uhum.
Voz D:Pô, você compra porque o cara tá novo ainda.
Jurandir Filho:Qual o nome dele? Dylan Clark?
Voz D:Dylan Clark, tem dois Dylan Clark. Tem um que é produtor do Planeta dos Macacos, que é um grande produtor de Hollywood.
Jurandir Filho:Ele fez um puta chamado Portrait of God, que é esse que estourou pra caramba. Tem 10 milhões de visualizações e tudo mais.
Voz D:Então até subiu aí, cara.
Voz C:O que tu tá falando é basicamente os estúdios comprarem, estão comprando um imóvel na planta, estão comprando na planta.
Jurandir Filho:A gente tá vendo a especulação do futebol acontecendo com cineastas, galera no YouTube comprando passe. Da turma esperando ele fazer sucesso.
Voz C:Olha, eu vou ter um exemplo que a gente acabou não lembrando aqui, mas um exemplo nacional, que a galera da TV Quase, o pessoal lá, o Daniel Furlan, o pessoal do Choque de Cultura, programa com informação, aqui tem informação. Porque a primeira coisa que eu vi esses caras lançando foi o Último Programa do Mundo, é, que foi lançado nos últimos suspiros da MTV, que era basicamente o Furlan zoando com a MTV que tava quebrando, que tava falindo. Os programas são geniais porque eles utilizam uma estética meio mambabe pra zoar com o próprio fim da empresa. E dentro desse último programa do mundo surgiram personagens como o próprio Rogerinho do Engar. Brotaram ali daquele celeiro meio maluco de personagens.
Voz B:Inclusive, saudade do Choque de Cultura, tá? Saudade. Quero episódios novos.
Voz C:E aquela coisa, né, gente? A TV quase acabou criando Irmão do Jorel, veio o próprio Choque de Cultura.
Voz B:Eu amo Irmão do Jorel, é muito bom.
Jurandir Filho:Mas esses caras é muito louco, porque pensa aí, o Caíto Meunier, né, o Rogerinho de um lugar lá, ele já fez algumas coisas. Você falou do Choque de Cultura, ele é, mas ele já tinha aparecido em outras. Mas curiosamente eu tava assistindo o documentário sobre a gravação do Los Hermanos chamado Além do Que Se Vê, mostrando como é que eles faziam. Porque eles, Los Hermanos, eles iam para uma, tipo, uma serra, uma casa numa serra, e passava tipo 3 meses lá e compondo e fazendo as músicas, etc. E quem faz o documentário é o Caíto, ele que tá filmando.
Voz D:Ele era o cara, ele sempre foi um cara por trás das câmeras, né? Ele tinha aquele, aquele programa, né, o Além do Que Se Vê, o Ele fazia um programa também no Multishow que era muito bom, que era de comida, Larica Total. Era ele que fazia, era ele que era o diretor do Larica Total. É que ele começou a ir para frente das câmeras por causa do choque de cultura e por causa do programa de futebol também lá.
Voz C:E olha, inegavelmente a melhor época do Choque, e eu gosto de todas as temporadas do Choque, mas a melhor época do Choque foi a época que eles estavam só eles, estourados, né?
Jurandir Filho:Quando é aquele negócio, quando eles foram para Globo, aí muda muito o formato deles, aí muda muito a ideia deles.
Voz D:Mas é isso, né? Porque é essa parada do produtor que não entende a linguagem do negócio e acha que não, não, temos que mudar, porque aqui é a TV Globo, sabe? Eu até acho que eles tinham uma liberdade que era meio inacreditável para Globo daquela época, tá? Mas ainda assim não era o público não era. Eu lembro do meu pai falou assim: nossa, não começa logo esse jogo, que saco! Saco leve, porque tinha um negócio que era antes do jogo, sei lá, que era depois do filme, antes do jogo, né? E aí ficava essa— tem, a coisa tem que ser pensada de outra maneira, né? Por exemplo, se esses caras pegassem o curta deles e colocasse no cinema, eu acho que não funcionaria bem. Eu sei que, por exemplo, o Sandberg, né, que você falou, que fez o depois lá, o o Shazam, e ficou famoso pelo Shazam.
Jurandir Filho:E ele fez o Lights Out, fez Annabelle, né?
Voz D:Ele fez o Annabelle 2, que é o melhor Annabelle, que é o Annabelle que presta, é o 2, né? Ele fez Shazam, que é um grande, que eu acho que é um filme muito legal. Grande filme é exagero, é um filme legal. Ou ele fez Shazam 2, que é tenebroso, nem tanto. Mas ele fez o Lights Out, que era um, cara, o curta do Lights Out, desesperador, funk. Fantástico.
Voz B:Mas eu acho o filme é muito legal. Você não tá entendendo, você não tem coragem de ver o filme. Porque ele é muito do mal.
Voz D:O filme é extremamente subestimado, eu acho. É um filme muito bom de terror para mim, muito bom.
Jurandir Filho:Eu acho que ele, quando as luzes apagam, né?
Voz D:Isso é um filme de terror muito, para mim, muito interessante.
Voz B:Assistam se puderem, porque eu sei que muita gente É que o curta, apagar luzes na minha casa se eu assistir esse filme, porque o filme me deixou traumatizada por um tempão, tá? Por um tempão.
Jurandir Filho:Deus me livre e guarde, gente.
Voz B:Aquele medo primordial.
Jurandir Filho:Falamos aí, falamos sobre YouTubers, YouTubers e cinema.
Voz D:Quem sabe é um filme do Rapadura, hein?
Jurandir Filho:Será?
Voz B:A própria Rapadura, vem aí.
Voz D:Comentem aí que filme vocês gostariam que a gente fizesse.
Jurandir Filho:Qual seria o gênero? É, tem que ser o gênero, rapaz. A maioria dessa galera fuja.
Voz B:Comédia de erros é mais a nossa vibe, eu acho.
Voz D:Filme de superação.
Jurandir Filho:Eu acho que tem que ser filme de terror, eu acho que é mais barato fazer.
Voz D:É, pô, você acha que o Jovem Nerd vai fazer filme de terror?
Jurandir Filho:Por quê?
Voz B:Não tá caindo dinheiro da publi.
Jurandir Filho:Os boletos não se pagam sozinhos, os boletos não se pagam sozinhos.
Voz C:Boletos infinitos.
Jurandir Filho:E aí do nada você tá assim andando na rua, aí tá tudo escuro, você olha para trás e tem um o boleto da Enel assim no canto assim, só isso. Ei, shh, shh, vai pagar não, vai pagar não.
Voz B:Pô, não, assim, assim, assim, ó, de terror, que a gente poderia estar em casa, aí tá de boa, aí você chega, aí tá ali no carpetinho de entrada o boleto, aí você pega o boleto, entra na casa, joga ele assim na mesa da sala e vai fazer tuas coisas. Bate um ventinho, você tá na cozinha preparando seu jantar, aí o boleto tá no chão. Aí você pega o boleto, guarda ele de novo. Aí você vai lá no seu quarto ligar o computador, ligar o seu videogame, de repente o boleto tá do seu lado, exatamente.
Voz D:Aí tu vai fazer a comida, tu abre a panela, o boleto tá dentro da panela.
Jurandir Filho:Eu acho que seria um bom filme.
Voz C:A Fernanda no externo, no externo, rio chovendo, aquela chuva torrencial e tudo, ela tentando escapar da chuva e tal. E aí tem uma boca de lobo. Boca de lobo. Aí dessa boca de lobo parece uma figura, uma figura de um palhaço.
Jurandir Filho:Já existe um filme disso.
Voz B:Ei, mas não vai pagar seu boleto?
Voz D:Quer pagar um boletinho? Esquecemos de falar do Lucas Neto. Fica para a próxima.
Jurandir Filho:Lucas Neto é youtuber, né? Fez lá os vários—
Voz D:Cara, ele tem um trilhão de views.
Jurandir Filho:Ele tem o Gato Galáctico também, né?
Voz B:Tem muitos, tem muitos assim.
Jurandir Filho:O que a gente não falou sobre Internet e o Filme também?
Voz D:Eita, rapaz. Nossa, que Internet e o Filme é exatamente a visão errada do que é o filme.
Voz B:É a prova de como fazer errado a transposição de YouTuber pra outra mídia.
Jurandir Filho:Mas é a piada com influenciadores, né, gente? Não dá pra levar a sério, né? É outro negócio. Deixa aí nos comentários se você foi assistir Obsessão, se você assistiu Backrooms.
Voz B:Gente, vocês aí. Que descobrem cineastas que fazem curtas fantásticos, qualquer que seja a temática, comenta o nome deles aí também para a gente pesquisar. Que aí quem sabe a gente não tá podendo ser o cara do monóculo que depois já fala: eu gostava antes da fama.
Voz D:Quem sabe a gente não descobre aí um cineasta, entendeu?
Jurandir Filho:Exato, do futuro.
Voz B:Exatamente, investe, aposta na bet. É, exatamente. Aí ele fica famoso, a gente ganha um dinheiro, quem sabe.
Jurandir Filho:Muito bem, gente, fechamos. Deixe seu comentário tanto aqui no YouTube quanto no Spotify também, se você tiver acompanhando no Spotify, em todas as plataformas. Fica à vontade, segue a gente, dá um likezinho para fortalecer, e a gente se encontra na próxima. Tchau! You can't reason with the sun. Trust us, we've tried.
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