O TABU do médico que fala sobre alimentação| Dr. José Luiz | MEVHack #139
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Será que um cardiologista que fala sobre alimentação no consultório perde autoridade frente ao paciente?
Neste episódio do MEV Hack, direto de Goiânia, discutimos um dos maiores tabus da cardiologia moderna: o papel da alimentação, da medicina culinária e do estilo de vida no cuidado do coração — e por que ainda existe tanto desconforto em levar esses temas para dentro do consultório e da academia.
O Dr. Luiz Carlos conversa com o cardiologista Dr. José Luiz da Silva Júnior, mentor da MEVBrasil, coordenador da Residência Médica de Cardiologia do HUGOL e sócio da Clínica Juntos, em Goiânia. Na conversa, o Dr. José Luiz compartilha como construiu um ambulatório de Cardiologia do Estilo de Vida dentro de um hospital-escola, o conceito de Medicina Culinária e como ele transformou sua prática clínica, por que treinar habilidades no paciente vale mais do que prescrever metas de performance, a diferença entre "alinhamento profissional" e "ajuntamento profissional" no trabalho em equipe, como o MEVClinic se tornou um divisor de águas em sua carreira e em sua vida pessoal, e por que o médico precisa ser o paciente zero da sua própria prática.
Uma conversa essencial para quem entende que fazer uma medicina ideal passa, antes de tudo, por cuidar de quem cuida.
📚 PS: O Dr. José Luiz está sendo convidado a escrever um livro de Medicina Culinária pela MEVBooks. Deixe seu comentário se você quer ver esse livro no mundo — a gente precisa da sua força para convencê-lo!
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O MEVHack é um podcast em que entrevistamos alunos da MEVBrasil e outros médicos que aplicam a Medicina do Estilo de Vida em diferentes especialidades, compartilhando histórias reais, desafios da prática clínica e caminhos de transformação profissional.
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Esse podcast é produzido pela MEVBrasil para médicos que desejam cuidar melhor de seus pacientes — sem adoecer no processo.
- Medicina CulináriaTransformação de vida e carreira · Habilidades culinárias · Alinhamento profissional · Cardiologia do Estilo de Vida
- Desafios na prática clínicaAutoridade do médico · Mudança de comportamento do paciente
- Impacto na saúde do médicoPaciente zero · Bem-estar do médico
Será que esse paciente que entra aqui no meu consultório e pensa que um cardiologista, ele deve manter aquela postura extremamente centrada nos medicamentos e exames de alta complexidade? Será que eu vim falar de como é que eu escolho uma comida na feira? Vai manchar um pouco a minha autoridade? Talvez também seja assim, meio impossível a gente fazer uma medicina ideal, se a gente também não estiver bem.
Cardiologia, medicina culinária, uma transformação de vida e de carreira. A gente vai conversar hoje aqui nesse MavHack especial direto de Goiânia.
no centro do Brasil, com o nosso querido José Luiz. José Luiz, seja bem-vindo ao MevRec, que é o podcast mais mev do Brasil. Vamos contar um pouco dessa história? Bora, Luiz. Obrigado pelo convite, por estar aqui. Eu já estou aí na família da Mev há algum tempo, sou hoje em dia mentor, e vai ser um prazer, uma alegria dividir com vocês aqui um pouquinho sobre isso.
José Luiz é cardiologista, né? Hoje é chefe da residência do hospital, o Gol. O Gol, o hospital estadual. Isso, o maior hospital que a gente tem estadual de Goiás, assim, a maior referência principalmente para o paciente coronariopata é esse hospital, um hospital enorme aqui. E tá aqui como sócio da clínica Juntos, que...
É um espaço incrível, tem um quadro no nosso canal que vai mostrar aqui, visitando a clínica deles, mas hoje a gente vai conversar da história do Zé Luiz. Luiz, cardiologia, como é que você foi parar na neve? Como é que você descobriu medicina do estilo de vida? E o que que isso trouxe de diferença pra você?
Então, eu sempre gostei disso na minha formação. Esses dias eu fui dar uma aula no congresso e achei muito interessante porque o palestrante anterior falou que o conflito de interesse que ele tinha é que ele era apaixonado, era sobre exercício, ele era apaixonado por exercício desde sempre. E aí eu achei que eu não tinha conflito de interesse para a minha palestra, que era sobre alimentação, e fui olhar meu histórico escolar e no segundo período da faculdade eu fiz lá um curso, um núcleo livre de alimentação saudável.
Então, assim, essa questão do estilo de vida e de correr atrás disso sempre foi uma coisa durante toda a minha formação. Sempre gostei de clínica, no final fiz clínica ali, fiquei tendido entre endocrino e cardio, que acho que conversa sobre isso. E aí, assim, já saí na cardio com olhar para isso, sabe? Eu acho que até na residência, talvez, eu era aquele residente que o pessoal estava só falando de artigo e de medicamento, e eu estava ali tentando entender um pouquinho da alimentação, falando de exercício dentro de um hospital.
escola, eu me formei aqui no Hospital das Clínicas da UFG, que não tinha muito espaço para isso, assim, nas residências de uma forma geral não tem, mas eu já estava ali cavando meu espaço. Quando eu fui para a prática, eu senti uma necessidade enorme de me formar nisso. Então eu comecei a ler, ir atrás, e aí eu me lembro que da MEV Brasil, a primeira coisa que eu fiz foi uma MEV Intro, numa época que vocês disponibilizaram de graça, assim, e aí eu achei sensacional.
Já tinha lido bastante coisa do que falou ali no MEV intro, eu precisava saber colocar na prática, né? E aí depois o Caio fez entrevista comigo, e contei que já tinha feito a aula do MEV intro, falei como é a minha prática, vai fazer muito sentido. E aí fiz a formação e continuo estudando sobre MEV, levei para a residência, a gente foi chegar lá, porque assim, acho que depois que a gente contamina, assim, eu já tinha isso um pouco, mas depois que a gente contamina e muda o jeito da gente atuar e trabalhar.
Não tem como a gente não ir levando pra frente quando a gente é preceptor, e tá na frente de um serviço, assim, né? Foi essa a história. Acho que é desde sempre. Foi uma coisa natural, assim, foi um encontro natural de uma demanda que eu sempre tive, uma necessidade que eu sempre percebi nos pacientes e um interesse pessoal meu também.
E você entrou na MEV pela, vamos dizer assim, pela porta da alimentação. E aí tem uma história aí da medicina culinária, que eu acho que não é todo mundo que conhece o que significa isso, acho que a gente pode explicar o que é a medicina culinária.
Mas conta como que você entrou por esse lugar. Eu sempre fui uma pessoa da cozinha. E assim, o meu interesse é pelo alimento, de onde vem, para onde vai, como faz, a diversidade de preparos. Eu estava me lembrando ali, a gente visitou a horta ali e comentei com a funcionária da gente aqui, que eu estava com umas mudinhas em casa, eu fiz já uns cursos de plantas alimentícias não convencionais, eu sou padeiro caseiro de fermento natural, eu faço pão da minha casa há uns oito anos com a esca que eu tenho. Então, eu sempre fui essa pessoa da cozinha.
E aí eu achei natural a gente, médicos que somos curiosos, que somos consciência, sair estudando sobre isso. Uma coisa que já era um interesse pessoal meu, que faz sentido demais para os pacientes da gente da cardio. Eu acho que isso aí, se a gente for ver os estudos tradicionais, essas histórias do heart diet e a hipótese que tenha impacto, surgiu que na cardio, né? Então, eu acho que foi uma coisa meio que natural. Então, eu entrei muito aí.
Por isso, assim, pelo meu interesse na cozinha, porque fazia sentido na minha especialidade, o interesse no alimento, na produção, no preparo, em tudo que envolva o alimento. Acho que eu seria um nutricionista feliz também, assim, sabe? Acho que essa coisa do alimento, um cozinheiro, um chefe de cozinha, tudo que envolve o alimento, assim, me atrai, sabe? E aí, conseguir trazer isso para a nossa realidade.
A medicina culinária, ela veio de uma demanda que eu percebi com os meus residentes. Então a gente treina, eu fiz um módulo, desenvolvi um módulo de cardiologia do estilo de vida. Antes de existir o livro, eu fiz um módulo todo, uma curadoria de assuntos para adaptar, assim, o que seria a medicina de vida para a cardiologia.
E fiz com muita ajuda do professor Antônio, lá do Dante Pazanese, um ambulatório de cardiologia do estilo de vida, que já roda no meu serviço tem praticamente um ano, porque eu precisava de um campo prático para focadamente aplicar as coisas que a gente treinava na teoria. E aí eu via uma falha nas habilidades culinárias. Então, assim, o paciente vinha com o empecilho de preparo, de seleção, de armazenamento, os meus adenços não tinham repertório para poder vencer o empecilho.
E aí foi aí que eu falei, será que tem alguma coisa para eu poder ajudá-los? E aí foi quando eu descobri a medicina culinária, que ela traz isso daí. Então ela tenta traduzir a ciência nutricional em comida no prato, através do ganho de habilidades do médico, do profissional de saúde, para ele conseguir discutir e ajudar o paciente a também ganhar essas habilidades. Como é que é isso na prática, assim, no consultório?
Então, funciona trabalhar como médico culinarista, vai usar a lente do médico culinário, nada que a gente abaixa ali a lente. Eu acho que, assim, é uma virada de chave, né? Desde quando eu vou avaliando a alimentação do paciente, se eu tenho em mente todas as etapas envolvidas, até a comida que ele me falou que chegou no prato.
eu já consigo pensar em motivadores, em empecilhos, em facilitadores para aquela comida ser a comida dele. Então, eu acho que se a gente tem em mente essas habilidades, que muitas vezes nós médicos, corridos regionistas, nossa formação, de fato não temos, né? Eu me deparei, teve um dos residentes que foi até interessante, ele perdeu bastante peso, melhorou todo o quadro metabólico, porque de fato era residente de cardio, que a alimentação era muito ruim, né?
Se nós médicos também não temos frequentemente esse hipertório. Então eu já vou trabalhando assim, enquanto eu avalio, eu já vou raciocinando ali possíveis motivadores para aquela alimentação final. E principalmente na construção do plano. Então quando eu vou construir o plano e eu tenho em mente das habilidades da medicina culinária, com certeza ele é muito mais completo e muito frequentemente vários dos...
dos planos de ação inicial, para a gente chegar nas metas maiores, eles envolvem, na verdade, planos de desenvolvimento de habilidade, planos de aprendizado, muito mais do que metas de performance.
Você vai, enquanto avalia o paciente, pensando o padrão alimentar que ele tem que chegar a uma hora, só que aí você se preocupa não com o cardápio, mas com o que esse paciente vai ter que fazer para chegar nessa alimentação. É isso, assim? Um cara que come diretamente terrânea, ele tem que saber ir numa feira escolher os vegetais adequadamente, chegar em casa e higienizar, preparar e armazenar.
Então talvez essa etapa eu trabalho antes para chegar a ser lá na frente o paciente que tem um padrão de dieta adequado, né? Assim, que a gente espera ali para ele, que tem dentro dos desfechos de saúde dele. É porque talvez esse seja um dos problemas mais sérios na precisão de mudança de estilo de vida, né? Que a gente às vezes fala para o paciente...
você tem que fazer isso, mas ele não tem capacidade de fazer. Ele não faz nada porque ele não quer, né? Porque ele não consegue mesmo, ele não dá conta. E talvez a medição culinária sirva de protótipo, paradigma para todo o resto, né? Muito legal isso de você ir construindo, então. Aí você vai construindo tipo um...
Um treinamento, do jeito que o educador físico treina um atleta para ele ir bem, você vai construindo um treinamento para a pessoa. Exatamente. E aí, dentro das demandas de cada um, né? E dar um arsenal para a gente. Então, é isso. Começar a selecionar essa meta daqui até o nosso próximo encontro. Toda vez que você for à feira, agora que você já se habitou aí, escolher um vegetal diferente, chegar em casa e tentar resolver como você vai preparar ele e me contar como foi.
Então é por aí, aí a gente vai progredindo. Vamos passar agora, vamos avaliar se os alimentos que são mais ricos em proteína. Como que a gente vai trabalhar ele aqui? Como está seu repertório? Como que a gente pode ampliar? É isso aí, a ideia é essa. E aí no final, claro que a gente pode ir atrelando metas de performance e tudo mais, frequência de consumo e tudo mais, mas a ideia, principalmente no começo dessa abordagem, é isso, é tentar treiná-lo para que seja uma pessoa que faz melhores escolhas.
Isso constantemente passa por cozinhar, mas que não só no momento de cozinhar, porque a ideia também é isso, quando você vai selecionar um alimento pronto num restaurante e tudo mais, você também, conhecendo as etapas de preparo, isso também facilita os ingredientes que se usa e tudo mais, isso facilita você fazer melhor as escolhas.
E como é que o paciente recebe esse bebê? Eu sempre falo para os meus residentes assim, tudo que a gente vai fazer de estilo de vida, a gente tem que ter muita gentileza e perguntar se podemos falar sobre. Porque geralmente uma pessoa não espera chegar dentro de um consultório de cardiologista, às vezes nem falar muito da alimentação, muito menos sair de lá com uma meta de cozinhar algum alimento. Não existe muito isso.
Então, assim, é uma construção. Eu vejo que hoje, talvez, o paciente que me procura, talvez ele já conheça um pouco do meu modo de fazer. Mas no começo, e frequentemente até hoje, e eu vou transportar lá para a minha residência, que os pacientes chegam de primeira vez com frequência, eles não estão esperando isso não. Então, eu acho que parte muito por pouco a pouco, a história ali de você ver onde que ele está.
na prontidão para mudança, ter gentileza apresentar o assunto, mas eu sou muito convicto que isso é importante. Então, convicto que é importante tanto quanto a medicação, eu vou achar um lugar para o paciente se convencer comigo. Então, a gente vai conversando ali e vai conseguindo levar pouco a pouco para ele não achar tão estranho.
Foi difícil para você adotar, vamos dizer assim, essa postura que não é tão comum para o médico. Você sentiu medo de dar esse passo?
Eu não vou falar assim que nunca senti medo, não. Porque às vezes parece que traz uma coisa de assim, será que eu estou inventando uma coisa estranha? Será que eu não estou viajando demais? Mas assim, foram poucos momentos. Eu acho que eu já tinha uma predisposição a englobar isso aí. E aí mesmo talvez quando algum, assim, colegas...
percebeu um estranhamento ou os pacientes eu acho que ainda percebo, não, mas isso vai fazer sentido a gente vai seguindo em frente e aqui vai chegar uma hora que vai fazer sentido, então assim até momentos breves eu posso ter ficado um pouco mais reticente quanto a isso de ser tipo assim, será que
Talvez até... Você pode falar de mim. É, e talvez, assim, é uma coisa que talvez exista no começo por alguns colegas, será que isso não vai manchar um pouco a minha autoridade? Será que esse paciente que entra aqui no meu consultório e pensa que um cardiologista, ele deve manter aquela postura extremamente centrada nos medicamentos, exames de alta complexidade e tudo mais?
Será que eu vim falar de como é que eu escolho uma comida na feira? Vai manchar um pouco a minha autoridade frente ao paciente? Será que ele vai entender que isso é um assunto que devia estar no consultório, né? Isso houve um pouco. Mas eu acho que, assim, o resultado se mostra e ele acaba convencendo o paciente. Eu acho que...
que o resultado é imperativo nessas situações. Eu não me lembro aqui de algum paciente que eu percebesse que tenha me deixado porque achou que isso era estranho demais. Eu acho que tudo parte da gente adaptar tudo, a gente não vai entregar tudo para todos os pacientes, assim como eu tenho pacientes que são culinaristas, chefes de cozinha, e nesses a gente vai profundo. Então, adaptando para as realidades, mas não deixando de trabalhar, eu acho que 100%, mesmo que haja um estranhamento inicial,
não me veem com menos autoridade por conta disso, muito pelo contrário. Acho que, na verdade, ainda mais hoje, existe uma demanda muito grande de curiosidade das pessoas, de forma geral. Não sei se o meu algoritmo é viciado, mas a rede social, quando a gente abre, o que tem de gente falando de alimento para um lado e para o outro, não está escrito. Então, a gente, como um formador de opinião, uma pessoa de respeito para o paciente, ao menos, acho que eles entendem isso como valoroso também. A gente emitiu uma opinião sobre isso. Tem canal na TV ProSinatura que, e...
passa o programa de culinária de manhã até de madrugada, né? Não para de passar. Parece que virou uma das grandes questões na vida das pessoas. O que a gente vai comer, né? A gente falou do paciente, mas como os colegas receberam isso?
Eu vou te falar que eu tenho colhido, acho que nos dois últimos anos, o fruto do que eu plantei lá no começo. Não colheram com bons olhos. Não viram com bons olhos no início. Eu acho que talvez o meu medo de manchar a autoridade com o paciente existia. Talvez com os colegas exista isso no começo.
Ah, o que é isso? Alguma medicina alternativa? Falar de comida? Falar disso demais com o paciente? Isso é coisa do nutricionista? O que é que tá se metendo? Viram o nutricionista agora? Acho que tem um pouco disso. E eu te falo, às vezes, até os residentes. Os nutricionistas também não acharam que você se metia, né? Se você se meteu, né?
Eu trabalhei mais proximamente com dois nutricionistas, uma que trabalhava comigo na clínica que eu trabalhava no Instituto, e a outra que a Dani trabalha conosco, adoram. Deu tudo certo com os nutres. Eu acho que eu sempre tive, até por esse interesse, uma proximidade muito grande com a equipe interprofissional, multiprofissional. Então eu chego de manso, me apresento, eu falo de comida, mas eu falo isso aqui, eu não faço cardápio.
Seu trabalho é o seu, eu não quero ele. Eu só quero te ajudar no seu trabalho. E meu espaço vai até aqui. Eu ajudo o paciente, às vezes, até viabilizar o que você quer fazer com ele. Eu sou um parceiro seu.
Acho que sempre a conversa inicial foi essa e foi até bacana. E no meio da cardio, dizendo aqui mais regional, o ano passado foi uma enxurrada de convites para palestrarem congressos e jornadas de endocrino de cardio, para falar de comida, para falar de alimentação e história de cardiovascular. Então acho que engatou a conversa. Eu acho...
Bom, eu estou há quase 10 anos ensinando o MEV, né? Eu comecei lá para 2016, na MEV Brasil vai fazer 8 esse ano. A gente percebe que os últimos dois anos foram anos que o interesse por esses temas meio que explodiram, assim, né? Então, acho que... Foi na onda, né? É, meio que a onda levantou agora, né?
também pela percepção de que não tem um caminho ou outro para conseguir uma saúde boa, e não vai ser com comprimido sozinho, que a gente vai alcançar isso. Mas como que o residente, você trabalha com formação de novos cardiologistas, e aí eu fico pensando como é que isso entra dentro da academia e se existe uma diferença.
Se você vê uma diferença dessa nova geração, porque quem trabalha com educação médica fala muito do problema da educação médica hoje. Conflito geracional. Conflito geracional, ou que as formações não são tão boas hoje. Eu não esqueço uma vez que...
Eu li um texto que uma pessoa falava, ah, porque a juventude de hoje não tem interesse, ela não está ligada aos grandes temas, aos temas importantes. O cara que falava isso era na Grécia, há 3 mil anos atrás. Ontem. É o mesmo, acho que toda geração anterior fala isso da seguinte, né?
Como que você vê a diferença desses cardiologistas que estão se formando e como que eles recebem uma aula de cardiologia culinária? É, por aí é. Quer dizer assim? Ó, assim, eu comecei timidamente, né? Assim, eu entrei numa... Eu falo que lá também foi tudo muito providencial na residência pra eu poder levar essa minha bandeira, esse meu currículo oculto aí da medicina do estilo de vida.
Eu entrei timidamente como preceptor, preceptor do ambulatório. Precisavam de um preceptor para o ambulatório, vinham em mim um perfil de ensino interessante, me colocaram lá. No terceiro mês falaram, acho que você precisa desenvolver com a gente módulo teórico, você vai ser o coordenador do módulo teórico. Foram me entregando coisas.
E aí, como eu já estava muito impregnado de MEV desde o começo, foi um, assim, primeiro que surgiu de um interesse deles, em algumas coisas que eu fazia até inconscientemente durante a conduta no ambulatório, em sistematizar isso para eles, né? Deles residentes. Deles residentes.
Então, doutor, o senhor faz umas coisas aqui com o paciente no ambulatório, parece que eu vejo que às vezes o senhor intencionalmente muda o seu tom de voz, o senhor faz umas perguntas um pouco diferentes, parece que você põe o computador meio de lado, parece que o senhor praticamente não escreve enquanto o paciente está falando. Foi me dando a imagem, foi me dando a imagem para quem gosta de Star Wars, do Jedi, né? Um jeito, assim, está usando alguma coisa.
Tem algo diferente no seu, que eu não sei. É o seu jeito? Não, não é o meu jeito. Isso aqui tudo é assim, treinável, é técnica, tudo pensado, tudo tem um porquê, nada tá aqui por acaso. E aí eu acabei... Não nasci especial. Não nasci desse jeito. Isso aí vocês vão ficar... Se a gente treinar, vocês vão ficar tão bons quanto... E aí eu decidi fazer, então, já que eu tava ali com o módulo teórico na mão, o módulo tímido de MEV. E aí eu aplicava ali nos pacientes que apareciam, né?
Como nos primeiros residentes tinha tido um interesse espontâneo, não foi tão difícil. Aí depois vieram os outros anos e os residentes subsequentes, eu assumi a supervisão do programa de residência. E o programa já estava precisando também de uma revisão de projeto pedagógico para já adequar a essa demanda do alinhamento ao ensino baseado em perfis de competências, que é uma demanda já de alguns anos, mas que as residências estão tendo dificuldade para alcançar.
Eu ingressei numa formação sobre isso, numa pós-graduação específica em gestão de programas de residência. Então eu fui criando um arcabouço para poder conseguir levar para lá. Coloquei, hoje a gente tem nas competências esperadas do nosso perfil, do nosso hospital, várias competências MEV que a gente construiu em conjunto com preceptores, a supervisão e os residentes, o que a gente espera.
E a gente tem, inclusive, a medicina culinária, o nosso módulo todo teórico de cardiologia do estilo de vida, que hoje tem 16 aulas, nosso ambulatório de cardiologia do estilo de vida, que são as nossas ferramentas de desenvolver essas competências. Os residentes que chegam novos, eles têm estranhamentos inicial, mas eu vejo eles abertos a essas... Eu apresentei...
Estamos agora no comecinho de março, então apresentei todo o projeto pedagógico para os meus novos três residentes, tem uma semana. E no final eles falaram assim, impressionante, essas coisas aqui eu nunca pensei, mas parecem legais. Fez sentido aqui dentro do que o senhor falou no perfil.
Eu acho que lá eu tive menos estranhamento. Sobre a academia em si, como eu estava nesta posição de ter assumido a supervisão de um programa, que já existia uma demanda no projeto pedagógico, ele era um programa novo, era um projeto inicial de implementação, que depois que ele foi para a prática, ele precisava de ser revisto para parar as arestas depois da implementação.
junto com uma formação que eu já vinha fazendo sobre a gestão do programa de residência. Então, isso me deu uma força para conseguir implementar. Então, não fui tão questionado. Mas é claro que existe aquela certa reticência e tudo mais, mas eu dou o meu jeito, eu vou encantando as pessoas assim e vou.
Não posso reclamar. Eu acho que eu recebi tudo de uma forma muito propícia para o que eu conseguisse implementar. E dos residentes que chegam todos os anos, eu acho que eu acabo convencendo eles rapidinho que isso é fundamental. E que a gente vai conseguir se desenvolver lá sobre isso. E eles se interessam por essas habilidades, que eu acho que eles também acabam vendo que é importante e que eles não têm. Eles não têm isso na formação.
E José Luiz, a gente até na conversa do Mevisita, que é o quadro que depois você pode assistir mostrando aqui a clínica juntos, você estava falando sobre a mudança que foi você vir para dentro de um time. Quem trabalha com MEV às vezes se sente meio deslocado, a gente meio que precisa de um terreno...
ideal de parcerias para poder sonhar junto com outras pessoas e fazer essas coisas, fazer a ameve acontecer. Como que você vê? Conta um pouquinho de como é que foi essa mudança para cá.
depois você olha o episódio lá no YouTube para ver a minha visita, a gente pode depois botar o link, mas me fala um pouco da importância de trabalhar em equipe, tanto do ponto de vista do resultado para o paciente, mas também para o bem-estar da gente, porque trabalhar em um lugar ruim, com quem a gente não está afim, não está alinhado, é um porre.
Eu vim de uma outra experiência, olha que interessante, uma clínica que tinha uma proposta multiprofissional. Lá era uma clínica mais focada em doenças do fígado, tratar os pacientes com estratos metabólicas, mas não tinha a conversa MEV, não era a ideia.
Talvez facilitar fisicamente a presença de colegas ali, mas não existia um alinhamento ideológico, por assim dizer, mas ao menos de prática ali. E o ambiente não era pensado para isso e os colegas também não tinham esse alinhamento.
Quando eu cheguei, como que eu me sentia lá? Assim, dentro, como eu brincava assim, da porta do meu consultório pra dentro, eu fazia a minha parte. Mas era assim, era como se não estivesse numa clínica multiprofissional. Como não existia esse alinhamento de condutas e de visão, acho que a gente não construía e não crescia junto. Era um ajuntamento profissional. Era isso. Eram pessoas atendendo, assim, nos consultórios um do lado do outro, mas sem muito diálogo, muita conversa.
Vamos criar um termo. Existe o alinhamento profissional e o ajuntamento. A maior parte das equipes, na verdade, são ajuntamentos de profissionais, mas que não conseguem estabelecer uma cultura de trabalho junto, de projeto terapêutico.
E aí quando eu cheguei aqui na Juntos, eu entrei, assim, antes de entrar para a sociedade como um convidado para atender aqui em conjunto, porque conheci o Rodrigo e a gente achou que fazia sentido eu estar aqui, ele achou que fazia sentido, porque eu já me alinhava com o Perpê do DQ, cheguei aqui e falei, meu Deus, mas tem gente que faz no espaço físico aquilo que eu estou tentando fazer e que eu sonho fazer.
pensam como eu, né? Eu acho que foi a ideia deles também, assim, e os feedbacks que eles trouxeram foi o mesmo. Aí, assim, joga as ideias da gente, assim, elas decolam. Então, tudo que a gente planeja, assim, quem tem um alinhamento de visão é outra história, né? Quando eu vim pra cá, eu tinha um plano de acompanhamento multi lá.
que envolvia a nutricionista de lá, que eu fui hungariana, ela pro meu lado, era a única que eu ainda me dialogava, mas a equipe médica não, mas o educador físico era uma pessoa externa e tudo mais. Quando eu vim pra cá, eu venho e trago uma proposta. Todo mundo colabora, todo mundo vibra. Aí eu vou trazer a entrevista motivacional para os professores de educação física. O que vocês acham?
Todo mundo acha interessante, colabora, dá sua opinião. A gente tem alinhamento, a gente tem reuniões de discussão de caso clínico. Então a gente conversa no momento protegido para discussão teórica mesmo, além de tudo que a gente faz em conjunto. A gente atende muitos pacientes entre a gente.
Eu me vejo aqui em casa mesmo, assim. Eu vejo que eu converso a mesma língua que os outros sócios. Eu acho que isso potencializa demais o trabalho de cada um e o resultado que a gente entrega para o paciente e o resultado da clínica. O resultado da clínica como esse local que a gente consegue e busca entregar esse cuidado integral mesmo dentro da individualidade de cada diagnóstico, de cada paciente, de cada necessidade, sabe?
também foi fantástico. Assim que surgiu a oportunidade da sociedade, eu falei eu tenho que entrar nesse processo e me mandar embora daqui que eu preciso ficar aqui com vocês pelo menos um bom tempo. Então foi fantástico pra mim, assim, não houve dúvidas. Depois que eu conheci mais de perto da Pim, eu comecei a trabalhar aqui e não houve dúvidas que aqui era o meu lugar mesmo.
E que mudança que trouxe isso para a sua vida pessoal? Vamos falar no nível de vida mesmo. O que toda essa trajetória mudou em você e que lições que você tira disso? Eu estou falando isso porque, José Luiz, a gente tem muitos colegas que estão numa vida...
Ruim pra falar o mínimo, né? E que não conseguem ver uma perspectiva de sair disso. E às vezes não conseguem nem ver que estão tão atolados numa vida ruim, fazendo uma medicina ruim, não tendo resultado nenhum pro paciente, uma jornada profissional insatisfatória, e acaba que a pessoa meio que vai adoecendo internamente, né? Ela vai meio que...
apodrecendo em vez de florescer. Como que você vê essa experiência em você? Eu acho que assim, a pergunta é se você está feliz? Exatamente. A vida está boa. E assim, eu acho que talvez tudo que eu falei aqui é muito bom para os pacientes, o resultado é muito bom, mas talvez o melhor resultado que eu colhi foi para mim. Talvez assim, foi...
Esse encontro de onde estar profissionalmente, com certeza, repercutiu em todos os aspectos da minha vida. Então, é isso que você falou, a gente talvez vive aquele formato de trabalho e atendimento, sempre à beira do esgotamento.
mas às vezes sem conseguir enxergar uma oportunidade que está do nosso lado, né? Ou sem conseguir imaginar um caminho diferente. Acho que eu preciso de um pouco de coragem no começo, assim, porque eu acho que a gente acaba que se acomoda, né? Eu fiz aí 15 anos de formado agora, tem...
um ano e meio que eu tô aqui na Juntos, eu enxergo esses 15 anos, esse um ano e meio é meio que dividindo em antes e depois a minha carreira enquanto médico. Então a gente precisa um pouco de coragem, porque era ali uma trajetória de 13 para quase 14 anos de um modo de fazer as coisas que eu tive que abandonar mesmo, assim, mas que nitidamente não estavam fazendo bem.
E aí vir pra cá e conseguir trabalhar de uma forma mais satisfatória pra mim, que traz meus resultados positivos, mas principalmente pra mim, isso contaminou todos os campos da minha vida mesmo, assim. Minha vida pessoal, a minha relação com o ensino familiar, enfim. Eu acho que talvez seja o ganho principal. Talvez tenha sido isso na minha vida mesmo, assim. Talvez também seja assim...
É impossível a gente fazer uma medicina ideal, muito boa, se a gente também não estiver bem, né? Eu acho que tem muito disso, assim. Eu acho que até a qualidade do nosso cuidado vai caindo, por mais que a gente estude, por mais empenhado e ético que a gente seja, se a gente não é o paciente zero, se a gente também não está muito bem, não tem como, assim, a gente entregar um cuidado adequado. Você dá o que você tem, né? E se a gente não tiver saúde e energia para dar para ninguém... Como é que? De onde sai? De onde sai, não tem jeito, né?
Como que você resume, hoje, olhando a isso tudo, a sua caminhada na MEV? Luiz, assim, eu me lembro, assim, vou te falar um marco que foi fazer o curso, né, o MEV Clinic, e eu me lembro, num dilema, na hora de fechar, o Caio até fez uma reunião, não fechei na única reunião, pedi um prazo, acho que foi nos dois dias depois.
será que isso aqui vai valer a pena? Será que vai mudar muito a minha vida? E como era um interesse muito grande demais, o Maviklin que instrumentalizou muito, e assim, eu acho que foi a fagulha que precisava, eu implementei de uma forma muito intensa, e mergulhei de cabeça, se mudou completamente tudo que eu faço em relação ao meu trabalho, e isso repercutiu em tudo, né? Eu brinco às vezes até depois que eu conheci a entrevista motivacional, eu mudei o jeito de conversar com qualquer pessoa, até no ponto de ônibus.
Então, assim, eu acho que é inevitável. Então, assim, eu resumo como antes e depois mesmo. Foi, assim, uma redescoberta, foi um reinício mesmo na minha vida começar a trabalhar com o MEV de forma sistemática em todos os pacientes, trazer isso para a minha rotina médica, para o meu trabalho médico diário. Então, assim, foi um reinício, foi um renascimento mesmo, assim, eu tive...
ganhar gosto, estava ali naquele, à beira da sobrecarga extrema, também estava nesse padrão, atendendo muitos pacientes em convênio, em plano e tudo mais, demandas enormes, trabalhando em quatro hospitais, aquela loucura. E foi um momento de parar e pensar, não, não é assim que vai continuar, eu não vou aguentar mais 10 anos para frente desse jeito.
Então foi um renascimento mesmo, assim, de mim enquanto profissional, primeiro, mas como paciente zero também, de mim como pessoa. Eu tenho muito de fazer o que eu vou passar para o paciente, então comecei a fazer mindfulness, comecei a fazer as coisas, reorganizei meu exercício, melhorei ainda mais a alimentação, então foi impregnando para tudo, para os meus residentes.
pra minha casa, pros meus filhos, né? Eu acho que muda tudo. Acho que ter entrado na MEV mudou tudo, assim. O jeito que eu olho pro mundo, assim, e é isso. Simplesmente. Você me fez lembrar uma coisa, assim, uma das lições mais importantes que eu acho que, olhando a minha vida, assim, eu vejo...
é que a gente não pode ficar tempo demais no lugar errado, né? Faz muito mal ficar tempo demais no lugar errado. No lugar, não estou falando só de endereço físico, né? Eu estou falando de lugar, seu lugar na vida, né? Eu acho que isso é terrível. Zé, eu agradeço muito esse episódio incrível, mais uma visita, vocês vão ver também. E agradeço também você ter tido a confiança de estar com a gente na Mê Brasil.
E agora ser professor. Olha só. E eu vou te falar uma coisa, ó. Eu estou seduzindo ele para escrever um livro de medicina culinária. E eu vou te pedir a sua força. Você vai comentar aqui embaixo que esse aqui é o livro. Porque eu estou precisando convencer ele.
Eu não sei se é de muita força, não, mas comenta aí, porque vai sair pela Mevbooks um livro de menino de sã culinária, não vai? Vai, vamos lá. Vamos trabalhar nisso, vai dar certo. É minha paixão, né? Então, você vai escrever sobre o seu amor. É. Vamos lá, gente.
Um episódio incrível aqui com o Zé Luiz. Medicina Culinária, Cardiologia e Mudança de Vida. Fica aí. Assiste o próximo episódio do MEV REC. O podcast mais MEV do Brasil. A gente está aí levando a palavra da MEV para todo mundo. E que a MEV esteja com você. Vai fazer diferença na sua vida. Vai, acredite. Muito obrigado. Foi um prazer muito grande. Obrigadão.