LIVRE
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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia
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- História de Ana LúciaCasamento e início da vida a dois · Maternidade e dedicação aos filhos · Percepção de si como empregada doméstica · O plano de separação e a busca por liberdade · Divórcio e reconstrução da vida · Relação com os filhos após o divórcio · Nissette
- O Papel da Mulher na Sociedade e na FamíliaValorização do serviço versus valorização pessoal · Expectativas sociais sobre mães e esposas · Autonomia e liberdade feminina
Andreia Freitas:Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. Oi gente, cheguei, cheguei para mais um Picolé de Limão e hoje eu não tô sozinha, meu publi! Quem tá aqui comigo hoje é a La Guapa. A La Guapa lançou em janeiro a campanha Sabores do Mundo em Campo, uma coletânea limitada de 12 empanadas inspiradas em 12 países diferentes. É um novo sabor por mês e cada empanada fica disponível por pouco tempo antes de sair, né, e dar lugar aí a um novo sabor. E agora em junho é o mês da empanada brasileira. Junho é o mês em que o país inteiro está de olho no gramado, todo mundo torcendo, e a La Guapa te convida a fazer parte desse momento. A cada empanada participante da campanha Sabores do Mundo em Campo, pedida pelo aplicativo pelo aplicativo você recebe o carimbo do país correspondente sem precisar fazer mais nada. Quem completar os 12 países ganha um prêmio ao final da campanha. Não esquece, como os sabores entram e saem a cada mês, quem deixar passar perde aí o carimbo daquele país. Peça pelo aplicativo, carregue o seu passaporte, gente, isso é muito legal, né? Complete os 12 países e ganhe um prêmio. E usando o nosso cupom você ganha desconto. La Guapa, bonita com conteúdo. Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio e fica comigo até o final que tem cupom. E hoje eu vou contar para vocês a história da Nissette. Então vamos lá, vamos de história. Quando a Nissette tinha 18 anos, ela começou a trabalhar numa fábrica e conheceu um cara. Cara, muito bacana, queridíssimo. Depois de um ano, quando Nisset completou ali 19 anos, este homem pediu a Nisset em namoro. Eles ficaram um ano nessa só de conversar, porque eles eram colegas de trabalho, né, em setores diferentes. Então assim, rolava uma paquera e um oi e conversa sobre amenidades. Não chamou nem para sair, falar um "oi", já falou sem beijar, nada: "Você quer namorar comigo?" Nisset disse que sim. Aí eles trocaram um beijo e foi incrível, foi muito legal, e eles começaram ali um namoro. Ele sempre se mostrava um namorado muito apaixonado. Quando foi dando um ano ali de namoro, ele falou: "A gente precisa casar." E por que que ele queria casar rápido? Nisset veio de uma família muito católica e ela queria casar virgem. Os pais da Nisset já tinham falecido, o pai dela quando ela tinha 17, a mãe quando ela tinha 15, ela com duas irmãs mais velhas que ela não se dá tão bem. Então assim, a vida foi meio que empurrando a Nisset para um casamento, né, assim, quando jovem. Ele falava: "Mas seu pai e sua mãe já faleceram, ninguém vai ficar sabendo se a gente transa antes do casamento." "Eu vou ficar sabendo, Jesus vai ficar sabendo." Sabe assim? "Então não quero, quero realmente casar de véu, grinalda, na igreja católica, virgem." Nessa época ele morava ainda com os pais, deu os pulos dele, alugou uma casa e falou: "Tá bom, vamos casar." Não ia ter festa, não ia ter nada, mas o casamento foi feito na igreja e no civil. Como não teve festa, eles passaram uma semana no litoral, numa casa emprestada de algum parente do cara lá, e começaram aí esse casamento. Quando eles voltaram da lua de mel, a primeira coisa que esse cara falou pra Nisset: "Agora você pode pedir as contas, né, pra ficar em casa." Nisset falou: "Não." Jamais, vou voltar para o meu trabalho, vou trabalhar assim, imagina. Não pediu as coisas, o cara já ficou chateado, passou uns dias sem falar com ela, mas depois foi aceitando. Ele falou: tá bom, então eu quero filhos. E Sete também queria. E de cara, de Sete, no começo desse casamento, engravidou. Foi uma gravidez sossegadíssima, ela trabalhou até dias antes de ter o bebezinho. Teve o bebezinho, ficou o tempo que tinha que ficar em casa, voltou a trabalhar. E este homem falou assim para a Nisset: Olha, você—
Voz C:a gente vai fazer um acordo então. Você não quer parar de trabalhar, já botou nosso filho na creche, então a gente também não vai evitar filhos. O que Deus quiser mandar para gente Ele vai mandar.
Andreia Freitas:Ela falou para mim assim: Andréia, eu era bobinha de igreja. Eu aprendi que eu não devia evitar também, que Deus manda os filhos que a gente tem que ter. Então assim, ela concordou, não achou nada de grave nisso que ele falou. Ela engravidou ali com 20, com 21. Ela teve o primeiro bebezinho. Quando ela botou o bebezinho na creche, ali entre 4 e 6 meses, ela engravidou de novo. O cara ficou super feliz, ela já ficou mais cabreira. Mas de novo, uma gravidez sossegadíssima. Trabalhou até ali quase ter o nenê, ela preocupada de não ser mandada embora porque, né, uma licença atrás da outra. Mas ela tava ali, né, nos direitos dela. Teve um segundo menininho, só que agora as coisas ficaram complicadas porque são dois nenês pequenos para você cuidar. Quando deu ali a licença-maternidade, ela tentou voltar a trabalhar, mas ela não conseguiu. A fábrica falou: olha, deixa então que a gente espera a estabilidade, né, trabalha esse período e a gente te manda embora. Eu preciso que você fique pelo menos 6 meses aqui para dar essa estabilidade e a gente te manda embora. E quando você quiser voltar, você pode voltar, que as portas da Pony Colchões estarão abertas para você, tá? E assim ela fez, com muito custo. Ela trabalhou esses 6 meses e saiu. Quando ela saiu, ela tava grávida do terceiro filho. Isso, ela já tava ali com seus 23 anos. Com 24, ela teve o terceiro filho. Foi uma menininha. Então, menino, bidido, bidida. Era aquela coisa, tinha que limpar a casa, tinha que fazer as coisas do marido ali, né, comida, lavar roupa, com 3 crianças muito pequenas. A Nisset me falou uma coisa: "Andréia, parece que conforme eu ia tendo filho, ficava até mais fácil, porque uma criança, quando tá com a outra criança e a outra criança, elas E elas meio que se regulam ali, né? Elas ficam brincando. Quando a menina tava com um ano e pouco, ela achou que tava mais fácil para cuidar dos três. Só que agora ela já começou a pensar em tomar um anticoncepcional para não ter o quarto filho. Quando ela foi tomar o anticoncepcional, que ela foi, marcou o médico, fez os exames, ela estava o quê? Grávida do quarto filho. De 25 para 26 anos, ela teve mais um menino. Então, menino, menino, menina, menino. O marido dela já era muito relutante dela tomar remédio, era contra. Nossa, falou um monte para ela. E o que que ela combinou com esse médico, que era o médico que fez o parto dela? Era uma época, agora eu não sei como tá, acho que não precisa mais da autorização do marido para fazer laqueadura, né? Mas precisava. E aí aqui, zona cinza médica, sei, ela combinou com o médico. O médico, vamos botar Dr. Rubens.
Voz B:Dr. Rubens, o senhor precisa ligar minhas trompas, fazer alguma coisa, porque eu não aguento mais ter filho. Minhas gravidezes são sossegadas, mas eu não aguento mais, não quero mais ter filho, são 4 filhos.
Andreia Freitas:E aí ele falou, tá bom, deixa comigo. Ele, depois que ela teve o 4º filho, ligou ali as trompas já. E aí fechou a fábrica, escondido do marido, tá? Durante anos ele continuou tentando e achando que tinha problema.
Voz B:Quando ela falou para ele: olha, a gente teve 4 filhos, foi tudo bem, será que não é você agora que tá com problema? Não é melhor você ir ver?
Andreia Freitas:Como ele teria que ver e ele não gostaria de descobrir que ele não podia mais ter filho, ele deixou esse assunto morrer. Quando eles casaram, eles foram morar de aluguel. Depois eles Juntaram com aquela indenização que ela pegou, compraram um terreno e começaram a construir. Construíram ali primeiro 2 quartos.
Voz C:O terreno era grande e esse cara falou: cada filho que nascer eu vou fazer um quarto. Aqui embaixo a gente consegue fazer 5 quartos, mas se a gente tiver mais filho, a gente sobe, faz sobrado. Já vou fazer estrutura já de um jeito que dá para subir.
Andreia Freitas:Ele nem imaginava que ela ia fazer ela ficar dura, né? Cada filho que nascia, ele ia construindo mais um cômodo. Cada filho foi tendo seu quarto. Só que, gente, vê comigo, um quintal grande que você tem que limpar, você tem que deixar em ordem. Agora ela tinha sala, cozinha, 3 banheiros, a lavanderia e 5 quartos para limpar, para organizar, para deixar tudo em ordem sozinha. O cara foi subindo na área dele lá, na pônei colchões, e eles foram deixando essa casa mais bonita, mais confortável. E ainda assim, só ela para limpar. Depois que todos os quartos estavam prontos e ela já não conseguia engravidar mais, ele queria, porque queria uma piscina, que seria mais uma coisa para ela cuidar e limpar. Ela não queria porque ela tinha medo das crianças pequenas.
Voz B:Ela falou: olha, quando o mais novo fizer 10 anos "Você pode fazer a piscina." Porque aí o mais velho já tá com 14, quase 15. Eu fico mais tranquila. Com 10 anos, a gente já bota eles agora já na natação, ninguém vai morrer afogado.
Andreia Freitas:Porque senão era mais uma coisa pra ela ter que ficar vigiando, olhando. Quando o mais novo fez 10 anos, em março, quando foi em abril, o cara chamou os pedreiros lá e começou a fazer a piscina. Demorou 3 meses, quase 4. Fizeram a piscina. Nossa, felicidade! Vamos fazer um churrasco, só família, para inaugurar essa piscina. Inauguraram a piscina. No dia seguinte, um dos filhos dela, o segundo, do mais velho para o mais novo, o segundo ali, tinha feito várias fotos e falou: ah, vamos ver as fotos, né? Tipo na TV, assim, tipo slide. Nisset foi vendo as fotos e nas fotos só tinha o marido dela e os 4 filhos. Ela nem na água conseguiu entrar porque ela que ficou na churrasqueira. Ele não ficou na churrasqueira. Ela que ficou servindo todo mundo. Ela que ficou fazendo comida. Ela que ficou limpando. E ninguém nem chamou ela para tirar uma foto. Ela não tava em nenhuma foto. Ela ficou muito magoada, começou a chorar. Eles começaram a dizer que era besteira. Nesse dia virou uma chave ali na cabeça da Nisset, que ela viu que realmente ela era uma empregada naquela casa. Ninguém chamava ela para nada. Faziam noite da pizza, fazia um monte de coisa, e algumas coisas ela nem conseguia ir de tão cansada que ela tava. E eles não faziam questão que ela fosse. Acostumaram com aquele ritmo de ter uma empregada. Era isso que ela era ali. O marido nem a comida no prato colocava mais. Os filhos às vezes não colocavam a comida no prato, ela que colocava. E a partir daquele dia das fotos do churrasco, que ela não tava em nenhuma, ela parou de botar comida no prato de todo mundo. Eles ficaram muito hostis com ela, tipo: como que você não vai fazer, gente? Nissette fez uma promessa para ela mesma: quando o mais novo fizesse 20 anos, ela ia se separar e ela ia embora. Ele tava com 10, então ela tinha mais um prazo de 10 anos naquele casamento.
Voz B:Quando mais novo tiver 20 anos, eu vou embora dessa casa.
Andreia Freitas:O tempo foi passando. Quando o mais novo tava com 12, ela pediu para voltar para pôr colchões. O pessoal ficou p da vida, os filhos e o marido, que não precisava, que isso, que aquilo. Aquilo. Mas o menino mais novo já tava com 12, já, né, já tava grandinho. Ela voltou a trabalhar, ele comprou uma casa na praia de 3 quartos para ver se tirava ela de novo do trabalho, porque ele falou: olha, aí a gente, você pode descer, você pode descer com a gente, não é assim, você faz parte, você pode ir junto, sabe assim, se você quiser. E aí ele falou assim: "Só que aí você vai na frente de ônibus." Quando ela era mais novinha, ela tinha carteira de motorista, mas ela nunca dirigiu o carro dele, ele nunca deixou.
Voz C:"Você vai mais cedo de ônibus para limpar a casa para a gente." E os filhos tinham essa mesma dinâmica.
Andreia Freitas:A Nisset falou para mim: "Andréia, eu sei que parte da culpa disso é minha, mas quando eles já estavam ali, quando o mais novo estava com 10 anos, depois daquele dia do churrasco, eu comecei a sinalizar para eles." "Comecei a deixar de fazer algumas coisas do tipo: Agora, se vocês querem as roupas lavadas, vocês têm que pelo menos deixar lá no cesto da lavanderia." E era um monte de desaforo, um monte, tinha filho ali que xingava ela, uma coisa de louco, gente. Tudo por quê? Porque o marido incentivava que os filhos tratassem a Nisset assim. Só que Nisset tinha um plano. Era longo? Era longo, ia demorar? Ia, mas quando o mais novo tivesse com 20 anos, Ela ia se separar e ela ia deixar os filhos com ele, porque aí o mais velho já ia estar com 26. O tempo foi passando, ela: "Não tem problema, eu vou aceitar, eles estão querendo me fazer de empregada, tá bom." Ela descia de ônibus, limpava a casa, eles voltavam no domingo cedo e ela ficava lá para limpar a casa, para voltar no ônibus no domingo à noite e trabalhar na segunda de manhã, porque ela trabalhava. Ela ia junto com ele. Aí ele começou a não ter horário, porque ele já tinha um cargo de chefia, né? Ela voltou para o trabalho que ela tinha antes. Ela tinha que ir de ônibus. Aí o que que ela fez? Nisset foi lá e comprou um carro usado, parcelado, financiou. Eles criticaram, eles riram do carro da Nisset, porque o cara podia ter dado um carro para ela ou ajudado ela comprar um carro melhor, porque ela cuidou dos filhos dele durante anos, né? Eles moravam numa casa muito boa, com piscina. O apartamento da praia era mais simples, mas assim, também bem legal. Então assim, as crianças se achavam ricas e riram do carro da Nisset, porque "Ai, mãe, você não precisava voltar a trabalhar como peão na firma." Gente, esse tipo de conversa. Todos os filhos dela fizeram faculdade federal. Ela estudava com eles, passava lição. Eles fizeram cursinho todos. Quando o filho dela mais novo fez 18 anos, ele entrou na federal.
Voz B:Bom, agora tá muito perto.
Andreia Freitas:Nisset sabe que o marido teve algumas amantes, mas ela falou: Andréia, quer saber, depois daquele dia que eu não me vi nas fotos, que eu enxerguei o jeito que eles me tratavam, eu também desencanei. Não tava nem aí se ele tinha amante, se não tinha. Ele já não queria mesmo transar comigo. Ele me tratava como uma serviçal dele. E os meus filhos idem. Quando o filho mais novo completou 20 anos, ela procurou uma advogada indicada por uma amiga dela lá na firma e ela falou: "Olha, eu quero me divorciar." Nisset conversou ali com a Doutora Inês.
Voz B:"Quero me divorciar, eu tô junto há 26, quase 27 anos." Doutora Inês falou: "Olha, o que que vocês têm junto?" "A gente tem essa casa, que é uma senhora casa, um senhor terreno, com piscina, com tudo.
Andreia Freitas:A gente tem um apartamento mais simples." Na praia, na praia, a uma hora de onde eles moravam, assim, da firma que eles trabalhavam, a 45 minutos da praia.
Voz B:Lisette falou para a Doutora Inês: ele pode ficar com a casa, com a mansão para ele, eu quero o apartamento da praia.
Andreia Freitas:E o mais novo teria direito à pensão porque ela queria sair de casa. Menino já tá com 20 anos, mas ele teria até terminar a faculdade, né?
Voz B:Se a gente fizer um acordo em relação à pensão, eu fico com apartamento lá, ele fica com o carrão dele, eu fico com o meu carro. Não, vamos ver o que ele tem no banco, que tem que dividir tudo. Aí de repente você quita seu carro, que o carro dela era financiado.
Andreia Freitas:Os filhos e o marido não sabiam de nada. Ela combinou tudo com a Doutora Inês.
Voz B:Olha, eu vou falar com ele esse final de semana, na segunda-feira, independente do que ele falar, você pode dar entrada.
Andreia Freitas:No sábado, os filhos tinham saído, cada um foi para um lado, uns já estavam namorando e tal.
Voz B:Ela chamou ele e falou: olha, a gente tá junto há mil anos e tal, e eu quero me divorciar.
Andreia Freitas:O cara virou uma Fera!
Voz C:Falou: você não é ninguém sem mim. Que você pensa que você é? Eu te dei tudo. Você viveu do bom e do melhor, nunca fez nada.
Andreia Freitas:Gente, uma casa com 5 quartos e mais uns 4, 5 cômodos extra, mais quintal grande para limpar. Ele nunca aceitou uma diarista. Ela sempre limpou tudo sozinha. Quem economizava para poder comprar as coisas? Quem organizava tudo? Tudo a Nissette. E ele falou que ela não fazia nada, que ela era uma dondoca. Acusou ela de ter um macho na fábrica, sendo que ela não tava com ninguém, não tava nem de olho em ninguém. Ela tava com 47 anos.
Voz C:Você tá uma velha, ninguém vai te querer. Olha como você tá, essa barriga caída, esses peito caído desse jeito.
Andreia Freitas:E a Nisset falou para mim assim: Andréia, nada que ele me falasse ia adiantar, eu ia me divorciar. Eu botei um prazo e era esse o prazo. Se eu não tô nos eventos deles, se eu não tô nas fotos deles, então não preciso estar ali também. Eles brigaram, o cara ligou para os 4 filhos, os filhos vieram e brigaram com a Nisset, de gritar, tá? A menina tacou coisa nela, uma briga feia, os filhos chamando ela de vagabunda nesse naipe. E aí a Nisset chorou, porque uma coisa, né, é o seu traste falando, outra coisa você vê o seu traste fazendo a cabeça dos seus 4 filhos, e os seus 4 filhos que você criou, você passou todo tempo com eles, fez tudo por eles, te tratando assim e falando que ela tava largando o pai. Coitado do pai, porque era ela que tava pedindo divórcio. O pai deixou isso bem claro, tipo: eu sempre amei a sua mãe, olha o que ela tá fazendo comigo. E ele teve amantes, tá? Nessa briga tu falou que ele teve amantes. Ele falou primeiro que era mentira.
Voz B:Ela falou: eu posso provar, você quer que eu prove?
Andreia Freitas:Aí ele falou: quem não erra?
Voz C:Eu errei, filhos, eu errei.
Brígida:Ajoelhou.
Andreia Freitas:Olha, é a hora que ele ajoelhou, Nyssette, era para você pegar uma cadeira, para vocês terem uma ideia da hostilidade. Ela não conseguiu dormir em casa, ela teve que sair e dormir num hotel de tanto que ela foi xingada. No dia seguinte, no domingo, ela voltou, pegou as roupas dela, eles continuaram xingando. Ela falou: eu ia pegar só uma muda de roupa, resolvi pegar Levou tudo, pegou só as coisas dela, mas levou tudo que ela conseguiu enfiar no carro, mais as coisas do Toby, que é o cachorro. Ela falou: Toby, eu não ia deixar de jeito nenhum. E foi para o apartamento da praia. De lá da praia ela subia, ia trabalhar, e nunca mais depois desse dia ela voltou para casa. Brigaram na justiça, mas no final o advogado dele falou: olha, você tá saindo na vantagem, ela tá pedindo "O apartamento, que vale bem menos que a casa. O carro, você vai ficar com o seu, ela vai ficar com o dela." Ele tinha um dinheiro aplicado. "Você vai ter que dar metade, isso é fato." O cara tava esperneando porque não queria dar metade do dinheiro. Fizeram um acordo dela não ter que pagar pensão. Ela saiu com o apartamento da praia, do dinheiro que ele tinha aplicado, metade foi pra ela, R$180 mil. Quitou o carro, fez um— eu amo— fez uma abdominoplastia e botou silicone. Quando ela fez a cirurgia plástica, ele ficou sabendo lá na empresa, né, que eles trabalham os dois na Pony Colchões. Ele contou para os filhos, os filhos mandaram mensagem xingando ela, falando que ela tinha abandonado o pai para isso, que ela queria arrumar outros homens, porque ela tava, né, fazendo plástica. Ela no pós-operatório ficou sozinha, porque nenhum filho ia cuidar dela como ela cuidou dos filhos. E ela falou: "Não tem problema, eu vou fazendo as coisas devagar." Fez nas férias dela, ela só tinha que cuidar do Toby ali. Ela falou: "Andréia, para botar comida, água para o Toby, limpar as coisas, eu tinha que fazer sentada no chão, porque eu não podia me curvar, né? Fazia sentada, fazia deitada, mas cuidava do Toby ali." Passava eu e ele só, e foi assim, eu cuidando do Toby, o Toby cuidando de mim. Os filhos não tinham entendido que a casa agora, o apartamento da praia, não era mais de veraneio, era o apartamento, a moradia da Nissette. E eles queriam ir lá com os amigos, e a Nissette falou: Vocês estão vindo aqui me visitar?
Voz B:É uma visita que vocês estão vindo fazer? Porque essa casa aqui não é de veraneio mais, não é a casa de vocês mais, é a minha casa. Vocês quiserem me visitar, as portas estão abertas. 'Agora, para vir para cá com amigos, para usar essa casa como se fosse a casa de praia de vocês, isso nunca mais.' Pergunta se algum filho foi visitar.
Andreia Freitas:Anissette foi para terapia, porque assim, foi muito duro entender que os filhos realmente viam Anissette como empregada, né? Tanto que quando ela, quando o divórcio finalizou, né, que deu tudo certo, o cara, vendo que ela realmente não ia voltar, porque até o último minuto ele Ele queria tipo que ela voltasse. Ele contratou uma empregada. Nisset foi para terapia mais pela questão dos filhos, para se fortalecer também, porque ela falou: "Andréia, eu não ia voltar com ele, também não ia ceder à falta de educação das crianças que eu criei tão bem, né, que agora são adultos." Ali na terapia ela entendeu que ela tinha que seguir a vida dela. Se os filhos quisessem procurar ela dentro das regras que ela criou de respeito de tudo, eles que procurariam. Depois de muito tempo, os filhos começaram a mandar uma mensagem. Aí a menina ia casar, falou: "Ai, mãe, queria que você fosse no meu casamento." "Claro, vou, mas como convidada." Ela falou: "Andréia, não me envolvi mais do que ela me permitiu se envolver. No dia lá do altar, ela queria que eu ficasse no altar." Eu falei: "Tudo bem, fico, sem problemas." Agora ela tem um neto, a filha leva às vezes o neto lá para ela ver, mas ela já deixa bem claro que tipo, né, é um passeio, uma visita. Ela não vai cuidar de criança mais, nenhuma. Nissette demorou muito para sair com um cara de novo, teve um namorico aqui, outro ali. Mas ela diz hoje que a liberdade que ela tem, mesmo que ela tenha que ficar mais afastada dos filhos, porque também as aproximações que tiveram, né, a filha com a criança, depois que teve a criança, meio que querendo que a mãe cuidasse, o outro filho que, ah, porque 'Precisava que você fizesse isso para mim, mãe', sabe assim, sempre favores, sempre, nunca era um carinho. E aí essas coisas ela corta. Eu falo: 'Andréia, nem que eu tenha que ter menos contato agora com os meus filhos, mas eu criei muito bem.' Talvez não tão bem assim, porque eles ficaram do mesmo jeito que o pai, mas eu criei do jeito que eu consegui, do jeito que eu pude. Então todos aí saudáveis, formados, né, com profissão, todo mundo trabalhando e sua renda. Então assim, minha parte meio que eu fiz. Agora também não vou cuidar mais de ninguém, só do Toby. E a Nissette falou que até hoje ela ficou tão— aquelas fotos da piscina, que era inauguração da piscina da casa, né, foram tão traumáticas para Nissette que hoje em dia ela tem gatilho com piscina. Ela não consegue, e ela lembra ainda das fotos. É uma coisa que magoa muito ela. Que ela não tava em nenhuma foto. Ninguém chamou ela para uma foto, ninguém lembrou que ela existia naquele churrasco, sabe? E ela tava fazendo tudo ali para eles. Eles estavam com drinks, com tabuazinha de carne, era tudo ela que tava fazendo. E ela falou: foi ali que eu percebi que eu era a empregada doméstica da família, eu era doméstica da família. Ela falou: a Andrea, como sempre, sempre tem um ou outro que condena a gente, que você tá abandonando sua família, um casamento de quase 30 anos, tal, mas ela era empregada da casa, era isso. E vocês, o que vocês acham?
Brígida:Oi, minha via blizzard, meu nome é Brígida, falo de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Essa história serve muito de reflexão para nós mulheres casadas com filhos já adultos. Tem hora que a gente tem que fazer uma reflexão se nós estamos sendo visitadas, valorizadas pelo que nós somos ou pelo serviço que nós prestamos. Muitas vezes lembram da gente para ficar com neto, pra fazer uma comida que eles gostam, pra fazer alguma coisa assim. Mas só pra nos visitar, pra ir lá dar um beijo, tomar um café, perguntar como a gente tá, às vezes nem lembram, né? No fundo, isso serve pra todas as mulheres, sabe? E Nisset, você agiu super bem, até você esperou muito. Não tenha remorso, não se sinta mal, curta sua vida. E eles que vão sentir sua falta, porque na verdade eles perderam o convívio com uma excelente mãe, né? Mas fique bem, viu? Beijos!
Andreia Freitas:Olá, na Inviabilizers, aqui é a Fernanda de Ferraz de Vasconcelos, São Paulo. São Paulo. Lisette, mulher, eu sinto muito por tudo que você passou e fico feliz que você primeiro se reestruturou profissionalmente, correu atrás de informações jurídicas antes de sair dessa relação para sair da melhor maneira possível. Entendo que você não quis comprar mais brigas do que o necessário, quis sair com o máximo de paz possível. Fico muito feliz que você se libertou e que deixou os limites bem claros aí para os seus filhos, principalmente para sua filha agora que é mãe e fica querendo te pedir favor. E te desejo muita felicidade. É isso, um beijo. Participe da campanha Sabores do Mundo em Campo da Lagoapa. São 12 empanadas inspiradas em 12 países diferentes. E junho é o mês da empanada brasileira. A cada empanada participante pedida pelo aplicativo, você ganha um carimbo do país correspondente. E completando os 12 carimbos, você ganha um prêmio. Usando o nosso cupom GUAPONI, amo, tudo maiúsculo sem acento, você ganha 15% de desconto. Cupom GUAPONI, amo. Baixe agora o aplicativo e faça já o seu pedido. La Guapa, bonita com conteúdo. Um beijo, gente, e eu volto em breve. Quer a sua história contada aqui? Escreva para nãoenvelhecer@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Enviabilize.
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