Episódios de Não Inviabilize

RIVAL

29 de junho de 202627min
0:00 / 27:57

Picolé De Limão é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!

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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia

Vinhetas: Pipoca Sound

Voz da vinheta: Priscila Armani

Participantes neste episódio6
A

Andreia Freitas

HostJornalista
S

Speaker B

HostJornalista
B

Bianca

ConvidadoJornalista
C

Camila Tabacchi

ConvidadoPublicitária
S

Speaker D

Convidado
S

Speaker E

Convidado
Assuntos3
  • Histórias de mães e filhasInfância e tratamento desigual · Abandono e falta de apoio materno · Independência e construção de vida · Golpe e venda da casa da mãe · Conflito familiar e disputa pelo seguro de vida · Mãe da Ana · Ana
  • Individualidade e Amor MaternoInveja e ciúmes da mãe em relação à filha · Seguro de vida como forma de vingança ou recompensa · Conflito com os irmãos após a morte da mãe · Testamento e legado de Ana
  • O amor e a construção de uma famíliaFamília sem afeto é só parente · Lei da semeadura e consequências das ações · A importância de acolher a mãe
Transcrição56 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
BBianca

Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia.

?Voz B

Oi, gente, cheguei, cheguei para mais um Picolé de Limão e hoje eu não tô sozinha, meu publi. Quem tá aqui comigo hoje é o Mercado Livre. O Mercado Livre entende como ninguém as muitas versões da mulher brasileira e oferece soluções para diferentes momentos das nossas vidas.

?Voz D

Quer um look para um date?

?Voz B

Tem no Mercado Livre. Quer um brinquedo para o seu filho? Você acha no Mercado Livre. Quer um sofá novo aí para sua sala? Você encontra também no Mercado Livre. A comida para sua família, a caminha e os brinquedinhos para o seu pet, os produtinhos de beleza, itens de decoração para sua casa, tudo isso você encontra no Mercado Livre. Você encontra ainda oportunidades imperdíveis na página de ofertas e a entrega é a mais rápida do Brasil.

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AFAndreia Freitas

E hoje eu vou contar para vocês a história da Ana. Então vamos lá! Vamos de história? Ana cresceu numa família com dois irmãos, sendo a Ana aí a filha do meio. O pai dela morreu muito cedo, eles não tinham casa própria, passaram perrengue ainda ali na infância. Só que a mãe batalhou, conseguiu comprar um terreno, construiu uma casinha pequena nesse terreno, foram morar ali. O tempo foi passando, ela foi conseguindo aumentar a casa, as coisas foram melhorando.

Enfim, a vida seguiu. Uma coisa que a Ana nunca entendeu foi por que a mãe dela tratava ela diferente dos irmãos. Quando eles eram crianças, a mãe às vezes fazia 3 bifes e 1 ovo cozido. Adivinha de quem que era o ovo cozido? Da Ana! Aí ela perguntava por que ela não podia comer bife. E a mãe apenas respondia que não tinha bife, que o bife era só para os meninos. Só que ela também comia bife e não dividia certinho. Porque, ah, tá bom, tem 3 bifes, vamos dividir então para 4 pessoas.

Não, a Ana comia ovo e era um ovo cozido. Quando a mãe foi aumentando a casa, primeiro tinha só um quarto, dormia todo mundo. Fez o segundo quarto, ela ficou com um quarto. E os três foram dormir no mesmo quarto. Fez um outro quarto. Aí ela falou para um filho dormir num quarto, o outro filho dormir no outro quarto, e a Ana dormir na sala até que um novo quarto fosse feito. Só que ela nunca fez o quarto da Ana. Foi reformando, ela fez até garagem, churrasqueira, priorizou outras coisas.

A Ana, na casa da mãe, nunca teve um quarto. Sempre dormiu na sala, cada irmão com um quarto, a mãe com um quarto, e ela dormindo na sala. Chegou uma época que a Ana: "Será que eu sou adotada?" Mas conversando com as tias, as tias falaram: "Não, a gente também não sabe porque que a sua mãe é assim, mas a sua mãe só trata os meninos bem." Quando a Ana fez 12 anos, a mãe continuou lavando a roupa dos irmãos, só que a Ana tinha que lavar a própria roupa.

E a mãe não deixava ela usar a máquina porque falava que ela ia quebrar a máquina. Então, com 12 anos, ela lavava roupa na mão. Praticamente uma poneirela. Conforme a Ana foi crescendo, ela foi se revoltando e perguntando pra mãe: "Por que você me trata assim? O que eu te fiz?" "Porque isso era desde criancinha muito pequena." "Bobagem, eu trato vocês igual." "Você que é muito fresca, que bobagem." E assim, gente, nunca respondia nada.

A mãe comemorava todas as conquistas dos dois irmãos. Os dois irmãos, entendendo que a mãe não gostava da Ana, provocavam mais ainda e faziam o que aqui a gente chama, em Santo André, de fusquinha. Vocês sabem o que é isso, fazer fusquinha? Tipo: "Olha, minha mãe fez pra mim, não fez pra você, sabe?" Assim, o tempo foi passando, ela celebrando todas as conquistas dos dois filhos e da Ana. Nem na formatura ela foi. Ana estudou muito para entrar numa universidade federal, que não foi comemorada nem pela mãe nem pelos irmãos.

Ela não recebeu um parabéns, nada. Quando ela tava com 20 anos, ela começou a sentir uma dor muito forte, meio lateral assim, na barriga. Falou para mãe, pediu ajuda para mãe para ir até o pronto-socorro. A mãe A mãe falou que era besteira. Nessa época, a mãe já tinha carro, já dirigia. Ela foi andando bem devagarinho, sozinha. Chegou lá, era apêndice. O apêndice dela já tava inflamado. Ficou internada. Ligou para mãe, a mãe não atendeu o telefone.

Precisou assistente social mandar alguém na casa da Ana para avisar que ela ia ficar internada, que ela ia operar. Os dois irmãos e a mãe foram visitar a Ana? Não, só quem foi foi uma tia que foi, visitou, ficou com a Ana. A Ana nunca entendeu por que que a mãe tratava ela desse jeito, tão mal assim, mas mal mesmo, gente, assim como se ela fosse lixo. Depois dessa cirurgia, que a mãe não apareceu nem os irmãos, a Ana se movimentou ali para sair de casa.

E aí ela começou a se sentir melhor. Foi morar com duas moças da universidade ali. Tinha perrengue? Tinha. Mas comparado ao que ela passava em casa, ela tava no paraíso. "Eu nunca mais volto pra casa." Chegava época de Natal e Ano Novo, você pensa que a mãe chamava a Ana pra ir pra casa? Não. A Ana às vezes ficava sozinha naqueles dormitórios da universidade assim, todo mundo ia pra casa, pras famílias, e ela ficava ali. Ana teve uns namorados, mas ela tinha muito foco de como a mãe dela fez comprar um terreno e construir.

Então o foco da Ana, antes de ter um namorado firme, um marido, era um terreno. Ela se formou na faculdade, podia ficar ainda um ano no dormitório. Ela já trabalhava nessa época, conseguiu sair desse dormitório, fazia muitos trabalhos, muitos bicos, muitas coisas, foi juntando dinheiro até conseguir comprar o terreninho. Que ela queria. Como a história de vida da mãe dela era igual, ela mandou uma mensagem para mãe falando que ela tinha comprado um terreno, que ela ia agora levantar um banheiro e um cômodo para poder mudar, mas que ela ia fazer como a mãe dela fez, né?

A única coisa que a mãe dela escreveu: "Oi Ana, onde é o terreno?" Era um bairro melhor do que o bairro que a mãe tinha feito a casa, e ela escreveu assim: "Péssimo lugar." Gente, Pra quê? Os dois irmãos casaram, Ana foi no casamento dos irmãos, a mãe estava lá, tratou ela cordial e tal, mas assim, sabe quando não parece que é mãe? Parece que é uma conhecida sua? Era assim. Ana já tinha construído os dois cômodos, já estava morando no terreninho dela, os irmãos foram morar de aluguel e a mãe ficou sozinha naquela casa ali de três quartos.

A vida seguiu mais um pouco, até que um dia uma senhora que a Ana não conhecia mandou mensagem para ela.

?Voz 1

Olha, você é filha da fulana? Eu preciso falar com você.

?Voz E

Sou, sou filha da fulana.

?Voz 1

Olha, meu nome é Dona Neide, eu sou amiga da sua mãe e eu preciso te contar que a sua mãe vai cair num golpe. A sua mãe tá se encontrando com um rapaz. O rapaz não é namorado dela porque ele nem, ele mal toca na sua mãe. Nunca, segundo a sua mãe, eles nunca nem se beijaram, tiveram nenhum tipo de relação física. Mas o rapaz tá dizendo que quer casar com ela, só que ele é religioso e só pode ter alguma coisa com ela depois do casamento.

Só que ele está querendo que a sua mãe venda a casa. A sua mãe já vendeu o carro e deu o dinheiro pra ele. Sua mãe está sem carro. E agora ela botou a casa pra vender. Nós que somos amigas dela, a gente tá preocupada. Porque não adianta falar com a sua mãe, que ela não ouve ninguém. Ela acha que ele vai casar, que ele vai pegar esse dinheiro, que é o dinheiro que ele já tá com ele do carro. Que se bobear ele já até gastou, e da casa, e vai comprar uma casa maior para eles dois juntar com a parte dele e comprar tipo uma mini mansão para eles.

AFAndreia Freitas

Ana ficou em choque porque a mãe dela sempre foi muito lúcida, muito, sabe assim, para cair num golpe desse.

?Voz E

E ela falou: nossa, eu vou conversar com ela, mas assim, você já falou com os meus irmãos?

?Voz 1

E aí Dona Neide falou: olha, eu já falei com os dois e eles falaram que eles têm a vida deles, os problemas deles, eles não querem saber, mas eles duvidam que a "Minha mãe vai vender a casa por causa de um cara." Então assim, eles não deram atenção, sabe?

?Voz E

"Neide, eu posso falar pra minha mãe que foi você que me contou?

?Voz 1

Porque senão ela vai achar que eu tô espionando a vida dela." Pode falar, porque já tá num ponto que ele vai pegar o dinheiro da casa dela, né? Então pode falar que sim, fui eu e mais as amigas dela, que tá todo mundo preocupado.

AFAndreia Freitas

Ana mandou mensagem pra mãe, a mãe visualizou e não respondeu.

?Voz E

"Eu vou ter que ir lá naquela casa que eu nunca mais queria voltar, que eu só tenho lembranças ruins." "Mas eu vou ter que ir lá falar com essa mulher." E lá foi a Ana.

AFAndreia Freitas

Eu perguntei pra ela: "Mas por que você foi? Seus irmãos, que a sua mãe paparicava tanto, lavaram as mãos, né? Por que você tomou a frente disso assim, né?" E ela falou: "Andréia, pra depois eu não ficar com, sei lá, com a consciência pesada. Pelo menos eu alertei, sabe?" Quando a mãe dela saiu na porta, a mãe dela ficou desesperada. Ana não entendia por quê.

?Voz E

Falou: mãe, abre aqui, preciso conversar com a senhora.

?Voz D

O que você quer aqui? Pode ir embora.

?Voz E

Não, você vai abrir, eu quero conversar com você. Não, eu não vou embora.

AFAndreia Freitas

A Ana começou a pensar que a mãe devia estar em cárcere privado, que o cara tava lá dentro.

?Voz D

A mãe dela veio, abriu o portão e falou: então entra logo, vamos conversar logo, que eu quero que você vá embora.

AFAndreia Freitas

Ana entrou e começou a olhar cômodo por cômodo. A casa tava normal, o cara não estava lá. Ela falou que as amigas estavam preocupadas, e aí a mãe dela falou que as amigas tinham inveja dela, que não queria ver a felicidade dela, porque agora ela tava com um cara legal, que pensa no progresso deles, nananã. Ana escutando a mãe conversando, e a mãe querendo muito que ela fosse embora.

?Voz E

E a Ana: "Eu só vou sair daqui a hora que eu entender que você não vai vender essa casa e botar o dinheiro na mão dele, porque só essa casa que você tem.

AFAndreia Freitas

Você não tem mais nada, você vendeu o carro, mãe, você deu dinheiro pra ele." E aí a mãe dela surtou e começou a gritar: "Por que você quer ficar aqui?

?Voz D

Você quer roubar ele de mim? Você já roubou o seu pai de mim.

AFAndreia Freitas

Você era a paparicada quando você era criança, porque ai, só você é linda." E ali caiu uma ficha gigante na Ana que a mãe tinha inveja dela, ciúme dela. A mãe competia com ela, com uma criança, como se ela fosse uma mulher que fosse tirar as coisas da mãe. A mãe foi contando coisas assim de quando ela tinha 9 anos. Gente, ela via a Ana como uma rival, uma concorrente. Agora ela tava desesperada porque ela queria que a Ana fosse embora antes do cara chegar, para o cara não conhecer a Ana, porque ela achava que a Ana tinha ido lá para roubar o cara dela.

Ana ficou muito passada com tudo e a mãe dela foi literalmente empurrando ela para fora, assim, ó, vai, vai, vai, batendo assim nas costas dela, empurrando a Ana. Quanto mais ela empurrava a Ana, mais aliviada ela ficava, tipo, vai embora antes que ele chegue, antes que ele chegue, que você quer roubar ele de mim. E a casa sim estava com placa de venda. Se a casa era só da mãe, então ela não precisava de assinatura de nenhum filho, nada para vender a casa.

E aí a Ana foi embora. Depois desse dia, Ana ainda conversou com a Dona Neide mais um pouco, mas ela percebeu que a Dona Neide trazia as informações do tipo: "Ah, eles ainda não conseguiram vender a casa, mas ele fez a sua mãe fazer um empréstimo." Isso foi deixando a Ana mal e ela falou: "Olha, Dona Neide, eu tentei, ela não me quer nem lá, ela me tocou da casa, então eu não tenho mais o que fazer.

?Voz E

A senhora me trazendo essas notícias, eu fico mal porque ela não me ouve, meus irmãos não querem saber." Nesse ponto, a Ana já tinha conversado com os irmãos E eles estavam muito focados assim na vida deles.

AFAndreia Freitas

Acho que também as cunhadas, né? "Ai, não interfere e tal." Porque eu acho que o medo delas era, sei lá, da mãe parar na casa delas. Mas aí não seria o contrário? Não era melhor elas ficarem vigilantes para que a sogra não vendesse a casa? O tempo passou, mais ou menos um ano da data que ela foi expulsa da casa da mãe, que a mãe tocou ela para fora. Ana já tava numa empresa muito boa, já tinha conseguido aumentar a casa, rebocar as paredes, pintar.

Casa dela tava muito bonita, ela fez uma casa com uma varandona, 2 quartos, e se ela quisesse expandir para cima dava. Casa da Ana, ela fica de frente para rua, mas a lateral aqui da casa dá numa viela. E aí, ali para viela não tinha nenhuma saída, tal, ela fez A varandona fez uma garagem na frente e lá no final ficou um pedaço de quintal que depois ela queria ver quando ela tivesse dinheiro de fazer uma piscininha, um negócio que dava ali bem no muro, que dá para ver ela. A Ana não sabe o que deu nela que um dia ela acordou: "Quer saber?

?Voz E

Eu não vou fazer uma piscina, eu acho que vou fazer um atelier." Ela tava começando a querer mexer com cerâmica, essas coisas. Ela falou: "Se eu fizer um atelier aqui, eu já posso fazer aqui a porta para ver ela.

AFAndreia Freitas

Então depois, se eu quiser fazer uma lojinha aqui, ninguém 'Please, entra na minha casa.' Ela fez um cômodo ali com banheiro e uma pia para ela fazer as coisas dela de cerâmica. Depois ela ia comprar um forno, tal, desistiu da ideia da piscina, com uma saída para a viela. A Ana falou: 'Andréia, parece uma coisa, foi eu terminar a obra, mas assim, eu terminei numa quinta-feira, quando foi no sábado eu descobri que a minha mãe estava morando na rua.

Os dois irmãos não quiseram acolher a mãe. Ela vendeu a casa, deu dinheiro para ele, ele sumiu. Dona Neide ficou com ela um tempo lá, mas a casa da Dona Neide muito pequena, Dona Neide com neto, deu um prazo para ela sair. A mãe da Ana muito orgulhosa, em vez de falar que não tinha para onde ir, porque Dona Neide não ia botar ela na rua assim, né?

?Voz D

Ela falou: "Não, tudo bem, eu vou sair, eu já arranjei um lugar pra ficar." Só que não arranjou.

AFAndreia Freitas

Ela estava morando na rua. O cara de pau de um dos irmãos, que a mãe sempre tratou muito bem, foi contar pra Ana, dizendo: "Olha, você que é solteira, você tem obrigação de abrigar a mamãe." Ana teria alguma obrigação com aquela mulher que tratou ela tão mal?

?Voz E

Não.

AFAndreia Freitas

Mas a Ana falou: "Andréia, parece que eu construí aquele cômodo Já sabendo que, sei lá, eu não sei, não sei explicar. Ela tinha outra cama de casal, tirou aquela cama de casal, levou para lá, levou mais algumas coisas e foi buscar a mãe dela, que tava ficando tipo na porta de uma igreja assim, sabe? A mãe dela toda suja, com cabelo embaraçado, mas assim, orgulhosa, não queria ir com a Ana. A Ana conseguiu levar. Lá tinha um banheiro, ela fez um banheiro completo.

Ela falou: Andréia, eu ia fazer um "Quer saber? Eu vou fazer um banheirão completo aqui, bom assim, né?" E fez. E aí a mãe dela foi morar nesse estudiozinho que tinha saída para viela. A mãe dela não tinha acesso à casa da Ana e ia ficar ali independente. A vida da Ana virou um inferno. A mãe tinha justamente parado na rua porque ela tava em depressão, porque ela acreditava que o cara ia realmente comprar uma mansão para eles, né, para o casal.

E o cara sumiu, ela ainda achava que, ah, será que não mataram ele, sabe assim? Não queria fazer de jeito nenhum boletim de ocorrência. E chegou uma hora que Ana desistiu.

?Voz E

Quer saber?

?Voz 1

Era a casa dela, era o dinheiro dela, ela deu para o cara, ela não quer fazer boletim de ocorrência, não quer fazer nada, então eu também não vou me desgastar mais Que era sempre um desgaste.

?Voz D

Ela sempre falava: tudo deu errado depois que você foi lá em casa.

AFAndreia Freitas

Achou um jeito de culpar Ana. Agora tinha que pegar o domingo dela, fazer a comida da semana, botar tudo lá na geladeira, que ela teve que comprar geladeira usada, teve que mobiliar lá a casinha para mãe dela, né? O cômodo lá, que era um cômodo grande e tal. A mãe dela botava defeito em tudo, mas ela fazia comida da semana, botava para mãe. Só que a mãe tava muito deprimida, a mãe mal comia, ela tinha que ir lá limpar o cômodo porque a mãe também não limpava, enfim, um inferno.

Esse inferno durou 3 anos até que a mãe dela ficou doente e faleceu. Nesses 3 anos, os irmãos não quiseram saber, não foram lá, não acolheram a mãe, né, foram avisar a Ana que a mãe tava na rua. Passou, a Ana falou para mim: Andréia, as pessoas podem me julgar, sei lá, mas foi um alívio para mim quando minha mãe faleceu, porque eu fiz a minha parte, eu cuidei dela. Se eu não cuidasse, eu ia me sentir mal. Então eu fiz o que o meu coração mandou, cuidei dela. Mas era um inferno a minha vida, e ela morreu.

?Voz E

Agora vou tirar tudo, vou doar tudo que tá aqui dentro e vou fazer o meu ateliê de cerâmica.

AFAndreia Freitas

E foi começando a tirar as coisas. Quando ela pegou a mãe na rua, a mãe tinha um saco de lixo com as coisas assim, e ela nem olhou.

?Voz B

Tinha as roupas.

AFAndreia Freitas

Ela teve que comprar umas roupas para mãe e ela começou a tirar as coisas. Ela achou ali um papel do banco. A mãe recebia uma aposentadoria ainda, tinha muitos empréstimos que caíram, que o cara fez o máximo de empréstimo que ele conseguiu, né? Mas ainda pingava alguma coisa. Tinha um papel ali do banco que a Ana

?Voz E

bom, eu tenho que encerrar pelo menos a conta dela, né?

AFAndreia Freitas

Viu que a agência que era ali pegou um dia só para fazer isso, né, para pegar o atestado de óbito da mãe, levar no banco, dar baixa nessa conta, porque aí agora os empréstimos também, né, o banco ia acabar os empréstimos ali. Tinha acho que umas 3 parcelas ainda. Ana falou: nossa, coitada, né, se ela vivesse um pouco mais ela ia se livrar, né, dos 2 empréstimos que ela tinha, ia ficar tudo bem. Chegou lá no banco, ela descobriu que o modo de empréstimo que ela tinha contratado junto, um seguro, Então quitou, tipo, ela não teve, a Ana não teve problema, né, em relação a isso.

Só que ali ela descobriu que a mãe tinha um seguro de vida no valor de R$250 mil. Ana ficou em choque.

?Voz E

Com certeza ela deixou R$125 mil para cada irmão, né? Jamais teria deixado algo para mim.

AFAndreia Freitas

Era uma pólice muito antiga e ela pagava direitinho, descontava, né, ali da conta dela. Quando ela foi morar com a Ana, que ela reclamava de tudo, que ela xingava Ana, culpava Ana, um dia ela foi até o banco, tirou os filhos da policy e deixou apenas a Ana. Ela colocou a Ana como beneficiária. Ela nunca pediu uma desculpa para Ana, ela nunca quis ter uma boa relação com a Ana, nada. A Ana acha que ela fez isso para se vingar dos filhos, não para favorecer a Ana.

Mas se fosse assim, eu acho que ela podia ter colocado no nome, sei lá, da Dona Neide, porque seguro de vida você pode dar para quem você quiser, né? Ana ficou em choque.

?Voz 1

O gerente falou: olha, só que para você poder sacar agora esse seguro, a gente precisa que você traga as coisas do inventário.

AFAndreia Freitas

Falou para ela lá o que ela precisava, né? E avisou que o seguro não entra no inventário. Seguro de vida 'Você deixa para quem você quiser.' O próprio gerente falou: 'Olha, isso aqui não entra em partilha, tal, mas mesmo assim, né, a gente pede a documentação, se você já fez, tal, inventário.' Ana não sabia que os irmãos sabiam da existência desse seguro. E quando eles foram no banco, eles descobriram que o seguro estava em nome da Ana.

E aí começou uma briga. Os irmãos disseram que iam entrar na justiça dizendo que a Ana obrigou a mãe a mudar o beneficiário do seguro. Os pais da Ana nem sabiam que banco que a mãe tinha conta, nada. Depois quiseram falar que a mãe tava louca, que ela não podia tomar aquela decisão. Olha, foi uma briga de anos. Eles processaram a Ana, mas eles perderam, perderam em todas as instâncias, porque seguro de vida— e aí fica aqui a informação, né?

Seguro de vida não entra em partilha porque não é considerado um bem da pessoa que morreu. É como se ela tivesse feito um contrato para beneficiar outra pessoa. Eles já mal conversavam com a Ana, romperam de vez, e a Ana recebeu esse valor de seguro. A Ana me disse: Andréia, se eles não tivessem entrado na justiça contra mim, a minha ideia quando eu pegasse esse dinheiro era, sei lá, ficar com 100 e dividir 150 entre os dois. Mas como eles fizeram isso, a Ana acabou ficando com o dinheiro do seguro.

E até hoje ela acha que a mãe não fez para beneficiar a filha, e sim para punir os filhos que não acolheram ela quando ela precisou. E a Ana falou para mim: "Andréia, eu aprendi muito nesse processo, né? Minha advogada me ensinou muita coisa. E eu, como eu não tenho filhos, até agora não casei, não sei se vou casar, fiz um testamento deixando, se eu morrer, minha casa, o dinheiro que eu tenho, que é, né, esse dinheiro que minha mãe deixou, dividindo entre uma ONG e alguns amigos meus que são como se fosse a minha família.

E para não deixar nada para os meus irmãos, porque você não, você não, seu irmão não é seu, seu herdeiro, né? Então Ela falou: 'Andréia, até hoje eu deito assim e eu penso nos desaforos que minha mãe fazia para mim, ainda morando aqui na minha casa. Me culpava de tudo. Que dia que ela foi até o banco e resolveu que eu ia herdar esse dinheiro caso ela morresse, né?' E os irmãos falam para todo mundo que a casa que a mãe perdeu foi culpa da Ana, sendo que ela não tem nada a ver com isso, e que a Ana roubou o dinheiro do seguro.

Então essa é a fama que a Ana ficou na família, que ela tipo explorou a mãe. E ela já chegou até no ouvido dela que tipo a mãe morreu por causa dela, porque ela deixava a mãe sem comida. Olha, ela fazia comida para semana toda, tinha que ir lá, tinha que limpar esse cômodo, né, limpar o banheiro. Falou: olha, mãe deu um trabalho. E parece que fazia algumas coisas até de propósito, né. E no fim a Ana Acha que a mãe desde criança tratava ela mal assim porque ela tinha essa rivalidade, né, com a filha.

?Voz B

Que que vocês acham?

BBianca

Oi, não inviabilizes, aqui é Bianca de São Luís. Para mim ficou muito claro que a mãe não deixou o dinheiro do seguro para Ana somente para punir os irmãos, e sim para dizer a si mesma que tudo que a Ana fez por ela não foi de graça. A gente nunca pode esquecer que família sem afeto é só parente, e de parente a gente quer distância. Parabéns pela sua atitude de não ter desamparado a sua mãe, Ana, e que Deus te retribua multiplicado.

AFAndreia Freitas

Beijo.

CTCamila Tabacchi

Oi, Never Believers, eu sou a Camila de Belo Horizonte. Ouvindo a história, pensava: eu faria exatamente o mesmo, porque, gente, eu realmente acredito na lei da semeadura. A mãe sempre tratou a filha com indiferença, pior do que os irmãos. E ela colheu. Porque quando ela precisou, esses irmãos viraram as costas para ela. Agora os irmãos colheram a falta de ajuda que eles deram para mãe quando eles não tiveram acesso ao seguro de vida e perderam em todas as instâncias.

E a filha, esse doce de pessoa, colheu porque sempre foi abençoada. Conseguiu comprar um bom terreno, conseguiu construir, acolheu a mãe e ainda ficou aí com o seguro de vida. Eu realmente acredito nisso, gente. O bem, ele encontra sim o caminho de volta. Que bom ouvir essa história e ouvir que o final foi feliz.

?Voz B

O Mercado Livre tem as melhores marcas, tem frete grátis a partir de R$19, tem uma página de ofertas cheia de promoções. O Mercado Livre tem tudo e entrega tudo. Você encontra produtos de moda, beleza, mercado, produtos para o seu pet, casa, decoração, produtos para suas crianças, mil brinquedinhos. Por isso, todo dia é dia de Mercado Livre. Tem o cupom especial NÃOENVIABLIZEMELE, tudo junto, maiúsculo, sem acento. Eu vou deixar o cupom aqui na descrição do episódio. Esse cupom pode te dar até R$40 de desconto.

AFAndreia Freitas

Acesse o link que eu deixei aqui na descrição do episódio.

?Voz B

Tem cupom, tem tudo! Corre pro app do Mercado Livre e vai aproveitar, porque todo dia é dia de Mercado Livre! Um beijo, gente, e eu volto em breve.

BBianca

Quer a sua história contada aqui? Escreva para nonenviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Enviabilize.

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