PRIORIDADE
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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia
Vinhetas: Pipoca Sound
Voz da vinheta: Priscila Armani
- História de Ana LúciaO início do relacionamento e casamento · A convivência com Dona Lourdes · O acidente de Silvério · A recuperação e adaptação de Silvério · A sobrecarga de Ana Maria · O pedido de divórcio de Ana Maria · A reação da família e sociedade · Ana Maria se priorizando
- Perspectiva de gênero no cuidadoA desigualdade de gênero no cuidado familiar · A crítica à sociedade por julgar mulheres cuidadoras
Andreia Freitas:Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. Oi gente, cheguei! Cheguei para mais um Picolé de Limão e hoje eu não tô sozinha, meu publi! Quem tá aqui comigo hoje é a Pet Love. A Pet Love quer tornar o cuidado com os pets mais acessível em todo o Brasil. E hoje eu, tutora, quero conversar diretamente com você que também é tutor. Os nossos bichinhos crescem e a cada fase da vida eles precisam de cuidados específicos. As consultas de rotina exigem mais e os imprevistos não mandam aviso, eles acontecem e pronto. Ter acesso a cuidados básicos para o seu pet pode até ajudar, mas o que te traz uma tranquilidade completa é saber que se ele precisar, você tem na sua mão a garantia de médicos veterinários especializados exames de imagem complexos e internações. A partir do plano Pet Love Ideal você tem tudo isso e não vai precisar escolher entre o seu bolso e a saúde do seu pet diante de um imprevisto. Troque o susto financeiro por uma mensalidade que cabe no seu orçamento com o plano de saúde Pet Love Ideal. Ele é mais completo do que o plano de saúde básico da Pet Love Você paga um valor acessível por mês, a contratação é 100% digital e é super fácil de usar. Planos de Saúde Pet Love, se tem pet tem que ter. Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio e fica comigo que tem o quê? Tem cupom! E hoje eu vou contar para vocês a história da Ana Maria. Então vamos lá, vamos de história! Ana Maria sempre teve como meta estudar, queria fazer uma faculdade faculdade, depois fazer uma pós. Então ela foi investindo ali nos estudos, na carreira, com apoio ali da sua mãe, a Dona Regina. O tempo foi passando e essa coisa de relacionamento ficou em segundo plano. Até que um dia, na faculdade que ela dava aula, ela conheceu um outro professor. Quem era este professor? Silvério. Um cara bacana, muito alto astral, assim, tinham muita coisa em comum. Eles tinham Tudo a ver, gente. Ali nasceu um namoro: Ana Maria com 37 anos e Silvério com 38. Ana Maria nunca tinha casado, Silvério também não, e eles se casaram um ano depois ali. Silvério tinha sido criado por uma mãe solo, que a gente vai chamar aqui de Dona Lourdes, e Ana Maria também, que é Dona Regina. Então até isso eles tinham em comum. A diferença é que Dona Regina tem muitos irmãos, muitos parentes, parentes. Então a mãe da Ana Maria, né, então ela mora em outro estado e Ana Maria foi seguir a vida dela. Já o Silvério, a mãe dele não era filha única, e aí teve ele que foi filho único. Ou seja, um era família do outro. Quando eles foram casar, Ana Maria ficou esperando para ver o que seria decidido em relação à casa.
Voz B:E aí o Silvério falou para ela: olha, eu sei que a gente não vai casar e morar com a minha mãe também, não é isso que eu tô te pedindo, mas a gente pode alugar uma casa próximo Sei lá, no outro quarteirão, mais perto, onde eu possa passar para tomar um café com a minha mãe todo dia, tal.
Andreia Freitas:Gente, eu acho super de boa, super ok assim.
Voz B:Ela sempre gostou da Dona Lourdes e Ana Maria falou: por mim, sem problema, então vamos fazer isso.
Andreia Freitas:Alugaram ali um apartamento perto da casa da Dona Lourdes. Dona Lourdes, gente, uma fofa, nunca foi lá, sabe, tocar campainha sem avisar, nunca foi invasiva. Então foi dando tudo certo.
Voz B:Ana Maria falou: bom, e aí, a gente vai tentar? Se a gente for tentar ter um filho, é agora. Silvério falou: olha, eu não quero te botar pressão nenhuma, vamos deixar rolar. Se for para ser, você não se previne, a gente, né, tem esse filho. Senão a gente tá vivendo nossa vida, tá muito boa. Nossa, ainda bem que você falou isso, que eu também penso assim. Então vamos deixar rolar.
Andreia Freitas:Nesse deixar rolar, Ana Maria não engravidou e eles foram seguindo o relacionamento. Um relacionamento, gente, bom, muito bom assim. O Silvério, um cara muito bacana, trabalhador, adorador, né? Todo mundo na faculdade onde ele dava aula gosta dele. Então assim, gente, tudo certo. Ana Maria só dá aula, o Silvério tem coordenação de algumas coisas. Ana Maria trabalha de manhã e à noite dando aula, e o Silvério trabalha de manhã dando aula, à tarde na coordenação. Ana Maria tá um dia lá à tarde na casa deles Quando o Silverio chega desesperado para pegar a chave da casa da mãe, justo naquele dia ele tinha esquecido a chave da casa da mãe. Uma vizinha tinha ligado para falar que tava escutando a Dona Lourdes gritar dentro da casa e ela não abria a porta para ninguém, para os vizinhos ali, né? Um vizinho tinha pulado o portão porque ninguém tinha chave ali. Mas ela não abria a porta. E aí a vizinha ligou pro Silverio e o Silverio teve que passar ainda pra pegar a chave, uma correria. E Ana Maria correu junto com ele. Era tipo um quarteirão e meio, né, da casa da Dona Lourdes. Chegou lá, que que tinha acontecido? Ela botou um óleo no fogão e acho que esqueceu. Começou a pegar fogo a panela e ela conseguiu jogar a panela dentro da pia, mas aquele óleo tava queimando ainda, tava a chama, mas tava dentro da pia já. E ela ficou ali gritando, parecia que ela tava em transe. Foi uma situação muito estranha. Eles resolveram investigar e sim, Dona Lourdes estava começando a ter um declínio ali, algumas questões mentais.
Voz B:E Silvério falou: olha, Ana Maria, eu não vou ficar em paz com a minha mãe sozinha lá na casa, mesmo com uma cuidadora. Será que a gente não pode trazer ela para morar aqui?
Andreia Freitas:E Ana Maria, gente, ela falou para mim: "Andréia, tô com meu marido, entendeu? Lógico, Dona Lourdes sempre foi boa para mim. Vamos trazer a Dona Lourdes para morar aqui." Era um apartamento alugado, eles não tinham pets nem crianças, então o apartamento não tinha tela. E um dia Dona Lourdes quase caiu da janela. Foi por uma sorte que a porta não estava trancada. O vizinho do lado foi bateu o cigarro que ele tava fumando dentro da casa dele e viu uma senhora com a perna pra fora. Se a porta não tivesse aberta, né, destrancada, ele ia arrombar, porque ele percebeu que era uma senhora que tava meio que alucinando ali. E aí esse vizinho conseguiu tirar Dona Lourdes da janela. E aí levaram a Dona Lourdes lá pra recepção do prédio, precisou ligar E aí Ana Maria e Silverio resolveram que eles iam morar na casa da Dona Lourdes, que ela tinha casa própria, era uma casa que dava pra fazer as adaptações ali pra ela não fugir ou pra ela não sofrer nenhum acidente. Ana Maria e Silverio tiraram qualquer líquido inflamável da casa, isqueiro, palito de fósforo, e o fogão foi trocado por um fogão elétrico de indução. Mesmo ligado, se a Dona Lourdes colocasse a mão, não ia queimar. Foi colocada ali uma cuidadora para ficar de manhã com a Dona Lourdes, à tarde Ana Maria ficava e à noite o Silvero ficava. O tempo foi passando. O relacionamento piorou por conta disso? Não, Ana Maria estava dando conta e estava tudo certo. Só que a Dona Lourdes foi piorando mentalmente. Era uma questão de talvez colocar Dona Lourdes numa instituição. Só que eu entendo também o Silvério de falar: "Eu nunca vou pôr minha mãe num asilo, num lugar desse. Eu vou cuidar da minha mãe." Ela foi piorando a ponto de passar fezes nas paredes. Assim, ela ficou realmente mal, né? Ana Maria e o Silverio começaram a ter opiniões diferentes. Ana Maria achava que Dona Luz precisava de mais suporte, de uma clínica. Só que o Silverio, lendo sobre as questões alimentares da mãe, chegou lá num texto, num artigo, alguma coisa assim, de que o cenário dela mudando, tipo, ela saindo da casa dela que ela já conhecia tudo, indo para uma clínica, ela ia piorar muito mentalmente. Então ele não queria isso, não queria perder, porque ela tinha alguns lampejos ainda de lucidez, né? Ele muito relutante em botar a mãe numa clínica. Silvério estudava tudo que ele podia a respeito das questões ali da mãe para dar um conforto maior para ela. Por exemplo, ele entrou em grupos, né, de pessoas que têm parentes na família, do jeito que a mãe dele tava, vocês podem entender que ela tinha um severo declínio mental e que só ia piorando. Ele também chegou lá no entendimento, nesse grupo de experiências de outras pessoas, se você fosse ter cuidadora em tempo integral funcionava mais se você tivesse cuidadores diferentes, tipo a cuidadora da manhã fica com ela um período, 6 horas. Ah, o da tarde 6 horas. E aí à noite não precisa, porque eles estão lá, né? Isso funcionaria melhor do que uma mesma pessoa 12 horas. Bom, em termos de atenção, de cuidados, né, quando você fica menos tempo com paciente que te demanda demais, você consegue fazer seu trabalho e ir embora. 12 horas é mais puxado, você acaba deixando de fazer as coisas. Dona Lourdes já tava aposentada.
Voz B:"Mas a gente vai conseguir pagar esse cuidador 2 períodos?" Silvério falou: "Olha, eu vou fazer minhas contas aqui, mas eu creio que sim. E ainda acho que eu consigo assim, entre o dinheiro da minha mãe e o meu, acho que dá." Quando colocou esse cuidador à tarde, melhorou um pouco para Ana Maria, mas ela perdeu um pouco da privacidade.
Andreia Freitas:O cuidador da tarde era bom, Mas eles estavam sempre ali, então também atrapalhava Ana Maria. Mas ela falou: "Andréia, é questão familiar, é minha família, então assim, não vai ser tudo que vai me agradar e tá tudo certo." O tempo foi passando, eles foram fazendo essas adaptações, adaptando a casa também, as questões de segurança da Dona Lourdes. Silvério e Ana Maria tinham muito diálogo. 3 anos depois dessa dinâmica já, né, de cuidador, já tava tudo assim acertado, química ali com a Dona Lourdes. Um dia Ana Maria botou Dona Lourdes para dormir, tinha todo um ritual, uma coisa, né.
Voz B:Bom, agora eu vou sentar, tomar um chá, esperar o Silvério chegar.
Andreia Freitas:Eles conversavam antes, tal, Silvério chegava, tomava banho, jantava, eles ficavam ali conversando, né. Foi dando 11:30, que era mais ou menos o horário que o Silvério chegava. 11:30. Meia-noite e meia, uma e meia, nada do Silvério. Ana Maria não tinha nem como sair para procurar, porque a Dona Lúlice não podia ficar sozinha, hipótese alguma. Já era de madrugada, como que ela ia chamar a vizinha para ficar, né? E aí ela começou a ligar para os professores, os dois eram professores, né, do mesmo lugar, para saber se tinha acontecido alguma coisa, se ele tinha saído, professores que estudavam com ele à noite, né?
Voz B:A galera que atendeu, 2, 3 pessoas, não, ele saiu, a gente saiu todo mundo junto, tal, né? Vi ele saindo de carro, não sei, né, se aconteceu alguma coisa. Um professor falou: deixa comigo, eu vou ligar nos hospitais, eu vou dar uma rodada.
Andreia Freitas:Nessa rodada, ele achou o carro do Silvério batido, capotado. Seu velho tava no hospital em estado grave. Foi um baque, um baque para Ana Maria. Ela tinha agora Dona Lourdes ali, ela não podia nem sair para correr para o hospital, tinha que esperar a cuidadora chegar, 6 horas da manhã. Esse professor ficou lá até Ana Maria chegar, tinham que esperar, foram fazer exames.
Voz B:A hora que o médico foi falar com Ana Maria, falou: "Olha, você tem que se preparar que a gente tá investigando, mas aparentemente ele tem uma lesão na coluna. É uma lesão mais baixa, isso significa que ele consegue manter os membros superiores. Não sabemos se atingiu região pélvica, essas coisas, para você movimentar. É, bom, não sabemos muita coisa, estamos fazendo exame, mas precisa se preparar para essa questão, caso, né, ele vem aí a perder parte da mobilidade.
Andreia Freitas:Naquele momento, tudo que Ana Maria queria é que ele saísse do risco, porque ele tava correndo risco, né? Os dias foram passando e ele foi melhorando, recobrou a consciência ali. Ele não conseguia lembrar o que tinha acontecido, mas ele não machucou ninguém, não atropelou ninguém. Alguma coisa aconteceu ou passou na frente do carro que ele bateu, capotou, né? Bateu a quina do pneu, sei lá, foi isso, né? Assim, foi isso que ela ficou sabendo lá. Quando ela chegou, tinha um policial ainda lá fazendo, PM, fazendo relatório, sei lá. E aparentemente que ele falou, parece que ele tinha batido o pneu na quina, e aí o carro virou, tombou, girou 2, 3 vezes. Silvério foi melhorando e foi tendo a consciência de que ele não conseguia mexer as pernas. Tinha mantido as funções ali, né, ele conseguia fazer xixi e tal sozinho, né, ele sentia. Ele não tava conseguindo movimentar as pernas, não dava para saber se essa lesão seria reversível ou não. Naquele ponto que ele tava ainda do acidente muito recente, Ana Maria, desesperada, tendo que cuidar dessa situação, ao mesmo tempo não podia dormir com o marido porque ela tinha que dormir com a Dona Lourdes. E ele mesmo falava: "Por favor, dorme com a minha mãe, cuida da minha mãe." Agora, Dona Lourdes tinha crises piores porque ela queria saber onde estava o Silvério. Quando ela tinha alguns momentos de lucidez, ela procurava pelo Silvério. E não achava. Mesmo quando ela não tava tão lúcida, a presença, a voz do Silvério acalmava ali a Dona Lourdes. Uma coisa que Ana Maria falou que marcou muito ela é que quando ele tava meio mal ainda, que ele foi acordando, a primeira coisa que ele falou é: "Se eu morrer, por favor não coloca minha mãe numa clínica." E Ana Maria, a primeira coisa que ela tinha pensado era isso. Se ele tivesse morrido, ela ia botar Dona Lourdes numa clínica, porque ela não ia aguentar sozinha. Mas, né, se ela prometesse ali para ele, se ele morresse, alguma coisa assim, aí ela não ia botar, né, porque ela fez uma promessa. Silvério saiu do hospital numa cadeira de rodas. A medula dele foi danificada ali bastante, mas talvez com reabilitação ele conseguisse alguns movimentos das pernas. Mas a cadeira de rodas era um item agora que tava naquela equação. E ele saiu de lá abalado, gente. Quem que não sai abalado? Quando eu fui atropelada por um ônibus, por conta do impacto, porque eu fui jogada longe, eu também fiquei um dia e um pouco sem conseguir mexer nada. Mas era do impacto. E aí, como você tá muito inchada, tal, alguns exames tem, você tem que esperar, né, para fazer. Então eu passei toda essa esse período de muita angústia, sem saber se eu ia conseguir voltar a andar ou não, né? Mas aí, conforme foi passando o impacto tal, que eu fui sentindo realmente as dores, porque até isso eles te dão menos analgésicos para realmente você sentir, se você tá sentindo, né? E enfim, essa é outra história. Ele saiu na cadeira de rodas mentalmente muito abalado. E agora tendo que fazer todas as adaptações. Como ele ficou uns 20 dias internado e o médico já tinha falado que sair do hospital seria já uma grande vitória e ele sairia assim numa cadeira de rodas. Que que Ana Maria fez? Ela correu, arrumou um pedreiro e fez todas as adaptações. Então fez uma rampa ali na frente da casa, adaptou ali chuveiro, adaptou o lado dele da cama com barra de acesso. Deixou a casa o mais acessível possível para que ele não sentisse tanto assim o impacto. Mas Silvério voltou deprimido. Ele mal queria sair da cama. E agora Ana Maria tinha que lidar com o Silvério que estava afastado do trabalho, mas continuava ali recebendo com a Dona Lourdes, que tinha agora crises mais fortes. Quando ela estava lúcida, ela via o filho como estava, eles choravam abraçados e ela piorava. Um dia, Ana Maria falou isso para o Silvério: "Silvério, tenta não chorar com a sua mãe, porque ela fica muito... ela fica descompensada, né? E é muito difícil depois para os cuidadores deixarem ela no prumo de novo." Ele ficou muito bravo porque ele falou: "Olha, você tá pedindo...
Voz B:Olha como eu tô aqui, você tá pedindo para eu não chorar?" Eu entendo ele e eu entendo ela.
Andreia Freitas:O tempo foi passando e a Ana Maria foi ficando sobrecarregada. Ana Maria agora não podia parar de dar aulas, tinha que ter 3 cuidadores porque o Silvério não queria sair da cama. Começou a ter gatilho de chegar em casa, ela começou a ficar doente. Ao mesmo tempo, ela sabia das obrigações que ela tinha com os dois, gente, não dava para ela simplesmente paralisar e falar: "Não vou fazer nada." Ela foi acostumando Dona Lourdes com aqueles cuidadores, aquelas 3 pessoas que vinham, né, para cuidar dela. Foi ajudando o Silvério, arrumou um psicólogo. Silvério começou a fazer as coisas da casa. O que que ela fez? As coisas que ele gostava ficava tudo em armário alto. Ela reformou a cozinha, botou tudo para baixo para ele não se sentir mal, sabe? Então se ele precisasse de um copo, de um prato, uma panela, deixou a parte de cima da cozinha só com estantes com plantas assim, que ela gostava de planta. Ainda assim E se ele falar: "Poxa, não consigo regar essa planta"? Ela colocou plantas de plástico só para enfeite. Cozinha ficou bonita, ficou totalmente acessível para ele. Ela foi adaptando a casa toda. Ao mesmo tempo, a convivência deles, que sempre foi muito boa, agora estava mais difícil, mas não por questões do casal, porque o Silvério realmente teria ali algumas batalhas a mais, Como ele via que Ana Maria fazia tudo também, ele se entregava. E ela foi adoecendo, começou a tomar remédio, precisou tomar remédio para dormir e incentivava ao máximo que ele fosse totalmente independente. 4 anos cuidando da sogra, do marido, até que ele conseguisse se reabilitar Ele voltou a dar aulas na faculdade, ele voltou a cuidar da mãe, o banheiro foi totalmente adaptado e quando Ana Maria terminou todas as adaptações, que ele já tinha, tava reintegrado de novo, né, o carro dele já tava adaptado também, porque o seguro deu outro carro e o carro dele agora já era adaptado, ele tava fazendo fisioterapia, ele não tinha força nas pernas, mas ele de muleta conseguia dar uns passos, então ele já se sentiu melhor também. Agora ali era uma casa com duas pessoas com deficiência e a Ana Maria muito sobrecarregada. O que os dois não entendiam, não estavam sabendo, é que Ana Maria estava fazendo todas aquelas adaptações, deixando todo mundo bem ali redondinho, pra quê, gente? Para ir embora. E aí, quando ela percebeu que o Silverio já tava adaptado de novo, já tava saindo com amigos, que ele já tava bem, que a Dona Lúdia já tava agora mais calma, por ver também nos momentos de lucidez que o filho dela tava bem, ela chamou Silverio para conversar e falou: "Olha, Silverio, eu preciso agora me priorizar, porque eu estou adoecendo, eu vou enlouquecer e eu não consigo mais." Ele chorou e ficou muito ressentido.
Voz B:Falou: poxa, não era na alegria e na tristeza, na saúde e na doença? Agora na doença você vai me deixar? Eu não te deixei. Enquanto você precisava de uma pessoa aqui, eu tava aqui, mas agora eu não consigo mais.
Andreia Freitas:E gente, não era nem uma questão também, alguém pode falar, sei lá, uma questão sexual. Não era também, porque eles retomaram também essa questão, né, da sexualidade ali dele. Na medida do possível, ele tava totalmente adaptado, funcional. Dona Lourdes estava cuidada. Nesse meio tempo, Dona Regina vinha para ajudar e ficava também com eles ali. E aí ela pediu o divórcio. Ana Maria, que é quem nos escreve, pediu o divórcio. Isso deu um baque no Silvério. As pessoas da universidade ficaram contra Ana Maria, mas só ela sabia o que ela passou dentro de casa. Eu, você, a gente pode falar: eu não faria Isso, mas a gente não tá na pele da pessoa, né? Ela falou: Andréia, eu cuidei até onde eu consegui. Como ela viu que o clima não tava bom para ela também na faculdade, ela já aplicou para dar aula perto da casa da mãe, lá na cidade da mãe, e ela voltou a morar com a Dona Regina. Não quis nada no divórcio, dividir nada.
Voz B:Olha, eu só quero realmente respirar um pouco, sem ter toda essa dinâmica de cuidar das pessoas e tal.
Andreia Freitas:A Dona Regina não se conforma, não aceita, fala para Ana Maria: "Onde eu errei?
Voz B:Eu não criei uma filha para abandonar marido doente, sogra doente, para viver a vida." Dona Regina ameaçou se mudar para casa do Silvério para cuidar deles, mas o Silvério também tem o orgulho dele, falou: "Dona Regina, fica tranquila." eu e minha mãe, a gente vai se virar, a gente vai fazer as coisas.
Andreia Freitas:Ele tava realmente adaptado, gente, sabe? Ele é uma pessoa capaz, o Silvério. Ana Maria disse: Andréia, eu assim, eu não larguei dele para ficar com ninguém, eu sempre amei o Silvério, mas era muito pesado para mim, porque ao mesmo tempo que ele era legal com todo mundo, ele também era legal comigo. Mas quando ele tava revoltado, quando ele tava magoado pela situação dele, era em mim que ele descontava, era em mim, para mim que ele falava as barbaridades, era para mim que ele fazia desaforo. E a mãe dele, os gritos da mãe dele todo dia, assim, ela foi realmente ficando adoecida. E quando ela teve esse clique do divórcio, um dia que ela chegou para dar aula e uma outra professora falou: Ana Maria, olha no espelho, olha como você tá. E ela olhou, ela tava um farrapo assim, nem o cabelo ela penteava mais. Ela tava, ela tava, ela olhou e falou: eu tava realmente um trapo. As pessoas todas notavam, e ainda assim as pessoas ficaram contra ela quando ela pediu o divórcio. Hoje ela dá aula, mora com a Dona Regina. Dona Regina sempre que pode joga na cara que ela não sabe onde errou para criar uma filha que abandonou a família quando a família mais precisou dela. Só que o momento que eles mais precisaram Ana Maria tava lá. Ele voltou a dar aula, assumir a coordenação que ele tinha, sabe? Assim, ele ganhou até mais aulas lá, ele tem agora umas isenções. Enfim, eles não ficaram mal financeiramente, tem os cuidadores da mãe, o Silvério faz todas as coisas, inclusive dirige um carro adaptado, né? E Ana Maria falou: "Andréia, eu tinha que ficar lá então para sempre, porque enquanto eu tava lá ele fazia menos coisas. Agora que eu não tô, ele faz as coisas que ele fazia antes. Antes a sobrecarga era minha." E eu um dia, né, depois que eu me olhei no espelho lá, que a professora falou que eu tava um farrapo, e eu realmente tava, eu falei: "Qual que é a minha prioridade agora?" Eu achei, sem fazer terapia, nada, que aquele era o momento de eu me priorizar. E não tinha como eu me priorizar naquela dinâmica dos dois, porque eu tava lá para cuidar dos dois. Ia ser assim se eu não tivesse saído. Mesmo Silvério sendo um cara bacana, mesmo a Dona Lourdes sempre foi uma boa sogra, e minha mãe me condena e tem um desgosto de mim por eu ter largado Silvério. O que vocês acham?
Thaís:Olá, não inviabilizers, quem fala é Thaís de São Paulo. Eu acho que a pergunta principal é: quem cuida de quem cuida? A gente quase nunca fala disso, mas é real. Quando a vida de alguém vira só cuidar do outro, a gente acaba adoecendo também. E eu acho que não é falar sobre uma hierarquia de dor, é sobre humanidade. Então é maternar, cuidar de alguém doente, sustentar tudo sozinha. Isso dá cansaço, dá tristeza, dá solidão. Ana Maria, querida, você não errou. Você fez tudo que você podia, até onde você podia. E você tem o direito de se cansar, de querer se cuidar, de escolher se cuidar. E no final das contas, ninguém é culpado pelas tragédias da vida. A gente precisa entender uma coisa básica: quem cuida também precisa de cuidado. Sem isso, a conta não fecha. Eu espero realmente que você consiga se libertar de qualquer culpa, que você escolha se acolher e se respeitar. Um grande abraço.
Brígida:Oi, Nevia Blazers, meu nome é Brígida, falo de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. É uma reflexão: quantos homens cuidam da sogra, do sogro doentes, da própria esposa quando fica doente? Quantas histórias a gente ouviu aqui de um homem cuidando de uma mulher? Eu não me lembro. Já ouvi várias de homens abandonando mulheres que ficaram doentes, que tiveram problemas. Enfim, é muito injusto para mulher, porque Ana Maria cuidou dessa sogra praticamente desde que casou, depois do marido mais de 4 anos, E o dia que ela viu que pra ela tava demais, que ela precisava cuidar dela própria, aí ela é amplamente criticada pela sociedade. É difícil ser mulher, né? A gente recebe muito pouco e tem que dar demais. É muito injusto.
Andreia Freitas:A Pet Love quer tornar o seu pet mais feliz e saudável com a medicina preventiva e o seu amor de tutor responsável. Ter o plano de saúde Pet Love Ideal garante acesso facilitado a especialistas, exames de imagem complexos Além de todo o amor que você tem pelo seu pet, com o plano de saúde Pet Love Ideal você proporciona uma proteção completa. E usando o nosso cupom PONEI75, PONEI tudo junto, maiúsculo sem acento, 75 numeral, você ganha 75% de desconto na primeira mensalidade. Clica no link que eu deixei aqui na descrição do episódio e contrata o plano de saúde Pet Love para o seu bichinho agora! Planos de Saúde Pet Love, se tem pet, tem que ter! Valeu Pet Love, te amo! Um beijo, gente, e eu volto em breve. Quer a sua história contada aqui? Escreva para nãoinviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Enviabilize.
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