Episódios de Não Inviabilize

NOVA MULHER

15 de junho de 202630min
0:00 / 30:22

Alarme é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!

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PUBLICIDADE CAMPANHA “QUEM AVISA, AMIGO_H”

Conheça a campanha “Quem avisa, amigo_h”, que reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da conscientização sobre hábitos saudáveis que contribuem para o combate ao câncer. A iniciativa é promovida pela amigo_h, que integra o pilar de Responsabilidade Social do Einstein Hospital Israelita.

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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia

Vinhetas: Pipoca Sound

Voz da vinheta: Priscila Armani

Participantes neste episódio6
A

Andreia Freitas

ParticipanteJornalista
L

Leo Corta

Participante
P

Patrícia Tarento

ConvidadoMédica oncologista
P

Priscila Armani

Participante
R

Roberta Pérez

ConvidadoSobrevivente de câncer
S

Speaker D

Participante
Assuntos3
  • Diagnóstico e tratamento de câncer de mamaRoberta Pérez · Câncer de mama · Quimioterapia neoadjuvante · Mastectomia bilateral · Tumor benigno no ovário · Menopausa induzida · Patrícia Tarento · Hospital Israelita Albert Einstein
  • Prevenção e hábitos saudáveisCampanha Amigo H · Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer (LACCODE) · Prevenção do câncer · Diagnóstico precoce · Hábitos saudáveis · Alimentação saudável · Atividade física
  • Mudança de vida e autoconhecimento pós-câncerTransição de carreira · Yoga · Amamentação para mulheres mastectomizadas · Conscientização sobre câncer · Direitos dos sobreviventes de câncer
Transcrição16 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

Voz A:Este episódio possui conteúdo sensível e deve ser ouvido com cautela. Atenção!

Voz B:Alarme!

Voz C:Oi, gente! Cheguei! Cheguei para mais uma história do quadro Alarme! O quadro onde, além de contar histórias, a gente presta aí um serviço à comunidade. E hoje eu não tô sozinha, meu publi! Quem tá aqui comigo hoje é a campanha Amigo H, que integra o pilar de responsabilidade social do Einstein Hospital Israelita. Sabe aquela amiga que pede para você mandar mensagem dizendo se você chegou bem em casa depois da balada? Ou aquela amiga que te dá dicas bacanas de novos exercícios físicos, que tá sempre compartilhando com você informações sobre cuidados com a saúde? Essa É a Amigo H, que tá promovendo a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e a conscientização a respeito de hábitos saudáveis que contribuem para o combate ao câncer. Uma das missões dessa campanha e da própria organização é dar visibilidade ao LAC Code, ou Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer. Essa é uma iniciativa em colaboração com entidades internacionais que reúne 17 recomendações de prevenção. Dentre elas estão alimentação saudável, prática regular de exercícios físicos, manutenção do peso adequado, exames preventivos e redução dos fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool. A campanha Amigo H atua para ampliar o acesso à informação e prevenção para a população. Segundo o Inca, o Brasil registra cerca de 181 mil novos casos de câncer por ano? No triênio 2026-2028, iniciativas como essas ganham ainda mais relevância ao estimular a informação, conscientização e, o mais importante, a ação. Conheça a campanha Amigo H clicando no link que eu vou deixar aqui na descrição do episódio e saiba mais sobre prevenção, diagnóstico precoce e conscientização a respeito de hábitos saudáveis que contribuem aí para o combate ao câncer. A gente tem que se cuidar, gente.

Voz B:O link tá aqui na descrição do episódio. E hoje eu vou contar para vocês a história da Roberta. Então vamos lá, vamos de história. Roberta sempre foi uma pessoa workaholic, assim, doida para trabalhar. E em 2016 ela estava completamente entregue à carreira, assim, totalmente dedicada como fisioterapeuta cardiorrespiratória. E essa era a carreira que a Roberta tinha sonhado a vida toda. Roberta fazia residência em um grande hospital de São Paulo, ela estudava muito, ela tinha muitos plantões e ela tinha uma vida muito corrida. Plantão na Páscoa? Tava lá Roberta trabalhando. Tem plantão no Ano Novo, quem vai querer, Roberta?

Voz C:Quero!

Voz B:Roberta pegava todos os plantões, ela dava muito plantão, de dia, de noite, em dois hospitais diferentes. Ela chegou a dar 36 horas de plantão. Roberta tinha começado um projeto de doutorado também. Além de tudo, ela era muito dedicada também à vida acadêmica. Pra se manter acordada, Roberta tomava cápsulas de cafeína e tinha o sono ali completamente prejudicado, já que ela pegava plantões à noite e plantões também de dia. Dormir ela só conseguia com um tapa-olho. Roberta também não conseguia ter uma alimentação ali organizada. A Roberta tinha colegas que saíam dos plantões, iam para uma academia fazer um exercício, e a Roberta ficava chocada. Como que eles tinham fôlego ainda para fazer academia? Ela se sentia exausta o tempo todo. Tinha dia que a Roberta acordava às 5 da manhã, trabalhava até 2 horas da tarde, e quando ela não tinha compromisso, ela aproveitava para dormir um pouquinho ali antes de começar um plantão noturno. Mas tinha dia que nesse período da tarde a Roberta tinha que estudar para o doutorado. E aí era dia que ela não tinha plantão à noite, mas ela ia dormir só depois das 10 da noite, já pensando em acordar às 5 da manhã. Tudo isso com Roberta casada há quase um ano com Rodrigo, mas ali totalmente focada no profissional, porque era o momento que Roberta tinha planejado ali esse crescimento e tal. Como a Roberta trabalhava muito, ela colocava na conta dessa quantidade de trabalho a falta de autocuidado. Ela não fazia nenhum exercício, comia mal, dormia pouco. Vivia sob muita pressão, estresse, porque ela trabalhava em uma UTI. Chegava final de semana, o que que ela fazia? Tomava uma cerveja ali para dar uma relaxada, quando não pegava plantão de final de semana. Bebia uma cerveja em excesso, fumava bastante e estava ali acima do peso. Um combo de hábitos que a Roberta, como profissional da área da saúde, sabia que não tava bacana. Roberta se sentia muito culpada por isso. Ela também se perguntava: "Será isso mesmo?" Se tudo isso estava fazendo bem para ela. Ela estava realizada porque ela estava trabalhando com o que ela sempre sonhou. Mas a Roberta também percebia que ela estava longe de estar feliz. Um dia, nas redes sociais, a Roberta viu um post de uma colega, da época ainda do ensino fundamental, pedindo para que as pessoas cuidassem da saúde, contando que ela estava com câncer de mama aos 26 anos. Roberta ficou em choque ali, nem passava pela cabeça dela que isso poderia acontecer com alguém tão jovem. 26 anos a moça tinha. Roberta leu ali a notícia, na hora pegou o telefone e ligou para irmã dela, Renata, que era 3 anos mais velha que ela. Contou para Renata: "Lembra daquela nossa colega tal, tá com câncer." Conversando com a irmã ali, ela percebeu que ela mesma não fazia um check-up há uns 4 anos pelo menos. Foi por conta desse post da sua colega filha ali do ensino fundamental de 26 anos que tava com câncer, que a Roberta resolveu fazer alguns exames e cuidar da própria saúde. Como a Roberta fumava muito e sentia muita falta de ar, ela começou pelos exames ali de pulmão. Chegou a fazer um nasofibro, que é tipo uma endoscopia, mas é pelo nariz, né, para ver aí a cavidade oral, a faringe, a laringe, que a Roberta morria de medo de estar com câncer de garganta, "Vou tentar mais." Não acusou nada. Fez a parte cardíaca, depois fez endocrinologista e tava tudo ok. Nisso, a Roberta ia fazendo ali o autoconhecimento das mamas também. O correto não é falar autoexame das mamas e sim autoconhecimento, porque exames só são feitos por um profissional de saúde. Procurando ali pelos exames antigos, a Roberta se deu conta que tinha uns 5 anos que ela não ia ao ginecologista. E ela tomou um susto, porque na cabeça dela não tinha passado tanto tempo assim. Mas ela não tinha realmente ido, não tinha priorizado ali no check-up a ida ao ginecologista. Ela ficou com um pouco de vergonha, porque era uma profissional da saúde, ia ter que chegar agora numa outra profissional da saúde e dizer que tinha ficado 5 anos sem fazer uma consulta. O tempo passou com a Roberta fazendo ali o autoconhecimento das mamas. Até que em maio a Roberta sentiu um nódulo no seio esquerdo. Parecia ali um grão de bico e ela tinha certeza que não tava ali antes. Muito assustada, ela chamou o Rodrigo e disse: "Amor, eu tô com câncer de mama." Rodrigo respondeu que ela tava impressionada por causa da história da colega ali, que era pra ficar tranquila, que ela tava muito impressionada com aquilo. E tava mesmo. Como nesse dia a Roberta tava menstruada, ela preferiu esperar verificar se o seio esquerdo ainda tinha aquela bolinha, esperar o seio desinchar e tal. E uns dias depois, já com seios menos inchados, Roberta viu o nódulo e em vez de desaparecer, ele tava mais aparente. Roberta então marcou uma mastologista com urgência, procurou por um profissional que fosse obstetra e tivesse ali exame de ultrassom na sala pra ela ter um resultado mais rápido. Nessa época, a Roberta tava com 27 anos. O médico examinou ali e por conta de nenhum histórico familiar e a idade, ele acreditava que aquele nódulo pudesse ser benigno. E ele quis marcar mais pra frente outros exames pra saber se o nódulo poderia ter evoluído. Roberta se desesperou porque ela queria fazer tudo ali e agora. E ela falou pra ele: "Você não tá entendendo." Ela fazia o autoconhecimento das mamas há muito tempo. Ela tinha certeza que aquele nódulo não tava lá, que a mama esquerda estava muito inchada e que ela não ia conseguir ficar tranquila. O mastologista levou em consideração as preocupações da Roberta e pediu uma biópsia. Aquele período que a Roberta ficou esperando o resultado da biópsia parecia uma eternidade e ela passou esse período numa angústia, até que no dia 7 de julho de 2016, a Roberta, aos 27 anos, recebeu diagnóstico de câncer de mama. E ele não estava no estágio inicial. Na hora, Roberta ficou desesperada. Ela tinha certeza que ela ia morrer. Ela achava ali que o câncer era realmente uma sentença de morte. Ela ficou sem chão. O câncer era um carcinoma medular invasivo grau 3. Estágio 3: ela chorava desesperada, se perguntando por que aquilo tinha acontecido com ela. Ela queria fazer tanta coisa, ela tinha tanta coisa para viver ainda, para realizar. Consolada ali pelo marido, Roberta oscilava entre o desespero e a raiva. Eles tinham acabado de casar, estavam começando uma vida ali juntos, tinham viagem marcada para comemorar um ano de casado. Por que aquilo estava acontecendo? Rodrigo dando uma força ali para Roberta, tentando ter esperança, deixá-la menos Desesperada, Roberta nem conseguia olhar pro Rodrigo, porque ela sabia que se visse ele chorando, ela ia desabar. Enquanto isso, o celular da Roberta não parava de tocar com mensagens da irmã e da Dona Roseli, a mãe dela, que eram as únicas duas pessoas que sabiam que ela ia pegar o resultado da biópsia. Roberta percebeu ali que ela teria que ser forte pela família dela. Todo mundo ficou muito abalado e a Roberta percebeu que o diagnóstico de câncer ia respingar em todos da família. E se aquele estigma de sentença de morte tinha batido nela, óbvio que estaria batendo também em todo mundo ao redor dela. Principalmente na família, no marido e tal. A família ter ficado abalada foi uma chave também que virou ali pra Roberta.

Voz D:Nesse momento ela parou pra pensar: "Eu tenho que falar pra minha família que, ó, eu tô aqui, tô bem, tem cura, a gente vai passar por bons médicos, fazer todo o tratamento." Ela também sabia que ela não ia ser forte o tempo todo.

Voz B:O tempo todo e que para algumas coisas ela ainda estaria fragilizada. Então ela pediu que a Renata contasse para o irmão delas ali mais novo, enfim, né, conversasse com a família para ela não ter que ficar toda hora revisitando essa questão do resultado da biópsia. Dias depois, Roberta foi na primeira consulta com a oncologista, uma médica com uma fala muito doce, gentil, mas que falou absolutamente tudo que a Roberta precisava saber. Falou que o tipo de câncer que ela tinha era o mais agressivo, que era um câncer raro, mas que as possibilidades de cura eram grandes. Falou sobre o tipo de quimioterapia que Roberta teria que fazer, que era quimioterapia neoadjuvante, feita antes de qualquer procedimento cirúrgico, porque em cânceres agressivos, em que eles se multiplicam muito rápido, a quimioterapia neoadjuvante É para tentar diminuir esse câncer e frear o crescimento para que depois seja feita aí a cirurgia. E a oncologista falou também para Roberta sobre os riscos de infertilidade, risco de problemas renais, os efeitos colaterais. E era tanta informação que a cabeça da Roberta ali tava explodindo. Roberta, depois de ouvir tudo, perguntou duas coisas para médica: se o cabelo dela ia cair Roberta tava com um cabelo enorme e ela nunca tinha tido um cabelo tão bonito e tão grande como tava. Era muito difícil pra ela pensar em perder o cabelo. E a segunda coisa foi se ela teria que parar de beber. Pra Roberta, beber não era só ingerir álcool, mas era perder um hábito de tá ali com a turma, relaxando. Fazia parte da rotina dela. E a médica falou que a porcentagem de pacientes de câncer de mama que não perdiam os cabelos era muito pequeno. Explicou que a Roberta não só não poderia beber por conta do tratamento, mas também explicou da relação do álcool no câncer de mama. Roberta iniciou o tratamento com protocolo de 4 quimioterapias vermelhas e 12 brancas, com duração de 6 meses. Sua irmã e o Rodrigo sempre acompanhavam ela em todas as sessões, e ao final de cada sessão ela ficava tão fraca que ela não conseguia sequer responder uma simples pergunta. Não conseguia dar 10 passos sem ficar cansada e ela sentia muito enjoo. Comer era alguma coisa muito difícil para ela. Ela tinha muito enjoo, sentia o cheiro de qualquer comida, piorava o enjoo da Roberta. Mas ficar sem comer não era uma possibilidade. Ela sentia muito sono, sentia os rins quentes, talvez pelo tanto, né, que eles estavam trabalhando. Tudo isso aconteceu durante as quimioterapias vermelhas e a oncologista disse: que os enjoos iam diminuir bastante a partir daquele momento, mas que nas químios brancas ela sentiria dor, uma dor parecida com a dor do dia após a prática de exercícios físicos, sabe aquela dor no corpo? Roberta não sabia como era, porque ela não fazia exercício, então ela nem sabia como era essa dor. Após a primeira sessão da químio branca, Roberta chegou em casa e começou a chorar. Ela chorava muito. Ela achava que ela não ia sobreviver. E não é que a Roberta tava achando que ela ia morrer de câncer, ela achava que ela ia morrer da quimioterapia. Como que ela ia chegar até a 12ª quimio branca? Ela sentia dores, ela tinha uma sensação de vermes corroendo os ossos, ela tinha uma dor insuportável nos ossos. A Roberta disse que ela sentiu uma dor muito maior do que ela achou que ela conseguisse realmente aguentar. E o Rodrigo se desesperou, porque assim, não sabia o que fazer.

Voz D:Ele falava: "Roberta, vamos dar uma volta no parque, vamos tomar um ar, a gente vai devagarinho." Ela foi andar no parque bem devagar com o marido.

Voz B:Ela andou por cerca de 1 quilômetro e ela se sentiu muito bem. Começou a se sentir viva, sabe? Isso foi um divisor de águas, andar no parque. Foi muito importante nessa fase pra Roberta. Antes de começar a químio, como a médica tinha dito que o cabelo provavelmente ia cair, ela cortou o cabelo curtinho assim, abaixo da orelha. E ela tinha uma esperança de que o cabelo não fosse cair, mas sim, o cabelo da Roberta caiu conforme as sessões de químio ali foram avançando. Eles tinham uma viagem de comemoração ali de 1 ano de casamento. E aí ela fez algumas adaptações, porque ela não ia conseguir ir pra um lugar longe. Eles resolveram ir pra Ilha Bela. Quando Roberta tava fazendo a organização ali da mala, ela sentiu que alguma coisa tava pinicando no couro cabeludo. Quando ela passou a mão, ela sentiu um tufo de cabelo. E naquele momento, a Roberta, muito assustada e chorando, percebeu que o cabelo dela tava começando a cair. Foram pra Ilhabela e a Roberta acordava com tufos e tufos de cabelo no travesseiro. Roberta resolveu que ela não ia lavar o cabelo, porque o jato do chuveiro do hotel era muito forte. E ela não queria, tipo, ela entrou hóspede com cabelo e ia sair hóspede sem cabelo. Ela ficou com muita sensibilidade no couro cabeludo. Doía como se o fio estivesse se desprendendo, assim, puxando da raiz. E esse foi um momento muito triste para Roberta, ela chorou, ficou mal, né, de ter que se despedir ali dos cabelos. Ela tinha uma esperança que o cabelo dela não fosse cair. Ela foi deixando o cabelo cair porque ela não tava segura ainda para raspar a cabeça, sabe? Foi ali se fortalecendo e foi vendo que ela realmente teria que cortar os cabelos. E aí no dia seguinte a Roberta se armou de coragem e mesmo triste ela foi num barbeiro e raspou a cabeça na máquina 1, lá mesmo em Ilhabela. Todo mundo achou a Roberta linda e ela foi se acostumando, gostando. Na químio seguinte, porque o cabelo, gente, ele cresce rápido também, ela já tava com o cabelo meio espetadinho, já começou a incomodar, ela passou a Gillette na cabeça. Ficou careca real e tava se amando careca. Roberta se sentiu orgulhosa agora de estar em pé enfrentando o câncer. Roberta entrou na menopausa induzida logo depois da primeira químio, a menstruação da Roberta cessou. E se por um lado, dentro de todas as preocupações que ela tinha, Ficar sem menstruar era a menor delas. Por outro lado, Roberta tava tendo muitos fogachos, aqueles calores que sobem do nada e queimam aí de dentro pra fora. Roberta suava até na cabeça e era acordada pelo fogacho de madrugada. Roberta começou a andar com leque pra cima e pra baixo. Roberta teve secura vaginal. Pra manter ali a vida sexual ativa, ela usava lubrificantes à base d'água. Isso era muito importante pra Roberta, né? Ela se sentia viva. Roberta não teve grandes alterações na libido, mas a insônia se intensificou por conta da menopausa induzida. Roberta também ficou com a pele extremamente ressecada, teve perda de massa muscular por conta da químio. Durante o tratamento, Roberta bebia cerveja sem álcool, o que ela não gostava, mas bebia ali por costume, para se sentir pertencente, para continuar saindo, conversando com a galera. Num dado momento, ela percebeu que aquela cerveja sem álcool era horrível, que deixava ela estufada. E ela se perguntou: "Por que eu tô bebendo?" Porque você pode sentar com os seus amigos e conversar e não precisar ter o álcool ali fazendo parte disso. E aí a Roberta cortou a cerveja. No meio desse tratamento intenso, a Roberta resolveu abrir as suas redes sociais pra contar sua história, né, e desmistificar também o câncer de mama. Contar como era possível fazer um tratamento debilitante, tá triste e ao mesmo tempo tá feliz, tá aproveitando a vida, tá viva. Nesse caminho, a Roberta descobriu que ela tinha um papel muito importante no tratamento. Não esperou o tratamento acabar para começar a se cuidar e a quebrar de vez o estigma de sentença de morte que o câncer carrega. Porque afinal de contas, a Roberta estava viva. Na quinta quimioterapia, a Roberta começou a praticar atividade física. E lembra que naquele comecinho ela andou 1 km com o marido no parque e se sentiu muito bem? A partir dali, a Roberta começou a correr e as pessoas ficavam assustadas.

Voz D:Como uma pessoa que tá tratando câncer podia tá se exercitando tanto, correndo e tal?

Voz B:Roberta começou a fazer musculação pra recuperar a massa muscular que ela tava perdendo, começou a fazer terapia e acompanhamento nutricional. Ela começou a comer de maneira mais saudável, alimentos mais naturais, foi diminuindo o consumo de ultraprocessados. Roberta começou a beber mais água. Enfim, começou a se cuidar real mesmo. Um dia depois da 16ª quimioterapia, Roberta, que tinha se apaixonado pela corrida, correu seus primeiros 8 km. E ela tava muito emocionada. Ela não tinha mais aquelas dores horríveis que ela tinha nos ossos. Ela tava em tratamento, tava fazendo químio, mas tava bem. E tava de um jeito que há muito tempo ela não sentia. Em 2017, a Roberta fez a mastectomia bilateral. A equipe médica que acompanhava a Roberta era composta por oncologista, mastologista, cirurgião plástico voltado para reconstrução ali. Tinha outros profissionais também. E pelo estágio que o câncer tava, foi ali visto que era melhor que ela retirasse as duas mamas e não só a mama esquerda. Foi bem difícil, mas a Roberta fez a denomastectomia, que é a retirada da glândula mamária dos dois lados, preservando o máximo aí de pele e mamilo possível. Na mesma cirurgia, Roberta já colocou as próteses. Roberta teve algumas complicações cirúrgicas, não tava cicatrizando bem, os seios ficaram bastante assimétricos, e isso tinha afetado bastante a estima da Roberta. Fez mais um procedimento cirúrgico em fevereiro e março, nos dois meses seguintes. Em abril, o médico liberou Roberta para correr de novo, né? E em maio ela correu os primeiros 10 km. Roberta tava no céu assim, viciada em correr, hein, Roberta? Em junho de 2017, mais um baque. A Roberta descobriu um tumor no ovário. Foi uma consulta de China, era um tumor de mais de 11 centímetros. Todos os médicos acharam que a Roberta estava com câncer de ovário. Foi mais um momento bem assustador, porque o oncologista disse para Roberta que ela teria que retirar o útero, ovário, trompas e intestino. Roberta negou e pediu outras opções. Os médicos retiraram somente o ovário direito e a trompa, diagnosticaram que era um tumor benigno, e Roberta seguiu fazendo acompanhamento médico. Em setembro, Roberta fez o segundo tempo da mastectomia para reconstrução mamária. Foi uma cirurgia super complicada. Roberta teve que retirar gordura de outras partes do corpo para enxertar essa gordura na mama. Depois de tudo isso, a única certeza que Roberta tinha é que ela não queria voltar a trabalhar no hospital. Roberta tinha passado por todo esse trauma, descoberta do câncer, O tratamento, ela acabou desenvolvendo uma depressão. O tratamento tinha terminado, as cirurgias estavam feitas, mas tinha aquela sensação de: "Hmm, agora a vida vai voltar ao normal? Eu vou voltar para aquela minha rotina?" Agora Roberta era uma nova pessoa, uma nova mulher. Ela tinha outros hábitos, ela se alimentava melhor, ela se exercitava. Roberta corria. Gente, uma pessoa que nem tinha fôlego quando pegava um monte de plantão. Tava fazendo terapia, ela fazia meditação e não queria voltar de jeito nenhum para aquela rotina e os hábitos que ela tinha, né? Porque fazer um monte de plantão como ela fazia, consequentemente ela ia dormir mal, ia comer mal, não ia ter tempo para se exercitar. Ao mesmo tempo era a profissão da vida dela que ela amava. E aí ela se perguntava: o que que eu vou fazer da minha vida? Depois de muito pensar e refletir, Roberta se tornou ponto de vista da causa do câncer. Ela pesquisa os impactos sociais do câncer e o que acontece com os pacientes do câncer depois. Eu vi uma matéria muito interessante sobre isso, né, que geralmente a pessoa descobre o câncer, ela trata, ela faz tudo, e o depois? Hoje a Roberta trabalha exclusivamente conscientizando as pessoas a respeito do câncer, ajudando outras pessoas sobreviventes do câncer e lutando pelos direitos delas. Roberta também fez um curso de formação em yoga e deu aulas por um tempo para mulheres mastectomizadas. Contra todos os prognósticos possíveis e sem planejar, Roberta engravidou naturalmente em 2021, aos 32 anos, da Helena. Oh, bebezinho! Engravidou novamente em 2024 da pequena Elise. Outro bebezinho! Roberta também pesquisa e estuda sobre as possibilidades de amamentação para mulheres mastectomizadas. Atualmente, a Roberta faz acompanhamento médico com a oncologista e com a mastologista uma vez por ano. Em 2026 completou 10 anos que Roberta mudou completamente de vida ao ser impactada aí pela descoberta de um câncer de mama aos 27 anos e virar uma sobrevivente. Uma nova mulher. Agora a gente vai ouvir a Roberta contando como foi a sua experiência com câncer de mama, como isso impactou e ainda impacta a vida dela, e depois vamos ouvir a Doutora Patrícia Taranto, oncologista do Einstein Hospital Israelita.

Roberta Pérez:Meu nome é Roberta Pérez, eu tenho 37 anos, sou natural de Santos, moro em São Paulo capital, e aos 27 anos descobri um câncer de mama. Fui a primeira da minha família a descobrir um câncer um câncer desse tipo, contrariando todos os pensamentos e expectativas que a gente tinha sobre essa doença, de que fosse só acontecer com pessoas mais velhas ou que acontecesse apenas por história familiar. Foi um susto muito grande. Com isso tudo eu também descobri que eu precisava mudar de vida. Não acho que foi o câncer o responsável por todas as mudanças que aconteceram na minha vida, Mas eu acho que através desse grande impacto eu pude fazer grandes transformações. Fui de uma workaholic que estava realizada, mas não estava feliz, cheia de maus hábitos. Eu já estava a caminho do fundo do poço quando eu recebi esse diagnóstico. E aproveitei essa oportunidade terrível de abrir os olhos e começar a mudar, não deixar para depois. A gente tem o costume de deixar para segunda-feira, né? Eu comecei a minha transformação ainda durante o tratamento. Então, na 5ª quimioterapia, eu comecei a caminhar, correr. Terminei minha 16ª quimioterapia correndo 8 km. 3 meses depois da minha mastectomia, eu corri uma prova de 10 km. E sigo honrando a minha saúde através da atividade física, todos os dias, com bons hábitos, porque não é sempre que a gente tem uma segunda chance. Fiz a minha transição de carreira, aproveito o quanto a internet me ajudou, não só no meu processo de descoberta do câncer, mas também como apoio durante o meu tratamento. Uso hoje de todo o meu privilégio de acesso à informação e à saúde para ajudar outras pessoas.

Patrícia Tarento:Meu nome é Patrícia Tarento, sou médica oncologista do Einstein Hospital Israelita. O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres. Quando descoberto precocemente, as chances de cura são muito altas. Grande parte dos fatores de risco está relacionada ao ambiente e ao estilo de vida. Entre eles estão o consumo de álcool, o tabagismo e a exposição prolongada aos hormônios, como nos casos de menstruação precoce ou menopausa tardia. O uso de anticoncepcionais e a reposição hormonal também podem estar associados a aumento de risco em algumas situações. Como reforço, o Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer Manter hábitos saudáveis faz toda a diferença. Uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras e legumes, junto com a prática regular de atividade física, de pelo menos 150 minutos por semana, ajuda a reduzir o risco de vários cânceres, incluindo o câncer de mama. Apenas uma pequena parte dos casos está relacionada a fatores genéticos. Cerca de 10 a 15% dos pacientes podem ter alguma mutação genética com predisposição hereditária associada a um maior risco. Por isso, mulheres com histórico familiar importante ou com diagnóstico de câncer antes dos 50 anos devem conversar com seu médico sobre a possibilidade de realizar teste genético. Quando uma mutação é identificada, outros familiares também devem ser avaliados. Isso permite um acompanhamento mais próximo e estratégias de prevenção mais adequadas para cada caso. Além da prevenção, o rastreamento também é essencial. A mamografia continua sendo o principal exame para detecção precoce de câncer de mama. Para mulheres com risco habitual, a recomendação é realizar mamografia anual a partir dos 40 anos. Já nos casos de pacientes de alto risco, outros exames como ressonância magnética e ultrassom de mama podem ser associados ao acompanhamento. Essas medidas ajudam tanto na prevenção quanto no diagnóstico precoce da doença. Hoje, os tratamentos para o câncer de mama evoluíram muito. Temos terapias cada vez mais eficazes, com melhores resultados e maiores chances de cura. Prevenir é o primeiro passo para cuidar da saúde.

Voz C:Conheça a campanha Quem Avisa, Amigo H, sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e a conscientização a respeito de hábitos saudáveis que contribuem para o combate ao câncer. Essa iniciativa é promovida pela campanha Amigo H, que integra o pilar de responsabilidade social do Einstein Hospital Israelita. A alimentação saudável, prática regular de exercícios físicos, manutenção do peso adequado, exames preventivos e a redução de fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool estão dentro das 17 recomendações de prevenção do LACCODE, ou Código Latino-Americano e Caribenho Contra o Câncer. Acesse agora a página do Instagram da campanha Amigo H e conheça mais sobre essa iniciativa. Eu vou deixar a página e o link aqui na descrição do episódio. Muito bacana essa campanha Amigo H. Valeu Einstein pela parceria, um beijo gente e eu volto em breve.

Voz A:Quer a sua história contada aqui? Escreva para nãoenvelhece@gmail.com. Alarme é mais um quadro do canal Não Envelhece.

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